Filosofia na Polis/ Cidade

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Trabalho final elaborado para a disciplina de Filosofia 11º ano; Colégio Nª Srª da Boavista; docente Sérgio Morais.
http://historicofilosoficas.blogspot.com

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Filosofia na Polis/ Cidade

  1. 1. - Espaço público e privado Filosofia na cidade - Convicção, tolerância e diálogo - a construção da cidadania
  2. 2. Introdução A análise do tema “Filosofia na cidade”, tem o objectivo de privilegiar a contribuição da filosofia para a construção da cidadania, reabilitando a ideia de que o vínculo que une a filosofia à cidade vem das origens, da Polis grega. É importante o reconhecimento deste tema para que seja possível conhecer a grande importância da tolerância e do diálogo como valores no nosso tempo, para compreendermos melhor de que se trata o conceito cidadania e, para além disso, para esclarecer de que modo é que praticar filosofia contribui para formar cidadãos livres e responsáveis. Quando fiz a escolha do tema que iria abordar, debrucei-me sobre o presente, sobre a sociedade actual e penso que este trabalho é particularmente dirigido aos jovens, aos adolescentes, pois são eles que irão construir o futuro. É neles que temos a esperança de um futuro melhor.
  3. 3. Espaço público e espaço privado
  4. 4. Em Atenas a vida política desenvolvia-se na praça pública ou ágora e envolvia a participação de todos os cidadãos. Desta forma de organização política – a democracia – nasce o conceito de espaço público por oposição ao espaço privado. Assim, para os gregos, o espaço público é o espaço da discussão, do diálogo e do debate político, o lugar onde se decide sobre aquilo que é comum e diz respeito a todos. O espaço privado é o espaço da casa e da família, onde se decidem os assuntos domésticos. Actualmente, apesar da evolução político-social das sociedades, estes conceitos mantêm no essencial o sentido inicial.
  5. 5. Espaço público <ul><li>O espaço físico que partilhamos com todos os outros. </li></ul><ul><li>O espaço simbólico onde se debatem os temas de interesse comum e se forma a opinião pública. </li></ul><ul><li>O espaço de realização do Estado democrático, onde se confrontam as ideologias e as opiniões dos cidadãos que por intermédio do diálogo e da comunicação argumentativa participam na vida pública, actuam como meio de pressão e exercem o controlo da actividade do Estado. </li></ul>
  6. 6. Espaço privado <ul><li>O espaço da intimidade. </li></ul><ul><li>O espaço partilhado com a família e os amigos, onde se faz a gestão doméstica, a educação dos filhos e a partilha e a gestão de afectos. </li></ul>
  7. 7. A crescente influência dos meios de comunicação de massas, a emergência da chamada “sociedade de informação” contribui para modificar as fronteiras tradicionais entre o público e o privado e a alargar a esfera do espaço público de tal modo que alguns temas tradicionalmente do foro privado das famílias (aspectos relacionados com a sexualidade e com a intimidade) são discutidos na “praça pública”.
  8. 8. Convicção, tolerância e diálogo - a construção da cidadania
  9. 9. Vivemos numa sociedade em que o espaço privado perdeu importância a favor da hegemonia do espaço público.
  10. 10. Vivemos numa sociedade, aberta, multicultural e global. Com a emergência da sociedade da informação e a democratização das novas tecnologias de informação, alargam-se as fronteiras dos grupos humanos. Cada um de nós não é simplesmente cidadão nacional. Hoje somos todos cidadãos do mundo.
  11. 11. O desafio que temos que enfrentar é o de aprender a viver em conjunto num espaço comum constituído por diferentes grupos sociais, étnicos, religiosos com diversas convicções e identidades.
  12. 12. Hoje em dia nenhuma cultura é autónoma e fechada. Graças aos meios de comunicação social, às trocas comerciais, à emigração e ao turismo adquirimos todos consciência de que habitamos num espaço físico comum – a Terra – que temos de partilhar e preservar; somos elos de uma mesma cadeia de seres que têm igual dignidade, os mesmos direitos e deveres, independentemente da sua origem racial e étnica, das suas convicções religiosas ou políticas, do grau do seu desenvolvimento económico ou dos hábitos e padrões de comportamento social, característicos da sua cultura.
  13. 13. Cada ser humano deve construir a sua identidade pessoal e social na convicção de que, apesar da diversidade de convicções religiosas ou outras e dos modelos culturais, económicos e político-sociais de desenvolvimento adoptados, os homens têm de coexistir pacificamente. Esta coexistência pacífica deve guiar-se por valores cívicos: valores de tolerância, de diálogo, de valorização e respeito pelas diferenças culturais, de participação na vida pública, de responsabilidade.
  14. 14. Aprender a viver juntos ou como diziam os gregos, na Cidade, equivale a construir uma identidade alicerçada nestes valores, pois só tendo em consideração os interesses dos outros e participando activa e responsavelmente na construção do bem comum é que nos realizamos enquanto pessoas. Ora esta aprendizagem corresponde aquilo que se pode designar por “construção da cidadania”.
  15. 15. Nunca se falou tanto sobre cidadania, como nos últimos anos. Mas afinal, o que é a cidadania?
  16. 16. A palavra cidadão deriva da palavra civita, que em latim significa cidade, e que tem seu correlato grego na palavra politikos – aquele que habita na cidade. Na democracia ateniense, a cidadania é o direito da pessoa em participar nas decisões que dizem respeito às coisas públicas, isto é, ao destino da Cidade. Esta participação política fazia-se através da participação nas assembleias – Ekklesia – que se reuniam na Ágora (praça política) para deliberar sobre as decisões que diziam respeito a todos e exigiam, por isso, o consenso dos cidadãos. A cidadania é, assim, a capacidade de vivermos em conjunto num espaço que se pretende comum e aberto às diferentes tendências e diversidade de convicções existentes numa comunidade – o espaço público. Esta abertura, a coexistência pacífica e harmoniosa com aquilo com que não nos identificamos é o que nos leva a aceitar o pluralismo, a respeitar a diversidade de pontos de vista e a tolerar maneiras de viver diferentes e, às vezes, até contraditórios com as nossas convicções.
  17. 17. A tolerância implica a capacidade de admitirmos que, para além de toda a diversidade de convicções e de maneiras de viver, deve prevalecer a ideia de que qualquer ser humano não deve ser para nós um estranho, mas alguém com uma dignidade semelhante à nossa já que somos todos humanos e elementos de uma cadeia de seres que coexistem no mesmo espaço e têm um destino comum. Coexistir nesse espaço multicultural implica esforçar-nos por compreender as convicções e as maneiras de viver daqueles que coabitam connosco, significa ainda resolver os conflitos através do diálogo e da não-violência em vez de priviligiar a guerra e a violência como forma de resolução desses conflitos.
  18. 18. Mas como será hoje a tolerância ?
  19. 19. Fala-se muito de tolerância, mas a história recente demonstra que ainda existe violência e intolerância que todos abominamos. Num contexto de globalização, afirmam-se as sociedades multiculturais. Torna-se assim necessário e indispensável a gestão da diversidade cultural. Com o crescente choque de civilizações, os sinais de tensão à escala global, que se evidencia em manifestações mais ou menos violentas, tem vindo a crescer. A intolerância começa e acaba todas as frases. A tolerância é, por isso, a mais urgente conquista para o nosso tempo.
  20. 20. Infelizmente, na sociedade actual assistimos a diversas formas de intolerância e violência. (clicar na imagem) Exemplo:
  21. 21. Que assim seja no futuro! Vamos conquistar a tolerância! (clicar na imagem)
  22. 22. Qual será afinal a relação entre filosofia e cidadania? Qual o papel da filosofia? Declaração de Paris para a Filosofia Nós, participantes das jornadas internacionais de estudo &quot;Filosofia democracia no mundo&quot;, organizadas pela UNESCO, que ocorreram  em Paris, nos dias 15 e 16 de Fevereiro de 1995, Constatamos que os problemas de que trata a filosofia são os da vida e da existência dos homens considerados universalmente, Estimamos que a reflexão filosófica pode e deve contribuir para a compreensão e conduta dos afazeres humanos. Consideramos que a actividade filosófica, que não subtrai nenhuma ideia à livre discussão, que se esforça em precisar as definições exactas das noções utilizadas, em verificar a validade dos raciocínios, em examinar com atenção os argumentos dos outros, permite a cada um aprender a pensar por si mesmo, Sublinhamos que o ensino de filosofia favorece a abertura do espírito, a responsabilidade cívica, a compreensão e a tolerância entre os indivíduos e entre os grupos, Reafirmamos que a educação filosófica, formando espíritos livres e reflexivos - capazes de resistir às diversas formas de propaganda, de fanatismo, de exclusão e de intolerância - contribui para a paz e prepara cada um a assumir suas responsabilidades face às grandes interrogações contemporâneas, notadamente no domínio da ética, Julgamos que o desenvolvimento da reflexão filosófica, no ensino e na vida cultural, contribui de maneira importante para a formação de cidadãos, no exercício de sua capacidade de julgamento, elemento fundamental de toda democracia. In http://www.prograd.ufpr.br/nesef/textos/paris.doc
  23. 23. Depois de ler o texto da Declaração de Paris para a Filosofia, penso que compete à filosofia, elaborar conceitos que permitam compreender criticamente o que acontece à nossa volta e no mundo todo, a fim de que as nossas escolhas e acções contribuam para expandir cada vez mais as liberdades públicas e privadas ao invés de restringi-las.
  24. 24. A prática da filosofia exercita a capacidade crítica, possibilitando aos indivíduos julgar por si mesmos, confrontar argumentações diversas, respeitar a palavra dos outros, submeter-se somente à autoridade da razão, por isso, contribui para a formação de homens livres e cidadãos críticos participativos e responsáveis.
  25. 25. Na verdade, ao reflectir sobre os problemas da vida e da existência dos homens considerados universalmente, a filosofia favorece a abertura do espírito, a responsabilidade cívica, a compreensão e a tolerância entre os indivíduos e entre os grupos, contribuindo para formar espíritos livres e reflexivos – capazes de resistir às diversas formas de propaganda, de fanatismo, de exclusão e de intolerância.
  26. 26. Ao apostar na importância da dúvida, ao questionar-se a si mesma, ao sublinhar as suas próprias fraquezas, a filosofia rompe com todas as formas de dogmatismo, próprios dos regimes políticos autoritários e aproxima-se da democracia. Ambas encorajam a crítica no respeito pela dignidade dos outros e convidam os cidadãos a exercer a sua capacidade de julgamento, a escolher por si mesmo o melhor modo de organização política e social, a descobrir os seus valores, a ser homens livres e membros activos da comunidade, exercendo responsavelmente os seus direitos e deveres.
  27. 27. No momento em que assistimos: À expansão da violência em inúmeros países, com base no dogmatismo e intolerâncias dos mais diversos tipos;
  28. 28. À expansão da miséria e da exclusão social nas nossas comunidades marcadas pela indiferença e por individualismo egoísta,
  29. 29. Importa realçar o papel da filosofia na formação da cidadania. A prática do filosofar ao reflectir sobre o sentido da vida humana, sobre os modelos políticos propostos à convivência social, sobre os processos de informação e comunicação, sobre o diálogo entre as diversas culturas, contribui para promover a formação cívica do ser humano na medida em que promove o exercício ético das liberdades públicas e privadas e consolida a democracia.
  30. 30. Conclusão Com a realização deste trabalho pude inferir que hoje estamos a conhecer uma profunda mutação no próprio “ambiente” em que cresceu e se desenvolveu a cidadania activa e a participação política alargada. A prática da cidadania liga-se ao estabelecimento da democracia, de conexão com o direito e a vontade expressa na Constituição. Ela está comprometida com a efectivação dos direitos confirmados por meio da cooperação entre indivíduos e grupos. Vivemos numa sociedade que espera que de um debate saia sempre um vencedor e um perdedor. A resolução não-violenta não é encobrir ou fugir do conflito, não é procurar a resignação ou a submissão de uma das partes, não é sequer o abandono dos verdadeiros sentimentos, opiniões ou emoções. Pelo contrário, a resolução não-violenta do conflito procura uma compreensão e uma aplicação correcta da democracia, que estimula a responsabilidade social e a resposta criativa à mudança. A sociedade actual baseia-se em desconfiança, intolerância e ódio, na incapacidade de interagir construtivamente com todos aqueles que são diferentes. Para fazer frente a isso, é preciso desenvolver uma sociedade, uma cultura da paz baseada na tolerância, na compreensão, na solidariedade e no diálogo. Ou seja, educar para a paz é acima de tudo desenvolver a competência comunicativa, isto é, ajudar as pessoas a recuperar a capacidade que elas têm de falar e agir e de, através do diálogo, superar obstáculos e estabelecer pontes. O diálogo torna-se a peça-chave da resolução de conflitos. Com este trabalho, deu realmente para “ver” como a filosofia é importante no nosso quotidiano. Encontrando-se o homem inserido numa determinada realidade física e social, é constantemente motivado no sentido de dar resposta às múltiplas questões que a realidade lhe põe. Esta dinâmica de interrogação da filosofia – problematização sobre o real que decorre da necessidade do homem se adaptar às situações concretas e se abrir às novas situações possíveis – leva-o a um alargamento progressivo do seu conhecimento, que dirigirá a sua própria acção.
  31. 31. Bibliografia <ul><li>José Ferreira Borges, Marta Paiva, Orlanda Tavares. Contextos. 2006, Porto – Porto Editora </li></ul><ul><li>Agostinho Franklin, Isabel Gomes, J. Vieira Lourenço. Ensaios de Filosofia para não-filósofos. 2005, Porto – Porto Editora. </li></ul><ul><li>M. Helena Varela Santos, Teresa Macedo Lima. O Reino dos Porquês. 1981, Porto – Porto Editora </li></ul><ul><li>http://cenofa.org/apontamentos/doc03.htm </li></ul><ul><li>http://naturalmente.wordpress.com/2007/10/29/a-importancia-da-filosofia/ </li></ul><ul><li>http://www.coesis.org/articles.php?frmCatID=642&sectionID=5 </li></ul><ul><li>http://pt.shvoong.com/humanities/475324-que-%C3%A9-cidadania/ </li></ul><ul><li>http://jn.sapo.pt/2005/09/18/sociedade/a_importancia_dialogo.html </li></ul><ul><li>http://pt.wikipedia.org/wiki/Espa%C3%A7o_p%C3%BAblico </li></ul><ul><li>http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81gora_de_Atenas </li></ul>
  32. 32. Cristina Moreira n.º 5; 11º A Trabalho realizado por:

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