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Os livros biográficos no universo infantil: um estudo de projeto gráfico e ilustração

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Artigo publicado na Revista Iniciação - edição Vol. 3, nº1, Ano 2014
Publicação Científica do Centro Universitário Senac - ISSN 2179-474X

Resumo

Resumo. Pesquisa desenvolvida ao longo de um ano tendo como objetivo a análise de obras biográficas destinadas ao público infantil, como continuidade da pesquisa “As ilustrações e o projeto gráfico de edições da obra lobatiana Reinações de Narizinho”. Para tanto foi realizada uma revisão bibliográfica sobre biografias e a análise dos elementos gráficos de diferentes obras biográficas infantis com o concurso de conhecimentos adquiridos na pesquisa citada. A revisão bibliográfica que subsidiou a análise contempla estudos sobre biografia, literatura infantil e produção de livro infantil, produção gráfica e ilustração. Tal pesquisa procura entender como o texto literário-biográfico, em consonância com ilustração e projeto gráfico, é apresentado para os jovens leitores, e como a nova concepção sobre biografia pode ser contemplada ou aplicada na produção de biografias para crianças. Pretende-se, assim, construir conhecimentos necessários para contribuir com o grupo de pesquisa Comunicação e Cultura Infantil: Lobato uma biografia, no qual este projeto se insere.

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  1. 1. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014, São Paulo: Centro Universitário Senac ISSN 2179474 X © 2014 todos os direitos reservados - reprodução total ou parcial permitida, desde que citada a fonte portal de revistas científicas do Centro Universitário Senac: http://www.revistas.sp.senac.br e-mail: revistaic@sp.senac.br Os livros biográficos no universo infantil: um estudo de projeto gráfico e ilustração The biographical books in children’s universe: a study of graphic design and illustration Maria Stella de Oliveira Souza Braga, Celia Maria Escanfella Centro Universitário Senac – Campus Santo Amaro Linha de Pesquisa: Comunicação - Bacharelado em Design com Habilitação em Comunicação Visual mariastella.braga@gmail.com, celia.mescanfella@sp.senac.br Resumo. Pesquisa desenvolvida ao longo de um ano tendo como objetivo a análise de obras biográficas destinadas ao público infantil, como continuidade da pesquisa “As ilustrações e o projeto gráfico de edições da obra lobatiana Reinações de Narizinho”. Para tanto foi realizada uma revisão bibliográfica sobre biografias e a análise dos elementos gráficos de diferentes obras biográficas infantis com o concurso de conhecimentos adquiridos na pesquisa citada. A revisão bibliográfica que subsidiou a análise contempla estudos sobre biografia, literatura infantil e produção de livro infantil, produção gráfica e ilustração. Tal pesquisa procura entender como o texto literário-biográfico, em consonância com ilustração e projeto gráfico, é apresentado para os jovens leitores, e como a nova concepção sobre biografia pode ser contemplada ou aplicada na produção de biografias para crianças. Pretende-se, assim, construir conhecimentos necessários para contribuir com o grupo de pesquisa Comunicação e Cultura Infantil: Lobato uma biografia, no qual este projeto se insere. Palavras-chave: biografia, design gráfico, ilustração, Monteiro Lobato. Abstract. Research developed over a year with the objective of analyzing biographical works aimed at children, as a continuation of the research "As ilustrações e o projeto gráfico de edições da obra lobatiana Reinações de Narizinho". Therefore was performed literature review and analysis about biographical books for children with the assistance of knowledge gained in the research cited. The literature review that supported the analysis includes studies on biography, children's literature and children's book production, graphic production and illustration. Such research seeks to understand how the biographical text, in line with illustration and graphic design, is presented to young readers, and how the new conception of biography may be considered or applied in the production of biographies for children. It is intended, therefore, to build expertise to contribute to the research group Comunicação e Cultura Infantil: Lobato uma biografia in which this project falls. Key words: biography, graphic design, illustration, Monteiro Lobato.
  2. 2. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 2 1. Introdução Esta pesquisa se fundamenta na nova concepção de biografias que consideram a complexidade e contradição humana, distanciando-se, portanto, do caráter de “pedagogia do exemplo” ou modelo que a biografia apresentava até recentemente, e procura entender como o texto literário-biográfico, em consonância com ilustração e projeto gráfico, tem sido apresentado para os jovens leitores, e como a nova concepção sobre biografia pode ser contemplada ou aplicada na construção de projetos gráficos para crianças, mais especificamente, na produção de um livro biográfico de Lobato, que é um dos objetivos do grupo de pesquisa, no qual este projeto se insere. Neste sentido, estudou-se a construção da imagem do ser biografado em livros infantis por meio da análise da relação entre ilustração, projeto-gráfico e texto em obras biográficas destinadas ao público infantil. Após a análise das obras selecionadas foi feita uma reflexão sobre a atual concepção de biografia utilizada em livros infantis e definiram-se parâmetros para a produção de uma biografia de Lobato para crianças. 2. Metodologia Esta pesquisa exigiu a revisão bibliográfica sobre os temas: biografia adulta e infantil, ilustração, relação texto-imagem, projeto gráfico e Lobato e sua obra. Esta primeira fase forneceu subsídios para a posterior seleção e análise dos livros biográficos infantis, com o registro fotográfico dos livros escolhidos e a sistematização das informações coletadas. Os objetos de pesquisa, então, são livros biográficos destinados ao público infantil. Para seleção e análise desses livros foram considerados os seguintes aspectos: concepção de biografia utilizada, materialidade do livro, projeto gráfico, ilustração e relação imagem-texto. 3. Resultados e Discussão A seguir serão apresentados os principais aspectos da revisão bibliográfica e da análise dos livros biográficos infantis. Biografia Após o levantamento bibliográfico sobre biografia infantil foi possível compreender que o estudo da biografia se insere em múltiplas áreas e, principalmente no caso infantil, a psicologia e a pedagogia são de extrema importância e enorme influência. Porém, podemos afirmar que, na perspectiva da produção, a biografia filiou-se, ao longo da história, a um viés educativo, do qual tem se distanciado nas últimas décadas. Carino (1999) propõe uma análise da “instrumentalidade educativa” da biografia. Suas reflexões sobre esta característica da produção adulta foram transpostas nesta pesquisa para a produção infantil, sendo de extrema importância para que se possa refletir sobre esta produção atualmente. Não se encontram na literatura educacional brasileira outros estudos sobre o ponto de vista por ele proposto. Os biógrafos raramente assumem seu papel na educação, ou pelo menos não apresentam esse papel de forma declarada e lúcida. Nunca se biografa em vão, existem finalidades precisas que podem ser criticar, descobrir, exaltar, santificar, dessacralizar. Tais finalidades e intenções fazem com que os relatos de vidas transformem-se, intencionalmente ou não, numa pedagogia do exemplo. Neste caso, não se pode negar a força educativa de um relato biográfico. E o que significa
  3. 3. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 3 educação, se não a criação de modelos exemplares com base nos quais a atividade educativa determinará os tipos de homens que se deseja forjar? (CARINO, 1999). A biografia, ao trabalhar com cada vida em particular, destaca em cada uma delas características típicas, que servirão à pedagogia do exemplo. Imitadas, seguidas, integrando um modelo de conduta determinado pelo espírito da época, servirão à educação (CARINO, 1999). É o individual em benefício de um coletivo. Este modelo de biografia foi revisto teoricamente, na produção internacional, e se encontra praticamente superado na literatura adulta e infantil internacional, porém parece ser reforçado em estudos de literatura infantil brasileira. É preciso ressaltar que o modelo do herói, pelo menos na teoria, foi gradualmente superado: o biografado não é mais apresentado como um herói, mas um homem de verdade, que diante de alguns desafios tem atitudes inspiradoras. No entanto, é inegável que as obras biográficas tenham um caráter educativo, como discutido por Carino (1999), da mesma forma que toda obra adulta. A qualidade das biografias escritas para crianças evoluiu consideravelmente nos últimos 25 anos nos Estados Unidos. Tradicionalmente, as biografias eram escritas para dar a oportunidade para jovens leitores conhecerem vidas de pessoas que eles pudessem tomar como exemplo. Sendo assim, essas biografias ressaltavam apenas os aspectos positivos das vidas dos biografados. Já as biografias recentes para crianças e jovens foram escritas sob um ponto de vista mais realista. Os autores apresentam os sujeitos como pessoas reais, aproximando-os do leitor (TAYLOR, 2003). Podemos então refletir sobre a posição do sujeito nestes dois casos: no primeiro, um retrato raso e aparentemente perfeito pode gerar um distanciamento: a “genialidade” e “auto-suficiência” do sujeito são características difíceis de serem assimiladas e copiadas pelas crianças. Dessa maneira, o sujeito se afasta delas e de sua realidade. No segundo caso, a biografia mais realista traz um homem que tem dúvidas, possui um futuro incerto, deve fazer suas escolhas. Essas características o aproximam do mundo real e, consequentemente, da vida das crianças. Questões sobre a materialidade do livro biográfico infantil também foram levantadas por pesquisadores norte-americanos. Ash e Barthelmess (2011) estudam, em seu artigo “What makes a good picture book biography”, aspectos importantes de livros biográficos ilustrados. O que é um livro biográfico ilustrado? Um livro de figuras e uma biografia, a confluência dos dois gêneros, simultaneamente e simbioticamente, na construção de um ser e sua história. Nos livros ilustrados, história, estilo e o próprio virar de páginas são combinados. Nas biografias, pesquisas e textos representativos oferecem retratos informativos completos sobre personagens. Portanto, para se identificar um bom livro biográfico ilustrado, devem-se procurar obras em que estejam presentes essas características (ASH e BARTHELMESS, 2011). Primeiramente, um livro ilustrado deve atrair os jovens leitores, falando para eles e com eles. A criança entende a leitura como uma brincadeira, e não como obrigação. Em um bom livro ilustrado, texto e ilustração compartilham a construção da história, com a arte geralmente adicionando detalhes não encontrados na narrativa textual. Este tipo de livro oferece ao ilustrador a oportunidade de complementar a narrativa com um imaginário sofisticado, reforçando o tempo e o espaço da vida do biografado (ASH e BARTHELMESS, 2011). Infância Escanfella (2006) refere-se aos estudos que têm como eixo o debate da criança como ator social, ou seja, como ser ativo na construção tanto da sociedade em geral como da cultura. Os principais aspectos desse paradigma são: a infância como construção social, e não um dado natural; a infância como categoria que estrutura a sociedade,
  4. 4. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 4 em uma teia complexa de relações; e a concepção de infância como ator social, que contribui para a construção de seu mundo e do mundo adulto, como criança cidadã. Lobato, de certa forma, já se utilizava dessa concepção quando começou a produzir seus livros infantis, na década de 20. Seu projeto era criar nas crianças o gosto pela leitura para que elas se tornassem um público leitor. Por meio de suas narrativas estimulava as crianças a questionar a veracidade das convenções impostas pelos adultos, trazendo vida à consciência infantil e desenvolvendo um sentimento de nacionalidade atuante nos pequenos leitores. Lobato, portanto, considerava a criança como um ser social completo que, assim como todos em uma sociedade, participa da vida social e produz cultura, e é essa cultura que a coloca em contato direto com diferentes valores, absorvendo seus convencionalismos para a reflexão e contestação. Através da pluralidade de linguagens, a criança apresenta sua visão de mundo e a torna presente. Como membro de uma coletividade, faz parte da corrente da linguagem: sua constituição como sujeito-da-e-na-língua se dá na e através da linguagem. Neste diálogo com a sociedade, ela vai se posicionando, constituindo-se e sendo também constituidora de cultura. Sendo assim, as crianças produzem cultura na medida em que atribuem significados (LEITE, 2005). Relação entre Texto e Imagem Conforme Camargo (1998 apud OHASHI, 2011), a imagem isolada não possui função de ilustração. Essa função ocorre apenas quando há uma relação semântica entre linguagem verbal e visual, ou seja, quando a imagem aparece em um texto com o qual se relaciona. É importante enfatizar que enquanto o texto escrito narra uma história por meio de imagens implícitas nas linhas e entrelinhas, a ilustração complementa essa história. O texto e a imagem, juntos, têm a função de permitir ao leitor criar em sua mente sua própria história. Porém é preciso levar em conta que o mesmo texto dado a diferentes ilustradores resultará sempre em soluções diferentes. A imagem atraente à leitura permite que o leitor identifique focos de interesse em diversos pontos (regiões com maior ou menor número de detalhes), com uma distribuição de elementos capaz de guiar seus olhos em um movimento cíclico, ou seja, os olhos percorrem toda a imagem retornando, no final, ao ponto de partida. Tal tipo de imagem captura por mais tempo a atenção do leitor e torna a leitura mais dinâmica e interessante (BIAZETTO, 2008). Segundo Ribeiro (2008, p.127), o fundamento da ilustração é a metamorfose, ou seja, a transformação que se verifica na relação entre imagem e palavra durante a leitura de um texto. Os textos literários, por possibilitarem diferentes leituras, não admitem somente uma forma de interpretação. A subjetividade, o uso de linguagem figurada, a ambiguidade e a plurissignificação geram um estranhamento que motiva a visão poética e particular da realidade. Cada pessoa terá uma leitura e uma interpretação diferente. O mesmo ocorrerá com a ilustração, que será marcada pela subjetividade e pelo enfoque poético, abrindo portas ao universo da imaginação. O que desperta o interesse do olhar é o indefinido, o que é apenas sugerido e espera ser completado pela mente do leitor, ansiosa e cheia de expectativas. Neste caso a imagem está além de ser meramente representativa, narrativa ou descritiva; é autônoma, com vida e fala próprias. Projeto Gráfico O projeto gráfico de um livro define o “corpo” (matéria) e a “alma” (jeito de ser) da obra. O corpo é definido por sua forma, tamanho, cor, tato, ou seja, a forma como se apresenta. A alma é o conteúdo do livro, o texto, a tipografia, a imagem e tudo o que compõe seu interior (MORAES, 2008 p.45). Sendo assim, o projeto gráfico de um livro
  5. 5. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 5 busca a disposição organizada dessas características, constituindo uma narrativa e um ritmo de leitura. Segundo o autor, fatores como escolha do papel, encadernação, tamanho, quantidade de texto por página, tipografia, entre outras características, são de grande importância para a construção de um livro. É o projeto gráfico que indica a ordem e o ritmo da leitura, colabora na leitura simbólica do livro e garante a unidade do impresso. A importância da ilustração no projeto gráfico aumentou a partir do momento em que o ilustrador passou a participar da construção do mesmo (OHASHI, 2011). A qualidade de leitura de um livro dependerá da relação entre texto e ilustração que ele apresenta. As duas linguagens permitirão a construção de uma narrativa se forem conectadas por um bom projeto gráfico. Pode-se concluir, portanto, que dependendo do tipo de publicação, a escolha do projeto gráfico adequada agrega valor à obra e é fundamental para sua compreensão. Monteiro Lobato Lobato foi um dos responsáveis, segundo Azevedo, Camargos e Sacchetta (2001, p.130), pela mudança no padrão gráfico do livro brasileiro, por meio de uma “programação visual sofisticada e tipografia elegante, atentando, ao mesmo tempo, para a revisão rigorosa da composição e provas finais”. Seu objetivo era conquistar maior número de leitores através de livros que chamassem a atenção nas prateleiras. Para isso, contratou artistas para criarem capas diferentes das amarelas e tipográficas do modelo francês, de modo que seus livros fossem mais atraentes aos olhos do consumidor. O Brasil de Lobato e de seus leitores contemporâneos urbanizava-se às custas de um processo violento, que modificava todo o sistema antigo: o modelo de uma sociedade agrícola, provinciana e acanhada. No plano econômico era perceptível o golpe que o capital urbano e industrial infligia ao antigo capital agrário. No plano social, o mesmo movimento promovia o crescimento acelerado das cidades. No campo moral, um novo olhar sob os antigos costumes e valores. No plano estético e cultural, o surgimento de novas linguagens como o cinema, e mudanças nas velhas linguagens como os contos, romances e poesias mexidos e remexidos pelos modernistas de 22. Esse era o chão onde se inscreviam as empreitadas de Lobato: o campo atropelado pela cidade e a cidade autofágica, ambos degradados e degradantes. Entre esses dois Brasis, a figura de Lobato (LAJOLO, 2002). Algumas biografias sobre Lobato para adultos já foram escritas, e consultadas pelo grupo de pesquisa, mas uma delas destaca-se: “A Barca de Gleyre”, um livro publicado pelo próprio Lobato contendo as cartas que trocou com o amigo Godofredo Rangel durante quase toda sua vida. Desta maneira, o livro configura-se como uma autobiografia através de cartas, mas vai além disso: apresenta-se também como um registro da época. As cartas são um gênero ancilar da biografia, como as memórias e o diário. O prazer de sua leitura decorre, em boa medida, da franqueza com que são escritas e da natural intimidade de que se cercam (PEREIRA, 2009). Nas cartas entre Lobato e Rangel não é diferente, permitindo, por meio da leitura, reconstruir os dois personagens, como se a letra fosse a única forma de constituição do ser (LUCAS, 1982 apud PEREIRA, 2009). A vida dos dois é retratada mesmo como uma viagem, implícita na metáfora náutica que dá nome à obra. Análise de livros biográficos infantis Na segunda fase desta pesquisa, que consistiu na seleção e análise de livros biográficos infantis, dentre os inúmeros títulos lidos e analisados coletivamente pelo grupo de pesquisa, foram escolhidos três títulos que se destacaram para uma análise
  6. 6. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 6 mais detida, dois em inglês e um em português: Looking at Lincoln, escrito e ilustrado por Maira Kalman; A River of Words: The Story of William Carlos Williams, escrito por Jen Bryant e ilustrado por Melissa Sweet; e Monteiro Lobato, escrito por Nereide Santa Rosa e ilustrado por Mica Ribeiro. A localização desses livros (entre muitos outros) foi feita pelo grupo de pesquisa a fim de levantar obras que pudessem auxiliar na reflexão sobre a construção de um livro biográfico para crianças. Os três livros escolhidos destacam-se por seu projeto gráfico e por sua proposta de narrativa e construção biográfica do sujeito. Looking at Lincoln (Figura 1) Figura 1. Capa do livro “Looking at Lincoln”. Autora: Maira Kalman, Ilustrações: Maira Kalman, Editora: Nancy Paulsen Books – New York, Número de páginas: 40, Ano: 2012, Preço: US$ 17,99 = média de R$36,00, Formato fechado: 23,5 x 28,5 x 1,0cm, Impressão: 4x4 cores, Tipo de capa: cartonada, encapada com papel couchê brilhante (“reinforced binding” indicado no próprio livro), Sobrecapa: papel couchê brilhante 150g, Lombada: quadrada, com cadernos costurados, Miolo: papel couchê fosco 120g, Recomendação de faixa etária: não há uma recomendação explícita, mas, a partir da análise, pode-se perceber que seria para crianças de 7 a 8 anos. Texto: Após o convite à leitura na 1ª orelha, somos automaticamente levados à “estampa” do discurso de Lincoln, um trabalho tipográfico nas folhas de guarda do livro. Logo nesse convite a autora coloca o biografado como o responsável por manter a união
  7. 7. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 7 dos Estados Unidos, e coloca a questão: “mas quem era ele, realmente?”. Quem era o homem de cartola alta que hoje vemos nas notas de cinco dólares? Essa pergunta norteará todo o desenvolvimento do livro, que se baseia no método de pesquisa, descoberta e reflexão para a obtenção de informações. A narradora infantil escreve em primeira pessoa, relatando seu dia e seus pensamentos: um dia, passeando pelo parque, viu um homem muito alto e magro que lhe lembrava alguém. Após o café da manhã, que pagou com “um Lincoln e dois Washingtons”, é que finalmente se lembrou: o homem que havia visto se parecia exatamente com Abraham Lincoln! Nesse ponto ocorre a apresentação oficial do biografado. A partir de então, o narrador-personagem vai a uma biblioteca em busca de informações sobre esse personagem histórico. Ao longo da leitura, podemos perceber que o texto serifado indica fonte literária, ou seja, o livro que o narrador- personagem busca na biblioteca, por curiosidade, para aprender sobre Lincoln. Já o texto manuscrito representa seus pensamentos e opiniões acerca dos dados que vai descobrindo durante a pesquisa (Figura 2). Figura 2. Página dupla onde podemos notar o uso das tipografias serifada e manuscrita e também a ilustração da personagem pesquisando um livro na biblioteca. A partir desse ponto o livro traz os resultados da pesquisa feita pela narradora, com a reprodução (em gouache) das fotografias que ela observa, trechos do livro consultado e também seus próprios questionamentos e opiniões (uso da tipologia manuscrita e de diferentes cores para ressaltar palavras). O vocabulário dos trechos é culto, enquanto o vocabulário da narradora é coloquial, repleto de expressões populares e opiniões próprias. Assim, o livro transforma-se no resultado da coleta de dados, é a narradora pesquisando, descobrindo e, ao mesmo tempo, interferindo na história, à medida que a ressignifica, interpretando-a ao recontá-la.
  8. 8. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 8 Grid: o projeto gráfico desse livro não é estruturado por um grid fixo: em cada página há um tipo de ilustração, sendo evidente a integração entre o texto e a imagem. Muitas vezes, a imagem cede lugar ao texto, que se encaixa em um local específico reservado a ele, geralmente em cima da própria imagem. Porém, como temos ilustrações diferentes em cada página, o texto também se realoca em outros locais. Quando o texto tem um espaço fora do quadro da ilustração, ou seja, quando a ilustração não é de página inteira, ele apresenta-se logo acima ou abaixo dela (Figura 3). Figura 3. Grid hierárquico e mutável, variando conforme os elementos da página. Ilustração: conforme informações ao final do livro, a arte foi toda produzida em gouache: este aspecto aproxima a arte da criança, uma vez que é uma técnica de pintura comum na infância. Além disso, a ilustração aparenta ter sido produzida por uma criança na maioria das vezes, principalmente por conta das cores bem fortes e da perspectiva distorcida das imagens. As ilustrações aparecem em página inteira (com sangria) ou em quadros sobre fundo colorido, predominando nelas a função representativa, por imitarem a aparência da realidade de forma objetiva (observada nos retratos das pessoas, que são reconhecíveis; nas notas de dólar; na arma do assassino de Lincoln; entre outros) e a função expressiva, principalmente pelo uso da
  9. 9. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 9 cor (nos tons vibrantes e róseos do parque das cerejeiras; nas cores pastéis do Lincoln Memorial). Na última página, a narradora diz que Lincoln viverá para sempre e que se você for à Washington, na primavera, você poderá andar pelas cerejeiras em flor e visitá-lo, poderá ir até seu memorial e “olhar para seus belos olhos. Apenas olhe”. Essa frase reforça o título do livro, e também o poder da imagem, o poder do olhar e do identificar-se na busca do outro. Isso se percebe claramente na capa do livro, na qual a personagem narradora está olhando para a estátua de Lincoln no Lincoln Memorial (cf. Figura 1). Essa imagem é emblemática por representar com eficiência o título e o tema principal do livro: “olhando para Lincoln”. É a descoberta do outro começando pela contemplação de sua imagem. A River of Words: The Story of William Carlos Williams (Figura 4) Figura 4. Capa do livro “A River of Words: The Story of William Carlos Williams”. Autora: Jen Bryant, Ilustrações: Melissa Sweet, Editora: Eerdmans Books for Young Readers – Cambridge, Número de páginas: 38, Ano: 2008, Preço: US$17,00 = média de R$35,00, Formato fechado: 24 x 26 x 1,0cm, Impressão: 4x4 cores, Tipo de capa: cartonada, encapada com papel couchê fosco (“reinforced binding” indicado no próprio livro), Sobrecapa: papel couchê fosco 150g, Lombada: quadrada, com cadernos costurados, Miolo: papel couchê fosco 120g, Recomendação de faixa etária: para crianças de 7 anos ou mais (“Ages 7 & up”). Essa biografia ilustrada de William C. Williams mostra os eventos de sua infância e juventude que o levaram a se tornar médico e poeta. Sendo assim, são mostrados seus hábitos, gostos e aptidões, inclusive sua educação na escola e em casa. O biografado possuiu duas carreiras simultâneas: sempre foi poeta e, quando adulto, também exerceu a profissão de médico. Nesse livro a faceta do poeta é priorizada, por
  10. 10. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 10 isso o subtítulo “Um Rio de Palavras”. E é isso mesmo que o livro acaba sendo ao misturar a história de vida de William C. Williams com seus poemas. Texto: o livro começa na folha de guarda, na qual os poemas do autor já são apresentados. Configuram-se, ao mesmo tempo, como parte integrante da estampa e também como uma preparação para conhecer seu autor. Já a narrativa se inicia com uma citação de William C. Williams acompanhada de uma aquarela de seu retrato. A partir daí sua história de vida é contada de forma linear, desde a infância. Grid: como no livro analisado anteriormente, há a predominância da ilustração em relação ao texto, portanto, o texto divide espaço com ela no grid. Geralmente, quando a ilustração é de página inteira, é reservado um local com fundo claro para aplicação do texto. Quando a ilustração não ocupa a página toda, o texto é disposto na margem branca que pode estar acima ou abaixo da imagem. Portanto, podemos afirmar que o livro possui um grid hierárquico e móvel, mas respeitando sempre a legibilidade do texto (Figura 5). Outro aspecto importante é que o texto, apesar de ser uma narrativa em prosa, tem suas linhas de forma organizada a fim de se assemelhar ao formato de uma poesia (em versos). Figura 5. Grid com largura variável de colunas. Tipografia: são utilizadas duas tipografias principais que, segundo informações contidas no próprio livro, são: John Doe, uma tipografia display serifada para títulos que se assemelha aos tipos de uma máquina de escrever (com suas bordas de tinta irregulares, levemente falhadas e borradas), remetendo ao objeto de trabalho e à
  11. 11. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 11 aparência dos textos impressos de William C. Williams; e a Helvetica Neue, utilizada para texto corrido. Essa última segue algumas características indicadas em pesquisas tipográficas para crianças: aparência “limpa”, sem serifa, mas também sem ser infantilizada, tem traços regulares e sem contraste (como as letras-bastão), e apresenta boa diferenciação entre as letras “a”, “g”, e “o”. Também é sempre aplicada em fundos broncos ou claros. Ilustração: as ilustrações de Melissa Sweet ocupam as páginas quase que por completo e são produzidas com um mix de técnicas: aquarela, colagem, combinação de diferentes substratos (como capas de livros e folhas de cadernos, mapas, folhas quadriculadas, papelão, etiquetas, recortes e desenhos coloridos de letras, tecidos, páginas de livros e dicionários, folhas de receituário, selos metalizados, páginas de livros de anatomia) enfim, de materiais que em algum momento estiveram presentes na vida de William C. Williams. Para cada época da vida do biografado existem diferentes tipos de fragmentos e grafismos que refletem seu mundo: I. Em sua infância, vemos pedaços de livros, páginas de um Atlas do Mundo, boletins escolares, folhas pautadas, mapas de estrelas, páginas de livros sobre gramática e pronúncia (foco no aprendizado da escrita e sonoridade das palavras: conhecê-las permite agrupá-las de forma harmônica em poesias), cadernetas de folhas quadriculadas (os caderninhos que William recheou de palavras) (Figura 6). Figura 6. Ilustração com elementos da infância. II. Em sua juventude aparecem desenhos e retratos de família, recortes de letras de estilos diversos, molduras, capas de livros (Figura 7).
  12. 12. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 12 Figura 7. Ilustração com elementos da juventude. III. Em sua fase adulta aparecem folhas de livros de medicina, folhas de receituário do próprio doutor William, trechos de poemas datilografados (e não mais escritos à mão como na infância) e capas de livros (Figura 8). Figura 8. Ilustração com elementos da fase adulta.
  13. 13. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 13 Acompanhando os recortes estão as pinturas e letras sobre as poesias e sobre William C. Williams. Os mesmos trechos das poesias se repetem de diferentes maneiras: datilografados, escritos à mão, ilustrados: são as maneiras de se escrever e de se ler uma poesia. Ao desenhar o mundo de William nesse substrato profusamente trabalhado, busca-se mostrar que seu mundo eram os livros, as cadernetas e suas palavras. Desta forma, a ilustração tem grande destaque narrativo. Além da função narrativa, algumas imagens utilizadas para composição de fundos, como mapas e diagramas do corpo humano, são destituídas de suas funções descritivas originais, para tornarem-se expressivas, lúdicas e metalinguísticas (uma vez que remetem às atividades realizadas pelo biografado). Além disso, também possuem a função fática, na qual o suporte da imagem tem papel importante. Na capa do livro, vemos sobre um fundo colorido, a capa de um livro onde há a silhueta de um homem, preenchido por palavras e trechos de textos. Esse homem, complexo, poeta, feito de palavras e representado por elas remete justamente ao biografado, William Carlos Williams (cf. Figura 4). Monteiro Lobato – coleção Crianças Famosas (Figura 9) Figura 9. Capa do livro “Monteiro Lobato”. Autora: Nereide S. Santa Rosa, Ilustrações: Mica Ribeiro, Editora: Callis Editora – São Paulo, Número de páginas: 22, Ano: 2010, Formato fechado: 20,8 x 20,8cm, Impressão: 4x4 cores, Tipo de capa: papel couchê fosco 300g, Lombada: canoa (com dois grampos), Miolo: papel offset 120g. Texto: relata a vida de Lobato a partir de seu nascimento, em 1882, em Taubaté. A narrativa é focada em sua infância e em suas primeiras experiências, apontando também algumas de suas principais características de personalidade e hábitos. Além disso, apresenta pessoas que fizeram parte da vida do autor, e que acabaram
  14. 14. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 14 servindo de inspiração para a criação dos personagens do Sítio do Pica-Pau Amarelo. Apenas no final do livro é contada resumidamente sua adolescência e fase adulta, seguindo-se da criação da turma do Sítio e de uma lista de cinco obras principais que escreveu. Grid: o grid desse livro é composto por duas colunas, mas suas delimitações nem sempre são seguidas à risca. As ilustrações geralmente já possuem sua limitação, de forma que a pintura avança até formar uma borda quase regular. O elemento que tem o papel de agrupar a mancha de texto com a imagem é um fio verde, em formato quadrado, que emoldura cada página. Porém esse fio é muito grosso, destoando da leveza da ilustração em aquarela e diminuindo os espaços brancos, limitando ainda mais as margens, que parecem menores (Figura 10). Figura 10. Grid de duas colunas que se dividem para texto e ilustração. Observar como algumas vezes a borda da imagem ou o texto ultrapassam o respiro entre as colunas. Tipografia: é utilizada uma tipografia com serifas pouco pronunciadas e desenho orgânico, com leve contraste entre suas hastes. A letra é apresentada em tamanho maior se comparada aos outros livros (altura da letra de 3mm). A mancha de texto também é consideravelmente maior, sendo indicada para uma criança em fase avançada de alfabetização. As letras estão sempre em preto e aplicadas em fundo branco. Em nenhum dos casos há texto sobre cor ou imagem. Ilustração: as ilustrações do livro foram produzidas em aquarela, o que pode remeter à lembrança, ao passado, à delicadeza da memória, uma vez que é relatada principalmente a infância de Lobato. São ilustrações predominantemente representativas, informando o que já foi dito no texto. Porém, seu estilo liberta a função expressiva por conta da mistura harmoniosa das cores vibrantes com tons
  15. 15. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 15 pastéis. A maioria delas possui contorno regular (geométrico), feito pela própria pintura (Figura 11); outras têm contorno irregular (Figura 12). Figura 11. Contorno regular da pintura (oval), delimitado pela cor de fundo da imagem. Figura 12. Contorno irregular das figuras, provocando quebras no texto fora das delimitações do grid
  16. 16. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 16 Figura 13. Mancha de texto invadindo a ilustração – problema de diagramação. Sobre a capa do livro (cf. Figura 9), sua diagramação é rígida por pertencer a uma coleção. Portanto, não é tão expressiva quanto às capas dos dois livros analisados anteriormente. Sua cor verde se repete nas molduras das páginas internas, criando uma identidade unificada para o próprio livro (por meio de cor e de forma) e também para a própria coleção. Considerações sobre os livros analisados No livro “Monteiro Lobato”, a infância do autor é contada sempre traçando paralelos com sua fase adulta e com sua criação mais conhecida, o Sítio do Pica-Pau Amarelo, isto é, fatos que marcaram sua infância são sempre ligados a aspectos de suas obras e personagens. Dessa maneira, o futuro do biografado já é colocado como certo desde sua infância, como se sua vida já tivesse sido “programada” para que seu futuro acontecesse dessa maneira. Isso prejudica a apreensão do personagem biografado como uma pessoa real e complexa, distanciando sua imagem da realidade. Os livros sobre Lincoln e William C. Williams se destacam por utilizarem a imagem como pilar para a construção do biografado. No primeiro caso, o próprio título do livro já deixa esse aspecto explícito: “olhando para Lincoln”, indicando que a contemplação de sua imagem é o ponto de partida para a compreensão de sua história. No segundo livro, sobre William C. Williams, as ilustrações e composições são fragmentos que constroem os cenários de suas fases de vida. Sendo assim, sem o auxílio da imagem, a apresentação desses dois personagens históricos não seria múltipla e fragmentada, fatores alcançados também pelo próprio tratamento literário-biográfico de suas histórias. São esses aspectos que acredito serem essenciais para a construção de uma biografia mais próxima da realidade e menos autoritária, desvencilhando a imagem do biografado de um modelo de conduta a ser seguido e expondo sua multiplicidade.
  17. 17. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 17 4. Considerações Finais Após a pesquisa bibliográfica, o levantamento de questões acerca do tema biografia infantil e, posteriormente, a análise dos livros escolhidos, percebeu-se que, oferecendo figuras de personalidades, as biografias infantis ilustradas mostram diferentes caminhos de sucessos pessoais. Dividindo o holofote da literatura, os ilustradores e escritores desses livros trabalham em conjunto para uma construção mais complexa e próxima do real de uma figura importante. Pretendemos construir a biografia de Lobato da mesma maneira: os fragmentos de um corpo sendo revelados através da linguagem textual e visual. O texto não terá como objetivo glorificar ou tomar a figura de Lobato como exemplo, tornando público aquilo que era privado, mas sim de revelar e dar realce a aspectos da linguagem que possam reconstruir - da maneira mais completa e real possível – sua imagem naturalmente fragmentada. Referências ANDRADE, Maria Margarida de. Introdução à metodologia do trabalho científico: elaboração de trabalhos na graduação. 6 ed. São Paulo: Atlas, 2003. ARAÚJO, Emanuel. A construção do livro: princípios e técnicas de editoração. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. ASH, Viki e BARTHELMESS, Thom. What makes a good picture book biography? The Horn Book Magazine, mar./abr. 2011. AVELAR, Alexandre de Sá. A biografia como escrita da História: possibilidades, limites e tensões. Programa de Pós-Graduação em História. Universidade Federal de Uberlândia, 2010. AZEVEDO, Carmem Lucia de; CAMARGOS, Márcia e SACCHETTA, Vladimir. Monteiro Lobato: furacão na Botocúndia. 3 ed. São Paulo: Editora Senac, 2001. AZEVEDO, Ricardo. Texto e imagem: diálogos e linguagens dentro do livro. 11°COLE – Congresso de Leitura do Brasil – UNICAMP – 1997. Disponível em: <ricardoazevedo.com.br>. Acesso em: 12 Novembro 2011, 10:08:26. AZEVEDO, Ricardo. Diferentes graus de relação entre texto e imagem dentro de livros. Balainho - Boletim Infantil e Juvenil, Ano V, Novembro de 2004, Nº 22 – Joaçaba – SC. Disponível em: <ricardoazevedo.com.br>. Acesso em: 12 Novembro 2011, 13:15:22. AZEVEDO, Ricardo. Elos entre a cultura popular e a literatura. 2001. Disponível em: <ricardoazevedo.com.br>. Acesso em: 12 Novembro 2011, 13:30:19. BERTOLUCCI, Denise Maria de Paiva. “... livro para ler, não para ver...”- As imagens escritas e visuais em Reinações de Narizinho. 2007. 15f. Artigo. Disponível em: <http://www.athena.biblioteca.unesp.br/exlibris/bd/.../bertolucci_dmp_dr_assis.pdf> Acesso em: 3 Maio 2011, 10:22:33. BOURDIEU, Pierre. A ilusão biográfica. In: AMADO, Janaína; FERREIRA, Marieta de Moraes (Org.). Usos e abusos da história oral. Rio de Janeiro: Editora da FGV, 2002, p.183-191. BRYANT, Jen. A River of Words: The Story of William Carlos Williams. Erdmans Books for Young Readers: Cambridge, 2008.
  18. 18. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 18 CAMARGO, Luís. A imagem na obra lobatiana. In: LAJOLO, Marisa e CECCANTINI, João Luís (org). Monteiro Lobato: livro a livro – obra infantil. São Paulo: Editora UNESP/Imprensa Oficial, 2008 CARDOSO, Rafael. O design gráfico brasileiro antes do design: aspectos da história gráfica, 1870-1960. Cosac Naify, 2005. CARINO, Jonaedson. A biografia e sua instrumentalidade educativa. Educação & Sociedade, n. 67, Agosto 1999. COELHO, Nelly Novaes. Panorama histórico da literatura infantil/juvenil. 4 ed. São Paulo: Editora Ática, 1991. DEBUS, Eliane Santana Dias. O leitor, esse conhecido: Monteiro Lobato e a formação de leitores. 2001. Tese de Doutorado em Letras (Curso de Pós-Graduação em Letras) – Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). 2001 ESCANFELLA, Celia Maria. Construção social da infância e literatura infanto-juvenil brasileira contemporânea. 1999. Dissertação de Mestrado (Psicologia Social) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), 1999. ESCANFELLA, Celia Maria. Literatura infanto-juvenil brasileira e religião: uma proposta de interpretação ideológica da socialização. 2006. Tese de Doutorado (Psicologia Social) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), 2006. ESCANFELLA, Celia Maria, SANCHES, Ana Lucia Reboledo, RAFFAINI, Patrícia Tavares, CARRION, Diego Douteiro. Monteiro Lobato e o Protagonismo Infantil. 2010. 10f. Artigo, 2010. FITTIPALDI, Ciça. O que é uma imagem narrativa? In: OLIVEIRA, Ieda (Org.). O que é qualidade em ilustração no livro infantil e juvenil: com a palavra o ilustrador. São Paulo: DCL, 2008. FRANCO, Sandra Coelho. O Biografema na Biodiagramação da Obra Literária e Epistolar de Monteiro Lobato. Dissertação de Mestrado em Literatura e Crítica Literária, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). São Paulo, 2007. GALVÃO, Walnice Nogueira. A voga do biografismo nativo. Estudos Avançados, n. 19, 2005 GÓES, Lucia Pimentel. Introdução à literatura infantil e juvenil. 2 ed. São Paulo: Pioneira, 1991. GOMES, Ângela de castro. As Aventuras de Tibicuera: literatura infantil, histórias do Brasil e política cultural na Era Vargas. Revista USP, São Paulo, n. 59, p. 116-133, set./nov. 2003. GROFF, Patrick. How do children read biography about adults? The Reading Teacher, n.7, abr.1971. JOHNSON, Nancy M. Time travel is possible: Historical ficcion and biography – passport to the past. The Reading Teacher, n. 7, mar.1992. KALMAN, Maira. Looking at Lincoln. Nancy Paulsen Books: New York, 2012 LAGO, Ângela. O livro para criança (online). Disponível em <www. angela-lago.com.br> Acesso em: 13 Novembro 2011, 12:53:11.
  19. 19. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 19 LAJOLO, Marisa e CECCANTINI, João Luís (org). Monteiro Lobato: livro a livro – obra infantil. São Paulo: Editora UNESP/Imprensa Oficial, 2008. LAJOLO, Marisa. Contos Escolhidos / Monteiro Lobato. São Paulo: Brasiliense, 2002. LEITE, Maria Isabel. Livros de arte para crianças: um desafio na apropriação de imagens e ampliação de olhares. Trabalho apresentado no GT de Educação e Comunicação. UNESC, 2005. LEVI, Giovanni. Os usos da biografia. In: AMADO, Janaína; FERREIRA, Marieta de Moraes (Org.). Usos e abusos da história oral. Rio de Janeiro: Editora da FGV, 2002, p.167-182. LINS, Guto. Livro Infantil. São Paulo: Rosari, 2002. MEIRELES, Cecília. Problemas da Literatura Infantil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984. MESQUITA e CONDE. A evolução gráfica do livro e o surgimento dos e-books. Trabalho apresentado no GT – Jornalismo e Editoração, do Iniciacom, evento componente do X Congresso de Ciências da Comunicação na Região Nordeste. Universidade Estadual do Piauí (UESPI), 2008. MORAES, Didier Dominique. Visualidade do livro didático no Brasil: o design de capas e sua renovação nas décadas de 1970 e 1980. Dissertação de Mestrado (Faculdade de Educação) – Universidade de São Paulo (USP), 2010. MORAES, Odilon. O projeto gráfico do livro infantil e juvenil. In: OLIVEIRA, Ieda (Org.). O que é qualidade em ilustração no livro infantil e juvenil: com a palavra o ilustrador. São Paulo: DCL, 2008. OHASHI, Caroline Sayuri. Desenvolvimento de projeto gráfico para livro de receitas infantil. Trabalho de Conclusão de Curso TCC – 1 (Curso de Design com habilitação em Comunicação Visual) – Centro Universitário Senac, 2011. OLIVEIRA, Rui. Breve histórico da ilustração no livro infantil e juvenil. In: OLIVEIRA, Ieda (Org.). O que é qualidade em ilustração no livro infantil e juvenil: com a palavra o ilustrador. São Paulo: DCL, 2008. PEREIRA, Maria Teresa Gonçalves. “A Barca de Gleyre”, de Monteiro Lobato: uma leitura de saber e/ou fruição. Rio de Janeiro (UERJ), 2009. RAFFAINI, Patrícia Tavares. Pequenos poemas em prosa: vestígios da leitura ficcional na infância brasileira nas décadas de 30 e 40. Tese de Doutorado em História. (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) – Universidade de São Paulo (USP), 2008. REIS, Pollyana J. e DIAS, Dylia. Uma análise comparativa de textos biográficos: Anísio Teixeira e Paulo Freire. Trabalho apresentado no IV CELLI. Maringá, 2010. SAMARA, Timothy. Grid: construção e desconstrução. São Paulo: Cosac Naify, 2007. SANTA ROSA, Nereide Schilaro. Monteiro Lobato. São Paulo: Callis Ed., 2010. SCHMIDT, Benito Bisso. Grafia da vida: reflexões sobre a narrativa biográfica. História UNISINOS, n. 10, p.131-142, jul./dez. 2004. SILVA, Maria Aparecida de Oliveira. Biografia como fonte histórica. Cadernos de pesquisa do CDHIS, São Paulo, n.36/37, p. 9-15, 2007.
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