Revista Iniciação Vol. 3 nº1 Ano 2014

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Iniciação Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística tem como objetivos principais: publicar artigos originais que apresentem resultados relevantes de pesquisas e desenvolvimentos realizados por alunos do ensino técnico ou superior, propiciar debate entre autores e leitores para o desenvolvimento do conhecimento nas áreas de pesquisa, além de contribuir com a formação acadêmica, científica e profissional de alunos de Iniciação Científica.

Publicação Científica do Centro Universitário Senac - ISSN 2179-474X

Confira a nova edição Temática de Comunicação, Arquitetura e Design que além da seção artigos conta com as seções especiais:

- Trajetória
- Experiência (com vídeo gravado por alunos durante um intercâmbio)
- Internacional e Análise.

Acesse a edição na íntegra!

http://www1.sp.senac.br/hotsites/blogs/revistainiciacao/?page_id=580


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Revista Iniciação Vol. 3 nº1 Ano 2014

  1. 1. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014, São Paulo: Centro Universitário Senac ISSN 2179474 X © 2014 todos os direitos reservados - reprodução total ou parcial permitida, desde que citada a fonte portal de revistas científicas do Centro Universitário Senac: http://www.revistas.sp.senac.br e-mail: revistaic@sp.senac.br Editorial Esta edição, dedicada a “Comunicação, Arquitetura e Design”, inaugura a nova fase da Revista Iniciação, agora com edições temáticas que focam cinco grandes áreas do conhecimento. Não poderíamos ter começado de forma melhor. Tivemos um número recorde de submissões e artigos de altíssima qualidade, os quais compõem uma bela fotografia da atuação científica, tecnológica e artística de futuros comunicadores arquitetos e designers brasileiros. Se esses jovens já estão iniciando com esse pique, e com essa qualidade, é muito gratificante imaginarmos o que eles poderão fazer - e estou certo de que farão - para ajudar a levar o Brasil ao protagonismo mundial em inovação, tecnologia e economia criativa. Imagino que alguns dos textos aqui publicados terão importância histórica quando seus autores se tornarem destacados representantes de suas áreas de atuação. Então, leitor, aproveite essa oportunidade de acompanhar, enquanto é escrita, parte da história da ciência, arte, tecnologia e inovação brasileiras. Com a Revista Iniciação o Centro Universitário Senac propicia a estudantes de todo o Brasil, ou mesmo do exterior, e a seus orientadores, oportunidades de divulgação, em periódico científico, dos resultados de seus trabalhos. Além de importante complementação aos programas de iniciação científica, uma vez que redigir e publicar artigos é parte integrante da atividade científica, essa publicação deve servir de estímulo a outros jovens estudantes que podem se inspirar ao conhecer os trabalhos de colegas. Profissionais, professores e pesquisadores também poderão aproveitar os artigos aqui publicados e até mesmo localizar aquele talento que procuravam. Por fim, a sociedade em geral, a qual investe e também se beneficia das pesquisas desses jovens, poderá acompanhar um pouco do que acontece nos laboratórios de pesquisa brasileiros. Registro, e agradeço, a inestimável atuação da Profa Dra Myrna de Arruda Nascimento, co-editora desta edição, que com meticuloso capricho revisou e selecionou os trabalhos aqui publicados, bem como à equipe editorial, composta pela Anielly Martins Rosa e pelo Vinícius Cabral e Silva, coordenados pela Profa Dra Luciana Mara Ribeiro Marino. Agradecemos também aos avaliadores ad-hoc, os quais dedicaram precioso tempo para revisar e recomendar ajustes nos artigos. Por fim parabenizo e agradeço àqueles que são a razão da existência da revista: os autores. Boa leitura a todos. Romero Tori
  2. 2. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014, São Paulo: Centro Universitário Senac ISSN 2179474 X © 2014 todos os direitos reservados - reprodução total ou parcial permitida, desde que citada a fonte portal de revistas científicas do Centro Universitário Senac: http://www.revistas.sp.senac.br e-mail: revistaic@sp.senac.br Apresentação do Dossiê Nossa primeira experiência como edição temática apresenta expressiva diversidade de artigos, representativos da dinâmica e das fronteiras imprecisas que caracterizam as áreas da Comunicação, da Arquitetura e do Design e suas potenciais interlocuções, diante da ação do pensamento contemporâneo. Da pesquisa que adota o perfil da cidade-fábrica como referência para o desenvolvimento de uma microcoleção de vestuários, ou estudos para compreender a centenária implantação do sistema Cia City e o papel singular dos bairros-jardins como memória urbana da Cidade de São Paulo, até a discussão da audiodescrição como recurso capaz de promover a inclusão de pessoas portadoras de deficiências visuais, é possível flagrar, no espaço científico inaugurado por esta publicação, situações sui generis que aproximam contextos raramente associados como, a moda e o urbanismo, a publicidade e a inclusão, e ainda a produção de biografias no universo do livro infantil. Os artigos relacionados à área de Comunicação, em particular, revelam anseios e estudos destinados a investigar as novas mídias e seus novos parâmetros. Explorando os recursos oriundos dos novos meios em cenários específicos como aquele que envolve a produção independente na televisão e as cotas de conteúdo na TV por assinatura, recentemente sancionadas por lei; ou compreendendo a lógica de uma plataforma de serviços web para potencializar a experiência que os beatlemaníacos possuem com a banda, e mesmo mergulhando no estranhamento assumido por personagens de filmes como “Edward mãos de tesoura”, ou discutindo a ideia de autoria dentro da obra do diretor, adotando como objeto de análise a minissérie brasileira O Amor Segundo B. Schianberg, os leitores certamente encontrarão neste segmento provocações capazes de sugerir e esboçar oportunidades de pesquisa e produção no meio audiovisual. As aproximações entre Arquitetura e Design destacam pontos de convergência e limites compartilhados entre estas áreas, e tem como protagonistas as investigações voltadas ao resgate de conceitos e raciocínios defendidos por autores emblemáticos, reconhecidos como pioneiros pelas suas experiências com novos materiais, sistemas e/ou procedimentos inovadores. Deste grupo de artigos fazem parte as pesquisas sobre Buckminster Füller, Eva Zeisel e o casal Charles e Ray Eames, e a sugestão de aplicação dos procedimentos especulados em hipóteses experimentais propostas pelos jovens pesquisadores. No âmbito do desenvolvimento de produto para espaços de dimensões reduzidas, destacamos os trabalhos de conclusão de curso que refletiram sobre a relação objeto X espaço através das propostas para o Mobiliário Multifuncional de Descanso, e para a Estação de Trabalho para Profisionais de Projeto , atualmente em exposição no Museu da Casa Brasileira, selecionada na categoria estudante. Ainda nesta interlocução entre experimentação e inovação, temos o artigo referente ao desenvolvimento do Sistema Delta, projetado para o fechamento de edifícios explorando conceitos de montagem, modulação e adaptabilidade (promovem iluminação, ventilação e flexibilização compositiva), e o ensaio que discute A Mutação do Objeto como Item de
  3. 3. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014, São Paulo: Centro Universitário Senac ISSN 2179474 X © 2014 todos os direitos reservados - reprodução total ou parcial permitida, desde que citada a fonte portal de revistas científicas do Centro Universitário Senac: http://www.revistas.sp.senac.br e-mail: revistaic@sp.senac.br Projeto, enfatizando as interferências causadas por um objeto multifuncional quando inserido na tríade homem + objeto + espaço. Com contribuições de Universidades e Faculdades da Paraíba, Pelotas, Juiz de Fora, Campina Grande, além de São Paulo e Lisboa, esta edição temática especial já se constitui também especial graças à diversidade e natureza dos artigos recebidos, oportunidade que nos motivou a criar quatro seções especiais: Experiência, com relato de pesquisadores de Iniciação Científica em intercâmbio internacional; Trajetória, com depoimento de jovem pesquisador que deu continuidade à carreira acadêmica depois de graduado; Internacional, com artigo de pesquisador português, em duplo programa de mestrado, nas Faculdades de Lund, Suécia (Design Urbano Sustentável) e Leuven, Bélgica (Filosofia), discutindo a metodologia de design enquanto estrutura fundamental característica da produção criativa de um indivíduo em particular; e, por fim, Análise, seção em que o professor discute os trabalhos de seus orientandos, estabelecendo o necessário diálogo entre estes e o projeto de pesquisa do próprio pesquisador-orientador. O espectro é amplo, porém convidativo, para que se possa desfrutar deste material com olhares múltiplos e curiosos, sagazes e corajosos, como os dos leitores que desejamos ter. Até nossa próxima edição, Myrna de Arruda Nascimento.
  4. 4. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014, São Paulo: Centro Universitário Senac ISSN 2179474 X © 2014 todos os direitos reservados - reprodução total ou parcial permitida, desde que citada a fonte portal de revistas científicas do Centro Universitário Senac: http://www.revistas.sp.senac.br e-mail: revistaic@sp.senac.br Estação de trabalho para profissionais de projeto Workstation for design professionals Karin Frey Weege¹, Valéria Fialho² ¹Estudante do Centro Universitário SENAC Bacharelado em Design Industrial ² Professora do Centro Universitário SENAC karinfreyweege@hotmail.com, valeriafialho@gmail.com Resumo. Este trabalho tem como objetivo projetar uma mesa de trabalho para profissionais das áreas de projeto, buscando atender suas necessidades de uso como a falta de espaço na superfície de apoio, organização e armazenamento. Para o desenvolvimento deste trabalho, foram pesquisados o espaço de trabalho, mesas de escritório existentes, materiais e sistemas de ferragens concebendo um conceito para o projeto. Palavras-chave: mesa de trabalho, estação de trabalho, escrivaninha. Abstract. This work aims to design a desk for project professionals seeking to meet their needs for use as a lack of space on the surface of support, organization and storage. To develop this study, we investigated the workspace, existing office desks, materials and systems designing a concept for the project. Key words: desk, workstation, davenport, bureau.
  5. 5. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 2 1. Introdução A mesa de trabalho é uma das peças de mobiliário mais importantes dentro de uma empresa e é fundamental para a eficiência do trabalho, dando todo o suporte de organização e superfície necessária para diversas atividades funcionais. O tema deste trabalho de conclusão de curso surgiu da constatação da existência de dificuldades existentes na utilização de mesas de trabalho nos escritórios de design e arquitetura, caracterizado pela atividade projetual e nos quais se faz necessária a presença de maiores superfícies de apoio e formas eficazes de armazenamento de materiais de trabalho. No livro The designer’s workspace: ultimate office design de Douglas B. Caywood são mostrados diversos escritórios de design e arquitetura de diferentes tamanhos. Caywood (2004) afirma que os escritórios de design normalmente possuem mesas acima do tamanho que é considerado padrão, ou seja, maior que os tamanhos de mesas de trabalho utilizadas em outros tipos de escritório. The designer’s office typically includes oversized desk and layout space for drawings. The industry has changed in the last two decades from a manual drafting table to a computer station. With these changes, mobility has become priority for tables, carts, and seating to make the design space most versatile. (CAYWOOD, 2004, P. x) Nos escritórios são compradas mesas sob medida ou mesas fabricadas em grande escala. As mesas que são fabricadas em grande escala são as mesas que são utilizadas para diversos tipos de escritório com superfícies de tamanho padrão. Este trabalho tem como objetivo criar uma mesa de trabalho que seja funcional para o público de profissionais de projeto, atendendo às peculiaridades da atividade. 2. Evolução do espaço de trabalho Cláudia Andrade (2007) fala do ambiente de trabalho, a partir do século XIX, afirmando que até o final daquele século o escritório era formado de mesas de madeira escura onde os funcionários se sentavam ao lado do seu superior. Todos os funcionários do escritório eram homens e seu único material de trabalho era a caneta tinteiro. Forty (2007) comenta que algumas escrivaninhas possuíam tampas corrediças para maior privacidade. Outras escrivaninhas possuíam tampos inclinados para apoiar livros, assim o funcionário poderia trabalhar em pé ou sentado porem dava ao funcionário uma privacidade, pois seu trabalho era difícil de ser supervisionado, só poderia ser visto por cima de seus ombros. À procura de maior eficiência no trabalho foi resolvido tirar a tampa corrediça e os tampos inclinados. A partir do século XX, houve um aumento de funcionários pelo crescimento das empresas e, com isso, foi necessário criar um novo sistema de organização nos escritórios. O sistema criado foi o Bullpen, mais conhecido por Taylorismo, criado por Taylor com a ideia de organizar o ambiente de trabalho como uma fábrica onde cada um fazia uma única função, uma pequena parte do trabalho como nas linhas de montagem de uma fábrica, para maior rapidez, extraindo o máximo da produtividade de seus empregados, explica Andrade (2007). Com a aplicação deste sistema, os supervisores foram separados de seus funcionários ganhando salas fechadas nos andares mais altos dos escritórios e possuíam mobiliários luxuosos, assim mostrando superioridade.
  6. 6. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 3 Forty (2007) afirma que com a adaptação do Taylorismo, cada funcionário tinha uma tarefa. Com isso foram criados mobiliários que se adequassem a função de cada funcionário para que reduzisse a fadiga e tivessem fáceis mudanças de posicionamento durante seu trabalho, assim melhorando seu desempenho. Complementando com Andrade (2007) que afirma que todas as partes do mobiliário eram estudadas de acordo com a função do funcionário assim como o número de gavetas, o acabamento e suas dimensões eram estudados. Porém, quanto maior o seu nível hierárquico, o mobiliário era mais luxuoso com mais gavetas, maior dimensão mesmo sem a necessidade. Além disto, com o aparecimento das máquinas de datilografia foram contratadas mulheres para sua operação deixando os homens nos cargos executivos. Adrian Forty (2007) acrescenta que especialistas acreditavam que a padronização da mobília traria melhores resultados no trabalho. Então a mobília foi padronizada. Porem, o a hierarquia dos trabalhadores era definida por suas escrivaninhas, assim, a escrivaninha dos escriturários era menor que a dos executivos mesmo sabendo que o executivo não necessitava de uma mesa de um tamanho maior que a de um escriturário. Em 1910, foram divididas em departamentos as funções dos funcionários assim, voltando a ter móveis planejados para cada função do escritório. Em 1920 começaram a utilizar os estudos de postura nos escritórios, que já eram aplicados nas fábricas. Assim, foram projetadas cadeiras baseadas nas utilizadas nas fábricas. Elas eram ajustáveis e feitas de aço com estofados, confortáveis porem, com aparência industrial trazendo a aparência da indústria para dentro do escritório. A escrivaninha é o móvel mais usado no escritório. O empregado está sentado a ela constantemente. O mais alto tipo de eficiência do trabalho em uma escrivaninha é obtido quando o próprio móvel é constituído e arranjado de tal forma que não se torne um obstáculo ao progresso do trabalho de uma pessoa, mas, ao contrário, a ajude de todos os modos possíveis. (SCHULZE, 1913, p. 62 apud FORTY, 2007, p. 173) Com a adaptação do novo sistema, mobiliários e divisões hierárquicas, o taylorismo interfere também na arquitetura do espaço de trabalho, comenta Andrade (2007). Depois da guerra, os alemães criaram o sistema de Landscape Office, ou seja, Escritório Panorâmico onde a intenção era tirar todas as divisórias do escritório para maior facilidade de comunicação entre as áreas. Andrade (2007) conclui que com esse sistema, o escritório tinha às vezes uma aparência de caos. Havia também plantas e obras de arte para trazer para o escritório um pouco de informalidade. Adrian Forty (2007) ressalta que, em grande parte dos escritórios, os mobiliários perderam o ar fabril e incorporaram o design contemporâneo com mobiliários de alto padrão e de aparência de mobiliários domésticos, e era utilizado para atrair funcionários para trabalhar naquela empresa. Os mobiliários eram feitos de madeira clara, para fugir da aparência dos mobiliários pré-guerra, com estrutura de tubos metálicos e cadeiras com cores vivas. Andrade (2007) acrescenta que com a ideia de deixar o ambiente mais aberto para facilidade de fluxos, começaram a utilizar estações de trabalho modular em “L”. Herman Miller, em 1960, desenvolve um sistema de móveis para escritório chamado Action Office System que traziam junto com as mesas de trabalho, diferentes tipos e armários, móveis autoportantes e biombos para dividir áreas de trabalho. Assim fazendo surgir outro layout de escritório chamado Open Plan, ou seja, Escritório de Planta Livre. Oferecendo divisórias de diferentes tamanhos dando maior ou menor
  7. 7. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 4 privacidade, fazendo com que o funcionário focasse mais no trabalho. As divisórias ajudaram nos problemas de acústica e as estações de trabalho trouxeram soluções para a necessidade de espaço para as tecnologias da época como o telefone e computadores. Os supervisores voltaram a ficar em salas fechadas, mas desta vez salas feitas com biombos. Cláudia Andrade (2007) comenta que com o tempo, os sistemas de estação de trabalho foram evoluindo junto com a tecnologia e se adaptando com a necessidade das empresas. Entre elas a necessidade de mobiliários compactos e que servissem de suporte para todas as tecnologias novas e conectividades elétricas. Outras mudanças no mobiliário foram a favor do bem estar do funcionário. Os móveis ganharam bordas arredondadas, alturas diferenciadas para monitor e teclado, regulagem e altura nas cadeiras, apoios para os pés, entre outros, com essa evolução foi criado o Escritório Aberto que é o escritório formado por estações de trabalho com divisórias que não passam de 1,20 metros de altura. Outro modelo de sistema de organização de um escritório é o Escritório Fechado que é o escritório todo dividido por paredes ou divisórias que é o tipo de escritório onde se necessita maior concentração no seu trabalho. Também existe o modelo Escritório Aberto/Fechado que é uma mistura dos dois onde, os que têm salas fechadas, são por divisão hierárquica ou pela atividade exercida. Outro modelo que Andrade (2007) comenta, é o Escritório Territorial (Universal Plan). Muitas organizações utilizam-se de uma variação do Universal Plan que limita as estações de trabalho a três diferentes tamanhos. Um tamanho acomoda 80% ou mais dos profissionais da área de suporte e funcionários de baixo escalão. Outro acomoda 15% do total dos funcionários e seria a estação destinada à gerência. Os 5% restantes, representando somente algumas poucas estações, são destinados ao alto escalão da empresa, pessoas como o presidente e vice-presidentes. Esse esquema pode ser aplicado em diferentes tipos de indústrias e em organizações dos mais diferentes tamanhos. (BECKER/STEELE, 1995, p.53 apud ANDRADE, 2007, p.63) Com as tecnologias como o fax, computador, laptop, celular e internet, começou a ser possível as pessoas trabalharem fora dos escritórios, assim criando os Escritórios Não- Territoriais (Non territorial Offices) também chamados como Escritórios Alternativos (Alternative Officing) ou, como conhecido no Japão, Just-in-Time. Com a possibilidade de ter um escritório virtual surge a oportunidade de trabalhar em casa, conhecido como Home Offices, em hotéis, que são mais utilizados para reuniões em suas salas reservadas (Hoteling), em Free Address, que consiste em baias de trabalho alugadas, outra alternativa seria o Red Carpet Club que é uma mistura dos dois últimos sistemas disponibilizando salas fechadas, lugares abertos, salas de reuniões e também áreas informais como cafeterias. De acordo com Mengatto (2012), as escrivaninhas residenciais não possuem espaço suficiente para acomodação de materiais de escritório além dos aparatos que a tecnologia trouxe a mais como por exemplo: cabos, mouse, impressora, teclado, caixas de som, entre outros.
  8. 8. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 5 A tecnologia dos equipamentos de informática substituiu a importância dada à escrivaninha. O espaço de trabalho da antiga escrivaninha, que atendia a administração da casa, começou a competir com o espaço de trabalho do computador, somado a este, periféricos e materiais de escritório necessários à escrita, leitura e manuseio de materiais. (MENGATTO, 2012, p.6) Os materiais de trabalho sempre foram responsáveis pela evolução e mudança do formato da mesa de trabalho por causa de seu uso e armazenamento. Assim como podemos ver como o uso do computador influencia no desenho das escrivaninhas atuais. Outra observação de Mengatto (2012) é de que as escrivaninhas estão ficando cada vez mais simples, sem suporte para materiais as deixando parecidas com as mesas de jantar e ficando indistinguíveis pela falta da forma de acordo com a função de seu uso. No lar, o design de escrivaninha tornou-se, ‘em alguns casos, indistinguível da mesa de jantar contemporânea’, contradizendo o princípio de gerar formas de móveis a partir de estudos do trabalho. (FORTY, 2007, P.195 apud MENGATTO, 2012, p.42) Nos últimos anos, novos lançamentos já consideram, ou sugerem o trabalho em domicílio menos como tendência, mas como realidade. Em edifícios, as plantas possibilitam a substituição de um quarto pelo home Office 1 (MENGATTO, 2012, p.17) 3. Referências de projeto Como referências para o projeto foram pesquisadas mesas de trabalho de diversas funções como: mesas para diretor, escrivaninhas de uso doméstico, sistemas de mesas que podem ser montadas de diversas formas de acordo com a necessidade do usuário, mesas compactas e linhas que incluem mesa e gabinete. Em cada objeto foram pesquisados seus materiais, suas dimensões, preço e sistemas diferentes aplicados em cada. Com isso, podemos ter uma ideia melhor das que já existem no mercado, os materiais mais utilizados e sistemas criados para solucionar problemas como armazenamento de cabos, materiais de trabalho, documentos, livros e partes dos computadores como teclados, CPU entre outras coisas. Após a pesquisa feita, podemos perceber que a maioria das mesas de trabalho possuem materiais como madeira compensada com acabamento em laminado para 1 Entre tantas denominações para o trabalho à distância na moradia é comum ouvir terminologias como, gabinete de trabalho, sala de trabalho, escritório particular, bureau doméstico, estúdio, posto de trabalho, estação de trabalho, escritório informatizado residencial, Workstation, free address e ainda as seguintes terminologias especificadas por Rizzatti (2008): home-office, teletrabalho, s.o.h.o. (small office, home office), escritório doméstico, escritório virtual, trabalho fisicamente descentralizado, trabalho remoto, trabalho à distância, home based business, trabalho móvel, teleworking, telecomutação, trabalho em casa.” (MENGATTO, 2012, p.17)
  9. 9. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 6 maior durabilidade do tampo, pernas de metal ou madeira e outras partes de madeira expostas como as laterais do tapo e gavetas muitas vezes com acabamento laqueado. Importante também observar que, grande parte das escrivaninhas possuem espaços para armazenamento de materiais às vezes em forma de gaveta, prateleiras ou até mesmo possuem um gabinete da mesma linha para ser adicionado e também possuem espaço para o armazenamento de cabos e adaptadores de tomadas que ficam de baixo de um tampo em cima da própria mesa ou então gavetas ou cestos em baixo da mesma. Ao comparar as dimensões das mesas podemos perceber que a altura varia de 60,96cm a 83,82 cm, porém com a maioria delas com a altura de 75cm. A largura varia de 120cm a 250cm, com a maioria das mesas com largura de 150cm. Sua profundidade varia de 50cm a 110cm, com a maioria com tamanhos entre 60cm e 80cm. Com essas comparações podemos ter conhecimento de um tamanho médio utilizado nas mesas de trabalho. 4. Organização e ergonomia Lyon (1994) diz que existem dois tipos de trabalho: um deles é o “do tipo que fala no telefone” e o outro, “o que não tem relógio” distinguindo o grupo que tem horário de trabalho do grupo dos escritores, os que visualizam as coisas e os inventores. Assim conclui que os que criam não têm horário de trabalho, podem passar madrugadas trabalhando e para isso devem estar bem equipados. A ideia deste trabalho é utilizar como público alvo designers e arquitetos que é uma parte do grupo que Lyon (2004) chama de criadores, os que não têm horário, os criadores que levam seu trabalho, nem que seja em pensamento, para casa. Pessoas que utilizam mais materiais de trabalho como, por exemplo, diferentes folhas de papel com tamanhos maiores, diferentes tipos de lápis, canetas, marcadores entre outros. Após as pesquisas realizadas, foi comprovada a necessidade de locais de trabalho confortáveis para o trabalho do público escolhido definindo conforto como área com espaço suficiente para a realização do trabalho e organização de seus materiais. Em questões ergonômicas, as únicas preocupações são com a altura da mesa, apoio do braço na superfície, pernas da mesa e profundidade para que caibam as pernas do usuário e gaveteiros que não atrapalhem movimentos de sentar e levantar. Tabela 1. Materiais e seus planos de uso/armazenamento Material Planos de uso Planos de uso Plano reto ou inclinado Papel (antes ou após seu uso) Gavetas, pastas ou tubos Canetas/lápis Porta-lápis (plano reto) ou gavetas Luminária Plano reto Computador/mouse/teclado Plano reto Mesa Digitalizadora (Tablet) Plano reto ou inclinado Réguas Gavetas ou pastas
  10. 10. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 7 Figura 1. Recomendações para o monitor e plano de trabalho. Figura 2. Recomendações para o monitor e plano de trabalho. Figura 3. Recomendações de medidas para planos de trabalho.
  11. 11. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 8 5. Desenvolvimento do projeto Definição da forma Durante o desenvolvimento do projeto são analisadas forma e função do produto criado e evoluindo seu desenho de acordo com falhas encontradas nos projetos. Para que isso aconteça, além dos croquis são realizados modelos em escala dos croquis mais interessantes para teste de mecanismos, proporção e visualização melhor do produto. Assim como também foram feitos modelos em 3D para visualização com as medidas ideais do projeto. As funções estudadas e aplicadas no desenvolvimento do projeto até seu resultado final foram: espaço suficiente para o trabalho, espaço para armazenamento, conforto, adaptação da mesa ao usuário e adaptação da mesa ao ambiente de trabalho em relação ao seu espaço (extensão e compactação ou adição e subtração de módulos em um sistema). Assim tentando aplicar a maior parte destas opções para o conforto do usuário em sua mesa de trabalho. Objetos versátiles, que reúnen distintas funciones en una sola pieza, muebles que se repliegan o que se expanden, cabinas y despachos transportables son algunas de las muestras de un cambio que refleja el flujo vital del individuo en relación con su vida y con su trabajo (LINEA EDITORIAL, 2006, p.08) Os croquis das figuras 4 e 5 mostram ideias de um sistema de mesas a partir de três peças o tampo, as pernas e gabinete podendo substituir as pernas pelo gabinete. A pasta de arquivamento nas laterais deles é um acessório colocado à parte. O tampo da mesa tem como ideia a utilização de madeira compensada e com acabamento laminado apenas na superfície de cima do tampo assim, deixando as camadas do laminado à mostra nas suas laterais, o mesmo acontece com o tampo do gabinete e sua prateleira. As gavetas do gabinete e da mesa não contêm puxadores, no lugar deles, é recortado uma das partes da gaveta assim, facilitando o manuseio e economizando material. Figura 4. Croqui mesa e gabinete.
  12. 12. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 9 Figura 5. Croqui sistema de mesa e gabinete com duas aplicações. A figura 6 é outra opção de aumentar a superfície de trabalho através da porta do armário aberta. Para aumenta lá seria deslizada uma parte do tampo e abaixada a porta do armário no vão criado. Apesar de esta opção conter locais de armazenamento, é possível analisar que o uso dó armário é restrito pela necessidade de movimentação de seu tampo. Figura 6. Croqui da mesa armário e tampo deslizante extensível. Figura 7. Croqui da mesa extensível.
  13. 13. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 10 Figura 8. Croqui com detalhes explicativos. Figura 9. Croqui mesa extensível e inclinável com pernas e armazenamento de cabos traseiro. Nos croquis das figuras 7, 8 e 9 há uma demonstração de ideias de tampo para uma mesa onde um dos seus tampos ou os dois, como mostra na figura 7, se deslizam sobre trilhos e abaixo há uma superfície de vidro jateado, com tamanho suficiente para suporte de uma folha de tamanho A2, que pudesse ser inclinada ou alinhada com
  14. 14. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 11 as outras superfícies aumentando a área de trabalho. O vidro jateado seria uma aplicação de uma mesa de luz com uma iluminação abaixo dela que, teria a possibilidade de ser ligada e desligada. Outra característica importante de adicionar o vidro é a possibilidade de utiliza-lo como superfície de corte ao uso do estilete. A outras duas superfícies teriam acabamentos diferenciados como madeira envernizada e madeira laqueada ou com aplicação de fórmica. Nestes croquis ainda não foram apresentadas as pernas da mesa e de locais de armazenamento de materiais. O croqui da figura 9 é um avanço dos croquis anteriores trazendo com ele pernas em formato de cone e uma parte traseira dividida em três partes onde podem ser retiradas para armazenamento de sistemas elétricos internos e ao serem fechadas contém duas saídas para cabos, uma em cada canto, assim tendo acesso também quando a mesa for estendida. Nesta ideia de projeto ainda há o problema de armazenamento dos materiais necessitando de um armário ou gabinete. Partindo destes croquis, foi feito um modelo em escala papelão para observar o funcionamento desta peça. O modelo tinha problemas no apoio do tampo que abria e o seu tampo extra que encaixava para aumentar a superfície dava muito trabalho manual ao usuário. A mesa de luz foi um objeto excluído do projeto por haverem versões mais versáteis no mercado. Figura 10. Modelo com tampo fechado Figura 11. Modelo com tampo aberto A partir das falhas encontradas no croqui anterior, foi desenvolvido outro croqui com a ideia de ampliação de tampo através de rotação em um eixo. A mesa continha dois tampos, um abaixo do outro onde o tampo inferior gira em torno de um eixo na sua lateral. Assim, foi desenvolvido um modelo de teste sem escala para visualização do sistema de eixo. Com o teste do modelo em papelão foi observado que o tampo que rotaciona necessitaria de pernas de apoio. Figura 12. Croqui mesa com dois tampos. Figura 13. Modelo em papelão semi- aberto.
  15. 15. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 12 Figura 14. Abertura do tampo. Figura 15. Modelo em papelão fechado. A partir destas falhas encontradas, outro croqui foi desenvolvido com pernas que se moviam junto com o tampo inferior da mesa. Junto com esta ideia foi desenvolvida a inclinação do tampo superior. Então foi feito seu modelo em escala 1:10 para teste. Foi observado que com o tampo principal sendo inclinado por inteiro seria necessário mudar de lugar objetos como computador, porta-lápis e todo material que estiver em uso antes de sua inclinação. Figura 16. Modelo em escala 1:10 com tampo inclinável no tampo principal
  16. 16. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 13 Figura 17. Modelo em escala, Figura 18. Modelo em escala aberto. detalhamento inclinação. A mesa que se inclina foi transferida para a superfície de baixo onde não seria possível ser inclinada por inteira pelas mudanças de posição da mesa. Foram feitos alguns estudos de pernas e também um modelo teste com escala 1:10 e foi percebido que o tamanho total da mesa seria inviável para um espaço de trabalho. A única solução para diminuir este tamanho seria diminuir o tamanho do tampo inclinável o que resulta em um tampo inclinável para folhas de tamanho A3 que não necessita deste. Outra opção seria voltar para a ideia do tampo principal inclinar. Figura 19. Modelo em 3D aberto. Foi resolvido deixar a mesa com um tamanho fixo já com o tamanho suficiente para o uso de seu publico alvo e nele, continua a ter uma parte inclinável de tamanho suficiente para uma folha A1 e uma parte fixa para o apoio de objetos.
  17. 17. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 14 Desenvolvimento do modelo final: Figura 21. Estudo de pernas e superfície Figura 20. Croqui estudo da mesa de tampo fixo. Figura 22. Estudo de pernas e superfície Figura 23. Estudo de pernas e superfície Figura 24. Estudo de pernas e superfície
  18. 18. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 15 Figura 25. Modelo escolhido para definição do projeto. Detalhamento Com a área de trabalho resolvida foi então estudado locais de armazenamento de materiais. Com isso, foi decidido ter uma gaveta onde coubessem folhas de papel de tamanhos grandes e outros objetos. Além da gaveta foram adicionados portas-treco em sacos de tecido de tamanhos diferentes, que podem ser retirados para sua limpeza, na parte de trás da mesa onde podem ser colocados materiais de trabalho desde canetas até livros e desenhos enrolados em canudos. Outro porta-treco desenvolvido foi o da lateral da mesa. O porta-treco é feito de madeira com tecido que pode ser retirado da estrutura para sua lavagem. Este porta-treco tem como função de ser suporte de pastas de desenho, canudos, folhas de papel, ser utilizado como lixo de papel ou ser desativado fechando-o rente a lateral da mesa. Os sistemas utilizados na mesa foram dobradiças para o tampo inclinável, haste de inclinação e porta-pasta. Nas gavetas a utilização de trilhos. Materiais Toda a mesa e sua estrutura são de placas de madeira compensada de medidas: -3mm: Fundo das gavetas; -1cm: Gavetas e fechamento traseiro; -1,5 cm: Tampo da mesa, gavetas e porta pastas lateral; -2,5 cm: Estruturação do tampo; Obs.: Tampo com acabamento laminado/fórmica. Pernas da mesa e vigas em madeira maciça (Eucalipto): -5cm x 5cm: Pernas da mesa; -3cm x 3cm: Vigas estruturais nas pernas da mesa; Sacos na parte de trás da mesa e dos porta-pasta feitos em lona. Sacos do portas- pasta contém botões de pressão para prendê-los na estrutura da mesa e os sacos porta-treco com uma estrutura interna em madeira para encaixe no suporte.
  19. 19. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 16 A inclinação da prancheta e a abertura do porta treco são feitos através de uso de dobradiças de piano. O suporte da inclinação da prancheta também é utilizada uma dobradiça comum de tamanho reduzido podendo ser também a de piano cortada em um tamanho menor. Figura 26. Modelo em escala 1:5 pronto sem portas-treco ainda em confecção. Figura 27. Modelo em desenho 3D.
  20. 20. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 17 Figura 28. Desenho 3D prancheta inclinada. Figura 29. Desenho 3D em uso com computador e prancheta inclinada. 6. Considerações Finais No decorrer do trabalho foram desenvolvidas ideias que, através de testes, descobriu- se serem inviáveis para sua concepção ou uso assim como mostrado no Capítulo 5 - Desenvolvimento do projeto. Estes estudos foram indispensáveis para o desenvolvimento do projeto final. O objetivo deste trabalho era criar uma mesa de trabalho que suprisse as necessidades de um profissional da área de projeto. Entre essas necessidades estão: espaço na superfície de trabalho, espaço para armazenamento e organização do material de trabalho. Estes pontos parecem estar resolvidos no projeto definido, portanto, poderiam ser adicionadas ainda divisórias em uma das gavetas para maior organização para uma melhoria no projeto. Outro ponto que precisaria ser estudado novamente para algumas modificações para melhoria no projeto seriam suas dimensões; mesmo com grandes mudanças no desenvolvimento do projeto podemos observar que a mesa de trabalho ainda tem um tamanho significativamente grande. De acordo com a necessidade dos usuários poderiam ser criadas também mesas com áreas de trabalho menores já que esta é baseada em uma folha de papel A1. Uma mesa com dimensões baseadas em uma folha de papel A2 a A3 seriam mais viáveis para um escritório menor. Porém, o projeto chegou ao objetivo esperado com um resultado satisfatório.
  21. 21. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 18 Referências ANDRADE, Cláudia Miranda Araújo de. A história do ambiente de trabalho em edifícios de escritórios: Um século de transformações. São Paulo: C4, 2007. CAYWOOD, Douglas B. The designer’s workspace: ultimate office design. Burlington: Architectural Press publications, 2004. FONTOURA, Ivens. Uma visão do design moveleiro latino-americano: dez edições, dezoito anos. Bento Gonçalves: Salão design Móvelsul, 2006. FORTY, Adrian. Objetos de desejo – Design e sociedade desde 1750. São Paulo: Cosac Naify, 2007. LIMA, Marco Antonio Magalhães. Introdução aos materiais e processos para designers. Rio de Janeiro: Ciência Moderna, 2006. LINEA EDITORIAL, S.L.. Diseño de muebles de oficina. Barcelona: Maomao publicatons, 2006. LYON, Todd. Desk: Chic Simples Components. Londres: Thames and Hudson/Chic Simple, 1994 MADEIRAS: material para o design. São Paulo: Secretaria da Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico: Programa São Paulo, 1997. MENGATTO, Suzete Nancy Filipak. Critérios para o design de estação de trabalho informatizada residencial 2012. Tese (doutorado) Faculdade de arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2012. Lista de Imagens Figura 01. Recomendações para o monitor e plano de trabalho. Fonte: (MENGATTO, 2012, p.61). Figura 02. Recomendações para o monitor e plano de trabalho. Fonte: (MENGATTO, 2012, p.61). Figura 03. Recomendações de medidas para planos de trabalho. Fonte: (MENGATTO, 2012, p.62). Figura 04. Croqui mesa e gabinete. Fonte: Autor próprio. Figura 05. Croqui sistema de mesa e gabinete com duas aplicações. Fonte: Autor próprio. Figura 06. Croqui da mesa armário e tampo deslizante extensível. Fonte: Autor próprio. Figura 07. Croqui da mesa extensível. Fonte: Autor próprio. Figura 08. Croqui com detalhes explicativos. Fonte: Autor próprio. Figura 09. Croqui mesa extensível e inclinável com pernas e armazenamento de cabos traseiro. Fonte: Autor próprio. Figura 10. Modelo com tampo fechado. Fonte: Autor próprio
  22. 22. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 19 Figura 11. Modelo com tampo aberto. Fonte: Autor próprio. Figura 12. Croqui mesa com dois tampos. Fonte: Autor próprio. Figura 13. Modelo em papelão semi-aberto. Fonte: Autor próprio. Figura 14. Abertura do tampo. Fonte: Autor próprio. Figura 15. Modelo em papelão fechado. Fonte: Autor próprio. Figura 16. Modelo em escala 1:10 com tampo inclinável no tampo principal. Fonte: Autor próprio. Figura 17. Modelo em escala, detalhamento da inclinação. Fonte: Autor próprio. Figura 18. Modelo em escala aberto. Fonte: Autor próprio. Figura 19. Modelo em 3D aberto. Fonte: Autor próprio. Figura 20. Croqui estudo da mesa de tampo fixo. Fonte: Autor próprio. Figura 21. Estudo de pernas e superfície. Fonte: Autor próprio. Figura 22. Estudo de pernas e superfície. Fonte: Autor próprio. Figura 23. Estudo de pernas e superfície. Fonte: Autor próprio. Figura 24. Estudo de pernas e superfície. Fonte: Autor próprio. Figura 25. Modelo escolhido para definição do projeto. Fonte: Autor próprio. Figura 26. Modelo em escala 1:5 pronto sem portas-treco ainda em confecção. Fonte: Autor próprio. Figura 27. Modelo em desenho 3D. Fonte: Autor próprio . Figura 28. Desenho 3D prancheta inclinada. Fonte: Autor próprio. Figura 29. Desenho 3D em uso com computador e prancheta inclinada. Fonte: Autor próprio.
  23. 23. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014, São Paulo: Centro Universitário Senac ISSN 2179474 X © 2014 todos os direitos reservados - reprodução total ou parcial permitida, desde que citada a fonte portal de revistas científicas do Centro Universitário Senac: http://www.revistas.sp.senac.br e-mail: revistaic@sp.senac.br A mutação do objeto como item de projeto The object’s mutation as project item Alex Braga Tonda, Myrna de Arruda Nascimento Centro Universitário SENAC Bacharelado em Design Industrial abtonda@gmail.com, myrnanas@gmail.com Resumo. Análise e reflexão sobre a mutação dos objetos ao longo da história da humanidade e as transformações provocadas e/ou decorrentes destas mutações, com reflexo nos comportamentos e ações humanas. A partir deste ponto, discutem-se as relações que passam a ser estabelecidas a partir das novas informações processadas e, adicionalmente, as interferências causadas por um objeto multifuncional quando o mesmo é inserido na tríade homem + objeto + espaço. Palavras-chave: design industrial, multifuncionalidade, mutação. Abstract. This article intends to analyze and discuss about the object’s mutation during the design history, and about the changes that resulted from these mutations, which reflected in human beings behaviors and actions. How the object’s mutation affects the relationship of man + space in the course of an era and how to face it like a project item when a multifunctional object is inserted in this relationship? Key words: industrial design, multifunctionality, mutation.
  24. 24. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 2 1. Introdução Estamos cercados por objetos que equipam o ambiente a nossa volta ao mesmo tempo em que nos tornam aptos a ambientá-lo. Objetos que, inevitavelmente, carregam a história do contexto cultural em que foram projetados e possibilitam que uma nova história seja configurada a partir do momento em que seus conceitos são revisitados. Tal processo de revisão de conceitos, re-projeto, re-desenho, possibilita que a mutação dos objetos aconteça em um continuum movimentado pela interpretação inconstante do homem diante de seu meio, que busca transformá-lo, moldando-o de acordo com o espírito de determinada época. Paralelamente à reflexão a cerca da mutação dos objetos ao longo da história da humanidade, a versatilidade dos objetos multifuncionais também é um fenômeno curioso, e imprescindível, que merece espaço neste mesmo artigo. É necessário refletir sobre a contaminação dos objetos e as transformações que eles provocam em virtude das distintas formas de ação/uso que são impostas aos mesmos pelo homem, sob o ponto de vista tecnológico ou da sua interação com o ambiente.
  25. 25. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 3 2. A mutação do objeto A palavra mutação geralmente é capaz de despertar inquietação dependendo do contexto em que é empregada. Aliada à cultura dos objetos, a primeira imagem a ser desenhada mentalmente pelo espectador quando se depara com o termo é a de algum produto impregnado de articulações e dispositivos mecânicos complexos, capazes de transformar o mesmo em outro. Porém, grande parte das mutações significativas na história do design discutidas neste artigo é de natureza singela, frutos de “belas sacadas” de percepção. Momento em que o projetista abstrai sua noção de realidade e parece acessar dentro do raciocínio projetual uma nova dimensão, um diferente caminho para interpretar o objeto em foco e carente de redesenho. Caminho este acessado pelo processo de associação e experimentação. Michael Thonet associou ramos de flores a bastões de madeira em busca de suprir uma eventual limitação física do material. Se Thonet não analisasse e experimentasse a curvatura que ramos frescos, úmidos, proporcionam talvez nunca impregnasse de vapor os bastões de faia que configurariam, em 1859, a cadeira nº14. Os bastões curvados reuniam diferentes funções estruturais da cadeira, assim, Thonet simplificou o processo de fabricação de uma cadeira convencional, tornando-o mais ágil e econômico para a sua época. (Munari, 2008) Figura 1. Esquerda para direita: cadeira Windsor (23 peças), cadeira Chiavari (16 peças) e a atomização do conceito naquela época, a cadeira nº14 de Thonet (6 peças). A técnica de vergar bastões de madeira no vapor, que resultou na tecnologia da curva estrutural, se originou dentro de um cenário sustentado/ocupado por máquinas a vapor que configuravam a primeira revolução industrial. Cenário este que consequentemente influenciaria o projeto do artesão, posteriormente consagrado como projetista industrial após analisar todas as variáveis existentes dentro do respectivo contexto e desenhar um objeto capaz de suprir as necessidades da época. Além de apresentar um raciocínio projetual destinado ao aprimoramento da serialização de um objeto, o projeto também oferecia uma solução em relação ao armazenamento do mesmo. Em um espaço de um metro cúbico 36 cadeiras podem ser armazenadas quando desmontadas em módulos.
  26. 26. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 4 A mutação desencadeada por Thonet, e seu projeto disruptivo da cadeira nº14, influenciou uma geração de designers que beberam de sua fonte e perpetuaram a ideia no decurso da história do design através do emprego de diferentes materiais. Figura 2. A herança de Michael Thonet. Uma nova linguagem visual criada e posteriormente desdobrada através dos projetos de Mart Stam (ao centro), Marcel Breuer (à direita) e outros. Com a chegada do poliuretano ao mercado, foi possível que mais uma vez o conceito de estrutura de apoio para descanso fosse questionado e transformado por alguns projetistas, dadas as possibilidades que o material proporcionava. Certamente um dos casos mais curiosos dessa fase, que se destaca pela ousadia de seu conceito, é o projeto Living Tower (1969) do arquiteto dinamarquês Verner Panton. Figura 3. A “torre de convivência” de Verner Panton.
  27. 27. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 5 Assim como Thonet, Panton curvou as estruturas e transformou o velho sofá da sala de estar em uma nova proposta para um futuro estilo de vida. Talvez tão distante que parecesse deslocado no espaço dentro de sua época, porém atual e coeso com a presente oferta de metros quadrados oferecido nas grandes metrópoles. O mérito do projeto da “torre de convivência” de Panton certamente não está relacionado à agilidade de produção ou estoque, como o exemplo anterior de Thonet, mas o que justifica sua inserção no contexto é o discurso alinhavado pelo designer dinamarquês sobre uma diferente possibilidade de aproveitamento de espaço, e de como integrá-lo a um objeto, se analisarmos o seguinte desdobramento do projeto. Phantasy Landscape foi um ambiente projetado para a exposição Visiona II (1970), organizada pela companhia química alemã Bayer, em que arquitetura e mobília se conectam através de uma estrutura de curvas sinuosas seccionada em camadas de cores contrastantes (Fiel, 2002). Figura 4. Phantasy Landscape, Verner Panton (1970). Organização estrutural ousada e funcional. De volta ao aconchego intrauterino após uma jornada de “trabalho” fora de “casa”, mas só para recarregar as “baterias”. Desdobrando as possibilidades de estilos de vida que são impulsionados pela tecnologia e pelos novos objetos que orbitam ao redor de tal eixo gravitacional, não é uma tarefa complexa transportar tal “cenário futurista” para a atualidade, a partir do momento em que vivemos dentro de um contexto totalmente voltado para manipulação da informação e teletransporte de dados. As mutações disparadas pelos designers mencionados anteriormente elucidam as duas vertentes principais que este artigo apresenta para reflexão: experiências restritas ao campo industrial e mudança de paradigma comportamental/cultural, quando uma nova proposta de objeto é inserida na relação homem e espaço, possibilitando uma nova interpretação sobre um contexto. Embora existam duas vertentes a análise busca incorporá-las sob a mesma ótica, a mutação com foco na desmaterialização consciente dos objetos. Um universo digno de atenção, e carente de desmaterialização, é o da gastronomia. Além de ostentar uma rica e caótica diversidade, também está impregnado de rituais clássicos esculpidos por diferentes culturas, o que o torna mais complexo, porém mais saboroso aos olhos de um projetista curioso e disposto a combinar elementos.
  28. 28. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 6 O projeto Pasta & Parmesan dos designers Peter Pinzke e Johan Bergström segue na mesma frequência em busca da desmaterialização da cozinha e agrega duas funções correlatas ao projeto convencional de um pegador de macarrão convertendo-o em uma ferramenta multifuncional. Graças à astúcia da dupla, ao interpretar as faces que compõem o objeto, foi possível adicionar um ralador de queijo no plano horizontal que liga as duas garras laterais e, através da configuração afunilada do corpo, foi possível designar à curva estrutural do utensílio a função de dosador de espaguete e afins (Durand, 2008). Figura 5. A ferramenta multifuncional Pasta&Parmesan, Sagaform (2008). Figura 6. As três funções designadas por Peter Pinzke e Johan Bergström para uma chapa de aço. A demanda por um objeto multifuncional destinado ao território da gastronomia não é um fato atual. Tal fenômeno é motivo de inquietação projetual desde os tempos mais remotos e o objeto que comprova o fato é considerado como o primeiro canivete desenhado pela raça humana.
  29. 29. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 7 O utensílio multifuncional projetado durante o Império Romano foi totalmente pensado para ser uma ferramenta destinada à alimentação. As seis funções, exercidas pela mesma empunhadura, eram calcadas em ações (julgadas na época) básicas que adaptavam o usuário da ferramenta a manipular, ou obter, seu alimento. Seja através da colher, para auxiliá-lo a sorver um líquido, da faca, para cortar um sólido, ou ainda, através da espátula em forma de gancho, para extrair carne de crustáceos. Inteiramente confeccionado em prata, possuindo apenas uma lâmina de ferro, o suposto canivete media oito centímetros de largura por quinze centímetros de comprimento. Possuía três articulações ao total, sendo duas delas responsáveis pelas articulações das pinças e da lâmina, e uma destinada à articulação do garfo, que possuía na outra extremidade do cabo uma colher (DailyMail, 2010). Figura 7. Canivete Romano (200 d.C.), ferramenta essencial do humano em trânsito, daquela época. Do primeiro canivete desenhado durante o Império Romano até o modelo mais tecnológico desenvolvido pela contemporânea Victorinox, aparentemente poucas coisas mudaram na essência da ferramenta, ainda mais quando o contexto é comparado ao atual cenário da sociedade da informação, onde um smartphone apresenta-se como o melhor amigo do humano em trânsito (ou não).
  30. 30. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 8 Figura 8. iPhone 4, Apple (2010). O mundo na palma da mão. A manipulação da informação, a transformação da relação do homem com seu “telefone” e, posteriormente, seu ambiente. Com o andar da carruagem, e todo o arcabouço tecnológico que sustenta o mesmo, o sucesso do smartphone é sobriamente justificado, a partir do momento em que o aparelho, munido de aplicativos, da conta de abarcar múltiplas soluções que permitem seu usuário interagir, de diferentes maneiras, com diferentes contextos ou ambientes. O advento do conceito smartphone é uma das últimas provas que comprova a supremacia da sociedade da informação. Aliado a uma linha de pensamento que preconiza pela desmaterialização dos objetos, em busca de racionalizar o entorno e simplificar o complexo estilo de vida humano, apresenta-se como um poderoso link para a futura mutação do espaço. 3. A mutação do espaço Figura 9. O conceito Living Kitchen de Michaël Harboun (2010). A cerâmica eletrônica, a possibilidade de interação e, consequentemente, a cozinha (ou ambiente) mutante. O cenário projetado pelo designer Michaël Harboun tira proveito da dinâmica digital e o aprimoramento da nanotecnologia com o objetivo de oferecer uma plataforma programável ao residente de um habitáculo futurístico. A tecnologia que sustenta a parede multifuncional de Harbourn está em fase de desenvolvimento e é batizada de claytronics pela empresa multinacional de tecnologia Intel e pela universidade Carnegie Mellon, ambas norte-americanas.
  31. 31. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 9 O claytronics é uma espécie de matéria constituída de pequenos robôs, denominados catom (claytronic atoms), capazes de serem eletronicamente instruídos e se interligarem eletrostaticamente entre si para formarem um objeto com o qual o ser humano possa interagir. (Riddel, 2011) Figura 10. Claytronics. O atual estágio dos átomos que irão constituir a cerâmica eletrônica. É curioso observar que enquanto um advento tecnológico parece impulsionar a raça humana em direção a um diferente estágio de evolução as associações estabelecidas pela mesma por vezes tornam a situação tão complexa de maneira a permitir comparar a vida real com um roteiro de comédia pastelão. Afinal, por que não tirar proveito da nova corrente de design de serviços e estabelecer uma rede capaz de suprir atividades domésticas, atomizando assim o conceito de lar a um espaço intrauterino similar ao projeto de Panton? Será que realmente vamos continuar sustentando o tradicional conceito de casa? Ou, a exemplo do grupo italiano Archizoom Associati, vamos viver em pequenos habitáculos funcionais e integrar de vez nossos estilos de vida ao espaço público quebrando o paradigma da arquitetura tradicional? Figura 11. Nakagin Capsule Tower, Kisho Kurokawa (Ginza, Tóquio 1970-72). O estúdio de design experimental Archizoom foi um dos responsáveis pela divulgação do antidesign entre as décadas de 60 e 70, e através de seus microambientes visionários questionavam a tradição arquitetônica mais o humanismo imposto pela escola do modernismo (Byars, 2005).
  32. 32. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 10 O conceito de pequenos habitáculos funcionais torna-se mais realista em comparação à ideia de sustentar um ciborgue dentro de casa, como a parede impregnada de complexos micro-organismos apresentada anteriormente. E tal conceito parece ser potencializado quando aproximado do universo das grandes metrópoles 24horas, que num futuro próximo disponibilizarão de uma vasta rede de serviços, das mais variadas espécies, transformando a atual imagem de cidade no conceito No-Stop City proposto pelo estúdio Archizoom. A No-Stop City é a cidade plataforma que possibilita o intercâmbio entre espaços e produtos flexíveis, possibilitando assim uma atividade intensa de construção e reconstrução da própria cidade, que estaria em constante mutação (Moreno, 2013). 4. Considerações Finais Em tal estágio de evolução tecnológica, ou a cada vez que um período de transição de estágios é detectado, é indispensável refletir sobre os possíveis desdobramentos que determinados produtos são capazes de ocasionar. E, antes mesmo de se pensar a mutação dos objetos, faz-se necessária a reflexão sobre a mutação do objeto homem em face de um projeto de vida, uma diferente possibilidade de interpretar e manipular o espaço no qual estamos inseridos. O cenário futurístico alinhavado por teóricos de épocas passadas se descortina aos poucos enquanto vivemos nosso cotidiano em trânsito. Se pararmos para refletir que estamos vivendo de fato uma era sustentada por dados e que já é possível realizar teletransportes de objetos, mesmo estes sendo inocentemente interpretados como dados, chegamos à conclusão de que o meio nada mais é do que fruto de uma interpretação do homem sobre um contexto. Interpretação de informação, dados, virtualmente teletransportados e materializados por impressoras 3D, máquinas de controle numérico computadorizado (CNC), entre outros, sem mencionar as informações que são constantemente compartilhadas através da internet e que possibilitam um feedback em rede instantâneo, capaz de desdobrar um assunto ou atestar a veracidade do mesmo. Porém, parece que a instantaneidade do mundo virtual, facilmente adotada e traduzida por alguns indivíduos em seus respectivos cotidianos, não permitiu que o ócio criativo defendido por Domenico de Masi (2000) fosse levado ao seu último grau. Afinal, a humanidade está apta a produzir com menos esforços, porém a mesma, por vezes, parece angustiada em produzir em tão pouco tempo que ocupa o resto que lhe sobra produzindo mais, informando mais. Se considerarmos pelo prisma da era da informação, do ato de informar, podemos facilmente assemelhar a raça humana a uma sociedade prolixa, que não se contenta em parar para raciocinar e atomizar seu contexto. Sociedade esta em que o dolce far niente se apresenta de forma angustiante e entediante, visto que estamos viciados a devorar e digerir dados de qualquer espécie. Seja no contexto virtual ou material. Por isso a mutação do objeto deve ser encarada como um item de projeto. Porque a humanidade, além de ser uma raça que cria, é uma raça capaz de questionar o entorno que habita. E quando a mesma está ocupada demais devido à sua obsessão com a criação, deixa de questionar seu próprio ambiente e vira refém de uma ansiedade impulsionada por um universo tecnológico “libertador”. O limitado deu forma ao ilimitado, mas chegou a hora de rastrear as variáveis para que novos limites sejam traçados. Afinal, produzir uma cadeira em três minutos que ainda apresente uma silhueta clássica, para justifica-la enquanto cadeira, não parece atitude que revele um raciocínio sagaz, considerando que estamos vivendo o auge da era da informação e que somos dotados da competência de informar e interpretar também com outros modelos.
  33. 33. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 11 Referências BYARS, Mel. Enciclopédia do Design. São Leopoldo: Ed. Unisinos, 2005. Daily Mail. The Roman Army Knife: Or how the ingenuity of the Swiss was beaten by 1,800 years Disponível em: http://www.dailymail.co.uk/news/article-1247230/The-Roman-Army-Knife- Or-ingenuity-Swiss-beaten-1-800-years.html. Acesso em: 3 fev. 2010. DURAND, Faith. Sagaform’s All-In-One Pasta and Parmesan Tool. Disponível em: http://www.thekitchn.com/sagaforms-allinone-pasta-and-p- 57941. Acesso em: 31 out. 2011. FIEL, Charlote; FIEL, Peter. Disegño Escandinavo. Köln: Taschen, 2002. MASI, Domenico de. O Ócio criativo. São Paulo: Sextante, 2000. MORENO, Gean. Farewell to Function: Tactical Interiors. Disponível em: http://kostisvelonis.blogspot.com.br/2010/04/farewell-to-function-tactical- interiors.html. Acesso em: 23 set. 2013. MUNARI, Bruno. Das coisas nascem coisas. São Paulo, SP: Ed. Martins Fontes, 2008. RIDDEL, Phill. What Is Claytronics? Disponível em: http://wisegeek.com/what-is-claytronics.htm. Acesso em: 28 fev. 2011.
  34. 34. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014, São Paulo: Centro Universitário Senac ISSN 2179474 X © 2014 todos os direitos reservados - reprodução total ou parcial permitida, desde que citada a fonte portal de revistas científicas do Centro Universitário Senac: http://www.revistas.sp.senac.br e-mail: revistaic@sp.senac.br Mobiliário Multifuncional de Descanso para Habitações com Dimensões Reduzidas Multifunctional Rest Furniture made for Housing with Small Dimensions Andressa de Souza Lima, Pablo Marcel de Arruda Torres, MSc. Universidade Federal de Campina Grande - UFCG Unidade Acadêmica de Design - Bacharelado em Design andressa.souza00@gmail.com, pablo.marcel@gmail.com Resumo. O presente artigo objetiva demonstrar o processo de desenvolvimento de uma poltrona-cama, que possui as funções adicionais de estação de trabalho e mesa para refeições. O produto deveria se adequar aos ambientes com metragem reduzida, diferente de móveis já existentes, como os sofás-camas. A justificativa se baseia na necessidade de produzir e comercializar um mobiliário para descanso que se encaixe nos padrões de moradia moderna, os ambientes compactos. O resultado foi um mobiliário compacto e multifuncional, feito em material nobre de madeira reflorestável, que se adapta a diversas necessidades do usuário em seu ambiente de uso reduzido. Palavras-chave: poltrona-cama, multifuncionalidade, compacto, mobiliário. Abstract. This article aims to demonstrate the process of developing of an armchair- bed, which has the additional features of the workstation and dining table. The product should suit environments with reduced space, unlike existing furniture such as sofa-beds. The justification is based on the need to produce and sell furniture for rest that fits the standards of modern housing, compact environments. The result was a compact, multifunctional furniture, made in reforested wood, noble material, that adapts to different user needs in the reduced environment of use. Key words: chair-bed, multifunctionality, compact, furniture.
  35. 35. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 2 1. Introdução A indústria de móveis compõe um dos setores tradicionais da economia brasileira, onde o design exerce papel cada vez mais importante na definição de diferenciais nos produtos fabricados, não só nos aspectos estéticos como também naqueles relacionados à funcionalidade do produto (BARROSO et al., 2007) e às estratégias empresariais e de construção de imagens corporativas. Segundo Bombossaro (2012), a principal fonte do design na indústria brasileira de móveis é a união de diversos modelos em um único, cuja fonte de inspiração são produtos observados em revistas, catálogos de empresas concorrentes, feiras nacionais e internacionais. Montana (2002, p. 5) acredita que o designer pode desenvolver novos produtos com forte identidade e linguagem próprios, adaptados às novas necessidades e mercados, e complementa dizendo que a identidade de um produto surge do fator adaptação, pois aspectos como matéria-prima, processos e mercado específico de cada fábrica formam as características do mobiliário. A identidade surge à medida que esses fatores se tornam pontos fortes. De acordo com Devides (2006), os móveis residenciais detém a maior parcela da produção moveleira no Brasil, correspondendo a 60% do faturamento total do setor moveleiro no Brasil. A incorporação de novos consumidores, principalmente dos extratos mais baixos da sociedade, cujo aumento da renda familiar e estabilidade no emprego possibilitaram o crescimento do poder de compra, permite que gastos com móveis se situem na faixa de 1% a 2% do orçamento disponível. A crescente oferta do crédito imobiliário tornou o sonho do imóvel próprio mais acessível. Hoje em dia a classe média é o nicho do mercado que representa maior faturamento; sendo assim, construtoras e incorporadoras optaram por desenvolver marcas específicas para esse público. O alto custo do metro quadrado construído tornou as habitações cada vez menores, dessa forma mais acessíveis para boa parte do público consumidor. Essa procura por ambientes reduzidos fez construtoras enxergarem um promissor nicho no mercado; sendo assim, pode-se construir mais apartamentos por edifícios e ainda resolve-se o problema da falta de espaço para construir nas grandes cidades, o que ocasionou o fenômeno da verticalização das moradias. Seguindo essa tendência de espaços menores, o mobiliário teve que adaptar-se às necessidades do ambiente e diminuíram de tamanho. Os móveis para esse tipo de moradia devem apresentar conceitos como praticidade e multifuncionalidade para o aproveitamento do pouco espaço disponível. Porém, o fator espaço reduzido aliado à falta de móveis adequados podem comprometer o uso dos espaços e objetos, restando ao morador a tarefa de reorganizar esses espaços conforme suas necessidades e condições (SOARES e NASCIMENTO, 2008, p. 71). O desenvolvimento desse projeto objetivou apresentar um novo modelo de móvel compacto e flexível, que se adapte a pequenos espaços e proporcione ao público-alvo diferentes opções de uso, através de sistemas que facilitem a interação usuário- produto. 2. Análise 2.1. Público-alvo A classe C virou tema de discussão para sociólogos, economistas, publicitários e marqueteiros durante a gestão do governo Lula, onde o termo se popularizou e também ficou conhecido por “nova classe média” (BRUM, 2011). O desenvolvimento da classe C é um fenômeno observado desde 1992, mas sua expansão aconteceu de
  36. 36. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 3 maneira mais intensa a partir de 2003; desde então, o contingente de pessoas que migram para essa classe sofre um crescimento progressivo, resultante do aumento da renda familiar brasileira nas classes mais baixas. Dados da pesquisa O Observador 2012 (Cetelem BGN, 2012) mostram que a classe C recebeu 2,7 milhões de pessoas em 2011, vindas das classes D e E. Atualmente, 103 milhões de pessoas fazem parte dessa classe social, enquanto que as classes D e E sofreram uma redução de 47,948 milhões para 45,243 milhões de brasileiros. Em comparação a 2005, quando a pesquisa começou a ser realizada, o salto da classe C é de 20%. Já as classes D e E tiveram encolhimento expressivo, passando de 51% em 2005 para 24% em 2011. O consumidor da classe C está mais exigente. Com mais escolaridade, informação e consciência, ele quer produtos que valorizem o seu modo de vida. O preço é um dos fatores decisivos no ato da compra. Esses consumidores também prezam pela qualidade, mesmo quando o orçamento é restrito, preferem pagar mais caro por algo de qualidade superior. Para Moura (2012) a classe C representa uma grande parte da pirâmide social, e hoje deve ser vista não como um segmento, mas como o verdadeiro mercado brasileiro. Pesquisa realizada em 2011 pelo instituto Data Popular revelou que o mercado de mobiliário movimentou R$ 41,7 bilhões. Enquanto a população pertencente aos estratos mais altos da sociedade busca personalização da oferta, diferenciação por meio do consumo e não consolidam fidelidade às marcas, a população emergente busca inclusão e são mais fiéis a marcas que comprovem uma relação custo-benefício apropriada (MOURA, 2012). A classe C ainda é a maior consumidora de mobiliário no país. Segundo a pesquisa Cetelem BGN (2012), móveis e eletrodomésticos estão entre os itens que os brasileiros desejam adquirir neste ano, à frente de lazer, viagem e telefonia celular. Para representar o público-alvo foram concebidos personagens - utilizando o método de personas desenvolvido por Alan Cooper - cujos dados são baseados em pesquisas realizadas em território nacional. Nesse projeto serão utilizados dois tipos de público: um composto pelos solteiros (primário) e outro por jovens casais (secundário). Essa escolha se deu pelo fato de possuírem características semelhantes como consumidores; assim o produto a ser desenvolvido atingiria uma parcela maior da população de possíveis usuários. 2.2. Produtos Concorrentes Foram analisados produtos concorrentes que possuem características que se assemelham ao mobiliário a ser desenvolvido (Figura 1). Dos produtos analisados, dois são produzidos por empresas nacionais e um por uma companhia internacional. A primeira característica que se deve ressaltar é uma relativa sensação de desconforto que eles transmitem, seja pela fragilidade de sua estrutura, dimensões do produto ou até densidade da espuma utilizada no revestimento. Apesar de serem produtos compactos e de fácil manuseio, as formas não são atraentes e eles se limitam a executar apenas as funções de sentar e deitar, apesar da diversidade de sistemas envolvidos nos três móveis analisados.
  37. 37. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 4 Figura 1. Poltronas concorrentes analisadas como referência para o novo produto 2.3. Ergonomia A Análise da Tarefa ocorreu com dois usuários que representavam o público-alvo desse projeto. Devido à falta de um produto semelhante ao que foi desenvolvido, fez- se uso de um sofá-cama comum, disponível no ambiente analisado.
  38. 38. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 5 Quanto à realização das tarefas, percebeu-se que os usuários executaram-na de formas semelhantes. O que difere é a forma como um ou outro seguram as partes do sofá, seja para conforto próprio, ou como no caso da usuária, devido ao peso da estrutura. Apesar de o produto ser de fácil uso e a sua transformação em cama não apresentar excesso de tarefas, em determinados momentos percebeu-se que os usuários executavam esse processo com dificuldades na posição do corpo e má postura, que demandava maior esforço dos membros superiores (Figura 2). Figura 2. Processo de desmontagem do sofá A Análise da Postura visa observar as posturas adotadas pelos usuários durante o uso do produto, com a finalidade de evitar problemas posturais devido a um mau desenho. Foram analisadas as posturas sentada e deitada, que são as de maior duração. Quando estão apenas sentados os usuários típicos não apontaram nenhum tipo de problema referente à postura quando do uso do produto (Figura 3), o mesmo acontecendo quando estão na posição deitados. Já na execução de tarefas como usar o notebook o usuário termina com fadiga nos membros superiores após uso
  39. 39. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 6 prolongado, devido à falta de um apoio para sua utilização, forçando-o a inclinar a cabeça para baixo e assim visualizar melhor a tela (Figura 4). Figura 3. Usuária na posição sentada Figura 4. Usuário sentado utilizando o notebook 2.4. Tipologia Formal Os atributos formais determinam que um objeto além de possuir atributos práticos e estéticos também pode carregar significados, comunicando sua função e os anseios dos usuários. Assim, tomando como base a metodologia do Modelo de Abordagem do Design para a Estética (MADfAe) apresentado por Santos (2010), definiu-se certos atributos que devem ser aplicados no produto a ser desenvolvido e que levem o usuário a se identificar com o objeto por meio de seus atributos estéticos e simbólicos. Sobre os aspectos estéticos associados à forma, o produto deveria possuir uma forma equilibrada e horizontal, que é uma característica inerente a esse tipo de mobiliário.
  40. 40. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 7 Com relação ao tato, estabeleceram-se características como macio e aveludado, que proporcionam ao usuário maior bem-estar. Os atributos simbólicos, que são aqueles referentes à percepção, ou seja, como o usuário se identifica no produto, optou-se pelas características amigável, jovem, forte e unissex, por estarem diretamente relacionadas ao público-alvo. O produto deve ser simples e inteligente, ou seja, seu uso deve ser facilmente assimilável. O atributo de exclusividade será uma propriedade que o fará distinguir-se dos demais produtos que desempenham função semelhante. Quanto ao estilo do produto, optou-se pelo contemporâneo, que está mais adequado ao perfil do público-alvo. 3. Geração de alternativas de solução Nesta fase foram elaborados conceitos de acordo com as necessidades identificadas nas etapas anteriores de modo a atender as diretrizes do projeto. Nesta etapa foram utilizadas as técnicas de Brainstorming – geração do maior número de ideias a fim de encontrar a melhor solução para o problema proposto – e croquis, desenhos rápidos para registro das ideias criativas que contou com a utilização da técnica de ponto de fuga e rendering. A seleção de alternativas ocorreu com base nas propostas que apresentavam a melhor solução para os problemas apresentados: possibilidade de transformar o produto em cama e um suporte que exercesse a função de mesa. Posteriormente os conceitos desenvolvidos passaram por uma análise que verificou possibilidades de melhoria, surgindo assim variações com a finalidade de identificar qual proposta seria mais adequada com cada conceito trabalhado. O conceito 1 (Figura 5) tem sua estrutura formada por uma base de madeira, formando um apoio para o encosto, onde está inserida uma mesa retrátil. O sistema funcional é composto por uma extensão retrátil que desliza para fora do assento, transformando a poltrona em cama. Apesar do sistema funcional simplificado e das dimensões da mesa acomodarem o usuário com conforto durante o uso, um aspecto negativo desse conceito é o gasto de material que esta estrutura requer, além de possuir grande peso visual. Figura 5. Conceito 1 de mobiliário multifuncional
  41. 41. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 8 O conceito 2 (Figura 6) surgiu a partir da ideia do uso de pallets no mobiliário; portanto a forma seguiu a proposta de um móvel que transmitisse a sensação de robustez. Abaixo do estofado há um compartimento, que se abre através de uma porta basculante, onde o usuário poderia guardar objetos e uma mesa retrátil foi inserida no encosto. Para virar cama, a poltrona teria os dois apoios para braços rebatidos para os lados. Porém, o sistema funcional não é a solução mais eficiente para transformar a poltrona em cama e a porta basculante dificulta o acesso do usuário ao fundo do compartimento. Figura 6. Conceito 2 de mobiliário multifuncional O conceito 3 (Figura 7) seguiu a proposta de adicionar funções ao produto, mas buscando manter a simplicidade na solução e no desenho. Nesse caso, foi inserido um aparador na parte posterior, que além de servir como apoio para o encosto também permite que o usuário possa utilizá-lo como mesa quando necessário, possuindo a função de apoiar objetos decorativos e desempenhando o papel de delimitar o ambiente. Há também uma bandeja articulada em material metálico, presente na lateral do apoio para braços. O sistema funcional consiste em um colchão dobrável, bastando abri-lo e deslizá-lo para transformar a poltrona em cama. Por último, dentre os vários conceitos e variações desenvolvidos um deles foi selecionado e passou pela fase de refinamento e aperfeiçoamento de seu desenho. Para avaliação dos conceitos apresentados levou-se em consideração a simplicidade da solução e as possibilidades de funções que o produto poderia exercer. Desta forma, o conceito 3 foi o escolhido por ter sido o melhor avaliado em relação aos critérios previamente estabelecidos.
  42. 42. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 9 Figura 7. Conceito 3 de mobiliário multifuncional O conceito escolhido ainda passou por uma etapa de refinamento até chegar à proposta de produto final. Como apresentado na Figura 8, em um primeiro teste de refinamento o apoio para braços e bandeja foi substituído por um simples, de madeira, enquanto o outro braço ganhou uma função secundária, de suporte para jornais e revistas. Já na segunda proposta de refinamento a ideia é que a poltrona também tivesse a função de móvel modular, que pudesse se tornar um sofá de dois lugares e cama de casal. Para isso o apoio para braços em estofado foi substituído por apenas um em madeira; essa alteração tornou o conjunto simples e mais harmonioso, sem reduzir sua funcionalidade. Na terceira proposta o aparador teve que ser reduzido para que o usuário tivesse conforto ao sentar para usá-lo como mesa de apoio. Optou- se por aplicar essa mudança no apoio para braço, para que essas duas peças continuassem em concordância. Figura 8. Propostas de refinamento do conceito escolhido 4. Resultado Final O conceito escolhido foi então modelado em software 3D, representando virtualmente como o produto seria na realidade. O desenho apresenta uma configuração formal composta de formas geométricas, com silhueta esguia, cuja simetria foi interrompida pelas peças de dimensões distintas do apoio para braço e aparador. Há predominância
  43. 43. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 10 de linhas retas e traços simples, formando um conjunto livre de excessos e funcional, que são típicos do estilo contemporâneo. Outras características deste estilo foram incorporadas ao produto, como mobília larga, baixa e espaçosa. As prateleiras do aparador foram novamente modificadas (Figura 9) e foram fixadas um pouco abaixo em relação ao desenho original, bem como a segunda prateleira teve sua espessura reduzida. Assim, o móvel se adapta melhor às dimensões do usuário, resultando em maior conforto. Optou-se por aplicar essa mudança no apoio para braço para que as duas peças continuassem em concordância quando juntas. Figura 9. Rendering do produto Como complemento dessa ideia foi desenvolvido um baú multifuncional, que proporciona ao usuário um local para guardar objetos, podendo ser alinhado ao lado da poltrona onde não há apoio para braço – desenvolvendo assim essa função. Também pode ser utilizado como um banco quando se fizer necessário usar o aparador. Sua tampa se transforma em uma bandeja, devido à presença de pernas articuladas. O baú tem a possibilidade de ser deslocado pelo ambiente com mais facilidade através de um conjunto de rodízios de silicone, que possuem uma trava que proporciona maior segurança e estabilidade. A poltrona se transforma em cama (Figura 10) em decorrência do sistema funcional que consiste em um estrado que está ligado à base da poltrona através de dobradiças. Um estrado desliza pelo outro, por isso foi necessário desenvolver trava para que ele não saísse totalmente. Esse problema foi solucionado ao inserir um pino de madeira – com acabamento emborrachado – no estrado. Ao deslocar uma parte do estrado o pino fica preso à perna, ‘‘freando’’ essa peça (Figura 11).
  44. 44. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 11 Figura 10. Rendering da poltrona transformada em cama Figura 11. Trava evita que o estrado saia completamente As pesquisas realizadas sobre materiais indicadas nas diretrizes do projeto confirmaram que o uso da madeira maciça na estrutura da poltrona era a melhor opção devido à sua resistência e valorização. Desta forma, todo o produto é constituído por madeira de eucalipto, com acabamento natural por meio da aplicação de verniz natural ecológico sem solventes (COV's), o que representa aspectos de sustentabilidade agregados ao móvel e assim valorizando-o ainda mais.
  45. 45. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 12 O estofado de espuma D33 de poliuretano flexível isento de CFC possui a vantagem de poder ser desdobrado e se transformar em colchão. O revestimento do estofado será em camurça lisa, tecido que transmite conforto, suavidade e oferece praticidade na limpeza. Na Figura 12 o usuário para transformar a poltrona em chaise desdobra o estrado, que está fixado através de dobradiças na base da poltrona. Figura 12. Transformação da poltrona em chaise longue Caso ele queira usar a poltrona na função de cama, ele puxa o estrado, fazendo com que um deslize pelo outro, obtendo assim a extensão que possibilita o mobiliário virar cama. Para guardar o estrado ele realiza o mesmo movimento, empurrando um estrado para dentro do outro (Figura 13). Figura 13. Utilização do móvel como cama e retorno à função de poltrona Para fazer refeições o usuário pode fazer uso da tampa do baú ou do aparador, que também tem a função de estação de trabalho (Figura 14). Para aqueles que necessitam de um sofá de dois lugares a poltrona também pode ser alinhada a outra poltrona do mesmo modelo, formando um conjunto de sofás, como também podem ser usadas separadamente, e compondo um ambiente mais amplo. Ao unir uma poltrona à outra, o produto tem a possibilidade de se transformar em cama de casal (Figura 15).
  46. 46. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 13 Figura 14. Usuário utilizando a tampa do baú como bandeja e o aparador traseiro como apoio Figura 15. Configuração da poltrona como sofá, estendida também à cama de casal 5. Conclusão O projeto descrito consiste em uma poltrona multifuncional que possui a vantagem de se transformar em espreguiçadeira, cama, estação de trabalho, mesa para refeições e ainda atua como divisor de ambientes devido à presença do aparador na parte posterior. Entre suas vantagens estão a economia de mobiliário no ambiente, visto que ele integra funções que outros desempenhariam, e o fato de ser um móvel compacto, tornando-o adaptável para pequenos espaços. Outro fator positivo é a possibilidade de modularidade que o produto proporciona, podendo formar uma cama de casal ou sofá de dois lugares ao unir uma poltrona à outra, possibilitando variadas configurações do ambiente. O acréscimo do baú ao projeto veio agregar mais uma função ao produto, pois nele o usuário além de dispor de um local para acomodar objetos pode utilizar a tampa como bandeja e caso seja necessário tem a possibilidade de usá-lo como banquinho. Por fim, as opções de se utilizar madeira maciça e materiais sustentáveis, que geralmente possuem maior custo, podem fazer com que o projeto se eleve em termos de categorização do mercado-alvo, se posicionando como uma opção para uma classe média com maior renda em relação ao público que foi determinado e analisado na fase de pesquisa do projeto.
  47. 47. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 – janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 14 Referências BARROSO, Deise. V. et al. O setor de móveis na atualidade: uma análise preliminar. Rio de Janeiro, 2007. BOMBASSARO, Luana. O design no setor de móveis. SEBRAE. Disponível em: <www.sebrae.com.br/exibeBia?id=16332>. Acesso em 15 mar 2012. BRUM, Eliane. Uma família no governo Lula. Revista Época. Disponível em: <http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI199330- 15223,00.html>. Acesso em 20 mar 2012. Cetelem BGN. O Observador Brasil 2012. v.7, p.1-100, 2011. DEVIDES, Maria Tereza Carvalho. Design, Projeto e Produto: o desenvolvimento de móveis nas indústrias do Pólo Moveleiro de Arapongas, PR. Bauru, 2006. Dissertação (Mestrado) - FAAC-UNESP. MONTANA, Jorge. Projetar do popular o “fator local”: a cultura popular nordestina como fonte de inovação, design e conceitos. Montevidéu, 2001. Dissertação (Mestrado) - Centro de Diseño Industrial. MOURA, Rosangela de. Gasto com móveis cresce 57% em 10 anos; indústria foca classe C. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/mercado/1067322-gasto-com-moveis-cresce- 57-em-10-anos-industria-foca-classe-c.shtml>. Acesso em 26 mar 2012. SANTOS, Célio Teodorico. WORKSHOP – Metodologia para o desenvolvimento de produtos (teoria e prática). Campina Grande, 2010. SOARES, Melri A.T; NASCIMENTO, Marilzete Basso do. Moradia e mobiliário popular: problema antigo solução (im) possível?. Revista da Vinci, Curitiba, v.5, n.1, p.69-96, 2008. Disponível em: <http://www.up.com.br/davinci/5/pdf19.pdf>. Acesso em 20 mar 2012.
  48. 48. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014, São Paulo: Centro Universitário Senac ISSN 2179474 X © 2014 todos os direitos reservados - reprodução total ou parcial permitida, desde que citada a fonte portal de revistas científicas do Centro Universitário Senac: http://www.revistas.sp.senac.br e-mail: revistaic@sp.senac.br A cidade-fábrica como agente fomentador de uma microcoleção de vestuário The factory town as a developer agent of a micro collection of clothing Camila Renata Carneiro Cavalcanti, Myrla Lopes Torres, Silvia Loch Universidade Federal da Paraíba - UFPB Departamento de design - bacharelado em design milacarneiro@live.com, myrlaltorres@gmail.com, sil_loch@hotmail.com Resumo. Este artigo descreve as etapas projetuais do desenvolvimento de uma microcoleção de vestuário cuja referência foi a história e a cultura da cidade de Rio Tinto/PB. Através das pesquisas realizadas constatou-se que, após o fechamento da companhia de tecidos, a tradição produtiva da cidade não é mais explorada de forma expressiva em termos econômicos, nem parece ter sua memória resguardada e reconhecida dentro e fora do litoral norte. Notou-se também a falta de valorização das potencialidades culturais e históricas de Rio Tinto, bem como a pouca atenção dada aos projetos de design de cunho social e a carência de material de design direcionado à cidade rio-tintense. Foi utilizado para este projeto um conjunto de metodologias, buscando-se o método de acordo com a natureza de cada item. O embasamento teórico deste artigo é composto de temas como: design social, design de moda, história de Rio Tinto e design e território. No que concerne às análises, estas são apresentadas através de: marcadores de identidade, público alvo (por meio da técnica de persona), concorrentes e tecidos da antiga fábrica da cidade. Na fase de anteprojeto utilizaram-se métodos de design participativo e iniciou-se a etapa do processo de criação dos croquis, em que foram escolhidos dois vestidos para detalhamento técnico. Palavras-chave: Rio Tinto, design de moda, design social, design participativo. Abstract. This article describes the development stages of a micro collection of clothing based on the history and culture of the Rio Tinto/PB city. Earlier Researches have confirmed that after the closure of the textile factory, the city’s productivity is no longer explored in its economic sense and its memory is not recognized inside and outside the north coast. The cultural and historical potential of Rio Tinto city suffers with the lack of valorization of its social design projects, and design material. For this project we used a mix of methodologies seeking for the method according to the nature of each item. The theoretical foundation applied in this article consists of topics such as: social design, fashion design, history of Rio Tinto and territory and design. The analysis will be present through: identity markers, target audience (by the persona technique), competitor and fabrics of the old city’s factory. In the pre- project stage, we used participatory design methods and we started the process of sketches creation, where were chosen two dresses for the technique detailing. Key words: Rio Tinto, fashion design, social design, participatory design.
  49. 49. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 2 1. INTRODUÇÃO O surgimento da cidade de Rio Tinto, como se conhece atualmente, advém da inserção de uma fábrica de tecidos na região e a criação de uma estrutura urbana que sustentasse o funcionamento dessa indústria. De acordo com Mariz (1939 apud VALE, 2008), "a construção da fábrica Rio Tinto com tecidos, estamparia [...] teve início em 1917, sendo inaugurada festivamente em 1924". Ressalta-se ainda que nos tempos áureos da década de 1930 a cidade-fábrica recebeu o título de "maior centro industrial de tecidos do Norte do País" (JORNAL A UNIÃO, 1933 apud VALE, 2008), além da visita do presidente da época Getúlio Vargas, o qual encomendou a vestimenta da Marinha brasileira. Em contrapartida, a partir do final da década de 1960 a Companhia de Tecidos de Rio Tinto (CTRT) começou a entrar em crise e se desfazer de suas terras e empregados. Em 1990 a CTRT foi desativada por completo. Segundo entrevista realizada com antigo funcionário da fábrica, observa-se que o fechamento da Companhia de Tecido de Rio Tinto ocasionou problemas não só para a economia local, mas gerou em seus habitantes um sentimento de baixa autoestima. Sendo esta observada na falta de valorização de suas potencialidades culturais e históricas. Baseado nesta falta de apreço e em pesquisas de campo constatou-se que a tradição produtiva da cidade não é mais explorada de forma expressiva em termos econômicos, nem parece ter sua memória resguardada e reconhecida dentro e fora do litoral norte. Num contexto geral, observou-se também a crescente preocupação com a valorização de identidades locais, as quais buscam exprimir através da criação de um produto as características marcantes de uma determinada região. Tal preocupação pode ser visivelmente encontrada na bibliografia de Krucken (2009). Baseado nos expostos acima, este artigo buscou desenvolver uma microcoleção de vestuário com características simbólicas e estéticas de Rio Tinto sob a ótica contemporânea com o intuito de resgatar o contexto histórico e cultural da cidade. Pois se acredita no design como instrumento facilitador e modificador da qualidade e autoestima da cidade de Rio Tinto. Como afirma França (2005) é um ponto de partida interessante "partir de referências locais, do conhecimento da própria cultura, que passa por uma percepção da tradição e atingir o global". Metodologia A estrutura metodológica adotada neste artigo foi proposta por Bonsiepe (1984), e suas etapas projetuais podem ser descritas em: levantamento de dados, análises, requisitos e parâmetros, anteprojeto e projeto. O levantamento de dados teve como intuito coletar o máximo de informações possíveis a respeito dos temas centrais do projeto. Procurou-se obter dados sem censurá-los, pois de acordo com Löbach (2001, p. 143), "todos os dados podem ser importantes para a base sobre a qual se construirá a solução". No que concerne a este levantamento, utilizou-se basicamente a pesquisa exploratória, pois segundo Lopes (2006, p. 226), nesta pesquisa faz-se o uso de pesquisa bibliográfica, pesquisa documental, entrevistas e estudos de caso. A pesquisa bibliográfica foi realizada com base em documentação indireta, ou seja, de materiais já elaborados como livros, artigos, catálogos, revistas e internet. Fez-se também o levantamento e estudo de caso de projetos de design sociais e participativos. Fizeram parte destes estudos os projetos da Associação das artesãs do pontal de Coruripe/AL (MACIEL), do Recicla jeans (ONG Florescer), do Instituto Faber-Ludens, e do Empreendimento solidário unidas somos mais de Londrina (SANCHES E SILVA).
  50. 50. Iniciação - Revista de Iniciação Científica, Tecnológica e Artística - Vol. 3 no 1 - janeiro de 2014 Edição Temática: Comunicação, Arquitetura e Design 3 Na pesquisa documental buscou-se coletar fotografias antigas, amostras de tecidos da companhia e comunicações informais com os nativos. Ou seja, quaisquer "materiais que ainda não receberam um tratamento analítico ou que podem ser reelaborados de acordo com os objetivos da pesquisa" (BEUREN, 2003 apud LOPES, 2006, p. 220). Por fim, realizou-se a pesquisa de campo a fim de obter registros fotográficos da cidade de Rio Tinto/PB; visitações a lojas de vestuário com caráter regional, bem como entrevistas com proprietárias ou responsáveis dessas lojas; e aplicação de questionário com o público alvo. Após o levantamento os dados foram ponderados através das análises de: marcadores de identidade, público alvo, concorrentes e tecidos da antiga fábrica da cidade. Faz-se necessário esclarecer que as metodologias consultadas nesta etapa foram as de Krucken (2009), Van Amstel (2007), Treptow (2007) e Seivewright (2009). Em seguida, traçaram-se os requisitos e parâmetros para nortear a etapa de anteprojeto, sendo esta caracterizada pela geração de alternativas, pelo desenvolvimento do design participativo e pela escolha dos esboços. Por fim, deu-se início a etapa de projeto através do detalhamento técnico dos croquis escolhidos. 2. REFERENCIAL TEÓRICO Design social Embora o termo design tenha se tornado algo comum atualmente, o seu significado "possui uma série de incongruências, apresenta inúmeras manifestações e carece de limites que lhe emprestem clareza e definição" (HESKETT, 2008, p. 9-10). Baseada nesta afirmação, a maioria das literaturas encontradas sobre design preocupa-se em iniciar o seu trabalho com a conceituação do que venha a ser este ofício, pois se acredita "que esta recorrência advenha do fato de que cada autor precise, de início, explicitar a sua concepção da profissão e descrever os compromissos que estão implícitos na sua prática profissional" (NIEMEYER, 2007, p. 23). Partindo desse pressuposto, o design pode ser entendido como: Uma atividade contemporânea que nasceu da necessidade de estabelecer uma relação entre diferentes saberes e diferentes especializações. Design é o equacionamento simultâneo de fatores sociais, antropológicos, ecológicos, ergonômicos, tecnológicos e econômicos, na concepção de elementos e sistemas materiais necessários à vida, ao bem-estar e à cultura do homem (NETO, 1981 apud NIEMEYER, 2007, p. 25). Apesar de todos os fatores explicitados acima estarem agregados ao design, ainda atribui-se a esta profissão um caráter supérfluo, cuja qualificação está relacionada ao modo de vida capitalista da sociedade e das empresas, sendo estas orientadas para o consumo excessivo e para o lucro. Dijon de Moraes no livro "Entre mimese e mestiçagem" (2006, p. 116), sintetiza algumas teorias anticonformistas do modelo capitalista, onde vale ressaltar a teoria de Ignacy Sachs, a qual afirma que "a sociedade industrial é, hoje muito voltada para a produção de bens de posse, em detrimento do bem-estar, e o nível de vida vem sendo medido apenas em função do nível de consumo". Sabe-se que o elevado nível de consumo confere ao design a preocupação de desenvolver produtos que tenham como foco a indústria capitalista. Embora esta seja uma possibilidade de atuação do designer, é importante salientar que este mercado é

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