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GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas, 1994.
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BIANCO, Bela (org.).Antropologia das sociedades contemporâneas. São Paulo:
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STACCIARINI, J. M. R.; TRÓCCOLI, B.T. Estresse Ocupacional. In: Mendes AM,
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Qualidade de vida dos profissionais que trabalham no CAPSI de um Município do Oeste Catarinense

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Artigo publicado na edição Vol. 9 nº1 - InterfacEHS Revista de Saúde, Meio Ambiente e Sustentabilidade
Publicação Científica do Centro Universitário Senac - ISSN 1980-0894

Acesse a edição na íntegra!

http://www3.sp.senac.br/hotsites/blogs/InterfacEHS/?page_id=1480

Autores: Marina Atuatti e Sayonara de Fatima Teston

Resumo: O objetivo global dessa pesquisa foi identificar como os profissionais da equipe Capsi avaliam a qualidade de vida profissional, visando a demanda de usuários na busca do tratamento. O referencial teórico traz vários autores moldando conceitos dos processos de qualidade de vida profissional, mantendo o foco desta qualidade em serviços públicos utilizados para tratamento de dependentes químicos. Para alcançar os objetivos foi realizada uma pesquisa de campo, onde foi aplicado um questionário aos profissionais do serviço, e para melhor obtenção de dados foram realizadas observações sistemáticas no local. Os resultados do estudo foram analisados por meio do método da estatística descritiva. Como resultados do estudo verificou-se que a equipe tem uma ótima organização de trabalho, mas a dificuldade é estabelecer uma relação de comunicação, na qual a saúde pública ofereça qualificar o tratamento do usuário, para motivar a equipe em seu trabalho.
Palavras Chave: Profissionais da saúde, usuários de drogas, qualidade de vida no trabalho.

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Qualidade de vida dos profissionais que trabalham no CAPSI de um Município do Oeste Catarinense

  1. 1. 89 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 QUALIDADE DE VIDA DOS PROFISSIONAIS QUE TRABALHAM NO CAPSI DE UM MUNICÍPIO DO OESTE CATARINENSE QUALITY OF LIFE OF PROFESSIONALS WORKING IN CAPSI OF A CITY OF OESTE CATARINENSE Marina Atuatti1 Sayonara de Fatima Teston2 Resumo: O objetivo global dessa pesquisa foi identificar como os profissionais da equipe Capsi avaliam a qualidade de vida profissional, visando a demanda de usuários na busca do tratamento. O referencial teórico traz vários autores moldando conceitos dos processos de qualidade de vida profissional, mantendo o foco desta qualidade em serviços públicos utilizados para tratamento de dependentes químicos. Para alcançar os objetivos foi realizada uma pesquisa de campo, onde foi aplicado um questionário aos profissionais do serviço, e para melhor obtenção de dados foram realizadas observações sistemáticas no local. Os resultados do estudo foram analisados por meio do método da estatística descritiva. Como resultados do estudo verificou-se que a equipe tem uma ótima organização de trabalho, mas a dificuldade é estabelecer uma relação de comunicação, na qual a saúde pública ofereça qualificar o tratamento do usuário, para motivar a equipe em seu trabalho. Palavras Chave: Profissionais da saúde, usuários de drogas, qualidade de vida no trabalho. Abstract: The overall objective of this research was to identify how professionals Capsi staff assess the quality of working life, aimed at demand of users in seeking treatment. The theoretical framework brings several authors shaping concepts of quality processes of professional life, keeping the focus of this quality in public services used for the treatment of drug addicts. To achieve the objectives a field study where a 1 Graduanda em Psicologia da Universidade do Oeste de Santa Catarina. E-mail: gean.marina@gmail.com. Endereço: Avenida Nereu Ramos, 3777D, Bairro Seminário, Chapeco, Santa Catarina. 2 Graduada em Psicologia, Pós Graduada em Gestão de Recursos Humanos, Mestranda em Administração pela Universidade do Oeste de Santa Catarina. E-mail: sayonara.teston@unoesc.edu.br
  2. 2. 90 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 questionnaire to service professionals was applied was performed, and obtaining better data systematic observations were conducted at the site. The results of the study were analyzed using descriptive statistical method. As results of the study it was found that the team has a great work organizations, but the difficulty is to establish a communication in which public health qualify treatment offers the user, to motivate the staff in their work. Key words: Health workers, drug users, quality of work life. INTRODUÇÃO Devido ao aumento de usuários de drogas no Oeste catarinense, buscou-se atender esta demanda regional por meio da implantação do Centro de Atenção Psicossocial – Infanto/Juvenil o Capsi, que é um serviço de saúde mental que presta atendimento a pessoas com transtornos decorrentes do uso de substâncias psicoativas, e à seus familiares. Este Centro trabalha de acordo com as diretrizes determinadas pelo Ministério da Saúde, tendo por base o tratamento em liberdade, buscando a reinserção social do usuário. Nesse sentido, a pesquisa teve como objetivo geral analisar a qualidade de vida da equipe do Capsi do município lócus da pesquisa, haja vista a demanda dos usuários do serviço. Apresenta-se como problema de pesquisa: Como os profissionais da equipe do Capsi avaliam a sua qualidade de vida profissional, visando a demanda dos usuários do serviço? Os objetivos específicos da pesquisa foram analisar a satisfação dos funcionários em relação à qualidade de vida, verificar as condições que a saúde pública oferece para adquirir resultados melhores no tratamento do usuário; e levantar condições necessárias para a equipe desenvolver seu trabalho com propostas e ações favoráveis ao serviço. Para tanto, na fundamentação teórica abordou-se os temas em relação à qualidade de vida profissional em relação à motivação no trabalho, a saúde dos profissionais e a dependência química, visando conceituar a busca deste processo na instituição publica, a qual auxilia no tratamento do usuário. Com esse estudo foi possível identificar os melhores meios para motivar a Qualidade de vida no trabalho de acordo com as necessidades dos funcionários. Assim, o conhecimento obtido, a partir das pesquisas efetuadas, terá relevância social para empresas que querem adotar programas de QVT. Como relevância científica, pode servir
  3. 3. 91 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 também de base para estudos acadêmicos, assuntos relacionados à gestão de pessoas e satisfação de funcionários ou servindo de modelo a futuras monografias e pesquisas. TRABALHO, QUALIDADE DE VIDA E PROMOÇÃO DA SAÚDE A importância da qualidade de vida no trabalho reside no fato de que os trabalhadores passam a maior parte de suas vidas no ambiente de trabalho. São mais de oito horas por dia, durante pelo menos 35 anos. Percebe-se que não se trata de levar os problemas de casa para o trabalho, mas também de levar para casa as tensões, os receios e as angústias acumuladas no trabalho. Nessa concepção, muitas entidades estão desenvolvendo programas de qualidade de vida no trabalho, voltadas para uma maior satisfação de seus funcionários. Os problemas enfrentados pelas organizações com seus empregados, assim como o aumento da competitividade, fizeram surgir estudos relacionados com a satisfação e o bem-estar do trabalhador na organização. Dentre esses estudos encontra-se a Qualidade de Vida no Trabalho (QVT), que vem se desenvolvendo a cada dia, tendo como objetivo pesquisar alternativas e estratégias de melhorar a relação do homem com o seu ambiente e atividades no trabalho. A Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) é um conjunto de ações de uma instituição que envolve diagnóstico e implantação de melhorias e inovações gerenciais, tecnológicas e estruturais, dentro e fora do ambiente de trabalho, visando propiciar condições plenas de desenvolvimento humano na realização do seu ofício (ALBUQUERQUE; FRANÇA, p. 41, 1998). Segundo Maslow (1998), qualidade de vida diz respeito a desenvolver hábitos saudáveis, enfrentamento das tensões cotidianas, consciência dos impactos dos fatores do ambiente, desenvolvimento permanente do equilíbrio interior e na relação com os outros. Estas necessidades, sem exceção, são consideradas fundamentais para a promoção e prevenção da saúde do ser humano, tanto em situação do trabalho como fora delas. Em uma perspectiva sistêmica, qualidade de vida pode ser percebida como a condição humana resultante de um conjunto de parâmetros individuais e socioambientais, modificáveis ou não, que caracterizam as condições matérias e psicossociais de existência do ser humano (NAHAS, 2003). As principais ideias norteadoras da compreensão do que é qualidade de vida no trabalho são: o trabalho influencia a saúde das pessoas e a eficácia
  4. 4. 92 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 das organizações, e a participação das pessoas na solução de problemas e na tomada de decisão é importante para a saúde no ambiente psicossocial do trabalho (NADLER; LAWLER, 1983). Desta forma, o conceito de qualidade de vida adotado para esta pesquisa, buscar por meio de estratégias específicas, a satisfação e motivação total de seus funcionários. Com estratégias bem planejadas, as empresas tem como resultado a otimização de espaço e adequação do empreendimento ao seu funcionário. De modo mais específico, Smircich (1983) relata em estudos organizacionais de base culturalista, os seguintes temas: cultura social e valores organizacionais compartilhados, produção de artefatos culturais nas organizações de trabalho, como lendas e cerimônias, construção de formas simbólicas compartilhadas, como a linguagem, produção de sistemas de conhecimento traduzidos em significados, e os formatos organizacionais e comportamentos resultantes da projeção de processos mentais. Sob essa perspectiva, também agregando contribuições da Psicologia e da Sociologia entre outras áreas do conhecimento, as organizações de trabalho são percebidas como realidades socialmente construídas (MOEGAN, 2002). Na formação e no estabelecimento da realidade social nas organizações de trabalho, funcionam como “guardiões” de valores, crenças atribuídas a indivíduos e grupos, que definem os comportamentos considerados desejáveis como aqueles que devem ser reforçados em diferentes situações de trabalho (HARRIS, 1994). A ação humana individual e em grupo, mediada pelos processos cognitivos, emocionais e interdependentes do contexto, variam conforme as características do ambiente externo, seus modelos de inserção e do tipo específico de organização de trabalho, levando-se em conta as especialidades de suas subunidades. Mesmo dentro de uma única organização, considerado suas diferentes unidades, as interações humanas tenderão a adquirir particularidades, cujas origens, entre outros fatores determinantes, residem no repertório ocupacional dos participantes, na tecnologia utilizada e nos objetivos específicos, próprios de cada local de trabalho (SCHEIN, 2001). Pode-se mencionar que estas características também podem ser encontradas na instituição pesquisada, uma vez que essa formação estabelecida individual ou em grupo, está imbuída de fatores específicos que fazem a equipe trabalhar num contexto objetivo e possam desenvolver projetos qualificados na organização de trabalho. Enfim, a organização, como sistema social, inserida em seu contexto, busca preservar sua identidade e manter-se viva. Para tanto, desenvolve uma estrutura normativa
  5. 5. 93 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 (valores, normas e expectativas de papeis, padrões esperado de comportamento e interação) e uma estrutura de ação (padrões reais de interação e comportamento), originada, sobretudo nas posições dirigentes (KATZ; KHAN, 1978). Por isso, a busca incessante do alinhamento, continua na gestão de pessoas, entendida aqui como um conjunto de políticas e práticas que reduzem a distância entre as expectativas de gestores e dos demais integrantes de uma organização de trabalho, para que, em conjunto, possam sustentá-las ao longo do tempo (DUTRA, 2002). Desta forma, infere-se que há uma ligação entre o sistema social que move a organização e o tema qualidade de vida no trabalho, pois, cada membro inserido na organização desempenha valores e crenças diferentes dos demais que geram conflitos, então vai da gestão da instituição transformar essa diferença em conhecimento para mudanças produtivas na instituição. Feigenbaum (1994) entende que QVT é baseada no princípio de que o comprometimento com a qualidade ocorre de forma mais natural nos ambientes em que os funcionários, se encontram envolvido nas decisões que influenciam diretamente suas atuações. O autor relaciona todo o processo que ocorre na instituição, visando que cada funcionário independente do seu cargo, deve-se criar um comprometimento ético e prazeroso, motivando os demais integrantes que ali se fazem presentes. As organizações estão reavaliando suas formas de organizar o trabalho, gerando novas alterações beneficiando os funcionários para que assim, permaneçam contribuindo para a construção da qualidade da instituição. Karch (2000) afirma que programas de promoção e saúde e qualidade de vida vêm sendo cada vez mais adotados pelas organizações, mobilizado os profissionais de recursos humanos, para tornar o ambiente de trabalho mais produtivo e saudável. O programa que visa facilitar e satisfazer as necessidades do trabalhador ao desenvolver suas atividades na organização, tendo como ideia básica o fato de que as pessoas são mais produtivas quanto mais estiverem satisfeitas e envolvidas com o próprio trabalho, é fundamental para a presente pesquisa e tem relação direta com os pressupostos relacionados à saúde da equipe profissional. A SAÚDE DOS PROFISSIONAIS Infere-se que a tarefa essencial das condições organizacionais são os métodos favoráveis ao trabalho desenvolvido pelo colaborador, por meio dos quais os objetivos
  6. 6. 94 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 profissionais possam ser atingidos, com esforços em direção aos objetivos da instituição. Todos os agravos na saúde, que tem influencia tanto na vida profissional quanto pessoal dos trabalhadores, podem ocorrer devido à falta de qualificação nas empresas, deixando o funcionário em um nível de estresse elevado, assim, desenvolvendo as patologias que podem incapacitar o trabalhador. O desgaste físico e emocional leva a corrosão da dignidade e da vontade (SENNETT, 1999). Segundo Stacciarini e Tróccoli (2002, p. 187-205), quanto ao estresse ocupacional, percebe-se igualmente uma extensão da indefinição do conceito de estresse. Considerado pelos pesquisadores como um assunto complexo, o estresse ocupacional não é um fenômeno novo, mas sim um novo campo de estudo que passou a ganhar relevância em conseqüência do aparecimento de doenças que foram vinculadas ao estresse no trabalho, como por exemplo, hipertensão, úlcera, entre outras. No que se refere ao papel da psicologia neste âmbito, conforme citada por Lara e Traesel (s/d) “o psicólogo nas ações em saúde pode desempenhar tarefas ligadas ao planejamento e gestão de trabalho, nas quais todos os profissionais devem estar envolvidos”, como por exemplo, o conhecimento das demandas da região, dos recursos públicos e comunitários que esta região dispõe e o trabalho integrado com o gestor para governar e aperfeiçoar o seu aproveitamento. Um dos pilares fundamentais da psicologia são o compromisso social e a construção de novas possibilidades de existência. Neste sentido, o psicólogo necessita compreender as dimensões sociais desses usuários, o que corrobora com o objetivo da pesquisa, de avaliar como os psicólogos desempenham seu papéis profissionais, diante do compromisso de fornecer melhores adequações no tratamento para crianças e adolescentes dependentes químicos. A QUESTÃO DA DEPENDÊNCIA QUÍMICA NO MODELO PSICOSSOCIAL DE SAÚDE O uso de drogas é considerado um grave e complexo problema de saúde pública, considerando-se os modelos que contribuem para a compreensão do fenômeno no momento atual e as estratégias de intervenção estabelecidas pelos locais que prestam serviços aos usuários. Segundo Occhini e Teixeira (2006, p. 229), a abordagem exigida para a dependência química é coerente com o modelo psicossocial de saúde, isso ocorre, pois a questão do uso abusivo de substâncias psicoativas e a questão da dependência,
  7. 7. 95 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 implica discutir não só as questões orgânicas e psicológicas, mas também os aspectos sociais, políticos, econômicos, legais e culturais. Considerando que esse fenômeno tem repercussões negativas na saúde física e psíquica e no âmbito social a família e comunidade, é fundamental a análise do contexto familiar e sociocultural, identificando os fatores de risco e de proteção para subsidiar ações efetivas de caráter preventivo ou de intervenção. Em linhas gerais, a dependência de drogas é mundialmente classificada entre os transtornos psiquiátricos, sendo considerada como uma doença crônica que acompanha o indivíduo por toda a sua vida, porém, a mesma pode ser tratada e controlada, reduzindo-se os sintomas, alternando-se, muitas vezes, períodos de controle dos mesmos e de retorno da sintomatologia (LEITE, 2000). A Organização Mundial da Saúde (2001) destaca ainda que a dependência química deve ser tratada simultaneamente como uma doença médica crônica e como um problema social. Pode ser caracterizada como um estado mental e, muitas vezes físico, que resulta da interação entre um organismo vivo e uma droga, gerando uma compulsão por tomar a substância e experimentar seu efeito psíquico e, às vezes, evitar o desconforto provocado por sua ausência. Não basta, portanto, somente identificar e tratar os sintomas, mas sim, identificar as conseqüências e os motivos que levaram à mesma, pensando o indivíduo em sua totalidade, para que se possa oferecer outros referenciais e subsídios que gerem mudanças de comportamento em relação à questão das drogas. Para esses indivíduos a droga passou a exercer um papel central em suas vidas, na medida em que, por meio do prazer, ela preenche lacunas importantes, tornando-se indispensável para o funcionamento psíquico dos mesmos. A Política do Ministério da Saúde (2003) preconiza que a assistência a esses usuários deve ser oferecida em todos os níveis de atenção, privilegiando os cuidados em dispositivos como os Centros de Atenção Psicossocial Infanto – Juvenil (Capsi), Centros de Atenção de Transtornos mentais (CapsII) e os Centros de Atenção para Álcool e Drogas (Capsad). É importante que esta assistência também esteja articulada aos Programas de Saúde da Família, Programas de Agentes Comunitários de Saúde, Programas de Redução de Danos e Rede Básica de Saúde. O Capsi é um serviço de atenção psicossocial para atendimento de pacientes menores de 18 anos, com transtornos mentais ou pelo uso e dependência de substâncias psicoativas, conforme preconizado pelo Ministério da Saúde (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2003).
  8. 8. 96 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 De acordo com a Portaria GM336, de 19 de fevereiro de (2002), o CapS oferece atendimento diário a pacientes que fazem uso prejudicial de álcool e outras drogas, permitindo o planejamento terapêutico dentro de uma perspectiva individualizada de evolução contínua. Esse serviço precisa ser apoiado pela existência de leitos psiquiátricos em hospital geral e outras práticas de atenção comunitária (internação domiciliar, inserção comunitária de serviços, entre outros). Em Chapecó, este serviço funciona das 8 às 18 horas, de segunda a sexta-feira, tendo, diariamente, um profissional de plantão para acolhimento. As atividades desenvolvidas vão desde o atendimento individual (medicamentoso, psicoterápico, de orientação) até atendimentos grupais ou oficinas terapêuticas e visitas domiciliares. Este serviço deve oferecer condições para o repouso, bem como para a desintoxicação ambulatorial de pacientes que necessitem desse tipo de cuidados e que não demandem por atenção clínica hospitalar. Pode-se afirmar que a dependência química, como um grave problema de saúde pública, necessita de atenção especial. Portanto, a área de saúde tem muito a realizar no que diz respeito ao uso de drogas e à promoção de saúde (GELBCKE; PADILHA, 2004). Assim, trabalhar essa questão exige um conjunto de ações específicas que envolvam melhorias tanto no tratamento em si, no caso da dependência já instalada, quanto em termos de promoção e prevenção ao uso de drogas, de acordo com o modelo biopsicossocial de saúde, o qual apresenta uma concepção holística do ser humano. É necessário pontuar que o atendimento a dependentes químicos envolve dois aspectos centrais: primeiro, a desintoxicação com a finalidade de retirada da droga e seus efeitos, e segundo, a manutenção, ou seja, a reorganização da vida do indivíduo sem o uso da droga. Segundo Macieira (2000), estudos apontam que, ainda hoje, observam-se baixos índices de sucesso no tratamento da drogadição, mesmo englobando o aspecto médico, farmacológico, as psicoterapias e grupos de ajuda, pois diversos fatores podem contribuir para a não adesão ao tratamento, o abandono ou até mesmo, para o uso de substâncias psicoativas durante o tratamento. Essa problemática, de implantar e sustentar este serviço de tratamento para reinserção social, aos poucos vai se adequando às diretrizes sociais e políticas. Assim, a realidade vivenciada mostra a necessidade de se trabalhar na promoção da saúde visando a questão de estilos de vida e de educação para a saúde, a qual pode ser encarada como uma estratégia política e educacional adotada por muitos governos com o propósito de garantir a equidade. A promoção da saúde envolve aspectos como capacitar, educar,
  9. 9. 97 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 buscar a paz, respeitar os direitos humanos, justiça social, equidade no atendimento. Dessa maneira, pode-se reduzir o fenômeno das drogas, uma vez que promover a saúde é uma postura que está de acordo com o novo modelo de saúde, o qual considera o indivíduo na sua totalidade (GELBCKER; PADILHA, 2004). A importância da relação paciente e profissional, também foi observada em um estudo sobre a relação entre fatores relativos ao tratamento, no qual a percepção dos pacientes sobre seu contato com a equipe molda uma relação de ajuda associando a uma melhor adesão na recuperação. Para Dimenstein (2001), mudanças significativas no modo de atuação dos profissionais atuante na saúde pública, incorporam uma nova concepção de prática profissional, associada ao processo de cidadanização, de construção de sujeitos com capacidade de ação e de proposição. Há, portanto, uma necessidade de aprendizagem de ambos. Gazzinelli et al. (2005) afirma que para que essa visão se altere, e realmente ocorra à promoção da saúde, há a necessidade de se romper com o padrão cientificista, buscando pensar a educação para saúde em termos mais abrangentes, que consideram o indivíduo em sua totalidade, o qual é dotado de subjetividade, e de valores e saberes diferentes daqueles com os quais os profissionais de saúde e educação lidam. Um olhar voltado ao indivíduo em sua totalidade pode incluir um modelo de trabalho com dependentes químicos visando à adesão, ressaltando os benefícios de oferecer um suporte psicossocial encaminhando-lhes a desintoxicação, exigindo novas formas de intervenções. O processo de qualidade de vida profissional vem realizando diversas modificações no âmbito organizacional, adquirindo melhorias de promoção e prevenção à saúde do trabalhador. Averiguando as condições inadequadas da saúde pública prestadas aos dependentes químicos, busca-se identificar o contexto motivacional dos profissionais que trabalham com o processo de reinserção social. A pesquisa investigou a qualidade de vida da equipe do Capsi de um município do Oeste catarinense, haja vista a demanda dos usuários do serviço, relacionando a capacidade individual e do grupo para planejar projetos que tragam benefícios para o serviço.
  10. 10. 98 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS O método refere-se ao estudo de um conjunto de regras básicas para desenvolver um trabalho que traga uma nova experiência a fim de produzir novos conhecimentos. É nele é explicado o tipo de pesquisa abordado, os instrumentos que foram utilizados, questionário aplicado, é onde se expõem todas as ferramentas utilizadas para o trabalho de pesquisa. Para Lakatos e Marconi (2001, p.83) o método é o conjunto das “atividades sistemáticas e racionais que, com maior segurança e economia, permite alcançar o objetivo dos conhecimentos válidos e verdadeiros, traçando o caminho a ser seguido, detectando erros e auxiliando as decisões do cientista.” O presente estudo foi realizado no Centro de Atenção Psicossocial – Infanto/Juvenil (Capsi) localizado em um município do oeste catarinense, com o objetivo de analisar a qualidade de vida dos profissionais que trabalham para a reabilitação social dos usuários do serviço, trata-se portanto, de um estudo de caso. Yin (1994) afirma que esta abordagem se adapta à investigação em educação, quando o investigador é confrontado com situações complexas, de tal forma que dificulta a identificação das variáveis consideradas importantes, quando o investigador procura respostas para o “como?” e o “porquê?”, quando o investigador procura encontrar interações entre fatores relevantes próprios dessa entidade, quando o objetivo é descrever ou analisar o fenômeno de uma forma profunda e global, e quando o investigador pretende apreender a dinâmica do fenômeno, do programa ou do processo. Este estudo de caso é predominantemente quantitativo, sendo que Moreira (2002) segue-se uma orientação que objetiva entender a situação em análise. O autor Mitchell, (1987, p. 81) deixa claro que a quantificação deve auxiliar o trabalho de campo e não se constituir sua perspectiva principal. O referido trabalho buscou obter características de fenômenos entre formas e maneiras das circunstâncias dos fatos ocorrentes na equipe, proporcionando um estudo de caso descritivo, pois relata os fenômenos avaliados no serviço, para adequação na qualidade de vida no trabalho. A pesquisa descritiva consiste em estudar o nível de atendimento dos órgãos públicos de uma comunidade, as condições de habitação de seus habitantes, os índices de criminalidade que aí se registra, entre outros. Estão incluídas nesse grupo as pesquisas que têm como objetivo levantar as opiniões, atitudes e crenças de uma população (GIL, 1994, p.45).
  11. 11. 99 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Atualmente, fazem parte de equipe 15 profissionais, entre eles Psicólogos, Agente de Saúde, Educador Físico, Psicopedagoga, Terapeuta Ocupacional, Enfermeira e Auxiliar de Enfermagem, Médico Pediatra, Motorista, Auxiliar de Serviços Internos, Médico Psiquiatra e Estagiários, sendo que destes 10 participaram da pesquisa. Como instrumentos de levantamento das informações, utilizou-se a aplicação de um questionário em grupo para a equipe no próprio local de trabalho, baseando-se na fundamentação dos autores Werther e Davis (1983), com modificações realizadas pelo pesquisador a partir da análise do ambiente do Capsi, com perguntas fechadas. Segundo Parasuraman (1991) um questionário é tão somente um conjunto de questões, feito para gerar os dados necessários para se atingir os objetivos do projeto. Além do questionário, foram utilizadas observações sistemáticas, que segundo Fialho e Santos (1995), permitem avaliar a questão em seus aspectos funcionais, estruturais e conjunturais. Normalmente, as observações oferecem validade para outras técnicas. As observações sistemáticas foram registradas em um diário de campo, que de acordo com Minayo (1993 p, 100) contempla todas as informações que não sejam o registro das entrevistas formais. Ou seja, observações sobre conversas informais, comportamentos, cerimoniais, festas, instituições, gestos, expressões que digam respeito ao tema da pesquisa. Falas, comportamentos, hábitos, usos, costumes, celebrações e instituições compõem o quadro das representações sociais. Neste sentido, a confrontação entre os dados obtidos a partir de observações com as declarações obtidas através do questionário é interessante, pois pode evidenciar pontos críticos. Para análise dos dados do questionário, utilizou-se o método de estatística descritiva que segundo Reis (1998), tem como objetivo básico sintetizar uma série de valores de mesma natureza, permitindo dessa forma que se tenha uma visão global da variação desses valores. Os dados foram organizados e descritos de duas maneiras: por meio de gráficos e de medidas descritivas. ANÁLISE DE DADOS A pesquisa foi realizada no Centro de Atenção Psicossocial Infanto/Juvenil. Sabe- se que uma rede de saúde mental, pode ser constituída por vários dispositivos assistenciais que possibilitem a atenção psicossocial aos pacientes com transtornos mentais e dependência química, segundo critérios populacionais e demandas dos municípios. Esta
  12. 12. 100 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 rede pode contar com ações de saúde mental na atenção básica onde são inclusos oficinas terapêuticas, grupos, terapias e consultas individuais, visita domiciliar, a rede oferece serviços em hospitais gerais e clinica terapêutica. Ela deve funcionar de forma articulada, tendo os CAPS como serviços estratégicos na organização de sua porta de entrada e de sua regulação. Os profissionais foram questionados sobre os seguintes temas: confiabilidade, compartilhamento de idéias e objetivos, novas situações de trabalho, capacidade de resolver problemas e imprevistos, execução de atividades, forma de realização destas atividades, comportamento ético, administração de tempo e trabalho, busca de qualificação pessoal e profissional, nível de stress e humor, reinserção social, saúde publica e qualidade de vida profissional. Quanto ao grau de confiabilidade das informações, atividades e dos serviços prestados no serviço, verificou-se que 60% dos respondentes consideram que a equipe tem excelentes proporções de relacionamento e comunicação confiável, enquanto 40% avaliaram como bom seu desempenho em relação à confiabilidade. Percebe-se que a confiabilidade leva também há um aumento da segurança, a uma redução dos riscos ambientais e contribui decisivamente para um ambiente positivo na equipe. Verificou-se que 70% dos respondentes consideram que os integrantes da equipe compartilham ideias, que visam buscar objetivos de melhorias nas condições de trabalho e processo terapêutico dos pacientes, além disso, pode-se averiguar que 20% dos respondentes afirmam que a equipe busca ter um bom desempenho de atingir expectativas, enquanto 10% consideram o compartilhamento de ideias como regular. Pode-se considerar que houve uma alta porcentagem de profissionais que busca novos conhecimentos para aprimoramento de ideias e conceitos. Neste sentido, percebeu-se que clareza e transparência quanto aos objetivos e estratégias da organização são essenciais, pessoas produzem mais e melhor quando se identificam com o que fazem, sabem para onde vão profissionalmente e compreendem que fazem parte de algo maior. Quanto a compreender e responder às novas situações de trabalho, verificou-se que 40% dos respondentes consideram que respondem à estas novas situações de forma excelente, enquanto 50% avaliaram como bom este processo e 10% consideram como regular. Sabendo que a demanda de usuários desse serviço é ligada a dependência química e transtornos mentais, infere-se que há busca por novas formas de compreensão, conhecimento e técnicas para lidar com as demandas de trabalho. Quanto à capacidade de resolver problemas e imprevistos, de forma eficaz no
  13. 13. 101 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 trabalho a partir do conhecimento e experiência, 30% dos respondentes consideraram excelente, 60% consideraram bom e 10% como regular. Neste sentido, identificou-se que os profissionais que atuam no Capsi, tem uma demanda constante por novas posturas diante de situações imprevistas. Quanto ao processo de execução das atividades no serviço, que geram impactos e otimização nos processos e formas de trabalho, a capacidade de criar e inovar projetos, planos, ideias para trazer benefícios concretos à equipe, verificou-se que 20% dos respondentes consideram essa execução excelente, 50% dos profissionais classificaram como boa e 30% avaliaram como regular essa execução. Neste sentindo, infere-se a falta de alguns membros da equipe do Capsi afetam diretamente os resultados do trabalho, principalmente em relação à forma de execução das atividades. Quanto à realização de atividades no serviço de forma organizada, consistente e objetiva com vistas aos objetivos pré-estabelecidos para melhoria da qualidade de vida profissional, verificaou-se que 20% dos respondentes a consideraram excelente, 40% a classificaram como boa e 40% como regular. Neste sentido, observa-se que a organização dos processos de trabalho é um dos fatores que mais sofre prejuízos na opinião dos respondentes da pesquisa. Quanto à atitude pautada pelo respeito ao próximo, integridade, senso de justiça, impessoalidade nas ações, percebeu-se que a equipe desenvolve um processo ótimo para 70% dos respondentes, enquanto 30% o classificaram como bom. Neste sentido, infere- se que o serviço visa buscar o melhor tratamento para comunidade debilitada que o utiliza, desempenhando um papel profissional, controlando seu estado emocional e mental decorrente situações que geram um cuidado maior, assim promovendo benefícios para o paciente e sua família. Pode-se afirmar que este fator contribui também para a discussão de melhorias. Quanto às atitudes em relação à administração do tempo, considerando a pontualidade e interrupções durante o período de trabalho, constatou-se que 40% dos respondentes classificam como excelente a relação com o tempo e 60% classificaram este aspecto como bom. Neste sentido, e por meio das observações realizadas infere-se que o tempo de trabalho é escasso, e diante disso, exige-se que os profissionais consigam administrar esse tempo e processos de uma forma organizada e eficiente.
  14. 14. 102 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Quanto ao interesse pela busca ativa de qualificação e aprimoramento pessoal e profissional, 20% dos respondentes o classificaram como excelente, 50% o classificaram com bom e 30% como regular. Neste sentido, percebe-se que a busca por qualificação e aprimoramento profissional não é efetiva da equipe atualmente, já que somente 20% a classificam como excelente. Quando questionados sobre como percebem seu nível de estresse no decorrer do dia, 40% dos respondentes mencionaram que o mesmo pode ser classificado como regular, enquanto o restante da amostra (60%) mencionou que não se sentem estressados. Quando questionados sobre qual é a percepção acerca do nível de humor ao final do dia, após o trabalho, 10% dos respondentes afirmaram que não sofrem alterações e o humor, e o classificaram como excelente, enquanto 60% o classificaram como bom e 30% o classificaram como regular. Durante o processo de análise dos dados da pesquisa, alguns resultados chamaram mais atenção do que outros, neste sentido, para algumas respostas, optou-se pela apresentação de gráficos, haja vista a importância dos resultados para os objetivos da pesquisa. Quanto questionados sobre a percepção da equipe sobre a importância de trabalhar com reinserção social, que é foco do trabalho da equipe, 30% dos respondentes classificaram como boa a relação neste contexto, 50% mencionaram regular e 20% classificaram como péssimo, o que pode ser verificado no Gráfico 01. Gráfico 01 - Percepção da equipe sobre trabalhar com reinserção social Fonte: Elaborado pelas autoras, com base nos resultados da pesquisa, 2014. Bom 30% Regular 50% Péssimo 20% Excelente Bom Regular Péssimo
  15. 15. 103 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Diante dos resultados apresentados do gráfico 1, pode-se inferir que há uma certa insatisfação da equipe em relação ao trabalho que desempenham com os dependentes químicos em processo de reinserção social, o que pode influenciar a qualidade de vida no trabalho. Pode-se afirmar que o indivíduo precisa estar inserido em locais onde possa realizar atividades benéficas a instituição e sentir-se bem diante deste processo, e se caso não consegue, acaba afetando o tratamento dos usuários do serviço. A reinserção social do dependente químico necessita de uma equipe multiprofissional para seu tratamento, e para auxiliar nesse processo a equipe necessita ter um conhecimento geral sobre esse determinado assunto, e principalmente fazer um levantamento de dados sobre o paciente, vinculando a teoria com a prática, beneficiando ambos os lados. Quando questionados sobre a importância da atenção da saúde pública voltada aos pacientes, 30% dos respondentes classificaram como bom, 50% como regular e 20% péssimo, o que pode ser verificado no Gráfico 02. Gráfico 02 - A saúde pública e a atenção aos dependentes químicos Fonte: Elaborado pelas autoras, com base nos resultados da pesquisa, 2014. Neste sentindo, infere-se que a percepção dos respondentes é de que há falta de comprometimento da saúde publica, sobrecarregando a equipe. Por meio das observações percebeu-se que as dificuldades que a saúde pública encontra para promover mudanças, gerando impactos na equipe, pois ela visualiza o sofrimento do usuário e da família. Percebe-se nas respostas o impacto da falta de estrutura adequada do ambiente, profissionais treinados e recebimento de qualificações necessárias no serviço. Bom 30% Regular 50% Péssimo 20% Excelente Bom Regular Péssimo
  16. 16. 104 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 Quanto à saúde publica estar dando atenção à qualidade de vida profissional, percebe-se que 10% dos respondentes classificaram como boa, 60% regular e 30% péssimo, o que pode ser verificado no Gráfico 03. Gráfico 03 - Saúde pública e qualidade de vida dos profissionais Fonte: Elaborado pelas autoras, com base nos resultados da pesquisa, 2014. Neste contexto, pode-se afirmar que a equipe demonstra que não conta com o apoio da Prefeitura do município, e pode-se inferir que a sobrecarga da equipe é proveniente da complexidade das tarefas, e dos problemas administrativos. Foi dado relevância para estas três últimas questões, pois se percebe que as forma como os fatores foram avaliados pelos respondentes tem relação direta com os objetivos da pesquisa. CONSIDERAÇÕES FINAIS A pesquisa teve como objetivo geral analisar a qualidade de vida da equipe do Capsi de um município do Oeste catarinense, haja vista a demanda dos usuários do serviço, relacionando a capacidade individual e do grupo para planejar projetos que tragam benefícios para o serviço. Neste sentido, percebe-se que a equipe procura meios na saúde publica para aperfeiçoamento da equipe como um todo e com vistas no tratamento do usuário. Pode-se inferir que a demanda gerada pelos usuários influencia na qualidade de vida no trabalho, constituindo-se como fator estressor, devido ao desgaste emocional e físico dos profissionais, e pela forma como percebem a importância de trabalhar com reinserção Bom 10% Regular 60% Péssimo 30% Excelente Bom Regular Péssimo
  17. 17. 105 ISSN 1980-0894 Artigo, Vol.9 Nº1, Ano 2014 social, mas que não a percebem como eficaz no tratamento do usuário. Da mesma forma, os respondentes também não parecem considerar o stress e as alterações de humor com grande influência em sua qualidade de vida. Neste sentido, questiona-se a participação individual dos profissionais do serviço em busca de projetos e estratégias com vistas ao melhor desempenho. Importante ressaltar que a pesquisa com servidores públicos com vistas à qualidade de vida no trabalho não tem sido muito frequente, mas merece novos estudos, já que alguns fatores entendidos como motivadores, podem estar sendo superestimados, quando se pensa nos demais fatores relacionados ao trabalho e que demonstram influências na qualidade de vida no trabalho dos servidores. REFERÊNCIAS ALBUQUERQUE, L.G.; FRANÇA, A.C. L. Estratégias de Recursos Humanos e Gestão de Qualidade de vida no trabalho; o STRESS e a Expansão do Conceito de Qualidade Total. Revista de Administração. USP, São Paulo, v.33, n.2, p.40-51. Abr. /Jun. 1998. DIMENSTEIN, M. O psicólogo e o compromisso social no contexto da saúde coletiva. Psicologia em Estudo, Maringá, v. 6, n. 2, Dec. 2001. DUTRA, J. S. Gestão de Pessoas: modelo, processo, tendências e perspectivas. São Paulo: Atlas, 2002. FEIGENBAUM, A. V. Controle de qualidade total. 40.ed. São Paulo: Makron Books, 1994. v.1 e v.2. FIALHO, F.; SANTOS, N. Manual de Analise Ergonômica do Trabalho. Curitiba: Genesis, 1995. GAZZINELLI, M. F.; GAZZINELLI, A.; REIS, D. C.; PENNA, C. M. M. Educação em saúde: conhecimentos, representações sociais e experiências da doença. Cadernos de Saúde Pública, 21, 200-206, 2005. GELBCKE, F. L.; PADILHA, M. I. C. S. O fenômeno das drogas no contexto da promoção da saúde. Texto e Contexto de Enfermagem, 13, 272-279, 2004.
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