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Rodrigo Firmino - Dimensões de impacto dos periódicos do SciELO Brasil

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A VII Reunião Anual do SciELO de 2017, que teve lugar em 12/12/2017 no auditório da FAPESP, em São Paulo, analisou e debateu os avanços no impacto dos periódicos do SciELO Brasil e na adoção das inovações que vêm ocorrendo na comunicação das pesquisas.

A reunião foi dirigida a editores e membros das equipes editoriais dos periódicos do Brasil, pesquisadores, bibliotecários, profissionais de informação, autoridades na gestão da ciência e comunicação científica e demais interessados.

Publicada em: Ciências
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Rodrigo Firmino - Dimensões de impacto dos periódicos do SciELO Brasil

  1. 1. VII Reunião Scielo, 12/12/2017 Dimensões de impacto dos periódicos do SciELO Brasil Rodrigo Firmino - Agradecimentos... - Diante da tarefa que me foi dada, de lançar pontos de discussão sobre este tema, me pus a pensar 3 de seus elementos principais isoladamente: dimensões, impacto e SciELO. Isto é, tentando encontrar respostas razoáveis para as seguintes perguntas: . O que é impacto para um periódico brasileiro? . Como se dimensiona o impacto de um periódico brasileiro, com todas as dificuldades que sabemos que estes enfrentam para continuar publicando e mantendo sua produção acessível? . O que representa o SciELO Brasil nessa discussão? - Claro que não poderia falar de forma generalizada, para todos os periódicos brasileiros e para todas as áreas do conhecimento. Talvez sequer pudesse sair de meu campo de atuação mais próximo, dadas as particularidades de cada campo e de cada área. - Ou seja, meu lugar de fala é de alguém que transita nas ciências sociais (Abel Packer já apontou uma inversão entre downloads e citações nesta área), mas ainda assim, mais especificamente, no campo dos “estudos urbanos”, o que CAPES e CNPq chamam de “Planejamento Urbano e Regional/Demografia”. É o que conheço melhor, onde oriento, leciono, publico, e onde edito um periódico em crescimento. - Talvez seja interessante para todos aqui conhecer o tema da perspectiva de um campo tão específico, que até pouco tempo sequer estava representado na coleção SciELO Brasil. - Mas como abordar aquelas 3 questões sem voltar aos mesmos tópicos de sempre? As fórmulas, os desvios, a posição periférica do Brasil na produção científica, o idioma, etc. Talvez não seja possível escapar disso, afinal há muito tempo discute-se o impacto de publicações científicas e, pelo menos desde a década de 1960—quando o fator de impacto foi criado—a tal fórmula tem estado no centro do debate.
  2. 2. - Sabemos, por exemplo, das inúmeras falhas do fator de impacto, e cito uma: em estudo recente da Universidade de Montreal (Canadá), que usou dados da Thomson Reuters sobre 11 periódicos influentes mostrou que cerca de 75% dos artigos de qualquer periódico terão índices de citação menores que a média do periódico. Ou seja, o fator de impacto de um periódico não reflete o potencial de impacto de seus artigos, e seus números são “inchados” por poucos artigos de grande impacto. Isso sem contar as possíveis falhas das próprias bases de dados... Como já dizia Rogério Meneghini em 2010, o prestígio de um periódico não se transfere automaticamente para os artigos publicados por este periódico. - Em publicação de 1999 na revista Química Nova, Angelo Pinto e Jailson Andrade sugerem os seguintes motivos para o baixo impacto de periódicos de países periféricos como o Brasil: dificuldade de acesso aos periódicos, precariedade de títulos assinados pelas instituições, a preferência dos pesquisadores por periódicos internacionais e alto impacto e a citação de pesquisadores estrangeiros ao invés de brasileiros. - Assumo, então, ao menos temporariamente—e mesmo sabendo que outras métricas têm sido pensadas, e reconhecendo a importância dessas alternativas—que nosso impacto possa ser dimensionado pela tal famosa fórmula do fator de impacto. Volto aos estudos urbanos (urban studies no ranking Scimago)... - Um rápido olhar sobre a coleção SciELO mostrará que o campo é quase invisível ou virtualmente inexistente. Se não me engano, e espero não estar cometendo nenhuma injustiça, há apenas 2 periódicos da coleção que tem o urbano, ou as cidades, como principal objeto de investigação: urbe e Cadernos Metrópole. Até pouco tempo havia apenas a urbe, que chegou apenas em 2012. Outros periódicos “dialogam” com temas que circundam o urbano e as cidades, mas não os tem como centro do debate e da pesquisa científica. - Se ampliarmos o espectro de indexação para, digamos, SciELO e Scopus, há apenas 1 periódico brasileiro simultaneamente nessas 2 bases: urbe. Não tento promover a revista que edito, mas mostrar a dificuldade de se produzir impacto no Brasil nessa área específica, por periódicos brasileiros, e nos meios aceitos pela comunidade científica como bons monitoradores de impacto.
  3. 3. - Mas isso deve ser um problema dos periódicos brasileiros em estudos urbanos. Certamente, no cenário internacional, as grandes revistas mantidas pela Sage, Francis & Taylor, Wiley, etc., certamente apresentam um impacto significativo, certo? Vejamos... . O maior impacto entre todas as áreas no Scimago Journal Ranking (SJR) é da CA-A Cancer Journal for Clinicians, com 39.285. Este periódico tem também o maior JCR, de 187.040. . No Scimago, o periódico melhor ranqueado em “urban studies” é o International Journal of Urban and Regional Research, com SJR de 2.775. Se considerarmos o JCR, o periódico de maior impacto muda para o Landscape and Urban Planning, cujo JCR é 4.563. . Apenas para efeito comparativo, no Scimago, o SCR da brasileira urbe é 0.129, o que a deixa na posição 98 do ranking de revistas em “urban studies”, de um total de 138. - Temos, assim, um cenário internacional de baixo impacto dessa área específica, se comparada às outras áreas de maior impacto. O que se passa com os periódicos dessa área? Não nos citamos? Não nos lemos? Não nos conhecemos? Isso nos leva a levantar a questão sobre qual a dimensão do impacto dos periódicos neste campo de estudos? Tampouco me atrevo a tentar responder essa pergunta. - Ou seja, se eu me ater aos periódicos que se dedicam aos estudos urbanos no Brasil, seu impacto mensurável—considerando os métodos tradicionais pelas indexações e citações—é praticamente inexistente. - Quero falar um pouco da percepção que tenho de minha própria área, relativamente à inserção do periódico que edito. Já que o assunto é a dimensão do impacto dos periódicos SciELO Brasil, o que percebo desde nossa inclusão na coleção, foi um aumento significativo na visibilidade e respeito no Brasil, e principalmente na América Latina, o que continua crescendo. Baseio essa percepção na quantidade e na origem das submissões a partir de 2012. O periódico também passou a ser visto por nossos pares como referência, e as avaliações do Qualis seguiram essa tendência. A maior barreira continua sendo subir o fator de impacto em comparação com os periódicos internacionais baseados fora do Brasil. - Considerando este breve diagnóstico da área e minha experiência de quase 10 anos à frente da urbe, vejo ao menos 2 dilemas...
  4. 4. (1) Algumas áreas parecem ainda não tratar os periódicos como a principal e mais ágil arena de debate, onde novas ideias podem ser colocadas à prova e rapidamente discutidas e desenvolvidas. Apesar de praticamente inexistir restrições quanto ao uso da produção de artigos em periódico para as avaliações quadrienais na grande maioria das áreas, creio que ainda haja certa resistência em adotar os periódicos como “o” campo do debate. Acho que nossos programas de pós-graduação poderiam intensificar o uso de artigos de periódicos como referências indiscutíveis para a formulação e discussão de conhecimento nas áreas. . Seria o caso de repensar o posicionamento dos periódicos em algumas áreas, de superar seu mero papel “pontuador” e coloca-los no centro de todas as referências utilizadas no ensino e na pesquisa. Sei que isso pode parecer absurdo para algumas áreas, mas falo de um lugar onde este tipo de uso dos periódicos, e seu potencial impacto, ainda é relativamente incipiente. . Me parece que, em alguns casos, o artigo em periódico é apenas o “fim da linha”, a meta, e não o meio para se fazer—e divulgar— ciência. Ou seja, faz-se pesquisa lendo livros e artigos estrangeiros, e publica-se em periódicos brasileiros que poucos leem ou citam, fechando-se um ciclo de baixo impacto. . Acho que o SciELO Brasil tem papel fundamental na quebra deste ciclo em certos campos das ciências sociais. Citando mais uma vez o texto de Rogério Meneghini, ele já apontava em 2010, que além de aumentar a acessibilidade à ciência, o SciELO foi fundado com o fim de também aumentar o interesse de autores em publicar nos periódicos brasileiros. (2) O segundo dilema é um velho conhecido de todos, a falta de visibilidade internacional, não só por uma suposta (e assumida) baixa qualidade da ciência vinda das periferias do mundo, mas sobretudo pela barreira de um idioma que também é periférico. . Me parece claro haver este tipo de barreira para um lado e para outro, sejam as publicações brasileiras em português ou inglês. Não se discute que o ideal seja uma publicação 100% bilíngue, mas como fazer isso de um modo financeiramente sustentável e, ao mesmo tempo, com garantia de incontestável qualidade do 2o idioma. Isso torna-se um problema imenso para as ciências que tem como produto artigos discursivos em que a língua tem papel central.
  5. 5. . Quero fazer um rápido survey com vocês. Por favor, acessem o endereço www.menti.com e digitem o código 757744, e respondam as perguntas que mostrarei na tela. . Como ser lido e citado sem publicar em inglês? Ou como publicar regionalismos e ser acessível sem publicar em português? - Não tenho respostas ou convicções sobre essas questões. Acho que temos que debater formas de gerar e detectar impacto regional, nacional e internacional, valorizá-los de modo específico—o que se relaciona com o primeiro dilema—mas alinhados às missões e inserções dos periódicos na criação destes diversos e igualmente importantes patamares para o debate e o acúmulo de conhecimento, em toda diversidade presente na divisão das áreas e campos de estudo, inclusive na própria coleção SciELO Brasil. - Termino com duas frases “de impacto” para esse tipo de discussão: “No single number can capture the worth of a scientist's work” (David Smith, publishing expert, Scholarly Kitchen blog) “Not everything that counts can be counted, and not everything that can be counted counts” (Dizem que estava na parede da sala de Einstein, e é erroneamente atribuída como sua própria citação)

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