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USO DE SILAGEM DE COLOSTRO PARA BEZERRAS: VANTAGEM OU
DESVANTAGEM?

Ricardo Dias Signoretti
Engenheiro Agrônomo, Doutor, PqC do Polo Regional Alta Mogiana/APTA
signoretti@apta.sp.gov.br

Muitos produtores de leite perguntam aos técnicos: como preparar e se devo usar ou não a
silagem de colostro no aleitamento das minhas bezerras?
Em primeiro lugar vamos definir o que é o colostro: é o primeiro leite secretado pela glândula
mamária da vaca após o parto, sendo produzido por aproximadamente três dias, devendo
ser fornecido às bezerras o mais rápido possível (até duas horas após o parto), pois é rico
em anticorpos (transferência da imunidade passiva).
No entanto, a duração da secreção de colostro é variável, podendo se estender até o sexto
dia após o parto e este colostro excedente não pode ser comercializado para o consumo
humano.
Porém, a utilização de colostro excedente pode ser uma alternativa viável, pois este tem
mais proteínas, gorduras, minerais e vitaminas que o leite normal. Por exemplo, o colostro
do dia do parto pode ter mais de 14% de proteína, ou seja, cinco vezes mais que o leite
normal. No segundo dia após o parto, o teor de proteína cai para aproximadamente 8% e no
terceiro dia fica ao redor de 5%, valores ainda superiores se comparados com o leite normal.
Como o custo na fase de aleitamento é elevado e o leite pode representar até 75% do custo
alimentar nesta fase, surge a alternativa da utilização do colostro excedente na forma de
silagem.
www.aptaregional.sp.gov.br

Como preparar a silagem de colostro?
A silagem consiste em uma tecnologia de acondicionamento do colostro excedente de forma
anaeróbica, para ser utilizado no aleitamento de bezerros.
O preparo da silagem de colostro consiste na coleta do colostro após a ordenha dos
animais, devendo ser coado em peneira e, posteriormente, armazenado em garrafas de
plástico do tipo PET, com capacidade de 1,5 a 2,5 litros, devidamente limpas com
detergente neutro.
Após a lavagem das garrafas, as mesmas deverão ser preenchidas totalmente com colostro,
fechadas e identificadas com o nome do animal, data e dia após o parto (3°, 4°, 5 e 6°).
Durante o fechamento é importante comprimir a garrafa um pouco evitando que fique ar,
pois a fermentação é anaeróbica e também evitar a dilatação da garrafa durante o período
de fermentação para reduzir as perdas.
Após sete dias de fermentação, a silagem de colostro estará pronta para ser utilizada como
substituto do leite. O odor da silagem deve ser semelhante a queijo com sabor ácido e
levemente salgado.
O aspecto da silagem pode ser homogêneo ou separado em partes de acordo com o dia
coletado. As observações indicam uma relação direta entre temperatura, luminosidade e
tempo de fermentação. Quanto maior o calor e incidência de luminosidade menor é o tempo
necessário para cessar a fermentação.
Deve-se utilizar o colostro coletado nos primeiros dois dias para servir às bezerras até 35
dias de idade e o colostro coletado nos 3° e 4° dias para servir às bezerras após 35 dias do
nascimento.
Após a coleta o material deverá ficar armazenado em um galpão limpo, sem incidência de
luz solar e a temperatura ambiente. Vale ressaltar que a silagem de colostro, quando bem
armazenada, pode durar até um ano e meio.

ISSN 2316-5146
Pesquisa & Tecnologia, vol. 10, n. 2, Jul-Dez 2013
www.aptaregional.sp.gov.br

Como fornecer o colostro as bezerras?
A adaptação dos animais é fundamental para o sucesso desta tecnologia: do terceiro dia ao
quinto dia de vida, as bezerras que irão receber a silagem de colostro deverão passar por
um período de adaptação. Considerando-se um sistema de aleitamento artificial
convencional, onde os animais são alimentados com 4 litros diários de dieta líquida, sendo
dois litros pela manhã e dois litros pela tarde, a adaptação deverá ocorrer conforme indicado
na tabela abaixo:

Dias após o
nascimento
1°
2°
3°
4°
5°
6° ao 60°

Manhã

Tarde

Colostro materno
Colostro materno
Colostro materno
Colostro materno
250 ml de silagem de colostro +
250 ml de silagem de colostro +
1750 ml de leite
1750 ml de leite
500 ml de silagem de colostro +
500 ml de silagem de colostro +
1500 ml de leite
1500 ml de leite
750 ml de silagem de colostro +
750 ml de silagem de colostro +
1250 ml de leite
1250 ml de leite
1000 ml de silagem de colostro +
1000 ml de silagem de colostro +
1000 ml de água morna (50°C)
1000 ml de água morna (50°C)
Fonte: Saalfeld (2008)

Considerações finais
Embora, os resultados ainda sejam variáveis quanto ao desempenho produtivo dos animais
em ganho de peso corporal, constata-se ser a silagem de colostro uma excelente alternativa
para a produção de bezerros leiteiros, inclusive de machos para produção de vitelo, devido a
sua aceitabilidade e facilidade de execução, não exigindo uso de energia elétrica e mão-deobra especializada.
Do ponto de vista econômico, com o emprego da silagem de colostro os produtores passam
a vender o leite que seria destinado aos bezerros, incrementando sua renda. Além disso, a
adoção desta tecnologia permite a reutilização de garrafas plásticas e o aproveitamento do
colostro (rejeitado pela agroindústria), contribuindo com a preservação do meio ambiente.
Referências
SAALFELD, M. H. Uso da Silagem de colostro como substituto do leite na alimentação de
terneiras leiteiras. A hora veterinária, v.162, p59-62, 2008.

ISSN 2316-5146
Pesquisa & Tecnologia, vol. 10, n. 2, Jul-Dez 2013

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Silagem de colostro: vantagem para bezerros

  • 1. USO DE SILAGEM DE COLOSTRO PARA BEZERRAS: VANTAGEM OU DESVANTAGEM? Ricardo Dias Signoretti Engenheiro Agrônomo, Doutor, PqC do Polo Regional Alta Mogiana/APTA signoretti@apta.sp.gov.br Muitos produtores de leite perguntam aos técnicos: como preparar e se devo usar ou não a silagem de colostro no aleitamento das minhas bezerras? Em primeiro lugar vamos definir o que é o colostro: é o primeiro leite secretado pela glândula mamária da vaca após o parto, sendo produzido por aproximadamente três dias, devendo ser fornecido às bezerras o mais rápido possível (até duas horas após o parto), pois é rico em anticorpos (transferência da imunidade passiva). No entanto, a duração da secreção de colostro é variável, podendo se estender até o sexto dia após o parto e este colostro excedente não pode ser comercializado para o consumo humano. Porém, a utilização de colostro excedente pode ser uma alternativa viável, pois este tem mais proteínas, gorduras, minerais e vitaminas que o leite normal. Por exemplo, o colostro do dia do parto pode ter mais de 14% de proteína, ou seja, cinco vezes mais que o leite normal. No segundo dia após o parto, o teor de proteína cai para aproximadamente 8% e no terceiro dia fica ao redor de 5%, valores ainda superiores se comparados com o leite normal. Como o custo na fase de aleitamento é elevado e o leite pode representar até 75% do custo alimentar nesta fase, surge a alternativa da utilização do colostro excedente na forma de silagem.
  • 2. www.aptaregional.sp.gov.br Como preparar a silagem de colostro? A silagem consiste em uma tecnologia de acondicionamento do colostro excedente de forma anaeróbica, para ser utilizado no aleitamento de bezerros. O preparo da silagem de colostro consiste na coleta do colostro após a ordenha dos animais, devendo ser coado em peneira e, posteriormente, armazenado em garrafas de plástico do tipo PET, com capacidade de 1,5 a 2,5 litros, devidamente limpas com detergente neutro. Após a lavagem das garrafas, as mesmas deverão ser preenchidas totalmente com colostro, fechadas e identificadas com o nome do animal, data e dia após o parto (3°, 4°, 5 e 6°). Durante o fechamento é importante comprimir a garrafa um pouco evitando que fique ar, pois a fermentação é anaeróbica e também evitar a dilatação da garrafa durante o período de fermentação para reduzir as perdas. Após sete dias de fermentação, a silagem de colostro estará pronta para ser utilizada como substituto do leite. O odor da silagem deve ser semelhante a queijo com sabor ácido e levemente salgado. O aspecto da silagem pode ser homogêneo ou separado em partes de acordo com o dia coletado. As observações indicam uma relação direta entre temperatura, luminosidade e tempo de fermentação. Quanto maior o calor e incidência de luminosidade menor é o tempo necessário para cessar a fermentação. Deve-se utilizar o colostro coletado nos primeiros dois dias para servir às bezerras até 35 dias de idade e o colostro coletado nos 3° e 4° dias para servir às bezerras após 35 dias do nascimento. Após a coleta o material deverá ficar armazenado em um galpão limpo, sem incidência de luz solar e a temperatura ambiente. Vale ressaltar que a silagem de colostro, quando bem armazenada, pode durar até um ano e meio. ISSN 2316-5146 Pesquisa & Tecnologia, vol. 10, n. 2, Jul-Dez 2013
  • 3. www.aptaregional.sp.gov.br Como fornecer o colostro as bezerras? A adaptação dos animais é fundamental para o sucesso desta tecnologia: do terceiro dia ao quinto dia de vida, as bezerras que irão receber a silagem de colostro deverão passar por um período de adaptação. Considerando-se um sistema de aleitamento artificial convencional, onde os animais são alimentados com 4 litros diários de dieta líquida, sendo dois litros pela manhã e dois litros pela tarde, a adaptação deverá ocorrer conforme indicado na tabela abaixo: Dias após o nascimento 1° 2° 3° 4° 5° 6° ao 60° Manhã Tarde Colostro materno Colostro materno Colostro materno Colostro materno 250 ml de silagem de colostro + 250 ml de silagem de colostro + 1750 ml de leite 1750 ml de leite 500 ml de silagem de colostro + 500 ml de silagem de colostro + 1500 ml de leite 1500 ml de leite 750 ml de silagem de colostro + 750 ml de silagem de colostro + 1250 ml de leite 1250 ml de leite 1000 ml de silagem de colostro + 1000 ml de silagem de colostro + 1000 ml de água morna (50°C) 1000 ml de água morna (50°C) Fonte: Saalfeld (2008) Considerações finais Embora, os resultados ainda sejam variáveis quanto ao desempenho produtivo dos animais em ganho de peso corporal, constata-se ser a silagem de colostro uma excelente alternativa para a produção de bezerros leiteiros, inclusive de machos para produção de vitelo, devido a sua aceitabilidade e facilidade de execução, não exigindo uso de energia elétrica e mão-deobra especializada. Do ponto de vista econômico, com o emprego da silagem de colostro os produtores passam a vender o leite que seria destinado aos bezerros, incrementando sua renda. Além disso, a adoção desta tecnologia permite a reutilização de garrafas plásticas e o aproveitamento do colostro (rejeitado pela agroindústria), contribuindo com a preservação do meio ambiente. Referências SAALFELD, M. H. Uso da Silagem de colostro como substituto do leite na alimentação de terneiras leiteiras. A hora veterinária, v.162, p59-62, 2008. ISSN 2316-5146 Pesquisa & Tecnologia, vol. 10, n. 2, Jul-Dez 2013