REVISTA PAULISTA DECULTURA E POLÍTICA                      ANO 2 Nº 2 Março/2012                                          ...
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Editorial                     “A pior das corrupções não é aquela que desafia as leis,                     mas a que se co...
Entrevista com a Lega Nord.Com Geovana Lopes.(Geovana Lopes) No início vocês encontraram muitas dificuldades em relação às...
uma outra. Na Itália, desde ano 1861(ano da Unidade da Itália), a diversidade cultural esócio-econômica entre as áreas ter...
A família e as bandeiraspor Cássio Forcignano           “Constituem virtudes militares, a coragem, energia, o hábito de   ...
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Os caminhos fluviais e os paulistas.por Roberto Tonin                        “A serra abrupta (geografia estática), o plan...
10Enquanto os primeiros povoadores das colônias britânicas, bases dos Estados Unidos,idos do século XVII, tiveram atritos ...
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12Os caminhos fluviais.O uso de barcos e canoas para as monções foi imprescindível, ao contrário do queocorria nas bandeir...
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A partida de uma Monção mobilizava toda a população dos locais de partida, como oporto de Araritaguaba. Sob a tênue clarid...
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16O retorno da monção, era anunciado com um tiro de arcabuz. A cidade, antessilenciosa, começa a sacolejar. O povo se diri...
governo federal. Neste período de estagnação econômica e opressão política e moral,plantou a semente da irracionalidade na...
Este modelo é valido para todas as cidades paulistas, próximas do sistema hidroviário.A construção de canais, eclusas, por...
cultura, e deixam uma marca mais significante do que as contribuições artísticas, quesão supraterritoriais.Neste aspecto a...
Quanto aos paulistas, por muitos séculos, a escolha cultural foi a transição, com aconstante movimentação de gentes e esfo...
obedecem os parâmetros mínimos de urbanização, caso de Guarulhos, que despeja atotalidade de seu esgoto no próprio rio.Pod...
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Revista Paulista de Cultura e Politica. n. 2 - Março 2012

  1. 1. REVISTA PAULISTA DECULTURA E POLÍTICA ANO 2 Nº 2 Março/2012 1 MARÇO DE 2012
  2. 2. REVISTA PAULISTA DE CULTURA E POLITICAEditorial ....................................................................................................................... 03 2Entrevista com a Lega Nord .........................................................................................04Geovana LopesA família e as bandeiras................... ........................................................................... 06Cássio ForcignanoOs caminhos fluviais e os paulistas..............................................................................09Roberto Tonin
  3. 3. Editorial “A pior das corrupções não é aquela que desafia as leis, mas a que se corrompe a ela própria”. (Visconde Louis Bonald, escritor francês).A importância de valorizar os recursos naturais, o rio. Sujar é falta de cultura.Inconscientemente, ou intencionalmente, despreza a casa do paulista. Sujar a casa dooutro é desprezá-lo. Porque fazem isso?A família sob ataque. Leis privilegiando mentes perversas, tornando crime a critica e a 3opinião, facilidades, bolsas e auxílios para os desviados. E a família? Leis facilitando oestupro, a pedofilia, o aborto e a prostituição, essa é a reforma do código criminalbrasileiro. A questão não é o porque dos esquerdistas defenderem essas idéias, isso jáé obvio. A questão real é porque as pessoas íntegras permitem essa barbárieacontecer? Porque os honestos se calam. Porque os justos se acovardam. Porque osesforçados se submetem. Porque os virtuosos transigem com a corrupção.Pessoas que se calam, se acovardam, se submetem e transigem, não sãoverdadeiramente honestas, íntegras, justas, esforçadas ou virtuosas.O que esta acontecendo conosco?Temos para começar uma entrevista com a Lega Nord¹ onde algumas dicas sãodeixadas. É preciso maturidade para perceber o quanto simples e ao mesmo tempodifícil é se manter integro, justo, honesto e conseguir fazer um trabalho correto para aautonomia. A Lega é um exemplo de sucesso, um caminho a ser seguido, ela temfalhas, é claro, mas as suas lições são valiosas.O compromisso com a comunidade, o respeito pelo passado. Preservar é construir. Opasso lógico da Lega Nord, e tantas outras associações dedicadas ao bem público, é apreservação dos valores, da cultura e da história. Essa é a base da civilização. Semesses elementos regredimos á barbárie, com depredação, violência e impunidade. Esseé o retrato do Brasil, lamentavelmente.É preciso um compromisso, entre cidadãos dignos, pelo resgate, defesa e divulgaçãodos valores morais e éticos, da cultura e da história paulistas. Parece a descrição deuma miragem nesse deserto de corrupção. Mas na realidade trata-se de um oásis. Umoásis que precisa ser cultivado.Eis nosso singelo propósito.Nota: 1 – A Lega Nord é um movimento autonomista e partido político na Itália. Prega a autonomia plena da regiãoda Padania, defende os valores éticos e morais, e a luta incessante contra a corrupção.
  4. 4. Entrevista com a Lega Nord.Com Geovana Lopes.(Geovana Lopes) No início vocês encontraram muitas dificuldades em relação às leisnacionais e o objetivo do grupo? Quais? Como conseguiram lidar com essasdificuldades?(Dr. Roberto Marracini (Setor Institucional da assessoria política Lega Nord)) Com 4certeza, de inicio, quando nasceu a Lega Nord (em 1991), foram muitas dificuldades,porque a nossa idéia básica, o federalismo, não era conhecida. E muito difícil fazernascer e conhecer uma idéia nova e conseguir sucesso. As dificuldades foramresolvidas com muito trabalho, muita boa vontade, muita proximidade com o povo e,sobretudo, a convicção que a nossa idéia era certa.(Geovana Lopes) Como conseguiram alcançar seus objetivos políticos?(Dr. Roberto Marracini) Com espírito de sacrifício, espírito de serviço e com a certezade fazer o bem do nosso povo.(Geovana Lopes) Como conseguiram novos adeptos a causa?(Dr. Roberto Marracini) A pergunta è complicada, porque é preciso falar de todaestratégia de comunicação da Lega Nord desde início até hoje a Lega Nord conseguiufazer novos adeptos, ficando sempre movimento popular perto do povo, procurandouma correta interpretação das instâncias da população.·.(Geovana Lopes) Em algum momento cogitaram a possibilidade de um modelo políticocomo a "confederação”? O que acham sobre esse modelo político?(Dr. Roberto Marracini) Na década de 1990, quando a Lega Nord ganhou muitos votos(eleições de 1992) se falou da criação de um estado federal formado paratrês macrorregiões (modelo de Gianfranco Migliohttp://www.worldlingo.com/ma/enwiki/pt/Gianfranco_Miglio): tratava-se de ummodelo de estado semelhante de uma confederação. Obviamente è pra nòs ummodelo positivo, tambèm e, sobretudo, a nível europeu, para União Européia.·.(Geovana Lopes) Em sua opinião a partir de que momento um país começa a se dividirculturalmente? Quais são as causas?(Dr. Roberto Marracini) E muito difícil oferecer uma resposta certa pra cada país ecada contexto. Um país, por exemplo, pode começar a dividir-se culturalmente quandouma região desenvolve-se, economicamente ou industrialmente, de mais respeito a
  5. 5. uma outra. Na Itália, desde ano 1861(ano da Unidade da Itália), a diversidade cultural esócio-econômica entre as áreas territoriais foi sempre muito inequívoca. Por isso aLega Nord propõe a transformação da Itália em republica federal.·.(Geovana Lopes) Como lidam com a opinião publica e as críticas internacionais?(Dr. Roberto Marracini) Caminhamos rumo ao federalismo, porque o povo estáconosco e nos apóia.(Geovana Lopes) Em sua opinião qual a maior conquista da Lega Nord até o momento? 5(Dr. Roberto Marracini) Introduzimos no debate político italiano o conceitode federalismo e agora, depois muitos anos, quase todos os italianos são convencidosque é preciso transformar a Itália em um estado federal.(Geovana Lopes) Na atualidade qual é o papel que a LN exerce na sociedade?(Dr. Roberto Marracini) O papel da Lega Nord na sociedade é persuadir o povo de queum estado diferente e, sobre tudo, uma sociedade diferente é possível. Por isso a LegaNord transmite cotidianamente aos cidadãos as idéias de justiça, legalidade, honradeze transparência.(Geovana Lopes) E depois do objetivo alcançado o que sucede?(Dr. Roberto Marracini) Alcançado o objetivo, o federalismo (estado federal) e ofederalismo impostal (cada instituição será autônoma no imposto) não è possível saberque coisa vai acontecer depois.(Geovana Lopes) Um comentário sobre o atual momento da Lega Nord .(Dr. Roberto Marracini) O momento atual é muito favorável pra nós. Depois oextraordinário sucesso eleitoral do 2008 (eleições para o governo nacional, Câmarados deputados e Senado da Republica), depois o sucesso das eleições européias(2009), a Lega Nord ganhou muito bem também nas eleições regionais (2010).Confiamos no futuro. O nosso papel é realizar o federalismo: por isso ficamos nogoverno do país.Saudaçoes!Dott. Roberto MarracciniDott. Fabrizio SpinnatoSettore Politiche Sociali e per la FamigliaUfficio di Segreteria Politica Lega Nord
  6. 6. A família e as bandeiraspor Cássio Forcignano “Constituem virtudes militares, a coragem, energia, o hábito de comandar, características principais dos bandeirantes. Amparados na Família, sua base fundamental, organizam-se militarmente, para defender e conquistar a terra.” Os paulistas p. 70 João de Scantimburgo. 6No trecho acima , podemos perceber que o autor cita as qualidades que umbandeirante devia possuir, coragem , energia e hábito de comandar que segundo JoãoScantimburgo eram as características principais dos bandeirantes e tudo isso eraamparado na família. Não me recordo de um estudo mais profundo sobre a famíliapaulista inicial que evidente formou o caráter do nosso povo, alguns autores ressaltama questão da miscigenação que foi comprovada, mas outros além do pontomencionado comentam sobre homem branco acabar tendo um número elevado deíndias como no caso de João Ramalho, supõem que ele teve mais de trinta nativas ecerca de oitenta filhos. O padre Manoel da Nóbrega comentou tal escândalo em umacarta. Porém não podemos nos esquecer que outrora era importante ter um grandenúmero de filhos, pois ajudariam no trabalho, qualquer que fosse outra questão quepodemos debater é o grande número de índios que seguiam com as bandeiras e acontribuição que eles davam no tocante ao conhecimento do terreno , língua ,reconhecimento dos diversos trocos indígenas, etc.O índio cooperou com nossos antepassados, entre outras razões, devido ao parentescocom alguns bandeirantes, pois quando um bandeirante tomava uma índia para siacabava se tornando parte da tribo, aliado em uma visão mais moderna , outraquestão é que os chefes das famílias eram os cabeças das bandeiras esses capitãescomandavam um grande número de pessoas e se fosse necessário com a mesma mãode ferro que conduziam suas famílias.E hoje vivemos um choque muito grande entre o que entendemos como moderno,avançado e o tipo de família inspirado nas tradições judaico-cristã cada dia mais cresceuma tendência mundial onde crianças de oito, sete ou mesmo com apenas quatro
  7. 7. anos respondem para os pais e pessoas mais velhas. Também notamos a habitualrebeldia dos adolescentes que poderia ser muito positiva se fosse algo pensado,coerente , mas na verdade tal rebeldia não passa de um jogo de forças não apenasentre pais e filhos , mas entre o interesse apenas de um membro do grupo em prejuízode toda a sociedade, pois quando os pais tentam “punir” os filhos pelo nãocumprimento de uma determinada tarefa e o filho ou filha se recusa ou ainda desafiaque não ocorrerá nada com ela ou ele, na maioria das vezes os jovens saem vitoriosose os pais recuam de maneira displicente. 7Contudo o mesmo pai ou mãe que “afrouxa” as regras da sua própria casa condena demaneira veemente o estado por ser firme contra as diversas mazelas que supliciamnossa sociedade, então os chefes das famílias se esquecem que a família ainda é abase da nossa sociedade e que se os políticos e o estado influencia na mentalidade dapopulação e altera padrões de pensamentos , também é verdade que a família tempoder enorme de conservar as tradições ou de modificá-las e o que podemos notar nasruas, escolas ou em qualquer outro local onde se encontrem um grande número depessoas é que existe uma dificuldade por parte da sociedade em respeitas regras enormas.E comparando a organizações das bandeiras com a sociedade contemporânea paulistae tendo em mente as modificações mundiais ao longo dos séculos, afinal ninguém emsã consciência pode imaginar que os bandeirantes iam entender costumes do séculoXXI é como querermos que os antigos romanos agissem como os europeus do atualséculo , contudo tanto os antigos romanos como os bandeirantes tiveram querespeitar regras e se organizarem para obter sucesso em suas conquistas. Se hojevivemos um caos nas escolas que contamina toda a sociedade , também é verdade queo insucesso das escolas também é culpa da família que também vive uma criseenorme. Mas as empresas passando por momentos de dificuldades ainda conseguemsobreviver, mas se pensarmos que se um jovem não tem limites dentro de casa e oestado e sociedade fazem com que a escola não cumpra seu papel na sociedade,fazendo com que o jovem saia da escola disposto a não obedecer regra alguma apenasas que são de seus interesses individuais, porém as empresas ainda conseguem jovens
  8. 8. dedicados , primeiro temos que ter em mente que nem todas as famílias foramcontaminadas por discursos que condenam o antigo modelo de família, mas nãoapontam um caminho. Assim esses jovens mesmo em meio ao caos escolar se dedicamnão se fazendo de vitimas , também o mesmo jovem que não cumpria nenhuma regralogo começa a notar que no trabalho ou ele muda ou perde o emprego e na maioriadas vezes mesmo mudando ele acaba ou sendo mandado embora ou ocupando cargosde menor relevância por sua própria incompetência , não luta por um estado mais 8liberal , pois sabe que da forma que foi criado nem tem capacidade para se manter emum estado assim, também não luta pela manutenção ou aprimoramento de seusdireitos ou deveres trabalhistas, pois se viveu toda sua vida de pendente de leis que oprotegia como se protege um incapaz , logo tornou-se um individuo egoísta e incapazde lutar por um grupo.Então devemos pensar bem na sociedade que queremos se olharmos para o nossopassado notaremos que o povo paulista sempre se destacou por seu caráterempreendedor as bandeiras foram o maior exemplo do que acabei de escrever nossosantepassados não ficaram esperando favores da Coroa ao contrario se lançaram namaior aventura que a espécie humana já viveu , onde um grupo pequeno conquistou edefendeu um território de dimensões gigantescas coisa que não tinha sido alcançadoantes e que nunca foi superado. A tal “ conquista do oeste” que tanto se orgulham osnorte americanos comparada as façanhas dos bandeirantes parece coisa de criança.E aespetacular conquista da “raça bandeirante” só foi possível graças a base fundamentalque João de Scantimburgo mencionou, isto é, a família que mesmo diferente da atualtinha suas regras a serem seguidas assim como as bandeiras.
  9. 9. Os caminhos fluviais e os paulistas.por Roberto Tonin “A serra abrupta (geografia estática), o planalto dinâmico (geografia motora) e o Tietê que dava as costas para o mar (geografia móvel), tiveram decisiva influência sobre o grupo de Piratininga” (Cassiano Ricardo – Marcha para Oeste).O paulista e os rios. 9A lógica da ocupação da terra em São Paulo difere perpendicularmente á lógica daocupação estabelecida no litoral brasileiro em geral. No litoral os portuguesesadaptaram o ambiente á sua rotina comercial, através de suas experiências na África eÁsia. Após algumas tentativas, foi com a implementação da cana-de-açúcar, originárioda Índia, que atingiram seu propósito comercial. E com seu mecanismo de produção -o engenho, atingiram também o seu propósito de controle do espaço, não apenaseconômico, mas político.O destino dos indígenas neste processo foi devastador. Não aceitando submeter-se aesse sistema explorador, foram aniquilados, em lutas, por doenças ou obrigados aevadir-se para os sertões.Nas terras paulistas tudo foi diferente. A lógica comercial e social portuguesa não seaplicava, seja porque as terras paulistas estavam num planalto quase inacessível pelamuralha de pedra da serra do mar, seja porque a restrita faixa litorânea erademasiadamente distante das rotas marítimas, e seu solo pobre, em comparação ásricas terras nordestinas. Neste ínterim, nem o açúcar prosperou, tampouco o sistemade engenho. Tal sorte permitiu um trato diferente aos indígenas, não vistos comoestorvo, mas como aliados, diante das constantes escaramuças que os colonos sofriamdiante de tribos hostis. Tibiriçá, chefe indígena, a quem São Paulo deve tudo, reuniulegiões de índios para defender o recém-fundado povoado de São Paulo de tribosindígenas hostis, no seu período mais vulnerável.
  10. 10. 10Enquanto os primeiros povoadores das colônias britânicas, bases dos Estados Unidos,idos do século XVII, tiveram atritos letais, com os locais, e a harmonia e aliança comíndios só existe na ficção e lirismo (nota: com “ação de graças” e o conto de fadas dePocahontas). Em São Paulo a aliança com índios foi real e sólida, representada pelaadoção de uma variante do tupi – a língua geral, como idioma oficial em São Paulo de1550 até 1708, quando foi proibido por Portugal, embora tenha subsistido na praticapor mais um século, e a adaptação de elementos indígenas, como a alimentação,técnicas de sobrevivência na selva, alguns costumes, além do fator crucial - amiscigenação, a maioria dos paulistas eram caboclos, provas da integração completa.Algo inexistente na América do norte, e mesmo no litoral brasileiro, onde o fator dedominação representado pela casa grande impedia a aceitação de famílias mestiças.Se o litoral brasileiro, baseado na escravidão e produção de artigos para exportação,cujas riquezas eram apropriadas pelos senhores de engenho brasileiros, mercadoresportugueses e banqueiros e mercadores judeus, uma fração da população, parte delessequer residente nestas terras. Em São Paulo pelo contrario o trabalho era executadopor famílias e tribos indígenas aldeadas, num mecanismo de trabalho semelhante a‘encomienda espanhola, trabalho remunerado intermediado pelo cacique. O produtodo trabalho visava o comercio e abastecimento local e regional e seus lucros ficavamcom os produtores, ou seja, o grande numero de famílias. Disso resultou na falsaimpressão de que São Paulo era pobre.Na realidade, o paulista era autônomo e auto-suficiente, a riqueza era distribuída entre habitantes, ao passo que no litoral, só alguns
  11. 11. detinham toda a riqueza, os senhores de engenho, alguns agregados e mercadoresestrangeiros. Miséria em São Paulo não havia. Ricos também não. Enquanto que nolitoral havia alguns ricos com seus luxos e extravagâncias e um mar de escravos. Eis averdadeira miséria. A real miséria dos mais de 98% dos habitantes do Brasil, escravos.No Brasil litorâneo as aparências de ordem social e a falsa prosperidade, que só existiapara os senhores de engenho, tudo inclinava para a vida fixa, rígida e sedentária, nagrande propriedade rural o mundo girava em torno das rodas dos moinhos de cana e 11do preço do açúcar e nada mais. Em São Paulo, a “vocação estava no caminho, quevencida ao movimento” (Sergio B. de Holanda, Monções, P. 160). A riqueza estava aoalcance de qualquer um com coragem e vontade de trabalhar e pelejar. Mas aempreitada das bandeiras exigia recursos além do alcance, e isso implicava numa redede parcerias e alianças. E foram estas condições que costuraram o tecido socialpaulista. Radicalmente diferente do brasileiro. A sociedade paulista nos seusprimórdios, era notavelmente despossuída de centralização de poder, a vida e aeconomia não girava em torno de um grande senhor. E sim de muitos. E todos elesobtinham sua força de trabalho através de contratos com índios aldeados, ou por meioda servidão de prisioneiros obtidos em combate. Dentro do contexto da época essaforça de trabalho era mais legítima do que os escravos comprados através decontratos, pelos senhores de engenho aos mercadores judeus-lusitanos, que detinhamfeitorias na África. A lógica do apresamento, sem óbices das tribos aldeadas,enfrentava repúdio da coroa portuguesa, mais interessada nos impostos e nos favoresdos mercadores judeus-lusitanos envolvidos no comércio de escravos da África, do quena auto-suficiência de seus súditos.Fora da lógica colonial, a sociedade paulista buscou a riqueza de variadas formas,através da mineração, que conseqüentemente acarretava demanda por gênerosalimentícios e instrumentos, produzidos em fazendas ao redor da vila de São Paulo, ecom o tempo em seu próprio povoado. Essa dinâmica de descoberta, exploração,desenvolvimento com auto-suficiência e expansão com a busca de novosempreendimentos, foi e é a tônica da identidade paulista.Um dos fatores essenciais nesta trajetória são os meios de comunicação e transporte.
  12. 12. 12Os caminhos fluviais.O uso de barcos e canoas para as monções foi imprescindível, ao contrário do queocorria nas bandeiras, além de ter sido pioneiro em abrir rotas fluviais de comércio ecomunicação regular da capital com os povoados interioranos. Grande parte dotransporte ainda era realizado a pé pelos caminhos nas matas. Na época das bandeiraso barco era raramente usado, e mesmo o rio Tietê, chamado de Anhembi, eraconhecido e mapeado apenas para apontar pontos de travessia.Essa confusão entre o uso dos rios e as bandeiras é enfaticamente abordado porAlfredo Ellis Jr: “Outro grande erro, do qual não tem escapado mesmo muitos historiadores de certo renome, consiste na suposição de que o movimento expansionista das bandeiras se deu pelas vias fluviais. O tiete, o velho Anhembi, que á primeira vista parece ter sido o grande caudal que determinou o bandeirismo, foi desconhecido de grande parte do movimento” (O Bandeirismo Paulista e o Recuo do Meridiano, pg. 44, Alfredo Ellis Jr).No período das bandeiras, fase entre 1550 e 1720, o uso de barcos era apenasprovidencial, para travessias de grandes cursos d água, ou para percorrer pequenostrechos. Jamais houve caminhos fluviais nas bandeiras. É grosseiramente errôneoapontar o Tiete e demais rios internos como caminhos de bandeirantes, ou mesmo
  13. 13. que tivessem facilitado a expansão para o oeste. A conquista bandeirante foiinteiramente realizada a pé, o uso de canoas ou barcos era esporádico, apenas paratravessias ou pequenos trechos, sendo abandonadas logo apos o uso.1Como a bandeira tinha um caráter de desbravamento e ataques surpresas, o uso debarcos não era adequado a estes propósitos, porque reduzia a flexibilidade das tropas,e muitas vezes a velocidade era menor do que realizado por caminhos terrestres.2Nas bandeiras do sul e no sertão (atual centro-oeste) os barcos eram utilizados com 13mais freqüência, mas não para longas jornadas. Tal qual faziam os espanhóis namesma região. Embora havia uma rota fluvial entre as missões espanholas (nos atuaisParaguai, Rio Grande do Sul e Paraná) e Buenos Aires. Foi por este mesmo caminhoque tomou o êxodo do Guairá (missão espanhola no norte do atual Paraná) por ordemdo pe. Montoya, em que mais de 12 mil espanhóis e índios fugiram das incursõesbandeirantes.O transporte nas monções.Monção, a palavra de origem árabe, significa “estação do ano em que se dádeterminado fato”. Em São Paulo o termo é atribuído ás grandes expedições fluviaisque se dirigiam para as minas de Cuiabá. Elas eram organizadas geralmente entre osmeses de abril e setembro, época considerada mais propícia.Além das monções comerciais e de exploração, haviam também as monções oficiais,chamadas de ‘Reiunas’, que eram organizadas para transportar tropas militares eautoridades administrativas. A mais célebre, em 1726, transportou o governadorRodrigo Cezar de Menezes, num total de 3.000 pessoas em 308 canoas.1 Um fato notável da forma com que os barcos eram usados nas bandeiras, foi o ocorrido no rio Uruguai em 1640,onde espanhóis avistaram balsas e canoas desgarradas após uma enchente, tais veículos produzidos rusticamente,mas com precisão e esmero técnico, revelava a presença de Bandeirantes, se aproximando. Os espanhóismobilizaram suas tropas e surpreenderam os paulistas a vadear o rio Uruguai, no local chamado M´boré, a qualficou conhecida tal batalha, vencida pela Espanha – há um caso de um viajante que indo de são Paulo parou num local próximo a Itu após 2 dias, e retornou de2cavalo em apenas algumas horas. Mostra que o transporte fluvial era penoso, lento e perigoso, e só tinha valor pelaelevada capacidade de carga a um custo reduzido
  14. 14. A partida de uma Monção mobilizava toda a população dos locais de partida, como oporto de Araritaguaba. Sob a tênue claridade da madrugada se reuniam os sacos demantimentos para serem comercializados. Constituíram-se basicamente de alimentosnão perecíveis, como farinha de milho e mandioca, feijão, toucinho, sal e carnessalgadas; barris de aguardente; e também armas e munições. Tudo era embarcado nascanoas e batelões3 pela tripulação da monção, auxiliados por soldados, escravos emoradores locais. Mas tarde chegavam os chefes bandeirantes e a monção partia em 14sua longa jornada.A áspera navegação do Tiete provocava fortes impressões nas narrativas dossertanistas e monçoeiros, revela Afonso Taunay (Relatos Monçoeiros). D. Luiz deCéspedes narra suas desventuras em 1628 para o rei espanhol Felipe IV, para vencer as“grandissimas corrientes y riesgos” onde era preciso muito esforço para impedir que ascanoas se destroçassem ou afundassem. No encontro do Jupiá com o rio Paraná. D.Luizresumia o infortúnio dos “grandíssimos remolinos y de mucho peligro” (Taunay, p. 44).Num relatório de Gervasio Leite Rebelo em 1727, apontava que de Araraitaguaba até afoz do Tiete tivera de vencer 160 obstáculos entre cachoeiras, correntezas, itaipavas,trechos de cirga, despenhadeiros, contrassaltos, funis, jupiás, redemoinhos etucunduvas (Taunay, p. 44).Os preparativos de uma monção demandava muitopreparo, relata Taunay, da saída de São Paulo paraAraraitaguaba a 2 de maio de 1751, só em 5 deagosto partiu a monção. Sendo necessário colher omilho e feijão, e produziu a farinha e reunir os demaismantimentos. Alguns importados.Em boa parte do traçado do Tiete ocorria densasnévoas, que obrigava a interrupção da viagem,3 Batelão era uma embarcação baseada na piroga indígena. O material utilizado era um único tronco de Mapa de navegação dos rios – Estampa semPeroba ou Ximbúva, madeiras muito resistentes. Eles tinham aproximadamente, 1,65 m de largura, 12 as n.º: Plano do Rio Tietê resumido com todas mde comprimento, 1,15 de profundidade e sua espessura em torno de suascm. Chegavam onde ficam as 90 60 voltas donde se vê a acomodarsacos de mantimentos. Os modelos posteriores possuíam coberturas de lona e a distância que há por linha reta cachoeiras,contra a chuva e alças deferro. Geralmente sua tripulação era composta de piloto, contra-piloto, proeeirode Araritaguaba até o Rio Grande desde o porto e 6 remeiros. Paraná; como se mostra de linha A para B, para cuja medição servirá o petipé que abaixo se acha. Petipé de léguas.”
  15. 15. porque impedia o avistamento dos obstáculos. No Tiete das monções se navegava das8 às 17hs, mas as vezes a névoa era tanta que só se obtinha visibilidade perto do miodia. Até a própria velocidade representava riscos, nos traçados sinuosos cheios depedras afiadas. Os remeiros valiam-se de zingas como freios para controlar avelocidade dos batéis.Outro inconveniente eram os insetos, voadores ou não, já que muitos caiam paradentro das canoas durante os contatos com as matas que recobriam parte dos rios, ou 15arvores apodrecidas que pendiam sobre os mesmos.O trecho mais árduo, sem duvida era o desfiladeiro do Coxim, constituído de altíssimosparedões verticais, e cheio de madeiras e troncos submersos. Era ali onde as canoaseram puxadas por cordas, com os homens recostados nos penhascos, já que não haviamargem no rio.Freqüentemente os remeiros eram obrigados a levantar as canoas e arrastá-las. Issoocorria nos ‘Zirgas’ – trechos rasos dos rios, onde as pedras podiam virar ou furar osbarcos. Em certas situações bastava retirar parte da carga, que seguia na margem,carregadas pelos tripulantes, sendo reembarcadas quando da profundidade do rio erafavorável.No varadouro de Avanhandava (atual estado de Mato Grosso do Sul) os barcos eramarrastados, conforme o trajeto utilizado, entre 300 e 800 metros morro acima,vencendo um desnível de 11 metros, que ligava os afluentes. Para tanto colocavamtoras por baixo das canoas e iam puxando-as com cordas. Todos tinham de ajudar,poupando-se apenas as mulheres, num esforço hercúleo.Quando a noite chegava, os barcos eram embicados nas margens e amarrados,geralmente com os próprios cipós ali existentes. Os tripulantes roçavam o mato econstruíam o abrigo. Redes amarradas a vigas com mosquiteiro ao redor. Tal comorepresentado na figura abaixo.
  16. 16. 16O retorno da monção, era anunciado com um tiro de arcabuz. A cidade, antessilenciosa, começa a sacolejar. O povo se dirige para o grande rio. A monção estavachegando de Cuiabá. As pessoas, umas ansiosas pelas notícias de seus entes queridosna longínqua colônia, outras inquietas para ter de volta seus filhos e maridos. Porvários dias o porto permanecia movimentado, com a descarga das canoas, o ourorecebido corria solto pela cidade, que logo voltaria ao seu estado pacato.A retomada do Tiete no papel central no transporte em São Paulo.Com o fim das monções em 1838, data do ultimo comboio, e também de uma terrívelepidemia de tifo que se abateu sobre Porto Feliz, dizimando os últimos pilotos debarcas. Esse evento marcou o inicio do interlúdio dos transportes fluviais paulistas.Interlúdio que abrangeu todo o período do Café, no século XIX e inicio do século XX,que priorizou o transporte ferroviário, mais eficiente na ligação das fazendas com oporto de Santos, reduzindo drasticamente os custos de transporte.Porém nos anos 1930 e 1940, São Paulo sofreu uma verdadeira ocupação militar, porparte do governo federal do ditador Getúlio Vargas, onde todos os investimentos eprogressos conduzidos pelos paulistas há décadas foi paralisado e mesmo revertido. Eparte dele até confiscado, caso do porto de Santos, simplesmente roubado pelo
  17. 17. governo federal. Neste período de estagnação econômica e opressão política e moral,plantou a semente da irracionalidade na condução dos transportes em S.Paulo.O período subseqüente, marcado por governos incompetentes e autoritários, otransporte rodoviário teve não apenas a prioridade, mas a exclusividade, tendo emvista o simples abandono pelo qual as ferrovias e rios foram relegados. Até hoje se‘descobre’ trilhos de antigas ferrovias paulistas, em meio a campos cobertos porvegetação ou enterrados sob ruas nas cidades recém expandidas. O mesmo fenômeno 17se verifica com os rios. No caso, aventureiros que ‘descobrem’ marcas de navegaçãogravadas nas pedras, ao longo do Tiete e de alguns afluentes.Apesar disso, existe algumas tentativas de retomada do transporte fluvial em S.Paulo.A construção de barragens no rio Tiete, nos anos 80 e 90, permitiram vencer osterríveis obstáculos á navegação convencional. E uma pequena proporção demercadorias paulistas volta a ser transportada por água, ainda de maneira insipiente,mas um alento diante de tanto descaso das ultimas décadas.Já o contemporâneo projeto do hidroanel, promete expandir o uso do transportefluvial, e incentivar o uso da própria hidrovia Tiete Paraná. Abrindo a possibilidade deatravés de obras de engenharia, tornar a hidrovia acessível as vias diretas deabastecimento nas cidades, substituindo em grande parte as rotas atualmentepercorridas por caminhões. Com a construção de terminais multimodais, se racionalizao transporte de carga em são Paulo, não apenas em grandes percursos mas tambémem rotas curtas, contornando o dilema do transito nas grandes metrópoles.Somente o transporte multimodal de material de construção (areia, pedra, concreto,entulho), cujas concreteiras estão todas as margens dos rios tiete, pinheiros eTamanduateí, poderia transportar por pequenos cursos parte dos 120 milhões detoneladas anuais de materiais. O que corresponde a 12 mil caminhões diariamente nasruas da metrópole. O uso de transporte multimodal, com barcaças transportando omaterial dos locais de produção até os terminais para transferência para trens oucaminhões, significaria a redução de 30 a 50% do numero de veículos em circulação,ou seja, até 6 mil caminhões pesados por dia na grande são Paulo.
  18. 18. Este modelo é valido para todas as cidades paulistas, próximas do sistema hidroviário.A construção de canais, eclusas, portos e terminais, farão parte das marcas dospaulistas no espaço que ocupa. A racionalização do transporte, o controle das cheias, apreocupação ecológica, a harmonização do homem com o ambiente. Essa é a novaperspectiva do transporte fluvial em São Paulo.Conclusão: O Tiete e o legado dos paulistas. 18O imaginário da expansão bandeirante se aventurando por imensos espaços vazios,pelo interior da pátria, submetendo as rarefeitas povoações indígenas, através decaminhos fluviais, do qual o tiete, que nasce na serra do mar e corre em direção aointerior, foi determinante para a expansão bandeirante. Essa hipótese é mais do quesuperada. Os bandeirantes jamais se valeram dos rios para suas empreitadas, inclusiveo tiete, com suas inúmeras corredeiras, ziguezagues e diversos obstáculos anavegação.O tiete foi sim imprescindível na segunda fase de expansão paulista, as monções, cujaessência era a atividade comercial e expansão das vilas no sertão. E seu eixo era o riotiete que conectava a capital, são Paulo, através do porto feliz, a 10 km da cidade, asinóspitas regiões do interior, até Cuiabá, por meio dos rios e seus afluentes, comdiversos trechos vencidos por terra, seja para conectar a outros rios, seja para venceras corredeiras, cachoeiras e outros obstáculos.A civilização pode ser entendida como um conceito relacionado com a permanência(Kenneth Clark, historiador da universidade de Oxford). Nesta perspectiva um povotorna-se civilizado na medida em que resolve se fixar num local, e ao longo do tempobusca moldar o espaço às suas necessidades e visão de mundo. As construções, arelação que tem com as florestas, rios e topografia, alterando-os ou preservando-os,representam a capacidade de evolução de sua cultura. Nesta perspectiva, a civilizaçãocorresponde a marca que um povo é capaz de deixar num território. Por isso asgrandes construções que fundem-se e confundem-se com o ambiente natural, talcomo os canais artificiais, e eclusas, são tão determinantes para a identidade de uma
  19. 19. cultura, e deixam uma marca mais significante do que as contribuições artísticas, quesão supraterritoriais.Neste aspecto a relação que um povo tem com o rio define bem o rumo de umacivilização. Os primitivos habitantes de São Paulo, devotavam ao rio um sentimentoreligioso, o que garantiu sua preservação, mas implicou uma submissão a ele. Osegípcios antigos, devotavam ao rio um papel místico ainda mais intenso, e no entantoa postura deste povo para com o rio foi inteiramente distinta. Os egípcios assinalaram 19sua presença no territórios, e são suas construções, mais do que tudo, é que definiusua civilização. O seu esforço em controlar e moldar sua visão de mundo ao território,que é por sua vez dominado pelo rio, bastou moldar e domar o rio, e puderamconsolidar o controle sobre o espaço em que se fixaram, essa é a marca maior dacivilização egípcia. E elas foram particularmente construídas para a eternidade, quecorrelaciona com sua visão de mundo, e por isso são as construções mais duradourasda historia humana. Enquanto que inúmeros outros povos, surgiram e desapareceramsem deixar vestígios de sua existência.Tietê, significa ‘mãe do rio’, os índios o chamava assim porque após os períodos de chuva, era possível pescar sem nenhumesforço, os peixes ficavam ilhados nas poças e pequenas lagoas, nas várzeas do rio, e podiam ser apanhados com as mãos, comoum presente.
  20. 20. Quanto aos paulistas, por muitos séculos, a escolha cultural foi a transição, com aconstante movimentação de gentes e esforços, em busca de novos empreendimentos.Tendo isso em consideração, é de se supor que as construções dos paulistas de outroraeram efêmeras para atender este requisito de mobilidade. Desde a construção rápidae improvisada de transportes fluviais, a instalação de povoados de apoio, os arraiais,que tinham a função de dar suporte as bandeiras, e mais tarde as monções. Apenasalguns arraiais sobreviveram e consolidaram-se, devido a posição estratégica, ou a 20subida prosperidade do povoado. E a primeira construção marcante do território feitopor paulistas era sempre três – o estábulo, a igreja, e a granja. Bem diferente do Brasillitorâneo que seguia as recomendações da civilização lusitana, onde os primeirosedifícios eram o pelourinho, a sede do governo e a prisão. Marcas do domínioportuguês sobre o território.São Paulo tinha uma identidade própria. Uma visão de mundo própria. E portanto umdestino diferente do Brasil litorâneo. Mas as amarras da dominação colonial prendiam,e prendem ainda, os paulistas ao governo central.O grande Tietê assistiu a passagem de bandeiras que desbravavam o sertão, e séculosdepois por suas águas navegaram as monções consolidando as cidades e vilas nointerior e assegurando as fronteiras da pátria. Mais tarde a terra roxa do basalto dabacia do Tiete acomodou e alimentou as lavouras de café que deram a São Pauloreceitas vigorosas, e também assentaram os trilhos das estradas de ferro que ligavamas lavouras aos portos. Os capitais oriundos do café permitiram aos paulistas investirna sua revolução industrial, e graças as águas do Tiete que impulsionaram as turbinasde nossas hidrelétricas se forneceu a energia para as máquinas que garantiram umanova onda de riqueza e empregos para São Paulo.Infelizmente o Tiete foi maltratado, com as invasões de seus mananciais, poragenciadores políticos, que trazendo seu eleitorado de cabresto, para garantir suaseleições ‘democráticas’. E também a poluição, o industrial embora já tenha sidocontido por estações de tratamento, o doméstico continua a envenenar suas águas,quase que inteiramente oriundo de ocupações ilegais, não apenas favelas, mastambém mansões de ricos e prósperos invasores, além de certas cidades que não
  21. 21. obedecem os parâmetros mínimos de urbanização, caso de Guarulhos, que despeja atotalidade de seu esgoto no próprio rio.Podemos acreditar que estas provações por que passa nosso amado Tiete seja apenasmais um intervalo na história do povo paulista. Até que este acorde de seu estado detorpor e responda ao chamado do sertão, apóie-se nas montanhas da serra do mar, eseja novamente conduzido pelo rio, para descobrir o que o sertão destina para nóspaulistas. 21Fontes:Relatos Monçoeiros, Afonso de Taunay, 1953, Livraria Martins, SP.Caminhos e fronteiras, Sergio Buarque de Holanda, 3ª Ed, 2008, Cia das letras, SP.Marcha para Oeste, Cassiano Ricardo, 3ª Ed, 1959, Livraria José Olimpio Ed, RJ.
  22. 22. 22A Revista Paulista de Cultura e Política é uma publicação daAssociação Liga Paulista pela Autonomia.Conselho Editorial: Marcelo Emídio, Roberto Tonin, Geovana Lopes eGiovani Pagliusi.Editor: Roberto Tonin.Colaboradores: Cassio Forcignano, Roberto Tonin e Geovana Lopes.Os artigos são de responsabilidade de seus autores, embora a RevistaPaulista de Cultura e Política se reserve o direito de solicitar matériasa partir de pautas estabelecidas pelo Conselho Editorial.
  23. 23. 23 Revista Paulista de Cultura e Politica. Coragem de expor os fatos Compromisso com a participação e o debate. Escreva, desafie, nós publicaremos.Neste número participaram: Cássio Forcignano, Roberto Tonin e Geovana Lopes

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