FEEUNDAMENTOSDE CONOMIA EMPREENDEDORISMO1
Fundamentos deEconomia eEmpreendedorismo1ª Edição - 2007
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  1. 1. FEEUNDAMENTOSDE CONOMIA EMPREENDEDORISMO1
  2. 2. Fundamentos deEconomia eEmpreendedorismo1ª Edição - 2007
  3. 3. SOMESBSociedade Mantenedora de Educação Superior da Bahia S/C Ltda.William OliveiraPresidenteSamuel SoaresSuperintendente Administrativo e FinanceiroGermano TabacofSuperintendente de Ensino, Pesquisa e ExtensãoPedro Daltro Gusmão da SilvaSuperintendente de Desenvolvimento e Planejamento AcadêmicoAndré PortnoiDiretor Administrativo e FinanceiroFTC - EADFaculdade de Tecnologia e Ciências - Educação a DistânciaReinaldo de Oliveira BorbaDiretor GeralMarcelo NeryDiretor AcadêmicoRoberto Frederico MerhyDiretor de Desenvolvimento e InovaçõesMário FragaDiretor ComercialJean Carlo NeroneDiretor de TecnologiaRonaldo CostaGerente de Desenvolvimento e InovaçõesJane FreireGerente de EnsinoLuis Carlos Nogueira AbbehusenGerente de Suporte TecnológicoOsmane ChavesCoord. de Telecomunicações e HardwareJoão JacomelCoord. de Produção de Material DidáticoEquipeAndré Pimenta, Antonio França Filho, Angélica de Fátima Jorge, Alexandre Ribeiro, Amanda Rodrigues,Bruno Benn, Cefas Gomes, Cláuder Frederico, Francisco França Júnior, Herminio Filho, Israel Dantas,Ives Araújo, John Casais, Márcio Serafim, Mariucha Silveira Ponte, Tatiana Coutinho e Ruberval da FonsecaImagensCorbis/Image100/ImagemsourceProdução AcadêmicaJane FreireGerente de EnsinoAna Paula AmorimSupervisãoTatiane de Lucena LimaCoordenação de CursoLuciana Bandeira e Paulo MagnusAutoriaProdução TécnicaJoão JacomelCoordenaçãoCarlos Magno Brito Almeida SantosRevisão de TextoBruno Benn de LemosEditoraçãoBruno Benn de LemosIlustraçõescopyright © FTC EADTodos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610 de 19/02/98.É proibida a reprodução total ou parcial, por quaisquer meios, sem autorização prévia, por escrito,da FTC EAD - Faculdade de Tecnologia e Ciências - Educação a Distância.www.ead.ftc.brMATERIAL DIDÁTICOMATERIAL DIDÁTICO
  4. 4. SUMÁRIOA CIÊNCIA ECONÔMICA_________________________________________ 7PRINCÍPIOS BASILARES DA CIÊNCIA ECONÔMICA ____________________ 7OBJETO DA ECONOMIA E A LEI DA ESCASSEZ ____________________________________ 7PROBLEMAS ECONÔMICOS BÁSICOS ___________________________________________ 9FLUXO CIRCULAR DA RENDA: MODELO COM DOIS TRÊS E QUATRO SETORES ___________11ECONOMIA DE MERCADO E MISTA_____________________________________________13ATIVIDADE COMPLEMENTAR _________________________________________________15PRINCIPAIS ASPECTOS MICROECONÔMICOS _________________________17TEORIA ELEMENTAR DO FUNCIONAMENTO DO MERCADO: OFERTA E DEMANDA _______17O EQUILÍBRIO DE MERCADO _________________________________________________24CONCEITO DE ELASTICIDADE (DEMANDA E OFERTA) ______________________________26ESTRUTURAS DE MERCADO: CONCORRÊNCIA PERFEITA E MONOPÓLIO – ESTUDANDO OSEXTREMOS. _____________________________________________________________29ATIVIDADE COMPLEMENTAR _________________________________________________31O SIGNIFICADO DO EMPREENDEDORISMO NO CONTEXTOGLOBAL ________________________________________________________35ANALISANDO O CONTEXTO GLOBAL E SUAS MATIZES _______________35METAS DE POLÍTICA MACROECONÔMICA: ALTO NÍVEL DE EMPREGO E ESTABILIDADE DEPREÇOS ________________________________________________________________35INSTRUMENTO DE POLÍTICA MACROECONÔMICA: FISCAL E MONETÁRIA ______________38CONCEITOS DE DESENVOLVIMENTO (ECONÔMICO E SUSTENTÁVEL) _________________43GLOBALIZAÇÃO, CONTEXTO MACROECONÔMICO DO BRASIL E O EMPREENDEDORISMO _45ATIVIDADE COMPLEMENTAR _________________________________________________49
  5. 5. SUMÁRIOO PAPEL DO EMPREENDEDOR NO AMBIENTE MACROECONÔMICOGLOBALIZADO___________________________________________________50O ESPIRITO EMPREENDEDOR _________________________________________________50OPORTUNIDADE E RISCO DO NEGÓCIO_________________________________________52A IMPORTÂNCIA DO EMPREENDEDORISMO NA GESTÃO ___________________________54ATIVIDADE EMPREENDEDORA COMO OPÇÃO DE CARREIRA ________________________56ATIVIDADE COMPLEMENTAR _________________________________________________58GLOSSÁRIO _____________________________________________________________60REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS __________________________________________62
  6. 6. Prezados alunos,Estamos dando início aos nossos estudos da disciplina Fundamentos deEconomia e Empreendedorismo. Esta disciplina é muito interessante e, comcerteza, vai agregar muito valor nas suas formações profissionais e pessoais.Ela irá tratar de duas ciências interessantíssimas: a economia e a adminis-tração. Vocês irão vislumbrar um mundo novo e passarão a entender muitomais o cenário no qual estão inseridos.Encarem esta disciplina como um desafio, como tantos outros que a vidanos oferece. Todo ser humano é capaz de qualquer coisa, quando se dispõe arealizar. Acreditem no potencial de vocês mesmos e vamos em frente.Contem com a gente!Luciana Bandeira e Paulo MagnusApresentação da DisciplinaApresentação da Disciplina
  7. 7. Fundamentos de Economia e Empreendedorismo 7A CIÊNCIA ECONÔMICAPRINCÍPIOS BASILARES DA CIÊNCIAECONÔMICAOBJETO DA ECONOMIA E A LEI DA ESCASSEZDefiniçãoEconomia é a ciência que estuda o emprego de recursos escassos, entre usos alternativos, com ofim de obter os melhores resultados, seja na produção de bens ou na prestação de serviços:Você sabe como a economia está dividida?Divisão da Economia:ConformeSilva(2000),aeconomiaédivididaemtrêsfases:1ª FaseTeoria Econômica – Compreende um conjunto deconhecimentos sobre os fatos ou fenômenos econômicos,ou seja, o comportamento da realidade. Os conhecimentosda realidade (economia positiva) possibilitam nortear ouestabelecer as normas (economia positiva) da política eco-nômica de um país. Os fatos ou fenômenos econômicospodem ser observados de dois ângulos diferentes, razãopela qual a teoria econômica se classifica em Microecono-mia e Macroeconomia.a) Microeconomia: trata do comportamento das firmas e dos indivíduos ou famílias, preocupando-se com a formação dos preços e o funcionamento dos mercados.b) Macroeconomia: estuda os agregados nacionais envolvendo o nível geral de preços, renda nacio-nal, taxa de câmbio e balanço de pagamentos.2ª FaseEstatística Econômica – entendida como manipulação dos dados econômicos, geralmente ex-presso em números – também se classifica em duas fases:• Coleta, seleção exame de dados econômicos, ou seja, das quantidades ou elementos conhecidospara a formação de um juízo.• Preparo complementar das estimativas, uma vez que muitos dados e informações não foram ob-tidos satisfatoriamente por ocasião da coleta.
  8. 8. FTC EAD | CNSFTC83ª FaseEconomia Aplicada ou descritiva – também integrante a chamada economia positiva, compre-ende os exemplos de fatos ou fenômenos contemporâneos (ou a história econômica de nossos dias queesclarecem as perguntas ou questões formuladas pelos economistas, formando, assim, o conjunto deconhecimentos que constituem a Teoria Econômica.1.2 A lei da escassez de recursosOs recursos escassos são os insumos, ou fatores de produção, utilizados no processo pro-dutivo para obter outros bens, destinado à satisfação das necessidades dos consumidores.1.3 Fatores de Produção:Terra ou recursos naturais – incluindo água, minerais, madei-ras, peixes, solo para as fábricas e terra fértil para a agricultura;Trabalho ou recursos humanos – englobando os trabalhado-res qualificados e não qualificados, pessoal administrativo, técnicos,engenheiros, gerentes e administradores;Capital – compreendendo o conjunto de bens e serviços, comomáquinas, equipamentos. O capital financeiro, necessário para aquisi-ção do capital fixo e o giro do negócio;Capacidade empresarial – o empresário é a pessoa que reúne capitais para adquirir recursosprodutivos e produzir bens e serviços destinados ao mercado, mediante determinada tecnologia, com oobjetivo de realizar lucros.1.4 Conceito de bens econômicosAlguns bens podem ser encontrados em grades quantidades e outros com relativa raridade.Bens não econômicos – são os bens com existência tão grande que ultrapassam nossa necessida-de, eles não possuem valor econômico e nem tem preço.Ex: O ar que respiramosBens econômicos – os bens relativamente raros e que sua existência é inferior à nossa necessida-de, logo o bem é escasso e tem valor.Ex: Diamante
  9. 9. Fundamentos de Economia e Empreendedorismo 9Quanto à natureza os bens podem ser: Bens materiais e bens imateriais.Os bens materiais são as coisas palpáveis que podem ver e pegar, por exemplo: pão, veículos, equi-pamentos industriais, vestuário, calçados, mobiliários, utensílios e etc.Já os bens imateriais não podemos vê-los nem pega-los. É o caso dos serviços prestados por ummédico, um advogado ou serviços hospitalares, serviços de transportes, serviços públicos, recreação, etc.Hoje os programas de computador ou dados armazenados em computador, na maioria dos países sãoconsiderados de como bens imateriais.Por último, temos a classificação mais importante, que é quanto ao destino dos bens, assim deno-minado: bens de consumo e bens de produção (ou de capital).Os bens podem apresentar-se em estado de uso ou de consumo imediato. Eles satisfazem direta-mente a necessidade do consumidor, podendo ser consumido de uma só vez. Exemplo: os alimentos emgeral, os cigarros, os serviços turísticos, hoteleiros, cabeleireiros, recreativos, etc. Nesse caso, os bens deconsumo são denominados bens não duráveis.Quando os bens de consumo não são utilizados de uma só vez, são denominados bens duráveis.Exemplo: casas, móveis, veículos, máquinas de lavar roupas, rádio, televisão, etc.Denominam-se bens de produção ou de capital aqueles bens que são utilizados para a produçãode um bem final que será ofertado e consumido no mercado. Podemos dar como exemplo de bens deprodução duráveis as máquinas de uma indústria automobilística. A utilização da máquina faz parte doprocesso do processo produtivo, permanecendo na empresa após a produção do produto final.Temos, também, os bens de produção transitórios, são aqueles bens que são utilizados para a produ-ção de bens que serão ofertados e consumidos na economia, e que após o processo produtivo não permane-cem mais na empresa, são os exemplos dos insumos e matéria prima. Exemplo: o couro, o botão o zíper.Na produção de bolsa, transitam pela produção e vão embora com o produto final, sendo classifi-cados, então, como bens de produção transitórios.O conhecimento dessa classificação torna-se importante para melhor compreensão da ciência eco-nômica, bem como, um conhecimento mais claro e fácil das publicações de sites importantes como:http://www.bcb.gov.br/ e http://www.bcb.gov.br/.PROBLEMAS ECONÔMICOS BÁSICOSÉ isso aí, pessoal!Nós já vimos os princípios básicos da economia e como ela está dividida. Vamos entenderum pouco mais de economia?Conforme estudado no capítulo anterior, podemos observar que a lei de escassez de recursos se fun-damenta-se no princípio de que os recursos produtivos são escassos e as necessidades humanas ilimitadas.Deve-se atentar para a lei de escassez na resolução dos três problemas econômicos fundamentais.2.1 Vejamos, então, os problemas fundamentais:a) O que e quanto produzir: o que produzir é definido pelo desejo dos consumidores, desejo deconsumir determinado bem na economia; quanto produzir será definido pela oferta e procura de merca-do. Deve-se considerar os recursos produtivos limitados, as necessidades humanas ilimitadas e conheci-mento dos mercados.
  10. 10. FTC EAD | CNSFT10b) Como produzir: como produzir é definido pela capacidade de investimento do empresário,bem como as disponibilidades dos recursos produtivos. Deve-se considerar o tipo de tecnologia propor-cional ao desenvolvimento do país, determinando a quantidade dos fatores de produção.c) Para quem produzir: para quem produzir levamos em consideração o público a quem de desejaoferta o bem que será produzido. Deve-se considerar o público alvo que pretende atingir.Então, o que precisamos saber mais para definir o que produzir?A decisão sobre o que produzirSabemos que os fatores de produção são escassos e as necessidades humanas ilimitadas, a socie-dade e o Governo podem induzir a economia a produzir mais bens para o mercado interno ou externo,determinando o tipo de bem a ser produzido.Como as necessidades humanas são ilimitadas e os fatores de produção são limitados,precisamos construir uma curva para demonstrar nossas possibilidades de produção, definindonossa CCP – Curva de Possibilidade de produção.2.2 A Curva de Possibilidade de ProduçãoDefinição:É uma curva que representa infinitas combinações de fatores de produção, na produção de doisbens na economia, nos dando sempre a mesma quantidade produzida, onde, necessariamente, para au-mentar a produção de um bem, temos que reduzir a quantidade produzida do outro, pois ao longo dacurva de possibilidade de produção, considera-se o pleno emprego dos recursos produtivos.Vamos levar em consideração que a economia possui apenas dois bens econômicos.Análise do Gráfico A:CPP: Curva de Possibilidades de Produção.Ponto “C”: Temos desemprego dos recursos ou ineficiência em sua utilização.Ponto.“A”: Alocação dos fatores de produção tocando a fronteira de possibilidade de produção(pleno emprego dos recursos produtivos).Ponto “B”: Outra alocação dos fatores de produção tocando a fronteira de possibilidades de pro-dução (pleno emprego dos recursos produtivos).Ponto “D”: Temos desemprego dos recursos ou ineficiência em sua utilização.
  11. 11. Fundamentos de Economia e Empreendedorismo 11Ponto “E”: Não existem fatores de produção suficiente para produzir nesse ponto.Vasconcelos (2002) define Custo de Oportunidade da seguinte maneira:São custos implícitos que não envolvem desembolso, corresponde aquilo que se deixou de fazer(produzir), para se fazer (produzir) outra coisa.Qualo custodeoportunidadeparadeixardeproduzirnoponto“A”,paraproduzirnoponto“B”?R- O custo de oportunidade para deixar de produzir no ponto “A”, para produzir no ponto“B, é deixar de produzir 4 unidades de feijão, aumentando a produção de soja em 3 unidades.2.3 A lei dos Rendimentos DecrescentesÀmedidaqueseaumentaoempregodeuminsumo,comotrabalho,deixandoosdemaisfixos(capitalterrae capacidade empresarial). O produto total expande-se sucessivamente em quantidades cada vez menores.FLUXO CIRCULAR DA RENDA: MODELO COM DOISTRÊS E QUATRO SETORESVamos estudar, agora, o fluxo circular da renda em uma economia de dois, três e quatro setores.Vejamos como se deu a evolução desse modelo de dois setores, até chegarmos ao modelo dos dias atuais,um modelo com quatro setores:3.1 Modelo simplificado do sistema econômico em economia a dois setores: famílias e setor empresarialPresumimos que a economia seja composta de dois setores apenas: empresarial e familiar.Nesta economia hipotética, o setor empresarial é o único produtor de bens e serviços. A produçãose faz pelo aluguel dos fatores de produção (terra, mão-de-obra e capital) de posse familiar.Modelo do fluxo circular da renda em economia a dois setores:Quem são os participantes?Famílias e setor empresarial.Pagamento de renda monetária por serviço de fatoresServiço de Fatores
  12. 12. FTC EAD | CNSFT123.2 Economia a três setores:- Participação das famílias, setor empresarial e do governo.- Arrecadação de impostos;- Despesa governamental;- Oferta de serviço público;- Controle do estado nos investimentos e gastos da economia.Podemos ver no gráfico a seguir o fluxo circular da renda em uma economia a três setores.Quem são os participantes?- Família, setor empresarial e governo.Renda monetária (produção menos impostos)3.3 Economia a quatro setores:- Participação das famílias, setor empresarial e do governo e do setor externo;- Relação do país com o resto do mundo;- Renda recebida do exterior e renda enviada ao exterior;- Importação e exportação;- Criação de blocos econômicos.Renda monetária (produção menos impostos)
  13. 13. Fundamentos de Economia e Empreendedorismo 13Como vocês podem ver no gráfico acima, esse é o modelo que nós temos hoje, uma economia aquatro setores (família, empresa, governo e setor externo).Vejamos informações recentes sobre a economia brasileira conforme relatório do BACEN:O PIB – Produto Interno Bruto registrou um aumento de 3,7% em 2006, segundo o InstitutoBrasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o que configurou o décimo quarto ano consecutivo de cres-cimento econômico. Em valores correntes, o PIB a preço de mercado alcançou R$ 2.322,80 bilhões.O desempenho do mercado interno mostrou-se determinante para o crescimento do PIB em2006, tendo em vista a contribuição negativa de 1,4% proporcionado pelo setor externo. A deman-da interna foi responsável por 4,8% do crescimento do PIB, e registrou-se evolução favorável emtodos os setores, com destaque para agricultura, para o setor de serviços e, no âmbito da indústria,para o segmentos extrativismo mineral e construção civil.Atenção !É isso aí pessoal!Provavelmente você pode está sentindo alguma dificuldade para entender essas informações, mas,ao longo da nossa disciplina tudo ficará mais fácil. Você poderá ver todas as informações referentes aoboletim anual disponibilizado pelo BACEN no site: http://www.bcb.gov.br/?BOLETIM2006ECONOMIA DE MERCADO E MISTA4.1 FUNCIONAMENTO DE UMA ECONOMIA DE MERCADOAs economias de mercado podem ser analisadas por dois sistemas:- Sistema de concorrência pura;- Sistema de concorrência mista.4.1.1 Sistema de concorrência puraEm um modelo de concorrência pura, predomina uma luta acirrada pelo mercado e infinitas re-lações entre consumidores e produtores, como se tivesse uma “mão invisível” guiando toda e qualquereconomia ao sucesso, isso acontecendo sem a intervenção do estado.Não podemos deixar de falar do mecanismo de preços, resolvendo os problemas econômicos fun-damentais promovendo o equilíbrio nos mercados:Excesso de oferta existirá formação de estoque, em que as empresas terão que reduzir seus preçosobjetivando o escoamento da produção, assim existirá concorrência entre os produtores para vender suasmercadorias aos escassos consumidores.Excesso de demanda, existirá concorrência entre os consumidores pelos escassos bens disponí-veis, em que os bens tendem a aumentar os preços.
  14. 14. FTC EAD | CNSFT14Imperfeições do sistema de concorrência pura:- Trata-se de uma grande simplificação da realidade;- Não envolve mais a nossa realidade;- Existe a força do sindicado sobre a formação dos salários;- O mercado sozinho não promove perfeita distribuição de renda;- O mercado sozinho não promove perfeita alocação de recursos;4.1.2 Sistema de mercado misto: o papel econômico do governoAté início do século passado, antes da grande depressão, que teve impacto na produção e comércio inter-nacional de todo o mundo, acreditava-se que uma mão invisível era capaz de levar toda e qualquer economia aosucesso, logo após o termino da crise e da segunda guerra mundial, verificou-se a necessidade da intervençãodo estado no controle dos preços, oferta, procura e volume de moeda em circulação na economia.Nesse momento tem-se a mudança de uma concorrência pura, para uma concorrência mista com aintervenção do governo procurando eliminar as chamadas distorções alocativas, distributivas e promovera melhoria do padrão de vida da coletividade. Isso pode dar-se da seguinte forma:- Atuação sobre a formação de preços;- Complemento da atividade privada;- Fornecimento de serviço público;- Fornecimento de bens públicos;- Compra de bens e serviços do setor privado.Argumentos positivos e normativosEconomiapositiva(aoqueé)–Análisedofatomomentâneosemproporalgoparaquemodifiqueasituaçãoatual.Economia normativa (ao que deve ser) – Análise ligada à política econômica, indicando o “me-lhor caminho” para a economia.4.2 Relação da economia com as outras ciênciasBiologia – Idéia de crescimento e mudança, bem como bem como do fluxo de renda e riqueza.Física – Noções de estatística e dinâmica, de ciclo, de velocidade e força (multiplicador da renda).Psicologia – Noções de comportamento racional dos agentes econômicos.História – Os economistas aprenderam que os fatos ocorridos no passado poderão repetir-se no futuro.Matemática – Utilização de cálculos matemáticos para a determinação do nível da renda.Geografia – Todas as relações econômicas ocorrem em um espaço geográfico.Sociologia – A análise econômica não se dissocia da participação das classes social no produto global.Direito – Podem ser exemplificados pelas normas jurídicas, código de defesa do consumidor, as-pectos jurídicos das políticas econômicas e leis de salário mínimo.Ciência Política – Em um regime democrático, as ações do governo estão intimamente ligadascom as instituições, à estrutura partidária e o regime político do país.
  15. 15. Fundamentos de Economia e Empreendedorismo 15Atividade ComplementarQual a diferença entre macroeconomia e microeconomia?1.Como podemos definir “fator de produção”?2.Em uma fábrica de bolsas a máquina de costura pode ser classificada como? Por quê?3.Em quais condições um automóvel pode ser classificado como bem de consumo e bem de produção?4.Qual o custo de oportunidade de sair do ponto “C” para o ponto “D”?5.
  16. 16. FTC EAD | CNSFT16Qual o custo de oportunidade de você está estudando agora esse material?6.Qual a diferença entre economia de mercado e mista?7.Analise o gráfico, explicando o equilíbrio do consumidor, seguindo a seguinte estrutura:8.a) O que é curva de indiferença?b) O que é reta orçamentária?c) Quando o consumidor tem máximautilidade e satisfação?d) Quando acontece o deslocamento?9. Analise o gráfico de Curva de Possibilidade de Produção, seguindo a seguinte estrutura:a) Defina CFPP – Curva de Fronteira de Possibilidade de Produção?b) É possível produzir no ponto “A” e “B”? Por quê?c) É possível produzir no ponto “C”? Por quê?d) É possível produzir no ponto “D”? Por quê?e) Qual o custo de oportunidade de sair do ponto “C” para o ponto “E”?f) Qual o custo de oportunidade de sair do ponto “A” para o ponto “B”?
  17. 17. Fundamentos de Economia e Empreendedorismo 1710. Classifique os bens econômicos quanto à natureza, raridade e ao destino.PRINCIPAIS ASPECTOSMICROECONÔMICOSTEORIA ELEMENTAR DO FUNCIONAMENTO DOMERCADO: OFERTA E DEMANDAOk!Veja que interessante!Vamos falar agora sobre os principais aspectos microeconômicos iniciando pela oferta e demanda.1.1 Condições Coeteris ParibusÉ uma expressão em latim que significa tudo permanecendo constante para análise do período posterior.1.2 Definição de Demanda
  18. 18. FTC EAD | CNSFT18É a quantidade de determinado bem ou serviço que os consumidores desejam adquirir, num dadoperíodo. Assim a demanda é um desejo, um plano. Representa o máximo que o consumidor pode aspirardada sua renda e os preços de mercado.1.3 Tipos de demandaDemanda Aparente: corresponde a parcela da população apta a consumir determinado bem naeconomia, mas que não possui condições financeiras de possuí-lo.Demanda efetiva: corresponde a parcela da população que efetivamente está apto e tem condi-ções financeiras de consumir determinado bem na economia.1.4 Fundamentos da teoria da demanda1.4.1 Valor utilidade e valor trabalhoDo lado da Demanda:Valor de Utilidade – representa o grau de satisfação que os consumidores atribuem aos bens eserviços que podem adquirir no mercado.O que fará com que os consumidores adquiram determinados bens na economia?Valor de Uso X Valor de TrocaValor de Uso: a utilidade de um bem encontra-se no uso em si mesmo.Valor de Troca: a utilidade de um bem está na possibilidade de trocar por outro bem na economia.1.4.2 Do lado da Oferta:Valor trabalho – considera que o valor de um bem se forma ao lado da oferta, mediante os custosdo trabalho incorporado ao bem. (Malthus, Smith, Ricardo, Marx)1.5 Utilidade Total e Utilidade MarginalUtilidade Total: na medida em que consumimos mais uma unidade de um bem na economia, temospor conseqüência, o aumento da utilidade e da satisfação.Utilidade Marginal: na medida em que consumimos mais uma unidade de um bem na economia,temos por conseqüência, a redução da utilidade e da satisfação.
  19. 19. Fundamentos de Economia e Empreendedorismo 19Ex.: Paradoxo da água e do diamante1.7 Noções sobre equilíbrio do consumidor: os conceitos de curva de indiferença e reta orçamentáriaCurva de Indiferença (CI) – é um instrumento gráfico que serve pra ilustrar a preferência doconsumidor. Pontos de combinações que dão ao consumidor o mesmo nível de utilidade e satisfação.Reta Orçamentária (RO) – renda disponível ao consumidor em que irá utilizar para promoversua utilidade e satisfação; ela limita quanto o consumidor poderá gastar.Equilíbrio (Máxima Utilidade e Satisfação): o equilíbrio do consumidor acontece quando acurva de indiferença tocar a reta orçamentária em apenas 1 (um) ponto. Nesse ponto o consumidor terámáxima utilidade e satisfação.1.8 Variáveis que afetam a demandaA demanda de um bem ou serviço pode ser afetada por muitos fatores, tais como:- Riqueza (e sua distribuição)- Renda (e sua distribuição)- Preço dos outros bens- Fatores climáticos e sazonais- Propaganda- Hábitos, gastos, preferência dos consumidores- Expectativa sobre o futuro- Facilidade de créditoFunção geral da demandaQd = f(Pb, Ps, Pc, R, G)
  20. 20. FTC EAD | CNSFT20Qd – Quantidade demandadaPb – Preço dos bensPs - Preço dos bens substitutosPc – Preço dos bens complementaresR – Renda do consumidorG – Gastos hábitos e preferências do consumidor1.8.1 Relação entre quantidade demandada e o preço do próprio bem.Qd = f(Pb) supondo Ps, Pc, R e G constantes.Logo:Efeito substituição: O bem fica mais barato relativamente aos concorrentes, fazendo com o quea quantidade demandada aumenta;Efeito renda: Com a queda de preço, o poder aquisitivo do consumidor aumenta, e a quantidadedemandada do bem deve aumentar.Relação inversa:Relação entre quantidade demandada e preços de outros bens e serviçosBens substitutos ou concorrentes – o preço de um bem substitui o consumo do outro.Relação direta:
  21. 21. Fundamentos de Economia e Empreendedorismo 21Ex.: Coca-cola e guaraná, cerveja Antarctica e Brahma.Bens complementares – São os bens consumidos em conjunto.Relação inversa:Análise gráfica quando temos elevação dos preços dos bens complementares:Supondo o aumento no preço dos automóveisExemplo de bens complementares:Camisa social e gravataPneu e câmaraPão e manteigaSapato e meiaRelação entre demanda de um bem e renda do consumidor.Bem normal: aumento da renda leva ao aumento da demanda de um bem.Exemplo: Produtos de luxo (avião, carro de luxo).Relação direta:
  22. 22. FTC EAD | CNSFT22Bens inferiores: aumento da renda leva à queda de demanda do bem.Exemplo: carne de segunda, roupas rústicasRelação inversaBem de consumo saciado: se aumentar a renda do consumidor não aumentará a demanda pelo bem.Exemplo: Produtos agrícolas (feijão, arroz e farinha)Sem variaçãoEx: Açúcar, sal, arroz e etc...Bem normal Bem inferior
  23. 23. Fundamentos de Economia e Empreendedorismo 23Bem de Consumo SaciadoRelação entre demanda de um bem e hábitos dos consumidores (G – Gastos)Qd = f(G) com Pi, Ps, Pc e R constante.Os hábitos, preferências ou gastos (G) podem ser alterados, manipulados por propaganda e cam-panhas promocionais, podendo aumentar ou reduzir o consumo.a) Campanha do tipo “beba mais leite”b) Campanha do tipo “o fumo é prejudicial à saúde”Resumo:As principais variáveis determinantes da função demanda, bem como as relações entre essa variá-veis e a demanda do consumidor, podem ser assim resumidas.Qd = f(Pi, Ps, Pc, R e G)
  24. 24. FTC EAD | CNSFT24O EQUILÍBRIO DE MERCADO2.0 Oferta de MercadoÉ a quantidade que os produtores desejam oferecer ao mercado em determinado período de tempo.2.1 A oferta depende de que:Q = Quantidade ofertada do bem;P = Preço do bem;Π = Preço dos fatores de produçãoPn = Preço de outros bens substitutos na produçãoO = Objetivos e metas do empresárioRelação direta entre a quantidade ofertada e o nível geral de preços, coeteris paribus.Logo, temos:Se o preço do bem aumenta, estimula as empresas a produzirem mais, coeteris paribus.2.2 O Equilíbrio de Mercado de um bem de serviçoO preço de uma economia de mercado é determinado tanto pela oferta como pela procura encon-trando o ponto de equilíbrio quando colocado em um único gráfico.
  25. 25. Fundamentos de Economia e Empreendedorismo 25Equilíbrio: este é o ponto que os consumidores desejam comprar, é exatamente igual àquantidade que os produtores desejam vender.2.3 Mudança no ponto de equilíbrio, em função do deslocamento da oferta e da demanda.Pressupostos básicos: Bem superior (não inferior) seguido de um aumento da renda.Conseqüência: Deslocamento da curva de demanda para a direitaAnálise Gráfica:2.4 Deslocamento da curva de ofertaPressupostos Básicos: Diminuição no preço da matéria prima.Conseqüência: deslocamento da curva de oferta para a direita.Análise gráfica:Lei da Oferta e Procura: tendência ao equilíbrio com deslocamento simultâneo.A interação das curvas de demanda e de oferta, determina o preço e quantidade de equilíbrio de umbem ou serviço em um dado mercado.
  26. 26. FTC EAD | CNSFT26- Verifica-se como análise do gráfico a tendência ao equilíbrio.- Quando a procura é maior do que a oferta, temos: o aumento da oferta e redução da procura.- Quando a oferta é maior do que a procura, temos: o aumento da procura e redução da oferta.CONCEITO DE ELASTICIDADE (DEMANDA EOFERTA)Continuemos nossa caminhada!Vamos estudar, agora, o conceito de elasticidade.3.0 Conceito de elasticidadeCada produto tem sua própria sensibilidade com relação às variações dos preços e da renda, essavariação pode ser medida através do conceito de elasticidade.3.1 Elasticidade-preço da demandaÉ a resposta relativa da quantidade demandada de um bem X às variações de seu preço.Relação inversa; logo, sinal sempre negativo.Fórmula da variação percentual do preço:
  27. 27. Fundamentos de Economia e Empreendedorismo 27Logo:Fórmula da variação percentual da quantidade demandada:Logo:Então:Classificação:Demanda elástica: A variação da quantidade demandada supera a variação do preço.Logo: EpD > 1Demanda inelástica: Ocorre quando uma variação percentual no preço, provoca uma variaçãopercentual relativamente menor nas quantidades procuradas, coeteris paribus.Logo: EpD < 1Demanda de elasticidade-preço unitária: As variações percentuais no preço e na quantidadesão de mesma magnitude, porém em sentido inverso.Logo: EpD = 1Fatores que influenciam o grau de elasticidade-preço da demanda- Disponibilidade de bens substitutos;- Essencialidade do bem;
  28. 28. FTC EAD | CNSFT28- Importância do bem, quanto a seu gasto, no orçamento do consumidor.3.2 Elasticidade-renda da demandaO coeficiente de elasticidade-renda da demanda (ER) mede a variação percentual da quan-tidade de mercadoria comprada resultante de uma variação percentual na renda do consumidor,coeteris paribus.Atenção !Elasticidade-renda da demanda negativa – o bem é inferior, ou seja, aumentos de renda levama queda no consumo desse bem, coeteris paribus.Elasticidade-renda da demanda positiva menor que 1 (um) – o bem é normal, isto é, aumen-tos de renda levam a aumento no consumo.Elasticidade-renda da demanda positiva maior que 1 (um) – o bem é superior ou de luxo, ou seja,aumentos na renda dos consumidores, levam a um aumento mais que proporcional no consumo do bem.3.3 Elasticidade-preço cruzada da demandaMede a variação percentual na quantidade procurada do bem X com relação à variação percentualno preço do bem Y, coeteris paribus.Se X e Y forem bens substitutos, EXY será positiva: um aumento no preço do guaraná deve pro-vocar uma elevação do consumo de soda.Se X e Y forem bens complementares, EXY será negativa: o aumento no preço da camisa sociallevará a uma queda na demanda de gravata.3.4 Elasticidade-preço da ofertaO mesmo raciocínio utilizado para a demanda também se aplica para a oferta, observan-do-se, no entanto, se o resultado da elasticidade será positivo, pois a correlação entre o preço ea quantidade ofertada é direta.
  29. 29. Fundamentos de Economia e Empreendedorismo 29As elasticidades da oferta são menos difundidas que as da demanda. A elasticidade-preço da ofertamais freqüentemente estudada é a dos produtos agrícolas.ESTRUTURAS DE MERCADO: CONCORRÊNCIAPERFEITA E MONOPÓLIO – ESTUDANDO OSEXTREMOS.Vamos aprender mais?Vamos iniciar agora uma análise sobre as estruturas de mercado, tomando como focoprincipal de estudo os modelos de concorrência perfeita e monopólio, mas antes de iniciarmosnosso estudo, gostaria de falar que finalizaremos o assunto, com o estudo do material do AVA,onde falaremos sobre concorrência monopolística e oligopólio.4.1 Concorrência perfeita:Um mercado de concorrência perfeita tem as se-guintes características:- Existem muitos compradores e vendedores;- Os bens oferecidos são essencialmente os mesmos;- As empresas podem entrar livremente no mercado.Como resultado de suas características em um mercado de concorrência perfeita:- As ações de um único comprador ou vendedor não tem efeito no preço de mercado;- Cada comprador e vendedor aceita o preço de mercado como dado;- Compradoresevendedoresemmercadoscompetitivossãochamadosde“aceitadores(tomadores)depreço”;- Compradores e vendedores têm que aceitar o preço determinado pelo mercado.Receita em uma de concorrência perfeita:A receita total em uma empresa competitiva é dado por:RT = (P x Q), onde:* P é igual ao preço de venda (mercado)*Q = quantidade de produto vendido
  30. 30. FTC EAD | CNSFT30- A receita total é proporcional à quantidade produzida- A receitamédianosdáomontantequeumaempresarecebepelavendadeumaunidadedeprodutopadrão- Nos mercados perfeitamente competitivos, a receita média é igual ao preço do bem-Receitamédia(RMédia)=RT¸Q,masRT=PxQ,logo RMédia=(PxQ)/QentãotemosqueRMédia=P- Receita marginal é a variação na receita total decorrente da venda de uma unidade adicional- Para empresas competitivas, a receita marginal é igual ao preço do bem.Maximização do lucro em uma firma de concorrência perfeita:- O objetivo de uma firma competitiva é maximizar o lucro;-Issosignificaqueafirmairáproduzirumaquantidadequemaximizeadiferençaentrereceitatotalecustototal.Vocêpoderiamedizerumexemplodeumaempresaemumaestruturademercadodeconcorrênciaperfeita?Deixe que essa eu respondo. Trata-se essencialmente de produtos agrícolas, por isso são idênticos, poispodemos considerar que feijão é feijão, e arroz é arroz em qualquer lugar, logo, podemos citar como exemplo:Os mercadinhos do seu bairro, que disputam os consumidores da localidade em que estão instalados.4.2 MonopólioCaracterísticas de um monopólio- Enquanto uma firma competitiva é “tomadora de preço”, a firma monopolista é “fazedora de preço”;- Uma firma é considerada monopolista se:- É a única vendedora de um produto;- O produto não tem um substituto (similar).-A causa fundamental para o aparecimento dos monopólios são as barreiras para entrada de firmasno mercado. Essas barreiras são de três tipos:- Posse de um insumo chave;- Licença exclusiva dada pelo governo para a produção de um bem.Por que no monopólio temos apenas uma empresa atuando nesse mercado?
  31. 31. Fundamentos de Economia e Empreendedorismo 31- Os custosdeproduçãosãotãoaltosqueumúnicoprodutorémaiseficientequeváriospequenosprodutores;- Embora a posse de um insumo chave seja uma das razões para o aparecimento de monopólios,na prática, monopólios, raramente surgem por esses motivos;- Patentes e direitos de propriedade são dois exemplos de licenças dada pelo governo autorizandoque apenas uma única firma produza m um mercado;- Um monopólio natural existe quando uma única firma pode suprir um bem para todo um merca-do de forma mais eficiente que duas ou mais firmas;- O monopólio natural surge principalmente quando há ganhos de escala substanciais durante a produção;Veja que assunto interessante!Você sabia que nós somos clientes diretos de uma empresa situada em uma estrutura de monopólio?Podemos citar como exemplo:Coelba (distribuidora de energia do estado da Bahia), Energipe (distribuidora de energia do estadode Sergipe e a Embasa (distribuidora de água doestado da Bahia).Você entendeu a diferença entre concorrência perfeita e monopólio?Podemos verificar essas principais diferenças na tabela a seguir:Comparação entre os extremos: Concorrência perfeita X MonopólioAtividade Complementar1. Dado D = 22 – 3p (função demanda) e S = 10 + 1p (função oferta):a) Determinar o preço de equilíbrio e a respectiva quantidadeb) Se o preço for igual a 4,00 reais, existe excesso de oferta ou de demanda? Explique.
  32. 32. FTC EAD | CNSFT322. Supondo a renda R = 289Dado: Qd = 30 – 0,35Px - 0,02R / Qs = 10 + 0,2 Pxa) Calcule o preço e a quantidade de equilíbrio do bem X.b) Considerando um aumento da renda de 25%, qual o novo preço e a nova quantidade de equilíbrio?c) O bem é normal ou inferior? Por quê?d) Construa o gráfico.3. Supondo a renda R = 275Dado: Qd = 35 – 0,35Px - 0,03R / Qs = 12 + 0,3 Pxa) Calcule o preço e a quantidade de equilíbrio do bem X.b) Considerando um aumento da renda de 30%, qual o novo preço e a nova quantidade de equilíbrio?c) O bem é normal ou inferior? Por quê?d) Construa o gráfico.4. Calcule e classifique quanto à Elasticidade – Preço da Demanda:Pi = preço inicial = $ 20,00Pf = preço final = $ 16,00Qi = quantidade demandada, ao preço Qi = 30Qf = quantidade demandada, ao preço Qf = 39
  33. 33. Fundamentos de Economia e Empreendedorismo 335. Calcule a classifique quanto a Elasticidade – Preço da Demanda:Bem “A”- Preço Inicial = R$ 200,00- Preço Final = R$ 320,00- Quantidade demandada inicial = 185- Quantidade demandada final = 1426. Calcule e classifique quanto à Elasticidade – Renda da Demanda:Bem “A”- Renda Inicial = R$ 2.200,00- Renda Final = R$ 3.520,00- Quantidade demandada inicial = 1520- Quantidade demandada final = 35567. Calcule e classifique quanto a Elasticidade – Preço Cruzado da Demanda:Bem “A”- Preço Inicial de Y = R$ 400,00- Preço Final de Y = R$ 220,00- Quantidade demandada inicial = 2000- Quantidade demandada final = 1620
  34. 34. FTC EAD | CNSFT348. Com base nas informações a seguir, classifique quanto à Elasticidade – Preço da Oferta:Qual bem tem maior Elasticidade – Preço da Oferta?9. Com base no gráfico a seguir, calcule a elasticidade-preço da demanda no ponto médio.10. Quais as principais diferenças entre monopólio e concorrência perfeita?
  35. 35. Fundamentos de Economia e Empreendedorismo 35O SIGNIFICADO DOEMPREENDEDORISMO NOCONTEXTO GLOBALANALISANDO O CONTEXTO GLOBAL ESUAS MATIZESMETAS DE POLÍTICA MACROECONÔMICA: ALTONÍVEL DE EMPREGO E ESTABILIDADE DE PREÇOSA macroeconomia trata da evolução da economia como um todo. Ela negligencia o compor-tamento das unidades econômicas individuais tais como famílias e firmas. A macroeconomia trata domercado de forma global.As metas de política macroeconômicas são objetivos que o governo almeja alcançar e que direcio-nam as suas ações.As metas de política macroeconômica são as seguintes:- Pleno emprego dos recursos;- Estabilidade de preços;- Distribuição eqüitativa da renda;- Crescimento econômico.Vamos nesse momento preliminar falar sobre o pleno emprego dos recursos e a estabilidade de preços.1.1- Pleno emprego dos recursosO pleno emprego dos recursos, ou melhor, o alto nível de emprego, refere-se à questão do desem-prego que é considerado um dos maiores, senão o maior problema da atual economia brasileira. Apesardesse problema estar muito em pauta na atualidade, ele possui uma antiga origem. Tudo começou comuma colonização feita de forma equivocada.Quando Portugal chegou ao Brasil, ele tinha como expectativa encontrar metais preciosos, expec-tativa frustrada em um primeiro momento. Em conseqüência disso o Brasil não foi considerado algovalioso por Portugal.A cana-de-açúcar foi o primeiro grande produto de exportação do Brasil. Tivemos antes o pau-Brasil não sendo considerado um ciclo. O ciclo da cana-de-açúcar foi baseado na grande propriedade econseqüentemente na concentração de renda, quando poucos ganhavam e muitos eram explorados.Observe que a colonização já foi estruturada em bases frágeis. A grande concentração derenda inibia o mercado interno e a evolução econômica da colônia de uma forma geral.Desta forma, o desprego que enfrentamos hoje é um problema com raízes profundas, ou seja, éuma questão estrutural e, por isso, tão difícil de ser solucionado.Na década de 30, o problema do desemprego se manifestou de uma forma mais agressiva, devidaa crise da bolsa de valores nos Estados unidos, o famoso Crash da bolsa de valores de Nova York. Essacrise gerou desemprego e fome na economia norte americana e abalou a economia mundial.
  36. 36. FTC EAD | CNSFT36Vasconcelos (2002) afirma que o produto nacional dos Estados Unidos, que significa toda aprodução realizada em um determinado período de tempo, caiu entre 1929 e 1933, cerca de 30% ea taxa de desemprego chegou a 25% da força de trabalho em 1933.Atenção !No Brasil, a crise da década de 30 contribuiu para o declínio do ciclo do café, o que causou gravesconseqüências para a economia da época.A partir dessa crise mundial, surgiu a preocupação em aprofundar a análise da política econômica,com o objetivo de fazer a economia recuperar o nível de emprego potencial.1.2 Estabilidade de preçosEstabilidade de preços significa controle da inflação. Mas você sabe o que significa in-flação? É fácil falar sobre inflação no Brasil, pois já tivemos uma longa experiência com talproblema na década de 80.Inflação significa aumento continuo e generalizado dos preços. Os movimentos inflacio-nários são dinâmicos e não podem ser confundidos com altas esporádicas e especificas do preçode algum produto.1.2.1 Distorções provocadas por altas taxas de inflaçãoA inflação é um problema sério e sua solução é um processo doloroso, pois uma política macro-econômica, que tenha como objetivo promover a estabilidade de preços, fatalmente, irá gerar outrosproblemas como, por exemplo, o desaquecimento da economia. Iremos detalhar essa situação no itempolítica fiscal e monetária.Os principais efeitos provocados por uma alta inflação são:- Reflexo na distribuição da rendaOs assalariados que representam de uma forma geral a parcela da população com menor poderaquisitivo são os mais prejudicados com a alta da inflação, isso porque, os trabalhadores de baixa rendanão têm condições de manter alguma aplicação financeira, pois ganham apenas para a sua subsistência,ou seja, tudo o que ganham, gastam.Sendo assim, com o passar do tempo, vão ficando em uma situação cada vez mais complicada:orçamentos cada vez mais reduzidos e salários defasados, a espera de um novo reajuste (que possuemprazos legais para acontecer).No entanto, aqueles que conseguem acumular uma pequena reserva e tem condiçõesde manter em alguma aplicação financeira vai ver esse dinheiro se multiplicar rapidamentee sem nenhum esforço.Altas taxas de inflação deixa o rico mais rico e o pobre mais pobre, aumentando, assim, aconcentração da renda
  37. 37. Fundamentos de Economia e Empreendedorismo 37Reflexo sobre a balança comercialSe Brasil possui uma inflação mais elevada do que em outros paises, isto significa que os preçosnacionais estão mais caros do que os preços dos demais paises. Conseqüentemente, os produtos advindosdo exterior estarão provavelmente mais acessíveis. Isso irá ocasionar um estímulo às importações e umconseqüente desequilíbrio da balança comercial.Balança comercial significa o saldo das exportações eimportações: se temos importações maiores que importaçõesmenos uma balança comercial deficitária. Se as exportações su-peram as importações temos superávit.Atenção !Reflexo sobre a expectativaO processo inflacionário faz com que o futuro se torne incerto. A instabilidade e a imprevisibili-dade dos orçamentos cria uma expectativa no mercado e uma indecisão, no que se refere a tomadas dedecisões. Administrar e planejar em época de inflação se torna uma atividade muito difícil.1.2.2 Causas da inflaçãoPelo fato da inflação ser um problema danoso para economia, torna-se importante classificarmosde acordo com as suas respectivas causas. Vasconcelos (2002) afirma que os principais tipos de inflaçãosão: inflação de demanda, custo, inercial e de expectativa conforme iremos detalhar a seguir.Inflação de demandaA inflação de demanda está relacionada ao excesso de procura por bens e serviços disponíveis naeconomia, por parte dos consumidores.A demanda maior do que a produção irá gerar um grande volume de dinheiro em circulação o quetorna uma situação propícia ao aumento dos preços e, conseqüentemente, um estimulo à inflação.A política utilizada para controlar esse tipo de inflação assenta-se em instrumentos que tenhampoder de inibir a demanda, como é o caso da elevação da taxas de juros, aumentos dos impostos,redução dos gastos públicos etc. Veremos os detalhes do funcionamento desses instrumentos nositens políticas monetária e fiscal.
  38. 38. FTC EAD | CNSFT38Inflação de custosA inflação de custo é bem diferente da inflação de demanda. No caso em questão, a inflação estárelacionada a problemas decorrentes da oferta.Desta forma, o nível de demanda permanece o mesmo, mas os custos de certos fatores utilizadosna produção aumentam isso conseqüentemente, irá gerar um aumento do produto. Vasconcelos (2002)afirma que a inflação de custos também pode ser causada por aumentos autônomos nos preços das maté-rias-primas básicas como é o caso dos choques agrícolas e a crise do petróleo ocorrida na década de 70.A política utilizada para controlar esse tipo de inflação é através do controle direto dospreços que pode acontecer por meio de um maior controle da política salarial ou através do ta-belamento de preços.Inflação inercialEste processo inflacionário é muito intenso, o reajuste dos preços é baseado na inflação anterior.Sendo assim, os mecanismos de indexação (contrário aluguéis, salários) provocam a perpetuação das ta-xas de inflação anteriores, que são sempre repassadas aos preços correntes.Este é um processo difícil de ser interrompido. Se a inflação presente é baseada na inflação passada,este passa a ser um processo que se auto alimenta em épocas de hiperinflação, em outras palavras “umabola de neve”.Nos planos anti-inflacionários elaborados na década de 80 no Brasil, foi utilizada, pelo governo, aestratégia do congelamento de preços e salários, para tentar eliminar a chamada memória inflacionária,ou seja, desindexar a economia.Inflação de expectativaA simples expectativa de que a inflação futura tende a crescer, já provoca, antecipadamente, o au-mento dos preços no presente. De acordo com Vasconcelos (2002), no Brasil, esse fato geralmente acon-tece antes de mudanças de governo, com empresários precavendo-se contra eventuais congelamentos depreços e salários, que foi uma estratégia freqüente nos planos após 1986.INSTRUMENTO DE POLÍTICA MACROECONÔMICA:FISCAL E MONETÁRIAAntes de começarmos a análise sobre a política fiscal e monetária, vamos, preliminarmente, analisaro período pré-monetário, o aparecimento e a evolução da moeda.2.1 - Evolução histórica da moeda.O uso da moeda na economia em que vivemos é tão essencial e generalizado que se torna difícilimaginar o funcionamento de um sistema econômico em que não exista moeda. Se não existisse moeda,como aconteceria, por exemplo, a compra de pão na padaria? E a compra de carne no açougue? Umatarefa que é muito simples se tornaria bem mais difícil.Quando tratamos da origem da moeda, evidenciamos que o seu aparecimento decorreu da neces-sidade de superar esse tipo obstáculos para o desenvolvimento do sistema de trocas.Na medida em que os grupos humanos primitivos evoluíam e superavam os estágios de alto-
  39. 39. Fundamentos de Economia e Empreendedorismo 39suficiência surgia à necessidade de trocar mercadorias com outros grupos vizinhos, ou seja, um sistemamais avançado. Com a continuação da evolução, a criação de sistemas monetários tornou-se um pontofundamental e inevitável. O sistema monetário tornou-se essencial pois, o sistema de troca denominadoescambo possuía muitas dificuldades para ser efetuado. Dentre as maiores dificuldades destacaremos:Era necessário que existisse a dupla coincidência na negociação, ou seja, se eu crio ga-linhas e o meu vizinho planta feijão. Para que a troca fosse efetuada, seria necessário que eleestivesse interessado na galinha e eu no feijão que ele planta;Não existia a definição de uma relação de troca, ou seja, quanto cada produto vale.Questão para refletirImaginem como seria hoje se ainda não existisse o sistema monetário e toda a aquisição de bensque não tivéssemos condições de produzir tivesse que ser feita por intermédio do escambo? Quais seriamas dificuldades que iríamos encontrar?As principais funções da moedaDe acordo com Lopes e Rosseti (1998) moeda possui diversas funções e características conformeserão mostradas a seguir:Função intermediária de troca. Não é mais necessário que exista a dupla coincidência. Amoeda tornou o processo de compra de mercadorias mais fácil.Função medida de valor - são convertidos os valores de todos os bens e serviços. Facilitadizer quanto cada produto vale.Função reserva de valor - forma alternativa de guardar riqueza.Principais Características da moedaIndestrutibilidade e inalterabilidade – A moeda deve ser suficientemente durável, no sentido deque não se destrua ou se deteriore com o uso.Homogeneidade – as moedas de mesmo valor devem ser rigorosamente iguais.Transferibilidade – facilidade de transferência de um possuidor para outro.Facilidade de manuseio e transporte - transportar moeda hoje é algo muito fácil, diferentemen-te da época em que era necessário utilizar o escambo para efetuar troca, pois, se a troca fosse entre tecidoe gado, era necessário transportar tanto o tecido quanto o gado.Demanda por moedaNeste item iremos analisar os motivos quefazem com que as pessoas retenham moeda, emvez de aplicá-la, por exemplo, em títulos ou imó-veis, que proporcionam rendimento. Se existemessas possibilidades, por que reter moeda já queesta não rende nada?Existem três motivos para demandar moeda. São eles:1- Motivo transação - é a quantidade de moeda que retemos em nossas mãos para efetuar paga-mentos diários e imprevisíveis. Quanto maior a renda, maior a demanda por moeda para transação, poisaumentam também os gastos.
  40. 40. FTC EAD | CNSFT402 - Motivo precaução - O segundo motivo pelo qual os indivíduos retêm moeda é a incertezaquanto às datas de recebimentos e pagamentos, ou seja, um acontecimento imprevisto, que seja necessá-rio naquele momento, possui moeda liquida para solucionar a situação (urgência em caso de saúde, porexemplo). Assim como na demanda de moeda para transação, quanto maior a renda maior será a deman-da por moeda para precaução.3 - Motivo especulação - as pessoas demandam moeda não apenas para satisfazerem as transa-ções diárias, mas também para especular com títulos, imóveis. Dessa forma podemos fazer uma relaçãoentre demanda de moeda por especulação e taxas de juros de mercado. Assim, quanto maior a taxa dejuros, maior vai ser o estimulo das pessoas em compra títulos e conseqüentemente menor vai ser a de-manda de moeda para especulação (que não rende nada).Oferta de moedaO controle da oferta de moeda é responsabilidade do Banco Central. Este tem o monopólio dasemissões e deve colocar em circulação o volume de notas e moedas metálicas necessárias ao bom desem-penho da economia. Veja agora as funções do Banco Central:Banco emissor: é o responsável pelas emissões de moeda;Banco dos bancos – recebe o recolhimento compulsório (percentual sobre os depósitos dos ban-cos comerciais), e realiza operações de redesconto (empréstimo aos bancos comerciais);Banco do governo: é o canal que o governo tem para implementar a política monetária.Banco depositário das reservas internacionais: é o responsável pela defesa da moeda nacional.Todos estes itens acima mencionados vão ser detalhados a seguir no tópico políticasmacroeconômicasApesar do banco central ser o responsável pela emissão de moeda, os bancos comerciaistambém podem alterar a oferta de moeda, pelo fato de terem uma carta patente que lhes permi-tam emprestar mais do que têm em depósitos.2.2 Políticas macroeconômicasComo vimos a macroeconomia trata da evolução da economia como um todo, analisando o mer-cado de forma global.O Estado exerce sua atividade através de uma série de medidas conhecidas como Políticas. Estastêm como finalidade alcançar objetivo, tais como controle da inflação (aumento generalizado e conse-cutivo dos preços) e geração de emprego. As políticas são compostas de instrumentos que são artifíciosque o governo dispõe para alcançar os objetivos descritos acima. Vamos analisar neste item as políticasmonetária e fiscal.2.2.1-Política monetáriaVamos começar o nosso estudo pela política monetária. Ela refere-se à atuação do governosobre a quantidade de moeda e crédito disponíveis na economia em um determinado período detempo. Os instrumentos disponíveis para alcançar tais objetivos são os seguintes:Emissão de moeda: é a forma primária de administração da política monetária, onde as autori-dades monetárias intervém diretamente no mercado monetário. Daí advém os demais instrumentos dapolítica monetária.Recolhimento compulsório: percentuais sobre os depósitos que os bancos comerciais devemreter junto ao banco central.
  41. 41. Fundamentos de Economia e Empreendedorismo 41Redesconto: empréstimo do Banco Central aos bancos comerciais.Open Market (mercado aberto): compra e venda de títulos públicosVamos fazer algumas simulações para que possamos entender na prática como o governo utilizaestes instrumentos e qual o efeito e que cada um deles geram na economia:Simulação 1 - quando o governo tem como objetivo controlar a inflação ele toma as seguintes medidas:Medida 1 - aumenta o recolhimento compulsórioLembrem-se de que o recolhimento compulsório é o percentual dos depósitos que os bancoscomerciais devem reter junto ao Banco Central. Desta forma, quando ele aumenta o recolhimentocompulsório, ele diminui o percentual disponível na mão dos bancos comerciais para que estes re-alizem empréstimos e assim tirem dinheiro de circulação, o que propicia queda da inflação.Atenção !Observe no quadro a seguir a relação existente entre o aumento da taxa de recolhimento compul-sório e o volume de dinheiro disponível nos cofres dos bancos comerciais:Observem que, à proporção que a taxa de recolhimento compulsório aumenta, diminui ovalor disponível dos bancos comerciais, implicando na diminuição da quantidade de dinheiroem circulação e na queda da inflação.Medida 2- Venda de títulosQuando o governo vende títulos públicos ele está colocando no mercado papéis (que são os títulos)e recolhendo dinheiro vindo da venda dos mesmos. Com isso, novamente o governo está conseguindotirar dinheiro de circulação o que ajudará a controlar a inflação.Simulação 2 - agora, se o objetivo for promover o crescimento, o governo irá utilizar medidasopostas que utilizou para controlar a inflação. Terá como medida:Medida 01 - Diminuir o recolhimento compulsórioDesta forma, quando o governo diminui o recolhimento compulsório, ele aumenta o percentualdisponível na mão dos bancos comerciais para que estes realizem empréstimos e assim injete dinheiro naeconomia, o que irá aumentar a produção, o emprego e a renda, enfim, o crescimento do país.Medida 02 - Compra de títulosQuando o governo compra títulos, ele está recolhendo os títulos que em outra hora havia colocado nomercado. É notório que, para recolher estes papéis, ele terá que pagar por eles (valor inicial mais remunera-ção), com isso estará injetando dinheiro na economia e criando uma condição propicia ao crescimento.Observe que, o que é remédio utilizado para controlar a inflação, é veneno para a geração deemprego, ou seja, controlar a inflação e gerar emprego são objetivos conflitantes.
  42. 42. FTC EAD | CNSFT42Observando o quadro resumo abaixo se percebe que a compra e venda de títulos (open market) é umaexcelente estratégia de curto prazo, já o recolhimento compulsório funciona melhor no longo prazo.2.2.2-Política fiscalA política fiscal é outro mecanismo de que o governo dispõe para intervir na economia e alcan-çar objetivos como controle da inflação e promoção do crescimento. Esta política refere-se a todos osinstrumentos que o governo dispõe para arrecadação de tributos (política tributária) e controle de suasdespesas (política de gastos).A arrecadação de tributos significa a receita do governo, ou seja, todo o valor recebido oriundo dopagamento de tributos pelos contribuintes. De posse desta receita, o governo efetua gastos para execuçãode suas obrigações de Estado. São elas: gasto com a educação, saúde, segurança etc. Enfim, benesses paraa sociedade, uma contrapartida dos impostos pagos.Vamos agora fazer simulações para podermos entender como o governo consegue atingir objetivoscom a utilização dos instrumentos disponíveis na política fiscal.Simulação 01- Vamos supor que o governo intervenha na economia com o objetivo de reduzir ainflação. Terá como medidas:Medida 01 - Aumento da carga tributáriaCom o aumento da carga tributária, o governo está reduzindo o dinheiro disponível em poder dasfamílias e das empresas. Observe o exemplo:Se uma família tem como renda um valor referente a R$ 1.000,00 e 20% é destinado ao pagamentode tributos, restará R$ 800,00 em poder desta família. Agora suponhamos que a carga tributária aumentepara 30%. Desta forma, o montante disponível para a família reduzirá para R$ 700,00.Lembrem-se que devemos analisar este tipo de situação em um contexto macroeconômi-co. Desta forma, a redução de renda desta família proveniente do aumento da carga tributária.Não é uma situação particular e, sim, geral, na economia. Conclusão: quando o governo aumen-ta a carga tributária, toda economia é afetada e, desta forma, o governo consegue tirar dinheirode circulação e promover a queda da inflação.Observe que, utilizando este instrumento da política fiscal, o governo consegue criar um ambientepropicio à queda da inflação, no entanto, gera um outro problema que é uma possível recessão, haja vistaque tanto as famílias, quanto às empresas, terão menos dinheiro disponível.Medida 02 - Diminuição dos gastos públicosQuando o governo gasta, ele está injetando dinheiro na economia. Quando diminui seus gastos,injeta-se menos dinheiro na economia. Isso significa, por exemplo, deixar de construir uma estrada. Pes-soas que iriam trabalhar nesta construção e receber salário por isso, não vão ter a renda prevista.Simulação 02 - Vamos supor que o governo intervenha na economia com o objetivo de promovero crescimento econômico e geração de empregos. Terá como medidas:Medida 01 -Diminuição da carga tributáriaO raciocínio é exatamente o oposto do exemplo anterior. Quando o governo diminui a carga tri-butária, ele está aumentando o montante de dinheiro disponível na economia e, desta forma, estimula aprodução, o emprego e, conseqüentemente, o crescimento econômico.
  43. 43. Fundamentos de Economia e Empreendedorismo 43Medida 02 - Aumento dos gastosQuando o governo aumenta seus gastos, injeta dinheiro na economia, o que aquece a economia,criando um ambiente propicio ao crescimento e a geração de emprego. Observe novamente que, o re-médio utilizado para controlar a inflação é veneno para geração de emprego, ou seja, o conflito existenteentre estes dois objetivos fica claro no entendimento da execução da política fiscal.Questão para refletir!Em sua opinião qual seria a melhor forma do governo conduzir a política macroeconômica doBrasil: priorizando a geração de empregos ou o controle da inflação?CONCEITOS DE DESENVOLVIMENTO(ECONÔMICO E SUSTENTÁVEL)Crescimento e desenvolvimento econômico são dois conceitos diferentes. Crescimento econômicoé o crescimento contínuo da renda per capta (total da renda dividido pela população) ao longo do tempo.O desenvolvimento econômico é um conceito mais qualitativo, incluindo as alterações da composiçãodo produto e a alocação dos recursos, pelos diferentes setores da economia, de forma a melhorar os in-dicadores de bem-estar econômico e social, tais como, pobreza, desemprego, desigualdade, condições desaúde, nutrição, educação e moradia. (VASCONCELLOS, 2002).Vasconcelos destaca ainda que o crescimento da produção e da renda decorre de variações na quan-tidade e na qualidade de dois insumos básicos: capital e mão-de-obra. Nesse sentido, destaca as fontes decrescimento a seguir:Aumento da força de trabalho (quantidade de mão-de-obra);Aumento do estoque de capital (máquinas e equipamentos, ou da capacidade produtiva);Melhoria na qualidade da mão-de-obra, por meio de investimento na educação;Melhorias tecnológicas, que aumenta a eficiência na utilização dos recursos;Eficiência organizacional, ou seja, eficiência na forma como os fatores de produção são utilizados.Evidentemente, o desenvolvimento é um fenômeno global da sociedade, que atinge toda a estru-tura social, política e econômica.Para caracterizar um processo de desenvolvimento econômico, Vasconcelos (2003) afirma quedevemos observar ao longo do tempo a existência de:Crescimento do bem-estar econômico, medido por indicadores de natureza econômica,por exemplo: produto nacional total, produto nacional per capta;Diminuição dos níveis de pobreza, desemprego e desigualdade social;Melhoria das condições de saúde, nutrição, educação, moradia e transporte.Existem dois fatores que são estratégicos e essenciais na promoção do desenvolvimento. São eles:Capital HumanoO capital humano se refere ao ser humano e a forma que este pode contribuir para o desenvolvimentonacional. Engloba habilidades inerentes à pessoa assim como habilidades adquiridas por meio da educação.É muito clara a importância do investimento na educação, em qualquer circunstância. Como estratégiapara promoção do desenvolvimento, torna-se indispensável. Não existe desenvolvimento sem educação.
  44. 44. FTC EAD | CNSFT44O problema reside no fato de que é muito difícil investir no desenvolvimento do capital humanocom baixos níveis de renda. É um desafio que o governo enfrenta. O fato é que a educação é um fator decrescimento lento, mas muito poderoso.Vamos tomar como base a economia japonesa que conseguiu sair de um estado crítico e alcançarimpressionantes níveis de desenvolvimento. Neste caso, o investimento na educação foi um importantefator no processo de alavancagem do país, tornando o Japão uma grande potencia.Capital FísicoO capital físico se refere às máquinas e equipamentos sofisticados que tornam o processo produti-vo mais eficiente. É comum que os países ricos possuam esse recurso em abundancias e os países pobresausência ou escassez.É de extrema importância termos nitidamente a diferença entre crescimento e desenvolvi-mento, pois existem evidencias de que é possível um país crescer sem se desenvolver. Por exem-plo, pode está acontecendo um aumento da produção, advindo de empresas estrangeiras. Destaforma, os recursos desse crescimento podem não causar crescimento complementar em outrossetores da economia, assim como, não implicarem em modificações estruturais.Sobre esse assunto Vasconcelos (2003) afirma que o processo de crescer sem desenvolver aconte-ceu com a Líbia, onde houve um rápido aumento dos níveis de exportação de seus produtos primários.Todavia, como esses eram de propriedade, de firmas estrangeiras, quase em sua totalidade, os recursosdeste crescimento não implicaram ganho em renda real por outros setores da sociedade.3.1-Desenvolvimento sustentávelJá a definição mais aceita para desenvolvimento sustentável é o de-senvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem com-prometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações. É odesenvolvimento que reconhece os recursos como finitos e que a sua utili-zação não deve comprometer o futuro. Essa definição surgiu na ComissãoMundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, criada pelas NaçõesUnidas para discutir e propor meios de harmonizar dois objetivos: o desen-volvimento econômico e a conservação ambiental. (www.wwf.org.br)Para ser alcançado, o desenvolvimento sustentável depende de planejamento e da conscientização deque se os recursos naturais não utilizados com bom senso, esse ato irá causar um desequilíbrio futuro.O desenvolvimento sustentável leva em consideração o desenvolvimento econômico aliado àpreservação do meio ambiente.O atual modelo de crescimento econômico gerou enormes desequilíbrios; se, por um lado, nuncahouve tanta riqueza e fartura no mundo, por outro lado, a miséria, a degradação ambiental e a poluiçãoaumentam dia-a-dia. Diante desta constatação, surge a idéia do desenvolvimento sustentável, buscando con-ciliar o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental e, ainda, ao fim da pobreza no mundo.Segundo Mendes http://educar.sc.usp.br/biologia/textos/m_a_txt2.html, o desenvolvimento sus-tentável tem seis aspectos prioritários que devem ser entendidos como metas:A satisfação das necessidades básicas da população (educação, alimentação, saúde, lazer, etc);A solidariedade para com as gerações futuras (preservar o ambiente de modo que elas tenhamchance de viver);A participação da população envolvida (todos devem se conscientizar da necessidade de conservaro ambiente e fazer cada um a parte que lhe cabe para tal);A preservação dos recursos naturais (água, oxigênio, etc);
  45. 45. Fundamentos de Economia e Empreendedorismo 45A elaboração de um sistema social garantindo emprego, segurança social e respeito a outras culturas (er-radicação da miséria, do preconceito e do massacre de populações oprimidas, como por exemplo os índios);A efetivação dos programas educativos.O grande de desafio do Brasil, hoje, é promover o crescimento da economia acompanhado de umdesenvolvimento sustentável, pois o desenvolvimento sustentável significa crescer sem destruir o meioambiente. VAMOS A LUTA!GLOBALIZAÇÃO, CONTEXTO MACROECONÔMICODO BRASIL E O EMPREENDEDORISMOGlobalização é fenômeno de ordem política e econômica, social e cultural que vem acontecendodo mundo. O ponto central da mudança é a integração dos mercados. Podemos dizer ainda, que é essefenômeno promove uma conexão entre os países e as pessoas do mundo todo. Através deste processodinâmico, as pessoas, os governos e as empresas trocam informações, realizam transações financeiras ecomerciais e realizam intercambio cultural, essas ações geram impacto pelos quatro cantos do planeta.A origem deste processo pode ser traçada do período mercantilis-ta iniciado aproximadamente século XV e durando até o século XVIII,com a queda dos custos de transporte marítimo, durante este períodopode ser observado um aumento no fluxo da força de trabalho entre ospaíses e as colônias européias recém descobertas.O fim da Segunda Guerra mundial marca o inicio da globalizaçãomoderna. Os países começaram a abrir suas repectivas economia devidaa necessidade expandir seus mercados, desta forma a ideologia da globa-lização e do liberaliamo econômico se difundiram em todo o planeta.O conceito de Aldeia Global se encaixa neste contexto, pois está relacionado coma criação de uma rede de conexões, onde o fluxo de informações deixam as distânciascada vez mais curtas, tornando as relações culturais e econômicas entre os países umprocesso mais rápido e eficiente.A evolução das fontes de informação e a facilidade de acesso a elas (televisão, Internet etc) fizeramo processo de globalização ganhar força e ultrapassar os limites da economia, atingindo também outrossetores como o cultural.Outro ponto importante desse processo são as mudanças significativas no modo de produçãodas mercadorias. Auxiliadas pelas facilidades na comunicação e nos transportes, as transnacionaistêm a oportunidade de instalar as suas fábricas em qualquer lugar do mundo onde existam as me-lhores vantagens fiscais, mão-de-obra e matérias-primas baratas. O resultado desse processo é que,atualmente, grande parte dos produtos não tem mais uma nacionalidade definida. Um automóvelde marca norte-americana pode conter peças fabricadas no Japão, ter sido projetado na Alemanha,montado no Brasil e vendido na França.A estratégia de utilizar barreiras tarifárias para proteger o produto nacional da concorrência do estran-geiro gradativamente está sendo abandonada, em seu lugar o processo de abertura da economia se tornacada vez mais forte. Isso acirra a concorrência, pois o produtor de sapatos brasileiros, não está apenas con-correndo com os produtores locais, como acontecia no passado.Atualmente, é necessário que todos possuam uma nova postura perante o novo cenário mundial,globalizado e competitivo.
  46. 46. FTC EAD | CNSFT46Os recursos tecnológicos, além tornar a divulgação da informação um processo rápido, facilitando,assim, contatos comerciais e financeiros entre países de todo o mundo, promoveu também a redução doscustos dos produtos de uma forma geral, o que acirrou ainda mais a concorrência.Neste contexto, uma outra característica importante da globalização é a busca pelo barateamento doprocesso produtivo pelas indústrias. Muitas empresas, espalham sua produção por todo o mundo com oobjetivo de reduzir os custos e, conseqüentemente, aumentar seus lucros. Optam por países onde os fatoresde produção (mão-de-obra, a matéria-prima, energia etc) são mais baratos. Os países em desenvolvimentosão, geralmente, hospedeiros das grandes multinacionais que são atraídas pelo baixo custo de algum dosfatores de produção.Efeitos positivos e negativos da globalizaçãoA abertura da economia e a globalização são processos irreversíveis, que nos atingem no dia-a-diadas formas mais variadas e temos de aprender a conviver com isso, porque existem mudanças positivas enegativas para o nosso cotidiano.Positivas:O consumidor foi beneficiado pois passaram a contar com a opção dos produtos importados, geral-mente mais baratos e de melhor qualidade;Com a concorrência do produto importado, forçou o produto nacional a melhorar a qualidade e bai-xar os preços. Hoje, temos uma opção de escolha muito maior.Negativos:Muitos produtores nacionais, em um primeiro momento, não conseguiram se adequar à nova situaçãoe muitas empresas foram obrigados a fecharem as suas portas, gerando assim desemprego.O grande desafio da atualidade é identificar eaproveitar as oportunidades que estão sendo criadas,em decorrência de uma economia globalizada cadavez mais integrada.Atenção !O Brasil é um país em construção. O objetivo enquanto nação é realizar um desenvolvimento sus-tentável, com a participação e para o usufruto de todas as pessoas, ou seja, promover a inclusão e permitirque todos participem do processo.Questão para refletir!A globalização vem gerando para a economia brasileira mais vantagem ou prejuízos? Como seriamas nossas vidas se ainda vivêssemos em uma economia fechada isolada de todo o mundo?4.1 Contexto macroeconômico do BrasilDurante a década de 80, que ficou conhecida como a década perdida, a hiperinflação assombrou aeconomia brasileira, sendo este, o maior problema que compunha o cenário macroeconômico. Todos osplanos econômicos formulados e executados nesta época tinham como objetivo controlar a inflação, nãosendo, no entanto, bem sucedidos.
  47. 47. Fundamentos de Economia e Empreendedorismo 47A política econômica implantada no começo do plano real esteve centrada no combate à inflação, esteplano alcançou o sucesso que os anteriores não obtiveram. De fato, o Plano real conseguiu controlar a inflação.A busca pela estabilidade fez com que, objetivos como crescimento econômico e a geração de em-prego ficassem em segundo plano.Alguns mecanismos foram acionados para derrubar a inflação. São eles:Valorização cambial – a supervalorização da moeda nacional foi uma estratégia utilizada pelogoverno para controlar a inflação. Gerou desequilíbrio da balança comercial.Abertura comercial – a abertura comercial gerou concorrência ao produto nacional, obrigandoos produtores a melhorar a qualidade de seus produtos e baixarem seus preços, a fim de tornar o produtonacional mais competitivo.Juros altos – desaquece a economia, tira dinheiro de circulação, o que favorece a queda da infla-ção, gerando porém recessão.Esses mecanismos utilizados para controlar a inflação criaram uma situação que apesar defavorável para o controle da inflação desaquece a economia e restringe o crescimento, por issoconsiderado por muitos economistas como uma armadilha.Outro aspecto que merece destaque no cenário macroeconômico atual é a valorização, agora es-pontânea, da moeda nacional. O regime cambial utilizado no Brasil hoje é o câmbio flutuante, o que sig-nifica dizer, que esta valorização é natural, resultado de um cenário favorável e não imposta pelo governocomo ocorreu em 1994.Manter o real valorizado estimula as importações, gerando com isso, aspectos positivos e negativospara economia brasileira. São eles:Possibilidade de a empresa nacional modernizar o seu processo produtivo importandomáquinas e equipamentos;O aumento das importações pode desencadear um desequilíbrio na balança comercial.Com o problema da inflação controlado o grande desafio agora consiste na geração deemprego que por sua vez depende do crescimento econômico e da direção que a ele se imprime,que seja um crescimento acompanhado de um desenvolvimento e que esse desenvolvimentoseja sustentável.Para isso, é necessário que o brasileiro se torne cada vez mais um empreendedor que consigaenxergar oportunidades e torná-las fonte de emprego e renda. Desta forma, estaremos assumindo umcompromisso não só com nós mesmos como também com o Brasil e com as gerações futuras.Acabamos de dizer que o Brasil está precisando de pessoas empreendedoras para ajudar na alavan-cagem da economia e, conseqüentemente, do país. O que é empreendedorismo e ser empreendedor?
  48. 48. FTC EAD | CNSFT484.2-EmpreendedorismoA palavra empreendedorismo foi utilizada pelo economista Joseph Schumpeter em 1950 ele rela-cionou esse termo a pessoas criativas, capazes de propor idéias e soluções inovadoras e ter sucesso comisso. Mais tarde, em 1967, com K. Knight; e em 1970, com Peter Drucker, associou-se o empreendedo-rismo ao conceito de risco, ou seja, uma pessoa empreendedora precisa assumir riscos.O termo empreendedor é utilizado para caracterizar aquele individuo que possui uma forma cria-tiva e inovadora de executar ás atividades de organização, administração, execução e, principalmente, nageração de emprego..O empreendedor é capaz de identificar oportunidade. Tem capacidade e visão do ambientede mercado, sendo altamente persuasivo com pessoas, expondo suas idéias e propondo crescimen-to financeiro do seu produto. Precisa estar pronta para assumir os riscos do negócio e aprendercom os erros cometidos.Enfim, o empreendedor é aquele que inicia algo novo, que vê o que ninguém vê, aquele que sai daárea do sonho, do desejo e parte para a ação.É esse tipo de profissional, ou melhor, de ser humano que o cenário globalizado exige, com posturae espírito empreendedor, capaz de enfrentar desafios e acumular bons resultados.Na década de 90, o empreendedorismo ganha espaço no Brasil. O principal motivo que estimulouesta situação foi abertura da economia que se deu nesta época, o que ocasionou a entrada de produtosimportados, provocando o controle do preço do produto nacional.No entanto, alguns setores foram prejudicados com a abertura da economia, pois que não conse-guiam competir com os produtos importados, que chegava ao mercado com menor preço, maior qualida-de, como nos setores de brinquedos e de confecções. Para conseguir sobreviver a esse novo cenário, foipreciso mudar a concepção de gestão para acompanhar o ritmo do resto do mundo.Empresas de todos os tamanhos e setores tiveram que mudar de postura e se moderni-zar para poder sobreviver, competir e crescer. Para dar prosseguimento a este crescimentoe promover o desenvolvimento sustentável foi necessário desenvolver habilidades empre-endedoras no povo brasileiro.Habilidades requeridas de um empreendedor podem ser agrupadas em três esferas. São elas:Técnicas: envolve habilidades técnicas como: captar informações, ser organizado, disci-plinado e espírito de liderança.Gerenciais: conhecimento sobre as áreas que envolvem a empresa (marketing, administra-ção, finanças, operacional, produção, tomada de decisões, planejamento e controle).Pessoais: ter o perfil empreendedor e principalmente ter paixão pelo que faz.Falaremos, mais adiante, com maior detalhe sobre o perfil do empreendedor.Pesquisas recentes realizadas nos Estados Unidos revelam que o sucesso do empreendimento nãodepende apenas de conhecimentos técnicos e de gestão. A postura, características e atitudes são elemen-tos que também influenciam muito. Igualmente, quanto mais alto for o nível escolaridade de um país,maior será a proporção de empreendedorismo por oportunidade.O empreendedorismo promove o crescimento, pois gera emprego e renda, com isso esti-mula o desenvolvimento local e melhora a qualidade de vida das pessoas.Desta forma, pode-se observar que diversos fatores fazem com que o empreendedorismo influen-cie diretamente no crescimento, desenvolvimento e acumulação de riqueza de um país.
  49. 49. Fundamentos de Economia e Empreendedorismo 49Atividade ComplementarQue objetivo o governo pretende alcançar quando aumenta os seus gastos e, simultaneamente,1.diminui a carga tributária? justifique sua resposta.Qual a relação existente entre o aumento da reserva compulsória e o controle da inflação? Justifique.2.De que forma o governo utiliza o Open Market quando tem por objetivo gerar emprego? Justifique.3.Controlar a inflação e gerar emprego são objetivos harmônicos ou conflitantes? Justifique sua resposta.4.Qual a diferença existente entre os conceitos de crescimento e desenvolvimento?5.
  50. 50. FTC EAD | CNSFT50O que significa desenvolvimento sustentável? Quais as características e os benefícios que esse6.tipo de desenvolvimento pode trazer para a sociedade? Justifique.Analise o processo de globalização, destacando seus aspectos positivos e negativos.7.O que significa empreendedorismo? Como se classificam as habilidades essenciais ao empreen-8.dedor? Cite exemplos de empreendedores.O PAPEL DO EMPREENDEDOR NOAMBIENTE MACROECONÔMICOGLOBALIZADOO ESPIRITO EMPREENDEDORNesta quarta parte iremos iniciar falando sobre o espírito empreendedor e as características quecompõe o perfil do mesmo. Em seguida, passaremos à identificação e análise dos riscos e oportunidades,dando continuidade à análise da importância do empreendedorismo na gestão e finalizaremos abordandoa atividade empreendedora como opção de carreira.1.1 O espírito empreendedorJá vimos anteriormente o que significa empreendedorismo. Vamos ver agora, com mais detalhes o queé ser empreendedor e quais características compõem o perfil de uma pessoa com espírito empreendedor.Vamos analisar primeiro a seguinte questão: ser empresário é sinônimo de ser empreendedor?Arespostadestaquestãoémuitosimples.Não.Existeumaconfusãomuitograndecomrelaçãoaessesconcei-tos. Muitas pessoas acreditam que todo empresário, por ser empresário, automaticamente, já é um empreendedor.
  51. 51. Fundamentos de Economia e Empreendedorismo 51De um modo geral, considera-se empresário a pessoa que inicia e/ou administra uma empresa, assu-mindo a responsabilidade pelo seu funcionamento. O empreendedor é mais que isso, ele não necessariamen-te precisa abrir seu próprio negócio. Ser empreendedor é ser dotado de espírito ou atitude empreendedora.Assim, qualquer pessoa pode adotar uma atitude empreendedora nas mais diversas situações:Seja como um cliente, diante de um problema, propondo uma solução diferente da tradi-cional e, assim, conciliando os interesses da empresa e do cliente;Um empregado que introduz inovações em uma organização, agregando valores adicio-nais aos produtos ou serviços.Profissional que, durante uma reunião, propõe uma estratégia inovadora e arrojada;Pessoas que criam uma oportunidade em uma situação onde conseguiu enxergaruma necessidade;Um entregador que tem a iniciativa de procurar novos caminhos e assim consegueotimizar o seu tempo;Pode ser aquele cabeleireiro que, usando a sua criatividade, consegue e cria penteadosinovadores, mesmo sabendo que existe o risco de seus clientes não aderirem à nova idéia;Um funcionário determinado a conseguir a aprovação de seu chefe para iniciar um novo projetoOu simplesmente, um professor que utiliza uma metodologia inovadora em suas aulas econsegue com isso um melhor rendimento dos seus alunos.Observe, que qualquer pessoa, e não apenas um empresário pode se revelar um empreen-dedor, basta que esse tenha um espírito empreendedor em com isso adote uma postura diferen-ciada diante das mais diversas situações.De acordo com o Sebrae, seguem algumas características que formam o espírito empreendedor:http://www.empreenderparatodos.adm.br/empre/cce.htmBusca de oportunidades e iniciativa – Capacidade de se antecipar aos fatos e conseguir enxergarnovas oportunidades. Os empreendedores são antes de tudo, pessoas que têm capacidade de enxergar oinvisível. A isso, justifica-se a frase: empreendedores possuem visão.Persistência – Enfrentar os obstáculos decididamente. Esta característica é o alimento dos em-preendedores, eles sempre buscam formas diferentes de alcançar os objetivos, são persistentes quandoquerem alcançar determinado objetivo e nunca desistem.Correr riscos calculados – Disposição de assumir riscos mensurando e projetando o que podeocorrer de errado e quais os prejuízos que podem ser gerados. Para ser um empreendedor é necessárioestar exposto ao risco, sem ser louco ou insano. Correr risco calculado significa enfrentar desafios semcolocar tudo a perder, agindo de forma impensada.Exigência de qualidade e eficiência – necessidade de fazer sempre e melhor, de surpreender, desuperar as expectativas; disposição de achar que as coisas podem ainda ficar melhores. O cumprimentode prazos e a manutenção de padrões de qualidade são essenciais no desenvolvimento do projeto, paraconquistar o cliente.Comprometimento – Fazer todo tipo de sacrifício. Direcionar um esforço extraordinário em proldo cumprimento de uma tarefa. Os empreendedores sempre cumprem prazos e honram com os compro-missos firmados. Comprometimento é a honra dos empreendedores.Busca de informações – procurar se cercar de informações sobre o mercado, clientes, fornecedo-res, concorrentes, ou seja, todas as variáveis que podem direta ou indiretamente afetar o empreendimento.Consultar especialistas para obter informações técnica sobre o seguimento. O empreendedor está sempreprocurando novas informações com o objetivo de tornar cada vez mais sólida a base de sua atividade.
  52. 52. FTC EAD | CNSFT52Estabelecimento de Metas – Assumir metas e fazer todo o possível para poder alcançá-las sãodesafios, significando algo especial para o empreendedor. Estabelecimento de Metas é o combustível dosempreendedores e é uma das características mais importante.Planejamento – O planejamento é guia dos empreendedores, planejar é ser prudente. Atividadesbem planejadas têm mais chances de darem certo e os melhores resultados sempre são adquiridos poraqueles que são bons planejadores.Persuasão – Ter o poder de influenciar ou persuadir outras pessoas é uma característica de funda-mental importância para que o empreendedor monte a sua estratégia e consiga alcançar seus objetivos. Teruma boa rede de contatos e ser bem relacionado é um item muito importante no mundo dos negócios.Independência e Autoconfiança – O empreendedor tem que ser otimista e não tem como ser de outraforma.Comopoderiaumapessoaquesepredispõeaassumirrisconãoserautoconfiante?Énaturalqueoempreen-dedor mantenha suas idéias mesmo diante de um cenário desanimador e a confiança na sua própria capacidade.Existem ainda outras características que são fáceis de serem observadas no comportamento doempreendedor. São elas:Superação - Capacidade de superar dificuldades, de enfrentar situações adversas, ultrapassandolimites. Assim agem os empreendedores em uma constante busca Por desafios.Criatividade – Realização de algo novo, diferente e inédito. Talento de conseguir enxergar o queninguém consegue vê. Não só conseguir enxergar, como também ter coragem de inovar.Energia – O empreendedor é incansável quando está em busca de um desafio. Possui disposição para traba-lhar e vai a luta ao desafio de transformar idéias em ações. Ter energia é estar sempre disposto e nunca acomodado.As coisas podem ficar ainda melhores – o empreendedor acredita que a atividade realizada pode ser execu-tada de uma forma melhor. Sempre na eterna busca da excelência. Está sempre disposto a encarar um desafio e apromover uma mudança. Mesmo sabendo que as coisas não são fáceis e que as situações adversas existem.Essas são apenas algumas das características do empreendedor. Todos as pessoas podem ser em-preendedoras, algumas naturalmente já apresentam como traço de personalidade muitas dessas caracte-rísticas acima descritas no seu dia-a-dia, em qualquer cenário e sob qualquer circunstância.Outras pessoas possuem apenas algumas dessas qualidades. Neste caso, é necessário que seja feitoprimeiro uma auto análise para que possam ser detectadas quais características existentes são relevantespara o perfil do empreendedor. O segundo passo é procurar desenvolver, à custa de muita perseverançae determinação, as características inexistentes, ou que se apresentam em um pequeno grau.Aos que já possuem as características empreendedoras cabe o constante exercício da pro-cura da melhora em busca da excelência. Assim, age o empreendedor de sucesso, tendo semprea certeza de que o que foi realizado hoje pode ser feito melhor amanhã.Questão para refletir!Você se acha uma pessoa empreendedora? Quais das características que compõe o perfil do empre-endedor você já possui? Quais você ainda precisa desenvolver?OPORTUNIDADE E RISCO DO NEGÓCIONeste item, vamos analisar o que significam os riscos e como podemos evitá-los assim, como ondese encontram as oportunidades e como podemos enxergá-las,
  53. 53. Fundamentos de Economia e Empreendedorismo 532.1 RiscosComo vimos, o empreendedor é uma pessoa com capacidade de aceitar o fato de que as coisas po-dem não sair como planejado e que o erro é uma forma de aprendizado. Eles são dispostos a assumiremriscos, desde de que eles sejam calculados.Decido o seguimento que o empreendedor pretende atuar, o próximo passo é detectar possíveisproblemas com a realização do empreendimento. Esses problemas representam os riscos do negócioe mesmo sendo os empreendedores pessoas dispostas a correrem riscos estes precisam ser muito bemcompreendidos e calculados pelo futuro empreendedor, antes que este inicie o negócio.Ignorar a existência dos riscos no mundo dos negócios é ingenuidade. Não se preparar para enfren-tá-los passa a ser uma imprudência. O bom gestor mensura o que pode acontecer de inconveniente e seprepara para agir, caso o risco se transforme em uma situação real.Ninguém tem como prever o futuro, daí a necessidade de projetar dois tipos de cenário:um otimista, acreditando que os acontecimentos ocorreram da melhor forma possível, e outropessimista, simulando problemas que podem vir a acontecer. É preciso ter soluções para todosos riscos, a fim de iniciar um negócio com maiores possibilidades de sucesso.Na detecção de problemas, deve-se ter um cuidado especial com aqueles que podem, de uma formaou de outra, inviabilizar o projeto. É necessário ter uma solução que miniminize tais efeitos, identificandoos riscos. A identificação e a solução desse tipo de risco constituem o teste final da viabilidade do con-ceito do negócio.Vamos observar alguns possíveis problemas que podem ocorrer na realização de um negócio. De-gen (1989) alerta para os seguintes aspectos:Problemas de ordem pessoal: podem ocorrer quando os gestores do empreendimento não pos-suem capacidade administrativa, técnico ou mercadológica, ou então, não dispõem de tempo ou energianecessários para a iniciação de um negócio;Problemas relacionados com a inovação: muitas vezes, a idéia para um novo produto é excelen-te, mas a sua execução é muito complexa, onerosa ou os recursos necessários são indisponíveis;Problemas de comercialização: é necessário previamente determinar a necessidade, o publicoalvo (grupo de clientes) e como pretende-se atendê-lo. É essencial também que se conheça todos os de-talhes das diversas etapas.O objetivo de identificar os riscos do conceito de negócio é desenvolver medidas parareduzir já que eliminá-los por completo é uma tarefa praticamente impossível. Não devemosacreditar nessa possibilidade.Não se deve criar ilusões, quanto a possibilidade de iniciar uma atividade sem riscos, pois eles sãoinerentes a toda atividade empreendedora. O que o empreendedor deve fazer é procurar desenvolvermedidas e soluções caso o risco se concretize.A viabilidade do negócio depende das respostas encontradas pelo futuro empreendedorcom relação aos riscos identificados. A disposição para identificar os riscos e encontrar respos-tas para solucioná-los é tão importante para o sucesso do empreendimento, quanto a própriaidentificação da oportunidade.Nenhum empreendedor deve iniciar o negócio contando apenas com a sorte para ter suces-so, por isso, é essencial levar em consideração os riscos assim como, as cabíveis soluções. Essa éa única forma de demonstrar a viabilidade e conquistar a credibilidade de possíveis empregados,sócios, investidores, fornecedores e clientes. Só assim o futuro empreendedor poderá contar coma sorte e ter boas chances de sucesso na montagem de seu negócio.
  54. 54. FTC EAD | CNSFT54Questão para refletir!Até que ponto você está disposto a correr riscos?2.2- OportunidadeOportunidade é a primeira fase do ciclo de criação de pro-jeto, podendo ser encontrada em todos os lugares e sob as maisdiversas formas, exigindo predisposição e criatividade por parte doempreendedor.Sobre a necessidade do empreendedor ser dotado de predis-posição e de criatividade para enxergar a oportunidade Degen (1989, p.19) afirma que “a predisposiçãopara identificar oportunidades é fundamental para quem almeja ser um empreendedor de sucesso, e con-siste em aproveitar toda e qualquer oportunidade para observar negócios”.O empreendedor é aquele que está sempre observando negócios, na procura constante por novasidéias e oportunidades, seja no caminho de casa, do trabalho, lendo jornal, revista ou vendo televisão.Ele está sempre atento a qualquer oportunidade de conhecer melhor um empreendimento. Possui plenaconsciência que suas chances de sucesso aumentam quando amplia o seu leque de conhecimento.Predisposição e criatividade são características que estão associadas. Ambas compõem o perfil doempreendedor. Através de predisposição, o futuro empreendedor tem a iniciativa de observar e avaliatudo que está ao seu redor. Mas, é através da criatividade que as observações se transformam em idéiasque depois formarão um projeto. São essas associações que podem transformar uma simples oportuni-dade em um grande sucesso empresarial.Há uma grande diferença entre idéia e oportunidade. A confusão desses conceitos é muito maiscomum do que se pode imaginar. Primeiramente, sugue a identificação da oportunidade, o próximo passoconsiste na criatividade de fazer com que surja a idéia.O estudo de viabilidade, é de fundamental importância, pois ele indicará se a idéia possuipotencial para se transformar em um bom negócio. Identificar a oportunidade e a partir daí fazersurgir a idéia, é por excelência a um dos grandes talentos do empreendedor de sucesso.Sobre oportunidade, o site http://www.geranegocio.com.br/html/geral/p17-emp.htm destaque que:Ela deve se ajustar ao empreendedor. Algo que é uma oportunidade para uma pessoa podenão ser para outra, por vários motivos (perfil individual, motivação, relações etc).É algo móvel.Um empreendedor habilidoso dá forma a uma oportunidade onde outros nada enxergam.Idéias não são necessariamente oportunidades (embora no âmago de uma oportunidadeexista uma idéia).A oportunidade é o motor que alimenta o empreendedorismo.Características da oportunidade: é atraente e tem hora certa para acontecer.Reconhecer e agarrar oportunidades não é uma questão de usar técnicas, depende da ca-pacidade do empreendedor.A IMPORTÂNCIA DO EMPREENDEDORISMO NAGESTÃOReconhecer e agarrar oportunidades não é uma questão de usar técnicas depende da capa-cidade do empreendedor.

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