Interfaces do Jornalismo Cultural na Internet - parte 2

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Apresentação final do projeto PIB-SA/0062/2011 - CNPq, realizada em dezembro de 2012.

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  • A princípio, o universo de documentos para análise estava delimitado às seguintes seções do Digestivo Cultural: “Digestivos” (Artes, Cinema, Música e Imprensa), “Colunas”, “Ensaios” e “Especiais”. No entanto, durante o procedimento de leitura flutuante do site , percebeu-se que a seção “Colunas” é a única que recebe atualização diária e regular (apesar de ter havido dias em que não se registrou atualização). As seções “Ensaios” e “Especiais” têm atualização mensal, e a seção “Digestivos” tem atualização semanal às quartas-feiras, embora muitas vezes seus conteúdos sejam disponibilizados com atraso. Além disso, quinze colaboradores se revezam na elaboração de textos para a seção “Colunas”, enquanto nas demais, quando não há apenas um responsável pela seção (como é o caso dos digestivos), o número de autores fica entre cinco e dez. Portanto, levando em conta os critérios de periodicidade e pluralidade de autores, as colunas se sobressaem em relação às outras seções, podendo ser consideradas a principal atração do site . Em vista disso, resolveu-se desconsiderar as demais seções selecionadas a priori , de modo que a análise pudesse se concentrar nas colunas. A partir daí, com base no princípio da conveniência, definiu-se como corpus de análise os textos publicados na seção “Colunas” entre os dias 1º e 20 de março de 2012, um total de doze documentos.
  • a faceta quantitativa da Análise de Conteúdo hoje está baseada na informação contida na freqüência com que os elementos surgem ao longo do conteúdo, enquanto a faceta qualitativa se traduz na presença ou na ausência de determinados elementos. Assim, parte-se da idéia de que “as operações de comparação e de classificação implicam o entendimento de semelhanças e diferenças” (FRANCO, 2008, p. 20), ampliando os horizontes de interpretação das mensagens.
  • Segundo Charaudeau (2006), os fenômenos e acontecimentos que nos cercam só adquirem existência significante através de um sujeito linguajeiro capaz de processá-los através de mecanismos de percepção, captura, sistematização e estruturação. Pode-se dizer que, no contexto das mídias, o jornalista assume esse papel, tornando-se responsável por integrar a experiência humana a sistemas narrativos, de modo a significá-la. Para Orlandi (2009), isso se dá através de uma mediação discursiva entre o homem e a realidade natural e social. Portanto, a informação não existe em si, ela é pura enunciação circunscrita em determinados campos de conhecimento e situações. “ Podemos conceituar informação como um dado qualquer, passível de existência em qualquer nível... A informação jornalística é o dado, o fato, a declaração, o fenômeno apreendido em sua singularidade” (MACHADO; JACKS, 2001, p. 1). Para Charaudeau (2006), o contrato de comunicação midiática é constantemente influenciado pela tensão entre dois universos, ou visadas: a visada de informação, preocupada em “fazer saber” e ligada a uma lógica cívica de informar o cidadão, e a visada de captação, destinada a “fazer sentir” com a finalidade de ampliar o consumo, obedecendo, portanto, a uma lógica comercial. Para Charaudeau (2006), essa questão encerra a falácia, discutida pelas próprias mídias, sobre a pretensa busca pela objetividade da informação. Segundo ele, esse assunto não diz respeito ao campo da ética, mas às características do próprio contrato de comunicação, com sua dupla faceta de informação e captação. Afinal, “uma mídia que só satisfizesse ao rigor sóbrio e ascético do fazer saber estaria condenada a desaparecer” (CHARAUDEAU, 2006, p. 93).
  • Pré-análise: envolve a escolha do universo de documentos a serem analisados, a formulação das hipóteses e objetivos, etc.
  • Exploração do material: abrange a codificação, decomposição e enumeração dos documentos selecionados; Tratamento dos dados obtidos: envolve a aplicação de operações estatísticas aos resultados brutos obtidos.
  • Esse percurso metodológico surgiu a partir da compreensão obtida com a análise de conteúdo, o que contribuiu para que a definição do corpus se mantivesse a mesma de uma análise para a outra. Nesse sentido, trabalhou-se com a perspectiva de distanciamento e complementaridade entre as duas opções metodológicas (ROCHA; DEUSDARÁ, 2005). Portanto, o propósito da análise de discurso foi o de identificar as particularidades discursivas das publicações, revelando os artifícios linguajeiros utilizados para “fazer saber” e “fazer sentir” e, ao mesmo tempo, evidenciando os ditos e os não-ditos (implícito, subentendido) presentes nos textos, afinal, “ao longo do dizer, há toda uma margem de não-ditos que também significam” (ORLANDI, 2009, p. 82).
  • Muito longos: mais de 6 mil Longos: entre 4 e 6 mil Na média: até 4 mil a maioria dos textos muito longos (com mais de 6 mil caracteres) não utiliza hiperlinks A imagem atua como co-gestora do conhecimento (BUITONI, 2007)
  • o fato de nenhum texto analisado se encaixar no gênero puramente informativo não significa que o conteúdo veiculado pelo site careça de informação (conforme revelaram as depurações realizadas na visada de informação de cada texto). O Digestivo demonstra que é possível combinar modos e visadas discursivas, como informação (sob a forma de explicação ou relato), persuasão (sob a forma de comentário) e sedução (utilizando recursos emotivos), ao mesmo tempo em que oferece pautas interessantes e olhares sobre diferentes temas, sem perder de vista seus critérios de credibilidade.
  • Interfaces do Jornalismo Cultural na Internet - parte 2

    1. 1. Interfaces do Jornalismo Cultural na Internet Estudo de caso do site “Digestivo Cultural” PIB-SA/0062/2011 - CNPq Rosiel do Nascimento Mendonça Orientadora: Profª Drª Luiza Elayne Azevedo Coorientador: Prof. MsC. João Bosco Ferreira
    2. 2. ObjetivosGeral Analisar o website “Digestivo Cultural” tendo como suporte teórico o jornalismo cultural.Específicos Utilizar as análises de conteúdo e discurso para a seção “Colunas” do “Digestivo Cultural”.
    3. 3. IntroduçãoRetrospecto da 1ª fase Interdisciplinaridade entre a Comunicação e a Informática (interação homem-máquina)Novo problema Quais as particularidades dos textos (conteúdo e discurso)?
    4. 4. Análise de ConteúdoInterpretações : conteúdo e organização textualCaracterísticas (FRANCO, 2008) Faceta qualiquantitativa Situa-se entre a descrição e a interpretação Objetivo é a inferência
    5. 5. Análise de DiscursoExtrair efeitos de sentido, relacionando-os àideologia e à posição discursiva dos autoresComunicação midiática (CHARAUDEAU, 2006) Visada de informação (fazer saber) Visada de captação (fazer sentir)Modos discursivos (CHARAUDEAU, 2006) Acontecimento relatado (AR) Acontecimento comentado (AC) Acontecimento provocado (AP)
    6. 6. MetodologiaAnálise de Conteúdo (BARDIN, 2010)1.Pré-análise Definição do corpus: 1º a 20 de março de 2012 Total de 12 textos
    7. 7. MetodologiaAnálise de Conteúdo (BARDIN, 2010)2. Exploração do material Análise categorial3. Tratamento dos dados Tabulação
    8. 8. Codificação Categorias Unidades de registroCaracterísticas textuais Assunto Gênero jornalístico Quantidade de caracteres Quantidade de hiperlinksCaracterísticas imagéticas Quantidade de imagensÊnfases Referência ao jornalismo cultural Abordagem de cultura Localidade Temporalidade Abordagem jornalísticaInterfaces Compartilhamentos no Facebook Compartilhamentos no Twitter Comentários
    9. 9. FICHA DE CODIFICAÇÃO1) IDENTIFICAÇÃO DO TEXTOPostagem nº Data de publicação:Título:2) CARACTERÍSTICAS TEXTUAISAssunto: ( ) Literatura ( ) Música ( ) Cinema ( ) Artes ( ) Teatro ( ) Comportamento ( ) Sociedade ( ) PersonalidadesGênero jornalístico: I) Informativo ( ) Nota ( ) Notícia II) Opinativo ( ) Comentário ( ) Artigo ( ) Resenha ( ) Coluna ( ) Crônica III) Diversional ( ) História de interesse humano ( ) História coloridaQuantidade de caracteres: ( ) até 4 mil ( ) De 4 mil a 6 mil ( ) Mais de 6 milQuantidade de hiperlinks: ( ) Nenhum ( ) Até 5 ( ) Mais de 53) CARACTERÍSTICAS IMAGÉTICASQuantidade de imagens: ( ) Nenhuma ( ) 1 ( ) 2 ( ) Mais de 24) ÊNFASESReferência ao jornalismo cultural: ( ) Sim ( ) NãoAbordagem de cultura: ( ) Produto Abordagem qualitativa: ( ) Positiva ( ) Negativa ( ) Processo ( ) Não se aplicaLocalidade: ( ) Nacional ( ) Estrangeira ( ) IndefinidaTemporalidade: ( ) Passado ( ) Presente ( ) Futuro ( ) AtemporalAbordagem jornalística: ( ) Objetiva ( ) Subjetiva5) INTERFACESCompartilhamentos no Facebook: ( ) Nenhum ( ) 1 ( ) 2 ( ) 3 ( ) Mais de 3Compartilhamentos no Twitter: ( ) Nenhum ( ) 1 ( ) 2 ( ) 3 ( ) Mais de 3Comentários: ( ) Nenhum ( ) 1 ( ) 2 ( ) 3 ( ) Mais de 3
    10. 10. MetodologiaAnálise de Discurso (CHARAUDEAU, 2006) Categorias:  Visadas de informação e captação  Acontecimento Relatado (AR) e Acontecimento Comentado (AC)
    11. 11. FICHA DE ANÁLISE IDENTIFICAÇÃOPostagem nº Data de publicação:Título: DISCURSO Visada de Informação Visada de Captação Fazer saber Fazer sentirObservações:
    12. 12. ResultadosAnálise de Conteúdo
    13. 13. Inferências Gênero opinativo em 83%: artigo, resenha, crônica 67% dos textos são muito longos 83% não possuem hiperlinks 67% não apresentam imagens
    14. 14. Inferências Temas nacionais predominam em 50% Cultura aparece como processo em 42%  Temporalidade flexível  Abordagem subjetiva  Poucos comentários e baixa repercussão nas redes sociais digitais
    15. 15. ResultadosAnálise de Discurso
    16. 16. Interpretações Uso recorrente da descrição e narração → Acontecimento Relatado (AR) Narrativa literáriaAproximação entre leitor e autor  Adjetivos, construções poéticas e impressionistas
    17. 17. Interpretações Argumentação e avaliação subjetiva → Acontecimento Comentado (AC)Construção e desconstrução de imagens Potencial ideológico do discurso (ORLANDI, 2009)
    18. 18. ConclusõesTemas e abordagem Veículo alternativo: Digestivo Cultural ultrapassa limites da mídia tradicionalValor-notícia Desapego à agenda
    19. 19. ConclusõesFactual em segundo plano Subjetividade se destaca na visada de informação A sensação é a informaçãoComo o conteúdo é disponibilizado? Subutilização do hiperlink
    20. 20. Conclusões“Uma vez que a internet tende a colocar emtrânsito diversas modalidades de linguagens mescladas, faz-se necessário pensar a natureza impura dessa nova linguagem eseus impactos no [...] jornalismo cultural on line ou webjornalismo cultural” (ALZAMORA, 2001, p. 6).
    21. 21. Cronograma Atividade Ago Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul 2011 2012Estudo do ReferencialTeóricoColeta de dadosAnálise parcial do siteApresentação OralElaboração dorelatório parcialEntrega do relatóriosemestralAnálise final do siteElaboração do Resumoe Relatório FinalApresentação Final Realizadas Planejadas
    22. 22. Referências• ALZAMORA, Geane. Jornalismo Cultural On Line: uma abordagem semiótica. S/r, 2001. Disponível em: <www.ufrgs.br/gtjornalismocompos/doc2001/alzamora2001.rtf>. Acesso em: 02 jun. 2012.• BARDIN, Laurence. Análise de Conteúdo. Lisboa: Edições 70, 2010.• BUITONI, Dulcília. Imagens semoventes: fotografia e multimídia no webjornalismo. In: Anais do XXX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, Santos, 2007. Disponível em: <http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2007/resumos/R0549-1.pdf>. Acesso em: 15 mai. 2012.• CHARAUDEAU, Patrick. Discurso das mídias. São Paulo: Contexto, 2006.• FRANCO, Maria Laura P. B. Análise de Conteúdo. 3ª ed. Brasília: Liber Livro, 2008.• MARQUES DE MELO, José; ASSIS, Francisco de (Orgs.). Gêneros jornalísticos no Brasil. São Bernardo do Campo: Universidade Metodista de São Paulo, 2010.• MENDONÇA, Rosiel; LUÍNDIA, Luiza Elayne. Definições e tendências em webjornalismo. In: Anais do VIII Congresso de Ciências da Comunicação na Região Norte, Porto Velho, 2009.• ORLANDI, Eni P. Análise de discurso: princípios e procedimentos. 8ª ed. Campinas: Pontes, 2009.• ROCHA, Décio; DEUSDARÁ, Bruno. Análise de conteúdo e Análise de discurso: aproximações e afastamentos na (re)construção de uma trajetória. Alea: Estudos Neolatinos, Rio de Janeiro, v. 7, n. 2, p. 305-322, jul/dez. 2005. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/alea/v7n2/a10v7n2.pdf>. Acesso em: 15 mai. 2012.

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