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Jornal CONTACTO - edição 17 de Junho de 2015

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  1. 1. www.contacto.lu 17 DE JUNHO DE 2015 • ANO 45 • N° 24 • 0,62 E O P R I M E I R O J O R N A L D E L Í N G U A P O R T U G U E S A N O L U X E M B U R G O Portugal empresta tratado que criou Grão-Ducado a museu luxemburguês pág.13 (!4FA51C-adaaaf!:K;K;k;m;o Luxemburgo: Há 50 celebrava-se a primeira missa em português págs 2 e 3 Ruas do Luxemburgo e de Esch-sur- Alzette têm internet grátis pág. 23 Alunos cabo-verdianos são os que mais abandonam a escola no Luxemburgo pág.7 Abono de família: Novas regras prejudicam famílias númerosas pág. 5 RTP: Hélder Reis e Sónia Araújo tiveram banho de multidão no Luxexpo pág 12 Construção civil: Nova falência deixa 24 portugueses no desemprego pág. 5 Tondela vem ao Luxemburgo defrontar o Hamm Benfica pág.17 TEIL 2: AB 28.MAI 2015 GLACISMAARTO GRANDE MERCADO DO GLACIS, NA CIDADE DO LUXEMBURGO ESTE DOMINGO DAS 10H00 ÀS 17H00
  2. 2. Emigrantes recordados no 50° aniversário da A Missão Católica Portu- guesa no Luxemburgo comemorou no domingo o 50° aniversário do primeiro Dia de Portugal festejado pelos portugueses no Grão-Ducado, recordando “os pioneiros que desbra- varam o caminho” da emigração para o Luxem- burgo. Há 50 anos, cerca de 200 imi- grantes no Luxemburgo co- memoraram pela primeira vez o Dia de Portugal, na altura cha- mado “Dia da Raça e de Camões”, com uma missa organizada a 10 de Junho de 1965. Nessa altura, os imi- grantes portugueses no país ronda- riam apenas algumas centenas (ver gráfico). Hoje são mais de 90 mil, re- presentando 16% da população do Luxemburgo. A efeméride, apontada como “o primeiro evento público e colectivo da comunidade portuguesa no país”, foi assinalada no domingo com uma missa na igreja do Sacré Coeur em que foram recordados “os homens e mulheres que desbravaram o cami- nho para que a comunidade possa ser aquilo que hoje é”. “Este ano é um ano jubilar dos portugueses no Luxemburgo e va- mos procurar honrar a memória des- tes pioneiros e do trabalho feito nes- tes últimos 50 anos”, disse ao CON- TACTO o padre Rui Pedro, da Mis- são Católica de Língua Portuguesa no Grão-Ducado. A Missão Portuguesa foi criada poucos meses desta pri- meira missa, ainda em 1965, e assi- nalou no domingo também 50 anos de presença no Luxemburgo. Heroína de Pina, hoje com 79 anos, esteve na primeira missa comemo- rativa do 10 de Junho, organizada por iniciativa do marido, Carlos de Pina, falecido em 1986. O co-fundador da primeira asso- ciação portuguesa no país, a Amiza- de Portugal-Luxemburgo, foi um dos mais activos dirigentes associativos no país, e o seu nome integrava a lis- ta que foi lida durante a homilia pa- ra recordar duas dezenas de pionei- ros, “pessoas de referência nos anos 1960 para arranjar trabalho e aloja- mento”, diz o padre Rui Pedro. Apesar de não poder estar pre- sente na homenagem ao marido, por não ter sabido da organização da missa, Heroína de Pina ficou satis- feita por o trabalho do marido “não ser esquecido”, recordando as “enor- mes dificuldades” que os primeiros emigrantes tiveram de enfrentar. “Havia muitas dificuldades para encontrar alojamento, porque mui- tos luxemburgueses não queriam alugar as casas aos portugueses”, re- corda. “Eu tenho fotografias com se- te e oito homens a viverem num quarto, em muito más condições. Era tudo muito difícil, menos encontrar trabalho”, lembra Heroína de Pina, que continua a viver no Luxemburgo e tem quatro filhas e três netos. A mais velha é funcionária europeia e está actualmente em Cabo Verde, “ao ser- viço das comunidades”, outra é ju- rista no Conselho de Estado do Lu- xemburgo e outra é professora no en- sino especial. Só uma das filhas dei- xou de trabalhar depois de ter sido mãe, após ter sido funcionária eu- ropeia. PORTUGUESES CONTINUAM A ENFRENTAR DIFICULDADES Cinquenta anos depois, os portu- gueses são a maior comunidade es- trangeira no país, representando 16% da população, mas os recém- chegados ainda enfrentam dificul- dades. O aumento da emigração portu- guesa nos últimos três anos levou mesmo a Missão Católica Portugue- sa a abrir um “centro de escuta social” em Esch-sur-Alzette, para fornecer ajuda aos novos emigran- tes, e o padre Rui Pedro está preo- cupado com “a vulnerabilidade e precariedade” de muitos recém- chegados. “Já alojámos pessoas a dormir nas ruas e já tivemos que repatriar pes- soas que vieram à procura de traba- lho, com mais de 50 anos, e que de- pois ficaram sem dinheiro para vol- tar”, contou ao CONTACTO. Alguns dos casos que passaram pelo centro de apoio terminaram bem, mas nem sempre é assim, la- menta o padre Rui Pedro. “Acompanhámos o caso de um pai solteiro que deixou o filho em Por- 2 em foco 17 DE JUNHO DE 2015 Contacto Portugueses no Luxemburgo Consulado de Portugal* ASTI* Statec Polícia dos estrangeiros Antes de 1965 758 chegadas 26*** (em 1960) 1965 Menos de 2.000 portuguuueses (740 chegadas) 1966 653 chegadas 1.147** 1967 435 chegadas 1968 901 chegadas 3.000**** 1969 2.757 chegadas 1970 11.000 portugueses (5.403 chegadas) 5.783** (5.745***) 1.913 1971 4.548 chegadas 1972 4.399 chegadas 1973 24.437 portuguesesss (3.853 chegadas) * Dados apresentados pelo cônsul José Mendes-Costa no seu livro “Culture Portugaise au Grand-Duché”, Editions Prolux, 1973 ** Dados apresentados pela ASTI no livro “Lëtzebuerg de Lëtzebuerger – Le Luxembourg face à l’Immigration”, Editions Guy Binsfeld, 1985 *** Dados apresentados pela ASTI na brochura “Portugueses no Luxemburgo”, 1992 **** Dados apresentados por Marcel Barnich, do Serviço Social da Imigração, na sua conferência “Assistance Sociale aux Immigrants et leur Intégration Sociale dans le milieu d’accueil luxembourgeois”, 1969 (Université Internationale de Sciences Comparées de Luxembourg) Gráfico:MichèleWinannndy
  3. 3. primeira missa em português tugal e que estava a dormir nas ruas há alguns dias. Pagámos-lhe a resi- dencial e estamos felizes porque nes- te momento encontrou trabalho e já tem um quarto para viver”. Em Portugal, a Obra Católica Por- tuguesa das Migrações também de- nuncia os “constrangimentos” que os emigrantes portugueses no Luxem- burgo continuam a enfrentar, recor- dando a vitória esmagadora do “não” no referendo de 7 de junho ao voto dos estrangeiros nas legislativas. Na mensagem dirigida aos portu- gueses do Luxemburgo, a Comissão Episcopal e a Obra Católica Portu- guesa das Migrações elogiam a con- tribuição dos emigrantes para a so- ciedade luxemburguesa, esperando que contribuam também para que o país “passe de uma atitude de defesa e medo, também reflectido nos re- sultados do referendo sobre a parti- cipação política dos migrantes, para uma cultura de encontro, diálogo e co-construção”. O arcebispo do Luxemburgo tam- bém enviou uma mensagem aos imi- grantes portugueses, considerando “altamente simbólico” o 50° aniver- sário da primeira missa organizada pela comunidade. Jean-Claude Hol- lerich elogiou o contributo dos por- tugueses para a “sociedade luxem- burguesa”, incluindo “na vida social e económica do país”. “O trabalho realizado de forma quotidiana pelos milhares de portugueses que se es- tabeleceram no Luxemburgo é um bem precioso que merece gratidão e reconhecimento”, disse o arcebispo. Fundada em 1965, a Missão Ca- tólica Portuguesa no Luxemburgo tem delegações no centro, sul e nor- te do país, e organiza regularmente missas em português em 22 locali- dades. n Paula Telo Alves No domingo, cantaram-se também os parabéns à Missão Católica Portuguesa no Lu- xemburgo, criada em 1965 Fotos: Rico Cunha Artigo no Luxemburger Wort sobre o primeiro Dia de Portugal celebrado no Lu- xemburgo em Junho de 1965 Arquivos LW “Estive um ano e meio sem ver um português” A igreja do Sacré Coeur encheu-se para a missa dos 50 anos. À saída, muitos aproveitaram para rever amigos, mas entre as mais de 500 pessoas que encheram a igreja, era difícil encontrar alguém que tives- se estado na primeira missa, em 1965. “Muitos já morreram”, diz Maria à jornalista do CONTACTO. “Olhe, espere, está ali uma senhora que já cá está há mais de 50 anos, já há uns bons anos que não a via”. Celeste tem 80 anos e esteve pa- ra não vir à missa. Os filhos quise- ram festejar com ela o dia da mãe, que no Luxemburgo se assinala a 14 de Junho, mas à última hora re- solveu ir à igreja. “Vim atrasada, mas mesmo assim decidi entrar”, conta Celeste. A imigrante de Mortágua che- gou ao Luxemburgo “no dia 28 de Outubro de 1962, para trabalhar na agricultura”, conta. “Estive ano e meio sem ver um único portu- guês!”, recorda Celeste. Na exploração agro-pecuária no Norte do Luxemburgo, a imigrante portuguesa e o marido tratavam de “cem bois, 56 porcos e 28 vacas”. “Nunca mais me esqueço”, diz Ce- leste, que chegou a ter de trabalhar sozinha quando o marido adoeceu, “com dois bebés nos braços”. “Passei tanto martírio”, recorda Celeste. “Há noite só nos davam uma sandes. Passámos fome”. Mais tarde Celeste começou a trabalhar como empregada de lim- peza na Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA), que daria origem à CEE. “Eu já trabalhava lá há 11 anos quando Portugal entrou para a comunidade europeia, em 1986”, diz Celeste. O marido, fale- cido há alguns anos, sofreu um gra- ve acidente em 1974 e “nunca re- cuperou”. Celeste criou sozinha os quatro filhos, a trabalhar “dia e noi- te”. “As mulheres ainda foram mais exploradas do que os homens”, diz Maria, que começou a trabalhar aos 14 anos numa fábrica de fiação em Mortágua. Maria chegou ao Lu- xemburgo em 1971, com 17 anos, e foi logo “trabalhar nas limpezas”, em casa de famílias luxemburgue- sas. “Trabalhávamos todo o dia e depois ainda chegávamos a casa e tínhamos de tomar conta dos filhos e do marido”, diz Maria, hoje com 61 anos. “É bom que os novos sai- bam das dificuldades que passá- mos quando aqui chegámos. A mo- cidade hoje tem bons trabalhos, mas mesmo assim parece que nun- ca estão contentes”, lamenta. Maria tem três filhos e orgulha- se de ter conseguido “pagar os es- tudos” a todos. Um dos filhos é en- genheiro, outro é funcionário ban- cário e a filha é repórter de ima- gem na RTL, conta ao CONTACTO. “Eu não pude estudar, porque ti- ve de ir trabalhar com 14 anos, mas sou uma mulher feliz, porque con- segui dar formação aos meus fi- lhos. Chorei muitas lágrimas, mas ao menos valeu para alguma coi- sa”. n P.T.A. Contacto 17 DE JUNHO DE 2015 em foco 3 LISTO SHOPPING CENTER Um Mierscherbierg, L-7526 Mersch BELVAL PLAZA 2 Avenue du Rock’n Roll, L-4361 Esch-sur-AlzetteI LOVE SHOES 44.50 44.50 44.50 24.99 34.99 9.99 29.99 SEASIDE.LU
  4. 4. 4 página quatro 17 DE JUNHO DE 2015 Contacto A FRASE “Quando se vive no Luxemburgo, vive-se com fronteiras. Antiga- mente, quando passá- vamos por uma frontei- ra éramos obrigados a apresentar todos os do- cumentos pessoais, e o carro podia ser comple- tamente revistado pelas alfândegas.Era a Euro- pa do pós-guerra. Para nós luxemburgueses, o acordo de Schengen fa- cilitou muito a circula- ção através das frontei- ras. Foi uma ideia mui- to moderna”. Robert Goebbels. Secretário de Estado dos Negócios Estrangei- ros do Luxemburgo em 1985; assinou pelo Grão-Ducado o acordo de Schengen (ver texto na pág. 7) GRANDE PLANO Tensão sobe em Ventimiglia – Cerca de duzentos imigrantes, sobretudo eritreus e senegaleses, estão desde sábado bloqueados na cidade italiana de Ven- timiglia, na fronteira entre a Itália e a França, à espera de prosseguir o seu caminho para países como a Suécia, a Alemanha ou a França. Ontem, a polícia envolveu-se em confrontos com alguns dos imigrantes que estão na localidade fronteiriça à espera que a França os deixe entrar. As autoridades tentaram fazer com que um grupo de imigrantes entrasse num autocarro da Cruz Vermelha para os conduzir à estação de caminhos-de-ferro, onde instalaram uma sala para os receber. Alguns recusaram e a confusão instalou-se. Alguns dos imigrantes que foram impedidos de passar a fronteira anunciaram que iam iniciar uma gre- ve de fome, caso a situação não fosse alterada. Para além disto, centenas de imigrantes continuam a procurar abrigo em estações ferroviárias de várias cidades ita- lianas, à espera de conseguirem viajar para outros países europeus.Na estação central de Milão mais de 400 imigrantes, a maioria proveniente da Eritreia, vi- vem e dormem dentro da estação em condições sanitárias e de higiene precárias. A situação em Ventimiglia está a provocar fortes tensões no seio da União Eu- ropeia. O Governo de Roma espera medidas de Bruxelas. Contacto ficha técnica Fundado em Janeiro de 1970 Tiragem: 25.749 EDITOR Saint-Paul Luxembourg s.a. RCS Luxembourg B.147.973 2, rue Christophe Plantin, L-2988 Luxembourg tel.: 4993-1 (central) Redacção: tel.: 4993-337, fax: 4993-448 Assinaturas: tel.: 4993-9393, fax: 4993-9394 Publicidade: tel.: 4993-9000, fax: 4993-9092 Anúncios: tel.: 4993-315, fax: 4993-666 Gráfica: fax: 4993-262 CCPLLULL LU50 1111 0000 1212 0000 URL: http://www.contacto.lu E-mail: contacto@contacto.lu ASSINATURAS tel.: 4993-9393 | fax: 4993-448 URL: www.contacto.lu e wort.lu/pt E-mail: contacto@contacto.lu 2, rue Christophe Plantin | L-2988 Luxembourg tel.: 4993-337 | fax: 4993-448 EDITORIALISTA Pe Belmiro Narino RESPONSÁVEL DA REDACÇÃO José Luís Correia tel.: 4993-470 | jose.correia@contacto.lu REDACÇÃO Álvaro Cruz tel.: 4993-276 | alvaro.cruz@contacto.lu Domingos Martins tel.: 4993-629 | domingos.martins@contacto.lu Henrique de Burgo tel.: 4993-442 | jh.deburgo@contacto.lu Paula Telo Alves tel.: 4993-496 | paula.telo@contacto.lu SECRETARIADO Pedro Selas, tel.: 4993-337 | fax: 4993-448 pedro.selas@contacto.lu CORREIO DOS LEITORES: A Redacção reserva-se o direito de não devolver as cartas enviadas ao jor- nal. Devido a imperativos editoriais, serão apenas publicados as cartas ou os excertos destas consi- derados pertinentes. COLABORARAM NESTA EDIÇÃO: Aleida Vieira, Carlos de Jesus, Hugo Guedes, Paulo Freixinho (Palavras Cruzadas), Raúl Reis, Sérgio Ferreira Bor- ges, Vitor Hugo Silva FOTOGRAFIAS: Manuel Dias, Arquivos Wort; Car- toon: Alexandre Torres LAYOUT: Pierre Ferry, Alain Piron PUBLICIDADE: Preço ao milímetro: (preto e branco) 1,06 e/coluna REGIE.LU 2, rue Christophe Plantin | L-2988 Luxembourg tel.: 4993-9000 | fax: 4993-9092 regie@wort.lu TNS-ILRES PLURIMEDIA 2013/2014: EDITORIAL Amor e sexualidade A constituição “Lumen Gentium” (Luz das Na- ções), do Concílio Vaticano II (1962 – 1965) outorga-nos uma possibilidade de pen- sar, de maneira mais am- pla e evolvente, o lugar das mulheres na vida da Igreja. É também um dos espi- nhosos temas (amor e se- xualidade) sobre os quais teólogos e bispos foram convidados a reflectir, na Universidade Gregoriana, na semana passada, em ordem ao sínodo sobre a família, que vai continuar, em Outubro, também em Roma, o sí- nodo do ano anterior. Melhor dito, a segunda fa- se. Foi com o intento de ultrapassar os medos, suspeitas e preconceitos que têm poluído os ares, na Igreja, e encontrar uma plataforma de inter- câmbio e debate, no respeito mútuo. Debater-se com outro é uma questão de amor. Muitas disciplinas (nomeadamente, antropolo- gia, biologia, psicologia e sociologia) podem levar-nos a uma melhor compreensão do amor humano e da sexualidade. “Deus criou os seres humanos com diferentes orientações sexuais. Torna-se imperativo identificar uma ordem ade- quada para esta diversidade de amor e expres- são sexual” (W. G. Jeanrond, professor na Uni- versidade de Oxford). Na “Lumen Gentium”, já descobrimos mui- tas ideias avançadas por teólogos e pensadores eminentes do séc. XX, como Henri de Lubac e Teillard de Chardin. Sobre temas complemen- tares. H. de Lubac (1896 – 1991), teólogo e cardeal, na sua “Meditação sobre a Igreja” (1953), abria o caminho a uma exploração mais teológica do papel sacramental das mulheres, no povo de Deus. “A Igreja é um mistério, um sacramento. Lugar total dos sacramentos da Igreja, ela é o grande sacramento, que contém e vivifica todos os outros”. Homens e mulheres, pelo baptismo, são ungidos profetas, sacerdotes e reis. A mis- são primordial de todos os cristãos, mulheres e homens, é, como em Cristo, a de servir o outro, na realidade incarnada do quotidiano. Sacer- dócio comum, existencial, dos fiéis. Toda a “re- alidade sacramentária”, prossegue o exímio teó- logo, é o “elo sensível de dois mundos”. É o si- nal de outra coisa, uma realidade sobrenatural. Como sinal, deve ser diáfano. Não tem valor por si mesmo, mas pelo além de que é mediador. As mulheres, primeiras testemunhas da Res- surreição, porque não podem ser ministras da Eucaristia? Cristo era homem do seu tempo, ne- nhuma mulher havia na última Ceia. Era outra cultura. Hoje, seria em contraste com a nossa cultura. T. de Chardin (1881 – 1955), jesuíta e cien- tista, místico e paleontólogo, de reputação uni- versal, no seu tempo, hoje, um ícone olvidado, exalta o “Feminino autêntico”, o feminino – co- ração da Matéria, no sentido místico, sublima- do: o ponto Omega, regresso de Cristo no fim da história. Nada do que é verdadeiramente humano é pertença de género. O Papa Francisco convida a uma discussão aberta. Liberdade de expressão. Se pedimos ao tio Sam e ao novo czar da Rússia, e a todos os Obamas e Putins do globo, que, à volta da mesa de negociações, partilhem os seus pareceres, porque será que, na nossa própria família, a Igreja, é preciso desbravar, com penosa dificul- dade, o caminho da confiança mútua? Há um clericalismo, de má espécie, que resseca os co- rações, que drena a corrente da compaixão in- condicional de Deus, como escreve o meu ami- go anglo-irlandês, D. O’Leary. Muitos se empe- nham ainda neste jogo clerical. Ora, nós somos gente de “carne”, antes de sermos gente do “li- vro”. Grandes pensadores, entre eles, o psico- terapista Carl Jung, e o filósofo Martin Buber, es- creveram que nada bloqueia tanto o amor de Deus como o faz a religião do livro. Credos e ca- tecismos têm o seu devido lugar, mas sempre ao serviço de nos rendermos confiadamente ao amor do Verbo Incarnado. Segundo o P. Brian D’Arcy, a única escolha, para a Igreja de hoje, é outra Reforma radical. O mal deste clericalismo, profundamente en- tranhado, destruiu a credibilidade da nossa lin- da Igreja. Por esse motivo, tem-se perdido um ponto importante – a Igreja tem de ser salva pe- los fiéis leigos, ou não será salva de maneira ne- nhuma. O Papa Francisco é o nosso timoneiro. Graças a Deus. BELMIRO NARINO
  5. 5. Contacto 17 DE JUNHO DE 2015 luxemburgo actualidade 5 Empresa de construção Luxpromotec fecha portas Nova falência deixa 24 portugueses no desemprego A notícia apanhou os trabalhado- res de surpresa. “Foi o sindicato que nos ligou, souberam primeiro que nós”, conta ao CONTACTO Antó- nio Fernandes, um dos 24 portu- gueses ao serviço da empresa de construção Luxpromotec, com sede em Lorentzweiler. Dos 25 traba- lhadores, só um não é português. O Tribunal do Luxemburgo de- cretou a falência da empresa na quarta-feira, mas o patrão, um em- presário português, “nem apareceu nem disse nada”, queixa-se Antó- nio Fernandes. O imigrante portu- guês está no Luxemburgo há ape- nas cinco anos mas já passou por outra falência em 2011. Nessa al- tura, o encerramento da Soccimo deixou 420 portugueses no desem- prego. A falência da Luxpromotec foi decretada na quarta-feira, mas dois dias depois os operários continua- vam a trabalhar, violando a legis- lação laboral. “O chefe de obras disse-nos que não havia problema nenhum e que nos pagavam estes dias por fora”, conta ao CONTACTO António Fer- nandes, de 49 anos. “Eles queriam que nós também trabalhássemos no sábado, mas o pessoal não acei- tou”, diz o imigrante português, que tem uma filha com três anos. Para Liliana Bento, do sindicato LCGB, a situação “é inaceitável”. “Se há um acidente de trabalho ou du- rante o trajecto, os trabalhadores não estão protegidos”, diz a sindi- calista, para quem o caso mostra que “há falta de informação dos tra- balhadores e de fiscalização da Ins- pecção do Trabalho (ITM)”. As dificuldades da Luxpromotec não são de agora. “Chegámos a ter lá pessoal com salários de quatro meses em atraso, e mandaram-nos embora, não lhes chegaram a pa- gar”, conta António Fernandes, que trabalha há dois anos na empresa. Segundo António Fernandes, o actual proprietário comprou a fir- ma há apenas três meses. “O novo proprietário prometeu que ia en- direitar as coisas, mas afinal, na- da”, critica António, que diz que o dono já tem planos para abrir uma nova empresa. “O patrão já tem uma nova em- presa e já nos disseram que pode- mos continuar a trabalhar lá”, dis- se António Fernandes ao CONTAC- TO. A empresa cessou finalmente ac- tividade na sexta-feira à tarde. Por pagar ficaram os salários de Maio e Junho dos 25 trabalhadores. O jornal tentou ouvir o proprie- tário da Luxpromotec, mas o tele- fone da empresa está desligado. n Paula Telo Alves Para um dos 24 trabalhadores portugueses da Luxpromotec, esta é a segunda falência em quatro anos Foto de arquivo Abono de família: famílias numerosas ficam a perder O Conselho de Ministros aprovou na sexta-feira o diploma que estabelece os novos montantes do abono de fa- mília. A partir de agora, cada crian- ça passa a receber 265 euros, dei- xando de haver majoração em fun- ção do número de filhos. A medida só vai afectar as crian- ças que nasçam após a lei entrar em vigor. Actualmente, cada filho rece- be 262,48 euros, um montante que aumenta com o número de crianças. A medida vai beneficiar as famí- lias que têm apenas um filho, que passam a receber mais 2,5 por mês, mas as famílias numerosas vão sair muito prejudicadas. Contas feitas, uma família com dois filhos passa a receber 530 euros, em vez dos actu- ais 594, enquanto uma família com três filhos vai passar a receber 795 euros, em vez dos actuais 1.033 eu- ros. Tudo porque deixa de haver ma- joração em função do número de fi- lhos. O subsídio de “rentrée scolaire” foi ajustado. As crianças entre os seis e os 11 anos vão passar a receber 115 euros, mais dois euros do que actu- almente, enquanto as crianças com mais de 12 anos passam a receber 235 euros. n DM Casas mais baratas em Kirchberg O governo anunciou na sexta-feira que quer reduzir em pelo menos 40% o preço por metro quadrado das novas casas na zona de Kirch- berg. Actualmente, o preço do me- tro quadrado ronda os 7.150 euros, mas o Executivo quer baixá-lo para 4.200 por m². O preço pode mesmo ser inferior para quem receba sub- sídio à habitação. O Governo tem previstos três no- vos projectos para o bairro das ins- tituições europeias. Em Kiem, a avenida Frieden vai acolher 820 unidades, metade das quais vão ser construídas pela Société Nationale des Habitations à Bon Marché. A construção dos restantes novos alojamentos vai ser entregue ao Fundo de Urbanização do Kirch- berg. Estão ainda previstos dois novos projectos que vão criar mais 560 ha- bitações em Reimerwee, que deve- rão estar prontas em 2016. Em 2017, será a vez de a parte Sul do “quar- tier européen” receber mais 260 alojamentos. n DM 122221 33322 44433 . Preços baixxxos é bom, preços garrrantidamente baixosss é ainda melhor. Fielmaaann mostra-lhe todo o mundo da modaaa óptica: são mais de 4.000 óculos de graaandes marcas e de designers internacionnnais. Todos com 3 anos de garantia. E todooos por um preço garantidamente favorávvvel. Pois Fielmann dá-lhe a garantia de reeeembolso do dinheiro*. 1.000000 óóócccuuulllooosss sssuuubbbsssiiidddiiiaaadddooosss pppeeelllaaa cccaaaiiixxxaaa dddeeeee saúdeee. 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  6. 6. 6 luxemburgo actualidade 17 DE JUNHO DE 2015 Contacto Exposição sobre a Ucrânia na Place Guillaume II Autarquia da capital retira foto com símbolos nazis após protestos A burgomestre da comuna da cida- de do Luxemburgo, Lydie Polfer, mandou retirar uma foto com sím- bolos nazis de uma exposição foto- gráfica sobre a Ucrânia, na Place Guillaume II, após protestos do par- tido Déi Lénk. Uma das fotos mostra um mem- bro do batalhão “Azov” com um bo- né que tem emblemas nazis: o sol negro e uma variante de suástica co- nhecida por “wolfsangel”. O bata- lhão “Azov”, parte do exército ucra- niano, é conhecido pelas tendências de extrema-direita e neo-nazis dos seus comandantes e de muitos dos seus membros. Os símbolos nazis não passaram despercebidos ao vereador do Déi Lénk, Guy Foetz, que ma quinta-feira questionou o colégio de vereadores, exigindo que a foto fosse retirada da exposição. “O ’sol negro’ (“Schwarze Son- ne”) era o símbolo oculto do Ter- ceiro Reich e um dos símbolos fa- voritos do comandante militar das SS Heinrich Himmler. A ’Wolfsangel’ era um dos emblemas do partido nazi, usada pela segunda divisão das SS”, explica Guy Foetz, acrescentando que “o Código Penal na Alemanha proíbe mostrar estes emblemas em público, enquanto símbolos da extrema-direita”. Esta-segunda-feira, a burgomestre ordenou finalmente que a foto fosse retirada, depois de numa primeira resposta à questão do Déi Lénk ter recusado retirar a ima- gem, dizendo que essa responsabi- lidade caberia à Embaixada da Ucrâ- nia. “Esta atitude por parte da se- nhora Polfer é inaceitável aos nos- sos olhos: é a burgomestre que é res- ponsável pelo que está exposto em locais públicos e deve agir em con- formidade”, criticou o Déi Lénk. Após os protestos, Lydie Polfer re- cuou e decidiu retirar a imagem. As outras fotos da exposição “Ukraine d’aujourd’hui: la défense contre l’agression, la lutte pour la paix, la liberté et la démocratie” (Ucrânia de hoje: a defesa contra a agressão, a luta pela paz, liberdade e democracia) descrevem o sofrimen- to de homens e mulheres afectados pela miséria e a guerra que está a de- vastar o leste da Ucrânia. O caso surge pouco tempo depois de o Luxemburgo ter pedido des- culpas à comunidade judaica pelos “sofrimentos” e “injustiças” cometi- dos sob a sua responsabilidade du- rante a ocupação alemã, de 1940 a 1944. A exposição, organizada pela Embaixada da Ucrânia na Bélgica com a Missão da Ucrânia junto da NATO e o cônsul honorário da Ucrâ- nia, pode ser vista até 1 de Julho. Esta foi a foto retirada da exposição. O batalhão de “Azov” é conhecido pelas su- as ligações à extrema-direita e aos movimentos neo-nazis Passados 70 anos Luxemburgo pede desculpas à comunidade judaica O Luxemburgo pediu desculpas à comunidade judaica pelos “sofri- mentos” e “injustiças” cometidos sob a sua responsabilidade durante a II Guerra Mundial. Sessenta deputados luxembur- gueses aprovaram, por unanimida- de, uma resolução de reconheci- mento pelos sofrimentos causados “à comunidade judaica, aos seus membros luxemburgueses e es- trangeiros, durante a ocupação na- zi do Luxemburgo”. “O Governo apresenta as suas desculpas à comunidade judaica pelos sofrimentos infligidos e pelas injustiças cometidas contra ela”, lê- se na declaração assinada pelo go- verno. No texto, acrescenta-se ain- da que o Governo luxemburguês “reconhece a responsabilidade de alguns representantes da autorida- de pública na incomensurabilidade dos actos cometidos”. O Luxemburgo esteve sob ocu- pação da Alemanha nazi entre Maio de 1940 e Setembro de 1944. A co- munidade judaica neste país, com- posta na sua maioria por refugia- dos fugidos da Alemanha antes da guerra, sofreu bastante durante a ocupação. “Dos 3.700 judeus resi- dentes no Grão-Ducado luxembur- guês antes da guerra, 1.200 estão mortos, vítimas do holocausto”, lê- se na página oficial do Governo lu- xemburguês na Internet. A resolução decorre de um rela- tório divulgado em Fevereiro pas- sado por um historiador da Uni- versidade de Luxemburgo, Vincent Artuso. Neste pode ler-se que a ad- ministração luxemburguesa cola- borou com a política de persegui- ção antissemita alemã em três áre- as: “na identificação de pessoas consideradas como pertencente à raça judaica, segundo os critérios alemães; na sua expulsão da fun- ção pública, das profissões liberais e das escolas; e na espoliação dos seus bens”. Em Setembro de 2009, o primeiro-ministro belga da altura, Elio Di Rupo, apresentou desculpas em nome da Bélgica pela deporta- ção dos judeus durante a II Guerra Mundial, também na altura em que comemorava o 70° aniversário do fim das deportações. Estas descul- pas acabaram por alimentar o de- bate no país vizinho. Visita oficial David Cameron está hoje no Luxemburgo O primeiro-ministro britânico está esta quarta-feira em visita oficial ao Luxemburgo. Cameron vai encontrar-se com Xavier Bettel. As discussões entre os dois po- líticos vão centrar-se sobretudo na actualidade política europeia, mas também nas relações bilaterais en- tre o Luxemburgo e o Reino Uni- do. A amizade entre os dois políti- cos é conhecida. No casamento de Xavier Bettel com o arquitecto bel- ga Gauthier Destenay, muito se fa- lou sobre a vinda do primeiro- ministro britânico ao evento. Ca- meron não veio em Maio, mas vem agora em Junho em visita oficial. Reacções “Não” ao referendo só representa 29% da população Cerca de 80% dos luxemburgueses manifestaram-se contra o direito de voto dos estrangeiros no referendo, mas o “Não” representa apenas 29% da população. Para Mil Lorang, an- tigo porta-voz do sindicato OGB-L, a conclusão é clara: “uma imensa minoria decidiu por todo o país”. O ex-sindicalista luxemburguês foi uma das vozes mais activas na campanha pelo direito de voto dos estrangeiros e decidiu fazer as con- tas. O “Não” recolheu cerca de 165 mil votos, que representam 29% dos 568 mil habitantes no país – menos de um terço da população. A per- centagem sobe para 37% tendo em conta apenas os residentes com mais de 18 anos. Para Mil Lorang, é preciso questionar “o real valor democrático do referendo”. O Comité de Ligação das Asso- ciações de Estrangeiros (CLAE) de- nunciou também a “clivagem” so- cial provocada pelo referendo. Para a federação associativa, o Parla- mento deve agora “facilitar o aces- so à nacionalidade luxemburguesa” e aprovar o direito do solo para os nascidos no Luxemburgo. The big leap made easyy Account Switching Service Make of your ING account the primary account for all your payments Ready for the big leap? ing.lu/switching ING Luxembourg SA, route d’Esch 52, 2965 Luxembourg - R.C.S. Luxembourg B.6041 - TVA LU 11082217
  7. 7. Contacto 17 DE JUNHO DE 2015 luxemburgo actualidade 7 Apesar de serem dos mais confiantes Alunos cabo-verdianos são os que mais abandonam a escola no Luxemburgo Os alunos cabo-verdianos são o grupo que apresenta maior risco de abandono escolar no Grão-Ducado. Segundo um estudo do Luxem- bourg Institute of Socio-Economic Research (LISER), divulgado no iní- cio de Junho, 5,9% dos alunos cabo- verdianos abandonam a escola. Mesmo assim, os alunos cabo- verdianos são dos mais confiantes (25%). O estudo, intitulado “Integração estrutural e social dos imigrantes fora da Europa e outros imigrantes no Luxemburgo:”, indica que de- pois dos cabo-verdianos, são os alunos de origem italiana os mais afectados pelo abandono escolar (2,4%), seguidos de portugueses e ex-jugoslavos (ambos com 2,1%). De acordo com o relatório, 7% dos alunos cabo-verdianos acham que a escola “é uma perda de tem- po”, enquanto 12% consideram que a escola não os prepara para a vida adulta. Confrontada com estes resulta- dos, a Associação de Pais de Ori- gem Cabo-verdiana (APADOC) mostra-se preocupada. “São números extremamente preocupantes, porque é o futuro das nossas crianças e jovens que está em causa. No entanto, e sem que- rer encontrar desculpas, a situação financeira também tem influência. Quando um aluno filho de pais sem grandes posses vê um colega com outros recursos fica desanimado e pensa que se deixar a escola pode arranjar trabalho e ter também o seu dinheiro”, disse ao CONTACTO o porta-voz da APADOC. No entanto, “esse não é o melhor caminho”, fri- sa João da Luz. “Infelizmente há pais que não conseguem transmitir o que gosta- riam aos filhos, porque muitos tam- bém deixaram cedo os estudos. Mas se tiverem consciência, por exem- plo, do que é o regime modular, de certeza que vão lutar para tirar os fi- lhos de lá, porque é um regime que fecha as portas a qualquer aluno que queira ter uma boa profissão”, con- clui. Mas nem tudo é negativo. O es- tudo indica também que 62% dos alunos cabo-verdianos acreditam que o sucesso escolar é importante para conseguir emprego e 25% pen- sam que a escola lhes deu maior confiança para tomar decisões. Nestas duas questões, os cabo- verdianos apresentam valores mais animadores do que os alunos por- tugueses (54% valorizam o sucesso escolar para encontrar trabalho e 20% sentem-se mais confiantes) e luxemburgueses (42% valorizam o sucesso escolar para encontrar tra- balho e 12% sentem-se mais confi- antes) Entre os portugueses, 4% dos alunos dizem que a escola é uma “perda de tempo”, um valor igual entre os luxemburgueses. Questio- nados sobre se consideram que a escola os prepara para a vida adul- ta, 9% dos alunos portugueses res- ponderam “não” e 12% dos lu- xemburgueses também deram res- posta negativa. O estudo refere também que me- tade dos alunos cabo-verdianos as- pira a uma carreira de topo, como a advocacia ou a medicina. “No en- tanto, infelizmente, a maioria des- ses estudantes estão a seguir uma trajectória escolar que não os está a preparar para essas carreiras”, su- blinham os investigadores. Os autores do estudo analisaram o desempenho académico de alu- nos provenientes de países que não pertencem à União Europeia, e confirmaram o que já se sabia: “As características sócio-económicas dos alunos e das suas famílias tem um papel importante no sucesso escolar dos alunos”, dizem os au- tores do documento. O estudo teve em conta também o regime de en- sino do aluno (técnico, clássico, modular), ambiente escolar, quali- dade dos professores e recursos materiais das escolas. Os autores recomendam “às au- toridades públicas e outros agentes da educação no Luxemburgo” um maior envolvimento dos professo- res com os pais, melhor formação dos agentes educativos para a di- versidade cultural e a resolução de conflitos, e a melhoria do ambiente na sala de aula. “Cada vez que eles se sentem jul- gados, ridicularizados ou aberta- mente desaprovados por colegas, é normal que desenvolvam reacções negativas. Eles perdem a motivação e interesse nos estudos, estão re- lutantes em ir para a escola regu- larmente, isolam-se, ou, pelo con- trário, rebelam-se“, lê-se no estu- do. n Henrique de Burgo O estudo tem como foco os cabo-verdianos e ex-jugoslávios Foto: T. Feller Durante esta semana Polícia vai intensificar fiscalização nas estradas A polícia do Luxemburgo vai in- tensificar a fiscalização nas estra- das do país. A medida entrou em vi- gor esta segunda-feira e vai decor- rer até à próxima segunda-feira. O objectivo do reforço da fisca- lização é reduzir o número de mor- tes nas estradas, e a polícia assume que prevenção e repressão vão an- dar de mãos dadas por estes dias. A operação policial vai servir também para recordar aos auto- mobilistas as novas regras dos pon- tos nas cartas de condução. No caso de uso de drogas, de uma taxa de alcoolemia superior a 1,2%, ou se o condutor se recusar a efec- tuar o teste, segundo a nova lei a carta perde seis pontos. Quem tiver entre 0,8% e 1,2% de álcool no san- gue perde 4 pontos. 23 de Junho Festa Nacional é já na próxima terça-feira O Luxemburgo vai festejar a sua Festa Nacional na próxima terça- feira, 23 de Junho, mas as come- morações começam, como é habi- tual, logo na véspera. O tradicional desfile das tochas arranca às 21h15, na segunda-feira, dia 22, partindo da Gare até à rue Philippe II, na capital. Às 23h é lan- çado o fogo-de-artifício, durante 17 minutos, tal como no ano passado a partir do Fort Thüngen (Trois Glands), em Kirchberg. Os melhores locais para ver o momento mais esperado da festa nacional são a Corniche, montée de Clausen, montée de Pfaffenthal, Côte d’Eich, Cents, Fetschenhof, Grund, Clausen e Pfaffenthal. Ainda na segunda-feira, a partir das 19h vai haver concertos um pouco por toda a capital e fogo-de- artifício e os festejos em muitas ou- tras cidades do Grão-Ducado. Quanto ao programa oficial, co- meça às 10h com uma cerimónia na Philharmonie. Às 11h30, os grão- duques assistem, como sempre, à parada na avenue de la Liberté. Há ainda o tradicional “Te Deum” na Cetedral. do Luxemburgo, presidi- do pelo arcebispo Jean-Claude Hol- lerich A festa nacional vai ser também assinalada na Embaixada do Lu- xemburgo em Lisboa. O pianista luxemburguês Fran- cesco Tristano vai tocar os hinos do Luxemburgo e de Portugal e temas do seu reportório.Foto: Tania Feller Trinta anos de Schengen e de Europa sem fronteiras O Acordo Schengen, que aboliu al- gumas fronteiras internas na Eu- ropa, foi assinado há 30 anos no Lu- xemburgo. No sábado, foram mui- tas as personalidades do Grão- Ducado e da Europa que assinala- ram a data na pequena localidade do Luxemburgo. Entre as personalidades que es- tiveram na cerimónia, destaque pa- ra o presidente da Comissão Euro- peia, Jean-Claude Juncker, e o pre- sidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz. O presidente da Câ- mara dos Deputados, Mars di Bar- tolomeo, e o primeiro-ministro Xa- vier Bettel, também estiveram em Schengen, acompanhados por vá- rios membros do Governo e o bur- gomestre da localidade, Ben Ho- man. Centro Cultural Rotondes Rádio Ara tem nova frequência Novas instalações, nova frequência. A Rádio Ara mudou-se de armas e bagagens para o novo centro cultu- ral das Rotondes, em Bonnevoie, in- auguradas no fim-de-semana, e vai passar a emitir na frequência 102,9 MHz. A nova frequência, onde podem também ser ouvidas as emissões Graffitti e ARACityRadio, vão per- mitir “uma melhor cobertura” em todo o país, indica a estação em co- municado. Nas regiões Nordstad e em Ech- ternach, vai continuar a ser usada a frequência auxiliar, 105,2 MHz. A mudança dos estúdios para o novo centro cultural das Rotondes vai per- mitir à estação estar mais perto das iniciativas culturais no Luxemburgo. ATHUS 2, rue de Rodange 0032 63 38 08 30 24 84 70 0032 80 28 00 40 segunda-feira a sábado, das 8h às 20h www . sfb. lu aoserviço dosseusprojectos! 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  8. 8. 8 luxemburgo actualidade 17 DE JUNHO DE 2015 Contacto Em Garnich Dor e consternação no funeral da agente atropelada O funeral da agente da polícia do Luxemburgo atropelada mortal- mente durante uma operação “stop” de rotina realizou-se na semana passada no cemitério de Garnich, na presença dos ministros Étienne Schneider e François Bausch. Cen- tenas de pessoas participaram no último adeus a Yasmine Grisius. O acidente que vitimou a agente da polícia ocorreu na madrugada de 4 de Junho, em Dippach. Uma pa- trulha da polícia de Capellen estava a efectuar uma operação de patru- lhamento de rotina quando um au- tomóvel atropelou violentamente a agente de 39 anos, mãe de dois fi- lhos. No funeral, centenas de polícias prestaram uma última homenagem à colega, que descrevem como uma exemplar agente da polícia. Segundo a edição francesa do Wort.lu, Yasmine Grisius é a pri- meira agente da polícia luxembur- guesa a morrer em serviço. O condutor que atropelou a agen- te está detido na prisão de Schras- sig. O homem tinha a carta de con- dução apreendida desde Maio do ano passado, por ter sido apanhado a conduzir com excesso de álcool. No dia do acidente que vitimou Yas- mine Grisius, o homem conduzia novamente sob o efeito do álcool. Foto: Pierre Matge n Farinha portuguesa contaminada com fungos Uma marca de farinha de milho com origem em Portugal contém “fu- monisinas”, uma toxina produzida por fungos que pode ser perigosa para a saúde, alertam as autori- dades luxemburguesas. Em causa está a farinha de mil- ho da marca “Matias”, vendida nos supermercados Cactus, indica o co- municado do Ministério da Saúde. A presença de toxinas foi detec- tada “durante uma fiscalização de rotina”, diz o ministério, que já ret- irou o produto do mercado e reco- menda que não seja consumido. As “fumonisinas” são toxinas for- madas a partir de fungos que po- dem ser cancerígenas. Só os lotes com o número “191214169/1 Orig- ine: P” e data de validade até De- zembro de 2015 foram afectados. Informações pelo tel. 247 756 25 ou por email (secualim@ms.etat.lu). n Parque infantil na Place de Strasbourg foi renovado A burgomestre da cidade do Lu- xemburgo inaugurou na quarta-fei- ra o novo parque infantil na Place de Strasbourg, na presença de mo- radores do bairro da Gare. O espaço sofreu obras e conta agora com novos equipamentos, incluindo baloiços e um carrossel. A área de recreio foi planeada pelo departamento de Espaço Pú- blico e pelo Serviço de parques da cidade do Luxemburgo, em con- junto com os moradores locais. A iniciativa saiu do grupo de tra- balho “Gare”, criado em 2014 para encontrar soluções para os proble- mas dos residentes naquele bairro da capital. www.pizzahut.lu /pizzahut.lu Uma explosão de Frescura ! Este Verão, na esplanada ou no interior do restaurante, encha-se de sabores e frescura com a última criação da Pizza Hut : a Piza FONTANA. Comece por saborear um sortido de legumes estivais, crocantes repletos de vitaminas, acompanhados com um delicado molho de queijo branco e ervas. Em seguida saboreie uma piza fina e leve disponível em 5 variedades, todas elas deliciosas : Pizza FONTANA Frescura (na foto) Pizza FONTANA Parma Pizza FONTANA Tropical Pizza FONTANA Pepperoni Pizza FONTANA Frango e legumes grelhados A partir de 19 de Junho
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  10. 10. 10 praça pública 17 DE JUNHO DE 2015 Contacto Sócrates não gosta de pulseiras José Sócrates recusou a possibilidade de passar a cumprir a prisão pre- ventiva em casa com pulseira electrónica. Preferiu ficar em Évora e, com isso, exaltou novas paixões que lhe admi- ram a coragem. Não es- tou certo dessa valentia. Ao preferir a cadeia de Évora, José Sócrates mantém a justiça sob pressão, pelo menos até ao momento em que o Ministério Público termine os termos da acusação. E isso não se adivinha para breve, porque o procu- rador Rosário Teixeira continua a carear novos factos para o processo. Portanto, as coisas estão para lavar e durar. E Sócrates sa- be que, no Estabele- cimento Prisional de Évora, consegue mais solidariedade e será mais lembrado. Em casa, mesmo na situ- ação de detido, Sócra- tes corria o risco de ser mais rapidamente es- quecido. E isso é tudo o que ele não quer. Mas na semana em que isto se passou, surgiram novas fugas de informação que configuram, sem mar- gem para grandes dú- vidas, grosseiras vio- lações do segredo de justiça. Uma revista chegou mesmo a publicar gravações do úl- timo interrogatório que o procurador Ro- sário Teixeira lhe fez. Desde logo, sobres- sai o tipo de linguagem utilizado pelos dois, com a omnipresença do “pá”, tanto no dis- curso de um, como de outro. Sócrates aproveitou a oportunidade para atacar a justiça, reafirmando que não conhece as razões pelas quais está detido e que as sus- peitas são insanas. Sócrates não vê qualquer problema em pedir dinheiro emprestado, em grandes quantidades, a um amigo ligado a uma empresa com quem o Estado contratou, durante o tempo em que foi primeiro- ministro. O entendimento que tenho da ética política é bem mais exigente. Para mim, o fausto – e com dinheiro empres- tado – é incompatível com o meu conceito de serviço público. Tal como acha normal que o mesmo amigo tenha pago duas via- gens dele a Veneza, uma delas no valor de 45 mil euros. E o pagante nem sequer in- tegrou a comitiva. Sobre as restantes sus- peitas, vou manter silêncio, esperando pe- la acusação e pela contestação. Mas tudo isto continua a assustar o PS e o seu líder. Sempre que Sócrates fala, An- tónio Costa passa para segundo plano e quase não se faz ouvir. E isto é especial- mente grave, às portas de duas campa- nhas eleitorais. Além disso, há gente no PS que quer colocar o “caso Sócrates” na agenda política e tratá-lo como tal. Costa pensa exactamente o contrário. Surpreendente, também, é a opinião de muitos comenta- dores, que, sem o di- zerem abertamente, acham que a justiça devia dar um trata- mento especial a um homem só porque ele foi primeiro-ministro. É evidente que estas perplexidades vêm de gente do bloco cen- tral, para quem um notável devia benefi- ciar de um tratamento especial. O que dizem, veladamente, é que a justiça não deve ser igual para todos. Ainda presumo a inocência de José Só- crates, mas o que ago- ra se está a passar com ele já aconteceu e ainda acontece com muitos outros cidadãos. Talvez haja em Portugal um uso excessivo da prisão pre- ventiva, sobretudo quando nos compara- mos com outros países europeus. Mas Só- crates teve na sua mão todos os mecanis- mos para alterar a lei e moderar o recurso à detenção, sem sentença. E é muito difícil falar em ilegalidade, como alguns têm ten- tado. É bom recordar-lhes que os tribu- nais superiores indeferiram todos os re- cursos apresentados pela defesa de Só- crates. As crónicas da rubrica Praça Pública podem ser lidas no site do CONTACTO na internet, em www.contacto.lu AVENIDA DA LIBERDADE SÉRGIO FERREIRA BORGES “ Em casa, mesmo na situação de detido, Sócrates corria o risco de ser mais rapidamente esquecido. E isso é tudo o que ele não quer. Prometeu agrilhoado O titã Prometeu é um dos mais personagens de maior influência na mitologia grega. Ao exercer um enorme fascínio sobre os auto- res clássicos, que por sua vez definem uma grande parte da cultura ocidental nos últimos dois milénios, a histó- ria de Prometeu é uma metáfora poderosa so- bre as relações humanas ou, em última ins- tância, do que somos enquanto espécie. Segundo a mitologia, o titã era da confi- ança dos deuses e nomeadamente de Zeus, até ao momento em que levou o fogo, den- tro de um caule de funcho, do Olimpo até aos humanos. O fogo assim descoberto sig- nificou para os mortais a sua relativa inde- pendência dos tempe- ramentais deuses, e Prometeu tornou-se um herói na Terra; mas Zeus não achou piada nenhuma à façanha e condenou Prometeu à punição eterna de ficar acorrentado a uma ro- cha no topo de um monte onde, todos os dias, uma águia lhe co- mia o fígado, órgão que voltava a crescer no dia seguinte antes da che- gada do pássaro. Os deuses actuais da Grécia são os seus cre- dores, nomeadamente os bancos alemães, e pelo uso descuidado do fogo/euro que a Grécia fez condenaram-na a nova punição eterna: a servidão financeira sem fim, sem redenção à vista, sem recuperação possível. A cada ponto percentual de redução do défice que a Grécia obtém – e os números mostram que o país tem feito um esforço verdadeiramente titâ- nico nesse sentido –, logo aparece a águia da austeridade para co- mer fígado, coração e cérebro com o seu cír- culo vicioso, pois os multiplicadores ma- croeconómicos associados significam que para cada excedente do défice são precisos cortes duas vezes mais altos, e a economia vai contrair-se três vezes mais. Em núme- ros: nas duras negociações que estão a de- correr (e a falhar) enquanto escrevo estas li- nhas, os credores exigem uma melhoria or- çamental de 1,66% do PIB grego (de um dé- fice esperado de 0,66% para um superavit de 1%); mas para atingir esses 1,66%, serão precisas medidas (aumento dos impostos e corte nas despesas do Estado) no valor de 3,33% do PIB – e a economia vai contrair-se em cerca de 5% do mesmo. Finalmente, o aumento da dívida é grosso modo propor- cional ao encolhimento do PIB – mas como a dívida grega já está nos 180%, o aumento seria de 9 pontos percentuais, caminhando a passos largos para uns impensáveis 200% do produto. Mais ou menos o dobro de an- tes da intervenção da troika, há cinco anos. Há dois cenários indesejáveis na mesa: ou a Grécia continua a sua penitência para sempre, com toda uma geração de jovens gre- gos a ser punida por eventuais erros das an- teriores gerações, um desemprego generali- zado, uma economia espartilhada, uns pa- gamentos de juros agi- otas; ou o país entra em incumprimento, sendo levado a sair do euro, os seus bancos deixam de funcionar, o dinhei- ro desaparece, e os efeitos dentro de por- tas – mas também nas restantes economias do euro e no próprio pro- jecto europeu – são imprevisíveis mas cer- tamente devastadores. E isto para todos. A dívida continua a ser um problema po- lítico e não técnico. São os políticos – Tsipras, Merkel, Hollande, Juncker – quem o deve resolver de forma du- radoura e não ideoló- gica, e está a chegar a altura de o fazer. O eminente economista Thomas Piketty afirma que mais tarde ou mais cedo será obri- gatório reestruturar e perdoar todas as dí- vidas soberanas, incluindo a de Portugal; quanto mais tardarmos, pior ficará a situa- ção. NA RUA DA GRANDE CIDADE HUGO GUEDES “ Os deuses actuais da Grécia são os seus credores, nomeadamente os bancos alemães, e pelo uso descuidado do fogo/euro que a Grécia fez condenaram-na a nova punição eterna: a servidão financeira sem fim, sem redenção à vista” A INFORMAÇÃO EM PORTUGUÊS NO LUXEMBURGO A S S I N A T U R A G R A T U I T A Receba-o todas as semanas na sua caixa de correio T. +352 49 93 93 93 F. +352 49 93 93 94 csc@wort.lu C_5100_AG04_CB
  11. 11. Contacto 17 DE JUNHO DE 2015 vida associativa & sociedade 11 Durante o fim-de-semana Feira de produtos regionais do Tâmega e Sousa encheu a Luxexpo A 1a Feira Internacional de Gas- tronomia e Vinhos do Tâmega e Sousa trouxe ao Luxemburgo os produtos, a cultura e os saberes an- cestrais da região, atraindo milha- res de pessoas à Luxexpo. Setenta produtores da região li- gados ao vinho, produtos regionais e ao turismo estiveram em Kirch- berg no fim-de-semana. A feira contou com a presença do ministro da Agricultura e Viti- cultura do Luxemburgo, Fernand Etgen, e do secretário de Estado da Alimentação e da Investigação Ag- ro-alimentar, Nuno Vieira e Brito. Na comitiva viajaram também os autarcas dos 11 municípios que formam a Comunidade Inter-mu- nicipal do Tâmega e Sousa (CIM- TS). “Quando se juntam todos, saí- mos todos a ganhar”, disse o pre- sidente da confederação municipal e autarca de Castelo de Paiva, Gon- çalo Rocha. O presidente da CIM-TS mos- trou-se satisfeito por “dar a con- hecer” o melhor da região aos por- tugueses no Luxemburgo e à po- pulação luxemburguesa, lançando um apelo para que a feira, “a mai- or de uma região portuguesa no es- trangeiro”, regresse ao Grão-Du- cado. Para o secretário de Estado da Alimentação, a feira é um passo importante para aumentar as ex- portações agro-alimentares de Portugal para o Luxemburgo, que no ano passado cresceram 4%, atingindo os 36 milhões de euros. Globalmente, as exportações tota- lizaram 3,5 mil milhões de euros em 2013, mais 343 milhões de euros do que em 2012. A feira de produtos regionais foi um sucesso, tendo contado ainda com transmissão em directo da RTP, que emitiu o programa “Aqui Portugal” a partir da Luxexpo (ver pág. 12). Durante dois dias, muitos visi- tantes portugueses e de várias na- cionalidades passaram pela feira para provar os produtos da região. Para muitos, foi a ocasião de levar para casa um bocadinho de Por- tugal, antes das férias que se apro- ximam. n Carlos de Jesus A região do Tâmega e Sousa trouxe até ao Luxemburgo o melhor da região Fotos: Carlos de Jesus Os 11 autarcas da região do Tâmega e Sousa foram recebidos pela burgomestre da cidade do Luxemburgo, Lydie Polfer. O embaixador de Portugal Carlos Pererira Mar- ques acompanhou a delegação que foi recebida na comuna da cidade Foto: Ville du Luxembourg Arcebispo do Luxemburgo crismou jovens portugueses O arcebispo do Luxemburgo presidiu à celebração do crisma de quase uma centena de jovens, a maior parte dos quais de ori- gem portuguesa. Os jovens portugueses foram orientados pelo padre Sérgio Mendes. Além dos portugueses, foram também crismados alguns jovens da Missão italiana e outros da paróquia de Bonnevoie Foto: Rico Cunha
  12. 12. 12 vida associativa & sociedade 17 DE JUNHO DE 2015 Contacto n 20/Junho: Festa cabo- verdiana “San Jôn”, no Parc Si- mon em Wiltz, das 12h às 20h. Animação com Dj KizBombero, jogos tradicionais e animação para crianças. Há venda de tam- bores, grelhados e bebidas. Au- tocarro 375 – Etelbruck – Wiltz – Bastogne entre as 10h e as 22h. Mais informações pelos tel. 621 321 970 e 691 305 122. n 20/Junho: Baile com Los Ga- solina no café Rythmus (rue de Rodange, n° 117), em Athus, a partir das 22h. n 20/Junho: Encontro da co- munidade angolana com a embaixadora de Angola, Eli- zabeth Simbrão, no Centre So- ciétaire, na capital (29, rue de Strasbourg), entre as 15h30 e as 18h. Mais informações, Assoc. AANA, tel. 691632187 e/ou 661277112 e Assoc. Angola- Events, tel. 691115291 (email: angolaevents@live.fr). n 21/Junho: Matiné de Verão ao ar livre com Los Gasolina, no café VI Club, em Ingeldorf (zona industrial), a partir das 15h. Há porco no espeto e gre- lhados a partir das 12h. n 21/Junho: Matiné dançante com projecto Uno no bar Bra- silux, em Differdange, a partir das 16h. n 22/Junho: Baile com Los Ga- solina no café Um Stamminé, em Mertzig, a partir das 22h. n 22/Junho: Baile e karaoke com projecto Uno no café La Fontaine, em Esch-sur-Alzette, a partir das 22h. n 23/Junho: Matiné ao ar livre com Los Gasolina no café du Commerce, em Bettendorf, a partir das 15h. Há grelhados. Publicação gratuita contacto@contacto.lu Agenda completa em: www.contacto.lu “Aqui Portugal” na Luxexpo Apresentadores da RTP recebidos com banho de multidão A RTP esteve no Luxemburgo no sá- bado para transmitir o programa “Aqui Portugal” a partir da Luxexpo, em Kirchberg. Esta foi a primeira vez que a emissão, que acompanhou a 1a Feira Internacional de Gastrono- mia e Vinhos do Tâmega e Sousa, se realizou fora de Portugal. Centenas de portugueses foram à Luxexpo para provar os produtos da região do Tâmega e Sousa e para as- sistir à emissão em directo, e os apresentadores Sónia Araújo e Hél- der Reis foram recebidos com um banho de multidão. Jorge Gabriel, que se encontrava no Páteo Alfacinha em Lisboa, apre- sentava uma parte do programa, com Hélder Reis e Sónia Araújo a asse- gurarem a emissão no Luxemburgo. Os conhecidos rostos do canal público passaram pelos stands de vários produtores, apresentaram vi- nhos, salgados, doces e outras igua- rias, e falaram com os autarcas dos 11 municípios que formam a co- munidade intermunicipal do Tâme- ga e Sousa. Ao CONTACTO, Hélder Reis e Só- nia Araújo disseram estar “encan- tados” por estarem no Luxemburgo, num certame que trouxe Portugal aos portugueses na diáspora. “Eu acho que é uma óptima re- presentação do nosso país”, disse Hélder Reis ao CONTACTO. “Esta região e este evento não represen- tam o país inteiro, mas é uma parte com uma grande riqueza, e é uma óptima montra, que vai da oferta tu- rística ao património e à gastrono- mia”. Para Sónia Araújo, a feira foi tam- bém uma grande oportunidade para os produtores da região se apre- sentarem além-fronteiras. “Para além de estarmos num país com tantos portugueses, estamos igualmente muito perto de outros centros económicos e de países co- mo a Alemanha, a Bélgica ou a Fran- ça, e é uma óptima forma de captar outros públicos”, disse a apresen- tadora. Mas para a simpática animadora, o mais agradável foi o contacto com o público. “O público é muito caloroso. Nós já tínhamos esse feedback através das redes sociais ou telefonicamen- te, mas estar com eles ainda é me- lhor, porque transmitem esse cari- nho de uma forma muito espontâ- nea e calorosa”, disse Sónia Araújo ao CONTACTO. Os dois apresentadores do “Aqui Portugal” elogiaram os portugueses que vivem no Luxemburgo, consi- derando que são “gente brava, he- róica e com uma grande determi- nação para enfrentar as dificuldades e a ausência da família”. “Cada imigrante personifica aquilo que Portugal é, e mesmo que não tenham a perspectiva de voltar ao nosso país, têm sempre a iden- tidade portuguesa”, disse o apre- sentador, que deixou uma mensa- gem. “A nossa mensagem para to- dos é força, coragem, bom trabalho e saúde, porque sem ela a coisa não avança”. n Carlos de Jesus Hélder Reis e Sónia Araújo foram recebidos por um banho de multidão no Luxemburgo, durante a emissão do programa “Aqui Portugal” Foto: Carlos de Jesus Nova associação no Luxemburgo Associação abre “casa da sopa” em Cabo Verde A comunidade cabo-verdiana no Luxemburgo conta com mais uma associação, “Aos que Sobrevi- vem”. A associação foi criada no Luxemburgo há um ano e dá-se agora a conhecer com trabalho feito em Cabo Verde. Em parceria com a autarquia de São Vicente, a associação tem em funcionamento um espaço onde diariamente são servidas 40 re- feições quentes a idosos e crianças de rua. Além da “casa da sopa”, a associação, que conta com vol- untários locais, presta ainda ser- viços de higiene a 30 pessoas. Carlos Espírito Santo, o mentor do projecto, disse ao CONTACTO que “a ideia partiu de um grupo de emigrantes que, sensibilizados com os problemas e desigual- dades sociais, decidiram ajudar os mais vulneráveis da ilha de São Vicente”. Cerca de 15 associados no Lux- emburgo enviam todos os meses 200 euros para manter o centro de solidariedade em Mindelo em funcionamento. Mais informações sobre a as- sociação na página do Facebook “Aos que sobrevivem”. n HB Sexta-feira Festa da Música em Gasperich O cantor guineense Nasyen Simão Gomes, a banda cabo-verdiana Ca- bolux e os brasileiros Abada Capo- eira vão marcar presença na 15a Festa da Música e das Culturas, na place Bei der Auer, em Gasperich, na sexta-feira. O grupo de artes marciais Abada Capoeira vai actuar das 19 às 19h30. Segue-se meia ho- ra de dança senegalesa com Leketh Malako. Nasyen Gomes actua entre as 20h e as 20h30 e os Cabolux dão espectáculo entre as 21h e as 23h. Há também vários stands. A orga- nização é do CLAE. No domingo Dia Mundial do Yoga ao ar livre na Coque O Dia Mundial do Yoga vai ser as- sinalado no Luxemburgo no próxi- mo domingo, dia 21 de Junho, com várias actividades ao ar livre, no jar- dim do pavilhão d’Coque, em Kir- chberg. O evento, organizado pela Federação Nacional das Escolas Lu- xemburguesas de Yoga, começa às 9h com uma sessão que integra po- sições, meditação e uma oração in- diana. Entre as 9h30 e as 12h30 ha- verá aulas de yoga em francês, in- glês e luxemburguês, entre outras actividades, todas gratuitas. Os in- teressados devem apresentar-se com roupas confortáveis, um tapete de yoga ou uma toalha de praia. No próximo domingo Encontro para pais lusófonos em Remich A Escola de Pais do leste do Lu- xemburgo (“Eltereschoul”, em lu- xemburguês), com sede na locali- dade de Remich, vai organizar no próximo domingo uma sessão de- stinada aos pais portugueses e lu- sófonos. Esta sessão para pais vai decor- rer em língua portuguesa, com otema “Os limites, as regras e a liberdade na educação dos nossos filhos”. O encontro está marcadopara as 10h do próximo domingo, e vai ser orientado pela educadora de infância Olga Car- doso. A participação é gratuita, mas as pessoas interessadas em participar devem inscrever-se hoje, quarta- feira, através do tel. 27075965 (ou pelo email eltereschoul-est@kan- nerschlass).
  13. 13. Contacto 17 DE JUNHO DE 2015 artes & espectáculos 13 Em Julho Legendary Tiger Man vai estar no Luxemburgo á no dia 18 de Julho que o artista multifacetado Paulo Furtado, que encarna o Legendary Tiger Man, vem ao Luxemburgo para apresen- tar o seu mais recente álbum, “True” na Abadia de Neiménster, na capi- tal luxemburguesa. O aclamado músico português começou a carreira no final dos anos 80 e conta com 15 anos de palco a solo, como Tiger Man. Em 2014, lançou este sexto álbum, onde in- terpreta uma espécie de “one man band”, com blues do Mississipi em versão portuguesa. Para Paulo Furtado, “True” é “um disco com um lado mais negro, mas também muito luminoso”, um dis- co de rock and roll puro, admitin- do ter ficado muito surpreendido com a receptividade do público. Sozinho em palco, atrás de uma bateria, guitarra em punho e ka- zoo, o ’rockabilly’, fundador dos Tédio Boys de Coimbra, encanta e supreende o público,pela sua ori- ginalidade e grande capacidade de coordenação. Acarinhado em Fran- ça, deu vários concertos e entre- vistas na televisão desde o lança- mento do álbum “Femina”, em que partilhou o microfone exclusiva- mente com mulheres. O disco con- tou com as vozes de Asia Argento, Maria de Medeiros, Peaches, Becky Lee, Rita Redshoes, Lisa Kekaula, Cláudia Efe e Cibelle,entre outras. Foi este também o álbum que deu a Tiger Man uma maior projecção internacional Membro da banda portuguesa Wraygunn, Paulo Furtado fez parte dos Tédio Boys, uma banda que apesar de pouco conhecida deixou um enorme legado na música rock portuguesa. Os seus membros cri- aram e influenciaram a música ’in- die’ portuguesa, inclundo os The Parkinsons, D3O ou Bunnyranch. O seu mais recente disco, no- meado para os Globos de Ouro des- te ano na categoria de “Melhor In- térprete Individual”, valeu-lhe ex- celentes críticas em Portugal, Fran- ça e Alemanha. O músico já parti- lhou o palco com grandes nomes internacionais, como Eddie Ved- der, dos Pearl Jam. e tem deixado a sua marca por onde passa. Bilhetes à venda no site neimens- ter.lu (25 euros). n Vitor H. Silva Noite de gala ao som da morna Músicos cabo-verdianos ajudam crianças de São Vicente A noite de gala organizada pela Fe- deração das Associações Cabo- verdianas no Luxemburgo (FACVL) juntou no sábado vários artistas cabo-verdianos por uma causa so- lidária. O cantor cabo-verdiano Mirri Lobo foi o cabeça de cartaz, que atraiu mais de 200 pessoas à pequena localidade de Roodt-sur- Syre, no oeste do país. Ao palco subiram ainda Toy Vi- eira (vindo da Holanda), Carla Cor- reia, Rita Barros, Tutin D’Giraldo (vindos de Portugal), Djá, Djoy D’Ninha, Erineu, Djon Mota, An- derson, Casimiro e DJ Mendyss. O concerto estava incluído na programação anual dos 40 anos de independência de Cabo Verde. Os lucros angariados vão servir para apoiar a Associação de Cri- anças Deficientes de São Vicente e para construir um lar para pessoas portadoras de deficiências e com mobilidade reduzida na região de Paul, na ilha de Santo Antão, disse ao CONTACTO o presidente da FACVL, João da Luz. “O apelo foi lançado pelo presi- dente da associação em Cabo Ver- de a toda a diáspora e nós decidi- mos dar o nosso contributo com a realização desta noite de morna”, explicou João da Luz. A gala incluiu ainda um jantar, confeccionado pelo chefe cabo- verdiano Luís Carvalho, do restau- rante Métissage. A festa contou com o apoio da autarquia de Betzdorf, que cedeu o espaço e o material necessário para a noite de gala, e de vários volun- tários. “Devo agradecer ao Mirri Lobo, que aceitou desde o primeiro con- tacto, e sem pedir ’cachet’, partici- par nesta boa causa”, disse o pre- sidente da FACVL. Mirri Lobo, primo do antigo lí- der do grupo Tubarões Ildo Lobo, venceu em 2012 quatro categorias do prémio Cabo Verde Music Awards, graças ao seu álbum “Cal- dera Preta”: Melhor Voz Masculina, Melhor Álbum Acústico, Melhor Coladeira, e Melhor Música do Ano. A noite prolongou-se até perto das 2h da manhã, deixando um sor- riso nos rostos do público, numa noite em que os músicos artistas das ilhas da ’morabeza’ trouxeram ao Luxemburgo uma onda de alegria. n Aleida Vieira O cantor cabo-verdiano Mirri Lobo foi a cabeça de cartaz da noite de gala solidária Foto: Aleida Vieira Exposição “As fronteiras da independência” Portugal empresta tratado que criou Grão-Ducado a museu luxemburguês A Torre do Tombo vai emprestar durante um ano a um museu lu- xemburguês um exemplar da Acta Final do Congresso de Viena, assi- nada em 1815 por Portugal e mais sete países para redefinir o mapa político da Europa. O documento inclui no seu clausulado a criação do Grão-Ducado do Luxemburgo, que ficou sob a administração dos Países Baixos. O tratado, composto por 108 fó- lios em papel, e a sua ratificação, com 10 fólios em pergaminho, é “a jóia” da exposição “As fronteiras da independência”, no museu Dräi Ee- chelen, devido à “importância geo- política” do documento, diz Inês Correia, conservadora da Torre do Tombo. O Congresso de Viena reuniu as grandes potências europeias após as guerras napoleónicas, e é “unani- memente considerado um dos mai- ores acontecimentos do século XIX, porque tentou equilibrar os pode- res políticos e económicos na Eu- ropa, através da redefinição das fronteiras e da revisão do mapa ge- opolítico”, explica a conservadora. O documento manuscrito, de que existem apenas oito exemplares, classificados pela Unesco como “Registo da memória do mundo”, foi assinado a 9 de Junho de 1815 por Portugal, Rússia, Grã-Bretanha, Áustria, Prússia, França, Suécia e Espanha. Esta é a primeira vez que o exem- plar português deixa o Arquivo Na- cional da Torre do Tombo, em Lis- boa. Para a conservadora que trans- portou o documento, o empréstimo representa também “o reconheci- mento do dinamismo da comuni- dade portuguesa no Luxemburgo”. “Estes momentos históricos po- dem ter um efeito gregário, porque acabamos por perceber que esta- mos todos ligados”, diz, conside- rando também que “era bom valo- rizar a exposição e garantir que a in- formação chegue à comunidade portuguesa no Luxemburgo”. A duração do empréstimo, que se prolonga durante um ano, obrigou a cuidados especiais para assegurar a preservação e segurança do do- cumento. “É um período de expo- sição extraordinário (normalmente o máximo são três meses), mas o mu- seu fez tudo para respeitar os re- quisitos necessários, incluindo os reduzidos valores de intensidade lu- minosa, para preservar os materiais que constituem os documentos, no- meadamente o papel do século XIX, naturalmente instável”, garante Inês Correia. A exposição no Museu Dräi Ee- chelen retraça a história do Grão- Ducado desde a sua criação, no Congresso de Viena, até à assinatu- ra em 1839 do Tratado de Londres que abriu caminho à independência do país, em 1867, e pode ser visita- da até 22 de Maio de 2016. n P.T.A. Encarregada de Negócios da Embaixada de Cabo Verde Clara Delgado visita atelier de pintura de Nelson Neves A encarregada de Negócios da Em- baixada de Cabo Verde no Luxem- burgo, Clara Delgado, foi conhecer, este fim-de-semana, a nova colec- ção do artista plástico Nelson Ne- ves. “É a primeira vez que um re- presentante de Cabo Verde vem co- nhecer o meu atelier. Foi feliz ter coincidido com os 40 anos de In- dependência”, disse o pintor, que prepara a apresentação da nova co- lecção no dia 26 de Junho, na Ga- lerie Beim Engel, na capital. “Ela disse-me que todo o cabo- verdiano, cada um na sua área, de- ve ser um embaixador da nossa ter- ra. Fiquei mais animado”, confes- sou o artista cabo-verdiano. www.sdk.lu Infotel. 488 216 1 Medicamentos não pertencem ao lixo doméstico Aktioune vum Minstär fir nohalteg Entwécklung an Infrastrukturen mat de Gemengen, der Chambre des Métiers an der Chambre de Commerce ➡ Medicamentos (expirado ou não), drageias, loções, sprays medicinais, pó, pomadas, xarope, comprimidos, tinturas, gotas As substâncias activas dos medicamentos podem prejudicar oserhumanoeoambienteseforemusadas incorrectamente ou em elevadas concentrações. Estes produtos, portanto, não pertencem ao lixo doméstico, mas a SuperDrecksKëscht®. Prevenção e redução • Compre apenas medicamentos que provávelmente irá guardar. • Medicamentos que já não precisa podem ser entregues nas farmácias. • Não recorra logo a comprimidos - uma grande parte das indisposições podem ser tratadas com métodos naturais o com medecinas alternativas. 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  14. 14. 14 17 DE JUNHO DE 2015 ContactoLCGB-INFO (página da exclusiva responsabilidade do LCGB) Em movimento por uma sociedade igualitária e pela justiça social Hotline INFO-CENTER (+352) 49 94 24-222 (2a a 6a feira : 8:30 - 12:00 e 13.00 - 17.00) A seccão portuguesa da LCGB convida-o estar presente na assembleia geral de 2015 Já fez dois anos em 11 de Abril de 2015, que a LCGB realizou em Helmdange a Assembleia Geral constituinte da nova Secção Portuguesa. Na presença de Sua Excelência, o Cônsul Geral de Portugal, Dr. Rui MONTEIRO, 200 pessoas participaram na fundação desta nova secção da LCGB. O ano passado em 27 de Junho de 2014, a Secção Portuguesa da LCGB comemorou em Kayl o seu primeiro aniversário com um jantar oferecido a cerca de 300 pessoas e na presença de Suas Excelências a Embaixadora de Portugal, Dra Maria Rita FERRO e do Cônsul Geral de Portugal, Dr. Rui MONTEIRO. Sob a liderança do seu presidente Reinaldo CAMPOLARGO, a secção portuguesa da LCGB apresentou as suas primeiras atividades nomeadamente, com a participação no Festival das Migrações, Culturas e Cidadania, participação na manifestação do 1 Maio na cidade do Luxemburgo, participação na peregrinação de Nossa Senhora de Fátima em Wiltz, um concurso de pesca no Lago Teschenbäach em Grevenmacher e muitas outras atividades para além de uma presença regular no programa radiofónico “Vida ativa e social” da LCGB, difundido aos sábados às 9h da manhã na Radio Latina. Tal como em 2013 e 2014, a secção portuguesa da LCGB participou nos dias 13 e 14 de Maio de 2015 (dia da Ascensão) na peregrinação de Nossa Senhora de Fátima a Wiltz. A peregrinação ao santuário de Fátima em Wiltz tornou-se uma verdadeira festa popular senão mesmo, o mais importante evento da comunidade portuguesa no Luxemburgo. É por isso que, a secção portuguesa decidiu apoiar os muitos peregrinos oferendo-lhes ao longo do percurso, água e chocolate e uma refeição quente ao almoço assim como a apresentação dos serviços da LCGB INFO-CENTER com um stand em Wiltz. Dado o grande número de comentários positivos pela parte dos peregrinos e visitantes do stand da LCGB, a participação da secção portuguesa-LCGB na peregrinação de Nossa Senhora de Fátima em Wiltz foi um enorme sucesso. Venha também participar na Assembleia Geral de 2015 e inscreva-se junto da LCGB! Após dois anos de existência, a secção portuguesa convida-o novamente a estar presente na assembleia geral de 2015 na qual se fará um balanço das atividades realizadas assim como a divulgação das atividades futuras. Qualquer pessoa interessada pode participar nesta assembleia geral que terá lugar no próximo dia 27 de Junho de 2014 (sábado) a partir das 18h00 na Sala Polivalente “Um Widdem” em Kayl. Basta inscrever-se junto da LCGB através de Liliana BENTO (GSM: 691 733 015 / E-mail: lbento@lcgb.lu). Serão convidados de honra à Assembleia Geral de 2015 da Secção Portuguesa da LCGB, Suas Excelências, o Ministro da Justiça, Félix BRAZ, o Embaixador de Portugal no Luxemburgo, Dr. Carlos PEREIRA MARQUES e o Cônsul Geral de Portugal, Dr. Rui MONTEIRO. Após a Assembleia Geral, propomos-lhe passar ainda algum tempo de descontração e convívio em torno de um jantar que será oferecido a todos os presentes acompanhado de música e dança. Assembleia geral da secção portuguesa 27 de Junho de 2015 (sábado) às 18h00 Sala Polivalente “Um Widdem” em Kayl Convidados de honra: Suas Excelências, o Ministro da Justiça, Felix BRAZ, o Embaixador de Portugal, Carlos PEREIRA MARQUES e o Cônsul Geral de Portugal, Rui MONTEIRO
  15. 15. Contacto 17 DE JUNHO DE 2015 artes & espectáculos 15 Portugal “meets” Bosnia O pianista português Sérgio Rodrigues é o co- compositor do novo ál- bum da cantora bósnia Selma Schauls, cruza- mento da música tradici- onal dos Balcãs com a música contemporânea. Gravado em Lisboa, o disco foi apresentado no Luxemburgo com seis músicos portugueses. “ Bem-vindos a um lugar onde as letras e as línguas não têm importância nenhuma”. A fra- se com que a cantora bósnia Selma Simic, eterna cúmplice de Selma Schauls, abre o concerto na Abadia de Néimenster, faz pensar nas ten- sões linguísticas e identitárias no Luxemburgo, uma semana após o referendo, mas também na história da ex-Jugoslávia. O país onde um dia coabitaram “seis repúblicas, cinco etnias, quatro línguas, três religiões e dois alfabetos” sofreu o maior genocídio na Europa desde o Holocausto, precisamente na Bósnia-Herzegovina, onde nasce- ram as duas cantoras, que parti- lham o mesmo nome e o ano de nascimento. “Just B with Selma”, assinado pela cantora bósnia Selma Schauls e pelo pianista português Sérgio Rodrigues, nascido no Luxembur- go, inventa uma nova língua. “As letras não querem dizer nada, é uma nova língua que inventámos”, ex- plica Selma. Um artifício que per- mite que a voz se converta em ins- trumento. Mas não é só nas letras que o ter- ceiro disco da cantora, com crédi- tos firmados no Luxemburgo, faz prova de vocação ecuménica. As melodias dos Balcãs foram revolu- cionadas pelo pianista e composi- tor Sérgio Rodrigues, que assina as partituras dos nove instrumentos, incluindo as cordas de Clara Go- mes (violino), Cátia Santos (viola de corda) e Joana Correia (violonce- lo), além do contrabaixo de Fran- cisco Brito e a percussão de Joel Sil- va. Aos seis músicos portugueses vindos de Lisboa para o lança- mento do disco juntaram-se o lu- xemburguês Paul Gehl no alaúde, o francês Emmanuel Frin (clarine- te) e a romena Borbala Janitsek (vi- oloncelo), num álbum que funde as melodias tradicionais dos Balcãs com o jazz e a música contempo- rânea. Sérgio Rodrigues, que vive há vá- rios anos entre o Luxemburgo e Portugal, onde frequentou a Escola Superior de Música de Lisboa, ad- mite que não foi fácil para os mú- sicos entrar no ritmo dos Balcãs. “A música é muito complexa, porque em vez dos compassos 4x4 temos compassos compostos”, ex- plica, batendo as palmas para ilus- trar o ritmo. “Partimos da música tradicional, e não foi fácil sair desta expressão, mas para mim foi ex- tremamente enriquecedor”, diz o pianista português, que já compôs música para cinema e teatro – in- cluindo a memorável adaptação do “Barbeiro de Sevilha” no Teatro des Capucins, em 2006, com o grande actor luxemburguês Marc Olinger, falecido em Janeiro deste ano. No disco, Sérgio Rodrigues utili- za também “toda a paleta do pia- no”: dedilha as cordas do instru- mento, convertendo-o em guitarra – uma técnica que faz lembrar o pi- anista turco Fazil Say –, e em ins- trumento de percussão, abrindo “novos horizontes” às composições originais de Selma Schauls. “Era preciso uma pessoa que vi- esse de outros horizontes para re- frescar a música, e esta mistura de culturas dá às canções uma nova dimensão”, diz a cantora, para quem Sérgio “realizou um antigo sonho” seu. Os dois músicos já ti- nha colaborado em 2008 no se- gundo álbum de Selma, “Aidez-moi, j’ai un accent”, que contou tam- bém com a participação de Raquel Barreira. Selma Schauls chegou ao Lu- xemburgo há 30 anos como “refu- giada do amor”, depois de ter co- nhecido o marido, o luxemburguês Roby Schauls, durante umas férias em Itália. Nascida em Mostar, a lo- calidade que foi palco dos piores conflitos étnicos durante a guerra civil na Bósnia, Selma assistiu de longe à destruição da velha ponte que unia as margens da localidade há mais de quatro séculos, uma imagem das divisões em confronto na ex-Jugoslávia. Longe da vista, mas não do coração: o primeiro dis- co da cantora, “Sevdah de Luxe”, contribuiu para o projecto de re- construção da velha ponte otoma- na, concluída em 2004 pela Unes- co. Selma Simic chegou ao Luxem- burgo pouco antes da guerra civil na Bósnia, em 1991, e apesar de não ter passado pelo inferno dos re- querentes de asilo, a desagregação da antiga Jugoslávia deixou-a em situação de apátrida, sem papéis nem documentos, mergulhando-a num longo combate burocrático. As dificuldades da imigração são aliás o ’leit-motiv’ do disco anteri- or. Em “Elle attend”, que já conta- va com o piano de Sérgio Rodri- gues, Selma Schauls canta as “noi- tes de pesadelo” de uma reque- rente de asilo fugida à guerra nos Balcãs, “sete anos à espera que de- cidam o seu destino”. Em “aidez- moi, j’ai un accent”, a canção que dá nome ao álbum anterior, recor- dada no concerto de sábado, a can- tora canta: “O meu sotaque é a mi- nha alma / Já perdi o meu, não que- ro o vosso / Se pudesse encontrar outro / Para vos cantar, para me tranquilizar / Para que me com- preendam”. No álbum que assina com Sérgio Rodrigues, os dois músicos podem bem ter encontrado a terceira via de expressão, provando que a his- tória do Luxemburgo se escreve também ao ritmo de outras cultu- ras, e que há pelo menos um lugar onde as línguas não impedem a co- municação. n Paula Telo Alves O projecto junta duas cantoras bósnias e seis músicos portugueses Fotos: Vasco dos Santos Sérgio Rodrigues assina as partituras de nove instrumentos Servi-lo com excelência, respeitar os nossos parceiros, apoiar os nossos colaboradores, envolver-nos no desenvolvimento do nosso país e no futuro das gerações vindouras. É assim que concebemos uma relação de confiança sustentável consigo. Vamos conversar! Você acima de tudo Encontre-nos em Banque Internationale à Luxembourg SA, 69 route d’Esch, L-2953 Luxembourg, RCS Luxembourg B-6307 (+352) 4590-3000 www.bil.com Responsável, como você.
  16. 16. 16 artes & espectáculos 17 DE JUNHO DE 2015 Contacto UTOPOLIS Kirchberg (NOVO) The Age of Adaline de quar. a sex. e seg. 12h; de quar. a dom. e ter. 17h, 19h30, 22h; seg. 17h, 19h30; sáb. 0h0 (NOVO) Big Game – de quar. a sex. e seg. 12h; quar., sex., sáb. e seg. 12h; quin., dom. e ter. 14h30, 17h, 19h30, 21h30; sáb. 0h15 Home – En route! quin., dom. e ter. 14h30 (NOVO) Inside Out 3D – de quar. a sex. e seg. 12h; quar., sex. e sáb. 14h, 14h15, 16h30, 16h45, 19h30, 21h30; quin., de dom. a ter. 14h, 14h15, 16h30, 16h45, 19h30 Jurassic World 3D (2D) – de quar. a ter. 13h45, 16h30; sáb. 0h00; (3D) – de quar. a dom. e ter. 13h45, 16h30, 19h, 22h; seg. 13h45, 16h30, 19h The Longest Ride quar., sex. e dom. 21h30 Mad Max: Fury Road – de quar. a ter. 19h Pitch Perfect 2 – quar., sex., dom. e ter. 16h45, 19h30; quin., sáb. e seg. 19h30 (NOVO) Poltergeist 3D – de quar. a sex. e seg. 12h; de quar. a dom. e ter. 17h, 19h15, 21h45; seg. 17h, 19h15; sáb. 0h15 Project T (Tomorrowland) quin.,. sáb. e ter. 21h30 Qui c’est les plus forts? de quar. a sex. e seg. 12h San Andreas (2D) – de quar. a ter. 21h30; (3D) – quin., sáb. e seg. 16h45 Spy – de quar. a dom. e ter. 16h30, 19h, 21h30; seg. 16h30, 19h UTOPIA Limpertsberg A little Chaos (Les jardins du roi) quar. 18h30; sex. 21h30; dom. 21h15 Dark Places quar., sex. e seg. 14h; ter. 21h Far from the Madding Crowd quar. e ter. 16h15, 21h15; quin. e seg. 16h15; de sex. a dom. 16h30, 19h Gus petit oiseau grand voyage quin., sáb. e dom. 14h; ter. 14h15 La Loi du marché quar. 14h, 16h30, 19h, 21h30; quin. 16h30, 19h, 21h30; sex. 14h, 17h, 19h30, 21h45; sáb. e dom. 17h, 19h30, 21h45; seg. e ter. 14h, 16h30, 19h La Tête Haute quin. 18h45; seg. 18h30 Nature – Enchanted Kingdom quin. e sáb. 14h Nos femmes sáb. 21h30; ter. 18h45 On voulait tou casser quin. e ter. 18h30; de sex. a dom. 21h30 (NOVO) The Absent One (Profanation, Fasandraeberne de Mikkel Norgaard com Nikolaj Lie Kaas, Fa- res Fares, Pilou Asbaek quar., quin. e ter. 21h; de sex. a dom. 19h The Farewell Party quin. e seg. 19h; sáb. 21h30 The Second Best Exotic Marigold Hotel quar., quin., seg. e ter. 16h; de sex. a dom. 16h30 Clochette et la créature légendaire quin. 14h; dom. 14h30 Still Alice quar. 18h45; dom. 21h30 Shaun the Sheep Movie de quar. a sex. e de dom. a ter. 14h She’s funny that way (Broadway Therapy) quar., sex. e seg. 14h; quin. e ter. 21h45; dom. 21h45 Taxi Teheran sex. 21h45; er. 18h45 (NOVO) Valley of Love quar. 14h, 16h30, 19h; quin. 14h, 16h30, 21h; sex. 14h30, 17h, 19h30, 21h45; sáb. 17h, 19h30, 21h45; dom. 14h30, 17h, 19h30; seg. 14h, 16h30, 19h; ter. 16h30, 19h UTOPOLIS BELVAL Esch/Belval Gus petit oiseau grand voyage quin. e ter. 14h15; sáb. 14h (NOVO) Inside Out 3D (2D) – quar., quin., seg. e ter. 14h15, 16h30; sex. 14h, 16h15; sáb. e dom. 14h, 16h30; (3D) – quar., quin., seg. e ter. 16h30, 20h15; de sex. a dom. 16h30, 19h15 Jurassic World (2D) – quar. e ter. 14h, 16h45, 20h; quin. e seg. 14h, 16h45, 20h; sex. 13h45, 16h15, 18h30, 19h, 21h30; sáb. e dom. 13h45, 16h15, 19h; (3D) – quar. e ter. 14h, 16h45; quin. e seg. 14h, 16h45, 20h; sex. 13h45, 16h45, 22h; sáb. e dom. 13h45, 16h45, 21h30, 22h CINESTARLIGHT Dudelange Jurassic World quar. e ter. 20h45; sex. 18h30; sáb. 18h45; dom. 16h15; seg. 15h Pourquoi j’ai pas mangé mon père quar. 20h45; sex. 18h30; dom. e ter. 14h The Second Best Exotic Marigold Hotel quar. e quin. 18h30 Taxi Teheran sex. 20h30; dom. 19h; seg. 15h; ter. 20h45 ARISTON Esch/Alzette (NOVO) Brabançonne sex., sáb. e ter. 20h (NOVO) Inside Out quin. e dom. 14h; sáb. e ter. 15h45 The Farewell Party quin. e dom. 20h KINOSCH Esch/Alzette Jimi: All Is By My Side dom. 20h; ter. 18h Melody dom. 18h15; ter. 20h15 PRABBELI Wiltz Jurassic World 3D seg. 20h30 Taxi Teheran sex. 20h30 ORION Troisvierges Jurassic World 3D dom. 20h Melody – seg. 20h Taxi Teheran – quar. 20h SURA Echternach Jurassic World 3D sex. 20h15; seg. 18h The Second Best Exotic Marigold Hotel quar. 20h15 Taxi Teheran – seg. 20h15 SCALA Diekirch Jurassic Wold 3D – quin. 20h Pourquoi j’ai pas mangé mon père seg. 20h Taxi Teheran – dom. 20h CINEMAACHER Grevenmacher Jurassic Wold 3D ter. 20h Pitch Perfect 2 sáb. 16h30 LEPARIS Bettembourg Jurassic World 3D sáb. 20h30 Pourquoi j’ai pas mangé mon père ter. 20h30 The Second Best Exotic Marigold Hotel dom. 20h30 KURSAAL Rumelange (NOVO) Brabançonne dom. e seg. 20h (NOVO) Inside Out sáb. e ter. 14h; dom. 15h45 WAASSERHAUS Mondorf-les-Bains (NOVO) BRABANÇONNE quar. e quin. 20h (NOVO) Inside Out quar. e dom. 15h45; quin. e sex. 18h; s´b. 14h; ter. 17h30 Mad Max: Fury Road sáb. 20h The Farewell Party sex. 16h15; dom. 19h30 “Inside Out” Manual de emoções O festival de Cannes foi criando o hábito de projetar cinema de ani- mação. Os selecionadores ainda não tiveram coragem de colocar este tipo de filmes na competição mas, devagar devagarinho, vão mostrando o que de melhor se faz em termos de animação no festival internacional de cinema. O filme escolhido para a edição 68 do festival foi “Inside Out”, uma criação da Pixar. Pode resumir-se o filme como um manual de emo- ções para os mais pequenos. Cada emoção está representada, com destaque para a alegria, o medo, o nojo, a raiva e também a tristeza. Quem apresenta o vasto mundo das emoções é Riley, que tem ape- nas 11 anos e cuja vida se arrisca a dar muitas cambalhotas. A sua fa- mília vai mudar-se para a Califór- nia, deixando para trás o Minne- sota natal onde Riley é feliz, na sua vidinha pacata e... feliz. Dividido, e com medo da mu- dança, Riley enfrenta um turbilhão de emoções incontrolável. A Ale- gria e a Tristeza vão tentar por or- dem nesta grande confusão que reina na terra das emoções. Cada espectador pode identificar-se com uma persona- gem específica (acredite, muita gente se identifica com a Tristeza e não há mal nenhum nisso). Seja qual for a sua personagem favori- ta, o filme encanta crianças e adul- tos. Os argumentistas da Pixar cri- aram um enredo tão inteligente que “Inside Out” vale mais do que uma sessão de psicoterapia. E o adulto mais empedrenido emocional- mente vai, com certeza, gostar. “Inside Out” é, assim, um filme para todos mas do qual só os adul- tos vão aproveitar as “nuances” e os pormenores. Os miúdos não vão conseguir acompanhar todo o complexo enredo mas nunca fica- rão pelo caminho porque o es- sencial é óbvio. Os problemas causados pelas emoções e as consequências para a personagem principal do filme, e principalmente a incrível viagem de Alegria e Tristeza para voltar à sala de controlo, podem ser complexos para os mais pequenos. Há partes, por exemplo, em que conceitos co- mo as diferenças entre duas e três dimensões são explorados de for- ma tão brilhante que podem não fazer sentido para os mais novos, mas é justamente nesses momen- tos que os pais se deliciam. Curiosamente, este filme tão in- teligente e complexo contrasta com a simplicidade física das persona- gens. Poderia dizer-se que a cria- tividade que transborda no enredo faltou na elaboração dos bonecos, todos muito simples, parecendo serem feitos de plasticina... Dizem as más línguas que a Pixar já es- tava a pensar numa forma barata de produzir estas figurinhas já que o merchandising, pode trazer mais lucros do que o próprio filme. E lei- am bem o que vos digo, estes bo- nequinhos vão andar nas mãos das nossas crianças durante muito tempo. É óbvia a ligação entre este fil- me e o maior sucesso da Pixar, “Toy Story”. A fonte de inspiração é ób- via e a temática de base é seme- lhante: o que se perde na infância e quando crescemos. “Inside Out” de Pete Docter (as vozes das personagens variam em função da língua, mas tenha cui- dado com o título que também apresenta bastantes diferenças em função do país. “Inside Out” deu “Vice Versa” em francês e “Alles steht Kopf” em alemão; em Portu- gal chamaram-lhe “Divertida- mente”). n Raúl Reis Não, não é uma DJane, são as vozes dentro da tua cabeça Mundos híbridos Exposição junta artista português e cabo-verdiano O gravurista português João Bar- roso e o pintor cabo-verdiano Nel- son Neves são os dois participantes lusófonos na exposição colectiva “Mondes hybrides” (Mundos híbri- dos), patente de 26 de Junho a 18 de Julho na Galerie Beim Engel, na cidade do Luxemburgo. João Barroso, que é também pin- tor, e Nelson Neves, vão expor as suas obras juntamente com o es- cultor italo-luxemburguês Angelo Brunori e escritora peruana Miriam Krüger. “Esta exposição será em si um ’mundo híbrido’, com propostas de diferentes meios artísticos e várias nacionalidades e origens. A expo- sição será uma manifestação de to- lerância e de livre circulação artís- tica”, refere em comunicado a cu- radora da exposição, a cantora lu- xemburguesa de origem cabo- verdiana Mary-Ann Meyers. Os artistas convidados vão criar ao longo da exposição um “objecto comum” a partir de material reci- clado, como sinal de resistência contra a intolerância. “Num mundo em que a conver- gência de diferentes culturas pare- ce gerar um problema de identi- dade, o ’mundo híbrido’ poderá tornar-se numa figura de resistên- cia contra a intolerância”, sublinha Mary-Ann Meyers. A vernissage da exposição vai ter lugar no dia 26 de Junho (uma sexta- feira), às 19h, na Galerie Beim En- gel (nas traseiras do Palácio Grão- ducal) e vai contar com actuação da da cantora e compositora de jazz Mary-Ann Meyers. De 26 de Junho a 18 de Julho, os interessados poderão apreciar di- versas obras de desenho, gravura, pintura, escultura e algumas insta- lações, todos os dias (excepto às segundas-feiras), das 10h às 12h e das 13h às 19h. A exposição “Mundos híbridos” conta com o apoio do Ministério da Cultura do Luxemburgo e da em- baixada de Cabo Verde.
  17. 17. Contacto 17 DE JUNHO DE 2015 desporto 17 Futsal SC Bettembourg Valente Juniors brilha no mundial em Nantes A equipa de futsal do SC Bettembourg Valente Ju- niors esteve em destaque no mundial de futsal pa- ra clubes, realizado este fim-de-semana em Nan- tes. A formação luxem- burguesa, detentora da taça do Luxemburgo, venceu a final do torneio de consolação frente aos portugueses do Senhora da Hora, por duas bolas a uma, com um golo de Olivier Marques. Eliminada na fase de apu- ramento frente aos cam- peões do torneio – os fran- ceses do FC Erdre-Atlantique –, a formação luxemburguesa conse- guiu um brilhante primeiro lugar no designado torneio de consola- ção ao bater todos os adversários que lhe apareceram pela frente. A equipa comandada pelo trei- nador André Soares iniciou a sua caminhada vitoriosa com três vi- tórias na fase de grupos: Por 4-2 contra a equipa belga do AC Pi- azza Gilly, depois um 4-0 frente aos ingleses do Kickers Futsal, fechan- do com uma goleada (5-2) contra a formação paraguaia do Exa-Sale. No encontro da meia-final, o SC Bettembourg Valente Juniors ven- ceu a equipa do Ferrand Nouméa, da Nova Caledónia, por 2-1, após prolongamento, e garantiu o tão desejado ’passaporte’ para a final. No jogo grande, perante quase mil espectadores, a equipa luxem- burguesa defrontou os portugue- ses do Senhora da Hora. O jogo foi bastante equilibrado, mas o golo de ’ouro’ de Olivier Marques, já perto do final, selou um triunfo histórico frente à formação portu- guesa. No final do torneio, o director desportivo do SC Bettembourg Va- lente Juniors, Tiago Fernandes, re- alçou a excelente vitória da sua equipa, sublinhando que a con- quista do troféu enche de orgulho o clube. “Para nós é um motivo de or- gulho sermos o primeiro clube a levar um troféu deste prestigio pa- ra o Grão-Ducado, ganho perante um pavilhão cheio de público e um ambiente absolutamente fantásti- co”. O jovem dirigente, enfatizou “os momentos de sofrimento, cansaço e perseverança que a equipa pas- sou” e “a excelente actuação dos nossos jogadores e guarda-redes foram determinantes na nossa vi- tória”, rematou. O torneio final do Mundial de Futsal foi ganho pela equipa fran- cesa do FC Erdre-Atlantique, que derrotou na final o C’Wets Nantes por duas bolas a uma, após pro- longamento. n Á. Cruz A equipa luxemburguesa mostrou que no Grão-Ducado o futsal está em plena evolução Luís Filipe Fonseca apela à presença da comunidade portuguesa no dia 12 de Julho em Cents Vice-presidente do Tondela quer que o jogo contra o RM Hamm Benfica seja uma festa Luís Filipe Fonseca, vice-presidente do CD Tondela e secretário-geral da SAD do clube, quer que o jogo de apresentação do RM Hamm Benfi- ca dia 12 de Julho, frente à sua equi- pa, seja “uma grande festa para a comunidade portuguesa e em es- pecial para todos os tondelenses re- sidentes no Luxemburgo”. O dirigente do campeão da se- gunda liga portuguesa e novo pri- modivisionário da elite do futebol português está no Luxemburgo pa- ra se encontrar com os seus ho- mólogos ’encarnados’ e “definir os últimos pormenores do jogo”, que para Luís Fonseca vai ser “a nossa primeira estreia internacional”. “Espero que venha muita gente ao estádio para assistir ao jogo. Co- mo a comunidade portuguesa aqui é bastante numerosa, acredito que vai estar muita gente num jogo que tem tudo para ser uma festa”, su- blinha o dirigente tondelense. “De um lado vai estar o RM Hamm Benfica, a equipa mais pró- xima dos portugueses aqui resi- dentes, e do outro o Tondela que vai fazer a sua estreia na primeira li- ga portuguesa. Ambos estão no mais alto patamar competitivo dos res- pectivos países. Por isso, estão reu- nidas as condições para ser uma grende festa do futebol”, lembra. Sobre os objectivos do CD Ton- dela na liga portuguesa, Luís Fon- seca diz que “a permanência no primeiro escalão do futebol portu- guês é a grande prioridade. A pri- meira época é fundamental para a consolidação da nossa posição, porque a primeira liga tem condi- cionantes muito específicas”. “O clube há dez anos estava nos distritais, mas tem tido um cresci- mento sustentado. Somos um clu- be emergente no futebol em Por- tugal, mas com uma grande orga- nização. Esta subida não é fruto do acaso, mas de um trabalho de dez anos, liderado pelo presidente Gil- berto Fonseca”, lembra. “Queremos continuar a marcar a nossa posição dentro do futebol na- cional e depois ir à procura de mais qualquer coisa. n Á. CruzLuís Fonseca quer ver o estádio cheio contra o Hamm Benfica Foto: Á. Cruz Futsal Ricardinho decisivo no título espanhol O português Ricardinho, com três golos, foi decisivo esta segunda-feira na vitória do Inter Movistar sobre o El Pozo Murcia, por 5-4, que deu ao clube madrileno o décimo título espanhol de futsal. O quarto jogo do “play-off” do título disputou-se em Múrcia, no Palácio dos Des- portos, perante 7.500 espectadores. A equipa da casa dominou a parti- da até ao minuto 37, quando Ri- cardinho empatou a 4-4, para che- gar ao golo da vitória no minuto se- guinte. O jogador português (de vermelho) continua em grande forma Futebol Fábio Paím assinou pelo Kayl/Tétange Fábio Paím vai representar o Union 05 Kal Téiteng, equipa que milita na Promoção de Honra do futebol lu- xemburguês. O extremo formado do Sporting, há uns anos apontado como uma das maiores promessas do futebol português, deixou recentemente o Nevezis, na Lituânia, depois de pas- sagens por Inglaterra, Angola, Qa- tar, China e Malta, após ter tam- bém representado alguns clubes em Portugal. Fábio Paím Ciclismo Nélson Oliveira defende títulos Nélson Oliveira, campeão portu- guês de ciclismo de fundo e de contra-relógio, vai defender os tí- tulos em Braga, de 26 a 28 de Ju- nho. O programa começa a 26 com o contra-relógio de sub-23, num percurso de 27km, seguindo-se, a partir das 15h, o ‘crono’ de elite, nu- ma distância de 36 km. As provas de fundo têm início no sábado, dia 27 num circuito que in- clui a Falperra e as subidas ao Bom Jesus e ao Sameiro, o mesmo cir- cuito vai ser o ‘palco’ da prova de elites, no dia seguinte.

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