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Revista de Administração do Sul do Pará (REASP) – FESAR – v. 1, n. 2, Mai/Ago – 2014 Página 1
GESTÃO AMBIENTAL PARA EMPRESAS: UM ESTUDO NO LAVA JATO
DOMANI VEICULOS VÁRZEA GRANDE/ MT
ENVIRONMENTAL MANAGEMENT FOR BUSINESS: A STUDY IN LAVA JATO
DOMANI VÁRZEA GRANDE VEHICLES / MT
Flavio Gatti (UFMT) gattimt@gmail.com
Graciela Cristine Oyamada (UNIOESTE/Toledo) gracielagra@hotmail.com
Bárbara Françoise Cardoso (UNIOESTE/Toledo) barbarafcardoso@gmail.com
Resumo
O presente artigo apresenta um estudo desenvolvido junto a Domani Veículos de Várzea
Grande/ MT no setor de lava jato voltado ao tratamento e reaproveitamento de água,
avaliando o uso desta nas lavagens de veículos, propondo ações de reaproveitamento através
de um equipamento de tratamento, bem como o de utilizar a água da chuva através de um
sistema coletor. O estudo foi desenvolvido com base na análise de dados obtidos por meio de
visitas in loco. Esta pesquisa demonstra a relevância no âmbito da empresa, a existência de
um sistema de gestão ambiental, com o intuito de reduzir impactos ambientais, custos e
cumprir com a responsabilidade socioambiental empresarial.
Palavras-chave: Gestão Ambiental, Empresa Domani, Sustentabilidade.
Abstract
This paper is a study developed in Domani Várzea Grande vehicles - MT in the jet wash
oriented treatment and water reuse sector, evaluating the use of this in car washes, proposing
actions for reuse through treatment equipment, as well as the use of rainwater through a
collector system. The study was developed based on the analysis of data obtained through site
visits. This research demonstrates the relevance within the enterprise, the existence of an
environmental management system in order to reduce environmental impacts and costs to
comply with environmental corporate responsibility.
Key words: Environmental Management, Domani Company, Sustainability.
1. Introdução
Revista de Administração do Sul do Pará (REASP) – FESAR – v. 1, n. 2, Mai/Ago – 2014 Página 2
Há algumas décadas nota-se que são cada vez mais evidentes os prejuízos causados ao
meio ambiente pelas mais diversas formas de atividades econômicas, sendo assim, a
conscientização por parte dos governos, empresas e indivíduos em geral, vêm forçando a
todos os órgãos responsáveis a tomar atitudes que visem combater a degradação do meio
ambiente nas suas mais diversas formas.
A população se preocupa com o caráter político-social tais como proteção ao
consumidor, controle de poluição, segurança, etc. Anteriormente a empresa se preocupava
com a maximização dos lucros e na minimização dos custos. Atualmente, nota-se uma
mudança no estoque do pensamento de sociedade, o qual tem sua ênfase de econômico para
social, tais como, a valorização dos aspectos sociais, distribuição mais justa de renda,
qualidade de vida, relacionamento humano, realização pessoal e principalmente nas questões
ambientais.
Nesse sentido, observa-se que embora não faltem empresas e entidades empresariais
que busquem práticas ambientalmente corretas, a maioria delas ainda não transformou seu
discurso social em práticas de responsabilidade socioambiental.
A responsabilidade socioambiental está cada vez mais presente nas empresas utilizam
desse fator para obter maior competitividade e melhorar sua imagem, ou seja, a gestão
ambiental é uma prática que atualmente vem ganhando espaço nas instituições públicas e
privadas.
O processo de Gestão Ambiental contribui para o sucesso da empresa, pois é uma
ferramenta de grande importância dentro da organização e sociedade como um todo.
Assim, dentro deste contexto, foi feito um estudo sobre o consumo de água potável no
setor de lava jato, de forma a identificar oportunidades de melhoria.
Foi observado que o setor de lava jato consome muita água potável que poderia ser
reaproveitada com o uso de tecnologias atuais e uma pequena mudança nas instalações já
feitas.
Diante do exposto, e da necessidade de atuação para minimizar os impactos
ambientais causados pelo processo de lavagens de veículos automotores na Domani
Distribuidora de Veículos LTDA, foi realizado um levantamento das causas que levam a tais
impactos ambientais e apresentados soluções para tal fato.
Durante as visitas feitas no setor de lava jato foi realizado um levantamento dos e
quantificado os custos no processo de lavagem, tais como, consumo de água (m3) e energia
elétrica. Al analisar o uso da água foi possível apresentar soluções com o custo benefício
viável para o caso em questão, levando em consideração os investimentos, uma vez que
qualquer ação a ser tomada, por mais pequena que seja , demanda investimento inicial
independente da ação a ser tomada.
A QUESTÃO AMBIENTAL
Revista de Administração do Sul do Pará (REASP) – FESAR – v. 1, n. 2, Mai/Ago – 2014 Página 3
As discussões em torno do tema não são recentes, uma vez que o homem sempre
precisou viver em harmonia com o meio ambiente, principalmente no uso dos recursos
escassos. Em virtude da produção em grande escala, a partir da Revolução Industrial, o
homem começou a produzir aceleradamente e como consequência, passou a poluir o meio
ambiente com a mesma intensidade.
Com raízes no final do século XIX, a questão ambiental emergiu após a Segunda
Guerra Mundial, promovendo importantes mudanças na visão do mundo. A ciência e a
tecnologia começaram a avançar com velocidade durante o Século XIX e desenvolveram-se
mais rapidamente a partir do inicio do Século XX, com o advento da forma de produzir
fordista e a intensificação da atividade industrial. As técnicas tornaram-se mais sofisticada e
multiplica em massa, ocupando território (GUERRA, p. 32, 2007)
As maquinarias são as mais intensas em capital e no uso de combustíveis não
renováveis, o que provoca maior risco à vida humana, sendo Intensas em capital e no uso de
combustíveis não renováveis, o que provoca maior risco à vida humana, sendo maiores as
pressões econômicas na obtenção de lucro e melhor desempenho na exploração de recursos
naturais, isto é, na maioria das vezes geram externalidades negativas ao meio ambiente e de
difícil recuperação.
Hoje os riscos estão mais direcionados com acidentes ou com abusos humanos
produzidos se expandem na maioria das dimensões da vida humana, obrigando-nos a
questionar os hábitos de consumo e as formas de produção material.
Moreira (2001) relata que na década de 60, o tema Meio Ambiente foi abordado pela
primeira vez em um evento internacional, numa reunião em clube de Roma, cujo objetivo era
reconstrução dos países no pós-guerra e os negócios internacionais. Para ele, o
desenvolvimento econômico decorrente da Revolução Industrial impediu que os problemas
ambientais fossem sequer considerados.
Em 1972 ocorreu na cidade de Estocolmo, a primeira convenção internacional sobre o
Meio Ambiente, organizada pela ONU. O Brasil participou do evento e assumiu uma posição
de resistência, alegando que para o País era mais importante investir no desenvolvimento do
que no controle ambiental. Essa posição não durou a partir da década de 80 e atualmente a
legislação brasileira está entre as melhores do mundo.
Em 1987, o relatório de Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e
Desenvolvimento, dissemina a expressão desenvolvimento ecologicamente sustentado, que
define o desenvolvimento sustentado como aquele que responde á necessidade do presente
sem comprometer a capacidade das gerações futuras de responder ás suas necessidades.
A partir da década de 90 foram implantados nas empresas instrumentos de gestão
ambiental para controle e prevenção de danos ambientais, para responder as demandas atuais
do mercado.
De acordo com Machado (2007), “a questão ambiental deixou a muito de ser uma
onda verde e romântica”. O que poderia parecer um modismo nos discursos de princípios da
Revista de Administração do Sul do Pará (REASP) – FESAR – v. 1, n. 2, Mai/Ago – 2014 Página 4
década de 90 do século passado, em grande medida supostamente inflamados pelas predições
“alarmistas” da conferência ECO 92 tornou-se lugar comum nos noticiários e nas redes de
comunicação em nossos dias. A verdade é que a população humana nunca foi tão grande,
como também nunca foi tão grande sua capacidade de impactar o meio ambiente.
Embora hajam exemplos históricos de regiões que tiveram suas riquezas exploradas e
exauridas pela ação humana, isso sempre foi uma experiência localizada. A questão ambiental
atual possui escala mundial e afeta a todos nós, uns mais e outros menos, pelo menos no
momento atual, mas nenhuma exceção. Na antiguidade, as tribos e povos mudavam-se em
tempos de crise em buscas de terras mais férteis, de outros lugares mais generosos.
Link (2010) afirma categoricamente que a compreensão da questão ambiental precisa
acontecer indo-se além das relações causais, cartesianas e positivistas, mas sendo
compreendidas dentro de uma dinâmica dialética. O ambiente precisa ser percebido não como
a soma de diversas partes, mas como uma totalidade vivenciando uma relação, tendo como
seus pólos o bio-geofísico e o sócio-econômico. Ou seja, de um lado o que geralmente o
grande público entende como meio ambiente – a fauna, a flora e os recursos naturais; de outro
o homem e suas necessidades, tanto de sobrevivência quanto de crescimento.
Rabelo (2007) salienta que:
O relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC,
em inglês) da Organização das Nações Unidas (ONU) culpa a ação do
homem pelo aquecimento global e prevê um cenário de catástrofe ambiental
(RABELO, p. 34, 2007).
Quando um país entra em guerra, a mobilização ocorre em todas as frentes. Os
governos se mobilizam, os indivíduos se alistam e mesmo as empresas se apresentam,
convertendo suas atividades naquelas mais necessárias para aquele momento histórico de
crise. Faz-se necessária a intervenção do poder público, seja, sancionando leis, ou na
conscientização da sociedade, incluindo indivíduos e empresas, quanto à mudança de hábitos.
Vale lembrar que a atividade empresarial/ industrial é o grande pivô da Revolução
Industrial e, por conseguinte, da atual crise ambiental. Nada mais justo que as empresas
assumirem sua parcela de responsabilidade na solução das questões referentes ao meio
ambiente.
A empresa tem um papel único como ponto proliferador de comportamento e cultura,
as teias de relação se estendem através dos stakeholders e imbuir seus colaboradores com
valores e comportamentos ambientalmente responsáveis é muito mais fácil do que para os
governos realizarem o mesmo com os cidadãos. Isso se dá tanto pela relação de comunicação
mais próxima no ambiente de trabalho quanto pela possibilidade real de fiscalização do
comportamento do funcionário. E a tendência é que o hábito conscientizado e adquirido
transfira-se para as outras esferas da vida do trabalhador. Embora a crise seja mundial, esta
não afeta a todos os países na mesma proporção.
Revista de Administração do Sul do Pará (REASP) – FESAR – v. 1, n. 2, Mai/Ago – 2014 Página 5
SUSTENTABILIDADE
Da relação dialética de tensão entre tese e antítese – desenvolvimento econômico e
preservação ambiental surgem à síntese denominada sustentabilidade ou desenvolvimento
sustentável.
O conceito de sustentabilidade baseia-se em um tripé: econômico, social e ambiental.
O desenvolvimento sustentável é aquele que se configura como economicamente viável,
socialmente responsável e cujo impacto ambiental é reduzido ou inexistente.
O pressuposto é que as ações precisam ser sustentáveis em todos os níveis, por isso a
ideia de sustentabilidade como um conceito sistêmico.
A ideia subjacente é de durabilidade, de que possamos viver o máximo hoje sem
comprometer o amanhã das futuras gerações. Como se pode ver, tal ideal demanda uma
reconfiguração total das relações sociais e dos estilos de vida existentes. Após um século em
que se construiu um estilo de vida, no qual o consumo desenfreado de bens descartáveis, de
fora o velho bem vindo ao novo. De descarte irresponsável ao uso e abuso desnecessário dos
recursos. Muitas indústrias têm todo seu modelo de negócio baseado nesse consumismo
constante e na troca supérflua e contínua de produtos ainda eficazes por outros mais
modernos, bonitos e arrojados – mas que se limitam basicamente à mesma funcionalidade:
vide a indústria de aparelhos.
Assim, por mais que o conceito de sustentabilidade seja lógico, necessário e urgente,
sua aplicação em larga escala, sua introdução na vida cotidiana se refletindo em uma forma de
viver diferenciada no dia a dia, constitui um grande desafio. Afinal, mudar é sempre
naturalmente conflituoso para os homens.
Shor (2010), afirma que:
No discurso da sustentabilidade, o coletivo torna-se
protagonista da história. O indivíduo escolhe os objetos de
consumo tendo em mente que suas decisões alteram a ordem do
que pode acontecer com o planeta e seus habitantes, e aí
estamos falando de ética (SHOR, p. 134, 2010).
Essa nova atitude, do coletivo sobre o individual, do bem comum sobre o benefício
próprio, ao contrario do que vem sendo o destaque da nossa cultura pelo menos pelos últimos
cinquenta anos. Por necessária que a mudança seja, ela naturalmente encontrará certa
resistência. É como o publicitário e ativista ambiental que vai de bicicleta para o trabalho, que
só consome alimentos orgânicos, mas não resiste à tentação de trocar de celular pelo menos
uma vez por ano, ou a química ambiental que mantém o mesmo celular por anos a fio, mas
não abre mão do carro nem para ir ao supermercado distante um quarteirão. A mudança
cultural implica em centenas de pequenas mudanças e sacrifícios pessoais, pelo bem comum.
Por isso é tão importante que o governo haja regulamentando e que as empresas usem de sua
influência em benefício do desenvolvimento sustentável.
Revista de Administração do Sul do Pará (REASP) – FESAR – v. 1, n. 2, Mai/Ago – 2014 Página 6
No entanto muitos consumidores já têm adotado novas posturas e esse número cresce
cada vez mais, pressionando as empresas para adotarem soluções coerentes com esses novos
tempos.
A tendência e a necessidade mundial é uma nova abordagem quanto ao consumo e
modo de viver. E essa abordagem define-se como sustentabilidade. Não frear o
desenvolvimento econômico, mas permitir que ele ocorra de maneira harmoniosa com o meio
ambiente e com as questões sociais.
RESPONSABILIDADE SOCIAL
É necessário entender que todos os componentes de uma sociedade possuem por
definição, e devem abraçar sua cota de responsabilidade social. Governo, empresas, entidades
sem fins lucrativos, instituições religiosas e indivíduos.
No tocante ao tema de responsabilidade social não é raro encontrar quem faça questão
de distinguir a responsabilidade social pessoal, ou seja, a que cada indivíduo possui como
pessoa, da responsabilidade social empresarial, caracterizando a responsabilidade própria das
empresas. Para fins desse trabalho o uso do termo “responsabilidade social” engloba também
e se refere especialmente à responsabilidade social empresarial.
O Instituto Ethos (2003) define:
Responsabilidade social empresarial é a forma de gestão que se define pela
relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais
ela se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais que
impulsionem o desenvolvimento sustentável da sociedade, preservando
recursos ambientais e culturais para as gerações futuras, respeitando a
diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais
(INSTITUTO ETHOS DE EMPRESA E RESPONSABILIDADE SOCIAL,
2003, p. 65).
Percebe-se pela definição do Instituto Ethos, uma das entidades mais relevantes e
influentes na área de responsabilidade social no Brasil, que a ideia de responsabilidade social
é inseparável de uma ação pautada pela sustentabilidade. Do tripé básico da sustentabilidade o
Instituto Ethos esmiúça o “social” em respeito às culturas, à diversidade e a diminuição das
desigualdades sociais. A definição apresentada também trás à luz outro ponto fundamental: a
questão da ética e de seu pré-requisito, a transparência. Seria incoerente e inconsistente
qualquer empresa pretender um trabalho socialmente responsável sem que a ética paute esse
trabalho desde o primeiro momento.
Para Chiavenato (2003, p. 235):
Revista de Administração do Sul do Pará (REASP) – FESAR – v. 1, n. 2, Mai/Ago – 2014 Página 7
A definição mais simples de responsabilidade social é que ela é “uma
estratégia focada em questões comunitárias ou ecológicas com as quais o seu
interesse está identificado”. A responsabilidade social então configura-se
também como uma ferramenta de gestão. Um caminho para obtenção dos
objetivos da empresa, que não precisam e nem devem restringir-se ao lucro
puro e simples. Qualquer empresa que resolva usar do marketing de
responsabilidade social sem um compromisso real com esta filosofia, em
tempos de informação ampla e irrestrita, sofrerá rapidamente as
conseqüências de sua inconsistência. (CHIAVENATO, 2003, p. 235)
O público que atende ao apelo do marketing social é um público de maior senso
crítico, e cujo suporte reverteria rapidamente a um boicote aberto. Por essa própria
necessidade de a responsabilidade social ser algo que faz parte da empresa, é provável que
Chiavenato (2003) indique que as questões comunitárias e ou ecológicas alvo das ações da
responsabilidade social de dada empresa devam se identificar com o interesse da mesma.
Recentemente vive-se uma fase de transição e conscientização para o desenvolvimento
de empresas socialmente responsáveis e, naturalmente, não a um consenso teórico nem
prático do que é responsabilidade real de cada empresa ou mesmo no que implica a
responsabilidade social da empresa. Muitos empresários e organizações de trabalho ainda hoje
afirmam que a única responsabilidade social de uma empresa é oferecer os empregos que ela
gera, e gerar lucros para os seus acionistas (SANTA CRUZ, 2006).
Bicalho (apud, SANTA CRUZ, 2006, p. 37) aponta para três características comuns
entre as inúmeras definições e entendimentos possíveis de responsabilidade social:
1. Primeiro a ampliação da responsabilidade da empresa não estando mais restrita
ao lucro e ao seu benefício próprio;
2. Em segundo lugar a mudança da natureza da responsabilidade, ultrapassando a
obrigação legal e seguindo a obrigação moral/ética; e
3. Por fim, a adequação às demandas sociais mais fortes e urgentes, como a questão
do meio ambiente.
O modelo em que empresa e o empresário permaneciam preocupados unicamente com
seus lucros e seu crescimento foi largamente utilizado durante fins do século XIX e por todo o
século XX, e o resultado desse método é bem claro. O capitalismo teórico/filosófico sempre
contemplou o direito à existência digna, e uma postura liberal de intervenção mínima do
estado e apoio ao livre comércio guia a uma conclusão lógica: as empresas precisam assumir
seu quinhão pela promoção social e, assim sendo, pela minoração das diferenças sociais.
De praxe as empresas vinham sendo arrastadas pela legislação no tangente às questões
sociais. Um exemplo claro disso é a lei da aprendizagem com cotas visando dar oportunidade
de primeiro emprego especialmente aos adolescentes de classes menos abastadas ou às cotas
Revista de Administração do Sul do Pará (REASP) – FESAR – v. 1, n. 2, Mai/Ago – 2014 Página 8
para portadores de deficiência. No entanto com a mudança de postura no próprio público
consumidor, as empresas hoje têm de atender além da legislação e mesmo antecipar-se a ela.
Atender às demandas sociais de seu meio, ou seja, seguir o imperativo moral mais do
que o mandato legal.
É evidente que quanto maior a relevância da necessidade social sobre a qual a empresa
decida intervir maiores vão ser os dividendos dessa atuação, tanto para os stakeholders quanto
traduzido em lucro para a própria empresa. Assim, atentar-se para as questões sociais mais
urgentes é apenas uso eficaz de bom senso e organização de prioridades. Prioridades essas
condizentes não só com o desejo do entorno, mas essencialmente coerente com os princípios,
valores e crenças da empresa que realiza a ação.
Chiavenato (2003) salienta que:
[...] a responsabilidade social deixa de se limitar aos velhos
conceitos de proteção passiva e paternalista ou de fiel
cumprimento de regras legais para avançar na direção da
promoção humana, em função de um sistema definido e
explicitado de valores éticos (CHIAVENATO, 2003, p. 610).
Além da mera filantropia, a responsabilidade social, bem como o grau de
envolvimento de uma organização com esse conceito, perpassa toda sua estrutura funcional e
de trabalho, bem como suas relações. O Instituto Ethos de Responsabilidade Empresarial
Social reconhece sete grandes eixos-temáticos que devem ter suas realidades tocadas pela
responsabilidade social (CHIAVENATO, 2003, p. 610):
1. Valores organizacionais e transparência: compromissos éticos enraizados na
cultura organizacional; relações transparentes com a sociedade através de
diálogo com os stakeholders, relações com a concorrência e balanço social.
2. Público interno: diálogo e participação, gestão participativa e participação nos
lucros ou resultados; respeito ao indivíduo com valorização da diversidade;
respeito ao trabalhador através de práticas modernas de gestão de pessoas e de
saúde e segurança no trabalho.
3. Meio ambiente: gerenciamento do impacto ambiental; responsabilidade frente às
gerações futuras.
4. Fornecedores: seleção de fornecedores também comprometidos com valores
éticos e com responsabilidade social.
5. Consumidores: dimensão social do consumo, políticas de marketing e
comunicação coerentes e conhecimento dos danos potenciais dos produtos e
serviços.
Revista de Administração do Sul do Pará (REASP) – FESAR – v. 1, n. 2, Mai/Ago – 2014 Página 9
6. Comunidade: gerenciamento do impacto da atividade produtiva na comunidade e
relações com organizações atuantes na comunidade; filantropia e investimentos
sociais; reconhecimento e apoio ao trabalho voluntário dos empregados.
7. Governo e sociedade: práticas anticorrupção e propinas; exercício de liderança e
influência social; participação em projetos governamentais.
Responsabilidade social vai além de ser mais uma ação ou mais um braço da empresa,
na verdade é uma estratégia de definição (ou re-definição) da própria essência da empresa e,
em consequência disso, faz seus efeitos serem sentidos em toda a extensão da empresa, de
suas atividades e de suas relações.
É necessário realizar gerenciamento do impacto ambiental para minimizá-lo hoje, bem
como precisamos agir de maneira a perpetuar – ou pelo menos tentar perpetuar – os recursos
exauríveis para que eles também estejam disponíveis para as futuras gerações.
SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL
Para que este seja bem sucedido é necessário que a empresa incorpore a cultura da
gestão ambiental em todos os níveis funcionais da empresa. Cada empregado deve ter
consciência de que o desperdício degrada o meio ambiente e expõe e prejudica a sociedade.
No entanto, para que as empresas obtenham o comprometimento dos empregados com
uma gestão ambiental é necessário que seja disponibilizado o conhecimento sobre o meio
ambiente e gestão ambiental, auxiliando cada empregado na identificação e controle das
principais fontes geradoras de impactos da sua atividade e do posto de trabalho.
A elaboração de um programa de educação ambiental é uma ferramenta
imprescindível no processo de conscientização e qualificação dos colaboradores, nivelando a
informação e conhecimento e fundamental para gestão ambiental.
CARACTARIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDOS
No ano de 1996, inaugura-se uma empresa de comércio e manutenção de veículos
automotores, inicia-se a primeira concessionária do grupo Fiat no município de Várzea
Grande/ MT. Com a razão social Domani Distribuidora de veículos LTDA, tendo abrangência
nos municípios de Cuiabá, Cáceres e Tangara da Serra.
Hoje, além de estar entre as maiores e pertencer a um dos grupos mais sólidos no
mercado, possui 385 colaboradores e é composta ainda por Domani Dist. de Veículos Ltda;
Domani Locadora Ltda; Domazi Corretora de Seguros Ltda; Amper Construções elétricas Ltda;
Amper Empreendimentos Imobiliário Ltda; Amper Concretos Pré-moldados Ltda; Eletram
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Eletricidade da Amazônia S/A; Guarantã Energética Ltda; Novo Mundo Energética Ltda; Fazenda e
Haras Araguari; Condomínio Morro do Jatobá.
PRODUTOS E SERVIÇOS OFERECIDOS
Entre os serviços oferecidos, são a venda de veículos, seguros, serviços de manutenção
em veículos automotores e peças Fiat.
Outro serviço que a concessionária disponibiliza é a lavagem dos veículos, objeto
desta pesquisa, que é feita após a revisão de entrega quando o veiculo é adquirido novo ou
depois de alguma manutenção preventiva ou corretiva, este processo e feito no setor de lava
jato que atuava sobre a gestão da própria empresa até 01/08/2012.
Após um estudo de viabilidades, foi decidido que este setor seria terceirizado para
poder oferecer mais qualidade nas lavagens com menor custo possível, em seguida foi
fechado um contrato de prestação de serviços com a empresa, Auto Clean que esta vigente ate
a presente data.
A Empresa Auto Clean
A empresa foi constituída em 1998, pelo seu proprietário Celso Luis Salgado Pires,
ocasião em que oferecia serviços na primeira concessionária de veículos a FORD Grecovel,
situada a AV. Fernando Correa da Costa, Coxipó, Cuiabá-MT, hoje já destituída.
Com o passar dos anos começou a atuarem várias concessionárias de veículos, dentre
estas a Domani-Fiat, Várzea Grande-MT como empresa terceirizada, em que o principal
objetivo é o de não agredir o meio ambiente por produtos químicos ou água contaminada.
Política da Empresa
A empresa possui a política de nunca desistir das tarefas delegadas, contribuir com
parceiros e clientes, ou seja, manter a qualidade, compromisso e participação, são suas
principais metas.
Auto Clean, microempresa prestadora de serviços, especializada em embelezamento
automotivo, sempre atuante no mercado desde 1998. Seus serviços são direcionados no setor
automotivo, com lavagens, embelezamento e estética, sempre prestando serviços as
concessionárias de veículos preservando o meio ambiente usando produtos biodegradáveis e
ecologicamente coretos.
A Empresa Auto Clean trabalha com lavagens nos veículos para todos os setores da
concessionária, oficina; funilaria; show room; seminovos; e, novos.
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Oferece serviços complementares a lavagens, como, proteção de pintura; polimento;
cosmética (higienização de interiores); hidratação e tratamento de couros e americana.
Foto 03 – Cisternas de Hidro-Reciclagem.
Fonte: Acervo dos autores (2013).
Como são usadas três bombas de água no processo de lavagem dos veículos e estas
bombas usam água potável do reservatório central, sendo que duas são usadas para lavagens
simples (duchas) na parte superior da carroceria do veiculo e uma é usada para lavagens
completas que lava além da parte superior da carroceria a parte inferior.
O compartimento do conjunto moto propulsor (motor) e seus componentes, foto 04, a
seguir, pois estes lugares exigem um processo de lavagem mais demorado e por sua vez
gastam mais água e energia elétrica que as demais bombas de lavagem simples.
Foto 04 – Casa de Máquinas
Revista de Administração do Sul do Pará (REASP) – FESAR – v. 1, n. 2, Mai/Ago – 2014 Página 12
Fonte: Acervo dos autores (2013).
O grupo usou os seguintes métodos para a tomada de decisão e conclusão de qual o
melhor sistema a ser usado para a melhoria tanto dos gastos financeiros com o processo
produtivo na lavagem dos veículos quanto à diminuição do consumo de água de maneira a
minimizar os impactos ambientais durante todo o processo:
1) Acompanhamento de palestra de reaproveitamento de água através de um sistema
de reciclagem de água, no auditório da Secretaria Estadual do Meio Ambiente
(SEMA) em Cuiabá MT, ministrada pela a empresa Reuse Hidro Reciclagem,
com sede na Rua Anápolis, nº 51. Bairro: COOPHEMA-MT, inscrita no
CNPJ/MF sob o número 12.479.870/0001-74, onde foi apresentada uma maquina
de reaproveitamento de água extremamente eficaz que alem de diminuir os gastos
financeiros com as lavagens vai diminuir os impactos ambientais.
2) Acompanhamento do consumo de água do lava jato através dos gastos com
lavagem em litros ao dia tomando como base a quantidade de veículos lavados
versos a media que é usada em cada lavagem.
Quadro 01 – Previsão de custos feitos pela Reuse antes de instalar o equipamento
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Fonte: Comercial Reuse 2013.
Como o consumo médio de água por veiculo é de 300 litros, e lava-se 70 veículos por
dia em média. Portanto os custos podem chegar a media de R$ 9.168,90 ao mês com água e
esgoto. Sendo assim foi sugerida a empresa o uso do seguinte equipamento:
1) Uma estação de tratamento de água para reuso, com sistema de monitoramento
operacional on-line, contendo 11 sistemas de filtragem natural, 3 sistema químico
e 1 ultravioleta, com controle de descarte eletrônico e sistema de drenagem de
resíduos automática.
2) Atender aos parâmetros Normativos das legislações Estaduais e Federais.
Conforme dados do fornecedor da máquina, a economia seria de 201,6 m³,
correspondendo à R$2.934,30 ao mês com água e esgoto, conforme quadro abaixo após a
instalação do equipamento de tratamento da água.
Quadro 02 – Previsão de custos feitos pela Reuse depois de instalar o equipamento.
Consumo
m³/dia
Valor
m³
Gasto dia
com água
Taxa de
esgoto
Gasto dia
com esgoto
Total
14,28 R$ 7,66 R$ 109,38 90% R$ 98,44 R$ 207,82
Fonte: Comercial Reuse 2013.
A figura 01 contempla o fluxograma interno do equipamento de tratamento da água já
usada nas lavagens, com todas as etapas de maneira seqüencial. Conforme figura 01 descrita
abaixo.
Figura 01 - FLUXOGRAMA DO SISTEMA DO EQUIPAMENTO
Consumo
m³/ dia
Valor m³
Gasto dia com
água
Taxa de
esgoto
Gasto dia
com esgoto
Total
21 R$ 7,66 R$ 160,86 90% R$ 144,774 R$ 305,63
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Fonte: Comercial Reuse 2013.
Figura 02: Vista interna do equipamento Reuse.
Fonte: Comercial Reuse 2013.
Será necessário reutilizar a água que seria descartada de modo inadequado, a fim de
gerar economia no consumo de água potável e promover a sustentabilidade. A implantação de
Programas de capitação, armazenamento, conservação e uso de água das chuvas deve ser
Revista de Administração do Sul do Pará (REASP) – FESAR – v. 1, n. 2, Mai/Ago – 2014 Página 15
entendida como uma ferramenta de gestão a ser utilizada pela indústria como diferencial de
competitividade e produtividade.
O conceito do Programa é o de se avaliar de maneira sistêmica o uso e disponibilidade
da água, de forma a atingir o menor consumo dos afluentes, implicando, de maneira direta, em
menores impactos ambientais. Além disto, os benefícios econômicos obtidos são facilmente
mensuráveis no que diz respeito à redução dos custos com a gestão da água e à valorização
agregada aos produtos pela eficiência produtiva, entre outros.
Cabe ainda ressaltar que a adoção de uma política ambiental apropriada, dentro da
qual se insere um Sistema de Gestão de uso de água da chuva, deve ser cada vez mais um
fator decisivo na competitividade entre as indústrias, principalmente as do mesmo segmento,
podendo inclusive interferir na escolha de um produto pelos consumidores finais.
Recomenda-se, portanto, que o setor industrial adote uma postura de conformidade ambiental,
dedicando especial atenção para um insumo vital como a água, com a consciência adequada
da necessidade de sua utilização de forma racional em termos quantitativos e qualitativos.
Segundo os dados da Comercial Reuse as vantagens e benefícios da reutilização de
água e uso de água das chuvas são:
 Benefícios:
 Aumenta a disponibilidade de água nas edificações;
 Garante à empresa que o adota um diferencial ambiental e competitivo, pois melhora
a sua imagem frente a sociedade;
 Importante item exigido durante a fase de auditoria para obtenção das certificações
ISO 9001 e/ou 14000.
As Estações de Tratamento de Efluentes visam recuperar a água que seria descartada,
devolvendo-a com qualidade para o reúso ou possibilitando o descarte dos efluentes em
conformidade com as normas federais e estaduais vigentes. Como o sistema é flexível e
adaptável, seu uso se estende à diversos segmentos, desde postos de combustível, lava jatos
automotivos, oficinas mecânicas, retíficas etc.
Vantagens:
 Aplicação de novas tecnologias com concepção e operação simples;
 Baixo custo de manutenção;
 Facilidade na implementação com possibilidade de instalação próxima aos pontos de
geração de resíduos;
 Visa reduzir em até 70% do custo direto e indireto com água;
 Gera economia no consumo de água potável e promover a sustentabilidade.
 Estação de Tratamento e Compacto de Fácil de Instalar;
 A água pode ser depositada direto na caixa d’água.
Revista de Administração do Sul do Pará (REASP) – FESAR – v. 1, n. 2, Mai/Ago – 2014 Página 16
 Recarga de aqüífero, nos dias de chuva intensa, as cisternas podem funcionar como
"buffers" (áreas de contenção), diminuindo ou até evitando alagamentos e a
sobrecarga da rede pluvial.
O processo de reutilização de água é composto basicamente de um reservatório
superior com água potável e sistema elétrico de bóia para identificar a necessidade de
reposição de água, obra civil e tubulações para conduzir a água já usada até as caixas de
decantação e separação de resíduos mais pesados, estação de tratamento da água e separação
de resíduos menores, bomba de recalque, tubulação para conduzir a água tratada da estação de
tratamento até o reservatório superior novamente, este por sua vez vai abastecer as três
bombas do processo de lavagem dos veículos.
Figura 03 - COMO FUNCIONA A REUTILIZAÇÃO DE ÁGUA.
Fonte: Comercial Reuse 2013.
Simples, eficiente, confiável e automático, o sistema é uma nova maneira de
economizar água e dinheiro, bem como de enfrentar problemas trazidos pela urbanização,
como o risco de desabastecimento, racionamento e amenizar os efeitos da impermeabilização
do solo, como enchentes e inundações.
Dentro do contesto de aproveitamento de água das chuvas a empresa deve estar
disposta a fazer um investimento em estrutura física para coleta, filtragem, armazenagem,
analise periódico da agua até sua utilização final, a manutenção do processo para garantir a
eficácia e eficiência como um todo até o descarte na rede fluvial.
Revista de Administração do Sul do Pará (REASP) – FESAR – v. 1, n. 2, Mai/Ago – 2014 Página 17
A água da chuva é coletada em áreas impermeáveis, ou seja, telhado, pátios, ou áreas
de estacionamento, sendo, em seguida, encaminhada a reservatório de acumulação.
Posteriormente, a água de chuva passa pela unidade de tratamento para atingir os
níveis de qualidade padrão para o uso.
O Reuso da água de chuva em estabelecimentos comerciais, prédios públicos escolas e
mesmo nas indústrias podem responder por mais de 70% da economia na conta de água do
consumo no período das chuvas. É necessária uma inspeção cuidadosa no local para avaliar a
viabilidade de implantação em prédios prontos.
Para o uso de água das chuvas deve se ser observados os seguintes pontos;
Se a área coberta onde vai ser feita a coleta é suficiente para a captação da quantidade
de água para abastecer os locais onde vai ser usada;
Fazer uma análise periódica conforme, para poder destinar a água a ser usada de
maneira correta e no local indicado a fim de evitar desperdícios e sua má utilização.
As Normas da Série ISO 14.000
A ISO - International Organization for Standardization é uma organização
internacional fundada em 23 de fevereiro de 1.947, sediada em Genebra na Suíça, que elabora
normas internacionais. Tornou-se mundialmente conhecida e passou a integrar os textos de
administração através da ISO 9.000, que é um conjunto de normas que se referem aos
Sistemas de Gerenciamento da Qualidade na Produção de Bens de Consumo ou Prestação de
Serviços.
Sistemas de Gestão Ambiental (ISO 14.001 e ISO 14.004)
As normas ISO 14.001 e ISO 14.004 têm por objetivo prover às organizações os
elementos de um Sistema de Gestão Ambiental eficaz, passível de integração com os demais
objetivos da organização. A Norma ISO 14.004 especifica os princípios e os elementos
integrantes de um Sistema de Gestão Ambiental (SGA), assim apresentados:
 Princípio 1 - Comprometimento e Política:
"É recomendado que uma organização defina sua política ambiental e assegure o
comprometimento com o seu SGA".
 Comprometimento e liderança da Alta Administração;
 Avaliação ambiental inicial;
 Estabelecimento da política ambiental.
 Princípio 2 – Planejamento:
Revista de Administração do Sul do Pará (REASP) – FESAR – v. 1, n. 2, Mai/Ago – 2014 Página 18
"É recomendado que uma organização formule um plano para cumprir sua política
ambiental."
 Identificação de aspectos ambientais e avaliação dos impactos ambientais
associados;
 Requisitos legais e outros requisitos;
 Critérios internos de desempenho;
 Objetivos e metas ambientais;
 Programa de gestão ambiental.
 Princípio 3 – Implementação:
"Para uma efetiva implementação, é recomendado que uma organização desenvolvesse
a capacitação e os mecanismos de apoio necessários para atender sua política, seus objetivos e
metas ambientais."
 Assegurando a capacitação;
 Recursos humanos, físicos e financeiros;
 Harmonização e integração do SGA;
 Responsabilidade técnica e pessoal;
 Conscientização ambiental e motivação;
 Conhecimentos, habilidades e atitudes;
 Ações de apoio;
 Comunicação e relato;
 Documentação do SGA;
 Controle operacional;
 Preparação e atendimento a emergências;
 Princípios 4 - Medição e Avaliação:
"É recomendado que uma organização meça, monitore e avalie seu empenho
ambiental.
 Medição e monitoramento;
 Ações corretivas e preventivas;
 Registros do SGA e gestão de informação.
 Princípio 5 - Análise Crítica e Melhoria:
"É recomendado que uma organização analise criticamente e aperfeiçoe
constantemente seu sistema de gestão ambiental com o objetivo de melhorar seu desempenho
ambiental global."
 Análise crítica do SGA;
 Melhoria contínua.
Revista de Administração do Sul do Pará (REASP) – FESAR – v. 1, n. 2, Mai/Ago – 2014 Página 19
INFLUÊNCIA NAS UNIDADES ADMINISTRATIVAS
Produção
A tecnologia de produção e de operação inclui todas as instalações e maquinarias
usadas para a transformação e processamento de matérias-primas e produtos semi-acabados e
geralmente tem papel determinante em relação às emissões das unidades industriais, pois os
desejados produtos finais do processo produtivo estão frequentemente associados com
indesejáveis saídas, tais como os resíduos e a poluição.
A área de produção é a que possui o maior envolvimento com a questão ambiental. Em
virtude disto, o setor ambiental deverá empenhar-se para que o processo produtivo, em todas
as suas fases, apresente menos consumo de energia, minimize a quantidade de resíduos,
economize insumos, etc...
A questão ambiental na área de produção, obrigatoriamente inclui o local de trabalho,
pois as condições do ambiente interno são fundamentais para a saúde física e mental dos que
ali trabalham.
Assim, se as condições de segurança, de salários, de promoção, treinamento,
alimentação, atendimento médico, etc.
Pesquisa e Desenvolvimento (P&D)
O objetivo fundamental da área P&D é adaptar os bens e serviços oferecidos pela
empresa às necessidades do mercado. Dessa forma, a primeira tarefa seria a identificação
entre os produtos existentes daqueles que poderiam ser melhorados dentro de um critério
ambientalmente responsável. Em seguida, seriam feitas análises das fases do ciclo de vida dos
produtos desde sua concepção, especificação, produção, uso, reutilização, descarte e
deposição de resíduos, observando os impactos ambientais ocorridos em cada uma das fases,
enfatizando a utilização de matérias-primas renováveis, tecnologia limpa, economia de
insumos e energia e a possibilidade de reciclagem.
Suprimentos
A área de suprimentos assegura que a empresa seja capaz de produzir e distribuir bens
de forma econômica, visto que é responsável pela aquisição dos bens de consumo e bens de
capital que representam importante porcentagem no custo das empresas.
Junto à área de suprimentos, a área de meio ambiente pode iniciar seu trabalho pela
análise da situação atual, coletando informações sobre fornecedores, atentando para suas
Revista de Administração do Sul do Pará (REASP) – FESAR – v. 1, n. 2, Mai/Ago – 2014 Página 20
características ambientais. A área de suprimentos deve implementar estratégias e práticas
mais adequadas do ponto de vista ambiental.
Marketing
Compreende uma série de atividades que tem por objetivo viabilizar a chegada do
produto acabado ao consumidor final.
A área ambiental deve estabelecer juntamente com a área de marketing uma estratégia
que possa avaliar os produtos atuais e os segmentos mais suscetíveis em relação à questão
ecológica, passando pela promoção, pelo preço e pela distribuição dos produtos.
Com essa finalidade deverão ser reavaliadas as embalagens evitando seu uso excessivo
e a utilização de papéis não recicláveis, tintas tóxicas, etc...
Relações Públicas/Comunicação
Relações Públicas/ Comunicação estabelecem uma ligação permanente entre a
empresa e o público em geral, de modo a criar um clima de confiança e compreensão.
A área ambiental deve participar da decisão de como a empresa se preocupa com a
variável ecológica, a fim de reforçar sua imagem institucional ambiental, à comunidade
externa, em nível nacional ou internacional.
Ainda hoje, muitas empresas mantêm silêncio sobre questões ambientais, e cercam do
máximo sigilo todas as informações sobre como os produtos são produzidos, os riscos
envolvidos e as precauções que estão sendo tomadas.
Recursos Humanos
O desempenho de uma organização está fortemente associado à qualidade de seus
recursos humanos. Se uma empresa pretende implantar a gestão ambiental em sua estrutura
organizacional, deve ter em mente que seu pessoal pode transformar-se na maior ameaça ou
no maior potencial para que os resultados esperados sejam alcançados.
A área ambiental deve desenvolver com a área de Recursos Humanos intenso
programa de conscientização, visto que a atividade de meio ambiente inicia-se e concretiza-se
alterando o comportamento das pessoas que a integram.
Áreas arborizadas e bem cuidadas, alimentação integral nos refeitórios, livros e
revistas ambientais na Biblioteca da Empresa, murais e jornais com informações ecológicas,
vantagens financeiras para as sugestões que impliquem redução de resíduos e efluentes,
economia de água, energia, matéria-prima, podem contribuir para a conscientização do
pessoal.
Revista de Administração do Sul do Pará (REASP) – FESAR – v. 1, n. 2, Mai/Ago – 2014 Página 21
Planejamento
A área de planejamento, juntamente com a área de meio ambiente, deverá estabelecer
quais os passos que deverão ser dados em relação às mudanças existentes no ambiente, que
exigirão a adaptação da organização daquelas relativas às mudanças no ambiente futuro que
demandarão uma postura estratégica adequada na situação presente. Assim o planejamento
deverá avaliar o ambiente externo procurando identificar no que diz respeito às questões
ecológicas, as oportunidades e os riscos existentes na legislação ambiental, no nível de
consciência dos consumidores e da sociedade como um todo, no que está sendo feito pela
indústria a que a empresa pertence, no comportamento dos concorrentes e no avanço da
tecnologia nesse campo.
Em alguns casos podem ser exigidos estudos especiais, entre os quais se incluem o
EIA (Estudo de Impacto Ambiental), e o RIMA (Relatório de Impacto Ambiental). O EIA é
um instrumento de planejamento e controle ambiental utilizado para prever os impactos
ambientais e encontrar formas para reduzir seus aspectos negativos, devendo ser utilizado em
todas as iniciativas que possam ter significantes efeitos ambientais.
Finanças
É extremamente importante não só para a obtenção dos recursos necessários para sua
viabilização, mas também para controle e acompanhamento dos investimentos já realizados.
Devem ser desenvolvidos esquemas especiais para avaliação de indicadores financeiros
ambientais, que possam estabelecer índices em que possamos comparar as unidades
produzidas com energia consumida, resíduos produzidos, materiais consumidos, água
consumida, etc.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Na verdade, vários aspectos da integração da área ambiental com as demais áreas
funcionais dependem da atuação, da experiência e da reputação de seu responsável, que deve
ter uma atuação pró-ativa dentro da organização. Outro fator significativo é a disponibilidade
de recursos que a empresa direciona para a gestão ambiental, pois sem eles fica muito difícil,
pelo menos de início, reavaliar processos, modificar equipamentos, pesquisar novos produtos.
O grau de conscientização dos empresários atuantes nos ramos que possam causar
fortes impactos ambientais que venham a prejudicar o ecossistema, saber quais os meios
utilizados para a diminuição desses impactos e poder colaborar de certa forma com os
Revista de Administração do Sul do Pará (REASP) – FESAR – v. 1, n. 2, Mai/Ago – 2014 Página 22
conhecimentos adquiridos sobre responsabilidade social e ambiental com propostas que visem
alcançar estes.
Foi observado que o setor de lava jato consome muita água potável que poderia ser
reaproveitada com o uso de tecnologias atuais e uma pequena mudança nas instalações já
feitas.
Diante do exposto e da necessidade de atuação para minimizar os impactos ambientais
causados pelo processo de lavagens de veículos automotores na Domani Distribuidora de
Veículos LTDA, foi feito um levantamento das causas que levam a tais impactos ambientais e
apresentados soluções para tal fato.
Apresentou-se como solução o tratamento e reaproveitamento de água através de um
processo de captação da água já usada, e passando por uma estação de tratamento, chamada
Reuse que será instalada no último estágio da caixa separadora já existente, onde ao invés das
bombas captarem somente água potável do reservatório central, estaríamos reutilizando a
água tratada pela estação de tratamento reuse.
Também sugerimos a instalação de um processo de capitação e armazenamento de
água das chuvas, para ser usada no processo de lavagens dos veículos e uso domestico
garantindo assim a manutenção e conservação dos afluentes que são fonte de vida.
Além de fazer um processo de gestão ambiental de ótima qualidade o empresário vai
ter ótimos resultados financeiro, com a diminuição de uso de água das concessionárias de
abastecimento a conta de água diminuirá consequentemente.
As grandes organizações mundiais foram tomadas por "um mal", o chamado eco-
realismo. Empresas químicas, petroleiras, papeleiras e siderúrgicas compreenderam que de
certa maneira estão sendo obrigadas a realizarem uma revolução cultural: "esverdear ou
morrer!".
Alguns grandes empresários já estão investindo fortunas em despoluição, publicando
relatórios ambientais, realizando auditorias ambientais em suas plantas, etc, em alguns casos,
os objetivos alcançados em meio ambiente, já estão até mesmo na frente dos requisitados na
legislação.
Entretanto, todo este esforço ainda não garante às empresas que a seu desempenho
ambiental continuará a atender necessidades políticas e da legislação continuamente. Para
serem efetivos necessitam serem realizados dentro de um contexto relacionado a um sistema
de gerenciamento estruturado, integrando tais esforços com as atividades de gerenciamento
global e levando em consideração os possíveis aspectos de uma esperada performance
ambiental.
Enfim, o grande desafio, neste final de século, para as empresas, será o Gerenciamento
Ambiental, pois, por atuarem em um mercado extremamente competitivo a população tem se
conscientizado cada vez mais sobre alguns aspectos sociais, entre eles o meio ambiente e sua
proteção/preservação.
Revista de Administração do Sul do Pará (REASP) – FESAR – v. 1, n. 2, Mai/Ago – 2014 Página 23
Por essa razão têm sido cada vez mais importante que as empresas demonstrem
responsabilidades ambientais perante a comunidade, clientes, acionistas, órgãos ambientais,
ONGs, etc.
A implantação de Sistemas de Gerenciamento Ambiental efetivos podem reduzir os
impactos ambientais, bem como melhorar a eficiência operacional, identificando
oportunidades de redução de custos e de riscos ambientais.
O objetivo básico da Gestão é a obtenção dos maiores benefícios através da aplicação
dos menores esforços. Para tanto o ser humano busca otimizar o uso dos recursos que tem à
disposição, sejam eles de ordem financeira, material ou humana.
A partir de que o homem vai percebendo que os recursos ambientais não são infinitos,
eles passaram a ser objetos de gestão (administração), ferramenta através da qual os seres
humanos poderão obter o Desenvolvimento Sustentável.
O principal objetivo do desenvolvimento é o de satisfazer as necessidades e as
aspirações humanas.
Estas constatações estabelecem o objetivo final da Gestão Ambiental, que é, portanto,
contribuir para tornar o desenvolvimento sustentável, ou seja garantir que ele atenda as
necessidades humanas do presente sem comprometer a capacidade de as gerações futuras
atenderem também as suas.
Como consequência desta arbitragem sugerida apresenta dificuldades ainda maiores
do que as simples decisões dos indivíduos e da sociedade, as quais, tomadas, poderiam, até
mesmo, ser amoldadas através dos recursos oferecidos pela mídia, desde que a decisão não
representasse a destruição das pessoas envolvidas. Essas dificuldades tem origem na ética e na
própria Historia, a qual, com exceção de casos pontuais, não demonstra a solução de
problemas parecidos anteriormente.
Diante do exposto, pode-se relacionar a gestão ambiental, analogicamente, com a
administração exercida por um indivíduo sobre sua própria saúde. Ele consulta os médicos
com o objetivo de se manter saudável, ou de recuperar sua saúde da melhor forma possível.
Os médicos, com o uso das técnicas disponíveis, fazem um "check-up" no indivíduo,
estabelecendo um diagnostico dos males que o afetam. E através das técnicas e meios de
tratamento buscam a recuperação do paciente da forma mais rápida possível.
REFERÊNCIAS
CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à teoria geral da administração. 7. ed. Rio de
Janeiro: Elsevier, 2003.
CUNHA, Sandra: GUERRA, Antônio J.T. A questão ambiental. 3. Ed.. Rio de Janeiro:
Bertrand do Brasil,2007.
Revista de Administração do Sul do Pará (REASP) – FESAR – v. 1, n. 2, Mai/Ago – 2014 Página 24
DEAN, W. A ferro e a fogo: a destruição da Mata Atlântica. São Paulo: Companhia das
Letras, 1997.
FERREIRA, Leila da Costa. A questão ambiental: sustentabilidade e políticas públicas no
Brasil. São Paulo: Boitempo editorial, 1998.
INSTITUTO ETHOS DE EMPRESA E RESPONSABILIDADE SOCIAL.
Responsabilidade social empresarial para micro e pequenas empresas – passo a passo.
São Paulo: INSTITUTO ETHOS, 2003. 70 p.
KOETZ, Luciane Soutel o. Teorias da administração. São Paulo: Pearson Education do
Brasil, 2009.
MACHADO, Ricardo. Contabilidade social e marketing ambiental.
2007.Disponívelem:<http://www.administradores.com.br/informe/artigos/marketing-
verde/13157/>. Acesso em: 10 maio 2013.
MARTINS, José Roberto. Branding. São Paulo: Global Brandings, 2006.
MOREIRA, Maria Suely. Estratégia e implantação do sistema de gestão ambiental. Belo
horizonte: Editora de desenvolvimento gerencial, 2001.
PAIVA, P. Contabilidade ambiental: evidenciação dos gastos ambientais com
transparência e focada na preservação. São Paulo: Atlas, 2003.
SANTA CRUZ, Lúcia. Responsabilidade social: visão e intermediação da mídia na
redefinição do público e do privado. 2006. 243 f. Dissertação de mestrado – Universidade
Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.

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Gestão ambiental em lava jato

  • 1. Revista de Administração do Sul do Pará (REASP) – FESAR – v. 1, n. 2, Mai/Ago – 2014 Página 1 GESTÃO AMBIENTAL PARA EMPRESAS: UM ESTUDO NO LAVA JATO DOMANI VEICULOS VÁRZEA GRANDE/ MT ENVIRONMENTAL MANAGEMENT FOR BUSINESS: A STUDY IN LAVA JATO DOMANI VÁRZEA GRANDE VEHICLES / MT Flavio Gatti (UFMT) gattimt@gmail.com Graciela Cristine Oyamada (UNIOESTE/Toledo) gracielagra@hotmail.com Bárbara Françoise Cardoso (UNIOESTE/Toledo) barbarafcardoso@gmail.com Resumo O presente artigo apresenta um estudo desenvolvido junto a Domani Veículos de Várzea Grande/ MT no setor de lava jato voltado ao tratamento e reaproveitamento de água, avaliando o uso desta nas lavagens de veículos, propondo ações de reaproveitamento através de um equipamento de tratamento, bem como o de utilizar a água da chuva através de um sistema coletor. O estudo foi desenvolvido com base na análise de dados obtidos por meio de visitas in loco. Esta pesquisa demonstra a relevância no âmbito da empresa, a existência de um sistema de gestão ambiental, com o intuito de reduzir impactos ambientais, custos e cumprir com a responsabilidade socioambiental empresarial. Palavras-chave: Gestão Ambiental, Empresa Domani, Sustentabilidade. Abstract This paper is a study developed in Domani Várzea Grande vehicles - MT in the jet wash oriented treatment and water reuse sector, evaluating the use of this in car washes, proposing actions for reuse through treatment equipment, as well as the use of rainwater through a collector system. The study was developed based on the analysis of data obtained through site visits. This research demonstrates the relevance within the enterprise, the existence of an environmental management system in order to reduce environmental impacts and costs to comply with environmental corporate responsibility. Key words: Environmental Management, Domani Company, Sustainability. 1. Introdução
  • 2. Revista de Administração do Sul do Pará (REASP) – FESAR – v. 1, n. 2, Mai/Ago – 2014 Página 2 Há algumas décadas nota-se que são cada vez mais evidentes os prejuízos causados ao meio ambiente pelas mais diversas formas de atividades econômicas, sendo assim, a conscientização por parte dos governos, empresas e indivíduos em geral, vêm forçando a todos os órgãos responsáveis a tomar atitudes que visem combater a degradação do meio ambiente nas suas mais diversas formas. A população se preocupa com o caráter político-social tais como proteção ao consumidor, controle de poluição, segurança, etc. Anteriormente a empresa se preocupava com a maximização dos lucros e na minimização dos custos. Atualmente, nota-se uma mudança no estoque do pensamento de sociedade, o qual tem sua ênfase de econômico para social, tais como, a valorização dos aspectos sociais, distribuição mais justa de renda, qualidade de vida, relacionamento humano, realização pessoal e principalmente nas questões ambientais. Nesse sentido, observa-se que embora não faltem empresas e entidades empresariais que busquem práticas ambientalmente corretas, a maioria delas ainda não transformou seu discurso social em práticas de responsabilidade socioambiental. A responsabilidade socioambiental está cada vez mais presente nas empresas utilizam desse fator para obter maior competitividade e melhorar sua imagem, ou seja, a gestão ambiental é uma prática que atualmente vem ganhando espaço nas instituições públicas e privadas. O processo de Gestão Ambiental contribui para o sucesso da empresa, pois é uma ferramenta de grande importância dentro da organização e sociedade como um todo. Assim, dentro deste contexto, foi feito um estudo sobre o consumo de água potável no setor de lava jato, de forma a identificar oportunidades de melhoria. Foi observado que o setor de lava jato consome muita água potável que poderia ser reaproveitada com o uso de tecnologias atuais e uma pequena mudança nas instalações já feitas. Diante do exposto, e da necessidade de atuação para minimizar os impactos ambientais causados pelo processo de lavagens de veículos automotores na Domani Distribuidora de Veículos LTDA, foi realizado um levantamento das causas que levam a tais impactos ambientais e apresentados soluções para tal fato. Durante as visitas feitas no setor de lava jato foi realizado um levantamento dos e quantificado os custos no processo de lavagem, tais como, consumo de água (m3) e energia elétrica. Al analisar o uso da água foi possível apresentar soluções com o custo benefício viável para o caso em questão, levando em consideração os investimentos, uma vez que qualquer ação a ser tomada, por mais pequena que seja , demanda investimento inicial independente da ação a ser tomada. A QUESTÃO AMBIENTAL
  • 3. Revista de Administração do Sul do Pará (REASP) – FESAR – v. 1, n. 2, Mai/Ago – 2014 Página 3 As discussões em torno do tema não são recentes, uma vez que o homem sempre precisou viver em harmonia com o meio ambiente, principalmente no uso dos recursos escassos. Em virtude da produção em grande escala, a partir da Revolução Industrial, o homem começou a produzir aceleradamente e como consequência, passou a poluir o meio ambiente com a mesma intensidade. Com raízes no final do século XIX, a questão ambiental emergiu após a Segunda Guerra Mundial, promovendo importantes mudanças na visão do mundo. A ciência e a tecnologia começaram a avançar com velocidade durante o Século XIX e desenvolveram-se mais rapidamente a partir do inicio do Século XX, com o advento da forma de produzir fordista e a intensificação da atividade industrial. As técnicas tornaram-se mais sofisticada e multiplica em massa, ocupando território (GUERRA, p. 32, 2007) As maquinarias são as mais intensas em capital e no uso de combustíveis não renováveis, o que provoca maior risco à vida humana, sendo Intensas em capital e no uso de combustíveis não renováveis, o que provoca maior risco à vida humana, sendo maiores as pressões econômicas na obtenção de lucro e melhor desempenho na exploração de recursos naturais, isto é, na maioria das vezes geram externalidades negativas ao meio ambiente e de difícil recuperação. Hoje os riscos estão mais direcionados com acidentes ou com abusos humanos produzidos se expandem na maioria das dimensões da vida humana, obrigando-nos a questionar os hábitos de consumo e as formas de produção material. Moreira (2001) relata que na década de 60, o tema Meio Ambiente foi abordado pela primeira vez em um evento internacional, numa reunião em clube de Roma, cujo objetivo era reconstrução dos países no pós-guerra e os negócios internacionais. Para ele, o desenvolvimento econômico decorrente da Revolução Industrial impediu que os problemas ambientais fossem sequer considerados. Em 1972 ocorreu na cidade de Estocolmo, a primeira convenção internacional sobre o Meio Ambiente, organizada pela ONU. O Brasil participou do evento e assumiu uma posição de resistência, alegando que para o País era mais importante investir no desenvolvimento do que no controle ambiental. Essa posição não durou a partir da década de 80 e atualmente a legislação brasileira está entre as melhores do mundo. Em 1987, o relatório de Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, dissemina a expressão desenvolvimento ecologicamente sustentado, que define o desenvolvimento sustentado como aquele que responde á necessidade do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de responder ás suas necessidades. A partir da década de 90 foram implantados nas empresas instrumentos de gestão ambiental para controle e prevenção de danos ambientais, para responder as demandas atuais do mercado. De acordo com Machado (2007), “a questão ambiental deixou a muito de ser uma onda verde e romântica”. O que poderia parecer um modismo nos discursos de princípios da
  • 4. Revista de Administração do Sul do Pará (REASP) – FESAR – v. 1, n. 2, Mai/Ago – 2014 Página 4 década de 90 do século passado, em grande medida supostamente inflamados pelas predições “alarmistas” da conferência ECO 92 tornou-se lugar comum nos noticiários e nas redes de comunicação em nossos dias. A verdade é que a população humana nunca foi tão grande, como também nunca foi tão grande sua capacidade de impactar o meio ambiente. Embora hajam exemplos históricos de regiões que tiveram suas riquezas exploradas e exauridas pela ação humana, isso sempre foi uma experiência localizada. A questão ambiental atual possui escala mundial e afeta a todos nós, uns mais e outros menos, pelo menos no momento atual, mas nenhuma exceção. Na antiguidade, as tribos e povos mudavam-se em tempos de crise em buscas de terras mais férteis, de outros lugares mais generosos. Link (2010) afirma categoricamente que a compreensão da questão ambiental precisa acontecer indo-se além das relações causais, cartesianas e positivistas, mas sendo compreendidas dentro de uma dinâmica dialética. O ambiente precisa ser percebido não como a soma de diversas partes, mas como uma totalidade vivenciando uma relação, tendo como seus pólos o bio-geofísico e o sócio-econômico. Ou seja, de um lado o que geralmente o grande público entende como meio ambiente – a fauna, a flora e os recursos naturais; de outro o homem e suas necessidades, tanto de sobrevivência quanto de crescimento. Rabelo (2007) salienta que: O relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês) da Organização das Nações Unidas (ONU) culpa a ação do homem pelo aquecimento global e prevê um cenário de catástrofe ambiental (RABELO, p. 34, 2007). Quando um país entra em guerra, a mobilização ocorre em todas as frentes. Os governos se mobilizam, os indivíduos se alistam e mesmo as empresas se apresentam, convertendo suas atividades naquelas mais necessárias para aquele momento histórico de crise. Faz-se necessária a intervenção do poder público, seja, sancionando leis, ou na conscientização da sociedade, incluindo indivíduos e empresas, quanto à mudança de hábitos. Vale lembrar que a atividade empresarial/ industrial é o grande pivô da Revolução Industrial e, por conseguinte, da atual crise ambiental. Nada mais justo que as empresas assumirem sua parcela de responsabilidade na solução das questões referentes ao meio ambiente. A empresa tem um papel único como ponto proliferador de comportamento e cultura, as teias de relação se estendem através dos stakeholders e imbuir seus colaboradores com valores e comportamentos ambientalmente responsáveis é muito mais fácil do que para os governos realizarem o mesmo com os cidadãos. Isso se dá tanto pela relação de comunicação mais próxima no ambiente de trabalho quanto pela possibilidade real de fiscalização do comportamento do funcionário. E a tendência é que o hábito conscientizado e adquirido transfira-se para as outras esferas da vida do trabalhador. Embora a crise seja mundial, esta não afeta a todos os países na mesma proporção.
  • 5. Revista de Administração do Sul do Pará (REASP) – FESAR – v. 1, n. 2, Mai/Ago – 2014 Página 5 SUSTENTABILIDADE Da relação dialética de tensão entre tese e antítese – desenvolvimento econômico e preservação ambiental surgem à síntese denominada sustentabilidade ou desenvolvimento sustentável. O conceito de sustentabilidade baseia-se em um tripé: econômico, social e ambiental. O desenvolvimento sustentável é aquele que se configura como economicamente viável, socialmente responsável e cujo impacto ambiental é reduzido ou inexistente. O pressuposto é que as ações precisam ser sustentáveis em todos os níveis, por isso a ideia de sustentabilidade como um conceito sistêmico. A ideia subjacente é de durabilidade, de que possamos viver o máximo hoje sem comprometer o amanhã das futuras gerações. Como se pode ver, tal ideal demanda uma reconfiguração total das relações sociais e dos estilos de vida existentes. Após um século em que se construiu um estilo de vida, no qual o consumo desenfreado de bens descartáveis, de fora o velho bem vindo ao novo. De descarte irresponsável ao uso e abuso desnecessário dos recursos. Muitas indústrias têm todo seu modelo de negócio baseado nesse consumismo constante e na troca supérflua e contínua de produtos ainda eficazes por outros mais modernos, bonitos e arrojados – mas que se limitam basicamente à mesma funcionalidade: vide a indústria de aparelhos. Assim, por mais que o conceito de sustentabilidade seja lógico, necessário e urgente, sua aplicação em larga escala, sua introdução na vida cotidiana se refletindo em uma forma de viver diferenciada no dia a dia, constitui um grande desafio. Afinal, mudar é sempre naturalmente conflituoso para os homens. Shor (2010), afirma que: No discurso da sustentabilidade, o coletivo torna-se protagonista da história. O indivíduo escolhe os objetos de consumo tendo em mente que suas decisões alteram a ordem do que pode acontecer com o planeta e seus habitantes, e aí estamos falando de ética (SHOR, p. 134, 2010). Essa nova atitude, do coletivo sobre o individual, do bem comum sobre o benefício próprio, ao contrario do que vem sendo o destaque da nossa cultura pelo menos pelos últimos cinquenta anos. Por necessária que a mudança seja, ela naturalmente encontrará certa resistência. É como o publicitário e ativista ambiental que vai de bicicleta para o trabalho, que só consome alimentos orgânicos, mas não resiste à tentação de trocar de celular pelo menos uma vez por ano, ou a química ambiental que mantém o mesmo celular por anos a fio, mas não abre mão do carro nem para ir ao supermercado distante um quarteirão. A mudança cultural implica em centenas de pequenas mudanças e sacrifícios pessoais, pelo bem comum. Por isso é tão importante que o governo haja regulamentando e que as empresas usem de sua influência em benefício do desenvolvimento sustentável.
  • 6. Revista de Administração do Sul do Pará (REASP) – FESAR – v. 1, n. 2, Mai/Ago – 2014 Página 6 No entanto muitos consumidores já têm adotado novas posturas e esse número cresce cada vez mais, pressionando as empresas para adotarem soluções coerentes com esses novos tempos. A tendência e a necessidade mundial é uma nova abordagem quanto ao consumo e modo de viver. E essa abordagem define-se como sustentabilidade. Não frear o desenvolvimento econômico, mas permitir que ele ocorra de maneira harmoniosa com o meio ambiente e com as questões sociais. RESPONSABILIDADE SOCIAL É necessário entender que todos os componentes de uma sociedade possuem por definição, e devem abraçar sua cota de responsabilidade social. Governo, empresas, entidades sem fins lucrativos, instituições religiosas e indivíduos. No tocante ao tema de responsabilidade social não é raro encontrar quem faça questão de distinguir a responsabilidade social pessoal, ou seja, a que cada indivíduo possui como pessoa, da responsabilidade social empresarial, caracterizando a responsabilidade própria das empresas. Para fins desse trabalho o uso do termo “responsabilidade social” engloba também e se refere especialmente à responsabilidade social empresarial. O Instituto Ethos (2003) define: Responsabilidade social empresarial é a forma de gestão que se define pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais que impulsionem o desenvolvimento sustentável da sociedade, preservando recursos ambientais e culturais para as gerações futuras, respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais (INSTITUTO ETHOS DE EMPRESA E RESPONSABILIDADE SOCIAL, 2003, p. 65). Percebe-se pela definição do Instituto Ethos, uma das entidades mais relevantes e influentes na área de responsabilidade social no Brasil, que a ideia de responsabilidade social é inseparável de uma ação pautada pela sustentabilidade. Do tripé básico da sustentabilidade o Instituto Ethos esmiúça o “social” em respeito às culturas, à diversidade e a diminuição das desigualdades sociais. A definição apresentada também trás à luz outro ponto fundamental: a questão da ética e de seu pré-requisito, a transparência. Seria incoerente e inconsistente qualquer empresa pretender um trabalho socialmente responsável sem que a ética paute esse trabalho desde o primeiro momento. Para Chiavenato (2003, p. 235):
  • 7. Revista de Administração do Sul do Pará (REASP) – FESAR – v. 1, n. 2, Mai/Ago – 2014 Página 7 A definição mais simples de responsabilidade social é que ela é “uma estratégia focada em questões comunitárias ou ecológicas com as quais o seu interesse está identificado”. A responsabilidade social então configura-se também como uma ferramenta de gestão. Um caminho para obtenção dos objetivos da empresa, que não precisam e nem devem restringir-se ao lucro puro e simples. Qualquer empresa que resolva usar do marketing de responsabilidade social sem um compromisso real com esta filosofia, em tempos de informação ampla e irrestrita, sofrerá rapidamente as conseqüências de sua inconsistência. (CHIAVENATO, 2003, p. 235) O público que atende ao apelo do marketing social é um público de maior senso crítico, e cujo suporte reverteria rapidamente a um boicote aberto. Por essa própria necessidade de a responsabilidade social ser algo que faz parte da empresa, é provável que Chiavenato (2003) indique que as questões comunitárias e ou ecológicas alvo das ações da responsabilidade social de dada empresa devam se identificar com o interesse da mesma. Recentemente vive-se uma fase de transição e conscientização para o desenvolvimento de empresas socialmente responsáveis e, naturalmente, não a um consenso teórico nem prático do que é responsabilidade real de cada empresa ou mesmo no que implica a responsabilidade social da empresa. Muitos empresários e organizações de trabalho ainda hoje afirmam que a única responsabilidade social de uma empresa é oferecer os empregos que ela gera, e gerar lucros para os seus acionistas (SANTA CRUZ, 2006). Bicalho (apud, SANTA CRUZ, 2006, p. 37) aponta para três características comuns entre as inúmeras definições e entendimentos possíveis de responsabilidade social: 1. Primeiro a ampliação da responsabilidade da empresa não estando mais restrita ao lucro e ao seu benefício próprio; 2. Em segundo lugar a mudança da natureza da responsabilidade, ultrapassando a obrigação legal e seguindo a obrigação moral/ética; e 3. Por fim, a adequação às demandas sociais mais fortes e urgentes, como a questão do meio ambiente. O modelo em que empresa e o empresário permaneciam preocupados unicamente com seus lucros e seu crescimento foi largamente utilizado durante fins do século XIX e por todo o século XX, e o resultado desse método é bem claro. O capitalismo teórico/filosófico sempre contemplou o direito à existência digna, e uma postura liberal de intervenção mínima do estado e apoio ao livre comércio guia a uma conclusão lógica: as empresas precisam assumir seu quinhão pela promoção social e, assim sendo, pela minoração das diferenças sociais. De praxe as empresas vinham sendo arrastadas pela legislação no tangente às questões sociais. Um exemplo claro disso é a lei da aprendizagem com cotas visando dar oportunidade de primeiro emprego especialmente aos adolescentes de classes menos abastadas ou às cotas
  • 8. Revista de Administração do Sul do Pará (REASP) – FESAR – v. 1, n. 2, Mai/Ago – 2014 Página 8 para portadores de deficiência. No entanto com a mudança de postura no próprio público consumidor, as empresas hoje têm de atender além da legislação e mesmo antecipar-se a ela. Atender às demandas sociais de seu meio, ou seja, seguir o imperativo moral mais do que o mandato legal. É evidente que quanto maior a relevância da necessidade social sobre a qual a empresa decida intervir maiores vão ser os dividendos dessa atuação, tanto para os stakeholders quanto traduzido em lucro para a própria empresa. Assim, atentar-se para as questões sociais mais urgentes é apenas uso eficaz de bom senso e organização de prioridades. Prioridades essas condizentes não só com o desejo do entorno, mas essencialmente coerente com os princípios, valores e crenças da empresa que realiza a ação. Chiavenato (2003) salienta que: [...] a responsabilidade social deixa de se limitar aos velhos conceitos de proteção passiva e paternalista ou de fiel cumprimento de regras legais para avançar na direção da promoção humana, em função de um sistema definido e explicitado de valores éticos (CHIAVENATO, 2003, p. 610). Além da mera filantropia, a responsabilidade social, bem como o grau de envolvimento de uma organização com esse conceito, perpassa toda sua estrutura funcional e de trabalho, bem como suas relações. O Instituto Ethos de Responsabilidade Empresarial Social reconhece sete grandes eixos-temáticos que devem ter suas realidades tocadas pela responsabilidade social (CHIAVENATO, 2003, p. 610): 1. Valores organizacionais e transparência: compromissos éticos enraizados na cultura organizacional; relações transparentes com a sociedade através de diálogo com os stakeholders, relações com a concorrência e balanço social. 2. Público interno: diálogo e participação, gestão participativa e participação nos lucros ou resultados; respeito ao indivíduo com valorização da diversidade; respeito ao trabalhador através de práticas modernas de gestão de pessoas e de saúde e segurança no trabalho. 3. Meio ambiente: gerenciamento do impacto ambiental; responsabilidade frente às gerações futuras. 4. Fornecedores: seleção de fornecedores também comprometidos com valores éticos e com responsabilidade social. 5. Consumidores: dimensão social do consumo, políticas de marketing e comunicação coerentes e conhecimento dos danos potenciais dos produtos e serviços.
  • 9. Revista de Administração do Sul do Pará (REASP) – FESAR – v. 1, n. 2, Mai/Ago – 2014 Página 9 6. Comunidade: gerenciamento do impacto da atividade produtiva na comunidade e relações com organizações atuantes na comunidade; filantropia e investimentos sociais; reconhecimento e apoio ao trabalho voluntário dos empregados. 7. Governo e sociedade: práticas anticorrupção e propinas; exercício de liderança e influência social; participação em projetos governamentais. Responsabilidade social vai além de ser mais uma ação ou mais um braço da empresa, na verdade é uma estratégia de definição (ou re-definição) da própria essência da empresa e, em consequência disso, faz seus efeitos serem sentidos em toda a extensão da empresa, de suas atividades e de suas relações. É necessário realizar gerenciamento do impacto ambiental para minimizá-lo hoje, bem como precisamos agir de maneira a perpetuar – ou pelo menos tentar perpetuar – os recursos exauríveis para que eles também estejam disponíveis para as futuras gerações. SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL Para que este seja bem sucedido é necessário que a empresa incorpore a cultura da gestão ambiental em todos os níveis funcionais da empresa. Cada empregado deve ter consciência de que o desperdício degrada o meio ambiente e expõe e prejudica a sociedade. No entanto, para que as empresas obtenham o comprometimento dos empregados com uma gestão ambiental é necessário que seja disponibilizado o conhecimento sobre o meio ambiente e gestão ambiental, auxiliando cada empregado na identificação e controle das principais fontes geradoras de impactos da sua atividade e do posto de trabalho. A elaboração de um programa de educação ambiental é uma ferramenta imprescindível no processo de conscientização e qualificação dos colaboradores, nivelando a informação e conhecimento e fundamental para gestão ambiental. CARACTARIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDOS No ano de 1996, inaugura-se uma empresa de comércio e manutenção de veículos automotores, inicia-se a primeira concessionária do grupo Fiat no município de Várzea Grande/ MT. Com a razão social Domani Distribuidora de veículos LTDA, tendo abrangência nos municípios de Cuiabá, Cáceres e Tangara da Serra. Hoje, além de estar entre as maiores e pertencer a um dos grupos mais sólidos no mercado, possui 385 colaboradores e é composta ainda por Domani Dist. de Veículos Ltda; Domani Locadora Ltda; Domazi Corretora de Seguros Ltda; Amper Construções elétricas Ltda; Amper Empreendimentos Imobiliário Ltda; Amper Concretos Pré-moldados Ltda; Eletram
  • 10. Revista de Administração do Sul do Pará (REASP) – FESAR – v. 1, n. 2, Mai/Ago – 2014 Página 10 Eletricidade da Amazônia S/A; Guarantã Energética Ltda; Novo Mundo Energética Ltda; Fazenda e Haras Araguari; Condomínio Morro do Jatobá. PRODUTOS E SERVIÇOS OFERECIDOS Entre os serviços oferecidos, são a venda de veículos, seguros, serviços de manutenção em veículos automotores e peças Fiat. Outro serviço que a concessionária disponibiliza é a lavagem dos veículos, objeto desta pesquisa, que é feita após a revisão de entrega quando o veiculo é adquirido novo ou depois de alguma manutenção preventiva ou corretiva, este processo e feito no setor de lava jato que atuava sobre a gestão da própria empresa até 01/08/2012. Após um estudo de viabilidades, foi decidido que este setor seria terceirizado para poder oferecer mais qualidade nas lavagens com menor custo possível, em seguida foi fechado um contrato de prestação de serviços com a empresa, Auto Clean que esta vigente ate a presente data. A Empresa Auto Clean A empresa foi constituída em 1998, pelo seu proprietário Celso Luis Salgado Pires, ocasião em que oferecia serviços na primeira concessionária de veículos a FORD Grecovel, situada a AV. Fernando Correa da Costa, Coxipó, Cuiabá-MT, hoje já destituída. Com o passar dos anos começou a atuarem várias concessionárias de veículos, dentre estas a Domani-Fiat, Várzea Grande-MT como empresa terceirizada, em que o principal objetivo é o de não agredir o meio ambiente por produtos químicos ou água contaminada. Política da Empresa A empresa possui a política de nunca desistir das tarefas delegadas, contribuir com parceiros e clientes, ou seja, manter a qualidade, compromisso e participação, são suas principais metas. Auto Clean, microempresa prestadora de serviços, especializada em embelezamento automotivo, sempre atuante no mercado desde 1998. Seus serviços são direcionados no setor automotivo, com lavagens, embelezamento e estética, sempre prestando serviços as concessionárias de veículos preservando o meio ambiente usando produtos biodegradáveis e ecologicamente coretos. A Empresa Auto Clean trabalha com lavagens nos veículos para todos os setores da concessionária, oficina; funilaria; show room; seminovos; e, novos.
  • 11. Revista de Administração do Sul do Pará (REASP) – FESAR – v. 1, n. 2, Mai/Ago – 2014 Página 11 Oferece serviços complementares a lavagens, como, proteção de pintura; polimento; cosmética (higienização de interiores); hidratação e tratamento de couros e americana. Foto 03 – Cisternas de Hidro-Reciclagem. Fonte: Acervo dos autores (2013). Como são usadas três bombas de água no processo de lavagem dos veículos e estas bombas usam água potável do reservatório central, sendo que duas são usadas para lavagens simples (duchas) na parte superior da carroceria do veiculo e uma é usada para lavagens completas que lava além da parte superior da carroceria a parte inferior. O compartimento do conjunto moto propulsor (motor) e seus componentes, foto 04, a seguir, pois estes lugares exigem um processo de lavagem mais demorado e por sua vez gastam mais água e energia elétrica que as demais bombas de lavagem simples. Foto 04 – Casa de Máquinas
  • 12. Revista de Administração do Sul do Pará (REASP) – FESAR – v. 1, n. 2, Mai/Ago – 2014 Página 12 Fonte: Acervo dos autores (2013). O grupo usou os seguintes métodos para a tomada de decisão e conclusão de qual o melhor sistema a ser usado para a melhoria tanto dos gastos financeiros com o processo produtivo na lavagem dos veículos quanto à diminuição do consumo de água de maneira a minimizar os impactos ambientais durante todo o processo: 1) Acompanhamento de palestra de reaproveitamento de água através de um sistema de reciclagem de água, no auditório da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SEMA) em Cuiabá MT, ministrada pela a empresa Reuse Hidro Reciclagem, com sede na Rua Anápolis, nº 51. Bairro: COOPHEMA-MT, inscrita no CNPJ/MF sob o número 12.479.870/0001-74, onde foi apresentada uma maquina de reaproveitamento de água extremamente eficaz que alem de diminuir os gastos financeiros com as lavagens vai diminuir os impactos ambientais. 2) Acompanhamento do consumo de água do lava jato através dos gastos com lavagem em litros ao dia tomando como base a quantidade de veículos lavados versos a media que é usada em cada lavagem. Quadro 01 – Previsão de custos feitos pela Reuse antes de instalar o equipamento
  • 13. Revista de Administração do Sul do Pará (REASP) – FESAR – v. 1, n. 2, Mai/Ago – 2014 Página 13 Fonte: Comercial Reuse 2013. Como o consumo médio de água por veiculo é de 300 litros, e lava-se 70 veículos por dia em média. Portanto os custos podem chegar a media de R$ 9.168,90 ao mês com água e esgoto. Sendo assim foi sugerida a empresa o uso do seguinte equipamento: 1) Uma estação de tratamento de água para reuso, com sistema de monitoramento operacional on-line, contendo 11 sistemas de filtragem natural, 3 sistema químico e 1 ultravioleta, com controle de descarte eletrônico e sistema de drenagem de resíduos automática. 2) Atender aos parâmetros Normativos das legislações Estaduais e Federais. Conforme dados do fornecedor da máquina, a economia seria de 201,6 m³, correspondendo à R$2.934,30 ao mês com água e esgoto, conforme quadro abaixo após a instalação do equipamento de tratamento da água. Quadro 02 – Previsão de custos feitos pela Reuse depois de instalar o equipamento. Consumo m³/dia Valor m³ Gasto dia com água Taxa de esgoto Gasto dia com esgoto Total 14,28 R$ 7,66 R$ 109,38 90% R$ 98,44 R$ 207,82 Fonte: Comercial Reuse 2013. A figura 01 contempla o fluxograma interno do equipamento de tratamento da água já usada nas lavagens, com todas as etapas de maneira seqüencial. Conforme figura 01 descrita abaixo. Figura 01 - FLUXOGRAMA DO SISTEMA DO EQUIPAMENTO Consumo m³/ dia Valor m³ Gasto dia com água Taxa de esgoto Gasto dia com esgoto Total 21 R$ 7,66 R$ 160,86 90% R$ 144,774 R$ 305,63
  • 14. Revista de Administração do Sul do Pará (REASP) – FESAR – v. 1, n. 2, Mai/Ago – 2014 Página 14 Fonte: Comercial Reuse 2013. Figura 02: Vista interna do equipamento Reuse. Fonte: Comercial Reuse 2013. Será necessário reutilizar a água que seria descartada de modo inadequado, a fim de gerar economia no consumo de água potável e promover a sustentabilidade. A implantação de Programas de capitação, armazenamento, conservação e uso de água das chuvas deve ser
  • 15. Revista de Administração do Sul do Pará (REASP) – FESAR – v. 1, n. 2, Mai/Ago – 2014 Página 15 entendida como uma ferramenta de gestão a ser utilizada pela indústria como diferencial de competitividade e produtividade. O conceito do Programa é o de se avaliar de maneira sistêmica o uso e disponibilidade da água, de forma a atingir o menor consumo dos afluentes, implicando, de maneira direta, em menores impactos ambientais. Além disto, os benefícios econômicos obtidos são facilmente mensuráveis no que diz respeito à redução dos custos com a gestão da água e à valorização agregada aos produtos pela eficiência produtiva, entre outros. Cabe ainda ressaltar que a adoção de uma política ambiental apropriada, dentro da qual se insere um Sistema de Gestão de uso de água da chuva, deve ser cada vez mais um fator decisivo na competitividade entre as indústrias, principalmente as do mesmo segmento, podendo inclusive interferir na escolha de um produto pelos consumidores finais. Recomenda-se, portanto, que o setor industrial adote uma postura de conformidade ambiental, dedicando especial atenção para um insumo vital como a água, com a consciência adequada da necessidade de sua utilização de forma racional em termos quantitativos e qualitativos. Segundo os dados da Comercial Reuse as vantagens e benefícios da reutilização de água e uso de água das chuvas são:  Benefícios:  Aumenta a disponibilidade de água nas edificações;  Garante à empresa que o adota um diferencial ambiental e competitivo, pois melhora a sua imagem frente a sociedade;  Importante item exigido durante a fase de auditoria para obtenção das certificações ISO 9001 e/ou 14000. As Estações de Tratamento de Efluentes visam recuperar a água que seria descartada, devolvendo-a com qualidade para o reúso ou possibilitando o descarte dos efluentes em conformidade com as normas federais e estaduais vigentes. Como o sistema é flexível e adaptável, seu uso se estende à diversos segmentos, desde postos de combustível, lava jatos automotivos, oficinas mecânicas, retíficas etc. Vantagens:  Aplicação de novas tecnologias com concepção e operação simples;  Baixo custo de manutenção;  Facilidade na implementação com possibilidade de instalação próxima aos pontos de geração de resíduos;  Visa reduzir em até 70% do custo direto e indireto com água;  Gera economia no consumo de água potável e promover a sustentabilidade.  Estação de Tratamento e Compacto de Fácil de Instalar;  A água pode ser depositada direto na caixa d’água.
  • 16. Revista de Administração do Sul do Pará (REASP) – FESAR – v. 1, n. 2, Mai/Ago – 2014 Página 16  Recarga de aqüífero, nos dias de chuva intensa, as cisternas podem funcionar como "buffers" (áreas de contenção), diminuindo ou até evitando alagamentos e a sobrecarga da rede pluvial. O processo de reutilização de água é composto basicamente de um reservatório superior com água potável e sistema elétrico de bóia para identificar a necessidade de reposição de água, obra civil e tubulações para conduzir a água já usada até as caixas de decantação e separação de resíduos mais pesados, estação de tratamento da água e separação de resíduos menores, bomba de recalque, tubulação para conduzir a água tratada da estação de tratamento até o reservatório superior novamente, este por sua vez vai abastecer as três bombas do processo de lavagem dos veículos. Figura 03 - COMO FUNCIONA A REUTILIZAÇÃO DE ÁGUA. Fonte: Comercial Reuse 2013. Simples, eficiente, confiável e automático, o sistema é uma nova maneira de economizar água e dinheiro, bem como de enfrentar problemas trazidos pela urbanização, como o risco de desabastecimento, racionamento e amenizar os efeitos da impermeabilização do solo, como enchentes e inundações. Dentro do contesto de aproveitamento de água das chuvas a empresa deve estar disposta a fazer um investimento em estrutura física para coleta, filtragem, armazenagem, analise periódico da agua até sua utilização final, a manutenção do processo para garantir a eficácia e eficiência como um todo até o descarte na rede fluvial.
  • 17. Revista de Administração do Sul do Pará (REASP) – FESAR – v. 1, n. 2, Mai/Ago – 2014 Página 17 A água da chuva é coletada em áreas impermeáveis, ou seja, telhado, pátios, ou áreas de estacionamento, sendo, em seguida, encaminhada a reservatório de acumulação. Posteriormente, a água de chuva passa pela unidade de tratamento para atingir os níveis de qualidade padrão para o uso. O Reuso da água de chuva em estabelecimentos comerciais, prédios públicos escolas e mesmo nas indústrias podem responder por mais de 70% da economia na conta de água do consumo no período das chuvas. É necessária uma inspeção cuidadosa no local para avaliar a viabilidade de implantação em prédios prontos. Para o uso de água das chuvas deve se ser observados os seguintes pontos; Se a área coberta onde vai ser feita a coleta é suficiente para a captação da quantidade de água para abastecer os locais onde vai ser usada; Fazer uma análise periódica conforme, para poder destinar a água a ser usada de maneira correta e no local indicado a fim de evitar desperdícios e sua má utilização. As Normas da Série ISO 14.000 A ISO - International Organization for Standardization é uma organização internacional fundada em 23 de fevereiro de 1.947, sediada em Genebra na Suíça, que elabora normas internacionais. Tornou-se mundialmente conhecida e passou a integrar os textos de administração através da ISO 9.000, que é um conjunto de normas que se referem aos Sistemas de Gerenciamento da Qualidade na Produção de Bens de Consumo ou Prestação de Serviços. Sistemas de Gestão Ambiental (ISO 14.001 e ISO 14.004) As normas ISO 14.001 e ISO 14.004 têm por objetivo prover às organizações os elementos de um Sistema de Gestão Ambiental eficaz, passível de integração com os demais objetivos da organização. A Norma ISO 14.004 especifica os princípios e os elementos integrantes de um Sistema de Gestão Ambiental (SGA), assim apresentados:  Princípio 1 - Comprometimento e Política: "É recomendado que uma organização defina sua política ambiental e assegure o comprometimento com o seu SGA".  Comprometimento e liderança da Alta Administração;  Avaliação ambiental inicial;  Estabelecimento da política ambiental.  Princípio 2 – Planejamento:
  • 18. Revista de Administração do Sul do Pará (REASP) – FESAR – v. 1, n. 2, Mai/Ago – 2014 Página 18 "É recomendado que uma organização formule um plano para cumprir sua política ambiental."  Identificação de aspectos ambientais e avaliação dos impactos ambientais associados;  Requisitos legais e outros requisitos;  Critérios internos de desempenho;  Objetivos e metas ambientais;  Programa de gestão ambiental.  Princípio 3 – Implementação: "Para uma efetiva implementação, é recomendado que uma organização desenvolvesse a capacitação e os mecanismos de apoio necessários para atender sua política, seus objetivos e metas ambientais."  Assegurando a capacitação;  Recursos humanos, físicos e financeiros;  Harmonização e integração do SGA;  Responsabilidade técnica e pessoal;  Conscientização ambiental e motivação;  Conhecimentos, habilidades e atitudes;  Ações de apoio;  Comunicação e relato;  Documentação do SGA;  Controle operacional;  Preparação e atendimento a emergências;  Princípios 4 - Medição e Avaliação: "É recomendado que uma organização meça, monitore e avalie seu empenho ambiental.  Medição e monitoramento;  Ações corretivas e preventivas;  Registros do SGA e gestão de informação.  Princípio 5 - Análise Crítica e Melhoria: "É recomendado que uma organização analise criticamente e aperfeiçoe constantemente seu sistema de gestão ambiental com o objetivo de melhorar seu desempenho ambiental global."  Análise crítica do SGA;  Melhoria contínua.
  • 19. Revista de Administração do Sul do Pará (REASP) – FESAR – v. 1, n. 2, Mai/Ago – 2014 Página 19 INFLUÊNCIA NAS UNIDADES ADMINISTRATIVAS Produção A tecnologia de produção e de operação inclui todas as instalações e maquinarias usadas para a transformação e processamento de matérias-primas e produtos semi-acabados e geralmente tem papel determinante em relação às emissões das unidades industriais, pois os desejados produtos finais do processo produtivo estão frequentemente associados com indesejáveis saídas, tais como os resíduos e a poluição. A área de produção é a que possui o maior envolvimento com a questão ambiental. Em virtude disto, o setor ambiental deverá empenhar-se para que o processo produtivo, em todas as suas fases, apresente menos consumo de energia, minimize a quantidade de resíduos, economize insumos, etc... A questão ambiental na área de produção, obrigatoriamente inclui o local de trabalho, pois as condições do ambiente interno são fundamentais para a saúde física e mental dos que ali trabalham. Assim, se as condições de segurança, de salários, de promoção, treinamento, alimentação, atendimento médico, etc. Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) O objetivo fundamental da área P&D é adaptar os bens e serviços oferecidos pela empresa às necessidades do mercado. Dessa forma, a primeira tarefa seria a identificação entre os produtos existentes daqueles que poderiam ser melhorados dentro de um critério ambientalmente responsável. Em seguida, seriam feitas análises das fases do ciclo de vida dos produtos desde sua concepção, especificação, produção, uso, reutilização, descarte e deposição de resíduos, observando os impactos ambientais ocorridos em cada uma das fases, enfatizando a utilização de matérias-primas renováveis, tecnologia limpa, economia de insumos e energia e a possibilidade de reciclagem. Suprimentos A área de suprimentos assegura que a empresa seja capaz de produzir e distribuir bens de forma econômica, visto que é responsável pela aquisição dos bens de consumo e bens de capital que representam importante porcentagem no custo das empresas. Junto à área de suprimentos, a área de meio ambiente pode iniciar seu trabalho pela análise da situação atual, coletando informações sobre fornecedores, atentando para suas
  • 20. Revista de Administração do Sul do Pará (REASP) – FESAR – v. 1, n. 2, Mai/Ago – 2014 Página 20 características ambientais. A área de suprimentos deve implementar estratégias e práticas mais adequadas do ponto de vista ambiental. Marketing Compreende uma série de atividades que tem por objetivo viabilizar a chegada do produto acabado ao consumidor final. A área ambiental deve estabelecer juntamente com a área de marketing uma estratégia que possa avaliar os produtos atuais e os segmentos mais suscetíveis em relação à questão ecológica, passando pela promoção, pelo preço e pela distribuição dos produtos. Com essa finalidade deverão ser reavaliadas as embalagens evitando seu uso excessivo e a utilização de papéis não recicláveis, tintas tóxicas, etc... Relações Públicas/Comunicação Relações Públicas/ Comunicação estabelecem uma ligação permanente entre a empresa e o público em geral, de modo a criar um clima de confiança e compreensão. A área ambiental deve participar da decisão de como a empresa se preocupa com a variável ecológica, a fim de reforçar sua imagem institucional ambiental, à comunidade externa, em nível nacional ou internacional. Ainda hoje, muitas empresas mantêm silêncio sobre questões ambientais, e cercam do máximo sigilo todas as informações sobre como os produtos são produzidos, os riscos envolvidos e as precauções que estão sendo tomadas. Recursos Humanos O desempenho de uma organização está fortemente associado à qualidade de seus recursos humanos. Se uma empresa pretende implantar a gestão ambiental em sua estrutura organizacional, deve ter em mente que seu pessoal pode transformar-se na maior ameaça ou no maior potencial para que os resultados esperados sejam alcançados. A área ambiental deve desenvolver com a área de Recursos Humanos intenso programa de conscientização, visto que a atividade de meio ambiente inicia-se e concretiza-se alterando o comportamento das pessoas que a integram. Áreas arborizadas e bem cuidadas, alimentação integral nos refeitórios, livros e revistas ambientais na Biblioteca da Empresa, murais e jornais com informações ecológicas, vantagens financeiras para as sugestões que impliquem redução de resíduos e efluentes, economia de água, energia, matéria-prima, podem contribuir para a conscientização do pessoal.
  • 21. Revista de Administração do Sul do Pará (REASP) – FESAR – v. 1, n. 2, Mai/Ago – 2014 Página 21 Planejamento A área de planejamento, juntamente com a área de meio ambiente, deverá estabelecer quais os passos que deverão ser dados em relação às mudanças existentes no ambiente, que exigirão a adaptação da organização daquelas relativas às mudanças no ambiente futuro que demandarão uma postura estratégica adequada na situação presente. Assim o planejamento deverá avaliar o ambiente externo procurando identificar no que diz respeito às questões ecológicas, as oportunidades e os riscos existentes na legislação ambiental, no nível de consciência dos consumidores e da sociedade como um todo, no que está sendo feito pela indústria a que a empresa pertence, no comportamento dos concorrentes e no avanço da tecnologia nesse campo. Em alguns casos podem ser exigidos estudos especiais, entre os quais se incluem o EIA (Estudo de Impacto Ambiental), e o RIMA (Relatório de Impacto Ambiental). O EIA é um instrumento de planejamento e controle ambiental utilizado para prever os impactos ambientais e encontrar formas para reduzir seus aspectos negativos, devendo ser utilizado em todas as iniciativas que possam ter significantes efeitos ambientais. Finanças É extremamente importante não só para a obtenção dos recursos necessários para sua viabilização, mas também para controle e acompanhamento dos investimentos já realizados. Devem ser desenvolvidos esquemas especiais para avaliação de indicadores financeiros ambientais, que possam estabelecer índices em que possamos comparar as unidades produzidas com energia consumida, resíduos produzidos, materiais consumidos, água consumida, etc. CONSIDERAÇÕES FINAIS Na verdade, vários aspectos da integração da área ambiental com as demais áreas funcionais dependem da atuação, da experiência e da reputação de seu responsável, que deve ter uma atuação pró-ativa dentro da organização. Outro fator significativo é a disponibilidade de recursos que a empresa direciona para a gestão ambiental, pois sem eles fica muito difícil, pelo menos de início, reavaliar processos, modificar equipamentos, pesquisar novos produtos. O grau de conscientização dos empresários atuantes nos ramos que possam causar fortes impactos ambientais que venham a prejudicar o ecossistema, saber quais os meios utilizados para a diminuição desses impactos e poder colaborar de certa forma com os
  • 22. Revista de Administração do Sul do Pará (REASP) – FESAR – v. 1, n. 2, Mai/Ago – 2014 Página 22 conhecimentos adquiridos sobre responsabilidade social e ambiental com propostas que visem alcançar estes. Foi observado que o setor de lava jato consome muita água potável que poderia ser reaproveitada com o uso de tecnologias atuais e uma pequena mudança nas instalações já feitas. Diante do exposto e da necessidade de atuação para minimizar os impactos ambientais causados pelo processo de lavagens de veículos automotores na Domani Distribuidora de Veículos LTDA, foi feito um levantamento das causas que levam a tais impactos ambientais e apresentados soluções para tal fato. Apresentou-se como solução o tratamento e reaproveitamento de água através de um processo de captação da água já usada, e passando por uma estação de tratamento, chamada Reuse que será instalada no último estágio da caixa separadora já existente, onde ao invés das bombas captarem somente água potável do reservatório central, estaríamos reutilizando a água tratada pela estação de tratamento reuse. Também sugerimos a instalação de um processo de capitação e armazenamento de água das chuvas, para ser usada no processo de lavagens dos veículos e uso domestico garantindo assim a manutenção e conservação dos afluentes que são fonte de vida. Além de fazer um processo de gestão ambiental de ótima qualidade o empresário vai ter ótimos resultados financeiro, com a diminuição de uso de água das concessionárias de abastecimento a conta de água diminuirá consequentemente. As grandes organizações mundiais foram tomadas por "um mal", o chamado eco- realismo. Empresas químicas, petroleiras, papeleiras e siderúrgicas compreenderam que de certa maneira estão sendo obrigadas a realizarem uma revolução cultural: "esverdear ou morrer!". Alguns grandes empresários já estão investindo fortunas em despoluição, publicando relatórios ambientais, realizando auditorias ambientais em suas plantas, etc, em alguns casos, os objetivos alcançados em meio ambiente, já estão até mesmo na frente dos requisitados na legislação. Entretanto, todo este esforço ainda não garante às empresas que a seu desempenho ambiental continuará a atender necessidades políticas e da legislação continuamente. Para serem efetivos necessitam serem realizados dentro de um contexto relacionado a um sistema de gerenciamento estruturado, integrando tais esforços com as atividades de gerenciamento global e levando em consideração os possíveis aspectos de uma esperada performance ambiental. Enfim, o grande desafio, neste final de século, para as empresas, será o Gerenciamento Ambiental, pois, por atuarem em um mercado extremamente competitivo a população tem se conscientizado cada vez mais sobre alguns aspectos sociais, entre eles o meio ambiente e sua proteção/preservação.
  • 23. Revista de Administração do Sul do Pará (REASP) – FESAR – v. 1, n. 2, Mai/Ago – 2014 Página 23 Por essa razão têm sido cada vez mais importante que as empresas demonstrem responsabilidades ambientais perante a comunidade, clientes, acionistas, órgãos ambientais, ONGs, etc. A implantação de Sistemas de Gerenciamento Ambiental efetivos podem reduzir os impactos ambientais, bem como melhorar a eficiência operacional, identificando oportunidades de redução de custos e de riscos ambientais. O objetivo básico da Gestão é a obtenção dos maiores benefícios através da aplicação dos menores esforços. Para tanto o ser humano busca otimizar o uso dos recursos que tem à disposição, sejam eles de ordem financeira, material ou humana. A partir de que o homem vai percebendo que os recursos ambientais não são infinitos, eles passaram a ser objetos de gestão (administração), ferramenta através da qual os seres humanos poderão obter o Desenvolvimento Sustentável. O principal objetivo do desenvolvimento é o de satisfazer as necessidades e as aspirações humanas. Estas constatações estabelecem o objetivo final da Gestão Ambiental, que é, portanto, contribuir para tornar o desenvolvimento sustentável, ou seja garantir que ele atenda as necessidades humanas do presente sem comprometer a capacidade de as gerações futuras atenderem também as suas. Como consequência desta arbitragem sugerida apresenta dificuldades ainda maiores do que as simples decisões dos indivíduos e da sociedade, as quais, tomadas, poderiam, até mesmo, ser amoldadas através dos recursos oferecidos pela mídia, desde que a decisão não representasse a destruição das pessoas envolvidas. Essas dificuldades tem origem na ética e na própria Historia, a qual, com exceção de casos pontuais, não demonstra a solução de problemas parecidos anteriormente. Diante do exposto, pode-se relacionar a gestão ambiental, analogicamente, com a administração exercida por um indivíduo sobre sua própria saúde. Ele consulta os médicos com o objetivo de se manter saudável, ou de recuperar sua saúde da melhor forma possível. Os médicos, com o uso das técnicas disponíveis, fazem um "check-up" no indivíduo, estabelecendo um diagnostico dos males que o afetam. E através das técnicas e meios de tratamento buscam a recuperação do paciente da forma mais rápida possível. REFERÊNCIAS CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à teoria geral da administração. 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003. CUNHA, Sandra: GUERRA, Antônio J.T. A questão ambiental. 3. Ed.. Rio de Janeiro: Bertrand do Brasil,2007.
  • 24. Revista de Administração do Sul do Pará (REASP) – FESAR – v. 1, n. 2, Mai/Ago – 2014 Página 24 DEAN, W. A ferro e a fogo: a destruição da Mata Atlântica. São Paulo: Companhia das Letras, 1997. FERREIRA, Leila da Costa. A questão ambiental: sustentabilidade e políticas públicas no Brasil. São Paulo: Boitempo editorial, 1998. INSTITUTO ETHOS DE EMPRESA E RESPONSABILIDADE SOCIAL. Responsabilidade social empresarial para micro e pequenas empresas – passo a passo. São Paulo: INSTITUTO ETHOS, 2003. 70 p. KOETZ, Luciane Soutel o. Teorias da administração. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2009. MACHADO, Ricardo. Contabilidade social e marketing ambiental. 2007.Disponívelem:<http://www.administradores.com.br/informe/artigos/marketing- verde/13157/>. Acesso em: 10 maio 2013. MARTINS, José Roberto. Branding. São Paulo: Global Brandings, 2006. MOREIRA, Maria Suely. Estratégia e implantação do sistema de gestão ambiental. Belo horizonte: Editora de desenvolvimento gerencial, 2001. PAIVA, P. Contabilidade ambiental: evidenciação dos gastos ambientais com transparência e focada na preservação. São Paulo: Atlas, 2003. SANTA CRUZ, Lúcia. Responsabilidade social: visão e intermediação da mídia na redefinição do público e do privado. 2006. 243 f. Dissertação de mestrado – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.