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  1. 1. www.e-compos.org.br | E-ISSN 1808-2599 | Diagramas semióticos em textos comunicacionais Irene de Araújo Machado 1 Introdução: 1/18 Resumo o difícil exercício da leitura O presente artigo discorre sobre a leitura dos textos de comunicação como processo de Em tempos de sociedade de informação, aprimoramento cognitivo. Para isso, parte da de homens e feitos midiáticos, não é difícil hipótese da necessidade de alfabetização semiótica Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós, Brasília, v.12, n.3, set./dez. 2009. nas estruturas relacionais e diagramáticas que reconhecer que o discurso sobre o mundo se as linguagens dos meios introduziram na cultura. tornou enunciação dos meios tecnológicos. Propõe, assim, exercícios de leitura estrutural Tampouco existe algum mistério na definição de textos jornalísticos em seu processo de representação. Pretende com isso examinar como os que atribui aos chamados textos da comunicação acontecimentos significam, como se tornam textos mediada a experimentação de códigos criadores e de que instrumentos as linguagens se servem para construir argumentos que possam ser lidos na de linguagens técnicas que, ao se constituírem estruturalidade de sua composição. para além da expressão verbal, enunciam-se Palavras-chave Estrutura. Diagrama. Linguagem. Argumentação. como exemplares inconfundíveis da cultura Leitura. Visualidade. visual. O difícil, neste caso, é operar a leitura argumentativa dos textos produzidos pelo processo de transcodificação e configurados por estruturas de diferentes linguagens. Ainda que a transmissão de informação seja objetivo imediato, os procedimentos composicionais dos textosIrene de Araújo Machado | irenemac@uol.com.br estão comprometidos com um processo maior deUniversidade de São Paulo - USP. Possui graduação em Letras pela trânsito de ideias.Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas pela Universidadede São Paulo (1977), Mestrado em Comunicação e Semiótica pelaPontifícia Universidade Católica de São Paulo (1985) e Doutorado em Sabemos que o grande feito da cultura letrada foiLetras (Teoria Literária e Literatura Comparada) pela Universidadede São Paulo (1993). Atualmente é Professora Assistente Doutora da a criação do homem leitor, aquele que aprendeEscola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo ondeministra a disciplina Semiótica da Comunicação na Cultura e orienta o alfabeto para ler textos escritos onde quer quepesquisas de mestrado e doutorado. É Editora Científica de MATRIZes eles se manifestem. O aprendizado da escrita e dae pesquisadora do CNPq (PQII).
  2. 2. www.e-compos.org.br | E-ISSN 1808-2599 |leitura nunca teve como objetivo uma finalidade para a disseminação de formulações simplistas,profissional, mas sim um aprimoramento seja aquela que prega a superioridade de umintelectual. É possível dizer que somos sistema de signos em relação a outros – comoalfabetizados, igualmente, para ler as linguagens a repetido slogan “Uma imagem vale mais doformadas por códigos que excedem a grafia de que mil palavras” –, seja a da subserviência dapalavras? Estamos capacitados para alcançar o interpretação da imagem pela palavra. Alémpotencial argumentativo dos textos constituídos das contradições que propagam, tais dicotomiaspor diferentes estruturas de linguagem da postulam o caráter auto-explicativo das imagenscultura de meios? Difícil afirmar com certeza, que em textos informativos não passam desobretudo porque o exercício pleno da linguagem, evidências ilustrativas sem necessidade de um 2/18historicamente vinculado a formas de poder, de aprendizado formal.controle e de acesso aos patrimônios culturais Diríamos, inicialmente, que todoe cognitivos, não se restringe às facilidades empreendimento comprometido com uma Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós, Brasília, v.12, n.3, set./dez. 2009.implementadas por meios digitais. Aqui começa o ampliação de exercícios “com” e “nas”nosso problema. linguagens da comunicação, representa umAs estruturas visuais da cultura de imagens adentramento em esferas de controle e umaé um campo bastante rico de reflexões nesse conquista de bens culturais que não deveriasentido, menos pela novidade que anuncia e ser apenas privilégio de muitos, mas exercíciomais pelas contradições das práticas de leitura das faculdades intelectuais em ambientesque tem estimulado. Se, por um lado, a cultura de interação. A alfabetização nas escritasde imagens surge no contracampo da cultura contemporâneas e na leitura dos sistemasliterária, polarizando a relação entre palavra de signos deveria estar na ordem do dia dose imagem, por outro, o exercício de leitura estudos sobre a linguagem dos meios. Comodas imagens, grosso modo, não avançou nas já alertara, em seu tempo, o linguista Romansingularidades dos signos visuais, sobretudo Jakobson (1971), “propriedade privada” é umno que diz respeito aos diagramas icônicos do corpo estranho e nocivo à vida da linguagem. Sepensamento para a constituição de argumentos cultura e linguagem se confundem, é impossívelgráficos1. Enquanto a escrita da imagem considerar as linguagens da comunicaçãocompete a profissionais, a leitura da imagem é como um bem restrito a poucos. A prática deprivilégio de especialistas, o que abre caminho leitura dos textos de comunicação representa1 Diagrama é um conceito caro à teoria semiótica por valorizar as relações de ideias no fluxo que configura o movimento deraciocínios. Argumentação gráfica é a operação diagramática do raciocínio e linguagem da argumentação que se tornou objeto deestudo de um Projeto de Pesquisa em desenvolvimento com bolsa produtividade do CNPq (MACHADO, 2008).
  3. 3. www.e-compos.org.br | E-ISSN 1808-2599 |uma possibilidade não apenas de explorar as Cada um a seu modo oferece instrumentospotencialidades semióticas do conhecimento de intervenção na linguagem do jornalismo.humano na cultura de meios como também Pretende-se com isso examinar como ossua disseminação. acontecimentos significam, como se tornam textos e de que procedimentos as linguagens seO presente artigo examina e formula uma servem para formular sua argumentação gráfica.possibilidade de leitura das estruturas O objetivo é compreender como os textos podemdiagramáticas nos textos comunicacionais como ser lidos em sua variedade de códigos, nãoforma de alfabetização nas suas linguagens apenas interpretados dentro de premissas ada cultura visual dos meios. Não se trata de priori estabelecidas. 3/18simplesmente afirmar sua condição de veículospotenciais de transmissão de informações de um Nesse sentido, a estruturalidade da linguagempara muitos. Pelo contrário, neles identificamos informativa será o objeto primordial de análise.processos argumentativos realizados pelas Desenvolvido no contexto de uma cultura visual, Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós, Brasília, v.12, n.3, set./dez. 2009.linguagens que representam formas de o jornalismo aprimorou-se como linguagemaprimoramentos cognitivos. Assim como os livros de refazer contextos, de recodificar textosintroduziram a necessidade de aprendizagem e de reelaborar códigos, levando às últimaspara a escrita e a leitura dos signos gráfico- consequências a semiose das formaçõesalfabéticos, os textos de comunicação, desde interpretantes da cultura.que se constituíram como linguagem impressa, Longe de firmar oposições e confrontos entredemandam processos de alfabetização que, se já verbal e não-verbal, o texto de comunicaçãoestiveram centrados nas formas tipográficas, hoje revela-se como espaço semiótico de relaçõesse diversificaram em códigos de ordenamentos estruturais configuradas por diferentes códigosgráfico-visuais diferenciados, sobretudo se não necessariamente solidários: cada umforem consideradas as dimensões audiovisuais afirma o que a codificação permite. Nesse caso,dos meios eletrônico-digitais. Aproximar-se dos experimenta-se com desenvoltura o trânsitoprocessos de codificação e recodificação através entre linguagens. Quer dizer, as linguagensde leitura pontual é o que se propõe nesse resultam de uma programação transcodificadoramomento. Para isso, estrategicamente, nossa que inclui um planejamento para significar oanálise ficará restrita à linguagem impressa que não é possível representar com os signosdo jornalismo que tem no meio impresso o seu disponíveis. Por isso, aquilo que não é possívelhabitat, mas não seu medium, uma vez que é dizer com signos verbais será experimentado emnotório o diálogo com o cinema, a fotografia, outras bases gráficas. Os textos comunicacionaisa televisão, as artes, a literatura e o design.
  4. 4. www.e-compos.org.br | E-ISSN 1808-2599 |constroem uma semiose que, como bem formulou comunicacionais em prol do aprimoramentoDécio Pignatari (1968), nasce sob o signo do cognitivo da cultura humana. São textos dedesign. Tal é a hipótese que motivou o contexto circulação social ampla que podem ser lidos nadesta investigação sobre semiosis in design. rua. Basta que a leitura seja feita com a cabeçaGraças à semiose, experiências de linguagem levantada (BARTHES, 1988, p. 40).realizadas em diferentes esferas da culturacontribuem para a produção de novos processos 2 Escrita e leitura de estruturas relacionais em textos de comunicaçãosignificantes e de novas demandas de leitura.Se os textos comunicacionais pressupõem Tempos de crise são um bom momento paraestruturas relacionais sem as quais a linguagem rever conceitos que tempos de muitas certezas 4/18não se realiza, não há como descartá-las do não permitem enxergar. A história recente temconjunto da significação. sido cenário de adversidades e de convulsões: dos impactos ambientais à crise econômicaO exercício aqui proposto surge de uma demanda Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós, Brasília, v.12, n.3, set./dez. 2009. global, como nossos jornais diários não cansampor conhecimento estrutural da linguagem na de anunciar. Convém observar, porém, que ascultura de meios. Contudo, o eixo argumentativo notícias da crise não chegam até nós por meioda análise é um rigoroso questionamento de de textos caudalosos. Formatos minimalistasalguns raciocínios simplistas segundo os quais de composição sob forma de manchete ou deos textos de comunicação são porta vozes da vinheta têm sido fonte de disparos com altaverdade ideologicamente constituída e, para isso, dose de especulação. No jornal impresso,constroem artimanhas e mazelas do discurso pequenas tiras, com planos justapostos delinguístico manipulador consagrado por modos imagens, sintetizam ideias do cenário emde dizer convencionados por regras igualmente pauta, cumprindo o papel de vinhetas deconsolidadas. Apoiados no compromisso ético, enunciados instantâneos.não apenas dos textos de comunicação comotambém de todos os sistemas culturais, defende-se Assim se enuncia a chamada crise estrutural dosaqui a necessidade de aprendizado de leitura das modelos políticos, econômicos e sociais que seestruturas relacionais que, na história da cultura, formaram e se consolidaram após os confrontosos textos comunicacionais exercitaram sob forma bélicos mundiais do século XX e da Guerrade design de linguagens em suas possibilidades Fria subsequente. Analistas e cientistas não segráficas e diagramáticas não limitadas à palavra. cansam de anunciar a necessidade de mudanças estruturais nos empreendimentos que visam, seSemiosis in design reporta-se a esse exercício não resolver, pelo menos evitar o colapso.de leitura da diversidade significante nos textos
  5. 5. www.e-compos.org.br | E-ISSN 1808-2599 |Se forem considerados alguns episódios da século passado, que “estrutura” era palavrahistória ideológica recente, o uso eloquente do maldita. Vinculada aos vários estruturalismostermo “estrutural” no discurso da crise torna- – particularmente à produção de intelectuaisse a incógnita de uma equação estranha, que franceses – foi julgada e condenada pela carganão pode ser desconsiderada pelos estudiosos semântica de alienação, incapaz de exprimirda linguagem. Sobretudo porque “estrutural” uma visão de mundo engajada. Deveria, pois,diz respeito a “estrutura”, e o campo de ser banida do universo teórico. Quais eram asconhecimento que fez da estrutura um objeto ideias tão ameaçadoras das atividades teóricasde estudo foi a teoria do “estruturalismo” que propunham compreender a estrutura das– conjunto de formulações que marcaram o manifestações? Vale a pena compartilhar alguns 5/18pensamento em ciências humanas na segunda pontos dessas ideias cuja história começa a sermetade do século XX. recuperada (ver DOSSE, 2007).Há, pelo menos, uma pergunta que não pode Dentre as formulações desenvolvidas em Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós, Brasília, v.12, n.3, set./dez. 2009.deixar de ser formulada neste momento: como diversas áreas das ciências humanas –o estruturalismo, considerado o principal etnologia, linguística, psicanálise, sociologia,contraponto à dialética materialista, pode crítica literária, história – o estudo dadefinir o caráter das condutas capazes de “estrutura” introduziu o exercício de conjugaracionar mudanças radicais em esferas decisivas uma atividade investigativa e uma forma deda vida pública contemporânea? linguagem: “o estruturalismo é sobretudo uma nova linguagem” (COELHO, 1967, p. X). DaíAinda que não se trate de reavivar cadáveres, é a presença orientadora da língua nas teorias,muito difícil, para os que resistiram aos ataques despertando interesses pela busca de estruturacontra os vários estruturalismos nos anos 60, de linguagem nas manifestações de cultura semconcordar com a reivindicação de mudanças distinção. Contrariando o princípio naturalistaestruturais na sociedade sem antes exigir precisão da linguagem como expressão do pensamento,no uso do conceito. Nesse sentido, examinar o desenvolveu-se o conceito de linguagem comoemprego do termo “estrutura” no discurso da crise esfera de articulação das ideias, conceitos eatual é uma forma de discutir, criticamente, como relações. Chamou-se a atenção para o signo e,se apresenta hoje a leitura estrutural do mundo. ao fazê-lo, desvendou-se a convencionalidadeAfinal, conceitos têm história, e não se pode das relações significativas que acionam o campoignorar a história do estruturalismo. de forças da semiose: nenhum significado cabeAs novas gerações certamente desconhecem num único termo porque a significação só seque houve um tempo, a partir dos anos 50 do realiza como relação encadeada. Com isso, a
  6. 6. www.e-compos.org.br | E-ISSN 1808-2599 |noção de que existe uma relação natural entre Se, por um lado, a noção de estrutura tornou-linguagem e realidade passa a ser alvo de se fundamento teórico do estruturalismo egrandes questionamentos, sobretudo porque o principal caminho para a descoberta dasesta relação natural nega a convenção. Em linguagens na cultura, por outro, definiu umlinhas gerais, a compreensão da estrutura modo de olhar o mundo: a estruturalidade decomo possibilidade de levar adiante o projeto relações em níveis de abstração completamenteestruturalista de “desnaturalização dos fora da sucessividade causal. Esta seria asignos como forma de combater, no plano das “história entre parênteses”. É muito prematurosuperestruturas, a ideologia burguesa” (idem, afirmar que tal história orienta as enunciaçõesp. XIII), constitui-se numa grande ameaça ao sobre a crise atual. Não se pode, contudo, 6/18logos – à palavra e à verdade única que ela pode ignorar que o jogo de forças de significadosignificar. Nesse caso, a descoberta de que os descortina relações estruturais com as quaissignos são guiados por convenções torna-se uma interagimos. Se não é possível, ainda, alcançar Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós, Brasília, v.12, n.3, set./dez. 2009.premissa fundamental. o corte sincrônico da estruturalidade, podemos, minimamente, exercitar o olhar estruturalNão cabe aqui recuperar a história sobre o mundo. Isso posto, é necessário dizerdo estruturalismo para realizar um que o alvo não são as ações que reivindicamredimensionamento consequente de suas mudanças estruturais da vida social, mas oformulações. Se é verdade que “a fecundidade próprio discurso da crise que se manifestade uma ciência mede-se pelo valor operatório nas mensagens de textos informativos – quedos conceitos que nela se produzem” (idem, desenvolvem um olhar sobre o mundo por meio,p. VII), o estruturalismo forneceu conceitos evidentemente, de relações estruturais comfundamentais para a leitura do mundo em suas poder argumentativo. Este é o primeiro passotransformações culturais. Dentre eles, o que de nosso exercício em que a leitura estrutural évem em nosso socorro para que possamos pensar realizada como atividade alfabetizadora.ações consequentes para a crise é exatamenteo conceito de tempo-espaço histórico. Ainda Se, num primeiro nível, estrutura diz respeito aque o estruturalismo tenha sido condenado por relações que, ao serem evocadas, projetam umpolarizar o conceito de história ao desqualificar nível de abstração, num outro nível, evoca padrãoa sucessividade em nome de uma operação de conexão. Assim formulada, estrutura se tornadiacrônico-sincrônica, dele herdamos a noção chave conceitual para o exame do padrão dede neutralização do tempo como forma de conexão que se desenha entre acontecimentoscompreender a estruturalidade de uma e suas representações – da história entrenova estrutura. parênteses não fundada na causalidade,
  7. 7. www.e-compos.org.br | E-ISSN 1808-2599 |mas como parte de relações sistêmicas. Tal dedutivos e das demonstrações categóricasé a hipótese que fecunda o exercício de fundadas em asserções generalizadoras.leitura estrutural dos textos jornalísticos A lógica interna do discurso jornalísticoenunciadores da crise. Para a investigação de é tomada por diagramas relacionais quesua pertinência e implicações, recorreremos configuram verdadeiros mapas da crise.a uma formação discursiva que tem sido Não é à toa que o mapa se tornou o gêneroreiterada em textos de caráter analítico com textual por excelência deste discurso.força argumentativa. O que se observa é que Contrariando o discurso da verdade única que,os argumentos gráficos não ficam contidos supostamente, é a base do texto informativo,na palavra, à esfera verbal, mas extrapolam o mapa – entendido em sua estrutura 7/18e encontram o continuum semiótico da gráfico-visual de representação indicial decultura. A expressão gráfico-visual se desloca caminhos – abre para outras possibilidades deda esfera do logos – razão ou pensamento – e interpretação, de inferências e de abduções. Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós, Brasília, v.12, n.3, set./dez. 2009.se lança para este lugar de projeção de signos Os mapas que são reproduzidos nos maisem relação, a esfera do semeion. A semiose variados textos do jornal impresso diário nosdo grafismo visual dos textos comunicativos convidam ao exercício da leitura estrutural dotoma corpo sob forma da linguagem do design, mundo em suas abstrações argumentativas demodus operandi da escrita e da leitura caráter sistêmico.relacionais em textos de comunicação, como se Para articular diferentes níveis de abstração,espera examinar nas análises que se seguem. o discurso estrutural não pode ser considerado como elaboração de um código único. Há que3 A representação dos argumentosgráficos pelos mapas da crise se considerar o cruzamento de formações semióticas diversificadas. Logo, nosso exercícioAinda que o estruturalismo nos anos 60 tenha se inicia pela percepção do mapa como textosido radicalmente questionado, é inegável sua produzido como discurso linguístico e visual,contribuição para o desenvolvimento da leitura sem centramento, portanto, em uma classeestrutural do mundo em seus diferentes níveis de signos. Do ponto de vista de sua formaçãode abstração. Assim, os textos jornalísticos não semiótica, o mapa dimensiona os constituintesapenas enunciam a necessidade de mudanças indiciais e simbólicos, ainda que à primeiraestruturais como também constroem olhares vista seja possível reconhecer apenas umae discursos estruturais sobre a crise. Basta certa configuração icônica em que o mapaobservar que, na formulação de argumentos, redimensiona o território.não há o predomínio exclusivo dos raciocínios
  8. 8. www.e-compos.org.br | E-ISSN 1808-2599 | Figura 2 – Mapa 1 8/18 Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós, Brasília, v.12, n.3, set./dez. 2009.Fonte: Folha de S. Paulo, 10 de outubro de 2008, p. B9. Figura 3 – Mapa 2Fonte: Folha de S. Paulo, 29 de outubro de 2008, p. A16.
  9. 9. www.e-compos.org.br | E-ISSN 1808-2599 |Aprendemos em nossas aulas de geografia território”. Com isso quis dizer algo muitoque ler o mapa não é a mesma coisa que ler simples, mas não tão facilmente entendido: opelo mapa. Enquanto que para ler o mapa é mapa não é o referente, mas um processo denecessário reconhecer as relações icônicas representação por meio de signos que surgemque, via de regra, resultam da vinculação de interpretações culturais – as relaçõesentre representação e referente, a leitura pelo interpretantes dos conhecimentos. Logo, inútilmapa vai além do reconhecimento, chegando a pensar o mapa como um todo único a ilustraruma visão estrutural com diferentes níveis de uma sentença. Cumpre-nos, pois, ler o jogo deabstração. Quer dizer, por meio da representação forças que a construção gráfica indicia.gráfico-visual desenrolam-se interpretações, 9/18 Afirmar que o jogo de forças é representadoideias e argumentos motivados pelas esferas visualmente no mapa 1 por distinções deindiciais e simbólicas. Ler “pelo” é ler “através”, cores primárias, azul e vermelho, é uma foramestabelecendo relações de diferentes ordens: de compreender o mecanismo dedutivo do Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós, Brasília, v.12, n.3, set./dez. 2009.a abstração de uma abstração. Para isso, vale argumento gráfico. A escala das cores e asum olhar comparativo para os mapas da crise legendas constroem variações indiciais quereproduzidos nos textos jornalísticos muito mais acrescentam ao mapa o raciocínio indutivo. Lê-pelo que indicia do que pelo que referencia. se, então, a possibilidade do desaquecimento daAinda que eu possa ler o mesmo mapa – o mapa- economia no mundo no contexto do aquecimentomúndi – em cada texto, leio diferentes relações e climático do planeta, o que representa, emposso chegar a diferentes abstrações de sentido. última instância, a nossa guerra fria – e estaLogo, a leitura estrutural da chamada visualidade é uma abstração a que a leitura estrutural dodos gráficos esconde alguns desafios perceptivos mapa nos permite alcançar. Esta, porém, já nãoe cognitivos. é da ordem indicial, mas simbólica, uma vez queComparando os mapas representados em mobiliza registros culturais e históricos. O mesmodiferentes noticiários e edições jornalísticas, a encaminhamento de leitura constrói o argumentoapreensão imediata reconhece a preocupação do mapa 2, referente à emissão de gás carbônico,em apresentar dados sobre a condição contudo com uma diferença: a escala de cores éclimática do planeta de uma perspectiva reproduzida, no mapa, pela fotografia de áreasglobal. Para além disso, os mapas constroem devastadas. As informações referenciais da fotorelações e, ao fazê-lo, posicionam jogos de entram para a composição indicial dos mapas,forças à espera de interpretações. Alfred criando diferentes configurações entre os mapas,Korzibsky (apud BORGES, 1999, p. 5) foi o de 1961 e o de 2005. Logo, há que se ler nomais longe ao afirmar que “o mapa não é o mapa: os tons verdes para regiões com grandes
  10. 10. www.e-compos.org.br | E-ISSN 1808-2599 |reservas florestais e os tons marrons para regiões facilitando a leitura do texto. A ideia de quedevastadas e com a terra exposta como ferida na existem padrões de conexão entre a diversidadesuperfície do planeta. de espécies vivas do planeta é um caro argumento do pensamento ecológico, graças aoO exercício de leitura estrutural realizado qual é possível realizar uma leitura estruturalaté aqui, ainda que com diferentes níveis de do mundo e não apenas da crise. A formação deabstração, é quase uma evidência que o próprio uma consciência ecológica sistêmica se tornouconvívio cultural se encarrega de estimular. a demanda fundamental de nosso tempo sem aDeveria, pois, constituir o alfabeto básico de qual as mudanças estruturais, reivindicadas noleitura visual. Concentrando-se, porém, no contexto da crise, não acontecem. 10/18mapa como gênero discursivo chega-se a outraabstração, formulada como pergunta: por que é 4 Design de um palíndromo cartográficoo mapa-múndi o signo elementar de composição O mapa-múndi assim apreendido não édo discurso da crise? Não existiriam formas Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós, Brasília, v.12, n.3, set./dez. 2009. apenas uma representação gráfico-visual.visuais talvez até mais eficientes, como barras, Trata-se de um sistema semiótico formadográficos de porcentagens ou painéis com por representações de diferentes áreasíndices comparativos? de conhecimento: das artes plásticas, daConvém pensar na função persuasiva da matemática, da fotografia, da geometria, dalinguagem e inserir o argumento que defende a geografia, da computação gráfica e da ecologia.visão integradora do planeta não circunscrita pela Com suas cores, formas, linhas, proporções,noção da globalização econômica, malgrado as índices, porcentagens e legendas, dimensionaimplicações intercontinentais. A insistência em ecossistemas comunicacionais que selecionam eler os índices pelo mapa é uma premissa para a combinam articulações diferenciadas.formação de uma consciência ecológica em que Seleção e combinação definem a base estruturalos homens, suas ações, suas interações com o da linguagem segundo o linguista Romanambiente e demais espécies explicitem o convívio Jakobson (1971). Ainda que a estrutura dano mundo. A representação gráfico-visual sob linguagem possa configurar uma relaçãoforma de mapa insere o homem no ecossistema invariável, em funcionamento a linguagemde que faz parte, ainda que não todos os seres mobiliza variáveis e variações de sentidoshumanos tenham consciência deste fato. graças à função comunicativa, que JakobsonO mapa que representa um padrão de conexão identificou em seis manifestações diferentes:no ecossistema do planeta não é, decididamente, função emotiva, referencial, conativa,o território e está longe de ser sua ilustração, fática, poética e metalinguística. À função
  11. 11. www.e-compos.org.br | E-ISSN 1808-2599 |metalinguística creditou a possibilidade de propiciar a construção de textos para abrangerrelações combinatórias imprevisíveis, de criação relações sistêmicas complexas e em grandede informação nova, uma vez que a combinação escala.envolve intervenção no código. Com isso, a Não é do software que se trata, mas da releituralinguagem se volta para si, para a estrutura da do mundo que as estruturas relacionais docodificação. A metalinguagem se apresenta, design gráfico nas linguagens da comunicação eassim, como possibilidade de recodificação. na enunciação do discurso da crise.Em que medida é possível observar processos de No momento em que a atenção do planeta serecodificação na utilização dos mapas do mundo voltou para os painéis eletrônicos das bolsas 11/18nos textos de comunicação? É hora de avançar em de valores, entre outubro e dezembro de 2008,outra direção. telas se tornaram a selva em que monstrosComo se afirmou inicialmente, apesar da atacavam por meio de números, curvas, gráficos, Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós, Brasília, v.12, n.3, set./dez. 2009.condenação ao estruturalismo, as necessidades tabelas com cores luminosas e indicadoresrelacionais em diferentes níveis de abstração em movimentação intensa, muito próximas do– de uma obra artística aos ecossistemas do movimento dos atritos elétricos da atmosferaplaneta – desenvolveram a capacidade de ver que os raios desenham durante tempestades.estruturalmente o mundo e transformar esta Configurou-se uma crise cuja ameaça foivisão em diferentes formas de linguagem. Esta anunciada por telas com dígitos, luzes, corescrescente demanda da produção significante me e diagramas projetados em tempo real para osparece acolher o desenvolvimento das operações quatro cantos do mundo, atingindo a todos comde semiose que, por intervir diretamente nos a mesma força e intensidade.códigos, produzem design, o que levou Décio Se o século XXI se iniciou sob o impactoPignatari (1968) a entender a potencialidade do aquecimento global, o mapa do cenáriodas linguagens da comunicação e das estruturas econômico assumiu outras cores: em vez dorelacionais das mensagens como processos calor derretendo geleiras, estamos às voltas comnascidos sob o signo do design. frentes frias desequilibrando o aquecimentoEnquanto o senso comum afirma que os econômico alimentado pelas forças implacáveisgráficos são facilitadores da leitura, designers da globalização, tal como se representa no mapada linguagem informática criam software para 1. As previsões não são nada otimistas e o quea interação no ecossistema em sua dinâmica vemos é um planeta atingido por uma frente friaplanetária. Trata-se de atender à necessidade global. Poucos são os lugares a conservar o calorde projetar linguagens informáticas de modo a do aquecimento econômico.
  12. 12. www.e-compos.org.br | E-ISSN 1808-2599 |Quando vislumbrou a noção de aldeia global têm avançado nesta linha de pensamento.em que os meios de comunicação teriam Suas observações levaram-no à compreensão,papel primordial, Marshall McLuhan não não dos meios, mas das operações de designpensava exatamente em economia, mas em que acontecem no campo das linguagens eum campo de estudo ainda em formação, dos códigos desenvolvidos pelos diferentescuja denominação se originou da mesma raiz sistemas em interação na galáxia. Nessegrega de oikos (de lar ou terra). Definiu este sentido, diferentemente das galáxiascampo como ambiente ou ecologia: ecologia e agregadoras de meios, Lunenfeld entendeeconomia se originam da raiz oikos. Pensava que o presente estágio de nossa culturaque os meios de comunicação, ao promoverem desenvolve-se como “a constelação do design” 12/18trocas de informações em escala planetária, (2003, p.10-15). Trata-se de uma linha deaprimorando as tecnologias eletro-eletrônicas pensamento de Lunenfeld que elaboroubem como os satélites, criariam uma ecologia. uma formulação desafiadora, como se pode Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós, Brasília, v.12, n.3, set./dez. 2009.Os meios funcionariam, assim, como extensões ler a seguir.de diferentes expressões sensoriais formadoras Certa vez eu vi Koolhaas2 analisar a evoluçãode ambientes de comunicação numa ecologia da arquitetura em relação à globalização doplanetária (ver MACHADO, 2009). capital. Ele exibiu a projeção do mercado com o hemisfério ocidental à esquerda, Eu-Porque o centro irradiador dessa ecologia é rásia no centro e Austrália à direita. Koolha- as começou a falar das estratégias mundiaisa troca de mensagens comunicacionais, e não dominantes lendo, da esquerda para a di-os bens econômicos, McLuhan compreendeu reita: dólar $, euro €, yen ¥. Numa brilhante inversão das normas cartográficas, então, oa interação das diferentes linguagens – do próximo slide situava a Ásia à esquerda, aalfabeto à tipografia, da escrita manuscrita à Europa no centro e os EUA à direita, criando um supergráfico de estratégias: ¥ € $, ou,letra impressa – em confronto com as culturas como Koolhass chamou, o YES global (LU-orais, como uma galáxia que ele nomeou NENFELD, 2003, p. 13).“galáxia de Gutenberg”. A metáfora da galáxia O gráfico apresentado por Koolhaas não constade Gutenberg serviu de lição para outros no livro de onde esta citação foi retirada;estudiosos interessados em compreender contudo, encontra-se disponível na fonte web daos efeitos que os meios de comunicação e legenda, de onde recolhemos para reprodução.as tecnologias introduzem na cultura. PeterLunenfeld (2003) é um desses teóricos que2 Rem Koolhaas é um arquiteto holandês, fundador do Office for Metropolitan Architecture (OMA), em Londres (1975). Consagrou-se como escritor, filósofo, designer e visionário, conquistando, assim, muitos seguidores.
  13. 13. www.e-compos.org.br | E-ISSN 1808-2599 | Figura 6 – Mapa 4: ¥ € $ global 13/18 Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós, Brasília, v.12, n.3, set./dez. 2009. Fonte: Rem Koolhaas, Dilemmas in the Evolution of the Cities, 2007 Disponível em: <josegenao.wordpress.com/2007/06/>.O gráfico de Koolhaas na verdade não é em confronto com a experiência. Para Décioexatamente o mapa-múndi, mas um interpretante Pignatari (1968, p. 30), “o interpretante,das relações econômicas sintetizadas na assim, não é uma coisa, mas antes o processopalavra ¥ € $, que, por seu turno, resulta de relacional pelo qual os signos são absorvidos,uma intervenção metalinguística no mapa, isto utilizados e criados”.é, realinhamento dos continentes segundo as Num primeiro momento, é possível dizer que avariações dos mercados e de suas moedas. Há, base gráfica formadora do argumento foi o mapa-portanto, um argumento gráfico muito preciso múndi segundo uma percepção de movimentona representação de Koolhaas: mudança radical em economias emergentes no contexto global,no jogo de forças da economia globalizada e do não da globalização econômica, mas no globosurgimento de novos mercados desencadeado terrestre. Contudo, não há aqui uma estrutura depelo aquecimento de economias emergentes. cor e legenda. Tal como as pressões atmosféricas,Graças à operação de design, o gráfico apresenta as pressões dos agentes econômicos sãoum interpretante do signo, ou seja, uma mobilizadoras e interventoras. Assim, quandoestrutura em que a interpretação é reelaborada Koolhaas inverte a cartografia, ele opera uma
  14. 14. www.e-compos.org.br | E-ISSN 1808-2599 |modelização das relações ecológicas em função ao movimento dos códigos num jogo entre mapadas transformações econômicas. Quando, porém, e cifras, alternando as direções da leitura. Odesenha o signo gráfico da moeda de cada região neologismo ¥ € $ surge do movimento reverso dono contexto desta cartografia, surge um signo mapa, não da linearidade unidirecional da escritanovo: o ¥ € $ global. Este é um signo novo porque alfabética (somente da esquerda para a direita).sua base gráfica não são as letras do alfabeto – O modelo produzido já não é mais um mapa-nem ocidental, nem oriental – mas as cifras das múndi, mas uma representação gráfico-visual demoedas respectivas. Paradoxalmente, a leitura um ponto de vista sobre o mundo. Atente-se queque nossa visão realiza não leva em conta os o Japão, potência econômica cifrada pelo iene,signos gráficos, mas a semiose acústica de outra ocupa uma pequena fração do espaço, no canto 14/18palavra, o termo yes da língua inglesa. Assim, esquerdo da parte inferior do quadro, criandoa carta do globo terrestre é renomeada com os uma desproporção com a massa gráfica dosignos gráficos da semiose econômica. Ainda continente europeu (euro) e americano (dólar), Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós, Brasília, v.12, n.3, set./dez. 2009.que se possa ler o signo ¥ € $ como a palavra em linha ascendente e na diagonal.yes, no contexto do gráfico desenhado pelo jogo Há que se considerar igualmente a operaçãode forças ecológico-econômico trata-se de uma sensorial e cognitiva que aqui se manifesta comocontrovérsia: um contexto de crise. Algo muito gesto de leitura realizado por associações. Opróprio da globalização que firma a positividade a ¥ € $ global só é lido como letra do alfabetopartir de movimentos subterrâneos de negação. fonético porque conhecemos as palavras aSe este fosse um artigo de economia, partir das quais a notação gráfica foi realizada:certamente eu iria encaminhar ideias iene, euro, dólar. Estamos, pois, mergulhadoseconômicas do exemplo apresentado por no ambiente da cultura escrita alfabética queKoolhaas. O viés semiótico, porém, enfatiza desenvolve códigos e sistemas notacionais paraa controvérsia do processo de modelização atender necessidades comunicativas e cognitivassemiótica do design deste signo novo resultante que não cabem na interação pela linguagemde classes de signos distintas, abrindo caminho verbal ordinária. Fora deste ambiente, talvez opara a constelação do design que Lunenfeld ¥ € $ global soe como um nonsense. Aqui não(2003, p. 10) entende dominar a cultura de é. A semiotização do código é uma demanda donosso tempo de crises e de controvérsias. ambiente de relação em design.Chamo de palíndromo cartográfico o texto que Toda essa decomposição analítica da interaçãoresulta de diferentes semioses porque, tal como com o gráfico se realiza em presença do signono palíndromo, a composição se realiza graças discreto, das cifras e das letras. Isso não acontece
  15. 15. www.e-compos.org.br | E-ISSN 1808-2599 |com o signo contínuo: o mapa-múndi não pode melhor, acontecem. A partir do momento em queser decomposto em unidades sem perder sua eles passam a ser objeto de interpretação, elescapacidade de representar o sistema do planeta. se tornam signos de leitura que se oferecem sobAinda que seja resultado da modelização de forma de alguma composição e podem ser assimoutras representações, estas não projetam o mapa dimensionados por outras leituras. Tenta-seem fragmentos. Ele só significa in continuum: recuperar a cadeia associativa de intuições euma constelação, como queria Lunenfeld. de probabilidades que os processos sensoriais transformam em percepções. A leitura assim5 Considerações finais concebida é um gesto de raciocínio que naTanto a galáxia de Gutenberg quanto a busca por deduções dos fatos não abandona as 15/18constelação do design são reveladoras das inferências e abduções. Em vez de ser guiadaconjugações sistêmicas não apenas dos textos pela lógica, segue os passos nem sempre fluidoscomo também do modo de ver o mundo e de nele da analógica. Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós, Brasília, v.12, n.3, set./dez. 2009.conviver. As diferentes estruturas constroem A leitura estrutural assim concebida definediferentes mensagens. No caso da consciência duplamente o que tentamos examinar aquiecológica apresentada nos vários textos, não se como semiosis in design. Por um lado, nomeiatrata de verdade única nem de teleologia. Trata- o processo semiótico que traduz a ação do signose de interação sistêmica expressa em leituras em sua interação dinâmica com outros signos;estruturais com diferentes níveis de abstração por outro, qualifica a semiose como operação– tão necessárias para todo ato de conhecimento. tradutora ou de transcodificação, típica do design.Com isso, afirma-se a necessidade da abstração In design define o caráter da semiose gráfica dostanto para o processo de argumentação quanto textos no contexto produtivo da linguagem, cujoda alfabetização na cultura, uma vez que nenhum objetivo é alcançar diagramas de pensamentosistema de signo é auto-suficiente. sem o qual o conhecimento não consolida basesA análise dos textos aqui apresentada não tem argumentativas de signos culturais.como objetivo uma focalização exaustiva deprocedimentos a partir de teorias. O objetivo Referênciasé explicitar no exercício a leitura das relações BARTHES, Roland. Escrever a leitura. In: ______. O rumor da língua. São Paulo: Brasiliense, 1988. p.estruturais que colocam em jogo diferentes 40-42.abstrações, ativando o contexto de relações, BORGES, Jorge Luis. Da impossibilidade de construiraproximações e distanciamentos na operação a carta do império em escala um por um. In: ______.cognitiva que a mente põe em ação em contato Obras Completas. São Paulo: Globo, 1999. p.5.com o mundo. Os acontecimentos existem, ou
  16. 16. www.e-compos.org.br | E-ISSN 1808-2599 |COELHO, Eduardo Prado. Introdução a umpensamento cruel: estruturas, estruturalidade eestruturalismos. In: ______ (coord.). Estruturalismo:antologia de textos teóricos. São Paulo: MartinsFontes, 1967. p. I-LXXV.DOSSE, François. História do estruturalismo. Bauru:EDUSC, 2007.JAKOBSON, Roman. Lingüística e comunicação.Tradução: Isidoro Blinkstein. São Paulo: Cultrix, 1971.LUNENFELD, Peter. The Design Cluster. In: 16/18LAUREL,Brenda (ed.). Design research: methods andperspectives. Cambridge: MIT Press, 2003.MACHADO, Irene. Controvérsias sobre a cientificidadeda linguagem. Líbero. Revista do Programa de Pós- Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós, Brasília, v.12, n.3, set./dez. 2009.graduação da Faculdade Cásper Líbero, ano XI, n.22, p.63-74, dez. 2008.______. Ecologia das extensões culturais.In: ENCONTRO ANUAL DA ASSOCIAÇÃODOS PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO EMCOMUNICAÇÃO, 18., 2009, Belo Horizonte. Anais...Belo Horizonte: Compós, 2009.PIGNATARI, Décio. Informação. Linguagem.Comunicação. São Paulo: Perspectiva, 1968.
  17. 17. www.e-compos.org.br | E-ISSN 1808-2599 |Semiotic diagrams in Diagramas semióticos encommunication texts textos comunicacionalesAbstract ResumenThis article addresses the reading of communication El presente artículo presenta una reflexión sobretexts as a cognitive enhancement process. For this, la lectura de los textos de comunicación comoit starts from an assumption of need for semiotic un proceso de mejoría cognitiva en la cultura.literacy in the relational and diagrammatic Para ello, parte de la hipótesis de la necesidad destructures that the media languages have introduced una alfabetización semiótica en las estructurasin the culture. It thus proposes structural reading relacionales y diagramáticas que los lenguajes deexercises with journalistic texts in their process of los medios introdujeron en su cultura. Propone,representation. With this, it intends to verify how así, ejercicios de lectura estructural de textosevents are brought about to signify, how they become periodísticos en su proceso de representación. 17/18texts and what instruments languages use in order Pretende, por lo tanto, examinar cómo losto build arguments that can be read within the acontecimientos significan, cómo se vuelven textosstructuralism of their composition. y de qué instrumentos se sirven los lenguajes paraKeywords construir argumentos que puedan ser leídos en la estructuralidad de su composición. Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós, Brasília, v.12, n.3, set./dez. 2009.Structure. Diagram. Language. Argumentation.Reading. Visuality. Palabras clave Estructura. Diagrama. Lenguaje. Argumentación. Lectura. Visualidad. Recebido em: Aceito em: 14 de julho de 2009 10 de novembro de 2009
  18. 18. www.e-compos.org.br | E-ISSN 1808-2599 |Expediente E-COMPÓS | www.e-compos.org.br | E-ISSN 1808-2599A revista E-Compós é a publicação científica em formato eletrônico da Revista da Associação Nacional dos ProgramasAssociação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação de Pós-Graduação em Comunicação.(Compós). Lançada em 2004, tem como principal finalidade difundir a Brasília, v.12, n.3, set./dez. 2009.produção acadêmica de pesquisadores da área de Comunicação, inseridos A identificação das edições, a partir de 2008,em instituições do Brasil e do exterior. passa a ser volume anual com três números.CONSELHO EDITORIAL João Freire Filho Universidade Federal do Rio de Janeiro, BrasilAfonso AlbuquerqueUniversidade Federal Fluminense, Brasil John DH Downing University of Texas at Austin, Estados UnidosAlberto Carlos Augusto KleinUniversidade Estadual de Londrina, Brasil José Luiz Aidar Prado Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, BrasilAlex Fernando Teixeira PrimoUniversidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil José Luiz Warren Jardim Gomes Braga Universidade do Vale do Rio dos Sinos, BrasilAlfredo VizeuUniversidade Federal de Pernambuco, Brasil Juremir Machado da Silva Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, BrasilAna Carolina Damboriarena EscosteguyPontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Brasil Lorraine Leu University of Bristol, Grã-BretanhaAna Silvia Lopes Davi MédolaUniversidade Estadual Paulista, Brasil Luiz Claudio Martino Universidade de Brasília, Brasil 18/18André Luiz Martins LemosUniversidade Federal da Bahia, Brasil Maria Immacolata Vassallo de Lopes Universidade de São Paulo, BrasilÂngela Freire PrysthonUniversidade Federal de Pernambuco, Brasil Maria Lucia Santaella Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, BrasilAntônio Fausto NetoUniversidade do Vale do Rio dos Sinos, Brasil Mauro Pereira Porto Tulane University, Estados UnidosAntonio Carlos HohlfeldtPontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Brasil Muniz Sodre de Araujo Cabral Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós, Brasília, v.12, n.3, set./dez. 2009.Arlindo Ribeiro MachadoUniversidade de São Paulo, Brasil Nilda Aparecida Jacks Universidade Federal do Rio Grande do Sul, BrasilCésar Geraldo GuimarãesUniversidade Federal de Minas Gerais, Brasil Paulo Roberto Gibaldi Vaz Universidade Federal do Rio de Janeiro, BrasilCristiane Freitas GutfreindPontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Brasil Renato Cordeiro Gomes Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, BrasilDenilson LopesUniversidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil Ronaldo George Helal Universidade do Estado do Rio de Janeiro, BrasilEduardo Peñuela CañizalUniversidade Paulista, Brasil Rosana de Lima Soares Universidade de São Paulo, BrasilErick Felinto de OliveiraUniversidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil Rossana Reguillo Instituto Tecnológico y de Estudios Superiores do Occidente, MéxicoFrancisco Menezes Martins Rousiley Celi Moreira MaiaUniversidade Tuiuti do Paraná, Brasil Universidade Federal de Minas Gerais, BrasilGelson Santana Samuel PaivaUniversidade Anhembi/Morumbi, Brasil Universidade Federal de São Carlos, BrasilGoiamérico Felício Sebastião AlbanoUniversidade Federal de Goiás, Brasil Universidade Federal do Rio Grande do Norte, BrasilHector Ospina Sebastião Carlos de Morais SquirraUniversidad de Manizales, Colômbia Universidade Metodista de São Paulo, BrasilHerom Vargas Simone Maria Andrade Pereira de SáUniversidade Municipal de São Caetano do Sul, Brasil Universidade Federal Fluminense, BrasilIeda Tucherman Suzete VenturelliUniversidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil Universidade de Brasília, BrasilItania Maria Mota Gomes Valério Cruz BrittosUniversidade Federal da Bahia, Brasil Universidade do Vale do Rio dos Sinos, BrasilJanice Caiafa Veneza Mayora RonsiniUniversidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil Universidade Federal de Santa Maria, BrasilJeder Silveira Janotti Junior Vera Regina Veiga FrançaUniversidade Federal da Bahia, Brasil Universidade Federal de Minas Gerais, BrasilCOMISSÃO EDITORIALFelipe da Costa Trotta | Universidade Federal de Pernambuco, Brasil COMPÓS | www.compos.org.brRose Melo Rocha | Escola Superior de Propaganda e Marketing, Brasil Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em ComunicaçãoCONSULTORES AD HOC PresidenteArthur Autran Franco de Sá Neto | Universidade Federal de São Carlos Itania Maria Mota GomesCarlos Eduardo Franciscato | Universidade Federal de Sergipe Universidade Federal da Bahia, BrasilElisa Reinhardt Piedras | Universidade Federal do Rio Grande do Sul itania@ufba.brElizabeth Bastos Duarte | Universidade Federal de Santa MariaMarcia Benetti Machado | Universidade Federal do Rio Grande do Sul Vice-presidenteSandra Maria Lúcia Pereira Gonçalves | Universidade Federal do Rio Grande do Sul Julio PintoSuzana Kilpp | Universidade do Vale do Rio dos Sinos Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, BrasilTattiana Gonçalves Teixeira | Universidade Federal de Santa Catarina juliopinto@pucminas.brVander Casaqui | Escola Superior de Propaganda e MarketingVicente Gosciola | Universidade Anhembi Morumbi Secretária-GeralWalter Teixeira Lima Junior | Fundação Cásper Líbero Ana Carolina Escosteguy Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, BrasilREVISÃO DE TEXTO E TRADUÇÃO | Everton Cardoso carolad@pucrs.brEDITORAÇÃO ELETRÔNICA | Raquel Castedo

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