Educação Ambiental: Resíduos Sólidos e Consumo Infantil

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Aula ministrada ao terceiro ano do curso de Pedagogia da UNESP de Presidente Prudente - SP, durante a disciplina de "Conteúdos, Metodologia e Prática de Ensino de Geografia"

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Educação Ambiental: Resíduos Sólidos e Consumo Infantil

  1. 1. EDUCAÇÃO AMBIENTAL: CONSUMO/RESÍDUOS SÓLIDOS PROF. RONALDO CASTANGE
  2. 2. O objetivo da Educação Ambiental é demonstrar que ela é um importante instrumento de discussão e conscientização sobre a necessidade de rever concepções de mundo, hábitos de consumo e desperdício enraizados no dia-a-dia dos cidadãos.
  3. 3. Educação Ambiental
  4. 4. O Art. 8º da Lei nº 9795/99 estabelece que as atividades vinculadas à Política Nacional de Educação ambiental devem ser desenvolvidas na educação em geral e na educação escolar por meio da capacitação de recursos humanos, do desenvolvimento de estudos, pesquisas e experimentações, da produção e divulgação de material educativo e do acompanhamento e avaliação. Para muitos estudiosos estamos passando por um período de crise. Mas é preciso questionar o que de fato está em crise, se é a natureza, o meio ambiente ou a sociedade?
  5. 5. Fátima Portilho (2005) nos diz que até a década de 1970 a crise ambiental era atribuída ao crescimento demográfico, principalmente nos países em desenvolvimento, que provocariam o esgotamento dos recursos naturais do planeta. No ano de 1972, na Conferência de Estocolmo, os países em desenvolvimento trouxeram o argumento de que os responsáveis pela crise eram os países desenvolvidos que, pelo seu modo de produção, eram os maiores consumidores de recursos e energia do planeta e os maiores poluidores. A partir do Rio92, o foco passou dos problemas ambientais causados pela produção para os problemas ambientais causados pelo consumo. Surgem os conceitos de: • Consumo Verde • Consumo sustentável Vamos conversar sobre eles...
  6. 6. Exibição do vídeo “A História das Coisas”
  7. 7. Helio Mattar, presidente do Instituto Akatu, nos diz o seguinte: A forma de consumir se consolida em uma “cultura de consumo”, expressa em hábitos cotidianos, e, como tal, é aprendida na infância e reforçada ao longo da vida. Uma das formas mais eficazes para que as pessoas se disponham a consumir de forma diferente é que desenvolvam esses hábitos desde cedo, conhecendo os impactos do consumo sobre a vida em geral e acumulando repertório sobre formas distintas de consumir, reforçadas pelos novos comportamentos de consumo; Ao educar para o consumo consciente, educa-se para que as pessoas conheçam os impactos de seus atos de consumo sobre si próprias, sobre a sociedade e sobre o meio ambiente, e façam suas próprias escolhas de forma consciente. Isso exige uma metodologia de ensino que apoie o desenvolvimento da capacidade crítica da criança, e que leve em conta as influências do tempo, da cultura e da política na relação das pessoas com o meio onde vivem. É, portanto uma educação para a autonomia como um dos princípios fundamentais; As crianças são diferentes entre si e, por isso, é muito difícil pensar em esquemas de aprendizagem que sirvam igualmente para meninos e meninas de idades, escolas, regiões e culturas diferentes, e graus diferentes de assimilação do consumo consciente.
  8. 8. Assim, é preciso criar e oferecer plataformas em que alunos e professores possam construir seus próprios caminhos de ensino e de aprendizagem, transformando também a criança em protagonista do processo de transformação do meio onde vive. Quando se percebe como tal, a criança passa a influenciar substancialmente as pessoas a seu redor, demandando mudanças no comportamento de seus pais, seus professores e seus pares; As tecnologias contemporâneas da informação e de comunicação possibilitam levar as ações educativas a uma escala e uma abrangência significativas, servindo como instrumento fundamental para a educação do século XXI. Ao mesmo tempo, devem ser pensadas como ferramentas de auxílio ao professor e possibilitadoras da interação, de uma forma colaborativa e não hierárquica; As possibilidades de prática do consumo consciente estão presentes nas escolhas de consumo no cotidiano das crianças e jovens e, por isso, geram interesse e permitem analisar resultados de forma quase imediata. Nesse sentido, fomentar a criação e desenvolvimento de projetos transdisciplinares, envolvendo a escola e a comunidade, é um excelente caminho para a disseminação do consumo consciente, com forte engajamento dos professores e alunos na busca de resultados concretos. Em resumo, o que se busca é provocar um comportamento de consumo autônomo, prudente quanto a seus impactos e justo na distribuição de seus benefícios.
  9. 9. O instituto Alana nos dá a dimensão dos problemas que podem ocorrer caso as crianças continuem sendo expostas as propagandas que estimulam o ato de consumir...
  10. 10. A IDEIA DE CICLO
  11. 11. O CICLO DO PLÁSTICO
  12. 12. O CICLO DO METAL
  13. 13. O CICLO DO PAPEL
  14. 14. RESÍDUO SÓLIDO E LIXO Não existe um consenso no que concerne à discussão sobre os termos resíduo sólido e lixo. De acordo com Logarezzi (2004), nas atividades humanas, em geral, produzimos um excedente que pode ser reaproveitado e novamente inserido no ciclo produtivo, o que denominamos resíduo. No entanto, quando esse excedente é simplesmente descartado em lixões, aterros controlados ou sanitários, potencializando a poluição, a proliferação de vetores de contaminação e a exclusão social, deixa de ser considerado resíduo e se torna lixo. O resíduo ou lixo deve ser compreendido a partir de uma ideia de ciclo, que envolve desde sua extração, produção e consumo até sua renovação – entendendo-se aqui que o resíduo, ao não ser descartado como “lixo comum”, preserva seu status de matéria-prima, fechando assim o ciclo.
  15. 15. De acordo com Jardim (1995, p.23), lixo é tudo aquilo que resta das atividades humanas, considerado pelo gerador como inúteis, indesejáveis ou descartáveis. Normalmente, apresenta-se sob estado sólido, semi-sólido ou semilíquido (com conteúdo líquido insuficiente para que possa fluir livremente). Segundo a autora, o lixo ainda pode ser classificado: • por sua natureza física: seco e molhado; • por sua composição química: matéria orgânica e matéria inorgânica; • pelos riscos potenciais ao meio ambiente: perigosos, não-inertes e inertes;
  16. 16. segundo sua origem, que pode ser: - domiciliar: aquele originado da vida diária das residências, constituído por restos de alimentos (tais como, cascas de fruta, verduras, etc), produtos deteriorados, jornais e revistas, garrafas, embalagens em geral, papel higiênico, fraldas descartáveis e uma grande diversidade de outros itens. - comercial: aquele originado dos diversos estabelecimentos comerciais e de serviços, tais como, supermercados, agências bancárias, lojas, bares, restaurantes, etc. O lixo destes estabelecimentos e serviços é composto de grande volume de papel, plástico, embalagens diversas e resíduos resultantes do asseio dos funcionários, tais como: papel toalha, papel higiênico, etc.
  17. 17. - público: são aqueles originários dos serviços de limpeza pública urbana, incluindo todos os resíduos de varrição das vias públicas, limpeza de praias, de galerias, de córregos e de terrenos, restos de podas de árvores, etc, e de limpeza de áreas de feiras livres, constituídos por restos vegetais diversos, embalagens, etc. - hospitalar e de serviços de saúde: constituem os resíduos sépticos, ou seja, que contêm ou podem eventualmente conter germes patogênicos. São produzidos em serviços de saúde, tais como: hospitais, clínicas, laboratórios, farmácias, clínicas veterinárias, postos de saúde, etc. - de portos, aeroportos, terminais rodoviários e ferroviários: constituem os resíduos sépticos, ou seja, aqueles que contêm ou podem eventualmente conter germes patogênicos, trazidos aos portos, terminais rodoviários e aeroportos. Basicamente, originam-se de material de higiene, asseio pessoal e restos de alimentação, que podem veicular doenças provenientes de outras cidades, estados e países.
  18. 18. - agrícola: resíduos sólidos das atividades agrícolas e da pecuária, como embalagens de adubos, de defensivos agrícolas e de ração, restos de colheita, etc. Em várias regiões do mundo, esses resíduos já constituem uma preocupação crescente, destacando-se as enormes quantidades de esterco animal geradas nas fazendas de pecuária intensiva. Também embalagens de agroquímicos diversos, em geral altamente tóxicos, têm sido alvo de legislação específica, definindo os cuidados na sua destinação. - entulho: resíduos da construção civil – demolições e restos de obras, solos de escavações, etc. O entulho é geralmente um material inerte de reaproveitamento.
  19. 19. O ACONDICIONAMENTO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS:
  20. 20. A DESTINAÇÃO FINAL DOS RESÍDUOS SÓLIDOS Lixão O lixão é uma forma inadequada de disposição de resíduos sólidos que se caracteriza pela sua descarga sobre o solo, sem medidas de proteção ao meio ambiente. Os resíduos assim lançados acarretam problemas à saúde pública, como proliferação de vetores de doenças, geração de maus odores e, principalmente, a poluição do solo e das águas superficiais e subterrâneas, através do chorume, comprometendo os recursos hídricos. É local também que atrai pessoas de baixa renda que vêem no trabalho de catação uma forma de sobrevivência.
  21. 21. Aterro Controlado É uma técnica de disposição de resíduos sólidos urbanos no solo, em que são cobertos com uma camada de material inerte na conclusão de cada jornada de trabalho. Esse tipo de disposição produz poluição localizada, segundo Jardim et al(1995), pois comparando-se ao aterro sanitário, a extensão de área de disposição é minimizada, porém não dispõe de impermeabilização de base, nem sistemas de tratamento de chorume ou de dispersão dos gases lá gerados.
  22. 22. Aterro Sanitário O aterro sanitário é um processo utilizado para a disposição de resíduos sólidos no solo (particularmente lixo domiciliar) que, fundamentado em “critérios de engenharia e normas operacionais específicas”, permite a confinação segura em termos de controle de poluição ambiental e proteção à saúde pública, ou seja, uma forma de disposição de resíduos sólidos urbanos no solo, através do confinamento em camadas cobertas com material inerte, geralmente solo, segundo normas operacionais específicas, de modo a evitar danos ou riscos à saúde pública e à segurança, minimizando os impactos ambientais.
  23. 23. Incineração É uma das tecnologias térmicas existentes para o tratamento de resíduos. Segundo Jardim et al(1995), a incineração é a queima de matéria em alta temperatura (geralmente acima de 900ºC), em mistura com uma quantidade apropriada de ar e durante um tempo pré-determinado. No caso da incineração do lixo, compostos orgânicos são reduzidos a seus constituintes minerais, principalmente, dióxido de carbono gasoso e vapor d’água e a sólidos inorgânicos (cinzas). Este método apresenta a vantagem de reduzir o espaço necessário para a permanência do lixo, mas agride o meio ambiente uma vez que na queima produz tóxicos .
  24. 24. Compostagem A compostagem é outra forma de tratamento de resíduos degradáveis (restos de comida, cascas de fruta, folhas de árvores, papéis, etc) que visa à sua transformação em nutrientes orgânicos para aplicação agrícola. Segundo Jardim (1995), a compostagem é a decomposição da matéria orgânica que ocorre por ação de agentes biológicos microbianos e, portanto, precisa de condições físicas e químicas adequadas para levar à formação de um produto de boa qualidade.
  25. 25. Exibição do vídeo “Ilha das Flores”
  26. 26. Partindo das ideias de Freire: Que nada justifica a minimização dos seres humanos, no caso das maiorias compostas de minorias que não perceberam ainda que juntas seriam a maioria. Nada, o avanço e/ou da tecnologia, pode legitimar uma “ordem” desordeira em que só as minorias do poder esbanjam e gozam enquanto às maiorias em dificuldades até para sobreviver se diz que a realidade é assim mesmo, que sua fome é uma fatalidade do fim do século. Não junto a minha voz à dos que, falando em paz, pedem aos oprimidos, aos esfarrapados do mundo, a sua resignação. Minha voz tem outra semântica, tem outra música. Falo da resistência, da indignação, da ‘justa ira’ dos traídos e dos enganados. Do seu direito e do seu dever de rebelar-se contra as transgressões éticas de que são vítimas cada vez mais sofridas (FREIRE, 1996, p. 113-114).
  27. 27. LIVROS DIDÁTICOS DE GEOGRAFIA E O TEMA RÉSÍDUOS SÓLIDOS Sobarzo (2008) ao escrever sua tese intitulada “Resíduos ´Sólidos: do conhecimento científico ao saber curricular – a releitura do tema em livros didáticos de geografia” chegou a algumas conclusões interessantes: - O livro didático é usado como principal recurso pela maioria dos professores, seja por não disporem de outros materiais, seja por opção; - Alguns professores aceitam o conteúdo do livro didático como “verdade absoluta”, seguindo seus discursos, objetivos e métodos, sobre isso Tardif (2002) lembra que os docentes recebem esse conteúdo pronto e não participam da definição ou seleção dos saberes nos livros, cabe a nós pensar “o saber que interessa a quem é fornecido pronto para os professores?” - Sobarzo e Marin (2011) dizem que “manter o livro didático atualizado em relação às produções teóricas acadêmicas é uma forma de propiciar ao aluno a compreensão das complexas relações existentes em seu entorno e permitir que ele pense criticamente a sociedade”, afinal, é importante percebermos que o saber acadêmico é diferente do saber escolar e que a função da escola, longe de ser formar especialistas, é formar cidadãos conscientes com pensamento crítico para intervir na realidade.
  28. 28. Sobarzo (2008) avaliou 31 coleções de livros didáticos de geografia de 4º e 5º anos aprovados pelo PNLD-2007, com relação ao tema resíduos sólidos, uma vez que o conteúdo proposto para estes anos inclui itens como matéria-prima e indústria. Além de verificar que apenas 19 coleções traziam o tema resíduos sólidos, a autora percebeu que o tema é apresentado de forma superficial e fragmentada e que o assunto é tratado somente após a geração do lixo, com apenas uma coleção abordando a ideia de ciclo de maneira satisfatória, completa: “Os temas resíduos sólidos e lixo, apresentados nas coleções analisadas são interpretados como “problemas da natureza”, vinculados a entraves ou desastres ambientais, e concebido como material “mal-amado”, “coisas inúteis” de que devemos nos “livrar”. Essa postura deve ser revista uma vez que somos nós os responsáveis pela geração de dejetos.” Assim, a autora aponta para a necessidade dessa temática ser trabalhada a partir de conceitos que favoreçam a compreensão de todo o processo, por meio de procedimentos adequados que possibilitem a formação de atitudes responsáveis.
  29. 29. LIVROS DE LITERATURA E PARADIDÁTICOS E O TEMA RESÍDUOS SÓLIDOS
  30. 30. Outros exemplos...
  31. 31. Outros exemplos...
  32. 32. Outros exemplos....
  33. 33. BIBLIOGRAFIA: FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996. JARDIM, Niza Silva et al. Lixo municipal: manual de gerenciamento integrado. São Paulo: IPT/CEMPRE, 1995. (Publicação IPT 2163). LOGAREZZI, A. Contribuições conceituais para o gerenciamento de resíduos sólidos e ações de educação ambiental. In: LEAL, A. C. et al. (Org.) Resíduos sólidos no Pontal do Paranapanema. Presidente Prudente: Antônio Thomaz Júnior, 2004. p. 221-246. PORTILHO, F. Consumo Sustentável: limites e possibilidades de ambientalização e politização das práticas de Consumo. Cadernos EBAPE, Edição Temática 2005. Disponível em: <www.ebape.fgv.br/cadernosebape>. Acesso em 30/04/2015. SOBARZO, L. C. D. Resíduos sólidos: do conhecimento científico ao saber curricular - a releitura do tema em livros didáticos de Geografia. 2008. Tese (Doutorado em Geografia), Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Estadual Paulista, Presidente Prudente. SOBARZO, L. C. D. e MARIN, F. A. D. G. Livros didáticos de geografia do ensino fundamental: uma proposta de abordagem do tema de resíduos sólidos. Revista Brasileira de Educação em Geografia., Rio de Janeiro, v. 1, n. 1, p. 68-85, jan./jun., 2011. TARDIF, M. Saberes docentes e formação profissional. Petrópolis: Vozes, 2006. CONSULTAS: Instituto Akatu. Disponível em: <http://www.akatu.org.br/>. Acesso em: 04/05/2015. Instituto Alana. Disponível em: <http://www.alana.org.br>. Acesso em 05/05/2015.

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