[Warrior] 12 - a substituta - margaret moore

756 visualizações

Publicada em

Publicada em: Internet
0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
756
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
24
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
8
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

[Warrior] 12 - a substituta - margaret moore

  1. 1. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ !!!!!!!!!!!!!!!!!! ! A substituta The Overlord's Bride Margaret Moore Warrior 12 ! ! FORA UM ASSASSINATO HEDIONDO… ! A primeira esposa de lorde Kirkheathe morrera e havia rumores que o comprometiam. Mas ele queria herdeiros, e apenas por isso aceitara casar-se com Elizabeth Perronet. Aquele homem severo realmente não era um selvagem, mas por que teria a reputação de ser tão indomável e rude? ! Traição, teu nome é mulher! Pelo menos era assim que pensava Raymond D'Estienne, graças à decepção que tivera no primeiro casamento. Como poderia, então, lidar com a admirável Elizabeth, que acabara de sair do convento e que estava determinada a mudar-lhe a vida de uma maneira que ele jamais ousara sonhar? ! ! !!!!!!!!!!!!!!!
  2. 2. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ Capítulo 1 !— Pare de fazer gracejos como se fosse uma simplória! — advertiu lorde Perronet, o nariz adunco voltado, com arrogância, em direção à sobrinha, esperando que ela colocasse o cavalo junto ao seu. Elizabeth deixou de olhar para o castelo que se erguia à sua frente. A estrutura maciça erguia-se por entre a bruma como se fosse uma enorme fera à espreita da presa. — Considerando-se todas as coisas inesperadas que me aconteceram nos últimos três dias, não seria de se esperar que meus miolos estivessem um tanto desarranjados? — a moça resmungou, provocando mais um olhar de aborrecimento no tio. Havia tamanho desprazer no modo com que a tratava desde que fora buscá-la no convento, que seria impossível disfarçar seu mau humor. — Você continua a mesma!— comentou sardônico. — Pensei que as piedosas irmãs já a tivessem domado… — Bem, meu tio, tudo que posso dizer é que elas tentaram bastante. Lorde Perronet resmungou seu descontentamento num gru¬nhido sem significado. Olhou-a de cima a baixo, com atenção. Elizabeth sabia que ele não deveria estar gostando do que via. Se estivesse, ela não teria sido enviada para aquela morte em vida em meio às freiras, treze anos antes. Teria ficado com lady Katherine DuMonde para terminar seus estudos, sua preparação para o casamento e seus deveres como castelã. Teria, também, se casado e tido filhos. — Deve esforçar-se por comportar-se decentemente, como uma moça de alta linhagem — ordenou seu tio. — Imagino que gostaria de me ver mais parecida com minha prima Genevieve… — Aquela rameira?! Não, certamente que não! Elizabeth mantinha um sorriso de satisfação nos lábios. A bela Genevieve era quem deveria estar fazendo aquela jornada ao Castelo Donhallow naquele dia. No entanto, tinha comprometido sua honra com um nobre galês-normando e se casara com ele, deixando o tio num terrível dilema, pois ele já se tinha comprometido numa aliança de casamento com o poderoso lorde Kirkheathe. Sem se deixar abater, porém, lorde Perronet fora até o Convento do Santíssimo Sacramento e dera a Elizabeth a opção de ficar lá até o fim de seus dias ou sair e tomar, o lugar da prima. Nunca houvera, para ela, escolha mais simples a fazer. A oportunidade de ter liberdade, fosse nas bases que fosse, pareceu- lhe infinitamente melhor do que a escravidão em que vivia entre as freiras. — O senhor não medisse quase nada sobre lorde Kir¬kheathe, meu tio — comentou, enquanto prosseguiam na via¬gem até Donhallow. Agora já lhe era possível avistar uma pequena vila à base das muralhas e parecia-lhe poder perceber algumas pessoas agitando-se ao redor de uma fogueira. — Não há nada a saber — seu tio respondeu seco. — ¬Kirkheathe é rico, respeitado, tem amigos na corte e deve¬mos rogar aos céus que ele aceite você em lugar da desvai¬rada de sua prima. — E, se, ao me ver, ele decidir não aceitar? Os olhos negros do lorde voltaram-se para ela mais uma vez. — Digamos que será melhor que ele aceite — disse, duro. — Um homem precisa ter o máximo de amigos na corte que conseguir arranjar. Elizabeth pensou por instantes, antes de indagar: — O senhor não confia nos amigos que já tem lá? O rosto de lorde Perronet tornou-se intensamente vermelho. — Eu não disse isso! — protestou. — Então, porque procurar ter uma aliança de família com lorde Kirkheathe? As terras dele ficam tão distantes das suas! — E desde quando uma mulher que passou os últimos treze anos num convento sabe alguma coisa sobre política ou alianças? — Acha, meu tio, que não há política num convento? Nenhuma aliança a se fazer ou a se partir? Nenhum segredo a ser guardado? Nenhum poder? Por Nossa Senhora, senhor, acredite que não sou a simplória que imaginou a princípio! — Bobagem! O que importa agora é, que lorde Kirkheathe a aceite, para que tudo esteja bem, tanto para você mesma quanto para mim. — Já que tenho de me ater a assuntos exclusivamente femininos, tio, diga-me ao menos como ele é? — E o que mais quer saber, além do que já contei?¬ — Ele é bonito? Lorde Perronet riu com desdém. — Você não está em posição de preocupar-se com a apa¬rência do homem — Observou-o. — É que, como não sou bonita, ocorreu-me que… também ¬não sendo, ele poderia não se importar muito com minha aparência… Mais uma vez os olhos negros, voltaram-se para Eliza¬beth, percorrendo-a, de cima a baixo. — Na verdade, você se parece mais com Genevieve do que acho conveniente — comentou ele, em tom soturno. Elizabeth surpreendeu-se com tais palavras. Era impos¬sível parecer-se com a prima, que tinha um rosto perfeito e cabelos, maravilhosos. Não a via desde que deixara a com¬panhia de lady Katherine, mas, mesmo assim, imaginava que Genevieve não tivesse mudado tanto. — Genevieve esteve doente? — perguntou, querendo justificar seus pensamentos.
  3. 3. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ — Não. Você que melhorou. Ela o olhou, incrédula, mais uma vez, lembrava-se muito bem dos comentários e críticas que sempre recebera no convento, em especial da reverenda madre! Sabia que não era bonita. Por que seu tio estava, então, sugerindo que fosse? — Ele não sabe, não é? — indagou em voz baixa. — Quem não sabe o quê? — lorde Perronet perguntou, num muxoxo aborrecido. — Lorde Kirkheathe não sabe que aconteceu a Genevieve, não é? — Eu nunca disse isso. Apesar da negativa, Elizabeth insistiu: — Quando pretende contar a ele quem sou de verdade? Antes ou depois do casamento? Dessa vez, seu tio preferiu não responder. — Se ele é um homem esperto não devia tentar ludi¬briá-lo — ela prosseguiu decidida a deixar claro seu, ponto de vista — Se ele tem amigos na corte, vai saber sobre Genevieve em breve e isso não seria nada bom para o senhor, meu tio. Além do mais, não permitirei tal coisa. Não pretendo me casar sob falsos conceitos. — Prefere voltar ao convento? — Não. — Elizabeth lembrava-se muito bem do que pas¬sou lá: um inferno de fome, castigos e frio que queria apagar da memória. — Mas não quero começar a vida com uma mentira — insistiu — Nada fiz de errado e nem o senhor. Com certeza, ele verá que o senhor está tentando manter sua palavra do acordo. Ou ele teria preferência por Gene¬vieve. Não acredito, pois se ele a tivesse conhecido, o senhor não estaria agora tentando enganá-lo… — Tudo o que lorde Kirkheathe quer é que sua noiva seja virgem. — Bem, quanto a isso estou mais do que apta. Nem mesmo falei com um homem desde que entrei naquele convento. Portanto, meu tio, não vejo razão para mentiras. Além do mais, Genevieve também não se casou com um homem influente, apesar de galês? — É ima família galesa com sangue normando — lorde Perronet explicou. — Eu não pretendia fazê-la passar por sua prima. O fato é que… Bem não vejo motivo para contar a lorde Kirkheathe a verdade. Afinal, uma mulher Perronet é uma mulher Perronet. — Mas não sou Genevieve. Para começar sou mais velha do que ela. — Confie em mim, Elizabeth. — Mais uma vez, as pa¬lavras de seu tio eram frias e não muito, claras. A dúvida, porém, permanecia na mente de Elizabeth. E se lorde Kirkheathe não a quisesse? E se a mandasse embora? — Eu não falaria com ele como você fala comigo. — disse lorde Perronet, minutos depois, após ter pensado muito. — ¬Posso garantir que um homem com a reputação que ele tem, não iria gostar disso. — Prometo ser uma noiva humilde e dedicada meu tio. — Estava determinada a fazer qualquer coisa para não vol¬tar ao convento. — A reverenda madre fez o que pôde para tornar-me a mais humilde das servas de Deus. — Mas não acho que ela tenha tido muito sucesso em tal empreitada. — Ela me ensinou a parecer humilde e dedicada quando necessário — Elizabeth esclareceu. — Entendo. Bem, eu gostaria que você agisse assim co¬migo, então! Ela sorriu, sincera. — Tenho sido autêntica com o senhor meu tio. Isso não é ainda melhor? — Não. A resposta irritada a feria, mas ela aprendera também a mascarar seus sentimentos naquele convento. Deixou que alguns minutos se passassem para perguntar: — Que idade tem lorde Kirkheathe? — Não interessa. — Mas, se ele não é jovem talvez, interesse ao senhor saber que poderei ser sua viúva um dia, Uma viúva muito rica, dona de uma fortuna imensa… Elizabeth acertara no argumento. — Acho que ele deve estar com trinta e poucos anos — o tio respondeu, com expressão calculista. — Mas acredito que você possa ter um filho que herde sua fortuna antes que ele morra. — Espero ter muitos filhos e filhas, meu tio. Ele já tem outros filhos? — Não. — Mas já foi casado antes? Lorde Perronet pigarreou, aborrecido. — Chega de perguntas! — determinou voltando os olhos para o céu cinzento. — Acho que vai chover e é melhor nos apressarmos! — Chamou, então, o líder de seus homens, que seguia à frente do comboio, e logo estavam trotando em direção ao Castelo Donhallow. !Raymond D'Estienne, lorde Kirkheathe, acariciava a cabeça de seu cão favorito, sentado na enorme cadeira do hall, como um rei em seu trono. Ao seu redor, os criados esperavam, também, ansiosos e tensos, olhando, de vez em quando para seu senhor, ou um para o outro, ou, ainda, para a porta que dava para a cozinha. Nenhum ousava falar, com medo de receber o olhar severo de lorde Kirkheathe.
  4. 4. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ Ninguém ali queria ser notado por ele. Lá fora, a chuva caía, forte, batendo contra as muralhas de pedra do castelo, intensa o suficiente para ser ouvida sobre o crepitar das chamas na enorme lareira. A festa de casamento estava atrasada. Perronet e sua sobrinha, noiva de lorde Kirkheathe, deveriam ter chegado há horas. Raymond impacientava-se. Imaginava o que po¬deria tê-los detido. Vinha recebendo mensageiros de Perro¬net há dias, sempre desculpando-se pelo atraso. Se o homem e sua sobrinha não chegassem naquele dia, seria o fim. Não era um peixe para ser mantido num anzol assim. Precisava, isso sim, do dinheiro que o dote da moça garantia, mas poderia encontrar outra noiva agora que de¬cidira casar-se novamente. Quanto aos dotes pessoais da mulher em questão, esses eram muito menos importantes do que o dinheiro que a acompanharia. Nos últimos dias, Raymond vinha tentando manter seu castelo apenas com a renda de suas propriedades, mas Do¬nhallow era uma construção muito antiga e precisava de reparos. Preferia casar-se a ver seu lar ruir a seu redor. Precisava também de uma aliança através desse matri¬mônio, com receio de que seu inimigo obtivesse maior apoio do que ele próprio na corte e também junto ao visconde de Chesney, senhor de toda a região. Perronet e seus amigos podiam fornecer tal apoio. Um grito soou, vindo de fora do castelo, e todos os criados voltaram-se para seu amo, mas ele não se moveu. Já que o tinham mantido à espera, ficaria aguardando ali. Não sairia na chuva para dar as boas-vindas aos recém-chegados. As portas da enorme sala se abriram e, Barden, comandante da guarda, marchou para dentro da sala enorme, parando diante de seu senhor. Inúmeras gotas caíam de sua armadura e capacete. — Lorde Perronet e sua comitiva chegaram, senhor! — Anunciou, em sua postura ao mesmo tempo severa e humilde. Raymond, ainda assim, não se moveu. Queria que en¬tendessem que estava aborrecido. Muito aborrecido. Barden, que começava a sua carreira militar ali, conhecia seu amo o suficiente para saber que não haveria nenhum comentário por parte de lorde Kirkheathe. E, com sua efi¬ciência de militar, baixou a cabeça brevemente e, girando nos calcanhares, saiu. Minutos depois, as portas se abriram novamente e a figura familiar de lorde Perronet surgiu, apressada. Atrás dele, também muito molhada, vinha uma mulher. A noiva, com certeza. Raymond continuava olhando, sem expressão, enquanto o recém-chegado se aproximava, inclinando-se de leve, os olhos negros presos ao cão, Cadmus. — Queira perdoar-nos a demora, senhor, mas, o tempo tem estado terrível, além de termos tido problemas com um dos nossos cavalos — Perronet desculpou-se. — Mal posso expressar minha alegria por termos chegado em segurança. Raymond apenas inclinou a cabeça em resposta. — Permita-me apresentar minha sobrinha, senhor — Perronet prosseguiu, aliviado. Voltou-se, então, e indicou a moça que o acompanhava. Elizabeth deu alguns passos à frente, puxando o gorro que lhe cobria a cabeça e que também estava ensopado. Perronet dissera que sua sobrinha era de uma beleza es¬tonteante, o que fizera Raymond ter suas dúvidas. Imaginara ser um exagero, ou, até, uma mentira, que criara para aumentar o valor da noiva. Mas, para sua surpresa, o ho¬mem dissera a verdade. O rosto suave estava emoldurado por uma espécie de touca, mas isso parecia servir apenas para valorizar ainda mais seus traços suaves. Os olhos, grandes e castanhos, eram emoldurados por cílios espessos e curvos, e brilhavam. O nariz, pequeno, era perfeito, muito diferente do de seu tio, e seu rosto parecia ser suave coma a pele deu um pêssego. Quanto aos lábios, rosados e carnudos, pareciam convidar a um beijo… Uma sensação já muito esquecida atingiu Raymond enquanto a observava. Algo forte, um desejo diferente, intenso, estranho… O sangue pareceu circular mais depressa em suas veias, lembrando-o da solidão absoluta em que estava vivendo. Procurou afastar tais sensações, impondo-se a necessidade de não senti-las. Uma vez, no passado, deixara-se levar por sensações bem parecidas e jurara nunca mais tê-las. A moça parara de andar junto ao tio. — Sou Elizabeth Perronet — anunciou, em voz suave. Raymond franziu o cenho de imediato. A mulher que estivera esperando devia chamar-se Genevieve Perronet… — Senhor — interferiu o tio da noiva, logo após lançar um olhar severo à moça — está é minha outra sobrinha. Sinto dizê-lo, mas… Genevieve provou não ser digna de Vossa Senhoria e da honra de ser sua esposa. Elizabeth, en¬tretanto, é uma excelente donzela, e, é claro, o dote permanecerá o mesmo. Fosse o que fosse que estava acontecendo, Raymond con¬cluiu, não precisavam de uma audiência. Podiam discutir o assunto com maior privacidade. Fez um gesto para que Cadmus permanecesse onde estava e olhou para lorde Per¬ronet com insistência, seguindo, depois, para a torre que levava a seu solar. — Espere aqui — Perronet recomendou a Elizabeth. — Vou resolver este assunto. — Não, meu tio — ela rebateu, fazendo-o arregalar os olhos diante tanta audácia. — Este assunto me diz respeito, então, devo fazer parte da conversa. Não sou uma peça de mobília, ou um pedaço de terra. — Elizabeth… — ele repreendeu, em voz baixa. Raymond, parado a alguns, passos de distância ergueu as sobrancelhas. Lorde Perronet, percebendo-lhe a impaciência, apressou-se em segui-lo, tendo a sobrinha aos calcanhares. Uma mulher ousada, pensava Raymond enquanto caminhava. Isso seria bom ou mau? Alicia não foi ousada, pelo menos, não até a última noite de sua vida… — Ele é mudo? — Elizabeth perguntou ao tio.
  5. 5. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ Os lábios de Raymond esboçaram um sorriso. Ao chegarem porta do solar, parou, deu passagem a lorde Perronet e, quando Elizabeth ia passar, respondeu no tom áspero e baixo que restara de sua, um dia, bela voz: — Não. Não sou mudo. !!Capítulo 2 !Elizabeth jamais ouvira algo tão suavemente rouco quanto a voz de lorde Kirkheathe. E a sensação que a tomou, foi estranha, como se estivesse diante de algo íntimo e, ainda assim, assustador. Como se ele fosse parte homem, parte fera… E imaginou que a voz de um homem poderia ser assim em momentos de pura paixão, murmurando coisas em seu ouvido… Corou com tal pensamento, sentindo-se mais aquecida do que o normal, presa de excitação e vergonha. Sabia que precisava manter-se sob controle diante da situação que iria enfrentar. Quando já estavam no meio da sala para a qual tinham seguido, ela arriscou um olhar para cima, notando a cicatriz que ele trazia ao pescoço, uma linha fina e macerada de carne avermelhada. Isso talvez explicasse o problema com sua voz, imaginou. Devia ter se ferido ali, embora fosse uma cicatriz um tanto estranha, como se ele tivesse sido pendurado pelo pescoço com uma tira fina de couro. Mas ela não ousava encará-lo. Talvez estivesse aborrecido por não estar diante da noiva que lhe fora prometida… Talvez, não a aceitasse, uma pobre substituta que era, e a enviasse de volta ao convento. Havia uma única tocha, presa à parede, iluminando o ambiente. Entretanto, a luz que produzia não era suficiente para mostrar os cantos da sala. Ao centro, havia uma enorme mesa de cedro, pesada como a cadeira solitária, que ficava a sua cabeceira. Tentando não estremecer, Elizabeth aguardava, ao lado do tio, numa atitude humilde, os olhos baixos. Talvez fosse necessário pedir a intervenção divina para que aquele homem intimidante a aceitasse. Rezava, em silêncio, para que ele não a enviasse de volta a companhia das freiras. Prometia ser a esposa perfeita, humilde e mansa. Só não queria tornar a ver a reverenda madre, a qual, com certeza, a levaria a morte através de seus castigos brutais. Lorde Perronet parecia inquieto. Estava mais tenso do que receoso, porém. Elizabeth percebera o quanto se zangara ao olhá-la, há pouco, no hall. No entanto, bastara-lhe olhar para lorde Kirkheathe para saber que não deveria mentir a ele. Muito menos sobre sua identidade. Ele dava passos largos e lentos ao redor da mesa, agora, colocando-se do outro lado dela. Sentou-se na cadeira de espaldar alto e encarou-os. — Senhor — começou lorde Perronet, em tom de penitência. — Deve entender a situação em que eu me encontrava. Genevieve nos desgraçou, embora tivéssemos tão amigavelmente acordado em reunir nossas famílias. Imaginei o que poderia fazer, como agir para manter minha palavra… Então me lembrei de Elizabeth. Posso garantir-lhe, meu senhor, que ela é virgem. Esteve treze anos num convento e, nesse tempo, jamais viu ou falou com homem algum. — Jamais? — indagou lorde Kirkheathe na voz baixa e rouca. — Jamais, senhor — Elizabeth confirmou. — Meu tio foi o primeiro homem que vi nos últimos treze anos. Ela ergueu o olhar para encontrar o dele, firme, perspicaz. A luz difusa da tocha tornava seu rosto uma máscara de bronze, os contornos de seus traços mais definidos e demar¬cados num jogo de luz e sombra. O que estaria pensando? Indagou-se. Estaria notando sinais das privações pelas quais ela passara no convento? Estaria avaliando se valeria ou não a pena aceitá-la? Pelo que podia dizer, Elizabeth concluía que aquele rosto devia ter sido feito de pura rocha… Mas, de repente, seus lábios se moveram de leve. Um sorriso? Ou teria sido uma ilusão provocada pelo movimento das chamas da tocha? — Sei que Elizabeth, não foi sua prometida, meu senhor — lorde Perronet interferiu, querendo aliviar a tensão que sentia no ar. — Mas ela também é minha sobrinha e os termos do acordo de casamento não deverão ser alterados. — Mas deveriam — Elizabeth falou mais uma vez. Não fazia a menor idéia de quais eram os tais termos, mas não permitiria que a ambição de seu tio lhe tirasse a única chance de liberdade que tinha. — Não sou a noiva que foi prometida a ele e isso deve ser levado em conta. — Elizabeth, mantenha-se em seu lugar! — lorde Perronet avisou, alterado. — Mas, meu tio, parece se esquecer de que não sou Genevieve. E lorde Kirkheathe não está recebendo a noiva que lhe foi prometida! Acredito que o dote deva ser aumen¬tado, ou que deva haver algum outro tipo de compensação… — Pelo amor de Deus, você ainda não é esposa dele para estar intercedendo a seu favor dessa forma! — Meu tio, não é justo… — Justo?! -lorde Perronet gritou, voltando-se para encará-la e tentar de alguma forma, fazê-la calar-se. — Justo seria aquela infeliz de sua prima ter permanecido virgem e não pular na cama do primeiro cavalheiro simpático que encontrou! Justo seria você saber exatamente onde é seu lugar e recolher-se à insignificância dele! Justo seria… — Saia, lorde Perronet — cortou a voz singular de lorde Kirkheath. — Perdoe-me pela perda de controle senhor… — começou lorde Perronet, em tom mais baixo. — É que estivemos numa longa e difícil jornada até aqui e… acabei me excedendo… — Saia — ele repetiu.
  6. 6. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ — Talvez Elizabeth esteja com a razão... Talvez uma alteração no dote… Raymond levantou-se devagar e lorde Perronet com uma reverência, retirou-se. Confusa e receosa, Elizabeth observou que lorde Kir¬kheathe voltava, a sentar-se. Seria esse um bom ou mau sinal?, pensou. Esperou por alguns instantes mais como ele nada dissesse, decidiu quebrar o silêncio: — Perdoe minha impertinência por falar em lugar de meu tio, senhor — pediu num tom que julgou ser apropriadamente humilde. Surpreendia-se com a facilidade com que conseguia mostrar-se submissa agora, muito mais do que quando estava diante da reverenda madre. Prosseguiu, então, em voz baixa: — Entretanto, acho que seja justo ajustarmos o dote. — Por quê? — Porque não sou Genevieve. — Por quê? — ele repetiu. — Por que não sou Genevieve? Raymond negou de leve com a cabeça e esclareceu: — Por que seria justo? — Porque não sou a noiva que o senhor estava esperando quando fez o acordo. Não sou igual á ela. — Não? Agora, ela tinha certeza de que havia a sombra de um sorriso nos lábios de lorde Kirkheathe. Estaria rindo dela? Teria percebido que estava desesperada e teria achado graça nisso? — Também quero saber por que quer se casar comigo? — observou ele. Elizabeth engoliu em seco diante de tal indagação, ela precisava encontra uma resposta plausível. Seu futuro poderia depender do que dissesse agora. — Meu tio fez um acordo com o senhor… E se Genevieve não pode cumprir sua parte nele, eu devo fazê-lo. Raymond ergueu as sobrancelhas, mas nada disse, dando-lhe ensejo para continuar: — Meu tio teme o quê possa acontecer se ele não cumprir o acordo. As sobrancelhas de Raymond ergueram-se ainda mais. — Quero me casar, senhor! Desta vez, ele baixou as sobrancelhas numa expressão sisuda. — Senhor, se não se casar comigo, ele vai me mandar de volta ao convento e não quero voltar para lá! É uma vida miserável a que se vive lá dentro! — Elizabeth aproximou-se da mesa, as mãos em súplica. — Se aceitar casar-se comigo, meu senhor, prometo ser uma boa esposa. Não reclamarei de nada e não pedirei nada! Apenas… — Ela se interrompeu, sabendo que não deveria prosseguir. Mas Raymond indagou, curioso. — Apenas… — Apenas filhos. É um desejo que sempre tive, o de ser mãe. Outro sorriso, tão suave quanto o primeiro, curvou de leve os lábios dele. O que Elizabeth não daria para saber o que ele estava pensando! — Sei que minha aparência não é das melhores — ela prosseguiu, ainda mais humilde. — Portanto, se desejar ter uma amante, não o culparei por isso. As sobrancelhas se ergueram mais uma vez, enquanto Elizabeth corava diante de seu olhar perscrutador. — Eu me manterei atenta a meus serviços de casa e jamais irei interferir na administração de seus bens. Raymond continuava erguendo as sobrancelhas e Elizabeth buscava, no fundo da mente, as outras observações que ainda se lembrava de ter ouvido da boca de lady Katherine sobre os deveres de uma boa esposa e mãe a fim de viver uma vida familiar senão feliz, pelo menos, sem conflitos. — Serei uma boa anfitriã para seus amigos e para sua família, procurando deixar nosso lar confortável para todos eles, para o senhor, e para qualquer convidado que traga para cá. A expressão no rosto dele se alterava um mínimo, deixando-a ainda mais confusa quanto ao que deveria dizer. Talvez ele não quisesse que fosse tão hospitaleira… — Vá buscar seu tio — ouviu, num sobressalto. O que significavam aquelas palavras? Pensou desesperada. Não eram uma aceitação e nem uma dispensa. Apenas uma ordem. Sabia que não havia motivos para hesitar, ou continuar falando. Ele era um guerreiro, um comandante. Já tinha tomado sua decisão e nada havia que ela pudesse fazer para modificá-la! Nisso, ele agia como a reverenda madre, a qual decidira, assim que pusera os olhos em Elizabeth pela primeira vez, que ela era um grande problema em formato de gente, e nunca mudara de opinião, apesar de todos os esforços de Elizabeth para convencê-la do contrário. Sem maiores esperanças, ainda assim, ela não queria dar-se por vencida. Precisava tentar ainda. — Por favor, meu senhor — implorou. — Aceite-me. E, à não ser que seja um homem muito mau, serei a esposa mais devotada e fiel que um homem poderia ter. Raymond a encarou-a por alguns segundos e perguntou: — Como sabe se sou ou não um homem mau?
  7. 7. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ — Não sei: Mas não acho que seja, pois, mesmo no convento, teríamos ouvido falar do senhor, se fosse mau. Os atos ruins de um homem correm mais rápido do que os bons… — Nunca ouviu falar de mim? — Não, até que meu tio foi ao convento. Elizabeth pensou tê-lo ouvido suspirar. — Vá buscá-lo — Raymond repetiu a ordem. — Senhor, por favor, não me mande de volta! Eu preferiria morrer! — Ou casar-se comigo! — Sim! — assim que falou, ela se amaldiçoou por ter dito tal palavra. Que chances teria agora?! Viu-o apontar para a porta, imponente, e percebeu que não havia mais esperança. Baixou a cabeça, mas ergueu-a em seguida, e, com o resto de dignidade que ainda sentia foi até aporta e abriu-a, vendo que seu tio aguardava, impaciente, do lado de fora. — Ele quer vê-lo, tio — disse apenas. Os olhos de lorde Perronet se arregalaram, como numa pergunta muda, mas Elizabeth não lhe fez nenhum sinal, bom ou ruim. Olhou para trás, por sobre o ombro esquerdo, para o homem que não conhecia e que, sabia agora, jamais conheceria. — Vou esperar aqui fora — disse, dando um passo no limiar da porta, mas a voz rouca de Raymond ordenou: — Fique! Ele queria que aguardasse para ouvir sua recusa pes¬soalmente, Elizabeth imaginou, entristecida. Sentia-se in¬ferior a um verme… Mas voltou-se, retomando à sala. Er¬gueu o rosto, olhando-o de frente, quase desafiadora. — Senhor? — apressou-se lorde Perronet, colocando-se diante da cadeira em que Raymond ainda permanecia. — Vou me casar com ela. Ele acabava de dizer que a aceitava! Elizabeth agradecia aos céus, sem ainda poder acreditar de todo. Não teria mais que voltar ao convento! Baixou a cabeça, permanecendo ali, parada, estática. Muitas vezes já desmaiara na vida, mas sempre por falta de alimento ou devido às longas e cansativas vigílias durante as quais as freiras a obrigavam a contemplar a natureza terrível de seus pecados. Nunca antes sentira-se tonta de¬vido ao alívio. Agora, porém, isso estava acontecendo! De repente, dois braços fortes a ampararam, levando-a até um banco que não tinha notado ainda, por estar envolto nas sombras. Não vira um homem durante treze anos e, por muito mais tempo ainda, não sentira o toque de um. E nenhum homem a segurara daquela forma, nem mesmo para ajudá-la. Crispou os dedos nos antebraços que a prendiam ainda, sentindo os músculos que se contraíam por baixo do tecido escuro de lã. Sentiu a respiração se acelerar involuntaria¬mente ao sentir-lhe o cheiro, tão masculino, tão diferente do das mulheres, ou de seu tio, que sempre tivera um es¬tranho gosto por perfumes orientais. Queria poder inclinar a cabeça sobre o peito largo que estava tão próximo, sentir-se ainda mais protegida, mas não ousou fazê-lo. — Vinho? — Raymond ofereceu enquanto a ajudava a sentar-se. — Não… sim… — Vinho, Perronet! Ali! — Lorde Kirkhathe apontava para um aparador, num dos cantos escuros da sala, e o outro nobre apressou-se em pegar a garrafa. — Está doente? — Raymond perguntou. — Não, meu senhor — ela respondeu, antes de tomar o primeiro gole da bebida. Depois, erguendo os olhos para o rosto dele, completou: — Estou feliz. Ele afastou-se abruptamente, como se Elizabeth lhe tivesse cuspido o vinho na face, depois voltou-se, e caminhou até a cadeira. Ao que parecia, Elizabeth se precipitara. Mais uma vez. Lorde Kirkheathe olhou para Perronet, depois apontou para outro dos cantos escuros, onde havia outra cadeira, fazendo-o apressar-se em trazê-la para junto da mesa. — Estou com o documento aqui, senhor, pronto para ser assinado, com uma cópia, é claro — explicou lorde Perronet, tirando dois rolos de papel da bolsa de couro que trazia consigo. — Agora, quanto às alterações no dote. Elizabeth mais sentiu do que viu quando, Raymond lançou-lhe um olhar, antes de dizer: — Sem alterações. Quando ela ergueu à cabeça, ele já não a fitava, mas a seu tio, o qual parecia estar tão atônito quanto ela. — Deixe como está — lorde Kirkheathe acrescentou. — Mas não sou Genevieve… — Elizabeth protestou ainda, levantando-se devagar. — Acredito que lorde Kirkheathe esteja mais do que ciente disso agora — comentou seu tio, ainda parecendo abor¬recido com ela. — Não vejo necessidade de ficar lembrando-o do fato a todo momento. Voltando-se para Raymond, continuou com expressão ambiciosa, o que deixou Elizabeth horrorizada: — A colheita não foi tão boa quanto eu esperava este ano. — Quando será o casamento? — ela interferiu, sem poder se conter. Queria colocar um ponto final na tentativa do tio de alterar o contrato de casamento a seu favor, como era claramente seu intento. Não podia permitir que ele pro¬vocasse a ira de lorde Kirkheathe. — Amanhã, ao meio-dia — Raymond respondeu.
  8. 8. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ — Excelente, meu senhor! — Perronet exclamou, com um sorriso satisfeito. — Quanto mais cedo, melhor. E, se aquele cavalo não tivesse machucado a pata… Elizabeth aproximou-se da mesa. — Por que esperar até amanhã? perguntou, ansiosa. — O documento está aqui, pronto para ser assinado! Não vejo necessidade de esperarmos, a não ser que não haja um padre disponível… Raymond olho-a calmo. — Donhallow tem um padre — informou. — Entao, senhor, por que não nos casamos hoje? — Elizabeth, cale a boca! Ouviu o que lorde Kirkheathe disse! — admoestou seu tio. — Ele marcou a data, para amanhã e você não… Raymond ergueu a mão esquerda, silenciando-o com a força do gesto. Por alguns momentos, Perronet olhou para aquela mão, sem saber o que fazer, até que Raymond num gesto impaciente mostou-lhe que queria ver o documento. — Vamos nos casar hoje — arrematou Raymond. Elizabeth respirou fundo, satisfeita. Viu quando lorde Kirkheathe ergueu os olhos de sobre o documento e seus olhares se encontraram por instantes. Sabia que ele a queria, viu isso naqueles olhos escuros e misteriosos. Por tudo o que ela dissera ou haveria algo mais? indagou-se. Não tinha certeza. Ainda assim, sabia que, se ele não quisesse, não haveria poder na terra que o tivesse feito aceitá-la como esposa. E Elizabeth estava certa de que queria sentir-se nos braços dele novamente, poder descansar a cabeça em seu peito, sentir seu toque. Queria dar-lhe filhos. Ele voltou a ler o documento e Elizabeth deixou que seus olhos passeassem sobre sua figura; como se fosse uma pin¬tura a ser admirada no teto da capela do convento… Ele se levantou, então e, indo até um armário próximo, trouxe de lá uma pena e um pequeno frasco de louça. Então, enquanto lorde Perronet mordia o lábio inferior, ansioso, assinou seu nome. Depois, com calma e deliberação, Raymond leu a seguinte folha do documento e, com a mesma classe, assinou-a também. Depois tornou a olhar para Elizabeth, então chamou- a: — Venha — E estendeu-lhe a mão direita. Trêmula e grata, ela aceitou a mão que lhe era oferecida e permitiu que ele a acompanhasse para fora da sala. Conforme caminhava, prestava atenção ao que não notara antes: a torre por onde passavam era feita de pedras enormes, bem como o resto do castelo, muito sólido e cinzento. Um corrimão tinha sido cravado na rocha e os degraus estavam gastos. Donhallow era muito antigo, em especial aquela par¬te por onde andavam agora. De repente, a vontade de espirrar tomou-a , fazendo-a cobrir boca e nariz com a mão. — Lã molhada sempre me faz espirrar — explicou depois, como numa desculpa. Raymond parou de andar de imediato fazendo-a imitá-lo. Olhou-a de cima abaixo, dizendo apenas: — Espere aqui. E voltou para o solar, seguindo ainda mais adiante, para dentro da torre, deixando-a nas escadas. Seu tio apareceu à porta do solar, viu-a ali, sozinha, e aproxi¬mou-se, admoestando-a: — O quê, em nome dos céus, você fez agora?! — Espirrei. — Você… o quê?! — Espirrei. Por causa da lã molhada. E lorde Kirkheathe disse-me para esperar aqui. — Muito engraçado, minha sobrinha! — Mas ele não gostara em nada da brincadeira. — Devia ter sido humilde e dedicada no solar e assim eu poderia ter baixado o valor do dote… — Ou pago mais… Diga-me, meu tio, barganhou com ele também quanto a Genevieve? Não houve resposta, e seu tio não a olhava, e Elizabeth prosseguiu: — Não o fez, tenho certeza. Ele ditou os termos e o senhor aceitou porque sabe que lorde Kirkheathe não ê homem que aceite barganhas. Então, por que achou, que poderia barganhar agora? Poderia ter estragado tudo… — Ou ter conseguido termos melhores para o acordo. — Melhores para o senhor… Agora, ele a encarava. — E você é assim tão esperta em assuntos masculinos? Conhece-os apenas em olhar para eles, não? — Havia ironia em suas palavras. — Conheço o suficiente para saber quando devo ficar calada. — Você, calada?! — Ele zombou — O que foi todo aquele falatório no solar, então? Pelas chagas de Nosso, Senhor, mocinha, você devia ter ficado calada, como qualquer mulher faria! — Se tivesse me calado, podia estar saindo deste castelo agora mesmo, ao invés de estar prestes a me casar; O que eu quis dizer meu tio, é que sei quando falar e quando devo calar. — Espero que sim, ou as coisas poderão ficar bem piores para você, mesmo que ele pareça querê-la agora. Elizabeth não entendeu o que aquelas palavras continham. — O que quer dizer com isso? — perguntou, desconfiada.
  9. 9. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ — Ele pode não te feito objeções a sua audácia hoje, mas poderá fazê-lo assim que se tornar sua esposa. Deve lembrar-se disso, Elizabeth. Lorde Kirkheathe não é um homem de bom coração, e há coisas que não sabe a seu respeito. — Que coisas? !!Capítulo 3 !A expressão de lorde Perronet manteve-se fechada. — Nada que evite o casamento — respondeu, seco. — Porque quer continuar aliado dele, eu presumo… Elizabeth não acreditava ter se enganado quanto lorde Kirkheathe. No entanto, talvez estivesse tão determinada a não voltar ao convento, que tinha visto nele o que queria ver e não a realidade… — Meu tio, devo imaginar que, mesmo sendo ele a personificação do mal, o senhor não se importaria desde que as famílias estivessem unidas e não diria uma palavra se¬quer de aviso para a noiva a ser sacrificada por isso?! — Não, não! — Perronet Protestou. — O que quero dizer é que você tem o dom de aborrecer as pessoas, Elizabeth! E não deve aborrecê-lo! Não pode negar o fato de que ele não é exatamente, um homem, cordial… E eu não quis dizer nada além disso. — Mas há, algo além — ela insistiu. — Posso ver isso em seu rosto. — Prefere voltar ao convento? Elizabeth pensou no convento e no sorriso de satisfação que haveria no rosto da reverenda madre, se voltasse. Com certeza, não se enganara com o homem que estava prestes a desposar, imaginou. Até mesmo no convento contavam-se histórias sobre homens maus e lorde Kirkheathe jamais fora mencionado lá… Além do mais, ele viera em seu socorro quando quase desfalecera. Se fosse cruel e egoísta, não o teria feito… E teria discutido sobre a alteração no dote, pois era um direito seu fazer tal coisa. Na verdade, não parecia estar feliz, mas nem ela mesma parecia estar mais feliz do que ele… Elizabeth sabia também que não deveria julgar ninguém apenas pelas aparências. Aprendera tal lição de modo bastante amargo alguns meses depois de sua chegada ao convento, quando contara à gentil e amável Gertrudes sobre seus planos para roubar algumas maçãs do refeitório da reverenda madre. Gertrudes a incentivara e logo em seguida a denunciara apenas para cair nas graças da freira. Talvez, se tivesse prestado mais atenção ao rosto de Gertrudes, a seu modo de ser, suas atitudes, não tivesse sido enganada… olhara com muita atenção para lorde Kirkheathe e agora era mais esperta do que antes. — Não, meu tio, não desejo voltar ao convento — respondeu tranqüila. Ouviram passos na escada e logo em seguida lorde Kir¬kheathe apareceu, trazendo algumas roupas nos braços. — Presente de casamento — disse, entregando as roupas a Elizabeth. — Pedirei a uma criada que a leve até meu quarto para que mude de roupa. Senhor, venha comigo! Antes que Elizabeth pudesse dizer alguma coisa, Raymond já continuava a descer as escadas. E, sem uma pa¬lavra, seu tio o seguia. Ela passou as mãos pelo tecido das roupas, sentindo-o suave como uma pétala de rosa. Uma senhora de meia-idade apareceu em seguida, apressada, informando: — Devo levá-la aos aposentos de meu senhor. Elizabeth assentiu e seguiu-a além da entrada do solar. Quando chegaram ao topo da torre, a serva abriu a pesada porta de carvalho, indicando o interior, para que entrassem. O cômodo era frio: Havia uma única lamparina a óleo sobre uma mesa próxima à cama e o cheiro forte de couro impregnava o ar. — Vou acender o fogareiro — informou a mulher, aproximando-se para pegar as roupas que Elizabeth ainda se¬gurava. Colocou-as então, sobre a enorme cama, na qual uma colcha de pele sobressaía no aspecto geral do aposento. — Obrigada, senhora… — Rual, senhora. Meu nome é Rual. Elizabeth hesitou por alguns momentos, mas sua curiosidade acabou sendo mais forte: — Está no castelo há muito tempo Rual? — Vim, para cá há nove ou dez anos, minha senhora. — Lorde Kirkheathe é um bom patrão? A serva deu de ombros, enquanto procedia na atividade de acender as brasas do fogareiro. Elizabeth arrependia-se de ter perguntado. Podia ainda lembrar-se de lady Katherine dizendo-lhe que a dona de um castelo, jamais devia tornar-se íntima dos criados para que estes não perdessem o respeito. Apesar do conselho, ela ainda queria saber mais: — Eu não gostaria de me casar com um homem cruel… — Ninguém gostaria — comentou Rual, tornando a colocar sobre a mesa a lamparina que usava para ajudar a acender as brasas. Ao que parecia, os servos de lorde Kirkheathe eram tão reticentes quanto ele próprio…
  10. 10. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ — Vi a cicatriz ao redor do pescoço dele. Ele se feriu? Foi por isso que sua voz ficou assim? Rual foi até a cama e pegou as roupas. — A garganta dele foi apertada — informou, em tom casual, sacudindo as peças. A revelação deixou Elizabeth pensativa. Ele tivera a garganta apertada, de alguma forma violenta e, ainda assim, não morrera. Mas parecia ser forte e saudável, o que devia explicar o fato. — Quando isso aconteceu? — continuou, a perguntar. — Antes de eu vir para cá, senhora. — E como… — Mas ela se interrompeu quando a serva abriu outra das peças, que se revelava um belíssimo vestido de veludo escuro bordado com fios de ouro e prata no decote e nas mangas. Era o mais belo vestido que já vira na vida. — Ele tem um gosto excelente! — comentou: A mulher não respondeu, ajeitando a roupa cuidadosa¬mente sobre o leito. Estaria pensando que o gosto dele era fraco no que tocava a escolha da noiva ou imaginava que Elizabeth estava a espera de um elogio? Não… Elizabeth quase riu. O dia em que esperaria receber um elogio seria um dia de milagres… — Acho que não devemos nos demorar, senhora — aconselhou a criada com a sabedoria de quem conhecia o dono do castelo. — Não, é claro que não. — E passou a despir-se, tirando primeiro a capa e depois a touca, que detestava. Passou a mão pelos cabelos, soltando-os, sentindo as raí¬zes doloridas por estarem presas há tanto tempo. Em seguida livrou-se do vestido simples, que aprendera a usar desde que chegara ao convento. Felizmente, suas roupas de baixo ainda estavam secas. Apesar da pressa, aproximou-se do vestido com cuidado, de modo quase solene, como se temesse tocá-lo. Afinal, era delicado e luxuoso demais para ela… — Deixe-me ajudá-la,senhora — ofereceu Rua. Elizabeth ficou parada, erguendo os braços, e o vestido, colocado pela serva, caiu sobre seus ombros com graça e suavidade. — Está um pouco largo — Rua! comentou. — Mas vou apertar os laços e vai ficar bom. Maravilhada com a beleza do vestido, Elizabeth só con¬seguia passar as mãos com suavidade ao longo da cintura, e admirar a qualidade do que vestia. — Como quer que eu prenda seus cabelos, senhora? Com tranças? O vestido estava agora ajustado, mas continuava um pouco largo na cintura e Elizabeth imaginou que seus longos cabelos serviriam para encobrir o pequeno franzido que ficara por trás dos laços. — Não, não quero tranças. — Então, deixe-me penteá-los. — A criada foi até um móvel, num dos cantos, para pegar a escova. Sem tranças, sem toucas, sem nada que os prendesse… Elizabeth não conteve o sorriso. — Parece estar muito feliz, minha senhora — Rual comentou. — E não deveria estar? Hoje é o dia do meu casamento! Uma expressão um tanto preocupada apareceu, no rosto da mulher, que observou: — É verdade. E todos deveríamos estar felizes, eu suponho. Não há dúvidas de que nosso senhor queira muito um herdeiro. — É esse meu maior desejo também — Elizabeth confessou, vendo que a expressão no rosto da criada se acentuava. — Por quê? Acha estranho? — É que… imaginei… — Sim? Que eu não iria querer cumprir meus deveres de esposa? Rual parecia hesitar. Aproximou-se, trazendo escova e pente, e começou, incerta. — Não o acha… assustador, minha senhora? — Assustador? — Elizabeth pensava. A voz poderia ser… diferente, estranha, mas apenas isso.— Não. Intimidador, talvez. Ele a assusta? — Não. — Rual parecia hesitar em usar o pente. — Acha que ele se importaria, se eu usasse seus objetos? — Elizabeth indagou, percebendo sua atitude. — Acho que não. Afinal é sua noiva… Sim, era sua noiva, Elizabeth repetiu para si mesma, portanto, ele não deveria, se importar se usasse alguns de seus objetos pessoais. !O cão estava novamente a seus pés e Raymond mantinha o olhar fixo nas chamas da enorme lareira do hall. Padre Daniel esperava, paciente, a seu lado, pronto para pronunciar as palavras que o uniriam a Elizabeth Perronet. Pouco adiante, lorde Perronet se instalara a uma das mesas preparadas para a festa de casamento e embebedava-se aos poucos com o excelente vinho da casa. Pelo menos, assim, mantinha-se quieto, pensou Raymond lançando-lhe um olhar rápido. Os criados agitavam-se para lá e para cá, cuidando de pratos e bebidas. Toalhas e doces, mas Raymond não parecia vê-los. Seus pensamentos estavam voltados para seu outro casamento; há quase vinte anos. Estivera tão feliz e orgulhoso naquele dia! Alicia estava linda, encantadora, gracio¬sa… tudo que um homem poderia desejar numa esposa.
  11. 11. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ Mas ele fora jovem demais para perceber que aquela beleza e aquele encanto eram fugazes e que a vaidade dela seria a única coisa que duraria ainda muito tempo. Elizabeth Perronet também era bela, mas sua beleza era de um outro tipo. Suas feições eram adoráveis, mas havia um fogo em seus olhos, uma inteligência aguçada, uma de¬terminação… E um orgulho, mesmo quando ela lhe implorara para que a aceitasse… Estava impressionado. Ela não era uma criatura comum, governada pelo capricho e pela presunção. Entretanto, Raymond não podia negar as outras qualidades de Alicia, ela fora muito amorosa até aquela fatídica noite quando, surpreendentemente entorpecido, ele sentira a mordida dolorida da tira de couro em sua garganta, a pressão crescente que cortou sua respiração, a dor aguda, o sangue… Cadmus ganiu a seu lado e foi só então que Raymond deu-se conta de que suas mãos crispavam-se nas laterais da cadeira a ponto das juntas ficarem brancas. Percebeu também que sua noiva aguardava, ao final das escadas da torre tão paciente quanto padre Daniel. Levantou-se, com toda a majestade que lhe era peculiar, e observou-a aproximar-se. Os cabelos castanhos pareciam flutuar sobre seus ombros, como se tivessem vida própria, as leves ondas captando a luz das tochas espalhadas para iluminar o ambiente. Mas não havia luz naquele grande hall que se comparasse à que estava nos olhos de Elizabeth e no sorriso que ela lhe oferecia, suave e encantador. Raymond lembrou-se das palavras dela no solar. Não saberia de fato, o quanto era bonita? Teriam as freiras Incutido tamanha modéstia em sua mente? Ela lhe parecera tão sincera quanto a isso e em tudo mais que dissera… O vestido caíra-lhe bem e não parecia guardar as marcas do tempo. Comprara-o em Londres, um presente para Alicia… Pensara em queimá-lo centenas de vezes, mas agora estava satisfeito por não tê-lo, feito. Cadmus alcançou-lhe a mão em busca de um afago. Desviando os olhos para o animal, Raymond lembrou-se, mais uma vez, de que não devia confiar em ninguém. Em especial, em nenhuma mulher, não importava o quanto fosse bonita nem o quanto lhe sorrisse. Ficaram-lhe as ruínas de sua voz para lembrá-lo disso pelo resto da vida. O tio da noiva levantou-se, uma expressão de absoluto triunfo animando-lhe o sorriso imbecilizado pelo álcool. Raymond imaginou que deveria tê-lo feito aumentar o dote ao invés de deixar se impressionar tanto por Elizabeth. Há muito tempo ninguém ousava discutir à sua frente. E não tinha percebido a energia que aquele tipo de discussão poderia provocar, em especial numa mulher. Ela estivera tão movida pela paixão! Quanto mais poderia deixar-se levar? Mas isso não importava, desde que lhe desse um herdeiro. Raymond não tinha a menor intenção de sentir o que fosse por sua esposa, além de uma certa tolerância. E, já que não podia mais confiar em mulher alguma, também não amaria nenhuma delas. — Tem um anel, meu senhor? — perguntou, o padre, em voz suave. Raymond pegou um que pertencera à sua mãe e que agora estava em seu dedo mínimo e entregou-o ao padre enquanto Elizabeth colocava-se a seu lado. Padre Daniel fez o sinal da cruz sobre a peça de ouro e devolveu-a. Raymond, então voltou- se e pegando a mão de Elizabeth, colocou o anel em seu dedo anular da mão esquerda. Fazia-o sem encará-la, enquanto o padre pronunciava as palavras apropriadas para aquele momento: — Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, eu os declaro marido e mulher, diante dos olhos de Deus, Nosso Senhor, e diante das leis de nosso reino. Pode beijar a nova, meu senhor. Raymond olhou para o padre com agudeza. Não queria beijá-la. Não ali, naquela sala cheia de gente. Na verdade, nunca. Beijar o fazia lembrar-se demais de Alicia. — É para selar a promessa, meu, senhor — o padre sussurrou tenso. — Não é estritamente necessário, mas as pessoas ficarão desapontadas se não o fizer. Ele não se importava se ficariam, ou não. E, de repente, sua noiva tomou-o pelos ombros e o fez voltar-se para dar-lhe um beijo apaixonado nos lábios. Raymond não poderia ter ficado mais surpreso se ela tivesse retirado uma faca do meio das saias para matá-lo. Elizabeth achegou-se mais para murmurar: — Quero que todos aqui saibam que estou me casando com o senhor por, minha livre vontade. O que poderia responder a isso, a não ser: — Venha até a mesa. Ela tomou-lhe o braço, de um modo que se parecia muito mais com um carinho. — Vai me apresentar seus criados e agregados? — Não. — E não a olhou para ver se a resposta seca a afetara ou não. Conforme tomavam seus lugares à enorme mesa, Raymond assentiu em direção ao padre, o qual declarou a todos, já que seu senhor não podia fazê-lo: — Dêem as boas vindas à nova dona deste castelo, lady Elizabeth D'Estienne! !!Capítulo 4 !
  12. 12. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ Assim quê padre Daniel abençoou a festa, Elizabeth sentou-se na cadeira com formato de trono, ao lado de seu marido, imaginando a real extensão de todos os erros que, já cometera. Que seu marido estava zangado, não havia a menor dúvida. Até um cego poderia sentir a raiva que havia nele. Não deveria tê-lo beijado, nem lhe falado no tom que usara quando ele se voltara, surpreso por sua atitude. Além disso, deveria ter imaginado que, com a voz que lhe restara, ele jamais poderia apresentá-la a seus convidados. Ainda assim, Elizabeth não se arrependia do beijo, pois era como disser a ele: queria que todos soubessem que se casara por sua livre e espontânea vontade. Assim, ninguém jamais pensaria em usá-la contra seu marido ou em pedir sua ajuda em prol de causas individuais. Isso Lady Katherine também lhe ensinara. Aliás, lady Katherine falara sobre quase tudo que uma esposa precisaria saber para sair-se bem num casamento, pensou Elizabeth, lançando um olhar de soslaio ao homem sentado tão quieto, a seu lado. Sim, ela lhe ensinara quase tudo, exceto como lidar com um marido que não tinha expressão alguma no rosto… Lembrava-se das palavras de lady Katherine dizendo-lhe que uma boa esposa tinha o dever de agradar seu marido, de adivinhar-lhe os desejos e amoldar-se a eles. Talvez devesse ser calada também… Mas esperava que não. Podia ser humilde e mansa, mas, calada… Isso sempre lhe fora mais penoso do que suportar as surras. Alguns criados começaram a entrar trazendo a comida. O cheiro agradável do Pão assado penetrou-lhe as narinas e seu estômago, acostumado a comida mais pobre, pareceu alegrar-se, roncando, deixando-a extremamente envergonhada, pedindo a Deus que ninguém tivesse ouvido… Perto a seu cotovelo estava uma belíssima taça de madeira e prata, para o vinho. Beberia vinho nessa noite, provavelmente de alta qualidade, como já provara no solar. Além do mais, o estado de embriaguez de seu tio provava estar certa. Ele se considerava um perito em bebidas e, se considerasse que o que estava sendo servido era de má qualidade ou procedência, teria apenas experimentado e não bebido tanto. Ao julgar pela cor de seu nariz avantajado, o vinho era excelente. Uma criada colocou um grande pão diante de Elizabeth o qual exalava um aroma delicioso, ela teve de conter-se para não agarrá-lo e dar-lhe uma mordida vigorosa. Quanto à manteiga que o acompanhava, numa delicada travessa também de prata, não havia nem o que comentar. Suave, levemente amarelada, colocada em formato de pequenas bolinhas, numa travessa ao lado. Elizabeth forçava-se a manter uma atitude digna. Lembrava-se de que seu tio a aconselhara a ser sempre cautelosa, coisa que, esquecera por instantes, no momento da cerimônia. Ainda assim, o aroma daquele pão a levava à loucura e rezava para que seu marido o partisse logo. Quando ele o fez entregando-lhe uma fatia, Elizabeth apressou-se em pegar a faca ao lado de seu prato para espalhar a manteiga sobre, o miolo ainda quente. Mordeu-o em seguida e achou tão delicioso que teve de cerrar os olhos para saboreá-lo melhor. — O que é isto? — ouviu e voltou-se para ver que lorde Kirkheathe a olhava, surpreso. — Você gemeu… — Gemi — Ela sentia o rosto aquecido, sabia que estava mais corada do que, o normal. — É ó pão. Está muito bom! — Mas é apenas pão. — Posso assegurar-lhe, meu senhor, que não há nada melhor do que o sabor de um bom pedaço de pão. Na Verdade, poucas vezes experimentei algo tão delicioso e acho que posso sentir o sabor em meu corpo todo, até os dedos dos pés. — E baixou os olhos, encontrando os do cachorro, fixos nela. Afastou o pão dele e virou a cadeira um pouco para o lado, para evitá-lo. — Cadmus não vai roubar-lhe o pão. — lorde Kirkheathe explicou. — A menos que o deixe cair. Mas… noto que está, tremendo. — Senhor, não gosto de cães. Em especial os grandes. A reverenda madre tinha um cachorro e ele… — Elizabeth interrompeu-se, notando intensidade no olhar de seu marido. Ele voltou-se para seu prato, e então, deixando de dar-lhe atenção. Ela olhou mais uma vez para o cachorro e, sem acreditar que em vão tentaria roubar-lhe o pão deu-lhe as costas ainda mais. Outros servos entraram, todos homens, trazendo jarros enormes, que Elizabeth imaginou conterem vinho. Ainda mastigando seu pão, ela viu um deles se aproximar e encher sua taça. Seu fio, como notou logo, engoliu o conteúdo da sua de uma só vez. Quando levou o vinho aos lábios, Elizabeth notou que ele era ainda melhor do que o pão. Tomou dois goles grandes, lentos, sentindo a bebida aquecê-la por dentro, fazendo-a relaxar um pouco. Jamais provará algo tão bom. Seria tudo em Donhallow tão bom quanto o pão e o vinho? E todos os dias? Talvez não, concluiu. Aquela era uma noite especial. Uma festa. Sua festa de casamento. Com, um homem que nunca vira antes e que se mantinha quieto e sério a seu lado. Na verdade, o cão prestava mais atenção a ela do que lorde Kirkheathe. Talvez devesse ter se casado com o cão, imaginou, divertida. E riu, fazendo com que a taça em sua mão balançasse. Apressou-se em controlar seus movimentos, pois não queria respingar, a bebida na bela toalha de linho da mesa, nem em seu precioso vestido de veludo. Teria conseguido, mas a mão forte de seu marido aparou a taça, afastando-a. — Sinto muito, senhor — Elizabeth murmurou. — Também não bebo um vinho tão maravilhoso há muito tempo. Ele nem mesmo a olhou. Ela não era Genevieve, mas… teria lorde Kirkheathe de ser tão sério em sua noite de casamento? pensou, um tanto ressentida.
  13. 13. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ — Peço desculpas por tê-lo beijado também. — ela prosseguiu.— Não achei que fosse se importar tanto assim, ou não o teria feito. Prometo não fazê-lo novamente. Ele se voltou, muito lentamente, e ergueu as sobrancelhas. E, apesar de ter acabado de beber, Elizabeth sentiu a boca seca. E de imediato arrependeu-se por ter dito que não voltaria a beijá-lo. Viu-o afastar a taça deliberadamente de seu alcance e engoliu em seco, desviando o olhar do dele. Sua noite de núpcias estava cada vez mais próxima e seu coração batia acelerado. Era como se pudesse senti-lo pulsando em seus ouvidos. E, sentindo uma espécie diferente de desespero, estendeu a mão e tomou a taça, bebendo o resto do vinho que estava nela. — Estou com muita sede, senhor — explicou, mas sem ousar encara-lo. — E com muito calor também. — Está? — A pergunta não fora mais do que um sussurro. — E um pouco tonta. — Então coma mais. Elizabeth assentiu, sentindo-se aliviada por ver que os criados agora traziam os pratos principais. E, quando o servo aproximou-se novamente com a jarra para encher-lhe a taça novamente, lorde Kirkheathe não o impediu, como ela achou que faria. — Esta mesa está maravilhosa, senhor — ela elogiou, vendo as carnes e tortas sendo colocadas adiante de si. — Sempre come tão bem ou é por que hoje temos uma festa? — Sim — respondeu ele, passando os olhos firmes pelo ambiente, numa atitude que os criados pareciam esperar e temer ao mesmo tempo, pois observavam-no e, vendo que eram notados, apressavam-se em agir da melhor forma possível. — Sempre come tão bem? — Elizabeth repetiu. — É de admirar que nem o senhor e nem seus homens estejam gordos… — É uma festa especial — ele corrigiu. — Ah, sim… Lorde Kirkheathe voltou-se, as sobrancelhas erguidas novamente, o que a fez explicar depressa: — Sinto muito se pareci desapontada. Tenho certeza de que deve ter uma cozinheira excelente e criados maravilhosos. Para ser sincera, meu senhor, acho que apenas o pão me bastaria para, viver feliz… Um muito breve sorriso apareceu nos lábios dele quando acrescentou: — E o vinho. Elizabeth corou mais uma vez. — Não sou uma beberrona, posso garantir senhor. É que o vinho no convento, estava sempre azedo, mal podíamos bebê- lo. Quanto a este… é excelente! — Bem, deveria ser. — Por quê? É muito caro? Ele assentiu. Lorde Perronet levara-a a crer que seu marido era um homem rico e, se fazia questão de mostrar o quanto seu vinho era caro, talvez fosse avarento também, pensou, talvez fosse isso o que seu tio tentara lhe dizer… Isso também explicaria a ausência de música na festa, a falta de menestréis ou trovadores para alegrar o ambiente… — Coma — seu marido ordenou-lhe, observando a comida ainda sem ter sido tocada, em seu prato. — Eu gostaria, mas… tenho receio de que meu estômago estranhe tanta comida… Sabe, não estou acostumada a tanta variedade e não quero ter uma indigestão esta noite. As sobrancelhas de Lorde Kirkheathe arquearam-se outra vez, como se ela tivesse dito algo de escandaloso e Elizabeth corou violentamente ao imaginá-lo tomando-a nos braços. Levantou-se, então, sentindo-se levemente tonta, e comunicou: — Acho que… se não haverá nenhum entretenimento, eu deva me retirar, senhor… — Mas a noite mal começou. — Este foi um longo e cansativo dia para mim. Por favor, fique com seus convidados. Rual poderá me ajudar. Raymond nada disse e, de repente, um silêncio expectante tomou conta da grande sala. Podia-se apenas ouvir a respiração pesada de lorde Perronet, adormecido sobre a mesa. Elizabeth não sabia o que dizer ou fazer. Queria apenas ficar sozinha por algum tempo; longe dos olhos frios de seu marido para poder pensar bem no que estava acontecendo em sua vida e preparar-se para… o que estava por vir. Voltou-se e sentiu que a sala girava. Agarrou-se ao encosto da cadeira para recuperar o equilíbrio e, como antes, sentiu os, braços dele ao seu redor. Mas, dessa vez, lorde Kirkheathe ergueu-a do chão. — Senhor! — ela se surpreendeu. Ele nada disse e seu rosto não traiu a menor emoção enquanto caminhava com ela nos braços em direção à escadaria da torre. Ainda chocada, Elizabeth olhou por cima de seu ombro, vendo que o cachorro os seguia de perto. — Boa noite! — disse a todos, sentindo que deveria pronunciar alguma espécie de despedida. Seu marido mantinha-se calado. O que poderiam estar pensando lá embaixo? Elizabeth indagava-se. E, se lorde Kirkheathe considerara seu beijo e sua sede como algo indigno, o que não dizer do que acontecia agora? Mas não queria pensar. Abraçou-se ao pescoço dele, deixando-se carregar, solta, entregue. — Quando eu era pequena — lembrou-se e não pôde deixar de contar — eu costumava sonhar em ser carregada assim. Mas não achei que isso fosse, de fato, acontecer algum dia. E, se alguém me dissesse que isso iria suceder uma semana trás, eu não acreditaria… Raymond não falava.
  14. 14. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ — Acho que nós dois esquecemos nossas boas maneiras hoje. — Elizabeth insistiu, mas ainda assim não houve resposta. Ele apenas seguia subindo. Ela prossegui: — Podia ter deixado que eu viesse com Rual… — Poderia ter caído. — Mas não,estou bêbada… — Não? — Não. Eu lhe disse, foi o pão tão delicioso. — Ela inclinou a cabeça, apoiando-se ao peito do marido, sentindo o tecido de lã, de sua túnica um tanto rude contra seu rosto. — Bem, talvez, tenha sido o vinho, também, mas só um pouquinho… Não se zangue comigo, senhor, por favor. Prometo ser melhor amanhã. É que este foi um dia tão estranho… Estaria ele rindo? Indagou-se de repente. E afastou o rosto para vê-lo. Não… Devia.. ter se enganado. Chegaram ao quarto e Raymond afastou a porta com um dos pés, depois esperou enquanto o cachorro, entrava. — Ele dorme aqui também? — Elizabeth alarmou-se. Lorde Kirkheathe assentiu e acrescentou: — Guarda a porta. — E não pode fazer isso do lado de fora? — Ele percebe os intrusos. — Costuma ter intrusos no castelo? — Não, mas sou cauteloso. — Colocou-a no chão, esperando que recuperasse o equilíbrio, antes de soltá-la de todo. — Oh… — A torre parecia tão fria quando não estava nos braços dele. — Então… imagino que,seja seguro dormir aqui. — Sim. — Bem, isso é um alívio. Embora eu ache que um homem deveria ser louco para tentar atacá-lo em seu próprio castelo. — Um homem poderia sê-lo — ele concordou de um modo enigmático. Elizabeth percebia que agora havia um candelabro com inúmeras velas iluminando o ambiente. Notou que seu marido se afastava e que soltava o cinto, de couro da túnica. Raymond se voltou e avistou-a fazendo um breve sinal com o queixo em direção ao cachorro: — Ele não vai mordê-la. — Espero que não… Os lábios de lorde Kirkheathe moveram-se num ligeiro sorriso ao acrescentar: — Também não vou. Elizabeth sorriu, tensa, notou que, para evitar o cão, à sua direita, teria de ir em direção a cama, ou ,em direção a seu marido, o qual colocava o cinto, sobre um aparador sob a janela. Não deveria ter insistido para que o casamento fosse naquele mesmo dia, recriminou-se. O dia seguinte estaria bem e teria tido mais tempo para acostumar-se com a idéia… O quê, em nome de Deus estaria errado com ela? Indagou a si mesma, alarmada. Um dia a mais não faria diferença em seus sentimentos e poderia levá-la de volta ao convento! O casamento fora a melhor coisa que poderia ter-lhe acontecido. Não deveria ser tola e tornar-se, de repente, tímida e recatada. Mesmo sendo seu marido um total estranho, para ela, era um estranho bastante atraente… E com determinação renovada, Elizabeth soltou os laços de seu vestido e tirou-o. Passou por seu marido então, e com cuidado colocou o vestido no mesmo aparador ao lado do cinto. E, em seguida, subiu para a enorme cama, vendo lorde Kirkheathe terminar de se despir. !!Capítulo 5 !Elizabeth Perronet era, sem sombra de dúvida, a mulher mais estranha que ele conhecera, pensava Raymond enquanto a ignorava de propósito. Era como se ela não tivesse a menor idéia do que estava fazendo. Ou de como seus atos poderiam ser interpretados pelos que a rodeavam. E, o mais interessante: era como se ela não tivesse o menor conceito de dignidade e de respeito em relação a ele, seu marido e senhor. Lembrou-se da maneira como ela o beijara, indignado, enquanto tirava a túnica e a jogava sobre o vestido, no aparador. Não queria que ela o beijasse, nem naquele momento, nem nunca! E, naquela noite, a tomaria da forma mais suave que podia, mas com a menor intimidade possível. Elizabeth não queria que as pessoas pensassem que fora forçada a se casar? Repetia-se. E o quê, em nome de Deus, importava a opinião das pessoas? Ele era o senhor daquela região, governador e protetor de todos que ali viviam. E isso era tudo de que precisavam se lembrar. Depois, ela quase se embebedara! Por Deus, ela quase caíra no hall! Não havia desculpa possível para isso! Tivera que tomá-la nos braços e carregá-la dali antes que acabasse por envergonhá-lo por completo! Nu da cintura para cima, ele se lavava na água fria que havia na bacia sobre a cômoda. Seu corpo reagira, é claro, à sensação de tê-la nos braços. Aconteceria se fosse qualquer outra mulher. E, quando ela encostara a cabeça em seu peito, como se sentisse segura… Bem, não queria que Elizabeth se sentisse segura com ele, já que nunca se sentiria seguro com ela, com receio de que o traísse também.
  15. 15. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ Que Deus o perdoasse, mas jamais se esqueceria da dura lição aprendida, nem carregando-a nos braços, nem rindo, genuinamente divertido com a observação que Elizabeth fizera, tão infantil e doce, sobre aquele ter sido um dia estranho. O que precisava fazer agora era torná-la sua esposa de fato e acabar com aquilo. Tinha de consumar o casamento. Não hesitar. Ir até a cama e pronto! Voltou-se, vendo-a ali, sentada, observando-o com os lindos olhos castanhos muito abertos, as cobertas puxadas até os ombros, os cabelos, longos e ondulados caindo-lhe por sobre os braços. — O senhor tem muitas cicatrizes — Ouviu-a observar, em tom casual. De repente, Raymond sentiu-se mais do que parcialmente despido, o que pareceu-lhe absurdamente ridículo. Não estava diante da primeira mulher de sua vida, nem era um jovem inexperiente. Em silêncio, foi até a cama e, sentando-se, passou a tirar as botas. E teve um sobressalto quando Elizabeth passou o dedo delicado por uma de suas cicatrizes, nas costas: — Não faça isso! — protestou de pronto. E ouviu os ruídos nas tábuas debaixo da cama, quando ela se afastou depressa. Levantou-se, então, para tirar a calça, deixando-a sobre o piso. Voltou-se para encarar Elizabeth e ouviu-a novamente, a voz mais suave do que nunca: — Nunca vi um homem nu. Todos são como o senhor? Sem responder, Raymond levantou as cobertas e entrou debaixo delas. Sem preâmbulos, aproximou-se, afastando as roupas íntimas de Elizabeth e colocando-se sobre seu corpo. Então cerrou os olhos e lembrou-se da primeira mulher com quem havia estado na vida, uma criada da casa. Tinha quatorze anos naquela época e Gildred fora muito suave. Podia ainda lembrar- se muito bem daquele dia, com Gildred, no pomar, quando aprendera que uma boca podia fazer muito mais do que comer, beber, falar e beijar. Percebia que Elizabeth era virgem. Isso era ótimo. Forçou o corpo, ouvindo-a gemer de leve, mas nada, além disso. Depois, conforme seguia os movimentos do sexo, percebia que Elizabeth o seguia, em silêncio. Lembrava-se da boca de Gildred. Os lábios de Elizabeth estavam entreabertos, sua respiração quente pulsava junto dele. Os lábios de Gildred sobre seu corpo eram ardentes… Elizabeth o abraçava, com todo o corpo. Gemia de leve e suas mãos apertavam-lhe ás costas. Já não havia Gildred em seus pensamentos, apenas Elizabeth... E com a continuidade dos movimentos e dos gemidos que ouvia junto ao seu ouvido, atingiu o clímax com facilidade: Quando tornou a abrir os olhos, encontrou os de sua esposa, muito abertos, encarando-o. De repente, ainda respirando profundamente, sentiu vontade de beija-la com paixão, e abraçá-la com força. — É só isso? — ela murmurou. Raymond afastou-se de imediato, dando-lhe as costas. — Sim — disse apenas. — Espero que tenhamos feito uma criança — Elizabeth desejou, com um sorriso nos lábios, recolocando as roupas no lugar. Raymond rangeu os dentes. Pelas chagas de Cristo, pensou, ela era tão inocente que nem se dera conta que ele acabara de tomá-la com toda a delicadeza com que um soldado bêbado possuiria uma prostituta. — Durma bem, meu senhor — ouviu-a desejar, aprofundando ainda mais aquela sensação de arrependimento que o consumia. Não respondeu. E nem dormiu bem… !Ela acordou assustada, com o grande cachorro lambendo-lhe o rosto. Tentou gritar, mas sua voz parecia ter desaparecido. — Cadmus! — Raymond gritou. Devia ter percebido que não estava tendo outro pesadelo terrível no convento, mesmo porque estava aquecida e coberta. E muito dolorida, sentindo-se tola, sentou-se depressa. Lorde Kirkheathe já estava vestido e olhava-a da porta, o cão agora a seu lado. Seria possível que um cão sorrisse de alegria? Pensou ela, ainda tonta de sono: Porque seu marido não sorria. — Não tenha medo dele — disse Raymond, muito sério. Elizabeth puxou mais as cobertas, apreciando o conforto de seu calor. — Tentarei não ter senhor, mas fui muito mordida, certa vez. Ele veria a cicatriz, mais cedo ou mais tarde, resignou-se ela, então decidiu mostrar-lhe agora, erguendo-se um pouco e baixando a gola larga da camisola, revelando a feia e escura marca da mordedura feita pelo cachorro da reverenda madre. Os olhos de Raymond cegaram-se um pouco enquanto se aproximava da cama. — Um cão fez isso? — estranhou. Elizabeth assentiu. Ele se inclinou, observando a pele suave marcada pelos dentes do animal. Embaraçada com tal, proximidade e temendo pelo que mais ele poderia ver do ângulo em que se encontrava, Elizabeth recolocou o tecido de volta ao lugar. — E as outras cicatrizes? Ela sabia que seu marido as notaria também, mais cedo ou mais tarde. No entanto, não conseguia erguer os olhos para ver os dele. — Eu… roubei algumas coisas no convento e fui punida — explicou.
  16. 16. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ — Você? Roubando?! Ela deu de ombros ao esclarecer: — Estávamos sempre com fome e as meninas menores choravam. Então… — Você roubou comida? — Raymond sentou-se a seu lado, na cama. Elizabeth arriscou olhá-lo, mas não soube dizer se ele aprovava ou não seu procedimento. Sabia que era um pecado grave roubar de mulheres santas, embora, no fundo do coração, não se arrependesse. — Tudo o que podia, sempre que podia — confessou. — E dava para as outras? Era muito tentador dizer-lhe que jamais tocara numa migalha, mas sabia que, com aquele olhar intenso e perscrutador, seu marido descobriria a verdade num instante. — Comia também — revelou, cabeça baixa. Lorde Kirkheathe tomou-lhe uma das mãos e examinou-lhe os braços finos. — Mas não muito… — comentou. — O suficiente — Elizabeth sussurrou, receosa em falar e, com isso, fez com que ele a soltasse. Seus olhares se encontraram por segundos e depois ele disse, na voz rouca e arrepiante: — Cadmus vai passar a dormir do lado de fora da porta. Sem poder disfarçar o alívio que, sentia, ela murmurou: — Obrigada, meu senhor. Mas, tentarei me acostumar com ele, para que coitadinho não tenha que ficar lá, exilado, para sempre. Raymond sorriu de leve e Elizabeth sentiu-se, de repente, mais aquecida. Então, alguns ruídos no pátio, lá embaixo, chamaram-lhe a atenção e ele soltou-lhe a mão para ir até a janela. Imaginando que já estava na hora da missa, Elizabeth afastou as cobertas e arrepiou-se com o frio da manhã. — Fique aí. — seu marido ordenou. — Como, senhor? — Fique na cama. — Mas… já é tarde. — E levantou-se, sentindo o piso gelado sob os pés. Passou os braços ao redor de si mesma, tentando se aquecer. — Deve haver coisas que eu precise fazer… os criados vão pensar que sou preguiçosa. E isso seria um começo terrível. — Ninguém a perturbará. — Como, senhor? — Fique na cama tanto quanto quiser hoje. E chame por Rual quando necessitar. Elizabeth não sabia o que a surpreendia mais: a noção de que poderia voltar à cama quente e convidativa ou o fato de ele ter falado tanto. — Mas… e a missa? — insistiu. — Já acabou. — Acabou?! Ele assentiu. — Não tem receio do que os criados poderão pensar sobre mim? Raymond tornou a negar. Certamente, ele não se importaria com as idéias dos servos, pensou Elizabeth, lembrando-se, mais uma vez das palavras de lady Katherine. Aliás, nem ela deveria importar-se. Então, porque não aproveitar oferta de seu marido e ficar mais um pouco entre às cobertas? Voltou para o leito, feliz, cobrindo-se, e percebendo que lorde Kirkheathe sorria. — Obrigada, meu senhor. Nem posso me lembrar de quantas vezes sonhei com um luxo destes! — Vai dormir? — Dormir? Não! Se dormisse, não conseguiria aproveitar esta delicia! Raymond sorriu mais uma vez. — Como quiser — aquiesceu. Elizabeth suspirou profundamente, satisfeita. — Ah! Primeiro aquele maravilhoso vestido e agora isto! Oh, meu senhor, agradeço-lhe do fundo do coração e peço a Deus que o abençoe por ter se casado comigo! Lorde Kirkheathe nada mais disse. Saiu do quarto, deixando Elizabeth feliz em sua solidão. Tinha vontade de ri só em lembrar-se de que ele sorrira. Não havia dúvida de que seu marido tinha muitos afazeres, sendo tão rico e poderoso. E faria de tudo para ajudá-lo a descansar de seus deveres, em especial se isso o fizesse sorrir mais vezes. Talvez uma criança o deixasse mais feliz também. Moveu-se na cama e, erguendo os lençóis, notou o sangue seco entre eles. — Oh, Deus! — Suspirou. — Faça-me estar grávida! Se ainda não estou, que seja em breve! Isto, é claro, se for de sua vontade! Ficou mais algum, tempo na cama e depois, animada, levantou-se e, estremecendo com o frio, ouviu ruído de cavalos. Foi até a janela e viu que seu marido cavalgava um belo animal negro e, logo atrás dele, uma tropa de soldados se preparava para
  17. 17. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ partir. Ficou observando enquanto lorde Kirkheathe erguia o braço, dirigindo-se aos pesados portões, seus bem equipados homens logo atraso Ele nada dissera, apenas erguera a mão enluvada e fizera um gesto breve. Tudo era feito num silêncio proposital, com a obediência total e bem treinada de todos os soldados. Com um sorriso maroto, Elizabeth deu-se conta de que a reverenda madre aprovaria seu marido, embora achasse que ele fizera uma péssima escolha no que se referia a sua noiva. Mas a reverenda madre estava muito distante agora e ela, Elizabeth, estava casada e em breve, com a ajuda de Deus, seria mãe; uma mãe carinhosa e dedicada, como fora a sua, antes de morrer daquela febre que também levara-lhe o pai, quando ela tinha apenas oito anos de idade. Suspirou mais uma vez, procurando afastar tais pensamentos, que a deixavam por demais triste, pois provocavam outras recordações, em especial aquelas de quando fora obrigada a viver em casa de parentes, sempre mudando de um lado para o outro sem nunca ser querida ou amada. A melhor fase que vivera fora àquela que estivera em companhia de lady Katherine, a qual apesar de ser rígida, era muito justa. Depois tinham vindo os terríveis anos do convento… Voltou-se e olhou para a cama convidativa, mas achou que de nada adiantaria deitar-se novamente. Nem queria dar margem a que os criados a julgassem mal, apesar do que seu marido garantira. Além do mais, estava ansiosa por saber se o desjejum seria tão saboroso quanto a festa da noite anterior… Calçou os sapatos apressada, indo até a porta. — Rual! A criada apareceu tão depressa que Elizabeth imaginou que estivesse nas escadas, apenas à espera de seu chamado. — Minha senhora? — Bem, eu devia chamá-la quando necessitasse… e acho que necessito agora — disse Elizabeth sorrindo. — Sabe onde está meu outro vestido? Não posso usar o da festa de casamento. — Está no armário, ao lado da cama senhora. — E meus outros pertences? — Estão lá também. — Não ocupam muito espaço, não é? — observou ela, abrindo o armário. — Quer que eu traga um pouco de água quente? — Não se preocupe. Estou acostumada a usar água fria. — E não havia mentira nenhuma nisso, imaginou, calçando as meias e colocando o vestido de lã. Rual procedeu a arrumação da cama e isso a fez lembrar-se do sangue ressecado. Correu a lavar o rosto para, com as mãos sobre ele, esconder a vergonha que sentia. Tentava convencer-se de que Rual obviamente saberia o que se passara naquela noite. Aliás, todos saberiam. Passou várias vezes as mãos pelo rosto, com a água fria, tentando esquecer o calor que havia em sua pele. Depois pegou a pequena toalha que estava ao lado da bacia e secou-se. O tecido trazia em si o cheiro de seu marido, lorde Kirkheathe… — Oh, Deus… — suspirou, lembrando-se, de repente, que ainda não sabia o primeiro nome dele. — Precisa de mais alguma coisa, senhora? — indagou Rual, segurando as roupas de cama enroladas junto a si. — Não… Ah, sim! Eu… bem, com toda a pressa de ontem, acabei nem perguntando o primeiro nome de meu marido… — Colocava a touca que sempre usara no convento. — Raymond D'Estienne é seu nome de batismo, senhora. O mesmo nome que tinha seu pai. — Você conheceu os pais dele? — Não. Os dois morreram muito antes de eu vir para cá. — E o que se diz sobre eles? A criada ergueu os ombros. — O pai de meu senhor era, reconhecidamente, um homem bom, embora tivesse nascido pobre. — E como conseguiu toda esta fortuna? — Toda a propriedade foi tirada de outro homem e dada a ele por lorde Chesney. — Acha que ele não merecia recebê-la? — Isso não é de minha conta, senhora. O conde de Chesney, com certeza, achava que ele merecia. — E quanto a mãe de meu marido? — Faleceu quando ele nasceu. E seu pai não tornou a se casar como ele mesmo fez. Elizabeth foi pega de surpresa coma revelação, mas procurou não parecer chocada. Tentava entender aquela situação. Lorde Kirkheathe não era tão jovem assim e devia ter sido casado antes, talvez, até mais de uma vez. — Quantas esposas ele já teve? Perguntou incapaz de guardar para si o que pensava. — Apenas uma. Antes da senhora, é claro. — E ela faleceu dando à luz, também? — Não, minha senhora. — Foi uma doença, então? — Não, senhora. Ele a matou… !!
  18. 18. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ Capítulo 6 !Elizabeth não queria acreditar no que aca¬bara de ouvir. — Como? — perguntou, mais embaraçada do que nunca. — Ele a matou-a, senhora. Neste quarto. — Mas… por quê?! — Lorde Kirkheathe disse que ela tentou mata-lo. — Rual mudou a trouxa para o outro braço, para descansar o primeiro. — O que ouvi dizer é que ela colocou alguma coisa em seu vinho e, quando ele, dormiu, passou uma tira ao redor de seu Pescoço e tentou estrangula-lo. Lorde Kirkheathe a empurrou e a fez cair. Ela bateu a cabeça no chão e morreu em seguida. — É por isso que Raymond tem a cicatriz no pescoço… — Elizabeth pensou em voz alta. — Por isso que sua voz é assim… — E, voltando-se para Rual, indagou: — Não acredita na explicação que ele deu? — O patrão é muito bravo. — Ele foi levado perante a justiça do reino por crime de assassinato? — Não. — Então, o que disse a respeito do crime deve ser con¬siderado verdade. — Lorde Kirkheathe é um nobre. — Ainda assim, há punição, para um nobre que tenha matado a própria esposa. Ele a tinha agredido antes? — Jamais vi marcas em seu corpo, senhora. O que não significa que não houvesse marcas por baixo da roupa, imaginou Elizabeth. Ou que ele não fosse cruel com a esposa de outras formas… — Ele costumava ser grosseiro com ela? — insistiu. — Não, que eu tenha ouvido ou visto. — Bem, meu marido tem a cicatriz e a voz destruída para provar que foi atacado — considerou. Rual baixou a cabeça e nada disse. — Por que ela quis matá-lo? — Elizabeth não conseguia controlar a curiosidade. — Não sei, senhora. — Rual, se não acredita nas expliçaç5es de meu marido, e percebo que não o faz, deve ter alguma razão para pensar que ele quisesse matá-la. — Talvez… talvez suspeitasse de sua fidelidade… Elizabeth pensou por instantes. — E com quem acha que ela ó trairia? Rual deu de ombros. — Ninguém teria um nome suspeito? — Não, minha senhora. Elizabeth pensava com rapidez. Se houvesse a menor suspeita de que seu marido não tivera um bom motivo para matar a ex-esposa, haveria rumores pelo castelo. Aprendera muito bem como as fofocas e boatos sé alastravam, enquanto estivera naquele convento. — Senhora, posso me retirar e levar estes lençóis para baixo? — Rual parecia pouco à vontade. — Sim, obrigada, Rual. — Mais uma vez as palavras sábias de lady Katherine eram sopradas em seu ouvido, dizendo-lhe para não acreditar em conversas de criados. — ¬Meu tio já tomou o desjejum? — Ele e seus homens partiram com o nascer do dia, senhora, como lorde Kirkheathe lhes ordenou. — Ele já partiu?! — Assim que lorde Kirkheathe recebeu o dote, ele o man¬dou embora. E seu tio estava tão caído ainda, por causa, do excesso de vinho, que mal podia manter-se sentado na sela. — Mas lorde Kirkheathe estava aqui quando acordei… — Ele voltou, senhora. — Não ouvi nada… — Devia estar dormindo profundamente… — Deve ter sido. — Não tem um vestido mais quente, senhora? — Não. Mas há uma lareira no hall, não? — Sim, e uma muito boa! Lorde Kirkheathe insiste quanto a isso. — Então irei até lá e estarei aquecida. E, quando terminar com a lavagem da roupa, poderia voltar e mostrar-me meu novo lar? — Como quiser, senhora. !— Lá, meu senhor! Vê? — disse Aiken, apontando para a ponte. — Está apodrecendo. A ponte poderá cair com a chegada da primavera. Raymond inclinou-se para poder ver melhor, segurando a ponta da túnica para que, ela não arrastasse no terreno lamacento. Tinha o dinheiro para pagar os reparos, graças ao dote de Elizabeth. Fora realmente uma sorte Perronet não ter
  19. 19. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ percebido o quanto precisava do dinheiro… ou ele teria diminuído o valor. Agora, porém, podia mandar con¬sertar a ponte e outros locais de sua propriedade. Poderia ter exigido um dote ainda maior, pensou, mas receou que Perronet desistisse do acordo e levasse Elizabeth de volta ao convento. E ela estava tão desesperada para não voltar… Teria que ser feito de ferro para não ceder às súplicas que ela lhe fizera. Aliás, se fosse feito de ferro, poderia tê-la ignorado nessa manhã e não ter ficado ali, observando-a enquanto dormia, como um simplório qualquer. Podia ainda lembrar-se da suavidade daquela visão, os cabelos espalhados pelo travesseiro, um dos braços estendido sobre seu lado da cama, como se o estivesse abraçando, caso ele ainda estivesse ali… ¬ Lembrou-se da cicatriz feita pelo cachorro, no ombro dela e das outras, finas e longas, em suas costas. Que tipo de freira teria feito aquilo?! O tipo que ele gostaria de encontrar e fazer arrepender-se pelo resto da vida… Endireitou-se e indagou: — Quantas outras pontes estão neste estado? — Dez, meu senhor — Aiken respondeu, caminhando de volta ao terreno mais firme. Era um homem baixo, atarra¬cado; de movimentos bruscos, e, muito embora fosse um soldado, era também um grande conhecedor de estruturas de madeira e de pedra. — Todas precisam ser consertadas neste verão e acredito que o melhor momento para isso seria em agosto quando as águas estão baixas. No entanto, acho que elas agüentam ainda algumas semanas, senhor. — Ótimo. Raymond ergueu os olhos para o céu, era quase meio-dia. Devia voltar para casa. Casa… Pela primeira vez em quinze anos, realmente sentia que tinha um, lar para onde voltar. Cascos de cavalo na estrada roubaram-lhe a atenção. Fane Montross aproximava-se, seguido de alguns de seus homens. Raymond sacou da espada de imediato e dirigiu-se ao meio da estrada: esperando pelo vizinho e antigo amigo, que transformara-se no mais detestado dos inimigos. Montross fez um sinal a seus homens para que parassem. — Ora, Raymond, que surpresa! — exclamou, de cima do nervoso garanhão que montava. Lorde Kirkheathe encarou-o com seriedade. Como sem¬pre, Montross estava vestido de maneira extravagante, dessa vez um verde e dourado, já que era tão vaidoso quanto Alícia fora. Também era tão bonito quanto ela, com o corpo magro e os cabelos claros emoldurando-lhe os traços finos. — Imaginei que o noivo fosse ficar em casa, pelo menos hoje! — Havia um sorriso jocoso em seus lábios. Então, ele ouvira falar no casamento… — Aliás, foi exatamente .por isso que vim até suas terras — Montross prosseguia — para desejar-lhe felicidades. — Com vinte soldados? — Uma guarda pessoal, apropriada, nada mais.Todos sabemos que vivemos tempos perigosos e que certas precauções devem ser tomadas… Você mesmo, está com dez de seus homens e encontra-se em suas próprias terras! Raymond jamais explicaria que aqueles eram pedreiros e carpinteiros que o acompanhavam na verificação de pontes e estradas. Na verdade, não tinha a menor intenção de explicar coisa alguma a Fane Montross. — Certamente vai ser um cavalheiro, convida-me para conhecer sua noiva? — insistiu ele, sempre sorrindo! Raymond preferiria manda-lo para o inferno com seus vinte soldados, mas isso seria fazer o primeiro movimento de hostilidade e jamais agiria assim. — Por favor — concordou, voltando-se para seu cavalo. Olhou para Aiken e ordenou: — Você e mais quatro, caval¬guem atrás dos homens de Montross. — Sim, meu senhor! — obedeceu o soldado, compreen¬dendo o olhar de seu amo: — Não gostaríamos que nenhum deles se perdesse, não é? Raymond apenas assentiu e, com um gesto, colocou seus homens em movimento, de volta ao castelo. !— Ainda há mais despensas? — Elizabeth perguntou à criada. — Não, minha senhora — respondeu Rual. O castelo, pelo que podia entender, era enorme e mal conseguiria se lembrar de tudo que tinha visto. Muito menos conseguir lembrar-se dos nomes de todas as pessoas que lhe tinham sido apresentadas em sua visita a seu novo lar. Repassava, porém, àqueles que tinham ficado gravados, por algum motivo, em sua memória: como Hale, sargento de armas e segundo em comando na guarnição do castelo. Ele era um homem forte, de ombros largos e feições rudes que, entretanto, lhe sorrira com bondade. Gostara de ver os pássaros que lorde Kirkheathe possuía, todos muito fortes e belos animais de caça, em sua maioria. O tratador, um homem miúdo e calado, apenas a observava, sem sorrir. Lud, na cozinha, e seus ajudantes, tinham sido muito amáveis. Era estranho, mas Elizabeth percebia que, em Do¬nhallow, todos faziam suas tarefas com presteza e com ale¬gria ao mesmo tempo. A única pessoa que parecia não se encaixar nesse perfil era Greta, a mulher que cuidava da lavanderia, Era magra e tensa, de olhos assustados e dedos longos e finos. Ela lhe parecera nervosa demais e Elizabeth tentara deixá-la à von¬tade, imaginando que sua presença fosse o motivo para a outra estar tão tensa: Não obteve sucesso, porém, e acabou sentindo-se aliviada ao deixar a lavanderia.
  20. 20. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ A manhã fora cheia para ela e seus pés doíam de tanto que tinha caminhado pelo castelo. Queria apenas sentar-se um pouco e esperar pelo almoço. Donhallow era tão grande, e populoso, que sentia-se, definitivamente, prostrada. Conforme caminhava ao lado de Rual, rumo ao hall principal do castelo, notou a carroça de um vendedor ambulante próxima à entrada.. Um homem estava ao lado dela, falando com os soldados. No assento da boléia havia, uma mulher muito magra, que segurava um bebê. Sorrindo, Elizabeth aproximou-se, enquanto tanto o homem quanto a mulher pareciam ficar mais assustados. A mulher, como podia notar, tinha uma aparência muito debilitada e Elizabeth sorriu-lhe de novo, para tranqüiliza-la. — Posso segurá-la? — pediu, fazendo um leve gesto em direção a criança. — E menino ou menina? — Menino, senhora — respondeu a mulher, de modo tímido. — Esta é lady Kirkheathe — um dos guardas informou. — Faça o que ela… Elizabeth silenciou-o com um olhar mais firme. — Adoro bebês — explicou — Mas, se preferir continuar segurando-o, eu entendo. — Senhora! — avisou Rual, parecendo aflita. — Lorde Kirkheathe não gosta de vendedores ambulantes! O homem que estava ao lado da carroça lançou-lhe um olhar zangado. Suas roupas pobres não melhoravam sua aparência enfraquecida e as coisas que trazia na carroça eram, em sua maioria, quinquilharias sem maior utilidade. Entretanto, não era o homem nem as coisas quê vendia que interessavam a Elizabeth. — Eu não disse que quero comprar alguma coisa — res¬pondeu ela. — Pôr favor, posso segurar o bebê? — Se hão vai comprar nada, é melhor não ficarmos ¬ respondeu o vendedor, mal-humorado. Elizabeth e a mulher olharam-no, depois olharam uma para a outra e sorriram, enquanto a mãe passava o bebê com cuidado para que ela o segurasse um pouquinho. — Oh, ele é lindo! — exclamou, vendo o rostinho miúdo e corado que aparecia por entre o cobertorzinho simples. A criança, porém, começou a chorar e sua mãe mordeu o lábio. — Não me importo com o choro — Elizabeth garantiu-lhe. Passou a niná-lo tentando fazer com que se acalmasse. De repente; o bebê parou de chorar, arrotou e passou a olhar para tudo com alegria. A mãe sorriu enquanto o ven¬dedor, contrariado, fechava a cara. — Já que não tenho nenhum dinheiro, nada posso comprar, mas não razão para que não fiquem por uma noite e comam com os criados, na cozinha.— Elizabeth ofereceu. — Meu marido tem uma mesa muito farta. Por favor, digam que vão ficar e deixem-me segurar por mais tempo pequeno… — Erick — esclareceu a mãe, suave. Depois voltou-se para o marido e pediu: — Por favor, vamos ficar apenas por esta noite… — Senhora — chamou Rual, ainda mais tensa. — Acho que lorde Kirkheathe não irá concordar com isso. Ele irá achar que os está encorajando… Elizabeth olhou com atenção para a criança e depois para sua mãe visivelmente abatida. — Deixe que eu me preocupe com meu marido, Rual — disse –por enquanto eles podem ficar. — Bem, vai saber depressa o que ele pensa a respeito — Rual murmurou, apontando com um gesto de cabeça para os portões do castelo. Lorde Kirkheathe chegava com seus homens e, Elizabeth achou incrivelmente imponente e elegante montado em seu belo cavalo negro. Notou que havia outro homem que montava um belo animal, logo atrás de seu marido. O estranho tinha as vestes alegres, verde e douradas, e tra¬zia uma vasta capa de veludo verde por sobre os, ombros. Entre os homens de lorde Kirkheathe, havia outros que não reconhecia terem estado em seu casamento. Deviam estar acompanhando o estranho, imaginou, o qual passava os olhos detalhadamente por tudo ao seu redor. Elizabeth sentiu, de imediato, que aquele olhar não era bom. Aquele homem não era um amigo. E havia alguma coisa a mais na maneira com que observava todos os pontos de Donhallow. Ela reconhecia aquele brilho no olhar dele. Inveja! Vira tal olhar milhares de vezes no convento entre as garotas que competiam pelos favores da reverenda madre. Elizabeth, porém, jamais tivera chance de sentir tal coisa, já que sabia que hão deveria esperar por nada ali. Mas souber observar e perceber… E o olhar que seu, marido lançou ao estranho confirmou suas suspeitas de que não eram amigos. Quanto, ao tal homem, apesar, dos sorrisos e palavras que distribuía e que ela não entendia devido ao burburinho geral, era-lhe possível notar que estava tenso. Como preparado para uma batalha. Foi então que lorde Kirkheathe a viu e um arrepio de alarme passou por sua espinha. Ficaria ele zangado ao saber que ela oferecera hospedagem ao vendedor e sua família? No entanto, ele não parecia aborrecido, não havia nada em sua expressão. Os olhos de Raymond cerraram-se um pouco mais, conforme lhe sinalizava para que se aproximasse. Elizabeth devolveu o bebê à mãe e sussurrou-lhe: — Fiquem, a menos que lhes seja dito o contrário. Ao chegar mais perto de seu marido, Elizabeth notou o olhar do estranho e nele, a expressão de surpresa foi a que chamou- lhe mais a atenção. Imaginou que seus, cabelos deviam estar despenteados, já que tirara a touca quando tivera na lavanderia, onde o ar era quente e abafado devido as roupas que estavam sendo fervidas. Seu nariz devia estar vermelho porque espirrara demais, já que a umidade da lavanderia deixara suas roupas colando-lhe ao corpo.
  21. 21. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ Se o estranho fosse um amigo, isso não teria importância, mas ele não era… Lorde Kirkheathe era um homem orgu¬lhoso e, certamente, não gostaria de ver sua feia esposa parecendo-se muito mais com uma criada do que com a dona do castelo. Sentiu-se corar de vergonha e por estar envergonhando seu marido também, — Elizabeth, este é sir Fane Montross — disse lorde Kirkheathe quando ela os alcançou. — Montross, minha esposa, Elizabeth. Ela fez uma mesura. — Encantada, senhor. — Sou eu quem está encantado, senhora! — disse o nobre, sorrindo e curvando-se demasiadamente. — Não pude descansar até conhecer a jovem e bela esposa de Raymond. — É casado, senhor? A pergunta pegou-o de surpresa, o que a agradou. — Não, senhora. Sinto não ter tido tal sorte ainda. — Entendo… — Elizabeth murmurou, num tom que dei¬xava claro que ela entendia o porquê, motivo que, aliás, não era muito agradável. Então passou a mão pelo braço do marido, pedindo a Deus que ele assim o permitisse e não se afastasse. — Vai ficar e comer conosco, eu suponho… Elizabeth sentiu os músculos de seu marido mais tensos. Teria ido longe demais? — Comer? Bem, seria muito agradável. Já faz muitos anos que não sou convidado para partilhar uma refeição em Donhallow. — Talvez porque os homens fiquem muito… aborrecidos quando não têm companhia feminina — Elizabeth tentou explicar, passando a outra mão pelo braço forte de lorde Kirkheathe e olhando-o com verdadeira adoração. Podia não ser bonita, pensava, mas daria àquele impertinente e vai¬doso visitante um motivo para achar que seu marido não precisava de compaixão. E notou, que os olhos de Raymond a fixavam com um certo ar de… interesse, talvez, até de divertimento… — Oh, acredito que não seja necessário temer tal coisa neste castelo, senhora — respondeu Montross. — Ele nunca ficou sem companhia feminina… Se estivesse apaixonada por seu marido, aquelas palavras teriam sido muito doloridas, imaginou. E elas, ainda assim, feriam. Mesmo tendo garantido a Lorde Kirkheathe que ele poderia até arranjar uma amante… Não podia então, pensar em reclamar pelo que ele fizera antes de se conhecerem. Voltou-se para Montross com um sorriso nos lábios e respondeu: — Para um homem tão viril quanto meu marido, não se poderia esperar nada diferente. — Kirkheathe teve sorte em encontrar uma esposa tão… compreensiva. — Sou eu quem teve sorte, senhor — Elizabeth corrigiu — E estou muito feliz. Abençoada, na verdade — E lançou outro olhar de adoração a lorde Kirkheathe. — Ouvi dizer, senhora, que veio de um convento… — De fato. — Ela continuava a acariciar o braço do marido. — E se soubesse o que estava perdendo, teria fugido de lá há anos. Mas, se tivesse feito isso, não estaria casada com meu senhor, portanto acho que foi bem melhor ter permanecido no convento até que meu tio fosse me buscar para trazer-me até aqui. Não concorda? !!Capítulo 7 !Ali, em pé no pátio do castelo, com Elizabeth ao seu lado, acariciando-lhe o braço daquela forma, diante de todos, e abertamente desafiando Montross e ele mesmo com suas palavras inteligentes, Raymond imaginava até que ponto deveria deixar que aquela conversa prosseguisse. No entanto, para sua própria surpresa, estava gostando da estranha situação. Estava particularmente interessado na consternação que via no rosto de Montross. Ele sempre fora muito seguro de si e tinha a língua afiada. Entretanto, quem imaginaria que Elizabeth, que ficara separada do mundo por tanto tempo, mostrar-se-ia páreo à altura dele, um inimigo tão esperto e sofisticado? E quem poderia imaginar que ele, lorde Kirkheathe, não acharia uma demonstração pública de afeto algo desconcer¬tante, mas, ao contrário, altamente excitante? — Não sabia que estava tão feliz — Montross comentou, ainda embaraçado. Elizabeth riu mais uma vez. — Parece-me que os boatos voam mais rápido do que os falcões por aqui, senhor — observou. –Já que sabe tanto sobre nosso casamento e acabamos de nos unir ontem… Além do mais, acredito que não dê tanto crédito assim a rumores. Eu mesma posso lhe garantir que depois de tantos anos no convento, não costumo dar ouvidos a fofocas. — Mas… onde há fumaça… — Montross parecia estar se defendendo tanto quanto estaria numa batalha e isso dava um prazer incrível a Raymond. — Talvez o ditado se aplique em certas situações — Eli¬zabeth continuava, sem a menor interferência do marido — mas elas são raras. Além do mais, meu marido sabe muito bem o quanto estou feliz, em especial depois da noite passada, não é verdade, meu senhor? — E sorriu, baixando os olhos, como se estivesse absolutamente embaraçada e alegre ao mesmo tempo. A implicação de suas palavras era óbvia: que sua noite de núpcias fora maravilhosa.

×