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  1. 1. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ ! ! ! ! ! ! Paixão de guerreiro A Warrior’s Quest Margaret Moore Warrior 2 ! Janeth Kendrick não se portava como uma orgulhosa castelã. Sua vida era dedicada aos pobres do vilarejo. Fascinante como um leão em repouso, o cruel guerreiro Urien Fitzroy desejava Janeth mais que tudo na vida! Ela, seduzida pelo mistério que envolvia o destemido soldado, aventurou-se a penetrar nos segredos do perigoso mercenário... !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!CAPITULO I
  2. 2. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ !Inglaterra, 1225 !O homem de cabelos escuros, montado no imenso cavalo, abria caminho entre as pessoas no mercado como se estas não passassem de arbustos nos campos. Na maioria, todos lhe davam passagem, mas alguns mais corajosos hesitavam um instante antes de se desviar. A conclusão geral era de que ninguém, exceto guerreiro por profissão, cavalgaria tal animal, dessa forma e com expressão alerta, entre eles. O olhar de Urien Fitzroy dirigiu-se ao castelo que se elevava junto à cidadezinha de Bridgeford Wells. Era grande, recentemente construído, forte e, sem dúvida, rico. Durante suas viagens, ele tinha visto muitas fortalezas, mas essa era a melhor de todas. Urien voltou a observar as pessoas à volta. Embora conscientes de sua presença, não se mostravam muito amedrontadas. De acordo com sua experiência, os habitantes de uma vila só sentiam apreensão com a chegada de um estranho quando não contavam com a proteção do senhor da localidade. A mercadoria farta e variada sendo vendida também constituía um sinal de prosperidade e segurança. Ficava óbvio que não errara ao vir para esse lugar. Talvez fosse mesmo verdade que o nobre senhor do castelo Gervais estivesse à procura de soldados experientes para treinar seus homens. Algum tempo atrás, Urien chegara à conclusão de não querer mais ganhar a vida atendendo às exigências de um lorde. Durante uns poucos anos, tinha se mantido com os lucros obtidos em torneios, mas não conseguia tomar parte em um há meses. Mais e mais, os nobres vinham restringindo a participação a si mesmos. Cansado e com sede, Urien parou a montaria em uma estalagem do outro lado da vila. Tratava-se de um estabelecimento pequeno com um estábulo e duas estruturas precárias limitando três lados do pátio sem calçamento. Uma das construções devia ser para pernoite e na outra, com certeza, ficavam a cozinha e suas dependências. Um velho sentava-se num banco ao lado da porta aberta de entrada. Ao ver um rapaz sair do estábulo, Urien desmontou e disse: — Meu cavalo precisa de ração e água. — O senhor vai passar a noite? — indagou o moço. — Não sei ainda. — Lindo dia — comentou o velho numa voz firme. — De fato — Urien concordou ao passar pelo banco. Imaginava se o homem também tinha sido soldado um dia, ou fazendeiro. Ambas as ocupações, além de ser implacáveis, demandavam indivíduos forte, Urien sabia muito bem. O interior da estalagem estava fresco e na penumbra, o que lhe custou uns segundos para acostumar a visão. — Bom dia, senhor — cumprimentou uma voz feminina vinda de algum canto. — Deseja pouso? — Talvez. Urien já podia ver a dona da voz: uma senhora de meia idade, gorducha e expressão simpática. — Cobramos pouco e somos limpos. Há outras hospedagens na vila, mas a nossa é a melhor — explicou ela ao se aproximar. Claro, sempre ouvia a mesma coisa, refletiu Urien. — Também oferecemos ração boa para seu cavalo. E meu filho Tom vai escová-lo com cuidado — acrescentou ela com um sorriso. Urien chegou quase a sorrir também. A idéia de que o tratamento dispensado ao cavalo era tão importante quanto ao recebido por ele pesou na balança. — Vou ficar. Esta noite, pelo menos. A mulher assentiu com a cabeça. — No momento, quero apenas vinho. O melhor que tiver. — Pois não, senhor. — Leve lá fora. — Vou providenciar já. Urien voltou ao pátio ensolarado. Desde a época passada no norte de Gales, uns anos atrás, ele aprendera a valorizar o verão inglês. Sentou-se no banco, ao lado do velho cujo ressonar não chegava a perturbar. A mulher trouxe o vinho e o colocou junto a Urien. — Pronto. O melhor a ser encontrado em Bridgeford Wells. Ele lhe entregou uma moeda tirada da bolsa. Ela não escondeu o espanto. — Não custa tudo isto, senhor! — Cobre o pouso daí também. — Naturalmente. Ela relanceou o olhar pela bolsa e corou ao ver que estava sendo observada. Depressa, voltou ao interior da estalagem. O vinho, de fato, era muito bom. Aliás, excelente para ser encontrado tão ao sul de Londres. Depois de alguns goles e cansado pela longa viagem a cavalo, Urien encostou-se na parede. Uma jovem, não muito nova mas também não o que um homem classificaria de velha, entrou no pátio a passos lépidos. Carregava uma cesta coberta por um pano e apoiada no quadril bem feito. Os tornozelos, deixados ver pelo vestido e pela túnica de tecido caseiro, também eram bem torneados, observou Urien apesar das pálpebras semicerradas. Mais não poderia ver se não as abrisse totalmente. Quando ela já se aproximava, o rapaz, que ele calculava ser filho do dono da estalagem, saiu do estábulo e veio-lhe ao
  3. 3. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ encontro. — Janeth! Mamãe vai ficar tão contente ao ver você! — Não mais do que eu a ela, Tom. A voz agradável da moça incitava a curiosidade, mas Urien resolveu permanecer como estava para que eles não percebessem que os escutava. — Como está ela? — indagou a jovem. — Durante o dia, mais ou menos. À noite, piora. É quando sente mais falta dele. — Pelo menos, ela conta com você. Urien quase podia ver o peito do rapaz estufar-se de orgulho, mas não o culpava. Quem não o faria ao ouvir uma voz melodiosa, cheia de admiração e respeito dizer tal coisa? — Quem é ele? — indagou a moça apontando para Urien. — Não sei. Chegou há pouco. — Não gosto do jeito dele. — Por que não? É um homem de aspecto bom — disse Tom. — Ele tem um rosto atraente. Mas com certeza, pode causar um sem fim de problemas. — Ele não está armado. — Não que a gente possa ver. Acho que ele é perigoso. — Nesse caso, o que estará fazendo por aqui? — Imagino que vá pedir trabalho a lorde Gervais. — Sei. Será atendido, acha? A moça fez uma pausa e Urien percebeu que, à espera de sua resposta, ele prendia a respiração. Tolice. Passou a respirar devagar como se estivesse dormindo. — Em minha opinião, sim. Nunca vi ombros e braços tão fortes. Esse sujeito poderia dar conta, sozinho, da metade dos soldados de lorde Gervais. — Será?! — exclamou o rapaz, entusiasmado. — E sem mostrar piedade, Tom. — Entendo — respondeu ele num tom menos expansivo, enquanto passavam pelo banco. Urien tinha ouvido o suficiente. Ora essa, "'rosto atraente"! E quem era a tal moça para expressar-se a seu respeito como se ele roubasse e matasse para ganhar a vida? Era um soldado contratado, profissão da qual não tinha de se envergonhar. Sem dúvida, cometera ações desagradáveis no passado, mas muito tempo atrás. Sentou-se ereto e sorveu uns goles de vinho. Atrevida essa moça bem torneada. O som de vozes, vindo do interior da estalagem, ainda lhe chegava aos ouvidos. Continuavam eles a falar a seu respeito?, conjeturou. Não se importava. Estava habituado a ver pessoas encará-lo e tecer histórias sobre seu passado. Deixava-as imaginar à vontade, pois sempre apresentavam versões muito mais interessantes do que a verdade. Filho bastardo de uma mulher pobre, tinha perdido a mãe muito cedo que o deixara aos cuidados de um perverso camponês alcoólatra. Urien sorveu mais vinho a fim de aplacar o gosto amargo que sempre lhe vinha à boca quando pensava naquela época. Tão logo havia se sentido capaz, tinha fugido e se engajado a serviço do primeiro lorde disposto a contratá-lo e o treinar como soldado. Desde então, ele tinha aberto o próprio caminho num mundo hostil para um bastardo, mas em que um bom guerreiro valia bem. A conversa cessou e a moça apareceu à porta. — Bom dia — cumprimentou ele, satisfeito por surpreendê-la. Quando a moça se virou, Urien viu que a promessa dos quadris e tornozelos bem feitos se cumpria no resto do corpo. Os seios não eram grandes, mas arredondados e firmes acima da cintura estreita. A pele alva ia do pescoço esguio ao rosto de feições delicadas e bonitas: lábios vermelhos, faces rosadas, cabelos e olhos castanho-claros. Estes o observavam com frieza. — Bom dia — respondeu ela virando-se para se afastar. — O que você tem nessa cesta? Com um sacudir dos cabelos soltos, ela o fitou por sobre o ombro. — Nada que possa interessá-lo. — Como pode saber? Talvez eu considere seus artigos interessantes. Ela curvou os lábios num sorriso matreiro e Urien, ao vê-la se aproximar, quase pôde sentir o sabor de um beijo seu. — Acha mesmo, senhor? — Sem dúvida. Ela enfiou a mão na cesta e tirou algo embrulhado num pano. Devagar, desenrolou-o e mostrou um favo de mel. — E nisto que está interessado? — Não exatamente, mas doce também. Num movimento inesperado, ela atirou-lhe o favo no rosto. Num instante, o mel começou a escorrer da face para o queixo. — Ora sua... — começou ele pulando em pé. Mas a moça, rindo divertida, já corria pátio afora. — Vá para o inferno, criatura! — esbravejou ele ao voltar a se sentar e vendo que havia derrubado o vinho no chão. — Por Deus, eu deveria ir buscá-la e a fazer pagar por isso. — Por isso o quê, senhor? Por deixá-lo saber que não apreciava sua insinuação? Urien virou-se para o velho, cujo corpo balançava com o riso silencioso. — Não se sinta perdido, senhor. Apenas acaba de encontrar uma parceira à altura do jogo — disse o velho.
  4. 4. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ — Sobre o que está falando? — resmungou Urien. — Essa é a nossa Janeth. Ela não tolera impertinências. — É parenta sua? A indagação provocou novo acesso de riso no velho, que levou alguns segundos para conseguir responder. — Pelas chagas de Cristo, não! Nem de longe! Ela é de lá — disse ao apontar para o castelo. Urien sentiu uma ponta de inveja. Imaginava as vantagens e o prazer de ser o senhor de um castelo como aquele. E de tal moça! — Janeth não tolera bobagens vindas de homens — acrescentou o velho. Urien não acreditou muito. Poderia a moça recusar as atenções até de um lorde? A não ser que este fosse casado com uma mulher ciumenta e capaz de lhe atormentar a vida, caso o apanhasse divertindo-se com uma criada. Ou talvez, o marido da moça fosse um sujeito grandalhão e valente que fizesse um homem pensar duas vezes antes de irritá-lo. O velho enxugou as lágrimas provocadas pelo riso e prosseguiu: — Mas Janeth é uma boa moça. Todos na vila têm essa opinião. Qualquer pessoa em dificuldade pode contar com ela. Janeth sempre se mostra disposta a ajudar e nunca dá a impressão de estar prestando um serviço. — O marido deve ficar meio abandonado. — Ela não é casada. — O que há de errado com ela? — Nada. Como eu disse, é uma boa moça, mas quer escolher o marido. A nossa Janeth é muito exigente. — Tem muitos pretendentes? — Alguns, mas a maioria não lhe chega aos pés e ela os põe a correr bem depressa. Sua língua é muito mordaz e, se resolver, ela pode esfolar um homem vivo apenas com palavras. — Ou cegá-lo com mel? — ironizou Urien. Não sabia por que permitia a tagarelice do fulano, pois não estava interessado nos pormenores da vida local. Era um guerreiro à procura de trabalho ali. — Ah, eu não ficaria muito bravo com isso, senhor. Se o desagrado de Janeth fosse muito forte, ela teria lhe atirado uma pedra e não um favo de mel — afirmou o velho com um sorriso. !Janeth atravessou depressa o pátio externo do castelo. Caso se atrasasse, lady Gervais ficaria brava. Fora à vila visitar Meara cujo marido morrera poucos meses atrás. Depois do encontro com o estranho arrogante e rude, havia lamentado ter ido àquela hora. Ao lembrar-se da expressão dele e do mel escorrendo-lhe pela face, sentiu vontade de rir alto. Mas tinha de admitir, o rosto do fulano era bem atraente. Alcançou o portal para o imenso pátio interno e, meio hesitante, percorreu o olhar por ele. Felizmente, havia apenas uns poucos soldados espalhados à volta, além dos que mantinham guarda nas ameias. Não desejava um encontro com o persistente e desconcertante sir Tallentine. Com ar apreensivo, cruzou o espaço aberto e entrou pela porta do vestíbulo. — Ah, Janeth! Ao ouvir a voz nasal de sir Tallentine, Janeth abafou uma praga. Virou-se e o viu encostado à parede do corredor para a cozinha. Ele endireitou-se e veio a seu encontro. Como sempre, vestia-se como se fosse para uma ocasião muito especial. A túnica era de brocado, com acabamento dourado, a camisa de linho branco finíssimo e as botas de couro reluzente. Janeth re-lanceou o olhar pelo rosto dele, tão macio e liso como os calçados. Os olhos, entretanto, não tinham suavidade alguma e a lembravam dos de uma doninha: pequenos e sempre dardejando à volta à procura de uma presa. Ela os considerava um indicador mais preciso da personalidade de Tallentine do que sua atitude lânguida e falar delicado. — Foi ao mercado? — indagou ele. — Sim. — A caminhada a deixou corada e mais bonita ainda. — Se me der licença, milorde, Lady Gervais está a minha espera. — Pois não. Depressa, Janeth dirigiu-se à escada para o segundo andar. Dessa vez, Tallentine tinha falado pouco. Não lhe entendia o interesse insistente, pois não o encorajava e seu dote era pequeno o suficiente para ele a deixar em paz. A bem da verdade, ela nascera nobre, mas o pai não passava de um conde insignificante e sem dinheiro. A mãe morrera quando ainda era pequena e o pai tinha entregado sua criação a lorde Gervais. Depois, a esquecera. Nunca a tinha visitado, enviado-lhe presentes ou mandado saber se estava bem. Por seu lado, Janeth mal se lembrava dele e, quando recebera a notícia de sua morte, não tinha sentido grande tristeza. Para ela, lorde e lady Gervais eram seus pais. Acatava-lhes as opiniões e tentava agradá-los. Em retribuição ao carinho recebido, começara a executar, ainda criança, qualquer tarefa possível no castelo. Alguns anos atrás, lady Eleanor tinha morrido e Janeth sofrerá como se houvesse sido sua própria mãe. Sabia que muitas pessoas da vila esperavam que lorde Gervais se casasse com ela quando ficasse um pouco mais velha. Todavia, o relacionamento entre ambos, de parentesco chegado, os levava a considerar tal união absurda. No ano anterior, ao voltar de uma visita a um amigo distante, lorde Gervais mostrara-se entusiasmado sobre uma mulher a quem tinha conhecido. Janeth havia ficado contente, pois embora o pai adotivo tivesse amado lady Eleanor, precisava se casar outra vez. Ele merecia ter filhos, a quem seria um pai excelente. E assim, ele havia se casado e trazido a nova esposa para casa.
  5. 5. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ Desde o primeiro dia de Adela no castelo, Janeth percebera que sua vida não seria mais a mesma. Quando havia homens presentes, lady Gervais era afável e delicada. A sós com Janeth, ou as criadas, mostrava-se rude e exigente. Mas se mantinha o marido feliz e ele não desconfiasse de sua verdadeira natureza, o melhor seria mantê-lo na ignorância, pensava Janeth cujo amor pelo pai adotivo era grande. Ela parou diante de uma porta e bateu de leve. — Entre — ordenou lady Gervais. Após atendê-la, Janeth mal pôde disfarçar uma expressão de aborrecimento. O maior e mais ricamente decorado quarto do castelo estava em absoluta desordem. Armários e arcas tinham sido remexidos e roupas espalhavam-se pelo aposento inteiro. Sentada diante do espelho, lady Gervais escovava os lindíssimos cabelos loiros. — Ah, é você? Não consegui achar a cinta roxa com presilhas douradas — reclamou. — Eu a guardei no lado direito desta arca — disse Janeth disfarçando a impaciência. Quando lady Gervais procurava algo, deixava o quarto como se um vendaval houvesse passado por ele. Levantou a tampa da arca e achou logo a peça desejada. — Olhei aí mas não vi — disse Adela continuando a escovar os cabelos. — Por onde você andou desta vez? — Fui ver Meara — respondeu Janeth ao começar a apanhar as roupas e dobrá-las. — Quem? — A viúva do estalajadeiro. Ele morreu logo depois do Natal. — Sei. — Eu queria saber se Meara não precisava de alguma coisa. — Por causa disso me deixou aqui esperando? Agora, mal tem tempo de me pentear para o jantar. — Sinto muito, milady. — Não quero que se atrase outra vez. Caso isso aconteça, terei de falar com lorde Gervais. Largue essas roupas e venha me pentear. Ao pegar a escova, Janeth teve de reprimir a vontade de dar uma pancada na cabeça de Adela. Na verdade, não se atrevia nem a mostrar expressão de desagrado. Sabia muito bem que seu destino estava não só nas mãos de lorde Gervais como também nas de Adela. Esta desejava vê-la pelas costas, casada com qualquer um que a quisesse. Janeth não podia conceber a idéia de ir embora de Bridgeford Wells e não apenas por causa do pai adotivo. Também tinha grande afeto pelos habitantes da vila, por quem era tratada com toda a consideração. Ali era o seu lugar e não queria deixá-lo, nem mesmo se conhecesse um homem que a tentasse a fazê-lo. Mas até agora, nenhum lhe despertara o interesse. Alguns a tinham admirado com a atenção semelhante à dedicada a um cavalo na feira e outros, a exemplo de Tallentine, com mais sutileza. Havia ainda os atrevidos como aquele no pátio da estalagem. Pelo menos, ele tinha sido honesto sobre o que queria. Sem dúvida, sir Tallentine desejava fazer a mesma proposta indecorosa, mas disfarçava com palavreado florido e elogios obscuros. Lorde Gervais estava sempre procurando bons soldados e, com certeza, se interessaria pelo estranho. O homem tinha ombros largos e musculosos, sinal de anos de treinamento com a lança e a clava; os braços fortes deviam manejar a espada com destreza e as perna longas agüentariam horas a fio apoiadas nos estribos de uma sela. Até as feições bonitas tinham um ar predatório. Ela devia se considerar feliz com o fato de o estranho não a ter seguido. Ele poderia havê-la apanhado com as mãos enormes... — O que há com você hoje? — demandou Adela. — Desculpe, milady — murmurou Janeth, sobressaltada terminando de pentear os caracóis loiros de lady Gervais. !Na manhã seguinte, Urien não encontrou dificuldade alguma em entrar no castelo Gervais. Sensato, não trazia a espada ou outra arma óbvia. Todavia, os guardas, na sombra do arco da grande entrada, mostravam mais interesse em observar as mulheres do que inimigos em potencial. Urien não ficou muito bem impressionado. Ao se aproximar do portão interno, ouviu o estalar de armas e vozes. Sabia tratar-se de um combate fictício. Passou sob a grade levadiça e entrou num pátio imenso. Vários rapazes, com o peito nu, exercitavam-se com espadas de madeira. Sem dúvida, eram filhos de nobres enviados ao castelo a fim de aprender as artes marciais. Urien os observou por alguns minutos. Como todos os homens empenhados numa luta falsa, os movimentos vagarosos dos jovens chegavam a ser desleixados, embora as espadas de madeira fossem mais leves do que as de metal. Na opinião de Urien, seria muito mais proveitoso o manuseio de armas verdadeiras. Os rapazes precisavam sentir o peso da espada e seu efeito nos movimentos. Não eram escudeiros e sim, soldados que, um dia, poderiam se encontrar num campo de batalha. Lá, a espada não seria de madeira e um pequeno erro de cálculo poderia ser fatal. Numa outra parte do pátio, homens montados atacavam uma quintana com lanças. O boneco, de tamanho real, virava-se na mesa rotativa todas as vezes que uma lança o atingia num pequeno escudo. Na outra mão, ele tinha uma clava que também girava. A quintana era um aparelho útil para ensinar os rapazes a reagir depressa, mas não possuía a esperteza de um oponente humano. Depois de algum tempo, era até possível prever seus movimentos. Na direção oposta, Urien viu um grupo de arqueiros atirando em alvos de palha. Apesar da distância, podia perceber que os arcos estavam velhos e tinham perdido a flexibilidade. Se havia aprendido algo sobre luta com os malditos galeses era o valor de bons arcos e arqueiros melhores. Seria aconselhável lorde Gervais providenciar armas novas. No centro de toda essa atividade, encontrava-se um homem montado num belo cavalo branco. Não devia ter mais de vinte anos e exibia roupas extremamente ricas e limpas. Apenas a túnica, calculou Urien, deveria ter custado o equivalente a três
  6. 6. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ meses de seus ganhos num ano lucrativo. De vez em quando, o homem gritava um comentário para um dos rapazes, mas o resto do tempo, mantinha-se impassível e com ar de superioridade. Urien sorriu, desdenhoso. Não nutria respeito por homens que se negavam a se sujar e rolar na lama a fim de melhor exercitar aqueles que, um dia, poderiam defender suas terras e vidas. Nesse momento, a porta de entrada do castelo abriu-se e um homem, mais velho e forte, saiu. Urien surpreendeu-se. Anos atrás, tinha tomado parte num torneio. Os oponentes haviam sido liderados por esse homem que, agora, atravessava o pátio com passos firmes. Através de luta honesta e firme, eles tinham ganhado. Só agora percebia por que o nome "Gervais" lhe soara familiar. Um lorde como esse merecia-lhe o respeito. As atividades no pátio cessaram imediatamente. O idiota no cavalo branco desmontou e aproximou-se de lorde Gervais. Conversaram por alguns instantes em voz baixa. O rapaz bonitinho sacudiu a cabeça várias vezes e acabou espalmando as mãos no ar, num gesto de desânimo. Urien percorreu o olhar pelo pátio. Os rapazes observavam os dois nobres num misto de desconfiança e preocupação. Não os culpava, pois ele também não gostaria de estar sob o comando daquele incompetente. Respirou fundo, deixou a sombra do portal e cruzou o pátio em direção aos dois homens. Já estava bem perto quando lorde Gervais parou de falar com o outro e o encarou. — Eu o conheço de algum lugar — declarou. — Foi há alguns anos, no torneio de lorde Marchebank. — Quem é você? — indagou o rapaz elegante. — Como tem a impertinência de nos interromper? Urien não desviou o olhar de lorde Gervais e prosseguiu: — Eu também me lembro de conhecê-lo. — Por que veio até aqui? — perguntou Gervais começando a sorrir. — Ouvi dizer que está contratando soldados. — Milorde — corrigiu o rapaz. — Ele ainda não é meu senhor — respondeu Urien em tom frio. — Está querendo que eu o contrate? — lorde Gervais quis saber. — Certo. A menos que seja para ficar sob o comando deste homem — estipulou Urien. — Ora, seu canalha! Como se atreve... — Tallentine acaba de me dizer ser impossível ensinar qualquer coisa a meus soldados, pois são todos uns incapazes. Você conseguiria ensiná-los a lutar? — perguntou lorde Gervais. Devagar, Urien observou os rapazes espalhados pelo pátio. Variavam de estatura, sendo óbvio que alguns tinham vida fácil e farta, enquanto outros vinham de lares humildes. Porém já tinha visto o suficiente do portão. — Posso, sim. — Ótimo. Está contratado. — Mas meu senhor, não conhece este homem! — protestou Tallentine — O que sei a respeito dele é suficiente. — O senhor o colocaria acima de mim?! — Não, Tallentine. Você não é mais o instrutor de meus soldados. — O quê? — demandou o rapaz em voz estridente. — Milorde — corrigiu Urien, mas Tallentine o ignorou. — O senhor o conheceu tempos atrás. Talvez já não seja tão capaz. — Devemos verificar? — sugeriu Gervais. — Bem... — Como queira, Tallentine. Você vai enfrentá-lo. Se ele vencer, eu o contratarei e você poderá voltar para a sua propriedade. — Mas meu senhor! — Agora, Tallentine. Embora não sorrisse, Urien sentia-se satisfeito. Sem hesitar, despiu a túnica e a entregou a um rapaz magricela que se aproximara, prestativo. Logo em seguida, este lhe providenciou uma espada larga, que ele avaliou o peso e passou de uma das mão para a outra. Gostou da arma. — Bem, meu senhor, na verdade não precisamos... O protesto de Tallentine esmoreceu. Lorde Gervais não estava prestando atenção. Ele percebeu que teria de lutar, ou ficaria desmoralizado. Começou a se livrar da túnica de brocado e olhou à volta. Ninguém se ofereceu para pegá-la e ele teve de chamar um dos rapazes para fazê-lo. Encabeçados por Gervais, todos formaram um círculo ao redor dos dois contendedores. Urien resolveu terminar a luta depressa. Foi muito simples. Dois golpes na espada do idiota, um tombo na lama e a sua arma na garganta do homem. Gervais aproximou-se. — Pronto, Tallentine. Ele é um excelente lutador. — Cuja lealdade só vai para quem o pagar bem — resmungou Tallentine, mas Urien prensou um pouco mais a ponta da espada no pescoço alvo. — Nesse caso, devo lhe pagar bem. Vamos... — Fitzroy. Urien Fitzroy. — Vamos, Fitzroy. Acertaremos seu pagamento enquanto tomamos um copo de vinho. Você fez por merecer isso também.
  7. 7. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ O rapaz magricela devolveu a túnica de Urien e apanhou a espada. Teve de segurá-la com as duas mãos, dando a impressão de que tropeçaria com seu peso. Isso não aconteceu. Urien o fitou e viu um brilho de determinação em seus olhos cinzentos. Ficou impressionado. Vestiu a túnica depressa e acompanhou lorde Gervais ao interior do castelo. Tallentine continuava caído nas pedras enlameadas do pátio. Olhou para os rapazes que começavam a se afastar e gritou: — Vagabundos! Alguém não vai me ajudar a levantar? Ninguém o atendeu. !!CAPÍTULO II !Janeth relanceou o olhar pelo salão enquanto todos aguardavam a entrada de lorde e lady Gervais para o almoço. O aposento estava quase repleto, pois o anfitrião era um nobre respeitado e conhecido. Cavaleiros, que lhe deviam favores ou ansiavam por colocar os filhos sob sua vigilância a fim de serem treinados como soldados, vinham visitá-lo em qualquer época do ano. Cachorros vagavam sob as mesas à espera de guloseimas que lhes seriam atiradas. Os pajens, prontos para servir a refeição, conversavam e riam provocando olhares de superioridade nos soldados que se esqueciam de ter executado tal serviço pouco tempo atrás. A diferença de idade entre os dois grupos era, de um modo geral, pequena. Tudo parecia habitual até Janeth descobrir o estranho em quem havia atirado o favo de mel. O rosto ainda tinha uma ligeira marca e ela foi tomada por uma onda de constrangimento, que tentou dominar, quando seus olhos encontraram os escuros com expressão zombeteira. Janeth desviou os seus imediatamente. Todos no castelo tinham ouvido falar no homem que vencera Tailentine. Era o novo encarregado dos soldados e chamava-se Urien Fitzroy. Além do fato de ele haver dominado Tailentine com a maior facilidade, ninguém sabia mais nada a seu respeito. A julgar pelas linhas inflexíveis da boca e pelo olhar de precaução, Janeth achava pouco provável que alguém lhe arrancasse outras informações a seu respeito. Só mesmo se ele as quisesse dar. Talvez não devesse ter lhe atirado o favo no rosto. Pelo menos, não teria desperdiçado mel muito bom. Lorde e lady Gervais, ele régio e poderoso, ela graciosa e linda, entraram no salão e tomaram seus lugares à mesa sobre a plataforma. Como sempre, Janeth acomodou-se em outra destinada aos criados. Muitas vezes, o pai adotivo tinha protestado contra sua escolha de lugar, ela porém insistira em mantê-lo. Ali, poderia discutir e resolver muitos problemas domésticos, tinha argumentado com sinceridade. Além do mais, preferia se sentar longe de Adela, mas isso não mencionara. Com todos em pé, o padre rendeu graças e impetrou a bênção sobre a refeição. Em seguida, voltaram a se sentar. Janeth relanceou o olhar por Urien e viu que ele admirava Adela como se nunca houvesse visto uma mulher antes. Sem perceber, ela esmigalhou uma fatia de pão. Censurou-se. Não deveria estranhar a maneira de Urien olhar para Adela. Todos os homens ficavam embasbacados diante de sua beleza. Por que ele deveria ser diferente? Pôs um pedaço de pão na boca e, depois, almoçou depressa. Podia se lembrar de várias coisas para fazer em outros lugares do castelo. Levantou-se e deixou o salão tão logo foi possível fazê-lo sem chamar atenção. Ao chegar ao pátio, Janeth recriminou-se por reagir com tanta infantilidade. Afinal, Adela era uma flor lindíssima, perto de quem a maioria das mulheres adquiria semelhança a um matinho qualquer. Resolveu ir ao estábulo onde poderia ficar sozinha. Excetuando os guardas, todos ainda estavam no salão. Já bem perto, Janeth ouviu um relinchar estranho. Entrou no estábulo e, apesar da penumbra, viu logo um cavalo grande, encilhado e preso a um poste. Devagar e enquanto dizia palavras carinhosas, ela foi se aproximando. Estendeu a mão e acariciou-o no pescoço musculoso. Tratava-se de um animal possante e só um homem forte e ágil para controlá-lo. — Você é uma beleza! Gostaria de cavalgá-lo algum dia. Você deixaria? — murmurou ela. — Quem poderia resistir à sugestão tão atraente? Sobressaltada, Janeth virou-se para trás. Com os braços cruzados sobre o peito, Urien Fitzroy encostava-se na porta do estábulo. Os olhos escuros a fitavam com interesse e ela sentiu o coração disparar. Mas não era de medo, pois poderia gritar por socorro e ser atendida logo, caso houvesse necessidade. — Eu estava falando com seu cavalo — explicou com frieza. — Uma pena — comentou Urien desencostando-se da porta. Essa moça não chegava aos pés da adorável lady Gervais, mas sem dúvida, tinha um corpo lindo. Janeth passou para o outro lado do cavalo e demandou: — O que está fazendo aqui? — Vim buscar minha montaria. Devo reconhecer que essa é uma maneira muito gentil de tratar o homem a quem lorde Gervais acaba de contratar para treinar seus soldados — ironizou Urien. Com naturalidade, ele rodeou o cavalo e ficou a seu lado bloqueando-lhe a passagem. Estranhava que a criada não se impressionasse com as últimas palavras dele. Janeth adivinhou-lhe a intenção e atreveu-se a passar entre a parede e o cavalo. Sorrindo, Urien tornou a postar-se a sua frente. — Está com pressa de ir embora, Janeth? — Como sabe meu nome? — O velho no pátio da estalagem me contou. — Ah, foi ele? — comentou Janeth começando a voltar para o outro lado sem, contudo, deixar de fitá-lo. — Isso mesmo — confirmou Urien rodeando o cavalo mais uma vez a fim de confrontá-la.
  8. 8. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ Janeth perdeu a paciência. Pôs as mãos nos quadris e demandou: — Você não está um tanto velho para esse tipo de brincadeira? — E você, não? — Sem dúvida! Com essas palavras, Janeth deu uns passos à frente como se pudesse forçá-lo a lhe dar passagem. Urien, entretanto, não tinha o hábito de sair do caminho de ninguém, ainda mais de uma criada de corpo lindíssimo e cujos lábios mereciam ser beijados com freqüência por alguém que soubesse fazê-lo com competência. Rodeou-lhe a cintura e a puxou de encontro a si. — Só um beijinho e eu a deixarei ir embora. Ela ergueu o rosto e o fitou. Urien viu-lhe os dentes alvos, os lábios vermelhos e a pele alva e acetinada. A expressão dos olhos castanho-claros parecia de interesse e o sangue de Urien agitou-se latejante de desejo. Há dias não tinha uma mulher e esta criada atraente, com toda a certeza... Então, ele sentiu uma dor atroz quando seus pés pisaram os dele com força e seu joelho o atingiu entre as virilhas numa pontaria perfeita. Praguejando, Urien a soltou e ela correu para a porta. Inesperadamente, Janeth parou antes de sair e virou-se fitando-o com olhos chamejantes. — Com toda a certeza, você está acostumado a mulheres que consideram sua insolência irresistível. Eu sou diferente. Num gesto indignado, Janeth jogou para trás os cabelos castanhos e foi embora.. — Por todos os santos, você é diferente. É uma bruxa — queixou-se Urien, ainda dominado pela dor. Depois de alguns minutos, quando o latejar já tinha diminuído bem, Urien montou o cavalo e rumou para a estalagem. Deixou o animal sob os cuidados de Tom e foi andar pela vila. Sem dúvida, devia existir um prostíbulo no lugarejo, calculou. Pouco depois, avistou um estabelecimento que, pelo aspecto, só podia ser uma cervejaria. Ao chegar mais perto, ouviu o vozerio e as risadas que extravasavam para a rua pela porta aberta. A cervejaria ficava na rua principal, que atravessava a vila, e onde esta fazia uma curva para acompanhar o curso do rio. Muita gente passava por ela, rumo ao mercado do lado de fora das muralhas do castelo. O lugar tinha um aspecto melhor do que a outra parte da localidade. Seria difícil algum malandro assaltá-lo ali, mesmo assim, Urien enfiou a bolsa bem para dentro da túnica. O fogo crepitava numa enorme lareira no centro do aposento. Mesas e bancos, de madeira escura como as vigas do teto, ficavam à volta dela. — Pelo poder de Zeus! Não acredito! Arregalando os olhos de surpresa, Urien virou-se em direção à voz retumbante. — Pela fertilidade de Zeus! Num piscar de olhos, viu-se agarrado por um homem enorme e musculoso. O impacto fez ambos sair porta afora. Rolaram pelo chão, trocando murros carinhosos até sentarem-se com a respiração ofegante. Urien foi o primeiro a falar. — Bern! Em nome de Zeus, o que está fazendo aqui! Bern sorriu e passou a mão pela orelha deformada, resultado de muitos golpes em lutas numerosas. — Eles têm a melhor cerveja da cidadezinha e eu já estava ficando com as juntas meio enferrujadas. Então, resolvi ficar por aqui. E você? Durante esse tempo todo lutou com os galeses ferozes? — Não, apenas por um ano — respondeu Urien ao levantar-se e puxar o outro pela mão. — Eu gostaria de experimentar a tal cerveja. E algumas das mulheres. A expressão disfarçada de Bern surpreendeu Urien quase tanto quanto o fato inesperado de encontrar o antigo companheiro de armas. Embora o nariz de Bern houvesse sido quebrado algumas vezes, ele ainda era bem atraente. Fora famoso não só pela destreza e competência de guerreiro como também pelo número de mulheres conquistadas. De repente, uma voz feminina, mas enérgica, cortou o ar. — Bern! O que imagina estar fazendo? Urien virou-se e viu uma mulher baixa, meio gorducha, postada ao lado da cervejaria. Atrás dela, estava um bando de crianças, a mais velha não devendo passar dos cinco anos. — A esposa — murmurou Bern retorcendo a túnica num gesto de timidez infantil. Perplexo, Urien franziu a testa com expressão interrogadora, mas o amigo tinha a atenção voltada para a mulher em cuja direção deu uns passos. — Lurilla, minha querida, venha conhecer um velho amigo meu. Ela não escondeu o ceticismo e as crianças, curiosas atreveram-se a olhar por detrás da saia volumosa da mãe. — Outro velho amigo?! — Este é Urien Fitzroy. O rosto de Lurilla iluminou-se com um sorriso alegre. — Ora, ora, então é ele? Neste caso, vá tomar uma cerveja em sua companhia. Mas não beba muito, pois o jantar está quase pronto. — Fez uma curvatura. — Prazer em conhecê-lo, Urien Fitzroy. Em seguida, ela foi embora apressando as crianças que mantinham a cabeça virada para trás afim de olhar para o recém- chegado. Urien voltou a fitar Bern com olhar interrogativo. — Contei a Lurilla como você salvou minha vida. — Com todos os detalhes?! — Naturalmente não mencionei o fato de nós dois estarmos num prostíbulo na ocasião. Urien riu divertido e deu um tapa no ombro do amigo. — Claro! Deixe eu lhe pagar uma bebida. Preciso ouvir a história de como você se deixou apanhar pelo casamento. Todos
  9. 9. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ nós tínhamos certeza de que você acabaria morrendo numa cama. Com uma prostituta, sem dúvida! — Ah, esses tempos terminaram, meu amigo — suspirou Bern ao levá-lo de volta ao interior da cervejaria. — Mas eu não lamento e nem sinto muita falta deles. A minha Lurilla é uma mulher excelente. É uma grande coisa ser recebido numa casa aquecida, com uma refeição quente e uma mulher ardente e de ótima disposição — concluiu piscando um dos olhos. A moça que servia a mesa trouxe-lhes dois canecões de cerveja. Tinha um corpo bem-feito, porém ao sorrir, mostrava os dentes estragados e já não era muito jovem. — Ela não serve para isso, Urien — advertiu Bern com um sorriso conhecedor. — Conhece outra que sirva? — indagou Urien. Bern riu divertido. — Já lá se foi o tempo em que eu sabia dessas coisas. Mas conte, Fitzroy, como veio parar por aqui? Estou curioso. — Fui para Gales, porém o homem que me contratou era mais esperto do que uma serpente. Por isso, vim embora. — E desde então? — Andei por esse mundo de Deus. Voltei a Londres, mas você não estava mais lá. — Pois é, quando minha perna ficou boa eu já não agüentava mais aquela cidade. Parti em busca de trabalho e acabei encontrando Lurilla. — Fico muito contente por sua vida estar correndo bem. — Mas afinal, você ainda não me contou o que veio fazer aqui. — Ouvi dizer que lorde Gervais estava contratando soldados e resolvi tentar a sorte. — E daí, encontrou-se com o homem? — Sim. Imagine que ele se lembrou de mim lá do torneio de lorde Marchebank. — Não diga! — Incrível, não acha? Como derrotei aquele idiota almofadinha, que tinha a pretensão de saber treinar soldados, fui encarregado de substituí-lo. Segundo me informaram, vai haver um torneio dentro de um mês. Os soldados terão uma prévia, por conta própria, no primeiro dia. Bern fez um gesto afirmativo com a cabeça e Urien prosseguiu: — Devo exercitar os soldados e, se lorde Gervais ficar satisfeito com os resultados, permanecerei aqui pelo tempo que desejar. Bern soltou um assobio baixo e longo. — Pela potência de Zeus! O homem deve ter ficado muito bem impressionado com você! E quanto a Tallentine? — O sujeito a quem venci? Vai ter de voltar para a propriedade dele, conforme entendi. — Ótima notícia. Ele é o tipo de homem que considera a aparência a coisa mais importante. Um perfeito idiota. As moças da vila vão ficar satisfeitas ao saber que ele não vai mais andar por aí. — Ele é dado a isso também? Bern deu de ombros. — Não ainda — respondeu com expressão significativa. Urien conjeturou se a criada do castelo havia despertado a atenção de Tallentine. Em caso afirmativo, teria ela refutado as investidas do nobre com a mesma rapidez e eficiência com que se livrara das suas? Mas de quem a moça chamava a atenção não tinha importância agora. — E quanto a lorde Gervais? Não o encontrei mais durante anos, mas gostei do que vi no torneio de Marchebank. — Ele é um homem bom, justo e goza do apreço de todos. Você viu a mulher dele? — Bern quis saber. Devagar, Urien sacudiu a cabeça num gesto afirmativo. Sim, ele a tinha visto e admirado. Sua beleza sem par, a graça espontânea, os adoráveis olhos verdes. Apenas uma vez antes, tinha visto outra mulher de beleza semelhante. — Os habitantes da vila não conseguem formar opinião a seu respeito. Dizem que ela se parece com um anjo. — É lindíssima — afirmou Urien. Por alguma razão desconhecida, foi a imagem da tempestuosa bruxa Janeth que lhe veio à mente. Como não quisesse revelar mais do que um interesse casual sobre a lady de seu novo senhor, ou sobre qualquer outra mulher do castelo, mudou de assunto. —Muito bem, e você? Imagino que seja um dos melhores lutadores de lorde Gervais. — Não, eu não, meu velho. Passei a me dedicar a outro meio de vida. — O quê? —Cervejeiro. O que acha de minha cerveja? Boa, não é? — Riu ao ver o ar de aprovação de Urien. — Na verdade, o negócio pertencia ao pai de Lurilla. Depois que me casei, aprendi bastante com o sogro e, quando ele morreu, assumi o trabalho todo. — Aquelas crianças todas são seus filhos? — São, sim. A mais velha chama-se Adelissa, depois vêm os gêmeos, Hale e Lud, Hildegard em seguida e, finalmente, Eldrida, o bebezinho. — Por Zeus, você tem se mantido bem ativo! Bern não escondeu a expressão de orgulho. — É verdade. — Os nomes das meninas são pouco comuns. Bern debruçou-se sobre a mesa e explicou em voz baixa: — Lurilla não queria nomes de mulheres que eu... Ah, você sabe. Isso limitou muito a escolha. Urien sorriu. Estava se distraindo e isso era uma experiência rara em seu tipo de vida. — Bem, está na hora do jantar e você é nosso convidado. Lurilla vai ficar muito satisfeita. — Não creio que deva aceitar. Vou dar mais trabalho para sua mulher.
  10. 10. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ — Por que você acha que ela mencionou a refeição? Foi seu jeito de convidá-lo. Vamos lá, Fitzroy, faça um favor a um velho amigo. Se não me atender, vai ser um inferno. — Talvez seja melhor eu aceitar. Quem sabe, então, eu consiga acreditar que você assentou na vida e virou cervejeiro. Urien seguiu o amigo até a cozinha na parte de trás da cervejaria. Enquanto saboreavam o ensopado e o pão servidos por Lurilla, os dois puseram-se a trocar reminiscências. Haviam se conhecido muito tempo atrás, ambos contratados como soldados pelo mesmo senhor abastado. Uma forte amizade os uniu desde o início, pois reconheciam, em cada um, o homem de confiança para lhes guardar as costas. Ao partir para o norte de Gales, Urien se entristecera por deixar Bern em Londres. Mas o amigo havia quebrado a perna quando pulara de uma janela alta, durante a fuga de um marido furioso. Também o pagamento oferecido por Cynric DeLanyea constituía uma tentação grande demais para ser desprezado, mesmo por dedicação a Bern. Infelizmente, DeLanyea logo tinha mostrado que dinheiro algum valia o sacrifício de ser seu empregado. Por isso, Urien havia partido novamente em busca de um lorde que precisasse de um bom lutador. — Lurilla! — chamou uma voz feminina. — Você pode me dar um pouco de cerveja para levar... Ao ver o visitante na cozinha de Lurilla, a pessoa interrompeu as palavras e parou no limiar da porta. — Para o velho Peter? Claro, Janeth. Entre e espere enquanto vou buscar. Embora não soubesse por que, Urien teve vontade de se esconder embaixo da mesa. — Não, obrigada. Prefiro ficar aqui fora aproveitando o restinho de sol. — Como queira. Sente-se num banco aí, então. — Boa idéia. Quando voltar, não vá pensar que caí no sono. Vou estar apenas descansando os olhos — avisou Janeth. Urien corou até a raiz dos cabelos. Ridículo o fato de Janeth constrangê-lo ao lembrar-lhe o sono fingido no pátio da estalagem. Sentiu-se aliviado quando Bern começou a narrar uma história ocorrida após a temporada em Londres e, mais ainda, ao ver Lurilla entregar a cerveja e despedir-se da amiga. Bern, apesar de um tanto vagaroso, não era ingênuo e percebeu logo como Urien fora afetado pela aparência de Janeth. — Cuidado, não cometa enganos, Fitzroy. Ela não é o que você está pensando. — Janeth já deixou isso bem claro. — Por Zeus! Você tentou... — Não exatamente. — Graças a Deus! Lorde Gervais, no mínimo, o expulsaria da região. — Por quê? Ele a quer para si mesmo? Bern não disfarçou a expressão de choque. — Janeth é como se fosse filha dele. Além de ser uma lady. Urien manteve a voz em tom calmo como se não houvesse tentado seduzir a moça. — Mas não se veste como se fosse uma. Dessa forma, é muito fácil um homem confundi-la. Ela é saxônia? —É sim. Veio morar no castelo quando ainda era pequenininha. Lorde Gervais a trata como se fosse do próprio sangue e, em retribuição, Janeth faz mais do que muitas filhas por aí. Ela supervisiona toda atividade doméstica do castelo e também a vila, de certa forma. — Aposto como o meirinho deve ficar satisfeito por contar com a interferência de uma mulher do castelo. — Bridgeford Wells não tem um desses malditos — informou Bern rindo. — Não tem meirinho?! — Urien perguntou, surpreso. — Não. Contando com o administrador e Janeth, lorde Gervais não precisa de uma despesa extra, embora jamais se refira a ela como meirinha. — Não é à toa que continue solteira. — Já surgiram alguns pretendentes, como sir Tallentine. Trata-se de um sujeito de boa aparência, mas Janeth não demonstrou o mínimo interesse. Lorde Gervais jamais conseguiria forçá-la a se casar com alguém de seu desagrado. Ela lutaria com o empenho dos melhores cavaleiros. — Não duvido nem um pouco. Bern fitou-o com olhar perserutador. — Você disse algo a Janeth, não é verdade? O que ela fez? — Primeiro, quase me cegou com um favo de mel e, depois, tentou me castrar. Pelo menos, foi o que pensei ao ser tomado pela dor. — Antes ou depois de você ter conversado com lorde Gervais? — O mel, antes. O resto, depois. — Por Deus! Espero que Janeth não tenha contado nada a lorde fervais, pois caso contrário, não haverá trabalho para você aqui, ou nas redondezas. Isso se ele não o encarcerar na torre para lhe ensinar boas maneiras. Urien não disse nada, apenas franziu a testa. — Mas acredito que você já teria sido expulso daqui se Janeth houvesse se queixado. — Obrigado pelas palavras de conforto. Com olhar pensativo, Bern passou a mão pelo queixo. — Eu não a consideraria o tipo de moça para despertar seu interesse. Você sempre gostou de mulheres serenas, sossegadas. Lurilla tossiu e sacudiu a colher de pau em direção às crianças que, fascinadas, prestavam atenção à conversa dos dois homens. Mais tarde à noite, bem alimentado e com a sede aplacada pela cerveja excelente, Urien rolava na enxerga da estalagem. A
  11. 11. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ lembrança de lady Gervais lhe tirava o sono. Com os cabelos dourados, a pele alva e acetinada, os lábios rubros e os luminosos olhos verdes, ela era, sem sombra de dúvida, a mulher mais linda que já vira. Chegava a ser mais adorável do que lady Roanna, a única outra mulher que lhe provocara admiração semelhante. Mas como esta, também era casada, embora ainda constituísse uma incógnita se lady Gervais era tão feliz no casamento quanto lady Roanna. E daí se fosse infeliz? Urien tornou a se virar. De nada adiantava alimentar tais pensamentos, pois eles só poderiam lhe causar problemas. Finalmente adormeceu. Porém quando sonhou, não foi com os cabelos dourados de lady Gervais e sim com os castanhos da moça temperamental cujos lábios tinham o sabor de mel. !Movendo-se devagar na cama, Adela afastou-se do marido. Os lábios contraídos revelavam aborrecimento. Como sempre a relação rápida e frenética terminara antes que ela sentisse prazer. Adela não detestava o marido, apenas o tolerava como uma necessidade. Uma mulher, embora da nobreza, não conseguia obter influência exceto através do marido. Casada com Levander Gervais, ela poderia acumular um poder imenso desde que o manipulasse com cuidado, sem deixá-lo perceber-lhe os planos. Não era uma tarefa arriscada. Os homens deixavam-se dominar facilmente por uma mulher bonita. Ela já contava com a lealdade de sir Tallentine. Bastara a leve insinuação de que o marido não lhe apreciava as qualidades tanto quanto ela. Sem dúvida, ele atenderia qualquer pedido seu. Infelizmente, sir Tallentine esperava contar com sua ajuda também. Nesse dia, a tinha procurado, choramingando como uma criança, para reclamar a demissão. Ela explicara não poder fazer muito a esse respeito. Por enquanto, entretanto. Na verdade, Adela ficara muito aborrecida com a partida iminente de Tallentine. O homem havia apenas começado a ser mais agressivo na conquista de Janeth, a insuportável. Desde sua chegada ao castelo, Janeth Kendrick se intrometia em tudo que ela fazia, sempre espionando e interferindo. Talvez houvesse errado naquele primeiro dia ao repreender Janeth por falar sem ser interrogada. Mas como poderia adivinhar que a moça, de roupas simples, não fosse uma das criadas? Naturalmente era muito conveniente contar com a moça para o trabalho enfadonho de administração doméstica. Mas havia tantos serviçais ali que não seria difícil selecionar um para substituí-la. Alguém que não questionasse as vontades e atitudes da senhora do castelo. Enquanto Janeth continuasse a gozar do afeto do marido, seria impossível livrar-se dela. Sir Tallentine representava a única esperança. Adela conjeturou como trazê-lo de volta. Sir Ollerund, o administrador, já estava um tanto velho e, como tal, poderia morrer a qualquer momento. Tallentine seria um substituto excelente para o cargo, pelo menos no que dizia respeito a ela. A idéia era boa e de execução não muito difícil. Como administrador do castelo, Tallentine teria tempo suficiente para livrá- la de Janeth. Com promessas vagas de gratidão, talvez ele até se deixasse convencer a engravidá-la, com ou sem sua cooperação. Isso obrigaria Gervais a mandar Janeth embora. Adela a imaginava num convento cheia de freiras adeptas da mortificação da carne. Pensando bem, talvez Tallentine não fosse a melhor escolha para seduzir Janeth. Até agora, com seus modos delicados, não tinha conseguido nada. Se tentasse usar de força, possivelmente essa moça fora do comum levaria vantagem. Adela lembrou-se do homem no salão, apontado por Gervais como o novo treinador dos soldados. Tratava-se de um lutador de olhar audacioso, rosto atraente e corpo musculoso. Como boa julgadora de homens, achava que ele dominaria Janeth com a mesma facilidade demonstrada para derrotar Tallentine. E, sem dúvida, o sujeito apreciaria ganhar um dinheiro extra da maneira mais agradável possível. A imagem dos braços e mãos fortes do recém-chegado provocou uma onda de calor no corpo insatisfeito de Adela. O desejo tomou forma acelerando-lhe a pulsação e ela afundou mais sob as cobertas. Adela não dependia de ninguém mais, nem mesmo para satisfazer as necessidades do corpo. !Da cozinha, Janeth olhou para o pátio interno. Sir Tallentine, montado no cavalo branco e rodeado por carroças com sua bagagem, estava de partida. Ela quase chegou a lamentar-lhe a falta de sorte. A história da derrota dele, acompanhada de olhares e risadas ca-çoístas, tinha corrido pela vila inteira. A humilhação fora grande, mas todos desejavam ter presenciado a cena cômica do tombo do nobre na lama. Decidida como agir, Janeth saiu para o pátio. Em consideração a lorde Gervais, ia se despedir de Tallentine. Ele a viu se aproximar e desmontou. — Vim lhe desejar boa viagem — disse Janeth em tom amável e sem revelar o alívio sentido. — Agradeço e faço votos pela sua felicidade — ele respondeu com expressão desanimada. — Com certeza, vamos vê-lo logo, durante o torneio, não é? — Claro, estarei aqui nessa época. E se lorde Gervais desejar meus serviços antes disso, será um prazer atendê-lo. Ela virou-se para ir embora, porém Tallentine a segurou pelo braço. — Janeth, vou ter saudades de você. — Bem, nós também vamos sentir falta sua aqui, sir Tallentine. Sem esperar, ele se curvou e a beijou nos lábios. Foi uma carícia inexpressiva e úmida como a lambida de uma das crias dos enormes cães de caça. Janeth teve de reprimir a vontade de limpar os lábios com as costas da mão. Com esforço, sorriu e disse: — Adeus, sir Tallentine. — Até o nosso reencontro — respondeu ele.
  12. 12. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ Grata, ela o viu montar novamente. Afastou-se e, só depois de alguns passos, percebeu que se dirigia ao estábulo e que Urien Fitz-roy, com expressão de curiosidade, a observava. !!CAPÍTULO III !Enquanto o olhar de Fitzroy mudava de curiosidade para zombaria, o constrangimento de Janeth transformava-se em indignação. Apressou o passo com a intenção de passar por ele como se tivesse algo importante para fazer. O plano não deu certo. — As cenas que a gente vê neste pátio — comentou Urien quando ela chegou a seu lado. Surpresa e brava por ele ter a audácia de comentar o fato, Janeth parou. Não competia a Fitzroy julgar seu comportamento. Com o olhar usado para repelir pretendentes indesejáveis, ela o observou bem devagar, das botas gastas ao rosto atraente. — Gosta do que vê? — perguntou ele, indiferente. — Não em especial. Janeth não mentia. O homem era muito irritante para seu gosto. E para aborrecimento maior, ele a observou da mesma maneira. Ela já havia suportado demais. Primeiro, o beijo de Tallentine e, agora, essa insolência. De cabeça erguida, entrou no estábulo. Só então, deu-se conta de não ter nada para fazer ali. Suas inúmeras tarefas a aguardavam em outras partes do castelo. Mas de forma alguma, podia voltar ao pátio, pois isso seria admitir o quanto a presença de Fitzroy a confundia. Ouviu um barulho na porta. Teria ele a seguido! Olhou à volta e não viu ninguém, nem um único cavalariço. Não se deixaria apanhar sozinha por ele novamente. Depois de prender a saia no cinto, Janeth subiu depressa ao jirau onde armazenavam o feno. Esperou por um tempo interminável, durante o qual ouviu a partida da comitiva de Tallentine, mas continuou escondida. Só quando teve certeza de que Fitzroy não estava mais pelas proximidades, desceu e saiu para o pátio. Como sempre, os soldados exercitavam-se ali. Mas hoje, formavam um círculo à volta de alguém e cada um empunhava uma espada de folha larga e pesada. Alguns cavaleiros visitantes também se interessavam pelo treinamento. Não levou um segundo para Janeth identificar a voz firme que gritava ordens no interior do círculo. Dirigiu-se depressa para a entrada do castelo, esperançosa de passar despercebida. Ao chegar perto, a pesada porta de madeira se abriu e lorde Gervais, acompanhado por sir Ollerund, saiu. — Janeth, minha querida, como se sente nesta manhã tão linda? — Muito bem, obrigada — respondeu ela com um sorriso. — Estou levando sir Ollerund para conhecer Urien Fitzroy. — Quem, milorde? — Janeth indagou fingindo ignorância. — O novo encarregado de meus soldados. Eu o vi, uma vez, num torneio e nunca o esqueci. Que luta! Que espadachim! Se você o visse empunhando uma lança também não o esqueceria. Sir Ollerund sorriu para Janeth. Ele era o amigo mais antigo e considerado de lorde Gervais e, tanto quanto ela, sabia que o senhor do castelo jamais esquecia uma boa luta, ou um lutador. De certa forma, Janeth sentia que não conseguiria mais esquecer Urien Fitzroy, e não seria por causa de sua destreza com as armas. — Venha conosco para conhecê-lo. Tenho esperança de que Fitzroy consiga preparar meus soldados a tempo para vencer a fanfarronice de Trevelyan. Estou cansado de ver os meus homens fugindo como coelhos assustados. Reprimindo sorrisos, Janeth e Ollerund entreolharam-se. A rivalidade entre Gervais e Trevelyan era famosa, mas ambos alimentavam uma grande amizade mútua. Sabiam poder contar um com o outro em caso de perigo. — Bem, eu preciso ir ver se lady Gervais precisa de algo. — Ela está bem. Ainda não se levantou. Vamos lá conhecer o sujeito. Que ombros! Janeth percebeu não ter alternativa a não ser atender lorde Gervais. — Sabe, minha querida, eu estava explicando a Ollerund as idéias de Fitzroy. Elas podem nos custar algumas moedas. — Entendo. A expressão do administrador revelava conformismo. Ele não ignorava ser impossível convencer o amigo a não gastar dinheiro com soldados. Entretanto, achava uma despesa útil e bem de acordo com as possibilidades financeiras de Gervais. Ao se aproximarem do círculo, Janeth maldizia-se por jamais ter dirigido a palavra a Fitzroy. Os rapazes abriram passagem revelando as costas do guerreiro que tanto impressionara lorde Gervais. Com os pés afastados e apenas uma das mãos, ele empunhava a espada de folha larga com a maior facilidade. Estava seminu, desde a cintura até os ombros, onde os cabelos escuros batiam. Embaraçada, Janeth manteve o olhar no chão. — Bem, se tudo isso falhar — dizia Fitzroy — vocês alvejem o orgulho e a alegria de um homem. Pelas risadinhas dos rapazes, ela percebeu que parte do corpo seria atacada. — Jamais vi um homem não recuar ao temer tal ameaça — concluiu ele. Lorde Gervais limpou a garganta e Fitzroy virou-se. — Meu senhor? — Fitzroy, este é sir Ollerund, meu administrador. Ele recebeu ordens para liberar verbas, o mais depressa possível, para a aquisição das armas que você achar necessárias. — Obrigado, meu senhor. — E esta é lady Janeth Kendrick. — Encantado, milady.
  13. 13. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ Janeth fitou-o de relance. A expressão zombeteira dos olhos escuros destoava do tom respeitoso de voz. Depressa baixou o olhar. — O que está achando dos rapazes? — lorde Gervais quis saber. — Com bastante trabalho, eles ficarão em forma. — Ótimo! — lorde Gervais levantou a voz. — Espero ganhar o torneio. Vocês têm um mês para se preparar. Não me desapontem. Apesar do tom severo, Janeth sabia que, êm caso de derrota, o único castigo seria um banquete menos suntuoso no encerramento do torneio. Também não ignorava como lorde Gervais era querido e respeitado pelos soldados e cavaleiros. Eles se esforçariam ao máximo. Além disso, Fitzroy garantiria adestramento e armas superiores aos de até então. — Pois voltem ao trabalho — ordenou lorde Gervais virando-se para ir embora, seguido por sir Ollerund. Janeth também se afastou do círculo. Não se atrevia a olhar para ninguém, muito menos para o soldado alto, bonitão e de olhos escuros. Urien Fitzroy dirigiu-se aos rapazes como se não o houvessem interrompido. !— Qual é a sua opinião, Bern? Seria pedir demais, você acha? Estavam sentados à mesa da cozinha, atrás da cervejaria, à tardinha daquele dia e, pensativo, Urien passou a mão pelo queixo. — Não, nem um pouco, acredite. Gervais quer vencer. Muitíssimo. Trevelyan e seus homens já o derrotaram duas vezes em seguida. Ele não vai fazer questão de gastar dinheiro. — E quanto ao administrador dele? — Ollerund? É um bom sujeito e compreende bem lorde Gervais. Ele não vai provocar problemas. Aliviado, Urien sacudiu a cabeça. Ele havia trabalhado para homens que preferiam cortar o pescoço a gastar uma moeda em armas. Eram de opinião que seus soldados e cavaleiros tinham de providenciá-las. Tratava-se de algo novo contar com um senhor generoso. Agitada e, como sempre, seguida pelas crianças, Lurilla entrou na cozinha e olhou para o imenso caldeirão de ensopado borbulhando sobre o fogo da lareira. Com expressão severa, reclamou: — Bern, sabendo que eu estava cuidando da horta, você não podia ter tirado a comida do fogo? Ela quase queimou. Urien, que tinha visto o amigo enfrentar e derrotar sozinho seis homens de um vez, achou graça na expressão pesarosa do amigo. — Desculpe, Lurilla, começamos a conversar e... — Sei, sei. Vocês homens põem-se a conversar e esquecem o resto da vida. Ela pôs o bebê no berço e deu uma bonequinha de palha para Hildegard. Adelissa, que parecia uma miniatura da mãe, começou a cortar fatias de um pão escuro. — Bem, pelo menos o ensopado não chegou a pegar no caldeirão, mas ficou bem seco. Vou pôr mais água. Bern, é melhor você ir ver se Elva está dando conta do serviço. Ela pode estar precisando de mais um barrilete aberto. — Ah, é mesmo — Bern concordou ao desaparecer depressa rumo à cervejaria. —Fica para jantar conosco, Urien? — convidou Lurilla. — Gostaria muito — respondeu ele, satisfeito por escapar da refeição no castelo. A comida lá era muito boa, mas Urien se sentia um tanto acuado entre a vontade de contemplar a beleza de lady Gervais e os olhares de desaprovação de lady Janeth Kendrick. — Muito bem. Os gêmeos, por alguma razão, trocavam murros e rolavam pelo chão. — Urien, leve Hale e Lud lá para fora, por favor. Com eles aqui, não vou conseguir terminar o jantar. Ele quis protestar, porém o tom autoritário de Lurilla o impediu. Segurando os meninos pela gola da túnica, um em cada mão, empurrou-os para o quintal. — Luta corpo a corpo! Vamos lutar! — disseram os dois ao mesmo tempo. — Não, estou muito cansado — respondeu Urien ao sentar-se sob uma macieira. — Espadas! Nós dois contra você. Que tal? — Não. Os meninos entreolharam-se. — Cavaleiros e salteadores? — Não. Nova troca de olhares e uma careta. Hale veio sentar-se ao lado de Urien e pediu: — Então, conte uma história. — Isso mesmo! Queremos uma com lutas, princesas e cavaleiros — disse Lud ao acomodar-se do outro lado. — Não sei nenhuma história. As crianças o fitaram com incredulidade. — Você e papai estavam contando uma porção ontem à noite e nós ouvimos — disse Lud. — Elas não eram para crianças. — Já estamos grandes. Urien teve de abafar a vontade de rir, pois os meninos não tinham amda cinco anos. Mas respeitou-lhes a seriedade. Como não soubesse quando Lurilla os chamaria para jantar, achou que uma história seria a melhor idéia. — Muito bem — concordou recostando-se no tronco da macieira e tentando pensar em algo que pudesse interessá-los.
  14. 14. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ — Queremos uma sobre um rapaz — determinou Hale. — Que lute. — E salve uma dama. — Faça fortuna. — Seja sagrado cavaleiro. — Só isso? — indagou Urien achando que eles já tinham esgotado a lista de requisitos. — Ele deve ser bom, corajoso e forte também. — Terminaram? Sorridentes, Hale e Lud sacudiram a cabeça e aconchegaram-se a ele. Urien nunca tinha ficado tão perto de crianças e percebeu que a sensação não era desagradável. — Era uma vez um menino... — Como se chamava? — Raymond. Era uma vez um menino chamado Raymond. Ele não tinha pai e a mãe morreu. — Como ele não tinha pai? — O pai também morreu? — Raymond não sabia. Bem, Raymond era órfão. Um fazendeiro pegou o menino para trabalhar em suas terras, mas o serviço era muito pesado. — O fazendeiro era bom? — Não. Ele espancava Raymond e, muitas vezes, não lhe dava de comer. — Que horror! — Bem, Raymond viu que não gostava de trabalhar para o fazendeiro mau e, um dia, fugiu a fim de... — Tentar a sorte! — os meninos completaram juntos. — Acertaram, a fim de tentar a sorte. Ele se tornou soldado... — Ficou satisfeito? — No princípio, sim. Pela primeira vez na vida, Raymond encontrava uma coisa que podia fazer bem. — Muito bem? — Com perfeição. — Ele matava pessoas? — Às vezes. — Só quando eram más, não é? Urien sentiu-se constrangido. — Conforme foi ficando mais velho, Raymond percebeu que não gostava tanto de lutar. Mas como não sabia fazer outra coisa, passou a viajar por muitas terras à procura de... — Uma dama! — Um dragão! — Uma bruxa! Nesse instante, Lurilla os chamou para jantar. Desapontados, os meninos protestaram, porérn Urien respirou aliviado. Já se cansara de contar a história, especialmente aquela. — Ele encontrou uma fortuna, não é verdade? — Hale perguntou puxando-lhe a túnica. — Claro — respondeu Urien ao levantar-se do chão. — Salvou uma dama e foi sagrado cavaleiro? — indagou Lud num tom como se demandasse justiça. Urien suspirou baixinho. — Isso mesmo. Ele salvou uma dama e foi sagrado cavaleiro. Juntos, os três entraram na cozinha. Janeth, sob a sombra da parede da cervejaria, não se mexeu por vários minutos. Tinha vindo trazer uns lençóis velhos para Lurilla dar a quem precisasse, mas havia parado ao ouvir a voz de Urien. Janeth não alimentava a mínima dúvida de que a história de Raymond era a de Fitzroy. De repente, suas idéias sobre o homem mudaram completamente. Ele não era apenas um outro guerreiro arrogante, mas um rapaz solitário e maltratado que se tornara adulto através de enorme força de vontade, apesar da mágoa escondida. Ela virou-se e voltou devagar para o castelo, os lençóis esquecidos na cesta. !Adela inclinou-se para mais perto do marido. — Sir Ollerund está bem de saúde, meu querido? — indagou imprimindo preocupação em cada sílaba. Surpreso, lorde Gervais olhou em direção do administrador e, depois, fitou a mulher com ar indulgente. — Ele está ótimo. Aliás, nunca o vi melhor. — Talvez seja apenas cansaço. Afinal, ele não é muito jovem e deve ser difícil acompanhar o passo de um homem tão vigoroso como você. Gervais olhou novamente para Ollerund e apanhou o copo de vinho. Francamente, refletiu Adela, era muito fácil fazer um senhor rico e poderoso enrubescer. E plantar a semente da dúvida em sua mente. Ela alisou uma das mangas do vestido lindo, de lãzinha macia cor de cereja madura. Estava especialmente bonita essa noite, sabia, com um lenço da mesma tonalidade do vestido sobre os fartos cabelos loiros. De vez em quando, afastava um pouco o lenço a fim de expor as faces. Se fizesse isso no momento exato e com a expressão certa, o gesto podia ser mais tentador para
  15. 15. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ um homem do que a remoção de uma peça do vestuário. Adela sorriu para si mesma, esperançosa de que a suspeita logo se transformasse em certeza. Se estivesse grávida e desse à luz um filho, seu controle sobre Gervais seria absoluto. Então, não teriam sido em vão todos esses anos gastos no aprendizado de como conquistar um homem, nos exercícios para esconder os pensamentos, mostrando apenas o que ele desejava ver. Teria valido a pena o sacrifício de não se casar com um dos vários pretendentes jovens e de esperar por um mais rico e poderoso. Ela relanceou o olhar pelo salão. Janeth estava lá rindo e conversando com os criados como se fosse uma camponesa. Pois que o fizesse à vontade. Sua companhia seria um desastre à mesa dos senhores. Ainda havia bastante tempo para se resolver o problema da insuportável. Desviou o olhar para outra direção e perguntou a Gervais: — Meu querido, onde está o novo contratado para exercitar os soldados? — Fitzroy? — Sim. Ele não deveria estar aqui? — Talvez prefira comer em outro lugar. — Não entendo por quê. Nós temos os melhores cozinheiros. Gervais acariciou-lhe a mão. — Bem, ele deve estar acostumado a ambientes mais rústicos, tenho certeza. Será que ele não se sente constrangido num lugar refinado e com a presença de uma anfitriã tão graciosa? Adela sorriu em reconhecimento ao elogio, mas no instante seguinte, teve de se esforçar por manter o semblante calmo. Um novo surto de vozes e risos animados partia da mesa de Janeth. —Levander, em minha opinião, as pessoas precisam saber que não estamos numa cervejaria. O marido riu. — Elas estão apenas se distraindo um pouco. Janeth pode transformar uma bobagem qualquer na história mais engraçada do mundo. Você devia ouvi-la descrever uma nossa cavalgada, quando minha montaria... — Já ouvi, meu amor — interrompeu Adela com olhar impaciente. — Os músicos ainda não estão prontos? Lorde Gervais apontou para a entrada da galeria acima. — Já estão chegando. Enquanto os músicos tomavam seus lugares, Adela observou o trovador que havia chegado naquele dia. Era um rapaz muito atraente cujos lábios, ela avaliava, desempenhariam bem outras coisas além do canto. Não que planejasse ser infiel ao marido. Seria insensato expor-se a tamanho risco, pelo menos enquanto ele continuasse forte e viril. Mas uma mulher tinha o direito de sonhar e desejar que o trovador cruzasse seu caminho uma outra vez no futuro. Procurar Fitzroy também teria de esperar até Gervais se ausentar do castelo por uns dias. Só então, poderia insinuar a tarefa planejada para ele. Mas isso não aconteceria tão cedo. Ao oposto dos outros lordes que viajavam pelas propriedades espalhadas, Gervais preferia ficar em Bridgeford Wells e receber, ali, os administradores de suas terras. Certa vez, quando um cavaleiro jovem e atraente chegara ao castelo em visita, ela havia perguntado ao marido se não convinha ir verificar a honestidade dos homens a seu serviço. Rindo, Gervais afirmara confiar plenamente neles. Pois ela estava disposta a ser paciente. Fitzroy não iria embora tão cedo. Obviamente, tratava-se de um homem esperto demais para abandonar o trabalho sob um senhor tão generoso. !Ao mesmo tempo em que ouvia as reclamações sobre o peixe entregue naquela manhã, Janeth observava Adela. Não lhe passou apercebida a maneira com que a mulher olhava para o trovador. Esperançosa de estar enganada, Janeth desviou o olhar. Talvez fosse sua antipatia pela nova senhora do castelo que a levasse a ver algo errado. Se Adela viesse a trair lorde Gervais, ele morreria de desgosto. Janeth levantou-se quando os músicos começaram a tocar. Embora gostasse de música, preferia não apreciá-la ali no salão cheio e barulhento. Era muito mais agradável ouvir Tom e Meara entoar uma simples canção popular, ou escutar as intermináveis histórias do velho Peter sobre seu cachorro. Segundo ele, o animal era mais inteligente do que muitas pessoas. A noite estava límpida e ela iria visitar os amigos. Adela gostava de ouvir música e conversar com o cavaleiros durante horas. Tão cedo, ela não precisaria de seus serviços. Lá fora, o ar já prenunciava o verão. Passou pelos guardas junto à muralha e, enquanto percorria as ruas da vila, teve idéia de ir buscar cerveja para Peter. Embora não fosse parente, ele morava com Meara. Aliás, o pobre velho não tinha ninguém no mundo e trabalhara a vida inteira no campo. Além de pobre, estava bem idoso, mas sempre tinha uma palavra amiga, ou uma história engraçada para Janeth. Portanto, arranjar-lhe um canecão de boa cerveja, de vez em quando, não constituía favor algum. Pensando assim, entrou numa viela que encurtava o caminho até a cervejaria de Bem. Sua ida até lá não tinha nada a ver com o fato de Urien Fitzroy não haver jantado no castelo e sim, provavelmente, com Bem e Lurilla, Janeth disse a si mesma. Tomou um outro beco. Apesar da simpatia alimentada agora por Urien, não desejava relacionamento algum com ele. O homem era muito arrogante, zombeteiro. De repente, Janeth começou a sentir o cheiro do rio. Surpresa, parou e olhou à volta. Percebeu que, absorvida pelos pensamentos, tinha virado a esquina errada. Agora, encontrava-se numa parte da vila onde as casas velhas, infestadas por ratos, só serviam de esconderijo a malfeitores. Aborrecida, Janeth respirou fundo e começou a retroceder por onde viera. Distraída na vinda, não prestara muita atenção no caminho seguido. Andava depressa e tentava se convencer de que não precisava ter medo. Todos a conheciam em Bridgeford Wells. Lá estava a casa do peixeiro, reconheceu aliviada. Só tinha de alcançar o fim do beco e virar à direita. Então, um homem saiu das sombras e bloqueou-lhe a passagem
  16. 16. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ !!CAPÍTULO IV !— Ora, o que temos aqui, hein? Imóvel, Janeth tentou identificar o homem. Se fosse habitante da vila, saberia quem era ela. — Alguma coisa macia e apetitosa, em minha opinião — respondeu uma voz pastosa a suas costas. Janeth virou-se depressa e viu um segundo homem, magro e maltrapilho. — Procurando por alguém? Veio passear sozinha? Ela esforçou-se para dominar o pânico. No instante em que gritasse, alguém viria em seu socorro, refletiu. Tentou fazê-lo, mas antes de poder emitir um único som, a mão imunda do primeiro homem tapou-lhe a boca. — Nada de barulho, moça. Sem muito êxito, Janeth deu-lhe uns pontapés, mas o sujeito era corpulento e segurou-a com mais força. Ela lutou retorcendo o corpo, porém o único resultado foi rasgar o vestido no ombro. O homem magro aproximou-se bem, a ponto de deixá-la ver seu olhar de cobiça e sentir-lhe o mau cheiro. Estava mais a seu alcance e ela conseguiu acertar-lhe um pontapé na coxa. O companheiro do fulano, embriagado, riu divertido. — Pois não é, Duff, que eu gosto de mulheres briguentas? — Espere um pouco. Esta é... — começou o magro, mas calou-se arregalando os olhos. O homem que a segurava, tão surpreso quanto Janeth, largou-a. Ela deu uns passos para o lado ao mesmo tempo em que Duff caía para a frente com uma faca cravada nos ombros. O outro homem retrocedeu e desapareceu nas sombras beco abaixo. Ela também queria fugir, mas um terceiro homem ocupava o lugar onde Duff estivera segundos antes. — Sou lady Janeth Kendrick. Se me tocar, lorde Gervais o matará — advertiu com voz trêmula. — Não se aflija, milady, não tenho a intenção de tocá-la. Urien Fitzroy. O alívio de Janeth foi tão grande que ela relaxou e as pernas começaram a fraquejar. Mas apenas por um instante. Pronta para rodear o malandro que, caído no chão, gemia, limpou a garganta e demandou: — O que você está fazendo por aqui? Urien ignorou-lhe a indagação. — Você conhece aquele fulano? — perguntou com um gesto de cabeça em direção ao lugar onde o outro homem havia desaparecido. — Não, é claro! Ele não é de Bridgeford Wells, tenho certeza. Agora, se me der licença, quero ir embora. Urien aproximou-se com ar de preocupação fingida. — Acho que ele está voltando. Num movimento rápido, Janeth abaixou-se e arrancou a faca do ombro de Duff, Este gemeu mais alto. Em seguida, ela correu para o lado de Urien, olhou ao longo do beco, mas não viu ninguém. Fitzroy cruzou os braços sobre o peito e fitou-a com uma expressão entre divertida e respeitosa. — Você não estava pretendendo usar a faca, não é? Ao perceber que ele tinha fingido desconfiar da aproximação do segundo homem, esperando vê-la entrar em pânico, ficou furiosa. — Estava, sim. E talvez ainda a use caso você tente repetir esse tipo de provocação. Num gesto silencioso para pedir a faca, Fitzroy estendeu a mão. Ela entregou estalando-a com a maior força possível na palma, porém não provocou a mínima reação, nem mesmo um pestanejar. — Precisamos socorrer este coitado logo, ou ele vai se esvair em sangue agora que você tirou a faca. Antes de Janeth poder dizer algo, ele levantou o homem e o colocou nos ombros como se fosse um fardo leve. — Não se preocupe, você não vai morrer — disse ao fulano cujos gemidos aumentavam. A passos largos, saiu pelo beco afora e Janeth teve de se esforçar para acompanhá-lo. —Não deveríamos levar o sujeito à guarda? — sugeriu ela. — Por que? O único erro dele foi de julgamento errado. — Ele e o companheiro tentaram me atacar. — O homem está bêbado e você veio a uma parte perigosa da vila. Ele a deve ter tomado por uma prostituta. Não acho que deva ser preso por cometer um engano compreensível. Ainda bem que eu passava pelo lugar. — Eu teria me defendido — afirmou Janeth, consciente de estar mentindo. — Não diga, milady — Eu estava indo visitar Meara e Tom. Já passei por ali centenas de vezes e nunca fui importunada — ela argumentou, disposta a não confessar ter virado a esquina errada. — Uma questão de sorte. Janeth ia contestar, porém deu-lhe razão. Havia sentido medo ao perceber onde estava, além de não se encontrar preparada para o que quase acontecera. Nesses últimos meses, não havia prestado muita atenção às mudanças ocorridas na vila. As casas por ali tinham se deteriorado o suficiente para atrair criminosos em busca de esconderijo. Infelizmente, sua preocupação concentrava-se em Adela e nas alterações provocadas por ela em sua vida no castelo. Pelo jeito, outras coisas também haviam se transformado, e não para melhor. O alheamento provocou-lhe uma boa dose de constrangimento. — Vou relatar o ocorrido a lorde Gervais. Ele logo mandará seus homens procurar o outro indivíduo.
  17. 17. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ A resposta de Urien não passou de algo resmungado. — E você, o que fazia por lá? — indagou ela. — Procurava um prostíbulo. Atônita, Janeth arregalou os olhos. Uma coisa era procurar tal lugar e outra, bem diferente, anunciar o fato com naturalidade, como se estivesse se referindo à ferraria. Por que deixava qualquer coisa dita por Urien afetá-la dessa forma?, indagou-se. — Existe um, mas do outro lado da vila — informou. Com expressão chocada, ele a fitou de relance e Janeth sentiu-se triunfante. Haviam chegado à cervejaria e Urien chamou por Bern que apareceu logo. — O que foi, esqueceu sua arma? — indagou em tom jovial. Parou, observou-os por um instante e, então, gritou: — Lurilla! Foram para trás de cervejaria e Urien pôs o ferido no chão. — Deus misericordioso! — exclamou Lurilla. — Coitado do velho Duff! O que aconteceu? — Eu vinha até aqui pegar um pouco de cerveja para Peter quando esse tal Duff e o companheiro me atacaram. Você o conhece? — Janeth quis saber. — Bem, conhecer mesmo, não. Já o vi umas vezes pela vila. Ele não aparece com freqüência. Não imaginava que fosse do tipo de fazer essas coisas. Você está bem? — Sim. Apenas o meu vestido rasgou. — Ele não estava sozinho — contou Fitzroy para, em seguida, descrever o outro homem. — Ah, deve ser Covell. Duff não oferece perigo, é meio idiota, mas o outro é larápio malandro, todo mundo sabe, mas nunca foi apanhado — contou Lurilla. — Mora pelas redondezas? — perguntou Urien. Bern deu de ombros. — Não acredito, mas não tenho certeza. Urien relanceou o olhar por Janeth. Pela expressão, dava idéia de haver revelado mais interesse do que desejava, percebeu ela. — Talvez depois deste incidente, Duff entenda que não deve andar em companhia de Covell — comentou Bern sacudindo a cabeça. — Bem, vou lavar o ferimento e pôr uma atadura. Enquanto isso, Janeth, vá consertar seu vestido — disse Lurilla. — Posso ir levar a cerveja para o velho Peter — Urien se ofereceu. Embora não quisesse incomodar ninguém, Janeth não viu como recusar as duas sugestões. Se chegasse ao castelo com o vestido rasgado, Adela lhe faria perguntas, com certeza. E caso descobrisse o ocorrido, a proibiria de vir à vila sozinha. — Bondade sua, Urien. Muito obrigada — disse, relutante. Ele e Bern dirigiram-se à cervejaria, Lurilla foi buscar uma bacia de água e tiras de linho velho e Janeth entrou na cozinha a fim de costurar o vestido. De lá podia ouvir o gemidos de Duff e as palavras da amiga afirmando que nada mais lhe aconteceria caso ele deixasse de acompanhar Covell. Quando terminou o curativo, Lurilla chamou o marido para levar Duff ao estábulo. — A bebedeira vai passar com uma boa noite de sono, mas o ombro estará bem dolorido amanhã — ela disse a Janeth ao entrar na cozinha. Depois de verificar se as crianças dormiam cobertas, sentou-se ao lado da amiga. — O que você acha de Urien Fitzroy. Janeth tentou falar em tom de indiferença. — O quanto pude ver, ele é bom como treinador de soldados. — Se ouvir Bern falar dele, você vai pensar que o homem é o maior lutador existente neste mundo. — É mesmo? — Sabe, ele salvou a vida de Bern. — Não diga! — Pois é, durante uma briga terrível. Os dois tinham chegado a uma cidadezinha e estavam na taverna. De repente e enquanto Urien tinha ido ao estábulo, um grupo de bandidos pulou em cima de Bern. Ele conseguiu derrubar dois no chão, mas então, recebeu uma pancada no ombro direito que lhe deixou o braço adormecido. Graças a Deus Urien apareceu para evitar uma tragédia. Lutou feito um louco e, um a um, foi derrotando os homens. — Santo Deus! — Imagine só a cena. Todas as noites antes de dormir, os meninos pedem a Bern para lhes contar a história. Ambas viraram-se ao ouvir um ruído à porta. Era Fitzroy que voltava. Ele parecia aborrecido, notou Janeth. — Como estava Peter? — Bem. — Mais uma vez, obrigada por lhe levar a cerveja. E a você, Lurilla, por me emprestar agulha e linha. — Levantou-se. — Está na hora de eu voltar para o castelo. Boa noite. Passou por Fitzroy parado à porta e, apressada, logo alcançava a rua principal. Não queria perder tempo porque, embora escapasse alguma luminosidade das casas, estava escuro o suficiente para alguém esconder-se nas sombras. Quando já havia percorrido uma parte do trajeto, começou a ouvir passos seguindo-a. Sem parar, prestou atenção, certa de tratar-se de imaginação sua. Mas não era. Se andava mais depressa, a pessoa atrás fazia o mesmo. Os passos pesados só podiam ser de um homem. Covell tentando impedi-la de chegar a lorde Gervais? Um outro malandro por vê-la sozinha à noite? O medo começou a tomar forma. Se corresse, talvez chegasse ao castelo antes de ser alcançada pelo sujeito. Por outro lado, havia os tais becos que saiam da rua principal. Poderia ser agarrada e levada para um deles. Talvez não houvesse razão alguma para ter medo. A experiência dessa noite a tinha deixado atemorizada. Não desejava sentir-se assim todas as vezes que viesse à vila à noite. Respirou fundo e virou-se para trás com os punhos cerrados.
  18. 18. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ Era Fitzroy. — O que pensa estar fazendo? Você me assustou! — Indo para o castelo. — Não preciso de um guardião. Sou capaz de cuidar de mim mesma. — Acontece que estou morando lá. — Ah, sei. Em silêncio, reencetaram a caminhada. Janeth reconhecia se sentir mais segura com a companhia de Urien, mas achava haver se comportado como uma tola. Que impressão teria causado a ele? Primeiro, havia vagado pela vila sem prestar atenção por onde andava e, depois, corria para casa como um coelho assustado. A culpa, em parte, era de Fitzroy. Caso não houvesse se distraído pensando nele, teria visto Covell a tempo. E agora, se ele não a tivesse seguido como um ladrão sorrateiro, o medo não a teria dominado. Janeth olhou-o de soslaio. As sombras deixavam-lhe as feições mais enigmáticas do que nunca. Ela havia sido indelicada, admitiu. Teria enfrentado problemas para escapar de Covell se Fitzroy não chegasse a tempo. — É verdade que você salvou a vida de Bern? — perguntou determinada a demonstrar interesse, mas não, curiosidade. Passavam sob uma janela aberta e, com a luz, ela observou-lhe o perfil bonito. Para surpresa sua, a expressão de Urien era quase de humildade, bem menos arrogante. — Salvou, ou não? — Salvei. — Então, por que se mostrar constrangido? —Talvez eu seja um homem modesto. Cética, Janeth o fitou. O comportamento dele no pátio de Meara e no estábulo de lorde Gervais desmentia essa característica de personalidade. — Tenho minhas dúvidas quanto a isso. Havia mesmo uns vinte sujeitos fortes? — Não, só cinco. — Você não dominou todos? — Exato. — Está escondendo alguma coisa — acusou Janeth. — Não sou obrigado a responder suas perguntas. — Nesse caso, acho que a história toda não passa de uma grande mentira — disse ela em tom provocativo para forçá-lo a contar todos os detalhes, pois no fundo, não duvidava da veracidade do fato. — Salvei, sim, a vida de Bem durante uma briga inesperada. — Sei. E eu sou a filha de Ricardo Coração de Leão. Segurando-lhe o braço, Urien parou e a fitou. — Muito bem, lady Bisbilhoteira. Salvei a vida de Bern, mas não foi em uma taverna e sim em um prostíbulo. Por alguma razão, Bern achou que Lurilla não consideraria essa parte da história muito interessante. Satisfeita agora? Janeth recomeçou a andar para que Urien não lhe visse as lágrimas de vergonha. Na verdade, o caso não era de sua conta, porem não imaginara que ele fosse ficar tão zangado a ponto de chamá-la de bisbilhoteira. Ele a alcançou. — Não sei quem, em sua opinião, a incumbiu de tomar conta de todo mundo, mas é melhor ignorar certas coisas. — Não sou eu quem enfia facas em pobres idiotas — reagiu Janeth, consciente da irracionalidade das palavras, mas ansiosa por dizer algo para magoá-lo. — Entendo. Eu deveria ter deixado o homem à vontade. Você seria capaz, sozinha, de defender sua honra. — Isso mesmo. Já fiz isso antes e sem sua ajuda. — Talvez você tenha a habilidade de lutar contra homens bêbados, dispostos a seduzi-la. Como Urien podia pensar que os bandidos tinham sedução em mente?, indagou-se incrédula. — Vejo que homens como você classificam o ataque contra uma mulher de sedução! Urien apertou os lábios. Se Janeth o conhecesse melhor, perceberia tê-lo irritado. Em tom sarcástico, ele respondeu: — Quis apenas dizer, milady, que você pode se defender contra homens empenhados em obter prazer, mas que não contam com a possibilidade de uma luta física. Janeth pôs as mãos nos quadris. Se Fitzroy a conhecesse melhor, reconheceria sinais de problemas. Em voz calma, ela disse: — Sei. Em sua opinião, porque você e outros grosseirões querem apenas satisfazer a luxúria, posso impedi-los com facilidade. Correto? — Sim, milady. Urien cruzou os braços. Tinha esperado algum reconhecimento, porém Janeth o tratava como se ele lhe provocasse contrariedade. Questionava-o como um carcereiro disposto a arrancar informações de um larápio. Quem lhe dava o direito de investigar sua vida? O que pensaria a seu respeito caso lhe descobrisse o passado? — Você não se interessaria em pôr isso a prova, suponho. Urien não fazia idéia sobre o que Janeth estava falando. — Como assim? Luta ou sedução? — Para você, é a mesma coisa, sem dúvida. — A maioria das mulheres fica satisfeita com a minha atenção. — Pobrezinhas. Devem estar muito solitárias. Mas eu quis dizer luta. — Você quer lutar contra mim?! — perguntou ele, incrédulo. — Quero. Urien atirou a cabeça para trás e riu. Ele já havia lutado contra mais homens do que ela conhecera a vida inteira.
  19. 19. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ — De jeito nenhum. — Está com medo? — Não seria justo. — Não quer fazer concessões? Só então, Urien percebeu que ela não gracejava. — Jamais cedo. — Nesse caso, vá me encontrar à beira do rio amanhã, depois do jantar, quando ainda estiver claro. Logo depois do moinho, há bosque com uma clareira no meio. Leve a arma que desejar. — Lorde Gervais... — Não ficará sabendo de nada. Isso é exclusivamente entre você e mim, Fitzroy. Ele curvou-se ao dizer: —Como queira, milady. Estarei contando as horas até o nosso encontro. E quando eu vencer, exigirei o prêmio que só você poderá me dar, completou ele em pensamento ao vê-la caminhar, uns passos à frente, em direção ao castelo. !Na manhã seguinte, os soldados perceberam logo que o instrutor estava preocupado. Entretanto, já tinham aprendido a não subestimar-lhe a habilidade em apanhá-los na mínima falta de atenção. Por isso, mantinham-se calados e seguiam as ordens cegamente. O dia inteiro, Fitzroy manteve-se implacável, criticando-os pela maneira de empunhar a espada, de controlar a montaria e até de despir a cota de malha. Urien não se encontrava com disposição para elogiar ninguém enquanto observava os rapazes a montar e desmontar. Eles tinham de aprender a fazer isso com agilidade e presteza, apesar da cota de malha incômoda. Ainda estava bravo em relação à noite anterior. Janeth deveria ter sido sensata e não se aventurar, sozinha, por aquela parte da vila. O fato de pertencer à nobreza não lhe dava proteção na área. De certa forma, talvez ela fosse especial, ou fora do comum. Qualquer outra mulher de sua classe social, teria dado queixa do ataque imediatamente e, em prantos, exigido a busca e prisão dos culpados. Duff e Covell, caso este fosse achado, seriam enforcados sem perda de tempo. Pelo jeito, Janeth não havia dito nada. Com toda a certeza e se tivesse um pingo de juízo, Covell já se encontraria longe de Bridgeford Wells. Restava Duff. Fora bondade de Janeth poupá-lo. Também Urien nunca havia conhecido uma mulher da nobreza Que admitisse a existência de prostíbulos, muito menos capaz de inforrná-lo onde poderia encontrar um. Sorriu ao lembrar-se de sua surpresa ao ouvi-lo responder com honestidade. Os olhos castanho-claros tinham se arregalado como os de uma criança inocente e os lábios, entreabertos, lembravam os de uma namorada à espera de um beijo. Pelo sangue de Cristo! Se continuasse a pensar nessas coisas, teria de ir procurar o tal prostíbulo em plena luz do dia. — Chega! — gritou ele não só pondo um ponto final naquele tipo de exercício dos soldados como também ordenando-se a parar de pensar em Janeth Kendrick. — Vão buscar suas clavas. Traga a minha — disse ao apontar para um rapaz, que já sabia chamar-se Donald. Enquanto eles se dirigiam ao depósito de armas, Urien refletiu como tinha sido bom a oportunidade de castigar Covell haver lhe escapado. Ali, ele contava com um emprego bom e duradouro e o melhor era não arriscá-lo espancando alguém até a morte, embora a tentação fosse grande. Quando os soldados voltavam, ele ponderava se deveria, ou não, ir se encontrar com Janeth. Ela era temperamental e, provavelmente, o tinha desafiado sem a intenção de cumprir o combinado. Mesmo se ambos fossem, ela esperava, de fato, enfrentá-lo? Ele era um guerreiro em excelente forma e experiente, enquanto Janeth não passava de uma jovem delicada, cuja ocupação mais perigosa devia ser costurar. Fora apenas mais uma de suas provocações. Aliás, ela fazia isso muito bem. De qualquer forma, Urien lhe admirava a coragem. Não conhecia nenhuma mulher capaz de tirar uma faca cravada em um homem e preparar-se para se defender com ela. E se Janeth fosse à clareira disposta a lutar com ele? Os rapazes já estavam alinhados a sua frente, com as clavas nas mãos. Donald entregou a sua. — Afastem-se mais um do outro, ou acabarão atingindo a cabeça do vizinho — ordenou ao expulsar Janeth Kendrick do pensamento e concentrar a atenção nas armas de guerra. !Já estava quase na hora do jantar e Urien não chegava à conclusão alguma quanto a ida de Janeth ao encontro. Dispersou os soldados a tempo de ajudarem os cavaleiros que tinham passado o dia caçando. Em seguida, tomou um banho rápido, no cômodo compartilhado com os rapazes, e dirigiu-se ao salão. Janeth não estava lá. Com o olhar, procurou-a em vão. Teve vontade de rir. Com certeza, ela havia se arrependido do desafio pensado e, agora, sentia medo de vê-lo até no salão. Iria à clareira, porem ela não estaria lá, convenceu-se. Inesperadamente, Urien foi tomado por uma ponta de tristeza. A reação passou logo, pois ele percebeu que poderia ridicularizá-la chamando-a de covarde. Os olhos castanho-claros faiscariam de indicação e ela o classificaria de tolo por levar a sério a proposta. Consciente de haver ganhado a estranha batalha, ele fingiria aborrecimento. Seria um prazer seduzi-la dessa forma. Lorde e lady Gervais chegaram ao salão e tomaram seus lugares à mesa no tablado. Encantado com a beleza da anfitriã, Urien esqueceu-se, no mesmo instante, de Janeth. Sentia-se o próprio camponês rude diante de uma rainha. Sonhava tocar-lhe a pele acetinada e ver seus cabelos loiros descobertos. Lorde Gervais acenou-lhe para que se aproximasse. Urien levantou-se e endireitou a túnica. Nesse momento, resolveu que
  20. 20. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ compraria roupas novas tão logo recebesse o primeiro salário. — Sim, meu senhor — disse ao chegar junto ao tablado e consciente de estar sendo observado por lady Gervais. — Conversei com sir Ollerund a respeito das armas que você me pediu para comprar. Vou fornecer tudo, contando que os rapazes não se deixem influenciar pelas aparências. Armas simplesmente. Nada de ostentação tola. De acordo? — Certamente, milorde. O senhor é muito generoso. — Bobagem. Quero meus homens bem equipados. — Sim, milorde. Lady Gervais, que até então olhava para o marido, fitou Urien e sorriu-lhe. Ele teve certeza de jamais ter visto mulher mais linda. Era angelical. Curvou-se e voltou para seu lugar. Mas havia perdido o apetite. Sentia a euforia de alguém que acabasse de ser contemplado com uma visão. Todavia, a realidade dominou-lhe os pensamentos. Embora lindissima, lady Gervais era a esposa de seu senhor, portanto, intocável e tão fora de seu alcance como se fosse, realmente, um anjo. Urien levantou-se e voltou para o alojamento dos soldados. Esse era seu mundo, um mundo de lutas, armas e músculos de ferro, não de beleza e graça. Apanhou a espada e tirou-a da bainha. Quantas vezes não a tinha usado para matar um homem? Perdera a conta anos atrás. Uma mulher como lady Gervais não haveria de querer um homem de seu tipo. Embainhou novamente a espada e, pela janela estreita, olhou em direção ao rio. A roda do moinho girava vagarosamente e o sol baixava no céu. Logo escureceria. O rio. O moinho. O anoitecer. Janeth. Virou-se e saiu. Ela não estaria lá, mas a caminhada lhe faria bem. Ajudaria a desanuviar a mente. O rio corria mansamente para além do moinho e a quietude do bosque só era quebrada pela correria dos esquilos entre a ramagem, ou pelo canto ocasional de um pássaro. Não foi difícil achar a clareira. Urien observou o lugar. Tinha mais de cinco metros de comprimento e estava deserto. Então, algo moveu-se junto a um tronco de árvore. Devagar, Janeth Kendrick levantou-se. — Pensei que não viesse, Fitzroy. Urien examinou-lhe o vestuário. Como sempre, ela usava um vestido simples e uma túnica, sobreposta, aberta nos lados e presa, à cintura, por um cinto de couro. As mangas eram justas, mas a saia, volumosa. — Você não pretende lutar vestida assim, claro. — Sem dúvida, você vai sugerir que eu me dispa. — Não pensei nisso, mas trata-se de uma idéia interessante. Janeth deu um passo à frente. — Se vou demonstrar a habilidade em me defender, devo estar com as roupas habituais, não concorda? — Isso é ridículo! — Vou lhe provar que posso me livrar de investidas indesejáveis. Que arma trouxe? — Tenho uma faca, mas... — Ótimo. Prepare-se para lutar, Fitzroy. — Espere um instante! Você não tem uma arma! Janeth levantou a mão e exibiu uma pá achatada de madeira. — Você enlouqueceu! Sem dizer nada, ela começou a correr e, ao passar por Urien, desferiu-lhe uma forte pancada com a pá. Surpreso, ele apalpou o ombro atingido. — Pelo sangue de Cristo! Doeu! Ela agachou-se e, pela primeira vez, Urien conseguiu fitá-la bem dentro dos olhos. Não importava como ele encarava a situação, Janeth Kendrick mostrava-se decidida a enfrentá-lo. —Vai desistir? — desafiou ela. — Jamais! Urien pulou e agarrou-a pela saia, jogando-a ao chão. Janeth golpeou-o outra vez com a pá, porém ele segurou-lhe os braços e retorceu os pulsos até que a largasse. Em seguida, firmou-se sobre ela, com suas mãos presas acima da cabeça. Ela retorceu-se, porém não conseguiu se soltar. — Venci! Mal-humorada, Janeth fez uma careta. — Pode ser, mas eu lhe acertei duas pancadas bem fortes. — Por que não admite que estava errada? Que é perigoso uma mulher passear sozinha pela vila à noite? — Eu não estava passeando. Talvez não devesse ter entrado no beco, mas não esperava que algo acontecesse e... Enquanto ela falava, Urien deu-se conta de estar deitado sobre seu corpo. Os lábios carnudos eram tentadores. Por causa do exercício físico, as faces estavam rosadas e a respiração, meio ofegante. Quando se calou, ele disse baixinho: — O vencedor, geralmente, ganha um prêmio. Janeth voltou a se retorcer, mas dessa vez, o movimento só o fez sentir-lhe melhor o corpo sob o dele. — Está bem. Diga o que quer. — Um beijo. Urien contava com seu protesto, porém ela concordou. — Como queira — disse ao erguer a cabeça e estalar um beijo rapido nos lábios dele. — Pronto. Agora, me deixe levantar.

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