Px 87 kate walker - sob o comando do sheik

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Px 87 kate walker - sob o comando do sheik

  1. 1. SOB O COMANDO DO SHEIK! Título Original: AT THE SHEIK’S COMMAND! KATE WALKER! ! ! ! Eles são orgulhosos, passionais, determinados. Que mulher ousaria resistir a eles? ! O irmão de Abbie Cavanaugh está na prisão, mas ela pode conseguir sua liberdade... desde que aceite ser esposa do sheik de Barakhara. A explosiva paixão entre o príncipe Malik e Abbie é capaz de transformar um casamento de conveniência em pura sedução. Entretanto, nenhum dos dois conhece a verdadeira identidade do outro. Poderá o casamento ser realizado quando esse segredo for revelado? ! Digitalização: Ana Cris Revisão: Simone Ribeiro ! ! ! O céu já escurecia, e Abbie rapidamente se arrumou, ajeitando a sua aparência. O avental estava arruinado, rasgado e sem conserto. Assim, tirou-o, amassou-o e jogou-o
  2. 2. Sob o Comando do Sheik – Kate Walker atrás de um par de vasos com plantas. Voltaria para apanhá-lo à noite, quando provavelmente ninguém a veria. À noite. Esta noite. A sentença curta a atingiu em cheio enquanto corria ao longo do caminho sombreado em direção à porta da cozinha. Esta noite. Venha para mim esta noite... e poderemos terminar o que começamos... ! ! ! Querida leitora, ! Abbie Cavanaugh faria qualquer coisa para salvar seu irmão, preso em um país distante por roubo de artefatos arqueológicos. A vida de Andy está nas mãos de Malik Al'Qaim, o sheik de Barakhara, que concorda em fazer uma visita diplomática para negociar a libertação do jovem. No entanto, Abbie jamais imaginaria que as condições do soberano fossem tão... pessoais. Em troca da liberdade de Andy, Malik exige levá-la para seu país. Mas uma explosiva paixão pode transformar esse arranjo de conveniência em algo muito mais sedutor... ! ! Projeto Revisoras !2
  3. 3. Sob o Comando do Sheik – Kate Walker ! CAPÍTULO UM ! ABBIE viu os homens grandes e poderosos em motocicletas possantes, pretas e cromadas, brilhando na luz do sol. Apesar do calor, seus corpos musculosos estavam cobertos de couro preto, e eles usavam capacetes. Obviamente aqueles homens eram os guarda-costas de um sheik que governava um país distante. Um país deserto onde o sol brilhava dia após dia, e cuja temperatura era bem mais alta do que o calor moderado de uma tarde de verão inglesa. O sheik que estava no carro atrás deles. O comboio de máquinas possantes fez o percurso num roncar ensurdecedor de motores, e parou do lado de fora da porta principal da casa, espreitando tudo e todos. O trabalho deles era proteger o ocupante do veículo grande e ostensivo que os seguia: o sheik Malik bin Rashid Al'Qaim. O carro também tinha uma pequena bandeira no capô. A bandeira de Barakhara. Abbie deu um suspiro profundo. Então ele estava aqui. Era realmente um acontecimento e não um sonho. Era absolutamente real. E tal realidade transformou-se no maior pesadelo que ela já vivera. Seus olhos acinzentados encheram-se de lágrimas e ela piscou rapidamente para contê-las, passando as mãos trêmulas pelos cabelos louros enquanto lutava para se controlar. Ele chegara com meia hora de antecedência. Por isso, Abbie ainda estava arrumando a sala, a blusa branca e a saia justa sob aquele ridículo avental florido de algodão, emprestado pela governanta.. — Papai! — gritou ela, com a voz trêmula e ofegante. — Eles chegaram. Mas o pai já estava ciente, pois caminhou da sala até o hall e abriu a imensa porta da frente. Abbie o viu parar e respirar por um momento, esfregando as mãos. Se o pai, um homem que sempre parecera capaz de lidar com qualquer problema, estava nervoso, então as preocupações que não a deixavam dormir desde que as notícias Projeto Revisoras !3
  4. 4. Sob o Comando do Sheik – Kate Walker surgiram eram mais do que justificadas. — Boa sorte! — gritou ela, sabendo que ele precisaria mais do que sorte. A família faria qualquer coisa para ajudar Andy, mas quando o destino do irmão mais jovem estava nas mãos de um governante absoluto de uma terra estranha, o sheik de um país árabe... ela não tinha idéia do que ele poderia exigir. Ele poderia ouvir pedidos de clemência, haviam lhe avisado. Ou então recusar-se a ouvir. Aparentemente, ninguém era capaz de prever a maneira que ele reagiria. Mas hoje, depois de três semanas de negociação e diplomacia, de algum modo, eles haviam convencido o sheik a pelo menos discutir o assunto. E lá estava ele dentro do carro. O homem que... Os pensamentos de Abbie desapareceram quando o chofer uniformizado se dirigiu para a porta traseira do carro e abriu-a. Sua postura era de respeito e formalidade ao segurar a porta de modo que o ocupante da limusine pudesse descer. — Oh... Aquilo foi tudo que Abbie pôde exprimir. Se uma pantera negra tivesse saído do carro e pulado sobre o caminho pedregoso que levava a casa, ela não teria ficado mais atônita, ou mais apavorada. Aquele homem enorme, elegante e poderoso era como um gato selvagem. Seu corpo longo continha uma força que não combinava com os passos largos e o andar relaxado. Apenas olhar para a expressão dele fez Abbie sentir um arrepio na espinha. Era impossível não notar o rosto bonito, esculpido em ângulos que enfatizavam as linhas da face e a determinação do queixo. O nariz era aquilino, e sob sobrancelhas escuras bem delineadas estavam os olhos mais escuros que Abbie já tinha visto. Era um rosto forte, rude e imponente, que não demonstrava qualquer chance de esperança para a ajuda que eles precisavam naquele momento. Ele era mais jovem do que ela esperara. Se aquilo era bom ou ruim, Abbie não tinha idéia. — Pensei que ele fosse um sheik! — disse o irmão caçula, George, que estava ao lado dela, assistindo à chegada importante pela janela. — Pensou certo, querido. Ele é o sheik de Barakhara. — Mas não está usando um traje adequado! Projeto Revisoras !4
  5. 5. Sob o Comando do Sheik – Kate Walker — Não... Um leve sorriso aflorou na boca de Abbie, suavizando um pouco a ansiedade nos olhos acinzentados. Aos 12 anos, George era jovem demais para entender a gravidade da situação. O visitante imponente era um sheik e, como tal, deveria estar usando as roupas flutuantes que eram o traje tradicional de homens de seu país. Em vez disso, o sheik estava vestido com um impecável terno cinza-chumbo, muito bem talhado e que evidenciava seus ombros largos e o peito forte. O tecido fino aderia-se às pernas longas e musculosas enquanto ele caminhava em direção à soleira da porta onde agora o pai dela aguardava para cumprimentá-lo. Sob o sol da tarde, os cabelos negros brilhavam, e a mão que ele ergueu para afastar alguns fios da testa tinha o mesmo tom dourado da pele naquele rosto arrasador. — Então ele não é um sheik de verdade? — Sim... é, meu querido. Mas acho que ele somente usa aqueles mantos no seu próprio país. — No deserto, quando está montado em seu camelo? — Creio que sim. Abbie esboçou outro sorriso diante das perguntas inocentes do irmão. — Então, se ele é um sheik de verdade, pode ajudar Andy? O sorriso de Abbie esvaeceu-se ao lembrar a razão da presença do sheik em sua casa. — Sim, George, espero que sim. — Papai falará com ele — afirmou George. — Papai falará com ele — ecoou Abbie. Mas sua voz não tinha a convicção que desejava. Ela observou a cena além da janela, vendo a maneira que o sheik caminhava em direção à porta, a cabeça erguida de forma arrogante, os olhos sagazes espreitando os arredores. Estendeu a mão para o pai dela gentilmente, e o aperto pareceu firme e seguro. Mas estudando James Cavanaugh, sensível a cada movimento, cada mudança de expressão, Projeto Revisoras !5
  6. 6. Sob o Comando do Sheik – Kate Walker Abbie viu a maneira que o pai quase se curvou, inclinando a cabeça em respeito ao seu visitante real. O gesto aborreceu-a, pois ela temia que o pai fosse intimidado por aquele homem muito mais jovem. Não queria pensar nas possíveis implicações daquilo. Eles precisavam que o pai estivesse no controle total da situação, disposto a enfrentá-lo, a discutir o assunto com calma e confiança. O futuro de Andy dependia disso. Pensar no irmão, com apenas 19 anos, sozinho e com medo, trancado numa das prisões mais sombrias e protegidas de Barakhara, fez com que tremesse de medo. Andy tinha sido tolo, totalmente irresponsável... mas não era mau. Havia cometido um erro... muito sério, ela admitia... mas errar era humano, e se lhe dessem uma segunda chance... Certamente o sheik não faria aquela longa viagem apenas para dizer-lhes que não estava disposto a ajudar... Inclinando-se para frente, Abbie puxou a velha cortina de renda da janela para poder ter uma visão melhor de tudo. Então gelou quando o pequeno movimento foi percebido pelos olhos penetrantes do sheik, fazendo-o virar a cabeça em direção à janela. Num átimo de segundo, os olhos escuros estavam fixos nos seus. — Oh, meu Deus! — Abbie não pôde conter a exclamação. Sentiu-se acuada e o tremor que a dominou não podia ser mais aterrorizante. Abbie sentiu a garganta se fechar num espasmo de pânico, largou a cortina e deu um passo para trás, nervosa e apressada, fugindo da linha de fogo daquele escrutínio intenso. Mas mesmo assim, sentiu o ardor do olhar quente e penetrante dele sobre sua pele, causando-lhe uma sensação de choque e espanto que a deixou desnorteada. Ela rezou em silêncio para que as negociações terminassem logo. Sem saber o motivo, sentiu subitamente que não estaria segura enquanto aquele homem estivesse em sua casa. Queria que o sheik fosse embora... desaparecesse de sua vida para sempre. Contudo... admitiu enquanto se afastava ainda mais da janela que nunca tinha visto um homem como ele. A despeito de seus receios, sabia que seria impossível apagar a impressão que aquele rosto estonteante gravou em sua mente. Se ao menos eles tivessem se conhecido em outro momento, e em outra situação. Projeto Revisoras !6
  7. 7. Sob o Comando do Sheik – Kate Walker ! Quem era aquela? O sheik Malik bin Rashid Al'Qaim não era um homem que se distraía facilmente de seu propósito. Se um assunto exigia sua atenção, entregava-se por inteiro. E o assunto que tinha de discutir com James Cavanaugh exigia total concentração. Mas, por um instante, um movimento fugaz, uma cortina rendada sendo afastada da janela lhe chamara a atenção. Ele havia se virado e paralisara, o olhar fixo na loura que o fitava com curiosidade pela janela. Uma loura estonteante. Alta e magra, com cabelos lisos e macios, e um corpo esculpido o suficiente para distrair sua atenção por um momento. Mesmo um ridículo avental de algodão atado à sua cintura fina não disfarçava a sensualidade absoluta das curvas femininas. Curvas que gostaria de olhar de perto. Muito mais de perto. Mas quando o pensamento cruzou sua mente, os olhos da loura arregalaram-se constrangidos, e ela se escondeu atrás da cortina. Não importava. Malik reprimiu o repentino desapontamento, o sutil protesto dos sentidos que haviam despertado com a rápida visão da loura desconhecida. Tinha assuntos mais importantes a tratar. A mulher devia ser uma das empregadas dos Cavanaugh. — Gostaria de beber alguma coisa? Rapidamente Malik voltou à atenção para o que James Cavanaugh estava dizendo. — Seria ótimo — disse ele e se permitiu ser conduzido para um hall com lambris e almofadados de carvalho, seus passos ecoando sobre o assoalho de lajotas. Os guarda- costas o seguiram. Seria melhor tratar desse assunto em um espaço aberto, de modo que estivessem num terreno mais neutro, refletiu enquanto seguia o homem através de uma porta que dava para uma sala imensa com uma janela em estilo vitoriano. O local parecia ter sido elegante e luxuoso, mas agora mostrava sinais de decadência, até de negligência. Malik notara várias indicações de má conservação ao se aproximar da casa. Os Projeto Revisoras !7
  8. 8. Sob o Comando do Sheik – Kate Walker portões ornamentais de ferro batido estavam enferrujados e decadentes. A fonte no pátio fronteiriço estava coberta de musgo, e os canteiros do jardim obviamente não eram cuidados. A casa em si era grande e elegante, mostrando que a família um dia tivera poder e status na sociedade inglesa. Mas evidenciava que a conservação da majestosa residência estava agora muito além da limitada renda que eles possuíam. Isso tornaria sua tarefa mais fácil, imaginou ele, observando seu anfitrião exagerar nas gentilezas, que pouco escondiam seu nervosismo. Eles não teriam escolha a não ser aceitar a oferta de Malik e agradecer por isso. Malik desejava que as formalidades e a conversa fútil não fossem necessárias. A afabilidade que o anfitrião mostrava agora seria dissipada muito em breve. Certamente, James Cavanaugh não iria gostar do que ele tinha a dizer. Mas se James quisesse ver o filho novamente, não teria outra alternativa senão concordar com as condições que lhe seriam oferecidas. Se a filha iria concordar com eles era uma outra história. ! ! CAPÍTULO DOIS ! ERA como esperar pela contagem regressiva para uma explosão, pensava Abbie, dirigindo-se para a escada. Ao passar pela biblioteca, teve a esperança de ouvir o que estava sendo dito por detrás da porta fechada. Mas tudo que podia ouvir era um murmúrio, indistinto demais para informá-la do que estava acontecendo. Todavia, o tom de voz do sheik, que tinha um forte sotaque, parecia indicar que ele estava no controle da conversa. A constatação fez Abbie perder o equilíbrio e segurar- se no corrimão da escada. Teria o sheik rejeitado todas as sugestões apresentadas pelo pai dela e estaria agora expondo os termos nos quais os ajudaria? Ou pior, estaria deixando claro que não tinha nenhuma clemência a oferecer, dizendo que Andy deveria cumprir a sentença que lhe haviam dado, sem qualquer esperança de indulto? — Oh, Andy! — disse ela, enquanto lágrimas amargas queimavam seus olhos, que ela Projeto Revisoras !8
  9. 9. Sob o Comando do Sheik – Kate Walker cobria com as mãos. Seu irmão tinha sido uma criança sensível. Sofria de asma, e freqüentemente era levado ao hospital ou ficava em casa por estar doente. Como resultado, perdia muitas aulas na escola, de modo que era muito jovem para sua idade e muito ingênuo. A viagem a Barakhara fora sua primeira experiência no exterior, sozinho. Agora estava trancado em alguma prisão estrangeira. Durante o único telefonema que haviam recebido dele, conseguido com muita dificuldade pelo embaixador britânico, Andy parecera aterrorizado, implorando-lhes que o tirassem da prisão e o levassem para casa. Muitos esforços diplomáticos haviam sido feitos, e o resultado era a visita do sheik. A única chance que possuíam. O som de um movimento na biblioteca fechada lhe causou um sobressalto. Alguém estava abrindo a porta. Seu pai apareceu no hall lá embaixo, parou e olhou de volta para o homem dentro da biblioteca. Para o sheik, lembrou-se Abbie, o homem poderoso que tinha a felicidade da família dela na palma da mão. — Desculpe, mas preciso atender este telefonema. — disse o pai. — Não vou demorar. Abbie o observou apressar-se na direção da cozinha. De sua posição no alto da escada, mesmo a poderosa figura do pai parecia reduzida. Vê-lo assim tão pequeno abalou o coração de Abbie, fazendo-a morder o lábio contra a angústia que a ameaçava asfixiar. — Oh,Andy... A culpa não era toda de Andy! Tudo bem, o irmão fora tolo, mas não tivera intenção de fazer aquilo. Outros rapazes da sua idade haviam feito coisas muito piores! Na Inglaterra, furtar alguns itens da escavação arqueológica na qual ele estava trabalhando seria considerado apenas um roubo trivial, não é? Então por que o sheik tinha o direito de trancar seu irmão para sempre? Seu coração transbordava de raiva. Aquilo não era justo. Quem ele pensava que era? Como ousava? Abbie não percebeu que estava andando até que ver que descia a escada... e se encaminhava na direção do corredor e da biblioteca. Projeto Revisoras !9
  10. 10. Sob o Comando do Sheik – Kate Walker Não sabia o que iria acontecer, não tinha idéia do que iria dizer. Somente sabia que falaria alguma coisa. A porta da biblioteca estava parcialmente aberta, como seu pai deixara, e, agindo de maneira impulsiva, ela entrou no cômodo sem pensar. E ficou cara a cara com o homem... o sheik... que tinha ido para fazer exigências à sua família. Que seqüestrara seu irmão mais jovem, e agora dizia o que teriam de fazer para pagar pela liberdade dele. Ali estava ela, enfrentando o estonteante sheik. Oh, Deus! Não queria pensar no quanto ele era bonito e sexy. O sheik estava sentado numa das grandes poltronas de couro, gastas pelo uso, junto à imensa lareira. As pernas longas estavam esticadas à frente, cruzadas na altura dos tornozelos, exibindo botas de couro costuradas manualmente. Ele segurava uma xícara de chá, com uma das mãos pousada de maneira negligente sobre o braço da poltrona. Parecia totalmente relaxado. Diferentemente de Abbie, que tremia de raiva e nervosismo. — Você não pode fazer isso! Ela disse as palavras antes de conseguir pensar nelas. Não sabia se deveria sentir medo ou satisfação ao ver o queixo dele enrijecer, os olhos estreitarem-se. — Como? Não entendi — perguntou ele, espantado. Era um choque ouvi-lo falar pela primeira vez. Abbie estivera ciente do sheik, de sua presença na casa, desde o momento que o vira sair do carro e entrar no pátio. Era como se ele sempre tivesse estado em sua vida, não apenas a partir daquele momento. — O que você disse? A voz forte e o maravilhoso sotaque a fizeram tremer por dentro. Havia uma tensão nova no corpo musculoso, que não mais descansava na cadeira, mas agora era lânguido como aquele gato selvagem que Abbie imaginara antes, esperando o momento certo para dar o bote. Na verdade, ele não se mexeu, mas havia uma ameaça indisfarçável na tensão do maxilar e no estreitamento dos olhos. Mas não era suficiente para frear sua língua. — Você não pode fazer isso! Não pode tratar as pessoas dessa maneira! — E de que maneira então? Projeto Revisoras !10
  11. 11. Sob o Comando do Sheik – Kate Walker — Você sabe muito bem! — Acho que não. Para seu horror, ele colocou a xícara e o pires sobre a mesa, e se levantou. De pé, a figura grande e poderosa assustou-a, deixando-a sem palavras. Ela engoliu em seco e lutou para se controlar, e não correr em direção à porta. — Creio que não sei de que você está me acusando, nem por quê — continuou ele, com aquela voz suavemente bonita... e calorosa. O tom suave de suas palavras não combinava com a frieza dos olhos negros. — Talvez você possa explicar. Quisera conhecer a loura sexy desde o momento em a vira observando-o pela janela, lembrou Malik. Na verdade, tinha concordado com a sugestão de James Cavanaugh de tomarem um chá, na esperança de que ela fosse a empregada que viria servir. Ficara decepcionado quando o próprio James fora buscar a bandeja. Mas seu anfitrião tinha ido atender um telefonema importante e agora ali estava a loura, aparecendo inesperadamente na biblioteca. No momento em que ela entrou, ele podia jurar ter visto nos olhos acinzentados a mesma chama de interesse e de atração que sentia. Na verdade, estava tão certo disso que se contentava em esperar, acreditando que era apenas uma questão de tempo antes que eles estivessem juntos, Ela era ainda mais bonita de perto do que Malik imaginara durante a rápida visão através da janela. Era alta, seios fartos, uma cintura fina e quadril curvilíneo. Aquele ridículo avental com flores multicoloridas poderia ter apagado qualquer sensualidade feminina, porém, inacreditavelmente, o modo como estava amarrado na cintura realçava os seios firmes e as curvas dos quadris. Uma mulher de verdade, diferente da maioria dos corpos quase infantis das mulheres que tinha visto em Londres. O repentino desejo sexual que sentiu, somente ao olhá-la, era tão primitivo que chegava a ser chocante. Há muito tempo, seu apetite sexual não era despertado tão fortemente. Mas ela não agia como ele imaginara. Aquela gata enfurecida não combinava com o que Malik tinha construído em sua mente, fazendo-o supor que talvez aquela viagem à Inglaterra não fosse tão maçante quanto prometera. Em vez da doce e cândida donzela, havia se defrontado com uma criatura agressiva Projeto Revisoras !11
  12. 12. Sob o Comando do Sheik – Kate Walker e feroz, que se dirigira a ele de uma maneira que nenhuma mulher em Barakhara jamais ousaria fazer, enfrentando-o com as mãos nos quadris e uma chama nos olhos acizentados. — Não preciso explicar! Você sabe por que está aqui! — Vim tratar com Sir James... — Veio aqui decidir o destino de Andy... ou melhor, Andrew! Não sei quem você pensa que é, jogando com as vidas das pessoas dessa maneira! Quem lhe dá o direito... — A lei me dá esse direito — interrompeu Malik. — A lei de Barakhara. A mesma lei que o jovem Andrew escolheu violar quando furtou alguns itens que encontrou naquela escavação arqueológica na qual estava trabalhando. Andy, sua mente tinha registrado, agarrando-se à única palavra e pensando no significado por trás da mesma. E Andy, em vez de Andrew, significa uma familiaridade e intimidade impróprias para uma empregada referir-se a um membro da família para a qual trabalha. — Alguns itens insignificantes — disse ela com desdém. — Nada mais do que uma ou duas moedas. Um mero fóssil. E por causa disso você o trancou para o resto da vida! — Alguns itens religiosos insignificantes? — perguntou Malik friamente. — Pois saiba que são de profundo significado para a história de Barakhara e seus governantes. Objetos que no século passado teriam causado a morte de qualquer pessoa estrangeira que apenas tocasse neles. Malik ficou satisfeito ao vê-la empalidecer. — Você não sabia disso? — continuou ele. Ela meneou a cabeça, fazendo os cabelos dourados brilharem ao movimento. Andy. A mente de Malik se concentrou na palavra que ouvira. Andy... Então qual era o relacionamento entre os dois? Haveria algo entre eles? Andy poderia ser o amante dela? A onda de ciúmes que o pensamento causou era tão dolorida quanto inesperada, deixando-o desconfortável. — Então ele optou por não contar tudo o que fez para ser preso? Ou foi o pai dele quem omitiu os fatos? Foi Sir James Cavanaugh que não quis que o mundo soubesse o que seu tolo primogênito fez? Projeto Revisoras !12
  13. 13. Sob o Comando do Sheik – Kate Walker Os traços da boca de Malik evidenciavam seu desgosto. Honorável Andrew Cavanaugh era como Andrew tinha insistido em ser chamado, dissera Jalil. E o honorável Andrew Cavanaugh vivia numa casa como aquela, com empregadas. Porém, roubara, e isso não era nada honorável. — Então agora você admite que tenho uma razão para agir assim. Que não sou o demônio que acha que sou. — Eu... Ela não parecia capaz de achar uma resposta. Os lábios rosados abriram-se, mas as palavras não vieram. Uma confusão de pensamentos parecia anuviar os olhos acinzentados. De repente Malik sentiu uma onda de raiva pelo fato de estar ali, pelo trabalho que tinha de fazer. Por que Jalil não podia fazer seu próprio trabalho sujo? Às vezes, desejava abandonar os cuidados que tinha com seu meio-irmão, mas se Jalil caísse, seu país inteiro sofreria e seria arruinado também... e Malik jamais deixaria isso acontecer. Um voto feito dentro da família era sagrado, e nada poderia rompê-lo. Malik imaginara que um pequeno flerte com a empregada loura lhe proporcionaria algum entretenimento, algum descanso depois das negociações delicadas. Mas pela expressão teimosa no rosto dela, teria de trabalhar mais para conquistá-la do que tinha pensado. De repente, um pensamento indesejável lhe ocorreu. Se ela conhecia o filho... aquele Andy... tão bem, talvez também fosse íntima da filha. Era uma complicação difícil de resolver. Ainda não tinha visto sinal da Gail que Jalil mencionara, mas se a tal Gail e essa garota fossem amigas... — Não... ele não me contou — declarou ela, enrubescendo e parecendo incrivelmente sexy. — Como se chama? — perguntou ele de súbito, com a voz rouca pelo esforço de controlar a excitação que percorria seu corpo. — Abbie. Não Gail, pensou Malik, aliviado. Apenas por um momento desconfortável tinha imaginado... Projeto Revisoras !13
  14. 14. Sob o Comando do Sheik – Kate Walker — E como devo chamá-lo? Havia uma ponta de sarcasmo no tom de voz dela, o que o fez sorrir. —Pode me chamar de Malik. — Malik... — Abbie repetiu, experimentando o som exótico na língua. — Apenas isso? — perguntou com voz rouca. E quando os olhos dele ergueram-se novamente, fixando-a com intensidade, Abbie soube que estava perdida. Tinha caído numa escravidão sensual da qual já sabia que não poderia escapar. Aquele pequeno sorriso parecia abalar seu mundo, fazendo-a tremer numa reação instantânea. — Eu não deveria acrescentar algo mais? Malik a olhou de maneira penetrante. — Como o quê? — perguntou ele. — Como... como Sir — disse ela de modo hesitante. Ele era um sheik, não era? Um soberano da casa real de Al'Qaim. Certamente deveria ter algum título oficial pelo qual gostava de ser chamado. — Ou... ou Sua majestade...ou... Alteza... Abbie gaguejou quando ele se aproximou de repente. Apesar do calor, percebeu que estava novamente tremendo. Sentiu-se presa nas profundezas daqueles olhos escuros, hipnotizada, cativa. Não conseguiria se mover nem se tentasse. Em vez disso, sabia que toda sua raiva estava se esvaindo. E quando viu o brilho dourado que iluminava aqueles olhos maravilhosos, percebeu que estava perdida. Toda sua resistência derreteu-se como gelo diante do fogo. — Apenas Malik — murmurou ele, e estava tão perto que Abbie podia sentir o calor da respiração quente no rosto. Ela ofegou, sentindo o aroma almiscarado da pele de Malik. — Malik... — murmurou suavemente, querendo falar muito mais do que o nome dele. Toque-me! — queria dizer. Deixe-me sentir o calor de sua pele na minha, a força de sua mão, a sensação de sua carícia. Mas as palavras morreram em seus lábios. Não conseguia falar nada. Nunca havia se sentido daquela maneira em toda sua vida. Nem mesmo imaginara que fosse possível se sentir daquela forma. Desejar intensamente um homem que acabara de conhecer. Um Projeto Revisoras !14
  15. 15. Sob o Comando do Sheik – Kate Walker homem que fazia seu coração bater descompassado, sua pulsação acelerar, tornando-a ciente de um calor íntimo e intenso entre as pernas. Ela tivera namorados no passado, mas nenhum... nenhum... jamais a havia afetado daquele jeito. — Você é bonita... Malik aproximou-se mais, atormentando-lhe os sentidos. Ela não agüentaria ficar ali nem mais um segundo, sabendo que ele estava tão perto. Tinha de tocá-lo. Jogando a cautela ao vento, e rendendo-se ao desejo primitivo que fazia sua pele arder, Abbie estendeu a mão finalmente... E encontrou a dele, que havia se estendido ao mesmo tempo. Quando seus dedos se tocaram, a sensação foi de uma descarga elétrica no ar. Então aqueles dedos bronzeados entrelaçaram nos seus, enquanto a puxavam para mais perto com força irresistível. Abbie sabia que tinha de se render ao desejo que a inundava, e entreabriu os lábios instintivamente no momento em que a boca máscula baixou para reclamar a sua. O beijo foi muito mais intenso do que Malik tinha imaginado desde o momento em que a vira pela primeira vez. O toque suave dos lábios de Abbie parecia lhe pertencer, fazendo todo seu corpo queimar de desejo. O gosto da boca sensual era maravilhoso e afrodisíaco, enquanto ela se abria, parecendo exigir mais. E ele lhe daria mais. Queria tanto aquela mulher que perdeu todo o sentido de realidade. Esqueceu-se de onde estava e por que tinha ido ali, a missão que pretendia realizar. Enxergava apenas o suave corpo feminino nos seus braços, a boca terna que se abria sob a sua, as mãos que agarravam... — Você é bonita... Os dedos delicados estavam percorrendo um caminho pelos braços dele, tocando- lhe os ombros, embaraçando-lhe os cabelos. O leve roçar das unhas sobre a pele sensível de seu couro cabeludo o fez ofegar e tomar-lhe a boca novamente. Suas próprias mãos tinham encontrado o elástico nos cabelos louros, e os soltou... de modo que pudesse beijá-la exatamente do modo que ele queria. E ela também... Projeto Revisoras !15
  16. 16. Sob o Comando do Sheik – Kate Walker Não houve resistência no corpo flexível e desejoso. Em vez disso, ela pressionou seu corpo contra o dele, os delicados ossos da pélvis aninhando-lhe a ereção. — Eu quero você... Ele quase não reconheceu a própria voz, tamanho era o desejo que o torturava. Seu sotaque estava mais forte do que nunca e, por um momento, pensou que ela poderia não ter entendido uma única palavra que dissera. Mas a mulher em seus braços simplesmente suspirava e murmurava algo contra a sua boca de forma tão incompreensível que o fez afastar os lábios. Malik inclinou-lhe a cabeça para trás, agarrando os cabelos louros a fim de olhar o rosto repleto de paixão e desejo. — O quê? — perguntou ele, querendo ouvir as palavras, mesmo que os olhos cinza estivessem lhe dando uma resposta clara. — O que você disse? — Eu disse... Mas ela não precisou terminar. Estendeu a mão para passar um braço ao redor do pescoço dele e puxou-o para si novamente. — Sim... Era um suspiro... ou um gemido?, indagou-se Malik. Um som de rendição ou um som de exigência? Malik não sabia e não se importou. Não era o momento de dizer nada, e sim, de agir. E o que seu corpo exigia era que tomasse aquela mulher cheia de desejo rapidamente. Com a boca ainda sobre a dela, carregou-a nos braços, desviando da mobília, mais por instinto do que por visão, até encostá-la na parede com um ruído surdo que deixou ambos ofegantes. Respirando fundo, Malik segurou seu rosto com as mãos e provou a doçura daquela boca, sentindo que ela intoxicava seus sentidos já aguçados, fazendo seu sangue ferver ainda mais. — Sim! — murmurou ele contra os lábios dela. — Sim! Você é minha. Soube disso desde o primeiro momento em que... Interrompeu o que dizia quando sentiu mãos ávidas afrouxando sua gravata, e tocando a pele por baixo da camisa. Projeto Revisoras !16
  17. 17. Sob o Comando do Sheik – Kate Walker — Abbie... — Malik... Ele a pressionou contra a parede, sentindo o calor e a maciez do corpo dela colado ao seu. Queria tirar-lhe a roupa, sentir o calor da pele suave envolvendo seu sexo latejante. Mas, ao mesmo tempo, não queria afastar-se sequer por um segundo. Mover-se significaria terminar aquela pressão deliciosa de corpo contra corpo. Significaria interromper as mãos que desabotoavam os botões de sua camisa e acariciavam os pêlos sedosos e escuros que encontrava por baixo. Mas ele tinha de tocá-la. Apenas a carícia dos lábios dela e o toque do seu corpo debaixo da blusa de algodão fino não eram suficientes. Precisava e ansiava pela sensação da carne contra carne, do perfume forte de excitação alcançando o ar e estimulando ainda mais os sentidos, até levá-los ao ponto crítico. — Abbie... Com um movimento ágil, ele a prendeu contra a parede enquanto deslizava as mãos por entre as coxas, agarrando a bainha da saia e puxando-a até a altura dos quadris, expondo a maciez de suas pernas. À pele nua era sedosa, notou ele com um gemido de prazer, sentindo o veludo sedutor sob as pontas de seus dedos. Abbie era tudo o que ele queria. Quando ela finalmente terrminou de abrir sua camisa, deu um suspiro de pura satisfação. Então deslizou os dedos sobre o peito largo, acariciando os pêlos macios, sentindo a tensão dos músculos da barriga, depois indo para as costas, trilhando as mãos ao longo de cada vértebra. Malik também precisava tocá-la. Pressão e calor estavam crescendo em seu interior, elevando o ponto de ebulição e criando uma sensação estranha que era como um vulcão prestes a explodir. E ele explodiria se não pudesse tocá-la. Murmurando palavras carinhosas em sua língua nativa, gentilmente ergueu-lhe ainda mais a saia. E quando a tocou, sentiu o tremor que a sacudiu, o mesmo tremor que atormentava seu próprio corpo. Ouviu-a gemer suavemente... ou era sua própria voz que ouvia? Não sabia ao certo, Projeto Revisoras !17
  18. 18. Sob o Comando do Sheik – Kate Walker mas no momento seguinte beijou-a, percebendo que isso não era suficiente. Precisava ir em frente, explorar mais fundo, sentir mais o gosto dela. E Abbie entendeu, oferecendo o pescoço para as carícias, convidando-o em silêncio a tomar o que ele queria. — Sim... — Era um som de puro desejo. O ridículo avental estava sempre no meio do caminho. Amarrado forte em volta da cintura e até a altura do pescoço, atrapalhava todos os movimentos que Malik tentava fazer. Mas erguendo-o, ele teve acesso ao que até então estava protegido pela calcinha de renda lilás, que contrastava com a roupa de aspecto severo que vestia. Ele sorriu. — Então era isso que você escondia por baixo desse uniforme... Isto é o que uma mulher de verdade usa. E eu gosto... muito! Abbie o enlouqueceu com beijos ardentes no rosto e no pescoço. Com mãos ávidas e desesperadas, tocou-lhe os ombros, os braços, depois removeu-lhe o paletó e o jogou no chão. A camisa já aberta foi tirada de dentro da calça. Oh, por Alá, os dedos dela eram incontroláveis, indo mais para baixo, procurando, tocando, acariciando... — Abbie — gemeu ele. — Não podemos. Precisamos... Nós... — Mas ela meneou a cabeça, não lhe dando chance de continuar. — Beije-me — exigiu ela. — Beije-me! Ele faria mais do que beijá-la! Muito mais! Os seios magníficos estavam pressionados contra o peito dele, os mamilos intumescidos evidenciando a excitação que ela sequer tentava esconder. Malik queria tocar aqueles seios arredondados, senti-los, prová-los... Mas primeiro tinha de livrar-se do bendito avental. O horrível tecido de algodão florido estava ali entre ele e o que queria... mas não por muito tempo! Praguejando baixinho, puxou-o com força. As tiras de algodão fino arrebentaram sem muita dificuldade. Com as mãos trêmulas de desejo, Malik desabotoou a blusa branca e a abriu com delicadeza, uma abertura suficiente para deixá-lo tocar a maciez do seio exposto. Ao toque da carícia, Abbie emitiu um som incoerente, fechando os olhos e procurando-lhe a boca. Outro botão foi aberto, e agora ele podia pôr a mão inteira por baixo da blusa. Projeto Revisoras !18
  19. 19. Sob o Comando do Sheik – Kate Walker Acariciou a suavidade de um dos seios, sentindo seu calor através do sutiã de renda. Apertou um dos mamilos numa carícia sedutora e a dor que sentiu entre as pernas era quase insuportável. Tinha que possuí-la. Mas quando a tocou por baixo da saia, ouviu um som do lado de fora da sala, que interrompeu o delírio sensual que tomara posse de ambos. ! ! CAPÍTULO TRÊS ! — DEIXAREI isso com você então... — a voz soou no corredor, vindo da porta fechada. Uma voz calma e resoluta, que abalou completamente o estado de ânimo do casal que se encontrava num momento de puro prazer e sensualidade. —Acertaremos isso mais tarde. — Uma voz de homem. A voz de James Cavanaugh. A voz de seu anfitrião, pensou Malik. A voz do homem com o qual fora negociar. Meu Deus, o que estou fazendo?, Malik se perguntou imediatamente. Estupefato, piscando como um homem que acabara de levar uma pancada na cabeça, Malik fitou os olhos prateados e arregalados de Abbie, e percebeu que ela também havia ficado imobilizada. — Cavanaugh... — ele conseguiu falar. — Meu... Ela engoliu em seco, incapaz de continuar a formar as palavras. — Seu patrão — completou Malik, entendendo o constrangimento que ela sentiria se fosse pega daquele jeito... especialmente com um visitante importante que a família precisava impressionar e agradar o máximo possível. Seu patrão? Abbie levou alguns segundos para compreender o significado daquelas palavras, mas logo percebeu que ele pensava que ela trabalhava para... Mas então o som de movimentos atrás da porta e passos no corredor apagou o pensamento de sua mente, deixando lugar para a percepção de algo muito mais atordoante. Seu pai estava atravessando o hall, voltando para encontrar seu hóspede na Projeto Revisoras !19
  20. 20. Sob o Comando do Sheik – Kate Walker biblioteca... Ele abriria a porta, olharia através da sala e a veria ali, em total desalinho, numa situação comprometedora. Em pânico, colocou a mão sobre a frente aberta da blusa e tentou cobrir a pele branca exposta, a carne delicada ainda levemente avermelhada e sensível pelo toque dos dedos fortes de Malik. — Aqui... Malik já estava se movimentando, agindo... tomando conta da situação. Parecia totalmente sob controle agora... o controle que Abbie havia perdido, e não tinha a menor esperança de recuperá-lo. Ele estava fechando a blusa dela, alisando a saia sobre os quadris, ao longo das coxas, com movimentos perfeitamente... mais uma vez... controlados. Não parecia consciente da maneira que seu toque, tão frio quanto o toque profissional de um médico, a fazia querer gritar em desespero, quando uma das mãos másculas chegou tão perto do ponto mais sensível do corpo de uma mulher. Abbie ainda podia sentir os seios doloridos, a excitação que exigia liberação. Seu corpo inteiro parecia gemer em protesto pela maneira que o prazer iminente fora brutalmente interrompido, deixando-a perdida e desolada. — Depressa. O tom na voz de Malik era brusco, as palavras, um comando frio. Seus olhos estavam frios também, não continham mais nenhum traço do ardor de momentos atrás. O homem que pedira para ser chamado de "Malik" desaparecera, e a figura do sheik estava de volta e inteiramente sob controle. Ele estava ocupado recompondo-se, abotoando a camisa que ela abrira e enfiando-a para dentro da calça, passando a mão pelos cabelos desalinhados, vestindo o paletó, tudo com rapidez e eficiência. — Eu disse para se apressar! Era uma ordem. O tom de censura na voz, somado ao olhar duro e frio, mostrava tanta desaprovação que Abbie se sentiu profundamente magoada. Ela estivera perdida em um mar de paixão e emoções tão intenso que havia tomado Projeto Revisoras !20
  21. 21. Sob o Comando do Sheik – Kate Walker conta de sua mente e suprimido todos os seus pensamentos racionais. A sensação tinha sido tão arrasadora que Abbie estava tendo dificuldade em se ater a qualquer outra coisa. Mas Malik, gelado e sem qualquer ponta de emoção, recuperara o controle num átimo de segundo, e era óbvio que não fora afetado ou abalado pelo que acontecera da mesma maneira que ela. — Você quer que Cavanaugh entre aqui e a encontre desse jeito? — Não. — Ela pôde apenas sussurrar a negativa, pois sua voz recusava-se a obedecer, assim como seus dedos, quando, desajeitada, arrumou as roupas em desalinho, enquanto o pânico a dominava ao pensar que o pai poderia encontrá-la daquele jeito, e que talvez a situação toda poderia se agravar ainda mais. —Abbie! Malik disse seu nome com dentes cerrados, num som de total exasperação, enquanto ele lhe estendia a mão novamente. Talvez quisesse apenas ajudar, ou pretendesse fazer o que ela não parecia capaz, e pôr tudo em ordem, mas esta não era a maneira de pensar de Abbie. — Não! Lembrando-se somente do prazer intenso que aquelas mãos lhe haviam provocado apenas alguns segundos atrás, e não sabendo se ansiava por uma repetição daquele momento ou o temia totalmente, ela reagiu por instinto. Um instinto que estava muito perto do pânico que não tinha sido capaz de controlar. — Não, eu tenho de ir embora! Tinha de haver uma maneira de escapar dali sem confrontar o pai, assegurar-se de que ele não saberia o que acontecera na sua ausência. Havia uma porta lateral nos fundos da biblioteca que dava para um jardim de inverno com uma estufa. Ela sairia por lá, e entraria novamente na casa pela porta da cozinha. Pelo menos, teria alguns momentos para respirar. Todos estavam dentro da casa, portanto, teria tempo para se recompor, tanto mental quanto fisicamente. Como permitiu que aquilo acontecesse? Como fora capaz de perder completamente o controle, esquecendo-se de quem era aquele homem e por que ele estava lá? Antes, não podia sequer encará-lo. No entanto, apenas alguns segundos atrás... Projeto Revisoras !21
  22. 22. Sob o Comando do Sheik – Kate Walker Seu patrão, tinha dito Malik. Ele pensara que ela era empregada do pai... empregada da família Cavanaugh. Abbie apenas podia supor que o avental horrível e as roupas surradas tinham lhe dado tal impressão. — Preciso ir — murmurou ela novamente, esperando que as palavras soassem mais convincentes desta vez. Com a cabeça baixa, os olhos queimando pela humilhação amarga, voltou-se para a porta rapidamente, querendo escapar dali. Então caminhou para a porta dos fundos da biblioteca, girou a maçaneta, abriu... e, chocada, percebeu que Malik a seguia. A mão forte e bronzeada segurou-lhe o braço, aprisionando seu pulso. — Espere — disse ele, com voz baixa e firme. — Espere! — Espere o quê? Uma nova humilhação? Que Malik lhe dissesse que ela não valia nada? Que tinha sido apenas um divertimento com o qual ele passara o tempo enquanto esperava o pai dela voltar? Não era por isso que homens como ele... sheiks como ele... possuíam haréns? De tal maneira que pudessem ter qualquer mulher que escolhessem? Qualquer mulher que, por acaso, surgisse em seu campo de visão? Qualquer mulher que ele fantasiasse maltratar? — Que você possa me maltratar novamente? — Maltratar? Ele realmente parecia chocado. Jogou a cabeça orgulhosa para trás, enquanto os olhos brilhantes se estreitavam. — Maltratar! — repetiu ele com a voz poderosa. — Como ousa chamar o que aconteceu de maltratar! Deixe-me lembrá-la de que você queria tanto quanto eu... e ainda quer. Malik baixou o olhar para onde os seios dela ainda estavam parcialmente expostos. Os mamilos intumescidos sob o tecido fino da blusa revelavam o desejo que Abbie podia tentar negar com palavras... mas que o corpo traía de forma evidente. — E eu ainda quero você. A voz de Malik era áspera e rouca. Então ele não estava tão controlado como fingia, percebeu Abbie. Ainda havia um brilho de paixão nos olhos dele, e a mão que a segurava Projeto Revisoras !22
  23. 23. Sob o Comando do Sheik – Kate Walker não estava tão firme como ela pensara. A percepção a fez hesitar... Então olhou para seus olhos ardentes e brilhantes e esperou. Em seguida os passos do pai pararam do lado de fora da porta. Abbie viu a maçaneta girar.. E a mão de Malik ergueu-se para lhe tocar o rosto. Segurou-lhe o queixo com uma das mãos e encarou as profundezas dos olhos dela com intensidade, como se estivesse determinado a hipnotizá-la. — Venha comigo esta noite — sussurrou ele, com voz rouca. — Venha para o meu hotel e poderemos terminar o que começamos. Abbie não conseguiu responder, mas sabia, pelo leve sorriso de Malik, que ele percebera a expressão de seu rosto, a qual ela era incapaz de disfarçar, e que significava concordância. — O Hotel Europa — disse ele confiante, a confiança de um homem que sabia que tinha conquistado o que queria e que não havia mais nada a dizer. — Hotel Europa às 20h. Espero você. Ele a beijou por um momento ardente e se afastou em seguida. Abbie não sabia se havia se movido sozinha, ou se Malik a empurrara, mas viu-se do lado de fora no exato momento em que seu pai entrou na biblioteca, desculpando-se pela demora excessiva. — Não precisa se desculpar. Dessa vez, era a voz de Malik que chegara claramente através da porta pesada de madeira que os separavam. Uma voz fria, calma e controlada, como se nada tivesse acontecido naquele meio tempo, e ele estivesse simplesmente esperando pela volta de seu anfitrião. — Tive muito tempo para pensar e nem percebi que o tempo passou. O céu já estava escurecendo, e Abbie rapidamente se recompôs. O avental estava rasgado, portanto, tirou-o, amassou-o e o jogou atrás de um par de vasos de plantas. Voltaria para apanhar o avental mais tarde naquela noite, quando provavelmente ninguém a veria. Projeto Revisoras !23
  24. 24. Sob o Comando do Sheik – Kate Walker Mais tarde naquela noite. Esta noite. A frase a atingiu em cheio enquanto corria ao longo do caminho sombreado em direção à porta da cozinha, Esta noite. Venha para mim esta noite... e poderemos terminar o que começamos. Ele parecia tão seguro, tão confiante de que Abbie não rejeitaria o convite íntimo. Estaria esperando por ela às 20h, como tinha dito. E ela iria? Por que tentar se enganar? É claro que estaria lá. Não tinha outra alternativa. Era perigoso. Uma loucura. Seria provavelmente a coisa mais tola que já fizera na vida, mas como poderia viver se não fizesse isso? Uma dor em seu corpo, que ardia como brasa dentro da alma, dizia-lhe que não poderia deixar as coisas daquela maneira. Hotel Europa às 20h, e estava decidido. Seus passos diminuíram, parando na escuridão quando Abbie levou os dedos aos lábios, recordando-se do que sentira quando Malik a beijara. Quando ele tinha acariciado seu corpo em chamas. Hotel Europa às 20h, sem sombra de dúvida. ! ! CAPÍTULO QUATRO ! ERAM 20h30 quando Abbie entrou no saguão do Hotel Europa e encaminhou-se à recepção. Estava meia hora atrasada... Decidira aceitar o convite e ir lá naquela noite, mas quis fazer Malik esperar. Na verdade, não fora um convite, e sim uma ordem. Um comando de um homem acostumado a ser obedecido imediatamente, apenas com o estalar de dedos. E ela também iria obedecer ao comando dele? Nunca! Não, disse a si mesma enquanto atravessava o saguão luxuoso. O arrogante sheik Malik bin Rashid Al'Qaim poderia estalar os dedos quantas vezes quisesse, mas ela não se renderia ao seu aceno apenas porque... Porque ele era incrivelmente bonito, o homem mais sexy que já tinha conhecido na Projeto Revisoras !24
  25. 25. Sob o Comando do Sheik – Kate Walker vida. Seus passos diminuíram e ela pensou em voltar para casa, mas alguma força invisível, algum magnetismo poderoso a levou em direção à recepção. Esta noite. Venha para mim esta noite... e poderemos terminar o que começamos. Oh, meu Deus, queria ouvir aquela voz a noite inteira... todas as noites... para o resto da vida. Mas aquele momento era o suficiente para sonhar com o futuro? Certamente, estava sendo insensata e imprudente... por ir ao seu encontro. Mas... Como o queria. — Posso ajudá-la, senhora? A pergunta da recepcionista interrompeu seus pensamentos e a trouxe de volta ao presente, ao momento que a vinha preocupando desde que decidira ir àquele "encontro amoroso". Malik lhe dera apenas o nome do hotel, e nenhuma outra informação. Ela nunca havia visitado alguém tão importante. Com certeza, seria checada pela segurança. — Meu nome é Abbie — começou hesitante, e ficou aliviada por ver o rosto da mulher se abrir num sorriso. — Naturalmente. Estamos esperando-a. Poderia me acompanhar por favor? Alguns momentos depois, enquanto subia no elevador privativo que levava à suíte de Malik, Abbie não podia acreditar como tinha sido fácil. Apenas dera seu nome e todos entraram em ação, informando à cobertura que ela havia chegado, verificando seu documento de identidade, acompanhando-a ao elevador, onde tinha sido deixada aos cuidados de um guarda-costas, alto, moreno e extremamente educado, que estava perfilado e de olhos atentos. Quando as portas do elevador se abriram no andar da cobertura, seu acompanhante fez uma pequena reverência e se afastou para que ela passasse. Esse tipo de formalidade deveria acontecer o tempo todo quando se é um sheik, refletiu Abbie no momento em que pisou no tapete azul, grosso e macio. Ter pessoas cujo único trabalho era seguir suas instruções, fazer o que lhes fosse ordenado. Uma vez mais, o sheik Malik estalara os dedos e todos haviam reagido prontamente ao seu comando. Projeto Revisoras !25
  26. 26. Sob o Comando do Sheik – Kate Walker Se Abbie estivera nervosa antes, um nó se formara em sua garganta. Lutou para respirar com suavidade enquanto caminhava pelo pequeno corredor onde uma porta de madeira barrava seu caminho. Outro guarda-costas estava de pé ao lado da porta, em total atenção, usando um terno impecável, levemente desfigurado por uma protuberância na base da cintura. Abbie engoliu em seco só de pensar que aquilo deveria ser uma arma, fazendo-a dar um sorriso nervoso diante do rosto sério do guarda. Mas a tentativa de um cumprimento educado foi ignorada quando, com uma pequena reverência, ele abriu a porta e a segurou para que ela entrasse. — Obrigada! Suas pernas pareciam fraquejar e Abbie tropeçou ao entrar no quarto, o guarda- costas a seguindo. Ela o ouviu dizer algo em árabe, obviamente anunciando-a. Quando piscou para clarear a visão, que estava embaçada pelo nervosismo, viu a figura alta e elegante de Malik levantar-se do sofá de couro preto no meio do quarto imenso e luxuoso. — Você veio! — disse ele, o impacto daquela voz melosa atingindo todos os sentidos de Abbie novamente. — Seja bem-vinda! Teria ele realmente questionado se ela apareceria? Abbie duvidava que o sheik tivesse tido aquele tipo de insegurança. Homens como Malik jamais consideravam a possibilidade de não serem obedecidos... e sequer questionados. Lembrou-se da excelente notícia que o pai havia lhe dado durante o jantar. A notícia que a fizera mudar de idéia e que a levara ao hotel. Antes havia decidido que seria sensata, que não podia correr o risco de aceitar o pedido de Malik, independentemente do quanto seu coração tolo lhe suplicasse. E então seu pai dissera que tinha algo a lhe contar. —É sobre Andy, não é?—Abbie perguntou apreensiva.— O sheik lhe disse algo... o que ele falou? Eles vão soltar Andy? — Há uma chance — respondeu James Cavanaugh. — Mas vai ser difícil. — Não importa o quanto seja difícil, você tem de fazer o que ele exige! — declarou Abbie. — Precisa fazer o que for necessário. Não pode deixá-lo naquela prisão, Projeto Revisoras !26
  27. 27. Sob o Comando do Sheik – Kate Walker trancado... — As palavras morreram em seus lábios enquanto o pai balançava a cabeça com uma expressão séria. — Por que está me olhando desse jeito? — perguntou ela. — O que ele quer? O que você está escondendo de mim? — Não sou eu que tenho que fazer algo, filha — disse o pai em tom solene. — A única pessoa que pode ajudar seu irmão é você, mas não sei se concordará com as condições... ! — VENHA AQUI e sente-se — convidou Malik, aproximando-se com a mão estendida. Sem pensar no que estava fazendo, Abbie enfiou as mãos nos bolsos do vestido azul e branco que usava, deixando-as fora de alcance. Se ele a tocasse, não sabia qual seria sua reação. Já se sentia estimulada apenas por estar no quarto com Malik. Abbie não estava conseguindo raciocinar com clareza. Estivera tão desesperada o dia inteiro... a semana inteira... preocupando-se com o irmão, temerosa com a chegada do poderoso sheik, apavorada só por pensar nas exigências que ele faria para libertar Andy. Então pensou que deveria estar exagerando sobre o terrível impacto que aquele homem lhe causava. Afinal, nenhum homem jamais lhe tomara os sentidos daquela maneira, deixando-a trêmula e descontrolada depois daquele primeiro contato que haviam tido na biblioteca. Nesse momento, sentia-se como uma flor desabrochando ao sol, voltando-se em direção ao calor e à luz, levada irresistivelmente para o que mais precisava. Sua pulsação estava acelerada. O aroma do corpo de Malik penetrava-lhe os sentidos, fazendo-a tremer em resposta. Ele trocara de roupa, e agora estava vestido informalmente, com jeans e camiseta preta, que combinavam com seus cabelos e olhos. Para a surpresa de Abbie, vê-lo assim parecia afastar a noção de que Malik era um sheik, um príncipe, o governante de um país. Naquele momento, ele era apenas um homem. Incrivelmente sexy. E que tinha deixado claro o quanto a queria. — Abbie? Ele havia estendido a mão e tocado seus ombros para chamá-la. O calor da mão parecia queimar através do tecido do vestido, e ela não sabia se queria que ele Projeto Revisoras !27
  28. 28. Sob o Comando do Sheik – Kate Walker prosseguisse ou se afastasse. Engoliu em seco para aliviar o aperto na garganta. — Obrigado — murmurou ele. Malik se afastou, e ela sentiu alívio com a perda do toque quente e sensual. Estava muito nervosa, mas, ao mesmo tempo, aquela situação toda era muito excitante. Era a coisa mais maravilhosa que já havia lhe acontecido. Fazia-a se sentir viva, mais viva do que nunca. Acima de tudo, sentia-se gloriosamente feminina. Nunca se sentira tão mulher como nas últimas poucas horas, desde que conhecera Malik. O homem que lhe despertara o desejo de maneira tão rápida e eficaz. Ela sabia que ele também a desejava. E Malik sentia algo além, se o que seu pai havia lhe dito era verdade. — Posso lhe oferecer um drinque? Abbie se sentou no confortável sofá de couro preto. — Sim. — Vinho? Água mineral... Algo mais forte? — Água mineral, por favor. Era melhor manter a mente clara e não desordenar as idéias com álcool. Mas talvez uma bebida forte pudesse relaxá-la. Afinal, um pouco de desordem não faz mal a ninguém. — Não... vinho, por favor... tinto. Qualquer coisa, na verdade. Não me importo. Calando-se, Abbie tentou novamente recuperar o controle, mas soube que não havia esperança ao ver Malik dirigir-se ao pequeno bar onde havia uma coleção de garrafas e copos. Ela não notara o homem em pé ao fundo do quarto. Estava tão quieto que quase se misturava ao ambiente do aposento, a camisa azul-marinho e paletó combinando com as cortinas de veludo que iam do teto ao chão. Mas ela o viu, quando ele se moveu para frente, atendendo a um aceno quase imperceptível de Malik. Silenciosamente, o homem abriu garrafas e serviu a bebida em taças de cristal, entregando-as depois ao seu soberano com uma reverência. E assim eram todos os dias para Malik, pensou Abbie chocada. Aquela era a vida a Projeto Revisoras !28
  29. 29. Sob o Comando do Sheik – Kate Walker qual estava acostumado. E assim seria sua vida também se... Não, não podia pensar nisso agora, ou destruiria a placidez que tentara manter. Mas era totalmente impossível! Era isso que vinha preenchendo seus pensamentos desde o momento que seu pai mencionara as condições que tinham sido oferecidas para libertar Andy. — O sheik de Barakhara precisa de uma esposa. Ele a escolheu. Se você disser sim, o sheik retirará todas as acusações sobre Andy e o libertará tão logo seja possível. Seu pai havia acreditado que ela não concordaria com a exigência do sheik. Assumira que negaria a idéia veementemente. Que declararia preferir morrer ou ir para a prisão. Mas seu pai não sabia que ela conhecera Malik pessoalmente. E não tinha idéia do efeito que ele causara nela. ! ALGO ACONTECERA durante o tempo que eles haviam se separado, pensou Malik enquanto pegava as duas taças e carregava-as para a mesa de centro perto da qual Abbie estava sentada. Ela não era a mesma... Pelo menos seu humor estava muito diferente da jovem alegre, esperta e vibrante que ele conhecera naquele dia. Parecia tensa e nervosa, os olhos grandes assustados, como se fosse fugir dele a qualquer momento. Quando Malik colocou as taças sobre a mesa, ela o fitou brevemente, então desviou os olhos em seguida. — Obrigada — falou num sussurro quase inaudível. Bem, ele sabia como lidar com uma mulher indecisa. Era especialista nisso. Requeria paciência, consideração, mas o resultado final valia a pena. Ele poderia obter o que queria no final. E o que desejava de Abbie era uma longa noite de prazer. Ela seria seu descanso depois de um dia cansativo. Pelo modo como ela reagira aos seus toques pela manhã, Malik pensou que seria mais fácil. Mas podia esperar. Tinha a noite inteira. Porém, precisava tentar tornar a atmosfera mais confortável para ambos. Projeto Revisoras !29
  30. 30. Sob o Comando do Sheik – Kate Walker — Deixem-nos a sós — disse ele com um aceno em direção à porta para que Ahmed e o guarda-costas saíssem. Abbie ficaria mais relaxada se eles estivessem sozinhos. — Então — começou ele, sentando-se diante dela quando a porta se fechou —, estamos sozinhos. Abbie pegou a taça com água, bebeu um pouco e a recolocou sobre a mesa. — Eles caminham de costas — disse ela com tom de voz trêmulo. — Humm? Oh, Ahmed e Ishaq? Na verdade, ele quase não percebera que os dois homens tinham deixado o quarto. Sua atenção estava direcionada à mulher com vestido azul e branco. A mulher cujos cabelos louros estavam fortemente presos na nuca, e cujos olhos cinza arregalados, com cílios longos e espessos, ainda continham aquela aparência apreensiva e nervosa. — É um costume em Barakhara — explicou ele. — Eles precisam fazer isso sempre? Malik apenas assentiu com a cabeça. Seu meio-irmão era extremamente devotado aos antiquados rituais feitos pelos empregados, e ali na Inglaterra ele estava agindo como representante de Jalil, de forma que devia agir com a mesma deferência, independentemente de ter dispensado aquelas tolices no seu próprio reino. Mas percebeu que aquilo deveria parecer chocante para Abbie. — Não se preocupe. Não esperarei isso de você. E agora? O que fizera para trazer aquela expressão aos olhos dela? Desta vez, Abbie fixou-o e o estudou por um momento. E quando estendeu a mão para pegar a bebida, pegou a taça com vinho e não a água. Indecisão ou relaxamento? Malik não sabia, mas tinha certeza de qual deles serviria melhor aos seus propósitos. Ele não a queria sentada no canto do sofá, tensa, as mãos apertadas em volta da taça como se temesse que ela caísse. O que queria era a mulher que tinha conhecido naquela tarde. A mulher que fizera seu sangue ferver, que se derretera nos seus braços como uma vela diante do fogo. O vestido que ela usava era muito mais feminino e provocante do que o velho uniforme de saia e blusa e o ridículo avental que usava quando a conhecera, mas ainda era roupa demais. Projeto Revisoras !30
  31. 31. Sob o Comando do Sheik – Kate Walker Ele queria pular as formalidades e entrar na intimidade que Abbie lhe prometera naquela tarde. Malik a queria nua e receptiva, abrindo-se para ele, deitada na grande cama luxuosa no quarto ao lado... ou em qualquer outro lugar. E ela queria o mesmo, caso contrário, não estaria lá. E a primeira atitude era desfazer aquele horrível penteado formal. — Não quero tanto formalismo e etiquetas — disse ele. Inclinando-se para frente, Malik levou as mãos para trás da cabeça de Abbie, encontrando a tira de elástico que prendia os cabelos louros, e soltando-os. Rapidamente, os cabelos sedosos deslizaram em cascata sobre os ombros dela. Malik analisou o rosto feminino, os bonitos olhos acizentados, e a maneira como a boca rosada tinha se aberto com ar de surpresa. Ela recolocou a taça de vinho sobre a mesa. — Assim é melhor... Com os dedos, ele penteou as mechas, soltando-as ainda mais, ondulando-as em volta do rosto. No início, queria apenas suavizar o estilo severo do penteado, mas tão logo sentiu a textura dos cabelos sedosos contra os dedos, esqueceu sua intenção original. Tudo o que sabia era que queria tocá-los, acariciá-los... Queria sentir o aroma do xampu floral que o excitava. — Muito melhor — disse ele num tom de voz mais profundo e rouco, evidenciando seu desejo crescente. — Muito melhor. Abbie fez um leve som inarticulado que podia ser concordância, depois suspirou. Ela passou a língua sobre o lábio superior para umedecê-lo, e então ficou em estado de choque quando o pegou observando o pequeno movimento que a traía. — Malik — sussurrou ela, também com voz rouca, o que o fez sorrir. Ele continuou acariciando-lhe os cabelos de maneira sensual, fazendo movimentos circulares no couro cabeludo, e então virou o rosto dela para o seu. — Muito, muito melhor — repetiu. O olhar dela permaneceu fixo nele até seus lábios se encontrarem. O beijo foi lento, suave e demorado. Era uma exploração, um convite, e não podia Projeto Revisoras !31
  32. 32. Sob o Comando do Sheik – Kate Walker ter sido mais diferente do que os beijos vorazes e apaixonados que tinham compartilhado na biblioteca na tarde daquele mesmo dia. Mas a voracidade e a paixão ainda estavam presentes. Malik podia senti-las escondidas sob a superfície do beijo. Podia senti-las na umidade da língua que tocou a sua por alguns momentos. Abbie deixou a cabeça pender para trás e fechou os olhos. Malik ergueu um dedo, passou pelo rosto dela, contornando o rosto e a linha do queixo. — Estou feliz por você ter vindo — murmurou ele, beijando suavemente os olhos fechados. Abbie olhou para ele. — Você duvidou de que eu viesse? — perguntou, já sabendo qual seria a resposta. Um canto da boca de Malik curvou-se num sorriso malicioso. — Nem por um momento. Claro que ele sabia que seu comando seria obedecido, que precisava apenas estalar os dedos para que ela lhe obedecesse, como os empregados fizeram quando Malik pedira drinques ou quando acenara para dispensá-los. Imagens que haviam ficado registradas na mente dela. De repente, Abbie precisou do vinho, e, pegando sua taça, tomou alguns goles do líquido rubi. — Você sabia que eu viria? — Com toda a certeza. — Você é muito seguro de si. Malik meneou a cabeça lentamente, negando a acusação. — Eu estava muito seguro de você. Seu dedo se moveu para baixo do rosto dela e percorreu um caminho sob a orelha, ao longo do pescoço, descendo para o ombro. De modo preguiçoso. Malik colocou o dedo no decote amplo do vestido e puxou o tecido sedoso para baixo, expondo a pele macia. Por um momento, deixou os dedos fortes e bronzeados descansarem contra o peito de Abbie. Concentrou-se no movimento da respiração ofegante dela, que podia sentir sob a ponta dos dedos, e seu sorriso arrogante aumentou consideravelmente. Projeto Revisoras !32
  33. 33. Sob o Comando do Sheik – Kate Walker — Sabia que você me queria tanto quanto eu a queria... — Eu... — começou Abbie, mas ele se inclinou para frente, aproximando-se ainda mais, e colocou um dedo sobre sua boca para silenciá-la. — Sem protestos... sem desculpas — murmurou suavemente. — Ambos sabemos como é a química entre nós. Esta é a razão pela qual eu sabia que você viria. Olhando para a taça de vinho que ela ainda segurava, Malik a tirou dos dedos trêmulos, e, erguendo-a como num brinde, bebeu o vinho da mesma taça. O gesto pareceu uma promessa de sentimento, de intimidade... e compromisso? Por um segundo, as palavras inacreditáveis do pai invadiram os pensamentos de Abbie. O sheik de Barakhara precisa de uma esposa. Ele a escolheu. Sim, ela estava ali por causa do modo que tinha correspondido a Malik mais cedo naquela tarde. Sempre soubera que estaria com ele, mesmo quando sua mente protestara. Mas e aquela espantosa proposta de casamento? Por que Malik não dizia nada sobre isso? Quando falaria? Os pensamentos de Abbie se voltaram para o momento no qual seu pai lhe contara que o preço da liberdade do irmão era que ela se tornasse noiva do sheik. Sabia que o pai tinha ficado atônito quando Abbie disse que pensaria sobre o assunto, em vez de simplesmente recusar. Contudo, ele não sabia quem ela planejava encontrar naquela noite. Não sabia que o coração e a alma da filha já pertenciam a Malik desde o momento em que ele a beijara. Malik estava certo, admitiu Abbie para si mesma. Ela iria ao hotel de qualquer maneira. Nada no mundo a faria ficar afastada. Precisava barrar qualquer pensamento sobre compromisso ou um futuro com ele. Queria apenas conhecê-lo, estar ao seu lado, amá-lo por quanto tempo Malik quisesse. Então aquilo que parecera impossível tornou-se realidade, o fato de saber que ele a desejava tanto que havia dito a seu pai dela que queria casar-se com ela. Tudo bem, ele tinha estabelecido o casamento como uma condição para a libertação de Andy em vez de se declarar apaixonado, mas Abbie podia entender isso. Se ela se sentia confusa e abalada pela velocidade e força de seus próprios sentimentos, como um Projeto Revisoras !33
  34. 34. Sob o Comando do Sheik – Kate Walker sheik, vindo de um país onde era governante e onde os homens não revelam seus sentimentos abertamente, poderia se sentir? Ele a desejava, e por enquanto era o suficiente. Queria-a o bastante para propor-lhe casamento... o que mais Abbie poderia pedir? Era cedo demais para falar em amor, pelo menos para Malik. Mas quando estivessem juntos, certamente o amor viria. Mas então Malik sentou-se ao seu lado no sofá. Braços fortes a envolveram e a boca sensual tomou a sua num beijo tão longo e sensual que quase a fez perder os sentidos. Abbie deixou a cabeça cair contra o peito másculo, ouvindo as batidas fortes do coração dele. O delicioso aroma almiscarado estava ao seu redor, invadindo-a. Respirar era como inalar alguma droga poderosa que a deixava perdida de desejo e desvario. Pensou no sentimento que ele lhe despertara ao pressioná-la contra a parede da biblioteca naquela tarde. Ela se entregara aos braços fortes sem pensar, e fazia o mesmo agora, sem hesitação. Seus próprios braços envolveram o pescoço másculo, os dedos freneticamente penetrando nos cabelos negros, enquanto trazia Malik para si de modo que ele a beijasse ainda com mais ardor. A boca de Abbie abriu-se sob a dele, provocante, num convite íntimo pelo qual todo seu corpo ansiava. E teve vontade de mantê-lo ali para sempre. Mas finalmente Malik parou de beijá- la. — Então agora — murmurou com a voz rouca contra os lábios dela — acho que deveríamos continuar do ponto que paramos esta tarde. ! ! CAPÍTULO CINCO ! TUDO estava começando novamente, suspirou Abbie enquanto se rendia ao poder sensual dos beijos de Malik. Não tinha condições de questionar, ou mesmo de pensar, quando seus sentidos estavam abalados daquela maneira. E a verdade era que não queria pensar ou questionar, desejava apenas derreter-se Projeto Revisoras !34
  35. 35. Sob o Comando do Sheik – Kate Walker no calor das sensações e entregar-se a elas plenamente. Malik puxou-a para si enquanto se deitava sobre as almofadas macias, esticando as pernas sobre toda a extensão do sofá. Abbie somente teve tempo de sentir o calor e a força da ereção contra suas costas antes que ele a virasse, fizesse ela rolar até posicioná-la ao seu lado, com a cabeça sobre seus braços e os corpos unidos. As mãos fortes e bronzeadas estavam nos cabelos de Abbie novamente, e Malik estava torturando-a com beijos excitantes e apaixonados. Ao mesmo tempo, usava as mãos para explorar seu corpo pleno de desejo, delineando todas as suas curvas, fazendo-a tremer numa resposta involuntária sob as carícias ardentes. E quando aquelas mãos quentes apalparam a forma intumescida de seus seios através do linho do vestido, ela não pôde conter o gemido rouco que escapou de sua garganta, percebendo a boca sexy de Malik se curvar num sorriso malicioso. — Você gosta disso? — murmurou ele, com aquele sotaque rouco, enquanto aumentava a pressão das mãos sobre os seios dela. Abbie gemeu, em puro deleite. — Você vai gostar disso também... Malik percorreu com as mãos a pele sensível, movendo-se para onde o mamilo evidenciava-se sob o tecido da blusa do vestido, num convite ao toque. Abbie ouviu a risada de Malik quando o sentiu fechar os dedos sobre seu mamilo intumescido, beliscando, provocando, até que ela teve um espasmo de prazer. — E isto... Deitando-a, ele tocou um dos seios com a boca, fechando-a sobre o mamilo rosado, em cima do tecido fino da blusa até que ela sentiu a umidade da língua sobre a pele. E então, parecendo julgar ser o momento perfeito, ele afastou o decote da blusa e acariciou o seio alvo, fazendo-a gemer e fechar os olhos. — Mais... Malik... mais! O rogo de Abbie era abafado e ofegante, impossível de conter. Toda sua inibição parecia ter desaparecido, fazendo seu sangue ferver. E mais uma vez, sentiu a respiração quente da risada dele. — Oh, tenho muito mais em mente — prometeu ele. — Mas acho que estaríamos Projeto Revisoras !35
  36. 36. Sob o Comando do Sheik – Kate Walker mais confortáveis na minha cama. Com os olhos fechados, ela o sentiu erguê-la nos braços num movimento delicado. Instintivamente, Passou os braços em volta do pescoço másculo, enterrando o rosto contra a pele bronzeada, de repente com medo que um vislumbre da realidade do quarto que estavam atravessando pudesse acordá-la do sonho no qual queria estar perdida. Alguma espécie de mágica estranha e exótica parecia ter tomado posse de seu mundo no momento em que Malik havia aparecido nele. Ela estava solitária e temendo pelo irmão trancado numa prisão longínqua. Em seguida, aquele homem estonteante apareceu na sua vida, arrancando-a daí realidade. Homens como Malik, que tinham o poder de aprisionar ou libertar alguém, não queriam garotas como ela. Ele poderia escolher entre milhares de belas mulheres da alta sociedade, de todos os países do mundo, então por que deveria sequer olhá-la duas vezes? Mas não somente a olhara, como aparentemente gostara do que tinha visto. Mais do que gostara... Malik a queria como esposa. Havia dito ao seu pai que queria casar-se com ela. E aquele pensamento era bom demais para ser verdade. Ainda de olhos fechados, ela pressionou mais o rosto contra o pescoço dele, inalando o perfume ali miscarado erótico, beijando-o ali e sentindo a pulsação acelerada sob sua boca. Abbie traçou a língua ao redor, a fim de sentir o gosto levemente salgado da pele bronzeada, então desceu, ouvindo as batidas do coração dele acelerar. Malik murmurou alguma coisa em sua língua nativa, e, apressando o passo, encaminhou-se para o quarto, e lá, deixou-a tombar sobre edredom macio, amassando-o com o peso de seu corpo quando se posicionou ao seu lado. — Bela, bela Abbie... Seu nome era um som suave e doce no momento que ele começou a beijar seu rosto, as pálpebras fechadas, os cabelos. Então, novamente tomou-lhe a boca num beijo arrasador, ao qual Abbie correspondeu com avidez, erguendo a cabeça dos travesseiros. Malik se movia sobre o seu corpo, incapaz de ficar quieto, beijando todos os locais que podia encontrar, e Projeto Revisoras !36
  37. 37. Sob o Comando do Sheik – Kate Walker deixando-a em chamas. Ele tirou-lhe o vestido, enquanto ia beijando cada pedaço de pele exposta. O sutiã foi retirado em seguida, fazendo o corpo dela incandescer de excitação ardente. O calor parecia ter se alastrado para o interior de suas pernas, de modo que mesmo a fina meia-calça e a calcinha de renda que usava pareciam uma restrição ao anseio feroz de Malik. Ela movia-se de modo irrequieto e indócil, balançando a cabeça sobre os travesseiros, enterrando o rosto nas cobertas frias. — Calma, minha querida, calma — disse Malik, alisando-lhe o rosto carinhosamente, e tomando-lhe a boca mais uma vez num beijo vagaroso e profundo. — Não vamos apressar as coisas... não agora. — Não... — Abbie mal conseguia formar frases. Emitiu um suspiro longo, e não tinha idéia se estava concordando com ele ou tentando protestar pela demora no apaziguamento das exigências de seu corpo. Malik beijava toda a extensão de seu corpo em brasas, fazendo-a contorcer-se de prazer, enquanto a boca sedenta movia-se sobre a pele suave que ele tinha deixado exposta. Os beijos queimavam ao longo dos ombros, desciam para a barriga e depois voltavam aos seios. Ela desejou que ele tomasse a ponta latejante de um dos seios na boca, mas em vez disso, ele continuava a passar a língua pela maciez da barriga, provocando-lhe o umbigo. — Malik... — sussurrou ela, estendendo as mãos ávidas para tocar-lhe os ombros, querendo puxá-lo novamente para sua boca sedenta. Mas quando seus dedos encontraram o algodão preto da camiseta, percebeu que, embora estivesse quase nua, ele ainda estava inteiramente vestido. — Você está usando roupas demais — disse ela. — Concordo. — A resposta de Malik foi um sussurro rouco contra a pele dela. — Mas esse problema é facilmente remediado. Ele provou seu argumento tirando a camiseta tão rapidamente que Abbie quase não notou que os lábios quentes haviam deixado seu corpo antes de Malik voltar a beijá-la de modo sedutor, fazendo seu baixo ventre contorcer-se contra o dele. A força potente da Projeto Revisoras !37
  38. 38. Sob o Comando do Sheik – Kate Walker ereção roçando contra a pélvis-fez seu desejo crescer ainda mais. — E você está usando mais do que eu gosto — murmurou ele com voz rouca. Com delicadeza, terminou de tirar o vestido de Abbie, inclusive a minúscula calcinha rendada. Mas ela não se importou, e um momento depois, foi incapaz de pensar em qualquer coisa, quando a boca de Malik vagou por suas pernas, a língua procurando o ponto de sua feminilidade. A respiração dele era quente contra seu sexo, acrescentando uma dimensão extra ao desejo que a consumia. Queria que ele continuasse a exploração, mas ao mesmo tempo, desejava muito mais. Precisava da realidade de ser possuída, de ser totalmente preenchida. — M-Malik... Desta vez, ela entrelaçou as mãos nos cabelos dele, tentando trazer a cabeça e a boca de Malik em sua direção. Sua boca precisava da dele, os seios ansiavam pelo toque da língua habilidosa e sensual. E bem em seu interior, queria a parte mais poderosa do corpo de um homem. No início, ele resistiu, usando a língua para atormentá-la um pouco mais, despertando-lhe um desejo que beirava à dor. — Malik! — protestou ela, puxando-lhe os cabelos levemente. Desta vez, ele se rendeu ao anseio dela, deslizando sobre o corpo à sua frente mas demorando deliberadamente. — O que você quer, habibti? — Ela podia perceber novamente o sorriso malicioso nos lábios de Malik. — É isto...? — Ele acariciou a curva de seu seio, fazendo-a gritar em deleite. — Ou isto...? Ele selou os lábios doces com os seus, contendo-lhe o gemido na própria boca, enquanto as mãos afastavam os cabelos sedosos para o lado da cabeça e lhe seguravam o rosto, de modo que ela não podia se afastar. — Ou talvez isso... A boca de Malik tomou um dos seios tão de repente, e com tanta ferocidade, que ela gritou de dor e prazer, enquanto lágrimas quentes de alegria marejaram seus olhos, escorrendo pelas faces. Projeto Revisoras !38
  39. 39. Sob o Comando do Sheik – Kate Walker — Sim... sim... sim... Era um mântra de deleite erótico e selvagem, a voz elevando-se com a aproximação do êxtase, depois baixando para um sussurro de puro prazer quando aquela língua torturante brincou com o mamilo intumescido. — Oh, sim... — murmurou ela. — Oh, sim... No entanto, por mais maravilhoso que aquilo fosse, ainda não era o suficiente. Cada movimento do corpo longo e rígido sobre o seu a fazia lembrar-se de que, enquanto estava nua, Malik ainda usava seu jeans, o brim áspero abrandando-lhe a pele como uma barreira entre eles. E Abbie queria conhecer a força pulsante em seu interior. — Malik, eu o quero... preciso de você... — Logo, logo, sukkar. — murmurou Malik contra os seios dela. — Você precisa aprender a ter paciência... esperar... — Não quero esperar! Quero você agora! — Mas eu lhe disse que temos a noite inteira. —A noite inteira, pensou Abbie. Aquilo tinha um som maravilhoso. Tão maravilhoso que não pôde conter uni sorriso de pura felicidade. — A noite inteira... esta noite. E então... — E então todas as outras noites — complementou Abbie. — Todas as noites de nossa vida de casados. — O quê? O silêncio que se seguiu foi assustador. Parecia que Malik tinha congelado completamente, todos os beijos e carícias cessando num segundo. Com a umidade dos lábios dele secando, esfriando sobre seu mamilo excitado, o desejo latejando no seu corpo inteiro, Abbie sentiu como se de repente estivesse caindo de um lugar muito alto. Chocada e atônita demais para falar qualquer coisa, sentiu seu mundo desmoronar, saindo do calor e do deleite sensual do quarto, do conforto da cama e do ato de amor de Malik. Estava num mundo frio e escuro, no qual nada mais fazia sentido e ela não tinha idéia do que havia acontecido para despedaçar sua existência. — O que você disse? Se a primeira sensação de choque diante das palavras de Abbie havia atingido Malik Projeto Revisoras !39
  40. 40. Sob o Comando do Sheik – Kate Walker como um balde de água fria, deixando-o confuso e gelado, então a percepção total do que ela dissera iria atingi-lo como um choque elétrico. Todas as noites de nossa vida de casados. Malik perguntou-se como pudera ser tão tolo a ponto de não perceber o que estava acontecendo. Tinha realmente deixado seu desejo por aquela mulher levá-lo para um terreno perigoso? Não tinha percebido a cilada quando mordera a isca e fora seduzido com tanta sensualidade, acordando somente para perceber que era quase tarde demais? Abbie era uma mulher bonita, sexy e atraente, mas também perigosa. Uma mulher que agora o fitava com olhos arregalados, lábios cor-de-rosa ainda inchados pelos seus beijos ardentes, levemente entreabertos pela reação dele. — Eu... — começou ela, mas o som da voz foi o suficiente para tirá-lo da imobilidade que se encontrava, e afastar-se. Malik saiu da cama e atravessou o quarto. Somente então sentiu que tinha autocontrole suficiente para voltar e confrontá-la. — O que você falou? — repetiu ele, os olhos frios observando-a com a cabeça sobre os travesseiros, sentindo uma ponta de remorso que lutava contra sua raiva. Não tinha dito nem prometido nada sobre casamento. Visões das possíveis repercussões caso ela deixasse aquela história vazar surgiram em sua mente. A imprensa teria um prato cheio. Podia até ver as manchetes: Sheik sexy me levou para a cama e depois me, traiu. Ele prometeu se casar comigo, mas me deixou vagando num deserto sem amor. — Fale! — gritou ele agora, usando a fúria para não se deixar distrair pela fascinação que ela lhe causava. Abbie estava deitada, exibindo seu corpo nu exuberante, os mamilos rosados e rijos, parecendo ainda exigir... suplicar....por sua atenção. Oh Deus, que mulher! Parecia tão atraente... tão tentadora e Malik precisou de muita força de vontade para não voltar até ela e terminar o que tinha começado. Era o que seu corpo queria fazer. Seu coração estava batendo descompassado e seu sexo rijo ainda pulsava pelo desejo e pela frustração cruel que estava suportando. Era impossível raciocinar... todavia, precisava pensar se quisesse salvar algo daquela confusão horrível... e rapidamente. Projeto Revisoras !40
  41. 41. Sob o Comando do Sheik – Kate Walker — Fale. — Desta vez, ele disse as palavras em tom venenoso e mortal, e finalmente aquilo pareceu atingi-la. — Nossa... nossa vida — gaguejou ela. — A vida que teremos juntos quando... nos casarmos. Então ele não tinha se confundido. Não havia deixado que a paixão lhe tirasse o raciocínio, fazendo-o interpretar equivocadamente o que ouvira. — Nossa vida de casados? — repetiu ele, com um tom de sarcasmo. Nenhuma mulher havia ouvido aquele tom antes... e nenhum homem em Edhan poderia suportar aquilo sem perplexidade. — Não me lembro de ter pedido você em casamento. Então, poderia me dizer de onde você tirou essa idéia? ! ! CAPÍTULO SEIS ! — DE onde eu tirei... Abbie era uma grande artista, pensou Malik. Parecia que ele a tinha esbofeteado, enquanto ela abria e fechava a boca, como se estivesse totalmente chocada com a pergunta. Chocada porque sua cilada não tinha funcionado. Porque seu plano de chantageá-lo, de tirar dele tudo o que podia, havia fracassado. Este certamente era o motivo da reação dela. Abbie jamais poderia ter imaginado que ele realmente se casaria com ela. — De onde... —Abbie tentou dizer novamente, enfurecendo Malik com seu ar de perplexidade, que parecia uma tentativa de jogar com a sensibilidade dele e com sua consciência. No que dizia respeito a interesseiras e oportunistas, ele não tinha piedade alguma. — Vai responder a minha pergunta ou não? — disse ele com rispidez, sendo sarcástico novamente. — Eu responderia se você me desse uma oportunidade. Oh, agora ela estava mostrando seu lado verdadeiro! A mudança de humor revelava Projeto Revisoras !41
  42. 42. Sob o Comando do Sheik – Kate Walker o que a atuação da garota inocente e doce escondia o tempo todo. E atrás da máscara, havia uma raposa bonita, esperta e ardilosa, cujos dentes brancos afiados poderiam lhe causar uma ferida mortal se ele permitisse. Ela fora tola em deixar a máscara cair tão facilmente. Malik agora estava avisado e ficaria mais em alerta do que antes. Em silêncio, praguejou por não estar inteiramente atento desde o início. Deveria ter sabido que sua riqueza e posição o fariam sempre um alvo em potencial para as oportunistas. Mas ficara tão atraído por Abbie que não fora capaz de raciocinar com clareza. É claro, tinha se esquecido do modo que ela tentara agredi-lo com palavras nos primeiros momentos na casa de Cavanaugh. Deveria ter tomado aquilo como um aviso. Abbie estivera determinada a acusá-lo de crueldade, de tratar mal seu precioso Andy. E tudo que Malik fora capaz de pensar era no quanto ela era bonita, sexy e imensamente desejável. Não podia acreditar em como tinha sido tolo. Havia permitido que o desejo, que as necessidades mais primitivas de seu corpo o cegassem para o que realmente estava acontecendo. E tinha experiência suficiente para não assumir riscos. Poderia ter jurado que não seria tão facilmente enganado. Abbie não o tratara com o respeito a que ele estava acostumado. E nenhuma mulher jamais o excitara e depois lhe causara tanta fúria, como ela estava fazendo agora. Todas as mulheres que Malik havia levado para a cama o tinham tratado com respeito apropriado, sabendo que casamento era a última coisa na sua cabeça. Quando ele se casasse, não estaria apenas procurando uma esposa, mas também uma rainha. — Estou tentando responder, se você deixar! — Fique à vontade — disse ele, com pequena reverência zombeteira, que fez Abbie sentir como se tivesse levado uma bofetada no rosto. Então seu pai havia se enganado totalmente? Teria cometido um erro horrível e entendido errado o que Malik dissera? Mas ele fora tão claro. Tão definitivo. Como era possível? O sheik de Barakhara precisa de uma esposa. Ele a escolheu. Projeto Revisoras !42
  43. 43. Sob o Comando do Sheik – Kate Walker Qual era o engano naquelas palavras tão claras? Mas talvez Malik quisesse lhe contar pessoalmente, fazer a proposta na hora certa e de sua própria maneira. Afinal de contas, ele era um sheik, um governante, um rei. Não ficaria de modo algum satisfeito em descobrir que alguém havia se antecipado e revelado seus desejos antes da hora. Ou talvez estivesse repensando a proposta? Talvez tivesse falado em casamento por impulso, e finalmente desistido da idéia? Oh, Deus, ele teria decidido não mostrar misericórdia por Andy? Oh, ela fora uma tola em revelar o fato de que sabia sobre os planos dele, tola por ter deixado o fogo da paixão tirar a declaração de seus lábios no momento errado. Mas não esperava a ferocidade da reação de Malik, a fúria que o dominara, como se ela tivesse lhe sugerido vender a alma ao diabo. Abbie tinha reagido para se defender, embora soubesse que as palavras haviam sido um erro tão logo as dissera. — Pelo menos, deixe-me vestir alguma roupa primeiro! Ela sentia-se tão terrivelmente exposta daquela maneira, nua em frente aos olhos acusadores e furiosos. — Por quê? Estou gostando da vista. — Estou certa de que está, mas não pretendo fazer um show de strip-tease para você! — Você parecia bastante feliz em fazer isso um momento atrás. — Mas era... Ela não pôde encontrar forças para terminar a sentença, e sua voz morreu num sussurro quando encontrou a chama do olhar furioso dele. Ali de pé, tão alto e orgulhoso, com a bela cabeça inclinada para trás, olhando-a por cima de seu longo nariz aquilino, ele era um sheik da cabeça aos pés. E não tinha de se preocupar com o constrangimento de ser abandonado, de repente, sem um pedaço de pano para cobri-lo. Malik ainda estava com o jeans, a cintura e o zíper abertos como resultado das mãos ávidas de Abbie, fazendo-a enrubescer somente por se lembrar disso. O peito largo e a pele bronzeada com pêlos escuros e macios apenas realçavam a impressão selvagem e primitiva, fazendo- o parecer selvagem demais para pertencer ao ambiente luxuoso da suíte do hotel. Projeto Revisoras !43
  44. 44. Sob o Comando do Sheik – Kate Walker — Isto foi quando... Abbie não podia deixar de recordar como, no momento em que o conhecera, tinha ficado impressionada com os modos sofisticados de Malik. Pelo quanto Parecia urbano e civilizado. Civilizado! Ela quase deu uma gargalhada diante da ironia do pensamento, mas de súbito, temeu que ele a interpretasse mal e conteve o riso. — Foi quando o quê? — perguntou ele. — Quando pensou que eu queria me casar com você? Que eu pagaria meu prazer com um anel de ouro? Que me prenderia a você pelo resto da vida? Foi isso que tornou seu show de strip-tease respeitável? —Não... — foi tudo que ela conseguiu dizer. Qual era o sentido em tentar negar isso? Abbie fora dele desde o primeiro beijo, daquele primeiro toque, ou talvez desde o primeiro instante que o vira, quando ele pôs aqueles olhos negros sobre ela, enquanto estivera na janela observando a sua chegada. Naquele exato segundo, ele a havia marcado como sua serva, sua escrava para fazer o que lhe agradasse. Venha para mim esta noite e poderemos terminar o que começamos, dissera Malik. E ela havia obedecido ao comando. Pelo que seu pai dissera, Abbie fora lá naquela noite dominada por uma nova sensação de felicidade. Jamais ousaria ter sonhado que Malik pudesse importar-se com ela, que pudesse fazer mais do que simplesmente desejá-la. A excitação aumentara mais ainda quando tinha sido informada de que ele queria se casar com ela. Então ela caíra nos braços de Malik, em sua cama, sem hesitar. Aquele era o homem que queria por uma vida inteira, e que, aparentemente, também a queria da mesma maneira. Então, como aquilo havia se transformado numa experiência tão amarga? Como seu pai pudera cometer um erro tão terrível? — Não... — suspirou Abbie novamente. — Não. — Malik ecoou com satisfação cruel. — Então me diga quando teve essa idéia louca de que eu queria me casar com você? Quando viu a suíte... a quantidade de serviçais Projeto Revisoras !44
  45. 45. Sob o Comando do Sheik – Kate Walker que possuo? Ou já tinha a idéia toda planejada na cabeça desde o princípio? — Planejada? Como ela poderia ter planejado algo quando era ele que... — Você veio aqui esta noite para deitar na minha cama por duas razões. Em primeiro lugar, queria se divertir e se satisfazer, e, em segundo, obter um bom lucro com isso, fazendo chantagem para que eu me case com você ou.. — Não! — Abbie já não agüentava mais ouvir aquilo, no entanto, ainda não sabia o que tinha acontecido. Não tinha idéia de como o terrível erro acontecera... e de quem partira. Sabia apenas que seus sonhos bobos haviam sido arruinados e atirados contra ela por Malik. — Não, não havia nada disso na minha cabeça! — As roupas que ela precisava para esconder sua nudez estavam longe demais do seu alcance. Observou que, para pegar seu vestido, teria de chegar muito perto de Malik! E isso significaria se abaixar perante aquele homem horrível, o que não tinha a menor intenção de fazer... jamais! Mas havia um daqueles roupões de banho que os hotéis proporcionam para clientes de primeira classe, colocado na cadeira sob a janela. — Como eu poderia ter pensado nisso? Ela saiu da cama e agarrou o roupão branco, então o colocou em frente ao corpo. O roupão pelo menos servia como armadura protetora contra aqueles olhos negros acusadores. — Oh, de algum modo, desconfiei que tudo isso estava fácil demais! Você deixou claro desde o começo que me considerava um vilão pelo modo como Andy está sendo tratado. Que idéia mais simples para ajudar a causa de seu namorado do que me seduzindo e me chantageando depois? — Não houve chantagem da minha parte. — Apenas porque você não teve a chance. Malik voltou-se inesperadamente e caminhou para a janela, onde permaneceu por alguns momentos, olhando para a cidade iluminada. Abbie agarrou a oportunidade para vestir o roupão. Suas mãos tremiam quando as enfiou pelas mangas, amarrando-o com dedos trêmulos, mas pelo menos estava coberta. A repentina percepção de que Malik tinha obviamente usado o roupão antes dela, o Projeto Revisoras !45
  46. 46. Sob o Comando do Sheik – Kate Walker qual ainda conservava o aroma másculo da pele, a fez fechar os olhos numa reação puramente física. Fazia apenas poucos minutos desde que inalara aquele aroma pessoal e maravilhoso, quando estava deitada sob ele, correspondendo, com o corpo e o coração totalmente abertos. Imediatamente, forçou os olhos a se abrirem mais uma vez. Não podia permitir tais pensamentos. Eles a enfraqueceriam ainda mais, e a destruiriam, se permitisse. Quando caminhou sobre o tapete, sentiu algo macio e leve enroscado em volta do tornozelo direito e, olhando para baixo, viu, com horror, a calcinha que Malik havia deslizado por suas coxas poucos momentos atrás. Constrangida, livrou-se da pequena peça, atirando-a no chão. — Você não me chantageou porque não jogou suas cartas direito. — Malik tinha se afastado da janela, e novamente os olhos negros incandescentes estavam fixos no rosto pálido de Abbie, o que a fez fechar mais o roupão ao seu redor, apertando o cinto. — Você se revelou antes que tivesse evidência suficiente para usar contra mim. — E por que eu deveria ter qualquer evidência para usar contra você? — Para sustentar sua história louca! Suas fantasias! Suas mentiras! — Minhas mentiras? — A fúria de Abbie fez sua voz tremer quando exclamou: — Eu não sou mentirosa! — Não? — O rosto bonito de Malik era uma máscara de satisfação enquanto seu olhar frio e duro a examinava da cabeça aos pés. — Então de onde você tirou a idéia de que eu ia me casar com você? — De onde você acha? Meu pai me contou! — Ela atirou as palavras com raiva, querendo derrotá-lo. — Seu pai lhe contou o quê? Para o horror de Abbie, Malik não parecia nem um pouco derrotado. A expressão era mais fria e dura do que nunca. — O que você acha... Alteza? Não é óbvio? Ele me contou que você queria se casar comigo. — Ele contou o quê? — Malik inclinou a cabeça para trás e estreitou os olhos. — Então seu pai é um mentiroso, porque eu nunca disse algo assim. Projeto Revisoras !46
  47. 47. Sob o Comando do Sheik – Kate Walker ! ! CAPÍTULO SETE ! MALIK não podia acreditar no que estava ouvindo. O pai dela dissera que ele havia proposto casamento? Queria balançar a cabeça, bater as mãos contra o peitoril da janela, fazer qualquer coisa para tirá-la da desilusão na qual parecia ter caído. Aquela mulher à sua frente estaria louca? Ou ele estava sonhando? Em que espécie de pesadelo tinha caído sem saber? — Meu pai não é mentiroso! Abbie tinha alguma idéia sobre o efeito que causou nele quando ficou de pé, tão alta e ereta? Quando inclinou a cabeça e ergueu aquele pequeno queixo teimoso, de modo tão orgulhoso, e fixou os olhos brilhantes nos seus? Saberia como o desafio em seu olhar mexia diretamente com a libido de Malik, ameaçando destruir sua habilidade de raciocinar? O corpo dele ainda parecia queimar de paixão, e o coração continuava batendo acelerado no peito. Ele não ousava baixar o zíper do jeans sobre o sexo ainda intumescido e latejando, porque só o roçar do tecido solto era uma agonia que quase não podia suportar. E mesmo agora, o desejo mais primitivo de seus sentidos estava lutando contra os avisos de um pensamento racional, exigindo-lhe que se rendesse às ânsias de seu corpo. O que mais queria no mundo era abraçar aquela mulher, erguê-la nos braços e conduzi-la para a cama à sua frente. Queria remover o tolo roupão do corpo sexy, deixá- la nua em poucos segundos, e então deleitar a boca naquela pele acetinada e macia, sentir novamente o gosto dela em seus lábios. Desejava posicioná-la embaixo de si, enterrar o corpo sedento no calor da intimidade feminina e preenchê-la. E ela seria receptiva. Malik sabia disso sem sombra de dúvida. O fogo crepitante que havia acendido entre eles e a tempestade de desejo intenso não podiam ser extintos num segundo, numa batida de coração. Seu próprio corpo, como o de Abbie, ainda pulsava com ansiedade por plena satisfação. Ela devia sentir a Projeto Revisoras !47
  48. 48. Sob o Comando do Sheik – Kate Walker frustração e o vazio que o vinham torturado desde o momento em que havia se afastado, e o quanto ele queria terminar aquilo. Se pelo menos a razão não o tivesse avisado dos perigos de enveredar-se por aquele caminho sensual. Esforçando-se para reprimir os pensamentos eróticos que o incomodavam, Malik obrigou-se a encará-la, fitar-lhe os olhos e ver, não o convite sensual que ela havia lhe oferecido há apenas alguns minutos, mas o esquema calculado que a levara ali naquela noite, assim como a provocação deliberada e o desafio de sua postura. Abbie fora até lá para arruinar a reputação dele, chantageá-lo em tudo que pudesse obter, e ele não a deixaria ir embora sem ser punida por isso. — Eu lhe direi que seu pai mentiu. Ou pior. Na verdade, ele inventou a história inteira. Novamente, os olhos acinzentados brilharam, mas desta vez, em total rejeição às palavras de Malik, enquanto ela jogava a cabeça loura de um lado para o outro num gesto de desafio selvagem. — Eu... nós não fizemos uma coisa dessas! Não há nenhum complô. Não há nada! Meu pai falou... — Meu pai falou... — ecoou Malik com cinismo. — Esqueça, sukkar, conte sua história mentirosa agora... ficará melhor para você no final. Seu pai não pode ter falado tal coisa, porque na verdade não o conheço... nunca falei com ele. — Ele notou que ela caiu em silêncio total e os olhos acinzentados de repente tinham perdido a fúria. — Como isso é possível, se seu pai e eu nunca nos encontramos? Mas desta vez a reação de Abbie foi o oposto do que ele havia antecipado. Em vez de render-se e admitir a derrota... era como se algo que ele houvesse dito renovasse as convicções dela, dando-lhe força renovada. Ela o fitou com desprezo. — Oh, vamos lá, alteza! Você vai ter de melhorar sua atuação! Por um momento, conseguiu me preocupar, mas agora... agora tem de se render e admitir que você é quem está tentando mentir para se livrar da situação... e sem sucesso. Sei que não está me contando a verdade agora. Projeto Revisoras !48
  49. 49. Sob o Comando do Sheik – Kate Walker — Você sabe? — perguntou Malik, o tom frio e afiado como uma lâmina. — Como... — Direi como. — Desta vez, o tom de voz de Abbie era furioso. —Você não pode ter esquecido que eu o vi lá biblioteca... — Claro que você me viu lá — disse Malik, também com tom irado —, assim como eu a vi. Foi quando nos conhecemos. Por que eu deveria negar esse fato se estava lá esperando por... — Esperando por meu pai — completou Abbie, colocando ênfase na última palavra. — O que você disse? — Ele franziu as sobrancelhas numa expressão interrogativa. — Onde estava esperando por meu pai. — Desta vez as palavras tinham a convicção de que o arrasaria. — Quando eu o encontrei na biblioteca, você estava lá porque tinha ido conversar com o meu pai. Ele o levou para a biblioteca e depois saiu para atender um telefonema. Foi quando eu entrei na sala. Quando conheci... — Quando me conheceu. Se os pensamentos de Malik estavam vacilantes antes, agora sua cabeça parecia prestes a explodir. — Na biblioteca, eu estava esperando por James Cavanaugh... — Ele captou um leve movimento da cabeça de Abbie, que assentia com um gesto, e vislumbrou a acusação silenciosa daqueles olhos prateados. — Quem é o seu pai afinal? E, pelo amor de Deus, quem é você? Não poderia ser quem ele desconfiava, poderia? 0 destino não podia ser tão cruel. — Meu nome é Abbie Cavanaugh. Meu pai é James Cavanaugh. Aquelas eram as palavras que Malik mais temera ouvir. As palavras que tinham o poder de destruir tudo. De acabar com os seus planos e forçá-lo a quebrar os votos que tinha feito à mãe. Ele as ouviu, mas não queria aceitá-las, balançando a cabeça em violenta rejeição. — Não. Não acredito em você. — Sim! — disse Abbie com maior ênfase possível. — Mas me disseram que a filha dele se chamava Gail e ela... — Gail é diminutivo de Abigail. Quem lhe falou sobre o nome Gail? — perguntou ela, atingida pelo impacto do que ouvira. Projeto Revisoras !49
  50. 50. Sob o Comando do Sheik – Kate Walker Mas a expressão de Malik era totalmente inescrutável, como se o rosto tivesse sido esculpido em pedra, os olhos tão opacos como aço. — Vista-se! — disse ele, acenando uma das mãos num gesto imperioso em direção ao banheiro. — Ponha suas roupas... cubra-se! — Estou perfeitamente coberta — protestou Abbie, pois sua intenção era saber o que estava acontecendo, quem tinha dito aquilo. E por quê. — E pare de me dar ordens. Pode dar ordens a todo mundo, e sei que seus criados lhe obedecem, curvam-se diante de você, caso contrário, suas cabeças rolarão, mas eu não tenho a mínima intenção de me submeter ao seu comando. Quero algumas respostas agora. Quero saber... — começou ela novamente, mas Malik não estava ouvindo. — Vista-se — repetiu ele energicamente, segurando-a pelos braços e conduzindo-a para a porta do banheiro. — Depois conversaremos. Um momento depois, suas roupas foram reunidas e atiradas atrás dela, voando pelo ar para aterrissar no chão do banheiro. — Mas... — Abbie se virou a fim de protestar, mas ele fechou a porta. — Vista-se! Mesmo através da porta sólida, ela podia sentir o perigo no tom de voz de Malik, que parecia dizer-lhe: Não me deixe irritado a menos que esteja preparada para assumir as conseqüências. Por um segundo, Abbie ficou tentada, mas então o impulso tolo deu lugar ao bom senso, e, em silêncio, admitiu derrota, satisfeita por ter a proteção da porta entre os dois. — Tudo bem. Vou me vestir! Mas depois você me deve uma explicação! A resposta de Malik por detrás da porta não fez sentido algum, mas então ela percebeu que ele tinha praguejado algo na sua língua nativa. Contudo, não houve engano no significado da sua observação seguinte: — No que diz respeito a explicações, algo está errado aqui. É você quem me deve uma explicação! — Acho que não! A segurança do abrigo da porta entre eles fez Abbie se sentir corajosa. — É você quem parece saber o que está acontecendo... foi você quem chamou meu Projeto Revisoras !50

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