Cheyenne McCray - No país das maravilhas 03 - O rei de ouros

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Cheyenne McCray - No país das maravilhas 03 - O rei de ouros

  1. 1. O Rei de Ouros Série No País das Maravilhas 03 Cheyenne McCray
  2. 2. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros X@uÉÉ~ ÇÉXáÑtÇ{ÉÄM _tá XåvÉÅâÄztwtá W|áÑÉÇ|u|Ä|ét†ûÉM _xÇ|Ü|t gÜtwâ†ûÉM fÉÜçâ exä|áûÉ Ç|v|tÄM etytxÄt? etçáát exä|áûÉ Y|ÇtÄM `|ÄÄt YÉÜÅtàt†ûÉM fxÜxÇt{ Série No País das Maravilhas1 O Rei de Copas – King of Hearts – Alice e Jarron - Distribuído O Rei de Espadas – King of Spades – Alexi e Darron - Distribuído O Rei de Ouros - King of Diamonds – Annie e Karn - Distribuído O Rei de Paus - King of Clubs Série Retorno ao País das Maravilhas Lord Kir Kalina's Discovery                                                              1  Os quatro reis da série relacionam‐se com os quatro naipes do baralho. Por esse motivo: Copas,  Espadas, Ouros e Paus. 
  3. 3. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros Argumento A professora Annie Travis é uma prestigiada acadêmica acostumada a esconder seus desejos, o que faz com que ninguém conheça a autêntica Annie... Ninguém exceto o Rei de Ouros. Karn levou Annie a seu mágico mundo com o objetivo de mostrar à professora o autêntico significado da paixão, dominando-a e fazendo dela sua rainha submissa. Mas enquanto lhe ensina como se liberar, o escuro passado de Karn aprisiona seu coração e alma, impedindo-o de amar a alguma mulher. Poderá Annie virar à situação e fazer com que Karn volte a acreditar no amor? Comentário da Revisora Milla Apaixonei-me pelo Rei deste livro. Ele é dominador, tudo de bom, mas preocupado e cuidadoso. Ele se preocupa com a mocinha e tenta tratá-la da maneira mais delicada possível. A mocinha sabe o que quer, mas não é como a Rainha do Reino de Espadas, é mais delicada, menos incisiva. O livro, como os dois primeiros possui BDSM. E adorei. Aguardo o quarto livro. Beijos e boa leitura Milla
  4. 4. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros cÜ™ÄÉzÉ As janelas da mansão se sacudiram e o trovão cortou a noite com um flash brilhante de relâmpago que iluminou o quarto em penumbra. Os aromas de sebo queimado, madeira de sândalo, especiarias e os aromas da excitação das duas mulheres em seu quarto, fizeram com que as fossas nasais de Karn se movessem e seu pênis se endurecesse. Como um tigre enjaulado, o Governante do Reino de Ouros passeou pela luz das velas para sua antecâmara e ignorou às duas mulheres nuas que esperavam em silêncio. O ar frio lhe acariciava as cicatrizes do peito e flexionou seus músculos enquanto lutava contra o que era necessário fazer. Apesar de que era o rei de seu próprio reino, respondia ao Grande Rei, seu irmão Jarronn. Diferente dos castelos e palácios de seus três irmãos, Karn residia em uma mansão senhorial. Preferia viver com elegância, mas com simplicidade. Os pântanos sem fim em torno de sua mansão lhe davam comodidade e sensação de paz. Os súditos do Reino de Ouros eram leais a Karn, assim como a Jarronn, o Grande Rei de Tarok. Fez uma pausa ante uma janela e olhou para a penumbra. A tormenta obscurecia sua visão da aldeia, as casas circundantes, e inclusive do mar, dando à escura mansão uma sensação de estar mais longe do que realmente estava. Perdido em seus pensamentos, Karn mal deu uma olhada às duas cartas de barriga para baixo sobre a'bin. Apesar de suas ordens, apesar da petição urgente da feiticeira Kalina de escolher uma carta e selecionar a sua companheira como fizeram seus irmãos gêmeos mais velhos, Karn se mostrava resistente a obedecer. Não tinha desejo de levar uma mulher de outro mundo a uma união sem
  5. 5. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros amor... Pois Karn nunca amaria a ninguém, exceto seus irmãos e suas companheiras, suas sobrinhas e sobrinhos. Inclusive para esses indivíduos uma parte de seu coração estava fechada e não o dava a ninguém. Não depois de perder a seus pais por uma febre mágica, não depois de perder a sua irmã para uma loucura malvada, não depois de perder à única mulher a que uma vez deu seu amor. Não. Ele nunca amaria outra vez. No lugar das cartas mágicas, Karn se deteve e centrou sua atenção em Kalina e Aleana, seus brinquedos de prazer favoritos. A chama da vela piscava dançando sobre a pele meia-noite de Aleana que estava ao lado do a'bin, aos pés de sua enorme cama com dossel. Tinha uma pele escura perfeita, como seda feita com o céu noturno e criada para o tato de um homem. Uma só mecha branca adornava seu cabelo comprido e negro, emoldurando um dos lados de seu rosto enquanto se derramava sobre a frente e até seus ombros. A palidez dele era um impressionante contraste com sua formosa pele. — Minha beleza. - Karn se moveu o suficientemente perto de Aleana para lhe dar uma ligeira carícia nos peitos com as gemas de seus dedos. Beliscou-lhe um mamilo perfurado e ela deu um grito emocionado. O símbolo de Ouros branco que pendurava da perfuração brilhou na luz das velas, projetando um arco-íris escuro pelo quarto. — Sabe o que quero de você, minha menina? - Perguntou. Aleana lambeu seus lábios cheios, cor de vinho com a ponta de sua língua e seus olhos marrons brilhou com necessidade. — Desejo só seu prazer, meu Senhor. Com uma piscada, Karn fez um gesto a Kalina para que se aproximasse enquanto seguia acariciando o mamilo da Aleana. — Antes de realizar meu dever para com meu povo, desejo que leve a cabo seu dever para comigo - disse Karn.
  6. 6. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros Um trovão retumbou de novo enquanto a feiticeira se aproximava e podia sentir a carga no ar, com o céu disposto a desprender toda sua fúria. Quando Kalina esteve o suficientemente perto, Karn estendeu a mão e esfregou seu tenso mamilo com a gema de seu dedo polegar e sua perfuração de diamantes, o que a fez ofegar de prazer. — Tem pouco tempo, meu Senhor. A passagem não permanecerá aberta por muito tempo. — Sou consciente de quanto tempo tenho e que não tenho. — A voz do Karn sustentou suficiente recriminação para que Kalina baixasse seus gelados olhos de fogo. — Sim, meu Senhor. Deixou cair suas mãos longe das mulheres e deu um passo atrás, de modo que pudesse observar melhor seus brinquedos de prazer. — Feiticeira, desejo que chupe os mamilos de Aleana. A expressão Kalina foi de desejo enquanto se voltava para Aleana. A feiticeira tomou o seio da mulher, baixou a cabeça e estalou sua língua sobre o mamilo de Aleana como lhe tinha ordenado. Aleana gemeu e arqueou as costas, obrigando seu mamilo a ir mais perto da boca da Kalina e a feiticeira o chupou mais forte ainda. Kalina levou suas mãos aos quadris magros de Aleana enquanto sua boca se movia ao outro seio da mulher. O pênis de Karn ficou rígido à vista da carne de marfim da Kalina contra a pele de ébano da Aleana. Nunca deixava de lhe agradar ver duas mulheres agradarem uma a outra e logo fodê-las até que não pudesse mais. Entretanto, ainda tinha que descobrir um par com quem pudesse encontrar a liberação completa, e agora que se via obrigado a escolher a sua Rainha por uma carta, provavelmente nunca o faria. Inclusive duas mulheres totalmente Rainhadas nas artes sexuais não podiam satisfazê-lo. Como poderia
  7. 7. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros apenas uma mulher fazê-lo e uma mulher ignorante das formas sensuais de seu próprio mundo, nada menos? Houve um brilho de luz e logo o trovão retumbou de novo. — Estende sua postura Aleana, mandou enquanto caminhava lentamente ao redor das duas mulheres, desfrutando da vista de seus corpos nus. Quando Aleana obedeceu, deteve-se detrás de Kalina, agarrou um punhado do cabelo negro da feiticeira como gostava, e atirou para baixo. — Lambe o Quim de Aleana. — Sim, meu Senhor. — Kalina se ajoelhou com graça, com sua boca curvada em um sorriso sensual e Karn a soltou. Ela utilizou seus magros dedos na abertura de Aleana. Kalina logo sacudiu sua língua contra o clitóris da mulher, afundou a cara nas dobras da Aleana. Aleana gemeu e moveu suas mãos pelo cabelo de Kalina, pressionando ainda mais estreitamente à feiticeira contra seu Quim. Um ruído surdo se levantou no peito de Karn e tornou um ronrono alto enquanto via seus encantadores brinquedos. Terra e céu, mas seu desejo sempre fazia estragos à vista delas jogando uma com a outra. Gostava de ver uma mulher chegar ao clímax. Ainda melhor era ver duas mulheres chegarem ao orgasmo de uma vez. — Posso gozar meu Senhor? - Aleana perguntou, com os olhos marrons encontrando seu olhar. — Ainda não. — Ele fez um gesto ao couro negro no piso de laje escuro, ao lado da feiticeira a'bin. — Kalina, detenha. Vê, e se deite sobre suas costas na pele de urso. A feiticeira levantou a cabeça, lambeu os sucos de Aleana com seus lábios, e se apressou a fazer o que lhe tinham ordenado. Acomodou-se no tapete espesso, olhando tão relaxada como excitada. Ah, mas era formosa, com sua pele tão impecavelmente branca contra a pelagem negra. — Com suas mãos e joelhos sobre a Kalina - ordenou a Aleana. — E se assegure que seus seios fiquem em cima da boca da feiticeira. — Sim, meu Senhor, respondeu Aleana enquanto obedecia.
  8. 8. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros — Kalina, desejo que chupe os mamilos da Aleana, enquanto a fodo. — Sim, meu Senhor. — Kalina capturou ambos os peitos da Aleana com as mãos e os sustentou de modo que os mamilos da mulher estivessem o suficientemente perto junto para poder facilmente acariciar ambos com sua língua. Karn se ajoelhou atrás de Aleana, entre as coxas de Kalina. Aleana gemeu enquanto acariciava seu traseiro firme e formoso e enquanto Kalina lhe chupava os mamilos. Gostava de ver o Quim de uma mulher deste ângulo, e com a feiticeira debaixo de Aleana, tinha uma bela vista de suas formosas dobras também. Com sua magia convocou um brinquedo em três dimensões no formato do símbolo de Ouros que frequentemente utilizava com seus formosos brinquedos. Ao mesmo tempo em que punha a cabeça de seu pênis no centro da Aleana, punha o brinquedo no Quim de Kalina. — Quer que faça por você? - Karn lhe perguntou enquanto acariciava o traseiro da Aleana. — Se lhe agradar, meu Senhor - disse Aleana com uma voz que lhe resultava difícil falar - eu gostaria que me fodesse. — Essa é minha menina. — Karn jogou com sua abertura durante uns segundos, o tempo suficiente para fazê-la gemer de antecipação. Logo conduziu seu pênis em Aleana ao mesmo tempo em que escorregava o brinquedo em Kalina. Ambas as mulheres gritaram e gemeram. Com sua mão livre, deu uma palmada no traseiro da Aleana da maneira que sabia que ela desfrutava, com o som de cada bofetada soando no quarto e mesclando-se com o som de um trovão. Ela deu gritos de alegria e se empurrou para trás contra ele no mesmo momento que ele empurrava para ela e lhe dava uma palmada. Viu como seu pênis entrava e saía dela e seu desejo crescente, entretanto, não se permitiu chegar ao máximo.
  9. 9. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros Não foi até uns momentos mais tarde que Aleana lhe rogou de novo para deixá-la chegar a seu clímax. Quando lhe deu permissão, imediatamente gritou e sua vagina se contraiu ao redor de seu pênis. Ela ainda se estava recuperando de seu orgasmo quando lhe ordenou que se movesse de modo que ficasse ao lado da Kalina. Ele ficou de joelhos somente entre as coxas de Kalina então. Por um longo tempo tinha desfrutado de foder a feiticeira nas vezes em que visitava o Reino de Copas quando servia a seu irmão Jarronn, e mais tarde em Espadas quando pertencia ao Darronn. Agora estava com o Karn... Até que tomasse a sua própria rainha, e então iria com o mais jovem rei, Ty. Karn tirou o brinquedo com a forma do símbolo de Ouros do Quim de Kalina e utilizou sua magia para enviá-lo de volta a seu lugar em seu quarto. Os olhos da feiticeira estavam pesados com a luxúria enquanto enganchava seus braços debaixo de seus joelhos e lhe levantava o traseiro do piso para que estivesse o suficientemente alto e no nível perfeito de seu pênis. — Lambe o clitóris de Kalina, - Ordenou a Aleana, e ela obedeceu rapidamente. Aleana se ajoelhou na pele de urso e baixou a cara no clitóris da feiticeira, Karn conduziu seu pênis ao núcleo da Kalina. Ela gemeu e acariciou seus próprios mamilos enquanto Aleana lambia suas dobras e Karn a fodia. — Posso gozar meu Senhor? - A feiticeira suplicou, mas ele a rechaçou. Enquanto empurrava dentro e fora de Kalina, liberou uma de suas pernas para chegar à'bin. Pôs suas mãos em cima das duas cartas. A segunda brilhava e se sacudia com a sensação através de seu corpo e diretamente a seu pênis, tão intensa que quase gozou. Karn girou a carta de barriga para cima, inclusive enquanto continuava fodendo à feiticeira. E então quase perdeu o controle uma
  10. 10. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros vez mais quando voltou à carta e pela primeira vez viu sua futura companheira. Annie. O nome lhe chegou como um sussurro no vento. Seu nome é Annie. Com cabelo comprido marrom, com um corpo voluptuoso, e a inocência sedutora envolta em um pacote delicioso. De repente imaginou que era a ela a quem estava fodendo. Que era a mulher da carta que desfrutava dos prazeres misturados da língua de Aleana e seu pênis. — Posso gozar meu Senhor? - Ouviu a súplica desesperada ao longe. —Sim, gatinha - Respondeu à mulher da carta. Ela gemeu e correu, com seu centro ordenhando seu pênis. Seu próprio orgasmo estalou contra o dele e grunhiu enquanto ele esvaziava seu fluido em seu Quim. Pouco a pouco voltou para a realidade, com a carta ainda na mão e a feiticeira e Aleana diante dele. Não era a mulher da carta. O choque ao ser transportado do momento que imaginava que estava fodendo a sua futura companheira o fez ficar sem fala. Ele se retirou da feiticeira. Sua expressão estava feliz e saciada, lhe dizendo que não só tinha experimentado o prazer de suas mãos, mas também o tinha visto tomar a carta e estava satisfeita com sua resposta. Karn sentiu uma mescla de irritação e intriga. Não esperava nada e muito menos uma forte quebra de onda de sensações. Ficou de pé, moveu-se à janela e olhou para a tormenta da noite. Um raio iluminou seu reino, suas terras chegavam ao final da primavera. O trovão retumbou e os vidros se sacudiram de novo. — Chegou o momento - Murmurou em voz baixa. — Já é hora.
  11. 11. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros Capítulo 1 Annie Travis pôs um pouco de tinta azul marinho em sua paleta, com sua mão tremendo ligeiramente à medida que as lembranças dos últimos dois anos ameaçavam sua energia criativa. Primeiro sua prima Alice tinha desaparecido e, depois exatamente um ano depois desse dia, Alexi a gêmea da Alice tinha desaparecido também. A nota. Recorda a nota, Annie se lembrou enquanto fechava a tampa do tubo e punha a tinta de novo em sua caixa de pintura. A sala cheirava a suas pinturas e a velas apagadas de mirtilo2 e especiarias em seu apartamento. Seu gato, Abracadabra, estava enroscado ao redor dos tornozelos de Annie e lhe esquentava os pés descalços. Jogou a trança em cima do ombro e ficou olhando a enorme tela branca que media 1,20 metros de altura por noventa centímetros de largura. Não tinha ideia de por que tinha comprado uma deste tamanho. Sem dúvida era muito grande para seu apartamento. Talvez ficasse bem no piso da tia Awai, dependendo da cena que ocorresse à Annie. Algo se moveu na parte posterior de sua consciência. Era como se sua mente estivesse trabalhando no que ela queria pintar, só tinha que dar um pouco mais de tempo. Abra deu um pequeno miado como se recordasse à Annie que supunha que devia estar pintando e não abatida pensando em suas                                                              2 O mirtilo eurasiano, (blueberry em inglês) é um arbusto que pertence à família Ericaceae (família da azálea). As plantas são arbustos de pequeno porte nativos da Eurásia e que também crescem em sub-bosques das florestas temperadas na Europa. Existe também o mirtilo americano, uma espécie nativa da América do Norte(Vaccinium corymbosum).  
  12. 12. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros primas desaparecidas. Annie se inclinou ausente desde seu tamborete para esfregar ao gato detrás das orelhas até que Abra ronronou e acariciou os pés descalços de Annie. Com um sorriso, Annie empurrou a armação de metal de seus óculos até a ponta de seu nariz, depois selecionou uma brocha de cerdas fortes. Por um momento desviou o olhar de sua tela para a janela. As cortinas estavam atadas para trás de modo que podia ver claramente a ensolarada e estranha manhã, com o céu de um azul cerúleo com apenas alguns pontos de nuvens transparentes raiando o horizonte. Vivia com apenas Abra de companhia, ao lado da praia do Pacifico, em um subúrbio de São Francisco. Durante todo o ano o Oceano Pacífico na área da baía era muito malditamente frio para qualquer pessoa valente sem traje de neoprene, mas Annie não era muito de esportes aquáticos, de todos os modos. Tinha escolhido alugar o apartamento porque era mais barato aqui que na cidade, e porque gostava de ver e experimentar o oceano, com todos seus sentidos de artista. O impulso escuro e a força das ondas, a forma da crista branca pérola quando o fluxo estava forte e se quebrava na praia, os afiados escarpados negros sobre as águas azuis piçarra, e o sabor do sal e salmoura no ar. Mas hoje estava tratando de retratar a beleza ensolarada e distrair-se de suas primas, às gêmeas desaparecidas. Amarelo. Brilhante, alegre, depravado... Não estava funcionando. Uns meses depois do desaparecimento de Alexi, Annie tinha ido à casa das gêmeas para limpá-la e entregá-la ao arrendador e pôr os pertences de suas primas em um depósito. Mas quando entrou no dormitório de Alexi, encontrou um pedaço enrolado de pergaminho amarrado uma fita negra à colcha do Alexi. Uma espada estava estampada com um selo de cera. Depois que Annie retirara a fita, quebrara o selo, e desenrolara a nota, viu que estava escrita em letras garrafais dos rabiscados de
  13. 13. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros Alexi. Inclusive parecia como se ela tivesse utilizado uma pluma, de todas as coisas que podia ter utilizado - havia um par de manchas e uma mancha de tinta em uma esquina. Um caleidoscópio de emoções girou através de Annie quando leu pela primeira vez a nota. Com incerteza, incredulidade... e esperança. Definitivamente esperança. Arrastando-se de volta ao presente, Annie deixou o pincel no cavalete e moveu uma mão ao bolso de sua bata para recuperar o pergaminho. Não sabia por que o tinha tirado de sua mesinha de cabeceira essa manhã. Talvez fosse pelo conforto que lhe dava ler as palavras, que estava segura, que Alexi tinha escrito. Era como se sua prima estivesse falando com ela, tranquilizando-a. As mãos de Annie estavam firmes agora enquanto tirava o laço negro da nota e deixava cair à fita no chão. O pergaminho se sentia espesso e grosso na ponta dos dedos enquanto o alisava sobre seu regaço e o lia pelo menos uma centésima vez. Querida Annie e tia Awai, Por favor, não se preocupem com a Alice e por mim. É uma história muito longa, que espero lhes contar algum dia em pessoa. Mas por agora só devem saber que ambas estamos a salvo e que somos felizes. É provável que não sejamos capazes de nos ver até que outro “portal” se abra entre ambos. Sei que tudo isto soa enigmático, mas, por favor, acreditem em mim. Assim saibam que sou eu e não outra pessoa: Annie, recorda o momento que Alice e eu lhe pintamos o cabelo de cor laranja quando éramos adolescentes? Fomos castigadas a maior parte de nosso oitavo grau por isso. Nunca pensei que nos perdoaria. E Awai, aposto que você nunca vai esquecerá o momento em que quebramos a escultura de vaso cilíndrico incomum que encontramos em seu dormitório. É obvio, não foi até um par de anos
  14. 14. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros que me encontrei com um em uma boutique erótica e me inteirei que era um pênis de cristal. Vá, tia! Abraços e beijos da Alice e meus. Encontrei-a! Bom, mais ou menos. De todos os modos, podem imaginar o quão feliz sou. Só desejo que pudessem estar aqui conosco. Também desejaria ter computadores aqui, ou correio eletrônico. Esta barra de tinta é malditamente difícil para escrever. Todo meu amor, Alexi. Um sorriso surgiu na esquina da boca de Annie, ao mesmo tempo em que as lágrimas detrás de seus olhos a queimavam. Divertida e triste - as duas emoções se mesclavam com as cores discordantes. Ela negou enquanto recuperava a fita negra que Abra se equilibrava sobre, onde tinha pousado no piso, e imediatamente a atacava. — Escuta diabinho - disse Annie enquanto se agachava e tomava a fita de Abra. Annie dobrou a nota e a atou tratando de manter ao gato afastado de uma vez. — Esta é minha fita e não pode tê-la. Bom, porque não tinha vida. Fora do ensino, sua conversação diária consistia em falar com um gato e a sua pintura. Enquanto guardava o pergaminho em sua bata e a ocultava das patas travessas de Abra, Annie se perguntou uma vez mais quem eram “eles”, como seriam as pessoas com as quais Alice e Alexi estavam. “Eles” eram provavelmente algum tipo de culto, era o que o departamento de polícia tinha concluído, inclusive sem a nota. Annie a tinha mostrado sozinha a Awai, por temer que a polícia a perdesse em algum lugar em meio a toda a papelada. Esta nota também era importante porque era seu único vínculo com suas primas. As gêmeas estariam escondidas provavelmente na área do Tahoe em uma espécie de comuna voltada à natureza. Entretanto, Annie não podia acreditar que a Alexi tivesse podido ter lavagem
  15. 15. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros cerebral suficiente para viver com uma seita - era muito malditamente teimosa e obstinada. Alice, também, mas ela tinha um rosto mais suave que poderia ser mais facilmente influenciada que Alexi. Inclusive com a nota, entretanto, Annie nunca deteve a busca de suas primas gêmeas. Tinha contratado a investigadores particulares, mas a cada pista voltava com as mãos vazias. Era como se suas primas tivessem desaparecido para outro planeta ou algo assim. Usando sua mão livre, Annie separou seu avental e sua camiseta de seus peitos para permitir que um pouco de ar fresco fluísse através deles. Era um dia extremamente quente, e o suor tinha moldado sua pele. Tinha os peitos muito grandes para ser de tamanho 163 e quando estava em casa preferia estar sem sutiã. Apesar de não ter experiência sexual, tinha um montão de fantasias. Faziam-na sentir travessa e algo sexy estar vestida só com sua camiseta branca e jeans negros, e sem nenhuma roupa íntima. Sua vagina estremeceu e seus mamilos se apertaram enquanto um pensamento cruzou sua mente - tirar toda a roupa e pintar nua. Deveria? Por que não? Ninguém ia vê-la. Mas e se alguém a visse? Bom, conformar-se-ia deixando calças jeans e tirando só a camiseta. Annie tirou rapidamente seu avental e logo tirou a camiseta pela cabeça, fazendo com que a trança ficasse em cima de seu ombro de novo. Jogou a camiseta e o avental no sofá de couro marrom detrás dela.                                                              3  O Tamanho 16 (padrão americano) equivale ao tamanho 48 no Brasil e tamanho 50 na Europa. 
  16. 16. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros Fechando os olhos, Annie levou as mãos a seus peitos, o que lhe permitiu entrar mais em suas fantasias. Como de costume, um escuro e misterioso homem, sem rosto encheu seus pensamentos. Enquanto imaginava suas mãos em seus mamilos ela os retorcia e atirava-os, sentindo uma resposta brotando por suas dobras. Ela moveu os quadris ao compasso de seus movimentos, fazendo que suas calças jeans se esfregassem contra seus clitóris enquanto imaginava ao homem lambendo-a e chupando-a. Annie jogou a cabeça para trás enquanto seguia jogando com seus mamilos. Sua trança caiu e fez seu caminho através de sua pele, acariciando e jogando em suas costas nuas. Ninguém poderia acreditar em suas fantasias. Era a professora aborrecida e séria da universidade que nunca tinha tempo nem para um encontro, nem fazia uma seleção digna. Mas em suas fantasias... imaginou frequentemente o que seria sentir ter um homem entre suas coxas, com seu pênis entrando e saindo de seu interior. E em suas fantasias mais secretas, havia dois homens lhe agradando de uma vez... ou inclusive um homem e uma mulher. Deveria me dar vergonha! Annie sorriu de seus próprios pensamentos. Até os dezoito anos, levou uma vida de uma mulher do sul. Tinha aprendido que o sexo era algo que não se fazia até que estivesse casada. E as verdadeiras damas certamente nunca falavam de sexo. Algo que não fosse a posição do missionário com seu cônjuge era considerado mal pelo que concernia a sua santa mãe. Mas depois de sair de casa e ir à universidade, a mente do Annie se abriu, liberando todas as possibilidades que uma mulher pudesse desfrutar. Se pudesse encontrar o homem adequado para desfrutar delas. A dor em sua vagina estava ficando mais e mais forte, como uma espiral apertada conectando desde seus mamilos a seu ventre e depois a sua abertura. Moveu os quadris mais rápidos para que os
  17. 17. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros jeans esfregassem seus clitóris ainda mais forte até chegar a esse lugar especial. Deu um pequeno grito quando uma série de miniorgasmos ondulou através dela, e mais de seus sucos empaparam o denim4 pesado de seu jeans. O calor sobre sua pele avermelhada pulsava em seu núcleo como se ordenhassem um pênis tirando as sementes de seu homem misterioso. Como seria o aroma de uma corrida de um homem, como saberia? Como Brie5 e pudim de tapioca salgado, isso era o que Awai havia dito uma vez. Só um comentário casual, conduzindo para casa com Annie, uma pequena informação de primeira mão que lhe deu sobre intimidade. Seu conhecimento se limitava a literatura e a imaginar os pincéis de pintura... E os poucos endereços Web peraltas que se atreveu a visitar. — Brie e tapioca. - Bom, Annie gostava de ambos. Levantou as pálpebras e olhou de novo a tela branca enquanto deixou deslizar suas mãos por seus peitos e sua cintura para baixo completamente. Sentia-se mais relaxada, com sua mente limpa do estresse e disposta a abrir-se à imaginação artística. Com renovada determinação, Annie levantou a cabeça e apartou os pensamentos do desaparecimento de suas primas. Sua trança caiu para diante, em cima de seu ombro enquanto atacava a sua tela, perdendo-se em redemoinhos de azuis e cinzas. Quando trabalhava em uma paisagem, tendia a bloquear o resto do mundo e perder-se nos pensamentos e sentimentos do momento. Realmente estava em seu pequeno mundo.                                                              4 Denim é um tipo de tecido de algodão em que somente os fios do urdume (longitudinal) são tingidos com corante índigo, normalmente com ligamento sarja. É a matéria-prima para a fabricação de artigos Jeans. 5  Os chamados brie são uma importante família de queijos de pasta mole e crosta florida, originados da região de Brie, naFrança. 
  18. 18. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros Persistentes chamados na porta de entrada tiraram Annie Travis de seu transe artístico. Piscou para tirar a névoa de sua mente, voltando lentamente para a realidade. Um olhar à janela, disse sobre o momento em que começou a trabalhar, suas horas de pintura fugiram convertendo-se em minutos. O sol agora pendurava a baixa altura sobre o oceano, com seus cachos dourados indo da esfera brilhante à água da borda. Um espetacular pôr-do-sol laranja, azul e raias rosa estavam no horizonte. Mais golpes e Annie franziu o cenho enquanto olhava a porta. Deveria responder ou esperar quem quer que fosse que estivesse fora partisse? - Annie! Sei que está aí! - Disse a voz sensata de tia Awai através da porta. - Deixa de estar abatida e abre. - Não estou abatida - Queixou-se Annie em voz baixa enquanto atirava o pincel na paleta, levantava-se e estirava os apertados músculos. O movimento fez com que o ar fresco corresse por seus mamilos e os destacassem duros e apertados. Estavam avermelhados pelo calor enquanto Annie se dava conta que ainda estava nua da cintura para acima. Rapidamente agarrou a camiseta e a passou por cima da cabeça. - Annie. - O tom de advertência de Awai subiu até ser respirar- e-soprar-até-sua-casa-desabar. - Já vou - Gritou Annie. Empurrou seus óculos em seu nariz, jogou sua trança em cima do ombro e caminhou através do desgastado tapete para a porta. Abra6 olhava-a de seu lugar na parte posterior da poltrona. A gata tinha o queixo em alto, fazendo todo o possível para mostrar que era a rainha do reino do Annie.                                                              6  Abra: Abracadabra a gatinho de estimação da Annie.  
  19. 19. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros - O que, está nua ou algo assim? - Disse Awai de fora, e as bochechas de Annie se esquentaram ainda mais. - Abra a maldita porta, já. - Sim, sim. - Annie chegou à porta enquanto limpava a palma da mão suarenta em seu jeans negro. Não se incomodou em olhar através do olho mágico, não havia dúvida que era sua tia, o torvelinho humano. Tirou a cadeia da chapa, depois abriu a porta. Como sempre, Awai era pura elegância com seu cabelo negro recolhido em um coque limpo na nuca e levava um de seus trajes de desenho habituais. Este tinha uma saia negra e uma jaqueta a jogo com pescoço mandarim, com a blusa com um pouco de ametista em um vivo contraste, mas formosa. Sua tia sustentava duas bolsas de papel, uma em cada braço. - Levou bastante tempo, - disse antes que Annie tivesse oportunidade de saudá-la. Awai apressadamente passou pela porta e Annie ficou olhando ao sol da tarde em lugar da sua tia. - Né, Olá? O morno aroma de pão recém-assado e algo picante seguiu Awai enquanto se dirigia diretamente à cozinha do apartamento. O estômago de Annie grunhiu. - Escutei isso - disse Awai enquanto deixava cair às bolsas no balcão. Sem pausa, dirigiu-se ao forno, e o acendeu. - Sabia que estaria pintando e abatida. - Não estava abatida. - Annie fechou a porta e seguiu a sua tia à pequena cozinha, o linóleo se sentia fresco em seus pés descalços. - Em nome do céu, O que está fazendo? - Fazendo o jantar. - Awai sorriu enquanto seus olhos escuros se encontravam com os do Annie. - Imaginei que necessitaria de algo mais do que a Abra como companhia esta noite. Annie levantou uma sobrancelha. - Tia, não cozinha.
  20. 20. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros - Ah, mas malditamente, esquento uma lasanha. - Awai alcançou uma das bolsas de compras e tirou uma barra de pão francês, uma vasilha de salada, uma garrafa do vinho favorito de Annie, merlot7 e uma bandeja de alumínio de cartão estampado na parte superior anunciando "A churrasqueira italiana Mama Mia". - Mmmm. Meu favorito. - Annie olhou para a outra bolsa. - OH, e trouxe spumoni8 , também. Porei no congelador. Annie teve que admitir que era divertido conversar com sua tia a dínamo e a ajudava a não estar sozinha enquanto pensava em suas primas desaparecidas. Awai era na realidade sua tia postiça, não de seu sangue e só tinha quatro anos mais que Annie, que acabava de passar seu trigésimo aniversário. Awai estava aí para ajudá-la a passar esse dia duro em que Annie recordava daquela noite fazia um ano em que tinha levado a Alexi para tomar uma bebida e jantar para ajudá-la que sua mente deixasse o tema da Alice. À noite em que tinha desaparecido. O que lhe dava uma ideia de que foi, onde a fez beber até ficar ébria. Não passou muito tempo antes que o jantar estivesse servido e Annie e Awai se sentaram à mesa de carvalho pequena em um canto da cozinha e Abra esfregava a cabeça contra os pés de Annie debaixo da mesa. Awai conversou a respeito da última conta que tinha ganhado para sua empresa de publicidade, e do homem loiro precioso que tinha conhecido no clube a noite anterior. - Que clube? - Perguntou Annie antes de tomar um gole de seu merlot. Enquanto seus olhos se encontravam com os do Annie, Awai encolheu seus pequenos ombros.                                                              7 Merlot é uma casta de uva tinta, fruto da Vitis vinifera, sendo utilizada para a elaboração de vinho tinto para ser consumido jovem. 8 Spumoni é uma sobremesa especial italiano feito de camadas de sorvete, chantilly, frutas cristalizadas e nozes.
  21. 21. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros - Um clube de BDSM. Annie se engasgou com o vinho que lhe saiu pelo nariz. Agarrou o guardanapo e conseguiu cobrir boca antes de vomitar o merlot por toda parte. - Está bem, carinho? - Perguntou Awai como se acabasse de dizer que tinha encontrado papel higiênico à venda na loja de comestíveis em vez de anunciar que foi a um clube BDSM. Quando se recuperou o suficiente, Annie deu uns tapinhas em sua boca com o guardanapo então, colocou-o em seu prato vazio. - É por isso que levava o vestido de couro ajustado e as botas altas quando vim pedir a Alexi que me acompanhasse o ano passado. Não era porque estava indo a uma festa a fantasia. Fui a um clube BDSM. Awai sorriu e levantou sua taça. - Incomoda que seja uma Dominatrix? Isso é uma Domme, para abreviar. Annie quase se afogou de novo enquanto visualizava a sua tia levando a mesma equipe e açoitando a um homem submisso. - Hum não. Não, absolutamente. Inclinando a cabeça para um lado, Awai disse - Deveria vir comigo alguma vez e encontrar um bom Dom. É uma total sub de nascimento e sabe. - Não acredito. - Annie negou. - Eu não gosto disso, né, látegos e algemas. Awai afastou o prato para o lado e cruzou os braços sobre a mesa enquanto dava a Annie um penetrante olhar, que estava segura, teria ganhado mais de um montão de contas... E, provavelmente, submissos, também. - Annie, ser uma sub, ceder o controle é mais que uma escravidão, mais que prazer e dor. É poder. Tem o controle total sobre o prazer de seu Amo. Tem todas as cartas. Encontrando o olhar de frente de sua tia, Annie lhe perguntou:
  22. 22. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros - Por que é uma Domme? Com um encolhimento de ombros Awai se reclinou em sua cadeira. - Eu gosto que os homens obedeçam todos meus caprichos. - Igual fazem na agência? - Perguntou Annie enquanto arqueava uma sobrancelha. A esquina da boca Awai se curvou. - Algo assim. Annie tirou sua trança por cima de seu ombro e ausente jogou com o final da mesma. - Se uma sub tem todo o controle, então por que não é uma sub? Por um momento Awai ficou em silêncio. Quando finalmente falou, disse - Até que realmente aprendi o conceito atrás do BDSM, sempre pensei que a Domme tinha o poder. - Apartou uma penugem imaginária da saia negra. - E agora, eu gosto de ser uma Domme. Mas havia algo nos olhos Awai, sustentando apenas um matiz de arrependimento. Antes que Annie pudesse dizer algo, Awai se levantou e saiu da cadeira, em direção ao cavalete da sala de estar. - Então, no que está trabalhando? Em algo bem deprimente? Annie pôs os olhos em branco, mas logo se deu conta que não tinha ideia do que fez durante as horas de pintura do dia de hoje. Com Abra em seus calcanhares, Annie seguiu sua tia até o cavalete. Awai cruzou os braços e franziu os lábios. - OH, definitivamente mórbido, mas eu gosto. O cenho franzido do Annie se aprofundou, mas quando chegou ao cavalete e se deteve frente a tela, abriu muito os olhos. Subindo uma sobrancelha, Awai deu ao Annie um olhar inquisitivo.
  23. 23. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros - Parece como se viesse diretamente do “Morro dos Ventos Uivantes9 ”. - Sim, sim. O olho perito de Annie percorreu seu trabalho. Não estava terminado completamente, mas era muito bom, turvo e misterioso. Talvez fosse um sinal que estava mais afetada com os desaparecimentos de suas primas do que tinha pensado. Uma enorme mansão, que estava escura e sombria se pressagiava no fundo com apenas uma única janela com pouca luz de dentro, como se fosse a luz de uma vela. O Raio iluminava a cena o suficiente para que o espectador pudesse ver os esqueletos das árvores inclinando-se perto da terra de ventos impetuosos, e na distância podia ver a espuma branca sobre um corpo na água debaixo de um escarpado negro. Na esquina inferior direita havia uma flor de magnólia caída na erva, com suas pétalas de pura nata ao lado de uma sombra. Entrecerrou os olhos. Havia um homem nas sombras. Que estranho. - Bom, é interessante, - disse Awai interrompendo os pensamentos do Annie. - Como lhe ocorreu? Annie negou. - Não tenho nem ideia. As gêmeas desaparecidas... Talvez me incomode ainda mais do que pensava. Incapaz de suportar a enorme surpresa de ver uma pintura que havia criado, obviamente, não se lembrar de nada sobre isso, Annie afastou-se da tela. Ela forçou um sorriso para agradar Awai e tentou ignorar um sentimento crescente de que a pintura estava de alguma forma... Olhando para ela.                                                              9   Wuthering Heights (traduzido para português como O Morro dos Ventos Uivantes, O Monte dos Vendavais ou ainda Colina dos Vendavais), lançado em 1847, foi o único romance da escritora britânica Emily Brontë. Hoje considerado um clássico da literaturainglesa, recebeu fortes críticas no século XIX. Teve várias adaptações para o cinema, uma delas sendo dirigida pelo cineasta britânico A. V. Bramble, e para televisão, originando uma canção de sucesso, "Wuthering Heights", composta e interpretada por Kate Bush, uma das faixas do álbum The Kick Inside, de 1978, e posteriormente regravada pela banda de power metal Angra, em seu album Angels Cry, de1993. 
  24. 24. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros - Bem, vamos lá, - disse Awai. - Chop, chop. Spumoni nos esperando. Aliviada, Annie seguiu Awai para longe da tela mistériosa. Teria que lidar com ela mais tarde, provavelmente com uma tesoura. Awai ficou um momento mais, tempo suficiente para compartilhar o spumoni e para terminar a garrafa de vinho. Annie não era uma grande bebedora geralmente e esta noite bebeu duas taças de merlot. Sentia-se suave e relaxada, sem dúvida pronta para ir para cama. Uma vez que Awai se foi em um táxi para seu apartamento em São Francisco, Annie retornou à pintura. Depois moveu o cavalete diante de sua fofa poltrona, sentou-se e estudou o trabalho de seu dia, seu cotovelo estava apoiado em seus joelhos, com seu queixo na mão. Sua trança caía sobre seu ombro oposto, enquanto tratava de interpretar sua própria obra. Abra saltou sobre o braço de descanso e começou a jogar com o final da trança do Annie. De onde diabos, tirei isto? A imagem tinha um sentimento gótico nela. Diferenciava-se de suas paisagens terrestres e marinhas de costume, mas ainda estava em seu estilo distinto. A pintura era fascinante de verdade. Raras vezes fazia moradias em seu trabalho e este mausoléu de uma mansão ia além do que se acreditava capaz de fazer. Talvez fosse tão cativante, porque lhe recordava as novelas de romance gótico que sua avó sempre estava lendo quando Annie era jovem e ainda vivia no Tennessee. Pelo menos já não está me dando arrepios. Quem se importa de onde ele veio? É bom. É isso que importa. Por um momento, sorriu, estudando as linhas e sombras misteriosas. - Talvez eu tenha um lado negro, selvagem, depois de tudo. Sim, certo. - Abafando um bocejo, Annie se levantou e deixou a pintura quando ouviu o estalo de trovão. Abra assobiou e arqueou as
  25. 25. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros costas, em seguida, escondeu debaixo da mesa. As luzes piscavam em seu apartamento. Tudo ficou completamente às escuras. Annie franziu o cenho. Nunca havia tormentas elétricas na área da baía pelo fluxo de ar fresco na terra do Pacífico. Começou a ir para a janela quando um relâmpago iluminou seu escuro apartamento por um momento. O trovão retumbou de novo, fazendo soar as janelas. Mas o raio não tinha chegado do exterior. Tinha chegado de sua pintura. Um estranho zumbido nos ouvidos de Annie começou enquanto se movia para a pintura e seu coração começou a golpear como louco. Viu a mesma cena que tinha pintado só que agora se via como uma tela de televisão muito alta e estreita em lugar de um tecido. Chovia na imagem e as árvores balançavam com as rajadas fortes de vento. Inclusive podia escutar o som inquietante do vento que soprava e podia sentir o ar úmido que soprava da pintura. Precipitava-se a seu rosto e empanava suas lentes. Viu algo que parecia um gato muito grande espreitando através da foto... Um tigre branco com listras negras. Abra miou de novo de seu esconderijo, esta vez mais forte e muito mais feroz. A pele de Annie ficou trêmula, se arrepiou e seus mamilos se levantaram sob sua camiseta. - Excesso de vinho, açúcar - Murmurou enquanto tirava os óculos que estavam muito nublados para ver através deles. - É por isso que não costumo beber. Ter alucinações depois de só beber duas taças de vinho era extremamente estranho. Os relâmpagos na imagem apareceram de novo e Annie saltou. Na breve iluminação viu a flor de magnólia, mas desta vez um homem a sustentava.
  26. 26. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros Um homem. Na imagem. Olhando-a diretamente. Aproximou-se para que ver melhor a cena e quase não pôde ver nada a seu redor. O vento atirava seu cabelo negro e sua roupa estava empapada com a chuva. Estava vestido com uma camisa igualmente negra e calças, mas estava muito perto para que ela fosse capaz de ver o que levava a seus pés. Tinha os olhos negros, também. Escuros e inquietantes. O homem estirou sua mão livre para ela e ela deu um passo automático para trás. - Vamos Annie, - Disse com uma voz profunda, rouca, que causou uma emoção desde seu ventre até sua vagina. - Já é hora.
  27. 27. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros Capítulo 2 Uma estranha sensação invadiu Annie. Foi o momento mais surrealista de sua vida e ela não podia deixar de perguntar se talvez estivesse sonhando. De maneira nenhuma a pintura tinha criado vida, e de maneira nenhuma havia um homem com a mão para ela e lhe dizendo que se fosse com ele. Um trovão retumbou e Abra deu um sonoro — Miau — De seu esconderijo. — Vamos, Annie. — O timbre de sua voz sensual e o som de seu acento incomum causou um calafrio sensual que desceu por suas costas. — O portal logo se fechará. A rota de acesso. O passadiço logo se fechará. — Alice e Alexi. — Annie apertou sua mão ao redor de seus óculos enquanto falava com o homem da imagem. — Conhece-as? Ele assentiu lentamente. — Estão em Tarok. Annie respirou profundamente. Isto era bastante estranho para que em realidade estivesse acontecendo. Isso, ou estava desmaiada no piso de sua sala de estar e estava sonhando com tudo. — Agora, Annie. — Sua voz foi mais dura esta vez, uma ordem dominante que chamou sua atenção imediatamente. Sua voz era tão convincente que se encontrou dando um passo adiante. Levando a mão até a pintura para tocá-la, e sua mão foi para ele. Não através de um tecido, a não ser na cena. Imediatamente sentiu a chuva sobre seu punho e o dorso da mão. Jorros de ar frio contra sua pele, o ar que cheirava a sal e salmoura do mar, mesclando-se com a chuva. Ela começou a retirar-se quando o homem estendeu a mão da pintura e a agarrou pelos ombros.
  28. 28. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros Annie gritou em choque, surpresa e instintivamente tratou de escapar para libertar-se. Entretanto, o homem era muito forte. Ele a puxou para frente, para a pintura, arrastando-a pela moldura de sua tela. Uma sensação estranha caiu sobre ela, como se estivesse sendo devorada através de uma tigela gigante de massa de bolo. Por um momento tudo se obscureceu e sentiu como se afundasse em um buraco negro cheio da mesma massa pegajosa. No instante seguinte seus pés tocaram o chão úmido de barro e esmagou a erva entre os dedos de seus pés descalços. Encontrou-se sustentada firmemente pelo abraço de aço do homem, com os braços apanhados entre seu corpo e o dela. Era enorme, com uns bons vinte centímetros mais alto do que seus 1,75 metros e seu marco muscular fazia que seu tamanho 48 de repente se sentisse pequeno. Ela nunca se sentiu pequena em toda sua vida até agora. Era estranhamente emocionante e aterrador de uma vez encontrar a si mesma pequena e indefesa nos braços de um homem. A chuva açoitou seus corpos, mas Annie apenas se deu conta enquanto o homem de negro e intenso olhar capturava o seu. Uma labareda de reconhecimento e de desejo se desatou em seus olhos, e logo se apagou, como se o tivesse enterrado nas negras profundidades. — Preciso proteger minhas bolas de você? - Estudou seu rosto enquanto falava então, respondeu sua própria pergunta. — Não acredito. Não se parece com Alexi, a tigresa de Darronn. Parece mais como um gatinho... — Minhas unhas podem ser fortes - Respondeu Annie, com seu acento do sul cada vez mais forte enquanto tratava de retirar suas mãos, mas foi inútil. Podia estar também lutando para sair de uma camisa de força. — Onde estão Alexi e Alice? O que fez à minhas primas?
  29. 29. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros Um raio iluminou a paisagem, seguido pelo bramido do trovão. O cabelo da parte posterior do pescoço de Annie se arrepiou. O aroma de ozônio se mesclou com a chuva fresca e com o aroma de úmido dos pântanos. O homem levantou Annie em seus braços tão rápido que seu mundo girou e ficou sem fôlego pela surpresa. Automaticamente se agarrou a seu pescoço para não cair. — Espera! - Ela jogou um olhar em cima do ombro enquanto caminhava para a mansão. Como uma janela para sua sala viu um retângulo recortando o céu. Através dela viu sua fofa poltrona, uma de suas pinturas na parede, e seu relógio de gato. Abra saltou à poltrona, pôs uma pata no retângulo, e deu um sonoro Miau! E mostrou seus dentes. O pânico se apoderou de Annie. Não podia deixar Abra, e não podia ir sem escrever uma nota a Awai. Apertou mais os punhos da mão enquanto olhava ao homem moreno, grande que a carregava. — Tenho que ir por Abra, meu gato... — Outro raio caiu e o som do trovão foi ainda mais forte, cortando suas palavras. Os passados do homem se fizeram ainda mais amplos, com o que se aproximou da mansão. — E tenho que lhe deixar uma nota para minha tia - Disse ela, falando agora com ventos de lamento. — Awai entrará em pânico se eu desaparecer, também. — É muito tarde - Disse enquanto corria com passos aumentados à mansão de pedra. — Não será capaz de voltar até que um novo portal se abra. Ela olhou para trás e seu coração afundou a seus pés sobre o barro nu. A janela a sua sala de estar se foi. Seu coração pulsou com força. O que passaria com Abra? Então recordou que Awai viria pela manhã. Tinha uma chave do apartamento e se asseguraria que Abra estivesse bem atendida.
  30. 30. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros Karn empurrou para um lado, os sentimentos possessivos que a donzela lhe inspirava ao abrir as portas da mansão com sua magia. Depois que entrou no hall, utilizou seus poderes para fechá-las, dando uma portada cujo som reverberou através de sua mansão. Com cuidado, baixou a sua empapada gatinha com seus pés de barro no chão de laje e a agarrou pelos braços para que mantivesse o equilíbrio. As gotas de chuva brilhavam em seu cabelo molhado, sobre suas bochechas e na ponta de seu nariz. Amplos, quentes olhos marrons o olharam, com os expressivos olhos cheios de uma mescla de medo, confusão e desejo. Seus lábios estavam entreabertos, como se lhe pedisse um beijo. Terras e céus, mas ele desejava a esta mulher. Seu agarre se apertou enquanto a estudava com um exame lento e deliberado de seu rosto e descansando sobre seu seio. Seu pênis ficou mais duro contra suas calças ao ver que sua branca túnica estava empapada. As sombras de seus mamilos se delineavam claramente contra o úmido tecido. Esperando por seus lábios, sua boca, seus dentes. Quando seus olhos se encontraram com os de Annie, ela mordia o lábio inferior e suas bochechas estavam vermelhas. — É uma beleza - Murmurou sem notar que seu rosto ficava vermelho de vergonha — Hum... Eh... Tenho que saber o que está acontecendo. Suas bochechas arderam ficando mais brilhante ainda. — Eu... Né... Tenho que saber o que está passando. — É minha. Isso é tudo o que precisa saber. — Atraiu seu corpo contra o dele e capturou sua boca com a sua. Annie ofegou contra seus lábios, o que lhe permitiu entrar como um dardo com sua língua no interior. Tomou posse dela, reclamando o que por direito pertencia a ele e só a ele. Um gemido escapou de sua gatinha e então ele jurou que ronronava em sua boca. Estalou a
  31. 31. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros língua contra ela provisoriamente, como se sentisse incerta, talvez tímida. Poderia ser que sua companheira não tivesse experiência nos caminhos dos homens? Só a ideia era de uma vez embriagadora e intoxicante, quase o fez rugir. Todo pensamento tinha fugido da mente de Annie. Já não tinha passado nem futuro, nesse momento. Girou a cabeça e seu corpo estremeceu da cabeça, aos mamilos e aos pés. Tinha experimentado só uns poucos de beijos torpes antes e nada a tinha preparado para isto. Supunha-se que a sala girasse e se supunha que devia sentir que seus joelhos fossem ceder como se estivesse bêbada? Sua língua se enredou com a dela e ela seguiu seu exemplo. Sentia incrível o ter dentro dela e embora não soubesse, desejava-o. OH, meu céu, ela o desejava. Um murmúrio se levantou no peito do homem e ela jurou que era o ronrono de um tigre ou um leão. Sua vagina e mamilos lhe doíam e todo seu corpo estava em chamas. Quando o beijo se rompeu e retrocedeu a poucos centímetros, olhou-a com uma expressão de surpresa, talvez inclusive de assombro. Teria sentido o mesmo? Um desejo louco fez com que quisesse deslizar entre os lençóis com este homem. Melhor ainda, gostaria de ir com ele, aqui e agora. — Nem sequer sei seu nome - Sussurrou. — Karn. — Seu tom lhe chegou quase áspero e tinha os olhos uma vez mais, estéreis de emoções. Annie tratou de apartar-se, mas ainda a apertava. Tão apertada que seus braços adormeceram. — Faz-me mal Karn - conseguiu dizer. — Será que poderia se afastar um pouco? — Minhas desculpas, gatinha. — Soltou-a e deixou cair as mãos a seus flancos. — Bem-vinda à Mansão de Ouros, seu novo lar.
  32. 32. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros Annie franziu o cenho ante sua declaração, mas não pôde deixar de olhar ao seu redor enquanto ele fazia um gesto em seu entorno. Tinha estado tão fascinada por Karn que não tomou tempo para olhar. A mansão era majestosa e elegante, mas escura e deprimente como o inferno. Ela estava em uma entrada de tamanho gigantesco que levava a uma enorme sala. As escadas estavam esculpidas em madeira escura como de mogno e se curvavam a cada lado, subindo até o piso de acima. A seu redor os móveis elegantes de madeira eram igualmente escuros e tudo estava acolchoado em azul safira. Pesadas cortinas de veludo azul cobriam todas as janelas. Entre as escadas havia um conjunto de portas duplas fechadas e a cada lado delas havia mais portas, todas fechadas firmemente. Cheirava a velas acesas, sândalo e a um toque de rosas. Fora a tormenta que rugia, embora estivesse silencioso agora. Annie cruzou os braços sobre seus peitos enquanto seu olhar se voltava para sustentar o de Karn. Ela tratou de evitar que seus dentes tocassem castanholas, porque estava com frio, estava molhada, lamacenta, confundida e o céu a ajudasse, mas este homem escuro e misterioso a excitava. — Esqueceu suas maneiras, sua alteza? - Disse alguém em voz baixa, em tom alto, fazendo com que Annie desviasse sua atenção para uma diminuta mulher. Annie pestanejou - quase podia jurar que viu brilhos ao seu redor. Como se flutuasse no ar, uma mulher de noventa centímetros de altura se aproximou deles. Sua saia verde alcançava o chão, o suficiente para cobrir seus pés e passos sobre as lajes de pedra cinza salpicadas. De onde tinha saído? Todas as portas estavam fechadas ainda. A anciã limpou as mãos em um avental azul coberto de farinha. Suas bochechas estavam cheias e pálidas, seus olhos brilhavam como botões azuis contra a brancura de sua pele. Era baixa e se agachou, Annie teve a estranha imagem de um desses brinquedos com que
  33. 33. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros tinham jogado quando era menina. Os que cambaleavam, mas nunca caíam. — Que vergonha, sua Alteza. — A mulher deu um bufo em direção a Karn quando chegou a eles e logo voltou sua atenção para Annie. — A senhora parece um gato afogado. O Rei deveria comportar-se melhor. Venha com a Beya e me ocuparei de seu banho. A mandíbula do Annie caiu. Karn era um Rei? — Eu acompanharei Annie a seus aposentos, Beya. — A voz de barítono de Karn fez com que o pulso de Annie se acelerasse. — Informe aos servos para preparar seu banho e saiam. Beya sorveu outra vez. — Imediatamente, meu senhor. — Ela se dobrou em seco e se voltou com sua saia formando redemoinhos sobre o piso. E logo desapareceu nos brilhos, só uns poucos permaneceram aonde tinha estado poucos minutos antes. Annie abriu a boca e disparou seu olhar de novo para Karn. —Aonde foi? Levantou uma sobrancelha. — Seguir minhas instruções. Annie derrubou sua trança em cima de seu ombro e franziu o cenho. —Isso não é o que quis dizer. Karn deu um passo para a escada. — Siga-me. — Não o seguirei a nenhum lugar. — Annie pôs as mãos em seus quadris e o olhou. — Quero ver minhas primas e eu gostaria de vê-las agora. Sua mandíbula se apertou e suas fossas nasais se abriram quando chegou de novo a alguns centímetros dela. — Você as verá quando eu acreditar que está preparada. Oooh! Agora a tinha irritado e muito.
  34. 34. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros — Não sei quem diabos lhe fez acreditar que é, senhor, mas já tive o bastante. — Seu acento sulino se fez mais forte e começou a falar rápido, como sempre fazia quando estava zangada. — Quero ver Alice e Alexi neste mesmo momento. Karn franziu o cenho com tanta força que quase deu um passo atrás. Deu um grunhido e a agarrou ao redor da cintura. Seu mundo girou e ela gritou quando a jogou em cima do ombro e partiu para a escada. O calor avermelhou a Annie, mas estava muito aturdida para saber o que fazer depois. Sua camiseta molhada caiu até seu pescoço e seus seios nus se esfregaram contra sua camisa de couro, e deixou cair à trança sobre sua cabeça. Ela ainda estava agarrando seus óculos com uma mão e tratava de baixar a camisa de novo a sua cintura, sem muita sorte. Enquanto subia as escadas, seus pensamentos corriam, imaginando todos os horrores que sua mente poderia pensar. E se ele era um louco e ia deixá-la trancada? Pior ainda, e se tinha a intenção de matá-la? E se tinha machucado Alice e Alexi, ou talvez as tivessem matado? Mas seu instinto lhe disse que este homem poderoso não era do tipo perigoso. Era de uma espécie perigosa, mas não desse tipo. Mas bem, era perigoso para sua libido... Embora não pudesse encontrar nada mau na ideia de desfrutar deste homem na cama. Só a mera imagem fazia doer sua vagina de uma maneira que nunca tinha experimentado antes. Depois de chegar ao topo da escada, Karn se dirigiu por um corredor escuro iluminado por candelabros sujeitos ao longo das paredes. As paredes estavam revestidas de mogno escuro igual ao piso térreo e dos móveis também. Todo o sangue tinha ido para cabeça de Annie, mas ainda tinha o ânimo para admirar a flexibilidade de seu musculoso traseiro
  35. 35. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros debaixo de sua calça de couro, enquanto o aroma de terra, viril dele a rodeava. Levou-a através de uma porta e de um formoso quarto. Sobre seu ombro pela forma que estava só conseguia ver uma parte, parecia muito mais feminino que no resto da casa com almofadas de veludo rosa, muitas flores, um espelho de corpo inteiro, e uma lareira com um fogo crepitante. O fogo, junto com o suave resplendor das velas dava calor ao ambiente, entretanto, ainda seguia sendo de algum jeito escura e opressiva, como se necessitasse algo ou a alguém para lhe dar vida. Karn se dirigiu através de outro conjunto de portas logo a deslizou de seu ombro e a deixou sobre seus pés no chão de laje surpreendentemente cálido. Por um momento, Annie se aferrou a ele enquanto recuperava o equilíbrio, e estudava seu entorno. Ele a tinha levado a quarto de banho. A enorme sala era feita de pedra escura, com o centro de uma piscina construída em uma esquina. Uma pequena cascata caía de uma esquina e o verde enchia o banheiro. Palmas, trepadeiras e outras plantas exóticas obscureciam o teto e uma boa parte das paredes, fazendo com que se sentisse mais como um esconderijo na selva que como um quarto de banho. O vapor se elevava da superfície da piscina, com o perfume das orquídeas chegando a seu nariz. A água parecia incrivelmente cálida e acolhedora, especialmente devido ao frio que sentia, por não falar de desarrumada e lamacenta. Como tinha chegado à banheira com tanta rapidez? Magia. Nah. Não pode ser. — Tire a roupa - Disse Karn e sua atenção imediatamente se voltou para ele. Annie deu um passo atrás, com as bochechas ardendo. — Como diz?
  36. 36. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros O homem avançou para ela. — Se não o fizer, tirar-lhe-ei isso por você. Sua boca se abriu e soube que tinha que estar em dez cores de vermelho. — Não faria. Karn arqueou uma sobrancelha. — De fato sim. Faria. Maldito. Todo o corpo do Annie se acendeu de vergonha. — Bom, dê-me as costas então. Sua frente se elevou um entalhe mais. —Por favor? - A palavra veio em um sussurro torturado porque pela primeira vez em sua adulta vida estava a ponto de despir-se diante de um homem e estava assustada como o inferno. Karn a estudou por um momento, logo cruzou os braços sobre seu peito e lhe deu as costas. Annie nunca se despiu tão rápido em sua vida. Estava preocupada porque se desse a volta e a visse antes de meter-se na água, por isso não lhe daria nenhuma possibilidade. Não só esta era a primeira vez que estava tirando a roupa perto de um homem, mas sim, era consciente de sua completa figura. Pôs seus óculos em uma rocha, despojou-se de sua camiseta, tirou as calças jeans e virtualmente fugiu para piscina. Quando Annie estava sentada em um banco de pedra, afundou até o pescoço na água quente, e pôs os joelhos muito juntos, cruzando os braços sobre seus seios e disse. - Bom, já entrei. Irá agora para que possa tomar meu banho em paz? Karn se voltou para ela e a estudou tempo suficiente para que começasse a tremer sob seu olhar. Logo, com um gesto de sua mão, sua roupa desapareceu.
  37. 37. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros Igual como se tivessem desaparecido como por encanto. Igual a ele se encontrar completamente nu ante ela. A mandíbula de Annie caiu à água. OH, céus, o homem era magnífico com seus olhos de ébano, seu cabelo castanho escuro, os braços poderosos... Quadris estreitos... As cicatrizes através de seu musculoso peito o faziam ainda mais excitante, inclusive perigoso. E oh, meu Deus... O pênis do Karn era tão espesso e tão grande que estava segura que seria considerado uma arma letal em todos os cinquenta estados. E logo Karn começou a caminhar pelo banheiro, em linha reta para a piscina afundada, direto para ela.
  38. 38. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros Capítulo 3 A mescla de emoções na expressão de Annie disse a Karn quão inocente sua gatinha realmente era. Seus sentidos lhe disseram que sem lugar à dúvidas, ela nunca tinha estado com um homem. Assombro, surpresa, terror e sem dúvida desejo brilharam em seus expressivos olhos enquanto olhava sua ereção. Tinha a sensação que o tinha desejado no momento em que lhe tinha permitido vê-lo através da abertura do caminho, e sentiu a necessidade de lhe dar um beijo. Muito bem. Se tiver que ter uma noiva, melhor que me desfrute. A chama da vela piscou, projetando uma luz cálida na piscina e em sua companheira. O aroma estava no ar e com seus agudos sentidos captou a essência de sua mescla de excitação com o almíscar de baunilha de sua pele e o perfume das orquídeas que seus serventes tinham posto na água do banho. Sim, o desejo de sua formosa gatinha igualava ao dele. Com grandes olhos marrons, Annie pressionou suas costas contra a parede de rocha da piscina de banho, com os braços cruzados sobre seus deliciosos peitos. —Q - O que está fazendo? Em lugar de responder, entrou nas cálidas águas da piscina. Afundou-se até seu testículo enquanto caminhava para Annie, com os olhos sem mover-se dos dela. Suas bochechas se tornaram carmesim e mordeu o lábio e apartou o olhar dele. —Não me banho com homens que não conheço. Karn se acomodou no assento sob a água junto a Annie para que seu quadril ficasse firmemente pressionado contra o dela, com seus bíceps em seu ombro. Estava tremendo e tinha toda a carne a
  39. 39. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros descoberto que podia ver, ruborizando-se em um encantador tom rosa. A luxúria furiosa correndo por ele foi uma grande surpresa. Isto se supunha que era um dever. Não tinha esperado que fosse um prazer, ou encontrar-se tão perto de estar fora de controle. Queria mover-se justo entre suas coxas e tomar o que era dele. Mas não tomaria até que estivesse pronta para ele. Acariciou brandamente a curva generosa de sua cintura, deleitando-se com sua figura bem arredondada. O fato de que ela não era pele e ossos, gostava muito. Esta era uma mulher destinada a fazer amor. A ser fodida, recordou-se com firmeza. Não amor. Fodida — Não haverá segredos entre nós - Disse enquanto acariciava sua coxa, quase até seu montículo, e logo subiu o dedo até seu ventre, entre seus peitos, e a sua linha de mandíbula. — Seja sua mente, seu corpo, seu coração, sua alma, irá compartilhar-los abertamente comigo – Disse, tomando seu queixo. O coração do Annie pulsava tão rápido e tão forte que estava segura que alguém na mansão poderia ouvi-lo. A sensação de sua pele nua roçando a dela junto com sua mão calosa sobre sua coxa, estava causando um incêndio de cinco alarmes que esquentava todos seus sentidos. Como teria terminado sem roupa em uma banheira com o homem mais formoso que tinha conhecido? — Não entendo o que está acontecendo. — Ela se abraçou mais forte, enquanto sustentava seu queixo e olhar cativos. — Vim com você para encontrar as minhas primas, não para seguir adiante contigo. Ele moveu a mão por seu rosto para percorrer brandamente seu lábio inferior com o polegar. O toque sensual de seu tato, o olhar de seus olhos, fazia com que Annie positivamente se fundisse. Meu Deus, mas ela o desejava.
  40. 40. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros Ela queria alcançá-lo e passar suas mãos por todos seus poderosos bíceps, ao longo das cicatrizes de seu enorme peito, do estômago plano e suas musculosas coxas. E seu pênis... Queria tocá- lo na ponta dos testículos... E queria que gostasse. Tinha passado de virgem inexperiente a uma mulher sem sentido em dez segundos. — Está onde pertence, gatinha - Murmurou Karn enquanto continuava sua carícia para seu lábio inferior. — Muito em breve estará com sua família. Primeiro deve estar bem versada nas formas de agradar ao seu Rei. — Você não é meu Rei. - Annie franziu o cenho, que não era fácil de fazer quando estava assim e lhe estava tocando o lábio dessa maneira. — Não tem sentido. Karn pôs um braço detrás dela, como um homem fazendo seus movimentos, pondo seu braço em um assento novo antes de encerrar seu compromisso. Aproximou-se para que seu corpo estivesse firmemente contra o seu e Annie não pôde pensar em nada mais. Seu cérebro tinha deixado de funcionar. — Sou seu Rei e você é minha companheira do destino — Karn passou lentamente o dedo por seus lábios e para baixo ao longo da coluna esbelta de seu pescoço e sobre a clavícula que estava justo em cima do nível da água devido à forma em que se deixou cair. — E como tal, será Rainha para obedecer minhas ordens e todas as habilidades que me darão prazer. Annie apenas o escutou enquanto falava e nada do que realmente disse fez clique em seu cérebro ou tinha sentido. O que tinha passado com Annie Travis, a professora universitária que era uma força a ter em conta, que intimidava à maioria dos homens simplesmente por sua inteligência? Sua inteligência tinha saído para caminhar. Nesse momento, sentia-se tão brilhante como um nabo.
  41. 41. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros Os dedos de Karn baixaram, na água, até que chegaram à volta de seu seio. Annie não podia deixar de tremer. Ela não sabia o que fazer, o que dizer, como atuar. Isto estava fora de seu mundo, algo que ela não estava preparada para enfrentar. — Onde estão minhas primas? - Sussurrou desesperadamente, tratando de dizer algo em detrimento da sensação dele roçando brandamente seus dedos na parte superior de seus peitos, de um ao outro. — Alice e Alexi estão sãs e salvas. — Karn tomou uma de suas mãos e segurou nela com firmeza, obrigando-a a afastar-se de seus peitos. — Quando sua formação se completar, a levarei com elas. Era como se houvesse magia em seu tato, na forma em que tirou primeiro uma mão de seu seio, logo a outra e de algum jeito não teve inclinação para cobrir-se de novo. Em troca, deleitou-se com a forma em que a olhou e a labareda de desejo em seus olhos de meia-noite. — O que? - A palavra se deslizou através de seus lábios em voz baixa e rouca que refletia sua própria necessidade. Seu cérebro tinha passado de ser brilhante a tolo e não pôde pensar além de seu desejo por Karn. — Mmmmmm. — O som saiu dele como um ronronado profundo e vibrante. Ele subiu sua mão a um de seus peitos e o sustentou como se comprovasse seu peso. — Tal beleza... Esperando meu contato e meu tato. Como se tivesse esperando toda minha vida por você. O pensamento fez Annie se sentir bem, como se tivesse esperado por ele, sempre. Quando retirou sua mão, ela quase gemeu, mas então tomou uma de suas mãos e a levou para ele. Antes que ela, plenamente, se desse conta do que estava fazendo, pôs sua mão direto em sua ereção.
  42. 42. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros Os olhos do Annie se abriram e a pele se avermelhou pelo calor. Automaticamente tentou puxar sua mão de novo, mas ele a manteve firme. — Não lute comigo. Esta é sua primeira lição. Não lhe pedirei mais - ou menos - pelo que me queira dar. Ela estava tão confusa que não pôde pensar em uma resposta adequada. — Sente o que me faz, gatinha. — Ele forçou seus dedos a fechar-se em torno de sua longitude, com seu olhar sem deixar o seu. — Do muito que meu pênis quer estar dentro de você. Com seu último comentário, as bochechas do Annie arderam. Ela arrancou seu olhar dele e olhou à água onde se podia ver claramente a mão que sustentava a sua com firmeza ao redor de sua ereção. Seu pênis era tão grande que a cabeça de fato saía da piscina por uns doze centímetros e no pequeno buraco na parte superior uma gota de líquido brilhava à luz das velas. Karn se inclinou para baixo de modo que seus lábios ficaram perto de seu ouvido, o que a fez tremer. — Percorre meu pênis, Annie. Usando seu agarre firme, forçou sua mão a mover-se para debaixo de sua longitude e de novo à cabeça. Sua curiosidade natural lhe deu uma patada, e se centrou na sensação dele contra a palma de sua mão enquanto movia a mão para cima e abaixo de seu eixo. Sentia-se como seda dura, mas suave, como se cobrisse uma barra de aço. Seu pênis era tão comprido que se perguntou como poderia caber dentro dela. — Entrará gatinha. Annie levantou a cabeça e tratou de deixar de acariciar seu pênis, mas ele a obrigou a manter-se aí. — Pode ler minha mente? — Li seus olhos. — Uma pista de um sorriso jogou na esquina de sua boca. - Tem um rosto muito expressivo.
  43. 43. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros — OH. — Annie não pôde ver seu olhar escuro, estava muito envergonhada. Ela voltou sua atenção de novo a seu pênis e se deu conta que o tinha soltado, mas ela tinha continuado acariciá-lo por sua conta. Ela se deteve, mas então Karn pôs sua mão na parte posterior de sua cabeça, apertando-a e com ligeireza a obrigou a baixar. — Prove-me - Murmurou. — Posso ver em seus olhos, o muito que deseja lamber meu pênis. Uma parte dela, disse-lhe que falasse a este bastardo arrogante que fosse ao inferno. Depois de tudo, logo que tinha conhecido ao homem. Quase podia sentir o fogo do inferno ardendo justo debaixo de sua oferta, embora ela nunca tivesse dado crédito aos desvarios de sua mãe. Mas outra parte dela, desejava este tipo de... Educação. Sim. Igual a como tinha sonhado, mas nunca tinha encontrado o homem adequado para lhe ensinar. Relaxou, cedendo a sua mensagem e permitindo lhe baixar a cabeça. Quando seus lábios se encontraram com a cabeça de seu pênis, um tiro de emoção percorreu desde sua boca, seus mamilos e sua vagina. Sentia-se tão suave contra seus lábios e com tanta força na mão. A emoção foi ainda mais intensa sabendo que ela era a causa de sua excitação. Um sorriso tocou seus lábios quando passou a língua pelo pequeno buraco da cabeça de seu membro e provou o líquido que saía dali. Salgado e doce, gostou. Quis mais dele. Karn estava movendo a outra mão para cima e para baixo, pelos outros doze centímetros de seu eixo que estava sob a água. O pênis do homem tinha um bom total de vinte e cinco centímetros, mas ela foi capaz de levá-lo a uma profundidade suficiente para que seus lábios se encontrassem com a piscina antes que ela movesse para trás sua boca através seu eixo de novo.
  44. 44. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros Quando Karn gemeu, Annie jurou que nunca sentiu uma emoção tão grande em sua vida. Ela estava no controle do prazer deste homem. E logo algo a golpeou... Awai lhe havia dito, fazia tão somente umas horas na mesa do jantar de Annie, “Para uma sub, ceder o controle é mais que escravidão, mais que prazer e dor. É poder. Tem total controle sobre o prazer de seu Amo. Tem todas as cartas”. Ela tinha todas as cartas. O pensamento alimentou o entusiasmo de Annie. Pensou em tudo o que alguma vez tinha lido sobre sexo, a respeito do que os homens desfrutavam e fez o que pôde para passar das palavras impressas às ações reais. Os livros sem dúvida não faziam justiça à experiência! Ela passou sua língua ao longo de sua longitude e aplicando uma suave sucção enquanto sua mão seguia trabalhando em seu eixo e pensava no que Awai lhe havia dito. Sem dúvida este homem era Dominante, e tudo tinha sentido quando recordou o que havia dito a respeito de sua formação para agradá-lo. Ele a desejava como sua submissa. Mas era isto o que ela desejava? Seu corpo ardia em fogo, seus sentidos estavam cheios do almíscar de Karn e os aromas tropicais das árvores e arbustos que rodeavam a piscina. A água quente banhava seu corpo e jogavam com seus peitos enquanto se movia para cima e para baixo de seu eixo. — Toma meu testículo - A ordem de Karn se gravou com a luxúria. Annie se encontrou instintivamente seguindo suas ordens, enquanto continuava lhe dando uma estimulação oral. Ela levou sua mão através da água, até seu testículo e sentiu seu peso em sua mão. Os apertou brandamente. Karn, literalmente, grunhiu.
  45. 45. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros Seus testículos se moveram, seu pênis ficou rígido e lhe encheu a boca. Foi diferente, como nada que tivesse provado antes. Por um comentário do Awai, Annie havia quase esperado que fosse como brie ou tapioca, mas era diferente. Doce e salgado. Saber que havia lhe trazido tanto prazer e que o fez gozar era um poderoso afrodisíaco. Fê-la desejá-lo ainda mais. Não importava que fosse um estranho, queria sentir suas mãos sobre seu corpo, e sentir seu pênis dentro de seu núcleo. Ela o chupou, atraindo mais líquido à sua boca e à sua garganta. Karn apertou a mão mais duro em seu cabelo e segurou sua trança. — Basta! - Ele se apartou para que ela voltasse a sentar-se e o olhasse. A transpiração caía em gotas por seu rosto e seus olhos tinham um olhar selvagem neles. — Se não fosse tão inocente, foderia você agora - Disse com seu peito subindo e descendo como se tivesse corrido uma milha. A forma em que disse, que a foderia nesse momento, fez que sensações selvagens atravessassem seu corpo. O que lhe impede isso, carinho? Passou por sua mente como se de repente a parva surgisse e assumisse o seu cérebro. — Você foderá muito em breve. — Seus músculos se flexionaram e apertou a mandíbula. — Conduzirei meu pênis a seu Quim e tomarei o que é meu. — Annie pensou em lhe dizer que não era dele, mas não pôde. Tinha gostado muito da ideia de pertencer a este homem. A ideia que ele a considerasse dele. Karn ficou de pé bruscamente e se colocou diante dela. Seu olhar viajou até suas poderosas coxas e a longitude de seu pênis era tão impressionante, erguido como antes, apesar de que acabava de lhe dar uma mamada. OH, meu Deus. Annie levou a mão aos lábios úmidos para poder senti-lo como se estivesse ainda abaixo dele. Acabava de dar
  46. 46. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros uma mamada a um completo desconhecido e nada menos que a um Rei. Enquanto estava ainda metida em sua primeira experiência sexual, Karn a agarrou pela parte superior dos braços e a pôs sobre seus pés. Por um momento se limitou a estudar seus olhos, depois roçou seus lábios sobre os dela em uma carícia sensual devastadora. Annie se queixou e lhe permitiu levá-la às cataratas. Ele levantou a mão e um grande anel de ouro desceu das árvores à palma que sombreava a piscina. Ela era míope e não tinha seus óculos para saber com certeza, mas o anel não parecia ligado a qualquer coisa... Como se tivesse estado suspenso no ar. Enquanto dava um olhar de novo a Karn, estendeu a palma e duas fitas vermelhas apareceram. Como se do nada. Annie seguia olhando-o com os olhos abertos, enquanto ele tomava uma de suas mãos para atar-lhe e lhe passar uma das cintas ao redor de seu punho. — Como fez isso? - Seu olhar percorreu seu peito musculoso até que chegou a seu rosto. — As fitas. Acabam de aparecer, como por arte de magia. — É magia. — Levantou seu punho sobre a cabeça e lhe apertou as costas contra a pedra Lisa das cataratas. A água se precipitou sobre seu corpo, acariciando-a enquanto seus olhos percorriam seus peitos. — O talento para manipular e recuperar objetos é inato em minha espécie. É um rasgo alimentado em mim no momento em que era simplesmente um filhote. Estava a ponto de lhe perguntar a respeito dos filhotes e a respeito da magia quando se deu conta que lhe havia prendido os punhos sobre sua cabeça. O pânico e a surpresa se apoderaram de Annie enquanto se atirava contra a amarra. — O que está fazendo?
  47. 47. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros — Atando-a - Disse ele, inclusive enquanto estava levantando- lhe o outro punho e atando-a em cima de sua cabeça. — Que, no nome do céu... — Annie lutou contra suas amarras apesar que sabia que era inútil. Uma combinação de ira, medo, vergonha e desejo se apoderaram dela. Com as mãos atadas em cima de sua cabeça, seu corpo estava completamente exposto, como se estivesse oferecendo-se a um deus. E Karn era o deus. A satisfação brilhava nos olhos de ébano de seu deus, enquanto ela deixava de lutar. Deu um passo para aproximar-se dela e sentiu o roce de seu pênis contra seu ventre. Sua vagina se alagou e sua mente fugiu de maneira tola. Ela não podia pensar, não podia racionalizar. Quão único sabia era que desejava a este homem. E surpreendentemente, gostava de como se sentia estando atada e a sua mercê. Karn pressionou seu corpo contra o seu, empurrando-a brandamente mais forte contra as rochas lisas da cascata. A parte superior das cataratas chegava a seus ombros e a água seguiu caindo sobre seus peitos até seu monte de Vênus e ao longo de suas coxas. À medida que sua forma musculosa pulsava apertada a ela, Karn tomou sua trança e a soltou, liberando a longitude de seu cabelo e deixando-o cair sobre o seio e costas. — Sempre deixe o cabelo assim - Murmurou, mas não havia dúvida que não era uma sugestão e sim uma ordem. — Quando lhe der uma ordem, deve dizer: 'Sim, amo'. Annie tragou. — Senão o que? Karn lhe deu um sorriso letal. — Então terei que lhe castigar. Seus olhos se abriram e ela conteve a respiração enquanto estava brandindo uma correia de couro comprida e golpeando-a sobre sua pele.
  48. 48. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros — Castigar-me... Como me dar açoites? Ele esfregou seus dedos por seu cabelo, como se gostasse da sensação em seus dedos. — Talvez. Se isso for algo que lhe pareça agradável. Annie não pôde pensar claramente com o corpo deste homem tão perto dela, com seu aroma almiscarado enchendo seus sentidos, seu pênis pressionando seu ventre e com seus braços atados em cima de sua cabeça. — Não vejo como a dor possa ser prazerosa. — Fará – Disse, com uma voz cheia de promessas. Antes que pudesse responder, ele baixou a cabeça e estalou a língua por um de seus mamilos. Annie baqueou e se encontrou afundando-se no sentimento, deixando que seu peso pendesse de suas amarrações. Céus, a sensação de estar atada era bastante emocionante. Entretanto, adicionar a sensação da água quente correndo sobre ela, sua boca quente sobre seus mamilos e sua parte inferior do corpo contra o seu... Tudo era tão erótico e incrível que simplesmente se entregou a isso sem lugar a dúvidas. Mas quando sua mão calosa viajou por seu ventre e tomou seu monte de Vênus, as mariposas de seu ventre se voltaram loucas. O calor da excitação e a vergonha a fizeram avermelhar. —Nunca estive com um... Homem antes. — Sei gatinha — murmurou Karn enquanto movia um dedo a sua fatia. — Senti no momento em que lhe toquei. Annie gemeu e seus joelhos se dobraram. Seus punhos atiraram de suas restrições, mas ele a agarrou com força. Nunca se deu conta do incrível que se sentia ter um homem tocando intimamente do principio ao fim. Um ronronar se levantou nele enquanto chupava seus mamilos. — Tão doce, tão inocente - Disse então, colocando o dedo em seu centro, o que a fez gritar de surpresa e prazer. — E tão apertada e molhada.
  49. 49. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros Colocou dois dedos dentro dela, até os nódulos em profundidade e Annie atirou de suas amarras. Ela o viu chupar seus mamilos e seus dedos entrando e saindo. Tudo parecia tão irreal, mas emocionante. Como ia estar aqui agora, com este homem magnífico que a tinha reclamado como se fosse sua propriedade? Mas não teve tempo de pensar nisso muito mais tempo porque ele começou a mover seus lábios por seu ventre, diretamente ao seu monte de Vênus. Sua língua se perdeu em círculos pelo cabelo suave, o ouviu respirar profundamente seu aroma e ele sorriu. Tinha vergonha, mas resultava muito estimulante, que se excitasse por ela como ela se excitava por ele. Ao inclinar-se para tocá-la, para cheirá-la, ela viu uma incomum tatuagem em seu ombro superior direito. Uma espécie de losango de filigrana cor vermelha e ouro. Ela quis tocá-lo, acariciar sua pele, mover seus dedos por seu cabelo escuro, mas as amarras a sustentavam sem permitir-lhe. Mas no momento seguinte, ela esqueceu tudo sobre a tatuagem de losango, quanto Karn levou as mãos a sua fenda e abriu-a para olhá-la. A respiração de Annie ficou presa em seu peito enquanto ela o olhava lamber sua vagina e gritou para a incrível sensação de sua língua lambendo suas dobras. Apenas em seus sonhos imaginou o que seria a sensação de ter um homem lambendo-a. Sua experiência foi definitivamente além de seus sonhos. Karn apertou suas nádegas com uma mão enquanto empurrava dois dedos em seu núcleo e empurrou seu rosto firmemente contra as dobras dela. O orgasmo bateu em Annie, tão duro e rápido, que gritou de espanto e surpresa. Nunca teve um orgasmo tão intenso e parecia como se fosse durar para sempre. Seus quadris resistiram contra seu rosto e puxou seus laços. Mas ele continuou, fazendo-a sentir uma réplica após outra.
  50. 50. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros Quando finalmente se deteve, Annie estava tão inerte como sua velha boneca Raggedy Ann10 . Karn se levantou para estar de pé diante dela. Apertou o punho a seu cabelo e levou a sua boca em um feroz beijo e se surpreendeu saboreando-o com seus lábios e língua. Quando ele se afastou, seus olhos estavam ardendo e meio que esperou que tomasse sua virgindade ali mesmo. E ela o desejava. — Vai, né... — Seu rosto a queimava e não pôde terminar a pergunta. Ao que parece, entendia-a muito bem. — Não, ainda não - Disse com essa desesperadora voz baixa que lhe dava calafrios. Seu controle sobre seu cabelo se soltou. — Mas não se confunda. O que tem que me dar é meu para tomá-lo, meu e só meu, igual a você, gatinha. Annie quis negar a emoção que lhe deu sua declaração, mas não pôde. Em toda sua educação, livros e aprendizagem não encontrava palavras para negar nada a este homem atraente, sexy. — Minha para sempre - Retumbou as palavras com certeza e certamente a impediu de negar. Enquanto Annie se apertava contra suas amarras e sentiu a carícia elétrica de sua áspera pele contra a sua, não tinha ideia de por que era tão importante as palavras de toda maneira.                                                              10  Raggedy Ann é um personagem criado pelo escritor americano Johnny Gruelle (1880‐1938) numa série de livros infantis que ele  escreveu e ilustrou. Raggedy Ann é uma boneca ” esfarrapada ” que tem cabelo de lã vermelha e nariz em triângulo. Ela foi criada  em 1915 como boneca e apresentada ao público em 1918 no livro ” Raggedy Ann Stories”. 
  51. 51. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros Capítulo 4 Annie, logo que reteve seus tremores, enquanto Karn terminava de ensaboar seu corpo com gel de essência de baunilha. O enxágue foi ainda mais sensual. A forma com que parecia desfrutar das curvas cheias de seu corpo a fez ir além da excitação por ele. No momento em que a liberou de suas amarras, seu desejo se multiplicou por dez e quis saltar para o homem. A série de orgasmos que lhe deu só tinha despertado seu apetite. Tinha passado muito tempo desde que tinha estado disposta a perder sua virgindade. Mas o que ocorreria se ficava grávida? — Tem camisinhas? - Perguntou ela, enquanto Karn a secava com um fino, mas incrivelmente absorvente pedaço de tecido. — Não quero ficar grávida. Seus olhos se encontraram aos seus e lhe deu um olhar divertido. — A única vez que os homens de minha espécie podem fecundar uma mulher é se liberarmos nossas sementes quando chegarmos ao clímax simultaneamente com nossa companheira. Nossas companheiras também devem estar excitadas. — OH. — Annie viu o jogo de seus músculos e desfrutou da sensação de suas mãos esfregando-a com o pano. — O que quer dizer com os de sua espécie? Ele se encolheu de ombros. — Minha gente. Por sua expressão fechada, era óbvio que não estava de humor para lhe explicar com mais detalhes. Entretanto, ainda precisava conseguir mais informação a respeito de suas primas. — Onde estão Alice e Alexi?
  52. 52. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros — Silêncio, gatinha. — Karn franziu o cenho e flexionou seus músculos. — Se quiser que a castigue em cima de meu joelho e bata em seu traseiro, farei com muito prazer. Annie estremeceu. O olhar em seus olhos escuros deixava claro que falava sério. Tragou de novo e ficou imóvel enquanto terminava de secar desde seu cabelo até seus pés. Estranhamente, era suficiente, a ideia de tomar umas palmadas de Karn a excitava. Por que, não podia dizer, mas teria que admitir que o fazia. — Estes são seus quartos - Disse ao mesmo tempo em que a tomava pela parte superior do braço e a levava ao dormitório. Annie pôs de lado seus pensamentos da extensão desta montanha de um homem. Certamente não ia pedir-lhe ao homem para ter sexo. Em troca, deixou seu olhar à deriva sobre os aposentos e simplesmente desfrutou da beleza do lugar. Inumeráveis velas piscavam em todo o quarto de onde estavam organizadas na parte superior de aparadores, mesas, e centros. A iluminação suave jogava sobre os móveis de pau-rosa e delicadas almofadas florais, dando ao lugar uma sensação bonita, de sonho. Se tivessem pedido o desenho do quarto perfeito para ela, seria este. Havia inclusive, uma janela com assento acolchoado e as cortinas afastadas para que pudesse ver a tormenta que se encontrava ainda em plena vigência. Do momento em que era menina, sempre tinha querido um assento na janela para olhar as estrelas. Embora esta noite não houvesse estrelas visíveis que se vislumbrassem através da janela. Fora, a tormenta continuava dando rédea solta à sua ira, com ventos que parecia lamentos, relâmpagos e possantes trovões. No banheiro, Annie não escutava a tempestade, que agora soava forte, enquanto golpeava à parte a mansão. — Sua roupa está aqui. — Karn assinalou um baú de pau-rosa e a tampa se abriu como se tivesse sido puxada por fios invisíveis.
  53. 53. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros — Como faz isso? - Perguntou Annie, fechando a boca quando olhou Karn deslumbrada. Obviamente, ele não estava de humor para conversar e ela estava muito cansada para discutir ou ser açoitada. Quando Annie foi ao baú e olhou dentro, viu montões de roupa com tons formosos, justamente o contrário que as cores escuras que normalmente levava. Os tecidos brilhantes pareciam desconjurado com o que tinha visto da sombria mansão, à exceção desta formosa sala. É obvio não tinha visto muito no curto período de tempo que tinha estado aqui, mas lhe deu uma sombria e boa descrição do que tinha visto. Karn pinçou dentro do baú e tirou uma camisa de dormir cintilante em ouro brilhante. — Não se mova - Ordenou-lhe. Quando ela obedeceu, deslizou o material transparente sobre sua cabeça. Sua mandíbula se apertou quando o tecido brilhante deslizou sobre seu seio e caía até a parte superior de suas coxas, logo cobrindo seu monte de Vênus, como uma camisola de boneca. O material se aferrava a sua curvilínea figura, mostrando claramente seus mamilos rosados e o triângulo escuro entre suas coxas. Inclusive, apesar de que tinha passado só a última par de horas nua com Karn, sentiu-se exposta. O calor aumentou em suas bochechas e quis esquivá-lo sob os lençóis. Ele agitou a mão e imediatamente esteve vestido de novo, tão rapidamente como se despiu no quarto de banho. Whoa. Mordeu o lábio, logo deteve sua coragem e lhe perguntou: — Dormirá aqui? — Não. - A resposta lacônica foi tudo o que lhe deu enquanto juntava a parte superior de seu braço e a levava ao lado da cama, logo sob os lençóis e a ajudava a tampar-se.
  54. 54. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros Como um menino que se escondia na noite, encontrou-se seguindo suas indicações. Quão seguinte soube, foi que estava na cama coberta até o pescoço. — Minhas câmaras estão no outro lado dessa porta. — Deu uma leve inclinação para uma porta do outro lado da sala, entre uma árvore em um vaso de barro com folhas emplumadas azuis e um pau alto como guarda-roupa. A ideia de só uma porta entre eles era de uma vez aterradora e emocionante ao mesmo tempo. — Se tiver necessidade de mim, estarei em meu estúdio. — Karn deu um gesto desdenhoso de seus dedos e todas as velas se apagaram imediatamente, sumindo a sala na escuridão. Os relâmpagos soaram no exterior e iluminaram brevemente o movimento de novo de sua mão, e uma pequena fogueira começou crepitar na lareira. Inclinou-se, roçou seus lábios sobre sua fronte e logo deu um passo atrás. — Dorme gatinha — Murmurou antes de afastar-se a grandes pernadas para a porta. Woo, o que dizer a um homem que te arrastou através de uma imagem para outro mundo? — Né, boa noite - Disse no fim, murmurando à suas costas, e logo se foi. A porta se fechou detrás dele com um golpe suave. Durante muito tempo, Annie ficou olhando os lençóis que envolviam a cama. Foi um dia estranho. Não, estranho não começava a descrevê-lo. Tudo o que tinha acontecido foi tão irreal e surrealista, que se perguntou se iria despertar e descobrir que tinha sonhado. Embora não se sentia como se estivesse sonhando. Entretanto, Como não podia ser verdade? Foi atraída através de sua própria pintura pelo amor de Deus. Deu uma mamada a um homem que era como um deus, sua primeira vez. E melhor ainda, tinha-a prendido
  55. 55. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros com anéis mágicos e fitas e lhe tinha gasto a vagina até que teve a série mais incrível de orgasmos. Heck11 , teria tido sexo com ele, se ele tivesse desejado. Ela sim, o desejava. Sua vagina lhe doía tanto que pensamentos selvagens enchiam sua mente. E se movesse fora do quarto, encontrasse-o em seu estúdio e realmente saltava sobre ele? Ou mais tarde, poderia penetrar através da porta de seu escritório e arrastar-se na cama com ele. Annie pôs os olhos em branco. Com um suspiro, voltou para seu lado e viu as chamas piscando e dançando na lareira. O quarto estava escuro exceto pelos relâmpagos ocasionais e a luz do fogo. As chamas emitiam inquietantes sombras que se moviam e dançavam ao redor do quarto como fantasmas do passado. Que segredos guardaria esta mansão? Só o pensamento de espíritos a fazia tremer e se deslizou mais profundo nas cobertas. Quando era menina tinha tido medo da escuridão e um pouco de medo se manteve sempre com ela. Sentia tanta falta de Abra. Seu gato foi sua única companhia durante os últimos cinco anos e Annie o tinha utilizado de travesseiro para aconchegar perto de seu pescoço quando dormia. Graças a Deus Awai estaria cuidando do pobre gato, assim talvez, logo Abra não se sentiria tão só como Annie de repente fazia. Com o pensamento de Awai, Annie franziu o cenho na escuridão. Odiava o fato que agora Awai estaria muito preocupada com as três - Annie, assim como Alexi e Alice. E Awai estaria sozinha. Mas uma parte de Annie estava emocionada porque faltava pouco para ver suas primas. Por alguma estranha razão confiava em Karn e esperava que lhe houvesse dito a verdade e que as gêmeas estivessem bem e fossem felizes.                                                              11  Interjeição, é o mesmo que “Que diabos”, “foda”, “Que merda”. 
  56. 56. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros Sustentando o pensamento em seu apertado coração, Annie finalmente dormiu. Embora, em forma humana, o ritmo do passeio de Karn em seu estúdio parecia o do tigre que era, com suas botas golpeando a cada passo. Sem dúvida haveria um sulco através do fino tecido do tapete disposto ante a lareira. A sala cheirava a madeira ch'tok queimada, a livros antigos e a cedro. O fogo que ardia na lareira tinha tirado o ar gelado da tormenta da sala, mas não fez nada para o frio de seu coração. Mas poucas horas na presença de Annie tinha ameaçado esquentá-lo. Não, maldito seja o céu. Não permitiria. Entretanto, pela primeira vez, desde que tinha passado da juventude a homem, tinha chegado ao clímax pelo tato suave da mulher. Em geral requeria de duas ou três empregadas de uma vez para mitigar suas necessidades. Karn grunhiu, apertou os punhos e tratou de afastar seus pensamentos de Annie. Seu estúdio estava cheio de livros e manuscritos, junto com lembranças do passado, como a ave mágica de madeira que guardava desde que era um filhote, um presente de seu pai. E junto a ele estava o balão de guerra desgastado com o que ele e seus irmãos tinham jogado frequentemente quando eram jovens. Sua mãe artista tinha dotado a todos seus filhos com retratos de cada membro da família. Karn mantinha todos nas paredes de seu estúdio, inclusive de sua irmã... Uma das mulheres que lhe tinham ensinado a inutilidade do amor e a confiança. Sua mãe tinha terminado retratos de membros da família, de cada um dos filhos antes de adoecer. Nunca tinha tido a oportunidade de começar um conjunto para sua caçula e única filha mais nova, Mikaela.
  57. 57. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros Karn franziu o cenho ante o retrato de sua traidora irmã. Na foto se via tão angelical, com seu rosto doce e carinhoso e tão diferente ao que se converteu. Dava igual de bem, que Mikaela não tivesse fotos da família. Porque muitas vezes tinha considerado a possibilidade de baixar o retrato de sua irmã, rompê-lo em pedaços, lançá-lo à lareira e queimá-lo até as cinzas. Mas perversamente mantinha sua foto na parede de seu estúdio, como um aviso para si mesmo para manter os limites elevados ao redor de seu coração e negar-se a permitir que alguém penetrasse suas barreiras. Enquanto passeava por seu estúdio, os pensamentos de Karn continuamente voltavam para Annie. Seguia vendo seus olhos de açúcar moreno, os cachos de seu cabelo castanho e seu suave sorriso. E seu rosto... Tão formosa tinha estado quando tinha chegado ao clímax. Não é mais que outra mulher que poderia traí-lo, Karn se recordou. Entretanto, por instinto soube que seria diferente. Entretanto, frustrava-o ao extremo não poder tirar a doce moça de sua mente. Seu pênis ainda lhe doía e lhe tinha tomado todo seu controle não atirar a sua futura rainha na cama e fodê-la outra vez. Infernos, quase a tinha tomado enquanto estava atada na piscina do banho. Não tinha dúvida que ela o desejava, também e ele se asseguraria que gostasse do encontro. Mas Annie merecia doçura quando se emparelharem. A primeira vez. Gostava muito de saber que seria o único homem que colocaria seu pênis em seu interior, ter sua inocência e levá-la à sua condição de mulher plena. Tão formosa como era Annie, Karn tinha se surpreendido ao descobrir que sua futura rainha era virgem. Mas não havia duvida em sua mente que não estava acostumada ao tocar de um homem.
  58. 58. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros O que havia na donzela que agitava seus instintos de amparo? O que o deixava louco com a necessidade por ela? Luxúria, tolo, Karn se disse, mas grunhiu para si mesmo. Isso era tudo o que permitiria a sua mente e alma a sentir por ela. E é óbvio protegeria o que era dele. Depois de tudo, era um weretigre, e todos os weretigres vigiavam o que era seu com ferocidade incrível. Mas o amor... Não. O cenho de Karn se aprofundou. Não permitiria que Annie tomasse residência em seu coração. Cuidaria, protegeria e se emparelharia com ela, mas não se apaixonaria por ela. Muitas vezes seu coração foi quebrado em pedaços e não havia amor que ficasse para dar, com exceção de um pouco - a seus irmãos, sobrinhas e sobrinhos. Inclusive com os membros de sua família continha suas emoções. Não se permitiria amar tão profundamente de novo. Um som estranho chegou ao ouvido penetrante de Karn, inclusive através da tormenta. Fez uma pausa em seu passo. Era um ruído pequeno, muito parecido ao miado de filhotes recém-nascidos de Darronn e de Alexi. Entretanto, não havia filhotes no Reino de Ouros. Karn imediatamente passou para tigre, com o cabelo cobrindo seu corpo, com as extremidades transformando-se em pernas poderosas, dentes afiados e nus para proteger seu reino. Saltou da sala à luz das velas dos corredores para as portas imensas da frente da mansão onde o miado soou mais forte. Quando chegou às portas, utilizou sua magia para abrir uma e se agachou, preparado para saltar, em caso de necessitar. Uma criatura diminuta estava aconchegada na porta, empapada e tremendo. No momento que viu o tigre de Karn, a criatura tremeu, arqueou as costas e levantou uma pata com suas garras ao descoberto. Karn teria rido se tivesse estado em forma de homem. Reconheceu ao inseto que tinha observado através da entrada do
  59. 59. O País das Maravilhas 03 Reino de Ouros caminho. Annie tinha chamado a Abra e havia dito que era seu gato. Era evidente que o gato a tinha seguido pelo caminho antes que fosse selado. A companheira de Karn tinha parecido preocupada com a criatura e estava seguro que estaria feliz, de ter a sua companheira. Se Annie se via obrigada a estar em uma união sem amor, então seria melhor para ela ter algo que lhe pudesse oferecer comodidade. Não dando à criatura a oportunidade de correr, Karn se equilibrou e brandamente capturou Abra pela nuca de seu pescoço com seus dentes, com cuidado para não lhe machucar. O gato deu um feroz “Rrrrr” e tratou de golpear com suas garras a Karn um pouco forte, mas não pôde fazer nada por seu agarre. Voltou-se para a escada depois de usar sua magia para fechar a porta detrás dele. Karn subiu pela escada às câmaras de Annie. Depois que o deixou em silêncio em seu quarto fechou a porta detrás dele, pôs ao inseto no tapete diante da lareira. Com um rápido movimento, Karn cobriu ao gato para que não pudesse se mover. Procedeu a lamber a pele úmida de Abra como faria com um de seus próprios filhotes, embora nunca tivesse a intenção de trazer nenhum a este mundo cruel. Pouco a pouco Abra relaxou enquanto lambia sua pele, e logo começou a ronronar enquanto se esquentava com as lambidas de Karn e pela lareira. Embora estivesse assistindo a Abra, Karn estava intensamente consciente dos pés da mulher dormindo a menos trinta centímetros dele. Sua respiração era suave e de vez em quando murmurava em sonhos. Seu desejo por ela nunca se desvaneceu e não queria nada mais que trocar a sua forma para homem e meter-se na cama com ela. O que estaria sonhando? Perguntou-se. Seria com ele? Ou talvez com sua família, com Alexi e Alice.

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