A esposa rebelde - margaret moore

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A esposa rebelde - margaret moore

  1. 1. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ ! ! ! ! Esposa rebelde The norman's heart Margaret Moore Warrior 5 ! A paixão incendiou aquele casamento de conveniência! ! Inglaterra Idade Média Arrogante o orgulhoso, sir Roqer de Montmorency exigia de sua esposa obediência absoluta. Mas a rebelde lady Mina Chilcott desafiou a autoridade de Roger desde a noite de núpcias, fazendo ferver de excitação seu sangue normando! Ela queria ser tratada com respeito e consideração, especialmente pelo marido. E jurou que o seria, antes que ele tentasse fazer valer seus direitos de esposo... ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! !
  2. 2. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ !UM !A chuva escorria sobre as paredes de pedra do castelo Montmorency como uma música incessante. O vento varria as muralhas e nu¬vens pesadas escondiam a lua cheia. Dentro do salão, sir Roger de Montmorency andava de um lado para o outro, impaciente, ignorando a todos, inclusive sir Albert Lacourt, que, encostado à mesa, os braços cruzados, parecia perdido nos próprios pen¬samentos. Entretanto um olhar atento e ocasional na direção de sir Roger traía a ansiedade crescente. Um fogo enorme ardia na lareira e a maioria dos convidados para o casamento permanecia amontoada ali perto, para aproveitar o calor das chamas, enquanto aguardava o banquete de boas-vindas a ser servido em honra da noiva de sir Roger. As cores dos nobres visitantes estavam expostas em pavilhões dependurados das paredes altas, velas ardiam iluminando as toa¬lhas de linho e os arranjos de flores. E, para perfumar ainda mais o ambiente, ervas aromáticas espalhadas sobre o chão. Dudley, o administrador do castelo, um saxão que passara a vida inteira a serviço dos Montmorency, es¬tava a ponto de ter um ataque de nervos, indo e vindo da cozinha, vistoriando as mesas e a porta centenas de vezes. As criadas, aguardando o momento de começar a servir os convidados, conversavam entre si nos corredores que ligavam a cozinha ao salão princi¬pal. Dudley fez sinal para que se calassem, antes de espiar a chuva e a noite escura pela janela, quase arrancando os últimos fios de cabelos brancos. A per¬gunta em seus olhos e as palavras caladas eram óbvias aos presentes: o que estaria fazendo demorar a noiva? Sir Roger, o rosto habitualmente impenetrável agora cheio de irritação, parou de repente. —Já esperamos o bastante — anunciou. — Sentem-se. Os convidados olharam uns para os outros, sem sa¬ber como agir. Afinal aquela mudança súbita de atitude poderia pôr em risco a aliança entre os Montmorency e os Chilcott. Entretanto já estavam aguardando há um bom tempo e sentiam-se famintos; assim tomaram os respectivos lugares. Somente a figura frágil e idosa do sacerdote permaneceu imóvel, cochilando sobre um banco, as costas apoiadas na parede. — Padre Damien, dê-nos sua bênção — sir Roger pediu, caminhando até a cabeceira da mesa principal colocada sobre um patamar. Quando o velho nada res¬pondeu, sir Roger berrou-lhe o nome outra vez. — Sua bênção, padre — Dudley apressou-se a dizer, cutucando o velhote respeitosamente. — Está na hora da bênção. — O que foi? Ela chegou afinal? — padre Damien indagou, vasculhando o salão com seus olhos míopes. — Onde? Não estou vendo ninguém. — Ela não está aqui, porém não vamos esperar mais — sir Roger anunciou em alto e bom som. — Ah, meu filho, talvez devêssemos... — Não! O silêncio absoluto que se seguiu foi cortado apenas pela bênção rápida do velho sacerdote. Dando seu dever por findo, padre Damien apressou-se a tomar o lugar que lhe era reservado à mesa, movendo-se com insuspeitada agilidade. — Sente-se aqui, Albert. — Roger fez sinal para que seu grande amigo tomasse o lugar antes destinado à noiva. Sir Albert obedeceu, sem no entanto disfarçar a relutância. Finalmente, quando os servos começaram a servir o primeiro prato, Dudley conseguiu relaxar. Aquilo que era de sua responsabilidade sairia perfeito, como sempre. — Seus convidados podem estar atrasados por causa da tempestade, Roger, e... — Se fosse o caso, deveriam ter mandado um men¬sageiro avisar-nos da demora. Não há justificativa para o que aconteceu, Albert. — Entendo sua impaciência. Eu também não me sentiria nada satisfeito se minha noiva se atrasasse. Contudo vamos torcer para que tenham se abrigado numa estalagem até que a tempestade passe. — Seria a única coisa sensata a fazer — Roger res¬pondeu, servindo-se do frango que a criada de formas generosas e lábios contraídos, por estar sendo ignora¬da, colocava à sua frente. — Mas infelizmente Chilcott não é um homem sen¬sato. O grupo pode estar agora em qualquer lugar entre a minha propriedade e o ponto original de partida. — Pelo menos o coitado teve o bom senso de escolher um ótimo marido para a meia-irmã. — Guarde seus agrados para outra pessoa, Albert. Se eu não tivesse concordado com esse casamento, Chil¬cott poderia ter criado um problema sem fim devido ao rompimento do noivado dele com minha irmã. — Então por que você não insistiu para que Madeline se casasse com Reginald Chilcott? Estava em suas mãos impedir que ela se unisse àquele galês. Afinal o homem tentou fazer-se passar por Chilcott. Devo confessar que achei que você fosse matá-lo ali mesmo, nos degraus da capela. E quando o vi oferecer-se para sagrá-lo cavaleiro, por Deus, quase caí morto de susto. Ainda bem que o galês recusou. Pense no que o barão DeGuerre teria dito! — Se o galês jurasse lealdade a mim, o barão ficaria tranqüilo. Além do mais, preferi que os convidados aproveitassem a festa, depois da pequena fortuna que gastei. Até o momento em que fiz o oferecimento, os coitados pareciam estátuas, imóveis, silenciosos, sem saber qual atitude tomar. Mas agora isso não tem mais importância. — Roger limpou o molho do prato com um pedaço de pão. — Pela primeira e última vez na minha vida, agi como um tolo sentimental. — Até parece que você tem coração — Albert mur¬murou entre os dentes, atacando uma asa de frango.
  3. 3. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ — O que você disse? — Disse que entendo sua posição. De qualquer for¬ma, o barão DeGuerre ficará satisfeito que essa aliança acabe se consumando. Um soldado apareceu à entrada do salão e, como Roger não percebera nada de anormal, nem o sinal de alarme fora dado, concluiu que não devia ser nada de grande importância. Foi Dudley quem se encarregou de resolver o assunto indo ao encontro do soldado. Por um instante Roger sentiu pena do administra¬dor. Dudley já não era jovem e, entre a ansiedade quanto aos preparativos do casamento de seu senhor, para os quais se empenhara como se estivesse cuidando das bodas do próprio rei, e aquele atraso imprevisto, o coitado parecia ter envelhecido consideravelmente. Assim a raiva de Roger aumentou ainda mais. Era um insulto à sua pessoa, e ao seu administrador também, que Chilcott não houvesse chegado à hora prevista. De repente, Dudley correu para a mesa principal, tão rápido quanto suas pernas gorduchas permitiam. — Meu lorde! — ele murmurou, aflito, dando a im¬pressão de que o teto estava a ponto de desabar sobre sua cabeça. — Eles estão aqui! No pátio interno! Lorde Chilcott, a meia-irmã e a comitiva! Albert lançou um olhar de censura na direção do amigo. Lorde de Montmorency nem sequer se moveu e muito menos demonstrou disposição de abandonar o salão. — Mande alguns servos conduzi-los aos aposentos destinados aos hóspedes — Roger falou, brusco. — Eles podem servir- se de vinho e frutas por lá mesmo. Dudley retorcia as mãos e mordia os lábios, no auge do nervosismo. — Perdoe minha impertinência, meu lorde, mas não deveria recebê-los pessoalmente? Ou então convidá-los para jantar aqui no salão? A jornada foi longa e... — Chegaram tarde demais. Se tiverem fome e de¬sejarem juntar-se a nós, que seja. Ou que façam como quiserem. Não pretendo interromper minha refeição por causa de retardatários que não tiveram a cortesia de me mandar avisar sobre um possível atraso. Lançando um olhar desconsolado para Albert, Dudley afastou-se na direção do pátio, os ombros caídos, as mãos fechadas em punho. A situação, simplesmente, estava além da capacidade do velho de entender e aceitar. — Diga-me o que pretende ganhar com essa falta de delicadeza — Albert indagou num tom baixo e seco. — Por acaso está me acusando de ser descortês? — Sim. As razões que causaram o atraso podem ser muitas. Se você tivesse esperado apenas um pouco mais... — Não me interessa ouvir as desculpas deles. — Mas a moça é sua noiva. — Não é preciso que me lembre desse detalhe. — Você não está curioso para vê-la? — Albert per¬guntou, impaciente. — Nem um pouco. Aposto que é igualzinha àquele pomposo do Chilcott. Uma criatura vaidosa e afetada, metida em roupas enfeitadas demais e cujos hábitos de gastar em demasia me causarão algum prejuízo até que eu a treine de outra maneira. Tampouco pretendo encorajar falta de pontualidade à minha futura esposa. A começar de agora. Se você está tão interessado, por que não vai recebe-la? — Porque não sou o noivo. — E porque não está animado a ir até o pátio, con¬siderando o mau tempo. — Roger retrucou lacônico. — Ainda assim, não é direito que você seja rude. — Vou passar a ver aquela mulher com muita fre¬qüência daqui em diante — Montmorency falou num tom que colocava um ponto final na discussão. — E esta refeição me custou muito caro para ser estragada com atrasos absurdos. !Lorde Reginald Chilcott, cavaleiro do reino, senhor de várias propriedades e cujos ancestrais haviam cor¬tado os mares na companhia do próprio William, o Conquistador, estava de pé no pátio escuro do castelo Montmorency, ensopado até os ossos. A chuva trans¬formara sua capa de veludo num trapo e os cabelos, antes perfumados e perfeitamente arranjados, caíam sobre os ombros estreitos como uma massa disforme. O nariz aquilino gotejava e os olhos pequenos estavam fixos no administrador. Ao seu redor, o cheiro insu¬portável de cavalos molhados e murmúrios desconten¬tes da comitiva. — Ele não virá nos receber? — Chilcott indagou pela quarta vez, incapaz de acreditar no que ouvira. — Tem certeza absoluta do que está dizendo? — Sim, meu lorde. Por favor, entenda, já está muito tarde e sir Roger não gosta que o façam esperar. Se tivessem mandado um mensageiro na frente... — É o que teríamos feito, se soubéssemos que sir Roger costuma manter as pontes num estado tal, que basta uma chuva de verão para arrastá-las rio abaixo - uma voz os interrompeu. Dudley tentou enxergar as feições da mulher montada sobre um animal já ve¬lho, porém o capuz escondia-lhe o rosto completamente. — Mina! — Chilcott a repreendeu entre os dentes. — Mas é verdade, Reginald, e você sabe disso. — Meu lorde me mandou mostrar-lhes seus aposen¬tos — Dudley interveio, esforçando-se para não parecer muito óbvio na sua curiosidade de ver sob o capuz. — Lá lhes serão servidos vinho e frutas.
  4. 4. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ Naquele momento um dos servos saiu do salão. Pela porta entreaberta, a luz vinda do interior derramou-se sobre as poças d'água enquanto o som de risadas e o ruído dos talheres inundavam a escuridão do pátio. Mina Chilcott virou-se devagar na direção do administrador. — Pelo visto, o jantar ainda não chegou ao fim. — Não, minha lady — o coitado murmurou, sem saber o que dizer. — Não podemos entrar no salão assim! — Reginald lamuriou-se. — Ensopados até a alma! Minhas roupas estão praticamente arruinadas e seu vestido, coberto de lama. — O que não é de se estranhar, considerando-se o mau tempo — Mina observou, sarcástica. — Porém faço questão de entrar no salão desse cavaleiro tão cortês. Oh, céus, aquela não parecia ser o tipo de mulher delicada e de fala mansa, capaz de conquistar o co¬ração de um homem como sir Roger, Dudley pensou, desanimado. — Eu sugeriria, Reginald, que você mandasse nossos soldados levarem os cavalos para os estábulos e depois irem até a cozinha, comer alguma coisa, antes de se retirarem para dormir, onde este senhor aqui determi¬nar. Qual é seu nome? — ela indagou de repente. — Dudley — o velho respondeu, surpreso com a delicadeza inesperada daquela voz. — Sou o adminis¬trador do castelo. — Parou de chover — Mina comentou, atirando o capuz pára trás. Finalmente Dudley viu a face da mulher, e sua pri¬meira reação foi do mais absoluto pânico. O barão não poderia ter escolhido uma noiva mais imprópria para sir Roger, nem que fosse essa a intenção. Uma mulher de cabelos vermelhos! Não castanho-avermelhados, nem louro-acobreados, mas de um vermelho vivo, como as irlandesas bárbaras. E o que era pior, sardas! Sir Roger sempre fizera questão de pele sem nenhum tipo de pinta ou sardas. Além de tudo, era quase tão alta quanto o futuro marido. — Este lugar é menor do que você me fez crer, Reginald. Contudo, como é mesmo o ditado? A cavalos dados não se olham os dentes? Sabe, tenho a impressão de que sir Roger aprecia uma mesa farta e, como estou com fome, vou entrar e comer. — Você não pode simplesmente entrar no salão de Roger de Montmorency sem ser anunciada! — Reginald tentou argumentar, apavorado com a possibilidade. — Você não acredita que meu noivo possa ficar sa¬tisfeito de me ver? — Sem esperar resposta, lady Mina Chilcott começou a caminhar na direção da pesada porta de carvalho. Assombrado, Dudley deixou escapar um assobio, mas logo se conteve ao lembrar-se de que não estava só. Resignado, Reginald suspirou fundo e dirigiu-se à comitiva: — Façam o que ela disse, paspalhos, ou vocês que¬rem ficar aqui parados, morrendo de frio? — E o que o senhor deseja fazer, meu lorde? — Dudley perguntou, mostrando deferência. — Ir atrás de minha irmã, claro, antes que ela estrague tudo. — Desolado, Chilcott tirou a capa que se transformara num trapo. — Isto é, depois que eu trocar de roupa. !Por um instante Mina permaneceu imóvel, à entrada do salão. O castelo Montmorency não parecia tão grande quanto o de seu pai, porém tudo ao redor estava ilumi¬nado e decorado com flores. Nobres bem-vestidos, ao re¬dor de mesas compridas, deliciavam-se com o que parecia uma refeição impecável. Bastou o cheiro apetitoso da comida para que sua boca se enchesse de água. Foi então que se deu conta de que o homem bonito, sentado no centro da mesa principal, a fitava fixamen¬te. Julgando pela posição de importância que ele ocu¬pava, só podia tratar-se de sir Roger de Montmorency, seu noivo. O olhar que lhe era dirigido, porém, demonstrava apenas frieza, especulação, arrogância. Claro que Montmorency devia saber quem era ela, mas ainda assim não se dera ao trabalho de levantar-se para cum¬primentá-la. Apenas continuara sentado, fitando-a com aqueles olhos escuros e ameaçadores. Será que sir Roger pensava poder intimidá-la com um simples olhar? Ela não era uma mocinha mimada e criada numa redoma, protegida de tudo e de todos. Tampouco uma aldeã simplória, para se sentir esma¬gada pela posição e riqueza de um nobre. Era, sim, lady Mina Chilcott, uma mulher capaz de mostrar-se tão segura de si e arrogante quanto qualquer homem. Seu pai a havia tornado assim, embora não de maneira intencional. Portanto Mina devolveu o olhar. Seu noivo tinha um corpo extremamente bem-feito, com braços musculosos, peito largo e cintura estreita. Ele vestia uma túnica verde-escura, sem nenhum tipo de enfeite. Tam¬bém não havia sinal de jóias. De fato tratava-se de um homem que não precisava de adornos extras para chamar a atenção. Incomodada com o próprio pensamento, Mina voltou o olhar para o rosto bonito. Para sua surpresa, sir Roger não usava os cabelos à moda dos normandos, cortados ao redor da cabeça como se fosse uma cuia, assim como Reginald. Em vez disso, os cabelos dele eram longos como os dos celtas, povo arisco e selvagem. A verdade era que Montmorency parecia ter mais em comum com aqueles guerreiros ousados do que seu próprio irmão, ou qualquer um dos outros nobres que costumavam freqüentar o castelo dos Chilcott. Apesar da sua bravata de momentos atrás, da recusa em deixar-se coagir e da fome que só fazia aumentar a cada segundo, Mina perguntava-se se não cometera um erro ao ignorar o conselho do administrador. Talvez devesse ter se recolhido aos seus aposentos.
  5. 5. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ Não, estou nos meus direitos, ela pensou, resoluta. Montmorency deveria ter-lhes dado as boas-vindas no pátio interno e oferecido a hospitalidade do castelo. Em vez disso, deixara-os plantados do lado de fora como se fossem mercadores ou artistas mambembes, e não convidados de honra. Apoiando-se nessa idéia para se armar de coragem, Mina inspirou fundo, lembrando-se de que era filha legítima de um cavaleiro, ainda que sua mãe fosse saxônia. De cabeça erguida, atravessou o salão. O nobre de cabelos grisalhos, sentado ao lado de sir Roger, levantou-se imediatamente, um sorriso de boas-vindas iluminando o rosto já um tanto enrugado. Um por um, todos os presentes se calaram, aguardando o desenrolar da cena cheios de expectativas. Apenas o velho sacerdote não percebeu o que se passava e con¬tinuou a comer sossegado. Ainda assim, sir Roger não tomou nenhuma atitude, limitando-se a fitá-la. O que ele iria pensar de uma mulher capaz de embaraçá-lo diante de toda aquela gen¬te? Não importava como Mina se sentisse a respeito do casamento arranjado, pois ela já havia empenhado sua palavra. Seria sensato desafiar a raiva do futuro marido? Ao chegar junto à mesa principal, Mina abaixou os olhos, recatada, e fez uma mesura. — Perdoe minha intrusão, sir Roger — falou deli¬cadamente. — Mas temo que ninguém o tenha avisado de nossa chegada. Finalmente, finalmente, sir Roger de Montmorency levantou-se, continuando a fitá-la como se a medisse de alto a baixo. A túnica dele, presa à cintura por um cinto de couro, chegava-lhe ao meio das coxas, expondo pernas longas e musculosas. As mãos fortes, apoiadas sobre a mesa, pareciam capazes de empunhar qualquer arma com absoluta segurança. — Vocês estão atrasados e não me mandaram avisar Montmorency retrucou num tom tão pouco amigável quanto a expressão do rosto. — Não podíamos atrasar mais o jantar. — A ponte, a uns oito quilômetros daqui, foi arras¬tada pelas águas... meu lorde — Mina explicou, fazendo uma pausa proposital e erguendo a cabeça. Que ele também visse seus olhos. Que ele soubesse o quanto fora imperdoavelmente rude para com a noiva e para com Reginald, um cavaleiro de linhagem mais antiga. Notando uma veia pulsar na base do pescoço de Montmorency, ela teve certeza de o haver atingido. — Mas estou certa de que a culpa pela queda da ponte não foi sua — Mina emendou docemente. — Afinal, serviçais e aldeões, com freqüência, estão an¬siosos para se aproveitarem de um lorde bom e gene¬roso. — Que grande mentira!, ela pensou, enquanto aguardava uma resposta. Podia muito bem imaginar como Montmorency tratava seus arrendatários. Eles sem dúvida iriam apreciar uma castelã capaz de com¬preender o que era ser maltratado. Sir Roger nada respondeu e nem sequer alterou a expressão do rosto. Mina cerrou os lábios com força para não praguejar. Como é que ele podia continuar se comportando de maneira rude na presença de todas aquelas pessoas? Seria assim tão seguro de si para não temer a censura de ninguém? A julgar pelas aparências, parecia que sim. — Posso sentar-me? — ela indagou, embora as pa¬lavras não soassem como um pedido. — Minha lady, por favor, sente-se aqui. — O cava¬leiro de cabelos grisalhos levantou-se depressa e sorriu. — Sou sir Albert Lacourt. Claro que estamos encan¬tados com a sua chegada, mas você está ensopada. Tem certeza de que não prefere... — Estava bastante ansiosa para encontrar meu futuro marido — Mina o interrompeu, aproximando-se da mesa e tirando a capa... para só então perceber que o vestido molhado colava-se ao seu corpo como uma segunda pele. No mesmo instante um rubor intenso subiu-lhe ao rosto e bastou olhar ao redor para ter certeza de que estava dando um espetáculo. Até o velho sacerdote a olhava como se jamais houvesse visto uma mulher antes. Con¬siderando que parecia estar nua, era bem possível que, no caso do padre, isso fosse verdade. Entretanto Mina não disse uma palavra e tomou seu lugar à mesa como se nada de anormal tivesse acontecido. — Eu, ah, espero que sua jornada tenha sido agradável, exceto pelos últimos quilômetros — sir Albert falou. — Sim, foi uma jornada agradável — Mina concordou. Uma serva, de seios enormes e modos que sugeriam estar acostumada a desempenhar papel de importância na cama de lorde de Montmorency, colocou um prato de carne diante de Mina com evidente má vontade. Ao voltar-se para o noivo, Mina notou que ele tinha os olhos fixos nos seus seios. — Vejo que você está faminto também — ela obser¬vou num tom falsamente inocente. Montmorency não esboçou nenhuma reação e limi¬tou-se a comer. — A tempestade foi tão forte que estávamos certos de que vocês iriam se refugiar numa estalagem à beira da estrada — sir Albert comentou depois de alguns instantes de silêncio desconfortável. — É o que deveríamos ter feito, porém Reginald estava certo de que seríamos calorosamente recebidos aqui e insistiu que continuássemos — Mina explicou, não sem uma pontada ironia. Enfim Reginald apareceu e o motivo de sua demora ficou evidente a todos. Ele havia trocado de roupa e secado os cabelos tanto quanto possível. Entretanto, n pesada túnica de brocado parecia enfatizar a extrema magreza em vez torná-lo aparentemente mais encor¬pado, o que fora sua intenção. Desajeitado e inseguro, o nobre parou à entrada do salão, tentando, sem su¬cesso, embutir os cabelos com as mãos. Como se para humilhar a noiva, sir Roger levan¬tou-se imediatamente e caminhou na direção do re¬cém-chegado. — Lorde Chilcott! — exclamou, a voz profunda mos¬trando satisfação. — Que prazer tornar a vê-lo! Esforçando-se para disfarçar o rubor das faces, Mina ergueu-se. — Se me der licença, acho que vou me retirar. Estou mais fatigada do que imaginava. Boa noite, sir Albert. Foi um prazer conhecê-lo. — Com os olhos fixos na serva de seios fartos, pediu: — Gostaria que me mos¬trasse meus aposentos.
  6. 6. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ — Claro, minha lady — a criada respondeu, o ar de insolência quase desaparecido. Embora ouvisse os dois homens aproximando-se, Mina não olhou para trás e tampouco disse alguma coisa. Simplesmente limitou-se a seguir a serva pela es¬cadaria que conduzia ao patamar superior. Longe da multidão, ela sorriu para si mesma, certa de que alcançara uma pequena vitória. Pelo menos mostrara ao poderoso sir Roger de Montmorency que não se deixava intimidar com facilidade. !Ao voltar para seu lugar à mesa, na companhia de Reginald Chilcott, Roger notou que a noiva subia as escadas atrás de Hilda. Ela não aguardara até ser dispensada e também não se despedira. Pelo sangue de Cristo, que tipo de mulher concordara em aceitar como esposa? — Sente-se e coma — Montmorency ordenou a Re¬ginald, que enrubesceu até ficar da cor de sua túnica escarlate. A vestimenta muito elaborada oferecia um contraste flagrante com o vestido de Mina Chilcott. Ou sua noiva não era nem um pouco vaidosa como o meio-irmão, ou então seus trajes não passavam de um reflexo da personalidade gélida. — Mina é... ela às vezes não é uma pessoa muito fácil de lidar, sir Roger — Reginald tentou explicar desajei¬tadamente. — Porém mostrou-se bastante competente na administração da propriedade de meu pai nos últimos anos, quando ele já não tinha condições de fazê-lo. Talvez, depois do casamento, ela se torne mais... doce? Roger nada respondeu. Dificilmente uma mulher de cabelos vermelhos, e com o temperamento de Mina Chilcott, se tornaria um tipo "doce". Percebendo o olhar de censura de Albert, Roger empurrou uma travessa de carne de veado para o cunhado. — Por favor, coma — limitou-se a dizer. Sorrindo, grato, Reginald atacou a comida com uma disposição surpreendente. Como era que alguém tão magro podia consumir tanto assim? Mais interessado em comer do que em falar, o jovem permaneceu em silêncio. Albert tampouco parecia interessado em man¬ter conversação e os outros convidados, seguindo o exemplo da mesa principal, pouco falavam entre si. Quando enfim Reginald deu-se por satisfeito, arro¬tou discretamente. — Uma ótima refeição, meu lorde. Meus cumpri¬mentos ao seu cozinheiro. Agora, se me der licença, vou me retirar. Foi uma jornada cansativa. — Se você desejar, posso mandar alguém levar um jarro de vinho até seu quarto — Montmorency ofereceu educadamente, fazendo sinal para Dudley. — Obrigado, sir Roger, eu gostaria muito. Obrigado. Roger sufocou a vontade de rir. Aquele jovem tolo estava reagindo ao oferecimento de vinho do mesmo modo que um outro homem reagiria ao oferecimento de terras. Quanto exagero. — Com licença, sir Roger. — Reginald levantou-se e seguiu Dudley, não sem dizer mais um "obrigado". Finalmente livre do convidado, Montmorency tomou um gole de vinho, aliviado. — Foi uma demonstração interessante de criancice — Albert comentou, seco —, embora algumas de suas boas maneiras não lhe tenham faltado por completo. — Então é infantil deixar claro que não gosto de ter minhas refeições interrompidas por qualquer mo¬tivo? É infantil esperar que me informem de um atra¬so? Tampouco considero uma demonstração de infan¬tilidade quando uma pessoa que não conheço ousa me criticar debaixo de meu próprio teto, envolvendo meus arrendatários e a conservação de minhas pontes. — Eu o avisei várias vezes sobre aquela ponte. Além do mais, trata-se de seus convidados. — Com ponte ou sem ponte, eles chegaram atrasados. — Se a ponte havia caído, não era possível mandar um mensageiro na frente. — Então deveriam ter passado a noite numa estalagem. — Ela disse que estava ansiosa para conhecê-lo. A única resposta de Roger ao comentário do amigo foi servir-se de mais vinho. — Até posso concordar que não se trata de uma mulher extremamente atraente, mas há algo em sua personalidade que... — A criatura é uma bruxa. Uma harpia. Pode cha¬má-la do que quiser que não me importo. Odeio cabelos vermelhos e pele com pintas. — Lady Chilcott sabia estar em seu direito e agiu como tal — Albert respondeu, firme. — Pois eu a achei muito, muito interessante. E não se tratam de pintas e, sim, sardas. Aliás, pouquíssimas sardas. Contei ape¬nas uma meia dúzia. — Você contou? — Roger indagou, erguendo uma sobrancelha. — Se a considera assim tão especial, por que não se casa com ela? Albert enrubesceu e desviou o olhar. — Você sabe por quê. Além do mais, foi você quem fez o acordo, não eu. — Com aquele tolo do Reginald. Eu devia estar louco. — Sempre há a possibilidade de romper um acordo de casamento. — É uma idéia tentadora. — Sua noiva tem um corpo bonito — Albert comen¬tou, observando Bredon, o caçador do castelo, que se divertia atirando ossos aos cães. — Um corpo bonito exibido ao salão inteiro — Roger respondeu, ainda irritado. De fato, se Mina Chilcott estivesse nua não teria feito diferença. Lembrava-se bem do vestido ensopado colado às formas esguias, os mamilos arrepiados de frio... — Você sabe que poderia ser pior. Ela poderia ser mais feia.
  7. 7. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ — Ou mais bonita também. — Montmorency empur¬rou a cadeira para trás e levantou-se. — Tendo a cortesia em mente, acho que devo me certificar se meus convi¬dados estão devidamente instalados. Dudley já voltou? — Aqui, meu lorde — o administrador respondeu, aproximando-se depressa. — Onde você os colocou? — Nos dois aposentos novos, meu lorde. — Ótimo. Agora coma alguma coisa e vista uma roupa seca ou você acabará pegando uma gripe fatal. Não tenho a menor vontade de substituir meu administrador. — Sim, meu lorde. Ignorando o resto dos convidados, Roger subiu as escadas que conduziam ao patamar superior, onde uma nova ala havia sido construída no ano anterior. Seu castelo não era muito grande, porém vinha tratando de aumentá-lo desde que fora confirmado como seu único senhor, ao jurar lealdade ao barão DeGuerre. Seus planos não haviam incluído a possibilidade de casar-se com a meia-irmã saxônia de Reginald Chilcott. Embora Reginald estivesse sendo generoso no dote, Ro¬ger não tinha dúvidas de que, com a sua aparência e a sua reputação, poderia casar-se com uma mulher muito rica e influente em vez de aceitar uma megera ruiva. Será que ela o considerava tão tolo quanto Reginald para se deixar iludir por uma breve encenação de ar¬rependimento? Oh, não, quando lady Mina atravessara o salão, vira a determinação estampada nos olhos ver¬des. De fato aqueles olhos verdes tudo revelavam: que se tratava de uma criatura teimosa e arrogante, dis¬posta a mostrar que se sentira insultada. Fora somente no último instante que lady Chilcott resolvera desem¬penhar o papel de mulher dócil. Logo, porém, ela iria descobrir que o futuro marido não se permitia ser enganado assim tão facilmente. Contudo precisava admitir que Mina soubera fazer as críticas de maneira velada, sutil. Por Deus! Aquela não era o tipo de esposa que que¬ria. Queria linhagem, riqueza, beleza extrema e sub¬missão. Queria uma esposa capaz de entender quem ditava as regras no castelo. Claro que haveria compensações para essa obediência cega, uma das quais sua grande experiência e habilidade nas artes do sexo. Todas as mulheres com quem já fizera amor sempre disseram que ele era o melhor. Lady Chilcott devia aprender que uma repetição do comportamento daquela noite seria inaceitável. E era melhor fazer com que a noiva assimilasse a lição imediatamente. Roger subiu os degraus, dois de cada vez, e atra¬vessou o corredor estreito, as passadas firmes ecoando pelo assoalho de madeira. Agora, quanto às compensações, Mina Chilcott, teria que esperar. !!DOIS !Roger bateu na porta do quarto da noiva apenas uma vez e entrou sem esperar resposta. Embora não tivesse se dado ao trabalho de checar os preparativos feitos nos aposentos reservados aos convidados, bastou uma olhada rápida ao redor pura assegurar-se de que tudo estava pronto e confor¬tável, desde o fogo ardendo na lareira e as tapeçarias novas dependuradas nas paredes até o edredom pesado e luxuoso sobre a cama. Chegara mesmo a mandar que colocassem o tapete de seu quarto ali, um luxo que pretendia devolver aos seus aposentos logo após o casamento. Hilda virou-se e riu baixinho ao ver quem acabara de entrar. Ignorando a serva, Roger fitou os olhos frios da noiva. Coberta apenas com uma túnica branca ensopada, Mina devolveu o olhar enquanto apanhava o vestido lar¬gado sobre uma cadeira para cobrir-se. Se ele pensara que o vestido molhado delineara as formas de lady Chil¬cott de maneira ousada, aquela túnica de linho não cobria praticamente nada. Era fácil perceber o tom rosado dos mamilos e o triângulo vermelho entre as pernas. De súbito Roger deu-se conta de que nunca havia feito amor com uma ruiva antes e a idéia estava longe de desagradá-lo. — Sir, o que significa essa sua intrusão? — ela perguntou, segurando o vestido diante do corpo numa ten¬tativa vã de esconder a seminudez. Obrigando-se a manter a expressão do rosto impas¬sível, Montmorency retribuiu o olhar. Sua noiva não era pouco atraente como julgara a princípio, agora que já não estava enregelada. A pele macia e clara mos¬trava um leve rubor que encobria as sardas. Os cabelos, quase secos, caíam em ondas suaves sobre os ombros arredondados, emoldurando um rosto de traços deli¬cados. Os olhos, que acreditara verdes, tinham um bri¬lho cinza-azulado, ressaltando os lábios carnudos e sen¬suais. Talvez houvesse se precipitado ao julgar a apa¬rência da futura esposa. — Hilda, vá lá para baixo — ele ordenou, conti¬nuando a percorrer o corpo da noiva com o olhar. De má vontade, a serva obedeceu. Infelizmente para Hilda, Montmorency já decidira pôr um ponto final no caso de ambos. O fato de haverem dormido juntos al¬gumas vezes nada significava e, além de tudo, a criada estava se tornando muito impertinente. Porém, o mais importante, era que, depois de jurar fidelidade à es¬posa, pretendia levar os votos a sério. Seu sentido de honra jamais lhe permitiria agir de outra forma, mes¬mo se a esposa lhe fosse indiferente. Simplesmente não se admitia quebrar um juramento, por qualquer motivo que fosse. — Sir Roger, o que significa essa sua intrusão? — Mina Chilcott repetiu, a voz calma e os olhos mais enigmáticos do que quando haviam se encontrado pela primeira vez.
  8. 8. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ Lorde de Montmorency lembrou-se de que devia co¬locar a noiva no seu devido lugar e de uma vez por todas. Estava acostumado a demonstrações de obediên¬cia, respeito e temor inquestionáveis, portanto não iria tolerar que sua futura esposa agisse de outro modo. — Talvez eu tenha vindo me assegurar de que os nervos a estão tratando de forma apropriada. Afinal, você sugeriu que ando faltando com meus deveres de anfitrião. — Hilda me parece bastante competente. E de várias maneiras, suponho. — Não passou despercebido a Ro¬ger o duplo sentido do comentário. — Sou o senhor deste castelo — ele falou num tom baixo, mas estranhamente ressonante. — Agirei como me aprouver, dentro dos limites da honra. Não cabe a você me criticar, jamais. Quando for minha esposa, acho melhor lembrar-se de que estou acostumado a ser obedecido. E não aceitarei outro tipo de comportamento. — E eu estou acostumada a ser punida — Mina retrucou muito calma. — Entretanto, no momento presente, não sou nem sua serva nem sua esposa e peço-lhe, outra vez, que tenha a bondade de se retirar. — Então, para o assombro de Montmorency, lady Chilcott teve a audácia de lhe dar as costas. A raiva, porém, transformou-se em choque no ins¬tante em que ele viu a pele marcada, logo abaixo do decote. As costas, muito brancas, estavam cobertas de cicatrizes finas e compridas, produzidas sem dúvida pelo uso do chicote. Por um momento ele perdeu a fala. Como é que alguém podia infligir tal tormento a uma mulher? A qualquer mulher? — Quem foi que lhe fez isso? — Um homem que queria me obrigar a obedecê-lo — ela respondeu, virando-se para fitá-lo. — O rosto polido não tinha qualquer expressão. Porém os olhos, desafiantes, cheios de força interior, pareciam ter o poder de impressioná-lo. Quase não acreditava que Aqueles olhos pertenciam a uma simples mulher. — Boa noite, sir Roger. Atônito com o que vira e sem saber bem o que dizer, Montmorency saiu do quarto batendo a porta atrás de si. Mina estremeceu e inspirou fundo, sentindo a tensão começar a abandoná-la. Largando o vestido sobre a única cadeira, ela esfregou os braços para ativar a circulação. Trêmula, atiçou o fogo da lareira enquanto lutava contra as lembranças do passado, especialmente aqueles anos horríveis após a morte de sua mãe adorada. Depois de despir a túnica, enrolou-se na colcha da cama e aproximou-se da janela estreita. Nuvens escu¬ras escondiam a lua, envolvendo os arredores na mais completa escuridão. O castelo não era absolutamente o que esperara, considerando o fervor e a admiração com que Reginald falava de sir Roger. Seu meio-irmão não se cansava de repetir que Montmorency era um dos cavaleiros favoritos do poderoso barão DeGuerre e também des¬cendente de uma das linhagens mais antigas do reino. Portanto, era natural que esperasse algo mais impres¬sionante do que aquela construção de linhas simples e cujas dimensões do pátio interno, por exemplo, podiam ser consideradas acanhadas para os padrões a que estava acostumada. Olhando a lua aparecer por trás de uma nuvem, Mina deu-se conta de que, se havia alguma coisa ver¬dadeiramente marcante no castelo Montmorency, era o seu senhor e dono, não o lugar em si. Sir Roger de Montmorency tampouco correspondia ao que imaginara. Claro que se mostrava arrogante e vaidoso como qualquer outro homem, só que, no seu caso, tamanha autoconfiança podia ser justificada. E o fato de esperar obediência irrestrita também não a surpreendia. Na verdade, passara a vida inteira sendo cobrada, o que não significava que pretendesse ceder às exi¬gências do marido. Tempo demais estivera à mercê dos outros. Aprendera a suportar tudo em silêncio e a rezar pelo dia em que seria livre. Mas que liberdade poderia existir para uma mulher solteira? Nenhuma, não tardara a descobrir depois da morte do pai. Além de nenhum respeito. Ela era con¬siderada apenas uma mercadoria a ser dada em casamento, com o mínimo de transtorno, ou a ser mandada para a reclusão de um convento. Assim o casamento lhe soara como o menor entre os dois males. Como a esposa de um nobre, acabaria partilhando um pouco do respeito devido ao marido. Parecia-lhe óbvio que sir Roger exigia, e inspirava, enor¬me respeito, portanto parte de seu objetivo estaria sendo alcançado. Contudo, só o tempo diria se um dia viria a respeitá-lo. O que no momento julgava improvável. Entretanto, as coisas ainda podiam ser piores, Mina concluiu indo aquecer-se junto à lareira. Sir Roger ti¬nha ambição, outra qualidade que desejara encontrar num homem. Se não fosse ambicioso, não teria aceitado unir-se aos Chilcott, cujos maiores bens não eram a riqueza ou o poder, mas um nome secular. Ela era ambiciosa também, ou pelo menos ansiosa para melhorar a própria sorte. E, talvez mais do que qualquer outra mulher, Mina sabia-se capaz de apreciar o autocontrole do futuro marido. Apesar da raiva, Montmorency não lhe encostara um dedo. Seu pai a teria açoitado por uma afronta muito menor. Mas, de qualquer forma, seu pai costumava espancá-la sem motivo algum. A reação do noivo fora mesmo misteriosa. Estava claro que o irritara quando o enfrentara no salão, porém ele compreendera os motivos que a tinham levado a agir daquela maneira, como era esperado de uma mulher da sua posição. Fora a primeira vez que alguém vislumbrara um pedaço da sua alma. O tom de voz inesperado de sir Roger, ao perguntar quem lhe marcara as costas, também a surpreendera. Ele parecera zangado, embora fosse um tipo diferente de raiva, como se quisesse punir a pessoa responsável. Ou seria pena? Não, não queria piedade de ninguém. Queria apenas encontrar o seu lugar no mundo. E ser respeitada.
  9. 9. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ Mina sentou-se na cama e passou a mão de leve sobre os lençóis, reparando no mobiliário simples mas de extremo bom gosto. De repente um cansaço enorme tomou conta de cada fibra de seu ser. Apagando as velas, preparou-se para dormir. Foi então que ouviu o som de risadas femininas e de uma voz de homem, vindos do corredor. A voz de sir Roger, pensou. Curiosa e, acostumada que estava a es¬cutar atrás das portas para evitar possíveis problemas, levantou-se da cama, entreabrindo a porta do quarto com cuidado. O corredor permanecia às escuras, exceto pela tocha que brilhava junto à escada em espiral. Duas figuras estavam paradas, uma diante da outra. A mulher, com as costas apoiadas na parede e o homem, obviamente sir Roger, fitando-a. De repente ai mulher riu baixinho e tocou os braços musculosos do seu acompanhante. — Pensei que você estivesse pretendendo ficar sem... — Hilda sussurrou, sensual. Mina fechou a porta devagar e voltou para a cama, um gosto amargo na boca. Roger afastou as mãos femininas com firmeza. — Não. Está tudo terminado entre nós. Atônita, a criada não soube o que dizer, uma ex¬pressão de pânico no olhar. Ao sair dos aposentos da noiva, Montmorency ima¬ginara que Hilda o estivesse esperando, ansiosa para saber como ficaria a situação entre ambos diante da aproximidade do casamento. Porém, não tinha nenhuma intenção de punir a mulher que tentara agradá-lo de todas as formas, mandando-a para longe do castelo e da aldeia. — Não precisa ter medo. Você pode continuar tra¬balhando no castelo. — Não posso, meu lorde! — a serva protestou, co¬brindo o rosto com as mãos e começando a chorar. — Ela não vai permitir! Acho que já me odeia. Basta ver a maneira como me olha. Ela sabe sobre nós, ou então suspeita. Vou ter que ir embora daqui! Segurando as mãos de Hilda, Montmorency obri¬gou-a a fitá-la para que percebesse a sua sinceridade. — Pois eu lhe digo que você vai ficar no castelo. Você é uma boa mulher e uma serva leal. Ninguém poderá forçá-la a partir. — Lembrando-se da censura estampada nos olhos de lady Chilcott, Roger soltou as mãos de Hilda e afastou-se. — Entretanto, mantenha distância de mim. - É... é o que farei, meu lorde. Obrigada, meu lorde — Ela respondeu, trêmula, para logo depois sorrir, con¬vidativa — Nós passamos bons momentos juntos, não foi, sir Roger? Se ela não o tratar bem... — Serei fiel à minha mulher. — Sim, meu lorde. Eu deveria imaginar. — Hilda suspirou e começou a descer a escada. — Espero que seja feliz, meu lorde. Montmorency não respondeu. O que havia para dizer? !— Você poderia fazer a gentileza de me designar um acompanhante? — Mina pediu ao noivo na manhã seguinte, ao entrar no salão para o desjejum. Felizmente a missa havia sido breve, embora cansativa, porque padre Damien cochilara algumas vezes e se perdera com as palavras. Fora-lhe reservado um lugar junto a sir Roger, ela notou. Um avanço, considerando-se a noite anterior. Sentado ao lado da cadeira vaga estava sir Albert, o mesmo sorriso gentil no rosto. Reginald sentava-se à esquerda de Montmorency e sorria sem parar, como se quisesse agradar ao anfitrião. Quanto a sir Roger, não podia dizer qual expressão marcava o rosto viril, já que não levantara os olhos para fitá-lo. Só de pensar no encontro entre o noivo e a criada, sentia-se corar. Mas aparentemente aquela conduta a incomodava mais do que a ele. Que arrogância desmedida tinha aquele homem, capaz de praticamente fazer amor com outra mulher junto à porta do quarto da noiva! Quanto mais distancia pudesse manter de Montmorency, melhor. Nem que fosse por algumas horas. — Quero cavalgar hoje — Mina anunciou —, já que a tempestade passou. Ontem não fomos capazes de apreciar os arredores do castelo por causa da chuva e da escuridão. — Não posso gastar meu tempo cavalgando pelos campos — Montmorency respondeu secamente. — Tenho negócios a resolver. Ainda bem que o salão não estava tão cheio quanto ontem, ela pensou. Assim pouca gente testemunhou a maneira ríspida como sir Roger a tratava. — Claro. — De fato Mina não queria companhia alguma. Preferia cavalgar só, como costumava fazer ao sentir-se triste e deprimida. Depois da jornada cansativa e da noite passada numa cama estranha, mais do que nunca desejava estar só. — Você tem que inspecionar os reparos da ponte — observou, esforçando se para soar afável —, além de verificar se outra construções sofreram abalos com a tempestade. — Hilda aproximou-se da mesa e colocou um prato de pão e frutas à sua frente. — E talvez esteja cansado ela acrescentou num tom falsamente inocente. Roger fitou-a, desconfiado, e Hilda afastou-se às pressas. Mina teve vontade de rir e mordeu uma maçã para disfarçar a satisfação, apreciando a doçura do fruto com prazer. — Ficarei feliz em... — sir Albert começou a se oferecer, mas foi cortado no meio da frase por Montmorency. — Vou precisar de você. — Obrigada pelo interesse, sir Albert. — Mina sorriu e molhou os dedos numa tigela de água perfumada. Depois de secá- los delicadamente num guardanapo, levantou-se. — Estarei muito bem sozinha. Desejo-lhes um bom dia, cavalheiros, e esperarei ansiosa a companhia agradável de vocês durante o jantar, quando terei voltado de meu passeio. — Não vou providenciar um acompanhante — Roger repetiu.
  10. 10. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ — Eu entendi da primeira vez, sir. — Embora Reginald balançasse a cabeça de um lado para o outro, desesperado, Mina preferiu ignorar o pedido silencioso do meio-irmão para se submeter à vontade do noivo. Montmorency lançou um olhar na direção de Reginald, que corou até a raiz dos cabelos. — Mina, talvez fosse melhor se você permanecesse aqui hoje. A jornada foi longa e difícil. Descansar lhe faria bem. — Quanta delicadeza de sua parte importar-se com o meu bem-estar, querido irmão. Especialmente porque se trata de uma atitude rara. Mais uma vez, desejo-lhes Um bom dia. — Ela fez uma mesura exagerada e preparou-se para se retirar. Entretanto Roger estava longe de se deixar iludir. Vira muito bem o sorriso de pura teimosia estampado no rosto delicado e a determinação brilhando nos olhos verdes. Oh, sim, era fácil reconhecer aquela expressão. Os melhores cavaleiros costumavam ostentá-la quando de¬cididos a vencer a qualquer custo. Firmeza inflexível era uma qualidade admirável num nobre... mas, certamente, não numa mulher. Existia apenas um tipo de desejo que queria numa mulher. Então Mina Chilcott saiu do salão sem olhar para trás. Pelo sangue de Cristo, ela era diferente de todas as mulheres que conhecera. Graças a Deus. Reginald clareou a garganta e murmurou: — Pronto, você está vendo, meu lorde. Minha irmã pode ser razoável. — Ótimo — Montmorency respondeu, convencido de que Mina não tinha nenhuma intenção de obedecê-lo ou a Reginald. Aquele sorriso, aquele pequeno sorriso tá cheio de superioridade... O homem que o treinara nas artes da guerra sempre sorrira assim quando esperava ver Roger fracassar. E o sorriso se provava profético. Passara a detestar o sorrisinho de Fitzroy. — Se me der licença, meu lorde. Não tenho muito apetite esta manhã. — Reginald levantou-se e caminhou na direção do pátio interno. — Se ele come dessa maneira quando está sem apetite, não sobrará nada na minha despensa — Roger comentou, sarcástico. Albert remexeu-se na cadeira. — Sua noiva tem personalidade, meu lorde. Um tipo muito estimulante, o que sugere uma natureza ardente também. Montmorency olhou para o amigo sem esconder surpresa. — O que é isso, Albert? Há anos não o ouço elogia uma mulher. — E você parece estar se esforçando ao máximo par ser desagradável. — Sou o que sou. Se ela vai ser minha esposa, acho bom acostumar-se aos meus modos. — Já o vi agir de maneira muito mais agradável em relação a outras mulheres. Pensei que fosse se esforçar para parecer gentil aos olhos de sua noiva. — É justamente por se tratar de minha noiva, que não sinto necessidade de me esforçar para coisa alguma. Ela estará na minha cama na noite de núpcias quer queira, quer não. E quer eu a deseje ou não, vou cumprir meu dever de marido. — Você é uma criatura sem coração — Albert exclamou, desencantado. — Sou o que sou — Montmorency tornou a repetir friamente, levantando-se. Se lhe faltava um coração, a culpa não era dele. A culpa era de Deus, ou do des¬tino, ou de um capricho da natureza que lhe roubara os pais cedo demais. E também era culpa dos amigos dos seus pais, que decidiram mandá-lo para o castelo Gervais com o objetivo de prepará-lo para se tornar Cavaleiro, enquanto sua irmã, Madeline, era mandada para um convento. — Eu não tive intenção de preocupá-lo. Pensei apenas que talvez você devesse agir de modo um pouco mais amigável. Ouvi alguns comentários... Não creio que lady Chilcott tenha tido uma vida muito fácil. Roger lembrou-se das cicatrizes nas costas da noiva e, embora uma outra pessoa nada pudesse perceber na expressão de seu rosto, Albert sabia que suas palavras haviam atingido o amigo. — Muito bem, farei um esforço para ser polido, se isso lhe agrada. — Claro que ficarei satisfeito. Juntos, os dois saíram para o pátio interno. — Acho melhor irmos dar uma olhada nos estragos causados pela tempestade — Montmorency sugeriu. — Estou particularmente preocupado com o moinho. Se a chuva foi forte o bastante para arruinar a ponte, poderá ter estragado a roda. — Ele parou de repente, assombrado. Mina Chilcott, vestindo uma capa azul que tornava seus olhos da cor do céu num dia de primavera, já estava montada num cavalo, sem sombra de um acompanhante por perto. O animal, muito velho, dava impressão de mal se agüentar de pé. De repente Reginald apareceu. — Mina! — lorde Chilcott gritou nervoso. — Não tem ninguém para acompanhá-la. — Não se preocupe à toa — ela respondeu, sorrindo irônica na direção do noivo. — Diferentemente de outras pessoas, aprendi a passar sem... No mesmo instante, Roger lembrou-se que Hilda havia usado palavras semelhantes na noite anterior, comentário não lhe parecia simples coincidência. Decidido, marchou na direção de lady Chilcott. Não iria providenciar um acompanhante e nenhuma mu¬lher, nem mesmo aquela, iria sair cavalgando por suas terras sem proteção. Porém, antes de alcançá-la, Minai saiu em disparada.
  11. 11. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ — Pare! — Roger gritou, apenas para ser ignorado. — Sele meu cavalo! — ele berrou para o cavalariço sentindo-se um verdadeiro idiota. Voltando-se para Reginald, disparou: — Sua irmã parece determinada desobedecer a nós dois. Vou atrás dela e quando encontrar, a farei entender que essa não é a maneira sábia de agir. !!TRÊS !Mina riu baixinho ao ver o bando de ho¬mens passar num galope desenfreado perto do lugar onde se escondera, à beira da estrada. Pelos galhos das árvores, era possível enxergar a ex¬pressão severa do noivo e o pavor estampado no rosto de Reginald. Seu meio-irmão andava lentamente e devia estar aterrorizado. Coitado! Não havia motivos para Montmorency insistir na presença do futuro cunhado, pois Mina estava certa de que Reginald só se juntara ao grupo devido a uma ordem direta de sir Roger. OS outros soldados simplesmente se preocupavam em não perder seu lorde de vista. Ela bem podia imaginar as palavras duras que Montmorency iria dirigir-lhes caso ficassem para trás. Quando o tropel dos cavalos desapareceu no horizonte, Mina saiu do esconderijo e embrenhou-se no bosque. O castelo havia sido construído numa planície, porém, a uma pequena distância, erguiam-se colinas e estendia-se a floresta. Esquilos e pássaros enchiam de ruídos a manhã clara e úmida. Enquanto continuava o passeio pelos arredores, Mina percebeu que seu futuro lar estava localizado numa bela região. Aldeões trabalhavam no cultivo da terra e, pelas conversas que conseguia ouvir, aqui e ali, pareciam felizes. Sir Roger devia ser um bom lorde ou então estaria escutando reclamações e resmungos, em vez de brincadeiras e planos para comemorações após a colheita. Logo ela chegava junto a um riacho, cujas margens estavam cobertas de flores variadas. Inspirando fundo, contemplou a beleza da paisagem, saboreando os poucos momentos de quietude. Anos atrás, aprendera a desfru¬tar desses momentos raros e a guardá-los na memória como um talismã contra as constantes dificuldades. Quantas outras escapadas solitárias ainda poderia apreciar? Provavelmente muito poucas, a menos que conseguisse convencer sir Roger de que esses passeios eram seguros e uma verdadeira necessidade para sua alma sedenta de serenidade. Entretanto não seria fácil fazê-lo enxergar a situação daquela maneira. Com certeza ele nunca havia parado para admirar um belo dia de verão, ou observar pássaros e esquilos se pre¬pararem para o inverno. Será que existia alguma coisa capaz de dar a Montmorency um prazer simples e natural? Oh, sim, com certeza existia, Mina pensou, irritada, lembrando-se de Hilda agarrando-se aos braços musculosos. Sim, a proximidade da serva devia lhe dar prazer. Mas lhe daria paz? Perdida nos próprios pensamentos, ela voltou par a estrada principal lentamente, parando de vez e quando para colher flores silvestres. Que perfume de delicioso! Espalhadas a perder de vista, as flores formavam um verdadeiro tapete colorido. De repente um coelho apareceu no meio da relva fazendo-a sorrir. Seria uma fêmea à procura do filhote ou um macho em busca de uma companheira? O animalzinho foi o primeiro a dar o alarme de que alguém se aproximava, desaparecendo assustado. Só então Mina ouviu o barulho de cascos. Como suspeitara, era sir Roger e seus soldados. Por¬que já conseguira fazer o que queria, ela não tentou se esconder. — Mina! — Reginald gritou, aliviado, enquanto Montmorency fazia sinal para que parassem. — Onde você esteve? — Colhendo flores — ela respondeu calmamente, ignorando o olhar furioso do noivo. — Não havia motivo para preocupação. Roger desmontou e aproximou-se de Mina, o rosto uma máscara impenetrável. — É perigoso para uma lady cavalgar sozinha. — É mesmo, sir? Suas terras não oferecem segurança? Bandidos não tremem só de ouvir seu nome? Mantendo a raiva sob controle, Montmorency fitou aquela mulher tola que ousava duvidar da sua capacidade de cuidar da segurança de sua gente. — Nenhuma floresta é segura para uma mulher desacompanhada. — Claro. Que estupidez a minha. Mina tentou afastar-se, porém o noivo segurou-a pelo braço e puxou-a para si. Esmagada ao encontro do peito forte, ela deixou as flores caírem no chão. — Você não é estúpida, mas é uma lady. E se quer ser tratada como tal, sugiro que passe a agir da maneira adequada. — Roger baixou o tom de voz e apertou-a com mais força. — Ou talvez prefira que eu não a trate como uma lady? Eu poderia fazê-lo, sabe? Ou você acha que aquele simplório do Reginald iria me impedir de arrastá-la para trás das árvores? Será que é isso o que você quer? — Você não ousaria — Ouso fazer o que desejo, minha lady. Essas terras são minhas e você vai se tornar minha esposa. Se não quiser me irritar outra vez, recomendo que faça o que eu mandar. — Ou você fará o quê? Irá me estuprar? — Mina falava num sussurro para que os outros não ouvissem, entretanto cada palavra vibrava de raiva e emoção. Num arranco, ela afastou-se.
  12. 12. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ Montmorency continuou fitando-a, surpreso com as palavras da noiva. Tentara apenas persuadi-la a obedecê-lo. Não fora uma ameaça. — Meu lorde, acredito que você seja capaz de qualquer coisa e, se devo agir como uma dama, sugiro que você aja como um cavalheiro. Quanto a Reginald, não lhe tiro a razão. Sei como ele se comportaria tão bem quanto você. Melhor ainda, acho. Mas fique descansado, sir Roger. Quando já estivermos casados, e em público, serei uma esposa dócil, obediente. Porém não tente jamais me possuir à força, contra minha vontade, pois, se algum dia tentar destruir esse resto de dignidade que me foi deixado, você se arrependerá. Mina montou no cavalo e saiu em disparada, to¬mando a estrada que conduzia ao castelo. Irritado e nervoso ao extremo para perceber a curiosidade e o espanto nos rostos dos outros, Montmorenç segurou as rédeas e preparou-se para montar. Por Deus aquela mulher o tinha surpreendido... e não apenas com palavras. Uma mulher incapaz de temê-lo, mesmo quando se mostrava dominador e temperamental. Como será que ela se tornara assim? De que fonte surgira a determinação implacável, a força de vontade férrea? Sua noiva era, inegavelmente, diferente. Porém, ainda mais surpreendente, eram as suas próprias reações. Ele gostava dela. Admirava o equilíbrio interior e a autoconfiança. E, o mais importante, sabia que podia respeitá-la. De repente uma outra certeza lhe ocorreu. Ele desejava. A percepção desse desejo era tão chocante quanto a sua intensidade. Entretanto não havia como negar os sentimentos que o abalavam, ou o que sentira quando moldara o corpo esguio sobre o seu. No meio das árvores, exalando perfume das flores, os cabelos soltos, o rosto enrubecido, Mina nunca lhe parecera tão selvagem e indomável. Livre. Apaixonadamente livre. Pelos céus, se fosse capaz de atrair um pouco daquela paixão... — Devo me desculpar outra vez pelo comportamento ultrajante de minha irmã — Reginald falou, trazendo-o volta à realidade. — Ela é uma criatura indepen¬dente, apesar dos esforços de meu pai para subjugá-la. — Como ele tentava dobrá-la? — Roger indagou, enquanto mantinham os cavalos a passo. — Por acaso a espancava? — Claro. — Parecia natural a Reginald que Montmorency fosse experimentar os mesmos métodos de correção. — Mas temo que as surras tenham surtido pouco efeito. — Suponho que seu pai a tenha feito passar fome também. — Ele acreditava que o jejum faz bem ao espírito. Todos tinham que jejuar. Felizmente meu tio me levou para a França e consegui escapar às excentricidades daquele avaro. Mina, porém, não escapara às excentricidades do pai. As surras explicariam as cicatrizes nas costas. Que tipo de homem espancaria a própria filha de uma maneira tão violenta? — Você... você não está planejando anular o casamento está? — Reginald indagou ao se aproximarem do castelo. — Não. — Ainda bem que Gaubert Chilcott já estava morto ou se sentiria tentado a dar-lhe uma boa lição sobre dor. !Naquela noite, Mina sentou-se no lugar de honra, à direita de sir Roger. Embora se esforçasse para se concentrar na comida, o homem ao seu lado perturbava-a tremendamente e tudo em que conseguia pen¬sar era na cena ocorrida no bosque. Depois do acontecido, esperara que Reginald viesse dizer-lhe que Montmorency mudara de idéia e rompera o compromisso. Entretanto seu noivo comportava-se como se nada houvesse acontecido, e Dudley já iniciar os preparativos para a festa de casamento, no dia seguinte. A cerimônia seria celebrada do lado de fora da capela e oficiada por padre Damien. Tampouco ela era a única pessoa a sentir-se desconfortável no salão. Todos os presentes pareciam seguir o exemplo de sir Roger e permaneciam num silêncio quase absoluto. Precisava ter sempre em mente que suas atitudes eram capazes de influenciar o humor de seu futuro marido e, por extensão, o salão inteiro, Não se tratava de uma responsabilidade a ser levada com leviandade. Contudo, pelo menos naquele instante, não conseguia dizer nada, principalmente porque não parava de olhar para as mãos de sir Roger e lembrar-se de como ele a tinha segurado. Amanhã à noite aqueles dedos voltariam a tocá-la e talvez acariciá-la.. Sem que pudesse evitar, ela analisou o perfil másculo e belo. Os olhos escuros. O nariz reto. Os lábio carnudos. A linha forte do queixo. De repente Montmorency virou-se e fitou-a, fazendo-a enrubescer. — Determinei que haja sempre alguém à sua disposição quando desejar cavalgar — ele falou num tom baixo e profundo. — Não será necessário. — Mina desviou o olhar, coração batendo disparado no peito. — Temo que deva insistir. — Agradeço-lhe a gentileza, sir Roger, mas creio que estarei muito ocupada para me dar o prazer de cavalgar nesses próximos dias. — Entendo. Estaria ele desapontado? Sentir-se capaz de despertar algum tipo de sentimento naquele homem impassível era algo perturbador. — Acho que vou estar bastante ocupada me familiarizando com os novos deveres e responsabilidades— explicou. — Existem outros pedidos que você gostaria de fazer? — Nenhum, sir Roger. Mina sorriu de leve e Montmorency tentou retribuir, embora desse a impressão de não saber bem como fazê-lo.
  13. 13. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ Pela primeira vez, desde a sua chegada, ela notou que Roger não a fitava como se fosse um objeto pelo qual pagara um preço alto, nem como uma criatura que o enfurecia. Mina imaginava... esperava... que ele a estivesse olhando do mesmo modo como olharia para uma mulher pela qual se sentisse atraído. A idéia a excitava, envolvendo-a num calor inexplicável. Ansiava dizer como uma reação favorável dele a agradava, mas não tinha coragem diante de todos os presentes. Então o tocou-o de leve nos dedos. Imediatamente Montmorency retirou a mão e levou o cálice aos lábios. Aquela atitude revelava mais censura e rejeição do que mil palavras. Ele reagira como se houvesse sido tocado por uma leprosa. Vermelha de vergonha, Mina voltou a atenção para a comida, para Reginald e sir Albert, para qualquer outra coisa que não fosse sir Roger. Depois que os servos tiraram a mesa, alguns músicos, liderados pelo menestrel, tomaram o centro do salão. Montmorency não lhe parecia o tipo de homem capaz de buscar refúgio e conforto na música e, de fato,quando os primeiros acordes soaram ele não conseguiu disfarçar o tédio. Embora também não estivesse muito inclinada àquele tipo de entretenimento, Mina esforçou-se para prestar atenção. O menestrel era um jovem extremamente magro com o rosto cheio de cicatrizes deixadas pela varíola, de cabelos louros e ralos. Todos os outros menestréis que Mina conhecera haviam sido tão vaidosos quanta Reginald, portanto só podia concluir que aquele devi ter uma voz maravilhosa para compensar a falta da beleza física. Logo descobriu estar certa na sua suposição. A voz rica e profunda infundia emoção em cada palavra, porém a balada não podia ser mais melosa. Os versos contavam a história de um cavaleiro angustiado tentando conquistar o coração de sua amada. O problema era que o tal cavaleiro agia como um tolo, insistindo quando suas atenções não eram bem-vindas, e a lady parecia uma criatura fútil e sem honra, por finalmente dar ouvidos aos galanteios e cometer adultério, a aquilo era amor, poderia passar sem vivenciá-lo. — Meu lorde! — Dudley sussurrou, aproximando-se de Montmorency. — O barão DeGuerre acabou de chegar Sir Roger levantou-se no mesmo instante, pondo fim à cantoria. — Os aposentos dele estão preparados? — indagou com uma certa ansiedade, indo ao encontro do recém chegado. Logo murmúrios excitados tomavam conta do ambiente. Então até mesmo o poderoso sir Roger de Montmorency sentia- se intimidado em algumas ocasiões, Mina pensou satisfeita. Quando o barão entrou no salão, ao lado de sir Roger ela entendeu a reação de todos. Os dois homens eram enormes e davam a impressão de serem capazes de defender qualquer castelo mesmo com as mãos atadas. A figura do barão DeGuerre, com seus olhos azul lindos e penetrantes e os cabelos castanhos caídos nos ombros, não podia ser mais dominadora. Vestindo uma túnica negra sem qualquer tipo de ornamento, ele fazia os presentes parecerem enfeitados como pavões, à exceção de Roger. Mina também notou que o pouco da ansiedade que Montmorency sentira havia desaparecido por completo. Sir Roger e o barão tratavam-se como grandes amigos, ou até irmãos, nunca como superior e subordinado. Os outros convidados levantaram-se e fizeram mesuras à passagem dos dois. De pé ela aguardou que se aproximassem da mesa principal, desejando estar metida num vestido mais bonito, porém era o melhor que possuía, à exceção do que usaria amanhã, na cerimônia de casamento. Também gostaria de ter mais jóias, cabelos louros e nenhuma sarda, especialmente quando o barão a examinava de cima a baixo, como se fosse uma égua à venda no mercado. Porém estava longe de ser um animal. Além de tudo, a família de seu pai era muito mais antiga e de linhagem mais importante do que a do barão, que subira na escala social através de golpes de sorte. Erguendo a cabeça, Mina enfrentou o olhar penetrante, disposta a não se deixar coagir. Reginald, entretanto, curvou-se numa profunda mesura. — Barão DeGuerre, sinto-me honrado em conhecê-lo afinal — o rapaz exclamou, agindo como se o barão fosse o próprio rei, não alguém nascido na obscuridade e alçado à condição atual através de casamentos vantajosos.— Permita-me apresentar- lhe minha irmã, lady Mina Chilcott. — Lady Mina — o barão cumprimentou-a num tom contido, fitando-a como se quisesse enxergá-la pelo avesso. — É uma honra — ela respondeu, sustentando o olhar. Roger continuou a apresentar DeGuerre aos presentes, começando por sir Albert. Vendo-os afastarem-se da mesa para percorrer o salão, Mina suspirou aliviada e sentou-se, observando-os. Então aquele era o grande barão DeGuerre. Sem dúvida um homem capaz de impressionar e, assim como Montmorency, acostumado à obediência inquestionável. Entretanto os olhos azuis pareciam guardar um certo pesar e Mina teve a impressão momentânea de que ele era um dos homens mais tristes que conhecera. Quando os dois voltaram para a mesa, ela pediu licença e retirou-se, sentindo-se completamente deslocada. Afinal não conhecia ninguém sobre quem falavam e nem os lugares mencionados. Sir Roger pareceu nem sequer perceber a sua saída !Montmorency não estava bêbado, apesar de já te consumido vários cálices de vinho numa tentativa de embriagar-se. Em geral sentia orgulho da sua capacidade de beber sem se transformar num idiota, ou então cair no sono. Porém, essa noite, gostaria de embebedar-se até se esquecer de tudo, mesmo correndo o risco de fazer um papel ridículo na frente do barão.
  14. 14. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ Precisava dar um jeito de tirar Mina Chilcott da cabeça. Deveria estar prestando atenção aos comentários do barão sobre os últimos acontecimentos na corte mas só conseguia pensar que quase enlouquecera de desejo quando ela o tocara de leve na mão. Não deveria estar pensando no quanto a queria, imaginando-a nua sobre os lençóis, ou então tentando decidir o que faria primeiro na noite de núpcias. Tampouco deveria estar pensando na maneira admirável como sua noiva recebera o barão. Altiva. Destemida. Merecedor em todos os sentidos, de ser esposa de um nobre. — Os mercenários de Falkes de Bréauté insiste em se comportar como bestas enlouquecidas — DeGuerre continuou. — Acho que o rei terá que dar um jeito de se livrar do homem apesar... Roger? — Barão? — Desculpe-me, Roger — DeGuerre falou com indulgência, embora os olhos azuis demonstrassem irritação por não estar recebendo atenção integral do amigo. — Estou me esquecendo de que hoje é véspera de seu casamento. Talvez eu devesse parar de lhe contar as novidades e permitir que se retire. — Minhas desculpas — Montmorency respondeu sincero — Estou ouvindo. — Não, amigo, as notícias podem esperar. Afinal, seu casamento é amanhã e já o retive tempo demais, DeGuerre baixou o tom de voz. — Ela é bem diferente de Reginald, não é? — Sim. — Por Deus, fico feliz. Reginald é uma criatura inofensiva, mas não consigo imaginar uma pessoa vivendo com ele. Quanto à sua noiva... é uma mulher bem-feita, não é? Devo confessar que aquele cabelo vermelho me surpreendeu. Imagino que tenha um temperamento de acordo. — Acredito que sim. — Bem — o barão levantou-se e esticou os braços musculosos acima da cabeça —, se alguém pode domar uma mulher temperamental, esse alguém é você, Roger. Mas se não a quiser, basta dizer-me. Descobri que a propriedade de Chilcott não é o que eu pensava. Montmorency lembrou-se de que a segunda esposa de DeGuerre, alguns anos mais velha que o marido, morrera recentemente e, embora admirasse o barão, sabia , que se tratava de um homem dado a maquinações. Talvez, por uma razão desconhecida, o barão desejasse Mina para si. A idéia não o agradou nem um pouco. — Fiz um trato com Reginald e pretendo mantê-lo. — Ótimo. Sempre soube que você é um homem de palavra e agora posso ter certeza absoluta disso. Que vocês tenham uma vida longa e feliz! — Obrigado — Roger retrucou com excessiva polidez. Não havia motivo para o barão testar a sua honra, não depois dos anos que o servira e depois de ter aceitado casar-se com uma mulher escolhida pelo próprio barão. DeGuerre sabia que, para sir Roger de Montmorency, a deslealdade era o mais terrível de todos os pecados mortais. — Não pretendi ofendê-lo, Roger. — Havia sinceridade na voz do barão. — Eu estava pensando na sua felicidade. Se preferir não se casar com Mina Chilcott terá a minha compreensão e apoio. — Você está interessado...? — Bom Deus, não! Não tenho a menor vontade de voltar a me casar. — Quanto a mim, não tenho reclamações sobre o arranjo. — De certa maneira Roger sentia-se triste pelo amigo. Os dois casamentos de DeGuerre lhe haviam dado riqueza e status talvez, mas só. Porém, qual o problema com isso? Que outros motivos levariam um homem a casar-se? — Na verdade estou um pouco ansioso — Montmorency falou num tom jovial. — Temo que, na minha noite de núpcias, minha noiva seja mais difícil de penetrar que meu escudo. — Pois eu não duvido da sua habilidade de acender o fogo da paixão mesmo na mais frígida das donzelas Os dois homens riram e ergueram os cálices de vinho num brinde. Só não perceberam que Mina os observava do alto da escada, escondida pelas sombras. Incapaz de dormir, Mina aguardara até que os sons vindos do salão cessassem. Porém, apesar do silêncio que se seguira depois, não conseguira escutar Reginald subindo as escadas. O que será que o prendera lá embaixo? Foi então que ouviu a risada de Hilda. Apesar de tentar convencer-se de que não havia problema se a criada dormisse com Montmorency, uma vez que ainda não estavam casados, Mina sentiu o sangue ferver nas veias. Num impulso, levantou-se e entreabriu a porta. Entretanto, nem sinal de seu futuro marido. Hilda ria porque se esforçava para levar Reginald, caindo bêbado, até o quarto. Depois que a serva voltou ao salão, ela não foi capaz de refrear o impulso segui-la, temendo que a atrevida estivesse à cata de Montmorency. Ao aproximar-se do alto da escada, reparou que apenas Roger e DeGuerre estavam acordados, conversando. Quando se preparava para voltar quarto, ouviu seu nome ser mencionado, como se fosse uma mulher qualquer. Que idiota fora ao pensar que Roger de Montmonrecy não era como o resto dos homens. Fora uma tola ao sentir algo diferente por ele. Silenciosamente, Mina voltou para o quarto. A idéia de que sir Roger seria capaz de fazê-la enlouquecer de prazer sem nem sequer se esforçar, deixava-a furiosa, aquele convencido arrogante! Com certeza as mulheres haviam passado por sua cama deviam ser todas camponesas feito Hilda, criaturas simplórias para acreditar que um nobre era especial, ou então o tipo que aceita fazer amor em troca de dinheiro ou outras vantagens. Mas ela conhecia a verdade dos fatos. Aqueles que pertenciam à nobreza eram em primeiro lugar homens e raramente nobres. Se Montmorency achava que bastava mover um dedo para tê-la na cama, aguardando-o ansiosa, a surpresa seria grande.
  15. 15. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ !!QUATRO !O dia do casamento de sir Roger de Montmorency amanheceu cinzento e inesperadamente frio. Uma garoa fina fazia pensar que outubro já tivesse chegado, embora o mês de julho mal houvesse começado. — O que você está pretendendo fazer? — Albert indagou ao noivo que, parado na porta do salão, examinava o pátio interno sem grande entusiasmo. — A bênção do padre poderia ser dada na capela em vez de ao ar livre. — É, suponho que sim. Porém a capela é muito pequena e não comporta todos os convidados. Os que ficarem de fora provavelmente se sentirão insultados — Roger inspirou fundo, observando Dudley que an¬dava de um lado para o outro, orientando a criadagem. — Por Deus, esse casamento tem me dado muitos pro¬blemas. E custado uma fortuna também. — Lembre-se de que Chilcott está pagando parte das despesas. Além de tudo, o barão mostra-se satisfeito. — E deveria estar. — Roger resmungou qualquer coisa e fechou a porta no momento em que Hilda entrava no salão, um sorriso tímido no rosto. — Afinal lorde Chilcott já conseguiu sair da cama? — ele indagou à criada, lembrando-se dos vários cálices de vinho que o rapaz havia ingerido na noite anterior. — Sim, meu lorde. Mas o coitado parece um cadáver. — E quanto à irmã de lorde Chilcott? — Ela ainda não saiu de seus aposentos e creio que pretenda permanecer por lá até a hora do casamento. A porta está trancada e minha lady diz que não quer receber ninguém, que deseja ficar só. Para rezar. Eu, ah, achei melhor não insistir. Montmorency não tinha a menor idéia do que lady Mina estava fazendo e nem queria tentar descobrir. — Verifique se lorde Chilcott está sendo bem cuidado. Não quero que deixe de comparecer à cerimônia por sentir-se mal. — Sim, meu lorde. — Sorrindo mais à vontade, Hilda afastou-se. — Se ele não agüenta a bebida, não deveria beber nada. — Nem todo mundo tem a sua resistência — Albert retrucou. — Então ele deveria ter ido dormir cedo, como você. — O que você acha que a noiva está fazendo agora? — Que importância tem, desde que não se atrase para a bênção do padre? — Quais são seus planos a respeito de Hilda? Todos sabem que vocês mantiveram um certo relacionamento íntimo. — Qual o problema com isso? — Afinal você está se casando hoje. Não creio que sua noiva vá gostar de saber. — Nao me importa o que ela pensa. De qualquer forma, está tudo terminado. — Talvez fosse melhor se você mandasse Hilda para uma de suas propriedades menores. Pelo menos durante algum tempo. Roger lançou um olhar mal-humorado na direção do amigo. — Acho que sou capaz de tomar minhas próprias decisões. — Muito bem. Faça como quiser. — É o que pretendo. Para um homem que nunca se casou, você me parece bastante à vontade no papel de conselheiro do noivo. Ao ver a dor estampada nos olhos do amigo, Montmorency arrependeu-se das palavras impensadas. Fora a triste história ocorrida na juventude de Albert que acabara envelhecendo-o precocemente. Porém, em vez de desculpar-se pelo comentário cruel, falou apenas: — Se o tempo não melhorar, a cerimônia será no salão. Ainda será possível decorá-lo. — Você quer que eu vá avisar Dudley? — Não. Vamos aguardar mais um pouco — Roger respondeu, aliviado diante do comportamento natural de Albert. Pelo menos ele parecia não haver guardado ressentimentos. — Enquanto isso, vou verificar se os criados de meus convidados e os animais estão sendo bem tratados. — Desde que você não se atrase para o casamento. Embora a voz de Albert soasse sem qualquer malícia, Roger fitou-o desconfiado. — Não me atrasarei — ele respondeu firme, saindo do salão. !Quando Hilda e Aldys, uma das criadas mais velha e experientes, chegaram para ajudar Mina a vestir-se para o casamento, surpreenderam-se ao encontrá-la já pronta. Lady Chilcott trajava um belo vestido de veludo verde-escuro, delicadamente bordado, nos punhos e no decote, com fios de ouro. Na cintura delgada, um cinto fininho de bronze. Os cabelos ruivos e ondulados haviam sido enfeitados com uma pequena coroa de ouro. Nas mãos, ela segurava uma colcha de linho bordada. As servas olharam uma para a outra, sem sabe como agir. Sem dúvida seriam castigadas pelo atraso — Isto deve ser levado para os aposentos de meu lorde — Mina anunciou, mostrando a colcha. E o jarro de vinho que está sobre a mesa também. São presentes de casamento de parentes meus.
  16. 16. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ — Minha lady, desculpe-nos não termos vindo mais cedo. — Nervosa, Hilda mordeu os lábios e retorceu as mãos, sabendo que deveria temer a futura esposa de Sir Roger apesar das garantias do próprio lorde de que não haveria problemas. — Estávamos ocupadas com os preparativos lá embaixo e não sabíamos que nos aguardava... Lady Mina ergueu a mão para silenciá-la e Hilda ficou pasma ao ver os calos na palma. Se aquela lady tinha mãos de camponesa, não podia ser uma pessoa mimada e indolente. As palavras seguintes vieram confirmar suas suspeitas. — Não estando acostumada a ter uma criada particular, prefiro me vestir sozinha. Lorde Chilcott já se recuperou o suficiente para comparecer à cerimônia? — Sim, minha lady — Hilda respondeu com respeito verdadeiro, apanhando a colcha e resistindo ao desejo de acariciá-la, tão macio o tecido. - Ótimo. Agora vá e volte apenas quando estiver na hora do casamento. — Se tem mesmo certeza de que não precisa de ajuda... — Estou certa de que não preciso de nada — Lady Chilcott respondeu, os olhos fixos no jarro de vinho que Aldys se encarregara de pegar. — O que você acha dela? — Aldys perguntou a Hilda, assim que as duas saíram do quarto e fecharam a porta — Lady Chilcott não me pareceu zangada. — Não — a outra serva respondeu pensativa. — É uma criatura difícil de se entender. Você reparou nas mãos dela? — São mãos de alguém que já trabalhou tanto quanto nós e não apenas bordando — Aldys declarou solene. — Acho que vou gostar dela. — Pelo menos ela ainda não a mandou embora daqui. — E por que o faria? — Apesar de se esforçar, Hilda não parecia tão segura quanto gostaria de estar. — Você sabe por quê. — Mas lady Chilcott não precisa saber. Além do mais, aqueles dias estão terminados. — Eu não iria querer que ela ficasse irritada comigo — Aldys comentou pensativa. — Porém não é ela quem dá as ordens aqui. — Hilda abriu a porta dos aposentos de sir Roger e de¬positou a colcha sobre a cama, conforme as instruções de lady Chilcott. Como Aldys nunca havia colocado os pés ali dentro antes, reparava cada detalhe com enorme curiosidade. Feitas de pedras, as paredes nuas ostentavam apenas ganchos onde tapeçarias deviam ser dependuradas no in¬verno. Um armário enorme num canto e a lareira noutro. No centro, uma mesa redonda e uma cadeira de madeira trabalhada. Uma cama de dossel, imensa, parecia dominar o quarto, com seu pesado cortinado de veludo. — Vamos — Hilda falou, dando um toque final na colcha. — Dudley terá uma dúzia de ataques se nos atrasarmos muito. Ainda assombrada com o tamanho da cama, Aldys concordou com um aceno. !Meia hora depois, Reginald Chilcott bateu na porta do quarto da irmã e encontrou-a já pronta, com o vestido que lhe dera de presente. Se não tivesse sido assim, provavelmente Mina não se importaria em casar-se usando uma roupa velha, apesar da importância dos nobres convidados e da presença do barão DeGuerre. — Onde estão as criadas que deveriam ajudá-la a se vestir? — Dispensei-as. Está na hora? — ela indagou, não traindo nenhuma emoção. — Quase. — Reginald nunca soubera muito bem como tratar a irmã, especialmente depois que voltara da França e encontrara aquela mulher firme e deter¬minada no lugar da criança tristonha de quem se lem¬brava. — Você está... você está muito bonita. Ela o fitou sem disfarçar o ceticismo. — Não estou falando apenas para agradá-la. O elogio é sincero. Este vestido lhe cai muito bem. Você... você está parecida com sua mãe. Mina sorriu, notando que o irmão estava enfeitado demais, como de costume. Na verdade, não sabia o que lhe parecia mais ridículo: se a pluma enorme no chapéu bordado, se a túnica de um verde incrivelmente brilhante ou a calça bicolor. Entretanto, tudo o que conseguia enxergar era o menino assustado e inseguro, levado à força para viver com o tio na França para não ser contaminado pelo sangue saxão da esposa do pai. Mina ainda era muito menina na época, mas lem¬brava-se de que entre todos os seus irmãos, Reginald sempre fora o único a lhe dizer uma palavra gentil. — Obrigada pelo vestido. — Não é a isso que estou me referindo. Você sabe que sempre gostei de sua mãe. A primeira vez que meu pai a trouxe para nossa casa, ela me beijou e disse que esperava que fôssemos amigos. Tinha uma voz que soava feito música. Senti muito quando fui obrigado a morar com meu tio. — Reginald aproxi¬mou-se, brincando desajeitadamente com a ponta do cinto. — Sei que não deve ter sido fácil para você conviver com meus irmãos e irmãs. Desculpe-me não ter sido capaz de ajudá-la. Mas acho que sir Roger será um bom marido para você. De verdade. — Ele será um marido. Não espero nada mais. — Sir Roger não é frio e cruel como pode parecer. Além de tudo, foi ele quem sugeriu este casamento. — Pensei que tivesse sido o burilo DeGuerre. — Não! O barão sugeriu apenas que eu me casasse com Madeline de Montmorency. Foi Sir Roger quem levantou a outra alternativa. — Com o único objetivo de agradar o barão.
  17. 17. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ — Você não deve analisar a situação com tanta frie¬za. Se sir Roger não quisesse casart com você, nada o obrigaria a fazê-lo. O barão entenderia uma mudança de planos, pois os dois são muito amigos. — Só que você está se esquecendo do valor do nome de nossa família. O barão precisa de nossa boa vontade, tanto quanto você procura a dele. Reginald não parecia muito convencido. — Creio que o barão não tardara a arrumar uma outra noiva para você — Mina falou, tentando mudar o rumo da conversa. — O quê? — Você é um ótimo partido. — Não para uma mulher feito ela, que desprezava fraqueza. Entretanto Regi¬nald era uma criatura inofensiva, de bom coração, in¬capaz de fazer mal a quem quer que seja. — Eu... eu não estou pronto, depois do que aconteceu da última vez. Mas logo, no momento seguinte, ReginaLd arrumava os cabelos, pensativo. Mina sufocou um sorriso indulgente. — Pois então é melhor ter cuidado para evitar que alguma mulher não tente seduzi-lo e arrastá-lo para o casamento. — É o que farei — ele respondeu curando. — Bem, já que levantou o assunto, tem alguma coisa que você precise saber... sobre a noite de núpcias? — Sei o que é esperado de mim. — Se é assim, ótimo. — Reginald suspirou aliviado. Por um instante Mina sentiu vontade de rir, diante do desconforto do irmão, porém bastou imaginar sir Roger nu, à sua espera, os olhos escuros fitando-a fixamente, para que seu coração disparasse dentro do peito. — Quando você pretende voltar para a França? — ela indagou, esforçando-se para recuperar a calma. — Oh, ainda não me decidi. Na verdade sir Roger me convidou para passar algum tempo aqui. O sul da França é muito quente nessa época do ano e a viagem seria bastante desconfortável. Assim resolvi aceitar o convite. E... quero ter certeza de que ele será um bom marido para você. Quando regressei, contaram-me como nosso pai a maltratou no fim da vida. Acho que lhe devo pelo menos essa pequena reparação. Todas as coisas pouco lisonjeiras que pensara do irmão no passado subitamente perderam a importân¬cia e o significado. — Obrigada. Uma batida na porta e Hilda apareceu. — Está na hora, minha lady — a serva anunciou solene para, no mesmo instante, voltar o olhar admi¬rado na direção de Reginald. — Meu lorde. — E então, Mina, vamos? — Sim — ela respondeu. Com uma expressão im¬penetrável no rosto e a ausência de expectativas de felicidade conjugal no coração, Mina marchou ao en¬contro do destino. !!CINCO !Roger percorreu o salão com o olhar enquanto bebericava o vinho caro, importado de Agincourt. Felizmente o tempo melhorara o bastante para permitir que a cerimônia fosse realizada do lado de fora da capela. Assim todos puderam ver o noivo e a noiva selarem o compromisso de amor eterno, embora mal olhassem um para o outro. Roger mantivera os olhos fixos em padre Damien que nada percebera quanto à falta de entusiasmo do casal que unia em matrimônio. Os convidados, pelo menos, pareciam estar apreciando a festa. Dudley conseguira que os cozinheiros se supe¬rassem a si mesmos. A carne recebera temperos especiais e molhos diversos. O pão estava delicioso, as frutas, fresquíssimas e o vinho era o que havia de melhor. A decoração do salão também fora aprimorada, com mais arranjos de flores e toalhas de linho sobre as mesas. Reginald providenciara inúmeros candelabros, para que o ambiente continuasse claro mesmo quando a noite já estivesse alta. Infelizmente o prazer de Roger ao apreciar a cena fora drasticamente reduzido diante da obsessão pela mulher sentada ao seu lado, agora sua esposa. Desde o início, esperara que sua noiva fosse uma criatura tola e vaidosa, desprovida de uma beleza marcante. Também acreditara que a cerimônia de casa¬mento seria isenta de emoção, como se fosse apenas uma transação comercial. Estivera certo de que iria preferir a companhia do barão a qualquer outra pessoa, inclusive a sua própria noiva. Em vez disso, descobrira que Mina Chilcott era mui¬to diferente das outras mulheres. Tudo em que con¬seguia pensar agora era como aquele vestido verde acentuava a cor dos olhos da esposa, como a pele se tornava ainda mais branca e sedosa sob a luz das velas, como a coroa de ouro enfatizava o brilho dos cabelos incrivelmente vermelhos. Sua primeira impressão de Mina não demorara a ser justificada. Uma mulher determinada, de grande força interior, qualidades pouco associadas ao sexo feminino. Roger de Montmorency finalmente percebera que conquistar o respeito de Mina Chilcott não seria algo banal, e despertar nela o desejo, uma tarefa merece¬dora de empenho. Porém não tinha dúvidas de que tarde da noite, quando a acariciasse e a beijasse, seria capaz de levá-la a um êxtase profundo. Sim, ganharia o respeito da esposa e despertaria o desejo nela. Mais do que isso, não precisava. Sentindo-se tranqüilo e relaxado, Roger lembrou-se do momento em que colocara o anel no dedo esguio de Mina e repetira as palavras ditas pelo padre Da¬mien. Ela não estremecera ou enrubescera. Simples¬mente entregara-lhe a mão com
  18. 18. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ uma firmeza que con¬siderara excitante. Para sua satisfação, não se tratava de uma criatura tímida. Só esperava que se entregasse a tudo com o mesmo vigor. Lançando um olhar disfarçado na direção da noiva, Montmorency notou que ela mal tocara no prato, apesar das iguarias servidas. Bem, talvez fosse compreensível aquela falta de apetite. — Uma bela festa — o barão, sentado à esquerda do anfitrião, comentou. — Mas você não está comendo nada. Surpreso, Montmorency olhou para o próprio prato e deu-se conta que, de fato, pouco comera. — Reginald me contou que você o convidou para passar algum tempo aqui — DeGuerre continuou, apontando para o rapaz, que já dava mostras de embriaguez. — Fico satisfeito. Um jovem tão inseguro e imaturo realmente só terá a ganhar estando sob a sua influência. — Convidei-o para permanecer conosco pelo menos até depois do Natal. — Ótimo. E então ele voltará para a França? — Creio que sim. — Tente convencê-lo a ficar na Inglaterra até o final do inverno. Como já disse, tenho planos para Reginald, que apesar de um tanto tolo é uma pessoa de caráter, muito diferente de seu irmão Herwin, que tem fama de sanguinário e violento. Imediatamente Roger pensou nas cicatrizes nas cos¬tas de Mina, perguntando-se se o tal Herwin seria responsável por algumas delas. Hilda apareceu para tirar a mesa, os olhos abaixa¬dos, uma expressão quase tímida no rosto. Entretanto a beleza da criada não passou despercebida ao barão. — Qual é o nome dela? — DeGuerre indagou, observando-a afastar-se. — Hilda, meu lorde. — É casada? — Não, meu lorde. — Roger notou que Mina acom¬panhava o desenrolar da conversa com interesse. — Mande-a ao meu quarto mais tarde. Ao ouvir a ordem do barão, Hilda ficou pálida, como se tivesse levado uma bofetada. Montmorency sabia que a criada gostava de ser cortejada e que não fazia segredo de seus desejos, porém os modos de DeGuerre sugeriam que fosse uma prostituta vulgar, o que não era o caso. Entretanto, como ignorar uma ordem direta, vinda de um superior seu? Com os olhos verdes faiscando de raiva e ultraje, Mina intrometeu-se na conversa dos homens. — Barão DeGuerre — ela começou baixinho para que apenas os que estivessem muito perto pudessem ouvir. — Se quer se entregar a esse esporte, proponho que procure um bordel. Minha casa não se presta a esse papel e não permitirei que homem algum desonre meu lar. Roger aguardou em silêncio, chocado e irritado de¬mais para dizer qualquer coisa. Ninguém, nunca, ja¬mais, ousara falar com o barão naqueles termos, nem mesmo os cavaleiros mais íntimos do rei. E, embora concordasse com Mina, não tinha certeza se as pala¬vras da esposa haviam sido apropriadas. Felizmente o barão pareceu não dar muita impor¬tância ao fato, pois levantou-se devagar e, tomando uma das mãos delicadas entre as suas, beijou-a. — Perdoe-me, minha lady. Não foi minha intenção insultá-la. Por Deus, DeGuerre desejava sua esposa!, Montmo¬rency concluiu irado, vendo o brilho da cobiça nos olhos do outro. O barão DeGuerre sentia-se atraído por Mina mais do que se sentira por Hilda. Como pudera respeitar um homem capaz de fitar sua esposa daquela maneira? Entretanto o brilho nos olhos do barão desapareceu rapidamente, fazendo-o pensar se não passara de imaginação. — Se me der licença, Roger, tenho uma longa jornada pela frente amanhã, até uma de minhas propriedades ao norte. Assim acho melhor ir para a cama. — DeGuerre virou-se para Mina. — Sozinho. — Para surpresa de Montmorency, o barão brindou sua esposa com um sorriso fraternal. Talvez não houvesse sido desejo o que vira estampado nos olhos penetrantes, mas simplesmente admiração. — Invejo-lhe a boa sorte, Roger. — Obrigado. Todos os presentes ficaram de pé e permaneceram em silêncio enquanto o barão se retirava. Depois vol¬taram as atenções para o vinho e as frutas servidas em enormes bandejas. — Eu também vou me retirar, meu lorde — Mina anunciou num tom destituído de emoção. Montmorency havia planejado ficar até o fim do banquete preparado por Dudley e pago por Reginald. Contudo, nunca tivera muita paciência de ouvir menestréis e suas baladas ridículas a respeito do amor, especialmente quando a cama nupcial o aguardava. — Boa noite a todos — ele falou em alto e bom som. — Fiquem e apreciem a música. Minha esposa e eu vamos nos deitar. Vários soldados ergueram os cálices num brinde si¬lencioso e muitas das mulheres suspiraram baixinho. Tomado por uma sensação de crescente ansiedade e disposto a perdoar a insolência da esposa ao desafiar o barão, pelo menos naquela noite, Roger ergueu Mina nos braços e levou-a embora do salão. Seja lá o que Mina esperara de sua festa de casa¬mento, jamais lhe passara pela cabeça que acabaria sendo carregada nos braços de sir Roger de Montmo¬rency enquanto vários dos convidados davam vivas e assobiavam, como se fossem um bando de camponeses.
  19. 19. Baixe mais e-books Românticos e Eróticos http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=42052224&refresh=1 http://br.groups.yahoo.com/group/e-books_eroticos/ http://sexoerosas.wordpress.com/ Mas eles não eram camponeses e nem ela uma aldeã. Era nobre, pertencente a uma família mais importante do que a da maioria das pessoas ali reunidas. Temendo cair, Mina agarrou-se ao pescoço de sir Roger. Mas os músculos daqueles braços ao redor de sua cintura a excitavam tanto que quase não conseguia respirar. Felizmente ele colocou-a no chão tão logo en¬traram no quarto. — Não tenha medo — Montmorency falou sorrindo. Um sorriso superior e infinitamente experiente. No mesmo instante Mina virou-se e apanhou o jarro de vinho sobre a mesa, grata por ter sido obrigada a cuidar do pai doente durante meses. Acostumada a nada desperdiçar, guardara a poção para dormir, pre¬parada pelo alquimista. O pó quase não tinha gosto e o sabor forte do vinho iria mascará-lo sem dificuldade. — Que tal um pouco de vinho? — ela indagou, en¬chendo um cálice até a borda. — Se você me acompanhar. Tome um pouco, minha lady. Pois parece estar precisando. Mina fingiu sorver um gole do vinho antes de en¬tregar o cálice ao marido, que bebeu com prazer. — É um vinho de ótima qualidade. — Foi presente de Reginald. — Venha cá, esposa. Quando será que a droga começaria a fazer efeito?, ela pensou, desesperada. No seu pai os resultados eram imediatos, porém tratava-se de um homem velho, ma¬gro e doente. Talvez devesse ter aumentado a dose. — Eu disse venha cá, esposa — Roger repetiu, puxando-a pelo braço e apertando-a ao encontro do peito musculoso. Mina simplesmente não sabia o que fazer. Sua ex¬periência com os homens era nula. Será que devia se sentir daquela maneira? Com o coração disparado, as pernas bambas, o corpo ardendo? Ao mesmo tempo, assustada e excitada? Roger fitou-a com os olhos brilhando de desejo. — Você não precisa ter medo de mim. Serei gentil. A quantas outras virgens ele já dissera essas pala¬vras? Quantas outras mulheres levara para a cama? E tinha importância? Então ele a beijou. Um beijo longo, terno, suave, como se realmente a carícia fosse ditada por um sen¬timento verdadeiro. Jamais, em toda sua vida, Mina havia sido beijada. Na verdade jamais recebera um carinho de espécie alguma desde os cinco anos de idade, quando a mãe morrera. Uma mistura de emoções inundou-a surpre¬sa, prazer, felicidade. Mas, acima de tudo, medo. Seu marido a estava fazendo sentir-se fraca, vulnerável. Justo ela, que jurara nunca permitir que quem quer que fosse a fizesse sentir-se fraca e indefesa outra vez. Para seu alívio, Roger afastou-se, uma expressão confusa no rosto. Com passos incertos, caminhou len¬tamente até a cama e sentou-se. — Eu não... eu não estou... — Você não está bem? — Ajude-me a tirar as botas. Ao abaixar-se para ajudá-lo, Mina foi agarrada por mãos poderosas e jogada na cama, enquanto lábios ávidos esmagavam os seus. Oh, Deus, o que estava acontecendo? Por que, de repente, ele estava sendo tão rude? Será que suspei¬tava de algo? Tinha certeza de que Roger tomara o vinho. Então como ainda resistia aos efeitos da droga? Sem saber o que fazer, Mina ficou imóvel, convencida de que seu plano falhara e rezando para que tudo aquilo acabasse logo. Não iria lutar, nem protestar, nem resistir. Cega pelas lágrimas, fechou os olhos, sentindo as mãos do marido acariciá-la asperamente sob a túnica. De súbito, Montmorency deixou escapar um gemido e caiu inerte sobre seu corpo. Depois de um longo momento de absoluta imobilidade, Mina empurrou o marido para o lado e levan¬tou-se cautelosa. O grande sir Roger de Montmorency, derrotado por uma mulher. Porém sua satisfação pouco durou ao lem¬brar-se da maneira como havia reagido ao beijo dele. Jamais lhe passara pela cabeça que um simples roçar daqueles lábios pudesse afetá- la tanto. Mas, talvez tivesse agido assim porque, pela primeira vez, recebera uma carícia sensual. O fato era que não sabia decifrar as emoções experimentadas instantes atrás. Roger vangloriara-se com 0 barão de suas habilidades de macho e ela se dispusera a pisotear o orgulho masculino, a provar que era mais inteligente. E seu plano ainda não terminara. Determinada a ir até o fim, jogou o resto do vinho pela janela e limpou os cálices. Depois despiu o marido, cuidadosamente a princípio, porém, percebendo que não iria despertá-lo, deixou a cautela de lado. Cedendo à curiosidade, Mina contemplou o corpo atlético de Roger. Como imaginara, ele era perfeito. Ombros largos, cintura estreita, pernas e braços musculosos. Quanto às outras partes do corpo viril, não tinha com o que comparar, mas o instinto dizia-lhe que Montmorency estava certo ao sentir-se orgulhoso. Tomando a adaga, fez um pequeno corte no dedo e deixou as gotas de sangue pingarem sobre o lençol de linho branco. Depois cobriu o marido, que continuava a dormir profundamente. Embora odiasse ver um vestido tão bonito destruído, tudo valia a pena por uma boa causa. Assim tirou-o e rasgou o decote, não sem sentir uma pontada no coração. Fez o mesmo com a túnica de seda, atirando-a para o lado como um trapo.

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