Os novos Sete Pecados

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Poema crítico sobre as novas formas humanas de atentar sobre o próximo.

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Os novos Sete Pecados

  1. 1. Os Novos Sete Pecados Por Rogério Dias de Andrade
  2. 2. Há muito tempo se ouvia O Mal, em sete se dividia Mas hoje, qual o quê, quem diria Que a gula, preguiça e avareza, Inveja, luxúria e soberba, Não causam rubor ou desonra, certeza!
  3. 3. A Ira, tadinha, coitada De tão corriqueira, banalizada Outrora violento pecado Ostenta plural significado Ora banda de rock, balada No particípio, ação elogiada Apologia moderna, destreza!
  4. 4. O homem, eterno inconformado, Contumaz animal insatisfeito, Querendo, cada vez mais, com efeito Em seu inesgotável senso criativo Criando às claras e nada furtivo Ser autor do próprio pecado
  5. 5. Mas um só pecado não lhe apetece, Diante de um ser tão dominante De história vitoriosa e triunfante Dono do mundo e dele protagonista, Um só não basta, faça-se lista, Criou mais seis, agora são sete.
  6. 6. Abandono, Intolerância, Fanatismo e Corrupção Negligência, Indiferença e por fim Omissão Parecem mansinhos, como caseiro cão, Adocicados venenos, verdadeiramente são Ministrados dia a dia, como se fossem ração Consomem mente, alma, entranhas, coração.
  7. 7. Ato consciente de deixar alguém na mão, Deliberadamente deixar pra trás, sem opção Causar a quem se abandona, a sensação De objeto descartável, embalagem papelão É como abandonar seu barco, o capitão Deixar morrer aos poucos, uma tripulação. ABANDONO
  8. 8. INTOLERÂNCIA Não basta apenas perceber o diferente, Tem ainda que ofender, violentamente Negar de modo hostil e intransigência Qualquer tipo de pensar, ser ou aparência Intolerância que destrói e discrimina Ação e sentimento, como vírus, contamina.
  9. 9. No seio religioso é mais que conhecido, Mas campo fértil tem tal pecado compulsivo, Fanatismo, um divino estelionato, Que em nome dele executa tal pecado, Pois o dos outros é sempre injustificado, É quando a seita, clube ou partido, Subverte e inverte seu sentido Fica acima do original objetivo. FANATISMO
  10. 10. Corrupção é um pecado interessante, Pois quase nunca se comete solitário, Quase sempre se completa, solidário, Um ator protagonista, outro coadjuvante; Onipresente e cotidiano, Que nem se faz mais escondido: Na carta de motorista, no condomínio Na venda desenquadrada, juro enrustido, No sorteio viciado, dirigido Inté na escola, na cola da prova O que vale é resultado bem sucedido. Levar vantagem, sem mérito ou honra, De qualquer forma, conquanto se ganha, Que faz de tod'alma, um fim degradante. CORRUPÇÃO
  11. 11. Tem gente que erra porque não sabe, ignora Tem gente que erra porque acredita, que acerta Tem gente, contudo, que mesmo sabendo, Tem gente, entretanto, que mesmo podendo, A despeito do dever, em fazer a contento, Se furta, recusa, sonega fazer o que é direito, Negligente pecado de quem pode mas não faz a hora. NEGLIGÊNCIA
  12. 12. INDIFERENÇA “Não me interessa, pra mim tanto faz Não estou nem aí, nada me compraz” Se o mundo desaba, se o vizinho bambeia, Se a bala perdida no bairro campeia Só vê importância num único amigo: Silencioso, indiferente, seu próprio umbigo...
  13. 13. Por fim, a prima - irmã da Negligência, Omissão, talvez carente de certa inteligência, Talvez pelo medo que assombra a consciência Mesmo quando se esconde ou se abstém Sempre acaba definindo ou escolhendo alguém Pois no fundo sabe, seu silêncio lhe convém. OMISSÃO
  14. 14. E assim, por enquanto, saciado O ser humano, de pecados enfastiado Enrubesce, de vergonha o Coisa Ruim Rebaixado a malfeitor, pé de chinelo ou coisa assim Que sobrevive, vez ou outra, de delito até chinfrim Admitido sem concurso, como aprendiz de secretário, Na Capital, menos que estagiário Pois sabem ele e todos, aprender aqui é muito caro...

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