Como medir desigualdades

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Slides de aula ministrada na disciplina de Márcia Lima, "Desigualdades: conceito, mensuração e novas abordagens", no curso de Ciências Sociais da USP (dias 23 e 24 de setembro de 2013).

Apresentação de formas empíricas de mensuração e abordagem das desigualdades em Sociologia.

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Como medir desigualdades

  1. 1. Como medir desigualdades? Rogério Jerônimo Barbosa Doutorando em Sociologia – PPGS/USP antrologos@usp.br
  2. 2. Estrutura da apresentação 1. Estratificação, poder e desigualdade 2. Operacionalização de conceitos 3. Avanços conceituais e formas de mensuração 4. Desigualdade de renda: i. ii. Representações gráficas Medidas sintéticas 5. Desigualdades de oportunidades educacionais
  3. 3. Parte 1 Estratificação, poder e desigualdades
  4. 4. 1. Estratificação, poder e desigualdade Distribuição desigual de poder Desigualdade de oportunidades Distribuição desigual de bens sociais Desigualdade de resultados “Poder significa toda probabilidade de impor a própria vontade numa relação social, mesmo contra resistências, seja qual for o fundamento dessa probabilidade” (Weber, ES v.1, 2000, p.33) Mas como se observa “poder”?
  5. 5. 1. Estratificação, poder e desigualdade • Perspectiva Estrutural • O poder é um atributo social • Não há um único fundamento para o poder: • • • • • • • Violência/força física Violência psicológica Gênero Raça Idade ou ancestralidade Conhecimento especializado Carisma • • • • • • • Autoridade religiosa Descendência / linhagem Consenso / acordo Credenciais legais Propriedade Dinheiro Reputação Etc...
  6. 6. 1. Estratificação, poder e desigualdade • Centralidade de determinadas formas associadas ao poder • • • • • • • Propriedade Dinheiro / Rendimentos Autoridade Educação / Conhecimento especializado Poder político Gênero Raça • No entanto, o “poder em si” não é observável
  7. 7. Parte 2 Operacionalização de conceitos
  8. 8. 2. Operacionalização de conceitos 1. Representação literária do conceito Construção abstrata, uma imagem 2. Especificação do conceito Dimensões do conceito. Deduzidos logicamente ou inferidos empiricamente 3. Escolha de indicadores empíricos Instâncias observáveis que se referem às dimensões do conceito. “Sintomas” 4. Formação/Construção de índices e escalas Tentativa de sintetizar 5. Índices, escalas e indicadores intercambiáveis Validade e confiabilidade “De los conceptos a los índices empíricos” – Paul Lazarsfeld
  9. 9. 2. Operacionalização de conceitos 1. Representação literária do conceito O poder não é observável, é uma probabilidade. É um “potencial” de realização da própria vontade. Determinados atributos, bens, posições ou comportamentos ampliam esse potencial. 2. Especificação do conceito Poder econômico, Poder político 3. Escolha de indicadores empíricos • Poder econômico: propriedade, posição na ocupação, natureza da ocupação, rendimentos, benefícios ocupacionais, reputação ou prestígio ocupacional, emprego/desemprego, taxa de atividade/inatividade • Poder político: voto, incumbência, participação, direitos e privilégios legais
  10. 10. Parte 3 Avanços conceituais e formas de mensuração
  11. 11. 3. Avanços conceituais e formas de mensuração Regime de classes: Formas categóricas de mensuração Renda Autoridade Educação Figura extraída do livro de David Grusky, reproduzida por Carlos Costa Ribeiro nos slides de sua disciplina de Introdução à Estratificação Social
  12. 12. 3. Avanços conceituais e formas de mensuração • Pastore (2001) Status do Indivíduo em 1996 Status do Pai Total Baixo Inferior Baixo Superior Médio Inferior Médio Médio Médio Superior Alto 1-Baixo Inferior 21,7 12,8 13.2 4,6 2,1 1,0 55,4 2-Baixo Superior 0,7 4,2 3,6 2,5 1,3 0,8 13,1 3-Médio Inferior 0,6 3,7 7,1 2,7 1,5 0,8 16,4 4-Médio Médio 0,6 1,9 2,0 2,2 1,2 0,9 8,8 5-Médio Superior 0,3 0,6 0,6 0,7 0,7 0,5 3,4 6-Alto 0,1 0,3 0,3 0,6 0,6 0,9 2,8 Total 24,0 23,5 26,8 13,3 7,4 4,9 100,0
  13. 13. 3. Avanços conceituais e formas de mensuração Regime gradativo: Formas contínuas de mensuração Renda Autoridade Educação Figura extraída do livro de David Grusky, reproduzida por Carlos Costa Ribeiro nos slides de sua disciplina de Introdução à Estratificação Social
  14. 14. 3. Avanços conceituais e formas de mensuração • Blau e Duncan (1967) • Escala de prestígio • Path Analysis • Multivariado Mostrar cálculos de Duncan (1961): “script 1 - Duncan - escala.R”
  15. 15. 3. Avanços conceituais e formas de mensuração • Blau e Duncan (1967)
  16. 16. 3. Avanços conceituais e formas de mensuração • Haller e Portes (1973)
  17. 17. 3. Avanços conceituais e formas de mensuração • Sofisticações técnicas da análise de classe: Modelos log-lineares, multivariados Ribeiro (2007)
  18. 18. 3. Avanços conceituais e formas de mensuração • Sofisticações técnicas da análise de classe: Modelos log-lineares, multivariados Ribeiro (2007)
  19. 19. Parte 4 Desigualdade de Renda
  20. 20. 4.i. Desigualdade de Rendimentos Representações gráficas Parada de Pen (Desfile de anões e gigantes) • Uma distribuição perfeitamente igualitária seria uma linha reta paralela ao eixo horizontal. “Uma Introdução às Representações Gráficas da Desigualdade de Renda” – Marcelo Medeiros
  21. 21. 4.i. Desigualdade de Rendimentos Representações gráficas Histograma ou Densidade dos rendimentos
  22. 22. 4.i. Desigualdade de Rendimentos Representações gráficas Curva de Lorenz
  23. 23. 4.i. Desigualdade de Rendimentos Representações gráficas Curva de Lorenz Generalizada
  24. 24. 4.ii. Desigualdade de Rendimentos Índices e Medidas Sintéticas • Dispersão / Entropia • Igualdade: todos recebem o mesmo valor • Desigualdade: todos recebem valores diferentes, dispersos • Concentração • Igualdade: todos recebem o mesmo valor • Desigualdade: um único indivíduo recebe toda renda disponível
  25. 25. 4.ii. Desigualdade de Rendimentos Índices e Medidas Sintéticas • Dispersão • • • • • Amplitude Variância Desvio Padrão Razão 90/10 Razão 90/40 • Concentração • Gini • Índice de concentração • • • • Variância do log renda Theil T Theil L Theil S
  26. 26. 4.ii. Desigualdade de Rendimentos Índices e Medidas Sintéticas • Dispersão • Amplitude (Desigualdade absoluta) • Razão 90/10 (Desigualdade relativa) • Razão 90/40 (Desigualdade relativa)
  27. 27. 4.ii. Desigualdade de Rendimentos Índices e Medidas Sintéticas • Dispersão • Variância • Desvio padrão (Variância e Desvio padrão são medidas de desigualdade absoluta)
  28. 28. 4.ii. Desigualdade de Rendimentos Índices e Medidas Sintéticas • Dispersão / Entropia • Variância do logaritmo da renda (Variância do log da renda é uma medida de desigualdade relativa)
  29. 29. 4.ii. Desigualdade de Rendimentos Índices e Medidas Sintéticas • Dispersão / Entropia • Theil T • Theil L • Theil S (Os índices de Theil são medidas de desigualdade relativa)
  30. 30. 4.ii. Desigualdade de Rendimentos Índices e Medidas Sintéticas • Concentração • Gini X = proporção acumulada da população Y = proporção acumulada da renda (O índice de Gini é uma medida de desigualdade relativa)
  31. 31. Executar o script: “2 - PNAD - medidas de desigualdade.R”
  32. 32. 4.ii. Desigualdade de Rendimentos Índices e Medidas Sintéticas • Dispersão ou entropia
  33. 33. 4.ii. Desigualdade de Rendimentos Índices e Medidas Sintéticas • Dispersão ou entropia Mostrar simulações com medidas de desigualdade: script 3
  34. 34. Parte 5 Desigualdades Educacionais
  35. 35. 5. Desigualdade s Educacionais Acesso e Oportunidades
  36. 36. 5. Desigualdade s Educacionais Acesso e Oportunidades Origem Concluir 8ª série / 9º ano Ingressar no Ensino médio Entrar na Escola Concluir 1ª série Concluir 8ª série / 9º ano Concluir o Ensino médio Concluir 4ª série / 5º ano Ingressar no Ensino superior Concluir o Ensino superior
  37. 37. 5. Desigualdade s Educacionais Acesso e Oportunidades Origem Concluir 8ª série / 9º ano Ingressar no Ensino médio Entrar na Escola Concluir 1ª série Concluir 8ª série / 9º ano Concluir o Ensino médio Concluir 4ª série / 5º ano Ingressar no Ensino superior Concluir o Ensino superior
  38. 38. 5. Desigualdade s Educacionais Acesso e Oportunidades • Transições educacionais (Mare, 1980) • Transição: completar uma etapa de ensino • Probabilidade condicional de transição: probabilidade de realizar a transição seguinte, dado que já se realizou a transição anterior
  39. 39. 5. Desigualdade s Educacionais Acesso e Oportunidades • Transições educacionais (Mare, 1980)
  40. 40. 5. Desigualdade s Educacionais Acesso e Oportunidades • Transições educacionais (Mare, 1980) • Exemplo hipotético
  41. 41. 5. Desigualdade s Educacionais Acesso e Oportunidades • Transições educacionais (Mare, 1980) • Exemplo hipotético • Questão: dos pobres que haviam concluído a 8ª série, quantos também concluíram o ensino médio? • Questão: dos pobres que haviam concluído a 8ª série, quantos também concluíram o ensino médio?
  42. 42. 5. Desigualdade s Educacionais Acesso e Oportunidades • Transições educacionais (Mare, 1980) • Exemplo hipotético • Questão: qual a vantagem dos ricos em relação aos pobres? (Razão de chance)
  43. 43. 5. Desigualdade s Educacionais Acesso e Oportunidades • Transições educacionais (Mare, 1980) • As razões de chance são medida de desigualdade relativa • Em Assis, Barbosa e Costa (2012), propomos uma medida de desigualdade absoluta: first differences.
  44. 44. 5. Desigualdade s Educacionais Acesso e Oportunidades • Transições educacionais (Mare, 1980) • As razões de chance são medida de desigualdade relativa • Em Assis, Barbosa e Costa (2012), propomos uma medida de desigualdade absoluta: first differences.
  45. 45. 5. Desigualdade s Educacionais Acesso e Oportunidades Percentual de Indivíduos que completaram com sucesso a T1 • Assis, Barbosa e Costa (2012) 100.00% 90.00% 80.00% 70.00% 60.00% 50.00% 40.00% 30.00% 20.00% 10.00% .00% 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 Idade Urbano Rural
  46. 46. Regressões logísticas – PNAD 1989 T1 Intercepto Sexo (masculino=1) Raça (brancos=1) Idade Idade^2 Sexo do resp. domicílio (masculino=1) Núm. filhos do resp. domicilio Escolaridade do resp. domicílio Log. da Renda familiar per capita Local de moradia I (urbano=1/rural=0) Local de moradia II (RMBH=1/interior=0) Deviance T2 T3 T4 -22.51*** (0.71) -0.31*** (0.08) 0.39*** (0.08) 3.21*** (0.08) -0.11*** (0.00) 0.08 (0.12) -0.08*** (0.02) 0.14*** (0.01) 0.23*** (0.05) 0.38*** (0.10) -0.05 (0.08) 5617.74 -36.63*** (1.22) -0.47*** (0.07) 0.48*** (0.08) 4.10*** (0.14) -0.12*** (0.00) 0.44*** (0.10) -0.06** (0.02) 0.15*** (0.01) 0.35*** (0.05) 0.79*** (0.10) -0.04 (0.07) 5696.93 -92.17*** (6.38) -0.57*** (0.11) 0.56*** (0.12) 9.41*** (0.74) -0.26*** (0.02) 0.37* (0.15) -0.04 (0.03) 0.14*** (0.02) 0.52*** (0.08) 1.09*** (0.20) -0.06 (0.11) 2419.51 -34.19 (53.73) -0.32 (0.27) 0.33 (0.29) 1.35 (5.90) 0.01 (0.16) -0.37 (0.35) 0.03 (0.07) 0.06 (0.04) 0.54** (0.16) -0.34 (0.68) 0.02 (0.26) 433.68
  47. 47. 5. Desigualdade s Educacionais Acesso e Oportunidades • Escolaridade do responsável Regressões logísticas – PNAD 1989 T1 Coeficiente β Sexo (masculino=1) Raça (brancos=1) Sexo do resp, domicílio (masculino=1) T2 Razão de Razão de chance Coeficiente Chance em percentual β Exp(β) [Exp(β)-1] * 100 Razão de Razão de chance Chance em percentual Exp(β) [Exp(β)-1] * 100 -0,31 0,39 0,73 1,48 -26,7% 47,7% -0,47 0,48 0,63 1,62 -37,5% 61,6% 0,08 1,08 8,3% 0,44 1,55 55,3%
  48. 48. 5. Desigualdade s Educacionais Acesso e Oportunidades • Assis, Barbosa e Costa (2012)
  49. 49. 5. Desigualdade s Educacionais Acesso e Oportunidades • Sexo
  50. 50. 5. Desigualdade s Educacionais Acesso e Oportunidades • Raça
  51. 51. 5. Desigualdade s Educacionais Acesso e Oportunidades • Sexo do responsável pelo domicílio
  52. 52. 5. Desigualdade s Educacionais Acesso e Oportunidades • Escolaridade do responsável

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