Validação de métodos analíticos - conceitos

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Descrição dos parâmetros de validação de métodos analíticos conforme RE 899/2003 da ANVISA e tendências.
Analytical method validation according to ANVISA's RE 899/2003 and tendencies.

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Validação de métodos analíticos - conceitos

  1. 1. Validação de métodos físico- quimicos Agosto - 2013
  2. 2. Vanessa Rodrigues Lopes Farmacêutica, graduada pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo – USP, São Paulo com especialização em fármacos e medicamentos. Possui vários cursos de especialização nas áreas de Validação Analítica, Estabilidade, Controle de Qualidade e Assuntos Regulatórios por associações independentes. Experiência de 12 anos adquirida nas empresas Bristol-Myers Squibb nas áreas de controle e garantia de qualidade e Eurofarma na área de assuntos regulatórios onde atua como especialista em assuntos regulatórios, como link entre as áreas técnicas e regulatória na submissão de novos projetos, resposta à exigências e treinamentos técnicos internos. Responsável pelos contatos técnicos com a ANVISA para desenho de projetos e participação ativa nas discussões de entidades para revisão da legislação técnica atual.
  3. 3. Tópicos • Legislação envolvida no assunto; • Importância da validação; • Etapas prévias à validação; • Parâmetros de validação e principais tendências; • Reporte de validação; • Mantendo “status” validado do método; • Validação x verificação de métodos; • Exercício – Montagem de protocolo de validação
  4. 4. Legislação e guias relevantes • RDC 899/2003 – Validação de métodos analíticos; • RDC 48/2009 – Alterações pós registro de medicamentos; • RDC 27/2012 – Validação de métodos bioanalíticos • RDC 31/2010 – Equivalência Farmacêutica – fala sobre validação parcial; • CP 11/2012 – Impurezas e produtos de degradação • INMETRO - DOQ-CGCRE-008 – Orientações para validação analítica (rev. 03 – 2010);
  5. 5. Legislação e guias relevantes • IUPAC: Harmonized guidelines for single laboratory validation of methods of analysis – 2002 • FDA (draft): Analytical Procedures and Methods Validation – 2000 • EURACHEM: The Fitness for Purpose of Analytical Methods (1998) • ICHQ2(R1) – Validation of analytical procedures: Text and methodology
  6. 6. O que é validação? • Ato documentado que atesta que qualquer procedimento, processo, equipamento, material, atividade ou sistema realmente e consistentemente leva aos resultados esperados; – RDC 17/2010 – Boas Práticas de Fabricação • Process of defining an analytical requirement, and confirming that the method under consideration has performance capabilities consistent with what the application requires. – Eurachem: Fitness for purpose of analytical methods
  7. 7. Porque validar? • Demonstrar que o método é apropriado para a finalidade pretendida, ou seja, a determinação qualitativa, semi-quantitativa e/ou quantitativa de fármacos e outras substâncias em produtos farmacêuticos. – RDC 899/2003 – Validação de métodos analíticos • A validação é uma parte essencial de Boas Práticas de Fabricação (BPF), sendo um elemento da garantia da qualidade associado a um produto ou processo em particular. – RDC 17/2010 – Boas Práticas de Fabricação
  8. 8. Quando validar? • Os métodos de controle de qualidade devem ser validados antes de serem adotados na rotina, levando-se em consideração as instalações e os equipamentos disponíveis. – Parágrafo único. Os métodos analíticos compendiais não requerem validação, entretanto antes de sua implementação, devem existir evidências documentadas de sua adequabilidade nas condições operacionais do laboratório. – RDC 17/2010 – Boas Práticas de Fabricação • No caso de metodologia analítica descrita em farmacopéias ou formulários oficiais, devidamente reconhecidos pela ANVISA, a metodologia será considerada validada. – RDC 899/2003 – Validação analítica
  9. 9. Quando revalidar? • A metodologia analítica deverá ser revalidada nas seguintes circunstâncias: – mudanças na síntese da substância ativa, – mudanças na composição do produto acabado, – mudanças no procedimento analítico. – Outras mudanças podem requerer validação dependendo da sua natureza. – RDC 899/2003 – Validação de métodos analíticos • Alterações de formulação (excipiente, sabor, cor), alteração de especificações e métodos, inclusão de novo fabricante do fármaco ou alterações na sua rota de síntese, inclusão de nova concentração ou forma farmacêutica do medicamento, – RDC 48/2009 – Alterações pós registro
  10. 10. Responsáveis pela validação? Responsável Técnico assegurar a realização dos programas de validação Responsável pelo Controle de Qualidade assegurar que sejam feitas as validações necessárias, inclusive a validação dos métodos analíticos e calibração dos equipamentos de controle Responsável pela Garantia da Qualidade assegurar o correto cumprimento das atividades de validação RDC 17/2010 – Boas Práticas de Fabricação
  11. 11. Como validar? Qualificação •Conjunto de ações realizadas para atestar e documentar que quaisquer instalações, sistemas e equipamentos estão propriamente instalados e/ou funcionam corretamente e levam aos resultados esperados. A qualificação é freqüentemente uma parte da validação, mas as etapas individuais de qualificação não constituem, sozinhas, uma validação de processo; Plano mestre de validação • Estabelece as estratégias e diretrizes de validação adotadas pelo fabricante. Ele provê informação sobre o programa de trabalho de validação, define detalhes, responsabilidades e cronograma para o trabalho a ser realizado; Protocolo de validação • Descreve as atividades a serem realizadas na validação de um projeto específico, incluindo o cronograma, responsabilidades e os critérios de aceitação para a aprovação de um processo produtivo, procedimento de limpeza, método analítico, sistema computadorizado ou parte destes para uso na rotina Validação • Deve garantir, por meio de estudos experimentais, que o método atenda às exigências das aplicações analíticas, assegurando a confiabilidade dos resultados. Para tanto, deve apresentar especificidade, linearidade, intervalo, precisão, sensibilidade, limite de quantificação, exatidão, adequados à análise. Relatório de validação • Documento no qual os registros, resultados e avaliação de um programa de validação são consolidados e sumarizados. Pode também conter propostas de melhorias;
  12. 12. Requisitos prévios para validação Padrões de referência: 1.4. Deve-se utilizar substâncias de referência oficializadas pela Farmacopéia Brasileira ou, na ausência destas, por outros códigos autorizados pela legislação vigente. No caso da inexistência dessas substâncias, será admitido o uso de padrões de trabalho, desde que a identidade e o teor sejam devidamente comprovados (RDC 899/2003) • padrão secundário (padrão de trabalho): padrão utilizado na rotina laboratorial, cujo valor é estabelecido por comparação a um padrão de referência (RDC 17/2010) – NÃO ACEITOS EM VALIDAÇÃO!!! • padrão de referência: são exemplares de fármacos, impurezas, produtos de degradação, reagentes, dentre outros, altamente caracterizados e da mais elevada pureza, cujo valor é aceito sem referência a outros padrões (RDC 17/2010); – Farmacopeico: Adquirido de um compêndio oficial reconhecido pela ANVISA (RDC 37/2009); – Caracterizado (primario): Análises para determinação absoluta da pureza e identidade;
  13. 13. http://www.pharmtech.com/pharmtech/Peer-Reviewed+Research/Reference-Standard-Material- Qualification/ArticleStandard/Article/detail/591372
  14. 14. Requisitos prévios para validação Qualificação e calibração de equipamentos: 1.9. Para a garantia da qualidade analítica dos resultados, todos os equipamentos utilizados na validação devem estar devidamente calibrados e os analistas devem ser qualificados e adequadamente treinados (RDC 899/2003); • qualificação: conjunto de ações realizadas para atestar e documentar que quaisquer instalações, sistemas e equipamentos estão propriamente instalados e/ou funcionam corretamente e levam aos resultados esperados (RDC 17/2010); • calibração: conjunto de operações que estabelece, sob condições especificadas, a relação entre os valores indicados por um instrumento ou sistema de medição ou valores representados por uma medida materializada ou um material de referência, e os valores correspondentes das grandezas estabelecidos por padrões (RDC 17/2010);
  15. 15. Requisitos prévios para validação Treinamento dos analistas: 1.9. Para a garantia da qualidade analítica dos resultados, todos os equipamentos utilizados na validação devem estar devidamente calibrados e os analistas devem ser qualificados e adequadamente treinados (RDC 899/2003);
  16. 16. Plano mestre de validação • Deve conter os elementos chave do programa de validação. Deve ser conciso e claro, bem como conter, no mínimo: I. uma política de validação; II. estrutura organizacional das atividades de validação; III. sumário/relação das instalações, sistemas, equipamentos e processos que se encontram validados e dos que ainda deverão ser validados (situação atual e programação); IV. modelos de documentos (ex: modelo de protocolo e de relatório) ou referência a eles; V. planejamento e cronograma; VI. controle de mudanças; e VII. referências a outros documentos existentes. – RDC 17/2010 – Boas práticas de fabricação
  17. 17. Protocolo de validação • Devem incluir, no mínimo, as seguintes informações: I. objetivos do estudo; II. local/planta onde será conduzido o estudo; III. responsabilidades; IV. descrição dos procedimentos a serem seguidos; V. equipamentos a serem usados, padrões e critérios para produtos e processos relevantes; VI. tipo de validação; VII. processos e/ou parâmetros; VIII. amostragem, testes e requisitos de monitoramento; e IX. critérios de aceitação. – RDC 17/2010 – Boas práticas de fabricação
  18. 18. Processos/Parâmetros da validação • No caso de metodologia analítica não descrita em farmacopéias ou formulários oficiais, devidamente reconhecidos pela ANVISA, a metodologia será considerada validada, desde que sejam avaliados os parâmetros relacionados a seguir, – Especificidade e Seletividade – Linearidade – Intervalo – Precisão – Limite de detecção (sensibilidade) – Limite de quantificação – Exatidão – Robustez – RDC 899/2003 – Validação de métodos analíticos
  19. 19. Categoria Finalidade I Testes quantitativos para a determinação do princípio ativo em produtos farmacêuticos ou matérias–primas II Testes quantitativos ou ensaio limite para a determinação de impurezas e produtos de degradação em produtos farmacêuticos e matérias-primas III Testes de performance (por exemplo: dissolução, liberação do ativo, etc) IV Testes de identificação Categorias de testes
  20. 20. Ensaios necessários por categoria Parâmetro Categoria I Categoria II Categoria III Categoria IVQuantitativo Ensaio Limite Especificidade Sim Sim Sim * Sim Linearidade Sim Sim Não * Não Intervalo Sim Sim * * Não Precisão Repe Sim Sim Não Sim Não Repro ** ** Não ** Não Limite de detecção Não Não Sim * Não Limite de quantificação Não Sim Não * Não Exatidão Sim Sim * * Não Robustez Sim Sim Sim Não Não * pode ser necessário, dependendo da natureza do teste específico. ** se houver comprovação da reprodutibilidade não é necessária a comprovação da Precisão Intermediária.
  21. 21. Especificidade É a capacidade que o método possui de medir exatamente um composto em presença de outros componentes tais como impurezas, produtos de degradação e componentes da matriz Contém compostos semelhantes Contém fármaco Quantitativamente: Seleção entre o alvo e compostos semelhantes; Qualitativamente: Ausência de interferência na presença de compostos semelhantes (comprovar pureza cromatográfica do pico alvo) • Impurezas “disponíveis”: Contaminar amostra • Impurezas “indisponíveis”: Estudo de stress ou comparação de métodos
  22. 22. Especificidade – Planejamento do experimento Preparação Objetivo Padrões do alvo Avaliar a resposta básica do composto de interesse na técnica Diluentes, fase móvel Avaliar ausência de resposta (ausência de picos no TR ou de resposta no comprimento de onda ou na técnica utilizada – titulação por exemplo) Placebo branco Avaliar a ausência de resposta no TR ou comprimento de onda e localizar os picos relacionados ao placebo (HPLC/CG) Placebo contaminado com padrão alvo Avaliar o comportamento do alvo na matriz (se há alteração de resposta por exemplo ou se há interação que possa ser verificada – DAD) Placebo contaminado com impurezas disponíveis (na concentração esperada) Avaliar o comportamento das impurezas na matriz quando o alvo está ausente. Localizar os picos relacionados exclusivamente às impurezas disponíveis Placebo contaminado com impurezas disponíveis (na concentração esperada) + alvo Avaliar o comportamento do alvo na matriz e com a presença de impurezas Amostras submetidas à stress Avaliar a pureza dos picos ou ausência de resposta na presença de impurezas conhecidas e desconhecidas
  23. 23. Especificidade – Estudo de stress • A empresa deverá apresentar estudos submetendo o medicamento às seguintes condições de estresse: I. Aquecimento; II. Umidade; III. Solução ácida; IV. Solução básica; V. Solução oxidante; VI. Exposição fotolítica; e VII. Íons metálicos. • Justificar tecnicamente a não utilização de qualquer uma dessas condições. • Promover uma degradação de pequena extensão em torno de 10-30% (dez a trinta por cento). Justificar degradação inferior;
  24. 24. Estudo de stress – planejamento do experimento Quanto degradar? Entre 10 e 30% (novos estudos demonstram que entre 5 e 15% seria mais adequado - menos degradação secundária) Até quando degradar? Basear na literatura, tabela do TRS 929 da WHO (acima) é geralmente aceita para “claim” de estabilidade na condição testada
  25. 25. Estudo de stress – Planejamento do experimento Preparação Objetivo Placebo degradado Avaliar e excluir os picos relativos exclusivamente à degradação do placebo Padrão controle Padrão não degradado para calculo de recuperação após degradação Padrão degradado Avaliar os picos relativos aos degradantes do padrão (overlay com placebo degradado para exclusão de picos do placebo). Avaliar também a característica indicativa de estabilidade Amostra controle Avaliar os picos relativos à amostra (interação do ativo com os excipientes) e usada para calcular recuperação na degradação Amostra degradada Avaliar os picos relativos à degradação do ativo na presença da matriz (placebo) que pode ser diferente da degradação do padrão sozinho (interação fármaco-excipiente)
  26. 26. Especificidade – Degradação forçada
  27. 27. Especificidade – Principais exigências • Ausência de degradação nas condições testadas ou degradação inferior a 10%; • Degradação acima de 30%; • Demonstrar condição indicativa de estabilidade do método; • Demonstrar pureza de pico: Aplicável somente à métodos cromatográficos; • Utilizar impurezas “disponíveis” para verificar se há interação (teor e produtos de degradação);
  28. 28. Especificidade – Separação adequada? http://www.aaps.org/uploadedfiles/content/sections_and_groups/regional_discussion_groups/swartzapr2010.pdf
  29. 29. Especificidade – O que reportar? • Cromatogramas de todas as soluções analisadas; • “Overlay” de cromatogramas do placebo, placebo degradado, padrão, padrão degradado, amostra e amostras degradadas; • Descrição de quais picos podem ser excluídos por pertencer exclusivamente à diluentes e/ou placebo/placebo degradado; • Tabela demonstrando a pureza dos picos dos alvos da metodologia; • Tabela constando a % de degradação nos estudos de stress e quantidade de impurezas verificadas.
  30. 30. Limite de detecção – LD ou LoD • Limite de detecção é a menor quantidade do analito presente em uma amostra que pode ser detectado, porém não necessariamente quantificado, sob as condições experimentais estabelecidas (RDC 899/2003); – O limite de detecção é estabelecido por meio da análise de soluções de concentrações conhecidas e decrescentes do analito, até o menor nível detectável; – Métodos não instrumentais: Pode ser feita visualmente, onde o limite de detecção é o menor valor de concentração capaz de produzir o efeito esperado (mudança de cor, turvação, etc); – Métodos instrumentais: estimativa com base na relação de 3 vezes o ruído da linha de base. Pode ser determinado analisando 3 curvas contendo analito próximo ao limite de detecção ou de análise de amostras do branco;
  31. 31. Limite de quantificação – LQ ou LoQ • É a menor quantidade do analito em uma amostra que pode ser determinada com precisão e exatidão aceitáveis sob as condições experimentais estabelecidas (RDC 899/2003); – Determinado, principalmente, para ensaios quantitativos de impurezas, produtos de degradação em fármacos e produtos de degradação em formas farmacêuticas. Pode ser útil para validação de teor em métodos utilizados em validação de limpeza; – O limite de quantificação é estabelecido por meio da análise de soluções contendo concentrações decrescentes do fármaco até o menor nível determinável com precisão e exatidão aceitáveis. – Métodos instrumentais: estimativa com base na relação de 10 vezes o ruído da linha de base.
  32. 32. LD e LQ – O que reportar? • Limite de detecção: – Tipo de abordagem utilizada (sinal ruído ou curvas); – Valor de sinal ruído da linha de base com seu cromatograma; – Cálculo utilizado para a determinação do LD – Valor de LD na mesma unidade da especificação (usualmente em %) • Limite de quantificação: – Tipo de abordagem utilizada (sinal ruído ou curvas); – Valor de sinal ruído da linha de base com seu cromatograma; – Cálculo utilizado para a determinação do LQ – Verificação da precisão e exatidão no LQ – Valor de LQ na mesma unidade da especificação (usualmente em %)
  33. 33. Linearidade • É a capacidade de uma metodologia analítica de demonstrar que os resultados obtidos são diretamente proporcionais à concentração do analito na amostra, dentro de um intervalo especificado (RDC 899/2003). – Análise de no mínimo 5 concentrações diferentes, conforme tipo de validação – usualmente 3 replicatas de cada concentração; – Coeficiente de correlação (mínimo 0,99), intersecção com o eixo Y, coeficiente angular, soma residual dos quadrados mínimos da regressão linear e desvio padrão relativo. – Se não houver relação linear, realizar transformação matemática.
  34. 34. Tipo de validação Faixa a ser validada Determinação quantitativa do analito em matérias-primas ou em formas farmacêuticas De 80% a 120% da concentração teórica do teste Uniformidade de conteúdo De 70% a 130% da concentração teórica do teste Determinação de impurezas Do nível de impureza esperado até 120% do limite máximo especificado. Quando apresentarem importância toxicológica ou efeitos farmacológicos inesperados, os limites de quantificação e detecção devem ser adequados às quantidades de impurezas a serem controladas Dissolução De ±20% sobre o valor especificado para o intervalo. Caso a especificação para a dissolução envolva mais que um tempo, o alcance do método deve incluir – 20% sobre o menor valor e +20% sobre o maior valor. Concentrações conforme tipo de validação
  35. 35. • Duas formas de avaliação visual da linearidade: – Plotar resposta x concentração – Plotar resposta/concentração x log da concentração
  36. 36. EXERCÍCIO
  37. 37. Exemplo – Escitalopram Tablets USP • Citalopram é isômero óptico do escitalopram • Padrão disponível: citalopram HBr • Especificação: 90 a 110% do rotulado de escitalopram • Concentração da amostra e padrão: 0,5 mg/mL de citalopram (0,62 mg/mL de citalopram HBr)
  38. 38. Linearidade – Escitalopram tablets – teor e UC • Teor e uniformidade de conteúdo (UC) com mesmo método • Concentração alvo do método – 100%: 0,5 mg/mL de citalopram (usando 0,62 mg/mL de padrão de citalopram HBr) • Faixa de validação para teor: 80 a 120% • Faixa de validação para UC: 70 a 130% • Faixa a ser validada: 70 a 130% da concentração alvo (considerando mesmo método para teor e UC) • Considerar no mínimo 5 concentrações no intervalo
  39. 39. Faixa [Citalopram/mL] na faixa Diluição da solução mãe 70% 0,35 mg/mL 0,7 mL/10 mL 80% 0,40 mg/mL 0,8 mL/10 mL 90% 0,45 mg/mL 0,9 mL/10 mL 100% 0,50 mg/mL 1,0 mL/10 mL 110% 0,55 mg/mL 1,1 mL/10 mL 120% 0,60 mg/mL 1,2 mL/10 mL 130% 0,65 mg/mL 1,3 mL/10 mL • Solução mãe: 5,0 mg/mL (citalopram) = 6,2 mg/mL (citalopram HBr)
  40. 40. Exemplo – Escitalopram Tablets USP • Padrão disponível: Citalopram HBr • Especificação: vide tabela • Método não tem padrão das impurezas individuais: %área • Concentração alvo do método: Especificação de cada impureza • Faixa de linearidade: Do nível esperado (ausente) até 120% do máximo esperado (maior valor – 0,5%) – LOQ até 0,6% • Concentração do padrão: 0,5 mg/mL - 100%
  41. 41. Faixa Concentração impureza [citalopram/mL] na faixa Diluição da solução mãe LOQ LOQ LOQ De acordo com o LOQ 20% 0,1% 0,5 mcg/mL 1,0 mL/10 mL 40% 0,2% 1,0 mcg/mL 2,0 mL/10 mL 60% 0,3% 1,5 mcg/mL 3,0 mL/10 mL 80% 0,4% 2,0 mcg/mL 4,0 mL/10 mL 100% 0,5% 2,5 mcg/mL 5,0 mL/10 mL 120% 0,6% 3,0 mcg/mL 6,0 mL/10 mL • Solução mãe: 5 mcg/mL (citalopram base)
  42. 42. Exemplo – Escitalopram Tablets USP • Padrão disponível: Escitalopram Oxalate • Especificação: NLT 80% do rotulado de escitalopram • Concentração da amostra e padrão: L/900 sendo L = 10 mg. • Concentração alvo do método: 0,01 mg/mL (10 mg/900 mL) – 100% (escitalopram base) • Perfil de dissolução?
  43. 43. • Produto teste • Produto referência/comparador
  44. 44. Linearidade – Escitalopram tablets – dissolução • Concentração alvo do método – 100%: 0,01 mg/mL de escitalopram base livre • Especificação de dissolução: minimo 80% dissolvido em 30 minutos, ou seja, concentração mínima de 0,008 mg/mL • Perfil de dissolução – menor valor: 38,05% • Faixa de validação para dissolução: -20% do menor valor e +20% do maior valor (18% a 120%) – 38% - 20% = 18% – 100% + 20% = 120%
  45. 45. Faixa [Escitalopram/mL] na faixa Diluição da solução mãe 18% 0,0018 mg/mL 0,9 mL/100 mL 20% 0,002 mg/mL 0,1 mL/10 mL 40% 0,004 mg/mL 0,2 mL/10 mL 60% 0,006 mg/mL 0,3 mL/10 mL 80% 0,008 mg/mL 0,4 mL/10 mL 100% 0,010 mg/mL 0,5 mL/10 mL 120% 0,012 mg/mL 0,6 mL/10 mL • Solução mãe: 0,2 mg/mL (escitalopram base)
  46. 46. Linearidade – O que pode acontecer? • Concentração alvo do método – 100%: 0,01 mg/mL de escitalopram base livre • Especificação de dissolução: minimo 80% dissolvido em 30 minutos, ou seja, concentração mínima de 0,008 mg/mL • Perfil de dissolução – menor valor: 38,05% • Faixa de validação para dissolução: -20% do menor valor e +20% do maior valor (18% a 120%) – 38% - 20% = 18% – 100% + 20% = 120%
  47. 47. • Mesmo o método sendo igual para impurezas e teor, não dá pra usar a mesma curva por falta de linearidade
  48. 48. • Sem co-relação linear aceitável
  49. 49. • Pela ANVISA: Avaliação visual do gráfico dos resíduos – aparenta alguma co-relação? • Normalmente os resíduos devem estar igualmente distribuidos acima e abaixo do zero, caso contrário aparentam co-relação; • Calculo estatístico e minitab existem para acessar não subjetivamente tal adequabilidade
  50. 50. Linearidade – O que reportar? • Tabela contendo as concentrações x respostas obtidas analíticamente para no mínimo 5 concentrações; • DPR verificado entre as replicatas de cada uma das concentrações (usualmente 3 replicatas); • Grafico da linearidade para cada método • Valor do coeficiente de co-relação (r); • Gráfico de resíduos • Equação da reta obtida e eventuais transformações matemáticas para obtenção de resposta linear (log por exemplo); • Valor de y-intercepto obtido
  51. 51. Precisão • A precisão é a avaliação da proximidade dos resultados obtidos em uma série de medidas de uma amostragem múltipla de uma mesma amostra. – Repetibilidade (precisão intra-corrida): concordância entre os resultados dentro de um curto período de tempo com o mesmo analista e mesma instrumentação = no mínimo, 9 determinações no linear do método, ou seja, 3 concentrações na baixa, média e alta, com 3 réplicas cada ou mínimo de 6 determinações a 100% da concentração do teste (usualmente até 2%) – Precisão do sistema – uma preparação avaliada 6 vezes; – Precisão do método – 6 preparações avaliadas 1 vez;
  52. 52. Precisão • Precisão intermediária (precisão inter-corridas): concordância entre os resultados do mesmo laboratório, mas obtidos em dias diferentes, com analistas diferentes e/ou equipamentos diferentes. Para a determinação da precisão intermediária recomenda-se um mínimo de 2 dias diferentes com analistas diferentes (usualmente até 5%) • Reprodutibilidade (precisão inter-laboratorial): concordância entre os resultados obtidos em laboratórios diferentes. Estes dados não precisam ser apresentados para a concessão de registro (usualmente até 5%) – A precisão pode ser expressa como desvio padrão relativo (DPR) ou coeficiente de variação (CV%), não podendo ser superior a 5%
  53. 53. Precisão do sistema
  54. 54. Precisão do método – intra e inter
  55. 55. Precisão – O que reportar? • Tabela contendo os valores de avaliação da precisão do sistema e da variação encontrada; • Tabela contendo os valores de avaliação da precisão do método por 1º analista usando 1º equipamento no 1º dia; • Tabela contendo os valores de avaliação da precisão do método por 2º analista usando 2º equipamento no 2º dia; • Tabela contendo a sumarização dos valores de precisão do método pelos 2 analistas;
  56. 56. Exatidão • A exatidão de um método analítico é a proximidade dos resultados obtidos pelo método em estudo em relação ao valor verdadeiro. • Fármaco – Uso de metodologia analítica proposta na análise de uma substância de pureza conhecida (padrão de referência); – Comparação dos resultados entre metodologias; • Forma Farmacêutica – Placebo contaminado com quantidade conhecida de fármaco ou da substância que se quer avaliar (no caso da indisponibilidade de amostras de certas impurezas e/ou produtos de degradação = comparação entre metodologias
  57. 57. Exatidão - Procedimento • 9 determinações contemplando o intervalo linear do procedimento: – 3 concentrações na baixa – 3 replicatas; – 3 concentrações na média – 3 replicatas; – 3 concentrações na alta – 3 replicatas; • Determinar a relação entre a concentração média determinada experimentalmente e a concentração teórica correspondente
  58. 58. Robustez • A robustez de um método analítico é a medida de sua capacidade em resistir a pequenas e deliberadas variações dos parâmetros analíticos. Indica sua confiança durante o uso normal (RDC 899/2003) – Durante o desenvolvimento da metodologia, deve-se considerar a avaliação da robustez. Constatando-se a susceptibilidade do método à variações nas condições analíticas, estas deverão ser controladas e precauções devem ser incluídas no procedimento.
  59. 59. Robustez • Teste de Youden: método confiável para avaliação da robustez de métodos analíticos, por meio de um delineamento que envolve sete parâmetros analíticos combinados em oito experimentos (descrito no guia INMETRO/2010); • Cada variação é avaliada em relação à condição não alterada; por exemplo, condição “C” (não alterada) e “c” (alterada):
  60. 60. http://www.scielo.br/pdf/bjps/v45n2/v45n2a07.pdf
  61. 61. Robustez – O que reportar? • Tabela com a avaliação dos resultados obtidos com a metodologia alterada x não alterada; • Resultados do cálculo para matriz de Youden; • Definição das especificações de alteração que devem ser consideradas significativas para cada parâmetro avaliado; • Parâmetros que tiveram resultados significativamente diferentes da condição não alterada; • Recomendações para inclusão no método analítico original – quais parâmetros devem ser estritamente monitorados;
  62. 62. Intervalo • O intervalo especificado é a faixa entre os limites de quantificação superior e inferior de um método analítico. Normalmente é derivado do estudo de linearidade e depende da aplicação pretendida do método. • É estabelecido pela confirmação de que o método apresenta exatidão, precisão e linearidade adequados quando aplicados a amostras contendo quantidades de substâncias dentro do intervalo especificado.
  63. 63. Estabilidade das soluções • Não detalhada na RDC 899/2003; • Necessária para garantir que o analito tem estabilidade no mínimo no tempo de análise; • Importante para garantir as condições nas quais o analito é estável (refrigerado, ambiente) para estabelecer por exemplo, – soluções-mãe de compostos pouco disponíveis ou caros, – Tempo no qual as soluções podem ser mantidas para uma eventual investigação de resultados não conforme;
  64. 64. Relatório de validação • Art. 490. Os relatórios devem refletir os protocolos seguidos e contemplar, no mínimo, o título, o objetivo do estudo, bem como fazer referência ao protocolo, detalhes de materiais, equipamentos, programas e ciclos utilizados e ainda, os procedimentos e métodos que foram utilizados. – Art. 491. Os resultados devem ser avaliados, analisados e comparados com os critérios de aceitação previamente estabelecidos. – Art. 492. Os Departamentos responsáveis pelos trabalhos de qualificação e validação devem aprovar o relatório completo.
  65. 65. Alterações permitidas em métodos já validados ANVISA não tem reconhecido e solicita precisão, especificidade e linearidade – Farmacopeia Mercosul em CP
  66. 66. Validação x verificação de métodos • Não há guia da ANVISA. RDC 17/2010 é vaga. • Capítulos da USP (farmacopeia americana) <1225> intitulado “validação de métodos compendiais” e <1226> “verificação de métodos compendiais”. – Capítulo <1225> Descreve a validação de métodos analíticos com todos os parâmetros definidos. O resultado é um método validado para uma amostra específica. Este procedimento é recomendado para a validação de métodos desenvolvidos internamente. – Capítulo <1226> Provê recomendações para a demonstração de que o laboratório tem a habilidade de utilizar o método de forma adequada.
  67. 67. Exemplos de parâmetros para verificação de métodos Não há guia da ANVISA, cada laboratório deve fornecer racional para escolha dos parâmetros de verificação
  68. 68. Referências • IUPAC - http://www.iupac.org/publications/pac/2002/pdf/7405x0835.pdf • FDA - http://www.fda.gov/downloads/Drugs/GuidanceComplianceRegulatoryInformation/Guidanc es/UCM122858.pdf • ICH - http://www.ich.org/fileadmin/Public_Web_Site/ICH_Products/Guidelines/Quality/Q2_R1/Ste p4/Q2_R1__Guideline.pdf • ISO 17025 - http://www.saba.org.ir/saba_content/media/image/2011/04/1821_orig.pdf • INMETRO - http://www.inmetro.gov.br/Sidoq/Arquivos/CGCRE/DOQ/DOQ-CGCRE-8_03.pdf • EURACHEM - http://www.eurachem.org/images/stories/Guides/pdf/valid.pdf • AGILENT - http://www.chem.agilent.com/Library/primers/Public/5990-5140EN.pdf • WHO – reference standards - http://www.who.int/medicines/areas/quality_safety/quality_assurance/GeneralGuidelinesEs tablishmentMaintenanceDistributionChemicaReferenceSubstancesTRS943Annex3.pdf • ANVISA – CP 11/2012 - http://portal.anvisa.gov.br/wps/wcm/connect/042a338049f229df96d7bfaa19e2217c/Consul ta+P%C3%BAblica+n%C2%B0+11+GGMED.pdf?MOD=AJPERES • AOAC – variabilidade - http://www.eoma.aoac.org/app_f.pdf • Estatística - http://www.cprm.gov.br/publique/media/Andriotti_Tecnicas_estatisticas.pdf
  69. 69. OBRIGADA!!! rodrigues.van79@gmail.com

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