Semiotica e Quadrinhos

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Palestra ministrada no SESC / Paraná, durante a Maratona de Arte Sequêncial, em 27 de junho de 2009, gratuitamente.

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Semiotica e Quadrinhos

  1. 1. SEMIÓTICA E QUADRINHOS Rodrigo Guedes Foz do Iguaçu, Junho, 2009 via htpp://3.bp.blogspot.com
  2. 2. “Quanto mais códigos e linguagens você entender, maior a possibilidade de criar e produzir alguma coisa nova, além do que é óbvio” Paul Valéry Tudo o que é capaz de comunicar é passível de se analisar através da semiótica. By ZIRALDO
  3. 3. Autobiografia Da Arte à Ciência Desenhos, Quadrinhos, Animação, Comunicação, Criatividade, Semiótica. Ilustração – Quadrinhos – Animação – Design – Publicidade – Comunicação. Hoje Tipos de comunicação, como contribuir para diminuir seus distúrbios.
  4. 4. Semiótica Ciência que estuda tudo sob a ótica do signo
  5. 5. A Semiótica abrange todas as formas de linguagem Linguagem: todo sistema de signos capaz de produzir um estado de comunicação. via htpp://afraneo.files.wordpress.com/2007/11/falta_de_comunicacao.jpg
  6. 6. Signo: tudo o que pode ser Do grego percebido pela consciência (mente) semeiose, signo
  7. 7. Princípio: Fenomenologia phainomenon = "observável" Immanuel Kant - O mundo como nós experimentamos, Diferente do mundo como existe independente de nossas experiências. - A essência das coisas são perceptíveis na medida em que nossos esquemas mentais permitem apreender a experiência.
  8. 8. Charles Sanders Peirce (1839-1914) Pragmatismo Concepção triádica Três categorias universais de toda experiência e pensamento; Tudo o que existe aparece à consciência seguindo três categorias: Primeiridade (Qualidade); Secundidade (Reação); Terceiridade (Representação ou Mediação).
  9. 9. Ferdinand de Saussure (1857-1913) Relação Diádica Signos - relação entre um conceito (o significado) e uma imagem acústica, a parte física do signo (o significante) Dois tipos de relações no signo: 1 - as relações sintagmáticas 2 - as relações paradigmáticas
  10. 10. Umberto Eco (1932) Diagramas: signos que representam relações abstractas, tais como fórmulas lógicas, químicas e algébricas; Emblemas: figuras a que associamos conceitos Desenhos: correspondentes aos ícones e às inferências naturais, os índices ou indícios de Peirce; Equivalências arbitrárias: correspondem aos símbolos em Pierce; Sinais: como por exemplo o código da estrada, que “O sociólogo Umberto Eco sendo indícios, se baseiam num código ao qual estão já afirmava que somente associados um conjunto de conceitos. quando o estudo das HQ tivesse superado o estágio "esotérico" é que seria possível entender sua importância”
  11. 11. Roman Jakobson (1856) Funções da linguagem: Emotiva: emissor na mensagem; Injuntiva: destinatário; Referencial: aquilo que se fala; Fática: relativa ao canal da comunicação; Metalinguística: relativa ao código, linguagem; Poética: relativa à relação da mensagem consigo mesma.
  12. 12. Morris e Greimas Pragmático: o valor dos signos para os utilizadores, as reações destes relativamente aos signos e o modo como os utilizamos; Sintáctico: nível da estrutura dos signos, o modo em como eles se relacionam e as suas possíveis combinações; Semântico: relações entre os signos e os respectivos significados.
  13. 13. RELAÇÃO TRIÁDICA DA SEMIÓTICA (Peirce) O INTERPRETANTE SIGNO OBJETO Signo (imediato), determinado pelo seu Objeto (referente mental), causa um efeito sobre determinada mente, o Interpretante (novo signo) Interpretante: O signo é a causa imediata; o objeto é a Causa Mediada
  14. 14. CATEGORIAS UNIVERSAIS DO SIGNO (Peirce) 1 PRIMEIRIDADE (Abstrato, Possibilidade). Possibilidade de sentido, contida no Signo. Qualidade de algo que se apresenta à consciência. Quando o fenômeno chama atenção da consciência. 2 SECUNDIDADE (Concreto, Choque, conflito). Fato empírico da interpretação ou resultados factuais do entendimento. É o Conflito. Quando o sujeito entra em conjunção com o objeto, toma ciência, reflete. 3 TERCEIRIDADE (Abstrato, Regra, Padrão, Generalização). É a representação do fenômeno pela consciência. Ocorre uma Generalização, explicação, significação, para o entendimento do signo.
  15. 15. Em relação ao potencial de representação, para algo funcionar como signo, são necessárias três particularidades (By Santaella): Sua mera qualidade: quali-signo Sua existência: sin-signo Seu caráter de lei: legi-signo São três propriedades comuns a todas as coisas. Pela qualidade tudo pode ser um signo, pela existência tudo é signo e pela lei tudo deve ser signo.
  16. 16. Quali-signo Exemplo: a cor amarela. A qualidade da cor amarela lhe dá a capacidade de funcionar como, por exemplo, quase-signo do sol, mas ela não é o sol em si. Sin-Signo Existir significa ocupar um lugar no tempo e espaço, o signo concreto. Também significa reagir em relação a outros existentes. Sin refere-se a singularidade. Legi-signo Uma lei é uma abstração operativa. Ela age tão logo encontre um caso singular sobre o qual agir. Palavras, convenções, elementos de uso comum nos quadrinhos.
  17. 17. NA COMUNICAÇÃO 1 ÍCONE (PRIMEIRIDADE). O fenômeno bate à sua porta. Ex. Nos quadrinhos, ao ver a capa da revista, algo que você não sabe dizer o que é, gera empatia, chama sua atenção, gerando assim a decisão de ler a revista. 2. ÍNDICE (SECUNDIDADE). Quando o fenômeno vem ao nível consciente, gerando dúvida, conflito. Ainda não houve a assimilação, o entendimento do fenômeno. Todo novo conhecimento gera dúvidas. 3. SÍMBOLO (Terceiridade). É a generalização, a representação do fenômeno por meio de signos inteligíveis. As regras estabelecidas, a ciência propriamente dita.
  18. 18. RELAÇÕES DO SIGNO COM O OBJETO QUE REPRESENTA 1. É ÍCONE: se o fundamento for uma qualidade. Relação de similaridade. Ele evoca ou sugere porque a qualidade que ele exige se assemelha a uma outra qualidade. Ex.: vermelho – sangue. São signos icônicos: Imagem, diagrama e metáfora.
  19. 19. RELAÇÕES DO SIGNO COM O OBJETO QUE REPRESENTA 2. É ÍNDICE: se o fundamento for um existente. Nos quadrinhos representa o objeto por indício. Ex.: nuvem negra indica chuva.
  20. 20. RELAÇÕES DO SIGNO COM O OBJETO QUE REPRESENTA 3. É SÍMBOLO: se o fundamento for uma lei (generalização). Ex.: os balões, quadrinhos, movimentos exagerados, expressões, onomatopéias são exemplos de legi-signos, comuns a todos os quadrinhos. Símbolos.
  21. 21. Via Nerdcast, “o melhor podcast do mundo”: http://www.jovemnerd.com.br
  22. 22. FUNÇÕES DA LINGUAGEM NOS QUADRINHOS (Jakobson) FUNÇÃO FÁTICA: o elemento, fato, objeto, está ali para chamar a sua atenção sobre a informação vem a seguir. Inicia ou termina o diálogo.
  23. 23. METALINGUAGEM: relativa à linguagem em si mesma, a linguagem utiliza suas particularidades para falar de si mesm. Nos quadrinhos normalmente está em função do lúdico, utilizando trocadilhos e metáforas que chamam a atenção.
  24. 24. FUNÇÃO POÉTICA: Relativa à mensagem, o enfoque da mensagem por ela própria. É onde está a criatividade, as formas diferentes de passar a mensagem. Não é a informação, mas COMO ela é comunicada. Nunca é óbvio.
  25. 25. FUNÇÃO EMOTIVA: Relativa ao emissor, remetente da mensagem. É a Relação da atitude de quem fala em relação àquilo de que está falando. Nos quadrinhos as interjeições, palavras que exprimem estados emocionais, são exemplos de função emotiva.
  26. 26. FUNÇÃO CONATIVA: orientada para o receptor, destinatário da mensagem, a fim de influenciá-lo.
  27. 27. Do ponto de vista da Semiótica, a ASSOCIAÇÃO DE IDÉIAS nos quadrinhos pode se dar de duas formas: 1. Eixo PARADIGMÁTICO, SEM NORMAS, POR SIMILARIDIDADE, IMPREVISIBILIDADE: quanto mais nova a informação, menor a audiência. Aqui ocorre a quebra do eixo usual, normal.
  28. 28. 2. Por CONTIGUIDADE OU SINTAGNA (PREVISIBILIDADE): Maior a redundância, maior a audiência. Aqui imperam as normas, a forma mais reta, básica, de se passar a informação. Porém o sintagma pode estar em função da quebra de paradigmas, como na tira de Mafalda (Quino), abaixo.
  29. 29. SIGNO: PERCURSO GERAL DO SENTIDO NOS QUADRINHOS 1 – Fundamental (Primeiridade). Bem e mal, rico e pobre, vida e morte, o aspecto fundamental, as relações semânticas em oposição. 2 – Narrativo (Secundidade). O personagem mais a ação gera o conflito (a jornada do personagem, a ação, que gera o conflito). 3 – Discursivo (Terceiridade). O que está por trás do texto, o significado, o que o autor realmente quis dizer.
  30. 30. Esse é o sentido maior da Semiótica para quem trabalha em comunicação: Quando vejo o mundo sob a ótica dos signos, minha capacidade de comunicar é potencializada, meu entendimento de mundo se amplia e os ruídos na comunicação são minimizados.
  31. 31. Obrigado! @rodguedes guedes@trafor.com.br www.trafor.com.br
  32. 32. Bibliografia Christiane; Marcellesi, Jean-Baptiste; Mevel, Jean-Pierre; Dicionário de Lingüística; Editora Cultrix, São Paulo, SP - XVI Edição, 2001. Dubois, Jean; Giacomo, Mathée; Guespin, Louis; Marcellesi, Guedes, Rodrigo; A imagem como síntese gráfica na criação publicitária;UTP – Universidade Tuiuti do Paraná; Curitiba; PR; 2005. Joly, Martine; Introdução à Análise da Imagem; VIII Edição; Papirus Editora; Campinas; SP; 2005. Peirce, Charles Sanders; Semiótica. Coleção Estudos; São Paulo, SP; Perspectiva; 2005. Saussure, Ferdinand de; Curso de lingüística geral; São Paulo, SP; Cultrix; s/a. Santaella, Lúcia; O que é Semiótica; São Paulo, SP; Brasiliense; 2003. Santaella, Lúcia; Semiótica Aplicada; São Paulo, SP; Pioneira Thomson Learning; 2004. Santaella, Lucia; A teoria geral dos signos: como as linguagens significam as coisas; São Paulo, SP; Pioneira Thomson Learning; 2000. E, claro, google, wikipedia e internet em geral.

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