PROCESSOS DE LETRAMENTO Patativa Cora Coragem
<ul><li>(FREIRE, 1990). </li></ul>QUANTO MAIS INQUIETA FOR UMA PEDAGOGIA MAIS CRÍTICA ELA SE TORNARÁ
<ul><li>–  ANALFABETISMO:   desprovido de conhecimentos; nível baixo de letramento; “é o desconhecimento das técnicas de u...
<ul><li>O analfabetismo funcional atingiu 21,6% da população. Somados esse 21,6% de analfabetos funcionais com os 10% da p...
<ul><li>O analfabeto, principalmente, o que vive nas grandes cidades, sabe, mais do que ninguém, qual a importância de sab...
Vocábulos carregados de emoção e palavras típicas do povo. A exuberância da linguagem do povo revela desejo, frustração, d...
<ul><li>“ Quero aprender a ler e a escrever para deixar de ser sombra dos outros” - analfabeto de Recife; </li></ul><ul><l...
O QUE SIGNIFICA SUPERAR O ANALFABETISMO? <ul><li>Resgatar a dívida histórica para com as pessoas que não tiveram acesso à ...
PROCESSOS DE LETRAMENTO <ul><li>ESTADO DE LETRAMENTO:  uma compreensão muito abrangente do ato de ler o mundo, coisa que o...
PROCESSOS DE LETRAMENTO <ul><li>LETRAMENTO:  para Kleiman (1995, p. 19), é tido “como um conjunto de práticas sociais que ...
<ul><li>ALFABETIZAR LETRANDO </li></ul><ul><li>aprender a ler e a escrever no contexto das práticas sociais e da escrita. ...
<ul><li>A idéia de desescolarização da leitura é a de formação permanente do leitor. A leitura não é um processo que se co...
Metodologia da Problematização 1 : aprender a aprender <ul><li>Segundo Bortoni-Ricardo 2  (2005, p. 229), entre elas  [as ...
Metodologia da Problematização - avaliação diagnóstica -
Passos fundamentais do “professor(a)-letrador(a)”   <ul><li>1)  investigar as práticas sociais que fazem parte do cotidian...
<ul><li>6)  não ser julgativo, mas desenvolver uma metodologia avaliativa com certa sensibilidade, atentando-se para a plu...
<ul><li>As insuficiências do sistema escolar na formação de indivíduos absolutamente letrados não sucedem somente pelo fat...
<ul><li>A relação do homem com o mundo é mediada pela linguagem.  A palavra não é uma mera representação do mundo que cerc...
O cotidiano, o sentimento, a ausência, a substituição, a poesia, a figuração, a recolocação... <ul><li>Duas personalidades...
AOS POETAS CLÁSSICOS <ul><li>Poetas niversitário, </li></ul><ul><li>Poetas de Cademia, </li></ul><ul><li>De rico vocabular...
<ul><li>In dois livro do iscritô, </li></ul><ul><li>O famoso professo </li></ul><ul><li>Filisberto de Carvaio. </li></ul><...
Depois que os dois livro eu li, Fiquei me sintindo bem, E ôtras coisinha aprendi Sem tê lição de ninguém. Na minha pobre l...
Cheio de rima e sintindo Quero iscrevê meu volume, Pra não ficá parecido Com a fulô sem perfume; A poesia sem rima, Bastan...
Meu caro amigo poeta, Qui faz poesia branca, Não me chame de pateta Por esta opinião franca. Nasci entre a natureza, Sempr...
Dêste jeito Deus me quis E assim eu me sinto bem; Me considero feliz Sem nunca invejá quem tem Profundo conhecimento. Ou l...
CORA CORALINA <ul><li>TODAS AS VIDAS </li></ul><ul><li>Vive dentro de mim </li></ul><ul><li>a mulher roceira. </li></ul><u...
AUTOBIOGRAFIA Venho do século passado. Pertenço a uma geração ponte, entre a libertação dos escravos e o trabalhador livre...
(...) Nunca recebi estímulos familiares para ser literata. Sempre houve na família, senão uma hostilidade, pelo menos uma ...
Foi assim que cheguei a este livro sem referências a mencionar. Nenhum primeiro prêmio. Nenhum segundo lugar. Nem menção h...
MESTRA SILVINA Minha escola primária, fostes meu ponto de partida, dei voltas ao mundo. Criei meus mundos...  (...) Eu era...
CORA CORALINA  - Mulher simples, doceira de profissão, viveu longe dos grandes centros urbanos. Escreveu seus primeiros te...
PATATIVA DO ASSARÉ  - foi um poeta popular, compositor, cantor e improvisador brasileiro. A voz do sertanejo nordestino, d...
MEU ESTADO DE LETRAMENTO ATUAL:  Depoimentos de Acadêmicos de Pedagogia <ul><li>Se as professoras não só da minha alfabeti...
<ul><li>A boa leitura se consegue através da prática. Comecei a ler livros com número de páginas maiores, principalmente e...
<ul><li>Ao fazer a leitura de um texto, tenho que reler até que eu consiga entender qual a idéia do texto. É trabalhoso le...
<ul><li>Quando vou escrever fico perdida, como começar, posso superar essa dificuldade treinando a escrita e lendo mais li...
Acadêmicos de Pedagogia – 2º. Semestre 2008 - <ul><li>ESCREVER - 60%  </li></ul><ul><li>LER - 50% </li></ul><ul><li>FALAR ...
<ul><li>Quais são as nossas facilidades? </li></ul><ul><li>Quais são as nossas dificuldades? </li></ul><ul><li>Como pensam...
 
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  1. 1. PROCESSOS DE LETRAMENTO Patativa Cora Coragem
  2. 2. <ul><li>(FREIRE, 1990). </li></ul>QUANTO MAIS INQUIETA FOR UMA PEDAGOGIA MAIS CRÍTICA ELA SE TORNARÁ
  3. 3. <ul><li>– ANALFABETISMO: desprovido de conhecimentos; nível baixo de letramento; “é o desconhecimento das técnicas de utilização da escrita” (Foucambert, 1994, p.18); “impossibilidade de compreender ou de produzir uma mensagem escrita simples, que trate de questões concretas ligadas à vida cotidiana: sua origem está na falta de domínio do sistema de correspondência entre grafemas e fonemas. Esse analfabetismo provém da ausência de alfabetização” (id., p. 118). </li></ul><ul><li>– ANALFABETISMO FUNCIONAL: despreparado para entender conteúdos sem relação com a função – pessoas que, embora dominem as habilidades básicas do ler e do escrever, não se sentem capazes de utilizar a escrita na leitura e na produção de textos na vida cotidiana ou na escola, para satisfazer às exigências do aprendizado. </li></ul><ul><li>– ILETRISMO: leitura precária - cultura literária pobre por falta de leitura; “é a falta de familiaridade com o mundo da escrita, uma exclusão em relação ao todo ou a parte desse modo de comunicação” (id., p.18). </li></ul>PROCESSOS DE ALFABETIZAÇÃO
  4. 4. <ul><li>O analfabetismo funcional atingiu 21,6% da população. Somados esse 21,6% de analfabetos funcionais com os 10% da população que é totalmente analfabeta, resulta que 31,6% da população não possui o domínio pleno da leitura, da escrita e das operações matemáticas </li></ul><ul><li>(IBGE / PNAD, 2007). </li></ul>
  5. 5. <ul><li>O analfabeto, principalmente, o que vive nas grandes cidades, sabe, mais do que ninguém, qual a importância de saber ler e escrever, para a sua vida como um todo (Freire, 1995). </li></ul>
  6. 6. Vocábulos carregados de emoção e palavras típicas do povo. A exuberância da linguagem do povo revela desejo, frustração, desilusão, esperança, desejo de participação.
  7. 7. <ul><li>“ Quero aprender a ler e a escrever para deixar de ser sombra dos outros” - analfabeto de Recife; </li></ul><ul><li>“ Não tenho ‘dó’ de ser pobre, mas de não saber ler” – analfabeto de Florianópolis; </li></ul><ul><li>“ Quero aprender a ler e a escrever para mudar o mundo” – analfabeto paulista; </li></ul><ul><li>“ O povo pôs um parafuso na cabeça” (???) – “é o que o senhor doutor explica, ao falar comigo, povo”. </li></ul><ul><li>“ Eu tenho a escola do mundo...”, analfabeto de um Estado do Sul do Brasil. </li></ul>FREIRE, Paulo. Educação e mudança. 11 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986. (p.73-4).
  8. 8. O QUE SIGNIFICA SUPERAR O ANALFABETISMO? <ul><li>Resgatar a dívida histórica para com as pessoas que não tiveram acesso à escolarização ou não possuem o domínio da escrita e da leitura. Oferecer a elas o direito básico do acesso à educação, pública e de qualidade. </li></ul><ul><li>Sabemos que as crianças, jovens ou adultos não alfabetizados, não estão destituídos de conhecimentos, são sujeitos de suas culturas. A bagagem que trazem nem sempre é reconhecida pelo sistema escolar tradicional. </li></ul><ul><li>A condição - de não domínio do código escrito, da leitura - pode ser superada. </li></ul><ul><li>Todos têm direito ao acesso a culturas diferentes da sua, aos diversos meios de informação, à autonomia, à cidadania. </li></ul>
  9. 9. PROCESSOS DE LETRAMENTO <ul><li>ESTADO DE LETRAMENTO: uma compreensão muito abrangente do ato de ler o mundo, coisa que os seres humanos fazem antes de ler a palavra; o fato de estar no mundo grafocêntrico – possibilita práticas de leitura e escrita, feitas antes do letramento escolar. </li></ul><ul><li>ALFABETIZAÇÃO: se ocupa da aquisição da escrita por um indivíduo, ou grupo; é a ação de alfabetizar, de tornar “ alfabeto ” o educando. Para Tfouni (1995), “há duas formas segundo as quais comumente se entende a alfabetização: ou como um processo de aquisição individual de habilidades requeridas para a leitura e escrita , ou como um processo de representação de objetos diversos, de naturezas diferentes. O mal-entendido que parece estar na base da primeira perspectiva é que a alfabetização é algo que chega a um fim, e pode, portanto, ser descrita sob a forma de objetivos instrucionais. Como processo que é, parece-me antes que, o que caracteriza a alfabetização é a sua incompletude. </li></ul>
  10. 10. PROCESSOS DE LETRAMENTO <ul><li>LETRAMENTO: para Kleiman (1995, p. 19), é tido “como um conjunto de práticas sociais que usam a escrita, enquanto sistema simbólico e enquanto tecnologia, em contextos específicos, para objetivos específicos”. </li></ul><ul><li>Para Soares (1998, p.39), “ ter-se apropriado da escrita é diferente de ter aprendido a ler e a escrever: aprender a ler e escrever significa adquirir uma tecnologia, a de codificar em língua escrita e de decodificar a língua escrita; apropriar-se da escrita é tornar a escrita ‘própria’, ou seja, é assumi-la como sua ‘propriedade’”. </li></ul><ul><li>Para Tfouni (1995), “focaliza os aspectos sociohistóricos da aquisição de um sistema escrito por uma sociedade”. </li></ul><ul><li>O QUE É UMA PESSOA “LETRADA”? </li></ul><ul><li>É aquela, segundo Soares (1998, p. 22), “que usa socialmente a leitura e a escrita, pratica a leitura e a escrita, responde adequadamente às demandas sociais de leitura e de escrita”. </li></ul>
  11. 11. <ul><li>ALFABETIZAR LETRANDO </li></ul><ul><li>aprender a ler e a escrever no contexto das práticas sociais e da escrita. </li></ul>
  12. 12. <ul><li>A idéia de desescolarização da leitura é a de formação permanente do leitor. A leitura não é um processo que se conclui na escola. </li></ul><ul><li>“ Aprende-se a ler em qualquer idade e continua-se sempre aprendendo. A escola é um momento da formação do leitor. Mas se essa formação for abandonada mais tarde, ou seja, se as instâncias educativas não se dedicarem sempre a ela, teremos pessoas que, por motivos sociais e culturais, continuarão sendo leitores e progredirão em suas leituras, e outras que retrocederão e abandonarão qualquer processo de leitura” (FOUCAMBERT, p.17). </li></ul><ul><li>Todos nós, em algum campo do conhecimento, somos iletrados, porém todos somos de alguma forma letrados em outras áreas na medida em que aprendemos a dominar as técnicas de usos sociais da escrita. </li></ul>
  13. 13. Metodologia da Problematização 1 : aprender a aprender <ul><li>Segundo Bortoni-Ricardo 2 (2005, p. 229), entre elas [as ações] as que promovem o ensino incidental, decorrente da própria dinâmica interacional, a recapitulação contínua, as associações entre o que é novo e o que já foi visto a exemplificação, a transição de um nível epistêmico abstrato para o mais concreto, enfim, aprendizagem espiral que vai do mais simples ao mais completo e daí retorna ao mais simples. </li></ul><ul><li>Berbel Neusi Aparecida Navas. A metodologia da problematização e os ensinamentos de Paulo Freire: uma relação mais que perfeita. In: BERBEL. Metodologia da problematização: fundamentos e aplicações. Londrina (PR): Ed. UEL, 1999. (p. 1-28). </li></ul><ul><li>BORTONI-RICARDO, Stella Maris. Nós cheguemu na escola, e agora?: sociolingüística e educação. São Paulo: Parábola, 2005. </li></ul>
  14. 14. Metodologia da Problematização - avaliação diagnóstica -
  15. 15. Passos fundamentais do “professor(a)-letrador(a)” <ul><li>1) investigar as práticas sociais que fazem parte do cotidiano do aluno ou da aluna, adequando-as aos ambientes pedagógicos e aos conteúdos a serem trabalhados; </li></ul><ul><li>2) planejar suas ações visando ensinar para que serve a linguagem escrita e como o aluno ou a aluna poderá utilizá-la; </li></ul><ul><li>3) desenvolver, através da leitura, interpretação e produção de diferentes gêneros de textos, habilidades de leitura e escrita que funcionem dentro da sociedade; </li></ul><ul><li>4) incentivar a prática social da leitura e da escrita, de forma criativa, descobridora, crítica, autônoma e ativa, já que a linguagem é interação e, como tal, requer a participação transformadora dos sujeitos sociais que a utilizam; </li></ul><ul><li>5) recognição, por parte do(a) professor(a), implicando assim o reconhecimento daquilo que o aluno/a aluna já possui de conhecimento empírico, e respeitar, acima de tudo, esse conhecimento ; </li></ul>
  16. 16. <ul><li>6) não ser julgativo, mas desenvolver uma metodologia avaliativa com certa sensibilidade, atentando-se para a pluralidade de vozes, a variedade de discursos e linguagens diferentes; </li></ul><ul><li>7) avaliar de forma individual, levando em consideração as peculiaridades de cada indivíduo; </li></ul><ul><li>8) trabalhar a percepção de seu próprio valor e promover a auto-estima e a alegria de conviver e cooperar; </li></ul><ul><li>9) ativar mais do que o intelecto em um ambiente de aprendizagem, ser ensinante-aprendente como os alunas e as alunas; </li></ul><ul><li>10) reconhecer a importância do letramento, e abandonar os métodos de aprendizado repetitivo, baseados na descontextualização. </li></ul>
  17. 17. <ul><li>As insuficiências do sistema escolar na formação de indivíduos absolutamente letrados não sucedem somente pelo fato de, segundo Kleiman (1995, p. 47), o “professor não ser um representante pleno da cultura letrada, nem das falhas num currículo que não instrumentaliza o professor para o ensino”. </li></ul><ul><li>As falhas são mais enraizadas, porque são produtos do modelo imposto pelo sistema padrão de ensino. </li></ul>
  18. 18. <ul><li>A relação do homem com o mundo é mediada pela linguagem. A palavra não é uma mera representação do mundo que cerca o sujeito, ela é a forma com que o mundo lhe é apresentado . É através dela que o mundo lhe é dado a conhecer. A palavra instaura a realidade. </li></ul><ul><li>Segundo Bakhtin (1992) a palavra está presente em todos os atos de compreensão e em todos os atos de interpretação : </li></ul><ul><li>O idealismo e o psicologismo esquecem que a própria compreensão não pode manifestar-se senão através de um material semiótico (por exemplo, o discurso interior), que o signo se opõe ao signo, que a própria consciência só pode surgir e se afirmar como realidade mediante a encarnação material em signos. Afinal, compreender um signo consiste em aproximar o signo apreendido de outros signos já conhecidos; em outros termos, a compreensão é uma resposta a um signo por meio de signos (p.34). </li></ul>
  19. 19. O cotidiano, o sentimento, a ausência, a substituição, a poesia, a figuração, a recolocação... <ul><li>Duas personalidades, contextos diferentes, superação, escritas, letramento, sujeitos letrados, doutores honoris causas 3 : </li></ul><ul><li>Patativa do Assaré e Cora Coralina. </li></ul>3. Doutor Honoris Causa é o titulo atribuído à personalidade que se tenha distinguido pelo saber ou pela atuação em prol das artes, das ciências, da filosofia, das letras ou do melhor entendimento entre os povos.
  20. 20. AOS POETAS CLÁSSICOS <ul><li>Poetas niversitário, </li></ul><ul><li>Poetas de Cademia, </li></ul><ul><li>De rico vocabularo </li></ul><ul><li>Cheio de mitologia; </li></ul><ul><li>Se a gente canta o que pensa, </li></ul><ul><li>Eu quero pedir licença, </li></ul><ul><li>Pois mesmo sem português </li></ul><ul><li>Neste livrinho apresento </li></ul><ul><li>O prazê e o sofrimento </li></ul><ul><li>De um poeta camponês. </li></ul><ul><li>Eu nasci aqui no mato, </li></ul><ul><li>Vivi sempre a trabaiá, </li></ul><ul><li>Neste meu pobre recato, </li></ul><ul><li>Eu não pude estudá. </li></ul><ul><li>No verdô de minha idade, </li></ul><ul><li>Só tive a felicidade </li></ul><ul><li>De dá um pequeno insaio </li></ul>Patativa do Assaré
  21. 21. <ul><li>In dois livro do iscritô, </li></ul><ul><li>O famoso professo </li></ul><ul><li>Filisberto de Carvaio. </li></ul><ul><li>No premêro livro havia </li></ul><ul><li>Belas figuras na capa, </li></ul><ul><li>E no começo se lia: </li></ul><ul><li>A pá — O dedo do Papa, </li></ul><ul><li>Papa, pia, dedo, dado, </li></ul><ul><li>Pua, o pote de melado, </li></ul><ul><li>Dá-me o dado, a fera é má </li></ul><ul><li>E tantas coisa bonita, </li></ul><ul><li>Qui o meu coração parpita </li></ul><ul><li>Quando eu pego a rescordá. </li></ul>Foi os livro de valo Mais maió que vi no mundo, Apenas daquele auto Li o premêro e o segundo; Mas, porém, esta leitura, Me tirô da treva escura, Mostrando o caminho certo, Bastante me protegeu; Eu juro que Jesus deu Sarvação a Filisberto.
  22. 22. Depois que os dois livro eu li, Fiquei me sintindo bem, E ôtras coisinha aprendi Sem tê lição de ninguém. Na minha pobre linguage, A minha lira servage Canto o que minha arma sente E o meu coração incerra, As coisa de minha terra E a vida de minha gente. Poeta niversitaro, Poeta de cademia, De rico vocabularo Cheio de mitologia, Tarvez este meu livrinho Não vá recebê carinho, Nem lugio e nem istima, Mas garanto sê fie E não istruí pape Com poesia sem rima.
  23. 23. Cheio de rima e sintindo Quero iscrevê meu volume, Pra não ficá parecido Com a fulô sem perfume; A poesia sem rima, Bastante me disanima E alegria não me dá; Não tem sabô a leitura, Parece uma noite iscura Sem istrela e sem luá. <ul><li>Se um dotô me pergunta </li></ul><ul><li>Se o verso sem rima presta, </li></ul><ul><li>Calado eu não vou ficá, </li></ul><ul><li>A minha resposta é esta: </li></ul><ul><li>— Sem a rima, a poesia </li></ul><ul><li>Perde arguma simpatia </li></ul><ul><li>E uma parte do primô; </li></ul><ul><li>Não merece munta parma, </li></ul><ul><li>É como o corpo sem arma </li></ul><ul><li>E o coração sem amô. </li></ul>
  24. 24. Meu caro amigo poeta, Qui faz poesia branca, Não me chame de pateta Por esta opinião franca. Nasci entre a natureza, Sempre adorando as beleza Das obra do Criadô, Uvindo o vento na serva E vendo no campo a reva Pintadinha de fulô. <ul><li>Onde a ciença guverna. </li></ul><ul><li>Tudo meu é naturá, </li></ul><ul><li>Não sou capaz de gosta </li></ul><ul><li>Da poesia moderna. </li></ul><ul><li>Sou um caboco rocêro, </li></ul><ul><li>Sem letra e sem istrução; </li></ul><ul><li>O meu verso tem o chêro </li></ul><ul><li>Da poêra do sertão; </li></ul><ul><li>Vivo nesta solidade </li></ul><ul><li>Bem destante da cidade </li></ul>
  25. 25. Dêste jeito Deus me quis E assim eu me sinto bem; Me considero feliz Sem nunca invejá quem tem Profundo conhecimento. Ou ligêro como o vento Ou divagá como a lêsma, Tudo sofre a mesma prova, Vai batê na fria cova; Esta vida é sempre a mesma.
  26. 26. CORA CORALINA <ul><li>TODAS AS VIDAS </li></ul><ul><li>Vive dentro de mim </li></ul><ul><li>a mulher roceira. </li></ul><ul><li>- Enxerto de terra, </li></ul><ul><li>Trabalhadeira. </li></ul><ul><li>Madrugadeira. </li></ul><ul><li>Analfabeta. </li></ul><ul><li>De pé no chão. </li></ul><ul><li>Bem parideira. </li></ul><ul><li>Bem criadeira. </li></ul><ul><li>Seus doze filhos, </li></ul><ul><li>Seus vinte netos. </li></ul>
  27. 27. AUTOBIOGRAFIA Venho do século passado. Pertenço a uma geração ponte, entre a libertação dos escravos e o trabalhador livre. Entre a monarquia caída e a república que se instalava. <ul><li>(...) Tive uma velha mestra que já </li></ul><ul><li>havia ensinado uma geração </li></ul><ul><li>antes da minha. </li></ul><ul><li>Os métodos de ensino eram antiquados e aprendi as letras </li></ul><ul><li>em livros superados de que </li></ul><ul><li>ninguém mais fala. </li></ul>
  28. 28. (...) Nunca recebi estímulos familiares para ser literata. Sempre houve na família, senão uma hostilidade, pelo menos uma reserva determinada a essa minha tendência inata. Talvez, por tudo isso e muito mais, sinta dentro de mim, no fundo dos meus reservatórios secretos, um vago desejo de analfabetismo. <ul><li>Sobrevivi, me recompondo aos bocados, </li></ul><ul><li>à dura compressão dos </li></ul><ul><li>rígidos preconceitos do passado. </li></ul><ul><li>(...) A escola da vida me suplementou </li></ul><ul><li>as deficiências da escola primária </li></ul><ul><li>que outras o destino não me deu. </li></ul>
  29. 29. Foi assim que cheguei a este livro sem referências a mencionar. Nenhum primeiro prêmio. Nenhum segundo lugar. Nem menção honrosa. Nenhuma láurea. <ul><li>Apenas a autenticidade de minha </li></ul><ul><li>poesia arrancada aos pedaços </li></ul><ul><li>do fundo da minha sensibilidade, </li></ul><ul><li>e este anseio: </li></ul><ul><li>procuro superar todos os dias </li></ul><ul><li>minha própria personalidade </li></ul><ul><li>renovada, </li></ul><ul><li>despedaçando dentro de mim </li></ul><ul><li>tudo que é velho e morto. </li></ul>
  30. 30. MESTRA SILVINA Minha escola primária, fostes meu ponto de partida, dei voltas ao mundo. Criei meus mundos... (...) Eu era menina do banco das mais atrasadas. Eu era um casulo feio, informe, inexpressivo. E ela me refez, me desencantou. Abriu pela paciência e didática da velha mestra, cinqüentanos mais do que eu, o meu entendimento ocluso. <ul><li>A escola da Mestra Silvina... </li></ul><ul><li>(...) Tão pobre ela. Tão pobre a escola... </li></ul><ul><li>Estão presentes nos seus bancos </li></ul><ul><li>seus livros desusados, suas lousas que ninguém mais vê, </li></ul><ul><li>meus colegas relembrados. </li></ul><ul><li>Queira ou não, vejo-me tão pequena, no banco das atrasadas. </li></ul><ul><li>E volto a ser Aninha, </li></ul><ul><li>aquela em que ninguém acreditava. </li></ul>
  31. 31. CORA CORALINA - Mulher simples, doceira de profissão, viveu longe dos grandes centros urbanos. Escreveu seus primeiros textos aos quatorze anos de idade, publicando-os nos jornais locais apesar da pouca escolaridade, uma vez que cursou somente as primeiras quatro séries. Viúva com três filhos, vendeu livros em São Paulo, mudou-se para Penápolis (SP), passou a vender lingüiça caseira e banha de porco que ela mesma preparava. Em 1956, retornou para Goiás. Sua poesia foi conhecida por Carlos Drumond de Andrade. Aos 75 anos publicou seu primeiro livro, Poemas dos Becos de Goiás (1965). <ul><li>NÃO SEI... </li></ul><ul><li>Mas sei que nada do que vivemos </li></ul><ul><li>tem sentido, </li></ul><ul><li>se não tocarmos o coração das pessoas. </li></ul>Picasso
  32. 32. PATATIVA DO ASSARÉ - foi um poeta popular, compositor, cantor e improvisador brasileiro. A voz do sertanejo nordestino, dos trabalhadores rurais, de todos os injustiçados, marginalizados e oprimidos. Sua família vivia da agricultura de subsistência, cedo ficou cego de um olho por causa de uma doença. Seu pai faleceu quando tinha oito anos de idade, passou a ajudar sua família no cultivo das terras. Aos doze anos, freqüenta a escola local por apenas alguns meses onde é alfabetizado. <ul><li>Mesmo antes disso já compunha versos próprios, que ele decorava. </li></ul><ul><li>Ganha a sua primeira viola de sua mãe, a os dezesseis anos, com a venda de uma ovelha. </li></ul><ul><li>A bandonou os estudos na 4ª série, alegando ser a escola totalmente sem importância; pois, segundo ele, &quot;a professora falava muita besteira&quot;. </li></ul><ul><li>Sua poesia, embora enraizada no sertão nordestino, é ao mesmo tempo universal por representar o sentimento de uma classe social com a autenticidade de quem é ‘do povo’. </li></ul>
  33. 33. MEU ESTADO DE LETRAMENTO ATUAL: Depoimentos de Acadêmicos de Pedagogia <ul><li>Se as professoras não só da minha alfabetização tivessem me ensinado a ler e escrever... A leitura é fundamental para o desenvolvimento cognitivo; uma nova visão de mundo. </li></ul><ul><li>Eu me encontro no meio do processo de alfabetização / letramento. Só produz quem lê muito. </li></ul><ul><li>Meu nível de letramento hoje se dá de maneira como de um indivíduo que está sendo alfabetizado. Por vir de uma escola em que o método de ensino se fazia através da repetição e memorização. Fui alvo do iletrismo. Aceito para mim a busca desse acabamento. Busca de um melhor entendimento através da leitura e observação para fazer paralelo entre teoria e prática. </li></ul>
  34. 34. <ul><li>A boa leitura se consegue através da prática. Comecei a ler livros com número de páginas maiores, principalmente entendendo o que está sendo lido... </li></ul><ul><li>Pegava um livro e acabava deixando pelo meio do caminho... Ler e socializar o entendido; preciso exercitar mais a escrita, pegar os textos e extrair meu entendimento através da escrita, não posso enfraquecer. </li></ul><ul><li>Preciso administrar melhor meu tempo para leituras de estudo e complementares em detrimento de passeios noturnos. </li></ul>
  35. 35. <ul><li>Ao fazer a leitura de um texto, tenho que reler até que eu consiga entender qual a idéia do texto. É trabalhoso ler, mas considero uma atividade prazerosa. </li></ul><ul><li>Comecei a entender a importância da leitura, tinha uma visão muito “exatista” das coisas. Superar com uma leitura mais profunda, parágrafo por parágrafo de forma que fique mais claro. Tenho que ler utilizando a voz, e retornar ao ponto de confusão no texto. </li></ul>
  36. 36. <ul><li>Quando vou escrever fico perdida, como começar, posso superar essa dificuldade treinando a escrita e lendo mais livros e revistas, a preguiça me impede, mas, esse ano já consegui superar muito essa questão da leitura. </li></ul><ul><li>A leitura é bem mais complexa, muitos textos requerem bastante atenção, comprometimento e doação. Quando leio um texto preciso reler duas ou mais vezes, ao longo da leitura procuro fazer anotações da idéia central de um parágrafo e outro e, suas idéias subjacentes. Posso concluir que nunca estamos totalmente prontos, sempre há o que se buscar. As dificuldades estão aí para serem superadas. </li></ul><ul><li>Minha maior dificuldade é a oralidade. Fico insegura, procuro ficar calma e fazer ensaios do que vou falar. Quanto à escrita, ainda levo um tempo para organizar idéias e escrevê-las. A vida acadêmica me faz buscar mais, só tenho a crescer e vencer as barreiras. </li></ul>
  37. 37. Acadêmicos de Pedagogia – 2º. Semestre 2008 - <ul><li>ESCREVER - 60% </li></ul><ul><li>LER - 50% </li></ul><ul><li>FALAR - 30% </li></ul>As Maiores FACILIDADES <ul><li>LER - 50% </li></ul><ul><li>ESCREVER - 30% </li></ul><ul><li>FALAR - 20% </li></ul>As Maiores DIFICULDADES
  38. 38. <ul><li>Quais são as nossas facilidades? </li></ul><ul><li>Quais são as nossas dificuldades? </li></ul><ul><li>Como pensamos em superar? </li></ul>

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