A Magia das Aprendizagens

3.045 visualizações

Publicada em

Relação entre imagens, contos, emoções, sentimentos, oralidade, leitura e escrita. Algumas questões nortearam o mini-curso durante a V Semana de Pedagogia que mediei em setembro de 2009. Que história tornou-se importante em sua vida? Como você reescreve-a? Qual a cara do "monstro"? E da magia e de encantados?

Publicada em: Educação
0 comentários
1 gostou
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
3.045
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
295
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
29
Comentários
0
Gostaram
1
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

A Magia das Aprendizagens

  1. 1.
  2. 2. Filho Meu - Toquinho<br />Vem, filho meu,Me leva nessa estradaDe anões, dragões e fadasQue habitam teu quintal.<br />Vem, filho meu,Papai está tão sozinho,Me ensina teu caminho em que o bemVence eternamente o mal.<br />Me dá a tua mão,Me leva passear.No teu mundo encantadoO bicho papão não vai pegar.<br />Vem, filho meu,Vem me fazer contente.Que a vida raramenteConvida a gente pra brincar.<br />
  3. 3.
  4. 4. De que modo ela entrou em sua vida?<br />
  5. 5.
  6. 6.
  7. 7. As figuras são a ferocidade encarnada ou a benevolência altruísta.<br />Cada figura é essencialmente unidimensional.<br />Totalmente devorador ou totalmente prestativo.<br />Ordenar sentimentos – a vida interna.<br />Dar um sentido. Criar símbolos.<br />
  8. 8. Personagens essenciais no desenvolvimento psíquico da criança<br /> Ler não é o mesmo que ouvir de alguém a história. Enquanto lê sozinha a criança pensa que só algum estranho – a pessoa que escreveu a história ou arranjou o livro – aprova a retaliação do gigante e sua frustração.<br />Adultos ou gigantes ameaçadores.<br />Mães – Madrastas ou bruxas.<br />Galanteadores vorazes ou lobos.<br /> Representação simbólica que a criança utiliza para lidar com a realidade.<br />
  9. 9. Fata – Fatum – Fato – Fada(deusa do destino)<br />IDferas, bruxas e lobos, gigantes malvados e dragões: a nossa natureza animal - energia natural.<br />SUPEREGOanimais sábios e prestativos, fadas, pássaros brancos...<br />
  10. 10. QUATRO FASES<br />A travessia que leva o herói ou heroína a um lugar diferente, cheio de magia e fantasia.<br />O encontro com a presença diabólica, que pode ser uma bruxa, uma madrasta má ou alguma outra figura com características malévolas. <br />A conquista, no qual o herói ou heroína irá participar de uma luta de vida ou morte com a figura malévola do conto, que resultará na morte desta última.<br />A celebração, onde haverá um casamento ou uma reunião de família em que estarão comemorando a morte da figura malévola e todos então, poderão viver felizes para sempre.<br />
  11. 11. Histórias irreais não são falsas. Os contos concentram-se nos processos de mudanças mais do que na felicidade conseguida no final.<br />Caminhos espinhosos são modificados ao caminhar...<br />Apontam um futuro melhor.<br />
  12. 12. RELEITURA<br />Shrek (2001) é uma anárquica releitura dos contos de fada, onde um ogro brutamontes (com coração de ouro) junta-se a um jumento falante para entregar uma princesa emancipada a um príncipe pequeno.<br />
  13. 13. RELEITURAS<br />“À esquerda uma foto que eu bati da janela do carro, na Serra da Graciosa no Paraná, (set. 2009), as belas flores em velocidade me fizeram lembrar de Monet e Paul Klee...”. Bela Viagem!<br />
  14. 14. ILUMINISMO<br />Registra as tonalidades que os objetos adquirem ao refletir a luz solar num determinado momento.<br />As figuras não tem contornos nítidos, pois a linha é uma abstração do ser humano para representar imagens.<br />As sombras podem ser luminosas e coloridas, tal como é a impressão visual que nos causam, e não escuras ou pretas.<br />As cores e tonalidades – é o observador que, ao admirar a pintura, combina as várias cores, obtendo o resultado final. A mistura deixa de ser técnica para se ótica.<br />
  15. 15.
  16. 16. Rapunzel<br /> Na retextualização, a criança adapta a linguagem de acordo com a sua compreensão. Uma menina (5 anos) reconta da seguinte maneira: “...aí quando o príncipe chegou, ficôtisti e furô o olho com um pauzinho...”.<br /> Na história, a bruxa empurrou o príncipe do alto da torre sobre os espinhos que o cegaram. Esses foram “vistos” como pauzinhos que furam.<br />
  17. 17. A história deve ser nova a ela de forma que deixe fluir sua imaginação, curiosidade e inquietação, seus saberes e criatividade para que possamos juntos re-olhar a cena a partir de seu foco.<br />Contar histórias sem recursos materiais, observar o que a criança sente, relaciona, re-cria. <br />
  18. 18. O Peru de Peruca - Sonia Junqueira<br /> Na representação...<br /> Uma menina de quase seis anos desenhou uma careta acima da cabeça do peru de peruca. Quando questionada disse ser “a cara da fera”.<br />
  19. 19. O Reizinho Mandão, de Ruth Rocha<br /> O destaque...<br /> Era uma vez um sapo cheio de bolinhas. E aí o rei diz: ‘cala a boca’. E a menina falou: ‘cala a boca”. E ele, o rei, parou de falar.<br />Por uma menina de 4 anos<br />
  20. 20. O Reizinho Mandão (releitura de um menino tímido de 8 anos)<br />O rei morreu e o filho colocou as regras. E todo mundo esqueceu como se falava. O rei ficou até feliz. E ficou enjoado de tanto silêncio.<br /> Foi procurar em outro país alguém para ajudar ele. Encontrou um velhinho. O velho colocou o dedo no nariz e falou como desfazer a maldição.<br /> E ele foi procurar no reino. Portas e janelas fechadas. Uma porta foi abrindo devagarinho, devagarinho, e a velha com cara desconfiada virou o rosto. O rei mal-educado achou uma menina lá no fundo da casa.<br /> Ficou perturbando a menina, que disse: “cala a boca seu pai já morreu, quem manda na minha boca sou eu”.<br /> Ele saiu do reino e foi transformado em sapo e só o beijo de uma princesa poderia desencantá-lo e deu seu reino p’ro primo.<br />
  21. 21. O Reizinho Mandão(menino de 10 anos)<br />Produziu inquietações no mediador, pelas respostas diferentes da esperada.<br />Por que a criança preferiu desenhar ao invés de recontar?<br />As menores ao contrário colocam-se mais à vontade no reconto.<br />
  22. 22. O lobo e os sete cabritinhos(menino de 3 anos)<br /> “O lobo mau pintou a mão com tinta e soprou a casa dos filhotes. E o filhotes correram, mas, o lobo bebeu água e morreu. E acabou a história”. <br /> A criança introduziu o sopro do lobo. Perguntou o que eram cabritinhos e optou por “filhotes”. Quis saber porque a mãe cabra abriu a barriga do lobo e se havia sangue dentro do lobo nesse momento. As acadêmicas preocuparam-se em compreender por que algumas situações são mais significativas. A imaginação daquele que ouve história possibilita a interlocução entre contador e ouvinte. “Sentimos calor humano que o contar proporciona”.<br />
  23. 23. O pequeno polegar (menina de 5 anos)<br />A mãe deles estavam muito triste, porque eles tinham sete filhos, porque eles eram muito pobres. O pequeno polegar estava escondido, daí o pai resolveu deixar as crianças na floresta, daí o pequeno polegar ouviu tudo. Daí ele pegou os pãezinhos, daí eles voltaram para casa deles, mas, os passarinhos comeram tudinho.<br />À noite, viram o castelo muito grande. A mulher falou, aqui é o castelo do gigante, pode entrar, tem lugar p&apos;ra todos vocês! Vou esconder vocês debaixo da minha cama.<br />
  24. 24. Daí a mulher disse pro gigante: vamos comer o nosso almoço, essas crianças são muito &quot;fininhas&quot; e não dá p&apos;ra comer.<br />Daí ele colocou a coroa na filha dele e célebro nas crianças. Daí as crianças escaparam. Ele ficou escorado no pé de uma árvore.<br />As crianças pegaram a bota mágica, ela foi aumentando e eles fugiram. Daí, o pequeno polegar virou carteiro.<br />Daí, ele deu p&apos;ra todo mundo da cidade.<br />
  25. 25. A Lenda da Mandioca (menino de 8 anos)<br />Disse que não recontaria porque tudo o que falasse poderia ser usado contra a sua pessoa. <br />Para descontrai-lo, o mediador conversava sobre uma criança comprando pão para sua mãe em lugar próximo da casa dela.<br />O menino interveio dizendo tratar-se de uma “improbidade administrativa”. O mediador ficou mais boquiaberto.<br />A competência do falante desvela o locus de onde vem. Quais são suas palavras-mundo?<br />Aceitou desenhar...<br />
  26. 26. Em seu desenho e escrita, demonstrou-se surpreso ao perceber que a palavra “oca” estivesse “dentro” da palavra “mandioca”.<br />
  27. 27. Reconto – Releitura – ReescritaRe-Olhares - Mediações<br />Existe uma significativa relação entre o que o educando é capaz de elaborar e sua história de vida, na fase do desenvolvimento em que se situa.<br />Correlativamente, novas aprendizagens mantêm estreita ligação com os conhecimentos prévios do aluno.<br />O educador, enquanto mediador do conhecimento, traz ao contexto da relação pedagógica compreensões e elaborações próprias daqueles conhecimentos.<br />
  28. 28. ASSIM SE CONSTRÓICONTINUAMENTEAS COMPETÊNCIASDAQUELE QUE ENSINADAQUELE QUE APRENDE...<br />

×