Nr 10 e 18 em canteiro de obras

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Os trabalhadores devem ser informados sobre a origem dos riscos e perigos
decorrentes do emprego da eletricidade. Dessa forma devem possuir noções das normas de
execução de serviços onde envolve eletricidade e também instruídos de reportar aos
encarregados que encaminham aos eletricistas os serviços solicitados. Recomenda-se que os
eletricistas recebam instrução de apenas uma pessoa na obra de modo a organizar o serviço e
planejar corretamente as etapas sem improvisações.

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Nr 10 e 18 em canteiro de obras

  1. 1. UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS EXATAS E ENGENHARIAS Curso de Pós Graduação Lato Sensu em Engenharia de Segurança do Trabalho HENRIQUE CERETA LOPES ANÁLISE DA APLICAÇÃO E ATENDIMENTO ÀS NORMAS REGULAMENTADORAS NR-10 E NR-18 EM CANTEIROS DE OBRAS COM RELAÇÃO AOS SERVIÇOS DE ELETRICIDADE Santa Rosa/RS 2011
  2. 2. 2 HENRIQUE CERETA LOPES ANÁLISE DA APLICAÇÃO E ATENDIMENTO ÀS NORMAS REGULAMENTADORAS NR-10 E NR-18 EM CANTEIROS DE OBRAS COM RELAÇÃO AOS SERVIÇOS DE ELETRICIDADE Monografia do Curso de Pós Graduação Lato Sensu em Engenharia de Segurança do Trabalho apresentado como requisito parcial para obtenção de título de Engenheiro de Segurança do Trabalho Orientador: Prof. Ms. Cristina Eliza Pozzobon Santa Rosa/RS 2011
  3. 3. 3 HENRIQUE CERETA LOPES ANÁLISE DA APLICAÇÃO E ATENDIMENTO ÀS NORMAS REGULAMENTADORAS NR-10 E NR-18 EM CANTEIROS DE OBRAS COM RELAÇÃO AOS SERVIÇOS DE ELETRICIDADE Monografia defendida e aprovada em sua forma final pelo professor orientador e pelo membro da banca examinadora Banca examinadora ________________________________________ Prof. Ms. Cristina Eliza Pozzobon - Orientadora ________________________________________ Prof. Esp. Fernando Wypyszynski Santa Rosa, 17 dezembro de 2011
  4. 4. 4 AGRADECIMENTOS Agradeço a meu pai Ibá, minha mãe Vera, minha irmã Amanda, meus avós Belino e Ilda e tio Elton pelo apoio em todos os momentos. Agradeço à professora Cristina pela confiança, orientação e conhecimento transmitido. Agradeço aos colegas do curso de Engenharia de Segurança do Trabalho, pela amizade e companheirismo ao longo do curso e também aos demais professores que contribuíram com um pouco de seus conhecimentos e experiências nos preparando para as diversas situações que encontraremos em nossa carreira.
  5. 5. 5 RESUMO Os canteiros de obras ainda necessitam de maior segurança para os seus trabalhadores uma vez que a construção civil é um mercado em alta e é umas das atividades que mais se registra acidentes de trabalho. Os acidentes ocorrem apesar de a construção, ao longo dos anos, vir se aprimorando, com diferentes métodos de construção, novos equipamentos e a utilização de novas tecnologias e materiais. Uma das justificativas pode ser a falta de mão-de- obra qualificada para atender toda a demanda da atividade. Com o objetivo de avaliar e propor melhorias para essa situação, este trabalho traz um estudo de campo onde se verificou como as empresas tratam o assunto de segurança do trabalho nos canteiros de obras. Nesse trabalho a atenção é dada para os serviços de eletricidade, cujas instalações provisórias segundo as normas regulamentadoras (NR-10 e NR-18) apresentam algumas recomendações para que os trabalhadores tenham mais segurança e realizem um serviço de maior qualidade. Com esse trabalho concluiu-se que o setor ainda carece de mais atenção dos empregadores, trabalhadores e profissionais da Segurança do Trabalho visto que os canteiros de obras visitados apresentam desconformidades que podem se tornar focos de acidentes de natureza elétrica. Palavras-chave: Canteiros de obras, instalações elétricas provisórias, normas regulamentadoras.
  6. 6. 6 LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Andaime próximo à rede elétrica.............................................................................20 Figura 2 - Emenda de continuidade..........................................................................................21 Figura 3 - Condutores enterrados protegidos e proteção mecânica de ligação de curta duração. ..........................................................................................................................................21 Figura 4 - Passagem de veículos e máquinas. ..........................................................................22 Figura 5 - Tipos de aterramentos..............................................................................................23 Figura 6 - Equipamento e tomada com pino de terra e símbolo de identificação de dupla isolação.............................................................................................................................23 Figura 7 - Capacete de segurança e suspensão.........................................................................25 Figura 8 - Calçados de segurança.............................................................................................26 Figura 9 - Luva de borracha e luvas de vaqueta, respectivamente...........................................26 Figura 10 – Modelo de óculos de proteção. .............................................................................27 Figura 11 - Cinturão de segurança e talabarte..........................................................................27 Figura 12 - Detectores de tensão. .............................................................................................28 Figura 13 - Cone de sinalização, com STROBO e fita zebrada. ..............................................28 Figura 14 - Aterramento temporário.........................................................................................29 Figura 15 - Placas de sinalização..............................................................................................29 Figura 16 - Tapete de borracha isolante. ..................................................................................30 Figura 17 - Potencial ou tensão de passo..................................................................................32 Figura 18 - Potencial ou tensão de toque..................................................................................33 Figura 19 - Forma de uma fibrilação ventricular......................................................................35 Figura 20 - Edificação em alvenaria convencional. .................................................................37 Figura 21 - Instalações elétricas definitivas. ............................................................................37 Figura 22 - Edificação em alvenaria estrutural.........................................................................38 Figura 23 - Sinalização para o uso de EPI’s.............................................................................38 Figura 24 - Instalação sob atrito fixada em dutos metálicos. ...................................................42 Figura 25 - Emenda de aterramento com contato elétrico inadequado. ...................................42 Figura 26 - Emenda e derivação de condutores de mesma capacidade de condução de corrente.............................................................................................................................43 Figura 27 - Circuitos de iluminação das escadas e de área de circulação. ...............................44 Figura 28 - Emenda coberta de cimento e emenda protegida contra umidade incorretamente. ..........................................................................................................................................44 Figura 29 - Lâmpada sem proteção contra impactos acidentais...............................................45 Figura 30 - Quadro de acionamento do elevador. ....................................................................46 Figura 31 - Acionamento individual de betoneira e serra circular. ..........................................47
  7. 7. 7 Figura 32 - Quadros de entrada de energia principal. ..............................................................47 Figura 33 - Quadros com disjuntores de proteção....................................................................49 Figura 34 - Quadros sem dispositivos ou chaves de proteção..................................................49 Figura 35 - Rede interna em BT para a obra e detalhe de sua fixação.....................................50 Figura 36 - Entradas de energia dos canteiros de obras. ..........................................................50 Figura 37 - Betoneiras sem o aterramento................................................................................51 Figura 38 - Ferramentas manuais com dupla isolação. ............................................................52 Figura 39 - Condutores conectados à tomada sem plugue e equipamento desconectado quando fora de uso. .......................................................................................................................53
  8. 8. 8 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Graus de risco da indústria da construção...............................................................16 Tabela 2 - Especificação das luvas conforme a classe e a tensão. ...........................................26 Tabela 3 - Efeitos e sensações da corrente no corpo humano..................................................34
  9. 9. 9 LISTA DE SIGLAS E SÍMBOLOS ART – Anotação de Responsabilidade Técnica CA – Certificado de Aprovação CIPA – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes CNAE – Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNPJ – Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica DDR – Dispositivo Diferencial Residual EPC – Equipamento de Proteção Coletiva EPI – Equipamento de Proteção Individual GR – Grau de Risco mA – mili Ampère mm - milímetro MTE – Ministério do Trabalho e do Emprego NIOSH – National Institute for Occupational Safety and Health (Instituto Nacional de Segurança e Saúde Ocupacional) NR – Norma Regulamentadora OSHA – Occupational Safety & Health Administration (Administração de Segurança e Saúde Ocupacional) PCMAT – Programa de Condições e Meio Ambiente do Trabalho na Indústria da Construção PPRA – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais SESMT – Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho VCA – Volt Corrente Alternada
  10. 10. 10 SUMÁRIO INTRODUÇÃO ......................................................................................................................11 1 SERVIÇOS DE ELETRICIDADE EM CANTEIRO DE OBRAS – UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA..............................................................................................14 1.1 NR – 18 – PROGRAMA DE CONDIÇÕES E MEIO AMBIENTE DO TRABALHO NA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO...............................................................................14 1.1.1 Objetivos do PCMAT .......................................................................................15 1.1.2 Graus de riscos das atividades de construção.................................................15 1.2 NR – 10 – SEGURANÇA EM INSTALAÇÕES E SERVIÇOS EM ELETRICIDADE .................................................................................................................17 1.3 INSTALAÇÕES ELÉTRICAS PROVISÓRIAS.......................................................17 1.3.1 Riscos elétricos em canteiros de obras ............................................................18 1.3.2 Recomendações de segurança ..........................................................................19 1.3.3 Capacitação do eletricista.................................................................................24 1.3.4 Equipamentos de proteção individual.............................................................24 1.3.5 Equipamentos de proteção coletiva .................................................................27 1.4 CHOQUE ELÉTRICO...............................................................................................30 1.4.1 Choque dinâmico...............................................................................................31 1.4.2 Choque estático..................................................................................................33 1.4.3 Efeitos fisiológicos causados pela eletricidade................................................33 2 ESTUDOS DE CASOS – ANÁLISES DOS SERVIÇOS DE ELETRICIDADE EM CANTEIROS DE OBRAS.....................................................................................................36 2.1 CARACTERIZAÇÃO DOS CANTEIROS DE OBRAS ..........................................36 2.2 QUESITOS VERIFICADOS NA ANÁLISE DE CAMPO.......................................38 2.3 ANÁLISE DAS CONDIÇÕES OBSERVADAS DE ACORDO COM A NR-18....40 2.4 ANÁLISE E RECOMENDAÇÕES...........................................................................53 CONCLUSÕES.......................................................................................................................55 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................................57
  11. 11. 11 INTRODUÇÃO A construção civil é uma das atividades mais destacadas na atualidade e também é uma das mais antigas do mundo. Ao longo do tempo, foi sofrendo modificações, com mudança de processos, técnicas de projeto, utilização de novos materiais e equipamentos. No mundo é possível destacar diversas obras que representam e retratam a evolução dos processos construtivos devido ao seu projeto, beleza, imponência e custos (Sampaio, 1998). O que muitas vezes não é levado em consideração, ofuscada pela importância da obra, é a perda de vidas humanas provocadas por acidentes de trabalho e doenças. Ocorrências que se dão por um controle deficiente dos riscos no ambiente de trabalho e falta de orientação dos operários quanto ao processo e medidas de segurança nos canteiros de obras. Objetivos Este trabalho tem por objetivo fazer uma análise prática da aplicação e do atendimento às Normas Regulamentadoras NR-10 e NR-18 em dois canteiros de obras. Busca-se através de estudos realizados em campo verificar as conformidades das medidas de segurança recomendadas pelas Normas Regulamentadores em questão. O foco principal se dá sobre a segurança em relação aos serviços de eletricidade em obras da construção civil para que seja possível avaliar o nível de comprometimento por parte das empresas construtoras e como essas empresas abordam o tema em suas áreas de trabalho. O trabalho ainda busca ressaltar a importância do cumprimento da legislação de Segurança e Medicina do Trabalho.
  12. 12. 12 Justificativa A construção civil é um setor que está em grande evidência no mercado e apresenta perspectivas de se manter aquecido ainda pelos próximos anos. O principal motivo é o crescimento da economia nacional e os incentivos dados pelo governo. O setor demonstra um grande aumento da demanda, o que ao mesmo tempo identificou a deficiência de mão de obra qualificada e a falta de materiais. Os trabalhadores desse setor devem ser amparados pela legislação uma vez que estão expostos a riscos variados e nem sempre possuem equipamentos e condições de segurança eficazes para desenvolver suas atividades. Cabe às empresas buscar se adequar às recomendações das normas regulamentadoras vigentes a fim de proporcionar condições seguras e salubres e ao mesmo tempo estarem preparadas para as eventuais fiscalizações do Ministério do Trabalho e Emprego. Dessa forma, os serviços de Segurança e Medicina do Trabalho tendem a cada vez mais serem solicitados pelas empresas quaisquer sejam as suas atividades exercidas. Isso se dá devido à legislação que determina a necessidade de profissionais especializados na área. Esses profissionais são habilitados para trabalhar visando analisar e prevenir riscos e acidentes e, com a aplicação da técnica, preservar a saúde dos trabalhadores e o ambiente de trabalho. Metodologia A metodologia aplicada nesse trabalho pode ser descrita como bibliográfica, qualitativa e aplicada. O trabalho de pesquisa em questão é considerado um estudo de caso com registro sob forma de anotações e registros fotográficos obtidos in loco. Considera-se bibliográfica, pois traz ao longo do desenvolvimento do trabalho conceitos devidamente pesquisados e publicados seguindo um embasamento técnico e teórico. É qualitativa, pois consiste em pesquisar, analisar, interpretar e comparar as normas regulamentadoras pertinentes ao estudo, bem como a consulta e análise de outras fontes que abordam o assunto da Segurança e Medicina do Trabalho nos canteiros de obras. E finalmente trata-se de uma metodologia aplicada, pois se busca verificar na prática o atendimento às normas regulamentadoras 10 e 18 quantos aos serviços de eletricidade em canteiros de obras. Isso permite a aplicação dos conhecimentos adquiridos ao longo do curso de Engenharia de Segurança do Trabalho através de levantamentos de informações e
  13. 13. 13 observações realizadas em campo. De certa forma já proporciona uma pequena parcela de experiência quanto à análise das condições de trabalho que são encontradas nas empresas. Organização do trabalho A introdução descreve o tema do trabalho apresentando o problema e delimitando a sua abrangência. O capítulo 1 (um) traz uma revisão bibliográfica relacionada ao assunto visando à introdução de conceitos em relação às Normas Regulamentadoras em questão, instalações provisórias, choques elétricos, seus efeitos e a orientação do estudo. No capítulo 2 (dois) apresenta-se a análise realizada em campo, com os quesitos a serem analisados, as informações obtidas nos canteiros de obras visitados e as recomendações pertinentes. Por fim, as conclusões que realizam as considerações e avaliações dos resultados obtidos nessa etapa do estudo.
  14. 14. 14 1 SERVIÇOS DE ELETRICIDADE EM CANTEIRO DE OBRAS – UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Este capítulo realiza uma revisão bibliográfica, que tem por objetivo apresentar o contexto em que o estudo está inserido. Também busca fornecer conhecimentos para que se tenha uma melhor compreensão do que deve ser aplicado das normas NR-10 e NR-18, em relação aos serviços de eletricidade nos canteiros de obras. 1.1 NR – 18 – PROGRAMA DE CONDIÇÕES E MEIO AMBIENTE DO TRABALHO NA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO O PCMAT é um programa voltado à segurança e saúde dos trabalhadores da indústria da construção e seus requisitos estão contidos na NR-18 do MTE. Sua implantação se torna obrigatória quando os estabelecimentos contam com 20 ou mais trabalhadores. O programa serve como ponto de partida para que se implemente um Sistema de Gestão da Segurança do Trabalho, que vise à diminuição ou mesmo à eliminação dos acidentes nas etapas do processo da produção. Cada etapa da obra deve ser planejada e descrita, identificando-se os modos mais seguros de realizar o trabalho. Tal diagnóstico permitirá conhecer caminhos que possibilitem a melhoria da qualidade e o aumento da produtividade (Sampaio, 1998). O PCMAT deve contemplar as exigências contidas da NR-9 que aborda o PPRA, pois para que ações de melhoria das condições do ambiente de trabalho sejam realizadas é necessário conhecer os demais riscos (Sampaio, 1998). Nesse caso, conforme a NR-9, consideram-se os riscos físicos (ruído, vibrações, pressões anormais, temperaturas extremas, radiações ionizantes, radiações não ionizantes, bem como o infra-som e o ultra-som), químicos (poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases ou vapores) e biológicos (bactérias, fungos, bacilos, parasitas, protozoários, vírus). Em sua elaboração é muito importante o envolvimento de diversos profissionais que possuem responsabilidade direta pelo sucesso do programa: direção, gerentes, engenheiros, técnicos, médicos, projetistas, orçamentistas, mestres-de-obras e encarregados. Dessa forma cada um aplica os seus conhecimentos técnicos e administrativos, suas visões para cada quesito de acordo com suas experiências fazendo com que haja comprometimento e motivação de todos no planejamento e execução do programa.
  15. 15. 15 Na administração do programa é necessário que o mesmo se estenda a todos os níveis da empresa fazendo com que ocorra a integração entre os setores e que todos tenham em mente a importância da segurança e a saúde no trabalho. Com isso caminha-se para o êxito na implantação do programa preventivo. No entanto, Saurin (1997) salienta que a norma ainda necessita de receber maior ênfase nas medidas de caráter gerencial, complementando a abordagem tecnológica. O cumprimento da norma em sua totalidade não é suficiente para reduzir significativamente os acidentes de trabalho, devendo-se encarar a norma como um requisito básico a ser atendido. Dessa forma é defendido que o PCMAT é a melhor oportunidade de inclusão das medidas gerenciais. Por outro lado, em seu estudo Saurin aponta que esta é uma realidade distante, pois o PCMAT é elaborado apenas com a finalidade de atender à legislação, sem corresponder com as realidades das obras. 1.1.1 Objetivos do PCMAT Resumidamente os objetivos tratam-se da prevenção dos riscos e a informação e treinamento dos trabalhadores a fim de reduzir ocorrência de acidentes e diminuir suas consequências quando produzidos. Ressalta-se que o programa deve obedecer as demais normas de segurança além de proporcionar a integração entre a segurança, o projeto e a execução da obra (Sampaio, 1998). Entre os objetivos gerais do PCMAT pode-se citar: ü Garantir a saúde e a integridade dos trabalhadores; ü Definir atribuições, responsabilidades e autoridade ao pessoal que administra, desempenha e verifica atividades que influem na segurança e que intervêm no processo produtivo; ü Fazer a revisão dos riscos que derivam do processo de execução da obra; ü Determinar as medidas de proteção e prevenção que evitem ações e situações e risco; ü Aplicar técnicas de execução que reduzam ao máximo possível esses riscos de acidentes e doenças. 1.1.2 Graus de riscos das atividades de construção Cada tipo de serviço executado na indústria da construção possui um grau de risco específico. Essa classificação determina o dimensionamento do SESMT e da CIPA da
  16. 16. 16 empresa, que são responsáveis pela atuação sobre a Segurança e Medicina do Trabalho. O número a ser seguido é o da CNAE, que consta nos quadros da NR-4 que busca descrever as atividades atribuídas à empresa através da consulta do seu CNPJ. A tabela 1 é parte do Quadro I da NR-4 e trata exclusivamente da CNAE dos serviços executados na indústria da construção e os respectivos graus de risco. Tabela 1 - Graus de risco da indústria da construção. Código Denominação GR F CONSTRUÇÃO 41 CONSTRUÇÃO DE EDIFÍCIOS 41.1 Incorporação de empreendimentos imobiliários 41.10-7 Incorporação de empreendimentos imobiliários 1 41.2 Construção de edifícios 41.20-4 Construção de edifícios 3 42 OBRAS DE INFRA-ESTRUTURA 42.1 Construção de rodovias, ferrovias, obras urbanas e obras-de-arte especiais 42.11-1 Construção de rodovias e ferrovias 4 42.12-0 Construção de obras-de-arte especiais 4 42.13-8 Obras de urbanização - ruas, praças e calçadas 3 42.2 Obras de infra-estrutura para energia elétrica, telecomunicações, água, esgoto e transporte por dutos 42.21-9 Obras para geração e distribuição de energia elétrica e para telecomunicações 4 42.22-7 Construção de redes de abastecimento de água, coleta de esgoto e construções correlatas 4 42.23-5 Construção de redes de transportes por dutos, exceto para água e esgoto 4 42.9 Construção de outras obras de infra-estrutura 42.91-0 Obras portuárias, marítimas e fluviais 4 42.92-8 Montagem de instalações industriais e de estruturas metálicas 4 42.99-5 Obras de engenharia civil não especificadas anteriormente 3 43 SERVIÇOS ESPECIALIZADOS PARA CONSTRUÇÃO 43.1 Demolição e preparação do terreno 43.11-8 Demolição e preparação de canteiros de obras 4 43.12-6 Perfurações e sondagens 4 43.13-4 Obras de terraplenagem 3 43.19-3 Serviços de preparação do terreno não especificados anteriormente 3 43.2 Instalações elétricas, hidráulicas e outras instalações em construções 43.21-5 Instalações elétricas 3 43.22-3 Instalações hidráulicas, de sistemas de ventilação e refrigeração 3 43.29-1 Obras de instalações em construções não especificadas anteriormente 3 43.3 Obras de acabamento 43.30-4 Obras de acabamento 3 43.9 Outros serviços especializados para construção 43.91-6 Obras de fundações 4 43.99-1 Serviços especializados para construção não especificados anteriormente 3 Fonte: NR-4 (1978)
  17. 17. 17 1.2 NR – 10 – SEGURANÇA EM INSTALAÇÕES E SERVIÇOS EM ELETRICIDADE A NR-10 é uma norma que tem por objetivo garantir a segurança e a saúde de todos os trabalhadores, tanto os que trabalham diretamente com a energia elétrica quanto os que a usam para o seu trabalho. Desta forma ela abrange: ü A segurança em instalações elétricas nos locais de trabalho e ü A segurança em serviços de eletricidade. Sua última atualização ocorreu no dia 7 de dezembro de 2004 através da publicação da Portaria nº 598 do MTE o que, segundo Cunha (2010), é um marco para a engenharia das instalações elétricas no Brasil. Essa publicação acarretou na mudança na forma de projetar, executar e manter as instalações elétricas e de se realizar serviços de eletricidade. Em seu subitem 10.1.2 a norma delimita a sua abrangência nas atividades: se aplica às fases de geração, transmissão, distribuição e consumo, incluindo as etapas de projeto, construção, montagem, operação, manutenção das instalações elétricas e quaisquer trabalhos realizados nas suas proximidades, observando-se as normas técnicas oficiais estabelecidas pelos órgãos competentes e, na ausência ou omissão destas, as normas internacionais cabíveis. Em todas as intervenções em instalações elétricas devem ser adotadas medidas preventivas de controle do risco elétrico e de outros riscos adicionais, mediante técnicas de análise de risco, de forma a garantir a segurança e a saúde no trabalho e que as medidas de controle adotadas devem integrar-se às demais iniciativas da empresa, no âmbito da preservação da segurança, da saúde e do meio ambiente do trabalho. De acordo com Cunha (2010) as instalações elétricas nos locais de trabalho devem ser adequadas às características do local, as atividades exercidas e os equipamentos de utilização. As medidas de proteção e componentes da instalação devem ser especificados de acordo com as influências externas como: presença de água, corpos sólidos, competências das pessoas que usam a instalação, resistência elétrica do corpo humano, natureza das matérias processadas ou armazenadas, ou outro fator que possa potencializar o risco elétrico. 1.3 INSTALAÇÕES ELÉTRICAS PROVISÓRIAS Segundo a FUNDACENTRO (2007), o choque elétrico é uma das principais causas de acidentes graves e fatais. Isto se dá em decorrência da falta de projeto adequado, de dificuldades na execução e na manutenção das instalações elétricas temporárias dos canteiros
  18. 18. 18 de obras. As instalações elétricas, na maioria das vezes, são executadas por profissionais não qualificados, gerando com isso situações de extrema gravidade para a segurança dos trabalhadores, dos equipamentos e das instalações. Alencar (2003) afirma que as instalações elétricas provisórias são utilizadas para a utilização de máquinas e equipamentos, assim como a iluminação local da construção, sendo desfeitas, posteriormente, no encerramento da obra. Estas instalações necessitam de execução e manutenção corretas, para que ofereçam segurança aos operários que dela se utilizam. Para Mantelli (2007), as instalações elétricas em canteiros de obras constituem fator de grande importância para a segurança e saúde do trabalho, com reflexos no desempenho dos processos de produção, dada a sua influência sobre a qualidade, a produtividade e a competitividade. A instalação provisória nas obras é confundida com instalação precária expondo os trabalhadores a situações de risco que podem resultar em acidentes, que muitas vezes são fatais. A situação continua sendo negligenciada como um problema cultural ainda que a fiscalização aumente o cerco em relação a esta questão. 1.3.1 Riscos elétricos em canteiros de obras Os riscos de choques elétricos na obras, conforme Sampaio (1998), podem se originar em decorrência de diversas situações. Pode-se verificar que nessas situações ocorrem erros inicialmente na concepção do projeto e também durante a execução e manutenção das instalações elétricas. Entre elas é possível citar: ü Instalações mal projetadas e dimensionadas; ü Contatos acidentais devido à falta de barreiras adequadas; ü Falta de aterramento ou aterramento deficiente ou inadequado; ü Utilização de equipamentos elétricos danificados; ü Falta ou deficiência dos isolamentos de emendas de fios; ü Falta de utilização de EPI’s e ferramentas adequadas; ü Ligações inadequadas sem a utilização de plugues e tomadas; ü Utilização de materiais de baixa qualidade; ü Rompimento de fiações aéreas por caminhões e equipamentos; ü Ligação errada de equipamentos; ü Falta de sinalização e orientação; ü Execução de manutenções em circuitos energizados;
  19. 19. 19 ü Quedas de materiais e pessoas por obstrução em passagens e circulação pelos condutores; ü Incêndios e explosões devido a curto-circuito ou má conservação das instalações; ü Acidentes provocados por equipamentos ou aparelhos deixados ligados no momento de religamento de chaves; ü Queda de trabalhador (eletricista) em decorrência da utilização de escadas inadequadas ou por falta de cinto de segurança. 1.3.2 Recomendações de segurança Sampaio (1998) traz em seu Manual de Aplicação da NR-18 uma série de recomendações relacionadas aos serviços de eletricidade. A seguir são apresentados alguns itens importantes que englobam esses serviços nos canteiros de obras. a) Planejamento das instalações A correta administração das instalações começa na fase de orçamento e planejamento, onde se deve prever a concepção do projeto, contratação de pessoas qualificadas e os materiais. Um projeto bem realizado reduz riscos e representa economia, uma vez que os materiais podem ser reaproveitados. Durante o planejamento devem ser listados os equipamentos e materiais necessários para a execução da obra. Conhecendo os equipamentos e suas cargas é mais confiável de dimensionar os quadros de energia e a entrada. Dessa forma pode-se avaliar se a concessionária supre a demanda no ponto de entrega ou deve se solicitar reforço. b) Treinamento Os trabalhadores devem ser informados sobre a origem dos riscos e perigos decorrentes do emprego da eletricidade. Dessa forma devem possuir noções das normas de execução de serviços onde envolve eletricidade e também instruídos de reportar aos encarregados que encaminham aos eletricistas os serviços solicitados. Recomenda-se que os eletricistas recebam instrução de apenas uma pessoa na obra de modo a organizar o serviço e planejar corretamente as etapas sem improvisações.
  20. 20. 20 c) Proteção contra contatos acidentais A parte viva de um circuito elétrico é qualquer elemento ou equipamento elétrico capaz de provocar choque. Isso pode ser evitado através de isolamento utilizando barreiras ou sinalização. Os locais onde ocorre esse tipo de situação são: ü Em quadros que não estejam trancados; ü Emendas de condutores sem isolamento ou com isolamento inadequado; ü Condutores e cabos expostos sem a devida proteção mecânica; ü Circuitos presos a elementos metálicos de estruturas; ü Contato de andaimes próximos cabos elétricos desprotegidos, visto na figura 1; ü Carcaças energizadas de equipamentos. Figura 1 - Andaime próximo à rede elétrica. d) Emenda dos condutores As emendas ou derivações de condutores devem ser feitas de modo que ofereçam resistência mecânica e contato elétrico adequados. Uma emenda mal feita pode ocasionar curtos circuitos. Deve-se utilizar a fita isolante assegurando proteção equivalente aos condutores onde a emenda fique firme e bem isolada, não deixando partes vivas descobertas. Ainda se pode utilizar a fita de auto-fusão indicada para realização de pequenos reparos em mangueiras por onde passem fluidos automotivos (água, ar, óleo…), vedações em geral e isolamentos elétricos. O eletricista é responsável pela inspeção de todas as emendas sendo que onde se detecte alguma imperfeição ou desgaste ela deve ser substituída e refeita. A figura 2 demonstra como deve ser feita a emenda de condutores.
  21. 21. 21 Figura 2 - Emenda de continuidade. e) Organização da rede elétrica A rede elétrica da obra não pode obstruir a circulação de materiais, pessoas e veículos. Quando não se é possível realizar a alimentação direta ao ponto de consumo deve-se proteger os condutores por meio de calhas, canaletas ou eletrodutos enterrados ou sobre o solo assegurando proteção mecânica, cujas situações podem são vistas na figura 3. Figura 3 - Condutores enterrados protegidos e proteção mecânica de ligação de curta duração. Outra situação a ser considerada é a elevação da rede para a passagem de veículos e máquinas. A FUNDACENTRO (2001) traz que a altura mínima a ser adotada é de 5 metros, o que pode ser visto na figura 4. Ainda deve-se ter cuidado com a movimentação de andaimes, gruas e guindastes para evitar o contato com a rede elétrica.
  22. 22. 22 Figura 4 - Passagem de veículos e máquinas. f) Elementos da instalação provisória Conforme a NR-18 as instalações provisórias de um canteiro de obras devem possuir: ü Chave geral do tipo blindada, de acordo com a aprovação da concessionária local, e localizada no quadro geral de distribuição; ü Chave individual para cada derivação; ü Chave faca blindada em quadro de tomadas; ü Chaves magnéticas e disjuntores para os equipamentos. É proibido o uso de chaves blindadas como dispositivos de partida e parada de máquinas. Cada ramal de distribuição deve conter um disjunto ou chave magnética independente e cada máquina deve ser acionada por interruptor próprio e nunca por disjuntor. Deve-se ter cuidado com a instalação de fusíveis em chaves blindadas, sendo que no projeto deve constar a capacidade dos fusíveis de cada circuito. É proibido trocar os fusíveis por outro de capacidade maior e substituir os mesmos por arranjos e improvisações como arames e moedas, o que se torna muito perigoso e não proporciona nenhuma segurança. g) Aterramento A norma NR-18 determina que as carcaças e estruturas dos equipamentos elétricos devem ser aterradas, o que é importante para o funcionamento e para a segurança dos trabalhadores. O aterramento pode ser feito através de hastes, chapas, fitas ou barras introduzidas no solo, mostrado na figura 5, ou aproveitando-se estruturas metálicas enterradas que funcionem como eletrodo.
  23. 23. 23 Figura 5 - Tipos de aterramentos. Os equipamentos manuais também devem ser aterrados, sendo necessário que possuam condutor de proteção (pino de aterramento) e que o equipamento seja conectado a uma tomada que possua terra. Já os equipamentos com dupla isolação devem possuir um símbolo característico de identificação e não precisam de aterramento. Ambos os casos estão ilustrados na figura 6. Figura 6 - Equipamento e tomada com pino de terra e símbolo de identificação de dupla isolação. Plugues e tomadas A recomendação é que toda a ligação de equipamentos elétricos móveis, como lixadeiras, furadeiras e serras seja feita através de plugue e tomada. É incorreto ligar um equipamento introduzindo os condutores diretamente na tomada ou nos terminais da chave o que é muito perigoso e pode provocar choque elétrico. Um modo de prevenção é o almoxarifado disponibilizar apenas equipamentos em perfeitas condições de uso.
  24. 24. 24 1.3.3 Capacitação do eletricista Conforme o item 18.21.1 da NR-18, a execução e manutenção das instalações elétricas devem ser realizadas por trabalhador qualificado, e a supervisão por profissional legalmente habilitado. Essas classificações seguem as determinações do item 10.8 e respectivos subitens da NR-10 fundamentando que: ü Trabalhador qualificado – aquele que comprovar conclusão de curso específico na área elétrica reconhecido pelo Sistema Oficial de Ensino; ü Profissional legalmente habilitado – trabalhador previamente qualificado e com registro no competente conselho de classe; ü Trabalhador capacitado – aquele que atenda às seguintes condições, simultaneamente: a) Receba capacitação sob orientação e responsabilidade de profissional habilitado e autorizado e; b) Trabalhe sob a responsabilidade de profissional habilitado e autorizado. ü Trabalhador autorizado – trabalhador qualificado ou capacitado e o profissional habilitado, com anuência formal da empresa. Dessa forma, os responsáveis técnicos pelos projetos das instalações elétricas (provisórias e definitivas) bem como os eletricistas que executam essas instalações e realizam os serviços de manutenção devem se encaixar nas determinações acima citadas. As determinações devem ser atendidas por esses profissionais para o exercício legal de suas atividades. 1.3.4 Equipamentos de proteção individual Mantelli (2007) cita que a NR-10 estabelece medidas de proteção coletiva aplicáveis, mediante procedimentos, às atividades a serem desenvolvidas, sendo que, quando estas forem tecnicamente inviáveis ou insuficientes para controlar os riscos, estabelece que devem ser adotados Equipamentos de Proteção Individual específicos e adequados às atividades desenvolvidas, atendendo o que está disposto na NR-6. Conforme a NR-6, Equipamento de Proteção Individual é todo dispositivo ou produto, de uso individual utilizado pelo trabalhador, destinado à proteção de riscos suscetíveis de ameaçar a segurança e a saúde no trabalho. Esse equipamento só pode ser vendido e/ou
  25. 25. 25 utilizado se o mesmo possuir o Certificado de Aprovação emitido pelo órgão competente do Ministério do Trabalho e do Emprego. O eletricista, para desempenhar suas atividades, deve utilizar os seguintes EPI’s: capacete, calçado, luvas, óculos de proteção e cinturão de segurança. ü Capacete – visto na figura 7, é um dispositivo rígido, fixado sobre a cabeça por uma suspensão ajustável. Fabricado com material plástico rígido, de alta resistência à penetração e impacto. A suspensão é a armação interna constituída por carneira e coroa que possuem as funções de ajustar à cabeça e amortecer impactos (Sampaio, 1998). O capacete é utilizado para proteger a cabeça contra impactos, quedas de objetos e contato acidental com circuitos elétricos energizados (FUNDACENTRO, 2007). Figura 7 - Capacete de segurança e suspensão. ü Calçado – é destinado à proteção e conforto dos pés e parte das pernas contra riscos que o trabalhador está exposto durante sua jornada de trabalho. Possui um solado antiderrapante de poliuretano, borracha ou látex. O calçado em si, ilustrado na figura 8, é fabricado em vaqueta lisa, curtida ao cromo com espessura de 1,8 a 2,0 mm (Sampaio, 1998). Protegem os pés contra queda de objetos, agentes agressivos e choques elétricos, portanto, não podem conter partes metálicas. (FUNDACENTRO, 2007)
  26. 26. 26 Figura 8 - Calçados de segurança. ü Luvas – utilizadas na proteção de eletricistas contra choques elétricos e equipamentos passíveis de energização. São feitas de borracha à base de poliisopropileno, cobrindo a mão e o punho, permitindo o movimento dos dedos (Sampaio, 1998). Conforme a tensão de trabalho, o eletricista deve utilizar luvas adequadas conforme as classes de isolamento descritas na tabela 2. Sobre as luvas isolantes devem ser usadas as luvas de vaqueta que servem exclusivamente para a proteção mecânica. Na figura 9 são estão ilustrados os dois tipos de luvas em questão. Tabela 2 - Especificação das luvas conforme a classe e a tensão. Classe Tensão de ensaio (Valor eficaz) (VCA) Tensão de trabalho (VCA) Tensão mínima de perfuração Corrente máxima de fuga (mA) Luva 267 mm Luva 356 mm Luva 406 mm Luva 457 mm 00 2.500 500 5.000 6 10 12 14 0 5.000 1.000 6.000 8 12 14 16 1 10.000 7.500 20.000 - 14 16 18 2 20.000 17.500 30.000 - 16 18 20 3 30.000 26.500 40.000 - 18 20 22 4 40.000 36.000 50.000 - - 22 24 Fonte: Barros, 2010. Figura 9 - Luva de borracha e luvas de vaqueta, respectivamente.
  27. 27. 27 ü Óculos de proteção – mostrado na figura 10, é destinados à proteção dos olhos contra impactos mecânicos, projeções de partículas sólidas, efeitos decorrentes da irradiação solar ou do arco elétrico (FUNDACENTRO, 2007). Os óculos possuem armação de celulose e proteção lateral injetada na haste. As lentes são de cristal de vidro ótico endurecido contra altos impactos (Sampaio, 1998). Figura 10 – Modelo de óculos de proteção. ü Cinturão de segurança – é um equipamento destinado à proteção dos trabalhadores contra quedas nas atividades em altura. O cinturão visto na figura 11 é fabricado em couro de 100 a 130 mm de largura, forrado com espuma e coberto com couro, possuindo duas argolas de aço nas extremidades. Pode ser acompanhado de talabarte, que consiste de uma alça feita de couro ou nylon sendo uma extremidade fixa nas argolas por meio de mosquetões de aço forjado (Sampaio, 1998). Figura 11 - Cinturão de segurança e talabarte. 1.3.5 Equipamentos de proteção coletiva Nos serviços em instalações elétricas devem ser adotados além dos EPI’s também os Equipamentos de Proteção Coletiva em suas proximidades. A definição trazida por Barros
  28. 28. (2010) é que um EPC é todo dispositivo, sistema, ou meio, fixo ou móvel de abrangência coletiva, destinado a preservar a integridade física e a saúde dos trabalhadores e terceiros. A seguir estão descritos os tipos de EPC’s mais empregados em ob onde estão envolvidas as instalações e os serviços de eletricidade. ü Detector de Tensão – ausência de tensão em um circuito ou parte dele. Pode ser em forma de chave de fenda para baixa tensão ou eletrônico para baixas e altas tensões (FUNDACENTRO, 2007). Os dois modelos podem ser visto na figura ü Cone de Sinalização – é utilizado em áreas de trabalho e obras em vias púb rodovias e orientação de trânsito de veículos e pedestres, podendo ser utilizado em conjunto com a fita zebrada. O cone pode ter o sinalizador STROBO que é usado para identificação de serviços, obras, acidentes e atendimentos em ruas ou rodovias (Barros, 2010). Esses equipamentos podem ser vistos na figura Figura 13 - Cone de sinalização, com STROBO e fita zebrada. ü Aterramento Temporário por um cabo. Possui a função de equipotencializar as três fases e o aterramento de uma (2010) é que um EPC é todo dispositivo, sistema, ou meio, fixo ou móvel de abrangência coletiva, destinado a preservar a integridade física e a saúde dos trabalhadores e terceiros. A seguir estão descritos os tipos de EPC’s mais empregados em obras e atividades onde estão envolvidas as instalações e os serviços de eletricidade. é um dispositivo utilizado para confirmar a presença ou ausência de tensão em um circuito ou parte dele. Pode ser em forma de chave de fenda xa tensão ou eletrônico para baixas e altas tensões (FUNDACENTRO, 2007). Os dois modelos podem ser visto na figura 12. Figura 12 - Detectores de tensão. é utilizado em áreas de trabalho e obras em vias púb rodovias e orientação de trânsito de veículos e pedestres, podendo ser utilizado em conjunto com a fita zebrada. O cone pode ter o sinalizador STROBO que é usado para identificação de serviços, obras, acidentes e atendimentos em ruas ou rodovias Barros, 2010). Esses equipamentos podem ser vistos na figura 13. Cone de sinalização, com STROBO e fita zebrada. Aterramento Temporário – é um conjunto composto de quatro garras interligadas nção de equipotencializar as três fases e o aterramento de uma 28 (2010) é que um EPC é todo dispositivo, sistema, ou meio, fixo ou móvel de abrangência coletiva, destinado a preservar a integridade física e a saúde dos trabalhadores e terceiros. ras e atividades é um dispositivo utilizado para confirmar a presença ou ausência de tensão em um circuito ou parte dele. Pode ser em forma de chave de fenda xa tensão ou eletrônico para baixas e altas tensões (FUNDACENTRO, 2007). é utilizado em áreas de trabalho e obras em vias públicas ou rodovias e orientação de trânsito de veículos e pedestres, podendo ser utilizado em conjunto com a fita zebrada. O cone pode ter o sinalizador STROBO que é usado para identificação de serviços, obras, acidentes e atendimentos em ruas ou rodovias é um conjunto composto de quatro garras interligadas nção de equipotencializar as três fases e o aterramento de uma
  29. 29. 29 instalação durante a realização de um procedimento de manutenção (Barros, 2010). A NR-10 cita o uso do conjunto no processo de desernegização de uma instalação elétrica. O conjunto de aterramento temporário é ilustrado na figura 14 juntamente com a haste utilizada no aterramento básico de baixa tensão. Figura 14 - Aterramento temporário de alta tensão e haste de aterramento. ü Placas de sinalização – são destinadas a orientar, alertar, avisar e advertir as pessoas quanto aos riscos e condições de perigos existentes, condições de ingresso ou acesso e cuidados e identificação de circuitos ou partes dos mesmos (Barros, 2010). Na figura 15 é possível visualizar alguns tipos de placas para algumas situações. Figura 15 - Placas de sinalização. ü Estrado ou Tapete de Borracha Isolante – os estrados ou tapetes isolantes são utilizados em equipamentos ou instalações que envolvam manobras de desligamento e/ou religamento. São constituídos por materiais específicos, submetidos a ensaios e
  30. 30. 30 representam mais que uma simples borracha sobre o piso (Barros, 2010). O modelo do tapete isolante pode ser visto na figura 16. Figura 16 - Tapete de borracha isolante. 1.4 CHOQUE ELÉTRICO De acordo com a FUNDACENTRO (2007), o choque elétrico é o efeito patofisiológico que resulta da passagem de uma corrente elétrica, chamada de corrente de choque, através do organismo humano, podendo provocar efeitos de importância e gravidades variáveis, bem como fatais. Como a corrente circula pelo organismo, é possível afirmar que o corpo humano se comporta como um condutor elétrico, desta forma possui uma resistência. Conforme Barros et. al. (2010), a passagem da corrente ocorre quando o corpo é submetido a uma diferença de potencial suficiente para romper a resistência. A resistência é a capacidade de um corpo qualquer se opor à passagem da corrente elétrica quando essa diferença de potencial é aplicada. Relembrando a Lei de Ohm nas equações 1.1 e 1.2: V=R*I (1.1) I=V/R onde: (1.2) V é a diferença de potencial, ou tensão aplicada expressa em Volts (V); R é o valor da resistência expressa em Ohm (Ω); I corresponde à corrente elétrica, o movimento ordenado de elétrons livres, cuja unidade é o Ampère (A) O choque elétrico pode decorrer do contato com um equipamento ou circuito energizado, por meio de um equipamento que armazena eletricidade (por exemplo,
  31. 31. 31 capacitores) e de efeitos associados a descargas atmosféricas. Quanto ao tipo pode ser definido como sendo dinâmico ou estático. 1.4.1 Choque dinâmico Esse tipo de choque ocorre quando se tem contato com um ponto energizado. O mesmo permanece enquanto houver o contato ou até o ponto se tornar desernegizado. É uma descarga de maior gravidade devido à permanência do contato do corpo no ponto energizado trazendo sequelas nos órgãos. O choque dinâmico pode ser causado por potencial de passo e potencial de toque. ü Potencial ou tensão de passo – Potencial de passo é a diferença de potencial existente entre os dois pés. As tensões de passo ocorrem quando entre os membros de apoio (pés), aparecem diferenças de potencial. Isto pode acontecer quando os membros se encontram sobre linhas equipotenciais diferentes. Estas linhas equipotenciais se formam na superfície do solo quando do escoamento da corrente de curto-circuito. É claro que, se naquele breve espaço de tempo os dois pés estiverem sobre a mesma linha equipotencial ou, se um único pé estiver sendo usado como apoio, não haverá a tensão de passo. A figura 17, mostra o potencial de passo devido a um raio que cai sobre o solo.
  32. 32. 32 Figura 17 - Potencial ou tensão de passo. ü Potencial ou tensão de toque – É a diferença de potencial entre o ponto da estrutura energizada, situado ao alcance da mão de uma pessoa e um ponto no chão no instante que esteja circulando uma corrente elétrica. Pode ser ocasionada por descargas atmosféricas em sistema de aterramento ou pela massa de equipamentos com estrutura metálica energizada desprovida de aterramento, ausência de proteção diferencial residual e contato acidental com partes vivas de uma instalação. A figura 18 ilustra o potencial de toque e o seu comportamento.
  33. 33. 33 Figura 18 - Potencial ou tensão de toque. 1.4.2 Choque estático É produzido devido a uma descarga de um equipamento ou instalação com característica capacitiva, ou seja, o choque é produzido por eletricidade estática cuja duração é pequena, o suficiente para descarregar toda a carga da eletricidade contida no elemento energizado. Dificilmente provocam efeitos danosos ao corpo já que é de curta duração. Os equipamentos que se enquadram nesse tipo de choque são os capacitores, linhas de transmissão e distribuição desligadas, polias ou veículos que se movem em climas secos. O atrito entre componentes móveis pode eletrizá-los. Nessas condições, o contato com carcaças metálicas pode ocasionar o choque estático. A solução para esse tipo de descarga é realizar o aterramento ou estabelecer algum contato com o solo através de um elemento metálico. 1.4.3 Efeitos fisiológicos causados pela eletricidade Conforme a NIOSH (1998) a eletrocussão resulta quando um ser humano é exposto a uma quantidade letal de energia elétrica. Para determinar como o contato com uma fonte elétrica ocorre, as características da fonte elétrica antes do tempo do incidente devem ser avaliadas (pré-evento). Para que a morte ocorra, o corpo humano deve tornar-se parte de um circuito elétrico ativo que possua uma capacidade de sobrestimular o sistema nervoso ou causar danos aos órgãos internos. Os danos resultantes para o corpo humano e o tratamento médico de emergência determinam o resultado da troca de energia (pós-evento).
  34. 34. 34 A OSHA define os três fatores primários que afetam a severidade do choque que uma pessoa recebe quando ela é parte de um circuito elétrico. Esses fatores são: ü Quantidade de corrente que flui pelo corpo (medida em Ampères); ü Caminho da corrente pelo corpo; ü Duração do tempo que o corpo permanece no circuito. Além desses fatores existem outros que podem afetar a severidade do choque elétrico no corpo humano: ü A tensão da corrente; ü A presença de umidade no ambiente; ü A fase do ciclo cardíaco quando ocorre o choque; ü A saúde geral da pessoa antes do choque. A tabela 3 traz os valores de corrente e os respectivos efeitos gerados no corpo humano quando em contato com um sistema em 60 Hz. Os valores estão conforme a OSHA que é uma agência federal do Departamento do Trabalho dos Estados Unidos da América. Tabela 3 - Efeitos e sensações da corrente no corpo humano. Intensidade da corrente Provável efeito no corpo humano 1 mA Nível de percepção. Sensação de ligeiro formigamento. Perigoso sob determinadas circunstâncias. 5 mA Sensação de choque leve, não dolorosa, mas desagradável. O indivíduo médio ainda pode largar, porém, as fortes reações involuntárias aos choques podem ocasionar ferimentos. 6-16 mA Choque doloroso, controle muscular é perdido. Nesta faixa ocorre o limite de largar. 17-99 mA Dor extrema, parada respiratória, contrações musculares severas. O indivíduo não pode largar. Possibilidade de morte. 100-2000 mA Fibrilação ventricular. Contração muscular e ocorrência de danos nervosos. Morte provável. >2000 mA Parada cardíaca, queimaduras severas. Morte provável. Fonte: OSHA Quando a corrente maior do que 16 mA passa através do antebraço, ela estimula a contração involuntária dos músculos flexores e extensores. Quando os flexores mais fortes
  35. 35. 35 controlam, as vítimas podem ser incapazes de liberar o objeto energizado que elas agarram no momento que a corrente flui. Se a corrente superior a 20 mA continua a passar pelo peito por um tempo prolongado, a morte pode ocorrer a partir de parada respiratória. Correntes de 100 mA ou mais, até 2 A, podem causar fibrilação ventricular, provavelmente a causa mais comum de morte por choque elétrico. A NIOSH define que a fibrilação ventricular é o bombeamento irregular do coração devido à contração descoordenada das fibras musculares do ventrículo que leva rapidamente à morte por falta de oxigênio para o cérebro. A fibrilação, cuja forma é mostrada na figura 19, é encerrada com uso de um desfibrilador, que produz um pulso de choque no peito para restaurar o ritmo cardíaco. A ressuscitação cardiopulmonar é usada como uma medida temporária para proporcionar a circulação de algum sangue oxigenado para o cérebro até que um desfibrilador possa ser usado. Figura 19 - Forma de uma fibrilação ventricular.
  36. 36. 36 2 ESTUDOS DE CASOS – ANÁLISES DOS SERVIÇOS DE ELETRICIDADE EM CANTEIROS DE OBRAS Esse capítulo traz o estudo realizado em campo onde foram visitados canteiros de obras de uma empresa construtora com a finalidade de verificar as condições das instalações elétricas e o nível de comprometimento dessa empresa em relação ao assunto. Para realizar a análise e a coleta dos dados seguiram-se as recomendações das normas regulamentadoras vigentes conforme citadas na revisão bibliográfica e os registros se deram por meio de observações, anotações e fotografias. O estudo foi realizado em 2 (dois) canteiros de obras na cidade de Cruz Alta/RS e contou com o apoio e o consentimento dos proprietários da empresa construtora. Toda a visitação foi realizada em companhia do gerente das obras, que descrevia todos os locais e etapas da obra e explicava alguns detalhes importantes. 2.1 CARACTERIZAÇÃO DOS CANTEIROS DE OBRAS Ao ingressar nos canteiros as primeiras impressões foram de obras em condições boas de trabalho, mas imaginando que fossem encontradas desconformidades que geralmente se observa nesse tipo de atividade. As análises foram realizadas em dois canteiros de obras cujas edificações apresentam diferentes características e dimensões. A primeira obra verificada trata-se de um edificação residencial multifamiliar construída em alvenaria convencional, constituída de 15 (quinze) pavimentos com 2 (dois) apartamentos em cada sendo o primeiro utilizado para garagem. Sua fachada está conforme a figura 20. A obra se encontrava em fase de reboco e acabamentos internos. Em relação aos serviços de eletricidade observou-se a existência da instalação provisória e o início da execução das instalações elétricas definitivas dos apartamentos conforme a figura 21.
  37. 37. 37 Figura 20 - Edificação em alvenaria convencional. Figura 21 - Instalações elétricas definitivas. O outro canteiro de obras visitado apresenta uma edificação cujo método construtivo empregado trata-se da alvenaria estrutural, que é um sistema construtivo que utiliza peças industrializadas de dimensão e peso que as deixam manuseáveis, ligadas por argamassa. A obra consiste de uma edificação residencial multifamiliar com 8 (oito0 pavimentos com 2 (dois) apartamentos em cada. A fachada da edificação pode ser vista na figura 22. A obra estava menos avançada que a outra visitada estando no estágio de levantamento das paredes. Observou-se apenas a existência das instalações elétricas provisórias no canteiro.
  38. 38. 38 Figura 22 - Edificação em alvenaria estrutural. Em ambos os canteiros os trabalhadores utilizam o uniforme padrão da empresa, além dos EPI’s básicos como botas, capacetes e luvas. Constatou-se a presença de sinalização orientando o uso dos mesmos, o que pode ser visto na figura 23. Figura 23 - Sinalização para o uso de EPI’s. 2.2 QUESITOS VERIFICADOS NA ANÁLISE DE CAMPO Para conduzir a análise em campo elaborou-se uma lista com quesitos baseados nas recomendações das normas regulamentadoras em questão para servir de orientação na visitação dos canteiros de obras. As anotações foram sendo feitas conforme o que se abordava na lista para posteriormente serem enquadradas nos itens das normas regulamentadoras. Resumidamente, a divisão dos quesitos a serem verificados foi realizada da seguinte maneira.
  39. 39. 39 ü Profissional eletricista Ø Se o profissional possui curso de eletrotécnica e cursos complementares; Ø Se o profissional possui experiência na função; ü Projeto elétrico Ø Verificar a existência de projeto elétrico para instalações provisórias; Ø São consideradas as potências dos equipamentos utilizados no canteiro de obras; ü EPI’s Ø Verificar se para serviços de eletricidade são utilizados EPI’s como luvas, capacete, botas isoladas entre outros. Ø Verificar a utilização de equipamentos de medição como amperímetros, voltímetros (multímetro); ü Condições das instalações Ø Verificar se os quadros de energia estão em boas condições; Ø Se existe aterramento; Ø Uso de fusíveis, chave geral blindada liga-desliga, chaves e disjuntores para equipamentos; Ø Se os circuitos estão identificados corretamente; Ø Se existe esquema do circuito; Ø Observar emendas de condutores sem isolamento ou mal feitas; Ø Fios e cabos expostos; Ø Circuitos presos em elementos metálicos; Ø Verificar se existe rede elétrica próxima a andaimes e em pontos sem proteção aos trabalhadores; Ø Se a rede elétrica não obstrui a circulação de pessoas e veículos; Ø Se a rede quando enterrada está sinalizada; Ø Se existe sinalização de prevenção; Ø Verificar a presença de extintor de incêndio de gás carbônico CO2 ou pó químico seco próximo ao quadro; Ø Lâmpadas portáteis isoladas e protegidas contra impactos mecânicos;
  40. 40. 40 ü Equipamentos Ø Verificar se equipamentos possuem aterramento individual, com pino de terra; Ø Se equipamentos com dupla isolação estão devidamente identificados; Ø Se a ligação é feita através de plugues ou tomadas e não fios diretamente ligados nas tomadas e nem diretamente do quadro; Ø Se há o desligamento dos mesmos quando em fora de uso por medida de segurança; 2.3 ANÁLISE DAS CONDIÇÕES OBSERVADAS DE ACORDO COM A NR-18 Conforme a conversa com os responsáveis pela empresa, é prestado serviço de consultoria em Segurança do Trabalho, pois a mesma não possui SESMT próprio. As obras possuem apenas o PPRA, justificado com a informação que a empresa procura manter o número de empregados na obra em até 20 (vinte) para evitar a obrigatoriedade da elaboração do PCMAT e com isso, custos maiores. No entanto, a empresa afirma que tem ciência do que trata a NR-18 e suas recomendações para a segurança nas obras. Com base nas anotações realizadas sobre os quesitos anteriormente apresentados, a seguir são abordadas as conformidades e as não-conformidades observadas e registradas durante as visitas de acordo com o item 18.21 e subitens que tratam dos serviços de instalações provisórias na NR-18. 18.21.1 A execução e manutenção das instalações elétricas devem ser realizadas por trabalhador qualificado, e a supervisão por profissional legalmente habilitado. Conforme as informações do gerente das obras, o eletricista responsável pelas instalações elétricas possui a qualificação necessária de eletrotécnico, experiência de função e cursos na área, por exemplo, curso da NR-10. Dessa forma o mesmo atende a esse item da NR-18 e também o que já foi apresentado em 1.3.3 que trata das determinações da NR-10 quanto às qualificações necessárias dos profissionais que trabalham nos serviços de eletricidade. Esse item da norma obriga e garante que o serviço seja realizado por uma pessoa que possua instrução e conhecimento do assunto de modo que o profissional tenha noção dos riscos presentes e que não exponha os demais trabalhadores e demais pessoas que circulam na obra a situações perigosas de ordem elétrica.
  41. 41. 41 Outra questão levantada foi em relação à existência dos projetos elétricos. Conforme o gerente da obra, as instalações provisórias não possuem projeto elétrico levando em consideração as cargas dos equipamentos nos circuitos. Já a instalação definitiva possui projeto elétrico assinado por um profissional devidamente habilitado com recolhimento de Anotação de Responsabilidade Técnica - ART. 18.21.2 Somente podem ser realizados serviços nas instalações quando o circuito elétrico não estiver energizado. No momento das visitas não houve situações que estivessem sendo realizados serviços dessa ordem. O eletricista estava executando a instalação elétrica definitiva, obviamente ainda não energizada. Mas acredita-se que esse item da norma é atendido e todas as intervenções realizadas nas instalações provisórias são realizadas quando as mesmas se encontram desligadas, priorizando a segurança em toda a obra. 18.21.2.1 Quando não for possível desligar o circuito elétrico, o serviço somente poderá ser executado após terem sido adotadas as medidas de proteção complementares, sendo obrigatório o uso de ferramentas apropriadas e equipamentos de proteção individual. Não foram obtidas informações quanto a esse tipo de procedimento. No entanto, enquanto se circulava pelos canteiros de obras não foi identificado algum processo ou circuito que fosse necessário o fornecimento permanente de energia. 18.21.3 É proibida a existência de partes vivas expostas de circuitos e equipamentos elétricos. Em relação a esse item da norma, os canteiros de obras a atendem quase que em sua totalidade uma vez que não foram constatados circuitos apoiados em estruturas metálicas da obra e nem partes expostas de contatos das chaves. A única situação que merece atenção está ilustrada na figura 24, onde é possível observar que os condutores estão enrolados nos dutos metálicos podendo sofrer desgaste devido ao atrito o que leva a romper a isolação. Esses dutos atravessam todos os pavimentos da edificação já que os alimentam com gás e água. Ainda existe o agravante que o conjunto está fixo por arame.
  42. 42. 42 Figura 24 - Instalação sob atrito fixada em dutos metálicos. 18.21.4 As emendas e derivações dos condutores devem ser executadas de modo que assegurem a resistência mecânica e contato elétrico adequado. O único caso encontrado onde não foi assegurada a resistência mecânica e nem o contato elétrico adequado foi em um aterramento de uma betoneira, ressaltando que o mesmo já estava fora de uso. Inicialmente o condutor de aterramento não deve possuir emendas as quais que podem comprometer a sua funcionalidade. Na figura 25 observa-se que o aterramento se encontrava totalmente incorreto, com condutores de capacidade de condução diferentes e sem a fita isolante protegendo o contato elétrico, que ficou exposto ao tempo. Figura 25 - Emenda de aterramento com contato elétrico inadequado. 18.21.4.1 O isolamento de emendas e derivações deve ter característica equivalente à dos condutores utilizados. As emendas observadas nos canteiros de obras em geral foram executadas corretamente atendendo a esse item da norma. Na figura 26 é possível observar emendas e derivações onde
  43. 43. 43 foram obedecidas as características dos condutores assegurando a mesma capacidade de condução de corrente. Trata-se de um item importante, pois garante um bom funcionamento do circuito, evitando aquecimentos, e rompimento de isolação. Deve-se assegurar a manutenção constante para evitar que as emendas se tornem ineficientes e a fita isolante perca aderência. Figura 26 - Emenda e derivação de condutores de mesma capacidade de condução de corrente. 18.21.5 Os condutores devem ter isolamento adequado, não sendo permitido obstruir a circulação de materiais e pessoas. Observou-se que são canteiros de obras que utilizam as instalações elétricas suspensas e que não possuem muitos itens e materiais colocados ao longo da obra. No entanto, foram encontradas algumas situações onde os circuitos elétricos obstruíam e comprometiam a circulação de materiais e pessoas. Os casos possíveis de comentar são os circuitos de iluminação nas escadas entre os pavimentos e em uma das áreas de circulação. Conforme a figura 27, a iluminação se encontrava solta podendo ocasionar algum acidente no transporte de materiais. O indicado para esses casos seria que a iluminação fosse fixa sobre a parede ou o circuito preso totalmente no teto.
  44. 44. 44 Figura 27 - Circuitos de iluminação das escadas e de área de circulação. 18.21.6 Os circuitos elétricos devem ser protegidos contra impactos mecânicos, umidade e agentes corrosivos. Nesse item procurou-se observar as situações onde os circuitos e equipamentos que se encontravam expostos a impactos, umidade e corrosão que podem comprometer seu funcionamento, durabilidade e integridade física. Ao longo dos canteiros de obras foi possível enquadrar algumas situações nesse item. Os casos podem ser visto na figura 28. Observou-se que uma das emendas estava coberta de cimento podendo dificultar a inspeção. Também foram alvos de atenção alguns condutores envoltos em sacos plásticos, o que pela informação do gerente das obras trata-se de uma maneira de evitar umidade nas emendas. Figura 28 - Emenda coberta de cimento e emenda protegida contra umidade incorretamente. Retomando os circuitos de iluminação citados no item anterior, constatou-se que as lâmpadas não possuíam proteção contra impactos mecânicos, ou seja, sem uma grade de
  45. 45. 45 proteção do bulbo. Na figura 29 pode-se visualizar uma lâmpada compacta exposta a impactos acidentais. Figura 29 - Lâmpada sem proteção contra impactos acidentais. 18.21.7 Sempre que a fiação de um circuito provisório se tornar inoperante ou dispensável deve ser retirada pelo eletricista responsável. Em relação a esse item não foram observadas instalações que estivessem fora de uso. Durante as visitas em nenhum momento encontraram-se condutores ou partes de circuitos elétricos provisórios inoperantes. Conforme a norma o correto e o recomendável é que o eletricista revise periodicamente as instalações para que não permaneçam pontos que possam dar choque nos trabalhadores. 18.21.8 As chaves blindadas devem ser convenientemente protegidas de intempéries e instaladas em posição que impeça o fechamento acidental do circuito. Esse foi considerado o erro mais grave constatado nos canteiros de obras visitados. Em nenhuma das obras existia a presença de chaves blindadas que atendessem a esse item da norma. A chave blindada deve ser colocada em locais abrigados, na posição em que a sua alavanca de liga-desliga fique à direita. As chaves blindadas cumprem as seguintes funções: permitir a interrupção de energia para executar manutenções de modo seguro; separar circuitos de diferente locais ou de utilizações distintas; e proteger os equipamentos e fiações dos circuitos através dos fusíveis.
  46. 46. 46 18.21.9 Os porta-fusíveis não devem ficar sob tensão quando as chaves blindadas estiverem na posição aberta. Esse item não pode ser avaliado devido à ausência da chave blindada portando fusíveis nos canteiros de obras. No caso de a chave blindada estiver instalada incorretamente, ao realizar a substituição dos fusíveis, e os mesmos estando sob tensão, a pessoa pode sofrer um choque elétrico. 18.21.10 As chaves blindadas somente devem ser utilizadas para circuitos de distribuição, sendo proibido o seu uso como dispositivo de partida e parada de máquinas. Atendendo a esse item da norma, observou-se que as máquinas elétricas possuíam o meio acionamento de forma individual e nunca através de uma chave geral. Na figura 30 é possível visualizar o quadro de comando do elevador. Figura 30 - Quadro de acionamento do elevador. Equipamentos como betoneiras e serra circular também apresentavam acionamento individual. No entanto, de acordo com a figura 31, o acionamento é realizado por meio de chave. Para esses casos, tendo em vista um segurança maior, recomenda-se o emprego de botoeiras liga-desliga.
  47. 47. 47 Figura 31 - Acionamento individual de betoneira e serra circular. 18.21.11 As instalações elétricas provisórias de um canteiro de obras devem ser constituídas de: a) chave geral do tipo blindada de acordo com a aprovação da concessionária local, localizada no quadro principal de distribuição. b) chave individual para cada circuito de derivação; c) chave-faca blindada em quadro de tomadas; d) chaves magnéticas e disjuntores, para os equipamentos. Esse item descreve como que uma instalação provisória deve ser construída e dividida. Nos canteiros de obras visitados não foram encontradas chaves gerais blindadas no quadros de energia principais, vistos na figura 32. Os mesmo apenas continham o disjuntor geral e o medidor de consumo de energia da concessionária. Figura 32 - Quadros de entrada de energia principal. Os ramais de distribuição em sua maioria possuíam chaves e disjuntores magnéticos realizando a proteção dos circuitos à jusante, mas sem nenhuma identificação. Já os equipamentos elétricos não apresentavam proteção individual, apenas utilizavam a proteção
  48. 48. 48 dos ramais. Não foi constatada a presença de chaves facas blindadas para tomadas em nenhum dos canteiros. Avaliando esse item já é possível comentar que as instalações elétricas provisórias não oferecem todos os meios seguros de utilização e apresentam diversas deficiências técnicas. As instalações não atendem à determinação da norma expondo os trabalhadores a riscos elétricos graves uma vez que existem pontos sem proteção, que já foram discutidos nos itens anteriores e outros que serão apresentados posteriormente. 18.21.12 Os fusíveis das chaves blindadas devem ter capacidade compatível com o circuito a proteger, não sendo permitida sua substituição por dispositivos improvisados ou por outros fusíveis de capacidade superior, sem a correspondente troca da fiação. Novamente esse item não pode ser avaliado devido à ausência da chave blindada portando fusíveis nos canteiros de obras. O foco dessa recomendação está na importância do dispositivo fusível que tem por função proteger a fiação do circuito, impedindo que circule correntes maiores que sua capacidade de condução. Essa medida evita que uma sobrecarga devido à corrente elevada circule, deteriore a isolação dos condutores e gere um aquecimento anormal na instalação ou queima que pode contribuir com a ocorrência de incêndio. Ainda é importante salientar a proibição de improvisações na troca dos fusíveis que nada contribuem com a segurança. Toda intervenção na chave blindada dos fusíveis deve ser feita por profissional habilitado que possua as qualificações necessárias. 18.21.13 Em todos os ramais destinados à ligação de equipamentos elétricos, devem ser instalados disjuntores ou chaves magnéticas, independentes, que possam ser acionados com facilidade e segurança. Nesse item buscou-se enquadrar os ramais de distribuição dos canteiros de obras. Verificou-se que alguns são dotados de disjuntores termomagnéticos, conforme a figura 33, facilitando o desligamento caso tenha necessidade.
  49. 49. 49 Figura 33 - Quadros com disjuntores de proteção. Ainda dentro desse item observou-se que alguns ramais não possuíam nenhum dispositivo de chaveamento ou proteção. Os trabalhadores utilizando essas instalações estão sob risco uma vez que não existe modo de interrupção da energia em situações de emergência. Na figura 34 podem ser visto dois ramais que não apresentam proteção. Figura 34 - Quadros sem dispositivos ou chaves de proteção. 18.21.14 As redes de alta-tensão devem ser instaladas de modo a evitar contatos acidentais com veículos, equipamentos e trabalhadores em circulação, só podendo ser instaladas pela concessionária. Em relação a esse item da norma nenhuma das obras visitadas possui rede em alta tensão. Os dois canteiros de obras têm seu fornecimento de energia elétrica atendido em baixa tensão trifásica. Na figura 35, apresenta-se a situação da rede de baixa tensão que alimenta um dos canteiros de obras visitados. A mesma é fixada na parede evitando o contato com os trabalhadores e caminhões que entram pelo corredor em que a mesma se encontra.
  50. 50. 50 Figura 35 - Rede interna em BT para a obra e detalhe de sua fixação. 18.21.15 Os transformadores e estações abaixadoras de tensão devem ser instalados em local isolado, sendo permitido somente acesso do profissional legalmente habilitado ou trabalhador qualificado. Como mencionado no item anterior, o fornecimento de energia elétrica dos canteiros de obras é realizado em BT, sem haver a necessidade do uso de transformadores e instalação de subestações rebaixadoras em suas entradas de energia. As entradas de energia das duas obras em questão podem ser vistas na figura 36. O acesso é livre, sem nenhuma barreira ou bloqueio para os demais trabalhadores. Figura 36 - Entradas de energia dos canteiros de obras.
  51. 51. 51 18.21.16 As estruturas e carcaças dos equipamentos elétricos devem ser eletricamente aterradas. Observou-se que as máquinas dos canteiros não possuíam o aterramento. A informação dada pelo eletricista é que os aterramentos foram removidos uma vez que as máquinas, nesse caso as betoneiras, se encontravam fora de uso. As betoneiras verificadas podem ser vistas na figura 37. Figura 37 - Betoneiras sem o aterramento. Foi comentado no capítulo anterior que as ferramentas manuais também devem ser aterradas, devendo possuir o pino de terra. No entanto a NR-18 determina através do item 18.22.20 a proibição da utilização de ferramentais manuais sem dupla isolação. Conforme a NBR 5410/2004 esses equipamentos estão classificados na classe II e a dupla isolação é uma medida em que: ü A proteção básica é provida por uma isolação básica e a proteção supletiva por uma isolação suplementar; ou ü As proteções básica e supletiva, simultaneamente, são providas por uma isolação reforçada entre as partes vivas e partes acessíveis. A norma ainda define que a dupla isolação nos equipamentos pode ser provida de origem ou provida durante a execução da instalação. Atendendo a essa determinação, observou-se que as máquinas como serras e furadeiras apresentam dupla isolação, identificada pelo símbolo característico, detalhado na figura 38.
  52. 52. 52 Figura 38 - Ferramentas manuais com dupla isolação. 18.21.17 Nos casos em que haja possibilidade de contato acidental com qualquer parte viva energizada, deve ser adotado isolamento adequado. Dentro da obra não havia necessidade de barreiras físicas para isolar a obra das redes aéreas de alta tensão uma vez que as mesmas se encontravam do outro lado da rua. Em relação às emendas e derivações, no geral as mesmas se encontravam feitas corretamente e apresentavam bom estado, salvo nas situações anteriormente discutidas. 18.21.18 Os quadros gerais de distribuição devem ser mantidos trancados, sendo seus circuitos identificados. Em nenhum canteiro de obras visitado foi constatada a presença de quadros de distribuição que atendessem a esse item. As ligações são levadas diretamente para os ramais, sendo que alguns já descritos nos itens anteriores não apresentam dispositivos de proteção e chaveamento. Em nenhum dos circuitos existe o bloqueio que restringe acesso unicamente ao eletricista e não existe a identificação dos circuitos. 18.21.19 Ao religar chaves blindadas no quadro geral de distribuição, todos os equipamentos devem estar desligados. Não foi obtida informação quanto a esse procedimento uma vez que as obras não apresentavam a chave blindada devidamente instalada no quadro geral de distribuição. O recomendado pela norma é que toda a instalação esteja desligada e os equipamentos
  53. 53. 53 desconectados evitando que ocorra uma partida acidental ferindo alguém próximo. E também evita que a chave energize a instalação à plena carga. 18.21.20 Máquinas ou equipamentos elétricos móveis só podem ser ligados por intermédio de conjunto de plugue e tomada. Durante a visita constatou-se que no geral os equipamentos possuíam plugues e suas conexões nas tomadas eram realizas conforme esse item da norma define. Observou-se ainda que os equipamentos permanecem desconectados quando estão fora de uso. No entanto identificou-se uma situação grave, e que provavelmente ainda existe na maioria dos canteiros de obras que são os condutores conectados diretamente em um ponto tomada sem o devido plugue de conexão. Qualquer equipamento deve ser conectado através de plugue e tomada que assegure um bom contato elétrico e resistência mecânica suficiente evitando desconexões acidentais e a criação de arcos elétricos. Os casos observados podem ser vistos na figura 39. Figura 39 - Condutores conectados à tomada sem plugue e equipamento desconectado quando fora de uso. 2.4 ANÁLISE E RECOMENDAÇÕES Ao final da visitas, constatou-se que no geral as obras apresentavam condições dentro do esperado, boa organização do trabalho, limpeza, ventilação e iluminação. Ambas apresentavam refeitório e áreas de vestiário isoladas. Em oposição a isso, foram encontradas diversas desconformidades que carecem de maior atenção por parte da empresa, principalmente para obras futuras.
  54. 54. 54 As instalações elétricas provisórias não ofereceram condições satisfatórias, uma vez que diversos itens da NR-18 que discutem e recomendam sobre o assunto não foram atendidos e outros não foram atendidos em sua totalidade. Recomenda-se uma adequação completa aos itens da norma, principalmente os quadros de distribuição identificados e fechados, os ramais devidamente protegidos e identificados e a instalação das chaves blindadas com fusíveis compatíveis com as cargas da obra. Outros pontos que são necessárias melhorias são: ü Sinalização ao longo dos canteiros, que foi considerada escassa e ineficiente; ü A instalação de extintores de incêndio próxima aos quadros de distribuição, cuja presença não foi constatada; ü Melhor proteção dos circuitos elétricos através de eletrodutos e proteção contra impactos para lâmpadas; ü Gestão da validade dos EPI’s – foi encontrado um capacete disponível para uso com o CA vencido. ü Verificar a possibilidade de instalação de Dispositivo Diferencial Residual – DDR; ü Utilização de fita de auto-fusão nas emendas elétricas situadas em ambientes úmidos; ü Projeto elétrico das instalações elétricas provisórias.
  55. 55. 55 CONCLUSÕES Dentro de uma visão geral, os canteiros de obras visitados para o estudo apresentado estão em boas condições de trabalho, pois ambos apresentam organização e estrutura para os trabalhadores. No entanto, ao longo da circulação pelos canteiros foram encontradas algumas situações de risco e falta de controle dos equipamentos de proteção. O foco principal do trabalho era avaliar o cumprimento das normas regulamentadoras NR-10 e NR-18, abordando as instalações elétricas provisórias dos canteiros de obras, e o nível de comprometimento da empresa construtora em relação à Segurança e Medicina do Trabalho na atividade da construção civil. Após uma revisão bibliográfica sobre o assunto, o levantamento dos quesitos a serem avaliados foi muito importante e se tornou um guia eficiente para observar as situações de forma específica de modo a facilitar o enquadramento e o cumprimento dos itens da norma. Por mais que se tenha conhecimento do que a NR-18 determina, a mesma não está sendo cumprida em sua totalidade em relação aos serviços de eletricidade, o que faz dos ambientes de trabalho foco de riscos de acidentes dessa natureza. É improvável que a empresa conheça mais detalhadamente outras normas que abordam a eletricidade como a NR-10 e a NBR-5410/2004 que trazem mais aprofundadas as recomendações técnicas para realizar o serviço com mais adequação e segurança. Como foi possível constatar ao longo das situações de risco verificadas, a empresa ainda necessita de mais investimento e aprimoramento em relação à Segurança e Medicina do Trabalho. Pelo que pode se perceber, a revisão e a readaptação das medidas de segurança nos canteiros de obras ainda são vistas como custos e não investimentos para a empresa. Dessa forma, a primeira mudança deve ser na mentalidade geral e também estabelecer até que ponto de abrangência a empresa pretende chegar visto que a preocupação e o comprometimento com a segurança cada vez mais se tornam fatores determinantes da atividade.
  56. 56. 56 Uma hipótese a ser considerada para que essa falha de gestão da segurança ocorra e que tenha a presença de situações de risco nos canteiros de obras é a falta de um SESMT presente na empresa, visto que a orientação externa não realiza um acompanhamento eficiente e constante. Um profissional com o conhecimento técnico no assunto atuando diariamente nos canteiros de obras certamente traria uma contribuição diferente para a qualidade do trabalho e para a segurança dos trabalhadores. Como avaliação final, o resultado do estudo realizado nessa área mostrou-se bastante satisfatório do ponto de vista acadêmico e prático já que proporcionou a oportunidade de ir a campo conhecer um pouco do que a atividade da construção civil apresenta atualmente do ponto de vista da segurança, da tecnologia e dos métodos construtivos empregados. O estudo deixa uma lacuna aberta demonstrando que a atividade ainda necessita de mais atenção dos empregadores, dos profissionais da Segurança e Medicina do Trabalho e também dos próprios trabalhadores para a redução dos acidentes de trabalho. Sugestões de trabalhos futuros Como sugestões de trabalhos futuros para serem desenvolvidos que podem contribuir com a formação e conhecimento na área é possível listar: ü Projeto e adequação das instalações elétricas provisórias dos canteiros de obras seguindo a NR-10, NR-18 e a NBR-5410/2004; ü Estudo e elaboração do PCMAT de um canteiro de obras; ü Avaliação do cumprimento da NR-18 em sua totalidade com levantamento dos custos de implantação.
  57. 57. 57 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALENCAR, Luciana Hazin; et al. Utilização do Dispositivo de Proteção À Corrente Diferencial Residual em Instalações Provisórias do Canteiro de Obra. XXIII Encontro Nacional de Engenharia de Produção. Ouro Preto, 2003. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5410: Instalações Elétricas de Baixa Tensão. Rio de Janeiro, 2004. BARROS, Benjamim Ferreira de; et al. NR-10: Guia Prático de Análise e Aplicação. 1ª Edição. Ed. Érica. São Paulo, 2010. BRASIL. Ministério do Trabalho. Fundação Jorge Duprat de Figueiredo - FUNDACENTRO. Recomentação Técnica de Procedimentos 05: Instalações Elétricas Temporárias em Canteiros de Obras. São Paulo, 2007. ______. Ministério do Trabalho. Fundação Jorge Duprat de Figueiredo - FUNDACENTRO Engenharia De Segurança Do Trabalho Na Indústria Da Construção. São Paulo, 2001. ______. Ministério do Trabalho e Emprego. Norma Regulamentadora 04: Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho – SESMT. Brasília, 1978. ______. Ministério do Trabalho e Emprego. Norma Regulamentadora 06: EPI: Equipamento de Proteção Individual. Brasília, 1978. ______. Ministério do Trabalho e Emprego. Norma Regulamentadora 10: Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade. Brasília, 1978. ______. Ministério do Trabalho e Emprego. Norma Regulamentadora 18: Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção. Brasília, 1978. CUNHA, João Gilberto. NR-10 Comentada. São José dos Campos, 2010. EUA. National Institute for Occupational Safety and Health - NIOSH. Worker Deaths by Electrocution - A Summary of Surveillance Findings and Investigative Case Reports -
  58. 58. 58 1998. Disponível em:<http://www.cdc.gov/niosh/docs/98-131/pdfs/98-131.pdf> Acesso: 04 jul. 2011. ______. Occupational Safety and Health Administration - OSHA. How Electrical Current Affects the Human Body. Disponível em: <http://www.osha.gov/SLTC/etools/construction/electrical_incidents/eleccurrent.html> Acesso: 29 jun. 2011. MANTELLI, Fernando Eduardo Alonso. Segurança em Instalações Elétricas em Canteiros de Obras. Universidade Federal de São Carlos (Dissertação de Mestrado em Construção Civil). São Carlos, 2007. SAMPAIO, José Carlos de Arruda. Manual de Aplicação da NR-18. Pini:Sinduscon-SP. São Paulo, 1998. ______. PCMAT: Programa de Condições e Meio Ambiente do Trabalho na Indústria da Construção. Pini:Sinduscon-SP. São Paulo, 1998. SAURIN, Tarcisio Abreu; FORMOSO, Carlos Torres. Subsídios Para Aperfeiçoamento da NR-18. Disponível em: <http://www.segurancaetrabalho.com.br/download/subsidios- nr18.pdf> Acesso: 14 jun. 2011.

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