SlideShare uma empresa Scribd logo
1 de 13
Baixar para ler offline
Esta unidade tem por objectivo ajudá-lo a compreender o conceito
        de textualidade, isto é, as características que conferem a
        determinadas manifestações linguísticas humanas a designação de
        texto. Os mecanismos que asseguram a unidade/ estruturação de
        um texto (tecido) são a coesão e a coerência




Conceitos e Aplicações                                                      Utilidade
1. COESÃO
1.1. Mecanismos de coesão gramatical                   “Quando usam a língua, os falantes não
                                                       produzem palavras ou frases isoladas,
    1.1.1. Coesão frásica                              desligadas umas das outras e do
    1.1.2. Coesão interfrásica                         contexto situacional e discursivo. Pelo
    1.1.3. Coesão temporal                             contrário, tanto os produtos resultantes
    1.1.4. coesão referencial                          do uso primário da língua na situação
                                                       básica da conversa como os que
                                                       resultam da língua escrita em situações
 1.2. Mecanismos de coesão lexical
                                                       não pessoais, tanto os produtos de um
    1.2.1. Repetição                                   só locutor como os que resultam de
    1.2.2. Substituição                                uma actividade colaborativa de vários
             a) sinonímia                              falantes são objectos dotados de sentido
             b) antonímia                              e de unidade – ou seja, são produtos
             c) hiperonímia/ hiponímia                 coesos internamente e coerentes com o
             d) holonímia/ meronímia                   mundo, relativamente ao qual devem
                                                       ser interpretados. A tais produtos
                                                       chama-se textos.”
2. COERÊNCIA
                                                       Mª Helena Mira Mateus et alii, Gramática da Língua
    2.1. Coerência lógico-conceptual                    Portuguesa

            a)Princípios lógico-conceptuais
                     * ordenação lógica das situações apresentadas
                     * relações lógicas entre as situações
                     * propriedades e características dos objectos de
                       um mundo “normal”


    2.1. Coerência textual
            a)Regras de coerência textual
                     * repetição
                     * progressão
                     * não contradição
                     * relação
A coesão designa o conjunto de processos
                linguísticos que asseguram as ligações na frase e
                entre frases. A coesão, enquanto aspecto de
                gramaticalidade,     está ligada  à  competência
                linguística dos falantes.




    Conhecer os conceitos                                       Os processos




Coesão     frásica:   processo    que                 Ordenação das palavras na frase;
assegura a unidade entre os diferentes                concordância das palavras em género
elementos linguísticos de uma frase                   e/ou número; regência de preposições.
simples ou de uma oração



       Para que uma frase seja gramaticalmente correcta (coesa), os elementos
       linguísticos que a compõem devem obedecer quer a uma organização
       interna, quer a fenómenos de concordância. Vejam-se os exemplos:

                             a) Os pais discutiram o assunto


       Lendo a frase, não restam dúvidas de que esta é um exemplo de frase
       coesa e isto porque:

  * os seus constituintes se organizam segundo a ordem sintáctica normal da língua
  portuguesa – sujeito/verbo/objecto
  *nela estão respeitados todos os princípios de concordância: determinante e nome,
  masculinos e plural, que constituem o sujeito da frase, concordam com o verbo,
  também ele plural




                b) O aluno mais velhos da escola tiveram o privilégio
                  de encabeçar a lista da associação de estudantes


       Esta frase é um exemplo de frase não coesa, dado que, no grupo nominal,
       não há concordância entre o nome e o adjectivo que o caracteriza.
       Também o verbo não concorda em número com o sujeito.
Conhecer os conceitos                                        Os processos




Coesão interfrásica: processo que                        Coordenação;      subordinação;
assegura a articulação de orações,                       articulação     por      outros
frases e parágrafos entre si.                            conectores/organizadores




 Existem dois processos que asseguram a unidade das frases constituídas por mais do que
 uma oração (frases compostas ou complexas): a coordenação (sindética e assindética) e a
 subordinação.


 O João leu um romance, a Maria leu uma revista.                 Coordenação assindética

A frase é coesa pela simples justaposição das orações




     Fui a Paris, mas não visitei a Torre Eiffel.                 Coordenação sindética

A conjunção mas, apesar de prescindível, une as duas
           orações e torna a frase coesa




  O João pensa que vencerá mais um obstáculo.                         Subordinação

    A segunda oração, introduzida pela conjunção
   completiva integrante que, completa o sentido da
 primeira oração e é imprescindível para a coesão da
                         frase.




       A conexão entre várias frases, com vista à formação de unidades mais
       amplas, o parágrafo, é assegurada por conectores/ organizadores
       discursivos ou sinais de pontuação (que marcam a pausa e a melodia).
EXEMPLOS DE COESÃO NO INTERIOR DO PARÁGRAFO




    "A casa era grande, branca e antiga. Em sua frente                        Nesta descrição, os elementos
havia um pátio quadrado. À direita um laranjal onde noite e                   estão organizados através de
dia corria uma fonte. À esquerda era o jardim de buxo,                        expressões: Em sua frente, À
húmido e sombrio, com suas camélias e seus bancos de                          direita, À esquerda
azulejo."                                                                     (organizadores discursivos).
    Sophia de Mello Breyner Andresen,"O Jantar do Bispo? Contos Exemplares




    "Desde sempre a poesia foi, de entre todas as
actividades do espírito, aquela em que os portugueses
mais se distinguiram. Com efeito, num momento em que
particularmente importa avaliar o que, ao longo dos                           A conexão entre as duas frases faz-
tempos, foi o nosso contributo para a formação de uma                         se por meio de com efeito,
cultura europeia, há que reconhecer que muito poucas                          conector     que     exprime      a
                                                                              confirmação     do     que       foi
pessoas serão as figuras capazes de ombrear noutros                           anteriormente dito.
domínios com as suas congéneres de outras nações."
       Luís Miguel Nava,"Introdução"Antologia de Poesia Portuguesa




     "Pequenos ou mesmo minúsculos em tamanho,
gigantes em número e em idade, campeões do disfarce e do
ardil, mestres na arte da sobrevivência, os insectos são os
verdadeiros senhores do planeta. Joaninhas, grilos,                           Neste parágrafo, que integra duas
pirilampos, insectos-pau, eles sim - muito mais                               frases, a pausa, representada
provavelmente do que nós - serão naturais protagonistas                       graficamente pelo ponto final, é
no distante amanhã que cantam."                                               determinante para a organização e
                                                                              encadeamento das ideias.
                                    Notícias Magazine, 11 de Agosto de 2002
EXEMPLOS DE COESÃO NO INTERIOR DO PARÁGRAFO




     "Se, nos dias de hoje, os mais pequenos gestos da
nossa vida são enquadrados pela presença de entidades
derivadas da ciência, como é que isto pode ter
                                                                          A conexão entre os dois parágrafos é
acontecido? Se chegámos ao ponto de funcionar por
                                                                          feita pelo jogo pergunta/resposta,
obra e graça de microchips, alimentos enriquecidos com
                                                                          assinalado graficamente pelo
vitaminas, ou antibióticos ou vacinas, porque é que
                                                                          ponto de interrogação, ao qual
sabemos tão pouco sobre logaritmos, enzimas de
                                                                          corresponde a entoação.
restrição, ou a organização de colónias bacterianas? O que
falhou?
    O que falhou, fundamentalmente, foi que a explicação
da ciência ao público não foi cuidadosamente
programada desde o início."
             Clara Pinto Correia, Clones Humanos Sobre o Texto




    "(...) o Body Jam garante uma significativa melhoria
cardiovascular, ajuda a perder peso e favorece uma maior
consciência corporal, pela coordenação motora que é
estimulada durante as aulas. Tudo isto, claro, aliado ao
prazer do ritmo e à descontracção proporcionada por uma                    A ligação entre os parágrafos faz-
                                                                           se através do organizador em
hora de dança...
                                                                           suma, que introduz a conclusão
    Em suma, uma modalidade que assegura excelentes                        do exposto anteriormente.
resultados para o corpo e mente."
                                  In Saúde e Bem-Estar, Outubro de 2003




      "Até há bem pouco tempo, pensou-se que os
 recursos da Terra eram inesgotáveis e que a intervenção
 do     Homem    não   teria   grande    influência   no
 desenvolvimento normal dos ciclos da Natureza.
      No entanto, actualmente sabemos que o mundo                          A ligação entre os parágrafos faz-
 civilizado lança grande quantidade de gases para a                        se através do conector no
 atmosfera e que esses gases que deveriam ser                              entanto, que estabelece uma
 absorvidos pelas plantas não o são em quantidade                          oposição entre o que vai ser dito
                                                                           e o anteriormente referido.
 suficiente."

                                 In Notícias Magazine, Setembro de 2003
COESÃO
                                      TEMPORAL




    Conhecer os conceitos                                        Os processos




                                                       Expressões         adverbiais        ou
Coesão temporal: processo que
                                                       preposicionais com valor temporal;
consiste na sequencialização dos
                                                       datas; expressões que assinalam
enunciados, segundo uma lógica
                                                       ordem; utilização correlativa de tempos
temporal.
                                                       verbais.




     Há vários processos que estabelecem nexos temporais entre acções. As
     frases que se seguem exemplificam esses mecanismos.

                                                                       A ordenação dos
                                                                     acontecimentos é feita
 A patroa discutiu com todos os empregados e saiu                      segundo a ordem
                     zangada.                                             cronológica



                                                                   Utilização de expressões
                                                                  que assinalam a ordem dos
 Primeiro dirigiu-se ao indivíduo, depois pediu-lhe                     acontecimentos
               contas pelo sucedido.




                                                                    Emprego correlativo de
                                                                       tempos verbais
 Quando a polícia chegou, o ladrão já tinha fugido.




                                                                     Uso de expressões de
                                                                  tempo em consonância com
  Ela é uma pessoa inconstante: ontem tinha uma                       os tempos verbais
               ideia, hoje tem outra.




                                                                     Indicação de uma data
 O dia 25 de Abril de 1974 foi decisivo para o país.
COESÃO
                                          REFERENCIAL



     Conhecer os conceitos                                                   Os processos



Coesão Referencial propriedade dos
         temporal:
textos (orais e escritos) em que
determinadas expressões linguísticas
estabelecem relações de dependência                              Anáforas lexicais, anáforas pronominais,
com o discurso anterior, o discurso                              elipses, catáforas lexicais, pronominais,
subsequente ou a situação de                                     deícticos.
comunicação.


 Para que um texto progrida, mas mantenha sempre activados certos referentes, é
 necessária a retoma desses mesmos referentes, o que assegura a coesão textual.
 Designamos por referente a entidade do mundo real ou fictício para a qual remete uma
 expressão linguística.




                                                                   Cadeia referencial:
"Havia um rei que tinha uma filha. Era ele não só muito            uma filha —> a criança —> a —> lhe —>
impertinente, mas desconfiado. Logo que a criança nasceu,          [-]—> [-]
meteu-a numa torre com uma ama por companheira e
mestra. Permitia-lhe sair ao jardim, passear pelo terraço,         referente antecedente: uma filha
mas não consentia que [-] frequentasse reuniões ou [-] fizesse     anáfora nominal: a criança
visitas."                                                          anáforas pronominais: o/ lhe
                                                                   anáforas através da elipse: [-]



 No excerto transcrito, as expressões sublinhadas não têm referência autónoma, só
 podem ser interpretadas enquanto dependentes da expressão inicial (referente ante-
 cedente) - uma filha. Assim, designamos as expressões sublinhadas por anáforas, na
 medida em que remetem para algo que foi dito anteriormente. Integrados nesta
 cadeia referencial surgem dois lugares vazios na posição de sujeito, assinalados por [-].
 Esses espaços seriam preenchidos pelo referente a filha. Aos elementos da cadeia
 referencial, porque têm o mesmo referente, chamam-se co-referentes.
COESÃO
                                              REFERENCIAL



                                                                         Cadeia referencial:
                                                                         jogadora de futebol —> jovem musculada
 "Sonhava ser jogadora de futebol para tentar seguir os
passos de Eusébio.(...) O desejo da jovem musculada foi                  —> a —> uma verdadeira campeã das
transformado pelo escritor Craveirinha, que a viu correr e               pistas —> [-] —>Maria de Lurdes Mutola
jogar e acreditou imediatamente que tinha encontrado uma
verdadeira campeã das pistas. (...) Três anos depois - e
                                                                         catáforas nominais: jogadora de futebol/
após a presença [-] nas Olimpíadas de Seul - Maria de
Lurdes Mutola já estava nos Estados Unidos (...)."                       jovem musculada/ a/ uma verdadeira
                               "Única" Expresso, 6 de Setembro de 2003   campeã das pistas
                                                                         catáforas pronominais: a
                                                                         catáforas através da elipse: [-]
                                                                         referente subsequente: Maria de Lurdes
                                                                         Mutola


 Lido o texto, apercebemo-nos de que as expressões sublinhadas têm de ser
 interpretadas como dependentes de uma outra que só ocorre no final do excerto.
 Assim, e dado que a cadeia referencial não corresponde à ordem linear, as expressões
 sublinhadas são catáforas relativamente à expressão nominal final (Maria de Lurdes
 Mutola).




                                                                         Referentes - não explicitados no enunciado,
-O teu é maior! Troca pelo meu…!
                                                                         mas reconhecíveis no contexto situacional.
(Pedido do locutor - uma criança, depois de verificar que                Deícticos - o teu; o meu
o seu gelado é mais pequeno que o do alocutário.)




Neste exemplo de situação de comunicação oral, o referente não está nomeado no
enunciado, surge apenas pronominalizado. Isto é possível pelo facto de locutor e
alocutário estarem presentes no mesmo contexto situacional, identificando, assim,
facilmente o referente. Estas expressões que remetem para o contexto situacional
(locutor, alocutário, momento e lugar de enunciação) são os deícticos.
Mecanismos de
                                          coesão lexical




     Conhecer os conceitos                                          Os processos


Coesão     lexical:   processo     que                      Repetição
assegura a relação co-referencial entre                     Substituição (sinonímia, antonímia,
expressões linguísticas presentes nos                       hiperonímia/hiponímia, holonímia/
enunciados.                                                 meronímia




        Vários são os processos que, ao nível do léxico, asseguram a coesão textual:
                         Repetição
 "Elas são quatro milhões, o dia nasce, elas acendem o                         Repetição
 lume. Elas cortam o pão e aquecem o café. Elas
 picam cebolas e descascam batatas."


                       Substituição
                                                                               Sinonímia
 O rapaz sempre que se dirigia ao prior corava. O
 padre questionava-o até ao pormenor.


                                                                               Antonímia
 O João jurava à namorada que dizia a verdade, mas
 ela sabia que ele mentia.


 Os meios de transporte marítimos são mais
 poluentes do que os aéreos. Veja-se o exemplo do                       Hiperonímia/ hiponímia
 petroleiro "Prestige" que ao partir-se em dois
 largou enormíssimas manchas de crude, poluindo
 assim toda a costa da Galiza.


 Os universitários reuniram-se uma vez mais para                        Hiponímia/ hiperonímia
 protestar contra o aumento das propinas. Recorde-
 se que as acções dos estudantes são cada vez mais
 frequentes no nosso país.



 O João tem um carro espectacular! Caixa automática,                     Holonímia/ meronímia
 estofos em pele, tecto de abrir, jantes de liga leve, ar
 condicionado automático, caixa de CD!
A coesão designa a aceitabilidade de um enunciado oral ou
            escrito. Resulta da interacção entre o conteúdo informacional dos
            enunciados e o conhecimento do mundo de cada falante. A
            coerência está, pois, ligada à competência enciclopédica e ao
            conhecimento da situação comunicativa. É um factor
            determinante para a textualidade




          Conhecer os conceitos                                         Os processos



Coerência lógico-conceptual: uma frase ou um              1.     ordenação    lógica   das     situações
texto é coerente se as situações nele/a recriadas         apresentadas;
estiverem conforme àquilo que sabemos do mundo e          2. estabelecimento de relações lógicas entre
se forem respeitados os princípios de natureza            as situações;
lógica                                                    3. atribuição de propriedades e características
                                                          dos objectos conformes ao mundo normal




        Um texto para ser coerente tem de respeitar os princípios lógico-conceptuais



                        1. Ordenação lógica das situações apresentadas



A) Entrei no consultório. Havia revistas de capas coloridas. Uma pequena mesa estava debaixo delas.

B) Entrei no consultório. Havia revistas de capas coloridas em cima de uma pequena mesa.

C) Entrei no consultório. Primeiro vi vi revistas de capas coloridas. Só depois reparei na pequena mesa
que estava debaixo delas.




A frase a) é uma frase incoerente, pois a ordenação dos elementos descritos não
corresponde ao modo como, geralmente, os percepcionamos na realidade.
A frase b) é uma frase coerente, pois a ordem dos elementos descritos corresponde ao
modo como, geralmente, os percepcionamos na realidade.
A frase c) é uma frase coerente, pois as formas linguísticas primeiro, só depois
determinam a ordem pela qual a realidade foi percepcionada.
2. Relações lógicas entre as situações



                     A) As ruas estão molhadas porque não choveu.

                     B) O piso está escorregadio porque choveu.


A frase a) é uma frase incoerente, visto que o nexo de causalidade nela estabelecido
entra em ruptura com o nosso conhecimento do mundo.
A frase b) é uma frase coerente, visto que nela se estabelece um nexo de causalidade
conforme a nossa visão do mundo.




             3. Propriedades e características dos objectos conformes ao
                                    mundo normal



                     A) A mesa dançou toda a noite.

                     B) A rapariga dançou toda a noite no palco iluminado.


A frase a) é uma frase incoerente, visto que as propriedades atribuídas ao objecto mesa
não são conformes à nossa visão do mundo.
A frase b) é uma frase coerente, pois as propriedades/ características atribuídas aos
indivíduos e ao objecto palco estão de acordo com o nosso conhecimento do mundo.




                             PARÊNTESES PARA A FICÇÃO
COERÊNCIA
                                                           TEXTUAL




            Conhecer os conceitos                                                                    Os processos


Coerência textual: para que um texto seja coerente,
isto é, possua uma unidade de sentido, as relações                                                1. Repetição
de ordem e de lineariedade das ocorrências textuais                                               2. Progressão
não podem ser arbitrárias. A unidade semântica                                                    3. Não contradição
global obedece, pois, a um conjunto de regras.                                                    4. Relação


1.) A regra da repetição assegura o desenvolvimento temático do texto, sem rupturas nem
ambiguidades. São vários os recursos linguísticos que garantem a repetição (ou retoma): as
anáforas, as catáforas e os deícticos .


"Um homem de grandes artes tinha na sua companhia                                       Repare-se como neste parágrafo a
um sobrinho que lhe guardava a casa enquanto ele                                   repetição assegura não só a coesão como
dormia. De uma vez, [-] deu-lhe duas chaves e [-]                                  também a progressão temática. O texto vai
recomendou:                                                                        progredindo pela retoma pronominal e
    - Estas chaves são daquelas duas portas. Não as                                lexical sucessiva dos referentes "Um homem"
abras por nada deste mundo, senão morres.                                          (sua, lhe, ele, [-]) e "um sobrinho" (que, lhe, o
    O rapaz, assim que [-] se viu sozinho [-] não se                               rapaz, [-], se, [-], se, [-]).
lembrou mais da ameaça e [-] abriu uma das portas."
   "O Aprendiz de Feiticeiro" Contos Populares Portugueses




 2.) A regra da progressão assegura que, num texto, a informação conhecida e partilhada
 pelos intervenientes no processo comunicativo (tema) seja constantemente acompanhada de
 informação nova e relevante (rema).

                                                                                    Progressão por tema constante
"Oceanos                                                                            (tema/tema)
Os oceanos e os mares abertos cobrem um pouco                                       Um mesmo tema é retomado em frases
menos de 71% da superfície terrestre (361 milhões de km2)                           sucessivas associado a diferentes remas.
e encerram 1322 milhões de km2 de água. Desempenham no                             1 a frase:
equilíbrio natural da Terra um papel proporcional à sua                            Tema - os oceanos e os mares
extensão e ao seu volume consideráveis."                                           Rema- cobrem... superfície terrestre
                                      Enciclopédia Larousse, Círculo de Leitores   2a frase:
                                                                                   Tema - [-] (os oceanos e os mares)
                                                                                   Rema: desempenham na Terra um papel...
"- Olha o macaco do rabo mariola
   que do rabo fez navalha                                                           Progressão linear (tema/rema)
  da navalha fez sardinha
                                                                                     O rema da primeira frase torna-se o tema
  da sardinha fez farinha
  da farinha fez menina                                                              da seguinte:
  da menina fez camisa
  da camisa fez viola
  e agora deu à sola
  e agora deu à sola."
                                    António Torrado, O macaco do rabo cortado




  Baleias                                                                            Progressão por temas derivados (hipertema/
  As baleias contam-se entre os maiores mamíferos do mundo
                                                                                     subtemas)
  animal. Certas espécies são sociais enquanto outras são
  mais solitárias. As baleias mais sociais são as baleias-                           Um tema dá origem ao desenvolvimento de
  cinzentas.                                                                         outros subtemas.
                            Enciclopédia Larousse, Círculo de Leitores (adaptado)




3.) A regra da não contradição assegura que nenhuma ocorrência textual entre em contradição
    com algo já referido, explícita ou implicitamente, no mesmo enunciado.


                                                                                     Este texto é contraditório, porque se afirma que
 Foi com Gil Vicente que nasceu o teatro em Portugal. As                             Gil Vicente é o pai do teatro em Portugal e, de
 manifestações teatrais anteriores a este autor, de carácter
 religioso e profano, dirigidas ao povo ou à corte, eram                             seguida, é referida uma característica das
 rudimentares                                                                        manifestações teatrais anteriores ao autor.




   4.) A regra da relação assegura que num texto se estabeleça uma relação directa entre os
       factos enunciados.
                                                                     Neste texto, não se estabelece uma clara relação entre as
Foi com Gil Vicente que nasceu o teatro
                                                               ideias das duas frases. De facto, à ideia de teatro enquanto
português enquanto categoria literária. Em
                                                               categoria literária deveria contrapor-se uma outra: a de que as
Portugal, as manifestações teatrais anteriores
                                                               manifestações teatrais anteriores a Gil Vicente eram rudimentares,
a Gil Vicente, que existiam desde a fundação
                                                               embrionárias e não tinham suporte escrito, sendo contudo fulcrais
da nacionalidade, eram de carácter religioso
                                                               para a obra vicentina. Ora, o facto de estas últimas serem
e profano.
                                                               religiosas ou profanas em nada as distingue das peças vicentinas.
                                                               Para assegurar a relação entre as ideias, teria de referir-se que:




                    Em Portugal, as manifestações teatrais anteriores a Gil Vicente, que existiam desde a
                    fundação da nacionalidade, eram muito rudimentares e existiam sem um suporte
                    escrito. Estas manifestações, de carácter religioso e profano, foram, contudo,
                    determinantes para a obra vicentina.

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

FICHA - GÊNEROS LITERÁRIOS - EXERCÍCIOS - Gabarito.pdf
FICHA - GÊNEROS LITERÁRIOS - EXERCÍCIOS - Gabarito.pdfFICHA - GÊNEROS LITERÁRIOS - EXERCÍCIOS - Gabarito.pdf
FICHA - GÊNEROS LITERÁRIOS - EXERCÍCIOS - Gabarito.pdfNatália Moura
 
AULA 01 - TEXTO DISSERTATIVO-ARGUMENTATIVO - ESTRUTURA
AULA 01 - TEXTO DISSERTATIVO-ARGUMENTATIVO - ESTRUTURAAULA 01 - TEXTO DISSERTATIVO-ARGUMENTATIVO - ESTRUTURA
AULA 01 - TEXTO DISSERTATIVO-ARGUMENTATIVO - ESTRUTURAMarcelo Cordeiro Souza
 
Tudo sobre POEMAS
Tudo sobre POEMASTudo sobre POEMAS
Tudo sobre POEMASJaicinha
 
Generos e tipos textuais ppt
Generos e tipos textuais pptGeneros e tipos textuais ppt
Generos e tipos textuais pptpnaicdertsis
 
Níveis de linguagem formalidade e informalidade da língua portuguesa no Brasi...
Níveis de linguagem formalidade e informalidade da língua portuguesa no Brasi...Níveis de linguagem formalidade e informalidade da língua portuguesa no Brasi...
Níveis de linguagem formalidade e informalidade da língua portuguesa no Brasi...JohnJeffersonAlves1
 
Gêneros e tipos textuais
Gêneros e tipos textuaisGêneros e tipos textuais
Gêneros e tipos textuaismarlospg
 
Oficina de Gêneros Textuais em sala de aula
Oficina de Gêneros Textuais em sala de aulaOficina de Gêneros Textuais em sala de aula
Oficina de Gêneros Textuais em sala de aulaJosilene Borges
 
Sugestões atividades oralidade
Sugestões atividades oralidadeSugestões atividades oralidade
Sugestões atividades oralidadeDyone Andrade
 
Exercicio oracoes coordenadas respostas
Exercicio oracoes coordenadas   respostasExercicio oracoes coordenadas   respostas
Exercicio oracoes coordenadas respostasAline Roma
 
Cruzadinha generos[1]
Cruzadinha generos[1]Cruzadinha generos[1]
Cruzadinha generos[1]Ana De Paula
 
Passos para a redação do enem
Passos para a redação do enemPassos para a redação do enem
Passos para a redação do enemLuciene Gomes
 
18222647 exercícios-estrutura-e-formação-das-palavras (1)
18222647 exercícios-estrutura-e-formação-das-palavras (1)18222647 exercícios-estrutura-e-formação-das-palavras (1)
18222647 exercícios-estrutura-e-formação-das-palavras (1)Iony Menezes
 
Gênero - Memória Literária
Gênero - Memória LiteráriaGênero - Memória Literária
Gênero - Memória LiteráriaKetheley Freire
 
6º ano E. F. II - Variação Linguística
6º ano E. F. II - Variação Linguística6º ano E. F. II - Variação Linguística
6º ano E. F. II - Variação LinguísticaAngélica Manenti
 
Atividade denotaçao e conotaçao musica
Atividade denotaçao e conotaçao musicaAtividade denotaçao e conotaçao musica
Atividade denotaçao e conotaçao musicacaroll_rezende
 
Apresentação Adverbios
Apresentação AdverbiosApresentação Adverbios
Apresentação AdverbiosLeisiane Jesus
 
82428046 exercicios-denotacao-e-conotacao
82428046 exercicios-denotacao-e-conotacao82428046 exercicios-denotacao-e-conotacao
82428046 exercicios-denotacao-e-conotacaoGeija Fortunato
 

Mais procurados (20)

Atividade anaf cataf 9 ano dinarte
Atividade anaf cataf 9 ano dinarteAtividade anaf cataf 9 ano dinarte
Atividade anaf cataf 9 ano dinarte
 
FICHA - GÊNEROS LITERÁRIOS - EXERCÍCIOS - Gabarito.pdf
FICHA - GÊNEROS LITERÁRIOS - EXERCÍCIOS - Gabarito.pdfFICHA - GÊNEROS LITERÁRIOS - EXERCÍCIOS - Gabarito.pdf
FICHA - GÊNEROS LITERÁRIOS - EXERCÍCIOS - Gabarito.pdf
 
AULA 01 - TEXTO DISSERTATIVO-ARGUMENTATIVO - ESTRUTURA
AULA 01 - TEXTO DISSERTATIVO-ARGUMENTATIVO - ESTRUTURAAULA 01 - TEXTO DISSERTATIVO-ARGUMENTATIVO - ESTRUTURA
AULA 01 - TEXTO DISSERTATIVO-ARGUMENTATIVO - ESTRUTURA
 
Tudo sobre POEMAS
Tudo sobre POEMASTudo sobre POEMAS
Tudo sobre POEMAS
 
Generos e tipos textuais ppt
Generos e tipos textuais pptGeneros e tipos textuais ppt
Generos e tipos textuais ppt
 
Níveis de linguagem formalidade e informalidade da língua portuguesa no Brasi...
Níveis de linguagem formalidade e informalidade da língua portuguesa no Brasi...Níveis de linguagem formalidade e informalidade da língua portuguesa no Brasi...
Níveis de linguagem formalidade e informalidade da língua portuguesa no Brasi...
 
Gêneros e tipos textuais
Gêneros e tipos textuaisGêneros e tipos textuais
Gêneros e tipos textuais
 
Humor e ironia
Humor e ironiaHumor e ironia
Humor e ironia
 
Oficina de Gêneros Textuais em sala de aula
Oficina de Gêneros Textuais em sala de aulaOficina de Gêneros Textuais em sala de aula
Oficina de Gêneros Textuais em sala de aula
 
Sugestões atividades oralidade
Sugestões atividades oralidadeSugestões atividades oralidade
Sugestões atividades oralidade
 
Exercicio oracoes coordenadas respostas
Exercicio oracoes coordenadas   respostasExercicio oracoes coordenadas   respostas
Exercicio oracoes coordenadas respostas
 
Cruzadinha generos[1]
Cruzadinha generos[1]Cruzadinha generos[1]
Cruzadinha generos[1]
 
Passos para a redação do enem
Passos para a redação do enemPassos para a redação do enem
Passos para a redação do enem
 
18222647 exercícios-estrutura-e-formação-das-palavras (1)
18222647 exercícios-estrutura-e-formação-das-palavras (1)18222647 exercícios-estrutura-e-formação-das-palavras (1)
18222647 exercícios-estrutura-e-formação-das-palavras (1)
 
Gênero - Memória Literária
Gênero - Memória LiteráriaGênero - Memória Literária
Gênero - Memória Literária
 
6º ano E. F. II - Variação Linguística
6º ano E. F. II - Variação Linguística6º ano E. F. II - Variação Linguística
6º ano E. F. II - Variação Linguística
 
Atividade denotaçao e conotaçao musica
Atividade denotaçao e conotaçao musicaAtividade denotaçao e conotaçao musica
Atividade denotaçao e conotaçao musica
 
Apresentação Adverbios
Apresentação AdverbiosApresentação Adverbios
Apresentação Adverbios
 
82428046 exercicios-denotacao-e-conotacao
82428046 exercicios-denotacao-e-conotacao82428046 exercicios-denotacao-e-conotacao
82428046 exercicios-denotacao-e-conotacao
 
Atividade de português: Orações coordenadas sindéticas – 8º ou 9º ano ...
   Atividade de português: Orações coordenadas sindéticas – 8º ou 9º ano     ...   Atividade de português: Orações coordenadas sindéticas – 8º ou 9º ano     ...
Atividade de português: Orações coordenadas sindéticas – 8º ou 9º ano ...
 

Destaque

AULA 3 - COESÃO E COERÊNCIA
AULA 3 - COESÃO E COERÊNCIAAULA 3 - COESÃO E COERÊNCIA
AULA 3 - COESÃO E COERÊNCIAaulasdejornalismo
 
Coesão e Coerência Textual
Coesão e Coerência TextualCoesão e Coerência Textual
Coesão e Coerência TextualLorena Zambon
 
Coerência e coesão textual,matias
Coerência e coesão textual,matiasCoerência e coesão textual,matias
Coerência e coesão textual,matiasAlexandra Gonçalves
 
As meta regras de challores
As meta regras de challoresAs meta regras de challores
As meta regras de challoresUpap Upapce
 
ELEMENTO DE TEXTUALIDADE: COESÃO TEXTUAL
ELEMENTO DE TEXTUALIDADE: COESÃO TEXTUALELEMENTO DE TEXTUALIDADE: COESÃO TEXTUAL
ELEMENTO DE TEXTUALIDADE: COESÃO TEXTUALDébora Costa
 
Exercicio coesão e coerência textual
Exercicio coesão e coerência textualExercicio coesão e coerência textual
Exercicio coesão e coerência textualluizcarmo
 
Coesão e coerencia
Coesão e coerenciaCoesão e coerencia
Coesão e coerenciasilnog
 
Coesão e Coerencia Aplicados ao Turismo
Coesão e Coerencia Aplicados ao TurismoCoesão e Coerencia Aplicados ao Turismo
Coesão e Coerencia Aplicados ao TurismoTati Duarte
 
SAUSSURE E SUA CONCEPÇÃO DE SIGNO LINGUISTICO
SAUSSURE E SUA CONCEPÇÃO DE SIGNO LINGUISTICOSAUSSURE E SUA CONCEPÇÃO DE SIGNO LINGUISTICO
SAUSSURE E SUA CONCEPÇÃO DE SIGNO LINGUISTICOCarla Ferreira
 
Encontros vocálicos e consonantais
Encontros vocálicos e consonantaisEncontros vocálicos e consonantais
Encontros vocálicos e consonantaisALYNNE FERREIRA
 
CoerêNcia Textual
CoerêNcia TextualCoerêNcia Textual
CoerêNcia Textualguestafae0a
 

Destaque (20)

Coesão e coerência
Coesão e coerênciaCoesão e coerência
Coesão e coerência
 
AULA 3 - COESÃO E COERÊNCIA
AULA 3 - COESÃO E COERÊNCIAAULA 3 - COESÃO E COERÊNCIA
AULA 3 - COESÃO E COERÊNCIA
 
Coesão e Coerência Textual
Coesão e Coerência TextualCoesão e Coerência Textual
Coesão e Coerência Textual
 
Coerência e coesão textual,matias
Coerência e coesão textual,matiasCoerência e coesão textual,matias
Coerência e coesão textual,matias
 
As meta regras de challores
As meta regras de challoresAs meta regras de challores
As meta regras de challores
 
ELEMENTO DE TEXTUALIDADE: COESÃO TEXTUAL
ELEMENTO DE TEXTUALIDADE: COESÃO TEXTUALELEMENTO DE TEXTUALIDADE: COESÃO TEXTUAL
ELEMENTO DE TEXTUALIDADE: COESÃO TEXTUAL
 
Elementos de coesão
Elementos de coesãoElementos de coesão
Elementos de coesão
 
Exercicio coesão e coerência textual
Exercicio coesão e coerência textualExercicio coesão e coerência textual
Exercicio coesão e coerência textual
 
Coesão e coerencia
Coesão e coerenciaCoesão e coerencia
Coesão e coerencia
 
Coesão e Coerencia Aplicados ao Turismo
Coesão e Coerencia Aplicados ao TurismoCoesão e Coerencia Aplicados ao Turismo
Coesão e Coerencia Aplicados ao Turismo
 
Lindb.pdf
Lindb.pdfLindb.pdf
Lindb.pdf
 
Slides unidade 5
Slides unidade 5Slides unidade 5
Slides unidade 5
 
Organizador textual
Organizador textualOrganizador textual
Organizador textual
 
SAUSSURE E SUA CONCEPÇÃO DE SIGNO LINGUISTICO
SAUSSURE E SUA CONCEPÇÃO DE SIGNO LINGUISTICOSAUSSURE E SUA CONCEPÇÃO DE SIGNO LINGUISTICO
SAUSSURE E SUA CONCEPÇÃO DE SIGNO LINGUISTICO
 
Grupo de orpheu
Grupo de orpheuGrupo de orpheu
Grupo de orpheu
 
Poemas visuais
Poemas visuaisPoemas visuais
Poemas visuais
 
Encontros vocálicos e consonantais
Encontros vocálicos e consonantaisEncontros vocálicos e consonantais
Encontros vocálicos e consonantais
 
Coesão textual
Coesão textualCoesão textual
Coesão textual
 
Coerência textual
Coerência textualCoerência textual
Coerência textual
 
CoerêNcia Textual
CoerêNcia TextualCoerêNcia Textual
CoerêNcia Textual
 

Semelhante a Conceitos de coesão e coerência em textos

Semelhante a Conceitos de coesão e coerência em textos (20)

Mecanismos de Coesão
Mecanismos de CoesãoMecanismos de Coesão
Mecanismos de Coesão
 
Resumo Tp5 Unid 19 20
Resumo   Tp5   Unid 19 20Resumo   Tp5   Unid 19 20
Resumo Tp5 Unid 19 20
 
Ensino medio livre_edicao_2012_unidade_01_gramatica
Ensino medio livre_edicao_2012_unidade_01_gramaticaEnsino medio livre_edicao_2012_unidade_01_gramatica
Ensino medio livre_edicao_2012_unidade_01_gramatica
 
617
617617
617
 
Semântica
SemânticaSemântica
Semântica
 
Tp5
Tp5Tp5
Tp5
 
Coesao textual 1
Coesao textual 1Coesao textual 1
Coesao textual 1
 
Formalismo x funcionalismo
Formalismo x funcionalismoFormalismo x funcionalismo
Formalismo x funcionalismo
 
TP5- Unidades 17 e 18
TP5- Unidades 17  e  18TP5- Unidades 17  e  18
TP5- Unidades 17 e 18
 
1-1-coesao-e-coerencia_slides.ppt
1-1-coesao-e-coerencia_slides.ppt1-1-coesao-e-coerencia_slides.ppt
1-1-coesao-e-coerencia_slides.ppt
 
07 2º bimestre - bloco 02 - 14_06_21 a 08_07_21 - 5º ano c
07  2º bimestre - bloco 02 - 14_06_21 a 08_07_21 - 5º ano c07  2º bimestre - bloco 02 - 14_06_21 a 08_07_21 - 5º ano c
07 2º bimestre - bloco 02 - 14_06_21 a 08_07_21 - 5º ano c
 
Linguística da enunciação e ergologia: um diálogo possível.
Linguística da enunciação e ergologia: um diálogo possível.Linguística da enunciação e ergologia: um diálogo possível.
Linguística da enunciação e ergologia: um diálogo possível.
 
Oficina de Língua Portuguesa
Oficina de Língua PortuguesaOficina de Língua Portuguesa
Oficina de Língua Portuguesa
 
Fichamento de 1.0 estrutura sintática da frase
Fichamento de 1.0 estrutura sintática da fraseFichamento de 1.0 estrutura sintática da frase
Fichamento de 1.0 estrutura sintática da frase
 
Comunicacaoalternativa
ComunicacaoalternativaComunicacaoalternativa
Comunicacaoalternativa
 
Sintaxe
SintaxeSintaxe
Sintaxe
 
Oficina de Língua Portuguesa
Oficina de Língua PortuguesaOficina de Língua Portuguesa
Oficina de Língua Portuguesa
 
A Sintaxe em Mattoso Câmara.pptx
A Sintaxe em Mattoso Câmara.pptxA Sintaxe em Mattoso Câmara.pptx
A Sintaxe em Mattoso Câmara.pptx
 
O Processo de Comunicação
O Processo de ComunicaçãoO Processo de Comunicação
O Processo de Comunicação
 
Coesão Referencial
Coesão ReferencialCoesão Referencial
Coesão Referencial
 

Conceitos de coesão e coerência em textos

  • 1. Esta unidade tem por objectivo ajudá-lo a compreender o conceito de textualidade, isto é, as características que conferem a determinadas manifestações linguísticas humanas a designação de texto. Os mecanismos que asseguram a unidade/ estruturação de um texto (tecido) são a coesão e a coerência Conceitos e Aplicações Utilidade 1. COESÃO 1.1. Mecanismos de coesão gramatical “Quando usam a língua, os falantes não produzem palavras ou frases isoladas, 1.1.1. Coesão frásica desligadas umas das outras e do 1.1.2. Coesão interfrásica contexto situacional e discursivo. Pelo 1.1.3. Coesão temporal contrário, tanto os produtos resultantes 1.1.4. coesão referencial do uso primário da língua na situação básica da conversa como os que resultam da língua escrita em situações 1.2. Mecanismos de coesão lexical não pessoais, tanto os produtos de um 1.2.1. Repetição só locutor como os que resultam de 1.2.2. Substituição uma actividade colaborativa de vários a) sinonímia falantes são objectos dotados de sentido b) antonímia e de unidade – ou seja, são produtos c) hiperonímia/ hiponímia coesos internamente e coerentes com o d) holonímia/ meronímia mundo, relativamente ao qual devem ser interpretados. A tais produtos chama-se textos.” 2. COERÊNCIA Mª Helena Mira Mateus et alii, Gramática da Língua 2.1. Coerência lógico-conceptual Portuguesa a)Princípios lógico-conceptuais * ordenação lógica das situações apresentadas * relações lógicas entre as situações * propriedades e características dos objectos de um mundo “normal” 2.1. Coerência textual a)Regras de coerência textual * repetição * progressão * não contradição * relação
  • 2. A coesão designa o conjunto de processos linguísticos que asseguram as ligações na frase e entre frases. A coesão, enquanto aspecto de gramaticalidade, está ligada à competência linguística dos falantes. Conhecer os conceitos Os processos Coesão frásica: processo que Ordenação das palavras na frase; assegura a unidade entre os diferentes concordância das palavras em género elementos linguísticos de uma frase e/ou número; regência de preposições. simples ou de uma oração Para que uma frase seja gramaticalmente correcta (coesa), os elementos linguísticos que a compõem devem obedecer quer a uma organização interna, quer a fenómenos de concordância. Vejam-se os exemplos: a) Os pais discutiram o assunto Lendo a frase, não restam dúvidas de que esta é um exemplo de frase coesa e isto porque: * os seus constituintes se organizam segundo a ordem sintáctica normal da língua portuguesa – sujeito/verbo/objecto *nela estão respeitados todos os princípios de concordância: determinante e nome, masculinos e plural, que constituem o sujeito da frase, concordam com o verbo, também ele plural b) O aluno mais velhos da escola tiveram o privilégio de encabeçar a lista da associação de estudantes Esta frase é um exemplo de frase não coesa, dado que, no grupo nominal, não há concordância entre o nome e o adjectivo que o caracteriza. Também o verbo não concorda em número com o sujeito.
  • 3. Conhecer os conceitos Os processos Coesão interfrásica: processo que Coordenação; subordinação; assegura a articulação de orações, articulação por outros frases e parágrafos entre si. conectores/organizadores Existem dois processos que asseguram a unidade das frases constituídas por mais do que uma oração (frases compostas ou complexas): a coordenação (sindética e assindética) e a subordinação. O João leu um romance, a Maria leu uma revista. Coordenação assindética A frase é coesa pela simples justaposição das orações Fui a Paris, mas não visitei a Torre Eiffel. Coordenação sindética A conjunção mas, apesar de prescindível, une as duas orações e torna a frase coesa O João pensa que vencerá mais um obstáculo. Subordinação A segunda oração, introduzida pela conjunção completiva integrante que, completa o sentido da primeira oração e é imprescindível para a coesão da frase. A conexão entre várias frases, com vista à formação de unidades mais amplas, o parágrafo, é assegurada por conectores/ organizadores discursivos ou sinais de pontuação (que marcam a pausa e a melodia).
  • 4. EXEMPLOS DE COESÃO NO INTERIOR DO PARÁGRAFO "A casa era grande, branca e antiga. Em sua frente Nesta descrição, os elementos havia um pátio quadrado. À direita um laranjal onde noite e estão organizados através de dia corria uma fonte. À esquerda era o jardim de buxo, expressões: Em sua frente, À húmido e sombrio, com suas camélias e seus bancos de direita, À esquerda azulejo." (organizadores discursivos). Sophia de Mello Breyner Andresen,"O Jantar do Bispo? Contos Exemplares "Desde sempre a poesia foi, de entre todas as actividades do espírito, aquela em que os portugueses mais se distinguiram. Com efeito, num momento em que particularmente importa avaliar o que, ao longo dos A conexão entre as duas frases faz- tempos, foi o nosso contributo para a formação de uma se por meio de com efeito, cultura europeia, há que reconhecer que muito poucas conector que exprime a confirmação do que foi pessoas serão as figuras capazes de ombrear noutros anteriormente dito. domínios com as suas congéneres de outras nações." Luís Miguel Nava,"Introdução"Antologia de Poesia Portuguesa "Pequenos ou mesmo minúsculos em tamanho, gigantes em número e em idade, campeões do disfarce e do ardil, mestres na arte da sobrevivência, os insectos são os verdadeiros senhores do planeta. Joaninhas, grilos, Neste parágrafo, que integra duas pirilampos, insectos-pau, eles sim - muito mais frases, a pausa, representada provavelmente do que nós - serão naturais protagonistas graficamente pelo ponto final, é no distante amanhã que cantam." determinante para a organização e encadeamento das ideias. Notícias Magazine, 11 de Agosto de 2002
  • 5. EXEMPLOS DE COESÃO NO INTERIOR DO PARÁGRAFO "Se, nos dias de hoje, os mais pequenos gestos da nossa vida são enquadrados pela presença de entidades derivadas da ciência, como é que isto pode ter A conexão entre os dois parágrafos é acontecido? Se chegámos ao ponto de funcionar por feita pelo jogo pergunta/resposta, obra e graça de microchips, alimentos enriquecidos com assinalado graficamente pelo vitaminas, ou antibióticos ou vacinas, porque é que ponto de interrogação, ao qual sabemos tão pouco sobre logaritmos, enzimas de corresponde a entoação. restrição, ou a organização de colónias bacterianas? O que falhou? O que falhou, fundamentalmente, foi que a explicação da ciência ao público não foi cuidadosamente programada desde o início." Clara Pinto Correia, Clones Humanos Sobre o Texto "(...) o Body Jam garante uma significativa melhoria cardiovascular, ajuda a perder peso e favorece uma maior consciência corporal, pela coordenação motora que é estimulada durante as aulas. Tudo isto, claro, aliado ao prazer do ritmo e à descontracção proporcionada por uma A ligação entre os parágrafos faz- se através do organizador em hora de dança... suma, que introduz a conclusão Em suma, uma modalidade que assegura excelentes do exposto anteriormente. resultados para o corpo e mente." In Saúde e Bem-Estar, Outubro de 2003 "Até há bem pouco tempo, pensou-se que os recursos da Terra eram inesgotáveis e que a intervenção do Homem não teria grande influência no desenvolvimento normal dos ciclos da Natureza. No entanto, actualmente sabemos que o mundo A ligação entre os parágrafos faz- civilizado lança grande quantidade de gases para a se através do conector no atmosfera e que esses gases que deveriam ser entanto, que estabelece uma absorvidos pelas plantas não o são em quantidade oposição entre o que vai ser dito e o anteriormente referido. suficiente." In Notícias Magazine, Setembro de 2003
  • 6. COESÃO TEMPORAL Conhecer os conceitos Os processos Expressões adverbiais ou Coesão temporal: processo que preposicionais com valor temporal; consiste na sequencialização dos datas; expressões que assinalam enunciados, segundo uma lógica ordem; utilização correlativa de tempos temporal. verbais. Há vários processos que estabelecem nexos temporais entre acções. As frases que se seguem exemplificam esses mecanismos. A ordenação dos acontecimentos é feita A patroa discutiu com todos os empregados e saiu segundo a ordem zangada. cronológica Utilização de expressões que assinalam a ordem dos Primeiro dirigiu-se ao indivíduo, depois pediu-lhe acontecimentos contas pelo sucedido. Emprego correlativo de tempos verbais Quando a polícia chegou, o ladrão já tinha fugido. Uso de expressões de tempo em consonância com Ela é uma pessoa inconstante: ontem tinha uma os tempos verbais ideia, hoje tem outra. Indicação de uma data O dia 25 de Abril de 1974 foi decisivo para o país.
  • 7. COESÃO REFERENCIAL Conhecer os conceitos Os processos Coesão Referencial propriedade dos temporal: textos (orais e escritos) em que determinadas expressões linguísticas estabelecem relações de dependência Anáforas lexicais, anáforas pronominais, com o discurso anterior, o discurso elipses, catáforas lexicais, pronominais, subsequente ou a situação de deícticos. comunicação. Para que um texto progrida, mas mantenha sempre activados certos referentes, é necessária a retoma desses mesmos referentes, o que assegura a coesão textual. Designamos por referente a entidade do mundo real ou fictício para a qual remete uma expressão linguística. Cadeia referencial: "Havia um rei que tinha uma filha. Era ele não só muito uma filha —> a criança —> a —> lhe —> impertinente, mas desconfiado. Logo que a criança nasceu, [-]—> [-] meteu-a numa torre com uma ama por companheira e mestra. Permitia-lhe sair ao jardim, passear pelo terraço, referente antecedente: uma filha mas não consentia que [-] frequentasse reuniões ou [-] fizesse anáfora nominal: a criança visitas." anáforas pronominais: o/ lhe anáforas através da elipse: [-] No excerto transcrito, as expressões sublinhadas não têm referência autónoma, só podem ser interpretadas enquanto dependentes da expressão inicial (referente ante- cedente) - uma filha. Assim, designamos as expressões sublinhadas por anáforas, na medida em que remetem para algo que foi dito anteriormente. Integrados nesta cadeia referencial surgem dois lugares vazios na posição de sujeito, assinalados por [-]. Esses espaços seriam preenchidos pelo referente a filha. Aos elementos da cadeia referencial, porque têm o mesmo referente, chamam-se co-referentes.
  • 8. COESÃO REFERENCIAL Cadeia referencial: jogadora de futebol —> jovem musculada "Sonhava ser jogadora de futebol para tentar seguir os passos de Eusébio.(...) O desejo da jovem musculada foi —> a —> uma verdadeira campeã das transformado pelo escritor Craveirinha, que a viu correr e pistas —> [-] —>Maria de Lurdes Mutola jogar e acreditou imediatamente que tinha encontrado uma verdadeira campeã das pistas. (...) Três anos depois - e catáforas nominais: jogadora de futebol/ após a presença [-] nas Olimpíadas de Seul - Maria de Lurdes Mutola já estava nos Estados Unidos (...)." jovem musculada/ a/ uma verdadeira "Única" Expresso, 6 de Setembro de 2003 campeã das pistas catáforas pronominais: a catáforas através da elipse: [-] referente subsequente: Maria de Lurdes Mutola Lido o texto, apercebemo-nos de que as expressões sublinhadas têm de ser interpretadas como dependentes de uma outra que só ocorre no final do excerto. Assim, e dado que a cadeia referencial não corresponde à ordem linear, as expressões sublinhadas são catáforas relativamente à expressão nominal final (Maria de Lurdes Mutola). Referentes - não explicitados no enunciado, -O teu é maior! Troca pelo meu…! mas reconhecíveis no contexto situacional. (Pedido do locutor - uma criança, depois de verificar que Deícticos - o teu; o meu o seu gelado é mais pequeno que o do alocutário.) Neste exemplo de situação de comunicação oral, o referente não está nomeado no enunciado, surge apenas pronominalizado. Isto é possível pelo facto de locutor e alocutário estarem presentes no mesmo contexto situacional, identificando, assim, facilmente o referente. Estas expressões que remetem para o contexto situacional (locutor, alocutário, momento e lugar de enunciação) são os deícticos.
  • 9. Mecanismos de coesão lexical Conhecer os conceitos Os processos Coesão lexical: processo que Repetição assegura a relação co-referencial entre Substituição (sinonímia, antonímia, expressões linguísticas presentes nos hiperonímia/hiponímia, holonímia/ enunciados. meronímia Vários são os processos que, ao nível do léxico, asseguram a coesão textual: Repetição "Elas são quatro milhões, o dia nasce, elas acendem o Repetição lume. Elas cortam o pão e aquecem o café. Elas picam cebolas e descascam batatas." Substituição Sinonímia O rapaz sempre que se dirigia ao prior corava. O padre questionava-o até ao pormenor. Antonímia O João jurava à namorada que dizia a verdade, mas ela sabia que ele mentia. Os meios de transporte marítimos são mais poluentes do que os aéreos. Veja-se o exemplo do Hiperonímia/ hiponímia petroleiro "Prestige" que ao partir-se em dois largou enormíssimas manchas de crude, poluindo assim toda a costa da Galiza. Os universitários reuniram-se uma vez mais para Hiponímia/ hiperonímia protestar contra o aumento das propinas. Recorde- se que as acções dos estudantes são cada vez mais frequentes no nosso país. O João tem um carro espectacular! Caixa automática, Holonímia/ meronímia estofos em pele, tecto de abrir, jantes de liga leve, ar condicionado automático, caixa de CD!
  • 10. A coesão designa a aceitabilidade de um enunciado oral ou escrito. Resulta da interacção entre o conteúdo informacional dos enunciados e o conhecimento do mundo de cada falante. A coerência está, pois, ligada à competência enciclopédica e ao conhecimento da situação comunicativa. É um factor determinante para a textualidade Conhecer os conceitos Os processos Coerência lógico-conceptual: uma frase ou um 1. ordenação lógica das situações texto é coerente se as situações nele/a recriadas apresentadas; estiverem conforme àquilo que sabemos do mundo e 2. estabelecimento de relações lógicas entre se forem respeitados os princípios de natureza as situações; lógica 3. atribuição de propriedades e características dos objectos conformes ao mundo normal Um texto para ser coerente tem de respeitar os princípios lógico-conceptuais 1. Ordenação lógica das situações apresentadas A) Entrei no consultório. Havia revistas de capas coloridas. Uma pequena mesa estava debaixo delas. B) Entrei no consultório. Havia revistas de capas coloridas em cima de uma pequena mesa. C) Entrei no consultório. Primeiro vi vi revistas de capas coloridas. Só depois reparei na pequena mesa que estava debaixo delas. A frase a) é uma frase incoerente, pois a ordenação dos elementos descritos não corresponde ao modo como, geralmente, os percepcionamos na realidade. A frase b) é uma frase coerente, pois a ordem dos elementos descritos corresponde ao modo como, geralmente, os percepcionamos na realidade. A frase c) é uma frase coerente, pois as formas linguísticas primeiro, só depois determinam a ordem pela qual a realidade foi percepcionada.
  • 11. 2. Relações lógicas entre as situações A) As ruas estão molhadas porque não choveu. B) O piso está escorregadio porque choveu. A frase a) é uma frase incoerente, visto que o nexo de causalidade nela estabelecido entra em ruptura com o nosso conhecimento do mundo. A frase b) é uma frase coerente, visto que nela se estabelece um nexo de causalidade conforme a nossa visão do mundo. 3. Propriedades e características dos objectos conformes ao mundo normal A) A mesa dançou toda a noite. B) A rapariga dançou toda a noite no palco iluminado. A frase a) é uma frase incoerente, visto que as propriedades atribuídas ao objecto mesa não são conformes à nossa visão do mundo. A frase b) é uma frase coerente, pois as propriedades/ características atribuídas aos indivíduos e ao objecto palco estão de acordo com o nosso conhecimento do mundo. PARÊNTESES PARA A FICÇÃO
  • 12. COERÊNCIA TEXTUAL Conhecer os conceitos Os processos Coerência textual: para que um texto seja coerente, isto é, possua uma unidade de sentido, as relações 1. Repetição de ordem e de lineariedade das ocorrências textuais 2. Progressão não podem ser arbitrárias. A unidade semântica 3. Não contradição global obedece, pois, a um conjunto de regras. 4. Relação 1.) A regra da repetição assegura o desenvolvimento temático do texto, sem rupturas nem ambiguidades. São vários os recursos linguísticos que garantem a repetição (ou retoma): as anáforas, as catáforas e os deícticos . "Um homem de grandes artes tinha na sua companhia Repare-se como neste parágrafo a um sobrinho que lhe guardava a casa enquanto ele repetição assegura não só a coesão como dormia. De uma vez, [-] deu-lhe duas chaves e [-] também a progressão temática. O texto vai recomendou: progredindo pela retoma pronominal e - Estas chaves são daquelas duas portas. Não as lexical sucessiva dos referentes "Um homem" abras por nada deste mundo, senão morres. (sua, lhe, ele, [-]) e "um sobrinho" (que, lhe, o O rapaz, assim que [-] se viu sozinho [-] não se rapaz, [-], se, [-], se, [-]). lembrou mais da ameaça e [-] abriu uma das portas." "O Aprendiz de Feiticeiro" Contos Populares Portugueses 2.) A regra da progressão assegura que, num texto, a informação conhecida e partilhada pelos intervenientes no processo comunicativo (tema) seja constantemente acompanhada de informação nova e relevante (rema). Progressão por tema constante "Oceanos (tema/tema) Os oceanos e os mares abertos cobrem um pouco Um mesmo tema é retomado em frases menos de 71% da superfície terrestre (361 milhões de km2) sucessivas associado a diferentes remas. e encerram 1322 milhões de km2 de água. Desempenham no 1 a frase: equilíbrio natural da Terra um papel proporcional à sua Tema - os oceanos e os mares extensão e ao seu volume consideráveis." Rema- cobrem... superfície terrestre Enciclopédia Larousse, Círculo de Leitores 2a frase: Tema - [-] (os oceanos e os mares) Rema: desempenham na Terra um papel...
  • 13. "- Olha o macaco do rabo mariola que do rabo fez navalha Progressão linear (tema/rema) da navalha fez sardinha O rema da primeira frase torna-se o tema da sardinha fez farinha da farinha fez menina da seguinte: da menina fez camisa da camisa fez viola e agora deu à sola e agora deu à sola." António Torrado, O macaco do rabo cortado Baleias Progressão por temas derivados (hipertema/ As baleias contam-se entre os maiores mamíferos do mundo subtemas) animal. Certas espécies são sociais enquanto outras são mais solitárias. As baleias mais sociais são as baleias- Um tema dá origem ao desenvolvimento de cinzentas. outros subtemas. Enciclopédia Larousse, Círculo de Leitores (adaptado) 3.) A regra da não contradição assegura que nenhuma ocorrência textual entre em contradição com algo já referido, explícita ou implicitamente, no mesmo enunciado. Este texto é contraditório, porque se afirma que Foi com Gil Vicente que nasceu o teatro em Portugal. As Gil Vicente é o pai do teatro em Portugal e, de manifestações teatrais anteriores a este autor, de carácter religioso e profano, dirigidas ao povo ou à corte, eram seguida, é referida uma característica das rudimentares manifestações teatrais anteriores ao autor. 4.) A regra da relação assegura que num texto se estabeleça uma relação directa entre os factos enunciados. Neste texto, não se estabelece uma clara relação entre as Foi com Gil Vicente que nasceu o teatro ideias das duas frases. De facto, à ideia de teatro enquanto português enquanto categoria literária. Em categoria literária deveria contrapor-se uma outra: a de que as Portugal, as manifestações teatrais anteriores manifestações teatrais anteriores a Gil Vicente eram rudimentares, a Gil Vicente, que existiam desde a fundação embrionárias e não tinham suporte escrito, sendo contudo fulcrais da nacionalidade, eram de carácter religioso para a obra vicentina. Ora, o facto de estas últimas serem e profano. religiosas ou profanas em nada as distingue das peças vicentinas. Para assegurar a relação entre as ideias, teria de referir-se que: Em Portugal, as manifestações teatrais anteriores a Gil Vicente, que existiam desde a fundação da nacionalidade, eram muito rudimentares e existiam sem um suporte escrito. Estas manifestações, de carácter religioso e profano, foram, contudo, determinantes para a obra vicentina.