Teoria do consumidor - Prof. Kleber Morales

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Teoria do consumidor - Prof. Kleber Morales

  1. 1. Teoria do Consumidor ou Teoria da Escolha  É uma teoria microeconômica, que busca descrever como os consumidores tomam decisões de compra e como eles enfrentam os tradeoffs e as mudanças em seu ambiente. Os fatores que influenciam as escolhas dos consumidores estão basicamente ligados à sua restrição orçamentária e preferências.  Os principais instrumentos para a análise e determinação de consumo são a curva de indiferença e a restrição orçamentária. Para a Teoria do Consumidor, as pessoas escolhem obter um bem em detrimento do outro em virtude da utilidade que ele lhe proporciona. 1
  2. 2. 2 As premissas nos fazem supor a racionalidade das preferências: 1. Integralidade ou exaustividade: as preferências são completas. Isso quer dizer que os consumidores podem comparar e ordenar todas as cestas de mercado. Assim, para quaisquer cestas que existam, o consumidor é capaz de ordená-las em uma ordem de preferência e dizer se ele prefere uma ou outra ou, ainda, se ele é indiferente a qualquer uma delas em relação à outra. 2. Transitividade: as preferências são transitivas. Transitividade quer dizer que, se um consumidor prefere a cesta de mercado à cesta B e prefere B a C, então ele também prefere A a C. Por exemplo, se ele prefere picanha a alcatra e prefere alcatra a coxão duro, também, necessariamente, prefere picanha a coxão duro. 3. Quanto mais melhor: a maior quantidade de um bem é sempre preferível à menor quantidade do mesmo. Este princípio também é chamado de princípio da não saciedade. Essa suposição também é às vezes chamada de monotonicidade de preferências, o que significa dizer que as preferências são monotônicas (mais é melhor). 4. Reflexividade: as preferências são reflexivas. Em outras palavras, uma cesta de mercadorias é tão boa quanto ela mesma. Isto quer dizer que uma cesta A proporciona o mesmo prazer que outra cesta que seja exatamente igual à cesta A. Essas premissas constituem um embasamento para a teoria do consumidor. Com a premissa de que o consumidor tem à sua disposição apenas duas mercadorias. Adotaremos como exemplo a alimentação e o vestuário. Ou seja, a utilidade ou a satisfação deste consumidor é função da alimentação e vestuário. Algebricamente, isso é representado assim: U = f (A, V) (lê-se: a utilidade é função de alimento e vestuário). Pois bem, agora que sabemos que a utilidade do consumidor é dependente do vestuário e da alimentação (apenas exemplo), podemos traçar um gráfico de modo semelhante ao que fizemos no item da restrição orçamentária. Neste gráfico, colocaremos no eixo das abscissas o consumo de alimentos. No eixo das ordenadas, colocaremos o consumo de vestuário. É neste diagrama vestuário/alimentos que colocaremos as preferências do consumidor. Para compreender como elas podem ser dispostas no gráfico, suponha que um trabalhador que consumisse 50 unidades de vestuário e demandasse, ao mesmo tempo, 8 unidades de alimentos, estivesse com o nível de utilidade U1, no ponto A, da figura 08. Este nível de satisfação ou utilidade está sendo chamado de nível de utilidade U1. Note que é perfeitamente possível que este trabalhador tenha outras combinações de vestuário e alimentos que também proporcionem o mesmo nível de utilidade U1 apresentado no ponto A.
  3. 3. Assim, caso o trabalhador passe a consumir, por exemplo, 30 unidades de vestuário, ele certamente consumirá mais unidades de alimentos se quiser manter o mesmo nível de utilidade apresentado no ponto A. De outra forma, se for obrigado a consumir menos alimentos, será exigido um maior consumo de vestuário para, assim, manter-se no mesmo nível de satisfação. Se unirmos os pontos A, B, C e qualquer outro ponto que gere o nível de utilidade U1, traçaremos uma curva denominada curva de indiferença. Assim, podemos definir curva de indiferença: é uma curva que liga as várias combinações de consumo de vestuário e alimentos que proporcionam igual utilidade. (a expressão curva de indiferença deriva do fato de que cada ponto na curva rende a mesma utilidade, logo, o consumidor será indiferente sobre qualquer cesta de consumo ao longo da curva.) Nota existe também o conceito de mapa de indiferença, que é o gráfico que contém um conjunto de curvas de indiferença mostrando as cestas de mercado cuja escolha é indiferente para o consumidor. Propriedades das curvas de indiferença (bem comportadas) As curvas de indiferença têm algumas propriedades que são refletidas no jeito pelo qual são traçadas. Veremos agora o caso geral que se aplica na maioria dos casos e das questões de concursos. Essas propriedades que refletem o caso geral nos remetem ao que chamamos de curvas de indiferença bem-comportadas. Vejamos quais são estas propriedades: 1. Curvas mais altas são preferíveis. O nível de utilidade U2 representa mais satisfação que o nível U1, pois para a mesma quantidade de alimentos, o vestuário é maior em U2. Assim, quanto mais alta a curva, melhor. Em virtude disto, qualquer ponto na curva U2 será, obrigatoriamente, preferível a qualquer outro da curva U1. Conseqüentemente, qualquer curva de indiferença mais alta que U2 3 também será preferível a U2, e assim por diante. Essa suposição de que mais é melhor é chamada, conforme já explicamos nas premissas das preferências, de monotonicidade de preferências. A monotonicidade das preferências implica que as curvas de indiferença tenham, obrigatoriamente, inclinação negativa. Se mais é melhor, então, ao reduzirmos o consumo de um bem, devemos, com certeza, aumentar o consumo do outro bem para que nos mantenhamos indiferentes entre duas cestas de consumo. Isso só é possível se as curvas de indiferença tiverem inclinação negativa.
  4. 4. 4 2. Curvas de indiferença não se cruzam. Esta é uma reafirmação da premissa da transitividade. Adotando o exemplo das cestas de consumo com vestuário e alimentos, nós temos que se as curvas de indiferença se cruzassem, o ponto de intersecção representaria uma combinação de vestuário e alimentos que proporcionaria dois níveis de utilidade diferentes ao mesmo tempo, o que seria um absurdo, As curvas de indiferença U1 e U2 têm uma cesta vestuário/alimentos em comum (cesta A). Sendo assim, o consumidor seria indiferente às cestas A e C (por pertencerem a curva de indiferença U1) e às cestas A e B (por pertencerem a curva de indiferença U2). Logo, pela lógica, o consumidor deveria ser indiferente também às cestas B e C. Entretanto, isso é impossível, já que C implica maior vestuário que B, mantendo a mesma quantidade de alimentos. Ou seja, chegamos à conclusão de que é impossível duas curvas de indiferença se cruzarem. 3. As médias são preferidas aos extremos. Se pegarmos duas cestas de bens A (x1, x2) e B (y1, y2) e adotarmos uma terceira cesta C cujas quantidades de consumo dos bens 1 e 2 valham valores intermediários entre x1 e y1 e x2 e y2, esta terceira cesta será preferível a (x1, x2) e (y1, y2). Por exemplo, suponha as cestas A e B com as quantidades dos bens 1 e 2: A (2, 6) e B (8, 3). Se pegamos uma cesta C cuja quantidade do bem 1 esteja entre 2 e 8 e cuja quantidade do bem 2 esteja entre 6 e 3, esta cesta C será preferível às cestas A e B. Assim, uma cesta C, digamos, com 5 unidades do bem 1 e 4 unidades do bem 2, C (5, 4), será preferível às cestas A e B, uma vez que 5 está entre 2 e 8, e 4 está entre 6 e 3. Do ponto de vista geométrico, essa suposição de que as médias são preferidas aos extremos implica que essas curvas de indiferença serão convexas. Ou seja, a convexidade da curva é voltada para a origem do gráfico. Por isso, a cesta C, para curvas bem-comportadas, que é o nosso caso normal, é preferível às cestas A e B. Ou seja, a diversificação é preferível à especialização (consumo de determinado bem em excesso).
  5. 5. 1.3.1.1. Taxa marginal de substituição (TMgS) A TMgS como inclinação negativa da curva de indiferença: Nós vimos que, em virtude da premissa do quanto mais melhor (preferências monotônicas), as curvas de indiferença bem-comportadas3 são inclinadas negativamente. Veremos agora outra explicação para essa inclinação negativa. Voltemos, então, ao exemplo em que o consumidor possui cestas de consumo de alimentos e vestuário: Se o consumo de vestuário aumenta, o consumo de alimentos éreduzido a fim de se preservar a mesma utilidade, e vice-versa. Em primeira instância, o que ocasiona estas mudanças ao longo da curva de indiferença e a sua própria inclinação é o princípio da utilidade marginal decrescente. Quando nos movemos para a direita, aumentando o consumo de alimentos, por exemplo, a sua utilidade marginal decresce, fazendo com que o consumidor queira abrir mão cada vez menos de vestuário em troca de alimentos. 5
  6. 6. O declínio no consumo de vestuário permitido por um aumento no consumo de alimentos a fim de que a utilidade mantenha-se constante é chamado de taxa marginal de substituição (TMgS) entre vestuário e alimentos. É esta TMgS que determina a inclinação da curva de indiferença. 1.3.2.1. O caso dos substitutos e complementos perfeitos A figura apresenta, no gráfico da esquerda, as preferências de um consumidor por coca-cola e pepsi. Para este consumidor, estas duas mercadorias são substitutos perfeitos. Dizemos que dois bens são substitutos perfeitos quando a taxa marginal de substituição de um bem pelo outro é constante. Nesse caso, as curvas de indiferença que descrevem a permuta entre o consumo das mercadorias se apresentam como linhas retas (a inclinação de retas é uma constante – ou seja, um número que não muda. Assim, a TmgS também será constante, já que a inclinação da curva de indiferença é dada pela TmgS). No gráfico da esquerda, a TmgS é -1, pois o consumidor substitui o consumo de uma lata de pepsi por uma lata de coca-cola em qualquer lugar da curva de indiferença. Mas, tome cuidado! A inclinação das curvas de indiferença (TmgS) não precisa ser igual a -1 para que os bens sejam substitutos perfeitos. Para que os sejam, basta que as curvas de indiferença sejam representadas por retas e tenham, portanto, a inclinação constante. Por exemplo, caso o consumidor acredite que uma lata de pepsi equivalha a duas latas de coca-cola (TmgS=ΔPepsi/Δcoca=- 1/2), a inclinação das curvas de indiferença será -1/2, e os bens serão substitutos perfeitos pois a inclinação das curvas será constante (-1/2). O gráfico da direita, na figura, ilustra as preferências de um consumidor por sapatos esquerdos e direitos. Para este consumidor, os dois bens são complementos perfeitos (ou complementares), uma vez que um sapato esquerdo não aumentará seu grau de satisfação ou utilidade, a menos que ele possa obter também o sapato direito como correspondente. Assim, a cesta (1 sapato direito, 1 sapato esquerdo) apresenta a mesma utilidade da cesta (1 sapato direito, 3 sapatos esquerdos). Ou seja, só haverá benefício adicional quando houver acréscimo na proporção no consumo dos dois bens, sendo que qualquer bem em excesso a essa proporção não gera nenhum benefício adicional. 6
  7. 7. Percebemos, então, que, no caso dos complementos perfeitos, as curvas de indiferença terão formato de um L, cujo vértice ocorre onde o número de pés esquerdos iguala o de pés direitos. Na parte vertical do L, a TMgS será igual a infinito (o ΔSAPATO_ESQUERDO será um valor qualquer, enquanto o ΔSAPATO_DIREITO será igual a 0. Como qualquer número dividido por 0 é igual a infinito, a TMgS na parte vertical do L também será infinita). Na parte horizontal do L, a TMgS será igual a 0 (o ΔSAPATO_ESQUERDO será igual a 0, enquanto o ΔSAPATO_DIREITO será igual a um valor qualquer. Como ZERO dividido por qualquer número é igual a ZERO, a TMgS na parte horizontal do L também será sempre igual a 0). Por fim, note que, no caso dos complementos perfeitos, o consumidor prefere consumi-los em proporções fixas, não havendo necessidade de que a proporção seja 1 por 1, como no caso do exemplo dos sapatos direito e esquerdo. Por exemplo, se um consumidor consome sempre dois refrigerantes para cada sanduíche, e não consome refrigerante para mais nada, neste caso, os bens refrigerante e sanduíche serão complementos perfeitos e as curvas de indiferença terão o formato de L. Neste caso, as cestas que estarão nos vértices de cada L terão sempre o dobro de refrigerantes em relação aos sanduíches. A proporção no consumo dos bens será fixa, no entanto, teremos uma proporção de 2 para 1, em vez de 1 para 1, como no caso dos sapatos direito e esquerdo. 1.3.2.4. Curvas de indiferença côncavas No item 1.3.1, premissa 3 das curvas de indiferença bem comportadas figura, nós vimos que os consumidores preferem as cestas médias porque elas representam cestas mais diversificadas de consumo. Essa premissa, por sua vez, era responsável pela convexidade das curvas de indiferença. Quando temos uma situação oposta, ou seja, os consumidores preferem a especialização à diversificação no consumo, as curvas de indiferença serão côncavas, ou seja, teremos a concavidade da curva voltada para a origem do gráfico. Assim, quando temos uma curva de indiferença côncava, isto quer dizer que este consumidor prefere se especializar no consumo de uma única mercadoria, em detrimento do consumo diversificado das duas mercadorias da cesta de consumo. 7
  8. 8. A ordenação de preferências em que as utilidades são simplesmente ordenadas de modo a mostrar apenas a ordem de preferência é chamada de teoria ordinal. Caso a preocupação realmente fosse informar em valor numérico qual o grau de utilidade do consumidor, estaríamos trabalhando com a teoria cardinal. Assim, esta teoria do consumidor que estamos estudando, baseada na ordenação de preferências, é pautada em funções de utilidades ordinais, pois verificamos apenas a ordem das utilidades e não o seu cálculo numérico propriamente dito. Diferentemente das funções ordinais, uma função de utilidade cardinal atribui às cestas de mercado valores numéricos que realmente indicam o quantum de satisfação; elas, ao contrário das funções ordinais, não são apenas meios de ordenar as preferências. Por exemplo, se tivermos uma função de utilidade cardinal que indique que o consumo de uma cesta A nos remeta a uma utilidade de valor 10, enquanto a utilidade da cesta B é de valor 20, podemos afirmar que a cesta B traz o dobro de utilidade/felicidade ao consumidor. Se a função de utilidade fosse ordinal, poderíamos somente afirmar que B é preferível a A, nada além disso. Dentro do estudo da teoria do consumidor, o objetivo é entender o comportamento dos consumidores, bastando saber como eles classificam ou ordenam as diferentes cestas. Assim, as funções utilidade com as quais trabalharemos serão do tipo ordinal. Essa é a abordagem padrão e é ela que é adotada pelos livros e pelas bancas de concurso. Dependendo do formato da função utilidade, podemos inferir importantes conclusões sobre os bens da cesta de consumo e/ou sobre as preferências do consumidor. Vejamos então algumas funções de utilidade típicas: 1.5.1. Calculando as quantidades ótimas Em muitas questões de prova, é exigido que consigamos dizer as quantidades ótimas de consumo a partir das restrições de renda e da função utilidade. Ou seja, nestes casos, temos que encontrar a maior utilidade possível (curva de indiferença mais alta) dada a restrição de renda do consumidor (reta orçamentária). Matematicamente, isso equivale a dizer que temos que maximizar a função utilidade, que é sujeita à restrição de orçamento. Para conseguir realizar esse cálculo, existem duas maneiras. Resolveremos uma questão de concurso expondo as duas formas de cálculo: Exemplo numérico: Considere o seguinte problema de otimização condicionada em Teoria do Consumidor: Maximizar U = X.Y Sujeito à restrição 2.X + 4.Y = 10 Onde U = função utilidade; X = quantidade consumida do bem X; Y = quantidade consumida do bem Y. Com base nessas informações, as quantidades do bem X e Y 8
  9. 9. que maximizam a utilidade do consumidor são, respectivamente: a) 8 e 0,5 b) 1 e 2 c) 2 e 1 d) 1,25 e 2,0 e) 2,5 e 1,25 1.6. EFEITOS RENDA E SUBSTITUIÇÃO Verificaremos agora o que acontece quando variamos os preços de um bem. No caso da redução de preço, por exemplo, acontecerão duas coisas quando um bem fica mais barato: primeiro, indiretamente, podemos falar que as pessoas terão ficado mais ricas, uma vez que poderão comprar mais do bem; segundo, muitas pessoas deixarão de consumir outros bens para consumir o bem que ora se torna mais barato. No primeiro caso, temos o chamado efeito renda, enquanto, no segundo caso, temos o efeito substituição. Vejamos as definições: Efeito renda: quando o preço do bem X é reduzido, o consumidor fica mais “rico” e, portanto, irá aumentar o consumo do bem; o inverso ocorrerá se o preço do bem X aumentar. Efeito substituição: se o preço do bem X diminui e o de outros bens fica constante, o consumidor procurará substituir o consumo destes outros bens pelo consumo do bem X, que agora está relativamente mais barato em relação aos outros bens. O inverso ocorrerá se o preço do bem X aumentar. Em outras palavras, uma alteração do preço de X muda o preço relativo (relação de preços) do bem X em relação a outro bem. Assim, o efeito substituição está associado à mudança no custo de oportunidade do bem X. A soma dos efeitos renda e substituição nos dá o efeito preço ou efeito total. Assim: efeito preço (total) = efeito renda + efeito substituição Vejamos agora como esses efeitos interferem na demanda (quantidade consumida) de um bem. Aqui, inicialmente, estaremos considerando um bem normal (preço diminui, demanda aumenta; renda aumenta, demanda aumenta). Por existir essa relação inversa ou negativa entre o efeito substituição e a variação de preços, nós dizemos que o efeito substituição é sempre negativo, no sentido de que ele é sempre relacionado negativamente com a variação de preços. A ordem é essa: depois de analisarmos o efeito substituição, podemos agora considerar o efeito renda. Ele é a variação no consumo de X ocasionada pelo aumento do poder aquisitivo (renda), mantendo-se os preços relativos. O efeito substituição é a mudança de consumo a partir da mudança de preço do bem, a partir de uma visão de que o consumidor tende a substituir o consumo de um bem que fica mais caro pelo consumo de outro que bem que está relativamente mais barato, e vice-versa. Então, as variáveis “em jogo” ao se analisar o efeito substituição são: preço do bem e consumo do bem. Como elas variam sempre em sentido contrário, nós dizemos que o efeito substituição é sempre negativo. O efeito renda é a mudança de consumo a partir da mudança de 9
  10. 10. renda do consumidor, a partir de uma visão de que a mudança de preço tende a alterar o poder aquisitivo (renda real) dos indivíduos. Então, as variáveis em jogo ao se analisar o efeito renda são: renda do consumidor e consumo do bem. No nosso exemplo acima, a redução de preço tem o mesmo significado que um aumento de renda, e nós vimos que isso provocou aumento de consumo. Ou seja, houve aumento de renda (via redução de preço) e aumento de consumo. Como as variáveis em análise caminharam no mesmo sentido, dizemos que o efeito renda foi positivo. O cuidado que devemos ter neste caso é que o efeito renda não é como o efeito substituição (que tem sempre o mesmo sinal – é negativo), ele será positivo ou negativo, dependendo do bem em análise e das preferências do consumidor. Existe uma regra que sempre deve ser seguida quando analisamos os efeitos renda e substituição. A variação do efeito substituição é sempre a mesma e aponta na direção contrária à variação do preço: o efeito substituição decorrente de uma redução de preço provoca aumento de consumo (por isso, nós dizemos que o efeito substituição é sempre negativo) e o efeito substituição decorrente do aumento de preço provoca redução de consumo. Já em relação ao efeito renda, isso não acontece. Pode haver três situações para o efeito renda, e cada uma delas nos dirá sobre que tipo de bem estamos tratando: Situação 1 (BEM NORMAL) – Se houver redução de preços (=aumento de renda) e o efeito renda (ER) indicar aumento de consumo (efeito renda positivo, uma vez que renda e consumo caminham no mesmo sentido), então, podemos dizer que o bem é normal, uma vez que o aumento da renda (provocado pela redução de preços) provocou aumento nas quantidades consumidas/demandadas. De forma inversa, se houver aumento de preços (=redução de renda) e o efeito renda indicar redução no consumo (efeito renda positivo, uma vez que renda e consumo caminham no mesmo sentido), então, podemos dizer que o bem é normal, uma vez que a redução da renda (causada pelo aumento de preços) provocou redução nas quantidades consumidas. Assim: Redução de preços Renda aumenta Consumo aumenta ER+  Bem normal Aumento de preços Renda diminui Consumo diminui ER+ Bem normal Dica: quando o bem é normal, o efeito renda sempre será positivo (renda aumenta, consumo aumenta; renda diminui, consumo diminui). Nesta situação 1, onde temos um bem normal, o efeito renda sempre reforçará o efeito substituição. Se houver redução de preços, temos a certeza que o efeito substituição provocará aumento de consumo (pois o efeito substituição é sempre negativo). Ao mesmo tempo, essa redução de preços significa aumento de renda e este provoca aumento do consumo (pois o efeito renda é positivo). Situação 2 (BEM INFERIOR) – Se houver redução de preços (=aumento de renda) e o efeito renda (ER) indicar redução de consumo (efeito renda negativo, pois renda e consumo caminham em sentido contrário), então, podemos dizer que o bem é inferior7, uma vez que o aumento de renda (provocado pela redução de preços) provocou redução das quantidades consumidas. 10
  11. 11. Redução de preços Renda aumenta Consumo diminui ER- Bem inferior Aumento de preços Renda diminui Consumo aumenta ER- Bem inferior Dica: quando o bem é inferior, o efeito renda será sempre negativo. Situação 3 (BEM DE GIFFEN) – A terceira situação é um caso especial da situação 2 retratada acima. Quando há redução de preços, o efeito substituição (ES) será negativo, indicando aumento de consumo. Se o bem for inferior, no entanto, nós vimos acima que o efeito renda (ER) será negativo, indicando, portanto, que a redução de preço (=aumento de renda) provoca redução no consumo. Existe o caso de um bem em que, havendo redução de preços, a redução de consumo provocada pelo efeito renda negativo, em valor absoluto, é maior ou mais forte que o aumento de consumo provocado pelo efeito substituição negativo. Neste caso, a consequência da redução de preços será a redução nas quantidades consumidas, uma vez que o efeito renda suplanta o efeito substituição. Esse é o bem de Giffen, um caso particular de bem inferior, e que contraria a lei da demanda (é a única exceção à lei da demanda8). Assim, para o bem de Giffen, o efeito renda suplanta o efeito substituição. Se houver aumento de preços, o efeito substituição será negativo, indicando redução no consumo. Se o bem for inferior, o efeito renda será negativo, indicando que a redução de renda (provocada pelo aumento de preços) provocará aumento de consumo. Se o efeito renda (que aponta aumento de consumo) suplantar o efeito substituição (que aponta redução de consumo), haverá aumento de consumo, contrariando a lei da demanda, logo, teremos também neste caso um bem de Giffen, já que o aumento de preços provoca aumento no consumo (efeito renda é maior, em valor absoluto supera o efeito substituição). Arrematando o raciocínio: se os ER e ES apontarem variações distintas no consumo, o bem, obrigatoriamente, será inferior; e se, além disso, ER>ES, então, o bem, além de ser inferior, será de Giffen (lembre então que o bem de Giffen é um caso especial do bem inferior. Logo, todo bem de Giffen é também um bem inferior, mas nem todo bem inferior será bem de Giffen). Por fim, podemos concluir que (neste item da aula, o mais importante é que você grave estas conclusões, pois são elas que caem na prova, especialmente as que estão em negrito): O efeito substituição é sempre negativo; Para bens normais, o efeito renda é positivo; Para bens inferiores, o efeito renda é negativo; Para bens normais, o efeito renda positivo sempre reforça o efeito substituição negativo, pois ambos apontam para aumento de consumo no caso de redução de preços, e para redução do consumo no caso de aumento de preços; O bem de Giffen é um tipo de bem inferior, em que o efeito renda suplanta o efeito substituição; Todo bem de Giffen é um bem inferior, mas nem todo bem inferior é um bem de Giffen. 1.7. CONCEITOS ADICIONAIS 1.7.1. Curva preço-consumo (CPC) 11
  12. 12. A CPC (ou trajetória preço-consumo) do bem X é a curva obtida pela interligação das cestas de consumo ótimo correspondentes a mudanças no preço de X. 12 Modificações no preço: o impacto de uma mudança nos preços dos alimentos pode ser ilustrado por meio de curvas de indiferença. Curva preço-consumo: é formada pelas cestas de mercado que maximizam a utilidade para os vários preços do alimento, de acordo com o exemplo.Curva de demanda individual: mostra a quantidade de uma mercadoria que um consumidor ira adquirir em função do seu preço. As curvas de demanda possuem duas propriedades importantes. O nível de utilidade que pode ser obtido varia a medida que nos movemos ao longo da curva. Em cada ponto da curva de demanda, o consumidor estará maximizando a utilidade ao satisfazer a condição de que a TMS do vestuário por alimento seja igual a razão entre os preços desses bens. Modificações na renda: o impacto de uma mudança na renda pode ser ilustrado por meio de curvas de indiferença. Um aumento da renda desloca a linha de orçamento para a direita, aumentando o consumo ao longo da curva renda-consumo. Ao mesmo tempo o aumento da renda desloca a curva de demanda para a direita. Curva renda-consumo: especifica as combinações de alimento e vestuário maximizadoras da utilidade, associadas a cada um dos possíveis níveis de renda. Quando a curva de renda-consumo apresenta uma inclinação positiva, a quantidade demandada aumenta com a renda, a elasticidade de renda da demanda é positiva e o bem é um bem normal. Quando a curva de renda-consumo apresenta uma inclinação negativa, a quantidade demandada diminui com a renda, a elasticidade da renda da demanda é negativa e o bem é um bem inferior. Curvas de Engel: relacionam a quantidade consumida de uma mercadoria ao nível de renda. Se o bem for um bem normal, a inclinação da curva de Engel é ascendente.Se o bem for um bem inferior, a inclinação da curva de Engel é descendente.

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