SlideShare uma empresa Scribd logo
1 de 8
SEQUENCIA DIDÁTICA PARA TRABALHAR COM AS FÁBULAS
A fábula pode ser vista como um excelente exercício de reflexão sobre o comportamento
humano e as vicissitudes da vida, e não como uma forma de inculcar no leitor certas “verdades”. Do ponto de vista
pedagógico, essa atividade de leitura exige a participação ativa do professor, pois ele deve estimular os alunos a se
posicionarem criticamente diante do texto, pedindo-lhes que comentem as ações dos personagens e que reflitam
sobre a situação apresentada, relacionando-a com fatos da vida real.
Por isso, a fábula não é um gênero que se destina exclusivamente ao leitor infantil. Ao contrário, nascida como
fruto da observação do comportamento dos adultos, rende muito quando lida e estudada por leitores mais
experientes, permitindo bons debates em sala de aula.
Atividade 1 – Construindo a compreensão do gênero
O professor distribui para cada grupo duas ou três fichas de cartolina, com um provérbio conhecido, esclarecendo
que este é um tipo de frase lapidar, concisa e com um sentido exato e que apresenta um ensinamento proveniente
da sabedoria popular. Entrega também fichas em branco para que os grupos acrescentem outras frases por eles
conhecidas no mesmo estilo. Após uma pequena discussão, o grupo deve eleger a frase que, para a maioria, é a
mais significativa, fazendo uma pequena exposição dos motivos e/ou ilustrando-a com situações cotidianas. Abaixo
estão relacionados alguns exemplos de provérbios, com os nomes das respectivas fábulas a que se referem:
OBSERVAÇÃO: Ao distribuir as fichas com os provérbios, o professor deve ter o cuidado de não fazer a indicação dos
títulos das fábulas, pois este conhecimento será inferido pelos próprios alunos.
Atividade 2 – Leitura de fábulas
O professor distribui para cada grupo duas ou três fábulas diferentes, as quais ilustram as morais anteriormente
apresentadas. Os grupos trocam os textos entre si, até que todos tenham lido todas as fábulas. A atividade tem o
propósito de familiarizar os alunos com a forma e a linguagem do gênero, além de ampliar o seu repertório.
Atividade 3 – Definindo a fábula
O professor solicita aos alunos que apontem, oralmente, características comuns a todos os textos lidos. O professor
poderá fazer perguntas que chamem atenção para aspectos como brevidade da história, presença de personagens
animais que agem como seres humanos, ausência de indicações precisas de tempo e espaço, explicitação de uma
moral.
Formule agora um conceito para esse tipo de texto:
Fábula é _____________________________________________________________
Atividade 4 – Descobrindo significados
Procure no dicionário alguns significados da palavra “moral”.
a)________________________________________________________________________
b)________________________________________________________________________
c) _______________________________________________________________________
d) _______________________________________________________________________
e) _______________________________________________________________________
Atividade 5 – Estabelecendo valores
Complete o quadro abaixo, apontando, a partir da discussão com seus colegas de grupo, aqueles valores que, na
opinião de vocês, são, em geral, aceitos pela sociedade, em oposição àqueles que são condenados:
Leitura compreensiva e interpretativa do texto
Atividade 6 – Leitura dramatizada da fábula “O lobo e o cordeiro”
A razão do mais forte é a que vence no final
(nem sempre o Bem derrota o Mal).
Um cordeiro a sede matava
nas águas limpas de um regato.
Eis que se avista um lobo que por lá passava
em forçado jejum, aventureiro inato
e lhe diz irritado: - "Que ousadia
a tua, de turvar, em pleno dia,
a água que bebo! Hei de castigar-te!"
- "Majestade, permiti-me um aparte" -
diz o cordeiro. - "Vede
que estou matando a sede
água a jusante,
bem uns vinte passos adiante
de onde vos encontrais. Assim, por conseguinte,
para mim seria impossível
cometer tão grosseiro acinte."
- "Mas turvas, e ainda mais horrível
foi que falaste mal de mim no ano passado.
- "Mas como poderia" - pergunta assustado
o cordeiro -, "se eu não era nascido?"
- "Ah, não? Então deve ter sido
teu irmão." - "Peço-vos perdão
mais uma vez, mas deve ser engano,
pois eu não tenho mano."
- "Então, algum parente: teus tios, teus pais. . .
Cordeiros, cães, pastores, vós não me poupais;
por isso, hei de vingar-me" - e o leva até o recesso
da mata, onde o esquarteja e come sem processo.
La Fontaine. Fábulas, 1992.
O professor distribui a fábula para os grupos e solicita que preparem uma leitura dramática (três participantes
fazem os papéis do lobo, do cordeiro e do narrador e os demais “dirigem” a atuação dos atores. O professor deve
alertar os alunos para que as falas fiquem bem caracterizadas, de acordo com o que as personagens representam, e
para que acentuem o ritmo e as rimas dos versos que compõem o texto).
OBSERVAÇÃO: O professor poderá esclarecer as dificuldades de vocabulário, acompanhando o ensaio dos grupos. Da
mesma forma, deverá chamar atenção para a composição do texto na forma de versos.
Atividade 7 – Trabalhando a estrutura do texto
a) Enumere, pelos menos, três adjetivos definidores do caráter do lobo do cordeiro.
b) O encontro do lobo e do cordeiro acontece “nas águas limpas deum regato”. É possível determinar a localização
exata do cenário onde se passa a ação? Justifique sua resposta.
________________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________________
c) No verso “foi que falaste mal de mim no ano passado”, a expressão grifada permite situar a ação no tempo?
Explique sua resposta.
________________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________________
d) O que nos permite afirmar que o lobo e o cordeiro eram velhos conhecidos?
________________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________________
e) Enumere os argumentos usados pelo lobo para justificar o castigo imposto ao cordeiro.
________________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________________
f) A fábula apresenta um ensinamento ao leitor. Que ensinamento é este e quem o transmite?
________________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________________
g) Por que o segundo verso – (nem sempre o Bem derrota o Mal) - está colocado entre parênteses? O que significa a
expressão “nem sempre”?
________________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________________
h) Complete a frase, explicando-a com as suas palavras:
A razão do mais forte é a que vence no final, pois _____________________________________
_____________________________________________________
Atividade 8 - Comparando versões de uma mesma fábula
a) Você vai ler agora como a fábula “O leão e o rato” foi contada por três autores diferentes – Esopo, na Grécia
antiga, cerca do século IV a.C, La Fontaine, no século XVII, e Monteiro Lobato, no início do século XX.
O LEÃO E O RATO (Esopo)
O leão era orgulhoso e forte, o rei da selva. Um dia, enquanto dormia, um minúsculo rato correu pelo seu rosto. O
grande leão despertou com um rugido. Pegou o ratinho por uma de suas fortes patas e levantou a outra para
esmagar a débil criatura que o incomodara.
- Ó, por favor, poderoso leão – pediu o rato. Não me mate, por favor. Peço-lhe que me deixe ir. Se o fizer, um dia
eu poderei ajudá-lo de alguma maneira.
Isso foi para o felino uma grande diversão. A idéia de que uma criatura tão pequena e assustada como um rato
pudesse ser capaz de ajudar o rei da selva era tão engraçada que ele não teve coragem de matar o rato.
- Vá-se embora – grunhiu ele – antes que eu mude de idéia.
Dias depois, um grupo de caçadores entrou na selva. Decidiram tentar capturar o leão. Os homens subiram em suas
duas árvores, uma de cada lado do caminho, e seguraram uma rede lá encima.
Mais tarde, o leão passou despreocupadamente pelo lugar. Ato contínuo, os homens jogaram a rede sobre o grande
animal. O leão rugiu e lutou muito, mas não conseguiu escapar.
Os caçadores foram comer e deixaram o leão preso à rede, incapaz de se mover. O leão rugiu por ajuda, mas a
única criatura na selva que se atreveu a aproximar-se dele foi o ratinho.
- Oh, é você? – disse o leão. Não há nada que possa fazer para me ajudar. Você é tão pequeno!
- Posso ser pequeno – disse o rato 0 mas tenho os dentes afiados e estou em dívida com você.
E o ratinho começou a roer a rede. Dentro de pouco tempo, ele fizera um furo grande o bastante para que o leão
saísse da rede e fosse se refugiar no meio da selva.
Às vezes o fraco pode ser de ajuda ao forte.
ESOPO. Fábulas de Esopo, 1995.
O LEÃO E O RATO (La Fontaine)
Vale a pena espalhar razões de gratidão:
Os pequenos também têm sua utilidade.
Duas fábulas* mostrarão
que eu não estou falando senão a verdade.
Ao sair do buraco, um rato,
Entre as garras terríveis de um leão, se achou.
O rei dos animais, em mui magnânimo ato,
Nada ao ratinho fez, e com vida o deixou.
A boa ação não foi em vão.
Quem pensaria que um leão
Alguma vez precisaria
De um rato tão pequeno? Pois é, meu amigo,
Leão também corre perigo,
E aquele ficou preso numa rede, um dia.
Tanto rugiu, que o rato ouviu e acudiu,
Roendo o laço que o prendia.
Mais vale a pertinaz labuta
Que o desespero e a força bruta.
* Para ilustrar a mesma moral, La Fontaine conta, na seqüência, outra fábula, intitulada “A pomba e a formiga”.
La Fontaine, Fábulas, 1992.
O LEÃO E O RATINHO (Monteiro Lobato)
Ao sair do buraco viu-se o ratinho estre as patas do leão. Estacou, de pêlos em pé, paralisado pelo terror. O leão,
porém, não lhe fez mal nenhum.
- Segue em paz, ratinho; não tenhas medo do teu rei.
Dias depois o leão caiu numa rede.. Urrou desesperadamente, de bateu-se, mas quanto mais se agitava mais preso
no laço ficava.
Atraído pelos urros, apareceu o ratinho.
- Amor com amor se paga – disse ele lá consigo e pôs-se a roer as cordas. Um instante conseguir romper uma das
malhas. E como a rede era das tais que rompida a primeira malha e fugir.
Mais vale paciência pequenina
Do que arrancos de leão.
Monteiro Lobato. Fábulas, 1994.
Agora, compare as fábulas, de acordo com os aspectos indicados no quadro abaixo, e veja o que muda e o que
permanece nas suas sucessivas reescrituras:
b) Na comparação das diferentes versões, é possível perceber indicações que remetem ao contexto histórico no
qual as fábulas foram escritas? Justifique sua resposta.
______________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________
Transferência e aplicação da leitura
Atividade 9 – Escrevendo uma carta
Escreva uma carta para um destinatário (alguém próximo de você ou uma pessoa conhecida do público), para quem
você aconselharia a leitura dessa fábula. Não esqueça de apresentar-lhe as razões para isso.
Atividade 10 – Mudando o final
A fábula “O cordeiro e o lobo” de La Fontaine foi recontada por Monteiro Lobato, no livro Fábulas. Nesse livro, após
cada relato, segue-se um pequeno diálogo das personagens do Sítio do Picapau Amarelo comentando a respeito da
história que ouviram. Leia o comentário a essa fábula:
Estamos diante da fábula mais famosa de todas – declarou Dona Benta. Revela a essência do mundo. O forte tem
sempre razão. Contra a força não há argumentos.
- Mas há esperteza! – berrou Emília. Eu não sou forte, mas ninguém me vence. Por quê? Porque aplico a esperteza.
Se eu fosse esse cordeirinho, em vez de estar bobamente a discutir com o lobo, dizia: “Senhor Lobo, é verdade,
sim, que sujei a água desse riozinho, mas foi para envenenar três perus recheados que estão bebendo ali embaixo”.
E o lobo com água na boca: “Onde?” E eu, piscando o olho: “Lá atrás daquela moita!” E o lobo ia ver e eu sumia...
- Acredito – murmurou Dona Benta. E depois fazia de conta que estava com uma espingarda e, pum! na orelha dele,
não é? Pois fique sabendo que estragaria a mais bela e profunda das fábulas. La Fontaine a escreveu dum modo
incomparável. Quem quiser saber o que é obra-prima, leia e analise a sua fábula do Lobo e do Cordeiro (Lobato,
1994, p. 42-43).
Siga o exemplo de Emília e reescreva a fábula, dando a ela um final diferente. Antes disso, leia algumas
informações sobre La Fontaine:
Jean de La Fontaine é francês, nascido em 8 de julho de 1621 e falecido em 13 de abril de 1695. É principalmente
conhecido como autor de fábulas, escritas em versos leves e rimados. Além de criar algumas fábulas originais muito
conhecidas, representativas do contexto da aristocracia francesa do século XVII, como por exemplo, “O lobo e o
cordeiro” e “A cigarra e a formiga”, reescreveu algumas fábulas baseadas em Esopo. Esopo foi outro grande criador
de fábulas, que viveu na Grécia como escravo no século V a.C. Embora tivesse uma aparência estranha - consta que
era corcunda - possuía o dom da palavra e a habilidade de contar histórias, que retratavam o comportamento
humano através de personagens animais. Algumas dessas fábulas de Esopo são conhecidas ainda hoje, como “A
raposa e as uvas”, “O leão e o rato”, “A lebre e a tartaruga”, entre outras.
Atividade 11 - Refabulando
Leia a fábula “A raposa e as uvas”, na versão de La Fontaine, e reconte-a utilizando as suas próprias palavras.
Certa raposa astuta, normanda ou gascã,
Quase morta de fome, sem eira nem beira,
Andando à caça, de manhã,
Passou por uma alta parreira,
Carregada de cachos de uvas bem maduras.
Altas demais – não houve impasse:
“Estão verdes... já vi que são azedas, duras...”
Adiantaria se chorasse?
(La Fontaine. Fábulas, 1992, p. 211).
Atividade 12 – Trabalhando a ilustração
Observe a ilustração de Gustave Doré feita para essa fábula.
Agora, crie uma fábula a partir da ilustração.
Atividade 13 – Recriando fábulas
Leia a fábula original de La Fontaine “A cigarra e a formiga”. Depois, compare-a com as recriações de Monteiro
Lobato e José Paulo Paes.
A CIGARRA E A FORMIGA
A cigarra, sem pensar
em guardar,
a cantar passou o verão.
Eis que chega o inverno, e então,
sem provisão na despensa,
como saída, ela pensa
em recorrer a uma amiga:
sua vizinha, a formiga,
pedindo a ela, emprestado,
algum grão, qualquer bocado,
até o bom tempo voltar.
"Antes de agosto chegar,
pode estar certa a senhora:
pago com juros, sem mora."
Obsequiosa, certamente,
a formiga não seria.
"Que fizeste até outro dia?"
perguntou à imprevidente.
"Eu cantava, sim, Senhora,
noite e dia, sem tristeza."
"Tu cantavas? Que beleza!
Muito bem: pois dança agora..."
Do livro Fábulas de La Fontaine, 1992.
SEM BARRA
Enquanto a formiga
Carrega comida
Para o formigueiro,
A cigarra canta,
Canta o dia inteiro.
A formiga é só trabalho.
A cigarra é só cantiga.
Mas sem a cantiga
da cigarra
que distrai da fadiga,
seria uma barra
o trabalho da formiga
(Paes, s.d.).
A CIGARRA E A FORMIGA (A FORMIGA BOA)
Houve uma jovem cigarra que tinha o costume de chiar ao pé do formigueiro. Só parava quando cansadinha; e seu
divertimento era observar as formigas na eterna faina de abastecer as tulhas.
Mas o bom tempo afinal passou e vieram as chuvas, Os animais todos, arrepiados, passavam o dia cochilando nas
tocas.
A pobre cigarra, sem abrigo em seu galhinho seco e metida em grandes apuros, deliberou socorrer-se de alguém.
Manquitolando, com uma asa a arrastar, lá se dirigiu para o formigueiro. Bateu – tique, tique, tique...
Aparece uma formiga friorenta, embrulhada num xalinho de paina.
- Que quer? – perguntou, examinando a triste mendiga suja de lama e a tossir.
- Venho em busca de agasalho. O mau tempo não cessa e eu...
A formiga olhou-a de alto a baixo.
- E que fez durante o bom tempo que não construí a sua casa?
A pobre cigarra, toda tremendo, respondeu depois dum acesso de tosse.
V - Eu cantava, bem sabe...
- Ah!... exclamou a formiga recordando-se. Era você então que cantava nessa árvore enquanto nós labutávamos
para encher as tulhas?
- Isso mesmo, era eu...
Pois entre, amiguinha! Nunca poderemos esquecer as boas horas que sua cantoria nos proporcionou. Aquele chiado
nos distraía e aliviava o trabalho. Dizíamos sempre: que felicidade ter como vizinha tão gentil cantora! Entre,
amiga, que aqui terá cama e mesa durante todo o mau tempo.
A cigarra entrou, sarou da tosse e voltou a ser a alegre cantora dos dias de sol.
Do livro Fábulas, Monteiro Lobato, 1994.
a) O que há de comum nas releituras que Lobato e José Paulo Paes, autores do século XX, fazem da fábula de La
Fontaine, escrita no século XVII? É possível detectar uma mudança de moral de uma época para outra?
________________________________________________________________________________
____________________________________________________________
b) Leia a fábula de Esopo “A raposa e o corvo”. Experimente introduzir modificações na história. Você pode alterar
o final, incluir novos personagens e cenários, enfim, interferir no texto à vontade.
A raposa e o corvo
Um dia um corvo estava pousado no galho de uma árvore com um pedaço de queijo no bico quando passou uma
raposa. Vendo o corvo com o queijo, a raposa logo começou a matutar um jeito de se apoderar do queijo. Com esta
idéia na cabeça, foi para debaixo da árvore, olhou para cima e disse:
-Que pássaro magnífico avisto nessa árvore! Que beleza estonteante! Que cores maravilhosas! Será que ele tem uma
voz suave para combinar com tanta beleza! Se tiver, não há dúvida de que deve ser proclamado rei dos pássaros.
Ouvindo aquilo o corvo ficou que era pura vaidade. Para mostrar à raposa que sabia cantar, abriu o bico e soltou um
sonoro "Cróóó!" . O queijo veio abaixo, claro, e a raposa abocanhou ligeiro aquela delícia, dizendo:
-Olhe, meu senhor, estou vendo que voz o senhor tem. O que não tem é inteligência!
Moral: cuidado com quem muito elogia.
Do livro Fábulas de Esopo, 1994.
Atividade 14 – Organizando uma coletânea de fábulas
Você já deve ter reparado que cada bicho tem um jeito de ser, possui comportamentos e “humores” distintos um
do outro. Organize, junto com o professor e os colegas, uma lista de animais, caracterizando-os de acordo com a
natureza própria de cada um. Agora, é só escolher os bichos que farão parte de sua história, cuidando para
representá-los de acordo com suas características, ou invertendo-as para obter um efeito de humor. A moral deve
ser acrescentada ao final. O professor organiza a produção dos alunos em um livro e promove uma sessão de
autógrafos na escola.
OBSERVAÇÃO: Com isso, os alunos estarão compreendendo que a fábula só “funciona” a partir de uma imagem
plana e estereotipada do comportamento das personagens.

Mais conteúdo relacionado

Mais procurados

Sequencia didatica _fabulas
Sequencia didatica _fabulasSequencia didatica _fabulas
Sequencia didatica _fabulas
Professora Cida
 
1º ano atividade com quadrinhos
1º ano atividade com quadrinhos1º ano atividade com quadrinhos
1º ano atividade com quadrinhos
ladydanasoares
 
D7 (por descritores port 5º ano)
D7  (por descritores port  5º ano)D7  (por descritores port  5º ano)
D7 (por descritores port 5º ano)
Cidinha Paulo
 
COLETÂNEA DE ATIVIDADES DO 5º ANO
COLETÂNEA DE ATIVIDADES DO 5º ANOCOLETÂNEA DE ATIVIDADES DO 5º ANO
COLETÂNEA DE ATIVIDADES DO 5º ANO
Mara Sueli
 
Apresentação fluência revisado
Apresentação fluência revisadoApresentação fluência revisado
Apresentação fluência revisado
angelafreire
 

Mais procurados (20)

Sequencia didatica _fabulas
Sequencia didatica _fabulasSequencia didatica _fabulas
Sequencia didatica _fabulas
 
Gênero textual: Cardápio e bula de remédio
Gênero textual: Cardápio e bula de remédio Gênero textual: Cardápio e bula de remédio
Gênero textual: Cardápio e bula de remédio
 
Guia para estudo dos pronomes pessoais 4º ano
Guia para estudo dos pronomes pessoais 4º anoGuia para estudo dos pronomes pessoais 4º ano
Guia para estudo dos pronomes pessoais 4º ano
 
WORD: AVALIAÇÃO DE LÍNGUA PORTUGUESA: 3º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL 1 - I CICLO
WORD: AVALIAÇÃO DE LÍNGUA PORTUGUESA: 3º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL 1 - I CICLOWORD: AVALIAÇÃO DE LÍNGUA PORTUGUESA: 3º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL 1 - I CICLO
WORD: AVALIAÇÃO DE LÍNGUA PORTUGUESA: 3º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL 1 - I CICLO
 
1ª Sequência Didática - Género textual: Lista de compras
1ª Sequência Didática - Género textual: Lista de compras1ª Sequência Didática - Género textual: Lista de compras
1ª Sequência Didática - Género textual: Lista de compras
 
Gênero textual - lista de compras
Gênero textual -  lista de comprasGênero textual -  lista de compras
Gênero textual - lista de compras
 
Loteria - Personagens do folclore brasileiro.
Loteria - Personagens do folclore brasileiro.Loteria - Personagens do folclore brasileiro.
Loteria - Personagens do folclore brasileiro.
 
1º ano atividade com quadrinhos
1º ano atividade com quadrinhos1º ano atividade com quadrinhos
1º ano atividade com quadrinhos
 
D7 (por descritores port 5º ano)
D7  (por descritores port  5º ano)D7  (por descritores port  5º ano)
D7 (por descritores port 5º ano)
 
Avaliação Bimestral de Língua Portuguesa - 3º ano
Avaliação Bimestral de Língua Portuguesa  - 3º ano Avaliação Bimestral de Língua Portuguesa  - 3º ano
Avaliação Bimestral de Língua Portuguesa - 3º ano
 
Produção de textos ano 2
Produção de textos ano 2Produção de textos ano 2
Produção de textos ano 2
 
Prova Brasil - Revisão de Língua Portuguesa 5º ano
Prova Brasil  - Revisão de Língua Portuguesa 5º anoProva Brasil  - Revisão de Língua Portuguesa 5º ano
Prova Brasil - Revisão de Língua Portuguesa 5º ano
 
COLETÂNEA DE ATIVIDADES DO 5º ANO
COLETÂNEA DE ATIVIDADES DO 5º ANOCOLETÂNEA DE ATIVIDADES DO 5º ANO
COLETÂNEA DE ATIVIDADES DO 5º ANO
 
Caderno de simulados de preparação para o PROALFA
Caderno de simulados de preparação para o PROALFACaderno de simulados de preparação para o PROALFA
Caderno de simulados de preparação para o PROALFA
 
Leitura e interpretacao_de_textos
Leitura e interpretacao_de_textosLeitura e interpretacao_de_textos
Leitura e interpretacao_de_textos
 
Prova português para o 2º ano
Prova português para o 2º anoProva português para o 2º ano
Prova português para o 2º ano
 
Sequência didática o circo
Sequência didática o circoSequência didática o circo
Sequência didática o circo
 
Avaliação de matematica 3 bimestre.3º ano
Avaliação de matematica 3 bimestre.3º anoAvaliação de matematica 3 bimestre.3º ano
Avaliação de matematica 3 bimestre.3º ano
 
Sequência Didática: A borboleta de uma asa só
Sequência Didática: A borboleta de uma asa sóSequência Didática: A borboleta de uma asa só
Sequência Didática: A borboleta de uma asa só
 
Apresentação fluência revisado
Apresentação fluência revisadoApresentação fluência revisado
Apresentação fluência revisado
 

Destaque

Para PNAIC-Sequencia didática -1
Para PNAIC-Sequencia didática -1Para PNAIC-Sequencia didática -1
Para PNAIC-Sequencia didática -1
Graça Sousa
 
Sequência didática: O Leão e o Ratinho
Sequência didática: O Leão e o RatinhoSequência didática: O Leão e o Ratinho
Sequência didática: O Leão e o Ratinho
Shirley Lauria
 
Conectores discursivos mep
Conectores discursivos mepConectores discursivos mep
Conectores discursivos mep
Ivannia Campos
 
A lição do rato
A lição do ratoA lição do rato
A lição do rato
Rozanelia
 
Conhecendo o sistema operacional ubunt uca
Conhecendo o sistema operacional ubunt ucaConhecendo o sistema operacional ubunt uca
Conhecendo o sistema operacional ubunt uca
Ilton Bruno
 
Slide: Professoras Mães
Slide: Professoras MãesSlide: Professoras Mães
Slide: Professoras Mães
Lúcia Maia
 
Trabalho de Conclusão do Curso de Pedagogia- Ufopa/Parfor
Trabalho de Conclusão do Curso de Pedagogia- Ufopa/ParforTrabalho de Conclusão do Curso de Pedagogia- Ufopa/Parfor
Trabalho de Conclusão do Curso de Pedagogia- Ufopa/Parfor
Lúcia Maia
 

Destaque (20)

Para PNAIC-Sequencia didática -1
Para PNAIC-Sequencia didática -1Para PNAIC-Sequencia didática -1
Para PNAIC-Sequencia didática -1
 
Sequência didática: O Leão e o Ratinho
Sequência didática: O Leão e o RatinhoSequência didática: O Leão e o Ratinho
Sequência didática: O Leão e o Ratinho
 
Projeto fabula
Projeto fabulaProjeto fabula
Projeto fabula
 
Produçaõ textual
Produçaõ textualProduçaõ textual
Produçaõ textual
 
Planificação 8.º ano-alunos
Planificação 8.º ano-alunosPlanificação 8.º ano-alunos
Planificação 8.º ano-alunos
 
Conectores discursivos mep
Conectores discursivos mepConectores discursivos mep
Conectores discursivos mep
 
Valores semânticos dos conectivos
Valores semânticos dos conectivosValores semânticos dos conectivos
Valores semânticos dos conectivos
 
A formiga e a pomba
A formiga e a pombaA formiga e a pomba
A formiga e a pomba
 
Fábulas do 5º ano E
Fábulas do 5º ano EFábulas do 5º ano E
Fábulas do 5º ano E
 
Desenho fábula raposa cegonha
Desenho fábula raposa cegonhaDesenho fábula raposa cegonha
Desenho fábula raposa cegonha
 
A RAPOSA E A CEGONHA - FÁBULA DE ESOPO
A RAPOSA E A CEGONHA - FÁBULA DE ESOPOA RAPOSA E A CEGONHA - FÁBULA DE ESOPO
A RAPOSA E A CEGONHA - FÁBULA DE ESOPO
 
A lição do rato
A lição do ratoA lição do rato
A lição do rato
 
Conhecendo o sistema operacional ubunt uca
Conhecendo o sistema operacional ubunt ucaConhecendo o sistema operacional ubunt uca
Conhecendo o sistema operacional ubunt uca
 
PROJETO ESCOLA D'ÁGUA NA ESCOLA IRMÃ LEODGARD
PROJETO ESCOLA D'ÁGUA NA ESCOLA IRMÃ LEODGARDPROJETO ESCOLA D'ÁGUA NA ESCOLA IRMÃ LEODGARD
PROJETO ESCOLA D'ÁGUA NA ESCOLA IRMÃ LEODGARD
 
Slide: Professoras Mães
Slide: Professoras MãesSlide: Professoras Mães
Slide: Professoras Mães
 
O que é Hipertexto
O que é HipertextoO que é Hipertexto
O que é Hipertexto
 
Trabalho de Conclusão do Curso de Pedagogia- Ufopa/Parfor
Trabalho de Conclusão do Curso de Pedagogia- Ufopa/ParforTrabalho de Conclusão do Curso de Pedagogia- Ufopa/Parfor
Trabalho de Conclusão do Curso de Pedagogia- Ufopa/Parfor
 
Artigo mídias tecnológicas na educação lucia maia
Artigo mídias tecnológicas na educação  lucia maiaArtigo mídias tecnológicas na educação  lucia maia
Artigo mídias tecnológicas na educação lucia maia
 
Poster parfor tcc afetividade
Poster parfor  tcc afetividadePoster parfor  tcc afetividade
Poster parfor tcc afetividade
 
sugestão de 1 teste para diagnóstico de escrita para alunos do 1º ao 5º ano d...
sugestão de 1 teste para diagnóstico de escrita para alunos do 1º ao 5º ano d...sugestão de 1 teste para diagnóstico de escrita para alunos do 1º ao 5º ano d...
sugestão de 1 teste para diagnóstico de escrita para alunos do 1º ao 5º ano d...
 

Semelhante a Sequencia didática para trabalhar com as fábulas

Redação: Fábula, Parábola e Apólogo
Redação: Fábula, Parábola e ApólogoRedação: Fábula, Parábola e Apólogo
Redação: Fábula, Parábola e Apólogo
7 de Setembro
 
Aula de redaçao fabula - parabola - apologo
Aula de redaçao   fabula - parabola - apologoAula de redaçao   fabula - parabola - apologo
Aula de redaçao fabula - parabola - apologo
doryoliveira
 
CIDADE DOS CÃES - GUIÂO DE LEITURA.doc
CIDADE DOS CÃES - GUIÂO DE LEITURA.docCIDADE DOS CÃES - GUIÂO DE LEITURA.doc
CIDADE DOS CÃES - GUIÂO DE LEITURA.doc
ClaudiaDavid16
 
A cidade dos cães guião
A cidade dos cães guiãoA cidade dos cães guião
A cidade dos cães guião
bibliotecap
 
Conto luisa.ducla cidade.caes_guiao.18paginas
Conto luisa.ducla cidade.caes_guiao.18paginasConto luisa.ducla cidade.caes_guiao.18paginas
Conto luisa.ducla cidade.caes_guiao.18paginas
bibliotecap
 

Semelhante a Sequencia didática para trabalhar com as fábulas (20)

Material para imprimir - FORMAÇÃO DO SEGUNDO CICLO NO MUNICÍPIO DE PONTES E L...
Material para imprimir - FORMAÇÃO DO SEGUNDO CICLO NO MUNICÍPIO DE PONTES E L...Material para imprimir - FORMAÇÃO DO SEGUNDO CICLO NO MUNICÍPIO DE PONTES E L...
Material para imprimir - FORMAÇÃO DO SEGUNDO CICLO NO MUNICÍPIO DE PONTES E L...
 
Redação: Fábula, Parábola e Apólogo
Redação: Fábula, Parábola e ApólogoRedação: Fábula, Parábola e Apólogo
Redação: Fábula, Parábola e Apólogo
 
Aula de redaçao fabula - parabola - apologo
Aula de redaçao   fabula - parabola - apologoAula de redaçao   fabula - parabola - apologo
Aula de redaçao fabula - parabola - apologo
 
SÓ FÁBULAS 3.pdf
SÓ FÁBULAS 3.pdfSÓ FÁBULAS 3.pdf
SÓ FÁBULAS 3.pdf
 
Aula 2
Aula 2Aula 2
Aula 2
 
Teste Santillana Fábula.docx
 Teste Santillana Fábula.docx Teste Santillana Fábula.docx
Teste Santillana Fábula.docx
 
CIDADE DOS CÃES - GUIÂO DE LEITURA.doc
CIDADE DOS CÃES - GUIÂO DE LEITURA.docCIDADE DOS CÃES - GUIÂO DE LEITURA.doc
CIDADE DOS CÃES - GUIÂO DE LEITURA.doc
 
Conto luisa.ducla cidade.caes_guiao.18paginas
Conto luisa.ducla cidade.caes_guiao.18paginasConto luisa.ducla cidade.caes_guiao.18paginas
Conto luisa.ducla cidade.caes_guiao.18paginas
 
Livro nossas fabulas 2013
Livro nossas fabulas 2013Livro nossas fabulas 2013
Livro nossas fabulas 2013
 
Livro nossas fabulas 2013
Livro nossas fabulas 2013Livro nossas fabulas 2013
Livro nossas fabulas 2013
 
textos gêneros 7 ano caderno de atividades
textos gêneros 7 ano caderno de atividadestextos gêneros 7 ano caderno de atividades
textos gêneros 7 ano caderno de atividades
 
FORMAÇÃO DO SEGUNDO CICLO NO MUNICÍPIO DE PONTES E LACERDA
FORMAÇÃO DO SEGUNDO CICLO NO MUNICÍPIO DE PONTES E LACERDAFORMAÇÃO DO SEGUNDO CICLO NO MUNICÍPIO DE PONTES E LACERDA
FORMAÇÃO DO SEGUNDO CICLO NO MUNICÍPIO DE PONTES E LACERDA
 
Teste Diagnóstico
Teste DiagnósticoTeste Diagnóstico
Teste Diagnóstico
 
Gêneros textuais fábula, tira, História em Quadrinhos (HQ), textos expositivo...
Gêneros textuais fábula, tira, História em Quadrinhos (HQ), textos expositivo...Gêneros textuais fábula, tira, História em Quadrinhos (HQ), textos expositivo...
Gêneros textuais fábula, tira, História em Quadrinhos (HQ), textos expositivo...
 
Soletras 2009-53 - FORMAÇÃO DO SEGUNDO CICLO NO MUNICÍPIO DE PONTES E LACERDA
Soletras 2009-53 - FORMAÇÃO DO SEGUNDO CICLO NO MUNICÍPIO DE PONTES E LACERDASoletras 2009-53 - FORMAÇÃO DO SEGUNDO CICLO NO MUNICÍPIO DE PONTES E LACERDA
Soletras 2009-53 - FORMAÇÃO DO SEGUNDO CICLO NO MUNICÍPIO DE PONTES E LACERDA
 
Avaliação bimestral de língua portuguesa
Avaliação bimestral de língua portuguesaAvaliação bimestral de língua portuguesa
Avaliação bimestral de língua portuguesa
 
Teste diagnóstico 5.º
Teste diagnóstico 5.ºTeste diagnóstico 5.º
Teste diagnóstico 5.º
 
Fichas de avaliação língua portuguesa 2o ano
Fichas de avaliação língua portuguesa 2o anoFichas de avaliação língua portuguesa 2o ano
Fichas de avaliação língua portuguesa 2o ano
 
A cidade dos cães guião
A cidade dos cães guiãoA cidade dos cães guião
A cidade dos cães guião
 
Conto luisa.ducla cidade.caes_guiao.18paginas
Conto luisa.ducla cidade.caes_guiao.18paginasConto luisa.ducla cidade.caes_guiao.18paginas
Conto luisa.ducla cidade.caes_guiao.18paginas
 

Sequencia didática para trabalhar com as fábulas

  • 1. SEQUENCIA DIDÁTICA PARA TRABALHAR COM AS FÁBULAS A fábula pode ser vista como um excelente exercício de reflexão sobre o comportamento humano e as vicissitudes da vida, e não como uma forma de inculcar no leitor certas “verdades”. Do ponto de vista pedagógico, essa atividade de leitura exige a participação ativa do professor, pois ele deve estimular os alunos a se posicionarem criticamente diante do texto, pedindo-lhes que comentem as ações dos personagens e que reflitam sobre a situação apresentada, relacionando-a com fatos da vida real. Por isso, a fábula não é um gênero que se destina exclusivamente ao leitor infantil. Ao contrário, nascida como fruto da observação do comportamento dos adultos, rende muito quando lida e estudada por leitores mais experientes, permitindo bons debates em sala de aula. Atividade 1 – Construindo a compreensão do gênero O professor distribui para cada grupo duas ou três fichas de cartolina, com um provérbio conhecido, esclarecendo que este é um tipo de frase lapidar, concisa e com um sentido exato e que apresenta um ensinamento proveniente da sabedoria popular. Entrega também fichas em branco para que os grupos acrescentem outras frases por eles conhecidas no mesmo estilo. Após uma pequena discussão, o grupo deve eleger a frase que, para a maioria, é a mais significativa, fazendo uma pequena exposição dos motivos e/ou ilustrando-a com situações cotidianas. Abaixo estão relacionados alguns exemplos de provérbios, com os nomes das respectivas fábulas a que se referem: OBSERVAÇÃO: Ao distribuir as fichas com os provérbios, o professor deve ter o cuidado de não fazer a indicação dos títulos das fábulas, pois este conhecimento será inferido pelos próprios alunos. Atividade 2 – Leitura de fábulas O professor distribui para cada grupo duas ou três fábulas diferentes, as quais ilustram as morais anteriormente apresentadas. Os grupos trocam os textos entre si, até que todos tenham lido todas as fábulas. A atividade tem o propósito de familiarizar os alunos com a forma e a linguagem do gênero, além de ampliar o seu repertório. Atividade 3 – Definindo a fábula O professor solicita aos alunos que apontem, oralmente, características comuns a todos os textos lidos. O professor poderá fazer perguntas que chamem atenção para aspectos como brevidade da história, presença de personagens animais que agem como seres humanos, ausência de indicações precisas de tempo e espaço, explicitação de uma moral.
  • 2. Formule agora um conceito para esse tipo de texto: Fábula é _____________________________________________________________ Atividade 4 – Descobrindo significados Procure no dicionário alguns significados da palavra “moral”. a)________________________________________________________________________ b)________________________________________________________________________ c) _______________________________________________________________________ d) _______________________________________________________________________ e) _______________________________________________________________________ Atividade 5 – Estabelecendo valores Complete o quadro abaixo, apontando, a partir da discussão com seus colegas de grupo, aqueles valores que, na opinião de vocês, são, em geral, aceitos pela sociedade, em oposição àqueles que são condenados: Leitura compreensiva e interpretativa do texto Atividade 6 – Leitura dramatizada da fábula “O lobo e o cordeiro” A razão do mais forte é a que vence no final (nem sempre o Bem derrota o Mal). Um cordeiro a sede matava nas águas limpas de um regato. Eis que se avista um lobo que por lá passava em forçado jejum, aventureiro inato e lhe diz irritado: - "Que ousadia a tua, de turvar, em pleno dia, a água que bebo! Hei de castigar-te!" - "Majestade, permiti-me um aparte" - diz o cordeiro. - "Vede que estou matando a sede água a jusante, bem uns vinte passos adiante de onde vos encontrais. Assim, por conseguinte, para mim seria impossível cometer tão grosseiro acinte." - "Mas turvas, e ainda mais horrível foi que falaste mal de mim no ano passado. - "Mas como poderia" - pergunta assustado o cordeiro -, "se eu não era nascido?" - "Ah, não? Então deve ter sido teu irmão." - "Peço-vos perdão mais uma vez, mas deve ser engano, pois eu não tenho mano." - "Então, algum parente: teus tios, teus pais. . . Cordeiros, cães, pastores, vós não me poupais; por isso, hei de vingar-me" - e o leva até o recesso da mata, onde o esquarteja e come sem processo. La Fontaine. Fábulas, 1992.
  • 3. O professor distribui a fábula para os grupos e solicita que preparem uma leitura dramática (três participantes fazem os papéis do lobo, do cordeiro e do narrador e os demais “dirigem” a atuação dos atores. O professor deve alertar os alunos para que as falas fiquem bem caracterizadas, de acordo com o que as personagens representam, e para que acentuem o ritmo e as rimas dos versos que compõem o texto). OBSERVAÇÃO: O professor poderá esclarecer as dificuldades de vocabulário, acompanhando o ensaio dos grupos. Da mesma forma, deverá chamar atenção para a composição do texto na forma de versos. Atividade 7 – Trabalhando a estrutura do texto a) Enumere, pelos menos, três adjetivos definidores do caráter do lobo do cordeiro. b) O encontro do lobo e do cordeiro acontece “nas águas limpas deum regato”. É possível determinar a localização exata do cenário onde se passa a ação? Justifique sua resposta. ________________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ c) No verso “foi que falaste mal de mim no ano passado”, a expressão grifada permite situar a ação no tempo? Explique sua resposta. ________________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ d) O que nos permite afirmar que o lobo e o cordeiro eram velhos conhecidos? ________________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ e) Enumere os argumentos usados pelo lobo para justificar o castigo imposto ao cordeiro. ________________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ f) A fábula apresenta um ensinamento ao leitor. Que ensinamento é este e quem o transmite? ________________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ g) Por que o segundo verso – (nem sempre o Bem derrota o Mal) - está colocado entre parênteses? O que significa a expressão “nem sempre”? ________________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ h) Complete a frase, explicando-a com as suas palavras: A razão do mais forte é a que vence no final, pois _____________________________________ _____________________________________________________ Atividade 8 - Comparando versões de uma mesma fábula a) Você vai ler agora como a fábula “O leão e o rato” foi contada por três autores diferentes – Esopo, na Grécia antiga, cerca do século IV a.C, La Fontaine, no século XVII, e Monteiro Lobato, no início do século XX. O LEÃO E O RATO (Esopo) O leão era orgulhoso e forte, o rei da selva. Um dia, enquanto dormia, um minúsculo rato correu pelo seu rosto. O grande leão despertou com um rugido. Pegou o ratinho por uma de suas fortes patas e levantou a outra para esmagar a débil criatura que o incomodara. - Ó, por favor, poderoso leão – pediu o rato. Não me mate, por favor. Peço-lhe que me deixe ir. Se o fizer, um dia eu poderei ajudá-lo de alguma maneira. Isso foi para o felino uma grande diversão. A idéia de que uma criatura tão pequena e assustada como um rato pudesse ser capaz de ajudar o rei da selva era tão engraçada que ele não teve coragem de matar o rato. - Vá-se embora – grunhiu ele – antes que eu mude de idéia. Dias depois, um grupo de caçadores entrou na selva. Decidiram tentar capturar o leão. Os homens subiram em suas duas árvores, uma de cada lado do caminho, e seguraram uma rede lá encima. Mais tarde, o leão passou despreocupadamente pelo lugar. Ato contínuo, os homens jogaram a rede sobre o grande
  • 4. animal. O leão rugiu e lutou muito, mas não conseguiu escapar. Os caçadores foram comer e deixaram o leão preso à rede, incapaz de se mover. O leão rugiu por ajuda, mas a única criatura na selva que se atreveu a aproximar-se dele foi o ratinho. - Oh, é você? – disse o leão. Não há nada que possa fazer para me ajudar. Você é tão pequeno! - Posso ser pequeno – disse o rato 0 mas tenho os dentes afiados e estou em dívida com você. E o ratinho começou a roer a rede. Dentro de pouco tempo, ele fizera um furo grande o bastante para que o leão saísse da rede e fosse se refugiar no meio da selva. Às vezes o fraco pode ser de ajuda ao forte. ESOPO. Fábulas de Esopo, 1995. O LEÃO E O RATO (La Fontaine) Vale a pena espalhar razões de gratidão: Os pequenos também têm sua utilidade. Duas fábulas* mostrarão que eu não estou falando senão a verdade. Ao sair do buraco, um rato, Entre as garras terríveis de um leão, se achou. O rei dos animais, em mui magnânimo ato, Nada ao ratinho fez, e com vida o deixou. A boa ação não foi em vão. Quem pensaria que um leão Alguma vez precisaria De um rato tão pequeno? Pois é, meu amigo, Leão também corre perigo, E aquele ficou preso numa rede, um dia. Tanto rugiu, que o rato ouviu e acudiu, Roendo o laço que o prendia. Mais vale a pertinaz labuta Que o desespero e a força bruta. * Para ilustrar a mesma moral, La Fontaine conta, na seqüência, outra fábula, intitulada “A pomba e a formiga”. La Fontaine, Fábulas, 1992. O LEÃO E O RATINHO (Monteiro Lobato) Ao sair do buraco viu-se o ratinho estre as patas do leão. Estacou, de pêlos em pé, paralisado pelo terror. O leão, porém, não lhe fez mal nenhum. - Segue em paz, ratinho; não tenhas medo do teu rei. Dias depois o leão caiu numa rede.. Urrou desesperadamente, de bateu-se, mas quanto mais se agitava mais preso no laço ficava. Atraído pelos urros, apareceu o ratinho. - Amor com amor se paga – disse ele lá consigo e pôs-se a roer as cordas. Um instante conseguir romper uma das malhas. E como a rede era das tais que rompida a primeira malha e fugir. Mais vale paciência pequenina Do que arrancos de leão. Monteiro Lobato. Fábulas, 1994. Agora, compare as fábulas, de acordo com os aspectos indicados no quadro abaixo, e veja o que muda e o que permanece nas suas sucessivas reescrituras:
  • 5. b) Na comparação das diferentes versões, é possível perceber indicações que remetem ao contexto histórico no qual as fábulas foram escritas? Justifique sua resposta. ______________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________ Transferência e aplicação da leitura Atividade 9 – Escrevendo uma carta Escreva uma carta para um destinatário (alguém próximo de você ou uma pessoa conhecida do público), para quem você aconselharia a leitura dessa fábula. Não esqueça de apresentar-lhe as razões para isso. Atividade 10 – Mudando o final A fábula “O cordeiro e o lobo” de La Fontaine foi recontada por Monteiro Lobato, no livro Fábulas. Nesse livro, após cada relato, segue-se um pequeno diálogo das personagens do Sítio do Picapau Amarelo comentando a respeito da história que ouviram. Leia o comentário a essa fábula: Estamos diante da fábula mais famosa de todas – declarou Dona Benta. Revela a essência do mundo. O forte tem sempre razão. Contra a força não há argumentos. - Mas há esperteza! – berrou Emília. Eu não sou forte, mas ninguém me vence. Por quê? Porque aplico a esperteza. Se eu fosse esse cordeirinho, em vez de estar bobamente a discutir com o lobo, dizia: “Senhor Lobo, é verdade, sim, que sujei a água desse riozinho, mas foi para envenenar três perus recheados que estão bebendo ali embaixo”. E o lobo com água na boca: “Onde?” E eu, piscando o olho: “Lá atrás daquela moita!” E o lobo ia ver e eu sumia... - Acredito – murmurou Dona Benta. E depois fazia de conta que estava com uma espingarda e, pum! na orelha dele, não é? Pois fique sabendo que estragaria a mais bela e profunda das fábulas. La Fontaine a escreveu dum modo incomparável. Quem quiser saber o que é obra-prima, leia e analise a sua fábula do Lobo e do Cordeiro (Lobato, 1994, p. 42-43). Siga o exemplo de Emília e reescreva a fábula, dando a ela um final diferente. Antes disso, leia algumas informações sobre La Fontaine: Jean de La Fontaine é francês, nascido em 8 de julho de 1621 e falecido em 13 de abril de 1695. É principalmente conhecido como autor de fábulas, escritas em versos leves e rimados. Além de criar algumas fábulas originais muito conhecidas, representativas do contexto da aristocracia francesa do século XVII, como por exemplo, “O lobo e o cordeiro” e “A cigarra e a formiga”, reescreveu algumas fábulas baseadas em Esopo. Esopo foi outro grande criador de fábulas, que viveu na Grécia como escravo no século V a.C. Embora tivesse uma aparência estranha - consta que era corcunda - possuía o dom da palavra e a habilidade de contar histórias, que retratavam o comportamento humano através de personagens animais. Algumas dessas fábulas de Esopo são conhecidas ainda hoje, como “A raposa e as uvas”, “O leão e o rato”, “A lebre e a tartaruga”, entre outras.
  • 6. Atividade 11 - Refabulando Leia a fábula “A raposa e as uvas”, na versão de La Fontaine, e reconte-a utilizando as suas próprias palavras. Certa raposa astuta, normanda ou gascã, Quase morta de fome, sem eira nem beira, Andando à caça, de manhã, Passou por uma alta parreira, Carregada de cachos de uvas bem maduras. Altas demais – não houve impasse: “Estão verdes... já vi que são azedas, duras...” Adiantaria se chorasse? (La Fontaine. Fábulas, 1992, p. 211). Atividade 12 – Trabalhando a ilustração Observe a ilustração de Gustave Doré feita para essa fábula. Agora, crie uma fábula a partir da ilustração.
  • 7. Atividade 13 – Recriando fábulas Leia a fábula original de La Fontaine “A cigarra e a formiga”. Depois, compare-a com as recriações de Monteiro Lobato e José Paulo Paes. A CIGARRA E A FORMIGA A cigarra, sem pensar em guardar, a cantar passou o verão. Eis que chega o inverno, e então, sem provisão na despensa, como saída, ela pensa em recorrer a uma amiga: sua vizinha, a formiga, pedindo a ela, emprestado, algum grão, qualquer bocado, até o bom tempo voltar. "Antes de agosto chegar, pode estar certa a senhora: pago com juros, sem mora." Obsequiosa, certamente, a formiga não seria. "Que fizeste até outro dia?" perguntou à imprevidente. "Eu cantava, sim, Senhora, noite e dia, sem tristeza." "Tu cantavas? Que beleza! Muito bem: pois dança agora..." Do livro Fábulas de La Fontaine, 1992. SEM BARRA Enquanto a formiga Carrega comida Para o formigueiro, A cigarra canta, Canta o dia inteiro. A formiga é só trabalho. A cigarra é só cantiga. Mas sem a cantiga da cigarra que distrai da fadiga, seria uma barra o trabalho da formiga (Paes, s.d.). A CIGARRA E A FORMIGA (A FORMIGA BOA) Houve uma jovem cigarra que tinha o costume de chiar ao pé do formigueiro. Só parava quando cansadinha; e seu divertimento era observar as formigas na eterna faina de abastecer as tulhas. Mas o bom tempo afinal passou e vieram as chuvas, Os animais todos, arrepiados, passavam o dia cochilando nas tocas. A pobre cigarra, sem abrigo em seu galhinho seco e metida em grandes apuros, deliberou socorrer-se de alguém. Manquitolando, com uma asa a arrastar, lá se dirigiu para o formigueiro. Bateu – tique, tique, tique... Aparece uma formiga friorenta, embrulhada num xalinho de paina. - Que quer? – perguntou, examinando a triste mendiga suja de lama e a tossir. - Venho em busca de agasalho. O mau tempo não cessa e eu... A formiga olhou-a de alto a baixo.
  • 8. - E que fez durante o bom tempo que não construí a sua casa? A pobre cigarra, toda tremendo, respondeu depois dum acesso de tosse. V - Eu cantava, bem sabe... - Ah!... exclamou a formiga recordando-se. Era você então que cantava nessa árvore enquanto nós labutávamos para encher as tulhas? - Isso mesmo, era eu... Pois entre, amiguinha! Nunca poderemos esquecer as boas horas que sua cantoria nos proporcionou. Aquele chiado nos distraía e aliviava o trabalho. Dizíamos sempre: que felicidade ter como vizinha tão gentil cantora! Entre, amiga, que aqui terá cama e mesa durante todo o mau tempo. A cigarra entrou, sarou da tosse e voltou a ser a alegre cantora dos dias de sol. Do livro Fábulas, Monteiro Lobato, 1994. a) O que há de comum nas releituras que Lobato e José Paulo Paes, autores do século XX, fazem da fábula de La Fontaine, escrita no século XVII? É possível detectar uma mudança de moral de uma época para outra? ________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________ b) Leia a fábula de Esopo “A raposa e o corvo”. Experimente introduzir modificações na história. Você pode alterar o final, incluir novos personagens e cenários, enfim, interferir no texto à vontade. A raposa e o corvo Um dia um corvo estava pousado no galho de uma árvore com um pedaço de queijo no bico quando passou uma raposa. Vendo o corvo com o queijo, a raposa logo começou a matutar um jeito de se apoderar do queijo. Com esta idéia na cabeça, foi para debaixo da árvore, olhou para cima e disse: -Que pássaro magnífico avisto nessa árvore! Que beleza estonteante! Que cores maravilhosas! Será que ele tem uma voz suave para combinar com tanta beleza! Se tiver, não há dúvida de que deve ser proclamado rei dos pássaros. Ouvindo aquilo o corvo ficou que era pura vaidade. Para mostrar à raposa que sabia cantar, abriu o bico e soltou um sonoro "Cróóó!" . O queijo veio abaixo, claro, e a raposa abocanhou ligeiro aquela delícia, dizendo: -Olhe, meu senhor, estou vendo que voz o senhor tem. O que não tem é inteligência! Moral: cuidado com quem muito elogia. Do livro Fábulas de Esopo, 1994. Atividade 14 – Organizando uma coletânea de fábulas Você já deve ter reparado que cada bicho tem um jeito de ser, possui comportamentos e “humores” distintos um do outro. Organize, junto com o professor e os colegas, uma lista de animais, caracterizando-os de acordo com a natureza própria de cada um. Agora, é só escolher os bichos que farão parte de sua história, cuidando para representá-los de acordo com suas características, ou invertendo-as para obter um efeito de humor. A moral deve ser acrescentada ao final. O professor organiza a produção dos alunos em um livro e promove uma sessão de autógrafos na escola. OBSERVAÇÃO: Com isso, os alunos estarão compreendendo que a fábula só “funciona” a partir de uma imagem plana e estereotipada do comportamento das personagens.