Melhor gestão, melhor ensino

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Melhor gestão, melhor ensino

  1. 1. MELHOR GESTÃO, MELHOR ENSINOA sala de aula é um laboratório de ideias.Professora Rita de Cássia Fiacadori
  2. 2. Déjà vuDobrei a esquina, o coração batendo forte, estava pronta para aceitar aproposta que, enfim, receberia nesta tarde, não via a hora de olhar nosolhos dele, sorrir e abraçá-lo, expressando todo o meu amor.Atravessei a rua e o coração ribombava no peito a ponto de sair pela boca,“nossa”, eu pensei, “nunca imaginei que estaria tão emocionada”, entreino restaurante ávida para encontrar a mesa em que ele estava. Deparei-me com algo que me paralisou instantaneamente e fez meu corpo gelar,como se tivesse recebido um jato d’água abaixo de zero; havia uma garotasentada confortavelmente ao seu lado, esbelta, alta, cabelos longos,sorriso estonteante, ela demonstrava que divertia-se muito na companhiado meu amado. Estacada no meio do corredor do restaurante o maitreperguntava qual mesa eu preferia apontando uma mais ao fundo e outrana lateral, únicas ainda não ocupadas, mas eu só fui prestar atenção nohomem que gesticulava, alguns segundos depois, em que passava umpouco o efeito do raio congelante.Depois de sair do torpor que me sugou pra dentro do meu cérebro, refletiem segundos e, após responder para o homem que já tinha lugarreservado, encaminhei-me pra lá resoluta disposta a não me preocuparmais até ser apresentada.
  3. 3. Cheguei-me a eles com um sorriso ensaiado, cumprimentei meunamorado com um leve beijo nos lábios e virei-me para a mulher, que, deperto era, para meu horror, mais linda ainda. Estendi a mão e esperei queele me apresentasse, o que rapidamente fez olhando para ela eapontando-me: “Rafaela, esta é minha namorada, Sofia.” Virando-se paramim: “Sofia, esta é uma cliente, interessada no apartamento da ruaAsafe.”Além do sorriso e da mão estendida só saiu um “prazer” meio chocho,esperei que mais considerações fossem feitas, afinal, aquele não seria umalmoço de negócios, mas sim o momento em que decidiríamos o nossofuturo, a sós, assim eu esperava.
  4. 4. Sentei-me e eles continuaram a conversar como se eu não estivesse ali.Acreditei que isso seria bobagem e dentro de alguns segundos a moça selevantaria e nos deixaria sozinhos com nossos assuntos. Mas não foi o queaconteceu, pedimos o almoço e eles prosseguiram na conversa abordandodesde os preços descabidos dos imóveis, passando pela vontade dela emadquirir um prédio comercial no centro além do apartamento queestavam negociando, até chegarem a assuntos mais íntimos como quantaspessoas morariam com ela. A conversa calorosa entre os dois embrenhou-se por um campo minado, ele, de forma totalmente desrespeitosa,inquiriu-a sobre o fato dela ser tão jovem e bonita e não ter namorado.Pronto, esse insulto eu não toleraria, a exposição, o abandono rude, adissimulação, o jogo de palavras, eu engoli tudo para não dar vexame, nomomento oportuno colocaria a questão em pauta, mas o que aconteceuapós evocou meu lado mais explosivo. Meu namorado não era dado agracinhas com outras mulheres e sabia perfeitamente que o sangue quecorria em minhas veias era desajustadamente quente em situações comoessas. E mais, ele me ignorava a quase meia hora, papeandodescontraidamente com aquela sirigaita que eu nem sabia de quegalinheiro havia surgido (desculpem-me a expressão).
  5. 5. Levantei-me com cara de nenhum amigo e pus-me a sair do recinto, nãofiz escândalo, nem dei pancada em ninguém, pois não era do meu feitio,minha indignação seria descarregada nele quando estivéssemos a sós.Deixei o prato servido quase frio (não tinha dado nem uma só garfada,enquanto eles comiam com vontade). Claro que o inominável veio no meuencalço, puxou-me pelo braço e encarou-me sério como se eu estivessefazendo a coisa mais terrível do mundo “Onde pensa que vai?”, disse odesavergonhado. Eu não respondi, achei aquilo uma verdadeira afronta,quase cuspi na cara dele, porém, controlei-me ao máximo e só avisei-o “Sequiser falar comigo terá que me procurar.”Acordei sobressaltada, pois minha irmã me chacoalhava enquanto eugritava “Ele é meu sua...” parei a frase no ar, acredito que falava comigomesma, já que não consegui soltar meu veneno. Olhei para minha irmãassustada, eu estava ensopada e bastante nervosa. Apesar do estado emque me encontrava, pensava: “Foi só um sonho.” Minha irmã com carazangada informou que quase teve um ataque ao acordar com meus gritos.
  6. 6. De volta à cama depois de trocar de roupa e tomar um banho pararefrescar, achei graça da cena. Meu namorado sempre foi um homemmuito romântico e muito sério em relação a outras mulheres, sempreacreditei que ele era fiel a mim. Tudo que fazíamos era juntos. Pensavarindo cá com meus botões: “Que sonho mais descabido”, voltei a dormir.Eu havia encontrado a aliança no bolso de seu paletó, por acidente, eleestava em casa enviando e-mails no notebook, pediu que eu apanhasse achave do carro, foi então que a encontrei, mas não disse nada para nãoestragar a surpresa.Fiquei esperando um jantar a dois para o tão desejadopedido. Talvez por essa razão estivesse tão propensa a ter esse sonhoesdrúxulo.Passaram-se alguns dias e ele não se pronunciava quanto a isso. Acheiestranho. Até que acordei numa manhã de sábado, sabendo que ele teriaum compromisso de trabalho (corretores de imóveis não têm final desemana livre), marquei com uma amiga para almoçar num restauranteque ela indicou, seria uma boa oportunidade para eu conhecer o lugar, elasempre falava bem da comida de lá.
  7. 7. Ao dobrar a esquina que dava acesso ao endereço combinado comecei atremer, não parei de dirigir, porém, mais lenta, embiquei o carro noestacionamento, um carro buzinou atrás de mim e gritou algo que eu nãoconsegui ouvir tamanho era meu assombro. O lugar era exatamente o domeu sonho. Parei na porta e entreguei a chave ao manobrista, entrei com aspernas bambas e estaquei na porta. Recebeu-me ninguém mais ninguémmenos que o maitre já conhecido. Nem o ouvi, procurei com o olhar a mesae lá estavam eles, a conversa correndo solta e descontraída, no entanto elesestavam mais próximos, mais íntimos. Não sei quanto tempo fiquei alicongelada, esperando minhas pernas arriarem de vez com o peso do corpo,mas foi então que vi a cena mais bizarra, ele retirou um anel do bolso eentregou-o à moça de cabelos longos, esbelta e de beleza ímpar, ela, comolhos marejados, sorriu e murmurou o que pareceu um “sim”. Tudoescureceu e as minhas pernas pararam de sustentar-me.Cinco meses depois, o casal apaixonado mudou-se para a rua Asafe.
  8. 8. TU TE TORNAS ETERNAMENTE RESPONSÁVEL POR TUDO AQUILO QUE CATIVAS.ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY

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