1                                VOCAÇÃO E IDENTIDADE                                                      * Bispo João Al...
2           Portanto, vocação é a nossa formação, o que somos, o que poderemos ser e até ondepoderemos chegar. Vocação é o...
3voz profética, é colocar na prática, no trabalho, no serviço as tarefas que Deus tem colocado emnossas mãos, é falar da v...
4      Bibliografia      WAHBA, Liliana Liviano. Psicología, Saúde e Religião – Estudos de Religião 16. UMESP:São Paulo. 1...
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

Texto 5 vocação e identidade - bispo joão alves de oliveira filho

4.751 visualizações

Publicada em

0 comentários
1 gostou
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
4.751
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
2
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
86
Comentários
0
Gostaram
1
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Texto 5 vocação e identidade - bispo joão alves de oliveira filho

  1. 1. 1 VOCAÇÃO E IDENTIDADE * Bispo João Alves de Oliveira Filho. “Temos dois modos de funcionamento mental, duas maneiras básicas de perceber:pela razão e pela emoção. A adaptação ao mundo externo se dá pela percepção através dos órgãosdo sentido. Origina-se o pensamento lógico, racional. Este configura o racionalismo extrovertido, oqual, na ciência, origina-se o positivismo. No mundo interior, psíquico, uma outra orientação se faz necessária. Esta baseia-se naemoção e no significado. É a capacitação de perceber e de criar por meio de imagens: opensamento analógico. As perguntas racionais são causais: como? de onde?, por que? Asperguntas emocionais mostram interesse, desejo: o quanto eu quero? Simbolizar representa o processo de dar forma a um significado profundo.” (LilianaLiviano Wahba- Profª do departamento de Psicologia da PUC – Psicologia, Saúde e Religião –Estudos de Religião 16 – UMESP) Se simbolizar representa o processo de dar forma, como nós, pastores (as) estamosdando forma ao símbolo da vocação? Da identidade? Ao procurarmos discorrer sobre o tema da vocação, a primeira pergunta que surge éesta: O que é vocação? Creio, que todos(as) nós temos ouvido e também presenciado a seguinte pergunta: “Oque você vai ser quando crescer?” Em nosso cotidiano, existe uma pressão quanto à definição da vocação, pois a escolhatem importância crucial, não é nada fácil, há indefinições e se eu “acertar”, serei bem sucedido(a), seeu “errar”, estarei perdido(a). Confesso a vocês, que não é fácil definir “vocação”. Vocação, do latim “vocatione”, atode chamar, escolha, chamamento, tendência, disposição, aptidão. O termo é amplo, com váriossignificados e que muitas vezes nos “embaralham” na procura de uma definição que nos esclareça.Em minha dedução, pude compreender que o termo vocação, procura expressar o seguinte: Donodo Supermercado. A vocação: Dono do Supermercado, uma condição, a respeito da qual, aplica-sea habilidade, a aptidão, etc. Porém, do ponto de vista religioso, vocação, também possui um sentido muito fortecomo “chamar”, “convidar”, “escolher”. Ao pesquisarmos alguns textos bíblicos, encontraremos otermo chamar, como um ato de Deus, de Jesus Cristo, que vocaciona, chama pessoas para fazeremparte do seu ministério, ou para ingressarem no ato da salvação. (Abrão – Gn. 12.1-2; Moisés – Ex.3.4; Samuel: I Sm. 3.4; Discípulos: Mt. 4.18-22). Ressalto, porém, que ao pesquisar o sentido específico da vocação, defendo a idéia,que uns dos princípios que me leva a compreender a vocação, é a vocação do indivíduo seconhecer, ou seja, saber quem é, suas potencialidades, suas fraquezas, suas características. Asidéias acerca de nós mesmos, transmitidas pelo processo educacional, em especial familiar,determinam quem somos, e onde poderemos chegar. A falta de conhecimento da própria pessoa,poderá torná-la insegura, ainda que se esforce para fugir deste comportamento. Desta forma,qualquer tipo de influência sobrecarregará: “você tem jeito para ser médico(a)...” “o seu jeito de serpoderá levá-lo(a) ao pastorado”, etc. são influências, que infelizmente, não determinam o verdadeirochamado, ou vocação. Felizmente os(as) indivíduos(as) têm poder de romper com estas influências edeixarem de serem vítimas deste tipo de condicionamento. As pessoas mudam e ao mudarem temque ser para o melhor. O(A) indivíduo(a) tem que ser honesto(a) consigo mesmo, para colocar naprática o relacionamento saudável e plausível em todas as suas instâncias.
  2. 2. 2 Portanto, vocação é a nossa formação, o que somos, o que poderemos ser e até ondepoderemos chegar. Vocação é o conteúdo do nosso ser, a imagem gravada em nós. A vida cristã é uma vocação, porque fomos forjados(as) nela pela influência e presençada graça de Deus em nossas vidas, em nossos corações. Por ser nascida e forjada na graça e naação do Espírito há no nascedouro desta vocação, diversidade de dons, de ministérios, etc... Destaforma poderemos compreender a vocação como chamado, dentro da perspectiva do chamado queJesus faz aos nossos corações capacitando-nos para ações que correspondem às nossas aptidões.Entre elas, evidentemente a ação pastoral. Portanto, vocação, como vivência cristã, é o meio pelo qual Deus reúne o seu povo e oconvida para segui-lo: “Se alguém quer vir após mim...”(Mt. 16.24). Assim a vocação aponta-nos aidéia de que o chamado de Deus é a todos os que crêem para serem salvos e serem cristãos emtudo o que fazem. Tudo o que fazemos inclui a nossa vocação. Há de se ressaltar que muitas vezes utilizamos o termo vocação, para especificar umaárea definida da ocupação de uma pessoa. Aqui podemos incluir a vocação pastoral como umaocupação do nosso ser, ou afirmarmos como o nosso cotidiano: sou vocacionado(a) para opastorado. Entendo que ao afirmar que sou vocacionado(a) para o pastorado, estou dizendo quepossuo um íntegro conhecimento de mim mesmo(a), em outras palavras a decisão que estoutomando está relacionada, integrada com minhas aptidões. Não se trata do que estão falando demim, porém eu mesmo(a) estou consciente do ser pastor(a). A partir daí vislumbro o conceito deidentidade, freqüentemente confundido com fantasia, que muitas vezes assola o nosso ser. Destaforma: a) Minhas ações têm que reforçar quem sou. Não adianta nada agir com delicadeza se estou irado(a); b) Tenho que me ouvir, aceitar a ser eu mesmo; ser capaz de compreender que falhei, errei, etc; c) Tenho que permitir compreender outra pessoa. Muitas vezes emitimos juízo e não compreensão; VOCAÇÃO, CHAMADO, SER PASTOR (A) O convite de Deus, no ato do chamamento é um convite que o próprio Deus faz paraEle mesmo. Deus não quer que o homem viva separado, exilado, perdido, mal humorado, no mundodas trevas, etc... “Vinde a mim todos(as) que estais cansados(as) e sobrecarregados(as)...” Este é oconvite de Jesus, o convite para o Reino: “Bem aventurados aqueles que são chamados à Ceia dasbodas do Cordeiro”. (Ap. 19.9). O apóstolo Paulo afirma categoricamente: “Mas para os que foram chamados, tantojudeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus”. (I Cor. 1.24) Vamos partir do princípio que no âmbito da vida cristã, isto é, nossa vocação, temos sidochamados(as) para o ministério pastoral. Um dia algo tocou o meu coração e eu disse: vou serum(a) pastor(a), ou em outras palavras, Deus me chamou para o Ministério Pastoral. Esta afirmaçãoé muito forte, pois quando Deus chama, Ele chama para tarefas específicas, e ser pastor(a) é umatarefa específica. O chamado procede da graça misteriosa e soberana de Deus, manifestada emJesus Cristo e no Evangelho. Vejamos o exemplo de Paulo: “Quando, porém, ao que me separouantes de eu nascer e me chamou pela sua graça, aprouve revelar o seu Filho em mim...” (Gl.1.15ss). Aqui, percebe-se que o apóstolo testemunha o seu chamado, está envolvido, convicto,consciente de que está no caminho certo. Paulo afirma que pela Graça foi lhe revelado Jesus Cristo.Portanto, a vocação pastoral como chamado de Deus, tem sua finalidade específica de anunciar oamor de Deus, anunciar a vida, anunciar a salvação, anunciar a redenção. O(A) pastor(a) visto destaforma, é uma voz profética, pois será comissionado(a) não por ele(a) mesmo(a), mas por Deus. Ser
  3. 3. 3voz profética, é colocar na prática, no trabalho, no serviço as tarefas que Deus tem colocado emnossas mãos, é falar da vida, em um mundo espremido pela morte; é falar da justiça, em um mundomarcado pela injustiça; é falar do amor, em um mundo que não ama, etc... INFLUÊNCIAS NEGATIVAS NO VOCACIONADO (A) Ao pensarmos na tarefa de ser pastor(a) não podemos nos iludir que encontraremosalgumas barreiras que prejudicarão a identificação com o chamado. Caso não ocorra identificaçãocom a vocação, o(a) pastor(a) será presa fácil e cairá em armadilhas. Falo da igreja, do serpastor(a), da imagem e suas conseqüências. Não há de se negar que a presença pastoral seoportuniza na esfera da Igreja Local. A Igreja local é o seu mundo, o seu trabalho, a sua família, asua “roda viva”. Como espelhar o “chamado” em um mundo tão circunscrito? Deste pequeno mundoemergem os comentários, que podem ser positivos ou negativos e diante do que poderá ocorrer, ébem provável que recorrerei ao pensamento analógico: o que fazer? Há de ser ressaltar que pelas funções que desempenha, o(a) pastor(a) se constitui em umafigura de destaque, pois acaba sendo o “dono da Palavra”, seja aconselhando, opinando oupregando. A Palavra pastoral molda opiniões, pois domingo após domingo, a congregação ouve,medita, escuta, etc., e em alguns casos, não foi o(a) pastor(a) quem falou, mas sim um anjo atravésda ação pastoral. Começam a se misturar identidade com fantasia. Destaco a influência pastoral e suasmúltiplas ações: ele ora, impõe as mãos, celebra a ceia, é pregador e muitas vezes é tido como“Palavra que vem de Deus”, “Palavras inspiradas por Deus”, etc. A idéia do onipotente e do “super-homem”, ou do infalível, nega a sua humanidade. Negar a sua humanidade seus sentimentos defraquezas, angústias, dúvidas, ressentimentos e ocultar-se na fantasia do todo poderoso, édespersonalizar-se, é viver nas cavernas. Para muitos viver assim é muito bom, porém um dia a crise pode bater às portas. Muitos(as)desconhecem as razões que levam a assumir este papel, pois ignoram que eles estão presentes noseu inconsciente que de lá enviam informações para o seu agir, apesar das racionalizações que seemitem, para justificar as ações. Então pergunto: É realidade? É fantasia? Outrossim, destaco a idéia do impermeável, ou seja, uma ação pastoral imposta pelo própriopastor não aceitando qualquer ponderação dos demais, ocultando a sua fraqueza em cima deafirmações pré-decoradas passando a falsa imagem de um(a) vocacionado(a). Não consegueperceber que um dia a ridicularidade pode bater às portas. E aqueles(as) que se sentem inferiores?A sociedade cobra uma postura que se equivale à proposta contida na Palavra de Deus, pois emnossos dias o questionamento sobre o papel da religião é muito forte, diante de um mundo complexoe questionador. O que faço? É bem provável que para sair do sufoco tenho que reduzir o meuministério pastoral apenas no papel da manutenção, isto é, se conseguir. CONCLUSÃO: Chamado e identidade caminham juntos. No momento que houver a separação haveránecessidade de se criar mecanismos que apenas projetarão e não darão sustentação ao que Deusrequer do pastorado. A identificação com o chamado, uso uma linguagem angelical, é o ouvir a vozde Deus, é o caminhar junto, é a disponibilidade de ir sabendo que não está sozinho. Sozinhos(as)jamais conseguiremos causar qualquer tipo de impacto na sociedade em que vivemos. Aoeliminarmos as fantasias que norteiam as ações pastorais, saberemos distinguir o que significa serchamado(a) e estar identificado com o todo de nossa vocação. Desta forma, “vem e segue-me”acaba sendo o modelo de nossa conduta pastoral. O chamado de Deus exige decisão da partedaquele(a) a quem ele é dirigido. O chamamento da parte de Deus é o meio pelo qual transformahomens e mulheres isentos(a) de qualificações em instrumentos de sua vontade.
  4. 4. 4 Bibliografia WAHBA, Liliana Liviano. Psicología, Saúde e Religião – Estudos de Religião 16. UMESP:São Paulo. 1999. LÉON-DUFOUR, Xavier. Vocabulário de Teologia Bíblica. 2ª Edição. Vozes: Petrópolis. 1972. LISBOA, Ageu Heringer. Saúde Pastoral e Comunitária. 1ª Edição. CPPC: São Paulo. 1984. COLLINS, Gary R. Aconselhamento Cristão. 1ª Edição. Sociedade Religiosa Edições VidaNova: São Paulo. 1984. ALLMEN, Jean-Jacques Von. Vocabulário Bíblico. 2ª Edição. ASTE: São Paulo. 1972. BROWN, Colin. O Novo Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. 1ª Edição.Sociedade Religiosa Edições Vida Nova: São Paulo. 1981. Obs: Reprodução autorizada pelo autor

×