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nível local, por discernir o que mantém ou o que faz cair a Igreja, conforme a expressão dosreformadores (articuli stantis...
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Nós somos pastores e pastoras. Deus nos tem entregue um rebanho, e um dia Ele vai nospedir conta de nosso cuidado pelo reb...
q) A consciência dos diferentes segmentos da igreja local        “Dessarte não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem...
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Texto 3 carisma pastoral - bispo paulo lockmann

  1. 1. Carisma Pastoral: Uma abordagem episcopal1- Introdução: O/A Pastor/a, uma figura bíblica A figura do/a Pastor/a é antes de tudo identificada com Deus no Antigo Testamento. Javé éo único Pastor do seu povo, isto está dito claramente na oração de Jacó abençoando seus filhos (cf.Gn 49.24). Mas é nos textos pós-exílicos onde isto se torna muito claro. (cf. Sl 23; 28.9; 74.1;Is 40.10-11). Assim Deus é o paradigma bíblico de Pastor. Do mesmo modo o povo de Israel é oseu rebanho (cf. Jr 13.17; Ez 34.31; Zc 10.3; Sl 100.3). Se lermos, com cuidado, veremos que estafigura simbólica, além de ter um forte elemento cultural de comunicação, representava o grandeguarda do povo, pois seu cuidado garantia a base da economia em uma sociedade nômade epastoril. Não foi a toa que houve tentativa de transferir esta figura para os reis (cf. 1Cr 11.2),embora não tenha se generalizado. Na verdade a responsabilidade de cuidar do povo de Deus, elevá-lo a uma vida de confiança e fidelidade a Deus, era dos sacerdotes, os profetas foramveementes em sublinhar isto (cf. Jr 2.8; 23.1-4; Ez 34.1-11). No Novo Testamento o termo poimên ocorre 9 vezes nos Evangelhos Sinóticos, 6 vezes emJoão, uma vez em Hebreus, 1Pedro e Efésios. Temos, também, com menor freqüência a expressãopoimnê o poimnion que significa rebanho, e o verbo poimainô que é o verbo pastorear. Em todo o Novo Testamento a figura do pastor é trabalhada positivamente. Uma boaexegese do conceito pastor deveria trabalhar exegeticamente o campo da palavra, examinando todasas incidências do termo, mas não é esta a natureza do nosso trabalho. Queremos tão somentesublinhar o significado mais óbvio do termo. Deus, na pessoa de Jesus, é o Bom Pastor (cf. Jo 10.11e 14). Pedro recebe de Jesus após a ressurreição a tarefa de pastorear, como sinal de seu amor aoSenhor (cf. Jo 21.15-17). Em Atos dos Apóstolos a expressão ocorre especialmente na mensagem de Paulo aospresbíteros de Éfeso, onde Paulo recorda seu ministério pastoral por três anos entre os irmãos eirmãs em Éfeso (cf. At 20.17-38). É no entanto na carta aos Efésios onde o termo toùs dè poimenas kaì didaskalous = outrospara pastores e mestres deixa claro que há um carisma, trazido por aquele que enche todas as coisas:Jesus. (cf. Ef 4.8-11). Diante disto vemos que carisma pastoral é o dom do Espírito Santo, dado por Jesus à Igreja,e exercido por homens e mulheres que nela se sintam chamados por Deus, e que nestes a Igrejareconheça o carisma dado a Igreja, e constate o serviço dele decorrente. Assim não há frutos sem ocarisma e não há carisma sem frutos.2- O exercício do Carisma pastoral no Metodismo Wesleyano Estou fazendo um longo salto histórico e pondo os pés de modo breve no Metodismo, epara isto vou valer-me de uma parte de um texto do Dr. Duncan Reily, preparado para o ColégioEpiscopal, sobre o ministério pastoral. Diz ele: ““O mundo é a minha paróquia.” Esta frase foi ditapor João Wesley quando pregava sobre o túmulo de seu pai, após receber a notícia de que nãopoderia pregar na igreja que seu pai havia pastoreado por trinta e nove anos. A frase, célebre, nãopode ser entendida fora do contexto maior que envolvia a vida de João Wesley; tem que ser vistacomo uma definição da vocação ministerial do próprio Wesley. A história do movimento metodistaafirma que Wesley era ministro da Igreja Anglicana; mesmo sem paróquia ou cargo definido eleserviu como pastor a diversos grupos que respondiam à sua proclamação evangélica e ao chamadoao arrependimento pela fé. Certa vez o acusaram de estar rompendo com as estruturas de sua Igreja oficial, por reunirpessoas sob o seu cuidado para cantar Salmos, orar e estudar as Escrituras. Wesley defendeu-se:“Vejo todo o mundo como minha paróquia. Isto é, em qualquer lugar ou situação em que meencontro, considero ser de minha responsabilidade e desafio declarar a todos que estão dispostos aescutar as boas novas de salvação. Esta é a obra para a qual Deus me acompanhará.” -1-
  2. 2. É importante observar que Wesley define sua responsabilidade pastoral extrapolando oslimites da comunidade dos fiéis. Wesley insiste em afirmar que sua responsabilidade e o lugar desua tarefa ministerial é o mundo, e não o espaço delimitado da comunidade de fé. Este enfoque“para o mundo” da vocação ministerial de João Wesley põe em destaque uma das característicasfundamentais da teologia bíblica da própria missão de Deus. Para Wesley, é em direção ao mundoque Deus orienta sua missão redentora. Wesley, antes de aceitar o serviço dos que se ofereciam como filhos no Evangelho, ostestava, procurando comprovação da alegação deles que o Espírito os “movia para pregar”,indagando se possuíam GRAÇA (fé viva em Cristo e vivência cristã), DONS (comprovadacapacidade da compreensão do plano da salvação e habilidade em comunicar isto aos ouvintes) eFRUTOS na forma de arrependimento e mudança de vida entre seus ouvintes. Satisfeitas essasexigências, o jovem era provado pela prática da pregação e começava sua educação teológica que,além da Bíblia, consistia principalmente do estudo dos 50 maçudos tomos da “Biblioteca Cristã”organizada por Wesley.”3- O Carisma pastoral: A visão dos nossos documentos Vou ater-me especificamente ao mais recente documento, que é o Plano Nacional, pois trazuma síntese do que o Colégio Episcopal e a Igreja em geral vem dizendo sobre o tema. “Wesley e os metodistas entendem que Igreja e ministério pastoral se implicammutuamente. O artigo treze, dos Vinte e Cinco Artigos de Religião diz: “A Igreja visível de Cristo éuma congregação de fiéis na qual se prega a pura Palavra de Deus e se ministra devidamente ossacramentos, com todas as coisas a eles necessárias, conforme a instituição de Cristo.” O ministério pastoral é entendido na visão protestante como um ministério especial,chamado e preparado para zelar pela pura pregação da Palavra, ministrar corretamente ossacramentos, zelar pelas marcas essenciais da Igreja e ainda cuidar da comunidade missionáriacomo um todo, tudo isso como um mandato da Igreja O ministério pastoral é essencial à vida da Igreja. Ele foi instituído pelos apóstolos comoum modo de dar forma e unidade à Igreja, para que todo serviço refletisse o próprio ministério deCristo. O ministério pastoral da Igreja Metodista tem uma de suas formas na ordenação de pastores/pastoras e constituição da Ordem Presbiteral. “Wesley compreendeu que, ao lado dos ministériosleigos, havia um ministério especial, o da ordem presbiteral que carregava pesadasresponsabilidades a respeito do ‘depósito da fé’, da unidade da Igreja, da transmissão do carisma daordem (ordenação), e que essa ordem era a real e autêntica sucessora apostólica. Por isso mesmo,era bastante exigente para com os pastores e exigia deles, mais que quaisquer outros, senso daordem, da disciplina eclesiástica e de compromisso eclesial com o todo” (As Marcas Básicas daIdentidade Metodista, Biblioteca Vida e Missão, p. 83). Wesley afirma que a Igreja tem “umasucessão perpétua de pastores e mestres divinamente chamados e divinamente assistidos” (TheLondon Chronicle, 1761). Ao lado da Ordem Presbiteral, João Wesley reconheceu que pregadoresleigos e pastores leigos exerçam funções pastorais. O carisma pastoral não é apenas individual. Ele precisa do reconhecimento e sua integraçãoao carisma da Igreja como uma dimensão de sua apostolocidade. Esse fato é assinalado de modovisível quando a Igreja ordena para o ministério pastoral. Por isso, a tradição protestante reconheceno ministério pastoral um mandato da Igreja e não apenas uma qualidade individual. No ministériopastoral, não se pode sobrepor carismas ou qualidades pessoais ao carisma ministerial da Igreja. Obispo Osvaldo Dias da Silva expressou isso em um de seus sermões sobre o ministério pastoral: “opastor é servo de Cristo, servo do povo, servo da Igreja.” O ministério pastoral é, na igreja local, em sua formação docente, um fator decisivo parauma boa articulação da comunidade missionária e de sua ação com a forma correta de ser Igreja. O/A pastor/pastora, enfatizando sua responsabilidade docente, é chamado para cuidar das marcasessenciais da Igreja em sua expressão local. Esse é o centro de seu mandato. O/A pastor/pastora nãoé apenas o/a coordenador/a de ministérios e incentivador/a da missão. Ele/Ela é responsável, em -2-
  3. 3. nível local, por discernir o que mantém ou o que faz cair a Igreja, conforme a expressão dosreformadores (articuli stantis aut cadentis ecclesiae). A religiosidade que nos rodeia, mesmo de inspiração cristã, tem assumido formasanárquicas de ministério pastoral e sugere formas estranhas de eclesiologia, contrárias ao que aIgreja Metodista entende como o modo próprio de ser Igreja. Esse contexto, associado aos meios decomunicação e às estratégias de marketing, favorecem aventureiros/as. A Igreja fica ameaçada deassalto pela iniciativa particular e pelo carisma inteiramente individualizado, próprio da culturaatual. Essa é uma das ameaças mais profundas à Igreja que mantém sua continuidade histórica comos apóstolos. Muitas das “novas formas de ser Igreja” não distinguem as marcas permanentes daIgreja de suas formas transitórias. “A Igreja de Cristo precisa ser esculpida, para usar uma figura da patrística, receber suaforma visível como forma de Cristo, através do cinzel obediente (o/a pastor/pastora) que dácontinuidade às marcas apostólicas e essenciais da vida da Igreja. O ministério pastoral tem suaautenticidade reconhecida quando o carisma da Igreja de Cristo determina os carismas individuais.”4 – Carisma pastoral e o desafio ao nosso Ministério Pastoral hoje Quando reconhecemos Jesus com o Bom Pastor, conforme o Evangelho de João, nós jáfixamos o nosso modelo, ou seja, o próprio Jesus. Assim, reconhecendo que Jesus é o grande pastordas ovelhas, estas são a sua Igreja, a qual é o Seu Corpo. Por isso cabe a nós, pastores e pastoras, aresponsabilidade de, chamados por Jesus, cuidarmos de Sua Igreja, o rebanho do Senhor. Somentenesta referência bíblico-histórica é que podemos utilizar o nome de pastor ou pastora. Para que o exercício desta tarefa em sua inequívoca dimensão histórica, conforme tudo quejá foi sublinhado, e também com a consciência da transcendência que representa o lidar com odestino eterno das ovelhas que a nós são confiadas, pois, conforme João Wesley, é nossa tarefa nosafadigarmos na pregação, afim de “salvar as nossas almas e dos nossos ouvintes.” Diante disto éque podemos nos dispor ao Ministério Pastoral. Para isso consideremos elementos decisivos para o crescimento deste ministério: a) A consciência do chamado – vocação pastoral. “Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.” (Mc 1.17) Deus nos chama para realizar algo que lhe pertence. Este chamado é parte do encontro e daexperiência com Ele. É preciso, no ministério pastoral, resgatar a vocação e a consciência docarisma para a realização da missão na força e na inspiração do Espírito de Deus. b) A consciência da capacitação de Deus “Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão, e foi guiado pelo mesmo Espírito, nodeserto,...” (Lc 4.1); “Então Jesus, no poder do Espírito, regressou para a Galiléia, e a sua famacorreu por toda a circunvizinhança,...” (Lc 4.14). É preciso falar sobre a unção do Espírito para o exercício da vocação pastoral. Não épossível que um pastor ou pastora queira exercer a vocação pastoral sem o carisma espiritual depastor pela unção do Espírito Santo de Deus. Se Jesus necessitou dessa unção, quanto mais nós. Todos, pastores e pastoras, pregam, mas pregar com unção, infelizmente, nem todospregam. Quando pregamos com unção as pessoas são quebrantadas, ocorrem conversões comoresultado de uma mensagem ungida. c) A consciência da Missão “Percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino ecurando toda sorte de doenças e enfermidades entre o povo.” (Mt 4.23). A missão de Deus. A Igreja tem uma tarefa a realizar dentro da missão. O lugar pararealizá-la é o mundo, com todas as contradições, porque é aqui que somos vocacionados adesenvolver nossa visão de comprometidos com justiça do Reino de Deus. Esta visão nos -3-
  4. 4. compromete, dá sentido a nossa vida e ao nosso ministério. Precisamos mantê-la viva em nossacaminhada diária, para não perder o rumo. d) A consciência da Unidade Paulo, em diversos momentos, ensinou, apelou à unidade da Igreja: “...esforçando-vosdiligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz...” (Ef 4.3). Por isso é importante que nos afadiguemos em favor da unidade do Corpo de Cristo, jamaisa minha opinião pessoal pode ser colocada acima do meu amor ao Senhor e a sua Igreja, trata-se deescândalo o que temos assistido hoje, pois em nome de verdades pessoais, pretensamente bíblicas,divide-se a Igreja. Se nossa “verdade” vem de Deus, precisamos crer que este Deus tem poder paratestificá-la à toda Igreja. Paremos de, em nome das nossas verdades, formarmos grupos, pregarmoso sectarismos e as divisões. Acima de tudo esteja o amor, que é o vínculo da perfeição. e) A consciência da Espiritualidade “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres; porque, fazendo assim,salvarás tanto a ti mesmo como aos teus ouvintes.” (1Tm 4.16).Os elementos básicos da teologiametodista que apontam e animam o servir vocacional da Igreja, sem perder a espiritualidade e, poroutro lado, não permitindo o retalhamento de nossa herança e prática metodista. Antes de cuidar dorebanho precisamos cuidar de nós mesmos, nossa vida devocional, jejum, oração, estudo da Palavra,adoração. f) Consciência da pureza de ideal “Mas o que para mim era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. Sim, deverasconsidero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus , eu Senhor:por amor do qual, perdi todas as cousas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo,...”(Fl 3.7,8). O ministério pastoral deve ser realizado exclusivamente para louvar a Deus e para asalvação do povo que geme e anseia pela Boa Nova, sob hipótese alguma poderá ser realizadovisando lucro. Pastor ou pastora que busca reconhecimento pessoal, compensação financeira, estáenganado de profissão. Se de fato nosso modelo é Jesus, Ministério é doação. Tenho defrontado freqüentemente com interesses pessoais de obreiros e obreiras, e é muitodifícil trabalhar assim. Quase sempre os interesses pessoais interferem e prejudicam o interesse damissão do Reino de Deus. Não esqueçamos que continua valendo as palavras do Senhor Jesus: “ Dizia a todos: Sealguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me. Pois quemquiser salvar a sua vida, perdê-la-á; quem perder a vida por minha causa, esse a salvará.” (Lc9.23-24). g) Consciência do trabalho e responsabilidade “Por isso, irmãos, procurai, com diligência cada vez maior, confirmar a vossa vocação eeleição; portanto, procedendo assim, não tropeçareis em tempo algum.” (2Pe 1.10). “...e nos afadigamos, trabalhando com as nossas próprias mãos. Quando somos injuriados,bendizemos; quando perseguidos, suportamos; quando caluniados, procuramos conciliação: atéagora temos chegado a ser considerados lixo do mundo, escória de todos.” (1Co 4.12-13). O ministério pastoral deve ser realizado com muito trabalho e muita responsabilidade. Vocêpode pensar: “Eu sempre fiz isto!” Examine o resultado, veja se realmente é abundante. Agora,responde esta pergunta, mas somente entre você e Deus: Quantas horas você ocupa, diariamente,orando?, ou lendo?, ou visitando?, ou preparando seus estudos e sermões? Este é o seu trabalho! Você tem se esforçado de fato? O trabalho que você tem feito é o melhor que você podeoferecer a Deus? Pedro em um só sermão levou aos pés de Jesus 3.000 pessoas. Quantas pessoas -4-
  5. 5. você já levou a Cristo em seu ministério? Você tem consciência plena da responsabilidade do que éparticipar da construção do Reino de Deus? h) Consciência da disciplina pessoal e organização “Naquela mesma hora alguns fariseus vieram para dizer-lhe: Retira-te, e vai-te daqui,porque Herodes quer matar-te. Ele, porém, lhes respondeu: Ide dizer a essa raposa que hoje eamanhã expulso demônios e curo enfermos, e no terceiro dia terminarei. Importa, contudo,caminhar hoje, amanhã e depois, porque não se espera que um profeta morra fora de Jerusalém.”(Lc 13.31-33). O ministério pastoral requer disciplina pessoal, organização e prudência, então disto vira aeficiência. Jesus tinha disciplina pessoal e plano de ministério. O pastor e a pastoral deve ter uma auto-disciplina. Disciplina e organização transmiteconfiança e segurança às ovelhas. O bom uso do tempo revela disciplina e organização. O povo precisa saber a agenda dopastor, não é possível entender quem em um momento de necessidade a ovelha não saiba onde estáseu pastor. O povo tem que conhecer nosso plano de ação pastoral, temos de ter objetivos claros, nãopodemos ter objetivos que vão além das possibilidades da comunidade que pastoreamos. As nossasovelhas devem ser introduzidas num estado de graça, antes de exigirmos que produzam as obras dagraça. i) Fé e firmeza doutrinária “...prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com todaa longanimidade e doutrina.” (2Tm 4.2). Quem se dirige à igreja para ouvir a mensagem de um pastor ou pastora, o mínimo que seespera é que o pregador ou pregadora transmita convicção naquilo que prega. Quando o pastor ou pastora começa a usar expressões como: “Meus irmãos, acho que é bomeste ensino, eu acho que o texto quer dizer assim e assim.” Se o ensino é bom deve ser ministradocom firmeza e certeza, ninguém vai seguir um ensino que, mesmo sendo bíblico, e apresentado comsuspeita pelo/a próprio/a pregador/a; ou ainda, se você não estudou bem um texto bíblico, nãopregue sobre ele; você só pode pregar sobre um texto após estudá-lo muito, pois aí você terá clarezadas verdades contidas nele. Paulo apresentando a tese da carta aos Romanos diz: “pois não me envergonho doevangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu etambém do grego;...” (Rm 1.16); não podemos ter timidez em anunciar as verdades do evangelho.Não há corrente filosófica moderna, nova ideologia ou nova teologia que sejam mais importantes epoderosas do que o Evangelho do Senhor Jesus. Não percamos o entusiasmo de pregar oEvangelho; o povo percebe se o/a pregador/a tem alegria, convicção das verdades do Evangelho. Opovo precisa perceber na vida do pregador o poder do Evangelho funcionando. Nada disto será possível se como pastor ou pastora nós não cultivamos o hábito wesleyanoda leitura, do estudo disciplinado. O povo percebe se nosso sermão foi preparado, e é fruto de umaboa exegese e pesquisa. Agostinho fez esta observação: “O pregador deve esforçar-se para ser ouvido comentendimento, com boa vontade e com obediência. Não tenha ele dúvidas de que fará isto, mais comfervorosas orações do que com todo o vigor da sua oratória. Orando por si e por seus ouvintes, elese disporá a ser um suplicante, antes de ser um mestre. Portanto, ao chegar e sair, trate de elevar suavoz a Deus, e faça a sua alma subir em fervorosa aspiração.” j) Humildade e dependência de Deus “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele,subsistindo em forma de Deus não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes a si mesmo se -5-
  6. 6. esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido emfigura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz.”(Fl 2.5-8). Todo o nosso ministério pastoral deve ser levado a frente com humilde senso de nossaincapacidade, precisamos estar em uma piedosa e confiante dependência de Deus em todas ascircunstâncias, devemos recorrer a Ele em busca de sabedoria, vida e poder, pois só Ele é quem nosenvia a trabalhar. Devemos ter como objetivo mínimo o ser servos de Deus, e a única maneira de comprovaristo é a medida com que servimos ao nosso próximo, sempre com o humilde sentimento que avirtude é de Deus e não nossa. Quando ensinamos, devemos estar abertos, também, para aprender, e seja de qualquer umque nos possa ensinar; deste modo, ensinamos e aprendemos ao mesmo tempo. Não nos vangloriemos das nossas pretensões de saber, desprezando os que nos contradizem,não hajamos como se já tivéssemos chegado ao topo e os outros tivessem que sentar-se aos nossospés. O orgulho é um mal que prejudica os que pretendem levar outros a marchar humildemente naconstrução do Reino de Deus; portanto, tenhamos cuidado para não suceder que tendo conduzidooutros para lá, as portas se mostram estreitas demais para nós mesmos. Na verdade, o orgulho estána raiz de todos os outros pecados: a inveja, o espírito de contenda e divisão, a maledicência e todosos obstáculos que impedem a renovação espiritual. Onde há orgulho todos querem dirigir, eninguém quer seguir ou concordar, daí o orgulho é a causa de cismas, apostasias, usurpação,arrogância e outras formas de imposição; por isto é a causa também do ministério ineficaz de tantosministros e ministras, que, pura e simplesmente, são demasiadamente orgulhosos para aprender. Ahumildade nos ensina a aprender de boa vontade tudo que não sabemos. Se quisermos ser maissábios do que todos, temos que estar dispostos a aprender de todos. l) Reverência e temor de Deus “Reina o Senhor; tremam os povos. Ele esta entronizado acima dos querubins, abale aterra.” (Sl 99.1) Façamos todo o nosso trabalho com reverência, como convém aos que tem consciência dapresença de Deus. Não ousemos usar e ministrar as coisas santas como se fossem banalidades. Serembaixador de Cristo, ministro de Deus, nunca será uma banalidade. Quanto mais temos de Deustivermos, mais reverência para com o sobrenatural da ação de Deus em nosso meio, maiorautoridade os homens e mulheres verão naquilo que ministrarmos a eles; pois se não temosreverência e consciência da transcendência e relevância da obra que realizamos, como podemosesperar que os nossos ouvintes a tenham? A reverência e o temor de Deus são frutos da percepçãoque desenvolvemos no profundo da nossa alma de que Deus é o Todo Poderoso, Deus de Amor eMisericórdia, a grandeza de seu poder e glória move o nosso interior. Reverência não é formalismo! Formalismo pode ser compenetração, pode ter a aparência dereverência, mas não é reverência; esconde, sim, atrás de uma liturgia rebuscada, uma expressãomecânica e fria de culto, onde a transcendência de Deus pode estar no ritual, mas não se manifestana expressão litúrgica do celebrante. Quanto mais reverente for o celebrante mais ele falará como seestivesse vendo a face de Deus. Tenho uma particular aversão ao tipo de pregação que faz piada, que alegra aos ouvintescom uma série de casos pitorescos; este tipo da pregação transforma o culto em um espetáculoteatral; após este tipo de culto as pessoas não recordam o texto bíblico, o que foi lido, mas lembramda piada. Nada da dimensão espiritual, da santidade de Deus; o quebrantamento dá lugar ao risovolúvel quando não irreverente. m) Cuidado amoroso pelo rebanho “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas.” (Jo 10.11). -6-
  7. 7. Nós somos pastores e pastoras. Deus nos tem entregue um rebanho, e um dia Ele vai nospedir conta de nosso cuidado pelo rebanho. Suas ovelhas tem crescido em sua experiência cristã?Hoje elas são capazes de realizar atos cristãos que a um ano atrás não conseguiam? Toda a causa do nosso ministério deve ser conduzida com terno amor pelas pessoas donosso rebanho. Precisamos fazer que vejam que nada nos agrada mais do que servi-las e propiciá-las a vitória sobre os seus problemas, e tudo sob a orientação de Deus. Temos que ter zelo santo porcada ovelha que Deus nos tem dado para cuidar; e as ovelhas precisam sentir que nós, como Jesus,estamos prontos a dar a nossa vida por elas. Como João, não devemos ter a nossa preciosa vida para nós, mas, sim, nossa alegria deveser a vida e o crescimento do rebanho. Sempre que o rebanho vir que nós os amamosverdadeiramente, ouvirá o que temos a dizer e seguirá o nosso ensino. Como disse Jesus: “Eu sou o bom pastor, conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem amim,...” (Jo 10.14). Esta é uma exigência, conhecer as ovelhas, uma a uma, conhecê-las pelo, pelascarências, pelas esperanças, enfim, perceber quais são as possibilidades e potencialidades de cadaovelha no serviço da igreja e na expansão do Reino de Deus. A outra exigência é que as ovelhas lheconheçam, saibam como é a sua vida; sua relação familiar deve ser um testemunho para edificaçãodos lares da igreja. Não podemos ter nada, ou ser nada que nossa igreja não possa saber. Finalmente, suas ovelhas são sadias e fortes? Estão se multiplicando? Ou você estáalimentando, orientando ovelhas estéreis? Se você está cuidando com zelo, alimentando,ministrando ensino e amor, é impossível que elas não se multipliquem; se não é assim, algo estáerrado, e a culpa não é só das ovelhas, certamente nós, pastores e pastoras, temos a parcela maior daculpa. Quem sabe se o que precisamos é descer de nossa pose e humilharmo-nos na presença doSenhor, pedir a Ele que nos dê graça e força para conduzirmos melhor o rebanho que Ele tem nosdado. n) A consciência participativa e educacional “...ensinando-os a guardar todas as cousas que vos tenho ordenado. E eis que estouconvosco todos os dias até a consumação do século.” (Mt 28.20). A ação pastoral tem que considerar a importância da presença e participação leiga na vidada Igreja, somos uma Igreja de Dons e Ministérios, requerendo, também, uma forte consciência edisponibilidade docente para o processo de formação cristã da própria liderança. Como pastores epastoras somos mestres/as, cabe a nós garantir que a Escola Dominical e outros meios estejamcapacitando o rebanho. o) A consciência de crescimento “Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é o cabeça, Cristo,...”(Ef 4.15). Existe hoje nas igrejas a necessidade do crescimento qualitativo, organizacional equantitativo, visando a expansão missionária, como meio de preservar e ampliar a Igreja Metodistacomo espaço de serviço e ação libertadora. Aqui entra a dinâmica do discipulado em pequenosgrupos, capaz de alcançar famílias e de discipular a todos em Cristo. p) A consciência litúrgica “Que fazer, pois irmãos? Quando vos reunis, um tem salmo, outro doutrina, este trazrevelação, aquele outra língua, e ainda outro interpretação. Seja tudo feito para edificação.”(1Co 14.26). É necessário e oportuno estabelecer elementos norteadores para que a liturgia possibilite aparticipação clara e objetiva das pessoas na vida do culto. Esta participação nos convoca a umaliturgia com um culto mais participativo, sem extremismo. Onde o pastor, a pastora não pode abrirmão de presidir, isto não deve impedir a dinâmica espiritual, mas deve garantir a disciplina. -7-
  8. 8. q) A consciência dos diferentes segmentos da igreja local “Dessarte não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nemmulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.” (Gl 3.28). A ação pastoral requer uma visão clara e objetiva dos grupos por faixa etária, gênero einteresse comum, abrindo espaço para que participem, a partir de sua realidade, dinamizando ecriando espontaneamente, permitindo, assim, a manifestação de fé e sua experiência com Cristo.Neste caso é eficaz o criarmos meios para que os segmentos diversos se integrem no programanacional de discipulado. Pois, fazendo isto estamos provendo meios para que todos sejamestimulados ao crescimento na fé e a maturidade cristã. Bispo Paulo Lockmann_____________________________________________________________________________1. Brow, Colin – Novo Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, Ed. Vida Nova –S. Paulo, pág. 469-474 -8-

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