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Texto 15 ética pastoral como fruto da vocação

  1. 1. ÉTICA PASTORAL COMO FRUTO DA VOCAÇÃO RELACIONAMENTO COM A IGREJA LOCAL (Perspectiva psicológica de alguns aspectos do relacionamento Pastor-Igreja) I - 0 CONHECIMENTO DE SI 0 conhecimento de si mesmo e o primeiro passo na direção de um relacionamento adequado com arealidade. Quanto maior conhecimento tem uma pessoa de suas motivações, habilidades e interesses, maioressão suas possibilidades de ser um agente consciente de seu estar no mundo. O "conhecer a si mesmo" reveste-se da maior importância quando se trata de pessoas que desempenham papel de lideres. Aqueles que estão afrente de grupos, inevitavelmente estabelecem um relacionamento com as pessoas que estão sob suaorientação. Este relacionamento é determinado não apenas por uma intenção deliberada e consciente, comotambém em grande parte por processos que escapam a percepção daqueles que estão neles envolvidos. Muitasde nossas aspirações e comportamentos são motivados por processos inconscientes. No caso do pastordeveríamos citar, a titulo de exemplo, uma ênfase doutrinaria ou uma forma de dirigir a congregação comosatisfazendo muito mais a necessidades pessoais inconscientes, que suprindo necessidades reais dacongregação. Conhecer a si próprio não é tão fácil como a princípio pode parecer. Sem perceber, enganamos anós mesmos com bastante freqüência. Para se entender melhor esta afirmação podemos considerar por outrolado que a imagem que fazemos de nos mesmos, pode em muitos momentos estar em desacordo com o quefazemos e sentimos. Por outro lado a expectativa que temos sobre como os outros nos vêem e o que esperam denós, pode orientar nosso comportamento tanto para corresponder como para negar o que imaginamos que seespera de nós. Entretanto, por ser doloroso tomar consciência destas e outras coisas evitamos e resistimosinconscientemente a um confronto com nós mesmos. Diante disto as reflexões que uma pessoa pode fazerisoladamente sobre seu próprio comportamento, apesar de necessárias, não são suficientes para umconhecimento integral dele mesmo. Por isto é recomendável para um conhecimento adequado de si, que oindividuo aprenda a sair dele mesmo diante de outra(s) pessoa(s). É necessário a coragem de, sem defesas, se expor em sentimentos, idéias e problemas pelos quais sepassa, diante de outro que possa nos ajudar no confronto e reflexão sobre nossa conduta e a historia de nossavida. II - O CONHECIMENTO DA CONGREGAÇÃO Também a congregação tem a sua historia, e, portanto determinadas motivações, tendências,condicionamentos e possibilidades estão presentes no modo como ela se relaciona com suas lideranças ou viveo evangelho. Os fatores específicos de cada igreja local não podem ser ignorados: realidade econômica,sociocultural, pastorados anteriores, lideranças leigas, origens da igreja no lugar, situação geográfica, etc. Aolado dessa realidade especifica da Congregação, há que se considerar ainda a sociedade como um todo, no quala igreja esta inserida. Se a história da sociedade na qual a igreja existe for marcada, por exemplo, por umatradição de acomodação e não participação do povo no seu destino, a congregação sentirá os reflexos disto.Como sentirá também o momento que vive. Exemplificando ainda mais, poderíamos dizer que uma sociedadetecnológica burocrática, cuja publicidade oferece soluções prontas e fáceis para todos os problemas, certamenteimprimiria sua marca nos diversos setores que compõem, e a igreja não será exceção. E tanto mais profundaserá a marca, quanto menos consciência e discernimentos se tiver sobre estas influencias. Ao lado desta visão mais globalizante da igreja é importante ressaltar que, em última analise, ela écomposta por indivíduos que também tem suas próprias historias. Será, então, a mescla e interação destashistorias individuais, com a historia da Congregação e da sociedade que comporão a complexa realidade queesta presente em todo grupo humano. III - VÍNCULOS ENTRE O PASTOR E A CONGREGAÇÃO No relacionamento do Pastor com a Congregação vínculos psicológicos de diversas naturezas e formaspodem nortear a conduta de ambas as partes. Um destes vínculos, que é de vital importância para a maturidadeda igreja, é o de dependência. Este pode chegar ao ponto de fazer com que a congregação só caminhe areboque do seu líder. Geralmente esta dependência é mantida e reforçada por formas autoritárias de governo,bem como por "técnicas sugestivas", que estão presentes em algumas formas de "apelos" e "campanhas". Muitasvezes obreiros bem intencionados, no seu afã de obterem "frutos", substituem, sem se darem conta, a Graça deDeus por um relacionamento que manipula a congregação. As formas autoritárias e manipulativas de
  2. 2. relacionamento impedem continuamente o amadurecimento da igreja, já que a oportunidade de caminhar por silhe é negada. Negada porque o líder como pessoa "melhor preparada”, antevê que a caminhada da comunidadepor si só, será trôpega e não haverá segurança de que ela percorra os caminhos pré-traçados e alcance asmetas propostas. Então, para que o caminho proposto seja percorrido com mais objetividade, o líder assumeintegralmente a direção. Muitas vezes, esta postura de "pessoa melhor preparada", reflete um desrespeito pelooutro, ao julgá-lo inferior e incapaz. Por trás disto pode estar um sentimento de "poder e superioridade, que éjustificado mediante argumentos como "ignorância e falta de cultura do povo", "apatia", etc. O que se esquece,entretanto, é que esta suposta "ignorância" e "apatia" se deve ao fato destas pessoas serem tratadas como são.Ao se Ihes obstruírem os caminhos e oportunidades de se expressarem e conduzirem a si mesmas , cria-sesempre a condição de rotulá-las como "ignorantes" e "dependentes". Lamentavelmente temos, então, um circulovicioso que impede a grei de crescer. Por não desenvolver uma visão responsável da vida crista, ela fica semprena dependência, para qualquer forma de ação, de um pastor que tome a liderança. São conhecidos os problemasde "orfandade" que a saída de um pastor provoca numa igreja, em que estes vínculos de dependência são muitofortes. E, deve-se distinguir aqui (embora eles costumam se mesclar), os sentimentos naturais de pesar e tristezaque uma pessoa ao partir desperta naqueles com quem conviveu, com o sentimento de impotência, desamparo,desanimo e mesmo a desagregação, na qual uma comunidade (ou parte dela) pode mergulhar com a retirada dolíder. Ainda pode suceder que a dor da perda do "pai" leve a uma postura de resistência novo pastor. No relacionamento autoritário esta sempre presente também o risco de impingir aos outros alternativas quenada mais são que preferenciais pessoais revestidas do caráter de melhor alternativa e verdade absoluta. Seanalisarmos um pouco mais em profundidade as motivações do líder autoritário e possível que se descubraassociada a esta necessidade egotista de" satisfação, uma insegurança básica que consiste no medo de perder ocontrole da situação. De um outro lado desta questão do vinculo de dependência temos a Congregação ou grupos dela quedesenvolvem um poder de controle muito grande sobre o pastor. Por alguma dificuldade pessoal em assumir opapel de líder e as responsabilidades nele implicadas, o obreiro pode tornar-se vulnerável a grupos que, porestabelecerem vínculos "especiais" com o pastor, terminam por exercer autoridade sobre ele. E convenienteaclarar que isto pode se dar tanto em relação a grupos de pressão mais ou menos definidos ou mesmo deoposição aberta, bem como com grupos dentro dos quais o pastor se sente melhor e "mais a vontade" e pode,por tanto, sem perceber, ter a tendência a agrada-los. 0 que ocorre é que o líder e os grupos se relacionamdentro de "espaços psicológicos" que atendem a necessidades de ambas as partes. Um pastor, por exemplo,devido a suas dificuldades de assumir seu papel pode se apoiar em grupos que o rodeiam para tomar decisões (oque e bem diferente de uma atitude democrática consciente). Assim, o apoio que o grupo que dá compensa suainsegurança diante de seu papel e da a oportunidade ao grupo de realizar seu desejo de poder. IV - A IMAGEM DO PASTOR Outro aspecto que embora esteja intimamente ligado aos anteriores, merece destaque devido a suaimportância e diz respeito a imagens idealizadas que a Congregação pode ter do pastor. Imagens que torna-seum pesado fardo quando o obreiro ao assumir a postura de cristão ideal que a Congregação lhe atribui passa aagir de acordo com as expectativas que ele pensa que os outros têm a seu respeito. Contribuindo assim para amanutenção desta imagem , ele desumaniza-a. Pressionado a não viver sua humanidade, nega seu cansaço,seus sentimentos de tristeza e fracasso, seu sofrimento, descuida de aspectos importantes da sua vida esubmete-se em nome da "Obra do Senhor" (e de acordo com sua visão de ministério) a um ativismo alienanteque pode leva-lo a uma vida extremamente solitária. Embora cercado de tantos irmãos, sente-se impedido deexpressar seus autênticos sentimentos e sua vida diante deles. Os problemas familiares de pastores são muito ilustrativos neste aspecto. Elevados ao papel de "super-homens" ou de "homens espirituais", procuram atender a todas as necessidades da igreja, menos as de simesmo e de sua família. Raramente ha tempo para estar só, meditar, estar com a esposa e filhos. E muitasvezes, o que se vive nestes raros momentos juntos e a ansiedade de ter que ordenar e disciplinar a família emfunção da expectativa que a igreja tem (ou que se pensa que ela tem) sobre ela. Perde-se, então, as ocasiões de viver descontraidamente o amor e a companhia das pessoas da própriacasa. Vendo o problema de um outro lado pode ser que esta ausência da família esteja ligada a dificuldadespessoais de relacionamento que conduzem então o pastor (ou qualquer pessoa) a mergulhar no seu trabalhocomo uma fora (inconsciente) de não ter tempo para estar em casa e enfrentar os limites de sua própriapersonalidade, e da sua esposa e filhos, nesta complexa, rica e delicada experiência, que e o relacionamentohumano. V - CONCLUSÕES E SUGESTÕES
  3. 3. Por este pequeno esboço do relacionamento pastor-igreja fica claro que o tema não é simples. Envolvetodas as sutilezas e nuances que estão presentes nas pessoas e suas relações. Certamente não será somente acapacidade que tenhamos de analisá-lo, entendê-lo e propor alternativas que fará com que seja depurado epossa promover um verdadeiro crescimento da Igreja. Isto seria reduzir a Igreja a uma instituição ou grupomeramente de origem e propósitos humanos. Acima de qualquer conhecimento esta a Graça de Deus e seuespírito que impulsiona a igreja para os propósitos que Ele mesmo estabeleceu para ela. Se porém a Igrejadeixar a margem o conhecimento e considerá-lo secundário para seu crescimento, estará incorrendo em errocontra si própria. O conhecimento, em ultima analise, provém de Deus e a consciência e preocupação que se temem determinados momentos históricos com aspectos da igreja pode ter sua origem no próprio Espírito de Deusorientando a Igreja para questões que ela deve dar atenção. Neste espírito, algumas propostas de trabalho que visem cuidar do relacionamento do pastor com aCongregação e consigo mesmo podem ser sugeridas: a) - a inclusão nos currículos dos Cursos de Teologia, a exemplo do que já fazem alguns seminários, da"Formação Pessoal". Formação Pessoal não seria, evidentemente, uma matéria nos moldes tradicionais, mas apossibilidade que os estudantes teriam de, em grupo, e com a participação de uma pessoa especializada,confrontarem-se consigo mesmo para entenderem melhor suas motivações mais profundas. Conhecendo maisde si mesmos, maiores possibilidades teriam de agir conscientemente na futura direção de uma igreja; b) - aprofundar o estudo da concepção de ministério pastoral e rever como esta concepção tem sidotransmitida nos seminários; c) - criar possibilidades para que os pastores em exercício, tenham encontros periódicos em pequenosgrupos, nos quais possam discutir suas idéias e expressarem seus sentimentos diante da experiência que vivemem suas igrejas, para que, alem de um saudável confronto" mútuo, possam buscar formas mais adequadas deexercer o ministério; d) - estimular e favorecer o aconselhamento de pastores junto a outro colega, ou pessoa capacitada. A participação em programas desta natureza não pode ser imposta. Entretanto, e importante criar estaspossibilidades e fazer um trabalho de conscientização sobre a importância delas. A Comunidade Cristã deve serum local onde as pessoas possam se expressar livremente, sem receios de ocultar que são e o que vivem. "Ondeestá o espírito do Senhor ali há liberdade" (II Cor. 3:17). Se vivermos integralmente o evangelho teremos nossas igrejas transformadas em comunidadesterapêuticas onde um leva a carga do outro (Gal. 6:2) e o amor possibilita o "instrui?" e aconselhar mutuo (Col.3:16), que conduz ao perdão e ao crescimento. Almir Linhares de Faria Pastoral Universitária UNIMEP/ABRIL- 80

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