Pdf 3 discurso de paraninfo - formatura de 1978 da fateo - bispo scilla franco

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Pdf 3 discurso de paraninfo - formatura de 1978 da fateo - bispo scilla franco

  1. 1. Discurso de Paraninfo Formatura de 1978 da Faculdade de Teologia da Igreja Metodista Bispo Scilla Franco.Não sendo homem de muitas letras e me vendo na circunstancia de falar a letrados, não meocuparei da teologia ou de outra ciência qualquer, mas, se realmente posso trazer algo de útil, háde ser fundamentado na experiência de meus dezesseis anos de ministério integral de fato, dedireito e de dever. Aqui cabe definir o que entendo por experiência: para mim é a soma dasburradas que se cometeu e descobriu que cometeu. Se nisso eu sou pródigo, não é para mimantiguidade no oficio, pois temos vistos muitos matusaléns que estão a viver 960 anos, gerar filhose morrer...Evitarei falar do óbvio. Sei que fostes alertados sobre as provocações que vos esperam e dasdificuldades que haveis de enfrentar, mas devo falar de algumas que, apesar de elementares, porserem tão simples, passam às vezes despercebidas.A primeira é que sois chamados, simplesmente, para serdes pescadores de almas. Esquecidosdessa verdade muitos têm afivelado uma estampa de executivo e, se comportando como tal,distorcido a singeleza da analogia feita for Cristo. Filho da piranga, caboclo “beira corgo”, criado àsmargens do finado rio Piracicaba, pareceu-me ser capaz de dissecar a analogia. A primeira coisaque precisa ser dita, apesar de elementar, é que para se pegar peixes é preciso pescar. Se vóspensais em engrossar as fileiras daqueles que pescam somente aos domingos das 9 as 10 e das 18às 19 horas jamais chegaremos a 100 mil, pois uma virtude básica do pescador é a persistência. Seique temos aqui teólogos maciços como também são muitos os que, como eu, receberam apenasuma envernizada teológica.Aos teólogos maciços ou envernizados eu desafio a que me provem pelas Escrituras ou pelospadres antigos, a canonicidade do ministério chamado parcial. É bem verdade que Paulo, emdeterminado momento de sua carreira, fez tenda enquanto exercia o ministério, mas o contexto éde meridiana clareza: fez para não ser pesado à igreja. O que vemos hoje é a institucionalização naexceção de um hiperbolismo que a vivos, medo, e aos mortos, espanto faz como diria Camões. Istoé, tem gente que, baseado no texto paulino, vai logo fazendo um metrô e sendo pesados à igrejacobrando um cachê demasiado alto para sermões estéreis, aduladores e sem conseqüências...A segunda, também evidente, é que para pescar é preciso ir onde está o peixe. Algumas vezes voupescar com os índios, e quando eles dizem que descobriram um bom pesqueiro já sei que é umlugar de difícil acesso, cheio de tranqueiras, pernilongos e toda a sorte de dificuldades, mas ondehá peixes. A “traia” que usam não vai além do milenar caniço e um anelídeo que o vulgo chama deminhoca, mas pegam peixes... Entre nós, os apóstolos do comodismo têm feito crer que todos osmeios secularmente consagrados da pesca de almas estão superados: culto ao ar livre, série deconferências, entrega de folhetos, cultos domiciliares e principalmente visitação. Mas nadaoferecem como substituição a não ser um palavrório oco, retirado do vocabulário dos tecnocratasseculares que de igual modo não atendem o clamor e a necessidade do povo.Essa tecnocracia tem levados muitos a sofisticar seus apetrechos, de modo que leva, às vezes, atentar substituir a ação do Espírito por objetos meramente humanos e, por isso, fadado aofracasso.
  2. 2. Essa “tecnicomania” tem nos feitos enviar as águas mais ictiólogos que pescadores e, apesar desua bagagem dispendiosa, votam de samburá vazio das mesmas águas em que os outros gruposlotam o barco. E há os que tratam a igreja de Cristo, a “Noiva do Cordeiro”, como empresa e, aopastor, o “Anjo da Igreja”, como executivo, que se a igreja foi uma empresa, a julgar pelaprodução do ultimo quadriênio, iria à falência e nós iríamos todos para o olho da rua, ou sevivêssemos de porcentagem sobre a produção, morreríamos de fome. Certa vez, um cidadãoquerendo me embaraçar perguntou-me em público o que eu chamo de pastor eficiente, e eurespondi: “Se somos pescadores de homens, pescador eficiente é o que pega peixe, ouça que temouvidos de ouvir...”Todos os argumentos que conheço para defender o ministério “bico” são baseados em fatores deordem econômica-social e eminentemente capitalista. Porém nenhum da palavra de Deus, a nãoser que façamos como o cidadão que queria abrir uma igreja para si, mas faltava-lhe a base bíblica.Então tomo a passagem que Davi lamenta a morte de seu filho e leu: “Abre salão meu filho, abresalão” _ e abriu um salão de cultos.É óbvio que não defendo a ociosidade como certo cidadão que ia pescar sem isca, pois ospassantes não o incomodaram porque julgavam que estava pescando, e nem os peixes... O queestou tentando dizer é que sois chamados para serem pescadores e não professores, advogados,corretores e coisas tais.Se a comunidade na qual estiver enxertados depender desses serviços e estiver em vosso alcancefazê-lo, deveis socorrê-la, mas nunca por ganância e muito menos cometendo a imoralidade dereceber salário integral ou por tempo parcial ou de fazer um ministério sem garra, porque tambémestá escrito: “Maldito é o que faz a obra do Senhor com relaxamento...”Jesus gastou três anos para transformar os seus em pescadores de homens. Nesse campo,qualquer improvisação é desastrosa. Um estudo feito pelo Rev. Santee projetava a formaçãoministerial em três planos: vocação, condições bíblicas e de ordem eclesial.A igreja primitiva sabia diferenciar a vocação de pastor da de doutor, mestre, governo etc. Apesardos enormes progressos nós regredimos quando exigimos que o pastor seja tudo ao mesmotempo, um factotum em plena era da especialização. Isso o coloca entre duas opções: ou umclérigo secularizado ou um santo marginalizado.Quando um profissional liberal vai à igreja, vai buscar um refrigério, quer ouvir uma boa-nova, enão alguém arredar do púlpito aquilo que ele faz muito melhor em sua vida secular. Essapolivalência exigida do pastor leva-o à concentração de forças em fazer cursos e mais cursos a fimde se manter no topo da pirâmide e se descuidar do rebanho, vindo apenas para se abastecer dele,apascentando-se a si mesmo.E ainda há quem esteja procurando as causas da dispersão do rebanho... O processo não seráinterrompido sem violência, pois os que detêm o poder não pode exigir dos outros o que elespróprios não fizeram e não fazem. Se chamais isso de subversão, revolução, não importa.A minha própria presença aqui é sintomática e minha vaidade não é suficiente para me convencerque estou aqui por mérito próprio. Quando falo em violência, digo que se não fizermos umarevolução, Deus fará. Talvez seja preciso as igrejas voltar às catacumbas, pois não consta daslições de história que os privilegiados de qualquer situação se desfaçam de seus privilégios de motupróprio, mas existe também um processo democrático para isso: uma constituinte, pois o quetemos feito é colocar remendo novo em pano velho e com tal imperfeição que a lei já sairemendada por atos complementares, ou com artigos que todos já sabem que não serãocumpridos, como o do ministério de dedicação exclusiva ou da itinerância.
  3. 3. Porque não eliminarmos coisas que na pratica se tornaram inexeqüíveis? Dirão que umaconstituinte custará muito cara à igreja. Mas alguém já calculou o que custa à igreja essainquietante competição em que o pastorado é apenas o degrau de uma escada para galgarmelhores postos? Já se faz o balanço do custo do preparo de um pastor que vai depois ocupar olugar de um leigo?Ou quantos pastores estão sem paróquia enquanto centenas morrem diariamente sem ouvir oEvangelho? Ou será que em nosso laicato não há profissionais capazes para exercer essas funções?Temo que seja indiferença do laicato ou empreguismo puro e simples ou os dois. Melhor se for ozelo da causa que torna os pastores tão abrangentes. Se for isso, é melhor seguir a orientação doEvangelho, que manda nomear homens íntegros para isso, e vós cuidardes da Palavra e da oração.Por que não uma lei na qual o mestre tenha galardão de mestre, o doutor de doutor, e assim pordiante? Não é justo que pessoas completamente fora do exercício pastoral votem leis que eles nãovão cumprir que tenham os direitos e não os deveres de pastor. Não é justo que aqueles que temseu sustento de outras fontes empatem igrejas que poderiam sustentar outro que, segundo omandamento paulino, trabalho no Evangelho e vive do Evangelho.É hora de definições. Afinal foi o próprio Cristo que disse: “Ninguém pode servir a dois senhores...”Das exigências bíblicas, a que todos se submetem sem exceção é a de ser primeiro provado paradepois ordenado. Mesmo assim já vi seminarista, mal saído dos cueiros, fazer exigências que foramatendidas em detrimento daqueles que foram suficientemente ingênuos para crer que um critériobíblico não seria mudado e que sua folha de serviço seria levada em conta.Houve um homem muito intelectual, competente, mas que saiu do seminário e foi para o norte doParaná, quando era sertão dos bravos; isso não o diminuiu em nada, apenas o enriqueceu, forjoupara ser mais tarde príncipe da Igreja, de saudosa memória. E por que isso não é uma exigênciacanônica? Porque uns têm de subir a duras penas, quando conseguem subir, e outros já descem depára-quedas? Afinal, o que é critério? Qual é o parquímetro que mede a competência e a eficiênciapastoral?Não há nada de pastoral nisso porque eu próprio já subi mais do que devia...Quando às demais exigências bíblicas, ou se pressupõe que todos já as possuem, o que é umaingenuidade, ou que ninguém as possuem, o que é uma temeridade.O fato é que quando somos indulgentes conosco mesmos, perdemos a condição de exigir dosoutros, o que desencadeia um processo descaracterizante só estável por um ato de Deus, por umareforma democrática ou uma revolução.Quanto as exigência de ordem eclesial, parecem muito acertadas. Tenho apenas duvidas que sejanecessário todo pastor ser bacharel, exatamente quando os educadores seculares estão dandomaior ênfase ao nível técnico em todas as áreas, havendo países onde existe até na área demedicina. Mas, nesse campo me confesso incompetente para opinar: que os doutos no assuntofalem...Mas eu ia me esquecendo que propunha falar de pesca.Deveis estar atentos porque os tempos são difíceis, as águas estão poluídas, os peixes escassos enutridos com os dejectos dos canais de comunicação que entram até o recôndito de suas tocas,indispondo-os para saírem e farejar uma isca ainda que nutritiva.
  4. 4. Mas, o que é a poluição? Nada mais que resíduos químicos, orgânicos, colocados em excesso e emlugar errado, pois em si, o mercúrio, o enxofre, os detergentes são úteis e indispensáveis àmoderna civilização.O ecumenismo pode se tornar num agente poluidor quando inabilmente utilizado. Ser ecumenistanão é uma opção: ou se é ecumenista ou não se é cristão. Jesus orou e pediu a Deus: “Pai, queeles sejam um”. Como ele ensinou que tudo que pedíssemos, crendo, receberíamos, ou Ele pediusem fé, ou não é verdade o que disse, ou os verdadeiros cristãos são ecumênicos. Há os quetorcem as Escrituras para sua própria perdição, dizendo que isso se cumprirá na eternidade, porémEle acabava de orar “não os tireis do mundo”.Ocorre que há muita gente fazendo casamento de “a meia” com padre e chamando a isso deecumenismo, um ato em que os principais interessados não têm a mínima convicção da fé queprofessam e concordam numa cerimônia sincrética para agradar terceiros e principalmente umasociedade ávida de festa. Não pode nunca ser chamado de “unir o Senhor” e muito menossacramento.O ecumenismo torna-se um agente poluidor quando prega um universalismo perigoso, que esfria oardor evangelístico, principalmente dos apressados em concluir: “Pois se todos estão salvos sãoirmãos, se todas as religiões são boas para que evangelizar?”Mas se voltarmos os olhos para as prisões abarrotadas, para os trombadinhas, para os antros deprostituição, aos viciados de todas as naipes, a cunha do desequilíbrio social cada vez maispenetrante onde os ricos podem ter até piscinas, ondas artificiais, enquanto os pobres não temágua para beber, havemos de concluir que nem todos são cristãos e, principalmente, são salvos...Não importando a religião que os emplaquem nós podemos nos unir, não numa superigreja queseria a besta do apocalipse, mas se alguns pescadores indoutos puderam abalar as estruturas doImpério Romano, transtornar o mundo, o que não se faria se todos os cristãos se unissem em favordos pobres, dos oprimidos e das grandes causas?Mas o que vemos são os cristãos retalhando a túnica inconsulte de Cristo, que os incircuncisos nãotiveram coragem de rasgar... Contra esses males só há um remédio: o amor produzido por coraçãorealmente convertido.Um grupo de agente poluidores, chamados nas escrituras de “vãs filosofias”, “fabulas”, “comichãonos ouvidos”, tem a agravante de atacar muito mais o pescador do que os peixes, pois os querespiram seus ares ficam cada vez mais inchados e, num processo avançado, acabam deixando aprofissão. Eu me refiro àqueles que têm-se enchido de cultura livresca e academicismo,esquecendo que a verdadeira sabedoria vem de Deus, e tentam harmonizar princípios puramentematerialistas com coisas que somente podem ser tidas e aceitas pela fé, porque não reconhecemnenhuma manifestação extra-sensorial, negam a intervenção de Deus na historia e principalmenteos milagres.Um deles declarou pela televisão que não existe os demônios nem os endemoniados. Perguntadosobre o gadareno e os demônios que entraram nos porcos, deu sua explicação “cientifica”. Disseque os porcos se assustaram com o barulho e num estouro caíram num abismo. Conquanto pareçamuito sábio em sua ciência, demonstrou a mais grata ignorância de zoologia e principalmenteanatomia e comportamento dos suínos, pois o porco tendo a cabeça triangular com os olhosapontados para o solo poderia até trombar em muita coisa, menos cair em precipícios. Segundo,porco não estoura: quando perseguido corre alguns metros, volta-se contra o perseguidor, depoisdebanda e amoita. Passando o perigo solta grunhidos para localizar os companheiros e recompor a
  5. 5. vara, daí o dito popular “para quem está casando porco toda moita ronca”. Eles precipitaram-se nolago porque os demônios impeliram, não importa os nomes que os parapsicólogos dêem a isso.Ora, isso tem levado muitos a tentar vencer com armas carnais, inimigos espirituais. Conheço umpastor argentino que certa vez foi agredido quando dirigia um culto ao ar livre. Sendo de físicoavantajado, respondeu tirando o paletó dizendo: “Satanáz, quieres guerra... tendrás” e, partiu paraignorância, se esquecendo que nossas armas não são carnais... O remédio para esse mal se chamahumildade e submissão.O proselitismo pode ser um agente poluidor. Quando Jesus disse aos seus discípulos “ide, fazeidiscípulos de todas as nações” era, sem duvida, uma ordem proselitista. Quando seus discípulosfaziam e batizavam mais discípulos que João, era sem duvida proselitistas. Portanto, háproselitismo e proselitismo e o nosso medo de ser enquadrado como tal tem permitido que outrosesvaziem o nosso pesqueiro. Quando chegaremos aos 100 mil sem fazer proselitismo? Por acasovamos fazer gente de plástico e sopra-lhes espírito?Quando a juventude e alguns lotam as discotecas por falta de coisa melhor; Quando em cadaesquina medram os explorados de credulidade alheia ou pregadores de seitas esdrúxulas, comonão fazer proselititsmo? Ou devemos ficar dormindo como Jonas, enquanto outros buscam soluçõesem deuses impotentes?Quanto ao proselitismo fanatizante, retalhador, de que se servem indivíduos inescrupulosos quelocupletam como abutres da ignorância do povo, deixo de considerar. Para se tratar com oprosetislismo é preciso duas coisas: paixão pelas almas e uma ética condizente com a função deministro de Cristo.Com o nome de pentecostalismo, renovação, avivamento, carismáticos, e alguns que se chamamsem nome, está ocorrendo um fenômeno que pode ajudar ou atrapalhar a pesca. Não é possívelnegar pelas Escrituras e nem pela historia da Igreja, o caráter carismático do Evangelho: o próprioWesley foi chamado de “roedor de Bíblia”, os seus “clube santo”. Será que hoje não seria eletaxado de carismático? Não é verdade que Wesley pretendia o avivamento do povo de Deus? Porisso eu vos rogo, pela compaixão de Deus, que olheis com muito amor esse movimento e comespírito desarmado, como convém aos santos, para que não sejais achados contendendo comDeus.Aqui, permitam uma experiência. No fim da década de 40 eu era membro da igreja de Campinas einiciava-se lá um movimento chamado “Tenda”. Alguns ficaram entusiasmados e começaram falaraleluia em vez de amém nas orações. Nós, direta o indiretamente, os botamos para fora da igreja.Não há muito tempo participei de uma reunião oficial da Igreja, era um congresso. Lá se falavaalém de aleluia, glória, batiam palmas e os pés, sem contar algumas rebolantes chacretesevangélicas que entre as mastigadas de chicletes ululavam uma música frenética, cheia de ritmo,pobre de conteúdo e por muitas vezes cheirando a heresias.Será que o que era errado em 1948 ficou certo agora? Cuidado, jovens, não invistais contra algoque amanha possa ser recomendado como a coisa mais digna de ser buscada. Aprendam com aminha experiência: “macaco que foi mordido por cobra não vai em pescaria só para pegar emminhoca”.Cuidado, principalmente porque onde as pessoas nem sempre habilitadas votam matériaeclesiástica é possível até criar bispo a prazo fixo, solução à brasileira, porque é anomalia estranhaao episcopado histórico.
  6. 6. Cuidado, porque especialmente os compromissados com o presente século tem uma verdadeira“pneumatofobia”, porque uma vida entregue ao Espírito significa a renuncia de acomodação eprivilégios e a encarnação do Evangelho, a crucificação do “eu”. Não temais os carismáticos,aprendeis antes a discernir os espíritos.Conta-se que num concilio havia um bispo carismático. Certo dia, o tintureiro, querendo fazer troça,disse: “Bispo, o senhor falou que Deus revela, vamos ver na pratica: Tenho aqui duas calças, umaé de um carismático, qual?” O bispo examinou e disse: “Está!”. O homem admirado perguntou:“como?” Ele respondeu: “Elementar, meu caro, o carismático gastou as calças nos joelhos, outro notraseiro”. E, Não vai ser em poltronas giratórias que vamos chegar aos 100 mil. Chegaremos, sim,se for de joelhos.Mas, Quando o carismático se torna um elemento poluidor? Quando ele tem mais barulho do quevida. Cuidado, seu grito regulasse porco não morria. Quando cheio de orgulho espiritual, ele nemora mais com os publicados e pecadores, mas em rodinha, separado; quando ele deixa de ser co-servo e passa a ser juiz dos irmãos; quando ele começa pregar uma religião sideral, extraterrena,distanciada da realidade presente na qual o corpo deve sofrer toda sorte de opressão e injustiça,numa convivência criminosa para, em troca de uma parusia distante, a lama receber quiçá um parde asas, uma coroa e uma harpa para tanger eternamente...Essa dicotomia estranha aos evangelhos, não precisa de argumentos teológicos para demonstrarque se tratam de artimanhas do diabo, basta que observeis que um corpo sem alma é defunto euma alma sem corpo, se houver, é assombração.Observai especialmente como vivem se são honestos em seus negócios, se não roubam o Senhornos dízimos e ofertas, se têm bom testemunho por fora e principalmente se são mentirosos.Conheci uma pregadora, e era metodista, se fosse verdade as pessoas que ela “convertia” em cadaserie de pregação, o Brasil devia ter 115 milhões de metodista.Cuidado, jovens, se são mentirosos não são carismáticos, são filhos do diabo porque o diabo é opai da mentira. Mas se não puderdes surpreendê-los em nenhuma dessas falhas, é bem provávelque estejam corretos nas demais.Lembrai-vos sobre tudo que nas coisas que não são essenciais “nós pensamos e deixamos depensar”, porque é perigoso deixar o tolo pensar porque ele pensa tolice. Cuidado ainda, estejamacordados como bons sentinelas, pois esse tipo de agente poluidor muitas vezes levam os peixes eo pescador junto.Eu poderia falar de outros, como o Evangelho social, o modernismo teológico, o fundamentalismoetc., mas não quero cansar-vos mais, perdoai-me, jovens, se vos decepcionei , perdoai-me, vósoutros se os magoei; porém estou convicto de ter dito somente a verdade. Se alguém puder provarpelas Escrituras de que estou enganado ou que qualquer afirmação que fiz não é exata, há de mealiviar sobremaneira, pois, não são poucos os sofrimentos espirituais que me causam essaspreocupações, especialmente quando eu vejo ministros se acertando cada vez mais de garantiasseculares, como se a Igreja fosse um barco preste a naufragar.Quando a própria Igreja assim se comportam, esquecendo as solenes promessas do Mestre de queas portas do inferno não prevaleceram contra ela, não posso deixar de erguer minha voz proféticae vos conclamar a levar até as ultimas conseqüências a decisão que tomaste de ser pescadores dealma.
  7. 7. Posso vos garantir, jovens, que o Senhor da seara, que vos chamou não vos desamparará e nemvos decepcionara. Estou no ocaso de minha carreira. Uma coisa que sempre quis foi ser aluno denossa Faculdade de Teologia. Fiz diversas tentativas e por motivos que só Deus sabe não consegui,mas Deus não podia permitir que eu descesse a tumba com sentimento de frustração. Arrancou-meda boca da sepultura e me introduziu pela porta da frente onde não podia entrar pela porta dofundo.Sou um pregador descompromissado e marcado par morrer, pela conta do médico já estou vivendode “credi-cheque” no banco da vida. Por isso, não posso fazer concessões e toda oportunidade quese oferece agarro como sendo ultima, mas a morte não há de me pegar de surpresa, tenho pedidoa Deus que me faça tombar “como um tronco do raio tocado”. Mas se essa não for sua vontade,hei de me consumir como uma vela que queima em seu próprio corpo par produzir luz e a bandeiraque a Igreja me tem confiado a de tremular ainda que em farrapo e se for arreada, encontrar-me ámorto ao pé do mastro.Eu quisera poder transmitir o gozo que significa uma vida tão somente dependente de Deus, umaentrega total, mas a linguagem da alma não pode ser gravada, mas se me fosse dado recomeçartudo de novo eu seria outra vez pastor, tão somente pastor, nada mais que pastor, pela graça deDeus.Que Deus vos proteja!

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