Gaivota 183 encarte

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Gaivota 183 encarte

  1. 1. Encarte Especial • Maio – Junho/2015 Ausentes de corpo presentes na mente Uma breve reflexão para este tempo de luto Queridos irmãos e irmãs, graça e paz! Fui convidado pela redatora da Gaivota, irmã Rosália Ometto, para escrever uma breve reflexão sobre o luto, já que nestes últimos dias quatro irmãos de nossa igreja local encerraram sua jornada terrestre: Urias Martins, Mirce La- voura, Maria Amélia e Almir Maia. Despedir-nos das pessoas com quem construímos par- te de nossa história não é uma tarefa fácil. A dor causada pelos primeiros sentimentos de ausência é muito forte e la- tente. Podemos até duvidar de nossa capacidade de conti- nuar a jornada. A família e os mais chegados que o digam. Estes queridos irmãos e irmãs que foram protagonis- tas da IGREJA MILITANTE (Catedral) agora fazem parte da IGREJA TRIUNFANTE (eternidade). Em seu tempo e segundo os seus dons, contribuíram missionariamente. Fi- zeram sua parte. Sonharam, projetaram e realizaram. Vive- ram entre nós. Agora, porém, será impossível encontrá-los nos cul- tos, nas festas ou mesmo em suas casas. Não conseguire- mos dialogar mais com eles. Será impossível abraçá-los ou beijá-los. Não poderemos ouvir mais o timbre das vozes, sentir o aroma dos perfumes que se misturavam ao cheiro da pele, sentir-se observados por seus olhares ou mesmo vislumbrar seus sorrisos. Resta-nos, então, exercitar a memória. Se não pode- mos tê-los fisicamente, façamo-los presentes através das lembranças. Vamos contar alguns “causos”. Vamos rir de alguns fatos, chorar pela falta, refletir sobre a ausência. Por mais que tenham sido boas pessoas, eles não foram perfei- tos, mas isso não importa, pois, nós também não somos. Para amenizar a dor neste início de luto, convido-os a verbalizarmos nossas lembranças e agradecer a Deus pela oportunidade de termos convivido com nossos queridos. Como sou o propositor, inicio a tarefa com uma breve par- tilha: Do irmão URIAS MARTINS me lembro da voz de tro- vão e o jeito carinhoso com que me chamava, carregando no R: rrrrrrrrrreverendo Paulo ou pastorrrrrrrrrr Paulo. Uma história que ele me contou e me marcou foi que ele era criança quando o atual templo da Catedral Metodista de Piracicaba foi construído. Por volta de uns 10 anos de idade ele era responsável por levar a marmita de almoço para o seu pai que era um dos pedreiros na construção. Ele dizia que se lembrava de ver o prédio sendo erguido. Da irmã MIRCE LAVOURA, trago na memória sua dedicação ao coral e ao No Cenáculo. Sua presença cons- tante nas atividades da SMM e sua participação na equipe da cozinha era notável. Mesmo com toda a limitação física que tinha, ela se esforçava por estar na igreja e ajudar nas tarefas. Revendo muitas fotos da última década, notei que ela sempre estava com um caderninho na mão anotando al- go. Vó Mirce, como muitos a chamavam, também marcou minha vida. No início do meu pastorado na Catedral, época em que a irmã MARIA AMÉLIA ainda freqüentava os cultos e era uma das pianistas, ela chegava perto de mim e entre- gava uma lista de hinos do Hinário Evangélico alusivos ao período e dizia: Pastor agora é época de cantar estes hinos. Neste período ela também era muito engajada na SMM. Te- nho na memória o tempo em que pude acompanhá-la no processo de enlutamento do irmão Bruno, tempo de difícil elaboração. Do irmão ALMIR MAIA ficaram marcadas as palavras de carinho ditas no momento de homenagens no culto de ação de graças por meu ministério em Piracicaba, que tam- bém foi o momento de minha despedida. Uma, entre outras lições que aprendi com ele, foi que não se deve responder pragmaticamente às urgências, sem levar em consideração um projeto duradouro. Claro que não deixaria de apontar aqui sua forma processual de conduzir os encaminhamen- tos. E também, não poderia deixar de lembrar de seus e- -mails comunicando os encaminhamentos e aguardando um retorno. Quem os recebeu sabe do que estou falando (rssss). Citei aqui algumas lembranças que ficaram em minha memória durante o tempo que convivi com eles. Pode ser que você tenha se relacionado em tempo diferente, com papéis diferentes e intensidade diferente, mas não impor- ta. Meu convite é para que possamos trazer à memória a lembrança deles e assim amenizar a saudade. Desejo que esse exercício possa aliviar um pouco da dor e nos conduzir num período de luto mais saudável e curativo. Que Deus nos abençoe! Rev. Paulo Dias Nogueira1 1 Pastor da Igreja Metodista Diretor do Instituto Educacional Metodista Bispo Scilla Franco
  2. 2. GAIVOTA Encarte Especial • Maio/Junho • 2015 • L2 Encarte Especial de Luto Inayá Toledo Veiga Ometto Presidente da Sociedade Metodista de Mulheres da Catedral Metodista de Piracicaba. MIRCE LAVOURA É com profundo pesar que noticiamos o fale- cimento de nossa grande amiga Mirce La- voura. Membro da igreja e sócia muito antiga da SMM, era conhecida por todos, sendo que, em várias ocasiões, quando falecia alguém, os fami- liares a procuravam (antes mesmo do que ao pas- tor) para dar a notícia. Cabia a ela, então, fazer o comunicado formal. Sempre pronta para qualquer atividade tan- to da Igreja como da Sociedade, não se cansava de passar até o dia todo trabalhando, auxiliando em tudo que podia. Brincávamos dizendo que iríamos providenciar um colchão para ela poder dormir na igreja. Tinha uma linda voz e cantou aproximada- mente 40 anos no coral J. W, Koger. Somente se aposentou muito a contragosto quando sua saúde não mais permitiu. Amava o coral. Foi agente de “No Cenáculo” por mais de 30 anos, o que a tornou conhecida fora do âmbito da igreja. Era chamada por muitos, carinhosamente, de vó. Esteve presente pela última vez na reunião de oração – que ela amava – por ocasião de seu aniversário em 5 de março. As amigas organiza- ram uma festa em sua homenagem. Ela cantou, falou da alegria de estar presente e também cho- rou bastante. Foi a sua despedida. Por ocasião de seus funerais, vários pasto- res fizeram uso da palavra, com destaque para o neto Rodrigo, que falou lindamente em nome da família. O coral esteve presente, cantando para ho- menageá-la, comovendo a todos. Agora, ela está cantando e abrilhantando o coro Celeste. Aos familiares nossas condolências.
  3. 3. GAIVOTA Encarte Especial • Maio/Junho • 2015 • L3 MARIA AMÉLIA VILLARA C omunicamos com muita tristeza o fale- cimento de outra grande amiga, Maria Amélia Villara, ocorrido em São Paulo no dia 23 de maio. Maria Amélia foi uma pessoa singular. Veio com a família para cá no início da década de 1960 e imediatamente passou a trabalhar na Igreja. A SMM ganhou de imediato uma sócia dinâmica e muito atuante. Logo foi eleita presidente, car- go que exerceu de maneira impar, impondo um dinamismo até então desconhecido. Foi tão espe- tacular sua atuação, que a SMM viveu seus anos dourados e até hoje não igualados. Dentre outros inúmeros feitos, idealizou o bazar de artesanato, que ficou sob sua responsabilidade durante anos, e que até hoje é um dos nossos maiores eventos anuais. Devemos a ela essa rica herança. Tinha uma percepção apurada das necessida- des funcionais do templo, então, não raro tomava a iniciativa de resolver a questão, auxiliando o pastor nesta tarefa. Dirigiu durante anos a reunião de oração, com determinação e entusiasmo. Era pianista e organista, enfim, mulher de múltiplos e maravilhosos talentos. É uma perda inestimável para todos. Particularmente perco uma amiga queridíssi- ma, na qual procurei me espelhar, sem, contudo, chegar nem perto do seu imenso brilho. Às filhas Sônia, Marina e Regina nossos pêsames. Tenham a certeza que a marca que sua mãe deixou na SMM e na Igreja de Piracicaba foi tão forte, mas tão forte, que nunca será apagada e jamais será igualada. O céu está em festa!
  4. 4. GAIVOTA Encarte Especial • Maio/Junho • 2015 • L4 Cada pessoa guarda uma maneira especial de lembrança. Me- mória tem a ver com aquilo que vivemos com cada pessoa, mui- to mais do que ouvimos falar dela, do que sabemos por tercei- ros. Por vezes, um abraço dado, passa a significar mais do que uma imensa obra que alguém tenha desempenhado em favor do grupo, da sociedade, do núcleo maior. Quando a morte chega, cada memória pessoal passa, então, a significar muito mais. É quando descobrimos se al- guém foi mesmo especial, para além do que significou como figura pública, como profissional, ou em qualquer outra dimensão. M e alegra muito a certeza de que, para os metodis- tas que conheceram e con- viveram com Almir Maia nos últi- mos anos, na Escola Dominical, nos cultos, nas atividades mais próxi- mas da Igreja, cada um terá lembra- do, nos últimos dias, um momento pessoal que tenha vivido com ele. A marca de suas despedidas, que reuniu, na UNIMEP e na Catedral, um universo múltiplo e diversifica- do de pessoas, das mais diferentes origens, histórias, convívios, mostra claramente isso. Cada abraço trocado, cada emoção partilhada, cada palavra que não conseguia sair, me pareceu tentar expressar esta lembrança pessoal que cada um tinha de Almir Maia, com a marca de uma atenção pessoal, um cuidado generoso, uma atitude de preo- cupação dele para as pessoas. As múltiplas lembran- ças de Almir que foram divididas por conhecidos e desconhecidos comigo, envolviam sempre cordiali- dade, o sorriso fácil, os cartões, a disponibilidade em atender quem o tivesse procurado para refletir junto, para encontrar respostas, para pedir ajuda. Tive o privilégio de conviver com Almir Maia por mais de 20 anos, quase que diariamente. Discor- damos muito – ele querendo de mim mais cautela e eu provocando-o a ousar e ir mais rápido -, fomos aos poucos aumentando o respeito de um pelo outro, di- vidimos momentos de alegria e de mágoas. Aprendi muito com ele, mudei algumas de minhas atitudes em função de nosso convívio. Nossa amizade sempre se pautou pela sinceridade e pela leal- dade. É a partir desta convivência preciosa, que tenho a certeza que nada o alegraria mais do que sa- ber que, em sua despedida, tantas pessoas simples, os mais humildes, aqueles que normalmente não se distinguem na multidão, estavam ali para homenageá-lo, para dizer um último muito obrigado. Eles eram em maior número do que as autoridades, especialmente as me- todistas, que tantas vezes preferi- ram ignorá-lo, ao contrário da ci- dade, que o reconheceu de maneira muito mais efetiva. Almir tinha, em algum momento, abraçado cada uma daquelas pessoas, ouvido, in- centivado, tratado-as com respeito e lhes dado impor- tância e atenção. Não tenho dúvidas que, por tudo isso, as mar- cas de Almir permanecerão. Para as instituições, para além do tempo, haverão de ser reconhecidas sua ética, sua honestidade, sua fidelidade a princípios que en- tendia como essenciais, justos e corretos e hoje tão in- comuns à maioria da sociedade. Para as pessoas, cer- tamente permanecerão o carinho, o zelo, o respeito, o cuidado e o afeto. E seu sorriso feliz, que tantas vezes expressava uma alegria incomum por saber que esta- va fazendo o melhor, a cada momento, a cada novo desafio. Beatriz Vicentini, jornalista, trabalhou com Almir Maia nos Últimos ₃₀ anos

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