Artigo bioterra v16_n2_05

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Artigo bioterra v16_n2_05

  1. 1. REVISTA DE BIOLOGIA E CIÊNCIAS DA TERRA ISSN 1519-5228 Volume 16 - Número 2 - 2º Semestre 2016 COMPOSIÇÃO FLORÍSTICA E FITOSSOCIOLOGICA DO COMPONENTE ARBÓREO DA RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL (RPPN) ENGENHO GARGAÚ, SANTA RITA – PB. Camila Andrade Feitoza1 ; Lígia Maria de Medeiros Silva2 ; Alberto Alves Sabino3 RESUMO Este estudo teve por objetivo analisar os aspectos da estrutura, fitossociologia e composição florística do estrato arbóreo da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) - Engenho Gargaú, no Município de Santa Rita, Estado da Paraíba. Foram amostrados 560 indivíduos, distribuídos em 29 espécies arbóreas, 23 gêneros e 19 famílias botânicas. As famílias mais bem representadas na área estudada ficaram assim distribuídas: Anarcadiaceae, Moraceae e Lecythidaceaenosae. As famílias Areacaceae, Fabaceae, Annonaceae e Lauraceae foram representadas com duas espécies e as demais famílias ficaram todas representadas por uma única espécie. O índice de diversidade de Shannon (H') foi baixo, 1,71 nats/indivíduos, quando comparado com outros levantamentos em área de Mata Atlântica. O Quociente de Mistura foi de 1:19, trata-se de um valor baixo. A espécie Schweileira ovato apresentou maior IVI em decorrência do maior número de indivíduos e maior porte arbóreo. Diante dos dados apresentados pode-se dizer que a área se encontra em estágio médio de sucessão florestal Palavras-chaves: Fitossociologia, Diversidade florística, Sucessão florestal. FLORISTIC AND PHYTOSOCIOLOGY OF THE TREE COMPONENT OF THE PRIVATE RESERVE OF NATURAL HERITAGE (PRNP) GARGAÚ ENGENHO, SANTA RITA – PB ABSTRACT This study aimed to analyze the floristic composition and phytosociological structure of tree species from Atlantic Forest in the area in question, in order to characterize its structure using phytosociological methods, with the intuit to verify their relationships abundance, dominance, sociability, and environmental quality in such species are included and obviously contribute to the knowledge of the floristic diversity of species. We sampled 560 individuals, distributed in 29 tree species, 23 genera and 19 botanical families. The families best represented in the study area were distributed as follows: Anarcadiaceae, and Moraceae Lecythidaceaenosae. Areacaceae families, Fabaceae, Annonaceae and Lauraceae are represented with two species and all the other families were represented by a single species. The Shannon diversity index (H ') was down 1.71 nats / individuals when compared with other surveys in the Atlantic Forest. The Quotiente de mistura was 1:19, it is a low value. The species Schweileira ovata had higher IVI and CVI due to the greater number of individuals and larger tree. From the data presented it can be said that the area is in the intermediate stage of succession. Keywords: Phytosociology, Floristic diversity, Forest succession. 26
  2. 2. INTRODUÇÃO No conceito de Strang (1983), a mata atlântica é uma grande província natural com aproximadamente um milhão de quilômetros quadrados, que abarca vários ecossistemas florestais, com enclaves e interpenetrações de outros ecossistemas não florestais correspondendo ao domínio morfoclimático dos mares de morros florestados de acordo com Ab’ Saber (1977). Em função da latitude, relevo e clima geral, este bioma apresenta variações nas formações fitogeográficas que permitem caracterizá-lo. Esta formação ocupa no Sul e Sudeste do país as encostas das serras litorâneas, que apresenta fisionomia geral similar; no Nordeste, a mata atlântica ocupa principalmente a formação dos tabuleiros costeiros, estendendo- se desde a parte oriental do Rio Grande do Norte, até o Sul da Bahia. Na Paraíba as florestas costeiras foram quase totalmente devastadas, restando hoje apenas pequenas manchas dispersas no litoral. Além disto, todos os remanescentes apresentam sinais de retirada de madeira (LINS e MEDEIROS, 1994). Este se encontra bastante antropizado, com cerca de 65% do total de área desta forma, segundo levantamento feito pelo IBAMA (1990), apresentando apenas um total próximo a 0,34% do percentual do Estado e uma área de 196,4 Km² com vegetação de Mata Atlântica (Paraíba, 2006). A Mata Atlântica por sua grande diversidade e quantidade de espécies endêmicas, requerem a necessidade dos estudos florísticos e fitossociológicos (ANDRADE et al, 2006). Desta forma, torna-se inquestionável que para a preservação deste bioma, necessita-se primeiro conhecer a comunidade florística e suas relações entre si, sendo estes estudos primordiais para estes fins, pois além da riqueza de espécies que este bioma possui muito já se foi devastado com o crescimento das cidades e suas atividades subsequentes (COSTA JÚNIOR et al, 2007). Hargreaves (2008) aponta que a fitossociologia pretende destrinchar e classificar as comunidades florísticas a partir de sua estrutura e composição, e que no Brasil o método mais utilizado para o estudo é o levantamento de espécies arbóreas predominantes. O estudo fitossociológico é a caracterização, classificação e estudo das relações e distribuição das comunidades vegetais. Este estudo auxilia no conhecimento de espécies vegetais de uma área, fundamental para preservar espécies endêmicas dos biomas mais importantes. É utilizado para caracterizar as relações entre espécies e a dinâmica das populações, o que nos dá uma pista de como essas espécies se modificaram com o passar do tempo e como reagem às condições climáticas, pedológicas, geológicas, dentre outras (PORTO, 2008). Diante do exposto objetivou-se neste estudo analisar a composição florística e a estrutura fitossociológica de espécies arbóreas de Mata Atlântica da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Engenho Gargaú, no sentido de verificar suas relações de abundância, dominância, sociabilidade e a qualidade do meio em que tais espécies se inserem. MATERIAL E MÉTODOS A área de estudo está localizada na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) – ENGENHO GARGAÚ, nos domínios da Usina Japungu Agroindustrial, situada no município de Santa Rita no Estado da Paraíba. Possui área de 1.058,6237 hectares. Criada por meio de PORTARIA Nº 64-N, de 14 de junho de 1994. A área da RPPN há mais de 25 anos não sofre ação antrópica. Antes havia a exploração de madeira e culturas agrícolas. A amostragem para identificação das espécies e obtenção de dados para determinação dos parâmetros fitossociológicos foi feita pelo método de parcelas fixas, respeitando à suficiência amostral baseada na curva espécie/área. Para compreender como se dá o acréscimo do número de espécies à medida que se aumenta o número de amostras realizadas em campo, utilizou-se o método de curva do coletor (MUELLER-DUMBOIS e ELLENBERG, 1974; MAGURRAN, 1988). Foi considerada para efeito do estudo uma área de aproximadamente quatro hectares, onde foram identificados e medidos os diâmetros de todos os indivíduos arbóreos com
  3. 3. DAP (diâmetro a 1,30 m da superfície do solo) mínimo de 9,9 cm, dentro de cada parcela amostrada. Para coleta de materiais e dados da composição florística, foram alocadas doze parcelas de 10m x 15m (150 m2 ), segundo procedimento de amostragem sistemática preconizado por Rodal et. al. (1992), de forma a cobrir as condições e variabilidade da área estudada. Para alocação e demarcação das parcelas foi utilizada uma trilha já existente que corta a área no sentido norte-sul e, portanto, o procedimento de amostragem consistiu em um transecto ao longo da extensão da reserva, na qual foram alocadas as parcelas amostrais, distanciadas no mínimo 100 metros. Os parâmetros fitossociológicos calculados foram: freqüência absoluta e relativa, densidade absoluta e relativa; dominância absoluta e relativa; valor de importância e valor de cobertura, segundo Mueller-Dombois e Ellemberg (1974) e Braun Blanquet (1932). Para a análise da heterogeneidade, calculou-se o índice de diversidade de Shannon (H’), a eqüitabilidade (J) de Pielou e o Quociente de Mistura de Jansen, conforme Mueller-Dombois e Ellemberg (1974; Finol (1971) e Longhi (1980). O processamento e as análises dos dados foram realizados por meio do software MATA NATIVA 2 (2006). A partir dos dados levantados nas parcelas amostrais as mesmas foram classificadas segundo o estágio de sucessão ecológica, tomando por base os critérios constantes da Resolução CONAMA nº 391/07, que estabelece parâmetros para a análise dos estágios de sucessão ecológica. RESULTADOS E DISCUSSÃO Verifica-se na curva do coletor (figura 1), que o número de espécies amostradas apresentou tendência de incremento inicialmente e, à medida que a área amostrada aumentou, tenderam a se estabilizar. A curva tendeu a se estabilizar com 1200 m2 (correspondente a oito parcelas amostrais) de área amostrada, indicando amostragem satisfatória das espécies na área experimental, no entanto, para efeito de segurança foram amostradas mais quatro parcelas, totalizando uma área amostral de 1800 m2 . Portanto as doze parcelas foram suficientes para representar a composição florística da área estudada. 0 5 10 15 20 25 30 0 5 10 15 Número de parcelas amostrais (150m2 ) Númeroacumuladodeespécies . Figura 1. Suficiência amostral (curva do coletor) para a área amostrada. No levantamento fitossociológico foram amostrados 560 indivíduos, distribuídos em 29 espécies arbóreas, 23 gêneros e 19 famílias botânicas, as quais poderão ser observadas na Tabela 1, por ordem alfabética de espécie, com seus respectivos nomes populares. Apenas quatro táxons não foram identificados quanto à espécie e gênero. Em termos de diversidade de espécies, as famílias mais bem representadas na área estudada ficaram assim distribuídas: Anarcadiaceae (quatro espécies), Anonaceae e Moraceae (duas espécies, cada) e Lecythidaceaenosae (três espécies). As famílias Areacaceae, Fabaceae e Lauraceae foram representadas com duas espécies e as demais famílias ficaram todas representadas por uma única espécie. As espécies que apresentaram maior número de indivíduos na área foi a Lecythidaceae (325 indivíduos) seguida da Sapindaceae (82 indivíduos) e Euphorbiaceae (35 indivíduos). A análise da estrutura de tamanho das populações revela que a espécie Schweileira ovata foi a de maior IVI, destacada pelo alto valor de DRe (56,14%), seguido de DoRe (21,520%) e FRe (10,26). O segundo lugar de IVI foi o da Cupania racemosa, espécie que também se destacou pela maior DRe(12,18) seguido da FRe (10,26%) e DoRe (6,245%) em terceiro lugar o destaque foi para a espécie
  4. 4. Pogonophora schamburkiana, estes parâmetros estão descritos na Tabela 2. Tabela 1. Listagem das espécies arbóreas amostradas na área da Reserva Particular do Patrimônio Natural Engenho Gargaú, Santa Rita-PB. Nome Científico Nome Vulgar Família Acrocomia intumescens Drude Macaíba Areacaceae Altalea oleifera Barb. Rodr Palmeira pindola Areacaceae Annona glabra L. Pana Apuleia leiocarpa (Vog) Mart. Jitai Caesalpinaceae Brosimum discolor Schott Quiri Moraceae Bowdichia Virgiliodes H.b & Kunth. Sucupira Fabaceae Buchenavia capitata (Vahl.) Eichler Imbiridiba Annonaceae Byrsonima sericea DC. Murici Malphighiaceae Campomanesia xanthocarpa Mart Guabiraba Myrtaceae Cupania racemosa (Vell.) Radlk Caboatã Sapindaceae Cupania revoluta Rolfe Caboatã do rego Sapindaceae Eschweilera apiculata (Miers) A.C. SM. Imbiriba branca Lecythidaceae Eschweilera ovata (Cambess.)Miers. Imbiriba Lecythidaceae Eschweilera alvimii Mori Imbiriba preta Lecythidaceae Hymenaea courbaril L. Jatobá Fabaceae Ingá fagifolia G.Don. Ingá Mimosaceae Manikara triflora Fr. Allemão. Goiti Sapotaceae Nectandra cuspidata (nees et. Mart.)Nees. Louro Lauraceae Ocotea gardneri (Meisn.) Mez Leiteira Lauraceae Paypayrola blanchetiana Tul. Jaquinha da mata Violaceae Protium giganteum Engl. Amescla Burseraceae Pogonophora schomburgkiana Miers Cocão Euphorbiaceae Schefflera morototoni (Aubl.) M. S. & Frodin Sambaquim Araliaceae Simarouba Amara Aubl. Praíba Simaroubaceae Tapirira guianensis Aubl. Cupiúba Anacardiaceae Tapirira SP Cupiúba branca Anarcadiaceae Thyrsodium spruceanum S.. Ex Benth. Caboatã-de-leite Anacardiaceae Xylopia frutescens Aubl. Imbira-semente Annonaceae Indeterminada 1 Indeterminada Moraceae Indeterminada 2 Indeterminada Marantaceae Indeterminada 3 Indeterminada Anarcadiaceae Indeterminada 4 Indeterminada Poaceae O maior IVI para as três espécies se deu em decorrência do grande número de indivíduos, juntas representam 79% do total de indivíduos amostrados. De acordo com Leitão Filho (1987), as famílias floristicamente mais abundantes de uma região são as que respondem pelos principais parâmetros fitossociológicos. A densidade total do levantamento foi de 7.725,926 indivíduos/ha e o valor obtido para a área basal foi de 7,8336 m²/ha. Com relação à densidade relativa, as famílias que apresentaram maiores valores foram: Lecythidaceae (60,07%), Sapindaceae (12,9) e Euphorbiaceae (8,53%), correspondendo a 78,7% do total. Com relação à dominância relativa compareceram Lecythidaceae (35,54%), Annonaceae (15,68%), Anardiaceae (9,70%) e Araliaceae (9,09%), totalizando 70,01%. A espécie Eschweileira ovato destacou- se no IVI que apresentou o maior número de indivíduos e maior porte arbóreo, seguido das espécies Cupania racemosa, Pogonophora shomburgkiana, Buchenavia capitada e Eschweilera alvimii.
  5. 5. Tabela 2. Valores dos parâmetros fitossociológicos na RPPN Engenho Gargaú considerando em ordem decrescente do Índice de valor de importância. ESPÉCIES Ni Ab(m²) Dre(%) Fre(%) DoRe(%) IVI(%) Eschweilera ovata 325 1,9961 56,14 10,26 21,52 29,31 Cupania racemosa 82 0,5531 12,18 10,26 4,93 9,12 Pogonophora shomburgkiana 35 0,3916 8,53 8,9 7,33 8,28 Buchenavia capitada 6 0,9068 1,68 3,85 15,63 7,05 Eschweilera alvimii 9 0,591 3,4 3,85 13,38 6,88 Schefflera morototoni 6 0,6733 1,58 3,85 9,09 4,84 Protium giganteum 18 0,5728 1,73 7,69 3,35 4,25 Tapirira guianensis 13 0,4341 2,78 5,13 3,37 3,76 Tapirira sp 9 0,3016 2,54 2,56 6,14 4,75 Camponesia xanthocarpa 6 0,1771 1,34 5,13 2,96 3,14 Altalea oleífera 3 0,1998 1,82 1,28 5,24 2,78 Bowdichia Virgiliodes 4 0,3416 0,38 3,85 2 2,08 Indeterminada 1 8 0,1069 1,1 3,85 1,21 2,05 Simarouba Amara 3 0,1136 0,62 3,85 0,96 1,81 Ocotea gardneri 5 0,0758 0,81 3,85 0,46 1,71 Thyrsodium spruceanum 3 0,015 0,62 2,56 0,15 1,11 Annona glabra 4 0,0226 0,38 2,56 0,13 1,03 Eschweilera apiculata 2 0,1021 0,53 1,28 0,64 0,82 Apuleia leiocarpa 4 0,0562 0,38 1,28 0,33 0,66 Byesonima sericea 3 0,0493 0,29 1,28 0,29 0,62 Indeterminada 2 1 0,0436 0,1 1,28 0,25 0,54 Manikara triflora 2 0,0245 0,19 1,28 0,14 0,54 Brosimum discolor 2 0,0173 0,19 1,28 0,1 0,53 Hymenaea courbarl 1 0,0326 0,1 1,28 0,19 0,52 Intederminada 3 1 0,0176 0,1 1,28 0,1 0,49 Acromia intumescens 1 0,0035 0,1 1,28 0,02 0,47 nectandra cuspidata 1 0,0067 0,1 1,28 0,04 0,47 Cupania revoluta 1 0,0023 0,1 1,28 0,01 0,46 Indeterminada 4 1 0,0029 0,1 1,28 0,02 0,46 Xylopia frutences 1 0,002 0,1 1,28 0,01 0,46 Total 560 7,8336 100 100 100 100 N°= Número de indivíduos, AB= área basal, DR=Densidade relativa; FR= Freqüência relativa; DoR= Dominância relativa e IVI=Indice de valor de importância e Vc= valor de cobertura. O índice de diversidade de Shannon (H') foi baixo, 1,71 nats/indivíduos quando comparado com outros levantamentos em área de Mata Atlântica. Como Xavier (2009) para Mata Atlântica no Município de D. Inês/PB (Mata da Caboclo, 3,54 nats/ind. e Mata do Seró, 3,53). Andrade et al., (2006) em Mata do Pau do Ferro no Município de Areia/PB, 2,99 nats/ind. Cestaro e Andrade (2004) no município de Macaína/RN, 3,19 nats/ind. Farias e Castro (2004) no Município de Campo Maior/PI, 3,09 nats/ind. Isso, provavelmente, resulta da distribuição não homogênea de espécies na área, devido à abundância de algumas poucas espécies, como a E. ovata e C. racemosa. Outro fator a considerar é que a área em questão sofreu forte pressão antrópicas no passado pela exploração de madeira e abertura de áreas para cultivos agrícolas e isso certamente afetou a abundância de algumas espécies, determinando o baixo valor de H’.
  6. 6. Em relação à riqueza, foram amostradas 30 espécies. Trata-se de um número considerado baixo, se comparado com trabalhos realizados em áreas de Mata atlântica, como o de Melo e Mantovani (1994) obteve um total de 157 espécies, Silva (1989) apresentou em seu trabalho 195 espécies e Xavier (2009), 520 espécies. De acordo com Brown (1988) a diversidade de uma comunidade vegetal expressa à variação espacial na abundância e na distribuição das espécies. Como regiões distintas podem diferir tanto no número de espécies bem como na densidade relativa das populações amostradas, o emprego de índices de diversidade visa combinar estas duas variáveis, através de fórmulas que utilizam a riqueza e a eqüabilidade obtidas numa determinada área (MELO E MANTOVANI 1994). Com relação à eqüabilidade, o grau estimado foi 0,51, o que sugere baixa uniformidade na distribuição dos indivíduos dentro da comunidade vegetal, constatação esperada, pois a equitabilidade é diretamente proporcional à diversidade e, antagônico à dominância (UHL e MURPHY, 1981). Tabela 3. Comparação do Quociente de mistura (QMJ) e valores de eqüabilidade (J) obtidos na Mata da RPPN Engenho Gargaú em Santa Rita, PB, com outros levantamentos também realizados em área de Mata Atlântica. Teoricamente, esse valor indica que seria necessário o incremento de mais 50% de espécies para atingir a diversidade máxima da comunidade vegetal, segundo Brower et al., (1998). Se comparado com outros resultados para áreas de Floresta Atlântica, (Tabela 3), verifica-se um índice muito baixo, pois esse valor tem se mantido 0,83 a 0,91 (Mantovani 1993; Mantovani et al., 1990; Sanchez 1994). Isto significa que na comunidade analisada existem muitas populações contribuindo desigualmente para a elaboração do índice de diversidade. Algo semelhante foi encontrado por Melo e Mantovani (1994) para a Ilha do Cardoso onde a baixa eqüabilidade (J=0,721) foi justificada pelo critério de inclusão adotado (indivíduos com diâmetro ≥ 2,5cm), o que acabou por favorecer a inclusão de populações numerosas, típicas do sobosque. Observa-se na Tabela 3, que o Quociente de Mistura de Jansen foi de 1:18, indicando ser necessário amostrar 18 indivíduos para encontrar uma espécie diferente das já amostradas. Trata-se de um valor baixo em relação aos valores de outras áreas de Floresta de Mata Atlântica apresentados por Mantovani (1993), que apresentaram QMJ bastante alto (acima de 1:6). Já o trabalho realizado na Ilha do Cardoso (Melo e Mantovani 1994) apresentou baixo valor de QMJ (QMJ= 1:16), atribuído pelos autores à amostragem excessiva do subosque. O Quociente de Mistura (QM) relaciona de forma quantitativa os indivíduos e as espécies, apresentando uma média em uma determinada área estudada, a diversidade da população é maior quanto mais próximo de um (SILVA JÚNIOR et al., 2008). O baixo valor de QMJ indica uma baixa heterogeneidade, isso pode ser verificado pelo baixo número de espécie amostrada, apenas 31, no entanto, temos também que considerar que o estudo florístico foi realizado utilizando apenas as espécies arbóreas adultas, já que o critério de inclusão foi o diâmetro a altura do peito (DAP) de 9,9 cm. Quanto ao padrão de distribuição espacial foi possível observar sete espécies com tendência ao agrupamento, onze com padrão uniforme e doze com tendência ao agrupamento. Segundo Arruda e Daniel (2007), por meio do índice de agregação de espécies é possível visualizar a distribuição espacial das espécies dentro da comunidade, característica de extrema importância para o planejamento de medidas de manejo e conservação das comunidades florestais. De maneira geral, pode-se observar grande participação de espécies vegetais com tendência à agregação. Esse resultado pode ser considerado como conseqüência do estágio em que se encontra a área (sucessão secundária), onde foi verificada uma acentuada participação de árvores e arvoretas de pequeno porte, Autores Índice de Quociente de Mistura (QMJ) Índice de eqüabilidade (J’) Dados da Pesquisa 1:18 0,51 Ivanauskas (1997) 1:7 0,827 Azevedo (2010) 1:6 0,78 Oliveira et al., 2001 1:9 0,74
  7. 7. DAP (diâmetro a 1,30 m da superfície do solo) mínimo de 9,9 cm, dentro de cada parcela amostrada. Para coleta de materiais e dados da composição florística, foram alocadas doze parcelas de 10m x 15m (150 m2 ), segundo procedimento de amostragem sistemática preconizado por Rodal et. al. (1992), de forma a cobrir as condições e variabilidade da área estudada. Para alocação e demarcação das parcelas foi utilizada uma trilha já existente que corta a área no sentido norte-sul e, portanto, o procedimento de amostragem consistiu em um transecto ao longo da extensão da reserva, na qual foram alocadas as parcelas amostrais, distanciadas no mínimo 100 metros. Os parâmetros fitossociológicos calculados foram: freqüência absoluta e relativa, densidade absoluta e relativa; dominância absoluta e relativa; valor de importância e valor de cobertura, segundo Mueller-Dombois e Ellemberg (1974) e Braun Blanquet (1932). Para a análise da heterogeneidade, calculou-se o índice de diversidade de Shannon (H’), a eqüitabilidade (J) de Pielou e o Quociente de Mistura de Jansen, conforme Mueller-Dombois e Ellemberg (1974; Finol (1971) e Longhi (1980). O processamento e as análises dos dados foram realizados por meio do software MATA NATIVA 2 (2006). A partir dos dados levantados nas parcelas amostrais as mesmas foram classificadas segundo o estágio de sucessão ecológica, tomando por base os critérios constantes da Resolução CONAMA nº 391/07, que estabelece parâmetros para a análise dos estágios de sucessão ecológica. RESULTADOS E DISCUSSÃO Verifica-se na curva do coletor (figura 1), que o número de espécies amostradas apresentou tendência de incremento inicialmente e, à medida que a área amostrada aumentou, tenderam a se estabilizar. A curva tendeu a se estabilizar com 1200 m2 (correspondente a oito parcelas amostrais) de área amostrada, indicando amostragem satisfatória das espécies na área experimental, no entanto, para efeito de segurança foram amostradas mais quatro parcelas, totalizando uma área amostral de 1800 m2 . Portanto as doze parcelas foram suficientes para representar a composição florística da área estudada. 0 5 10 15 20 25 30 0 5 10 15 Número de parcelas amostrais (150m2 ) Númeroacumuladodeespécies . Figura 1. Suficiência amostral (curva do coletor) para a área amostrada. No levantamento fitossociológico foram amostrados 560 indivíduos, distribuídos em 29 espécies arbóreas, 23 gêneros e 19 famílias botânicas, as quais poderão ser observadas na Tabela 1, por ordem alfabética de espécie, com seus respectivos nomes populares. Apenas quatro táxons não foram identificados quanto à espécie e gênero. Em termos de diversidade de espécies, as famílias mais bem representadas na área estudada ficaram assim distribuídas: Anarcadiaceae (quatro espécies), Anonaceae e Moraceae (duas espécies, cada) e Lecythidaceaenosae (três espécies). As famílias Areacaceae, Fabaceae e Lauraceae foram representadas com duas espécies e as demais famílias ficaram todas representadas por uma única espécie. As espécies que apresentaram maior número de indivíduos na área foi a Lecythidaceae (325 indivíduos) seguida da Sapindaceae (82 indivíduos) e Euphorbiaceae (35 indivíduos). A análise da estrutura de tamanho das populações revela que a espécie Schweileira ovata foi a de maior IVI, destacada pelo alto valor de DRe (56,14%), seguido de DoRe (21,520%) e FRe (10,26). O segundo lugar de IVI foi o da Cupania racemosa, espécie que também se destacou pela maior DRe(12,18) seguido da FRe (10,26%) e DoRe (6,245%) em terceiro lugar o destaque foi para a espécie
  8. 8. ARRUDA, L.; DANIEL, O. Florística e diversidade em um fragmento de floresta estacional semidecidual aluvial em Dourados- MS. Floresta, Curitiba, v. 37, n. 2, p. 189-199, 2007. BRASIL - MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS HÍDRICOS – CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE. Resolução CONAMA n°. 10. Brasília, 1993. BRASIL. INSTITUTO BRASILEIRO D EMEIO AMBIENTE (IBAMA). Ecossistemas Brasileiros, 1990. Disponível em www.ibama.gov.br. Acesso em maio de 2011. BROWER, J.E.; ZAR, J.H.; VAN ENDE, C.N. Field and laboratory methods for general ecology. WCB/McGraw, New York. 273p. 1998. BROWN, J.H. Species diversity. In: MIERS, N. & GILLER, P.S. (eds.). Analytical Biogeography. London, Chapmam & Hall. p.56- 89. 1988. CESTARO, L. A.; SOARES, J. J. Variações florística e estrutural e relações fitogeográficas de um fragmento de floresta decídua no Rio Grande do Norte, Brasil. Acta Botânica Brasílica, São Paulo, v. 18, n. 2, p. 203-218, 2004 COSTA JÚNIOR, R.F.C.; FERREIRA, R.L.C.; RODAL, M.J.N.; FELICIANO, A.L.P.; MARANGON, L.C. Florística arbórea de um fragmento de floresta atlântica em Catende, Pernambuco-Nordeste do Brasil. Revista Brasileira de Ciências Agrárias, v.2, n.4, p.297- 302, out.-dez. 2007. FARIAS, R. R. S.; CASTRO, A. A. J. F. Fitossociologia de trechos da vegetação do Complexo de Campo Maior, Campo Maior, PI, Brasil. Acta Botânica Brasílica, São Paulo, v. 18, n. 4, p. 949-963, 2004. FINOL, U. H. Nuevos parámetros a considerarse en el análisis estrutural de las selvas virgens tropicales. Revista Forestal Venezuela. Merida, v. 14, n.21, p.29-42, 1971. HARGREAVES, P. Phytosociology in Brazil. The Americas Journal of Plant Science and Biotechnology. Departamento de Ciências Florestais, Universidade Federal de Lavras. Lavras, MG, 2008. IVANAUSKAS, N.M. Caracterização Florística e Fisionômica da Floresta Atlântica sobre a Formação Pariquera-Açu, na Zona da Morraria Costeira do Estado de São Paulo. Dissertação de Mestrado. UNICAMP. 1997. LEITÃO FILHO, H. F. Considerações sobre a florística de florestas tropicais e sub-tropicais do Brasil. IPEF, v. 35, p. 41-46, 1987. LINS, J.R.P.; MEDEIROS, A.N. Mapeamento da cobertura florestal nativa lenhosa do Estado da Paraíba. João Pessoa,PNUD/FAO/Governo da Paraíba. 1994. LONGHI, S. J. A estrutura de uma floresta natural de Araucaria angustifolia (Bert.) O. Ktze no sul do Brasil. Dissertação (Mestrado em Ciências Florestais) – Setor de Ciências Agrárias, Universidade Federal do Paraná. 198 p. Curitiba, 1980. MAGURAN, A.E. Ecological diversity and its measurement. London: Croom Helm,1988. 179p. MANTOVANI, W. Estrutura e Dinâmica da Floresta Atlântica na Juréia, Iguape-SP. Tese de Livre-Docência. Instituto de Biociências, Universidade de São Paulo. 126p. 1993. MANTOVANI, W.; RODRIGUES, R.R.; ROSSI,L.; ROMANIUC-NETO, S.; CATHARINO; E.L.M.; CORDEIRO, I. 1990. A vegetação na Serra do Mar em Salesópolis, SP. In: Simpósio de Ecossistemas da Costa Sul e Sudeste Brasileira: estrutura, função e manejo, 2, Águas de Lindóia. Anais... São Paulo, ACIESP. p 348-384. MELO, M.M.R. F.; MANTOVANI. Composição florística e estrutura de trecho de mata atlântica de encosta, na Ilha do Cardoso
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