REVISTA DE BIOLOGIA E CIÊNCIAS DA TERRA ISSN 1519-5228
Volume 16 - Número 1 - 1º Semestre 2016
COMPARAÇÃO ELETROMIOGRÁFICA...
1 INTRODUÇÃO
A Equoterapia como recurso
terapêutico, não é uma descoberta atual.
Hipócrates (458-370 a.C.) já aconselhava ...
meio de eletrodos sobre a pele ou de forma
intramuscular, com a utilização de agulhas ou
fios fornece informações sobre a ...
sustentou sozinho na montaria, sendo
acompanhado bilateralmente por dois
pesquisadores responsáveis a fim de evitar
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motoras da musculatura paravertebral e reto
abdominal com a utilização da sela equiparado
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estatisticamente significativos para ambas as
musculaturas nas duas encilhas.
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montaria. Segundo Santos (2006), comparando
a ativação dos paravertebrais através de
eletromiografia de superfície em nove...
meio de eletrodos sobre a pele ou de forma
intramuscular, com a utilização de agulhas ou
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  1. 1. REVISTA DE BIOLOGIA E CIÊNCIAS DA TERRA ISSN 1519-5228 Volume 16 - Número 1 - 1º Semestre 2016 COMPARAÇÃO ELETROMIOGRÁFICA DA CONTRAÇÃO DOS MÚSCULOS PARAVERTEBRAIS E RETO ABDOMINAIS COM O CAVALO AO PASSO EM DIFERENTES ENCILHAS Beatriz Rodrigues Barreira¹; Carlos Guilherme de Oliveira Menestrino¹; Danielly Santos Xavier¹; Mirelle de Oliveira Saes²; Victor Edgar Pitzer Neto³ RESUMO A equoterapia é uma técnica que utiliza o cavalo como agente fornecedor de ganhos na ordem física, educacional e psicossocial, benefícios estes, atribuídos às inúmeras combinações de estímulos gerados pelo dorso do animal. Sendo assim, este estudo teve como escopo principal comparar os níveis de contrações musculares, em Reto Abdominal (RA) e Paravertebral (PV) com manta e sela. Foi realizado o teste estatístico t de student para amostras pareadas, sabendo da relevância do estudo, RA p=0,002 e PV p=0,01. Foram selecionados por conveniência cinco participantes homens, com idade entre 22 e 25 anos, todos aptos a montaria. Percorreram um trajeto de 120m, e foram analisados os sinais eletromiográficos quando o animal chegou à linha do percurso de 70m até 80m, sendo o mesmo percorrido com ambas encilhas. Conclui-se que a sela utilizada como encilha na equoterapia possui um maior recrutamento de fibras musculares comparado com a manta. Palavras-chave: Terapia Assistida por Cavalos, Eletromiografia: Músculos Abdominais. ELECTROMYOGRAPHIC COMPARISON OF CONTRACTION OF PARASPINAL AND STRAIGHT ABDOMINAL MUSCLES WHILE RIDING A HORSE AT THE WALK WITH DIFFERENT SADDLES ABSTRACT The equine therapy is a technique that uses the horse as gains provider agent in the physical, educational and psychosocial order, these benefits attributed to the numerous combinations of stimuli generated by the animal's back. This study scope was to compare the main levels of muscle contractions in Abdominal Reto (AR) and paravertebral (PV) using blanket and saddle during riding. It conducted the statistical Student's t test for paired samples, knowing the relevance of the study, AR p = 0.002 and p = 0.01 PV. They were selected for convenience five participating men, aged between 22 and 25, all able to mount. They walked a path of 120m, and electromyographic signals were analyzed when the animal reached the route of the line 70m to 80m , and the same traversed with both encilhas . It concludes that the seals used as encilha in equine therapy has a greater recruitment of muscle fibers compared to the blanket. Keywords: Equine-Assisted Therapy, Electromyography, Abdominal Muscles. 71
  2. 2. 1 INTRODUÇÃO A Equoterapia como recurso terapêutico, não é uma descoberta atual. Hipócrates (458-370 a.C.) já aconselhava a equitação como benefício a saúde do homem. Da mesma forma, Asclepíades de Prússia (124- 40 a.C.) indicava os exercícios a cavalo como terapia para epilepsia e paralisia. Já Samuel Theodor de Quelmaz (1697-1758), referenciou pela primeira vez a ação do dorso do cavalo no movimento tridimensional (Severo, 2010). No Brasil, desde 1989 é regulamentada a prática que utiliza o cavalo como instrumento terapêutico dentro de uma abordagem multidisciplinar nas áreas de educação, equitação e saúde, de acordo com a Associação Nacional de Equoterapia ANDE-Brasil (Niehues & Niehues, 2014). Durante a montaria, a movimentação do cavalo gera estímulos muito semelhantes à marcha humana para o cavaleiro, estimulando assim a movimentação ativa por meio do passo do cavalo (Pierobon & Galetti, 2008). Naturalmente, o cavalo possui três andaduras fisiológicas que consistem no passo, trote e galope, sendo o passo a melhor andadura para a prática equoterapêutica (Silveira & Wibelinger, 2011). Com o cavalo ao passo, pode-se variar entre três andaduras: antepistar, sobrepistar e transpistar, a frequência está diretamente relacionada à velocidade e ao passo de cada andadura (Silva & Nabeiro, 2012). O estímulo transmitido pelo cavalo ao passo ao praticante é denominado movimento tridimensional, que é o resultado de uma série de movimentos sequenciados e simultâneos emitidos ao praticante (Clemente et al., 2010). Se traduz basicamente em movimento para cima e para baixo, para a direita e para a esquerda, para a frente e para trás e completado com uma pequena torção da pelve do cavaleiro (Silveira & Wibelinger, 2010). Em um atendimento de trinta minutos, o cavalo oferece ao praticante em torno de 1.800 a 2.500 ajustes tônicos, cerca de 90 a 110 impulsos nos três planos em apenas um minuto, estimulando assim o sistema proprioceptivo e os receptores do sistema vestibular, desenvolvendo com isso as reações de equilíbrio estático e dinâmico (Zago et al., 2012). Na equoterapia são enviados estímulos que influenciam no processamento sensório e motor, proporcionando uma significativa melhora no equilíbrio, coordenação e postura, gerando inúmeros estímulos ao sistema vestibular e proprioceptivo em virtude do constante deslocamento do centro gravitacional, dissociação de cinturas, mudanças nos campos visuais, estímulos táteis e olfativos (Barbosa & Munster, 2013). Sempre há o ajuste tônico do praticante na montaria, pois o cavalo nunca está totalmente estático, a troca de apoio das patas, o deslocamento da cabeça ao olhar para os lados, as flexões da coluna, o abaixar e alongar do pescoço, desencadeiam no praticante um ajuste no seu comportamento muscular, com o propósito de responder aos desequilíbrios provocados por esses movimentos (Liporoni & Oliveira, 2005). Um grande efeito terapêutico da equoterapia é oferecido pela dinâmica do ambiente, ao interagir com o cavalo o praticante recebe os estímulos gerados por ele e também pelo ambiente natural diferenciado da área urbana (Marcelino & Melo, 2006). O animal tem um efeito positivo por oferecer uma relação entre amigos, ou seja, horsemenship que significa relação entre cavalo e homem, os praticantes interagem com confiança e motivação, o que os levam a querer voltar na próxima sessão e montar (Meregillano, 2004). Na prática da Equoterapia, contamos com diversos equipamentos e acessórios para auxiliar e melhor explorar as capacidades do cavalo como recurso terapêutico, os equipamentos para montaria mais utilizados são a manta e a sela, estes podem ser modificados e adaptados com o objetivo principal de melhorar e favorecer a postura a ser trabalhada, auxiliando assim a readaptação e reabilitação do praticante, os acessórios mais utilizados são os estribos para dar apoio aos pés do praticante (Machado et al., 2008). O eletromiógrafo é um aparelho capaz de captar a atividade elétrica do músculo por
  3. 3. meio de eletrodos sobre a pele ou de forma intramuscular, com a utilização de agulhas ou fios fornece informações sobre a condução do potencial de ação ao longo das fibras musculares (Corrêa et al., 2008). Os músculos reto abdominal e paravertebral são responsáveis pela estabilização e função da coluna, promovem a estabilização e reorganização do tronco, beneficiando o equilíbrio, estabilização da postura, restabelecendo a desordem motora do paciente, obtendo uma melhor adequação postural (Sakakura et al., 2006). Portanto, este estudo tem como objetivo comparar as diferentes contrações musculares da musculatura paravertebral e reto abdominal proporcionadas pelo cavalo em montaria com o uso de sela e manta como encilhas. 2 MATERIAIS E MÉTODOS Estudo de delineamento tipo transversal, sendo a amostra escolhida por conveniência, no qual participaram cinco indivíduos de cor branca, com idade entre 20 e 25 anos, índice de massa corporal (IMC) entre 18,5 e 24,9, circunferência abdominal menor que 94 cm, experiência com cavalos e sem saber o real motivo da pesquisa. Todos os voluntários não portavam nenhum tipo de instabilidade da coluna vertebral, luxação de quadril e ombro, alterações neuromusculares e posturais severas, não adaptação à montaria, distúrbios emocionais, problemas auditivos, visuais e alergia ao pelo do animal, para que não houvesse nenhuma alteração do resultado do estudo. A pesquisa foi submetida ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Plataforma Brasil e aprovado sob número de protocolo 765.803 de 24 de agosto de 2014. Um termo de Consentimento Livre e Esclarecido foi assinado pelos participantes, conforme determina a Resolução n° 196/96 do Conselho Nacional de Saúde (CNS). O presente estudo foi realizado no Centro de Equoterapia da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), localizada no município de Pelotas, RS. Os animais escolhidos para a montaria foram seis cavalos, todos aptos ao trabalho equoterapêutico, de variados peso, altura, frequência de passo, andadura e raça indefinida. Foram utilizados para encilha (A): manta, xerga, cilhão, carona e estribo aberto. Na encilha (B): sela, xerga, cilhão, carona e estribo aberto. Utilizou-se para avaliação dos voluntários um questionário sócio demográfico confeccionado pelos autores do estudo. Para a realização da coleta dos dados, foi utilizado um eletromiógrafo modelo MIOTOOL 400 da marca MIOTEC® com dois canais bipolares, após, os dados foram transportados para o programa SAD32. Os músculos selecionados para análise foram os paravertebrais e reto abdominais, responsáveis pela manutenção da posição do tronco dos praticantes durante a montaria. Para aplicação dos eletrodos de superfície, foi realizada a tricotomia dos pêlos da região póstero-inferior do tronco e anterior do abdome através de lâmina de barbear e a limpeza da pele realizada através do esfregaço de algodão com álcool em cada indivíduo para uma melhor fixação. O posicionamento dos mesmos foi através da palpação dos músculos paravertebrais e reto abdominais, de acordo com os protocolos da SENIAM (Surface EMG for the Nom- Invasive Assessment of Muscles), sendo o eletrodo de referência posicionado na clavícula. Os cavalos foram encilhados primeiramente com a encilha (A), percorreram um trajeto de 120 m, no qual foi analisado o sinal eletromiográfico quando o animal chegou à linha do percurso, de 70 m até 80 m, que foram demarcados com cones e posteriormente foi utilizada a encilha (B) com o cavalo percorrendo o mesmo trajeto. O mesmo procedimento foi realizado com o restante dos cavalos. Todos os participantes selecionados para o estudo realizaram a montaria com a encilha (A) e (B) nos seis cavalos. Cada voluntário recebeu orientações de montar no meio da sela ou manta sobre o músculo grande dorsal do animal, sentado sobre os ísquios, com o corpo ereto e não tenso, por este motivo os indivíduos não deveriam saber o real motivo do estudo para não haver nenhuma alteração nestes dados. O indivíduo durante a montaria esteve com os pés nos estribos com flexão de 120º de joelho, que foi verificado através de goniometria. Cada indivíduo se
  4. 4. sustentou sozinho na montaria, sendo acompanhado bilateralmente por dois pesquisadores responsáveis a fim de evitar quaisquer intercorrências e encarregados na condução do eletromiógrafo e do computador portátil. O cavalo foi guiado por um auxiliar guia apto ao trabalho equoterapêutico. Para o armazenamento dos dados foi utilizado um microcomputador portátil, houve uma conversão do sinal analógico para o sinal digital e os mesmos foram gravados no software Miograph. Para limpeza dos ruídos captados na coleta dos dados, a filtragem digital do sinal foi realizada através do tipo Passa-Banda, com frequência de corte entre 20 e 500 Hz e para a análise estatística foi realizado o teste t de student. 3 RESULTADOS E DISCUSSÕES A amostra da pesquisa foi composta por cinco indivíduos do sexo masculino, cor branca, com média de idade de 23,2 anos (22-25), altura média de 1,74 m, média de peso 71,8 Kg e média de IMC 23,64 Kg/m². Todos os indivíduos não possuíam nenhuma alteração neuromuscular. Através dos dados obtidos, podemos observar que houve maior ativação da musculatura paravertebral com o uso da sela equiparado ao uso da manta em todos os cavalos, com exceção do cavalo dois, sendo a média de ativação final descrita em milivolt (mV). No cavalo um obteve-se 2205,1 mV contrações com o uso da sela e 1966,1 mV contrações com o uso da manta. No cavalo três o resultado foi de 1520,3 mV com a utilização da sela e 1316,4 mV com o uso da manta. No cavalo quatro obteve-se com a utilização da sela o valor de 1845,28 mV e com a manta o valor de 1654,04 mV. No cavalo cinco, houve uma maior ativação da musculatura com a utilização da sela de 857,08 mV e 770,1 mV com o uso da manta. No cavalo seis obteve-se o mesmo resultado, uma maior ativação da musculatura com o uso da sela 2091,46 mV em relação à manta de 1850 mV. Diferentemente dos dados encontrados nos demais cavalos, o cavalo dois obteve uma maior ativação com o emprego da manta como encilha, sendo seu valor de 929,6 mV em comparação a sela que ativou 903,2 mV desta musculatura. Nos dados obtidos com a análise da musculatura reto abdominal, houve uma maior ativação em todos os cavalos com a utilização da sela como encilha comparado ao uso manta, sendo seus valores médios no cavalo 1 equivalentes a 420,3 mV com a utilização da sela e 348,6 mV com a utilização da manta. No cavalo dois os resultados foram de 87,24 mV com o uso da sela e 59,44 mV com o uso da manta. No cavalo três verificou-se 267,24 mV ativações musculares com a utilização da sela e 219,7 mV com o uso da manta. No cavalo quatro os resultados foram de 323,3 mV com o uso da sela e 196,94 mV com o uso da manta. Com o cavalo cinco obteve-se o resultado de 102,74 mV com a utilização da sela e 97,26 mV com a utilização da manta. Por fim, no cavalo 6 verificou-se a ativação da musculatura reto abdominal com a sela de 313,9 mV e 289,22 mV com a manta como encilha. Resultados mostrados no gráficos 1 e 2. Gráfico 1: contração da musculatura paravertebral em sela e manta Gráfico 2: contração da musculatura retoabdominal em sela e manta De acordo com os resultados obtidos, houve um maior recrutamento de unidades
  5. 5. motoras da musculatura paravertebral e reto abdominal com a utilização da sela equiparado ao uso da manta como encilha, ambas analisadas com os voluntários com os pés no estribo a 120º de flexão de joelho. Para análise estatística foi realizado o teste t de student para as amostras pareadas e houve diferença estatisticamente significativa na contração de ambos os músculos nos dois tipos de montarias. A média de contração é maior na sela do que na manta para ambos os músculos, sendo o paravertebral – p=0,002 e o reto abdominal – p=0,01, conforme tabela 1. Tabela 1: média das contrações em paravertebral e retoabdominal em sela e manta Ao contrário de todos os outros, o cavalo dois apresentou uma pequena alteração no recrutamento de unidades motoras da musculatura paravertebral com a utilização da manta como encilha, mostrado no gráfico 1. Com relação à análise das musculaturas, houve uma maior ativação da musculatura paravertebral em relação à musculatura reto abdominal em todos os cavalos e em ambas as encilhas. Utilizando a sela como encilha, observou-se uma média resultante de ativação das unidades motoras de 1570,4 mV para a musculatura paravertebral e 252,5 mV para a musculatura reto abdominal. Já com o uso da manta houve uma ativação média de 1414,4 mV para a musculatura paravertebral e 201,9 mV para a musculatura reto abdominal, conforme mostra a tabela 1. Acredita-se que o tipo de encilha utilizada durante a montaria interfira nos estímulos proporcionados pelo animal ao praticante. Sendo assim, esta pesquisa buscou comparar o recrutamento de unidades motoras da musculatura paravertebral e reto abdominal utilizando-se a manta e a sela como encilhas. Para o presente estudo, foram escolhidos apenas indivíduos saudáveis com o intuito de excluir possíveis interferências sobre a atividade neuromuscular provocada por alterações de tônus, força muscular ou equilíbrio. Assim, analisando uma amostra homogênea, diminuindo o viés dos resultados obtidos através da eletromiografia de superfície, obtendo-se um importante parâmetro de normalidade para as situações avaliadas. Os voluntários não foram informados o real motivo do estudo e deveriam ter experiência com cavalos, pois segundo Pierobon (2008) é de suma importância que os praticantes procurem sustentar a flexibilidade da cintura pélvica, em razão ao movimento tridimensional proporcionado pelo animal, o praticante tende a adquirir uma postura rígida, devido à falta de experiência ou medo, não recebendo os estímulos esperados da montaria, devendo o praticante acompanhar o movimento do balanço do animal com o corpo relaxado, a fim de receber as informações proprioceptivas. No trabalho realizado por Corrêa (2008), objetivou-se uma avaliação sobre a utilização dos estribos, da manta e da sela na hipoterapia, com uma amostra de 17 sujeitos do sexo masculino com idades entre 9 e 13 anos mostrando que existe um maior recrutamento dos músculos anteriores e posteriores do tronco sobre a manta do que sobre a sela, independentemente do posicionamento do sujeito. Diverge deste estudo, pois de acordo com os resultados, houve um maior recrutamento das unidades motoras das musculaturas paravertebral e reto abdominal com a utilização da sela como encilha. Pressupõe-se que a amostra do estudo possa interferir nos resultados, a qual diferiu uma da outra quanto a idade dos voluntários, sendo a deste estudo composta por indivíduos com idade entre 22 e 25 anos, em ambas foram utilizados sujeitos saudáveis. Ao analisar a utilização dos estribos, tanto na manta quanto na sela, Corrêa (2008) verificou que a única situação em que não houve diferença estatisticamente significante entre a montaria com e sem estribos foi para o reto abdominal quando o sujeito esteve sentado sobre a manta, no restante observou-se diferença que sugere uma influência do uso dos estribos sobre o recrutamento muscular. Neste estudo observou-se o resultado de p= 0,002 para a musculatura paravertebral e p= 0,01 para a musculatura reto abdominal, sendo esses valores
  6. 6. estatisticamente significativos para ambas as musculaturas nas duas encilhas. Analisando a resultante de Corrêa (2008), quanto à utilização da sela na montaria considerando o estribo, em relação à musculatura reto abdominal, houve uma maior ativação com a utilização da sela sem os pés no estribo e a musculatura paravertebral uma maior ativação com a utilização da sela com os pés no estribo, concordado com esta pesquisa apenas em comparação a musculatura paravertebral, em contrapartida não analisamos a relevância da utilização nas montarias do pé fora do estribo, e sim com os pés no estribo. Ainda de acordo com Corrêa (2008), na análise da utilização da manta como encilha considerando os estribos, em relação à musculatura reto abdominal houve uma maior ativação com a utilização da manta sem os pés no estribo e a paravertebral ativou mais com a utilização da manta com os pés no estribo, aquiescendo com este estudo, na análise do uso da manta com estribo, houve um maior recrutamento da musculatura paravertebral em relação à musculatura reto abdominal. No estudo de Corrêa (2008), analisando as musculaturas paravertebral e reto abdominal, em ambas as encilhas a musculatura paravertebral obteve um maior recrutamento de unidades motoras, concordando com este estudo, no qual obteve-se um maior recrutamento da mesma musculatura. Segundo Espíndula (2012), o melhor material de montaria para o recrutamento da musculatura do tronco em pacientes com hemiparesia espástica é o uso da sela com apoio dos pés nos estribos, garantindo uma ativação muscular mais homogênea e um ganho ao final da sessão. Sua amostra foi composta por três indivíduos com idades de 13, 17 e 23 anos e com diagnóstico clínico de paralisia cerebral. Os músculos multífidos e reto abdominal apresentaram grande variabilidade na condição sem apoio dos pés, destacando-se também a alta atividade do músculo paravertebral, concordando com este estudo, no qual obteve-se um maior recrutamento da musculatura paravertebral em relação ao reto abdominal em todas as situações e um recrutamento de unidades motoras maior com a utilização da sela como encilha, diferindo na amostra, na qual não utilizamos indivíduos com alguma patologia e sim saudáveis. Nas condições em que a manta foi utilizada, obteve-se uma maior ativação muscular na região cervical (trapézio fibras superiores), que mostra a possível sobrecarga nessa região não contribuindo para a estabilização do tronco e podendo aumentar a assimetria postural dos pacientes com paralisia cerebral (Espíndula et al., 2012). Neste trabalho quando se buscou a ativação com a manta, obteve-se um maior recrutamento da musculatura paravertebral do indivíduo para se manter sobre o cavalo. Na pesquisa realizada por Espíndula (2014), quanto ao tipo de material usado na sessão de equoterapia em pacientes portadores de síndrome de Down, o uso da manta como encilha gerou maior atividade muscular, associado ao praticante com os pés fora do estribo, promovendo uma melhor otimização do tônus dos indivíduos analisados. Este trabalho difere-se por uma maior ativação muscular paravertebral e reto abdominal com a utilização da sela com os pés no estribo, podendo esse resultado se dar em relação à amostra, sendo esta constituída de cinco indivíduos adultos e saudáveis e a de Espíndula (2014) constituída de 5 meninos portadores de Síndrome de Down com idades entre 7 e 16 anos. O estudo demonstrou que houve recrutamento de todos os músculos analisados, sendo eles trapézio/fibras superiores, eretor da espinha, multífido e reto abdominal. Utilizando o teste estatístico Kruskal-Wallis p≤0,05 obtiveram o valor, representado em root meansquare (RMS), para a análise da utilização de manta com os pés nos estribos 17,48 RMS (μV), manta sem os pés no estribo 23,59 RMS (μV), sela com os pés nos estribos 17,23 RMS (μV) e sela sem os pés nos estribos 13,93 RMS (μV) (Espíndula et al.,2014). Diferentemente desta pesquisa, na qual os resultados foram analisados em milivolt (mV), como mostra o gráficos 1 e 2. Na análise do uso da manta como encilha, também obteve-se maior recrutamento muscular paravertebral em relação à musculatura reto abdominal, indiferente da utilização dos pés no estribo ou fora do estribo. A escolha dos músculos paravertebral e reto abdominal foi em razão de serem músculos envolvidos no controle do tronco durante a
  7. 7. montaria. Segundo Santos (2006), comparando a ativação dos paravertebrais através de eletromiografia de superfície em nove indivíduos do sexo feminino, em posição ortostática e sedestação sobre o dorso do cavalo, analisaram que não houve estatística significativa nestas comparações, sugerindo que o esforço muscular necessário para a manutenção de ambas as posturas é semelhante, justificando a escolha destas musculaturas para análise nesta pesquisa. Conforme Corrêa (2008), ocorre um maior acionamento dos músculos paravertebrais ao apoiar os pés sobre os estribos, isso se deve em decorrência desta musculatura auxiliar o posicionamento da pelve em retroversão, levando a um aumento da flexão de quadril na tentativa de restaurar o padrão pélvico e retorná- lo a posição neutra, justificando seu maior recrutamento em todas as pesquisas em relação à musculatura reto abdominal. O inverso ocorre quando se utiliza os pés fora do estribo, onde o praticante tende a ficar com a pelve em anteroversão, com o quadril em menor flexão, próximo à posição neutra, e na tentativa de retorná-la ao padrão pélvico, há um maior acionamento dos músculos reto abdominal (Corrêa et al., 2008). Tal resultado é importante, assim como o das pesquisas supracitadas, para se direcionar a conduta equoterapêutica em relação a musculatura que se pretende ativar mais. 4 CONCLUSÕES Diante dos resultados obtidos, conclui-se que houve um maior recrutamento de unidades motoras da musculatura paravertebral e reto abdominal com a utilização da sela em relação a manta como material de encilha. O estudo sobre a melhor forma de utilização das encilhas deve ser uma busca constante, por se tratar de materiais que tem grande influência sobre a terapia. Recomenda-se que sejam realizados novos estudos científicos que levem em consideração a encilha a ser utilizada na equoterapia, com o intuito de oferecer aos seus praticantes um tratamento ainda mais eficaz. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARBOSA, G. O., MUNSTER M. A. V., Influência da Equoterapia no Desenvolvimento Psicomotor de Pessoas Necessidades Especiais, Revista Educação Especial, Santa Maria, v.26, n.46, p.451-464, 2013. CLEMENTE, P. M., SANTOS, L. P., CHAVES, A. C. X., FÁVERO, F. M., FONTES, S. V., CAMPOS, M. F., OLIVEIRA, A. S. B. A Equoterapia na Distrofia Muscular de Duchenne: Avaliação da Função, Equilíbrio e Qualidade de Vida, Rev Neurocienc, 18(4): p. 479-484, 2010. CORRÊA, P. F. L., MORAIS, K., L., MACHADO, G., M., W., LOUZA, C., M., GERVÁSIO, F., M., BATISTA, D., A., PAIVA, S., H., A., Comparação da Atividade Eletromiográfica dos Músculos que Sustentam o Tronco Entre a Montaria Sobre a Cela e Sobre a Manta, e a Análise da Utilização dos Estribos, In: CONGRESSO BRASILEIRO DE EQUOTERAPIA, 4, e CONGRESSO LATINO- AMERICANO DE EQUOTERAPIA, 1, 2008, Curitiba. Brasília: ANDE BRASIL, 2008, p. 74- 81. ESPÍNDULA, A. P., SIMÕES, M., ASSIS, A., I., S., FERNANDES, M., FERREIRA, A., A., FERRAZ, F., P., CUNHA, C., I., FERRAZ, F., M., L., SOUZA, P., S., L., A., TEIXEIRA, A., V., P., Análise Eletromiográfica Durante Sessões de Equoterapia em Praticantes com Paralisia Cerebral, ConScientiae Saúde, São Paulo, vol. 11, núm. 4, p. 668-676, 2012. ESPÍNDULA, A. P., SIMÕES, M., ASSIS, A., I., S., FERNANDES, M., FERREIRA, A., A., FERRAZ, F., P., CUNHA, C., I., FERRAZ, F., M., L., SOUZA, P., S., L., A., BEVILACQUA JUNIOR, D., E., TEIXEIRA, A., V., Material de Montaria para Equoterapia em Indivíduos com Síndrome de Down: Estudo Eletromiográfico, ConScientiae Saúde, São Paulo, vol. 13, núm. 3, p. 349-356, 2014. LIPORONI, G. F., OLIVEIRA, A. P. R. Equoterapia como Tratamento Alternativo para Pacientes com Sequelas Neurológicas, Revista Científica da Universidade de Franca, vol. 5, núm. 1/6, p. 21-29, 2005.
  8. 8. meio de eletrodos sobre a pele ou de forma intramuscular, com a utilização de agulhas ou fios fornece informações sobre a condução do potencial de ação ao longo das fibras musculares (Corrêa et al., 2008). Os músculos reto abdominal e paravertebral são responsáveis pela estabilização e função da coluna, promovem a estabilização e reorganização do tronco, beneficiando o equilíbrio, estabilização da postura, restabelecendo a desordem motora do paciente, obtendo uma melhor adequação postural (Sakakura et al., 2006). Portanto, este estudo tem como objetivo comparar as diferentes contrações musculares da musculatura paravertebral e reto abdominal proporcionadas pelo cavalo em montaria com o uso de sela e manta como encilhas. 2 MATERIAIS E MÉTODOS Estudo de delineamento tipo transversal, sendo a amostra escolhida por conveniência, no qual participaram cinco indivíduos de cor branca, com idade entre 20 e 25 anos, índice de massa corporal (IMC) entre 18,5 e 24,9, circunferência abdominal menor que 94 cm, experiência com cavalos e sem saber o real motivo da pesquisa. Todos os voluntários não portavam nenhum tipo de instabilidade da coluna vertebral, luxação de quadril e ombro, alterações neuromusculares e posturais severas, não adaptação à montaria, distúrbios emocionais, problemas auditivos, visuais e alergia ao pelo do animal, para que não houvesse nenhuma alteração do resultado do estudo. A pesquisa foi submetida ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Plataforma Brasil e aprovado sob número de protocolo 765.803 de 24 de agosto de 2014. Um termo de Consentimento Livre e Esclarecido foi assinado pelos participantes, conforme determina a Resolução n° 196/96 do Conselho Nacional de Saúde (CNS). O presente estudo foi realizado no Centro de Equoterapia da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), localizada no município de Pelotas, RS. Os animais escolhidos para a montaria foram seis cavalos, todos aptos ao trabalho equoterapêutico, de variados peso, altura, frequência de passo, andadura e raça indefinida. Foram utilizados para encilha (A): manta, xerga, cilhão, carona e estribo aberto. Na encilha (B): sela, xerga, cilhão, carona e estribo aberto. Utilizou-se para avaliação dos voluntários um questionário sócio demográfico confeccionado pelos autores do estudo. Para a realização da coleta dos dados, foi utilizado um eletromiógrafo modelo MIOTOOL 400 da marca MIOTEC® com dois canais bipolares, após, os dados foram transportados para o programa SAD32. Os músculos selecionados para análise foram os paravertebrais e reto abdominais, responsáveis pela manutenção da posição do tronco dos praticantes durante a montaria. Para aplicação dos eletrodos de superfície, foi realizada a tricotomia dos pêlos da região póstero-inferior do tronco e anterior do abdome através de lâmina de barbear e a limpeza da pele realizada através do esfregaço de algodão com álcool em cada indivíduo para uma melhor fixação. O posicionamento dos mesmos foi através da palpação dos músculos paravertebrais e reto abdominais, de acordo com os protocolos da SENIAM (Surface EMG for the Nom- Invasive Assessment of Muscles), sendo o eletrodo de referência posicionado na clavícula. Os cavalos foram encilhados primeiramente com a encilha (A), percorreram um trajeto de 120 m, no qual foi analisado o sinal eletromiográfico quando o animal chegou à linha do percurso, de 70 m até 80 m, que foram demarcados com cones e posteriormente foi utilizada a encilha (B) com o cavalo percorrendo o mesmo trajeto. O mesmo procedimento foi realizado com o restante dos cavalos. Todos os participantes selecionados para o estudo realizaram a montaria com a encilha (A) e (B) nos seis cavalos. Cada voluntário recebeu orientações de montar no meio da sela ou manta sobre o músculo grande dorsal do animal, sentado sobre os ísquios, com o corpo ereto e não tenso, por este motivo os indivíduos não deveriam saber o real motivo do estudo para não haver nenhuma alteração nestes dados. O indivíduo durante a montaria esteve com os pés nos estribos com flexão de 120º de joelho, que foi verificado através de goniometria. Cada indivíduo se

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