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REVISTA DE BIOLOGIA E CIÊNCIAS DA TERRA ISSN 1519-5228
Volume 16 - Número 1 - 1º Semestre 2016
ENFERMAGEM NA PREVENÇÃO E CONTROLE DA INFECÇÃO HOSPITALAR COM
FOCO NAS UNIDADES DE TERAPIA INTENSIVA
Nayana Pereira Oliveira1
; Fabio Rodrigues Trindade2
; Anapaula Martins Mendes3
; Vera Xavier Romeiro4
;
Rubens Alex de Oliveira Menezes5
; Flávio Henrique Ferreira Barbosa6
RESUMO
A infecção hospitalar no Brasil constitui-se um problema de saúde pública, que necessita de medidas de
controle e prevenção constantes. O Ministério da Saúde atua desenvolvendo normas e medidas específicas
para a prevenção e controle da infecção hospitalar em todas as unidades hospitalares. Nas Unidades de
Terapia (UTI), os pacientes estão mais vulneráveis a adquirir infeções hospitalares, esta situação está
vinculada ao processo de adoecimento do paciente, geralmente mais grave com imunidade comprometida e a
realização de procedimentos que contribuem para a exposição dos mesmos a esses riscos. O estudo trata de
uma análise descritiva da situação da atuação frente a infecção hospitalar no ambiente das UTIs a partir de
uma revisão bibliográfica. A enfermagem busca preparo constante para melhor assistir pacientes críticos,
diminuindo os riscos de contaminação para si e para o paciente. Portanto, dificuldades em realizar
procedimentos mínimos, como a lavagem das mãos, têm sido deixados de lado e muitas vezes esquecidos
pelos profissionais. Esta dificuldade não deve constituir como fator impeditivo na atuação da enfermagem,
mas sim sinal de que são necessárias atividades que visem incentivar sua realização e as ações de educação
permanente dentro do ambiente de trabalho, buscando solução para o reestabelecimento destas ações e
sensibilização da equipe de saúde.
Palavras-chaves: Enfermagem, Infecção Hospitalar, Serviços de Controle de Infecção Hospitalar.
NURSING IN THE PREVENTION AND INFECTION CONTROL HOSPITAL WITH
FOCUS ON INTENSIVE CARE UNITS
ABSTRACT
Hospital infection in Brazil constitutes a public health problem, which needs constant control and prevention
measures. The Ministry of Health operates developing specific standards and measures for the prevention
and control of hospital infection in all hospitals. In Care Units (ICU) patients are more vulnerable to
acquiring hospital infections, this situation is linked to the disease process of the patient, usually more severe
with compromised immunity and performing procedures that contribute to their exposure to the risks these.
The study is a descriptive analysis of the performance situation against nosocomial infection in ICUs of the
environment from a literature review. Nursing constant search for better preparation watch critically ill
patients, reducing the risk of contamination for you and the patient. Therefore, difficulty achieving minimum
procedures such as hand washing have been left out and often overlooked by professionals. This difficulty
should not be as impediment in nursing activities, but sign that activities are needed that boost their
achievement and permanent education actions within the work environment, seeking solution for the re-
establishment of these actions and awareness of team health.
Keywords: Nursing, Hospital Infection, Hospital Infection Control Services.
36
INTRODUÇÃO
As novas descobertas científicas e
tecnológicas na área da saúde geram
conhecimentos modificadores e exigem
aperfeiçoamento de equipamentos e recursos
humanos. A infecção hospitalar é vista como
um desafio constante para os profissionais de
enfermagem que gera amplas discussões na
execução de suas práticas.
De acordo com Lima, Andrade e Haas
(2007) no Brasil, os dados sobre infecção
hospitalar são pouco divulgados. Além disso,
esses dados não são consolidados por muitos
hospitais, o que dificulta o conhecimento da
dimensão do problema no país.
Medidas de controle e prevenção da
infecção são implementadas e renovadas
constantemente no Brasil, que ao longo dos
anos, convive com esse problema nos hospitais.
O Ministério da Saúde atua instituindo normas e
medidas específicas para controle da infecção
hospitalar nas unidades de internações dos
hospitais públicos e privados institui o
Programa Nacional de Controle de Infecção que
descentraliza suas ações aos Serviços de
Controle de Infecção Hospitalar (SCIH).
Partindo da análise da situação no país
que referenciou as infecções hospitalares como
problema, não apenas hospitalar, mas de saúde
pública, considerando a ampla abrangência dos
problemas gerados quando da ocorrência desta
situação.
A infecção hospitalar provoca prejuízos
para o paciente, considerando sua maior
permanência hospitalizado como para o estado
que ao invés de reverter recursos para o
tratamento de outros pacientes, deixa de atender
novos casos e acaba por agregar mais gastos
com aqueles acometidos por infecção hospitalar
(ANDRADE; LEOPOLDO; HAAS, 2006).
O Ministério da Saúde, na Portaria nº
2.616 de 12/05/1998, define Infecção Hospitalar
como infecção adquirida, após a admissão do
paciente na unidade hospitalar e que se
manifesta durante a internação ou após a alta,
quando puder ser relacionada com a internação
ou procedimentos hospitalares.
Alguns Estados brasileiros propuseram a
criação de Comissões Estaduais de Controle de
Infecção Hospitalar e os serviços são melhor
direcionados pelos Serviços ou Comissões de
Controle de Infecção Hospitalar. Estas ações
visam reduzir a incidência e a gravidade de
casos de infecção hospitalar. Apesar de o
número de leitos de Unidade de Terapia
Intensiva representarem, geralmente, cerca de 5
a 10% dos leitos de um hospital, estima-se que
nesse setor ocorram aproximadamente 25% de
todas as infecções (LEISER; TOGNIM;
BEDENDO, 2007).
Pacientes de Unidades de Terapia
Intensiva estão sujeitos a maiores riscos de
infecções, devido a sua ampla vulnerabilidade
às infecções em relação aos pacientes de outras
unidades hospitalares.
Além disso, passam frequentemente por
procedimentos e rotinas que contribuem para
sua exposição a esse risco: cirurgias complexas,
procedimentos invasivos, drogas
imunossupressoras e medicamentos
antimicrobianos, assim como, a gravidade da
doença ou agravo, fatores nutricionais, faixa
etária e tempo de internação, também
contribuem para a ocorrência da infecção
hospitalar.
A equipe multiprofissional, em particular
a enfermagem, que cuida diretamente dos
pacientes na Unidade de Terapia Intensiva,
busca preparo constante para dar assistência aos
pacientes críticos. A enfermagem preocupa-se
em aperfeiçoar-se através de especializações na
área de terapia intensiva e cursos de capacitação
e qualificações para que boas práticas
assistenciais ocorram, seguindo medidas de
controle e prevenção de infecção, assim como,
adotando as técnicas preconizadas tendo em
vista a qualidade da assistência prestada ao
paciente procurando evitar as infecções
hospitalares.
Segundo Pereira et al (2005) na prática,
o que observamos é que os enfermeiros
reconhecem os desafios e sofrem o impacto
decorrente das dificuldades encontradas para o
controle das infecções. Entretanto, essas
dificuldades não devem constituir-se em fatores
impeditivos, mas sim disparadores na busca de
caminhos alternativos que avancem na
perspectiva do controle das infecções.
Esse estudo tem como objetivo levantar
informações através da literatura em estudo,
conhecimentos e cuidados de enfermagem na
prevenção e controle da Infecção hospitalar na
Unidade de Terapia Intensiva compilando esses
cuidados e buscando a relevância da atuação da
enfermagem para a melhoria da assistência
prestada ao paciente.
Descrever como este processo vem
sendo desenvolvido e observado pelos
pesquisadores, entre os anos de 2003 e 2010, foi
também objetivo deste trabalho, enriquecendo o
conhecimento na área do controle de infecção;
propiciando compreensão sobre a situação
encontrada e, ainda, contribuir com informações
que instrumentalizem gestores e profissionais,
facilitando a construção do planejamento
direcionado e da avaliação fundamentada em
situações já instaladas.
METODOLOGIA
Para reunir as informações necessárias
para a análise foi desenvolvida uma revisão da
literatura nacional, utilizando documentos
disponíveis nas bases de dados da Biblioteca
Virtual em Saúde; os descritores utilizados
foram: enfermagem, infecção hospitalar,
controle e prevenção hospitalar no período de
2003 a 2010.
Foram encontradas 81 publicações, 10
destes foram selecionados para a análise,
considerando tratarem-se diretamente da
temática a ser abordada: infecção hospitalar na
Unidade de Terapia Intensiva considerando que
os demais artigos faziam referência a outras
áreas hospitalares. A análise foi descritiva.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
De acordo com a literatura a infecção
hospitalar (IH) é considerada um importante
problema de saúde pública, com grande impacto
na morbimortalidade, tempo de internação e
gastos com procedimentos diagnósticos e
terapêuticos.
Acrescenta-se a isso as repercussões para
o paciente, sua família e a comunidade, tal
como o afastamento da vida social e do
trabalho, com consequente comprometimento
psicológico, social e econômico (OLIVEIRA;
CARDOSO; MASCARENHAS, 2010).
Segundo Moura et al (2008) no Brasil,
verifica-se que a maioria dos programas do
Governo Federal, não determina mudanças de
atitude frente à problemática da IH quanto ao
comportamento dos profissionais, pois supõe
que os indivíduos que participam desses, sejam
passivos e não detenham saberes e valores
prévios que conduzam suas ações.
O que não parece ir de encontro com a
realidade dos profissionais de Enfermagem que,
incluem em seu processo de formação estas
práticas e se não a adotam isto, na realidade,
pode estar vinculado a situação de
comprometimento individual e situações ainda
mais abrangentes que poderiam gerar discussões
conflituosas como, por exemplo, as condições
de trabalho às quais são inseridos estes
profissionais, incluindo os espaços e suas cargas
horárias.
Pensando neste aspecto, Moura et al
(2008) refere que a problemática relacionada ao
processo de infecção hospitalar vem sendo
discutida por autoridades e profissionais de
saúde em diferentes países.
Discussões estas motivadas pelas
condições de atendimento hospitalar precário,
especialmente, de urgência e emergência, em
que os clientes são recebidos em macas
contaminadas por secreções, e até mesmo por
sangue, sem uma desinfecção prévia no ato da
admissão, encontrando-se expostos às infecções,
principalmente, através das feridas abertas
(MOURA et al., 2008).
A importância atribuída ao trabalho
exercido pela Comissão de Controle de Infecção
Hospitalar (CCIH) dentro das instituições
hospitalares ainda não foi totalmente percebida
por parte dos gestores e equipe multidisciplinar
(ALVES; ÉVORA, 2002).
De acordo com Turrini, (2010),
reconhecidamente, o hospital é um importante
reservatório de agentes patogênicos que
possibilitam o risco à infecção. No entanto, a
não ser no caso das afecções de transmissão
respiratória, a forma de transmissão dos
microrganismos geralmente se dá por contato
direto de paciente para paciente, através das
mãos dos profissionais da saúde e por meio de
um veículo inanimado contaminado. A
proximidade dos pacientes já infectados à
admissão facilitaria este processo.
Segundo Carvalho et al (2009) o uso de
jalecos se tornou uma prática obrigatória, com a
finalidade de proteção dos profissionais durante
a realização de procedimentos a pacientes, que
envolvam material biológico, no entanto sua
utilização indevida (como uso fora do ambiente
de trabalho) pode causar sérias consequências
para a saúde pública.
Este instrumento tem sua função de
proteção individual, mas também, pode
funcionar como “veículo” de transmissão de
infecções para, inclusive outros espaços extra-
hospitalares e de forma inversa de transportar
agentes infeciosos dos espaços externos para o
interior das UTIs, por exemplo, acarretando
riscos ainda maiores aos pacientes ali instalados.
Prática esta que, assim como a lavagem das
mãos, depende do comprometimento,
conhecimento e da prática individual ou da
equipe de enfermagem local.
Bactérias multirresistentes, que podem
provocar doenças como faringites, otites,
pneumonia, tuberculose e até mesmo a morte,
são carregadas para lugares públicos e retornam
das ruas para consultórios médicos,
odontológicos, enfermarias e salas de cirurgia
nos jalecos dos mais diversos profissionais de
saúde (CARVALHO et al., 2009).
Segundo Lima et al (2007) em termos de
infecção hospitalar a problemática é mais séria
na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Neste
ambiente o paciente está mais exposto ao risco
de infecção, haja vista sua condição clínica e a
variedade de procedimentos invasivos
rotineiramente realizados.
É destacado que na UTI os pacientes têm
de 5 a 10 vezes mais probabilidades de contrair
infecção e que esta pode representar cerca de
20% do total das infecções de um hospital. Os
avanços tecnológicos relacionados aos
procedimentos invasivos, diagnósticos e
terapêuticos, e o aparecimento de
microrganismos multirresistentes aos
antimicrobianos tornaram as infecções em UTI
um problema de saúde pública e um desafio aos
seus profissionais.
Ainda, segundo os autores, é de extrema
importância que cada instituição defina sua
situação em termos de microbiota hospitalar, a
ocorrência de infecção, bem como a
multirresistência e quais serão os critérios
utilizados para definir cepas multirresistentes
(LIMA et al., 2007).
Segundo Moura et al (2008) para os
enfermeiros, o uso indiscriminado de
antibióticos nos hospitais tem levado ao
aumento da resistência dos microrganismos.
Dessa forma antibióticos representam um item
de alto consumo em hospitais, em particular em
unidades de pacientes mais graves, como as
Unidades de Tratamento Intensivo.
A inadequação, o uso abusivo de
antibióticos e a falta de critérios na escolha do
tratamento empírico, configuram-se como
fatores determinantes para o surgimento de
diversos microrganismos resistentes em uma
UTI.
Sabendo-se que a disseminação de
microrganismo, seja por colonização e/ou
infecção dos pacientes, é favorecida pelas
características do CTI, dos pacientes nele
internados, somadas ao comportamento dos
profissionais, constata-se que medidas simples
de precaução padrão e contato podem reduzir,
ou mesmo evitar a disseminação dos
microrganismos (OLIVEIRA; CARDOSO;
MASCARENHAS, 2010).
De acordo com os profissionais, os fatores
“dificultadores” no processo de adesão à
higienização das mãos com água e sabão e à
fricção das mãos com álcool a 70% na prática
diária é, principalmente, o esquecimento,
seguido da falta de conhecimento da sua
importância, distância da pia, irritação da pele e,
ainda, falta de materiais (OLIVEIRA;
CARDOSO; MASCARENHAS, 2010).
Outro aspecto que interfere diretamente na
adesão à higiene das mãos vai além da
infraestrutura e extrapola a condição adequada
para a higienização das mãos, refere-se à
motivação e treinamento por meio de programas
permanentes de educação incluindo nas
discussões a definição de indicadores
epidemiológicos e retorno das taxas de infecção
hospitalar e de adesão a higiene das mãos e
outras práticas preventivas, para o
conhecimento e sensibilização da equipe
multiprofissional (OLIVEIRA; CARDOSO;
MASCARENHAS, 2010).
Embora um maior número de
profissionais tenha citado a higienização das
mãos como a conduta de maior facilidade a ser
adotada na prática, essa não foi a de maior
adesão, e, sim, o uso de luvas. Isso talvez possa
ser consequência da maior valorização do
profissional em relação à sua proteção e, talvez,
do desconhecimento da importância e eficácia
da higienização das mãos na prevenção da
disseminação de microrganismos (OLIVEIRA;
CARDOSO; MASCARENHAS, 2010).
As chances de infecção aumentam sempre
que há aglomeração de pessoas. Torna-se difícil
tentar seguir todas as técnicas assépticas para a
realização de um procedimento invasivo, se as
pessoas não se conscientizam da importância de
se prevenir as infecções hospitalares (TURRINI,
2010).
Conforme Moura et al (2007), acredita-se
que o esforço, a energia e o entusiasmo de
alguns profissionais, especialmente dos
membros que integram as CCIHs, não são
suficientes para a implantação efetiva, mesmo
que parcial do programa de prevenção e
controle da IH na maioria dos hospitais.
Dessa forma, como princípio da
prevenção deve-se atuar sobre as situações
problema e no contexto de nocividade. Essa
atuação deve ser em todos os níveis da
hierarquia da casualidade e não somente sobre a
exposição direta aos fatores de risco (LIMA;
ANDRADE; HAAS, 2007).
Conforme Turrini (2010) o treinamento
implica em mudanças de comportamento e isto
só ocorre se o indivíduo se sentir motivado. A
educação dos profissionais de saúde, portanto,
deve incluir desde a orientação na admissão até
a educação continuada no serviço.
Desde o princípio, deve-se sensibilizar e
reforçar a estes profissionais que, prestando uma
assistência adequada e seguindo as medidas de
controle de infecção, se estará contribuindo para
diminuir o risco de adquirir e / ou disseminar
infecções. É necessário ter-se presente que, se
não houver motivação nesse processo, não
ocorrerão mudanças concretas e permanentes
(TURRINI, 2010).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A Infecção Hospitalar, no Brasil, é um
problema de difícil controle, considerando
indicadores expressos por diversas Unidades
Hospitalares no país. A Comissão de Controle
de Infecção Hospitalar, desenvolve atividades
com o objetivo de diminuir os altos índices de
infecção nestes espaços.
Objetivando aperfeiçoar as práticas de
controle de infecção já existentes e lançam
novas práticas, a fim de, minimizar esta situação
nos hospitais, principalmente em Unidades de
Terapia Intensiva (UTI), considerando o amplo
atendimento a pacientes considerados graves e
com maior risco à exposição de processos
infecciosos.
Entendem-se, como fatores
predisponentes às infecções nos espaços das
UTIs as condições de saúde, na qual o paciente
se encontra no momento da internação neste
setor, além do uso indiscriminado de
antibióticos e práticas de assistência
inconsistentes de enfermagem prestadas aos
pacientes de UTIs.
A lavagem das mãos é uma prática
indispensável aos cuidados de enfermagem e
apesar de sua simplicidade é de difícil adesão
para os profissionais de saúde. As dificuldades
apontadas pelos profissionais são esquecimento
da higienização das mãos, desconhecimento da
sua importância, problemas com estrutura física
dos hospitais e problemas alérgicos que afetam
a equipe de saúde.
Os enfermeiros ocupam um espaço
considerável nas UTIs, sendo a equipe de
enfermagem dispõe do maior contingente de
profissionais diretamente ligados aos cuidados
prestados ao paciente, o que implica um maior
comprometimento assistencial e
proporcionalmente maior responsabilidade pelos
problemas relacionados ao processo de infecção
hospitalar ocasionados.
Os documentos analisados sugerem uma
certa deficiência na prática das atividades de
educação permanente, nos hospitais, voltadas
para a temática da infecção hospitalar. Para
sanar este déficit são necessários programas que
visem a intensificação e a continuidade destas
atividades, incluindo capacitações, qualificações
e especializações para que compreendam, de
maneira mais real e aproximada, a problemática
da situação.
Neste processo de sensibilização é
preciso que o profissional perceba
empaticamente a carga negativa direcionada ao
paciente em tratamento nas UTIs, enquanto de
alto risco às infecções hospitalares,
considerando o aumento de seu tempo de
internação, o elevado gasto com medicações e
materiais, e o sofrimento do paciente, de sua
família além dos custos sociais ocasionados
com a ocorrência de uma infecção hospitalar.
A infecção hospitalar é ocasionada por
uma sequência de “falhas”, seja na estrutura das
UTIs ou na educação e/ou atuação de alguns
profissionais, com destaque a equipe de
enfermagem, responsável pelo maior número de
procedimentos realizados em pacientes críticos
e seu acompanhamento.
Há existência de multifatores
predisponentes à infecção, podem caracterizar
situações de imprudência e mesmo de
negligência, colocando em risco a saúde e a vida
de pacientes. Desprezar ações que deveriam ser
cotidianas demonstra que existem problemas
inseridos no processo de cuidar daquela equipe
e predispõem a caracterização de
descompromisso com atividades que deveriam
ser priorizadas e de seu cotidiano.
A CCIH é o órgão responsável pela
supervisão e controle das infecções nos
hospitais no Brasil, mas sua atuação, pura e
simplesmente, não é suficiente para que ocorra a
diminuição desses índices, ela depende do
engajamento e comprometimento dos
profissionais envolvidos para que as ações de
prevenção realmente se efetivem. Para isso o
objetivo deve ser colocar em prática àquilo que
se propõe em discussões no processo de
educação continuada e que são indispensáveis
para redução dos índices de infecção.
O aperfeiçoamento dos profissionais de
enfermagem diante dos cuidados contribui para
regressão não apenas das infecções, mas
também minimizar problemas de gestão como o
uso de drogas terapêuticas e materiais utilizados
quando da efetivação da infecção hospitalar,
ação esta que está vinculada diretamente com o
aumento de custos não previstos à atenção a este
paciente.
Além de reduzir o tempo de internação e
em consequência amenizando o sofrimento do
paciente, de sua família, com reflexos em sua
vida comunitária, representa a obtenção da
diminuição dessas infecções. Vale ressaltar a
satisfação pessoal atingida pelo enfermeiro ao
prestar uma assistência consciente, consistente e
de qualidade, refletida na evolução positiva do
paciente.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALVES, Débora Cristina Ignácio. ÉVORA,
Yolanda Dora Martinez. Questões éticas
envolvidas na prática profissional de
enfermagem da comissão de controle de
infecção hospitalar. Rev latino-americana
enferm vol. 10 nº 3. Págs 265-75, maio/junho
2002.
ANDRADE, Denise. LEOPOLDO, Vanessa
Cristina. HAAS, Vanderlei José. Ocorrência de
bactérias multiresistentes em um centro de
Terapia Intensiva de Hospital brasileiro de
emergências. Rev. bras. ter. intensiva v.18 n.1
São Paulo jan./mar. 2006
CARVALHO, Carmem Milena Rodrigues
Siqueira. et al. Aspectos de Biossegurança
Relacionados ao Uso do Jaleco pelos
Profissionais de Saúde: Uma Revisão da
Literatura. Texto Contexto Enferm,
Florianópolis, 2009 Abr-Jun; 18(2): 355-60.
LEISER, Jacir Júlio. TOGNIM, Maria Cristina
Bronhono. BEDENDO, João. Infecções
Hospitalares Dentro de um Centro de
Terapia Intensiva de um Hospital de Ensino
no Norte do Paraná. Ciências do Cuidado de
Saúde. Vol. 6, nº 2. Págs 181-186. Abril/junho,
2007.
LIMA, Mery Ellen. ANDRADE, Denise.
HAAS, Vanderlei José. Avaliação Prospectiva
da Ocorrência de Infecção em Pacientes
Críticos de Unidade de Terapia Intensiva.
Revista Brasileira de Terapia Intensiva. Vol. 19,
nº 3. Págs. 342-347. Brasília, 2007.
MOURA, Maria Eliete Batista. et al. Infecção
hospitalar: estudo da prevalêcia em um
hospital público de ensino. Revista Brasileira
de Enfermagem. Vol 60, nº 4. Págs 416-421.
Brasília, jul/agosto 2007.
MOURA, Maria Eliete Batista Moura. et al.
Infecção hospitalar no olhar de enfermeiros
portugueses: representações sociais.
Enfermagem v.17 n.4 Florianópolis out./dez.
2008.
OLIVEIRA, Adriana Cristina. CARDOSO,
Clareci Silva. MASCARENHAS Daniele.
Precauções de contato em Unidade de
Terapia Intensiva: fatores facilitadores e
dificultadores para adesão dos profissionais.
Rev. esc. enferm. USP vol.44 n. 1 São Paulo
mar. 2010.
cuidados e buscando a relevância da atuação da
enfermagem para a melhoria da assistência
prestada ao paciente.
Descrever como este processo vem
sendo desenvolvido e observado pelos
pesquisadores, entre os anos de 2003 e 2010, foi
também objetivo deste trabalho, enriquecendo o
conhecimento na área do controle de infecção;
propiciando compreensão sobre a situação
encontrada e, ainda, contribuir com informações
que instrumentalizem gestores e profissionais,
facilitando a construção do planejamento
direcionado e da avaliação fundamentada em
situações já instaladas.
METODOLOGIA
Para reunir as informações necessárias
para a análise foi desenvolvida uma revisão da
literatura nacional, utilizando documentos
disponíveis nas bases de dados da Biblioteca
Virtual em Saúde; os descritores utilizados
foram: enfermagem, infecção hospitalar,
controle e prevenção hospitalar no período de
2003 a 2010.
Foram encontradas 81 publicações, 10
destes foram selecionados para a análise,
considerando tratarem-se diretamente da
temática a ser abordada: infecção hospitalar na
Unidade de Terapia Intensiva considerando que
os demais artigos faziam referência a outras
áreas hospitalares. A análise foi descritiva.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
De acordo com a literatura a infecção
hospitalar (IH) é considerada um importante
problema de saúde pública, com grande impacto
na morbimortalidade, tempo de internação e
gastos com procedimentos diagnósticos e
terapêuticos.
Acrescenta-se a isso as repercussões para
o paciente, sua família e a comunidade, tal
como o afastamento da vida social e do
trabalho, com consequente comprometimento
psicológico, social e econômico (OLIVEIRA;
CARDOSO; MASCARENHAS, 2010).
Segundo Moura et al (2008) no Brasil,
verifica-se que a maioria dos programas do
Governo Federal, não determina mudanças de
atitude frente à problemática da IH quanto ao
comportamento dos profissionais, pois supõe
que os indivíduos que participam desses, sejam
passivos e não detenham saberes e valores
prévios que conduzam suas ações.
O que não parece ir de encontro com a
realidade dos profissionais de Enfermagem que,
incluem em seu processo de formação estas
práticas e se não a adotam isto, na realidade,
pode estar vinculado a situação de
comprometimento individual e situações ainda
mais abrangentes que poderiam gerar discussões
conflituosas como, por exemplo, as condições
de trabalho às quais são inseridos estes
profissionais, incluindo os espaços e suas cargas
horárias.
Pensando neste aspecto, Moura et al
(2008) refere que a problemática relacionada ao
processo de infecção hospitalar vem sendo
discutida por autoridades e profissionais de
saúde em diferentes países.
Discussões estas motivadas pelas
condições de atendimento hospitalar precário,
especialmente, de urgência e emergência, em
que os clientes são recebidos em macas
contaminadas por secreções, e até mesmo por
sangue, sem uma desinfecção prévia no ato da
admissão, encontrando-se expostos às infecções,
principalmente, através das feridas abertas
(MOURA et al., 2008).
A importância atribuída ao trabalho
exercido pela Comissão de Controle de Infecção
Hospitalar (CCIH) dentro das instituições
hospitalares ainda não foi totalmente percebida
por parte dos gestores e equipe multidisciplinar
(ALVES; ÉVORA, 2002).
De acordo com Turrini, (2010),
reconhecidamente, o hospital é um importante
reservatório de agentes patogênicos que
possibilitam o risco à infecção. No entanto, a
não ser no caso das afecções de transmissão
respiratória, a forma de transmissão dos
microrganismos geralmente se dá por contato
direto de paciente para paciente, através das
mãos dos profissionais da saúde e por meio de
um veículo inanimado contaminado. A
proximidade dos pacientes já infectados à
admissão facilitaria este processo.
Segundo Carvalho et al (2009) o uso de
jalecos se tornou uma prática obrigatória, com a
finalidade de proteção dos profissionais durante
a realização de procedimentos a pacientes, que
envolvam material biológico, no entanto sua
utilização indevida (como uso fora do ambiente

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  • 1. REVISTA DE BIOLOGIA E CIÊNCIAS DA TERRA ISSN 1519-5228 Volume 16 - Número 1 - 1º Semestre 2016 ENFERMAGEM NA PREVENÇÃO E CONTROLE DA INFECÇÃO HOSPITALAR COM FOCO NAS UNIDADES DE TERAPIA INTENSIVA Nayana Pereira Oliveira1 ; Fabio Rodrigues Trindade2 ; Anapaula Martins Mendes3 ; Vera Xavier Romeiro4 ; Rubens Alex de Oliveira Menezes5 ; Flávio Henrique Ferreira Barbosa6 RESUMO A infecção hospitalar no Brasil constitui-se um problema de saúde pública, que necessita de medidas de controle e prevenção constantes. O Ministério da Saúde atua desenvolvendo normas e medidas específicas para a prevenção e controle da infecção hospitalar em todas as unidades hospitalares. Nas Unidades de Terapia (UTI), os pacientes estão mais vulneráveis a adquirir infeções hospitalares, esta situação está vinculada ao processo de adoecimento do paciente, geralmente mais grave com imunidade comprometida e a realização de procedimentos que contribuem para a exposição dos mesmos a esses riscos. O estudo trata de uma análise descritiva da situação da atuação frente a infecção hospitalar no ambiente das UTIs a partir de uma revisão bibliográfica. A enfermagem busca preparo constante para melhor assistir pacientes críticos, diminuindo os riscos de contaminação para si e para o paciente. Portanto, dificuldades em realizar procedimentos mínimos, como a lavagem das mãos, têm sido deixados de lado e muitas vezes esquecidos pelos profissionais. Esta dificuldade não deve constituir como fator impeditivo na atuação da enfermagem, mas sim sinal de que são necessárias atividades que visem incentivar sua realização e as ações de educação permanente dentro do ambiente de trabalho, buscando solução para o reestabelecimento destas ações e sensibilização da equipe de saúde. Palavras-chaves: Enfermagem, Infecção Hospitalar, Serviços de Controle de Infecção Hospitalar. NURSING IN THE PREVENTION AND INFECTION CONTROL HOSPITAL WITH FOCUS ON INTENSIVE CARE UNITS ABSTRACT Hospital infection in Brazil constitutes a public health problem, which needs constant control and prevention measures. The Ministry of Health operates developing specific standards and measures for the prevention and control of hospital infection in all hospitals. In Care Units (ICU) patients are more vulnerable to acquiring hospital infections, this situation is linked to the disease process of the patient, usually more severe with compromised immunity and performing procedures that contribute to their exposure to the risks these. The study is a descriptive analysis of the performance situation against nosocomial infection in ICUs of the environment from a literature review. Nursing constant search for better preparation watch critically ill patients, reducing the risk of contamination for you and the patient. Therefore, difficulty achieving minimum procedures such as hand washing have been left out and often overlooked by professionals. This difficulty should not be as impediment in nursing activities, but sign that activities are needed that boost their achievement and permanent education actions within the work environment, seeking solution for the re- establishment of these actions and awareness of team health. Keywords: Nursing, Hospital Infection, Hospital Infection Control Services. 36
  • 2. INTRODUÇÃO As novas descobertas científicas e tecnológicas na área da saúde geram conhecimentos modificadores e exigem aperfeiçoamento de equipamentos e recursos humanos. A infecção hospitalar é vista como um desafio constante para os profissionais de enfermagem que gera amplas discussões na execução de suas práticas. De acordo com Lima, Andrade e Haas (2007) no Brasil, os dados sobre infecção hospitalar são pouco divulgados. Além disso, esses dados não são consolidados por muitos hospitais, o que dificulta o conhecimento da dimensão do problema no país. Medidas de controle e prevenção da infecção são implementadas e renovadas constantemente no Brasil, que ao longo dos anos, convive com esse problema nos hospitais. O Ministério da Saúde atua instituindo normas e medidas específicas para controle da infecção hospitalar nas unidades de internações dos hospitais públicos e privados institui o Programa Nacional de Controle de Infecção que descentraliza suas ações aos Serviços de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH). Partindo da análise da situação no país que referenciou as infecções hospitalares como problema, não apenas hospitalar, mas de saúde pública, considerando a ampla abrangência dos problemas gerados quando da ocorrência desta situação. A infecção hospitalar provoca prejuízos para o paciente, considerando sua maior permanência hospitalizado como para o estado que ao invés de reverter recursos para o tratamento de outros pacientes, deixa de atender novos casos e acaba por agregar mais gastos com aqueles acometidos por infecção hospitalar (ANDRADE; LEOPOLDO; HAAS, 2006). O Ministério da Saúde, na Portaria nº 2.616 de 12/05/1998, define Infecção Hospitalar como infecção adquirida, após a admissão do paciente na unidade hospitalar e que se manifesta durante a internação ou após a alta, quando puder ser relacionada com a internação ou procedimentos hospitalares. Alguns Estados brasileiros propuseram a criação de Comissões Estaduais de Controle de Infecção Hospitalar e os serviços são melhor direcionados pelos Serviços ou Comissões de Controle de Infecção Hospitalar. Estas ações visam reduzir a incidência e a gravidade de casos de infecção hospitalar. Apesar de o número de leitos de Unidade de Terapia Intensiva representarem, geralmente, cerca de 5 a 10% dos leitos de um hospital, estima-se que nesse setor ocorram aproximadamente 25% de todas as infecções (LEISER; TOGNIM; BEDENDO, 2007). Pacientes de Unidades de Terapia Intensiva estão sujeitos a maiores riscos de infecções, devido a sua ampla vulnerabilidade às infecções em relação aos pacientes de outras unidades hospitalares. Além disso, passam frequentemente por procedimentos e rotinas que contribuem para sua exposição a esse risco: cirurgias complexas, procedimentos invasivos, drogas imunossupressoras e medicamentos antimicrobianos, assim como, a gravidade da doença ou agravo, fatores nutricionais, faixa etária e tempo de internação, também contribuem para a ocorrência da infecção hospitalar. A equipe multiprofissional, em particular a enfermagem, que cuida diretamente dos pacientes na Unidade de Terapia Intensiva, busca preparo constante para dar assistência aos pacientes críticos. A enfermagem preocupa-se em aperfeiçoar-se através de especializações na área de terapia intensiva e cursos de capacitação e qualificações para que boas práticas assistenciais ocorram, seguindo medidas de controle e prevenção de infecção, assim como, adotando as técnicas preconizadas tendo em vista a qualidade da assistência prestada ao paciente procurando evitar as infecções hospitalares. Segundo Pereira et al (2005) na prática, o que observamos é que os enfermeiros reconhecem os desafios e sofrem o impacto decorrente das dificuldades encontradas para o controle das infecções. Entretanto, essas dificuldades não devem constituir-se em fatores impeditivos, mas sim disparadores na busca de caminhos alternativos que avancem na perspectiva do controle das infecções. Esse estudo tem como objetivo levantar informações através da literatura em estudo, conhecimentos e cuidados de enfermagem na prevenção e controle da Infecção hospitalar na Unidade de Terapia Intensiva compilando esses
  • 3. cuidados e buscando a relevância da atuação da enfermagem para a melhoria da assistência prestada ao paciente. Descrever como este processo vem sendo desenvolvido e observado pelos pesquisadores, entre os anos de 2003 e 2010, foi também objetivo deste trabalho, enriquecendo o conhecimento na área do controle de infecção; propiciando compreensão sobre a situação encontrada e, ainda, contribuir com informações que instrumentalizem gestores e profissionais, facilitando a construção do planejamento direcionado e da avaliação fundamentada em situações já instaladas. METODOLOGIA Para reunir as informações necessárias para a análise foi desenvolvida uma revisão da literatura nacional, utilizando documentos disponíveis nas bases de dados da Biblioteca Virtual em Saúde; os descritores utilizados foram: enfermagem, infecção hospitalar, controle e prevenção hospitalar no período de 2003 a 2010. Foram encontradas 81 publicações, 10 destes foram selecionados para a análise, considerando tratarem-se diretamente da temática a ser abordada: infecção hospitalar na Unidade de Terapia Intensiva considerando que os demais artigos faziam referência a outras áreas hospitalares. A análise foi descritiva. RESULTADOS E DISCUSSÃO De acordo com a literatura a infecção hospitalar (IH) é considerada um importante problema de saúde pública, com grande impacto na morbimortalidade, tempo de internação e gastos com procedimentos diagnósticos e terapêuticos. Acrescenta-se a isso as repercussões para o paciente, sua família e a comunidade, tal como o afastamento da vida social e do trabalho, com consequente comprometimento psicológico, social e econômico (OLIVEIRA; CARDOSO; MASCARENHAS, 2010). Segundo Moura et al (2008) no Brasil, verifica-se que a maioria dos programas do Governo Federal, não determina mudanças de atitude frente à problemática da IH quanto ao comportamento dos profissionais, pois supõe que os indivíduos que participam desses, sejam passivos e não detenham saberes e valores prévios que conduzam suas ações. O que não parece ir de encontro com a realidade dos profissionais de Enfermagem que, incluem em seu processo de formação estas práticas e se não a adotam isto, na realidade, pode estar vinculado a situação de comprometimento individual e situações ainda mais abrangentes que poderiam gerar discussões conflituosas como, por exemplo, as condições de trabalho às quais são inseridos estes profissionais, incluindo os espaços e suas cargas horárias. Pensando neste aspecto, Moura et al (2008) refere que a problemática relacionada ao processo de infecção hospitalar vem sendo discutida por autoridades e profissionais de saúde em diferentes países. Discussões estas motivadas pelas condições de atendimento hospitalar precário, especialmente, de urgência e emergência, em que os clientes são recebidos em macas contaminadas por secreções, e até mesmo por sangue, sem uma desinfecção prévia no ato da admissão, encontrando-se expostos às infecções, principalmente, através das feridas abertas (MOURA et al., 2008). A importância atribuída ao trabalho exercido pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) dentro das instituições hospitalares ainda não foi totalmente percebida por parte dos gestores e equipe multidisciplinar (ALVES; ÉVORA, 2002). De acordo com Turrini, (2010), reconhecidamente, o hospital é um importante reservatório de agentes patogênicos que possibilitam o risco à infecção. No entanto, a não ser no caso das afecções de transmissão respiratória, a forma de transmissão dos microrganismos geralmente se dá por contato direto de paciente para paciente, através das mãos dos profissionais da saúde e por meio de um veículo inanimado contaminado. A proximidade dos pacientes já infectados à admissão facilitaria este processo. Segundo Carvalho et al (2009) o uso de jalecos se tornou uma prática obrigatória, com a finalidade de proteção dos profissionais durante a realização de procedimentos a pacientes, que envolvam material biológico, no entanto sua utilização indevida (como uso fora do ambiente
  • 4. de trabalho) pode causar sérias consequências para a saúde pública. Este instrumento tem sua função de proteção individual, mas também, pode funcionar como “veículo” de transmissão de infecções para, inclusive outros espaços extra- hospitalares e de forma inversa de transportar agentes infeciosos dos espaços externos para o interior das UTIs, por exemplo, acarretando riscos ainda maiores aos pacientes ali instalados. Prática esta que, assim como a lavagem das mãos, depende do comprometimento, conhecimento e da prática individual ou da equipe de enfermagem local. Bactérias multirresistentes, que podem provocar doenças como faringites, otites, pneumonia, tuberculose e até mesmo a morte, são carregadas para lugares públicos e retornam das ruas para consultórios médicos, odontológicos, enfermarias e salas de cirurgia nos jalecos dos mais diversos profissionais de saúde (CARVALHO et al., 2009). Segundo Lima et al (2007) em termos de infecção hospitalar a problemática é mais séria na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Neste ambiente o paciente está mais exposto ao risco de infecção, haja vista sua condição clínica e a variedade de procedimentos invasivos rotineiramente realizados. É destacado que na UTI os pacientes têm de 5 a 10 vezes mais probabilidades de contrair infecção e que esta pode representar cerca de 20% do total das infecções de um hospital. Os avanços tecnológicos relacionados aos procedimentos invasivos, diagnósticos e terapêuticos, e o aparecimento de microrganismos multirresistentes aos antimicrobianos tornaram as infecções em UTI um problema de saúde pública e um desafio aos seus profissionais. Ainda, segundo os autores, é de extrema importância que cada instituição defina sua situação em termos de microbiota hospitalar, a ocorrência de infecção, bem como a multirresistência e quais serão os critérios utilizados para definir cepas multirresistentes (LIMA et al., 2007). Segundo Moura et al (2008) para os enfermeiros, o uso indiscriminado de antibióticos nos hospitais tem levado ao aumento da resistência dos microrganismos. Dessa forma antibióticos representam um item de alto consumo em hospitais, em particular em unidades de pacientes mais graves, como as Unidades de Tratamento Intensivo. A inadequação, o uso abusivo de antibióticos e a falta de critérios na escolha do tratamento empírico, configuram-se como fatores determinantes para o surgimento de diversos microrganismos resistentes em uma UTI. Sabendo-se que a disseminação de microrganismo, seja por colonização e/ou infecção dos pacientes, é favorecida pelas características do CTI, dos pacientes nele internados, somadas ao comportamento dos profissionais, constata-se que medidas simples de precaução padrão e contato podem reduzir, ou mesmo evitar a disseminação dos microrganismos (OLIVEIRA; CARDOSO; MASCARENHAS, 2010). De acordo com os profissionais, os fatores “dificultadores” no processo de adesão à higienização das mãos com água e sabão e à fricção das mãos com álcool a 70% na prática diária é, principalmente, o esquecimento, seguido da falta de conhecimento da sua importância, distância da pia, irritação da pele e, ainda, falta de materiais (OLIVEIRA; CARDOSO; MASCARENHAS, 2010). Outro aspecto que interfere diretamente na adesão à higiene das mãos vai além da infraestrutura e extrapola a condição adequada para a higienização das mãos, refere-se à motivação e treinamento por meio de programas permanentes de educação incluindo nas discussões a definição de indicadores epidemiológicos e retorno das taxas de infecção hospitalar e de adesão a higiene das mãos e outras práticas preventivas, para o conhecimento e sensibilização da equipe multiprofissional (OLIVEIRA; CARDOSO; MASCARENHAS, 2010). Embora um maior número de profissionais tenha citado a higienização das mãos como a conduta de maior facilidade a ser adotada na prática, essa não foi a de maior adesão, e, sim, o uso de luvas. Isso talvez possa ser consequência da maior valorização do profissional em relação à sua proteção e, talvez, do desconhecimento da importância e eficácia da higienização das mãos na prevenção da disseminação de microrganismos (OLIVEIRA; CARDOSO; MASCARENHAS, 2010).
  • 5. As chances de infecção aumentam sempre que há aglomeração de pessoas. Torna-se difícil tentar seguir todas as técnicas assépticas para a realização de um procedimento invasivo, se as pessoas não se conscientizam da importância de se prevenir as infecções hospitalares (TURRINI, 2010). Conforme Moura et al (2007), acredita-se que o esforço, a energia e o entusiasmo de alguns profissionais, especialmente dos membros que integram as CCIHs, não são suficientes para a implantação efetiva, mesmo que parcial do programa de prevenção e controle da IH na maioria dos hospitais. Dessa forma, como princípio da prevenção deve-se atuar sobre as situações problema e no contexto de nocividade. Essa atuação deve ser em todos os níveis da hierarquia da casualidade e não somente sobre a exposição direta aos fatores de risco (LIMA; ANDRADE; HAAS, 2007). Conforme Turrini (2010) o treinamento implica em mudanças de comportamento e isto só ocorre se o indivíduo se sentir motivado. A educação dos profissionais de saúde, portanto, deve incluir desde a orientação na admissão até a educação continuada no serviço. Desde o princípio, deve-se sensibilizar e reforçar a estes profissionais que, prestando uma assistência adequada e seguindo as medidas de controle de infecção, se estará contribuindo para diminuir o risco de adquirir e / ou disseminar infecções. É necessário ter-se presente que, se não houver motivação nesse processo, não ocorrerão mudanças concretas e permanentes (TURRINI, 2010). CONSIDERAÇÕES FINAIS A Infecção Hospitalar, no Brasil, é um problema de difícil controle, considerando indicadores expressos por diversas Unidades Hospitalares no país. A Comissão de Controle de Infecção Hospitalar, desenvolve atividades com o objetivo de diminuir os altos índices de infecção nestes espaços. Objetivando aperfeiçoar as práticas de controle de infecção já existentes e lançam novas práticas, a fim de, minimizar esta situação nos hospitais, principalmente em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), considerando o amplo atendimento a pacientes considerados graves e com maior risco à exposição de processos infecciosos. Entendem-se, como fatores predisponentes às infecções nos espaços das UTIs as condições de saúde, na qual o paciente se encontra no momento da internação neste setor, além do uso indiscriminado de antibióticos e práticas de assistência inconsistentes de enfermagem prestadas aos pacientes de UTIs. A lavagem das mãos é uma prática indispensável aos cuidados de enfermagem e apesar de sua simplicidade é de difícil adesão para os profissionais de saúde. As dificuldades apontadas pelos profissionais são esquecimento da higienização das mãos, desconhecimento da sua importância, problemas com estrutura física dos hospitais e problemas alérgicos que afetam a equipe de saúde. Os enfermeiros ocupam um espaço considerável nas UTIs, sendo a equipe de enfermagem dispõe do maior contingente de profissionais diretamente ligados aos cuidados prestados ao paciente, o que implica um maior comprometimento assistencial e proporcionalmente maior responsabilidade pelos problemas relacionados ao processo de infecção hospitalar ocasionados. Os documentos analisados sugerem uma certa deficiência na prática das atividades de educação permanente, nos hospitais, voltadas para a temática da infecção hospitalar. Para sanar este déficit são necessários programas que visem a intensificação e a continuidade destas atividades, incluindo capacitações, qualificações e especializações para que compreendam, de maneira mais real e aproximada, a problemática da situação. Neste processo de sensibilização é preciso que o profissional perceba empaticamente a carga negativa direcionada ao paciente em tratamento nas UTIs, enquanto de alto risco às infecções hospitalares, considerando o aumento de seu tempo de internação, o elevado gasto com medicações e materiais, e o sofrimento do paciente, de sua família além dos custos sociais ocasionados com a ocorrência de uma infecção hospitalar. A infecção hospitalar é ocasionada por uma sequência de “falhas”, seja na estrutura das UTIs ou na educação e/ou atuação de alguns profissionais, com destaque a equipe de
  • 6. enfermagem, responsável pelo maior número de procedimentos realizados em pacientes críticos e seu acompanhamento. Há existência de multifatores predisponentes à infecção, podem caracterizar situações de imprudência e mesmo de negligência, colocando em risco a saúde e a vida de pacientes. Desprezar ações que deveriam ser cotidianas demonstra que existem problemas inseridos no processo de cuidar daquela equipe e predispõem a caracterização de descompromisso com atividades que deveriam ser priorizadas e de seu cotidiano. A CCIH é o órgão responsável pela supervisão e controle das infecções nos hospitais no Brasil, mas sua atuação, pura e simplesmente, não é suficiente para que ocorra a diminuição desses índices, ela depende do engajamento e comprometimento dos profissionais envolvidos para que as ações de prevenção realmente se efetivem. Para isso o objetivo deve ser colocar em prática àquilo que se propõe em discussões no processo de educação continuada e que são indispensáveis para redução dos índices de infecção. O aperfeiçoamento dos profissionais de enfermagem diante dos cuidados contribui para regressão não apenas das infecções, mas também minimizar problemas de gestão como o uso de drogas terapêuticas e materiais utilizados quando da efetivação da infecção hospitalar, ação esta que está vinculada diretamente com o aumento de custos não previstos à atenção a este paciente. Além de reduzir o tempo de internação e em consequência amenizando o sofrimento do paciente, de sua família, com reflexos em sua vida comunitária, representa a obtenção da diminuição dessas infecções. Vale ressaltar a satisfação pessoal atingida pelo enfermeiro ao prestar uma assistência consciente, consistente e de qualidade, refletida na evolução positiva do paciente. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALVES, Débora Cristina Ignácio. ÉVORA, Yolanda Dora Martinez. Questões éticas envolvidas na prática profissional de enfermagem da comissão de controle de infecção hospitalar. Rev latino-americana enferm vol. 10 nº 3. Págs 265-75, maio/junho 2002. ANDRADE, Denise. LEOPOLDO, Vanessa Cristina. HAAS, Vanderlei José. Ocorrência de bactérias multiresistentes em um centro de Terapia Intensiva de Hospital brasileiro de emergências. Rev. bras. ter. intensiva v.18 n.1 São Paulo jan./mar. 2006 CARVALHO, Carmem Milena Rodrigues Siqueira. et al. Aspectos de Biossegurança Relacionados ao Uso do Jaleco pelos Profissionais de Saúde: Uma Revisão da Literatura. Texto Contexto Enferm, Florianópolis, 2009 Abr-Jun; 18(2): 355-60. LEISER, Jacir Júlio. TOGNIM, Maria Cristina Bronhono. BEDENDO, João. Infecções Hospitalares Dentro de um Centro de Terapia Intensiva de um Hospital de Ensino no Norte do Paraná. Ciências do Cuidado de Saúde. Vol. 6, nº 2. Págs 181-186. Abril/junho, 2007. LIMA, Mery Ellen. ANDRADE, Denise. HAAS, Vanderlei José. Avaliação Prospectiva da Ocorrência de Infecção em Pacientes Críticos de Unidade de Terapia Intensiva. Revista Brasileira de Terapia Intensiva. Vol. 19, nº 3. Págs. 342-347. Brasília, 2007. MOURA, Maria Eliete Batista. et al. Infecção hospitalar: estudo da prevalêcia em um hospital público de ensino. Revista Brasileira de Enfermagem. Vol 60, nº 4. Págs 416-421. Brasília, jul/agosto 2007. MOURA, Maria Eliete Batista Moura. et al. Infecção hospitalar no olhar de enfermeiros portugueses: representações sociais. Enfermagem v.17 n.4 Florianópolis out./dez. 2008. OLIVEIRA, Adriana Cristina. CARDOSO, Clareci Silva. MASCARENHAS Daniele. Precauções de contato em Unidade de Terapia Intensiva: fatores facilitadores e dificultadores para adesão dos profissionais. Rev. esc. enferm. USP vol.44 n. 1 São Paulo mar. 2010.
  • 7. cuidados e buscando a relevância da atuação da enfermagem para a melhoria da assistência prestada ao paciente. Descrever como este processo vem sendo desenvolvido e observado pelos pesquisadores, entre os anos de 2003 e 2010, foi também objetivo deste trabalho, enriquecendo o conhecimento na área do controle de infecção; propiciando compreensão sobre a situação encontrada e, ainda, contribuir com informações que instrumentalizem gestores e profissionais, facilitando a construção do planejamento direcionado e da avaliação fundamentada em situações já instaladas. METODOLOGIA Para reunir as informações necessárias para a análise foi desenvolvida uma revisão da literatura nacional, utilizando documentos disponíveis nas bases de dados da Biblioteca Virtual em Saúde; os descritores utilizados foram: enfermagem, infecção hospitalar, controle e prevenção hospitalar no período de 2003 a 2010. Foram encontradas 81 publicações, 10 destes foram selecionados para a análise, considerando tratarem-se diretamente da temática a ser abordada: infecção hospitalar na Unidade de Terapia Intensiva considerando que os demais artigos faziam referência a outras áreas hospitalares. A análise foi descritiva. RESULTADOS E DISCUSSÃO De acordo com a literatura a infecção hospitalar (IH) é considerada um importante problema de saúde pública, com grande impacto na morbimortalidade, tempo de internação e gastos com procedimentos diagnósticos e terapêuticos. Acrescenta-se a isso as repercussões para o paciente, sua família e a comunidade, tal como o afastamento da vida social e do trabalho, com consequente comprometimento psicológico, social e econômico (OLIVEIRA; CARDOSO; MASCARENHAS, 2010). Segundo Moura et al (2008) no Brasil, verifica-se que a maioria dos programas do Governo Federal, não determina mudanças de atitude frente à problemática da IH quanto ao comportamento dos profissionais, pois supõe que os indivíduos que participam desses, sejam passivos e não detenham saberes e valores prévios que conduzam suas ações. O que não parece ir de encontro com a realidade dos profissionais de Enfermagem que, incluem em seu processo de formação estas práticas e se não a adotam isto, na realidade, pode estar vinculado a situação de comprometimento individual e situações ainda mais abrangentes que poderiam gerar discussões conflituosas como, por exemplo, as condições de trabalho às quais são inseridos estes profissionais, incluindo os espaços e suas cargas horárias. Pensando neste aspecto, Moura et al (2008) refere que a problemática relacionada ao processo de infecção hospitalar vem sendo discutida por autoridades e profissionais de saúde em diferentes países. Discussões estas motivadas pelas condições de atendimento hospitalar precário, especialmente, de urgência e emergência, em que os clientes são recebidos em macas contaminadas por secreções, e até mesmo por sangue, sem uma desinfecção prévia no ato da admissão, encontrando-se expostos às infecções, principalmente, através das feridas abertas (MOURA et al., 2008). A importância atribuída ao trabalho exercido pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) dentro das instituições hospitalares ainda não foi totalmente percebida por parte dos gestores e equipe multidisciplinar (ALVES; ÉVORA, 2002). De acordo com Turrini, (2010), reconhecidamente, o hospital é um importante reservatório de agentes patogênicos que possibilitam o risco à infecção. No entanto, a não ser no caso das afecções de transmissão respiratória, a forma de transmissão dos microrganismos geralmente se dá por contato direto de paciente para paciente, através das mãos dos profissionais da saúde e por meio de um veículo inanimado contaminado. A proximidade dos pacientes já infectados à admissão facilitaria este processo. Segundo Carvalho et al (2009) o uso de jalecos se tornou uma prática obrigatória, com a finalidade de proteção dos profissionais durante a realização de procedimentos a pacientes, que envolvam material biológico, no entanto sua utilização indevida (como uso fora do ambiente