REVISTA DE BIOLOGIA E CIÊNCIAS DA TERRA ISSN 1519-5228 
27 
Volume 15 - Número 2 - 2º Semestre 2015 
ATIVIDADE DO VENENO D...
28 
INTRODUÇÃO 
Os anfíbios são constituintes de uma 
classe de animais vertebrados conhecidos por 
possuírem glândulas cu...
29 
bactérias Gram-positivas, quanto Gram-negativas 
(FREITAS, 2003). O controle 
bacteriano e a rápida resistência desenv...
Figura 1. Ausência de formação de halos de inibição com o veneno de Rhinella jimi (V) e no controle (PBS), e presença 
de ...
31 
A produção de peptídeos antimicrobianos 
provenientes das secreções de anfíbios é 
considerada parte da resposta imune...
32 
CONCLUSÃO 
O presente estudo forneceu evidências de 
que o veneno do sapo Rhinella jimi não 
apresentou atividade anti...
33 
Patologia) – Fundação Oswaldo Cruz, Salvador. 
2005. 
SANTOS, K. K. A.; MATIAS, E. F. F.; 
ALMEIDA, T. S.; COSTA, J. G...
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

Artigo bioterra v15_n2_04

697 visualizações

Publicada em

Artigo bioterra v15_n2_04

Publicada em: Ciências
0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
697
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
1
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
19
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Artigo bioterra v15_n2_04

  1. 1. REVISTA DE BIOLOGIA E CIÊNCIAS DA TERRA ISSN 1519-5228 27 Volume 15 - Número 2 - 2º Semestre 2015 ATIVIDADE DO VENENO DE Rhinella jimi (STEVAUX, 2002) (ANURA: BUFONIDAE) SOBRE CEPAS MICROBIANAS Jacqueline Ramos Machado Braga1*; Mariane Alves da Silva2; Norma Suely Evangelista-Barreto3; Arielson dos Santos Protázio4 RESUMO A pele dos anfíbios contém várias substâncias com uma larga variedade de propriedades farmacológicas, que funcionam como defesa contra predadores e microrganismos patogênicos. Estudos voltados para a avaliação do efeito de substâncias naturais, sobre o controle do crescimento microbiano, são promissores na prospecção de novos fármacos. O presente estudo teve como objetivo avaliar as propriedades antibacterianas do veneno de Rhinella jimi contra bactérias Gram-negativas (Escherichia coli e Salmonella enterica) e Gram-positivas (Staphylococcus aureus e Enterococcus faecalis). Foram extraídas amostras de veneno de quatro sapos, que foi liofilizado, diluído e estocado a 4oC para utilização nos ensaios. A atividade antibacteriana foi avaliada através de ensaio em disco em triplicata. Os resultados não mostraram inibição de crescimento bacteriano, tanto para bactérias Gram-negativas, quanto para Gram-positivas, mesmo em elevadas concentrações do veneno de R. jimi. Estes dados sugerem um provável efeito protetor do veneno de R. jimi sobre a microbiota da epiderme do anfíbio, que remete a um possível papel destas comunidades bacterianas na imunidade inata, podendo elas serem crucias na proteção contra patógenos, principalmente fungos. Isto sugere uma possível nova função deste veneno para a sobrevivência desta espécie. Palavras chave: Atividade antibacteriana, sapo cururu, toxina. POISON ACTIVITY OF Rhinella jimi (STEVAUX, 2002) (ANURA: BUFONIDAE) ON MICROBIAL STRAINS ABSTRACT The skin of amphibians contains substances with a wide variety of pharmacological properties that act as defense against predators and pathogens. Studies aimed at evaluating the effect of natural compounds on the control of microbial growth, are promising in the search for new drugs. The present study aimed to evaluate the antibacterial properties of R. jimi poison against Gram-negative bacteria (Escherichia coli and Salmonella enterica) and Gram-positive (Staphylococcus aureus and Enterococcus faecalis). Were extracted poison samples of four frogs that were lyophilized, diluted and stored at 4°C for use in the tests. The antibacterial activity was evaluated by disk test in duplicate. The test results showed no activity of inhibiting bacterial growth for both, the Gram negative bacteria and Gram positive, for even high concentrations of R. jimi poison. These data suggest a probable protective effect of R. jimi poison on the micro biota of amphibian’s epidermis, and a possible role of these bacterial communities in the innate immunity that may be important to protect against pathogens, especially fungi. This suggests a possible new function of this poison to the survival of this specie. Keywords: Antimicrobial activity, cururu frog, toxin.
  2. 2. 28 INTRODUÇÃO Os anfíbios são constituintes de uma classe de animais vertebrados conhecidos por possuírem glândulas cutâneas mucosas e granulosas excretoras de substâncias químicas produzidas em sua pele, que são utilizadas em sua defesa em momentos de constante estresse ou de perigo. Tais substâncias vêm, ao longo do tempo, sendo estudadas com relação às suas atividades biológicas, como o efeito anestésico, alucinógeno e antimicrobiano (PINTO et al., 2009). Segundo Brand et al. (2006), a pele dos anfíbios é um órgão de grande importância e exerce funções fisiológicas relacionadas ao equilíbrio de fluídos, transporte de íons, respiração e defesa. É na pele dos anuros onde se encontram glândulas secretoras de substâncias químicas, em sua maioria de natureza protéica, cuja expressão e acúmulo é uma característica bem conservada no grupo. Existem dois tipos de glândulas na pele dos anfíbios: as glândulas mucosas, que secretam mucina e são responsáveis pela manutenção da humidade corporal e termorregulação; e as glândulas granulosas que secretam peptídeos relacionados à defesa do animal contra predadores e patógenos (TOLEDO; JARED, 1995). As substâncias extraídas da pele dos anfíbios foram introduzidas na sociedade pelos asiáticos, em práticas religiosas e medicinais. O bufadienolídeo encontrado na secreção das glândulas de sapos do gênero Bufo, também foi isolado em plantas, e é uma das principais causas de envenenamento e morte de gado na África. Os bufadienolídeos como as bufogeninas e bufotoxinas, encontradas em elevada concentração na pele de sapos, são inibidoras da bomba de Na+K+ATPase, o que por sua vez explica os efeitos cardiotóxicos e arteriais provocados em algumas espécies de mamíferos (NOGUEIRA, 2000). O sapo Rhinella jimi (Stevaux, 2002) está inserido no grupo Rhinella marina (Linnaeus, 1758). O bufonídeo R. jimi popularmente conhecido como “sapo cururu”, apresenta pele espessa e coberta por glândulas distribuídas no antebraço, pés, cloaca, e parte posterior da cabeça. Esta espécie possui hábitos noturnos e está geograficamente distribuída em toda a região Nordeste do Brasil, tanto em lugares de baixas altitudes, como de altitudes elevadas, não havendo especializações entre as populações (STEVAUX, 2002). Apesar de sua ampla distribuição geográfica e de sua abundância na Região Nordeste, ainda são reduzidos os estudos realizados com substâncias biologicamente ativas extraídas a partir da pele desses anfíbios. Os sapos do gênero Rhinella utilizam suas glândulas granulosas paratóides para se defender contra predadores. Estas glândulas secretam toxinas como a bufogenina, bufotenina, bufotoxina e substâncias como epinefrina, serotonina, ergosterol 5-hidroxitriptamna e o colesterol (SONNER et al., 2008). A bufotenina é atualmente classificada como droga. Acredita-se que os efeitos da bufotenina são semelhantes ao de um envenenamento leve, que inclui alucinações brandas de curta duração. Entretanto, a pele desses sapos contém outros compostos que potencializam seu efeito trazendo um maior risco para a saúde humana e animal (MARTINEZ-SILVESTRE, 2012). Atualmente, vários estudos vêm utilizando testes microbiológicos com o veneno de sapo contra bactérias causadoras de certas doenças em seres humanos, sendo estas bactérias disponíveis no ambiente em que animais e vetores de doenças habitam. Os estudos realizados buscam a elaboração de drogas como antibióticos e anticancerígenos. Entretanto, apenas algumas espécies de anfíbios demonstraram tal atividade antibacteriana. A maioria dos venenos da pele de anfíbios apresenta alguma atividade antimicrobiana devido aos compostos presentes nos mesmos, mas ainda são reduzidos os estudos referentes ao veneno de R. jimi (PINTO et al., 2009). No estudo de Tempone (2008), foram isolados alguns bufodienolídeos do veneno de R. jimi que mostraram atividades leishmanicida e tripanossomatída, inibindo desidrogenases mitocondriais parasitárias. Em estudo mais recente, Ferreira (2013) descreveu diferenças significativas na composição química do veneno de R. marina e R. guttatus e demonstrou que alguns componentes específicos apresentaram efeitos citotóxicos contra células neoplásicas inibindo sua proliferação, quando expostas a estes compostos. A bufotenina e as aminas biogênicas, encontradas nos venenos de sapos do gênero Rhinella e outros anfíbios, atuam tanto sobre
  3. 3. 29 bactérias Gram-positivas, quanto Gram-negativas (FREITAS, 2003). O controle bacteriano e a rápida resistência desenvolvida aos fármacos existentes constituem-se numa preocupante realidade (ROSSI; ANDREAZZI, 2005). O desenvolvimento de novos medicamentos e a busca por novas substâncias antibacterianas, a partir de fontes naturais, tem sido um dos grandes interesses da indústria farmacêutica. Por esta razão, estudos voltados para a avaliação do efeito de substâncias naturais sobre o controle do crescimento microbiano tornam-se promissores. O presente estudo buscou avaliar as propriedades antibacterianas do veneno de R. jimi contra bactérias Gram-negativas (Escherichia coli e Salmonella enterica) e Gram-positivas (Staphylococcus aureus e Enterococcus faecalis). MATERIAL E MÉTODOS Extração do veneno de Rhinella jimi Quatro exemplares de sapos da espécie R. jimi foram coletados e identificados (STEVAUX, 2002) na cidade de Cruz das Almas, Bahia. A extração do veneno foi realizada em meio silvestre, com posterior liberação do animal em seu habitat natural, logo após o término da coleta. Todo o procedimento obedeceu às regras de experimentação e bem estar do animal. Para a extração por compressão da região glandular, o animal foi colocado dentro de um saco com uma abertura, onde as glândulas paratóides foram inseridas na perfuração e o veneno recolhido em vidro de relógio (PINTO et al., 2009). O veneno bruto foi mantido sob refrigeração (4ºC) até sua utilização no intervalo de 24 horas. Para a elaboração do extrato bruto, uma alíquota de 0,5g de veneno foi diluído em 50ml de salina (PBS 0,9%) (FREITAS, 2003). Ensaio de atividade antibacteriana Foram colhidas colônias de E. coli (ATCC 25922) e S. enterica (Gram-negativas), S. aureus (ATCC 6538) e E. faecalis (ATCC 29212) (Gram-positivas), suspensas em 5ml de solução salina (0,9%) e homogeneizadas. A turbidez do inóculo foi ajustada a 0,5 da escala de MacFarland (1,5 x 108 UFC/ ml). Com o auxílio de swab estéril, foi feita a inoculação dos microrganismos em placas de petri contendo meio Ágar Mueller-Hinton. Foram aplicados nas placas os discos contendo o veneno de R. jimi em duas diferentes concentrações: solução estoque (100 g/L) e na diluição de 1:10, os discos brancos (PBS 9%), e discos contendo antimicrobianos comerciais (Quadro 1). As placas inoculadas foram incubadas a 37oC por 24 h e todos os ensaios foram realizados em triplicata. Quadro 1. Microrganismos utilizados no ensaio e seus respectivos controles. Microorganismos Controle Negativo (resistente) Controle Positivo (sensível) Escherichia coli Tetraciclina Ampicilina Salmonella enterica Tetraciclina Gentamicina Staphylococus aureus Gentamicina Vancomicina Enterococus faecalis Tetraciclina Gentamicina RESULTADOS E DISCUSSÃO Os resultados dos testes microbiológicos demonstraram que o veneno de R. jimi não apresentou atividade antibacteriana sobre colônias de S. aureus, E. coli, E. faecalis e S. enterica. Este resultado foi confirmado através da observação direta em placa, onde foi possível observar a formação de halos de inibição apenas nos controles usados com os antibióticos comerciais (Figura 1) (Tabela 1).
  4. 4. Figura 1. Ausência de formação de halos de inibição com o veneno de Rhinella jimi (V) e no controle (PBS), e presença de halo de inibição nos controles com antibióticos comerciais (setas). (A) Escherichia coli, (B) Salmonella enterica, (C) Enterococus faecalis e (D) Staphylococus aureus. Tabela 1. Tamanho (mm) dos halos de inibição de crescimento bacteriano e desvio padrão, nos testes com veneno de 30 Rhinella jimi e seus controles. Microorganismo Veneno PBS Controle negativo (resistente) Escherichia coli S/I S/I 9,7 ±1,3 (T) 18,5± 2,3 (A) Salmonella enterica S/I S/I 26,7± 0,9 (T) 23,1±0,7 (G) Staphylococus aureus S/I S/I 18,6±2,1(V) 19,5±1,5 (G) Enterococus faecalis S/I S/I 9,4±1,4 (T) 21,6±2,6 (G) *S/I:Sem Inibição Controle positivo (sensível) * Antibióticos: (T) Tetracliclina, (V) Vancomicina, (A) Ampicilina e (G) Gentamicina É crescente a atenção dada atualmente aos agentes terapêuticos em potencial, principalmente àqueles que são compostos de amplo espectro de atividade antimicrobiana sintetizados pelas glândulas granulosas e serosas presentes na pele de anuros (FREITAS, 2003). No entanto, nossos resultados demonstraram que o veneno de R. jimi não apresenta tal atividade para as cepas bacterianas testadas. Ao testar a atividade antibacteriana do veneno de R. icterica, Pinto (2009) encontrou apenas uma leve atividade sobre duas das colônias testadas no presente estudo, S. aureus e E. coli. Nossos achados corroboram o estudo de Brito (2009), onde avaliando a atividade antibacteriana de estratos e frações de pele de R. jimi para E.coli e S. aureus, concluiu que esta espécie não produz compostos com atividade antibacteriana para estas bactérias. De acordo com Lauer et al. (2007), embora não sejam muito estudadas, as comunidades bacterianas da pele dos anfíbios possuem uma importante função biológica, podendo estar relacionadas à proteção da pele contra a invasão de outros microrganismos potencialmente patogênicos.
  5. 5. 31 A produção de peptídeos antimicrobianos provenientes das secreções de anfíbios é considerada parte da resposta imune inata primitiva contra microrganismos patogênicos, e está amplamente difundida no grupo (REDDY et al., 2004). Apesar disso, é possível que anfíbios e a flora bacteriana que reside em sua pele tenham desenvolvido uma relação evolutiva altamente complexa, em que bactérias se tornaram uma extensão do sistema imune desses animais (WOODHAMS et al., 2007). Brito (2009), avaliando a atividade antibacteriana de estratos e frações de pele de R. jimi para as bactérias E.coli e S. aureus, concluiu que esta espécie não produz compostos com atividade antibacteriana. Este mesmo resultado foi encontrado em nosso estudo, onde a ineficiência de ação antibacteriana foi estendida para as bactérias S. entérica e E. faecalis. Embora exista carência de estudos, é possível que as comunidades bacterianas da pele dos anfíbios possuam uma importante função biológica relacionadas à proteção da pele contra a invasão de outros microrganismos potencialmente patogênicos (LAUER et al., 2007). Segundo Woodhams et al. (2007), a microbiota mutualista é uma extensão do sistema imune dos anfíbios, neste sentido, podemos inferir que anfíbios resistentes a determinadas doenças podem apresentar grande diversidade de simbiontes que diminuem as chances de colonização da pele por patógenos. Segundo Brito (2009), é incomum que compostos presentes na pele de um anfíbio possam apresentar atividade protetora contra linhagens bacterianas, como foi observado no presente estudo com o veneno de R. jimi, visto que a pele desses animais tem como uma de suas principais funções a defesa contra organismos patogênicos, dentre eles, as bactérias. Por esta razão, nossos resultados sugerem a existência de um mecanismo em R. jimi onde os compostos de sua pele atuariam na proteção da flora bacteriana associada que, em contrapartida, protegeria o anuro da colonização por outros microrganismos patogênicos. Esta suposição pode ser suportada pela análise biológica da pele dos anfíbios, que em razão de ser úmida e sem queratina, poderia se caracterizar como um ambiente propício à proliferação de vários micro-organismos, principalmente fungos. O estudo de Becker e Harris (2010), realizado com a salamandra Plethodon cinereus, sugere que a comunidade bacteriana cutânea é um componente importante da defesa inata da pele de P. cinereus para a quitridiomicose. Ao avaliar a atividade antifúngica de extratos de pele de R. jimi, Santos (2010) verificou que a presença de alcalóides, na resposta do animal contra estes patógenos, tem um papel muito importante na imunidade inata deste anfíbio. O estudo indicou também, que a pele de R. jimi possui vários compostos ativos. Entretanto, o extrato bruto do veneno de suas glândulas não apresentou atividade antifúngica, o que caracteriza o veneno desta espécie como uma mistura complexa de substâncias que juntas não apresentam atividade antimicrobiana. Os resultados obtidos por Sá (2005), ao avaliar as atividades imunomoduladoras de extratos de peles e glândulas paratóides de anuros, mostraram que apesar dos anuros serem uma potencial fonte de moléculas com atividade imunomoduladora, não foi verificada modulação da atividade de macrófagos expostos ao veneno de R. jimi. Por outro lado, os testes realizados por Freitas et al. (2003) demonstraram que alguns compostos isolados do veneno de R. schnneideri exerceram alta atividade antibacteriana para E. coli, B. subtilis, P. aerogenosa, S.aureus, E. aerogenes, K. pneumonae. Isso nos revela que apesar do veneno de R. jimi não ter demonstrado atividade antibacteriana, o mesmo não ocorre com outras espécies do mesmo gênero. Em nossos resultados, a falta de atividade antibacteriana do extrato bruto do veneno de R. jimi sugere que a microbiota da epiderme deste anfíbio pode possuir um papel na resposta imune inata, pois a manutenção dessas comunidades bacterianas pode ser importante na proteção contra ataques de patógenos, principalmente fungos. Compostos isolados das glândulas paratóides e da pele de anfíbios podem apresentar atividades contra vários microrganismos, podendo ser utilizados como agentes terapêuticos e farmacológicos. O presente estudo pode servir de base para investigações futuras de bioprospecção de compostos isolados com propriedades farmacologicamente ativas extraídas do veneno de sapos do gênero Rhinella.
  6. 6. 32 CONCLUSÃO O presente estudo forneceu evidências de que o veneno do sapo Rhinella jimi não apresentou atividade antibacteriana sobre colônias de bactérias Gram-positivas (S. aureus e E. faecalis) e Gram-negativas (E. coli e S. enterica). Partindo-se do pressuposto que a microbiota da epiderme de R. jimi possa estar relacionada à imunidade inata deste animal, é possível que a manutenção destas comunidades bacterianas protejam estes anuros do ataque de patógenos, o que aponta para estudos futuros desta microbiota e dos componentes do veneno com evidentes propriedades protetoras para o animal. AGRADECIMENTOS Agradecemos à MSc Irana Paim (UFRB) pelo auxílio no desenvolvimento dos ensaios microbiológicos e ao Dr. Alexandre Moraes Pinheiro (UFRB) pela contribuição no processamento das amostras de veneno. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BECKER, M. H.; HARRIS, R.N. Cutaneous Bacteria of the Redback Salamander Prevent Morbidity Associated with a Lethal Disease. PLoS ONE, v. 5, n.6, e10957, 2010. BRAND, G. D.; LEITE, J. R. S.; DE SÁ MANDEL, S. M.; MESQUITA, D. A.; SILVA, L. P.; PRATES, M. V.; BLOCH JR, C. Novel dermaseptins from Phyllomedusa hypochondrialis (Amphibia). Biochemical Biophysical Reserch Communications. Leiden, v. 347, n. 3, p. 739-746, 2006. BRITO, S. V. Investigação antibacteriana de extratos e frações da pele de Rhinella jimi (Stevaux, 2002) (Anura: Bufonidae) – Brasil. 2009. 54 f. Dissertação (Mestrado em Bioprospecção Molecular) – Universidade Regional do Cariri, Crato. 2009. FERREIRA, P.M.P.; LIMA, D.J.B.; DEBIAS, B.W.; SOARES, B.M.; MACHHADO, K.C.; NORONHA, J.C.; RODRIGUES, D.J.; SINHORIN, A.P.; JUNIOR, G.M.V. Antiproliferative activity of Rhinella marina and Raebo guttatus venom extracts from southern Amazon.Toxicon. Mato Grosso, v. 72, p. 34-5, 2013. FREITAS, C. I. A. Estudo sobre a atividade antimicrobiana de substâncias extraídas e purificadas de secreções da pele de anfíbios – Brasil. 2003. 180 f. Tese (Doutorado em Farmacologia) – Universidade Federal do Ceará, Fortaleza. 2003. LAUER, A.; SIMON, M. A.; BANNING, J. L.; ANDRÉ, E.; DUNCAN, K.; HARRIS, R. N. Common cutaneous bacteria from the Eastern Red-Backed salamander can inhibit pathogenic fungi. Copeia, Lawrence, v. 2007, n. 3, p. 630- 640, 2007. MARTÍNEZ-SILVESTRE, A. El sapo de caña. Animalia, Cidade do México, n.235, p. 36-39, 2012. NOGUEIRA, R. M. D..Status epilepticus induzido por marinobufogenina, uma substância isolada das glândulas parotóides do Bufo paracnemis, Lutz 1925. 2000. 171 f. Tese (Doutorado em Farmacologia) – Universidade Federal do Ceará, Fotaleza. 2000. PINTO, E. G.; FELIPE, A. C.; NADALETTO, D.; RALL, V. L. M.; MARTINEZ, R. M. Investigação da atividade antimicrobiana do veneno de Rhinella icterica (Amphibia, Anura). Revista do Instituto Adolfo Lutz, São Paulo, v.68, n.3, p. 471-475, 2009. REDDY, K. V. R.; YEDERY, R. D.; ARANHA, C. Antimicrobial peptides: premises and promises. International Journal of Antimicrobial Agents. Leiden, v. 24, n. 6, p. 536-547, 2004. ROSSI, F.; ANDREAZZI, D. B. Resistência Bacteriana: interpretando o antibiograma. 1ed. São Paulo: Atheneu, 2005. 118 p. SÁ, M. S. Avaliação inicial de atividades imunomoduladoras de extratos de peles e gândulas paratóides de anuros do semi-árido brasileiro. 2005. 82 f. Dissertação (Mestrado em
  7. 7. 33 Patologia) – Fundação Oswaldo Cruz, Salvador. 2005. SANTOS, K. K. A.; MATIAS, E. F. F.; ALMEIDA, T. S.; COSTA, J. G. M.; COUTINHO, H. D. M. Atividade antifúngica de extratos vegetais e animais da Região do Cariri. Cadernos de Cultura e Ciência, Cariri, v. 1, n. 2, p. 53-65, 2010. SONNER, L.; ROZZA, D.B; WOLFFENBÜTTEL, A.N.; MEIRELLES, A.E.W.; PEDROSO, P.M.O.; OLIVEIRA E.C.; DRIEMEIER, D. Intoxicação por veneno de sapo em um canino. Ciência Rural, Santa Maria, v. 38, n. 6, p. 1787-1789, 2008. STEVAUX, M.N. A new species of Bufolaurenti (Anura, Bufonidae) from northeastern Brazil. Revista Brasileira de Zoologia,Curitiba, v.19, suppl 1, p.235-42, 2002. TEMPONE, A.G.; PIMENTA, D.C.; LEBRUN, I.; SARTORELLI, P.; TANIWAKI, N.N.; ANDRADE JR, H.F.; ANTONIAZZI, M.M.; JARED, C. Antileishmanial and antitrypanosomal activity of bufadienolides isolated from the toad Rhinella jimi paratoid macrogland secretion. Toxicon, Leiden,v.52, n.1 ,p.13-21, 2008. TOLEDO, R.C.; JARED. C. Cutaneous granular glands and amphibians venoms. Comparative Biochemistry and Physiology, Leiden,v.111, n. 1, p.1-29, 1995. WOODHAMS, D.C.; ROLLINS-SMITH, L.A.; ALFORD, R.A.; HARRIS, R.N.Innate immune defenses of amphibian skin: antimicrobial peptides and more. Animal Conservation, London, v. 10,n.4, p. 425-428, 2007. ______________________________________ 1- Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas (CCAAB) - Setor de Biologia - Laboratório de Imunobiologia (IMUNOBIO). Rua Rui Barbosa, n.740, Centro, Cruz das Almas- Bahia –Brasil - CEP:44380- 000. Fone: 75-91806963. * Autor para correspondência jacquebraga@ufrb.edu.br ou jacquebraga@globo.com 2- Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) - Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas (CCAAB) - Setor de Biologia - Laboratório de Imunobiologia (IMUNOBIO). Rua Rui Barbosa, n.740, Centro, Cruz das Almas- Bahia –Brasil - CEP:44380-000 marianealves07@gmail.com 3- Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) - Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas (CCAAB) Núcleo de pesquisa em Pesca e Aquicultura (NEPA) - Laboratório de Microbiologia Geral e do Pescado. Rua Rui Barbosa, n.740, Centro, Cruz das Almas- Bahia –Brasil - CEP:44380-000 nsevangelista@yahoo.com.br 4- Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) . Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas (CCAAB). Rua Rui Barbosa, n.740, Centro, Cruz das Almas- Bahia –Brasil - CEP:44380-000 neu_ptz@hotmail.com

×