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Central. Editora UEA edições, 2009. Cap. 15. p. 
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  1. 1. REVISTA DE BIOLOGIA E CIÊNCIAS DA TERRA ISSN 1519-5228 102 Volume 14 - Número 1 - 1º Semestre 2014 PROSPECÇÃO FITOQUÍMICA DE EXTRATO BRUTO ETANÓLICO DAS FOLHAS DE Persea americana, ORIUNDAS DE MACAPÁ-AP Raimundo de Almeida Mira Neto1; Ana Luzia Ferreira Farias2; Ryan da Silva Ramos3; Sheylla Susan Moreira da Silva de Almeida4 RESUMO O Decreto 5.813/2006 aprova a política nacional de plantas medicinais e fitoterápicos visando assegurar o uso seguro e racional de espécies vegetais como a Persea americana que pertence à família Lauraceae, de grande variedade e controversas taxonômicas sendo de grande valia os estudos fitoquímicos para a quimiotaxonomia da espécie. Deve ser considerado que as condições ambientais influenciam na expressão de metabólitos secundários, sendo isso uma problemática para o uso no SUS. Ademais, essa pesquisa tem por objetivo identificar qualitativamente os metabólitos secundários presentes nas folhas da espécie de Persea americana oriunda da cidade de Macapá – AP e comparar com descrições da literatura, contribuindo assim para a quimiossistemática da espécie. Por meio da prospecção fitoquímica identificou-se a presença de saponinas espumídicas, fenóis e taninos, esteróides e triterpenóides, e depsídeos e depsidonas. Identificou-se também variação de metabólitos secundários com outros estudos, sendo ocasionada por aspectos ambientais. Palavras-chave: Política nacional, Persea americana, quimiotaxonomia, influência ambiental. PHYTOCHEMISTRY EXPLORATION OF CRUDE EXTRACT ETHANOLIC OF LEAVES Persea americana, ARISING FROM MACAPÁ-AP ABSTRACT The 5.813/2006 decree approves the national policy on medicinal plants and herbal medicines in order to ensure the safe and rational use of plant species such as Persea Americana belongs to the family Lauracea, of great variety and being controversial taxonomic studies provide valuable phytochemicals for the chemotaxonomy of the species. It should be noted that environmental conditions influence the expression of secondary metabolites, this being a problem for use in the SUS. Furthermore, this research aims to identify qualitatively the secondary metabolites present in leaves of Persea Americana kind of coming from the city of Macapá – AP and compare it with descriptions of the literature, thus contributing to the species chemosystematics. Thorough phytochemical prospecting identified the presence of saponins espumídicas, phenols and tannins, steroids and triterpenoids, and depsídeos and depsidonas. It was also identified variation of secondary metabolites with other studies, being caused by environmental aspects. Keywords: National policy, Persea americana, chemotaxonomy, environmental influence.
  2. 2. 103 INTRODUÇÃO O uso de plantas medicinais na arte de curar é uma forma de tratamento de origens muito antigas, relacionada aos primórdios da medicina e fundamentada no acúmulo de informações por sucessivas gerações. Ao longo dos séculos, produtos de origem vegetal constituíram as bases para o tratamento de diferentes doenças (BRASIL, 2006a). Atualmente sabe-se que o bem e/ou o mal que pode ser causado pelos vegetais, se dá pela presença de produtos gerados do metabolismo celular vegetal. Esses produtos são denominados de metabólitos secundários que são fatores de interação entre organismos e, frequentemente, apresentam atividades biológicas e farmacológicas (SANTOS, 2010). Esses metabólitos secundários possuem grande valor social, científico e também culinário. O Brasil é um país de maior biodiversidade do planeta que, associada a uma rica diversidade étnica e cultural que detém um valioso conhecimento tradicional associado ao uso de plantas medicinais, tem o potencial necessário para desenvolvimento de pesquisa com resultados em tecnologias e terapêuticas apropriadas (BRASIL, 2006b). Desse modo, ainda em vista da cura, a biodiversidade atual tem sido um dos principais focos para o desenvolvimento de pesquisas, principalmente no que tange a sua flora, objetivando ratificar ou não o conhecimento popular, como também desenvolver novos fármacos e fitoterápicos a partir de biomoléculas do metabolismo vegetal. Nesse contexto, o incentivo da política nacional de plantas medicinais e fitoterápicos, que segundo o Decreto 5.813/2006 (BRASIL, 2006c) tem como objetivo garantir à população brasileira o acesso seguro e o uso racional de plantas medicinal e fitoterápico, promovendo o uso sustentável da biodiversidade, o desenvolvimento da cadeia produtiva e indústria nacional. Dentro da cadeia produtiva de fitoterápicos tem-se o campo da fitoquímica que se empenha em elucidar os compostos presentes em determinadas espécies vegetais, para tanto, se faz o uso de diversos mecanismos, um destes é a prospecção fitoquímica que é um método químico-analítico preliminar e fundamental, pois impulsiona e otimiza a cadeia produtiva. Em 2009, o Ministério da Saúde divulga a Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS (RENISUS, 2009), foram relacionadas 71 espécies vegetais as quais se incentiva a pesquisa. Dentre esses vegetais encontra-se a espécie Persea spp. (P. americana e P. gratissima) que popularmente tem suas folhas usadas para tratamento de anemia, problemas de fígado, hepatite, de rins, vermífugo, dores de cabeça, bronquite, diarréia, albumina, reumatismo, regularização da menstruação, “dor nas cadeiras”, diurético e para o tratamento da tuberculose (CASTRO 2001; SCUDELLER, 2009; TABUTTI, 2010). Estudos fitoquímicos identificaram a presença de alcalóides, flavonóides, açúcares redutores, taninos e saponinas (ADEYEMI, 2002). Somente nos extratos das sementes obtido em metanol e acetato de etila apresentaram taninos, glicosídeo cardíaco e alcalóides (IDRIS, 2009). Ensaios biológicos realizados com o gênero apresentou atividade anti-espasmódicas (FILHO, 2007), e ensaios realizados com a espécie P. americana apresentaram atividade anti-hipertensiva, com contribuição potencial para o metabolismo de lipídeos, apresentando ação sobre a hipercolesterolemia (NWAOGUIKPE, 2001; IMAFIDON, 2010), possui também, atividade anti-diabética e hipoglicemiante (BRAI, 2007; KOFFI,2009). Há estudos comprovando também sua ação antibacteriana (M. turberculosis, Escherichia coli), antifúngica (Phytophthora cinnamomi, Candida albicans) (FILHO, V., 2007; FLOREZ, 2008; PEREZ, 2009), e ainda, analgésica e antiinflamatória (ADEYEMI, 2002). Persea americana pertence à família Lauraceae e é conhecida popularmente como abacate-pêra ou somente abacate, é uma espécie de grande variedade e controversas taxonômicas relacionadas a partes anatômicas (TOVAR, 2008), desse modo é válido ressaltar que os estudos fitoquímicos podem contribuir com a quimiotaxonômia do gênero, minimizando as divergências. Outra problemática a ser citada é que os metabólitos secundários responsáveis por essas atividades são influenciados por fatores
  3. 3. 104 hereditários, ontogênicos e ambientais, logo, a presença ou não, como também, a quantidade de determinadas biomoléculas estão condicionadas a variações ecológicas, físicas e químicas, mesmo que sejam variações mínimas (SILAVA, 2008; SANTOS, 2010; GURROLA, 2011). Por tanto, é de grande valia o desenvolvimento de estudos regionalizados das 71 espécies do RENISUS, como a P. americana, objetivando identificar variações químicas, correlacionando as atividades biológicas das classes de metabólitos secundários descrita na literatura e as alegadas pelas comunidades tradicionais, e assim fornecer informações que possam proporcionar um acesso seguro ao uso dessa espécie pela população. MATERIAL E MÉTODOS O material botânico foi coletado e submetido a processo de secagem em estufa de circulação de ar por um período de 4 dias em uma temperatura média de 45 °C. Em seguida, houve a moagem da matéria-prima obtendo-se 105g. Deste total 35g de material vegetal, após seco e moído, foi submetido a extração à quente sob refluxo, utilizando como solvente 750 mL de etanol durante 45 minutos a 45 °C, este processo repetido mais duas vezes. Posteriormente, o extrato foi filtrado e para eliminação do solvente foi utilizado um rotaevaporador à pressão reduzida. O procedimento encontra-se ilustrado no Fluxograma 1. Fluxograma 1 - Obtenção dos extratos brutos da folha de Persea americana: Extração com EtOH até a exaustão Filtração Evaporação Material vegetal seco e moído (105,0 g) Tendo-se obtido o extrato bruto de P. americana iniciou-se o screnning fitoquímico para identificação das principais classes de metabólitos secundários presentes na espécie onde se utilizou a seguinte metodologia descrita por Barbosa (2002). RESULTADOS E DISCUSSÕES Para a prospecção fitoquímica foram realizadas 11 reações analítico-qualitativas, a Tabela 1 mostra os resultados da análise, onde 4 testes apresentaram resultados positivos (saponinas espumídicas, fenóis e taninos, esteróides e triterpenóides, e depsídeos e depsidonas) e os demais testes negativos. Extrato etanólico Resíduo Extrato Bruto Etanólico de P. americana (45,60 g)
  4. 4. 105 Tabela 1 – Resultado da prospecção fitoquímica preliminar Nº Metabólitos secundários Resultado 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 Saponinas espumídicas Ácidos orgânicos Açúcares redutores Polissacarídeos Fenóis e Taninos Flavonóides Alcalóides Esteróides e Triterpenóides Depsídeos e depsidonas Antraquinonas Resinas + - - - + - - + + - - O teste para saponinas espumídicas foi positivo, sendo que, as saponinas podem ser glicosídeos de esteróides ou de terpenos policíclicos (SCHENKEL, 2010). Este grupo de metabólitos secundários tem grande interesse farmacêutico, tanto como adjuvante quanto substâncias ativas de fitoterápicos. Essas substâncias têm a capacidade de complexar com esteróides, sendo esta a razão por suas propriedades antifúngicas e hipocolesterolemiante (ROS, 2006; SCENKEL, 2010), as saponinas estão também correlacionadas a atividades antivirais, antiinflamatória, diuréticas e expectorantes (SCENKEL, 2010). Houve também, reações positivas para fenóis e taninos. Os fenóis pertencem a uma diversificada classe de compostos que possuem diversas propriedades dentro do âmbito alimentício no que tange aos corantes e flavorizantes, estes compostos também são caracterizados por possuir uma atividade antioxidante, antibacteriana e antiviral (MARTINEZ, 2009; CARVALHO, 2010). As propriedades dos taninos estão fundamentadas na sua capacidade de complexar com proteínas, garantindo a essa classe de metabólitos as propriedades antifúngicas, antiviral, antibacteriana e inseticida. Os taninos também têm a capacidade de complexar com íons metálicos lhes fornecendo caráter antioxidante (ADAMCZYK, 2009; SANTOS, 2010; HARBETSON, 2012). As reações qualitativas para esteróides e triterpenóides também foi positiva. Os esteróides são formados a partir dos triterpenos por meio de descarboxilações, dentre as principais atividades dos esteróides estão a antiinflamatória e a de analgesia (RODRIGUES, 2010). Os triterpenóides são produtos biossintéticos gerados a partir de unidades de isopreno, eles possuem uma atividade biológica voltada para defesa contra insetos e predadores, possuem atividade inibidora da germinação e também de atrair polinizadores (SPINTZER, 2010). Os depsídeos e depsidonas são moléculas de natureza fenólica e a estes foram atribuída às atividades antimicrobiana, antitumoral, antiviral, alopática e inibição de enzimas, há também estudos que demonstram a atividade antioxidante das depsidonas (SPINTZER, 2010). Encontra-se na literatura que P. americana apresenta em suas folhas flavonóides, alcalóides, açúcares redutores (ADEYEMI, 2002), no entanto, nesse estudo eles foram qualificados como ausentes, isso pode estar relacionado a questões ambientais ou estes metabólitos encontram-se em pequenas concentrações e não foram detectados pelos ensaios que foram submetidos, há estudos que comprovam que esta influência na expressão das biomoléculas vegetais (FLOREZ, 2009) ou ainda, pode estar relacionado ao solvente utilizado, no primeiro foi feita extração aquosa e nesse a extração foi utilizando o etanol. Por tanto, deve-se considerar que essa variação está potencialmente relacionada a aspectos ambientais ou experimentais.
  5. 5. 106 CONCLUSÃO Os metabólitos secundários presentes nas folhas de Persea americana são saponinas espumídicas, fenóis e taninos, esteróides e triterpenóides, e depsídeos e depsidonas. Comparando as propriedades biológicas e farmacológicas desses compostos, com o uso popular nota-se que há uma correlação entre eles. Identificou-se também variação, por possível influência ambiental ou diferença nas metodologias experimentais, na composição de metabólitos secundários presentes na espécie Persea americana. Por meio desse estudo foi possível identificar uma pequena variação nos metabólitos secundários presentes em Persea americana analisada nesta pesquisa e os encontrados com dados da literatura, sendo assim, ajudando para a consolidação do uso de plantas medicinais pelo SUS, justificando o emprego desta espécie pelas comunidades tradicionais. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ADAMCZYK, B.; KITUNEN, V.; SIMOLANDER, A. Polyphenol oxidase, tannase and proteolytic activity in reation to tannin concentration in the soil organic horizon under silver birch and Norway spruce. Soil Biology & Biochemistry, p. 2085-2093. 2009. ADEYEMI, O. O; OKPO, S. O; OGUNTI, O. O. Analgesic and anti-inflammatory effects of the aqueous extract of leaves of Persea americana. Fitoterapia. p. 375-380. 2002. BARBOSA, W. L. R. et al. Manual para análise fitoquímica e cromatográfica de extratos vegetais. Revista científica da UFPA, 2002. Disponível em <www.ufpa.br/rcientifica>. Acessado em: 12/12/11. BRAI, B. I. C; ODELOTA, A. A; AGOMO, P. U. Hypoglycemic and Hypocholesterolemic Potencial of Persea americana Leaf Extracts. Journal of medicinal food. p. 356-360, 2007. BRASIL, 2006a. Portaria n°. 971/GM/MS, 2006. Disponível em: www.portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/P NPIC.pdf. Acessado em: 09/12/11 às 20h19min. BRASIL. 2006b. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Departamento de Assistência Farmacêutica. Política nacional de plantas medicinais e fitoterápicos. Brasília: Ministério da Saúde, 2006b. p. 9. BRASIL, 2006c. Decreto n° 5.813, de 22 de junho de 2006. Disponível em: www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004- 2006/2006/Decreto/D5813.html. Acessado em: 09/12/11 às 20h00min. CARVALHO, J. C. T.; GOSMANN, G.; SCHEENQUEL, E. P. Compostos fenólicos simples e heterosídicos. In: SIMÕES, M. O. et al. (Org.). Farmacognosia da planta ao medicamento. 6 ed. Editora UFSC, 2010. Cap. 20. p. 519-535. CASTRO, A. J. A. et al. Mexican medicinal plants used for cancer treatment: Pharmacological, phytochemical and ethnobotanical studies. Journal of Ethnopharmacology. p. 945-972. 2001. COSTA, R. C. S.; HONDA, N. K. Ácidos protocetrárico – isolamento, modificações estruturais e avaliações da atividade antioxidante. Disponível em: <www. propp.ufms.br/gestor/titan> acessado em: 10/12/2011 às 15:15 h. FALKENBERG, M. B. et al. (org.). Farmacognosia da planta ao medicamento. 6 ed. Editora UFSC, 2010. Cap. 10. p. 229-244. FILHO, V. C. et al. Antispasmodic effects of Persea Cordata bark fractions on guinea pig ileum. Fitoterapia. p. 125-128. 2007. FLOREZ, A. et al. Genetic and environmental effects on chemical composition related to sensory traits in common beans (Phaseolus vulgaris L.). Food Chemistry. p. 950-956. 2009. FLOREZ, R. G. et al. Antimicrobial Activity of Persea americana Mill (Lauraceae) (Avocado) and Gymnosperma glutinosum (Spreng.) Less
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