Combustível para a competitividade

410 visualizações

Publicada em

Inivação não é apenas mais um ítem, dentre tantos outros, que deve estar presente no planejamento estratégico de uma empresa, mas uma ação constante, que exige o cuidado de observar e a ousadia de executar

Por Lígia Favoretto para a revista Decnews (Mar/Abr 2010)

Publicada em: Educação
0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
410
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
7
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
7
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Combustível para a competitividade

  1. 1. Oportunidade 32 MAR/ABR 2010 Fotos: Victor Almeida
  2. 2. Combustível para a competitividade Inovação não é apenas mais um item, dentre tantos outros, que deve estar presente no planejamento estratégico de uma empresa, mas uma ação constante, que exige o cuidado de observar e a ousadia de executar Por Lígia Favoretto A té agora pouco se ouviu fa- “No varejo é tudo muito igual, por esse O paradigma de que em time que lar em inovação no varejo. motivo o consumidor escolhe aque- está ganhando não se mexe é uma ar- O tema muitas vezes ficou le que é mais inovador. Não adianta madilha, afirma Valter Pieracciani, só- restrito às novidades tecno- pensar em crescer repetindo formulas; cio-diretor da Pieracciani, consultoria lógicas, mas ele é muito mais amplo. daqui a cinco anos, meu negócio terá especializada em gestão de inovação. A realidade começa a dar sinais de mu- crescido, mas o concorrente também. “Ter sucesso hoje não significa que 33 dança e empresas varejistas destacam-se Fórmulas são muito fáceis de ser co- terá sucesso amanhã. Por isso, é preci- como as grandes promessas inovadoras piadas”, diz Pastore. No seu entender, so identificar o que pode ser mudado da economia mundial, o que faz com as empresas que sobreviveram à crise e mudar. Quem não se preocupar com que a competição fique mais agressiva. econômica mundial utilizaram a ino- isso está condenado”, diz. Inovar no varejo se dá basicamente vação, pois é mais proveitoso crescer Dentro desse cenário, a inovação com a criação de novos conceitos. Con- expandindo do que cortando custos. para o pequeno e o médio varejo é ceitos esses que podem gerar novos for- matos de lojas, de desenvolvimento de Inovar no varejo se dá com a criação de conceitos, que podem gerar novos formatos de lojas, tecnologia de apoio e atendimento, um mix de alta qualidade, ou ainda uma nova forma de liderar a equipe da loja. Tudo de desenvolvimento de tecnologia de apoio isso implica mudanças que precisam ser feitas e que necessitam de investimento. e atendimento, um mix de alta qualidade, ou Os resultados podem vir a longo ou curto ainda uma nova forma de liderar a equipe da loja prazo, depende do que o varejista estabe- lecer como prioridade, mas a maior res- Maurício Morgado, professor do totalmente possível, já que de acordo posta que se pode ter é a satisfação que os Centro de Excelência em Varejo da Es- com Ricardo Pastore, da ESPM, os clientes demonstrarão ao vivenciar uma cola de Administração de Empresas de grandes são mais rígidos, ou seja, qual- nova experiência de compra, em ambien- São Paulo, da Fundação Getulio Vargas quer tipo de mudança é complexa e tes pensados e adequados às necessidades (EAESP-FGV), compartilha da mesma envolve muitas pessoas, departamentos específicas de cada um. Esse é o principal opinião. “Muitas empresas ficam pre- e processos. “A agilidade do pequeno caminho a seguir. sas ao sucesso que fizeram no passado. pode ser revertida em inovação e não Segundo o coordenador do núcleo É fácil se acostumar com o que já foi precisa vir de fora, mas encontrada de varejo da Escola Superior de Propa- conquistado e não inovar”, lembra. dentro de suas próprias características.” ganda e Marketing (ESPM), Ricardo Morgado revela que para se tornar Os resultados devem ser pensados sem- Pastore, mais do que uma palavra de uma empresa inovadora a única preo- pre em curto e longo prazo. Pastore diz ordem a inovação é uma ação manda- cupação deve ser a de encontrar cami- que com equilíbrio o varejista estabele- tória, uma necessidade para o varejista nhos que possibilitem uma vida mais ce o que quer de retorno imediato e o que pretende continuar no mercado. cômoda aos consumidores. que pode ser mais demorado.
  3. 3. Oportunidade Conceitos inovadores CLIENTE POTENCIAL Mais do que uma palavra de ordem Um consumidor é diferente do ou- O coordenador do núcleo tro, o que é luxo para um pode não de varejo da ESPM, Ricardo ser para o outro. Conhecer a região do a inovação é uma Pastore, mostra alguns itens bairro no qual a loja está inserida ajuda que podem ser um caminho e muito a entender os hábitos e costu- ação mandatória, acertado para que uma empresa mes de seus clientes, explica Valter Pie- uma necessidade para o varejista comece a ser inovadora: racciani. “Podemos classificar os consu- Construção da marca: midores de cada região em tribos, ou a consolidação do nome seja, o dono da loja deve saber identi- que pretende do estabelecimento é muito importante. Tudo o que for feito ficar para qual tribo ele vai vender, por continuar pode levar a essa valorização. isso conversar com os clientes e com os colaboradores da empresa é sempre no mercado Sustentabilidade: o que positivo”, explica. Pieracciani diz ain- a persistência do hábito.” Segundo ele, o varejista pode fazer dentro da que os anseios dos clientes estão em essa prática ainda não é tão valoriza- de sua loja para que ela seja sustentável? O primeiro passo constante mudança e entender o que da, já que a América Latina tem uma pode ser a coleta seletiva de eles realmente querem é uma ativida- cultura autoritária. “Os donos gostam lixo. Os clientes percebem de que demanda um longo exercício mais de impor do que ouvir e, assim, quando o estabelecimento tem de observação. as pessoas ficam condicionadas ao que esse tipo de preocupação. De acordo com o gerente de aten- eles dizem. Somos muito passionais, Estratégia multicanal: dimento a varejistas da Nielsen Brasil, tudo envolve emoção”, conclui. hoje em dia existem diversos Olegário Araújo, não se pode querer Valter Pieracciani enfatiza o que canais de comunicação. O vender tudo para todos, pois assim disse Olegário Araújo e reafirma que 34 empresário pode proporcionar ninguém fica satisfeito. “Os shoppers aqueles gestores que possibilitam essa uma convivência da loja física olham a evolução segundo tendências troca de informações com seus cola- com a virtual. de consumo. O futuro está aqui hoje, boradores conseguem obter resulta- Comunicação interativa só não está bem distribuido, ou seja, dos mais fortes e eficazes, pois o que no ponto de venda: alguns já têm acesso a ele, outros não.” acontece no estabelecimento não fi- descobrir formas de como Araújo revela que a inovação no cará concentrado somente na cabeça o consumidor pode obter varejo depende e muito do estilo de do dono; os funcionários que estão informações dentro da loja liderança de cada gestor. “Não adian- no dia a dia com os consumidores de maneira que ele entenda e ta o dono do negócio colocar na loja precisam ter espaço para levar o que tenha acesso a tudo sozinho. só aquilo que ele gosta. Aproximar-se ouvem até seu patrão. Experiência de compra: o de sua equipe lhe dá a possibilidade Muitos varejistas deixam de investir varejista oferece a percepção de de verificar, por exemplo, se há um em inovação por considerarem uma valor que seu consumidor tem. Dessa forma, o cliente entende produto que está no estoque mas não aplicação de risco. Olegário afirma que que ele precisa comprar naquela chega à área de vendas; juntos, eles os riscos só existem para aqueles que não loja, porque tudo o que acontece poderão chegar à melhor forma de conhecem seus clientes e que ser estra- lá faz a diferença. solucionar os problemas, ou seja, o tégico não é só saber o que fazer, mas Desenvolvimento em relacionamento torna-se fundamen- sobretudo saber o que não fazer. “Não redes sociais: mais uma tal.” O gerente orienta o gestor a fazer saber o que o cliente quer e investir na- opção de relacionamento com uma agenda e, de tempos em tempos, quilo que o consumidor nem enxerga os clientes, por meio das novas a conversar com a equipe, definindo o na loja é gastar dinheiro à toa e esse é mídias, que também serão que a empresa quer comunicar, o que o principal risco. Quando se investe em um canal de divulgação de precisa ser feito, quais as prioridades, inovação não se pode almejar lucro ime- promoções, novidades e até quem serão os responsáveis, em quan- diato, porque isso o empresário já tem mesmo inovações. to tempo as mudanças precisam ser de ter normalmente. A empresa que não Identificar o que é o novo feitas, qual o investimento necessário obtém lucro não garante nem empregos. luxo: cada cliente tem uma e o possível. “Onde a empresa está e O melhor resultado que ele pode colher necessidade específica, é preciso aonde se quer chegar: essa visão tem é a satisfação dos clientes”, finaliza. saber para quem se vende. de ser compartilhada. Tal atividade Assim que o cliente se depara com deve ser corriqueira, pois a virtude é uma nova proposta, ele é induzido a MAR/ABR 2010
  4. 4. 35 Assim que o cliente dicionador, creme para pentear e de dessem relaxar ou fazer uma reunião tratamento, ou, ainda, o varejista pode de trabalho, por exemplo. Ou seja, os se depara com uma dispor de um espaço onde os clientes proprietários souberam agregar valor nova proposta , experimentem os produtos dentro do ponto de venda. Uma televisão de plas- ao seu produto, descobriram o que os clientes valorizavam. Essas sacadas po- ele é induzido a ma aí existente, por exemplo, mostrará dem levar quem tem uma loja a abrir aceitá-la. Depois como se faz um penteado novo. Isso é uma possibilidade de inovação”, exem- duas ou três rapidamente”, conta. de vivenciar a plifica Maurício Morgado, da FGV. experiência, ele verá De acordo com Valter Pieracciani, Anote na Agenda se valeu a pena ou não a inovação pode transformar um pe- queno varejista em grande varejista, e • EAESP-FGV aceitá-la. Depois de vivenciar a experi- lembra o caso da Starbucks, uma rede www.eaesp.fgvsp.br ência, ele verá se valeu a pena ou não. de cafeterias americana. “Eles começa- • ESPM Dessa forma, passa a ser o maior pro- ram com uma pequena loja que vendia www.espm.br pagador dos conceitos de inovação que café, mas os donos perceberam que os • Nielsen viu e sentiu dentro do estabelecimento. clientes queriam algo mais. Aos pou- http://br.nielsen.com “Quando um cliente vai até um su- cos, começaram a reestruturar o ponto • Pieracciani permercado procurar um xampu, essa de venda, oferecendo um ambiente www.pieracciani.com.br loja pode oferecer o tratamento com- tranquilo, confortável, em que, além pleto para os cabelos, como o con- de tomar seu cafezinho, as pessoas pu-

×