A troca no
comando é
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Ao sair do Carrefour, o francês Jean-Marc Pueyo deixa
para seu sucessor, Luiz Fazzio — o ...
NEGÓCIOS            varejo

    A troca na linha de frente encerra um                                                     ...
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A troca de comando é só o começo

  1. 1. A troca no comando é só o começo Ao sair do Carrefour, o francês Jean-Marc Pueyo deixa para seu sucessor, Luiz Fazzio — o primeiro brasileiro a ocupar o posto —, a missão de fazer mudanças rápidas para aumentar a rentabilidade da rede JOÃO WERNER GRANDO mular a diretoria comercial e logística de no grupo desde 2007. Na semana se- H á cerca de dois anos. o francês Jean-Marc Pueyo, então diretor- hipermercados. Poucas semanas depois, guinte à saída de Pueyo. outros dois superintendente da operação no dia 20 de julho,o presidente mundial executivos deixaram a empresa — o di- brasileira do Carrefour. fez um Lars Olofsson enviou simultaneamente retor financeiro. Pedro Daniel Maga- convite para o paulistano Luiz Fazzio, a seus funcionários no Brasil e na matriz, lhães, e o de hipermercados, o francês na ocasião presidente da C&A no Brasil. na França, o comunicado de que Pueyo Eric Reiss. Exceto no caso de Britto. Pueyo queria marcar uma conversa pes- deixava o grupo após 32 anos de traba- substituído por Roberto Mussnich. até soalmente a respeito do varejo de ves- lho. Em seu lugar, o recém-chegado Faz- então responsável pela expansão do mo- tuário, departamento que pretendia ex- zio assumiria o posto como o primeiro delo do Atacadão na América Latina, os pandir nas lojas do Carrefour. Após brasileiro a comandar a subsidiária local outros três cargos ainda estão vagos. aquele primeiro encontro, os dois volta- desde a abertura da primeira loja no país, Segundo executivos próximos à empre- ram a se falar meses mais tarde numa em 1975. Aos 49 anos, Fazzio chegou ao sa, as mudanças refletem o desconten- situação bem diferente. Dessa vez, Pueyo topo antes de completar um ano de tra- tamento da matriz diante dos resultados convidou Fazzio para ocupar o cargo de balho — algo inédito numa companhia da operação brasileira. Em vendas, a diretor executivo de supermercados, di- em que os executivos tradicionalmente operação apresentou o segundo maior visão que, sob a bandeira Carrefour Bair- acumulam décadas de casa. crescimento dentro do grupo no ano pas- ro, responde por menos de 5% das ven- A indicação inesperada de Fazzio não sado — 14,5%, atrás apenas da operação das de 25 bilhões de reais que o grupo é a única movimentação no alto coman- chinesa, que cresceu 16%. Mas sua efi- francês registrou no Brasil em 2009 do da operação brasileira. Desde maio, ciência. medida por uma margem Ebitda (Fazzio havia deixado o comando da outros quatro altos executivos deixaram (relação entre a geração de caixa e a re- C&A sete meses antes). A contratação a empresa. O primeiro foi o diretor co- ceita líquida) inferior a 5.5%. está bem para o cargo, feita em dezembro sem o mercial da área alimentar. Manoel Araú- abaixo da de concorrentes como o Pão intermédio de headhunters. logo se mos- jo. Em seguida foi a vez do diretor da de Açúcar — em que essa taxa chegou trou o primeiro passo de uma rápida as- operação do Atacadão, Roberto Britto, a 6.5% em 2009. Procurado, o Carrefour censão. Em junho, Fazzio passou a acu- ex-presidente do Ponto Frio, que estava não comentou as mudanças. 52
  2. 2. NEGÓCIOS varejo A troca na linha de frente encerra um da rede paulista Gime- período de certa estabilidade no coman- nes. "Para alcançar os do do Carrefour no país. Antes da che- concorrentes no for- gada de Pueyo, em 2004. três executivos mato supermercado, o passaram pelo cargo sem permanecer Carrefour teria de par- mais de dois anos na posição. Pueyo não tir para grandes aquisi- só teve um mandato mais longevo como ções'", diz Ricardo Pas- conseguiu vencer alguns obstáculos his- tore, especialista em tóricos. Um deles foi a centralização das varejo da ESPM. operações de hipermercados, uma tarefa Na busca por mais que perseguia os chefes da operação bra- eficiência. Fazzio tam- sileira desde o final dos anos 90 — tra- bém deverá enxugar dicionalmente, cada loja tinha indepen- custos em áreas como dência para gerir compras e estoques, o logística e compras. que implicava perdas de escala e de com- Cortar despesas é algo petitividade. Pueyo também conseguiu de que o executivo, dar um norte às operações de supermer- com passagem por cados com a criação da bandeira Carre- grandes empresas do four Bairro em 2006. Paralelamente, ele setor, como Makro, decidiu acabar com a marca Champion, Walmart e Pão de Açú- criada em 2000 para abrigar os super- car, entende bem. En- mercados resultantes de uma série de tre 2002 e 2009, perío- aquisições feitas nos anos 90 (a medida do em que comandou implicou o fechamento de mais de 60 A parte mais difícil da tarefa de Fazzio a C&A. Fazzio imple- lojas deficitárias). Sua maior tacada veio será equilibrar o peso das bandeiras em mentou um sistema com a compra do Atacadão em 2007. busca de indicadores melhores de renta- para começar a medir Em três anos. a rede de atacarejo dobrou bilidade — algo que seus antecessores os indicadores de cada o faturamento, para 10 bilhões de reais, não conseguiram fazer. Um dos pontos- loja — o que resultou o equivalente a 40% das vendas atuais chave é aumentar a proporção de super- numa ampla revisão do Carrefour no Brasil. A operação foi mercados no portfolio, que atualmente dos processos. A pres- considerada modelo pela matriz, que soma apenas 49 lojas (o Pão de Açúcar, são pela redução de abriu uma loja da bandeira na Colômbia por exemplo, tem 368). Hoje, quase me- gastos era tamanha que em março. A previsão era que outra uni- tade das vendas vem de hipermercados, alguns gerentes de loja chegaram a des- dade seria inaugurada na Argentina no um formato menos rentável que o ataca- ligar a escada rolante durante o dia para primeiro semestre, mas por causa da cri- rejo e que as lojas menores de bairro. economizar energia elétrica. "Foi o pe- se ainda não saiu do papel. "Todas as redes possuem dificuldades ríodo de maior rentabilidade da empresa com os hipermercados", afirma Silvio no país", diz um ex-executivo da C&A. FAZZIO RECEBE A OPERAÇÃO brasilei- Laban, professor especialista em varejo "Mas seu estilo combativo entrou em ra, a terceira maior do grupo no mundo, da escola de negócios Insper. "O proble- conflito com a cultura tradicional da atrás de França e Espanha, com a clara ma é que, entre todas elas, o Carrefour é companhia e comprometeu o crescimen- missão de intensificar o ritmo de expan- a mais dependente desse modelo." No to da rede." Desta vez, o estilo dc Fazzio são e aumentar o lucro. Na primeira ano passado, a bandeira de supermerca- pode combinar com o ritmo acelerado frente, ele contará com recursos recor- dos ganhou apenas dez unidades — re- esperado pela matriz. No início deste des. A matriz destinou 2,5 bilhões dc sultantes da aquisição de parte das lojas ano. Olofsson — ele mesmo um foras- reais para promover uma expansão or- teiro. vindo em janeiro de 2009 da Nestlé gânica até o fim de 2011. quase 40% — anunciou a intenção de vender as ope- mais que o volume do biênio anterior. rações de Malásia, Tailândia e Singapu- Apenas para este ano. está prevista a ra, onde não vê chances de a companhia abertura de 70 lojas, sobretudo no Norte tornar-se líder. Em relação ao Brasil, po- e no Nordeste. Em março, a operação rém, ele já declarou ter grandes expecta- brasileira investiu 50 milhões de reais na tivas — o executivo prevê que. em cinco estreia de sua operação de comércio ele- anos. as vendas por aqui cheguem a 20% trônico — a empresa francesa foi a últi- do faturamento global, o dobro da parti- ma das grandes varejistas instaladas no cipação atual. Fazzio precisará fazer mais país a iniciar vendas pela internet. do que cortar custos para chegar lá. Fonte: Exame, São Paulo, ano 44, n. 14, p. 52-54, 11 ago. 2010.

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