ROBERTO ROHREGGERBREVE INTRODUÇÃO À CARTA AOS HEBREUS
ÍNDICE REMISSIVO  1.    INTRODUÇÃO................................................2  2.    AUTORIA...........................
canocidade hoje é algo inquestionável, salta-nos aos olhos o Espírito Santo nosensinando e exortando, quanto a isto nada h...
A partir de 2.1 ele emprega constantemente a primeira pessoa do plural           como alguém que participa intimamente da ...
Champlin faz uma análise do estilo e característica do texto de hebreuscomparando-o com os textos universalmente aceitos c...
temas caros e comuns nas epístolas paulinas, e na falta de uma indicação deautoria no corpo da carta, podemos afirmar com ...
verdade o título é claramente enganoso. (O título como endereçado a        toda a comunidade hebraica, mas deporia a favor...
cristianismo, este ponto é citado tanto por Guthrie[11] como de passagem porDattler[12] , mas como esta hipótese não é mel...
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apóstolos ( Hb 2.3), o livro permaneceu sob suspeita entre os cristão do   Oriente, que não tinham ciência que os crentes ...
13.17). Necessitavam ser novamente exortados a imitar a fé daqueles que ostinham precedido na viagem para a glória (Hb 13....
Que era o judaísmo que assim os atraía, em detrimento do Cristianismo, parececonfirmado pelo modo óbvio com que o escritor...
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de Melquisedeque é real e para sempre, assim é com Cristo e ainda mais,uma vez que é infinitamente superior. O autor desen...
Indubitavelmente a falta de certezas com relação ao autor, destinatários,   locais, caem por terra após uma análise mais d...
GEISLER, Norman ; NIX, William – Introdução Bíblica – São Paulo SP; 1997, 1ª Edição; Editora Vida.DAVIDSON, Francis (ed.),...
excelente nome[ conf. Hb. 1.3-4]. Porque está escrito assim; “Aquele que a seusanjos faz ventos, e a seus ministros, labar...
[13] ver Hebreus pg 22[14] Hebreus – introdução e comentários, pg 25[15] DAVIDSON, Francis (ed.), STIBBS, A. M. (colab.), ...
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  1. 1. ROBERTO ROHREGGERBREVE INTRODUÇÃO À CARTA AOS HEBREUS
  2. 2. ÍNDICE REMISSIVO 1. INTRODUÇÃO................................................2 2. AUTORIA.......................................................3 3. OS DESTINATÁRIOS......................................6 4. DATA E LOCAL DA REDAÇÃO.........................8 5. CANONICIDADE.............................................9 6. MOTIVO E PROPÓSITO................................10 7. TEOLOGIA...................................................13 8. CONCLUSÃO...............................................14 9. BIBLIOGRAFIA.............................................15 10. NOTAS.....................................................16 1. Introdução.Da mesma forma com que Donald Guthrie iniciou a sua introdução e comentário àCarta aos Hebreus[1], começaremos o nosso estudo, constatando que há umasérie de perguntas que não são totalmente respondidas, havendo uma variação derespostas muito grande e não raras vezes conflitantes sobre está carta. A sua 2
  3. 3. canocidade hoje é algo inquestionável, salta-nos aos olhos o Espírito Santo nosensinando e exortando, quanto a isto nada há de se duvidar. Nosso objetivo nestetrabalho de introdução á Carta aos Hebreus é exatamente examinarmos maisdetalhadamente as questões inerentes ao redor da carta, sua autoria, local ondefoi escrita, motivo pelo qual o autor despendeu-se a escreve-la, seus destinatários,etc... , para tanto efetuei uma pesquisa entre vários autores visando apresentaruma síntese analítica do que se tem pesquisado e concluído sobre essamaravilhosa epístola, isto posto iniciemos o trabalho. 2. Autoria.Contrariando o que seria o usual de qualquer escritor, o autor de hebreus não seidentifica, em nenhum momento do decorrer da carta. A saudação inicial que sefazia normalmente nas cartas da época onde ficava claro quem era o autor não sefaz presente nesta.Fritz Laubach salienta ainda que, “Em Hebreus faltam todas as indicações maisdiretas sobre o autor e os destinatários....” [2]Devemos salientar que até a igreja primitiva tinha dificuldades com ela, ConformeGuthrie afirma, porém não deixando de notar os paralelos entre o escrito de 1Clemente, com Hebreus[3], o que no mínimo pode atestar o conteúdo da carta,mas não o autor.Dattler, em sua obra “A Carta aos Hebreus”[4] faz algumasconsiderações com relação ao autor: Apesar de se manter estritamente anônimo, o autor está presente em cada página de sua missiva. Logo no primeiro versículo ele se revela como judeu ao se identificar como descendente dos “ nossos pais”. A maneira de falar é tipicamente judaica e semítica. Igualmente a menção respeitosa dos profetas faz sentido somente para um judeu. Mas isso não é tudo que sabemos o escritor da carta. 3
  4. 4. A partir de 2.1 ele emprega constantemente a primeira pessoa do plural como alguém que participa intimamente da situação comum de todos os cristãos, mormente dos seus leitores com os quais ele forma uma comunidade de interesses e de sofrimentos. (...) O autor revela-se ainda como teólogo exímio, conhecedor abalizado da Bíblia e mestre no manejo do idioma grego, possuindo um estilo e um vocabulário pessoais ; não imita a ninguém, contrariamente àqueles hagiógrafos do NT que se ocultam atrás de nomes famosos (...). Contanto, no decorrer do comentário deverão ser assinaladas as suas analogias e talvez até dependências das teologias de Paulo e de João. (...) O que ele nos diz sobre a vida terrestre de Jesus de Nazaré é muito vago e tão voluntarioso que somos obrigados a concluir que ele, ou não tomava conhecimento dos Evangelhos, ou então que ele escreveu antes da redação final dos mesmos.Culto, pensador profundo, familiarizado com o AT, hebreu, conhecedor deelementos da teologia paulina, porém não um dos que estavam com Cristo, etambém não Paulo. Parece ser este o perfil do autor que surge da análise deDattler. Já Laubach o coloca próximo aos apóstolos, concorda em dizer que o autor nãoreclama a posição de apóstolo, mas, afirma : “... temos de localiza-lo, nãoobstante, na proximidade imediata dos apóstolos...”[5] , o que conflita com aafirmação de Dattler de que o autor não tomava conhecimento dos Evangelhos,porém Laubach afirma inicialmente que o autor não faz parte dos primeirosapóstolos, mas alinha-se na segunda ou terceira geração. 4
  5. 5. Champlin faz uma análise do estilo e característica do texto de hebreuscomparando-o com os textos universalmente aceitos como de autoria paulina, edesta análise salienta-se o que segue: (...)O estilo de Paulo é caracterizado por freqüente irregularidades, anacolutos, parênteses extensos, alguns dos quais nunca retornam ao tema original, metáforas misturadas, explosões súbitas de eloqüência, com base em sentenças que expressam algo de maneira bastante prosaica. A epístola de Hebreus, em contraste com isso, foi escrita em estilo fluente e simétrico, e até mesmo artístico, evidenciando considerável habilidade literária e bom senso estético. O grego usado é melhor e mais clássico que o bom grego de Paulo mas que geralmente é o comum grego “Koiné”.(...) [6]Fecharemos nossas considerações com relação a autoria da carta aos hebreuscom a opinião de Guthrie , que também afirma que a carta não foi escrita porPaulo, concluindo que o apóstolo jamais admitiria que recebeu o núcleo do seuevangelho em segunda mão, como o autor parece fazer.[7]Afirma ainda que restam poucas outras possibilidades, Lucas, Clemente eBarnabé. Porém nenhuma destas alternativas tem indícios suficientes para sesustentarem.Um outro nome surge nas conjecturas mais modernas : Apolo, baseado nasuposição de que, como alexandrino teria familiaridade com os modos de pensardo seu concidadão alexandrino Filo, que supostamente estão refletidos naEpístolas.Por todos os motivos expostos acima, apoiado nas considerações dos escritorescitados, em que fica constatado tanto a diferença de estilo literário, a ausência de 5
  6. 6. temas caros e comuns nas epístolas paulinas, e na falta de uma indicação deautoria no corpo da carta, podemos afirmar com uma margem muito grande desegurança de que o autor da carta aos hebreus não foi Paulo. Isso de maneiraalguma a desautoriza como documento inspirado e de canocidade comprovada.Porém o nome verdadeiro do autor continua um mistério, e como disse Orígenes :“Mas só Deus sabe quem realmente escreveu a epístola.”[8], e tudo leva a crerque é assim que ficará. 3. Os Destinatários. Aparentemente este é mais um mistério da carta, pois tudo o que sabemos paraidentificar os destinatários é o título que possivelmente deu-se pelo teor da carta.O título ligado a está carta no manuscrito mais antigo que existente é “ AosHebreus”, e pelo que nos relata Guthrie, não há manuscrito da carta que nãotenha esse título. O próprio Guthrie afirma na sua introdução que nos tempos deClemente de Alexandria e de Tertuliano a epístola era conhecida por esse nome.Algumas hipóteses interessantes com relação aos destinatários originais da cartaforam levantadas, baseados no teor da carta, Guthrie[9] por exemplo expõealguns indícios para a identificação dos mesmos : (...)Certamente o autor sabe algo a cerca da historia e situação.(dos destinatários específicos.). Sabe que foram abusados pela sua fé e que reagiram bem ao despojamento das suas propriedades (10.33, 34). Tem consciência da generosidade dos seus leitores (6.10) e conhece o estado de mente atual deles (5.11ss.; 6.9ss). Certos problemas práticos tais como sua atitude para com seus líderes (13.17) e questões de dinheiro e de casamento(13.4,5) são mencionados. Se este for a 6
  7. 7. verdade o título é claramente enganoso. (O título como endereçado a toda a comunidade hebraica, mas deporia a favor de um grupo mais específico, de conhecimento intimo do autor.) (...) Outra indicação da natureza do grupo pode ser deduzida de referencias tais como 5.12 e 10.25. A primeira é dirigida àqueles que nesta altura já deviam ser mestres, e isto deu origem à sugestão de que os leitores eram uma parte pequena de um grupo maior de cristãos. A sugestão mais favorável pe que formavam um grupo numa casa que se separara da igreja principal. A exortação em 10.25 apoiaria esta opinião. Ali, o escritor conclama os leitores a não deixarem de congregar-se juntos. Parece razoavelmente conclusivo que a totalidade de um igreja não teria sido considerada mestres em potencial, e é altamente provável que um grupo separatista pudesse ter se considerado superior aos demais, especialmente se foram dotados com dons maiores. O tema que nesta Epístola é argumentado de modo compacto está de acordo com a sugestão de que um grupo de pessoas com um maior calibre intelectual está em mente. (...) Laubach, também afirma que a exortação constante em Hb 5.11 – 14 sugira asuposição de que a carta talvez seja dirigida apenas a um determinado grupo defiéis específicos de uma comunidade, do qual estariam excluídos os irmãosdirigentes, os líderes da comunidade[10].Porém a opinião mais comum, principalmente entre os comentaristas maisantigos é de que a localização dos destinatários estaria entre os judaico-cristãosda Palestina ou de Roma, ou outras cidades em que houvesse judeus-cristãos deformação helenista, p. ex. , em Éfeso, Tessalônica, Alexandria. Também élevantada a hipótese de que os receptores da carta seriam judeus – cristãos deorigem sacerdotal.Por ultimo podemos citar a hipótese de que os destinatários seriam membrosantigos da comunidade dos essênios em Cunrã que se converteram ao 7
  8. 8. cristianismo, este ponto é citado tanto por Guthrie[11] como de passagem porDattler[12] , mas como esta hipótese não é melhor desenvolvida por nenhum dosautores concluímos que é pouco sustentável.Constatamos então que assim como a autoria é desconhecida, o destinatáriotambém não é por completo de identificação clara. Apesar das conjecturas nãoterminarem aqui, Guthrie mesmo levanta a questão da possibilidade dos leitoresoriginais serem gentios[13], cremos que há uma sustentação um pouco maior porserem judeus-cristãos de uma comunidade específica, porém de localização vaga. 4. Data e Local da Redação. Se não conseguimos identificar o autor, verificar com clareza os destinatários,seria uma surpresa se conseguíssemos a data em que foi escrita com uma certaexatidão.O que tentaremos será identificar o período em que ela pode ter sidoescrita.Guthrie[14] afirma que podemos pelo menos concluir que foi escrita antesda carta de Clemente de Roma ( 95 d. C.), a não ser, naturalmente quealeguemos que Hebreus usou Clemente. No nosso entender isso é poucoprovável, o que mais parece é o contrario, conforme podemos ver no item Autoria,na citação de rodapé 3.A Bíblia de Jerusalém afirma que baseado no Cap. 13, 24, pode-se supor que foienviada da Itália, e que tenha sido escrita antes da queda de Jerusalém.Fato este também mencionado por Guthrie, pois o autor não cita o templodestruído por Tito em 70 d. C., porém levanta-se a hipótese do autor não fazerreferências mais ao tabernáculo que ao Templo justamente porque este não maisexistia. Contudo o próprio Guthrie argumente que os tempos usados no presente, 8
  9. 9. como por exemplo em 9.6-9 indicam que o ritual do Templo ainda estivesse sendoobservado, pelo menos evidenciam isso.O Novo Comentário da Bíblia (NCB)[15] afirma que é não é possível fixar umadata para Hebreus : (..) impossível fixar a data da epístola com certeza absoluta, ainda que se possa dizer com considerável confiança que, muito provavelmente, ela foi escrita entre 60 e 70 D. C. Seus leitores já eram crentes há muitos anos (Hb 5.12; Hb 10.32). Alguns de seus líderes originais já haviam falecido (Hb 13.7). Por outro lado, Timóteo ainda estava vivo (Hb 13.23). Parece possível argumentar que, se a destruição de Jerusalém tivesse tido lugar, o escritor não deixaria de referir-se ao fato, particularmente em vista de que isso foi um significativo julgamento de Deus contra a antiga ordem de adoração judaica.(...) Somos obrigados a concordar com os autores de que, se a destruição do templo houvesse ocorrido ou estivesse na eminência de ocorrer, este fato de uma forma ou outra ( como um evento escatológico, p. ex.) apareceria na carta. A maioria dos escritores coloca a data em que a epistola foi escrita em torno do ano 70 d. C. 5. Canonicidade Pelo que vimos até agora não é de se estranhar que está carta estivesse entre os que alguns pais da igreja questionavam, e por isso ainda no séc. IV ainda não haviam obtido o reconhecimento universal. Foi basicamente a anonimidade do autor que suscitou dúvidas sobre Hebreus.Face o autor não se identificar e não afirmar ter sido um dos 9
  10. 10. apóstolos ( Hb 2.3), o livro permaneceu sob suspeita entre os cristão do Oriente, que não tinham ciência que os crentes do Ocidente o haviam aceito como autorizado e dotado de inspiração. O fato do montanistas heréticos terem recorrido a Hebreus para apoiar alguma de suas concepções errôneas fez demorar ainda mais sua aceitação nos círculos ortodoxos. Apenas ao redor do séc. IV, sob influência de Jerônimo e de Agostinho, a carta aos Hebreus encontrou seu lugar permanente no cânon. Com o passar do tempo , a igreja evidentemente resolveu a questão do anonimato da carta atribuindo a autoria a Paulo, o que resolveria a questão. Uma vez que o Ocidente estava convencido do cunho apostólico desse livro, nenhum, obstáculo permaneceu no caminho de sua aceitação plena e irrevogável no cânon. O teor do livro é claramente confiável, tanto quanto sua reivindicação de deter autoridade divina ( cf. 1.1; 2.3,4; 13.22).[16] 6. Motivo e PropósitoA condição espiritual se reveste dos receptores da epistola tem muito maiorsignificação que sua localização geográfica. O escritor claramente contrasta oestado em que seus leitores se encontram com o estado em que estavamanteriormente, com o em que deveriam estar, e com o estado em que pareciamestar no perigo de cair. Ainda que crentes eram indolentes (Hb 5.11-6.12) edesanimados (Hb 12.3-12). Haviam perdido seu entusiasmo inicial pela fé (Hb3.6,14; Hb 4.14; Hb 10.23,35). Haviam deixado de crescer, ou melhor, deprogredir, e sofriam de séria deficiência no que tange à compreensão e aodiscernimento espirituais (Hb 5.12-14). Estavam deixando de freqüentar asreuniões cristãs (Hb 10.25) e de ser ativamente leais a seus líderes cristãos (Hb 10
  11. 11. 13.17). Necessitavam ser novamente exortados a imitar a fé daqueles que ostinham precedido na viagem para a glória (Hb 13.7). Tendiam para ser facilmentelevados ao redor por ensinos novos e estranhos (Hb 13.9). Corriam o perigo denão estarem à altura das promessas de Deus (Hb 4.1), desviando-se daquilo quetinham ouvido (Hb 2.1). Estavam mesmo no perigo de abandonar completamentea fé, numa deliberada e persistente apostasia (Hb 3.12; Hb 10.26); e esse perigotornar-se-ia mais grave se deixassem de freiar qualquer dentre seu número queestivesse se movendo nessa direção (Hb 3.13; Hb 12.15). Caso cederem a taltentação e vierem a rejeitar realmente o Evangelho de Cristo, não poderão esperarsenão o julgamento (Hb 10.26-31).Particularmente na qualidade de quem anteriormente haviam sido zelososaderentes do judaísmo, parece muito provável que os leitores originais da epístolatinham ficado pessoalmente desapontados com o Cristianismo porque, por umlado, ele não lhes tinha proporcionado qualquer reino visível terreno e, por outrolado, o Cristianismo havia sido decisivamente rejeitado pela grande maioria dosseus irmãos de raça, os judeus. Além disso o continuo apego ao Evangelhoparecia apenas envolvê-los na participação das repreensões injuriosas de umMessias sofredor e crucificado, e no ter de enfrentar a possibilidade de violentaperseguição anti-cristã. É bem possível, portanto que se sentissem seriamentetentados a renegar a Jesus como o Messias e tornar a abraçar os bens visíveis epreferíveis, que o judaísmo parecia continuar a oferecer-lhes.Guthrie[17] acrescenta que o cristianismo não poderia oferecer paralelo comrelação à pompa ritual que eles haviam conhecido como costume.Ao contrário doTemplo, que todos os judeus respeitavam como o centro do culto, os cristãoreuniam-se em lares diferentes sem sequer terem um lugar central para suasreuniões. Não tinham nem altar, nem sacerdotes, nem sacrifícios. O judaísmodispunha de um reconhecimento não só das autoridades como do povo em geral.Todas estas questões poderiam levar o convertido a querer rever suas posições. 11
  12. 12. Que era o judaísmo que assim os atraía, em detrimento do Cristianismo, parececonfirmado pelo modo óbvio com que o escritor resolve, desde o início da epístola,demonstrar a superioridade do novo pacto sobre o antigo, exibindoparticularmente a proeminente excelência de Jesus, o Filho de Deus, emcomparação com os profetas e os anjos, os líderes e os sumos sacerdotes queoperavam na antiga dispensação. Portanto, o escritor mostra que se a antigaordem era imperfeita e provisória, o Cristianismo trouxe perfeição (Hb 7.19), eperfeição que é eterna (Hb 5.9; Hb 9.12,15; Hb 13.20). Tanto o autor como seusleitores originais aparentemente eram judeus helenistas que tinham algumafamiliaridade com o pensamento filosófico dos gregos, e parece que o autor lançamão de idéias baseadas em tais origens ao declarar que a antiga ordem continhameramente "figura do verdadeiro" (Hb 9.24) ou então apenas a "sombra dos bensvindouros, não a imagem real das cousas" (Hb 10.1). Por outro lado, oCristianismo é a própria verdade, a celestial e ideal realidade, que possui real eabsolutamente todos aqueles valores inerentes que naquela ordem antiga, quandomuito, podem apenas ser refletidos ou prefigurados. Não obstante, visto que seusleitores reconheciam a autoridade divina das Escrituras do Antigo Testamento, seuargumento final em favor do reconhecimento da superioridade de Cristo sobre osanjos e sobre o sacerdócio levítico, e a favor da superioridade de Seu sacrifício deSi mesmo-sobre os sacrifícios de touros e bodes, é o testemunho profético dopróprio Antigo Testamento. Ver Hb 1.5-13; Hb 7.15-22; Hb 10.5-10.O propósito do escritor, por conseguinte, era tornar seus leitores plenamentecônscios, primeiramente, da admirável revelação e salvação dada por Deus aoshomens, na pessoa de Cristo; em segundo lugar, deixá-los plenamente cônsciosdo verdadeiro caráter celestial e eterno das bênçãos assim livremente oferecidas eapropriadas pela fé; e em terceiro lugar, para dar-lhes plena consciência do lugarde sofrimento e paciente persistência (mediante a fé) no presente caminho terrenoaté o alvo do propósito de Deus, conforme demonstrado na experiência e na obrado Capitão de nossa salvação e na disciplina de Deus aplicada a todos os Seusfilhos. Em quarto lugar, ainda, para proporcionar-lhes consciência do terríveljulgamento que certamente sobrevirá a qualquer que, conhecendo tudo isso, 12
  13. 13. rejeitar tal revelação em Cristo. Tendo-se esforçado para torná-los cônscios detudo isso, o propósito complementar do escritor é impeli-los a agir deconformidade com esse conhecimento. Tais propósitos são apresentados atravésda epístola inteira mediante o emprego de exposição racional, exortaçãodesafiadora e solene advertência. [18]O texto da carta conforme vimos anteriormente tinha a clara intenção dedemonstrar que apesar de tudo que o culto judaico poderia oferecer, o cristianismoera de sobremaneira melhor, e caberia aos irmãos caminharem na fé. 7. TeologiaNotamos no decorrer da carta um encadeamento de idéias e uma crescenterevelação dos objetivos do autor, a forma como o autor inicia a carta apresentandoa singularidade de Cristo, parece deixar claro que a mesma versará sobre essetópico. Guthrie divide o texto de Hebreus em alguns tópicos teológicos, quais sejam: O caráter do Filho, onde a apresentação de Cristo é indubitavelmente exaltada, onde fica claro a divisão da cristologia em três aspectos: a pré-existencia, a humanidade, e a exaltação do Filho. Outro ponto de vital importância é a afirmação da superioridade do Filho sobre outros, sejam homens, sejam anjos. Acrescenta ainda o autor afirmando a superioridade de Cristo a Moisés (3.1-6), está é uma afirmação importantíssima se considerarmos o que foi descrito com relação aos receptores da carta. A apresentação de Cristo como sumo sacerdote comparativamente com Melquisedeque é um dos pontos focais da epístola, uma vez que o sacerdócio 13
  14. 14. de Melquisedeque é real e para sempre, assim é com Cristo e ainda mais,uma vez que é infinitamente superior. O autor desenvolve ainda a questão daobra do Filho como Sumo Sacerdote, diz Guthrie: O fato de que o escritor entre em pormenores ao descrever o Santo dos Santos ( 9.1ss) demonstra que para ele, havia uma estreita conexão entre o ritual arônico e o sacrifício que Cristo fez de Si mesmo. O ritual levitico era considerado uma “figura e sombra” (8.5) do santuário celestial. O pensamento passa do tabernáculo terrestre para o celestial.Na continuação o autor desenvolve o tema da Nova Aliança feita pelo Filho,onde fica claro a substituição da antiga pela nova aliança, porem tem o cuidadode deixar claro que apesar da antiga aliança estar obsoleta, há algumacontinuidade da antiga para a nova, tanto uma como a outra foram ordenadaspor Deus e foram provisão para seu povo.8. ConclusãoComo afirmamos na apresentação, apesar de todos os mistérios que rodeiama carta aos Hebreus, podemos constatar que o autor independente de quemseja foi inspirado, todo o texto de Hebreus nos mostra e afirma a superioridadede Cristo a qualquer outra forma de buscarmos a Deus. O texto flui e somosarrastados pela coerência do autor aos pés de Jesus, onde pela perspectiva dacarta podemos vislumbrar a grandiosidade de Cristo e de seu sacrifício nacruz. 14
  15. 15. Indubitavelmente a falta de certezas com relação ao autor, destinatários, locais, caem por terra após uma análise mais detalhada, pois fica claro que o autor é o Espírito Santo, os destinatários são todos os cristãos que possam estar abatidos ou desanimados, a época em que foi escrita é todo o momento em que é lida e inflama nosso coração coma a alegria da promessa de estarmos nos braços do Pai. 9. BibliografiaGUTHRIE, Donald – A Carta aos Hebreus Introdução e Comentário; SãoPaulo; 1999; Ed. Vida NovaDATTLER, Frederic - A Carta aos Hebreus – São Paulo; SP; 1980, 1ª Edição;Editora PaulinaLAUBACH, Fritz – Carta Aos Hebreus - Curitiba; Pr; 1ª Edição; EditoraEvangélica Esperança 15
  16. 16. GEISLER, Norman ; NIX, William – Introdução Bíblica – São Paulo SP; 1997, 1ª Edição; Editora Vida.DAVIDSON, Francis (ed.), STIBBS, A. M. (colab.), KEVAN, E. F. (colab.),SHEDD, Russell P. (ed. em português). - O Novo Comentário da Bíblia. 3ed.São Paulo, Sociedade Religiosa Edições Vida Nova, 1995CHAMPLIN, Russel Norman Ph.D. – Enciclopédia de Bíblia Teologia eFilosofia; São Paulo; 2001, 5 ed.; vl. 3; Ed. Hagnos EUSÉBIO DE CESÁREA - História Eclesiástica – Editora CPAD – São Paulo;SP -1999---------- - Bíblia de Jerusalém – São Paulo; SP; 2002 – Editora Paulus 10. Notas[1] Hebreus – introdução e comentários. – Donald Guthrie –Editora Vida Nova –1ªedição 1984- pg 13[2] Cartas aos Hebreus – Comentários Esperança – Fritz Laubach – EditoraEvangélica Esperança – 1ª edição[3] Gunthrie cita a seleção de 1 Clemente 36,: acerca de Cristo : “Ele que é oresplendor da sua majestade, é tão superior aos anjos, quanto herdou mais 16
  17. 17. excelente nome[ conf. Hb. 1.3-4]. Porque está escrito assim; “Aquele que a seusanjos faz ventos, e a seus ministros, labareda de fogo”[ conf. Hb 1.7].Mas acercado Filho o Senhor disse assim: “Tu és meu Filho, eu hoje te gerei”[conf. Hb1.5] ...” (Hebreus – introdução e comentários. – Donald Guthrie –Editora VidaNova –1ª edição 1984- pg 14)[4] A Carta aos Hebreus – Frederico Dattler – 1ª Edição – Editora Paulina – SãoPaulo. SP.[5] Carta aos Hebreus – Comentário Esperança – Fritz Laubach – EditoraEvangélica Esperança – 1ª Ed.[6] Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia – R. N. Champlin – Editora Hagnos– 5ª Edição – Volume 3 – pg. 45[7] Hebreus – introdução e comentários. – Donald Guthrie –Editora Vida Nova –1ªedição 1984- pg 18[8] História Eclesiástica - Eusébio de Cesárea – Editora CPAD – 1999. pg 227.[9] Hebreus – introdução e comentários. – Donald Guthrie –Editora Vida Nova –1ªedição 1984- pg 18[10] Carta aos Hebreus – Comentário Esperança – Fritz Laubach – EditoraEvangélica Esperança – 1ª Ed.[11] Hebreus – introdução e comentários. – Donald Guthrie –Editora Vida Nova –1ª edição 1984- pg 21 [12] A Carta aos Hebreus – Frederico Dattler – 1ª Edição – Editora Paulina - pg61 17
  18. 18. [13] ver Hebreus pg 22[14] Hebreus – introdução e comentários, pg 25[15] DAVIDSON, Francis (ed.), STIBBS, A. M. (colab.), KEVAN, E. F. (colab.),SHEDD, Russell P. (ed. em português). - O Novo Comentário da Bíblia. 3ed. SãoPaulo, Sociedade Religiosa Edições Vida Nova, 1995.[16] Introdução Bíblica – Norman Geisler, William Nix – pg 115.[17] Hebreus – introdução e comentários, pg 29[18] DAVIDSON, Francis (ed.), STIBBS, A. M. (colab.), KEVAN, E. F. (colab.),SHEDD, Russell P. (ed. em português). - O Novo Comentário da Bíblia. 3ed. SãoPaulo, Sociedade Religiosa Edições Vida Nova, 1995 18

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