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O materialista veio (com compreensível lentidão) aos microfones e disse: - Tudo bem, reconheçoque vi o que todos viram. Ma...
objetivo consciente da vida dessa pessoa, assim perfeitamente santa. Mas agora, pela graçaconcedida ao religioso, ele tamb...
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O materialista convertido

  1. 1. O Materialista Convertidopor Renato LacerdaEra uma vez um religioso famoso pelo grande número de almas por ele arrebanhadas, mas quesentia-se particularmente infeliz por causa de seu mais atroz oponente, um materialistaigualmente famoso em seu militante ceticismo por tudo que cheirasse a fé e religião. Chegarama travar debates na mídia, mas o infiel parecia mesmo completamente opaco à graça divina ejamais deixou de perspicazmente refutar todos os juízos e admoestações do religioso.Devido ao crescente número de almas vitimadas pelo excepcional poder argumentativo domaterialista, o religioso orou a Deus, rogando que Ele convertesse o coração daquele infeliz,assim terminando de vez com seus malefícios. Intuitivamente ouviu Deus responder-lhe que nãopodia forçar o materialista a acreditar no que não queria, pois isto violaria seu livre-arbítrio. Oreligioso reconheceu isto, mas retrucou que seria incapaz de evitar que muito mais almas logoperdessem a fé devido àquela pérfida influência. Deus respondeu que jamais perderiam a fé sesimplesmente utilizassem o mesmo livre-arbítrio para decidirem continuar dando valor à intuiçãoespiritual em seus corações, acima de qualquer dúvida racional. O religioso também admitiu isto,mas finalmente confessou que sentia-se desmoralizado perante os fiéis e perguntou se Deusnão poderia produzir um pequeno milagre, o qual, sendo previsto, poderia ao menos minar aconfiança do materialista. Deus respondeu que, por sua perseverança na fé, acataria o pedidodo religioso, mas que esta concessão serviria sobretudo para demonstrar sua inutilidade. Oreligioso aceitou pois ao menos reforçaria a fé dos que já acreditam. Então Deus declarou quecairia um raio do nada, onde quer que o fiel religioso estivesse exatamente às dez horas damanhã do dia seguinte.Aliviado e exultante, o devoto desafiou o materialista que ficasse com ele nesta hora paratestemunhar um raio vindo de Deus. O materialista aceitou e muitos juntaram-se a eles para o"evento". O dia estava límpido, sem uma nuvenzinha sequer e, às dez em ponto, bem diante daplatéia, ao ar livre, um raio grosso e brilhante rasgou no céu, ouvindo-se um trovão poucossegundos após. Gritaria e aplausos. Mas o materialista não se impressionou nem um pouco,parecendo já ter uma resposta preparada para a improvável eventualidade. Disse que, emprimeiro lugar, não era impossível que cargas suficientemente fortes pudessem raramenteformar-se na atmosfera sem a presença de nuvens visíveis; e, em segundo lugar, que adivinharo momento da descarga elétrica tanto poderia ser uma coincidência casual - improvável, masnem por isto impossível - como poderia advir daqueles sinais naturais, sutis mas sempreexistentes, que índios já tinham demonstrado perceber, e que o religioso poderia ter tornado a simesmo apto a perceber para fazer previsões meteorológicas.O religioso ficou pasmo e protestou quanto à absurda improbabilidade daquelas explicações. Omaterialista simplesmente replicou que, no caso, a improbabilidade de ser um milagre eramuitíssimo maior. A platéia ficou murmurando, evidentemente observando que o materialistatinha lá a sua razão. O religioso, vendo-se derrotado mais uma vez, levantou os olhos ao céu,contrito e reconhecendo a lição que Deus assim lhe proporcionava, mas neste momento ouviuintuitivamente que a Lua se moveria num quadrado, às nove horas da noite.Sentiu até dificulade de acreditar, mas a ousadia era seu último recurso e comunicou a todos afantástica previsão. Uma imensa multidão acompanhou o religioso e o materialista ao lugarcombinado, à noite. E exatamente às 21:00:00, sob a mira de todos os olhares, câmeras einstrumentos, a Lua em quarto crescente começou a mover-se para baixo, depois para a direita,depois subiu, depois para a esquerda e então retornou à posição original. Silêncio geral. Aqueleera um momento de solene importância e que marcaria para sempre a história da humanidade.Aos poucos cresceu um imenso clamor. Risos e lágrimas escorriam na maioria dos rostos.
  2. 2. O materialista veio (com compreensível lentidão) aos microfones e disse: - Tudo bem, reconheçoque vi o que todos viram. Mas em que acham mais razoável acreditar? Que houve um milagre,ou que foi algum truque? Como podemos saber se este indivíduo não está sendo ajudado porum grande mágico, tendo investido milhões na produção deste incrível espetáculo? Sabemos oque ele tem a ganhar. Sabemos muito bem como truques de vulto parecem mesmosobrenaturais - mas, são apenas truques! Ou, ainda que tenha realmente ocorrido algumaanomalia astronômica, por que já ir pensando que foi milagrosa, se pode tratar-se mesmo deuma simples anomalia - bem estranha, é verdade - mas que pode ser inteiramente explicávelcientificamente? Os dados foram coletados. A ciência os estudará e provavelmente nãoverificaremos qualquer alteração gravitacional, ou que indique uma real anomalia. Mas, aodescobrirmos o que houve realmente - caso não tenha sido mera trucagem - é racionalmenteevidente que terá sido algum fenômeno de origem natural, e não sobrenatural! E ainda que aciência não esclareça este fenômeno a curto ou médio prazo, acreditar que o mesmo tenha sidoum milagre poderá ter como fundamento algo mais que a mera vontade de que seja um milagre?Ora, porque acreditar que qualquer acontecimento materialmente observável tenha origem não-material? E ainda que outros fenômenos estranhos venham a ocorrer, incluindo o fato de seremprevistos por este homem - e ainda que não encontremos explicações imediatas para osmesmos - minha inteligência se recusará recorrer a explicações absurdas, porque jamais seránecessário recorrer a explicações transcendentais para explicar o desconhecido. Está cada vezmais evidenciado que esta necessidade vem apenas do medo infantil e da ignorância primitiva,que por milênios vem se impregnando nas diversas culturas humanas!O devoto caiu de joelhos, chorando copiosamente. Desta vez levantou suas mãos aos céus epediu perdão a Deus, pois agora entendia claramente que não adiantava querer forçar o livre-arbítrio, o qual sempre foi prova de que Deus dá absoluta liberdade para cada um de acreditarapenas no que quer, não importando até que provas materiais miraculosas fossem divinamenteprovidenciadas.E neste momento, vendo Deus que seu devoto havia compreendido a lição, declarou-lhe queagora ofereceria a prova total para o materialista, mas que seria apenas para ele, quedependeria da vontade dele, e que assim ele precisaria expressar previamente sua aceitação. Oreligioso levantou-se cambaleante, lavado de lágrimas, e foi aos microfones. Com a vozembargada, quase ridícula, comunicou o que Deus havia acabado de oferecer e qual era a únicacondição. O materialista riu-se diante das câmeras, aproximou-se do religioso e inclinou-se aosmicrofones, declarando em tom de escárnio: - Cuidado, meu amigo, porque depois dessa vocêpode ficar insano e precisar de ser internado. Se você insiste em tornar sua situação no mínimoainda mais ridícula, diga ao seu deus imaginário que tanto aceito a oferta como já estou pronto!E naquele mesmo instante o materialista adquiriu um brilho fortíssimo e desapareceu.Pela reação do religioso e do público, o materialista percebeu que ele estava invisível para eles.Espantou-se, claro, mas pensou poder estar apenas sofrendo uma alucinação. Quis por a mãono religioso para ver se haveria algum contato, mas neste momento notou uma presençaluminosa perto de si, uma luz instantaneamente esclarecedora e vivificante, e que assimobviamente indicava tratar-se da presença de Deus. O materialista olhou e viu um ser tão lindo eperfeito que começou a chorar de louvor e graças, porque todas a suas dúvidas e buscas haviamfinalmente terminado. Este ser passaria, doravante, a ser o único objeto de toda a sua atenção eamor. Mesmo que Ele desaparecesse imediatamente, para sempre dedicaria todo seu empenhoem anunciar que Deus é a realidade última, sublime, o único objeto de todos os nossos anseios,pois é somente Nele que podemos viver o perfeito prazer, a perfeita riqueza, a perfeita liberdade.De fato, entendeu também que, ao aparecer para ele, Deus teria violado inteiramente seu livre-arbítrio, já que antes não tivera a menor vontade de conhecê-Lo, muito pelo contrário. Porém,tendo aceitado qualquer prova indefinida, isto não estava excluído. Normalmente, mesmo paraalguém que tivesse fé, este aparecimento de Deus apenas seria possível caso Ele fosse o único
  3. 3. objetivo consciente da vida dessa pessoa, assim perfeitamente santa. Mas agora, pela graçaconcedida ao religioso, ele também era infinitamente agraciado.Querendo assim aproveitar ao máximo aquela visão, observou que Deus tinha forma humana,maravilhosamente fantástica, mas ainda assim humana. Imediatamente entendeu que esta erauma impressão falsa; que, na verdade Deus não tem forma humana, mas que o homem, sim, éque tem Forma Divina. Entendeu que aquele não era um corpo material, composto de partes,mas sim um corpo inteiramente espiritual, uno como a trindade divina e expressão máxima dainteligência e da beleza, das quais o corpo humano comum era apenas uma imagemtridimensional e limitada, temporal e corruptível. A devoção que este Ser lhe despertou cresceuainda mais ao entender ainda mais profundamente que Ele não lhe retirara a liberdade de de suavontade, ou seja, seu livre-arbítrio; que não o compelia a acreditar através do maravilhamento,mas que apenas lhe mostrava a verdade, sendo que ele permanecia inteiramente livre paradecidir. Porém, claro que agora decidia-se resolutamente por Deus, porque negá-lo passou asignificar a mais terrível loucura possível: a de não querer usufruir da liberdade absoluta.A seguir, lembrando-se da Lua e de como deveria ter sido fácil para aquele Ser movimentá-la,ele foi imediatamente elevado, indo em direção a ela (Lua). Conforme elevou-se, imediatamenteobservou que o espaço relativizou-se integralmente ao seu movimento, de um modo agoraevidente, mas que antes lhe seria impossível conceber. Os confins do infinito simplesmenteforam elevando-se com ele e a Terra abaulou-se invertidamente, demonstrando que no espaçocorretamente unificado a Terra era côncava, e não convexa, e que todas as estrelas seacumulavam numa mesma região do céu, num espetáculo de extrema beleza e em cujo centroacumulava-se, relativisticamente, todo o espaço infinito. Era assim possível ver todo universocomo se fosse um imenso e fantástico aglomerado estelar, sendo que que a terraespantosamente o englobava por completo. Ao aproximar-se da lua, tornou-se obvio que agoraera ela que se abaulava para conter todo o mesmo espaço infinito, sendo assim possívelcompreender que a estrutura do espaço dava-se em função das referências locais, assimtambém como o corpo humano era a referência de todas as ordens vitais.E lá estava, agora, a Terra, em seu formato côncavo distante, situada próxima do mesmoaglomerado universal, fenômeno tal que se repetiria com a aproximação de qualquer localidadeno espaço total existente. E então Deus apontou-lhe uma cratera, sendo que para lá voaram,penetrando incólumes no solo lunar e afundando até atingir o ponto em que o espaçoquadridimensional atingiu seu limite externo. Mas, como prosseguiram, quebraram sua barreira eele desdobrou-se numa inversão apenas concebível na quinta dimensão. Nela tornou óbvio quea exterioridade espacial da Lua era um tubo comprido e flexível, cheio de lindas localidades,todas ativas e habitadas. Olhando para si, o materialista viu seu corpo em perfeito contornoquadridimensional, assim como na quarta dimensão apenas podia ver seu contornotridimensional. Sua forma agora participava de todo o espaço tridimensional do universo, queagora parecia estar todo contido em seu corpo.Deste modo, as funções de sua cabeça, tronco e membros eram muito mais evidentes emaravilhosas, pois este era o espaço que ele anteriormente entenderia como sendo seu espaçointerior. Cada órgão, artéria, nervo e músculo tinham se convertido num coruscante esofisticadíssimo sistema de funções cujas formas invertiam-se em estações de inteligentíssimacompleição, e nas quais reverberavam as respostas dos tubos planetários que lhes eramorganicamente harmônicos. Era incrível como esta maravilhosa realidade, tão bela, digna, e tãocheia de seres vivos e vibrantes, era vista pelos seres humanos na Terra, como meros globosconvexos em jogo gravitacional, condição que pare ele, doravante seria quase equivalente àcegueira. Na verdade, aqueles globos nada mais eram que apêncices estruturais do espaçointegral.A seguir observou que o corpo de Deus era a exata contraparte negativa de toda a autonomia dosistema, como se fosse seu modelo matricial e do qual ele (o materialista) apenas estava
  4. 4. experimentando os primeiros níveis de percepção sensorial interna. Esta percepção seriasempre limitada, ou dimensionada, pois Deus lhe concedia a clara intuição de que Sua Formaultrapassava todo o âmbito dimensional existente, sendo não apenas o que originava suacomposição escalar, como cuja transcendência era a única e eterna fonte precursora do reinosobrenatural, originante da infinita beleza e da absoluta liberdade, ou da perfeita ausência delimitações. Era óbvio que bastaria aquela Forma Absoluta alterar-se para que, sem em nadacomprometer Sua univocidade, uma pequenina folha ao chão da Terra, sem qualquer aparentealteração, não fosse mais uma folha natural, mas sim um ser totalmente independente doespaço-tempo e desvinculado de qualquer lei natural, caso em que se realizaria um milagreestrito.Mas o que Deus fizera com a Lua (o movimento em quadrado) não fora um milagre estrito, massimplesmente um pedido à potência presidente da Lua, para que excepcionalmente fizesse alinha de colapso do espaço extenso da lua (que no espaço intenso extendía-se por seu eixotubular) ondulasse de modo minimamente suficiente para que, sem afetar seu equilíbrio humoral,esta acão se traduzisse como deformação elástica do espaço tridimensional em torno da Lua.Como na Terra o sistema nervoso das criaturas tinha quase exclusiva consciência objetiva, eraincapaz de coordenar-se com o movimento espacial integral, e assim, os que observassem aimagem da Lua naqueles instantes a veriam movimentar-se em quadrado, sem que jamaispudessem detectar qualquer anomalia gravitacional correspondente, porque a origem domovimento estaria, com toda naturalidade, no que corresponderia ao avesso do espaço-tempo.Logo o materialista teve o desejo de focalizar suas novas habilidades sensoriais nos seres queevidentemente agremiavam-se no comando, não apenas da lua, mas de todo o sistema solar.Neste âmbito dimensional, já não havia movimento espacial, o qual estava reduzido a uma linhade colapso contínua que existia como eixo de cada tubo planetário. O conhecimento de qualquerparte se dava apenas pela ativação dos órgãos, que estavam presentes em todos os "lugares",que na verdade eram posições orgânicas de um imenso número de seres responsáveis porexperiências de vida específicas, todas dotadas de um imenso conhecimento e riquíssimaexperiência. Com a focagem geral era possível verificar que o sistema solar era ramificado dotubo solar, o qual, juntamente com as demais estrelas compunham as ramificações do eixocentral da galáxia, agora visível em boa extensão, e que extendia ramificações por sua enormeestrutura torular, como uma sofisticada árvore, da qual antes só seria possivel ver o planodiscóide quadridimensional.A seguir Deus demonstrou como era o comando do tubo lunar pela agremiação das potênciascomandantes do mesmo sistema vital, aos quais Ele apenas ordenou que a componentegravitacional do espaço externo diminuisse sua elasticidade nas direções escolhidas ao redor dotubo lunar. Ao perguntar onde estavam estas "potências", Deus explicou que residiam na sétimadimensão, de onde orientavam a onda vital da sexta dimensão. Disse que a sexta dimensão eracomposta de seres imensamente felizes por serem a primeira linha de serviço de ministériodireto, ou angélico, para todo o sistema e que eram imensamente criativos na maneira pela qualdecidiam organizar suas atividades. Acrescentou que o materialista não poderia adentrar nestadimensão, e nem nos âmbitos seguintes, sem que Deus o provesse ainda mais alguns órgãosvitais, mas cujas funções contrariariam seu modo de pensar habitual na Terra, o que implicariana violação de seu livre-arbítrio. A única maneira de possibilitá-lo seria ele tomar a decisão depensar diferentemente por vontade própria e que assim reorientasse os vetores psíquicosestabelecidos, por ele mesmo, em sua vida pregressa. Caso fosse bem sucedido nisto, estarialiberado para funções mais avançadas e assim poder conhecer a estrutura externa dos planetas,ou da Terra, que na sexta dimensão enraizava a função do cinturão de Van Allen, assim como atubularidade alimentava o vento solar.Imediatamente o materialista aceitou a proposta e reapareceu cinco segundos após haverdesaparecido, diante de uma platéia quase histérica. Seu rosto estava maravilhado, sentia-seleve, com um intenso bem-estar. Quando o religioso aproximou-se dele, ele caiu de joelhos,
  5. 5. vencido, chorando e cobrindo o rosto com as mãos. O religioso, que já tinha visto manifestaçõesde fervor como aquela muitas vezes, estrategicamente pegou um microfone, abençoou omaterialista em voz comovida e ajoelhou-se abraçando a alma renascida tão miraculosamente edisse: - Irmão, dê seu testemunho para que a luz de Deus finalmente alcance as mais recônditastrevas deste mundo! - E o materialista respondeu - Por favor... chamem um médico... estou tendoalucinações absurdas!

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