CARTILHA PARA MULTIPLICADORES DA CAMPANHA

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CARTILHA PARA MULTIPLICADORES DA CAMPANHA

  1. 1. Janete Cassol 24 anos Xanxerê/SC Estupro e homicídio Antonio Zamboni 23 anos Joaçaba/SC Acidente de trânsito Mauricio Rabelo 17 anos Lauro Muller/SC Acidente de trânsito(moto) Uilian Back Machado 19 anos Jacinto Machado/SC Acidente de trânsito Francieli Endres 16 anos Águas de Chapecó/SC Acidente de trânsito Fabricio Caneppele 17 anos Águas de Chapecó/SC Acidente de trânsito Josué Matheus Girardi da Silva 16 anos Mirim Doce/SC Violência policial Aldair Kohl 20 anos Pouso Redondo/SC Acidente de trânsito Adilson Lepchak 19 anos Rio do Campo/SC Homicídio Indianara Granemann 19 anos Rio do Campo/SC Acidente de trânsito Nísio Cotelak 27 anos Rio do Campo/SC Homicídio Rodrigo Roldão da Rosa 29 anos Praia Grande/SC Acidente de trânsito(moto) Alexandre Maas 23 anos Gaspar/SC Acidente de trânsito(moto)l Danilo Lima 27 anos Praia Grande/SC Suicídio Dirceu Lorenzatto 20 anos Águas de Chapecó/SC Homicídio Fabrina Schleicher 15 anos Aguas de Chapecó/SC Acidente de trânsito Michel Endres 18 anos São Carlos/SC Acidente de trânsito Arnaldo Marioti 26 anos Pouso Redondo/SC Acidente de trânsito Rafaela de Ré 21 anos Pouso Redondo/SC Acidente de trânsito Luiz Garlini 17 anos Rio do Campo/SC Acidente de trânsito Sérgio Sempckowski 21 anos Rio do Campo/SC Homicídio Jaison Beninca 22 anos Rio do Campo/SC Acidente de trânsito Jorge Tenfem 21 anos Salete/SC Acidente de trânsito Airton Loebens 27 anos São João do Oeste/SC Acidente de trânsito Jarles Thums 20 anos São João do Oeste/SC Acidente de trânsito Gustavo Luiz Germiano 24 anos Florianópolis/SC Homicídio Rafael Luiz Hanser 22 anos Florianópolis/SC Homicídio Cleber da Silva 20 anos Florianópolis/SC Homicídio Marcelo Espíndola 22 anos Florianópolis/SC Acidente de trânsito Mariana Costa Bento 20 anos Florianópolis/SC Acidente de trânsito Fabiane Corrêa 18 anos Tangará/SC Acidente de trânsito Luiz Arthur Kerekes Teixeira 24 anos Itajaí/SC Acidente de trânsito Thomas Bleier Otto Lenghi 25 anos Itajaí/SC Acidente de trânsito Maicon Botzan 20 anos Taió/SC Acidente de trânsito Jucinei da Maia 25 anos Santa Terezinha/SC Homicídio Miguel Bohnen 30 anos São João do Oeste/SC Homicídio Mauri Bohnen 23 anos São João do Oeste/SC Acidente de trânsito Leila Patrícia Stengler 16 anos Descanso/SC Estupro e homicídio Marcelo da Silva 17 anos Florianópolis/SC Homicídio David Goulart 19 anos Florianópolis/SC Homicídio Tiago da Costa Machado 22 anos Palhoça/SC Homicídio Claudenir José Betiato Cendron 18 anos Tangará/SC Acidente de trânsito Marcelo de Oliveira 24 anos Tangará/SC Acidente de trânsito Paulo Santos Scardine 28 anos Itajaí/SC Acidente de trânsito Glauci Mara Peixer 22 anos Taió/SC Acidente de trânsito Giovane Raimundo 20 anos Taió/SC Acidente de trânsito Diego Francisco Cavilha 16 anos Taió/SC Acidente de trânsito ORIENTAÇÕES PARA MULTIPLICADORES DA CAMPANHA EM SANTA CATARINA Sidnei Hackbarth 21 anos Rio do Campo/SC Suicídio
  2. 2. ORIENTAÇÕES PARA MULTIPLICADORES DA CAMPANHA EM SANTA CATARINA
  3. 3. Este subsídio é fruto do Seminário Estadual da Campanha contra a Violência e Extermínio de Jovens e contou com a dedicação e trabalho de: Ediane Soares Fabiana Gonçalves Francine Hoffmann Guilherme Pontes Marcos Vinicius Liebl Rafael Fernando Lewer Rodrigo da Silva planejaram, organizaram e escreveram a cartilha Ana Cláudia Maba Ariel Wiest Fabiana Gonçalves Ivanete Hammes Joseanir Hermes Liége Santin Scheila Mai Uilian Dalpiaz colaboraram na coleta de nomes de jovens mortos Leonardo Contin da Costa Ir Eduardo Carvalho colaboraram na revisão Marcelo Zapelini fez a produção gráfica Impresso em agosto de 2010
  4. 4. Orientações para multiplicadores da campanha em Santa Catarina Sumário 3 Sumário Apresentação..........................................................................................05 Olhando a realidade................................................................................07 Análise estrutural: as origens da violência Violência no campo Violência urbana Violência do trânsito Informações sobre a Campanha..............................................................13 O que é a Campanha? Por que realizar a Campanha? Objetivos da Campanha no Estado Princípios da Campanha Ações Estaduais Como organizar a Campanha..................................................................15 1º passo – constituição de um Comitê da Campanha 2º passo – olhar a realidade 3º passo – definição dos objetivos 4º passo – escolha das estratégias e ações 5º passo – registrar as atividades Parcerias - como e onde articular, buscar apoio Sugestões de ações locais.......................................................................19 Eixo I: “Formação Política e Trabalho de Base” Sensibilização Formação Eixo II: “Ações de massa e divulgação” Onde divulgar a campanha? Eixo III: “Monitoramento da mídia e denúncia quanto à violação de direitos humanos” Anexos.....................................................................................................21 Anexo 1 - Dados Estatísticos Anexo 2 – Sugestões de textos, filmes e sites Indicações de Livros e Textos Indicações de Filmes Sites Interessantes Anexo 3 – Disque denúncias Disque 100 e denuncie as violências contra crianças e adolescentes! Violências contra a Mulher! Denuncie!
  5. 5. Orientações para multiplicadores da campanha em Santa Catarina Apresentação 5 Apresentação “Calar-se diante de uma injustiça, mais do que permitir que ela aconteça, é consumá-la” (Semana da Cidadania, 2009) As realidades de violência contra a juventude nos assustam e nos entristecem. Mais que isso: nos chamam para sermos proféticos e atuantes na defesa da vida. Por isso, em 2009, as Pastorais da Juventude do Brasil lançaram a Campanha Nacional contra a Violência e Extermínio de Jovens. Em Santa Catarina, esta Campanha foi desencadeada com o Seminário Estadual que aconteceu em Florianópolis, dias 13 e 14/Março, envolvendo mais de 50 lideranças de todo o estado. Lá foi feito um olhar sobre as realidades de violência, pensadas ações e constituída uma equipe para dar continuidade ao processo da Campanha. Fruto das reflexões deste Seminário, esta Equipe elaborou com muito carinho esta cartilha, para que ajude nas reflexões e seja suporte no planejamento da Campanha em todo o chão catarinense. Na primeira parte desta cartilha encontramos pequenos textos para reflexão sobre a violência estrutural, urbana, no campo e no trânsito. Na segunda parte, há algumas informações para entendermos melhor a Campanha. Em seguida, podemos encontrar indicativos práticos para organizar a Campanha e construir ações locais e regionais. Por fim, alguns anexos para enriquecer nossos trabalhos. Que cada um/a de nós possa ser multiplicador/a desta Campanha! Que possamos, em nossa comunidade, em nosso município, em nossa região, movimentar tantas mãos, braços, mentes e corações que sonham com um mundo mais humano, e com uma humanidade mais fraterna. Com ternura e esperança, Comitê Estadual da Campanha
  6. 6. Nas asas do sonho Carmelita Zanella – CF E nas asas do meu sonho eu vou Comigo muitos e muitas também vão. Ainda não somos a maioria Somos a diferença, somos a garantia De sonhar plantando o chão. Venham todos que acreditam no amor, Sonhar comigo! É preciso mãos e mãos para plantar! Venham sem medo e sem certezas Mas venham nas asas de seus sonhos Chamando outros e outras a sonhar! Sim! Havendo sinergia haverá desejos Havendo desejos caminhos haverá Pois se não existirem caminhos O sonho os inventará!
  7. 7. Campanha contra a Violência e Extermínio de Jovens Olhando a Realidade 7 olhando a realidade Análise estrutural: as origens da violência De modo geral, podemos caracterizar a violência como palavras ou ações realizadas por pessoas, grupo de pessoas, classes, nações, que geram dano físico,emocional,moralouespiritualaoutros.Dessemodo,suaconceituação varia de acordo com os aspectos históricos, sociais e estruturais de cada sociedade. Seja qual for a sua forma, é uma violação do direito à vida. É possível distinguir alguns tipos de violência, dentre elas a estrutural e a física, sendo que normalmente a segunda é conseqüência da primeira. A violência estrutural está relacionada às formas sistemáticas de negação da cidadania a indivíduos e grupos determinados de cidadãos e refere-se às condições extremamente injustas da sociedade para com uma parcela mais desfavorecida de sua população. Ela se expressa pelo quadro de miséria, má distribuição de renda, falta de acesso à educação, saúde, enfim, falta de condições mínimas para a vida digna de uma parte significativa da população. Dessa forma, podemos dizer que quanto maior a desigualdade, maior o potencial de violência entre os indivíduos. As raízes da violência no Brasil estão intimamente ligadas à estrutura de poder que tem prevalecido no país desde sua colonização, passando por diferentes períodos de práticas arbitrárias e de jogos políticos dos mais fortes contra os mais fracos. Sendo assim, toda violência social tem caráter revelador de estruturas de dominação e surge como expressão de contradições entre os que querem manter privilégios e os que se rebelam contra a opressão. Nesse sentido, a estrutura de poder, desde o período colonial até os dias de hoje, é responsável pela negação dos direitos da maioria da população. Considerando que a violência não é algo natural do ser humano e sim uma construção histórica, é possível afirmar que atitudes e práticas violentas podem ser desconstruídas pela história e ação A violência estrutural está relacionada às formas sistemáticas de negação da cidadania
  8. 8. Orientações para multiplicadores da campanha em Santa Catarina Olhando a Realidade 8 das pessoas nas suas realidades. As mudanças sociais passam a acontecer, quando juntas, as pessoas buscam conscientizar-se, conhecer seus direitos e exercer de forma plena a sua cidadania, sendo sujeitos ativos de transformação. A superação da violência começa quando se tem direito a viver com digni- dade. É preciso recriar as relações humanas, reconhecer, denunciar e supe- rar situações de violência cotidianamente, através da participação de ações conjuntas e ações individuais, que promovam solidariedade, justiça e paz. Novas atitudes frente às faces da violência é uma missão de todos/as nós que queremos construir um “outro mundo possível” com relações mais igualitárias, justas e fraternas. Violência no campo Foi na década de 50 que o fenômeno da urbanização no Brasil atingiu seu pleno ritmo de expansão, provocando no país um fluxo muito intenso de migração do meio rural para os centros urbanos. Devido à concentração de propriedades de terras, à política agroindustrial intensiva para a exportação, à limitação de créditos e serviços, tornou-se quase impossível a vida no campo. Por meio da mídia foi alimentada uma falsa imagem promissora das cidades para os trabalhadores rurais, que migraram crentes de melhores oportunidades e condições de vida para suas famílias, com esperanças de trabalho, educação para os filhos, moradia, prosperidade, dentre outras. O resultado desse processo migratório intenso se configura hoje nas nossas favelas e periferias sob uma ausência quase total de serviços básicos, e a juventude é quem mais sofre. “O êxodo rural conduz a uma série de outras implicações sociais, culturais e principalmente, o da violência.” (Manoel Gomes) “Às vezes sinto vergonha de dizer que sou do interior para os meus colegas de escola. Estudo numa escola na cidade vizinha porque aqui não tem Ensino Médio. Temos muitas dificuldades em casa, o trabalho é muito puxado e exige demais da gente! Ficamos horas embaixo do sol, na roça. Ficamos cheios de calos nas mãos! Meus colegas riem de mim e fazem piadinhas de mau gosto. Só que nada vai me fazer sair da roça, apesar de todo o preconceito que sofro e dificuldades de acesso à escola e saúde, aqui a gente vive bem!” J. N, 17 anos.
  9. 9. Campanha contra a Violência e Extermínio de Jovens Olhando a Realidade 9 A TV transmite um modelo de vida que atrai e confunde os jovens camponeses, que “estariam vivendo uma ambigüidade de valores” traduzindo-se em manter um vínculo afetivo com o modo de vida local. Ao mesmo tempo, vêem a sua imagem refletida no espelho da cultura urbana, e a mesma lhes aparece como referência para a elaboração de um projeto para o futuro. Pode-se considerar que não se nega e tampouco se expressa uma resistência ao modelo de juventude urbana apresentado na televisão e demais meios de comunicação. Eles buscam, de alguma forma, inserir-se no modelo. Na escola, gostam de confundir-se com os amigos urbanos e sentem-se satisfeitos ao dizerem que os colegas não sabem que eles são camponeses! Os jovens que vivem no meio rural sofrem diversos tipos de preconceito por parte dos urbanos e deles mesmos, sentem-se excluídos em diversos momentos em âmbito social. Como uma das maiores violências cometidas contra o jovem do campo, pode-se afirmar o descaso público por parte do governo e sociedade em geral, por não se apresentar priorização de políticas públicas para a permanência do jovem no campo, dificultando seu acesso a educação de qualidade, transporte, saúde, lazer, entre outras. Problemas sociais como a violência no meio urbano têm suas raízes no campo, a partir do êxodo rural. Violência urbana Manifestando-se principalmente nas grandes cidades, a violência tem causado a morte de milhares de jovens no Brasil e é o principal fator de extermínio dessa faixa etária, notadamente entre jovens negros, pobres do sexo masculino. As metrópoles são, por um lado, o sonho de uma vida nova para aqueles que deixam a roça ou as pequenas cidades para buscar oportunidades de trabalho em um grande centro. Contudo, não há oportunidades para todos. Direitos como trabalho, moradia e saneamento básico não são garantidos para toda a população e, em especial os pobres, estão excluídos, nas grandes periferias. Com a falta de empregos, muitas vezes o tráfico de drogas aparece como uma das alternativas mais palpáveis para que as pessoas – e os jovens, em especial – tenham acesso ao mundo do trabalho. O tráfico dá um meio de
  10. 10. Orientações para multiplicadores da campanha em Santa Catarina Olhando a Realidade 10 subsistência e uma oportunidade que o mercado formal dificilmente oferecem ao jovem empobrecido. O tráfico, porém, é perverso: mata cedo, muito cedo. Além disso, o tráfico gera uma série de violências: assaltos, seqüestros, assassinatos... Muitos sofrem para que poucos possam usufruir dos lucros gerados por esse sistema brutal. A cidade fica em guerra: de um lado, a população excluída nas periferias, sofrendo e muitas vezes sendo agente da violência. De outro, a população que tem melhores condições de vida, que vive com medo, trancaficada. Todos alimentando formas de violência e sendo vítimas delas ao mesmo tempo! Desde a década de 80 a criminalidade violenta ocupa lugar privilegiado na agenda pública das prioridades governamentais. Contudo, faltam políticas efetivamentepúblicasquedêemcontadacomplexidadedotemadaviolência, articulando políticas sociais amplas e políticas de prevenção de curto, médio e longo prazo. As tentativas de solucionar os problemas da violência vieram na forma de grande repressão contra a população empobrecida. Isso não resolveu, mas agravou a situação, gerando mais violência. A solução não passa por mais polícia, mais presídios, mais punições. Mas sim por geração de oportunidades. Com a garantia dos direitos que sempre foram negados aos excluídos. Violência do trânsito Em Santa Catarina, é no trânsito que os jovens mais perdem a vida. São mais de 500 mortes por ano, o que faz de nosso estado o líder em mortes no trânsito em todo o Brasil1 . Pesquisas indicam que as 5 principais causas de acidentes de trânsito são: »»álcool »»cansaço 1 Proporcionalmente à população total A solução não passa por mais polícia, mais presídios, mais punições. Mas sim por geração de oportunidades.
  11. 11. Campanha contra a Violência e Extermínio de Jovens Olhando a Realidade 11 »»desrespeito à sinalização e imprudência »»excesso de velocidade »»impunidade e falta de fiscalização Muitos dizem que a culpa toda é dos jovens, que exageram na bebida e na velocidade. De fato, a busca por liberdade e pelo “aproveitar a vida” faz com que jovens ultrapassem alguns limites, não considerando que colocam em risco as suas vidas e vidas de outras pessoas. Porém, por outro lado, é importante considerar também outros fatores que contribuem com o aumento dos acidentes, e que não são culpa dos jovens, como falta de fiscalização e más condições das estradas (com muitas curvas, por exemplo). Mais veículos, mais acidentes A cada dia, aumenta o número de veículos em circulação. Nos últimos 15 anos, a frota de veículos em Santa Catarina cresceu em 346%2 . São 2 milhões de veículos a mais circulando nas rodovias catarinenses. Por outro lado, o número de policiais rodoviários federais diminuiu 12% no mesmo período. Há um grande incentivo ao transporte individual. Está cada vez mais fácil financiar um carro. Nas crises econômicas, o governo também ajuda, baixando o IPI e barateando o preço dos carros 0 km. Por outro lado, não há muitos incentivos ao transporte coletivo. No entanto, uma das saídas para ajudar na diminuição das mortes no trânsito é o transporte coletivo (em nosso estado, basicamente ônibus). É mais seguro, ecológico e reduz o fluxo de veículos nas estradas. Para isso, são necessários mais investimentos neste tipo de transporte e novos hábitos. Respeito e cuidado com a vida Pequenas atitudes podem salvar vidas! É importante que todos sintam-se co-responsáveis pela transformação dessa realidade de 2 Número de veículos: de 866.969 (1994) para 2.995.684 (2009) Acidente de trânsito: “uma doença social, que pode ser diagnosticada, tratada e controlada”. (Prof. Dario Birolini - Faculdade de medicina da USP)
  12. 12. Orientações para multiplicadores da campanha em Santa Catarina Informações sobre a Campanha 12 morte no trânsito em SC. É preciso reforçar o cuidado com a vida. Quem está ao volante deve respeitar a sua vida e a vida do/a outro/a.
  13. 13. Campanha contra a Violência e Extermínio de Jovens Informações sobre a Campanha 13 INFORMAÇÕES SOBRE A CAMPANHA O que é a Campanha? É uma ação articulada de diversas organizações para levar a toda a sociedade o debate sobre as diversas formas de violência contra a juventude, especialmente o extermínio de milhares de jovens que está acontecendo no Brasil. Com isso, a Campanha objetiva avançar na conscientização e desencadear ações que possam mudar essa realidade de morte. Por que realizar a Campanha? A realidade é cruel: no Brasil, são assassinados 54 jovens por dia, em média. Em Santa Catarina, mais de 1.000 jovens morrem por ano, por causas violentas3 . Não podemos mais aceitar tamanha injustiça. Não podemos ver calados tantas vidas caídas ao chão a cada dia. Precisamos defender a vida da juventude e lutar para que os/as jovens tenham direito de viver com dignidade. Objetivos da Campanha no Estado Objetivo geral: Promover a conscientização da juventude e da sociedade em geral sobre a realidade da violência e extermínio de jovens em Santa Catarina, desencadeando ações para mudar o quadro de violência e morte. Objetivos específicos: »»Sensibilizar a juventude, sociedade civil e órgãos governamentais para a proposta da Campanha Contra a Violência e Extermínio de jovens; »»Criar espaços para discussão da temática da violência e extermínio de jovens, com foco na violência urbana, violência rural e violência no trânsito; »»Promover e sistematizar estudos sobre a realidade da violência e extermínio de jovens em Santa Cantarina; »»Revelar as violações dos direitos humanos praticadas pela mídia contra 3 Homicídios, suicídios e acidentes de trânsito.
  14. 14. Orientações para multiplicadores da campanha em Santa Catarina Informações sobre a Campanha 14 a juventude; »»Articular e mobilizar diversas forças e organizações sociais e eclesiais para a realização da Campanha. Princípios da Campanha »»Defesa da vida da juventude; »»Respeito à dignidade humana e à diversidade social; »»Autonomia política frente às estruturas institucionais; »»Diálogo com movimentos sociais, em especial com organizações de juventude; »»Vivência de uma espiritualidade libertadora; »»Compromisso com a construção de um outro modelo de sociedade. Ações Estaduais »»No Seminário Estadual da Campanha foram pensadas 3 ações principais para serem realizadas em âmbito estadual: »»Audiência Pública, para debater saídas para a violência com os poderes públicos catarinenses; »»Marcha Estadual, como ação de mobilização de massa; »»Pesquisa quantitativa e qualitativa sobre as violências contra a juventude em Santa Catarina. »»A Audiência Pública e a Marcha estão previstas para o primeiro semestre de 2011. A pesquisa será desenvolvida durante os anos de 2010 e 2011.
  15. 15. Campanha contra a Violência e Extermínio de Jovens Como organizar a Campanha 15 Como organizar a Campanha Para a Campanha ter êxito, é preciso que seja planejada e bem organizada. As ações não precisam ser grandiosas, mas é importante que sejam significativas, por mais simples que sejam. Dessa forma, sugerimos alguns passos para organizar a Campanha localmente (eu seu município, região, diocese...)? 1º passo – constituição de um Comitê da Campanha Juntem as lideranças e organizações que estão dispostas a contribuir com a Campanha (veja quadro “Parcerias, ao lado) e marquem uma reunião para constituir um Comitê da Campanha, que pode ser: Comitê Local – envolvendo um ou mais bairros, uma cidade ou uma paróquia; Comitê Regional – envolvendo mais municípios. Pode ser a região geográfica de uma diocese; 2º passo – olhar a realidade É importante analisar a realidade local/regional e verificar quais as formas de violências mais presentes contra a juventude? Dentre estas formas de violência, sugere-se escolher 2 ou 3 prioritárias. Evitar cair na tentação de “atirar para todos os lados”, pois corre-se o risco de não conseguir-se fazer nada. 3º passo – definição dos objetivos É a hora do compromisso diante da questão da violência e do extermínio de jovens. A partir dos objetivos nacionais e estaduais (apresentados na seção “Informações sobre a Campanha”), é hora de decidir quais são os objetivos específicos da sua localidade no enfrentamento dos problemas levantados. Duas coisas são fundamentais: »»Sintonia com os objetivos da Campanha no estado; »»Cuidado para definir objetivos possíveis de serem alcançados. É importante ter objetivos que possam ser alcançados, como redução de acidentes no bairro, construção de espaços de lazer para juventude, elaboração de tarefas bem específicas e concretas. Nada de definir como
  16. 16. Orientações para multiplicadores da campanha em Santa Catarina Como organizar a Campanha 16 objetivo da Campanha o fim de todos os acidentes de trânsito envolvendo jovens, a apreensão imediata de todas as armas de fogo ilegais ou imediata resolução de todos os problemas do sistema prisional. Esses seriam objetivos irrealizáveis, pelo menos a curto prazo. A idéia é pensar em coisas concretas, possíveis de realizar. É preciso combinar respostas locais, concretas e possíveis com leituras globais, complexas e estruturais. “Pensamento global, ação local”. 4º passo – escolha das estratégias e ações A partir dos problemas prioritários que foram identificados, bem como dos objetivos traçados, é hora de pensar ações para a transformação da Parcerias - como e onde articular, buscar apoio A luta contra a violência e extermínio de jovens terá mais êxito se conseguirmos articular outras forças da sociedade que comungam desta causa. Com esta Campanha, as Pastorais da Juventude desejam ir além do âmbito eclesial. Para isto, é muito importante formar redes com outras organizações, na forma de parcerias. Porém, não é a quantidade de parceiros que vai possibilitar o sucesso da Campanha, mas a correta escolha destes. Nesse sentido, antes de fazer o diálogo com algum parceiro, é importante ter claro: - O que queremos com essa parceria? Qual pode ser a contribuição deste parceiro para a Campanha? (ex.: apoio financeiro, político, de mobilização, formação...) - Os valores e práticas do parceiro estão em sintonia com os valores e objetivos da Campanha? De modo geral, podemos ter 2 tipos de parceiros: Parceiros estratégicos: organizações que têm grande afinidade com os valores e objetivos da Campanha, e que podem ajudar no planejamento e nas decisões (participando dos Comitês Municipais e Regionais da Campanha); Parceiros pontuais: não têm tanta afinidade com os valores/objetivos da Campanha, mas podem auxiliar em algumas ações, com funções específicas; Exemplos de parceiros: pastorais, sindicatos, movimentos sociais e eclesiais, associações de moradores, escolas, universidades, grêmios estudantis, DCEs, ONGs... Nas paróquias e dioceses, é muito importante levar o debate da Campanha para os espaços comuns que envolvem outras pastorais, como conselhos paroquiais e diocesanos de pastoral, buscando que a Igreja como um todo assuma a Campanha, não somente as Pastorais da Juventude.
  17. 17. Campanha contra a Violência e Extermínio de Jovens Como organizar a Campanha 17 realidade. Abaixo apresentamos várias sugestões de ações, que foram pensadas no Seminário Estadual da Campanha. Além destas, outras podem ser pensadas, tendo em vista a realidade local. Novamente lembramos a importância das ações estarem em sintonia com os objetivos e valores da Campanha Nacional e no estado, para não criar várias “campanhas”, mas uma só, com vários rostos e cores. 5º passo – registrar as atividades O registro é muito importante para noticiar e manter a história. Quando forem realizadas atividades e reuniões importantes, procurem tirar uma foto e fazer uma pequena notícia, enviando para o e-mail contraviolencia.sc@gmail.com. Obs.: para um planejamento mais aprofundado, sugerimos utilizar também o material “Como organizar a Campanha? Dicas para o planejamento estratégico local”, disponível em www.juventudeemmarcha.org, seção downloads.
  18. 18. Campanha contra a Violência e Extermínio de Jovens Sugestões de ações locais 19 Sugestões de ações locais Eixo I: “Formação Política e Trabalho de Base” Sensibilização Para falar de violência e entender bem a problemática, é importante ter um contato próximo com quem mais sofre com a violência. Dessa forma, sugere-se ações simples para conhecer melhor a realidade. Sugestões de ações »»Conhecer a realidade de pessoas vítimas da violência de trânsito, através de instituições que atendem essas pessoas, como por exemplo, associações de reabilitação de pessoas com deficiência física; »»Conhecer as realidades de periferias – visitações, missões... (pode articular com líderes dos bairros, escolas...); »»Realizar experiências de convivência no meio rural (por exemplo, passar um fim-de-semana com uma família de agricultores) Formação Para saber como agir para mudar a realidade de violência, é necessário aprofundamento teórico, para não ficar no “senso comum”. Pensar várias formas de realizar estudos e formações sobre as temáticas da Campanha, sempre em sintonia com a realidade local. Sugestões de ações »»Promover encontros paroquiais de formação sobre a temática; »»Realizar encontros nos grupos de jovens, a partir dos subsídios disponíveis; »»Inserir a temática nas escolas de formação diocesanas ou locais, realizando uma etapa (ou parte) sobre “violência e extermínio de jovens”; »»Realizar, nas escolas, concursos de redação, de desenho, poesia, música... sobre a temática; »»Promover seminários diocesanos ou regionais sobre a temática; »»Organizar debates em espaços públicos (universidades, câmaras de vereadores, associações de bairros...)
  19. 19. Orientações para multiplicadores da campanha em Santa Catarina Sugestões de ações locais 20 Eixo II: “Ações de massa e divulgação” Ações de massa ajudam a dar “corpo” para a Campanha. Dão visibilidade, motivam e ajudam a mobilizar várias forças. Porém, a Campanha não pode ficar só nas ações de massa. É preciso formação também. Sugestões de ações »»Realização de festivais culturais (música, teatro...) sobre a temática da Campanha; »»Conhecer, participar e inserir-se nos conselhos municipais de direitos (juventude, criança e adolescente, educação, cultura, comunicação...); »»Realizar as Atividades Permanentes (Semana da Cidadania, Semana do/a Estudante e Dia Nacional da Juventude – DNJ), cujos temas estão em sintonia com a Campanha; »»Participar do Grito dos/as Excluídos, levando a Campanha como uma bandeira de luta; Onde divulgar a campanha? »»Rádios (comunitárias e comerciais) »»Jornais (diocesanos, paroquiais, regionais...) »»Televisões regionais »»Conselhos Diocesanos, Paroquiais e Comunitários – CDPs, CPPs e CPCs »»Espaços públicos – ruas, praças, escolas, universidades (blitz, panfletagem...) »»Internet (site das PJs de SC, blogs, twitter, Orkut...) Eixo III: “Monitoramento da mídia e denúncia quanto à violação de direitos humanos” A mídia é uma faca de 2 gumes: ao mesmo tempo que ajuda a divulgar boas ações, muitas vezes faz da violência um espetáculo (o que só piora a situação). Sugestão de ação: »»Fazer o levantamento das notícias elaboradas pelas mais diversas mídias locais, quantificando e qualificando as formas como a violência e o extermínio são apresentados.
  20. 20. Campanha contra a Violência e Extermínio de Jovens Anexos 21 Anexos
  21. 21. Orientações para multiplicadores da campanha em Santa Catarina Anexo 1 - Dados Estatísticos 22 Mortes de Jovens em Santa catarina Alguns Dados Quantos jovens morrem por ano em Santa Catarina por causas violentas? Jovens de 15 a 24 anos. Ano referência: 2005. Fonte: Relatório de Desenvolvimento Juvenil 2007 »»220 assassinados (19,8 a cada 100mil, a menor taxa do Brasil. Média-Brasil: 48,6/100mil) »»69 por suicídios (6,2 a cada 100mil. Média-Brasil: 4,5/100mil) »»532 em acidentes de trânsito (47,8 a cada 100mil, a MAIOR taxa do Brasil. Média- Brasil: 22/100mil) Total: 821 A maioria dos jovens que morrem são homens Santa Catarina. Jovens de 15 a 24 anos. Ano referência: 2005. Fonte: Relatório de Desenvolvimento Juvenil 2007 »»Homicídios: 92,7% são homens »»Suicídios: 81,2% são homens »»Acidentes de transporte: 80,8% são homens »»Do total das mortes violentas: 84% são homens Recorte racial das mortes por causa violentas Santa Catarina. Jovens de 15 a 24 anos. Ano referência: 2005. Fonte: Relatório de Desenvolvimento Juvenil 2007 Homicídios: »»Brancos: 17,3 a cada 100mil »»Negros: 33,3 a cada 100mil Acidentes de trânsito: »»Brancos: 51,1 a cada 100mil »»Negros: 20,7 a cada 100mil
  22. 22. Campanha contra a Violência e Extermínio de Jovens Anexo 1 - Dados Estatísticos 23 Violência urbana Aumento dos homicídios em Santa Catarina (1994-2007)
  23. 23. Orientações para multiplicadores da campanha em Santa Catarina Anexo 1 - Dados Estatísticos 24 Homicídios de jovens nos municípios catarinenses Total: 432 jovens mortos em 2009 em SC Faixa etária: 15 a 29 anos. Ano referência: 2009. Fonte: Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa do Cidadão/ SC - Diretoria de Informação e Inteligência 75% das mortes aconteceram em municípios com mais de 50.000 habitantes 10 municípios representam 62% do total de homicídios Nenhum município com menos de 50.000 habitantes teve mais de 5 mortes Municípios com 4 mortos ou mais:
  24. 24. Campanha contra a Violência e Extermínio de Jovens Anexo 1 - Dados Estatísticos 25 Violência no trânsito – mortes de jovens Total: 335 jovens mortos em 2009 em SC Faixa etária: 15 a 29 anos (rodovias estaduais) e 15 a 30 anos (rodovias federais). Ano referência: 2009. Fontes: Núcleo de Registro de Acidentes e Medicina Rodoviária – NURAM/DPRF/SC e Setor de Estatística do BPMRv/DEINFRA Causas das mortes nas rodovias federais em Santa Catarina
  25. 25. Orientações para multiplicadores da campanha em Santa Catarina Anexo 2 - Sugestões de textos, filmes e sites 26 Anexo 1 – Sugestões de textos, filmes e sites Indicações de textos e livros Esta lista traz textos para um maior aprofundamento sobre o tema da Campanha, sendo úteis para os coordenadores/as, assessores/as e militantes que tenham interesse em qualificar a sua discussão sobre o assunto. a. Realidade da Juventude ABRAMO, Helena Wendel. Considerações sobre a tematização social da juventude no Brasil. Revista Brasileira de Educação, nº 5, São Paulo: 1997. Disponível em: http://www.anped.org.br/rbe/rbedigital/RBDE05_6/RBDE05_6_05_ HELENA_WENDEL_ABRAMO.pdf b. Juventude, Violência e Segurança Pública ABRAMOVAY, Miriam et al. Juventude, violência e vulnerabilidade social na América Latina: desafios para políticas públicas. Brasília: UNESCO, BID, 2002. Disponível em: www.observatoriodeseguranca.org /.../JUVENTUDE%20E%20 VULNERABILIDADE%20SOCIAL.pdf CARA,Daniel;GAUTO,Maitê.Juventude:percepçõeseexposiçãoàviolência. In: ABRAMOVAY, Miriam; Andrade, Eliane Ribeiro; ESTEVES, Luiz Carlos Gil (orgs.). Juventude: outros olhares sobre a diversidade. Brasília: Ministério da educação, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade; UNESCO, 2007, pp. 173-198. Disponível em: http://unesdoc.unesco.org/images/0015/001545/154580por.pdf c. Violência e relações de gênero ANDRADE,VeraRegina.“Asoberaniapatriarcal:osistemadejustiçacriminal no tratamento da violência sexual contra a mulher. Revista Brasileira de
  26. 26. Campanha contra a Violência e Extermínio de Jovens Anexo 2 - Sugestões de textos, filmes e sites 27 Ciências Criminais, Revista dos Tribunais, São Paulo, nº 48, p. 260 - 287, mai./ jun., 2004. Disponível em: http://aspro02.npd.ufsc.br/arquivos/230000/230400/18_230401.htm d. Violência no campo VELOSO, Marília Lomanto. As vítimas da Rosa do Prado: um estudo do direito penal sobre o MST no extremo sul da Bahia. 2006. 402p.tese (doutorado em Direito Penal)-Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. São Paulo, 2006. Disponível em: http://www.sapientia.pucsp.br//tde_busca/arquivo.php?codArquivo=3853 e. Violência e Drogas BUZZI, Carlos. Transgressão, desvio e droga. In: PERALVA, Angelina e SPOSITO, Marilia (orgs). Juventude e contemporaneidade. Revista Brasileira de Educação, n.5/6, mai/dez. 1997, p.167-179. Disponível em: http://unesdoc.unesco.org/images/0015/001545/154569por.pdf Indicações de Filmes Recomenda-se que as coordenações assistam aos filmes antes de utilizá-lo nas dinâmicas com grupos de base. Ônibus 174 (Brasil, 2002) Uma investigação cuidadosa, baseada em imagens de arquivo, entrevistas e documentos oficiais, sobre o seqüestro de um ônibus em plena zona sul do Rio de Janeiro. O incidente, que aconteceu em 12 de junho de 2000, foi filmado e transmitido ao vivo por quatro horas, paralisando o país. Falcão: Meninos do Tráfico (Brasil, 2005) Filme que narra a trajetória da inserção das crianças e adolescentes no universo do tráfico de drogas. Pro dia nascer feliz (Brasil, 2006) As situações que o adolescente brasileiro enfrenta na escola, envolvendo preconceito, precariedade, violência e esperança. Adolescentes de 3 estados, de classes sociais distintas, falam de
  27. 27. Orientações para multiplicadores da campanha em Santa Catarina Anexo 2 - Sugestões de textos, filmes e sites 28 suas vidas na escola, seus projetos e inquietações. O homem que copiava (Brasil, 2002) O filme, ambientado na zona norte da cidade de Porto Alegre, conta a história de André, um jovem operador de fotocopiadorasqueprecisade38reaisparaseaproximardesuavizinhaSílvia, por quem está apaixonado. Para isso, é ajudado por Cardoso, empregado de uma oficina, que topa qualquer coisa por dinheiro. O que é isso, companheiro? (Brasil, 1997) Em 1964, um golpe militar derruba o governo democrático brasileiro. Neste período vários estudantes abraçam a luta armada, entrando na clandestinidade e elaboram um plano para seqüestrar o embaixador dos Estados Unidos (Alan Arkin) para trocá-lo por prisioneiros políticos, que eram torturados nos porões da ditadura. Jenipapo (Brasil, 1995) Michael é um jornalista estadunidense que trabalha para um jornal brasileiro bilíngue, ele é mandado para entrevistar um famoso missionário católico que apóia a luta pela reforma agrária em uma comunidade do nordeste. Mas ele precisa enfrentar um problema, pois o padre se recusa a conceder entrevistas. Mentes perigosas (EUA, 1995) Uma ex-Marine decide ser professora de inglês. É colocada como professora de um grupo de rebeldes adolescentes que aceitam o insucesso como forma de vida. Determinada em ganhar-lhes a confiança e a fazer a diferença nas suas vidas, a professora não olha a meios para atingir fins aprendendo, no limite, algumas duras lições. Notícias de uma Guerra Particular (Brasil, 1999). Flagrantes do cotidiano das favelas dominadas pelo tráfico de drogas alternam-se a entrevistas com todos os envolvidos no conflito entre traficantes e policiais, incluindo moradores que vivem no meio do fogo cruzado e especialistas em segurança pública. Juízo (Brasil, 2007) Juízo acompanha a trajetória de jovens com menos de 18 anos de idade diante da lei. Meninas e meninos pobres entre o instante da prisão e o do julgamento por roubo, tráfico, homicídio.
  28. 28. Campanha contra a Violência e Extermínio de Jovens Anexo 2 - Sugestões de textos, filmes e sites 29 Tiros em Columbine (EUA, 2002) O filme tem em seu leque de assuntos vários tópicos: o primeiro seria os massacres com armas de fogo realizados por jovens nos EUA em diversas universidades e instituições de ensino médio; o segundo seria a facilidade com que as pessoas compram armas e como a sociedade norte-americana integra-as em seu dia-a-dia. Querô (Brasil, 2007) Um jovem é criado pela dona de um prostíbulo. Cansado de receber maus tratos, ele passa a realizar pequenos delitos até ser preso e enviado à Febem. O contador de histórias (Brasil, 2009). O Contador de Histórias gira em torno da trajetória de Roberto Carlos, um menino pobre de Belo Horizonte que, durante a década de 70, cresce em uma entidade assistencial para menores. Entre fugas e capturas, ele é considerado irrecuperável por seus educadores. Sites interessantes Campanha Nacional Contra Violência e Extermínio de Jovens É uma ação articulada de organizações para levar a toda a sociedade o debate sobre as diversas formas de violência contra juventude, especialmente o extermínio de milhares de jovens no Brasil. No site da Campanha estão disponíveis textos, roteiros de encontros e indicações de outros links para mobilizar a campanha. www.juventudeemmarcha.org Adital - Notícias da América Latina e Caribe Agência de Informação Frei Tito para América Latina é  uma agência de notícias que nasceu para levar a agenda social latino-americana e caribenha à mídia internacional. Quer estimular um jornalismo de cunho ético e social. www.adital.com.br Instituto Sou da Paz O objetivo do Sou da Paz é influenciar a atuação do poder público e de toda a sociedade frente à violência. O Sou da Paz implementa projetos nas regiões e com os públicos mais afetados pela violência, assessora governos
  29. 29. Orientações para multiplicadores da campanha em Santa Catarina Anexo 2 - Sugestões de textos, filmes e sites 30 na elaboração e implementação de políticas de segurança e mobiliza a sociedade sobre o tema. www.soudapaz.org CAJU - Casa da Juventude Pe. Burnier É um Instituto de Formação, Assessoria e Pesquisa sobre juventude, fundada em 1984, por jesuítas e leigos/as. Oferece um serviço especializado sobre juventude, num acompanhamento a grupos comunitários e organização juvenil. www.casadajuventude.org.br CCJ - Centro de Capacitação da Juventude O CCJ, sediado em São Paulo, trabalha na elaboração e publicação de subsídios, formação de lideranças e apoio a movimentos populares. www.ccj.org.br Trilha Cidadã ONG que atua com jovens na periferia da zona norte de São Leopoldo/RS realizando atividades nas áreas de arte, educação e comunicação. www.trilhacidada.org.br Pastorais da Juventude de SC Traz notícias da caminhada das Pastorais da Juventude de SC (PJ, PJMP, PJR e PJE), além de um acervo de dinâmicas, músicas, indicações de livros. www.cnbbsul4.org.br/pjs Instituto Brasileiro de Ciências Criminais - IBCCRIM Tem como finalidade a defesa dos direitos humanos e dos direitos das minorias, assim como a defesa dos princípios do Estado Democrático de Direito,com o objetivo de assegurara dignidade da pessoa humana mediante um Direito Penal de intervenção mínima. www.ibccrim.org.br Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública - CRISP É um órgão voltado para a elaboração, acompanhamento de implementação e avaliação crítica de políticas públicas na área da justiça criminal, é composto
  30. 30. Campanha contra a Violência e Extermínio de Jovens Anexo 2 - Sugestões de textos, filmes e sites 31 por pesquisadores da UFMG e de órgãos públicos envolvidos com o combate à criminalidade. http://www.crisp.ufmg.br CONJUVE – Conselho Nacional de Juventude OConjuveéespaçodediálogoentreasociedadecivil,ogovernoeajuventude brasileira. Seu objetivo é assessorar o governo federal na formulação de diretrizes da ação governamental; promover estudos e pesquisas acerca da realidade socioeconômica juvenil. www.juventude.gov.br Rede de Comunidades e Movimentos Contra Violência A Rede é um movimento social independente do Estado, de empresas, partidos políticos e igrejas, que reúne moradores de favelas e comunidades pobres em geral, sobreviventes e familiares de vítimas da violência policial ou militar, e militantes populares e de direitos humanos. www.redecontraviolencia.org IJC - Instituto de Juventude Contemporânea O IJC é um instituto destinado promover o desenvolvimento integral da juventude, fortalecendo processos de aprendizagem e autonomia para a efetivação das políticas públicas. www.ijc.org.br
  31. 31. Orientações para multiplicadores da campanha em Santa Catarina Anexo 3 - Disque Denúncias 32 Anexo 2 – Disque denúncias: Um mecanismo importante no cuidado com a Vida Denuncie todo tipo de violência! A denúncia é o primeiro passo para proteger quem sofre algum tipo de violência. A identidade do denunciante é sempre mantida em sigilo, e os serviços são gratuitos. Você pode ainda denunciar qualquer tipo de violência na Delegacia mais próxima, bem como no Ministério Público.  Denunciar é também um ato de solidariedade, compreensão e certeza de que o direito à vida de todos/as deve ser preservado. Disque 100 e denuncie as violências contra crianças e adolescentes! Foi criado para receber denúncias de exploração sexual contra crianças e adolescentes. No entanto, recebe também denúncias de violências físicas, psicológica, abuso sexual, dentre outras, além de possibilitar informações sobre crianças e adolescentes desaparecidos e Conselhos Tutelares. As denúncias são encaminhadas aos órgãos competentes em até 24 horas. Como o próprio nome já diz, é só digitar 100 no seu telefone. Funcionamento: das 8h às 22h, inclusive finais de semana e feriados. Violências contra a Mulher! Denuncie! A Central de Atendimento à Mulher funciona pelo número de telefone 180. O Disque 180 é um instrumento de defesa e de promoção dos direitos da Mulher, com o objetivo de receber denúncias ou relatos de violência, reclamações sobre os serviços da Rede de Atendimento, além de prestar orientações às mulheres sobre seus direitos e sobre a legislação vigente, encaminhando-as para os serviços especializados quando necessário. A identificação ou não do denunciante fica a critério do próprio. Funcionamento: 24 horas por dia, todos os dias, inclusive nos feriados.
  32. 32. Comitê Estadual da Campanha contra a Violência e Extermínio de Jovens Rua Deputado Antônio Edu Vieira, 1524 Bairro Pantanal – Florianópolis – SC CEP 88.040-001 Fone: 48 3207-7033 R. 214 / 48 9971-4917 c/ Rodrigo contraviolencia.sc@gmail.com INJUSTIÇA Djavan Nascimento Costa (1999) Educador social e articulador comunitário - Florianópolis/SC Trabalhadora/ sonhadora/ batalhadora /sofredora/ condenada/ humilhada /manipulada. Pessoa de humildade/ sem ser celebridade/ a burguesia acha que não a capacidade. Além de manipulá-la/ põem no vaso e da descarga/ou melhor, usam, abusam, ainda julgam / certos e errados/ são condenados/ são humilhados. Por morar onde tem muita sujeira/muitos acham que é pura besteira /é sujeira que uma elite criou um lugar dono de muito sofrimento e dor/ de amor, desamor/ enfim estamos cansados de ver a injustiça, pois todos sabem que sempre assim, troca governo e pobreza nunca chegam ao fim. Tô cansado de ver a injustiça, tô cansado de ver a injustiça. Tô cansado de ver a injustiça, meu povo aflito com fome e ninguém liga. Trabalhá por trabalhá assim não dá/ tem que ter objetivo no qual alcançá. Sete horas da manha descendo pra estudá/ na garagem um fuscão sem sinal de pegar. Não dá nada, vou de latão mas desci correndo e perdi minha lotação / fazê o que vou a pé /na correria, pois tem que ser guerreiro pra ganha o pão do dia-a-dia/vi Che comigo é assim olho por olho Tim Tim por tim tim / põem as cartas na mesa/ riqueza/ pobreza/ humildade ta aqui. Quero ver você fala de amor/ vendo a vida do jeito que tô. Quero ver você fala de compaixão/ quando ver parente seu jogado no chão. REGIONAL SANTA CATARINA CÁRITAS BRASILEIRA Apoio

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