Nº 2 . Março 2013escuela oficial de idiomas de valladolid (españa)universidade da beira interior da covilhã (portugal)5-8 ...
2RAMÓNO voo da línguaJoão de MeloSaber que a  minha língua, oPortuguês, é estudado na Esco-la Oficial de Idiomas de  Valla...
33436394243EDITORIALValeu a pena?Continuamos nesta teimosia de alunos e línguas. Agora mais cientes do simplesque é iludir...
4OPINIÃOFrancisco José Fidalgo EnríquezEstimados lectores, háganme caso,si tienen un nombre, olvídenlo y cám-bienlo por un...
ERASMUS5Acordar em LisboaSubi as estreitas escadinhas até aosegundo andar, deitei-me na camae acordei numa cidade espectac...
6ERASMUSAs aventuras dumaespanholita na cidade da luzque quer dizer a “calma portuguesa”.Ainda sofro a chamada “depres-são...
7erasmusCorazón abiertoDebería haber Escuelas de Idio-mas también en mi país, pero, sinembargo, es más importante cons-tru...
8ERASMUSAdriano BorgesNos primeiros dias foi bastante com-plicado. Não conhecia nada da cida-de, andava sempre perdido pel...
9A línguaBelén GonzálezO desenvolvimento dum país dependedo valor da sua economia e da sua socie-dade, da ciência e da cul...
10E.O.I. ValladolidAna AndaluzAs Escolas Oficiais de Línguasde Espanha formam uma rede decentros de ensino de línguas mo-d...
11Ana AndaluzNesta altura todos conhecemosa precariedade do orçamento danossa escola: “não há dinheiropara quase nada” - d...
12ENTREVISTAisaac machoPregunta.-¿Qué significó para us-ted ese reconocimiento?Respuesta.-Acepté la distincióncomo una exp...
13plantar determinados estudios declara demanda social –y no solode la zona– en regiones del interiorfavorece compensar lo...
14SOCIEDADE/ECONOMIAHá tsunamis de caráter local,tais como os ocorridos nos anosde 1531 e 1926 no Estuário doTejo, causand...
15Sociedade/Economiaprojeto Oportuni-dade 2020. Narevista Inovaçãoe empreende-dorismo podemosler: “As próximas ini-ciativa...
16O rio Douro, os seus vinhos e as suas personagensSociedade/Economiaa melhor quinta de vinhade todo o Douro. Senten-ciou:...
17sociedade/economíaIntel Core Duo, a gama de processa-dores de duplo núcleo, a arquitetu-ra Core voltou a velocidades de ...
18Sociedade/EconomiaGuarda e AveiroAlém disso, é preciso fazer ressa-lém disso, é preciso fazer ressaltarque, desde Valhad...
19Amadeu FerreiraA língua mirandesa pertence à família de línguasasturo-leonesas e, como elas, é filha do latim. Foiganhan...
20Sociedade/EconomiaGonzalo Daniel da SilvaHoy en día, podemos ver que haymuchas manifestaciones para queno se recorten lo...
21sociedade/economíaVirginie AndradeLos problemas más conocidos enColombia han sido la producción yexplotación de coca y c...
22sociedade/economiades quemar con tanta chispa. ¡Serásmerluzo! ¿Cómo nos vamos a llamar“los patos?, preguntó Emparanza.-N...
23FICÇÃOLiliana ManuelaBerrincha Duarte GatoEra de noche. Estaba muy oscuroy llovía torrencialmente. Conducíami coche cuan...
24patrimónioabsorver o choque dos tiros; osbastiões poligonais nos cantos, comaberturas em seus parapeitos parapermitir o ...
25PatrimónioGoyi Plaza ParraNasci numa terra raiana da pro-víncia de Salamanca e desde miúdaia a Portugal a pé. Naquela al...
26e sai de de circulaçãoem 28 de Fevereiro. Amonetização de Roma,aliás, fez parte do in-tenso processo de he-lenização daq...
27OpiniãoPablo Javier PérezLópezEra um homem que ca-minhava devagar pelaBaixa com um sobretudocomprido e elegante e umchap...
28ENTREVISTAAna B. Cao MíguezPergunta.- Poderia resumir-nos oseu intenso percurso profissional?Resposta.- Entre outras coi...
29otocolares ainda habituais no meio académico português, e não entende o por-rição, um altruísmo e uma modéstia invulgare...
30PatrimónioO órgão é o instrumento musical por excelência. E devido à utili-zação do mesmo na liturgia cristã teve uma gr...
31comparável a um órgão em Itália ouEspanha”, essencialmente na exis-tência de registos compostos.“Um órgão espanhol, para...
Revista nos otros 2013 baja
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  1. 1. Nº 2 . Março 2013escuela oficial de idiomas de valladolid (españa)universidade da beira interior da covilhã (portugal)5-8 destino: erasmus . 10 eoi: 25 anos só se cumprem umavez . 12-13 honoris causa ubi: julio fermoso . 14 portugalé suceptível à ocorrência de tsunamis? . 20 la crisis encasa . 24-26 um passeio pelas culturas antigas . 36 o reinoda água . 37 sossego: um conto curto à moda de pessoa
  2. 2. 2RAMÓNO voo da línguaJoão de MeloSaber que a  minha língua, oPortuguês, é estudado na Esco-la Oficial de Idiomas de  Valla-dolid (onde estive, há anos, emfunções diplomáticas e comoescritor, com outros escritoreslusos, na Feira do Livro), era jápara mim uma ideia muito bela.Não por mero patriotismo lín-guístico, compreenda-se. Masporque, durante os nove anosem que fui Conselheiro de Cul-tura na embaixada de Portugalem  Madrid, sempre defendi  oPortuguês como a língua-primado Castelhano. E porque as lín-guas são aquela parte de nósque mais depressa voa sobretodas as fronteiras. Sobre isso,e muito mais, escrevi um  ro-mance “O Mar de Madrid”, queme atreveria a sugerir a algunsde vós: é um livro que fala daestranheza luso-espanhola eque  advoga a poética de umarelação histórica entre nós, po-vos e pessoas.Agora, sei que leram (pelomenos alguns)  “Gente Felizcom Lágrimas”. Isso sugere-meum sentimento de humildade.O propósito destas linhas con-siste em agradecer a vossa ge-nerosidade, a vossa paciência,talvez mesmo o sacrifício comque enfrentaram o desafio deuma história portuguesa, sobreum país do passado recente(o meu), e que talvez seja, emalguma medida, um livro tam-bém espanhol. Se “Os SantosInocentes” de Miguel Delibesé uma história espanhola, masigualmente portuguesa (por fa-lar do latifúndio e de uma dita-dura familiar de déspotas sobreo povo), então creio que “GenteFeliz com Lágrimas” morou, oumora ainda, em algumas casasespanholas - talvez. De todaa maneira, do que eu gostavamesmo era de saber se este li-vro mora no vosso coração.articulistaJoão de MeloErasmus:testemunho diretoentrevistaJulio FermosoTsunamis emPortugal?articulistaAmadeu Ferreira25242527283033culturasAs FortificaçõesculturasSiega VerdearticulistaPablo J. Pérez LópezentrevistaÂngela PrestesculturasÓrgão ibéricoviagensÉvora141912
  3. 3. 33436394243EDITORIALValeu a pena?Continuamos nesta teimosia de alunos e línguas. Agora mais cientes do simplesque é iludir fronteiras. Nós-otros tem qualquer coisa de romaria, de festa, de ami-zade que se procura e encontra.Sem dúvida, aquí e além, o ano não foi bondoso. Foi cinzento o inverno. Despe-jos tristes que fizeram com que o ano se tornasse num lastro de perdas. Avança-mos quase exaustos e em tudo diminuídos.Tiraram-nos tanta coisa! Há entre Nós-otros mais desempregados do que nunca.Muitos dos nossos alunos chegam às aulas com o cansaço ou desespero de quemhá já tempo que anda a procura e não encontra.E ainda pior foi ver os nossos direitos esmagados. Porém , após tanta sustação, nobalanço temos de olhar para a coluna da soma. E é então que reparamos que não foiem vão o nosso projeto. Mesmo porque até no momento em que nós estavamos jáquase para deixar que também nos tirarassem as ilusões, eram os outros a chamarpor nós. E novamente , como coisa de magia voltava a ilusão de partilhar, junto coma certeza de que sempre são os amigos e os vizinhos os que nos tendem a mão.Por isso , todos quantos fizemos parte desta coisa doida, de partilhar ilusões,podemos, agora sim , garantir que valeu a pena.Estamos agora à espera, aqui em Valladolid, que venham amigos da Covilhã.Queremos saber mais sobre tudo o que têm para contar. Pensamos que é impos-sível falar bem uma língua sem o conhecimento das pessoas e as suas vidas. Émais uma vez , foram eles , os amigos novos a não deixar que os cortes no ensinodessem cabo dos nossos planos. E eles vem ter connosco e é de graça. Segredosassim conhecemos também através da Sibila de Agustina Bessa -Luís.Sim valeu a pena, com certeza.STAFFCoordenadores GeraisEOI: Concha López JambrinaUBI: Francisco J. FidalgoCoordenadores dos CentrosEOI: Lourdes LópezUBI: Dra. Noemí Pérez, Dra. AnaBelén Cao, Dr. Emmanuel RojasChefes de equipaAna Andaluz, José María Ramos,María José Fernández Calleja, Vi-dal GarcíaColaboradoresAida García Pinillos, Belén Gon­zá­lez,Raúl Gutiérrez, Sara Arranz, Francis-co Javier Ortega González, María Do-lores Calero González, Miguel Mar-cos, Liliana Manuela BerrinchaDuarte, Julia Molina, Gonçalo Danielda Silva, Pilar Cava Sánchez, AgustínPérez Cantero, Virginie Andrade,Fernando Ortiz, Francisco J.M. Cris-tovão, Natalia Fernández, Javier G.Lorente, Asunción Cuadrado, IsaacMacho, María José Fernández Calle-ja, Goyi Plaza Parra, Gon­çalo PedroAzevedo da Silva, Ana Andaluz, JoséMaría Ramos, Carmen Brugman,Ruperto López Sánchez, José MiguelGándara, Alexandra Silva, RobertaIanozzi, Ana B. CaoIlustradoresPatricia de Cos / decospg@gmail.com, Jesse Dixium / jesse_dixium@hotmail.com, CarolinaFer­nández / karalman@hotmail.com, Alexandra Pino Caballero /alexandrapino0@gmail.com, Ma-riluz de la Calle / luzdelacalle@gmail.com, Daniel Merchán Ruiz/ ridli79@gmail.com, Edgar Álva-rez Allende, Andrea Valero Antón/ andrevaleroanton@yahoo.esFotógrafosLourdes López, António Sá, Hele-na Poncini, Vidal García, JoaquínLois, Alberto JambrinaArticulistasJoão de Melo, Amadeu Ferreira,Lourdes López, Mónica Busta-mante, Noemí Pérez, VanessaEmina, Pablo Javier Pérez, Adria-no Borges, Valdilene OliveiraColaborador especialRAMÓNCabeçalho e PortadaAida García PinillosIdea do projecto, assessoramentojornalístico, desenho e maqueti-zaçãoIsaac Macho e Ignacio Gil ZarzosaAgradecimentosAyuntamiento de Burgos, Juntade Castilla y León, Eurobook, De-seovino, Papelería Lesmes, Pes­cadolid C.B., Carnicería Gutié-rrez, Dibujo Técnico / Mecánica- ZamoraEdiçãoEscuela Oficial de Idiomas-Valla-dolid (España) e a Universidadeda Beira Interior-Covilhã (Portugal)viagensBurgosviagensParque Nacional daPeneda-GerêsentrevistaVirginia LópezculturasOs CemitériosfotografiasFronteira Invisível
  4. 4. 4OPINIÃOFrancisco José Fidalgo EnríquezEstimados lectores, háganme caso,si tienen un nombre, olvídenlo y cám-bienlo por un número. Si de algo sabe-mos en la península ibérica es de nú-meros y más con la crisis: el número dela prima de riesgo, número de parados,número de dinero que nos deben y quedebemos, número de dinero que nosroban los hombres públicos (tambiénlas mujeres), porcentajes varios de di-versos números y el ‘número del éxito’.No crean que este último se trata delnúmero de un sorteo multimillonariosino del número de alumnos aproba-dos y suspendidos.Algunas instituciones de enseñanzacifran, y no es una metáfora, la calidaden la cantidad, quizás por la similitudfonética sean incapaces de diferenciarel significado. Así, califican de asigna-turas ‘críticas’, vil anglicismo, las queno obtienen el ‘número del éxito’ que,por cierto, no tiene como objetivo crearalumnos críticos, ahora sí en castellanoderecho.En estos tiempos numéricos, quizásaquello de ‘personas humanas’ no seatanta redundancia, o ‘rebuznancia’, puessomos cada vez menos humanos y másnuméricos. La deshumanización quepreconizaba Kafka ha sido reemplazadapor una numeración. Incluso la lucha declases de Marx ha dejado de ser huma-na para convertirse en la lucha entre laprimera clase y la tercera, con cada vezmenos atisbos de la segunda. Parece elsigno de los tiempos que lo medio, lo me-diano, el justo medio, las clases mediasdesaparezcan… Ya saben, o excelenciao burricie, o César o nada…Y todo esto, estando a la cola delaprendizaje de las matemáticas y sien-do cada vez menos ‘personas huma-nas’ y más ‘personas numéricas’.* Francisco J. Fidalgo es lector de Españolen la U.B.I.-CovilhãJudeus em Trás-Os-MontesSobre números y‘personas humanas’pois embora possam parecer incomo-dativas fazem a sua missão. Garantemelas a exitência do UM, isto é, UMAPÁTRIA, UMA RELIGIÃO. Em casocontrário, era tudo em volta anarquia edesordem.Hoje sabemos que até ao início doséculo XX havía em Carção formas devida judaizante. Recomendo vivamentedois livros: “Carção. A capital do Mar­ranismo“ de António Júlio Andrade eMaria Fernanda Guimarães. E “Tem-po de Fogo” de Amadeu Ferreira. Foineles que encontrei deliciosas histó-rias . Por exemplo, a história na qualAna, que tinha dez anos e era filha deFrancisco Fernande foi acusada de “fazendo o sinal da Cruz, e, em vez daspalavras correspondentes dizer outrasnos seguintes termos: Deus, dá-me omaná, que se me não dás o maná, hei-de tornar-te a crucificar.* Concha López Jambrina é chefe do de-partamento de Português na E.O.I.-Va-lladolidConcha López JambrinaA praça de Carção, pequena aldeiado concelho de Vimioso no distrito deBragança, tem uma pedra com nomesgravados. É uma testemunha do horrorque viveu a aldeia, onde foram justiça-das até 130 pessoas. Mas é tambémuma homenagem ao feitio das gentes.Homens e mulheres capazes de de-fender a sua maneira de viver. Os deCarção, lá diz o monumento, não cos-tumam dobrar a cerviz.Porém, passeando pela aldeia, Car­ção oferece também outra testemunha.Há dois Carção. Uma invisível, mas no-jenta e envergonhada fronteira, comotodas as fronteiras, divide os Cabrõese os Judeus.A praça é para os almocreves, essesque podem fazer fortuna com a possesó de uma mula. Esses que têm jeitopara se desenrascarem. Os outros queviviam nos arredores usavam o cabestona lavoura.É a prova clara da importância dasfronteiras. Não devem ser derrubadas,Há dois Carção. Umainvisível, mas no-jenta e envergonha-da fronteira, comotodas as fronteiras,divide os Cabrões eos JudeusEn estos tiemposnuméricos, quizásaquello de ‘perso-nas humanas’ nosea tanta redun-dancia, o ‘rebuz-nancia’
  5. 5. ERASMUS5Acordar em LisboaSubi as estreitas escadinhas até aosegundo andar, deitei-me na camae acordei numa cidade espectacu-larmente branca. Feita toda ela demármore. Ora cheia de sol, ora dechuva. Com avenidas senhoriais, denobres edifícios em cores pastéis egrandes parques. Com bairros deruas estreitas, repletos de esquinas,becos e gatos. Não demorei em re-parar que ela mudava de uma ruapara outra tal qual o seu clima o faziade um minuto para o seguinte.Aida García PinillosA chegada à nuvemSenti a minha cabeça abanadapelo movimento do comboio. Abrium olho e vi-me envolvida por umdenso nevoeiro. Só alguns bocadosde vegetação apareciam aqui e alientre a bruma.Dez minutos mais tarde apareceua urbe, de maneira súbita, em for-ma de estação. Ao sair apanhei umtáxi e no meu –naquela altura- mauportuguês, e com certas dificuldadesconsegui dizer ao motorista a mora-da para que tinha de ir. Na viagemele tentou falar comigo, mas ao vero número de vezes que tinha de re-petir cada palavra para eu perceber,o engraçado homem brasileiro desis-tiu.Fizemos, portanto, o trajecto semfalar. Eu tentando ver alguma coisada cidade (o que não consegui porcausa da espessa névoa), e ele acantar alguma alegre canção da quejá não me consigo lembrar.Gente, cultura e demaisA gente nesta cidade era séria. Issoachei-o, nos seus rostos, ao apanharo eléctrico pela primeira vez ... massó depois, ao conhecê-los, percebique só eram calmos. Que gostavamde se deitar, compreender e implicarcom os outros mais devagar do quenós, os espanhóis (em geral).Por acaso, algumas das coisas quetemos ouvido acerca deles são tó-picos. Mas outras não o são assimtanto... É difícil falar de um povo comtão grande tradição nas suas costas.Com tão grande mistura de culturasnas ruas, na gastronomia e na mú-sica. Peço desculpas por, se calhar,pouco o clarificador no texto, mas oúnico que posso fazer através destebreve escrito é convidar-vos a vir cápara o verem vocês próprios. Comcerteza vale a pena.E Lisboa,como e que é?
  6. 6. 6ERASMUSAs aventuras dumaespanholita na cidade da luzque quer dizer a “calma portuguesa”.Ainda sofro a chamada “depres-são post-erasmus”, e da sabedoriaduma rua de Cascais fico com estafrase: É fácil lembrar, mas difícil es-queçer. Assim recomendo a todasas pessoas conhecer Lisboa, Por-tugal, a grastonomia lusa, tomar al-guma SuperBock, e sentir o ventodo Atlântico enquanto se espera oanoitecer.Aquele ano em Lisboa fiz-me serum bocado mais o que agora sou.dinha, que tinha o sol o dia inteiroa vigilar.O melhor que me levei foram assaudades, nunca uma palavra tinhapara mim em si mesma todo o queeu sentia e sinto. Só ali era um deverpassear pela Baixa todas as manhãspara apanhar o autocarro, que luxo!Que prazer quando deixas de serturista para sentir Lisboa como tua,quando és capaz de chegar cami­nhando sozinho até ao miradouro daGraça e não te perdes, e percebes oSara Arranz VillazánFaz mais de dois anos que che-guei a Lisboa, carregada com asmalas, um sorriso, muitas dúvidase cheia de ilusão.A minha experiência de intercâm-bio com o país vizinho não podiaser melhor. O dia que abri o e-mailna qual recebia a bolsa Erasmusnão podia pensar que aquele anoseria O ANO. Em princípio morarem Lisboa era quase não sair deEspanha, mas não podia ficar maisenganada.A vida académica de Lisboasurprendeu-me imenso, já na pri-meira semana conheçi os caloirose suas festas. Mais à frente nósvivemos as semanas académicasde Lisboa e de Coimbra, só nos fal-tou a semana de Aveiro. A melhorsem dúvida nenhuma foi a festa deCoimbra, com o concerto do gran-de Quim Barreiros.Tirei na Universidade Lusíada deLisboa as últimas cadeiras do meucurso, Serviço social, onde parti-lhei aulas com colegas de todos osanos, e graças a eles e a ajuda dosprofessores a integração foi muitomais simples.Fiz o meu estágio no Hospital Cu-rry Cabral, onde tambem tenho dedizer que a paciência e a vontadede todos de ajudar-me foram quaseinfinitas. No hospital foi onde ver-dadeiramente aprendi sem opçãoa não aprender a língua, e convivie trabalhei com portugueses, ango-lanos, cabo verdianos, brasileiros...A palavra que mais tenho ouvidodesde a minha volta foi “sauda-des”. Foi Lisboa quem me deu osentimento? Foi o país? Foi o fado?O Tejo? A luz da cidade? As pes-soas que ali conheçi?...Deixei aresposta naquela casa de Terreirodo Paço, que olhava para o rio, queouvia a musica nas festas da sar-No hospital foi onde verdadeiramente aprendi sem opção anão aprender a língua, e convivi e trabalhei com portuguêses,angolanos, cabo verdianos, brasileiros...
  7. 7. 7erasmusCorazón abiertoDebería haber Escuelas de Idio-mas también en mi país, pero, sinembargo, es más importante cons-truir estadios de fútbol y carreteraspor donde pasa un coche cada 24horas. Pero hoy no toca hablar demi querido país. Las clases de por-tugués están siendo una muy buenaexperiencia para mí porque con ellaspercibo las dificultades de alguiende otra nacionalidad para aprenderportugués como lengua no materna,y el problema añadido de producirsonidos que NÓS-OTROS hacemosdesde siempre y que nos parecenmuy fáciles por lo que pensamos quela gente debería lograr hacerlos a laprimera. Pero con la experiencia ve-mos que el portugués tiene muchasvariantes complicadas, y como opi-nión personal muchas reglas, -a ve-ces discutibles-, que complican estebonito idioma, y sí que es bonito por-que la gran mayoría de los alumnosde portugués dicen que adoran susonoridad. Todavía estoy explorandoeste nuevo amor, y lo que me puedeenseñar, porque solo así nos vamosconociendo mejor. Hay que hacertravesías, hay que conocer nuevosmundos y sobre todo hay que tenerel corazón abierto a nuevos amoresporque: “Tudo vale a pena quandoa alma não é pequena.”(FernandoPessoa).ria, y en cada esquina de la ciudadhay vestigios romanos que nos en-señan algo de su historia y tambiénde España.Aunque me quede mucho por vi-sitar en España, sí puedo decir quefue en esta ciudad donde me ena-moré de este país. Me enamoré porlas tapas, por empezar a comer alas 3 de la tarde hasta las 6, por losbares llenos a las 7 de la tarde, porla fiesta que la gente hace siempreque va de copas o de botellón, por lasiesta -aunque también me encantaoír música por la tarde y no puedoporque los vecinos duermen-, porlas calles donde hay siempre alguienhablando muy alto, por el silencio enlas calles todos los domingos, por-que cuando entramos en un bar seoye a la gente hablando y no la mú-sica, etc…Miguel MarcosCasi toda la gente, salvo raras ex-cepciones, como en todo, cuandonace ya tiene un amor absoluto y uncariño especial por sus padres. A lolargo de los años logramos nuevosamores, sean amigos, novios o no-vias.Con los países pasa lo mismo,nuestro país siempre será nuestroprimer amor, nuestro padre y fami-lia, pero quien va a vivir en otro paísdurante algún tiempo puede descu-brir una nueva amistad. Eso fue loque me pasó, tras vivir ya 3 mesesen España. Aunque sea el país de“nuestros hermanos”, es un nuevopaís a descubrir.Se preguntará el lector por qué vinea vivir a España. Pues yo estudiabael castellano en Portugal, y finaliza-da mi carrera decidí concursar conlas becas del gobierno español paratrabajar como auxiliar de conversa-ción de portugués. Logré quedarmecon la vacante en la E.O.I de Mérida.Puedo decir que además de ser unade las ciudades más bonitas que hevisitado, tiene también mucha histo-Me enamoré por las tapas, por empezar a comer a las 3 de latarde hasta las 6, por los bares llenos a las 7 de la tarde, por lafiesta que la gente hace siempre que va de copas o de botellón,por la siesta…Un nuevo amor
  8. 8. 8ERASMUSAdriano BorgesNos primeiros dias foi bastante com-plicado. Não conhecia nada da cida-de, andava sempre perdido pelas ruase como sabia muito pouco do idioma,tinha dificuldades em conversar e pro-curar informações. Aos poucos fui-mehabituando ao clima. Até então não sabia o que era“frio” e tenho sorte em morar num apartamento mes-mo em frente à Escola. Hoje já estou bastante habitua-do à rotina de um estudante estrangeiro em Valladolid.Costumo “sallir de tapas” e de “copas” quase todos osfins de semana e também andar pelas ruas para visi-tar amigos a qualquer hora do dia. Uma das melhorescoisas de morar aqui é o fato de tudo ser perto, e poderresolver tudo a pé. Sei que quando voltar para o Brasilvou sentir falta desses costumes típicos, e principal-mente da vida tranquila do vallisoletano.* 21 anos, erasmus brasileiro de Arquitetura-UVAA los ojos de un inexpertoA vida tranquilaFrancisco J. M. CristóvãoCuando era niño, empecé a oír ala gente hablar sobre el programaErasmus, algo que me sonaba am-biguo. ¿Estudiar en otro país duranteun tiempo y después regresar al paísde origen a la misma rutina? Hacealgunos años, esta pregunta llegó aobsesionarme. El conocimiento denuevas rutas y, consecuentemente,de nuevos laberintos siempre me hallamado mucho la atención, y crea-do una enorme curiosidad. Todavíahoy me ocurre. Curiosamente, endos mil once, mi escuela promovióuna conferencia sobre la temática«Erasmus», donde varios alumnosextranjeros nos dieron a conocersu experiencia personal y los cono-cimientos que adquirieron, ademásdel aspecto de crecimiento perso-nal. A partir de ese momento, la cu-riosidad y el interés en poder vivir laexperiencia, empezó a perseguirmehasta mi etapa universitaria en laque me encuentro. El próximo año,si todo me sale bien es el último demi carrera, y me gustaría disfrutarde este programa.Cambiar de país ya es un hechoque nos suscita algunas curiosi-dades: ¿Cómo serán las personas?¿Cómo será el modo de vida? ¿Cómoserá el mundo universitario? Pero, loque importa, efectivamente, son losbeneficios que se adquieren de estaexperiencia. Pienso que será muy re-confortante poder reunir todo aque-llo asimilado a lo largo de ese tiem-po de “Erasmus” y saber aplicarlo,luego, a lo largo de mi vida. Pero,hasta ahora, solo sigo hablando deventajas, aunque haya, claro, algu-nas desventajas y, en en ese punto,desde mi punto de vista, el princi-pal problema reside claramente enlas posibilidades económicas de laspersonas que lo pretendan seguir.Aunque existan becas de estudioespecíficas para estos programas, eldinero que se percibe, según tengoconocimiento, muy raramente cubrelas necesidades básicas, lo que llevaa pensar que no toda la gente po-drá cumplir sus ambiciones en estesentido. Pero, si tú eres estudiantey tienes oportunidad de hacerlo y,a la vez, dispones de posibilidadeseconómicas para ello, -aunque seanmínimas-, no lo dudes un instante yaunque tengas que realizar un es-fuerzo añadido, piensa en el futuroy arriésgate. Oportunidades comoestas, no las debemos desperdiciar.Algún día, pueden marcar la dife-rencia, y, sin duda, nos habrán sidomuy útiles.Valdilene OliveiraValladolid foi escolhida porser uma cidade pequena e fa-zer parte de Castilla y León (nocastelhano), além de ser umadas opções disponíveis para omeu curso. Os primeiros diasnão foram bons porque não falava bem o es-panhol e nas aulas não entendia muita coisa,então comecei um curso da língua. Conhecioutros brasileiros, passamos a dividir as nossasdificuldades e ir a festas. A cidade é bonita, temhistória e uma rica gastronomia, com excelentesvinhos. As áreas de lazer são bastante atrativase é quase impossível não sair para os muitos‘bares de tapas’. A vontade de estudar perde-seno meio de tantas novidades, mas este inter-câmbio está sendo uma grande experiência.* 23 anos, erasmus brasileira de Física-UVAAo começo um caroço
  9. 9. 9A línguaBelén GonzálezO desenvolvimento dum país dependedo valor da sua economia e da sua socie-dade, da ciência e da cultura que produ-zem os seus cidadãos, e essas atividadesexpressam-se, geralmente, na língua dopaís. Também a prosperidadeeconómica, a criatividade cultu-ral e o desenvolvimento tecnoló-gico são os melhores sustentospara a expansão duma língua.Mas também é possível queuma língua se possa tornarmotor de crescimento e elemen-to criador de vantagens competiti-vas para um país ou países.Tendo em conta a dimensão da comu-nidade de falantes de português é precisoquestionar sobre a importância da língua portu-guesa como língua global. E não só como elemen-to estratégico de preservação identitária mas tam-bém como um valor económico agregado.Recentemente uns estudos têm determinadoque o valor económico da língua portuguesa re-presenta, em Portugal, 17% do Produto Interno Bruto(PIB) e o que, a atividade económica gerada no mun-do de expressão portuguesa representa 4,6% do PIBmundial.Segundo os dados de 2010, o português é falado pormais de 253,7 milhões de pessoas, isto é 3,6 % dapopulação do globo. Oito países têm-no como línguaoficial, além de países que contam com grande núme-ro de imigrantes que trazem o idioma como língua deherança. Estima-se que haja mais de 10 milhões depessoas (4,5 milhões de portugueses, três milhões debrasileiros e outras nacionalidades) que falam portu-guês fora dos seus países de origem.Nesta sociedade de conhecimento não se pode es-quecer o uso do português em produção de conteúdosna internet que chegou a ser a 9º língua na internetem 2011 assim como o destaque do uso maciço doportuguês das redes sociais.Por enquanto, o Brasil afirma-se como o maior em-baixador do idioma. De cada dez falantes do idiomano planeta, pelo menos sete são brasileiros. Os dadoscolocam o português na quinta posição de mais faladano mundo, mas o que tem feito crescer o portuguêsaos olhos dos estrangeiros é o destaque do Brasil,como parte do BRIC, grupo de países em desenvolvi-mento que inclui também a Rússia, Índia e China (daía sigla), considerado também o “país do futuro”. Porisso, a tendência é que a demanda do uso da línguacresça ainda mais até 2050, considerando-se ainda ocrescimento de Angola, em detrimento da depressãoeuropeia.Vários países de língua oficial portuguesa têm vindo atornar-se atractivos para os investidores e empreende-dores. Por este motivo, assistimos a um interesse cres-cente pela língua portuguesa. Percebe-se que o do-mínio do português potencia oportunidade de negócioe, por esse motivo, países como a China escolherama aprendizagem da língua de Camões como objectivoestratégico. Há muitos falantes de português no mun-do que ocupam posições de direcção em empresasmundiais e que vão ser usados como agentes de umanova diplomacia. O português surge como língua pri-vilegiada no trato e transmissão de ideias e produtos.Nos últimos tempos, instituições públicas e privadascomeçaram a ser conscientes do potencial económicoda língua portuguesa, o que têm provocado numero-sos estudos, livros, palestras e investigações para ten-tar obter o maior benefício possível a esse valor intan-gível e único especialmente neste momento de crise.O valor económico da línguaportuguesaPatricia de Cosdecospg@gmail.com
  10. 10. 10E.O.I. ValladolidAna AndaluzAs Escolas Oficiais de Línguasde Espanha formam uma rede decentros de ensino de línguas mo-dernas de nível não universitário.Ainda que a primeira delas tenhacomeçado, em Madrid, no ano1911, foi apenas em 1960 quecomeçaram a funcionar noutras ci-dades. Quase três décadas depois,em 1987, inauguraram a de Valla-dolid. Nestes 25 anos a escola deValladolid capital teve três sedes.Atualmente, desde 1994, situa-seno Bairro das Delícias.Desde então o número de alunosnão parou de crescer, alcançandona atualidade a cifra de 4328 pes-soas, abrangendo estudantes comidades dos 14 a mais de 70 anos,a estudarem alguma das línguas:Inglês, Francês, Alemão, Italiano,Chinês, Português e Espanhol paraestrangeiros espalhados pelos trêsestabelecimentos que temos emValladolid: uma na capital e asoutras duas em Laguna de Duero eMedina del Campo. A língua portu-guesa foi incluída no ano de 2005e neste momento somos por voltade 200 alunos distribuidos em 6níveis.Estamos, portanto, de aniversárioe para o festejar, a escola vai orga-nizar durante os dias 6, 7 e 8 deMarço diferentes eventos entre osquais haverá um acto institucionalcom a presença de autoridadesda nossa comunidade autónomae com uma palestra inaugural. Te-remos também mesas redondas,ateliers para alunos, filmes em V.O,peças de teatro, dança clássica,música, concursos, assim como aexposição dos micro-contos queforam a concurso participados pe-los alunos, atividades essas que,com certeza, terão um grande su-cesso. Parabéns!Mónica BustamantePor la Biblia sabemos que desde hace másde 4000 años, los idiomas se crearon comoun castigo al ser humano por la falta de comu-nicación al construir, alegóricamente, la torrede Babel. Entonces, ¿habría una lengua úni-ca? ¿Sería pensable que hoy todos pudiéramosentendernos en un solo idioma y en todos loslugares del mundo? No perdamos el tiempopor este camino… Felicitémonos, profesores yalumnos de las Escuelas Oficiales de Idiomas por lo inevitable: sehablan miles de lenguas diferentes y la manera de comunicarnos connuestros semejantes es cultivando otros lenguajes.Pero el concepto del idioma ha cambiado mucho, las necesidadesson otras y las metodologías de aprendizaje así lo demuestran. Anti-guamente, los idiomas modernos se estudiaban igual que las lenguasmuertas: se limitaban a vocabulario-gramática-traducción. ¿Cuántosde nosotros, tras haber estudiado francés o inglés durante años en elcolegio, hemos llegado a Francia o a Gran Bretaña y no hemos sabidopedir un café?Era frecuente estudiar lenguas como algo decorativo: de ahí que hu-biera más mujeres que hombres en las aulas. Bastaba demostrar quese sabía traducir cuatro modismos para aprobar. Y las consecuenciasde todo ello todavía son visibles en nuestra sociedad: sobran ejem-plos de personas incapaces de hablar un idioma, que no sea el suyo,en la vida pública o en su entorno. Las lagunas en el sistema de ense-ñanza obligatoria son profundas. Baste mencionar la inexistencia deuna prueba de producción oral en los exámenes de selectividad. Uncurrículo sin idiomas es un aspirante a empleo sin opciones. De lospocos elegidos de hace un siglo a los miles de estudiantes actuales,las Escuelas Oficiales de Idiomas han sido generadoras de generacio-nes de políglotas contra el mito de Babel.* Mónica Bustamante es jefe de Estudios y jefe de Coordinación Peda-gógica de la EOI-Valladolid.25 anosContra el mito de Babel
  11. 11. 11Ana AndaluzNesta altura todos conhecemosa precariedade do orçamento danossa escola: “não há dinheiropara quase nada” - disseram-nos,com pena, as professoras.Contudo, com grande en-tusiasmo e recorrendo aosseus numerosos contactos eamizades, elas têm arranja-do palestras, actuações mu-sicais e demais eventos quecompletam o nosso calendá-rio cultural. Temos, portanto,de lhes estar agradecidosbem como àquelas pessoasque vêm partilhar connoscoo seu saber de maneira des-interessada, invulgar quali-dade nos tempos atuais.No princípio do ano veiofalar-nos a jornalista VirginiaLópez sobre o seu livro “DeEspanha nem bom ventonem bom casamento”, ex-pressão que embora conhe-cêssemos, não compreendia-mos na sua total dimensão eque tem a ver com os inúme-ros casamentos reais ibéricosque ao longo da história se fi-zeram por questões políticase que tiveram um resultadodesigual.conhecimentos musicais com umtema não muito conhecido masnão menos interessante: oórgão ibérico.Visita adiadaPara o dia 23 de Janei-ro esperávamos com ilusãoJosé António Pinho que vin-ha da Covilhã, acompanhadocom uns cantores, para falarsobre o sugestivo título “Valea pena lutar pela liberdade”,mas, infelizmente, a visitateve de ser adiada pelas in-tensas nevadas que caíram,naqueles dias, no norte dePortugal e que desaconsel-haram a viagem.Proximamente teremos ainteressante palestra de SofiaDias Oliveira sobre os mitosportugueses na atualidade, àque se seguirão outros even-tos que, embora não estãoestejam ainda totalmenteconcretizados, com certezacontribuirão para aumentaro nosso conhecimento dalíngua e da cultura portugue-sas.Pelo São Martinho festejamos onosso magusto com relatos, cas-tanhas e vinho, como impõe a tra-dição.Depois pudemos desfrutar deduas palestras preparadas poralunas do 2º. de Avançado: a daCarmen Brugman, que falou comgrande entusiasmo da FundaçãoCalouste Gulbenkian e das pin-toras portuguesas Paula Rêgo eMaluda e a da Asunción Cuadradoque nos revelou os seus grandesO que fazemose falamosPelo São Martinho festejamos o nossomagusto com relatos, castanhas e vinho,como impõe a tradição
  12. 12. 12ENTREVISTAisaac machoPregunta.-¿Qué significó para us-ted ese reconocimiento?Respuesta.-Acepté la distincióncomo una expresión de agrade-cimiento por el trabajo que habíadesarrollado en la UBI para ins-talar unos nuevos estudios y connuevos criterios, lejanos al modotradicional de enseñar Medicina,más insertado en los Centros asis-tenciales de la Comunidad y conparticipación de los sectores sani-tarios y de Salud Pública, en ge-neral. El doctorado honoris causatraducía una gratitud, que aceptépero nunca en soledad, sino con elamplio grupo de personas e institu-ciones que empujaron en la mismadirección para hacer realidad elobjetivo. Todos bajo la dirección delas autoridades académicas queimpulsaron el proyecto.P.-Las universidades suelen si-tuarse en grandes ciudades, perono es el caso de Covilhã. ¿La cali-dad universitaria están reñida concampus de escaso alumnado?R.-En absoluto. Uno de los de-terminantes de la calidad en losprocesos de formación es huir dela masificación y lograr adecua-das ratios profesor/alumno. Pre-cisamente se impulsaron los nue-vos estudios de la licenciatura deMedicina, limitando el número dealumnos de nuevo ingreso, paraconseguir un aprendizaje más per-sonalizado, dando más papel alprofesor en su vertiente de tutor,de facilitador del aprendizaje, queen el de enseñante.P.-¿Qué papel le corresponde jugar ala facultad de Medicina de la UBI?R.-Una caracterísica sociodemo-gráfica de Portugal es la mayorconcentración de población en sufranja próxima al mar, con despo-blación en su zona interior. El im-En octubre del pasado año, Julio Fermoso, -ntor de la UNESCO y miembro activo de diversnombrado doctor honoris causa por la Univerla implantación de los estudios de Medicina“La tercera revolución facilitaráel trabajo de los universitarioscon más tiempo para laautoformación”JULIO FERMOSO, doctor honoris causa por laUniversidad de Beira Interior (UBI). Covilhã
  13. 13. 13plantar determinados estudios declara demanda social –y no solode la zona– en regiones del interiorfavorece compensar los desequili-brios poblacionales. Esos estudiosestimulan, además, a las regionesen las que se implantan, porqueatraen alumnos y profesores deotras regiones del país. En el casode las ciencias de la salud, ademássirve para desarrollar los serviciosde prevención y asistencia, queganan en calidad cuando sumanuna vertiente de formación a susresponsabilidades básicas.P.-¿Hay diferencias formativas en-tre los estudiantes de Medicinade España y Portugal?R.- Considero que el nivel en elque se marcan diferencias del pro-fesional de salud en su formación yentrenamiento es el del postgrado.Pero ni dentro de un país ni entredos países de la misma órbita dedesarrollo socioeconómico existendatos que corroboren la existenciade una notable diferencia de forma-ción en los estudios de pregrado.P.-¿Qué espera de la tecnologíaaplicada a la medicina?R.-La enseñanza online y el apo-yo que significan las tecnologíasde la información y la comunica-ción (TIC) permiten que sea mayorel periodo de autoaprendizaje delalumno y que facilite el acceso acualquier fondo de información,teniendo la biblioteca y las fuentespara su aprendizaje en su mismacasa, en su computador portátil, ensu tableta y hasta en su teléfono.Problemas tan concretos como lanecesaria formación práctica clíni-ca, que pasa por tener la oportuni-dad de ver manifestaciones clínicasen los enfermos en el medio sani-tario, en el Centro de Salud o en elHospital, ahora se ven facilitados alpoder tener un acceso universal ygratuito a bases de imágenes y devídeos que están en la red.P.-¿La universidad del futuro seráonline?R.-Creo que seguirán pasandosiglos y seguirá siendo imprescin-dible la formación como un verda-dero “ayuntamiento” de maestrosy escolares, que ya reivindicó el reysabio. Lo que marcan las TIC comoauténtica revolución, la tercera re-volución, es el facilitar el trabajo delos actores en el proceso de apren-dizaje, dedicando más tiempo a laautoformación, facilitando la proxi-midad de alumnos y profesorespara hacer más labores de tutorías,de ayuda. Pero las TIC no suplan-tarán al profesor.P.-¿Por qué las universidades es-pañolas figuran alejadas de la ex-celencia en relación a sus homó-logas europeas?R.-Los sistemas universitariosestán, por lo general, insuficiente-mente financiados y, además, ne-cesitados de las imprescindiblesreformas que modifiquen los es-quemas normativos que un día sir-vieron para conseguir unos nivelesde formación postsecundaria a am-plios segmentos de la población. Ypeor aún: no estimulan ni primanlas actividades de producción cien-tífica, de investigaciópn, innovacióny trasferencia. Cuando se analizacalidad universitaria en países másavanzados, tampoco hay que olvi-dar que se mira a un escaso núme-ro de instituciones que reciben unaaltísima financiación, pero se igno-ran centenares de universidades,de esos mismos países, en nivelesmuy inferiores de calidad.P.-¿Existe suficiente cooperaciónentre las universidades ibéricas ylas de América Latina?R.-La proximidad de culturas y laidentidad de lenguas facilita mu-cho la cooporación y acerca laslargas distancias que el mar con-templa entre nuestra penínsulay los países de latinoamérica. Esuna permanente acción la que sesigue desde hace décadas en elsentido de seguir cooperando, deaprovechar todo lo mucho que hayde unión, pese a la escasez de re-cursos. Nuestras universidades deSalamanca y Coimbra recibieron en1986 el premio “Príncipe de Astu-rias de Cooperación Internacional”de manera conjunta, precisamentepor el impulso a esa colaboracióncon los mundos americanos latinos.P.-Médicos de España, Irlanda,Grecia y Portugal han lanzado unSOS a las autoridades comunica-rias denunciando que las actualesrestricciones tendrán graves con-secuencias sociales y sanitarias.¿Está en peligro nuestra salud?R.-Se resentirá el elevado y efi-caz nivel de asistencia logrado enlas últimas décadas. Aumentaránlos periodos de espera para unaatención diagnóstica y terapéuti-ca. Pero desde los altos niveles decalidad conseguidos se habrá deprocurar que siga siendo diligentey eficiente la atención a prestar adolencias de consideración prefe-rente por su gravedad o por la ne-cesidad de atención sin demora.P.-El 55% de los jóvenes españo-les, la mayoría con estudios uni-versitarios, están en paro o tienenque buscar trabajo en otros paí-ses. ¿Qué le dicen estas cifras?R.-España y Portugal fueron en elpasado siglo emisores dramáticosde emigrantes. Después, recepto-res de poblaciones del sur que lle-gaban a buscar nuevos horizontes.En ese ir y volver de la historia, su-frimos una época que nos devuelvea los años más duros del siglo XX.neurólogo, catedrático y ex rector de la Universidad de Salamanca, ex consul-sos organismos europeos y latinoamericanos, ex presidente de Caja Duero-, fuersidade da Beira Interior por su labor científica y su destacado papel relevante ende la UBI.
  14. 14. 14SOCIEDADE/ECONOMIAHá tsunamis de caráter local,tais como os ocorridos nos anosde 1531 e 1926 no Estuário doTejo, causando danos nos barcose inundando partes de Lisboa epovoações na imediações do Tejo.Em 1722 o Tsunami de Tavira (Al-garve), que afetou todo o Algarve,ou em 1930 no Girão (Madeira)consequência dos movimentos devertentes em arribas com dezenasde mortos.Embora tenham existido nessasdatas em Portugal, o pior episódioaconteceu o dia 1 de novembrode 1755, com o “Terramoto deLisboa”. Este sismo, gerou umtsunami que atingiu as costasportuguesas (incluindo Açores eMadeira). Tendo consequênciaspolíticas, sociais e económicas nopaís.Raúl Gutiérrez PérezTanto as costas de Portugal con-tinental, como os arquipélagos(Açores e Madeira) são susceptí-veis à ocorrência de tsunamis. Orisco mais elevado está no sul, nacosta ocidental do Alentejo, Algar-ve, e na Grande Lisboa. No restodo país o risco é médio ou peque-no, mas não há risco zero.O famoso “Terramoto de Lisboa”(1755) é o que mais informaçãonos dá devido à sua intensidade,às suas consequências e porque érelativamente recente. No entanto,há outros registos históricos, cientí-ficos e arqueológicos que mostramque Portugal foi atingido por ondasde tsunami em outras ocasiões.Desde o primeiro registo históricodocumentado em Portugal conti-nental datado o ano 60BC existi-ram uma série de acontecimentos,alguns deles trágicos.Preparado?Portanto é errado pensar quePortugal não vai ser atingido porum tsunami. Por isso é importanteperguntar. Está Portugal preparadopara a ocorrência de um tsunami?A resposta é que o país não estápreparado. É previsível um colap-so dos prédios, infraestruturas eequipamentos (hospitais, polí-cia, bombeiros, proteção civil...).Além de que a população nãotem conhecimento de comoatuar ante um evento destamagnitude.As consequências podem serdramáticas para Portugal, comum impacto económico equi-valente a um ano de riqueza,destruindo parte do tecido pro-dutivo, além de previsíveis mortes(de 17.000 a 27.000 óbitos).Em Julho de 2010 todos os par-tidos votaram, uma recomendaçãoao governo, para que se crie comurgência um plano nacional. Maso governo limitou-se a propor ummodelo de seguros, para indem-nizar os prejuízos materiais. Ocurioso do assunto é que quandoo sismo chegar, a Assembleia daRepública vai ficar de pé, porquerecebeu obras de reforço anti-sís-mico.Contudo, depois do tsunami daIndonésia a UNESCO quer instalarum sistema de alerta de tsunamino Atlântico Nordeste e no Medi-terrâneo, Também se estão a pro-mover atividades (simulacros, ins-truções à população, etc.) com oobjetivo de consciencialização dapopulação e que tenham o conhe-cimento de como atuar ante esterisco.Apesar disto, Portugal ainda temum longo caminho por percorrerem matéria de tsunamis, para re-duzir e mitigar os efeitos dum futu-ro tsunami.O Risco de Tsunami em Portugaljesse_dixium@hotmail.es
  15. 15. 15Sociedade/Economiaprojeto Oportuni-dade 2020. Narevista Inovaçãoe empreende-dorismo podemosler: “As próximas ini-ciativas relativas ao projetoOportunidade 2020”. Ajudar jovens empreende-dores a criarem o seu plano de negócios é o objetivodo projecto ENTRExplorer “Serius Game for ImmersiveEntrepreneurs”, desenvolvido por um consórcio lideradopelo Núcleo de Investigação em Políticas Económicas daUniversidade do Minho. Outro exemplo do que nós fa-lamos é esta notícia: “Jovem agricultor português venceprémio de Projecto Mais Inovador da Europa” (público.pt). Jovem agricultor é responsável por 12 estufas de mo-rangos. Técnica em aeropnonia valeu-lhe o prémio.Realidade partilhadaComo estávamos a dizer, há iniciativas para ajudar, e háiniciativas partilhadas entre nós, espan-hóis e portugueses. Alguns exemplossão estas notícias: 1.- “Mais de milpequenas e médias empresas benefi-ciaram do projecto Time Pyme” (http://www.europapress.es/castilla-y-leon), umainiciativa de colaboração entre administraçõespúblicas de Portugal e Espanha. A iniciativaenquadra-se no programa de Cooperação Trans-fronteiriça Espanha-Portugal 2007-2013 (POCTEP).2.-“Constituida en Valladolid la Red Ibérica de Em-preendedurismo y Liderazgo”. A iniciativa surgidada Escola de Negócios CEU pretende estabelecerum foro permanente de encontro e participaçãoentre os empreendedores do Nortede Portugal e Castela e Leão.Julia Mª MolinaGonzálezQueres fazer as coisas de doutra ma-neira? Vês possibilidades de melhorasem todos os lados? Gostarias de ser O teupróprio chefe? Então é possível que sejasum ou uma empreendedor/a. E o bloguista JavierMegias (http://javiermegias.com/blog/2012/11/peor-epoca-para-emprender-de-la-historia-o-la-mejor/) anima-os, e diz que esta é uma boaaltura para fazer empresas novas, ainda que acrise seja muito profunda. As razões são: os con-sumidores deixaram de estar submetidos àsgrandes marcas, sendo muito mais baratoo começo; não tens uma “mochila” ouherança que gerir; nunca houve tantainformação.Ainda que de facto é muito difícil asse-gurar um financiamento para começar, ocerto é que é um bom momento, diz Javier.Além disso, os teus requisitos não vão sermuito altos no princípio, porque na pri-meira etapa o teu objetivo é legitimaro teu negócio. Assim que atua preparação acabar,a situação económica vaimelhorar também. E istoacontece em todos os países, mas falemos dosnossos. Que está a acontecer? Primeiro que háem ambas iniciativas com programas de apoio.Portugal e Espanha têm ajudas para a inovação eempreendedorismo, formação para fazer pla-nos de negócio e para adquirir com-petências estratégicas para asPME. Um destes é oEmpreendedores na Espanhae PortugalPatricia de Cosdecospg@gmail.comImaginar, acreditar, planear, arriscar, investir são verbos que têm a ver com osempreendedores. Sempre houve e sempre haverá, mas falamos deles nesta altura talvez àprocura de soluções para esta crise.
  16. 16. 16O rio Douro, os seus vinhos e as suas personagensSociedade/Economiaa melhor quinta de vinhade todo o Douro. Senten-ciou: “Vamos usar bacelosem vez de barbardos e nãohaverá um único que nãoseja enxertado em cepaamericana”.Vinhas antigasO trabalho foi terrível etambém o investimento dedinheiro e, ademais, tam-bém a luta como os pró-prios vizinhos, donos devinhedos junto dos seus.O esforço não foi em vão.A construção dos socalcosnas encostas de solo xisto-so perduram hoje e são abase dos formidáveis vin-hedos da zona denomina-da “Alto Douro Português”.Defendeu também DonaAntónia, com unhas edentes, a veracidade dosvinhos do Porto quando, agrande procura deles, so-bretudo pelos ingleses, fezcom que alguns viticultorespreferissem a quantidade àqualidade.Não têm esquecida estagrande senhora os seusdescendentes e, em ho-nor dela, os seus tetrane-tos criaram na Quinta doVallado o “Adelaide 2005” que sóserá produzido em anos em que ascondições sejam excelentes e ela-borado a partir das vinhas mais an-tigas da Quinta, com mais de cemanos e onde estão plantadas maisde 40 diferentes castas. Este re-conhecimento engrandece os seusdescendentes e põe no seu lugarà grande defensora dos vinhedos,dos vinhos e das pessoas.Francisco Silva Torres, e farta denão receber as rendas estipuladase de que todo o mundo entrassenelas, bem com os rebanhos, ou aroubar cortiça ou a caçar, decidiudar por acabado o arrendamento.Os chegados indicaram-lhe queo Meão era coisa brava, cheia demato e fragas perigosas, mas ela,com a sua coragem característica,estava disposta a fazer dessa terraFrancisco Javier OrtegaGonzálezConheci Portugal tarde,a primeira vez que fui tin-ha 62 anos, e é uma coisaque lamento profundamen-te. Da primeira visita e, emagradecimento pelo tratorecebido, tomei a decisãode aprender o idioma por-tuguês. O primeiro livro quetive a oportunidade de lerfoi o romance A fúria dasvinhas, cujo autor, Fran-cisco Moita Flores relataas peripécias que sofreramos viticultores nos finais doséculo XIX com a terrível fi-loxera.Fiquei impressionado coma figura de Dona AntóniaAdelaide Ferreira, “a Fe-rreirinha”, e decidi pesqui-sar um pouco sobre ela.Tinha Dona Antónia qua-renta e dois anos quandoherdou, á morte do seu pai,uma grande fortuna. Desdemenina sempre ficou pertodo seu pai, de quem tin-ha aprendido o importan-te que era a generosidadepara com o próximo e tam-bém a esperança quantoàs adversidades, e por isso,quando a morte chegara aosangue da sua terra na forma deinsecto, não consentiu em venderas quintas afectadas pela praga,com o que teria que despedir osseus caseiros e as famílias a quemdavam trabalho.Dona Antónia tinha uma pro-priedade no vale do Meão, queeram antigos baldios de Foz deCôa, comprada tempo atrás peloseu segundo marido, falecido já,D. Antónia Adelaide FerreiraTinha Dona Antónia quarenta e dois anosquando herdou, á morte do seu pai, umagrande fortuna...Defendeu Dona Antónia, com unhas e dentes,a veracidade dos vinhos do Porto quando, agrande procura deles, sobretudo pelos ingle-ses, fez que alguns viticultores preferissem aquantidade à qualidade
  17. 17. 17sociedade/economíaIntel Core Duo, a gama de processa-dores de duplo núcleo, a arquitetu-ra Core voltou a velocidades de CPUbaixas y melhorou o uso do proces-sador para a velocidade. Em 2011:o Intel Core Sandy Bridge e com ele,chegam os Intel Core i3, Intel Corei5 e Intel Core i7. estes processa-dores são conhecidos com o nomede Sandy Bridge. E são a segundageneração dos Intel Core com novasinstruções de 256 bits, duplicandoa produção, melhorando o rendi-mento no 3D e tudo o que tem a vercom operações em multimídia.Em 2012: o Intel Core Ivy Bridgeo qual é o nome em código dosprocessadores conhecidos comoIntel Core da terceira geração. sãoportanto os sucessores dos microsque sairam em 2011. Agora passa-se dos 32 nanómetros de largo dotransistor em Sandy Bridge aos 22de Ivy Bridge. Isto permite pôr o do-bro de transistores na mesma zona.Um maior número de transistoresfaz posível pôr mais blocos funcio-nais dentro do chip. É assim fazermais tarefas ao mesmo tempo.tracções, multiplicações, divisõese os accesos à memória RAM.Essas instruccões e os datos queintroduzimos no computador seprocessam de maniera muito rápi-do, o microprocessador trabalha sócom dois digitos o 0 e o 1, portantoos dados que nos introduzimos sãocodificados ao sistema binario (0 e1), e um relógio interno é quem dáo ritmo de trabalho do micropro-cesador. É justamente o aumentoda velocidade e a capacidade cadavez maior de processamento quemtêm marcado a evolução do micro-processadores e portanto da infor-mática e tudo o que isto implica.Primeiro do mundoA ley de Moore diz que aproxima-damente cada dois anos duplica- seo número de transistores num cir-cuito integrado. É uma lei empírica,formulada em 1965, cujo cumpri-mento se demonstra até hoje.Em 1971 foi desenvolvido el Intel4004 o primer microprocesador domundo, com uma CPU de 4 bits.Porém já em 2006:, Intel lançou oAgustín Pérez CanteroOs tempos actuais estão marcadospela presença constante das novastecnologias de informação. As infor-mações são transmitidas em temporeal e o mercado de trabalho funcio-na através dessa virtualidade. Esteespaço de comunicação aberto pelainterconexão mundial dos computa-dores, esta virtualidade domina asrotinas quotidianas. E tudo isto co-meçou com o silicio e a fabriçacãodo processador. O processo de fa-briçacão de um microprocessadoré muito complexo. Tudo começacom um punhado de areia a qual secompõe principalmente de silicio),com isso fabrica-se um monocris-tal de uns centímetros em forma decilindro, de cada cilindro, obtêm-semilhares de lâminas, e vérias cente-nas de microprocessadores.O microprocessador, é o circui-to mais complexo de um sistemainformático, o cérebro do mesmo,composto por milhões de compo-nentes eletronicos ( transistores) e que constitui a CPU ou uni-dade central de processamento.Sendo a sua função executar osprogramas nos quais incluem-sesistemas operativos e aplicações,esses programas compõem-se deinstruccões para fazer operaçõesaritméticas e lógicas ( somas, sub-Evolução dosmicroprocesadorese a sua influência na sociedadeO microprocessador, é o circuito mais complexo de um sistemainformático, o cérebro do mesmo, composto por milhões decomponentes eletronicos
  18. 18. 18Sociedade/EconomiaGuarda e AveiroAlém disso, é preciso fazer ressa-lém disso, é preciso fazer ressaltarque, desde Valhadolid, a Renaultlançou-se na implantação de maisduas fábricas até ao nosso vizin-ho e querido país, Portugal: uma,na cidade de Guarda, dedicada àmontagem de carros, e mais outrana cidade de Aveiro, dirigida ao fa-brico de motores.Obviamente a influência destasinstalações nas nomeadas cidadesfoi notável. É um facto que houvefluxos de peças dos fornecedoresde ambos os lados, quer espan-hóis, quer portugueses. Tudo issoincrementou as relações entre osdiversos sectores dos dois paísescom o consequente enriquecimen-to das duas culturas e costumesnos campos linguístico, turístico,literário, gastronómico, etc.No entanto, hoje em dia, lamen-tavelmente, estas fábricas têm sidoextintas. Espero que num futuromuito próximo os investimentos daRenault em Portugal influam nodesenvolvimento deste país, irmãonosso, que tão preciso é neste mo-mento de crise. Na cidade de Avei-ro está a construir-se, nesta altura,uma fábrica de baterias que vai for-necer deste produto os carros eléc-tricos do grupo de Renault-Nissan.Esta implantação é o resultadodo acordo mantido entre o gover-no luso e o Exmº. Sr. Presidente daRenault, esta empresa sumamentenova dará emprego a 250 trabal-hadores.Hoje em dia, a cidade de Vala-dolid, com mais de 300.000 habi-tantes, continua a receber da em-presa mais importante de Castelae Leão o impulso que converte anossa cidade na mais florescenteda região, com as suas luzes e assuas sombras, mas com um ba-lanço positivo e optimista.María Dolores Calero GonzálezEm meados do século passado acidade de Valhadolid era o centroduma região essencialmente agrí-cola. A sua capital, pouco indus-trializada, tinha naquela altura porvolta de 100.000 habitantes cujafonte de rendimentos eram a uni-versidade, o exército, a adminis-tração do Estado e uma indústriaincipiente.Neste contexto o coronel de ar-mamento e construção, o Exmº. Sr.D. Manuel Jiménez-Alfaro, criou noano de 1953 uma grande empre-sa automobilística: Fasa-Renault.O impulso dado por sua Ex.ª, quefoi o seu promotor, transformou anossa cidade. Agora, mas porqueescolheu ele Valhadolid para estaimplantação? Acho que por váriasrazões: em primeiro lugar, pela suasituação estratégica entre Madrid ea indústria do Norte de Espanha,onde ficavam os primeiros forne-cedores de peças do automóvel.A seguir, pela sua proximidadeou vizinhança do nó eléctrico daMudarra. E, finalmente, porque osateliers da Renfe possuíam umamão-de-obra muito qualificada.Por volta dos anos 60 do passadoséculo, com a implantação dumafábrica de motores, Famesa, emais outra de montagem, Facsa, aempresa chegou a ter 15.000 em-pregados em Valladolid. A popu-lação cresceu espectacularmentee, a indústria auxiliar criou mais de30.000 empregos indirectos.Tudo isto fez com que a cidade deValhadolid se tornasse numa cida-de industrial, abandonando o seucarácter tradicional de cidade agrí-cola e de serviços e passando a serum dos pontos mais importantes donosso país e, consequentemente,cedo apareceram os sintomas dascidades industriais: uma populaçãoobreira mais exigente e reivindicati-va; maior e melhor nível de vida emais nível cultural-industrial.Um ponto de união entre Espanha e PortugalRenaultvidal garcíaFundaçãolivrose imperiaisCarmen BrugmanPode-se dizerque o primeiro fo-ram as cervejas,não, não e certoou sim? Melhor,iam juntas o gostopela leitura, a cer-veja e sobretudo éde Portugal, Istofez que alguns alunos da escola,deixaram fora dela seus interesses.Com o decorrer do tempo, comalgumas viagens, almoço, conver-sas nas costas surgiui uma novaideia, claro, isto com uma imperialna mão… Uma fundação: “livros eimperiais”, tinhamos de ler um li-vro, depois juntávamos e fazíamoso comentário em português. As-sim, ainda que já alguns tivessemacabado na escola não deixariamde falar na língua que nos uniu.Por fim, há uma semana a ideiamaterializou-se numa primeira re-união. O livro “Capitães de Areia”de Jorge Amado. Tenho reconhe-cer que não li, não chegou-me olivro a tempo mas, não era possívelna primeira, nem sequer ter lido,fiz batota, vi o filme.Combinámos na casa da afitriãperfeita, lá estava a nossa leitorae mais experiente no português, onosso cavaleiro dos dados precisos,a jornalista devoradora de livros, acantora com a sua guitarra, a pro-fessora prémio em organização deviagens, o careca de tantas ideiase como esquecer ao membro dairmandade de lobos e bruxas juntoà contadora de histórias.A mistura das aptitudes de todosfez correr bem a primeira e desejarque chegue a seguinte. Terminouo nosso debate com uma cerveja,virámos para o espanhol logo deter um novo livro: “A máquina defazer espanhóis”. Esta vez sim ten-ho que ler…
  19. 19. 19Amadeu FerreiraA língua mirandesa pertence à família de línguasasturo-leonesas e, como elas, é filha do latim. Foiganhando algumas características próprias a partirda sua integração no reino de Portugal, que nascecom duas línguas. O contacto com o português e ocastelhano influenciaram-na, mas as suas carac-terísticas de língua asturo-leonesa mantiveram-seaté aos nossos dias, sobrevivendo ao permanenteataque que usou como arma o descrédito, a ver-gonha, a humilhação, um feito que é um milagre cultural.A sua estrutura como língua, a situação de diglossia dos falantes, so-bretudo a partir dos séculos XV-XVI e o facto de se integrar num amploespaço de falantes com boas relações sociais e económicas, ignorandoas fronteiras políticas, eis as principais razões que permitiram a sua so-brevivência.É falada por cerca de 7 000 falantes, aí incluídos residentes nas maio-res cidades de Portugal e no estrangeiro. Desde 1999 é reconhecidaoficialmente, através da lei n.º 7/99, de 21 de Janeiro. É ensinada nasescolas públicas de Miranda do Douro, como disciplina de opção.De forte tradição oral, é escrita desde 1882, actualmente de acordocom a Convenção Ortográfica da Língua Mirandesa, publicada em 1999.De então para cá, tem vindo a crescer uma rica e variada literatura mi-randesa, e tem uma presença crescente e significativa na internet.A defesa da língua mirandesa e a sua promoção como língua de Por-tugal tem vindo a ser levada a cabo pelos seus falantes, num importantetrabalho de cidadania. Uma língua que está em dificuldades e conde-nada a desaparecer, como tudo o que é humano, deve lutar pela vida,como o faz cada um de nós. É um dever cívico defendê-la como ele-mento da diversidade cultural e linguística de Portugal, como incentivoà tolerância e ao respeito pela diferença, como riqueza conservada pelopovo ao longo de mais de mil anos.*Amadeu Ferreira é professor da Universidade Nova de Lisboa, linguista,ensaista e presidente da Associação de Língua Mirandesa. Tem publica-dos vários livros.A língua mirandesaAlberto JambrinaOpiniãoJustino Gutiérrez TasisAvda Madrid, 38Laguna de Duero :: 47140 ValladolidTelfs. 983 54 03 35 :: 983 54 08 83carnicasgutierrez@gmail.com
  20. 20. 20Sociedade/EconomiaGonzalo Daniel da SilvaHoy en día, podemos ver que haymuchas manifestaciones para queno se recorten los salarios y paraque el gobierno no imponga nuevosaumentos en los impuestos de losciudadanos.A pesar de todas estas manifes-taciones, todavía encontramos apersonas que pueden gastar dineroen vehículos nuevos, equipos elec-trónicos de gama alta, aunque seanprescindibles para el ser humano.A menudo, estas personas quierendemostrar que la crisis económicano les afecta o, simplemente, en-grandecerse delante de su núcleode amigos o de su clase social.La sociedad demuestra que haymuchas incoherencias con respec-to a las protestas/gastos. De algunamanera, tenemos que manifes-tarnos, en protesta por lo que nosafecta negativamente. Sin embargo,la sociedad no debe hacer manifes-taciones y protestas y luego conti-nuar con su vida de una maneranatural, como si nada hubiera afec-tado. Hay personas que empiezan apasar hambre y a contraer deudassolo porque quieren “mostrarse” ala sociedad. Debido a que la socie-dad sigue haciendo su vida normal,a pesar de todas las manifestacio-nes, los gobernantes siguen ha-ciendo las cosas a su gusto y comodesean, ya que nunca saldrán per-judicados.Una sociedad en la que casi todosvamos detrás de unos pocos. Cuan-do hay un líder todos lo siguen,todo el mundo tiene miedo de darla cara para no tener que asumir lasresponsabilidades posibles. Todo elmundo tiene miedo de enfrentarseal “poder” de los gobernantes portemor a las represalias de que algono pueda salir bien. Cuando todova bien, a todo el mundo le gustaríaser líder o haberlo sido.Esta sociedad es un poco hipócritae infantil. Por un lado, es hipócritacon respecto a lo que dice de que“hace y sucede” y al final no haceUna sociedad en crisisTodo el mundo tiene miedo deenfrentarse al “poder” de losgobernantes por temor a lasrepresalias de que algo nopueda salir biennada en contra de nadie ni de nada,ni hace que pase nada, porquenada podía hacer. Podemos con-siderar que la sociedad es algo in-fantil si miramos a cómo ella se en-frenta a estos acontecimientos. Unexceso de “dejarlo a ver adónde vaa parar”, es lo que hay hoy en día.DescontentoAntes de que la sociedad se mani-fieste, debe considerar bien lo queestá haciendo por y contra ella: nosolo hacer las manifestaciones, sinoempezar a construir algo en ella,promoviendo iniciativas en las quetodos puedan cooperar por una so-ciedad sin corrupción, sobre todoentre los más influyentes y los máspoderosos de un país. Podemos verque los políticos, también tra­bajadores del es­tado (si esosignifica algo), no se recortanlos salarios y tienen muchosderechos como son los vehí-culos oficiales, que no tienenque gastar nada para quepuedan circularcon ellos, ni com-bustible ni pea-jes, esto sim-p l e m e n t ecomo unejemplo ilustrativo.Si hubiera un dirigente sindical oalguien influyente en cada país quepromoviera incentivos o programasde lucha contra estas incongruen-cias de las leyes/estado, quizá noserían necesarios tantos gastospagados por todos los contribuyen-tes, ya que los sindicatos son paradefender a la población contra lassituaciones indebidas causadas porel gobierno. Todas estas manifes-taciones, por otro lado, sirven parademostrar el descontento de unapoblación triste, pero no olvidemosque el estado ahorra mucho dinerocon eso, ya que en los díasde huelga los trabajadoresno reciben su salario ni co-tizan a la Seguridad Social.Alexandra Pino Caballeroalexandrapino0@gmail.com
  21. 21. 21sociedade/economíaVirginie AndradeLos problemas más conocidos enColombia han sido la producción yexplotación de coca y cocaína y lasrivalidades políticas; sin embargo,ha surgido aún otro problema pre-ocupante: la explotación desmedi-da de oro.Una revista que tiene propor-ciones tan significativas como lanuestra creo que debe intentar in-tervenir en el mundo; por ejemplo,ayudando a divulgar situacionesalarmantes. Por eso esta vez decidídenunciar una nueva situación enColombia.La compra y venta de oro, al con-trario de la droga, es legal, y la im-potencia e inestabilidad política su-ponen que se explote de cualquiermanera, en cualquier sitio, mu-chas veces llegando hasta el puntode perder la vida. La extracción deoro es muy exhaustiva. Basta pen-sar que, para obtener 3 gramos deoro, es necesario triturar una tone-lada de piedra.En el mapa de Colombia domi-nan la situación general tres fuer-zas políticas: el gobierno, los pa-ramilitares y las Fuerzas ArmadasRevolucionarias (FARC). El pue-blo colombiano está desesperadoporque, por una parte, el gobiernoquiere extinguir poblaciones paraque grandes explotadores interna-cionales saquen provecho de susrecursos, no dejando espacio a laexplotación tradicional.Por otro lado, se encuentran lasFARC, que subyugan a poblacio-nes “prestándoles” máquinas acambio de dinero para que consi-gan extraer oro. Matan a inocentesutilizando como instrumento losataques terroristas y continúan elcomercio de la droga, todo paracontinuar con la guerra.En contra de las FARC se encon-traban los paramilitares, que eranejércitos financiados por señoresricos para que luchasen contra lasFARC. El gobierno logró desmante-lar esos ejércitos, pero cuando laexplotación de oro empezó a cre-cer, muchos de sus integrantesque pertenecían a los paramilitaresempezaron a dedicarse al crimen,¡matando a gente! Son las llamadasBandas Criminales Emergentes(BACRIM).El gobierno ha prohibido coexistircon las FARC a cualquier personao empresa, pero la miseria es tangrande que las personas se sub-yugan a las FARC para conseguirdinero más rápidamente. Aunqueel gobierno haya reducido el áreade actuación de los grupos de gue-rrillas, no consigue terminar con suinfluencia.Termino este sencillo artículoalertando sobre el hecho de queel bienestar y la seguridad de lapoblación debe ser la principalprioridad del gobierno colombia-no. A quien le interese este tema,le aconsejo que vea el documentalde National Geographic Colombia’sGold War.La compra y venta de oro eslegal, y la impotencia e ines-tabilidad política suponenque se explote de cualquiermanera. La extracción deoro es muy exhaustiva. Bastapensar que, para obtener 3gramos de oro, es necesa-rio triturar una tonelada depiedra.El oro que no luceEn el mapa de Colombia dominan la situación general tres fuerzaspolíticas: el gobierno, los paramilitares y las Fuerzas ArmadasRevolucionarias (FARC).
  22. 22. 22sociedade/economiades quemar con tanta chispa. ¡Serásmerluzo! ¿Cómo nos vamos a llamar“los patos?, preguntó Emparanza.-Nadie lo va a notar, jefe, le tranqui-lizó Anónimo-¿Cómo que no lo van a notar? Y alo mejor usamos prendas de sedacon un pato diseñado, ¿no?, ironizóEmparanza.-Pues para mí una camiseta XL,jefe, continuó con la frase Anónimo.-No, hombre, no. ¿Cómo vamos aluchar por algo si a los otros les da larisa?, explicó Emparanza. Además,nuestro blasón ya tiene una serpien-te, remató.-¿Y cómo nos vamos a llamar, en-tonces?, le interrogó, de nuevo, Anó-nimo.-Nos llamaremos Euskadi Ta As-katasuna – País Vasco y Libertad–,finalizó Emparanza.Así me imagino yo el nacimientodel nombre de esta organización. Alcomienzo, la población les apoyabay transigía con esas situaciones. ETAempezó luchando contra el régimenfranquista, una dictadura, pero conel paso de las décadas de lucha fueperdiendo el apoyo de los españoles,primero, y de la población vasca,más tarde. Fueron pasando de hé-roes a asesinos.Gonçalo Pedro Azevedoda SilvaCuando miramos la organizaciónterrorista ETA, pensamos que susproblemas se resumen en la confron-tación ideológica y política. Lo quepasa es que ellos también tienen queresolver cuestiones más simples y co-tidianas.La organización etarra fue fundadaen 1958, durante el régimen fran-quista. Algunos de sus fundadoresfueron José Luis Álvarez Emparanza,Benito del Valle, Julen Madariaga yIñaki Larramendi.Fue precisamente José Luis Ál-varez Emparanza quien propuso elnombre de la organización, EuskadiTa Askatasuna (ETA) que significa eneuskera – País Vasco y Libertad. Sinembargo, el nombre no fue algo sen-cillo de escoger. Al principio alguienpropuso el nombre Aberri Ta Askata-suna (ATA) que significa en euskera– Patria y Libertad-, pero lo dejaronporque el acrónimo ATA significa“pato” en euskera vizcaíno. Voy aintentar recrear el supuesto diálogoentre una persona anónima y JoséL.A. Emparanza sobre el nombre dela organización.Así habría sido:-¡Ya lo tengo! – dijo la persona anó-nima.-¿Y qué esperas? Pásamelo paraque dé un trago, pidió Emparanza.-No jefe, que ya sé cuá es el nom-bre que vamos a usar, explicó elAnónimo, apenas sin aire de tan ner-vioso que estaba.-¡Por fin, alguien con ideas! ¿Enton-ces cuál es el nombre?, cuestionóEmparanza.-Aberri Ta Askatasuna – Patria yLibertad, pero como es muy largoes más fácil decir ---ATA, respondiótriunfante el ser Anónimo.-¿Qué, Pato?, preguntó Emparanzaincrédulo.-Sí, patrón, a que tiene chispa¿ehhhh?, dijo Anónimo muy contento.-Mira, vete con cuidado o te pue-Cese definitivoDurante años, se planificaron operaciones de todo tipo, incluso ile-gales, con el objetivo de eliminar a los miembros de la organización,incluidos asesinatos, torturas y raptos.Los etarras también sufrieron algunas bajas en esta tenebrosa luchasin cuartel durante décadas. La acusada pérdida de apoyo por partede la población vasca y la entrada en política de los partidarios, enotro tiempo, de la lucha armada, vino a confirmar el final anunciadode una etapa negra en la historia de España. Hoy, han cesado las ar-mas tras anunciar la banda terrorista el cese definitivo y permanentede la violencia. Pero todavía no han sido entregadas las armas. Laverdad es que ellos “parece ser” que se apercibieron de que, al final,las bombas queman más por dentro que por fuera.Cuando lasbombasrevientan,¿tambiénsufren?
  23. 23. 23FICÇÃOLiliana ManuelaBerrincha Duarte GatoEra de noche. Estaba muy oscuroy llovía torrencialmente. Conducíami coche cuando me encontré defrente con unas luces muy fuertesque me deslumbraron los ojos. Perdí elcontrol del coche y me golpeé contra unárbol. Sentí un leve ardor en mi pecho,me toqué y vi que estaba ensangrentada.Cerré los ojos y nada más abrirlos, o así locreía…Me desperté delante de una multitud decuerpos existentes en un macabro escena-rio sepulcral. Perdida y desolada, sentí que lanoche extendía sombras sobre mis entrañascomo si le perteneciesen. Temerosa, salí de allíy fui al encuentro de mi madre. La intenté al-canzar y hablar, pero mi boca no emitía ningúnsonido. La miré a los ojos, pero ella no me mira-ba. Era como si no me viese.¿Qué estaba sucediendo?Fui a mi habitación e intenté encender la luz, perono lo logré. Abrí el armario donde tenía un espejo y, almirarme, lo peor que me sucedió fue que no logré verme,pero me sentía. Estaba desnuda delante la muerte y no tenía frío. Acababa de quedarme sola, miúnico y verdadero miedo de siempre. ¡No podía ser!Asustada, hui de casa y fui a buscar a mi novio. Estaba muy enamorada de él y quería que me dijesequé estaba sucediendo conmigo. Seguro que él lo haría y me ayudaría a entenderlo todo.¡Qué raro! Al pasar delante de la sepultura por donde acababa de salir, lo vi mirando muy triste unatumba. Me aproximé y vi que estaba derramando lágrimas delante de… ¿mi tumba? ¡No podría ser! Yoestaba allí ¡viva! Por lo menos así lo creía.Le hablé, grité, pateé, pero él no me escuchaba. No me veía ni podía oírme. ¡Horrible! Fue entoncescuando le toqué y al hacerlo, cayó un trueno y con su luz me vio y se asustó. ¡Pobrecillo! Fue su peorpesadilla.Intenté calmarle, pero él no paraba de huir de mí, hasta que le alcancé, le abracé y le besé. Rendidoen mis brazos le pregunté qué había pasado. El pobre alcanzó a oírme. ¿Cómo era eso posible?Fue entonces cuando me habló de mi muerte y me dijo que no era posible que estuviera hablandoconmigo. Que todo no pasaría de ser un sueño muy raro.Mi diariodel miedoDaniel Merchán Ruizridli79@gmail.com
  24. 24. 24patrimónioabsorver o choque dos tiros; osbastiões poligonais nos cantos, comaberturas em seus parapeitos parapermitir o fogo dos canhões; as va-riadas obras exteriores: fortes, reve-lins, tenalhas, meias-luas...Desde a fronteira do Minho atéao Guadiana temos um tesouro emforma de rosário de construçõesdeste tipo, geralmente agrupadosem pares: Valença e Tuy, Almeidae Ciudad Rodrigo, Elvas e Bada-joz. Quando eles perderam o seuvalor militar tendo sofrido muitasguerras e a passagem do tempo, odesenvolvimento mal entendido foio seu pior inimigo, mas ainda as-sim, quanto resta tem grande valorcultural como o conjunto que re-presenta a fortificação da fronteiramais antiga da Europa, um legadodigno de ser eleito como PatrimónioMundial, sob a tipologia do site.Em suma, resultado dessa épocadifícil, cheia de sobressaltos e dedor, hoje nós temos este patrimó-nio incomparável que este grupode pessoas de ambos os lados daraia, pertencente ao mesmo grupodo Facebook, tentam ganhar o re-conhecimento que merece.Fernando OrtizO grupo está no Facebook, e empouco menos de um ano já temquase 600 membros,portuguesese espanhóis. A sua finalidade épromover todas as cidades da raiahispano-lusa com fortificações aba-luartadas a Património da Huma-nidade, e depois de mais de cincoanos de trabalho para este objetivode forma independente, com a ex-ceção de alguns congressos isola-dos, todos juntaram forças median-te esta ferramenta informática.Historiadores, arquitetos, pesquisa-dores, ou apenas aficionados, forne-cem informações sobre as vilas quepartilham este tipo de fortificação.Difundem planos, fotografias, docu-mentação... Promovem conferênciase exposições, e organizam mesmovisitas a algumas populações, ondealguns membros atuam como guias,enquanto o resto das pessoas con-hece os monumentos e as vicissitu-des das cidades irmãs, aprendendocom as experiências de seus vizin-hos, para as poder implementar nasua própria.Este grupo surgiu no início de2012, quando, no meio das come-morações do bicentenário da Gue-rra Peninsular, na cidade de Bada-joz, um grupo de entusiastas sentea necessidade de comunicar e par-tilhar, fluentemente, grandes quan-tidades de informação. Na cidadevizinha de Elvas, onde também têmlugar eventos e exposições, residemamigos em comum que se encon-tram em diversos eventos em am-bos os lados da fronteira.O intercâmbio de e-mails era habi-tual, mas não suficiente, e os que jáeram membros do Facebook propu-seram aos outros comunicarem-seassim. Para que este grupo, que jáera real, constituísse um grupo virtualera apenas uma questão de tempo. Eaqueles que desde 2007 estavam alutar pela nomeação para PatrimónioMundial, propagaram-no de Valençado Minho a Sanlúcar del Guadiana.O pior inimigoO nosso interesse é o extenso pa-trimónio de fortificações abaluarta-das, que surgiram ao longo da fron-teira hispano-lusa a partir da Guerrada Restauração, com as suas cons-truções baixas, com grossas pare-des de pedra, cheias de terra paraUm grupo com um interesse comum, em ambos lados…Fortificações abaluartadas da Raia a Património Mundial
  25. 25. 25PatrimónioGoyi Plaza ParraNasci numa terra raiana da pro-víncia de Salamanca e desde miúdaia a Portugal a pé. Naquela altura,a minha mãe mandava-me fazer al-gumas compras e para mim era tãosimples ir comprar café portuguêsnuma loja portuguesa da cidade vi-zinha como comprar o pão na pa-daria da minha povoação.Partilhei jogos com meninos emeninas de Portugal. E mais tarde,quando já era uma rapariga adoles-cente, dancei da mesma maneiracom os rapazes portugueses nassuas festas que com os rapazes es-panhóis nas nossas.Foi isto o princípio da minha rebel-dia adulta contra as alfândegas e asfronteiras? Não sei bem… Só trans-crevo dois versos do poeta zamora-no contemporâneo Tomás SánchezSantiago: “La memoria es un grifomal cerrado donde el pasado vela”.Mas, quando na 34ª Sessão doComité do Património Mun­dial, rea-lizada em Brasília, Siega Verde (Sa-lamanca, Espanha) é cla­ssificadacomo Extensão do Vale do Côa(Portugal) e incluída na lista do Pa-trimónio Mundial com o Nome Co-mum e Exclusivo de Sítios de ArteRupestre do Vale do Côa e SiegaVerde, adorei a notícia.Não vou falar de que em ambos oslados da fronteira entre Espanha ePortugal, em pontos do rio Águedae do rio Côa, se conservaram milha-res de gravuras, representando fi-guras zoomórficas, antropomórficase signos abstractos. Também nãoquero falar de que se remontam aoPaleolítico Superior, nem que sãoos sítios mais vastos de arte rupes-tre paleolítica ao ar livre do mundo.Tudo isso, fica para os estudiosos eespecialistas na matéria.Eu aproveito o tema para afirmarque a paisagem é um estado daalma e na minha terra o granitoprotesta da mesma maneira que navizinha terra portuguesa, que entrea intimidade do homem e a integri-dade do ambiente, acho que nãoexiste uma verdadeira limitação.Por acaso, não temos, lusitanos eespanhóis, a génese de latinos, deárabes e de cristãos? A História dizque os reis portugueses acabaramsempre por sucumbir aos encan-tos das mulheres espanholas. Masapesar dos interesses das uniõesreais e dos esforços da penínsu-la, de que no século XIX esteve namoda ter uma amante espanhola,a Ibéria não chegou a ser um país,nem com tantos casamentos ibéri-cos.Coração da IbériaJá o nosso poeta Antonio Macha-do descreveu o Rio Douro como ocoração da Ibéria e de Castela e opoeta de Trás-os-Montes, MiguelTorga, para mim um dos mais im-portantes autores contemporâneosportugueses, mantém-se fiel à suaterra, às suas gentes, e é sobretu-do, um cantor do humano. MiguelTorga, revela-se contra a ameaçade Portugal e de Espanha. Em no-tas do Diário e em Poemas ibéricos,há uma configuração dum espaçocultural onde a vontade de ser se-Siega Verde,Vale do Côamelhanças com a nossa Geraçãodo 98, agrupa heróis espanhóis elusos. De Miguel Torga diz DavidMourão-Ferreira: “É português eeuropeu, regional mas universal esobretudo, profundamente ibérico.”Podia falar de José Saramago,como exemplo de homem e autoribérico, de José Luis Puerto, outrodos nossos grandes poetas ibéricosda actualidade, mas prefiro tirar já,nos tempos que correm, as descon-fianças todas de portugueses e es-panhóis e apelar a dois povos qua-se gémeos, com o mesmo cordãoumbilical, que se contemplam, seapoiam um ao outro, dia após dia, edesejo, século após século.Finalizo com dois versos do poetaMario Benedetti, na sua e na min-ha língua: “Con tu puedo y con miquiero vamos juntos compañero”.A paisagem é um estado da almae na minha terra o granito pro-testa da mesma maneira que navizinha terra portuguesa, queentre a intimidade do homem e aintegridade do ambiente, achoque não existe uma verdadeiralimitação
  26. 26. 26e sai de de circulaçãoem 28 de Fevereiro. Amonetização de Roma,aliás, fez parte do in-tenso processo de he-lenização daquela civili-zação.Transações comerciaisOs romanos usavam amoeda como meio co-mummente usado pararealizar transações co-merciais. As moedasromanas que se conser-vam na actualidade sãouma pequena parte dodinheiro que chegou a circularna Antiguidade, que se extra-viou e não se pode encon-trar até hoje. Por exem-plo, no ano 2007 umtesouro romano do séc.IV d. C. com mais de4500 moedas foi encon-trado na “vila” romana doVale do Mouro, Coriscada,no concelho de Mêda, distritoda Guarda. Os sestércios, guarda-dos num saco de serapilheira e coma efígie do imperador Constantino,encontravam-se escondi-dos numa parede, jun-tamente com objectosde ferro (uma foice,uma picareta, argolase chaves, cobertos porterra). De acordo com oarqueólogo responsável pe-las escavações, AntónioSá Coixão, tratar-se-iada casa de um ferrei-ro, que ali escondeu otesouro aquando dasinvasões dos povosbárbaros. Trata-se dosegundo grande tesouromonetário romano des-coberto por este arqueólogo,que encontrara já umoutro composto por 414moedas, durante pros-pecções realizadasem Freixo de Numão,concelho de Vila Novade Foz Côa. Não hámuitas descobertas emPortugal de moedas ro-manas mas cada vez que seencontra alguma coisa, a históriade Portugal enriquece-se de culturaromana.PatrimónioRoberta IanozziÉ muito difícil resumir em poucaspalavras a presença romana em te-rritório português porque não é pos-sível descrever uma parte da histó-ria duma nação, com os seus usose costumes, em duas linhas. Umtema que me pareceu interessantee sobretudo muito pouco conhecidopara tratar nesta revista é o tema danumismática romana. Nesta socie-dade em que vivemos e onde o din-heiro tem muita importância, vamosver como é que os romanos o con-sideravam. Roma escreve a históriada moeda desde os seus capítulosiniciais. A primeira cunhagem deque se tem notícia em Roma, ain-da no tempo da República, data de268 a. C.A moeda, que se chamava de-nário, teve tanta importância queacabou determinando a etimologiada palavra “dinheiro” e suas va-riações latinas. Os romanos deramuma outra contribuição importantepara o léxico: o termo “monetário”,que vem de Juno Moneta, a deusapadroeira de Roma, em cujo templose fabricavam denários. Não foramos romanos, porém, que inventarama moeda. Eles apenas assimilaram,com algum atraso, uma prática co-mum na Grécia Antiga, que tinhadesde 575 a. C. a sua própria mo-eda -a primeira versão do dracmaque começa a desaparecer amanhãA numismática romanaRoma em PortugalAs moedas romanas que se conservam na actualidade são umapequena parte do dinheiro que chegou a circular na Antiguidade,que se extraviou e não se pode encontrar até hojepescados y mariscos de alta calidadmarisco frescos y cocidosservicio a domiciliotrato personalizadoespecialidad: nuestros clientesMerca-2 Campillo. Puestos 27, 28 y 65. Valladolid Tel. 983 200 984
  27. 27. 27OpiniãoPablo Javier PérezLópezEra um homem que ca-minhava devagar pelaBaixa com um sobretudocomprido e elegante e umchapéu sem medo. Às ve-zes um bigode vergonhosoia com ele mas nem sem-pre. Decerto sempre o acompanhavam livros ecigarros e algumas sombras de outros homens. Caminhava como quem ama, como quem olhao Castelo pela janela achando o Castelo um es-pelho de si próprio. Escrevia versos nas noitesde luar e também o resto. Dormia pouco, bebiamuito e sempre olhava para o horizonte ou parao rio como quem procura respostas ou sentimen-tos. Não tinha muitos amigos, amigos desses quesão uma alma a morar e a dormir junto da tua, dasua, da nossa. Amava muito mas sempre de longee sempre com palavras ou como vários homensao mesmo tempo. Traduzia cartas e sentimentospara pagar os quartos e os livros onde morava. Caminhava e caminhava, às vezes pelas ruas eoutras pelo labirinto vitoriano de si próprio, massempre procurando o seu rosto esquecido nosrostos alheios. Entre os lamentos matutinos eamarelos dos eléctricos e depois de comprar odiário chegava ao escritório e começava a traduzire a sonhar de uma forma alternativa e mistura-da que talvez fosse a sua maneira de viver ou detrabalhar, ou melhor, o seu próprio modo de vi-ver que era já um ofício. Traduzir rostos, escreverrostos, caminhar rostos. Costumes dum estranhomas autêntico e sagrado oficio quase extinto. Caminhava, olhava e coleccionava papéis e sen-timentos como quem procura onde está o Amor,como quem aguarda a verdade, como quemquer saber quem é ele próprio, onde está o seurosto, em que olhos, em que almas, em queausências, em que lembranças passadas ou futu-ras. Caminhava sempre detrás do seu nome, juntode outros homens que também pareciam seus,junto de outros nomes, que também pareciamseus, Caeiro, Mora, Campos,  Teive....caminhavaatrás da sua própria sombra e dum nome que es-tava escrito no seu bilhete de identidade desdequase sempre: Fernando Pessoa. Caminhava ecaminha em todos nós, rostos achados e esqueci-dos, procurando ainda a verdade, o amor e outrascoisas perdidas. Era, pois, um verdadeiro poeta afingir ser um homem pela rua.* Pablo Javier Pérez López é doutor em Filosofia e espe-cialista em Fernando PessoaFernando PessoaFray Luis de León 23 47002 ValladolidTel. 983 39 98 99informacion@eurobookonline.comwww.eurobookonline.comInglésFrancésAlemánPortuguésItalianoChinoEspañol lengua extranjera...
  28. 28. 28ENTREVISTAAna B. Cao MíguezPergunta.- Poderia resumir-nos oseu intenso percurso profissional?Resposta.- Entre outras coisas, fuileitora de Português na Universida-de de Rostock, na antiga Repúbli-ca Democrática Alemã, a convitedo adido cultural da Embaixadada RDA em Lisboa. Depois des-loquei-me à cidade de Berna naqualidade de tradutora-intérpreteda Embaixada de Portugal juntoda Confederação Helvética, ondetive a oportunidade de interpretarpara Mário Soares, então primeiro-ministro de Portugal, e o presiden-te da Confederação à época. Umavez regressada a Portugal, fui co-fundadora do curso de RelaçõesInternacionais na UniversidadeAutónoma de Lisboa, onde dei au-las durante uma década. Aceitei,na mesma altura, o convite de JoãoMota, director e fundador do Teatroda Comuna e hoje director artísticodo Teatro Nacional, para leccionara cadeira de Teatro Moderno numcurso financiado pela CEE. Aí fi-quei dois anos. Há treze anos quesou docente de Inglês no Departa-mento de Letras da UBI.P.- Acabou de mencionar a suaestadia na RDA. Como foi residirnum país que já não existe?R.- A falta das liberdades fun-damentais, como a liberdade deexpressão e de mobilidade, eraintolerável. Todavia, vista com dis-tância e pensando naquilo em quese transformou após a reunificaçãoda Alemanha, penso que a RDAoferecia garantias inestimáveis –acesso à educação, à cultura, àsaúde, à habitação, segurança ab-soluta na velhice – que infelizmen-te se vieram a perder.Rejeita títulos aparatosos e tratamentos proquê da nossa procura. Dotada de uma discrde cinema neorrealista italiano ou de ciclismte inglês, francês, alemão e português, a sutada é, há treze anos, docente da área de In“Portugal assistirá,muito em breve,ao fim do estado social”Ângela PrestesDocente do Departamento de Letras da UBINasci num ambiente familiar ligado à luta antifascista, em queparticipei desde muito nova – quer o meu pai, quer o meu avô forampresos políticos...Passei o 25 de Abril com o poeta e romancista Manuel da Fonseca.Eu era na altura professora de Inglês numa escola do Alentejocujo director, um indivíduo de esquerda cheio de iniciativa, tinhaconvidado o escritor a pronunciar uma palestra nesse dia tãosignificativo
  29. 29. 29otocolares ainda habituais no meio académico português, e não entende o por-rição, um altruísmo e uma modéstia invulgares, Ângela Prestes conversa acercamo com idêntico entusiasmo, sabedoria e erudição. Poliglota (fala fluentemen-ua língua materna) e com uma dilatada experiência europeia, a nossa entrevis-nglês na Universidade da Beira Interior.P.- Estava em Portugal no 25 deAbril de 1974?R.- Estava. Passei o 25 de Abrilcom o poeta e romancista Manuelda Fonseca. Eu era na altura pro-fessora de Inglês numa escola doAlentejo cujo director, um indivíduode esquerda cheio de iniciativa,tinha convidado o escritor a pro-nunciar uma palestra nesse dia tãosignificativo. Foi um acontecimen-to feliz para todos os que fazíamosoposição ao regime de Salazar.P.- Quando começou o seu activis-mo político?R.- Nasci num ambiente familiarligado à luta antifascista, em queparticipei desde muito nova – quero meu pai, quer o meu avô forampresos políticos. Vivíamos na Ma-rinha Grande, centro de resistên-cia ao regime vigente por tradição.Crescemos a ouvir Zeca Afonso eAdriano Correia de Oliveira, can-tores comprometidos com a nos-sa luta e assíduos de nossa casa.Quando com 19 anos fui viver paraa Inglaterra, onde frequentei a Uni-versidade de Londres (e onde tivea sorte de me apaixonar pelo tea-tro), o país atravessava uma épocade intensas greves mineiras e eujuntei-me aos comunistas inglesespara desenvolver algum trabalhonessa área. Tive, ainda, uns anosmais tarde, a oportunidade de con-viver com um grupo de sul-africa-nos membros do African NationalCongress, nomeadamente os es-critores Lewis Nkosi e Alex Nguma.Eram os tempos do Apartheid.P.- Como vê Portugal hoje?R.- Para quem viveu o 25 de Abrile criou expectativas de construirum país novo, mais justo, maisequitativo e mais culto, o que sepassa hoje é, simplesmente, a ne-gação de todos os nossos sonhos.A última coisa que eu esperava eravir a viver num país governado porum neoliberalismo feroz, e com aperspectiva de, muito em breve,assistirmos ao fim do estado socialque, apesar das vicissitudes, ha-víamos conseguido criar.P.- Falou-nos há bocado da suapaixão pelo teatro, que começouem Londres e se continuou a des-enrolar em Portugal, em colabo-ração com o encenador João Mota.Porquê o teatro?R.- Como já referi, essa paixãopelo teatro, e por alguns nomesem particular (Ibsen, Tchecov,Pinter…), tem muito a ver com asaulas do prof. Kirchner da Univer-sidade de Londres, mas tambémcom o meu entendimento da lite-ratura. Para mim, a arte cumpreuma função social – não é ingénuanem neutra. Precisamente nestemomento tenho entre mãos umainvestigação sobre um conjunto deescritores ingleses da primeira me-tade do século XX, envolvidos, deuma forma ou outra, em militânciasque vão da questão gay à GuerraCivil de Espanha. A Guerra Civil foi,aliás, desde sempre um dos meusgrandes interesses. Os meus pais,oriundos do Alentejo, contavam-nos das atrocidades de uma guerrado outro lado da fronteira, rampade lançamento para a SegundaGuerra Mundial que se lhe seguiu.P.- Para concluir, e por falar no“outro lado da fronteira”, o que éque acha deste nosso projecto?R.- Acho uma ideia deveras inte-ressante. Estão a dar a conhecerum pouco melhor, uns aos outros,aquilo que somos, ou que que-remos ser – isso é sempre bom.Estão de parabéns e desejo-vos amaiores felicidades.
  30. 30. 30PatrimónioO órgão é o instrumento musical por excelência. E devido à utili-zação do mesmo na liturgia cristã teve uma grande difusão, mas oseu mecanismo original sofreu diferentes evoluções nos distintospaíses. Os organeiros da península ibérica criaram uma tipologiado instrumento diferenciada do resto dos países, dando lugar ao“órgão ibérico”.Outras características deste tipode instrumentos estão no teclado.Na grande maioria das tipologiasde órgãos europeus, a combinaçãode registos consegue-se utilizandodiferentes teclados que possuemdiferentes registos. Isto é, porexemplo, para destacar uma melo-dia de um acompanhamento, numteclado escolho uma registaçãoduma grande intensidade, e noutroteclado uma mais suave. Mas noórgão ibérico, isso nem sempre éassim. Na maioria dos casos, tem oque se conhece como teclado par-tido. Neste tipo de teclado, a partirde certa tecla (entre o terceiro Do eDo #, os sons podem ter diferentestimbres, dividindo assim o tecladoem dois (daí o seu nome).“Arca de ecos”Outra modificação do teclado éa oitava curta. Normalmente, aoitava mais grave do teclado temas mesmas teclas que o resto dasoitavas; mas no órgão ibérico, estaúltima oitava tem menos teclas queAsunción CuadradoA característica do órgão ibéricoque mais chama a atenção é a dacolocação das palhetas na frentedo órgão “em chamada”. Neste tipode órgãos, em lugar de estarem co-locadas dentro da caixa do instru-mento, são colocadas em batalha,em referência ao toque de trombetacom que se convocavam os parla-mentares. Os tubos colocam-se nor-malmente acima do lugar onde estáo teclado e em posição horizontal,dando ao instrumento um aspectobastante feroz em alguns casos.Esta colocação dos tubos deve-seem primeiro lugar à poupança doespaço na parede; além disso, aoestar situados em posição horizon-tal, a sujeira que pudesse entrarnos tubos não os afecta; e outrarazão encontramo-la na localizaçãodo instrumento na igreja, que nor-malmente costuma estar num late-ral do coro. Isto faz com que o somfique, às vezes, afogado, mas aoestar os tubos agora olhando paraas pessoas, o som é bem mais po-tente e brilhante.O órgão ibérico
  31. 31. 31comparável a um órgão em Itália ouEspanha”, essencialmente na exis-tência de registos compostos.“Um órgão espanhol, para ter estevolume e esta energia sonora temque ter o dobro em termos de regis-tação, porque os registos compos-tos são muito nossos”, explanou oDinarte à agência lusa.igrejas e patromónioDinarte Machado junta ao seu argumento da existência de uma esco-la portuguesa que se diferenciou da espanhola no segundo quartel doséculo XVIII, o facto de mesmo os órgãos comprados no estrangeiro a“grandes construtores, já famosos na época”, terem sido alterados “deacordo com o que nós aceitávamos”.Assim, podemos citar como peculiaridades dos órgãos históricos por-tugueses que têm os someiros, talhados num só corpo, mas para asduas mãos, cujos tubos são colocados de forma cromática. As teclassão pequenas, idênticas em tamanho à dos cravos (antepassados dopiano) da altura e bem adornadas. Os teclados de alguns destes instru-mentos ainda são de oitava curta, apesar de, na sua maioria, serem jáde oitava inteira.Seja como for, e tenham os órgãos o estilo que tiverem, uma coisa écerta, os órgãos das nossas igrejas e sés são uma parte muito impor-tante do nosso património, e é o nosso dever ter um bom conhecimentodeles para poder mantê-los nas melhores condições e que as seguintesgerações possam também desfrutá-los.o resto. As teclas que desaparecemsão as de Sol #, Fa #, Mi b e Reb, dado que na época na qual seconstruíam estes instrumentos, osmúsicos cumpunham com basenos “modos medievais”, os quaisnunca utilizavam no baixo estasnotas.A última característica dos órgãosibérios encontramo-la na “arca deecos”, que é um armário dentro doórgão, e nele colocam-se os tubosde alguns registos. Este armáriopossui uma janela que abre e fe-cha, e cujo funcionamento controlao organista geralmente graças a umpedal. Desta maneira, o intérpretecontrola a intensidade de algunssons e pode produzir um efeito si-milar ao eco.Quase todos os órgãos estão afi-nados no que se chama “o tom decapela”, isto é, em Espanha um se-mitom abaixo do tom oficial actualde 440 Hz., portanto estão afina-dos a 415 Hz. Raros são os órgãosque estão afinados num tom inteirobaixo o tom oficial.Os órgãos castelhanos das paró-quias levam quase sempre um sóteclado - que costuma ser partido-.Poucas paróquias, com recursoseconómicos importantes, puderamencarregar órgãos de dois teclados.Só nas comarcas mais ricas ou nassés mais importantes.E, ainda, não temos dois órgãosiguais, é muito vulgar o desenvol-vimento parco ou a ausência totaldo pedaleiro (teclado para os pés)e a relativa abundância de cheios ejogos de palhetas.Outras característicasTambém podemos acrescentaras características do órgão ibéricocom expressões que, embora sub-jectivas, são muito repetidas pelosorganistas que costumam tocar osnossos instrumentos: a pouca forçado teclado; a precisão e rapidez noresponder da cada tecla e registo;anitidez e transparência do som,que propende aos tintes de cálidobrilho, próximos do fosco nasal eo som dá a sensação de firmeza eautoridade, mas jamais de durezaou de espessura.Isto é o que é geralmente aceitepelos organeiros do mundo inteiroaté hoje, mas Dinarte Machado, umorganeiro português, tem defendidoa existência de uma escola de orga-nária portuguesa, nascida-depois doterramoto de 1755- da necessidadede reconstruir os instrumentos. Essaescola criou um instrumento “nãoQuase todos os órgãos estão afinados no que se chama “o tom decapela”, isto é, em Espanha um semitom abaixo do tom oficial ac-tual de 440 Hz., portanto estão afinados a 415 HzFotografías: Joaquín Lois

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