Sessão de mediação e descoberta do texto élie bajard sme 2014

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Reunião com diretores e professoras coordenadoras de EMEF e EMEFEI da Secretaria Municipal da Educação de Marília - SP - 2014

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Sessão de mediação e descoberta do texto élie bajard sme 2014

  1. 1. PROCLE – A PROCURA DA COMPREENSÃO DA LÍNGUA ESCRITA – ÉLIE BAJARD
  2. 2. O que é? Qual Objetivo? Criamos no ano de 2013, também na cidade de Marília, um grupo de experimentação tutorado pelo linguista Élie Bajard, no qual um trabalho contínuo de prática e reflexão vem desenvolvendo um repertório de didáticas inovadoras de leitura e produção escrita com crianças da educação infantil e dos anos iniciais do ensino fundamental, com foco no gosto e prazer pela leitura.
  3. 3. Reforçamos a certeza de que o aspecto lúdico e prazeroso é um importante componente para gerar interesse e motivação nos alunos. A falta de hábito de leitura perpassa toda a sociedade, atingindo pais e professores. Como proposta de superação desta situação, fomos apresentados a uma metodologia diferenciada de leitura (iniciada em meados de 2001 no Projeto Arrastão), denominada: mediação de leitura.
  4. 4. Três instrumentos pedagógicos: • Formação • Linguística • Pedagogia
  5. 5. Formação Partimos da prática como objeto de reflexão, com o objetivo que possa gerar transformações na sala de aula. Entendemos que teoria e prática precisam estar unidas de forma harmônica, sem que haja hegemonia de nenhuma delas.
  6. 6. Linguística Escolhemos considerar esse processo como a conquista de uma nova linguagem e não como domínio de um código. Fundamentamo-nos em estudos sobre a cultura dos surdos que atestam a autonomia da língua escrita, uma vez que o deficiente auditivo pode ler e escrever convencionalmente, sem conhecer e nem usar a língua oral correspondente.
  7. 7. Entendemos que há diferenças entre as operações cognitivas realizadas pelo sujeito que aprende, tanto para compreender um discurso oral, como para entender um texto escrito. Essa forma de conceber a aquisição da linguagem “quebra” paradigmas até hoje muito fortes na educação.
  8. 8. Pedagogia Os professores são levados a compreender que não é a partir de uma metodologia que se apresenta um código reduzido para a criança, que ela adquire uma língua (seja ela oral ou escrita), mas ao contrário, a partir da multiplicidade de regularidades percebida pela criança nos diferentes enunciados com que tem contato cotidiano.
  9. 9. “Descoberta da literatura pela sessão de mediação” É uma metodologia de trabalho que deve ser desenvolvida pelo educador, mas que pode endereçar-se também a um público mais amplo: pai, mãe, avos, primos, vizinhos, amigos, etc. por se tratar de uma prática que pode ser executada por qualquer pessoa letrada e que esteja disposta a se tornar “padrinho da escrita” da criança.
  10. 10. Realizar um trabalho de mediação de leitura de histórias requer planejamento, preparação, dedicação e algumas vezes formação. É necessário tomar consciência de que os benefícios dessa prática estão diretamente ligados ao número, qualidade e diversidade de livros, colocados a disposição das crianças. Selecionar o texto é uma prerrogativa do leitor. Descobrimos que a sessão de mediação vai além da organização da escuta do texto. Ela oferece também o acesso individual ao livro, possibilitado pela riqueza de imagens.
  11. 11. SESSÃO DE MEDIAÇÃO PASSO A PASSO
  12. 12. O QUE É MEDIAR? Mediar é comunicar um texto para outro. O leitor empresta sua voz a narrativa escrita. Quando a mãe, ou outra pessoa, lê para a criança, está contribuindo para o acesso desta a leitura, mesmo antes dela entrar para a escola. Pela escuta, todos podem entender o texto, seja o indivíduo alfabetizado ou não.
  13. 13. Passo 1 Abrindo a sessão de mediação Uma brincadeira abre a sessão de mediação. Ela é a porta de entrada para o mundo imaginário e suscita a participação de todos.
  14. 14. Passo 2 Transmissão para o grupo inteiro É o momento em que o livro é socializado com todos. O texto torna-se acessível pela voz do mediador e as ilustrações podem ser vista por todos.
  15. 15. Passo 3 Livro ao alcance das mãos Os livros ficam espalhados e as crianças escolhem alguns títulos de interesse. É um momento de autonomia da criança. Cada um explora seu livro ou com os amigos ou sozinho, como preferir.
  16. 16. Passo 4 A criança “brinca” com o livro O livro pode se tornar uma luneta, um chapéu, uma casinha ou qualquer outro objeto que a imaginação explorar. A criança pode também “jogar” com a narrativa. Contando os animais de uma imagem do livro, brincando com o personagem que sai da página ou movimentando o personagem móvel, por exemplo.
  17. 17. Pólos de mediação A voz do mediador transforma o texto gráfico em texto sonoro e a criança entende a narrativa mesmo sem saber ler. Se tiverem em um mesmo ambiente vários mediadores, a criança é livre para passar de um pólo a outro, assim que desejar.
  18. 18. Encerramento da sessão de mediação O fechamento da sessão pode se dar por meio de: outra brincadeira, uma música ou uma roda da conversa.
  19. 19. Contação de história ❶ Não é diretamente ligada a um texto fixo ❷ A narrativa é veiculada pela língua do narrador ❸ A língua do contador é flexível e se modifica nas contações ❹ Contar enriquece a língua oral do ouvinte
  20. 20. Mediação de leitura ❶ É a manifestação sonora de um texto fixo ❷ A narrativa é veiculada pela língua do livro ❸ A língua não é do mediador, mas do livro, ela não se modifica ❹ A mediação inicia o ouvinte à língua escrita
  21. 21. Frutos da mediação
  22. 22. Benefícios: • Quantidade de histórias propiciadas pela sessão de mediação • Qualidade da língua escrita à qual a criança tem acesso: ① extensão do vocabulário ② a complexidade da gramática ③ a riqueza da estrutura do texto
  23. 23. Outros frutos da mediação da leitura: ❶ Desde cedo a criança cuida dos livros e vira suas páginas ❷ Faz a distinção entre a história da boca, efêmera (contação) e a história do livro, permanente (texto sonoro)
  24. 24. E ainda … A sessão de mediação revela que o livro oferece três fios trançados: ① uma história em imagens (icônicas) ② uma história sonora ③ uma história gráfica Ela descobre que a história do livro pode ser: ① lida sozinha em silêncio ② escutada da boca do mediador
  25. 25. A sessão de mediação propicia dois tipos de acesso ao livro:
  26. 26. No espaço de autonomia Um acesso visual às imagens que se combinam com o texto gráfico
  27. 27. No pólo de mediação Um acesso ao texto sonoro, carregado de sensibilidade pela música da voz, pelo fascínio do olhar e pelo calor da presença.
  28. 28. Descoberta do texto, à procura da compreensão Élie Bajard
  29. 29. Nosso desafio Dificuldade de propiciar a todos a competência de utilizar o sistema gráfico de maneira eficiente na vida cotidiana, ou seja, em possibilitar que os jovens compreendam fluentemente um texto simples que corresponda às suas necessidades. Falta aos analfabetos funcionais a competência de compreensão. É preciso que os programas de alfabetização integrem a competência de compreensão.
  30. 30. Competência de compreensão É apenas a leitura que possibilita compreender de maneira autônoma textos nunca antes vistos nem escutados. É assim que o leitor de jornal transforma artigos até então desconhecidos em textos conhecidos. Ler para ele consiste em “tomar conhecimento de um texto gráfico desconhecido”. (grifo nosso)
  31. 31. Descoberta do texto Esse instrumento introduz uma solução de continuidade no processo de compreensão na medida em que ela deixa de ser exercitada pelo canal sonoro como ocorre na escuta (sessão de mediação), para ceder lugar as operações visuais da leitura. (grifo nosso)
  32. 32. Passo 1 – Escolha do texto • Sugere-se escolher um texto instigante, desconhecido, que não tenha sido lido nem escutado, com poucas dificuldades linguísticas, em que quase todas as palavras sejam desconhecidas pelos alunos. (grifo nosso)
  33. 33. Passo 2 - Exposição • O texto pode ser apresentado por meio de um cartaz, um data show, um flipchart. O professor escolhe o recurso de acordo com a sua necessidade.
  34. 34. Passo 3 – O encontro • O texto é revelado aos alunos de maneira que o primeiro contato seja visual e silencioso. “Leitura pelos olhos, em pensamento”
  35. 35. Passo 4 – Pergunta inicial • O mestre instiga os alunos pela pergunta de abertura. “Do que trata esse texto”
  36. 36. Passo 5 – Exploração do texto • O mestre faz perguntas específicas, e os alunos justificam suas respostas dentro do texto. • As crianças deslocam-se até a lousa e intervêm no texto. As questões surgem e as respostas brotam
  37. 37. Passo 5 - Continuação Com o giz de várias cores as crianças: • Sublinham, cercam, enquadram sufixos, palavras ou expressões; • Traçam flechas para manifestar relações (acordos, anáforas*) entre palavras, ou entre o texto e as notas em suas margens; • Introduzem sinônimos ou antônimos* entre linhas.
  38. 38. Passo 5 - continuação • O mestre registra as descobertas ao lado do texto como pistas.
  39. 39. Passo 6 – Fechamento da sessão de descoberta do texto O mestre avalia a manutenção ou esgotamento do interesse por parte dos alunos para fechar essa fase com a síntese do conteúdo resgatado, a partir das pistas registradas. O educador faz a síntese do conteúdo. (grifo nosso)
  40. 40. Passo 7 – Texto ao vivo Para chegar ao passo do texto ao vivo é necessário que a criança tenha compreendido o texto previamente. A partir daí, a criança pode transmiti-lo vocalmente aos ouvidos dos outros. A transmissão vocal* pode ser efetuada uma vez pelo mestre e, na sessão seguinte, pelos alunos. O texto, já compreendido, é dito com expressão e escutado pelos outros com prazer. (grifo nosso)
  41. 41. DICAS TEÓRICAS – ÉLIE BAJARD
  42. 42. Há quatro tipos de pistas a serem exploradas: • Tipo 1 – Pistas da forma da palavra • Tipo 2 - Pistas da localização da palavra na frase (sintaxe) • Tipo 3 – Pistas da localização da palavra no texto (gramática do texto) • Tipo 4 – Pistas da localização do fragmento na obra ou da sua vizinhança com a imagem.
  43. 43. O texto é composto de: Palavras a serem reconhecidas Palavras a serem fixadas Palavras a serem identificadas Palavras a serem conceituradas
  44. 44. “OFICINAS PEDAGÓGICAS”
  45. 45. Organização: • O Módulo I compreenderá o trabalho com leitura por meio de sessões de mediação, as diferenças entre Contação de História e Mediação de Leitura e a Descoberta do texto à procura da compreensão. • O Módulo II se aplicará ao trabalho com as estratégias de leitura e seu uso para o desenvolvimento da compreensão leitora. Introduzir as estratégias de leitura para a educação literária das crianças em processo de alfabetização. A organização dos encontros terá como base as propostas de Josette Jolibert e Elié Bajard, Renata Junqueira, Harvey e Goudvis.
  46. 46. “Além dos muros da escola” Josette Jolibert, Jeannette Jacob & cols
  47. 47. Tipo de texto para ler: RECEITAS 1ª série 6/7 anos 40 história escrita no flip shart . coletiva, crianças sentadas no chão em semicírculo. uma aula.
  48. 48. Construção da Compreensão do texto Projeto e Contexto
  49. 49. Leitura individual e silenciosa
  50. 50. P: O que vocês entenderam do texto? Aqui esta o título! É para fazer um doce de chocolate! Tem vários títulos! Aqui diz chocolate! Eu vejo que diz “leite! Não tem desenhos!
  51. 51. Aqui diz o que precisa (ingredientes) Eu não entendo a primeira palavra! Eu também não! Mas escolhemos fazer bolinhas de chocolate. Poderia ser “bolinhas” ...
  52. 52. P: Vamos ver , vou escrever bolinhas do lado é a mesma palavra? É! Mas é igualzinho! Não ! Não começa da mesma maneira! Não começa da mesma maneira!
  53. 53. P: Alguém sabe porque não começa da mesma maneira? È como “Cachinhos de ouro” ( conto recém lido), há uma letra grande no título Começa como o meu nome (diz Beatriz) P: Sim, você lembrou muito bem que os títulos levam uma letra grande no início , como os nossos nomes. É uma letra maiúscula (escreve a palavra maiúscula no quadro negro)?
  54. 54. - Chocolate - E o primeiro risquinho? P: E agora o que precisamos para poder fazer nossas bolinhas de chocolate ? - Leite Se chamam linha (lembrança da pré- escola) E a primeira linha Parece que diz “bolachas” (buscou um pacote no recanto onde as crianças brincam de vender –comprar e voltou triunfante) “bolachas de coco” .Sim ! É bolachas...”
  55. 55. Síntese do significado do texto A professora lê em voz alta toda a receita. As crianças escutam com muita atenção , alegrando-se ao ver confirmadas as contribuições prévias. Ao finalizar a leitura , as crianças aplaudem e dizem: “Vamos preparar a receita”! Síntese final Necessitamos : -Bolachas -Leite Condensado -Chocolate moído -Fazer as bolinhas Para isso , teremos que comprar e pedir ajuda às mães.Quando o faremos? Pode ser na quarta-feira que vem.
  56. 56. Sistematização Metacognitiva e Metalinguística
  57. 57. Novas ferramentas elaboradas Receitas - Tem um título e dois subtítulos (ingredientes e preparação). - Tem uma linha para cada um dos ingredientes. - Tem números para as instruções da parte da preparação. - Tem maiúsculas no início do título e dos subtítulos , no início de cada instrução
  58. 58. Escolha das palavras de referência: CHOCOLATE LEITE MISTURAR
  59. 59. 1) 2) 3) 4)
  60. 60. PALAVRAS - REFERÊNCIA
  61. 61. Referências: • Além dos muros da escola - a escrita como ponte entre alunos e comunidade Autor: Jolibert, Josette/ Jacob, Jeannette Editora: ARTMED • A Descoberta da língua escrita Autor: Élie Bajard Editora: Cortez

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