Sessões de questionamento

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Em continuidade ao programa de formação de professores da rede municipal de Marília, o curso “Ler e escrever textos nas séries iniciais do ensino fundamental”, sob orientação da Profa. Dra. Stela Miller (Unesp – Marília), teve mais um encontro na última quarta-feira (16/10), no auditório da Secretaria Municipal da Educação.

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Sessões de questionamento

  1. 1. São várias as situações em que isso pode acontecer: 1- no interior das atividades diárias de sala de aula: calendário, regras de convivência, quadro das tarefas diárias, programação do dia, projetos de trabalho, etc.; 2- no âmbito da escola: cartazes que são colocados no pátio, cartas recebidas de outras turmas, recados da direção da escola, etc.;
  2. 2. 3- em comunicações com o exterior da escola: correspondência vinda de outras escolas, convites recebidos de membros da comunidade, comunicados de outras instituições em resposta a alguma informação pedida, etc.; 4- nas situações em que se busca uma informação necessária às crianças: descobrir respostas a indagações feitas, dúvidas sobre algo, ou para satisfazer curiosidades próprias da idade, etc.;
  3. 3. 5- nos momentos em que se deseja fazer algo que exige uma determinada informação: (a) brincar: ler instruções de jogos, de brincadeiras, de uso de brinquedos, etc.; (b) construir algo: ler instruções para montagem de brinquedos, uma receita para fazer um sanduíche, um bolo, etc. (c) realizar um projeto: ler as instruções para a montagem de um terrário, para a fabricação de fantoches para o teatrinho da sala, etc.; 6- em situações em que as crianças leem para estimular o imaginário: leitura de poemas e histórias, no canto de leitura da sala, na biblioteca e em outros espaços da escola;
  4. 4. 7- nos momentos em que é preciso documentar-se: ler folhetos, enciclopédias, revistas especializadas, etc.
  5. 5. “Toda leitura é um questionamento de texto, isto é, uma elaboração ativa de significado feita pelo leitor a partir de indícios diversos, de acordo com o que está procurando num texto para responder a um de seus projetos”. (JOLIBERT, 1994, p. 149). Texto: real, de veiculação social, como cartas, folhetos, cartazes, poemas, histórias, etc.
  6. 6. Desde o início do processo de aprendizagem – aprender a questionar textos integrais em vez de decifrá-los sílaba a sílaba, frase a frase.
  7. 7. Há “dois tipos de sequências cujo aspecto dominante é o aprendizado”: • as seqüências de questionamento de texto globais e complexas, que envolvem o conjunto das competências necessárias à atividade de leitura de um texto inteiro; • em contrapartida, as sessões de exercício, reforço que as acompanham e que estão centradas em competências-instrumentos precisos focalizados, que se quer ver construídos ou automatizados. (JOLIBERT, 1994, p. 150).
  8. 8. Jolibert e seus colaboradores (1994) utilizam sete níveis de competências linguísticas, nas sessões de leitura, como indícios importantes para a construção do sentido do texto. Esses níveis, em constante interação entre si, são “descobertos” pelas crianças, quando elas estão diante de um escrito para o qual buscam um sentido.
  9. 9. Não se trata, para o aprendiz-leitor, de analisar o texto a partir desses “sete pontos de vista” linguísticos e, tampouco, para pedir que sejam analisados como numa sequência de gramática explícita! Trata-se, para o leitor: • de localizar no texto as marcas, as pistas, as manifestações, em suma os indícios deixados no texto por esses sete níveis de operações linguísticas; • de coletá-los como informações que o leitor vai processar para construir o sentido do texto. (JOLIBERT, 1994, p. 144-145).
  10. 10. Cada gênero textual fornece diferentes indícios linguísticos, nos vários níveis, para a construção do sentido do texto. Destacamos aqui dois níveis: o da superestrutura (interna) e o da linguística do texto.
  11. 11. Focalizaremos os gêneros seguintes: Estrutura: sequência com Equilíbrio inicial, Evento perturbador (provocação), Ação, Resolução (força equilibradora) e Equilíbrio final. Linguística textual: marcas dos diálogos, tempos verbais da narração, presença dos advérbios (e expressões) de tempo, adjetivos (caracterização de personagens), substitutos, marcas da pessoa verbal da narrativa (3ª pessoa).
  12. 12. Estrutura: Título; informações principais (Quem? O quê? Quando? [Onde?]); outras informações. Linguística textual: presença da 3ª pessoa verbal; pontuação; as formas do verbo.
  13. 13. Estrutura: título e estrofes. Linguística textual: presença dos versos expressos por linhas curtas, com rimas ou não, pontuação (às vezes ausente).
  14. 14. Estrutura: elementos (em lista) e instruções (modo de fazer). Linguística textual: presença de substantivos concretos e numerais (nos elementos); verbos no modo imperativo ou infinitivo (nas instruções); presença dos advérbios de modo (lentamente, cuidadosamente, etc.) e de expressões temporais (depois, até que, etc.).
  15. 15. Estrutura: título; dois blocos de texto (condições nas quais se realiza o experimento e descrição do processo observado); figuras (que podem ou não acompanhar o relatório). Linguística textual: presença de advérbios de tempo e de numerais ordinais (exemplos: antes de, depois de, em primeiro lugar, etc.); indícios dos tempos e pessoas verbais (comumente a primeira do plural).
  16. 16. Estrutura: mensagem central incluindo texto e imagem; disposição gráfica linear ou não. Linguística textual: presença de “nós, vocês”; verbos no imperativo (quando há um apelo ao leitor); figuras.
  17. 17. Estrutura: uma sequência com data, destinatário/ cumprimento, corpo da carta, fórmula de despedida e assinatura. Linguística textual: marcas de oralidade: frases inconclusas, perguntas voltadas ao destinatário, pontos de exclamação (expressões de alegrias, preocupações,etc.); eventual presença de diminutivos e aumentativos; adjetivos qualificativos; repetições; interjeições (manifestação da subjetividade do autor).
  18. 18. Estrutura: uma sequência com remetente, data, destinatário, interpelação, corpo da carta, fórmula de polidez, assinatura. Corpo da carta com dois blocos: (1) determina o que o solicitante pretende; (2) condições que ele reúne para alcançar o que pretende. Linguística textual: presença de fórmulas convencionais (Dirijo-me a V. Sª. ; Atenciosamente; Os abaixoassinados; ...com votos de estima e consideração, etc.); indícios de uso de primeira ou terceira pessoa; presença de conectores que expressam causa, consequências, condições.
  19. 19. Textos de base: 1- KAUFMAN, A. M. e RODRÍGUEZ, M. E. Escola, leitura e produção de textos. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995. 2- JOLIBERT, J. (Org.) Formando crianças leitoras. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994. vol. 1.

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