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Raquel Donega
Raquel Donega
Raquel DonegaProf: Inf Educativa em Prefeitura Municipal de São Paulo

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Sumário




1. Considerações iniciais

2. O que é leitura................................

2.1. Definições de leitura..................

3. O processo de formação do leitor

4. O processo de ensino-aprendizagem da leitura

4.1. A importância do hábito da leitura

5. Considerações finais

6. Bibliografia




2. O que é leitura




Há muito tempo está na moda dizer que o brasileiro não lê, não freqüenta bibliotecas e que a televisão é uma
ameaça à leitura. Fala-se também que a escola não está ensinando o aluno a ler e, mesmo na era da
informática, com tantos recursos para ensinar de uma forma menos cansativa, o livro continua sendo o
instrumento mais utilizado em sala de aula. Não que o livro seja algo cansativo e ultrapassado, porém é o
conceito que tem sido atribuído a ele nos últimos tempos. O que falta, na verdade, é uma maior coerência sobre
o sentido dado ao ensino da leitura por parte dos envolvidos nesse processo e, principalmente, sobre as
responsabilidades que isso implica. É preciso sair do lugar-comum.

Muitos tivemos, felizmente, um livro que marcou momentos de nossa infância. A história,
contada e recontada por alguém importante para nós, alguma ilustração, que durante certo
tempo ficou gravada em nossa memória. Somos capazes de nos lembrar da sensação de
descobrir as palavras identificando letra por letra, soletrando sílabas, ou até mesmo de
escrevermos nosso nome e identificá-lo perante os outros na lista de chamada da turma.

Nossa aprendizagem passou por vários estágios: o contorno das formas, depois partes específicas, mais
adiante as imagens auditivas até chegar ao surgimento do significado. A descoberta da leitura deixava a
imaginação tomar conta dos nossos momentos de lazer: construíamos castelos, escrevíamos na areia,
brincávamos com as palavras, criávamos nossa própria história... às vezes até sem “começo, meio e fim”. Mas
era a nossa história e podíamos recriá-la, reinventá-la. E, mesmo não dominando a leitura e a escrita, podíamos
contar histórias e recriá-las apenas “lendo” as figuras ou soletrando algumas palavras. Interpretávamos essas
histórias segundo os nossos sentimentos, sem nos preocuparmos com a “verdade absoluta” do autor. Dávamos
o final de acordo com nossos princípios e, a cada minuto, inventávamos o nosso próprio texto. [salto?]

Então começamos a ler. Líamos qualquer coisa que encontrávamos, até o ilegível. Inventávamos, fazíamos de
conta que estávamos lendo. [salto?] E assim, aos poucos, ampliamos o nosso vocabulário, formando frases
mais extensas e redigindo com maior coerência o nosso texto. [salto?] O que será que aconteceu de errado
durante esse percurso? Por que essa motivação parece ter se estagnado?

Elaine: num desses lugares, ou noutro, você avalie o melhor, por favor, há um baita salto. Você vinha tratando
da leitura [talvez a de mundo, não sei], de um modo bastante amplo e informal. De repente, “começamos a ler”.
Pergunto: passe de mágica? Alfabetização na escola? Inteligência extra? Tome cuidado para que seu trabalho
não fique preso à fase de aquisição da linguagem, ok?




Para responder a essas perguntas, é preciso, antes, compreender uma questão de grande relevância, pois, a
partir dela, é que a interpretação se torna possível. Afinal, o que é ler? Em que consiste a leitura? Por que
precisamos aprender a ler?

O ato de ler é um processo de elaboração de significados ou de pensamentos diante de símbolos, sejam eles
escritos ou não. “Lemos” facilmente os sinais de trânsito, as sirenes (das ambulâncias, das patrulhas policiais,
dos bombeiros, das fábricas), ouvimos rádio e assistimos à televisão recebendo e decodificando mensagens a
todo momento. Ou seja, ler “um texto” é também ler o que a sociedade produziu. Segundo Martins (1994:9),
“Com freqüência nos contentamos, por economia ou preguiça, em ler superficialmente, ‘passar os olhos’, como
se diz. Não acrescentamos ao ato de ler algo mais de nós além do gesto mecânico de decifrar os sinais”.

O ato de compreender não está, portanto, diretamente ligado a um ato racional: está também vinculado ao
emocional do ser humano. Tudo tem significado, sentido próprio: uma palavra, um silêncio, um gesto; e apenas
são notados por meio da compreensão.

Mas ler não é, pois, traduzir, repetir sentidos dados como prontos. É construir uma cadeia de sentidos a partir
do texto, do seu conteúdo. É ir além do óbvio. A atividade de leitura pressupõe a interação entre sujeitos e
supõe muito mais que a simples decodificação de sinais gráficos. O leitor atua participativamente, buscando
interpretar e compreender o conteúdo e as intenções pretendidos pelo autor.

Muitas vezes nos esquecemos de que, muito além do que simples palavras, para apreender o texto precisamos
fazer uso do nosso conhecimento prévio, ou seja, de algo que é anterior ao que está lá. Isso quer dizer que a
interpretação de um texto depende de outros conhecimentos além do conhecimento da língua. As palavras,
portanto, não são os únicos elementos necessários para sua compreensão.

Essas inúmeras “definições” nos permitem perceber que, no início de nossa aprendizagem, nosso processo de
leitura baseava-se na decodificação, um processo diferente da leitura, embora necessário para que ela ocorra.
Enquanto Como adultos, percebemos as palavras globalmente e adivinhamos muitas outras guiados pelo
conhecimento prévio e pelas hipóteses de leitura.

Assim, o contexto sociocultural, os conhecimentos de mundo, as experiências e as crenças individuais
influenciam na organização das inferências durante a leitura, ou seja, os conhecimentos individuais afetam
decisivamente a compreensão, de modo que o sentido não reside no texto, ele só se tornará uma unidade de
sentido na integração com o leitor.

2.1 Definições de leitura




Muitos autores dedicaram-se ao estudo desse tema tão abrangente, como forma de resgatar o sentido e a
importância desse ato em nossas vidas. Pretende-se, aqui, apresentar parte dessa rica contribuição.
De acordo com o Minidicionário Aurélio da Língua Portuguesa, ler é “Percorrer com a vista (o que está escrito),
proferindo ou não as palavras, mas conhecendo-as”; “Decifrar e interpretar o sentido de”; e, ainda, “Ver as letras
do alfabeto e juntá-las em palavras” (1989:332).

Segundo Martins (1994:31), as inúmeras concepções de leitura podem ser sintetizadas em
dois tipos: como decodificação mecânica de signos lingüísticos, e como processo de
compreensão abrangente, “cuja dinâmica envolve componentes sensoriais, emocionais,
intelectuais, fisiológicos, neurológicos, tanto quanto culturais, econômicos e políticos”.

A partir dessa concepção, temos pelo menos dois tipos de leitura: aquela em que apenas
decodificamos mecanicamente os sentidos do texto, e aquela em que adquirimos uma
compreensão ampla, indo além do próprio texto.

Geraldi (2006) integra o trabalho com a leitura à produção em dois sentidos: de um lado
sobre “o que se tem a dizer” e, do outro, sobre “as estratégias do dizer”. O produto é
oferecido ao leitor e nele se realiza a cada leitura: “São mãos carregadas de fios (...) e é o
encontro destes fios que produz a cadeia de leituras construindo os sentidos de um texto”
(2006:166); evidenciando que o sentido se dá pela interação entre texto e leitor, ou, ainda,
entre autor e leitor. “O texto é, pois, o lugar onde o encontro se dá” (2006:167).

A leitura é interpretada de modo diferente por cada indivíduo, isso porque se trata de uma
experiência individual, mais ligada à vivência de cada um do que ao conhecimento
sistemático da língua. O leitor participa desse processo com uma aptidão que não depende
de sua capacidade de decifrar sinais, mas sim de sua capacidade de dar sentido a eles, de
compreendê-los. Dar sentido a um texto implica levar em conta a situação desse texto e de
seu leitor: a noção de texto não fica restrita ao que está escrito, mas abre-se para englobar
diferentes linguagens. A leitura precisa ser vista como um instrumento possível de ser
usufruído por todos, não apenas pelos letrados.

Ainda segundo Martins (1994:37), a leitura apresenta três níveis básicos: sensorial, emocional e racional. Cada
um desses três níveis corresponde a um modo de aproximação do objeto lido. O sensorial dá ao leitor conhecer
o que gosta ou não, mesmo inconscientemente, sem a necessidade de justificativas e, quando nos faz ficar
alegres e provoca descobertas, deixamos de ler com os sentidos para entrar em contato com o emocional.
Quando a compreensão torna-se abrangente, com participação do leitor com todas as suas capacidades para
apreender as diversas formas de expressão, a competência para criar ou ler se concretiza tanto por meio de
textos escritos quanto de expressão oral: é a leitura racional.

Kleiman (2000:65) define a leitura como “uma interação a distância entre leitor e autor via
texto”, em que o leitor constrói, e não apenas recebe, um significado global para o texto; ele
procura pistas formais, formula e reformula hipóteses, aceita ou rejeita conclusões.

Para Antunes (2006:66), a leitura é “parte da interação verbal escrita, enquanto implica a
participação cooperativa do leitor na interpretação e na reconstrução do sentido e das
intenções pretendidos pelo autor”, ou seja, os elementos gráficos funcionam como
verdadeiras instruções do autor, que não podem ser desprezadas, para que o leitor descubra
significações, elabore hipóteses e tire suas conclusões. Todo o esforço feito para entender
essas instruções só se justifica pelo que elas representam para a compreensão global do ato
comunicativo feito por meio do texto.
Dessa forma, todo texto tem um percentual maior ou menor da dependência de
conhecimentos que são anteriores a ele, ou seja, o que está no texto e o que é conhecimento
prévio do leitor se unem, se completam, para reconstruir o sentido e as intenções
pretendidos pelo texto.

O ato de ler também está relacionado à leitura do mundo, pois está vinculado ao nosso
cotidiano e às experiências que temos a todo o momento. A leitura vai além,

“(...) não se esgota na decodificação pura da palavra escrita ou da linguagem escrita, mas que se antecipa ou
se alonga na inteligência do mundo. A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura
desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele” (Freire, 2001:11).




A leitura é considerada, ainda, o momento crítico de produção do texto, pois é o momento em que ocorre o
processo da interação verbal: aquele em que os interlocutores desencadeiam o processo de significação.
Porém, o texto não resulta da soma de frases nem da soma de interlocutores; seus sentidos resultam de uma
situação discursiva, com enunciados efetivamente realizados. Considerar as condições em que a leitura é
produzida é trabalhar, também, com a incompletude do texto, pois ele é resultado de sua relação com as
condições de produção e com os interlocutores.

Sabemos que há grande diversidade entre as compreensões apresentadas nas versões de um mesmo texto.
Isso nos mostra que a leitura não é um processo preciso que envolve uma percepção exata, detalhada e
seqüencial, com a identificação de todos os componentes. Ela não é feita linearmente, mas progride em
pequenos blocos ou fatias e não produz compreensões definitivas. É um ato de interação comunicativa, do qual
não se pode prever, com segurança, os resultados.

Elaine

Além do que está assinalado em seu texto, nas palavras que evidencio em rosa, você toca em noções que
precisam estar bem esclarecidas em seu trabalho. Sei que você ainda não deu conta de tudo, claro, mas já
assinalei para que você não se esqueça de esmiuçar bem o que pintei de rosa, ok?


Quando você desenvolver a perspectiva do processo, avalie se ela não merece um tópico
exclusivo no sumário.

Bjs

Lílian
6. Bibliografia

ANTUNES, Irandé. Aula de Português: encontro & interação. São Paulo: Parábola Editorial, 2006.

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler em três artigos que se completam. São Paulo: Cortez, 2001.

  GERALDI, J. Wanderley. Portos de passagem. São Paulo: Martins Fontes, 2006.

KLEIMAN, Ângela. Texto e leitor - aspectos cognitivos da leitura. Campinas, São Paulo: Pontes, 2000.

MARTINS, Maria Helena. O que é leitura. São Paulo: Brasiliense, 1994, 19ª edição.

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Elaine - parte 1 - 3set

  • 1. Sumário 1. Considerações iniciais 2. O que é leitura................................ 2.1. Definições de leitura.................. 3. O processo de formação do leitor 4. O processo de ensino-aprendizagem da leitura 4.1. A importância do hábito da leitura 5. Considerações finais 6. Bibliografia 2. O que é leitura Há muito tempo está na moda dizer que o brasileiro não lê, não freqüenta bibliotecas e que a televisão é uma ameaça à leitura. Fala-se também que a escola não está ensinando o aluno a ler e, mesmo na era da informática, com tantos recursos para ensinar de uma forma menos cansativa, o livro continua sendo o instrumento mais utilizado em sala de aula. Não que o livro seja algo cansativo e ultrapassado, porém é o conceito que tem sido atribuído a ele nos últimos tempos. O que falta, na verdade, é uma maior coerência sobre o sentido dado ao ensino da leitura por parte dos envolvidos nesse processo e, principalmente, sobre as responsabilidades que isso implica. É preciso sair do lugar-comum. Muitos tivemos, felizmente, um livro que marcou momentos de nossa infância. A história, contada e recontada por alguém importante para nós, alguma ilustração, que durante certo tempo ficou gravada em nossa memória. Somos capazes de nos lembrar da sensação de descobrir as palavras identificando letra por letra, soletrando sílabas, ou até mesmo de escrevermos nosso nome e identificá-lo perante os outros na lista de chamada da turma. Nossa aprendizagem passou por vários estágios: o contorno das formas, depois partes específicas, mais adiante as imagens auditivas até chegar ao surgimento do significado. A descoberta da leitura deixava a imaginação tomar conta dos nossos momentos de lazer: construíamos castelos, escrevíamos na areia, brincávamos com as palavras, criávamos nossa própria história... às vezes até sem “começo, meio e fim”. Mas era a nossa história e podíamos recriá-la, reinventá-la. E, mesmo não dominando a leitura e a escrita, podíamos contar histórias e recriá-las apenas “lendo” as figuras ou soletrando algumas palavras. Interpretávamos essas histórias segundo os nossos sentimentos, sem nos preocuparmos com a “verdade absoluta” do autor. Dávamos o final de acordo com nossos princípios e, a cada minuto, inventávamos o nosso próprio texto. [salto?] Então começamos a ler. Líamos qualquer coisa que encontrávamos, até o ilegível. Inventávamos, fazíamos de conta que estávamos lendo. [salto?] E assim, aos poucos, ampliamos o nosso vocabulário, formando frases
  • 2. mais extensas e redigindo com maior coerência o nosso texto. [salto?] O que será que aconteceu de errado durante esse percurso? Por que essa motivação parece ter se estagnado? Elaine: num desses lugares, ou noutro, você avalie o melhor, por favor, há um baita salto. Você vinha tratando da leitura [talvez a de mundo, não sei], de um modo bastante amplo e informal. De repente, “começamos a ler”. Pergunto: passe de mágica? Alfabetização na escola? Inteligência extra? Tome cuidado para que seu trabalho não fique preso à fase de aquisição da linguagem, ok? Para responder a essas perguntas, é preciso, antes, compreender uma questão de grande relevância, pois, a partir dela, é que a interpretação se torna possível. Afinal, o que é ler? Em que consiste a leitura? Por que precisamos aprender a ler? O ato de ler é um processo de elaboração de significados ou de pensamentos diante de símbolos, sejam eles escritos ou não. “Lemos” facilmente os sinais de trânsito, as sirenes (das ambulâncias, das patrulhas policiais, dos bombeiros, das fábricas), ouvimos rádio e assistimos à televisão recebendo e decodificando mensagens a todo momento. Ou seja, ler “um texto” é também ler o que a sociedade produziu. Segundo Martins (1994:9), “Com freqüência nos contentamos, por economia ou preguiça, em ler superficialmente, ‘passar os olhos’, como se diz. Não acrescentamos ao ato de ler algo mais de nós além do gesto mecânico de decifrar os sinais”. O ato de compreender não está, portanto, diretamente ligado a um ato racional: está também vinculado ao emocional do ser humano. Tudo tem significado, sentido próprio: uma palavra, um silêncio, um gesto; e apenas são notados por meio da compreensão. Mas ler não é, pois, traduzir, repetir sentidos dados como prontos. É construir uma cadeia de sentidos a partir do texto, do seu conteúdo. É ir além do óbvio. A atividade de leitura pressupõe a interação entre sujeitos e supõe muito mais que a simples decodificação de sinais gráficos. O leitor atua participativamente, buscando interpretar e compreender o conteúdo e as intenções pretendidos pelo autor. Muitas vezes nos esquecemos de que, muito além do que simples palavras, para apreender o texto precisamos fazer uso do nosso conhecimento prévio, ou seja, de algo que é anterior ao que está lá. Isso quer dizer que a interpretação de um texto depende de outros conhecimentos além do conhecimento da língua. As palavras, portanto, não são os únicos elementos necessários para sua compreensão. Essas inúmeras “definições” nos permitem perceber que, no início de nossa aprendizagem, nosso processo de leitura baseava-se na decodificação, um processo diferente da leitura, embora necessário para que ela ocorra. Enquanto Como adultos, percebemos as palavras globalmente e adivinhamos muitas outras guiados pelo conhecimento prévio e pelas hipóteses de leitura. Assim, o contexto sociocultural, os conhecimentos de mundo, as experiências e as crenças individuais influenciam na organização das inferências durante a leitura, ou seja, os conhecimentos individuais afetam decisivamente a compreensão, de modo que o sentido não reside no texto, ele só se tornará uma unidade de sentido na integração com o leitor. 2.1 Definições de leitura Muitos autores dedicaram-se ao estudo desse tema tão abrangente, como forma de resgatar o sentido e a importância desse ato em nossas vidas. Pretende-se, aqui, apresentar parte dessa rica contribuição.
  • 3. De acordo com o Minidicionário Aurélio da Língua Portuguesa, ler é “Percorrer com a vista (o que está escrito), proferindo ou não as palavras, mas conhecendo-as”; “Decifrar e interpretar o sentido de”; e, ainda, “Ver as letras do alfabeto e juntá-las em palavras” (1989:332). Segundo Martins (1994:31), as inúmeras concepções de leitura podem ser sintetizadas em dois tipos: como decodificação mecânica de signos lingüísticos, e como processo de compreensão abrangente, “cuja dinâmica envolve componentes sensoriais, emocionais, intelectuais, fisiológicos, neurológicos, tanto quanto culturais, econômicos e políticos”. A partir dessa concepção, temos pelo menos dois tipos de leitura: aquela em que apenas decodificamos mecanicamente os sentidos do texto, e aquela em que adquirimos uma compreensão ampla, indo além do próprio texto. Geraldi (2006) integra o trabalho com a leitura à produção em dois sentidos: de um lado sobre “o que se tem a dizer” e, do outro, sobre “as estratégias do dizer”. O produto é oferecido ao leitor e nele se realiza a cada leitura: “São mãos carregadas de fios (...) e é o encontro destes fios que produz a cadeia de leituras construindo os sentidos de um texto” (2006:166); evidenciando que o sentido se dá pela interação entre texto e leitor, ou, ainda, entre autor e leitor. “O texto é, pois, o lugar onde o encontro se dá” (2006:167). A leitura é interpretada de modo diferente por cada indivíduo, isso porque se trata de uma experiência individual, mais ligada à vivência de cada um do que ao conhecimento sistemático da língua. O leitor participa desse processo com uma aptidão que não depende de sua capacidade de decifrar sinais, mas sim de sua capacidade de dar sentido a eles, de compreendê-los. Dar sentido a um texto implica levar em conta a situação desse texto e de seu leitor: a noção de texto não fica restrita ao que está escrito, mas abre-se para englobar diferentes linguagens. A leitura precisa ser vista como um instrumento possível de ser usufruído por todos, não apenas pelos letrados. Ainda segundo Martins (1994:37), a leitura apresenta três níveis básicos: sensorial, emocional e racional. Cada um desses três níveis corresponde a um modo de aproximação do objeto lido. O sensorial dá ao leitor conhecer o que gosta ou não, mesmo inconscientemente, sem a necessidade de justificativas e, quando nos faz ficar alegres e provoca descobertas, deixamos de ler com os sentidos para entrar em contato com o emocional. Quando a compreensão torna-se abrangente, com participação do leitor com todas as suas capacidades para apreender as diversas formas de expressão, a competência para criar ou ler se concretiza tanto por meio de textos escritos quanto de expressão oral: é a leitura racional. Kleiman (2000:65) define a leitura como “uma interação a distância entre leitor e autor via texto”, em que o leitor constrói, e não apenas recebe, um significado global para o texto; ele procura pistas formais, formula e reformula hipóteses, aceita ou rejeita conclusões. Para Antunes (2006:66), a leitura é “parte da interação verbal escrita, enquanto implica a participação cooperativa do leitor na interpretação e na reconstrução do sentido e das intenções pretendidos pelo autor”, ou seja, os elementos gráficos funcionam como verdadeiras instruções do autor, que não podem ser desprezadas, para que o leitor descubra significações, elabore hipóteses e tire suas conclusões. Todo o esforço feito para entender essas instruções só se justifica pelo que elas representam para a compreensão global do ato comunicativo feito por meio do texto.
  • 4. Dessa forma, todo texto tem um percentual maior ou menor da dependência de conhecimentos que são anteriores a ele, ou seja, o que está no texto e o que é conhecimento prévio do leitor se unem, se completam, para reconstruir o sentido e as intenções pretendidos pelo texto. O ato de ler também está relacionado à leitura do mundo, pois está vinculado ao nosso cotidiano e às experiências que temos a todo o momento. A leitura vai além, “(...) não se esgota na decodificação pura da palavra escrita ou da linguagem escrita, mas que se antecipa ou se alonga na inteligência do mundo. A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele” (Freire, 2001:11). A leitura é considerada, ainda, o momento crítico de produção do texto, pois é o momento em que ocorre o processo da interação verbal: aquele em que os interlocutores desencadeiam o processo de significação. Porém, o texto não resulta da soma de frases nem da soma de interlocutores; seus sentidos resultam de uma situação discursiva, com enunciados efetivamente realizados. Considerar as condições em que a leitura é produzida é trabalhar, também, com a incompletude do texto, pois ele é resultado de sua relação com as condições de produção e com os interlocutores. Sabemos que há grande diversidade entre as compreensões apresentadas nas versões de um mesmo texto. Isso nos mostra que a leitura não é um processo preciso que envolve uma percepção exata, detalhada e seqüencial, com a identificação de todos os componentes. Ela não é feita linearmente, mas progride em pequenos blocos ou fatias e não produz compreensões definitivas. É um ato de interação comunicativa, do qual não se pode prever, com segurança, os resultados. Elaine Além do que está assinalado em seu texto, nas palavras que evidencio em rosa, você toca em noções que precisam estar bem esclarecidas em seu trabalho. Sei que você ainda não deu conta de tudo, claro, mas já assinalei para que você não se esqueça de esmiuçar bem o que pintei de rosa, ok? Quando você desenvolver a perspectiva do processo, avalie se ela não merece um tópico exclusivo no sumário. Bjs Lílian
  • 5. 6. Bibliografia ANTUNES, Irandé. Aula de Português: encontro & interação. São Paulo: Parábola Editorial, 2006. FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler em três artigos que se completam. São Paulo: Cortez, 2001. GERALDI, J. Wanderley. Portos de passagem. São Paulo: Martins Fontes, 2006. KLEIMAN, Ângela. Texto e leitor - aspectos cognitivos da leitura. Campinas, São Paulo: Pontes, 2000. MARTINS, Maria Helena. O que é leitura. São Paulo: Brasiliense, 1994, 19ª edição.