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Flávio Maroja - nota biográfica publicada na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano, n. 15, pelo Cônego Francisco Lima.

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Flávio Maroja, médico, político e intelectual paraibano, teve seu centenário comemorado em 1964. Em solenidade no IHGP, o Cônego Francisco Lima pronunciou discurso com exposição sobre a biografia do homenageado. O teor do discurso foi publicado na Revista n. 15 do Instituto.

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Flávio Maroja - nota biográfica publicada na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano, n. 15, pelo Cônego Francisco Lima.

  1. 1. A Inmilin Ribeiro Coutinho ligada yor laços de cansar¡- guinidudc à família Mai-aja, fui representada na sessão do Inslitutu Histórico pelo Deputado Federal Dr, Flaviano Ribeiro . -224_ “ Flávio ? êaroja ASPECTOS DE SUA VIDA E DE SUA OBRA CONEGO FRANCISCO LIMA Palestra realizada na lalstituto Ilisióríco e Geográfico Paraibano. n 1." de setembro d: - 1964. na camemoraçãa do centenária de : tus- cimento do Dr. Flávia Dlnroja. _fundador : - por nmitos anos Przsiduratc da IHCP. Na base do panteon paraibano. qu: : integra com muita honra e com muito brilho o puntvux¡ brasileira. :e eu' x. : tram ns figuras indígenas dos caciques ¡nhnjnras c po a ~ res Piragibe, Mandiocapuba. Bnlnlana, Caragutizn. Guiru_ - Lc, Miquiguaçú, Carnquinquilha, Cipcúnza, Milnrnnluí. nucnma, Inigunçu e Tavira - os maior-ai. reconhecidos das 50.000 indios que pcrlungavnm os nossos lilcrais l' que mu frentarnm com sonha incrivel o invnsnr iusa-csunnhoi nin- da nus ¡iltimos nrrancus do século XVI. Só : uniu: Lltpuís entraram na lula os Tapuins uu Cnriris. sub-divididns mts tribos dos Btlllrins. das Bruxnxñs, (los [sós, dos Puicus. dos Janduís, dns Ariús e dos Pnnalia. Dêsses paraibanos côr de cobre, cuja origem ú= nim o linguística até hoje só Deus cunhece. destacamos Pirruil . Guiragibe, Mitaraohí e Iniguaçu _ Braço de Pcix Msch- lc de Pássaro, Pedra Verde e RêJe Grande. mon-ul: ms de prestígio incrível no seio da indiadn (- que lrnluvam rir 'gzuul para igual os capitães-mares de Portugal e Caslcla. P L-e. aliado dos porluguêses cnntm os pmignla: tornou p sívei a vitória do cunqui lar ln. o. 1': : l de qu; ra Il- tara a fundação desta gamda Felip no ú . ima quartel d . .23 ~
  2. 2. :Ft-Lila XVI Culrzqgibc, um (los mais fortes e uguerridos (u- ¡lmuus que c couícdcrarn, lhe foi compursn no nrrôio (lu hu: c na esplendor da glória_ híilnraobi entrou 11a História : :uma o chefe dos primeiros potigunras que a civilização al- wmru nas alturas : ie Colnpiua Grande pelo Ministério do ta. lniguaçu tinha grito do urmns na scrru da Cupaoliu. - pcnãávtiz pelo incêndio e pela destruição do culto de Diogo E. ? *, nn Várzea de Goiano, pela carnifi- w¡ trmncnrla cm que V-ràticamcnte se trucidaru tôda a fa- m iu do infeliz lusitano, . . Ainda não apareceu o Er a Y Zuñiga, o Santa Rita, Durão. c Basílio «la Gama. para imortolizar numa epopéia como Lu Arsmb/ zniu. "O Caramuru" ou “O Uruguai", os fei- homé. cas do índio paraibano enfrentando indômitn as largas (lc Portugal c: Castela, Ma; a Potim e o Caturité exal- t' : lc: no poema de Leon Clerot valem bem a Paraguaçu e n ll/ lntmu do "G Cztramuru”, o Cacumbu e u Lindóia do "O Uruguai", o Lnutaro e o Cnmpolican de “La Araucânia”. O pnnteon par ' . mo. em seguida aos silvícolas rudes que resistiram ale' mais não poder ao domínio : lo branco, CtlUTHOU-SE com os primeiros mnzambos em que brilham al- tiva c cslrlenzlunxc- n clmnm do sentimento nutivistu, insur- 5- min-sc contra o . senhorio do flamengo intruso, Registra u História os nomes de muitos clõles - André Vidal de Nov gzrciros. Antônio Rodrigues Vidal, Cosme da Rocha, Fran- x-¡scn Leitão¡ Antônio Curado Vidal e Simão Soares. estrei- 1 mcnie unidos nos ¡yortuguêses nulos que integrados na 1mm Paraibana uniram os ¡xráprios destinos nos destinos dela, u-undo o sangue e v. mesmn vida aos seus interêssea vi- ~ Lopo Cu ln Cau-o_ Francisco Gomes Muniz, An- Cnnçalvcs 'l' "o, _lnãn Barbosa Pinto. Antônio Pinhei- Fran( n Camilo, Jerâniuio Cadena_ Manual Qcumlarú. Manuel : la Costa Sepúlveda, Pantulcãu Cir- Hi' da ía¡ c. Antônio Carneiro de Mariz e tantos mais que n banha n : numa holandesa. prometendo sol: jura- muu m: @ul ~- E" anscllics ir até o fim no (lcfcsu da li- ' › 'ias capitania: invadidos. ltln s r turma cru o paraibano André Vi- _ : o dessa epopéia, :: r-gundo Celso _ _ wa : :yo anima ou gera em nussa história . .rncm mtrgia um da nacionalidade", O panteon paraibana dci-e grava; uma 1m; l' . "t A, *n da mais alto a¡ u vxuradrtira ou lznzzi ção em le~ êço ao mi › __ A, 'z z >V4; _ mo que ic-cundarum com sangue, suo. - c lágri¡ a. : e¡ grande obra da penetração no solo de 1105805 ln-ejos, de no sus ou ' gas, de ¡iossos curiris e de ! russas aerkõe. . came mmsag; e introdutoros da fé, como portadoras c vnngunrrleiros cl¡ cultura. Teve seus traços do epopéia a transposição dos li. mitos di¡ serra d: : Cupaoba e da rui o dc Pilar, :: s d fronteiras por muito tempo entre o civilizado g ' o mundo quo o luso dom mvn e o mundo que v / ia tncape da mnrubixaba cariri ou tamúo. ouvindo a 'nua' , da inúbia e o tunger da mai-asi nas arrancadas da nas festividades da paz. Nestas gostas gloriosas hri nun paraibanos Lla mui ja témperu engrosssndn as hastes : le Luiz Soares, Teodosio dc Oliveira Ledo, Pcdrc Coelho de Sousa, Antônio (le Oliveira Leão e Sebastião da Silva. . Transocrreram os séculos XVI. XVII c XVlIl. A o 1- quista, a guerra contra a l olnndn, a integração do abnt gn nas ir its. du cultura, lion: -u o século XIX com rnrl: r: seu coeficiente de miralyclai e, promessas, ii luz do libr- ralismo filkido à Revolução Francnsn. As idéias libertárins se ass xliorearam do Ocidente e o colonialismo sofreu o seu primeiro embate. nã: irrf 'or nos embates modernos nn Argélia. no (longo Belga, nas ter s dominadas ¡Jelo imperialismo britânico. 0 panteun paraiba- no arroln entre os heróis dêsae nxomcnto histórico de nossa term Jose Peregrino Xavier do nrvallio_ Amaro f' mes Coutinho, Francisco Caim-r Os¡ VPifH- P" ^nf^“" Pereira ele Albuquerque e Inácio Leopoldo de Albuquerque Illnranlio, !mártires da Revolução de 1817. André Dias de Figueiredo, João Alves Sunchcs Blassu, lllatins Lln Gama Cu- laral, José : le Melo Muniz. Francisco Xavier Monteiro (ln França. Antônio Manuel da Silva (Íoclho. Àntñnizrcfdlliru) Alves da Silva. Manuel da C235: Lima, Blunucl Clamor: Cavalcanti, Estêvão Jose' Cnrneirn da Cunlvu mu¡ s mui: que tiveram a coragem de afrontar n protérvm lusa no SCH (lescspêro final, já nas vésperas de 13123. José Peregrino Xavier de Can' “m, im de Parreiras. que urna o salão nobre da Palacio do Gus/ Er: encarnar¡ em seu entusiasmo juvenil : m ( raçõI-s l : le nossa gente naquele grande Inomcnto da História raibana. O Império Brasileiro surgiu Llvsun com* tlcssas iniu. .ças cujas vítimas aitivas. 3'? ? stzplicl o pclourinlzo . l c' 11135.50; C 5V ll CGÍÍÚO “ll”. l H3: _227-v
  3. 3. ignuminiosas; e surgiu como uma aurora de esperança apos as angústias e os horrores de tremenda borrasca. C3 Império nm u lci. era a ardem, crn o respeito às instituiçoes, era o prestígio internacional, ara o baluarte da liberdade no con- lincnte que a caudilliagem tiranizava, era o avanço vertigi- . da cultura e da civilização no que elas têm de mais ele- xndo para o aperfeiçoamento humano. Tilulares do Império os teve a Paraiba nos senhores Visconde de Cavalcanti e Barões de Maraú, de Araruna. de . Abiai o dc Mamanguape - Diogo Velho Cavalcanti de_ Al- Luqucrquc, José Teixeira de Vasconcelos, Estevao Jose da líucha. Silvino Elvídio Carneiro da Cunha e Flávio Clemen- lino da Silva Freire. Homens seriam do protocolo e da eti- queta, da casaca e do “eroiset”, da condeooraçno e da co- menda, mas o que não padece dúvida é que desempenharam n muita : nobreza e muita dignidade o seu papel na poli- lira c na vida privada, a fronte da máquina administrativa do Estado como à frente dos seus lalifúndios agrícolas e pas< l: is. de suas fazendas c de seus engenhos. São dignos em tõda a linha de figurar no panteon po- ruihuyio. lu n República quase explodira como a eclosão de três grandes ressentimentos contra o Império e o dinasta reinan- Ic. O rc enlimentn do latifundiário espoliado pela abolição li. cirn; o ressentimento do militar espoliado no seu o dc pensar e de falar. pelo ultra-civi smo do Impe- IMlUI', o r entimcnto do clero espoliado em sua liberdade mm u pri o c condenação do Bispo de Olinda, D. Frei Vi- la. laria Gonçalves de Oliveira na famigerada questão t. , r. O morimento encontrou na Paraíba representantes o lí. mw (io ¡uuior mlôvo _ Ar des Lôbo, Maciel Pinheiro. o I. lxoa. Venâncio Diciro, Tomás Mindelo, Antônio m. lnnjosa Varejão, Almeirl-r Barreto, Epitácio Pessoa, 11.¡ : lu-! raduu Podrn Américo, Alvaro Machado, Gama e Me- lu. Vuilrvdo Lcul. Cuslro Pinto. Cunha Pedrosa, Flavio Ma~ rui. . Repulvlicnnos I¡ s ãriccs uns. adesistas da primeira ho: 1.¡ rnF. ndéptus do novo rcgimo após a sua consolidação os ÁXÚJXIHCF. Foram os mais nava- da geração atuante nn 1 ” Rc» . co I'm mu' baum o bastão do comando político à go- o : lc 3d. qu: l, a rcvoluç o ou a cla aderiu, c que l “Í Hi4' mà inc: do Pais, para rxxrrcL r ou desme- do futuro. Castro Pinto, Cunha Pedrosa, Flávio Maroja, Assim terminava eu n resenha dos paraibanos mais novos da 1.“ geração republicana - seqüência dos velhos paraibanos do Império, da Colônia, dos primórdios da conquista. os pu- raibanos cujos nomes aureolados são dignos em tôda a linha de figurar no Panreon da Pátria, Flávio Maroja não ! eme confronto com nenhum tlêlrsr à luz da sua biografia, do seu amor à Terra 1V , do seu idealismo equilibrado e operautc, de sua atuação sócio-cul- tural em nosso meio como licmem público. como chefe de família, como profissional da Medicina, como espírito cuja capacidade de sentir e cujo poder de irradiação o sagravam pioneiro e líder nas pugnas da pensamento e na cruzada por um mundo melhor, "Filho de Manuel Ferreira da Silva Marujo e D, Fran- cisca Leocádia Ferreira Lia Silva Maraja, nasceu Flávio Fer_ reira da Silva Marujo no dia l. " de setembro de 1364, nn Fazenda Chaves do municipio de Pilar, neste Estado. “Fez seus estudos primários no municipio dc Pedras de Fogo e seus 'preparatórios nesta Capital. Tvrminandb o curso de humanidades ingressou na Faculdadc de Medicina di¡ Bahia, onde cursou até o 4,3 ano, quando se transferiu para o Rio dc Janeiro. Recebeu seu diploma em ciências ¡nédieas e cirúrgicas cm dezembro de 18GB das mãos do Sm Majestade o Imperador D, Pedro II, “Regrersando a sua terra natal, foi indicado pelo : n« tão presidente da Provincia Barão (lo Àlxlahy, para pr r serviços no Batalhão de Segurança, tendo dcpnis sc cfc": - vudo como médico dq Exército por concurso ¡irrstvdo no Ri¡ de Janeiro. Após foi designado ; Iara servir nn Cunrniçãü do Goiás, onde permaneceu (lllTíUIiP um nM 'ls' *s* 'r a esta Capital já no põsto de capitão pcdr (lcmissão (ln Mr- riço do Exército e se dedica à clinica¡ médica nesta cidmlr. “Fêz de sua profissão um sacerdócio. dndr , ando-se fm'- vorosamente às classes menos favorecidas, Éxercrv¡ ' ins cargos neste Estudo como sejam: Cheio d-r Saúdo dos P r tos. e membro da várias ccmissõvs federais “Dedícandn-sc i1 higiene. foi orgnn adm' o Chelc No Serviço dc Propaganda e Educação Snnil' 'u_ Fund 1 o lm- liluto Vacinogênico. na época um que grossura grinc s de variola nesta Capital. “Diretor do Hospital “Osvaldo C u rv . o : saulo do llcspilal “S m: : COHEDlhO dc lnslrug : o Púlyl a-Io '. d, .tor nor quase mcxniv J r, Nuüvzu > 2 f' P; sirÍrnâc do _S29-
  4. 4. Instituto Histórico e Geográfico da Paraiba, fundador e 1." Presidente da Sociedade de Medicina e Cirurgia da Paraíba, onde por muitas vêzes se manifestou pela criação da Facul- dade dc Medicina, Farmácia e Odontologia. Foi um dos fundadores do Instituto de Proteção à Infância. "Teve também parte ativa na política paraibana, ten- do sida deputado à Constituinte e em várias legislaturas, che- gando ao cargo de l. " Vice-Presidente do Estado no qua- triênio de 1920-1924, _ . “Dotado de grande inteligência e ptodigiosa memoria. militou na imprensa local, onde publicou artigos sôbre va- rios assuntos, de preferência sôbre higiêne, tendo sido um das grandes batalhadores do saneamento do vale do rio Gra- ranma. "Cansorciou-se no dia 29 de julho de 1898, nesta oi- dade com D. Maria da Purificação Carneiro da Cunha, da familia do Barão do Aliiahy, deixando vários filhos. "Faleceu no dia 15 de fevereiro de 1940, depois de mais de 50 anos de bons serviços prestados a sua terra que tanto amou e digniiieou". Eis n sínt biografias de Flávio Mar-aja divulgada pela imprensa de Joao Pessoa, ao noticiar as solenidades come- morativas do seu centenário. Apertada nas fronteiras angustiantes dêste curriculum vitae. a figura ciclotimica e extrovertida. nervosa e vibrátil de Flávio Maroja rompe-lhe ns malhas constritoras pelo verbo do biógrafo e estadeia os dotes humanissimos de sua personalidade por todos os setores que perlustrou na vida. llccém formado em Medicina pela Faculdade do Rio dc Janeiro após um curso brilhante, não quis ficar na Côr- lc para a conquista dos mais relevantes postos da carreira que abraçam. Aruanda com tôdas as varas a sua terra e a sua gente -- êstc recanto do Nordeste então mais desconhe- r-idn e mais obscuro do que hoje. desejou consagrar-se todo no seu serviço: à elevação do seu nivel de higidez fisica e moral. ao adiantamento de sua cultura. A mesma atitude tcvc quando Epitácio Pessoa, chefe do partido situacionista em cujas hastes militava Flávio Maroja, com a vitória de 1915. lhe oferecem uma cadeira no Parlamento da Repú- L-lica. Minha vida é o Hospital Sumo Isabel, o Instituto His- tórico c Geográfico Paraibano e a Sociedade de Medicina, ¡wfir-izrava muitos anos depois Flávio Maroja atestando a per- dur idade e a solidez daqueles sentimentos. Médico e Di- mm oa Ilospital da Santa Casa nesse periodo de quase 50 _230- "' "íiíw ' ' "A anos, identificou-se com s instituição, levando o conforto do seu altruisino i¡ pobreza abandonada que nas vascns do so- frimento a sociedade lhe atiravo às portas. Recordar): velhas crônicas da cidade aquela tarde de novembro de 1914 em que o Dr. Mat-aja transportar: : carinhosamente do velho para o nõvo Hospital da Santa Casa em bondes, em carroças e em carros de bois aquele rebutslho humana que tanto lhc merecia. Recordar: : velhas crônicas da cidade que certo dia fôra cortado o fornecimento de pão do Hospital pela exten- são da divida acumulada, e que o Dr, Maroja íõra pressu- r-oso ao fornecedor para dizer-lhe: Suspenda a medida, por- que eu lhe dou como garantia da divida do Hospital a mi- nha casa de residência, única que possuo, no valor de 50 contos. . . Conheci pessoalmente Flávio Mnroja numa manhã do mês de maio de 1925. Fazia êle no Seminário uma pales- tra sôbre higiêne e sôbre profil ' da malária. Falava aos seminaristas reunidos num auditório improvisado. e falar em linguagem clara, didática, aqui e ali pontilhada de cx- pressões chistosas, Flávio Mai-aja na força dos seus 61 anos. com a sua calvn. com o seu cavanhaque grisalho. com o seu terno impecável de casimira cinzenta. com sua esmeralda doutoral. com seu colarinho duro, com sua gravata escura que uma pérola discretamente adornava, com seus punhos engomados em que rebrilhavam nbotoaduras do ouro. com seus sapatos de verniz roluzentes, espelhsntes. ,. Dirigindo-ae a um seminarista que lhe part-cia talvez antiga vítima do hematazoario de Leveran. dizia Flávio M: ~ roja: "Padre Mastro. eu vou armar uma equação". E csero~ via no quadro negro: - homem sadio + mosquito = ho- men¡ doente. Sem o anofelino transmissor não haveria im. - paludisn-ro. E dizia a outro seminarista, êste com cara dc opilado: “Padre Mestre, eu vou fazer o perfil do paraibano das clas- ses humildes no Brejo, no Cariri e no Sertão: Amarelo, bar- rigudo. cheio de vermes". Era a opilnção. u ancilnstomiasc endêmica em nosso Estado. E o: amarelinhos snmhudos em que se fixavam faiscantcs as lunetas de Flávio Maroja fa- ziam uma cara ruim, já prevendo as chacotas dos colegas nos próximos recreios. Os padres que se ordenar-am na década 199Íl-1910 r0- lernbra-me o jovem dr. Maroja dedicadissimo medico do Se- minário nas rcitorias dos Nlorxsculmres Joaquim de Almer- da e Manuel Paiva, receitando para aos distúrbios gastro- «231-
  5. 5. intestinais da rapaziada, o temível chá dc bico, circunlóquio popular do clássico clister ou da familiariasima lavagem, E velhos que eram moços nos finais do século XIX mz- falam do dr. Marujo. de João Américo de Carvalho, de Francisco Coutinho de Lima e Moura e de outros represen- tantes da época. a delieiarem-se com os duleissimos caju: e com os inesquecíveis banhos de açude da granja “Cruz das Armas", do velho . luna Rangel. . . Era sempre a mesma a figura humana do dr. Maroja na sua sensibilidade, no seu ? anus emotivus, O tribuna que falava aos leitores nas colunas da A UNIÃO ou do "Comér- cio", o intelectual que falava aos homens de cultura nas ter- ui ias e nos congressos históricos ou científicos era o êmulo d: : Vicente de Paulo que falava à criança abandonada, mal- trapilha, faminta, em qualquer recanto d aeidade, levando-a para casa, oferecendo-lhe um lar. . . Se as ciências e as letras que Hávio Maroja eultivou não lhe secaram os mananciais humanos de uma alma pro- fundamente sensível, muito menos a politica. pois sendo i1 PDHÍÍO# Para Flávio Matej! ! o serviço público realizado na linha da moderação, da experiência e do senso comum no conceito de Rui Barbosa, tinha como lema o solus populi suprema lex esta, do legislador romano - seja a salvação do povo a suprema lei. Política de principios, de altos idea¡ e nunca de cambalachos, de felonias. de malabaris- mos. (lc pieuinhas, com o remate lógico Cio tuharonismo, da nicsonestidade, da eorrução e da crúpula. Sincero e lealdoso I*II'*a rom ns . seus amigos, Flávio Maroja em lealdoso e sin- cero para com o partido politico em cujas fileiras militavn, :s 'vosso êle no poder ou no ostra ismo. Caira, com a ve- nnncismo nu última década do século XIX. e só se reer- , ruici-u, com o venancismo, que Epitácio Pessoa fizera ressur- gir nn segunda década do século XX. Flavio Bial-oia foi um jornalista de marcada atuação na imprbnsn (la I'arail: a, pelos artigos científicos e doutrinários que publicava_ durante perto de 40 anos na “A UNIÃO". no "O Come. ,o ^, na revista do Instituto. em publicações ou. tras que aqui surgium com vida mais ou menos efêmera. Dhulgslt (lnutrinatltlo os conheczmcntns médico-científicos; ¡n-niliguz¡ curtos hábitos aqui arcuigndcs e não condizente. : com a boa linlm social; elaborou crônicas em prosa e verso, manvisaitlo com inexcetlivel tlonuire o ostiletc da sátira no rxcrcicio pleno do ridmula corrige muros, Q 'ando os estudos sôbre o Schzslotonta Illansoni c _232_ i 1 p¡ shistosomose de que é êle o transmissor mal atiugiam a Ca- pital da República. jú Flávio Maroja abria pela imprensa da Paraiba campanha cerrado contra os planorbidcos portado- res comprovados daquele parasita no Nordeste do Brasil. ou melhor na faixa compreendida entre a Bahia e a Paraiba. denunciando os hospedeiros intermediários do SchL-; tosomrzz o Austmlorbís Glabrotus ou o Trupicorbis Centimcntrulis - as aparentemente inofensivos lolôs ou aruás das nossas lagoa» Pressentindo a ronda da Febre Amarela, que já fizera misérias no Rio de Janeiro, clcclarado porta sujo por cbr-i de suas investidas, escrevia Flávio Marujo: 0 [aptos-gun ieteroíde do pranteado cientista japonês Hidayo Noguchi apreciou muito o nosso sangue, encontrou no Pais os mc- lhores elementos de vida, e daí as dificuldades de desalajá- lo. Ainda assim não lhe demos tréguas, Sejamos os conti- nuadores da cruzada gloriosa de Osvaldo Cruz no Rio d: .letreiro e de Emilio Ribas no Estudo de São Paulo. Chefe do Serviço de Propaganda do Saneamento Ru _ Flávio Marujo publicou nos jornais da terra um plano dr! nitivo contra o impaludismo e a cneilastonziuse. “Ao lado : lo impaludado está sempre o opilado. asscguravn. o doente _da nmnrelidão infiltrado, encarado, com o ventre de batraqnm. fazendo companhia ao seu irmão. Os porlndürcã 405 (11395 moléstias mais comuns dêste clima parecem irmonudos. Achando que ainda não era bastante. Flávia Bier visitava as fábricas e pregava aos operári a sôbre o n do corpo, as precauções no trabalho, n lavagem] C_ s t. proteção dos pés com calçados adequados, o perigo: l lsito do cuspir no chão, a antidiigiênica varredura cm s o, o lixo depositado no canto da cozinha ou dci-nado no quin- tal, ai fermcntando e servindo de pasto ? as most-ns. nas w-n quilos, aos ratos, terrixzcis inimigos do homem como ! reur- missores da moléstia e da morte. E achando que devia fazer ma' . hi se ia. run n faz' sob o rigor do soalhcira causticautc. zztzompanhandn o ; guar- da sou auxiliar, que i¡ luz (lo hoEoÍotn in LlBSCOlJF o zvnrJvn lino ou n alega/ nie _Iascinta para bnmbarxl a-los cum n pul- vcrizador repleto de inseticidas. E ainda havia tempo para rsorcvrr sôbre a t' turu do côco e os lucros de sua indústria. especialmente sobre 5:¡ de côco e o seu valor terapêutico contra as cistiicp rcin-Llr centra o arlritismo mcsnlo em ua 1. iniicsrçl” hell¡ c cczeun, conlxa a¡ ictcricia. › teriocsclerosc .
  6. 6. E tempo aparecia também para molhar na pelo das vi- sitas importunas aos doentes, duplicando-lhe assim o mar- tirio, o sofrimento. Aquelas que indagou¡ minuciosamente os começas do moléstia; se arvornm em hábeis propedeutas; e fun-nem e cospcrn nun: atentado 'a polirlez e à higiene. E tempo não faltava para uma vez ou outra. fltfscn' Íastiar-se dos assuntos téeniomcientíficos no comentario; fatos do dia, assinando com o pseudônimo Gil, as saborosa- wmas trovas do “Salão Vermelho”. sessão que mantinha no “O Comércio”. Ai vai uma amostra. Certo plumitivo da terra usando as iniciais A. A. es- crcvern a Celso lllariz, já consagrado boletrista: “Sobe, sobe, .sobe ainda. sobe muito mais, que e' dos homens de tua têm- pera subir". E Flávio Maroja hlagueava em versos: Não suba; Celso, te digo, Toma conselho de amigo, Não te metas em funduras Subindo nessas alturas: Não te faças de balão. Porque assim, meu Mariz, Podes quebrar o nariz E magoar teu coração. E' melhor vires prá qui Cacetear o Cori . O Cori era o professor Corioluno de Medeiros, então sccrelzíriu : lo Instituto Histórico e Geográfico Paraibano. Senhoras, ¡zerdoni-nle o chavão, mas que á um chavão uaprcssivo o veraz. Flávio Maroja foi durante 30 anos a ol- nm (lrsta casa. ' CLS-fundador do Instituto Histô co e Geográfico Pa- ¡Êubano ctn 7 do Setembro do 1905, já o encontramos na lTPalLlBHmu. de 1907 a 19013. Presidência que se repete de 1909 a 1910 e dai prossegue sem interrupção até 1931, títlallllü o Instituto o fêz seu Presidente de Honra. nssistia assiduamcnte às sessões; estimulnva os compa- s n: : amor e na defesa do 110550 patrimônio histórico utlnha o lnstiâulo ou¡ projeção ao tratar. uur movimentos de ordem cívica ou cultural. u mesmo coisa. .mms. trozírzz, r Elia( a sua an¡ a nos . imu- 7234- t ' V773? ñ _1 * 4.. ..; *fassa*s2*"“"”"“'“”"““~"< nas do Instituto, fooalizemosdhe o contingente d; celebra. g5 pela Paraiba do centenário da Revolução de 1817, c da reunião em nossa cidade, do VII Congresso de Geografia, Mostremo-lo como um dos promotores mais entusiastas das fc tas com que a Paraiba comemorou a passagem do cente- nário da Independência, em 1922, e da Confederação do Equador, em 1924. "Se mais não tivéssemos para compensar os nossos es~ forças, dizia Flavio Maroja em seu discurso proferido na sessão magna comemorativa do 20.° aniversário do Insti- tuto. em 1925, se mais não tivéssemos para oompensar os nossos esforços, se mais não contússsmos para cimentar o nosso orgulho bastava-nos a comemoração da Revolução Re- publicana de 1817, lembradas um por um os heróis e meir- tires que nela tomharam em homenagem 'a liberdade pátria. bastava-nos a Reunião do VII Congresso Brasileiro do Geo- grafia, realizado nesta Capital em maio de 1922, bastava-nos a solenidade em que tomamos parte por ocasião do trans- curso do 1.” centenário da nossa independência política; bastava-nos as homenagens que fributnmos 'as figuras ines~ quccíveis da Confederação do Equador -- 1824-1924; bas- tava-nos enfim ter consignado que em nosso meio j¡ foram ouvidas as palavras de Oliveira Lima, Rocha Pombo, Vi- riato Correia, do aprcciatlo orador saoro Pe, Luiz Gonzaga Cabral, de César Magalhães e de outros". No dia 1,° de Setembro do 1926, há trinta e oito anos, o Instituto Histórico c Geográfico Paraibano reunido ex- traordinúriamcnte fêz oposição em sua galeria de honra. «Iõslc retrato de Flávio Maroja. Entre os que assistiram à solenidade figuravnm José Gomes Coelho, Cotiolano dc Me- deiros, Niuorlcmus News, lVliguel Santa Cruz, Alvaro de Car« valha, José Rodrigues de Carvalho, Antenor Navarro, José do Seixas lVIaia, Simão Patricio, Eudésia Vieira, Ademar Vi- tlal, Heráclito Cavalcanti, ltíateus de Oliveira. Na Revista do Instituto, Vol. VI de 1928, publicou Flá« via Illnroja ulentado artigo sôbre o 1.° Centenário da Ca- pital de Pernambuco, ocorrido lni 15 de fevereiro de 1927, artigo onde sc lêem estas linlws magislrais de magistral crí- lzcc. .istóricnz “A nossa l' ' ía cstá couslontcl' ¡rcmeml ou ser¡ por um deliberado pr u¡ a su: ção nata : :http ' . 1 w ns i' w. , ou scja par um intuito t-. rvado do ' 1 É( 'fe 5 log' ima verdade h' . não z¡ sofre: - golpes to ! le ' : rola stxrol- rar : latas o _ E a v2 4 ~- 233 r-
  7. 7. História, já dizia em seu tempo o Monsenhor' Munia Tava- lveg “é g experiência das Nações, é a conselheira mais subiu dos reis, prestando, pois, oquêle que u escreve mui relevan- lc serviço". , No relatório apresentado a sessao magna dc 7 de batem- hru de 4927. dizia o Presidente Flavio Marog' “Apesar da velhice, aqui nas encontramos ainda neste pôsto em que temos contribuido de acordo com' os nossos recursos intelectuais para a afirmaçao do nosso civismo, no culto nunca odormcntado mas cada vez mais vtviüeante das nobres tradições nacionais, no respeito a obra dos ante- passados, às glórias do nosso povo . Em 193], 20 de abril, passou Flávio lVIaroja a Presi- dência cfetiva do Instituto, ao Presidente eleito, Cônego Florentino Barbosa. O Instituto unanimemente aclarnou-o seu Presidente de Honra, in perpétua, continuando êlela frequentar-lhe as sessões, a dar-lhe sempre que necessario u subsidio vnlíosissimo de sua experiência, de seu espírito (Ottcilitltlür, a honrú-la uma vez que outra com o brilho do seu verbo Elamantc, até 1B de abril (le 1933. . . Na Revisto do Instituto, dc 1932, Vol. VIl, é de Flá- io Dlaroja o artigo introdutório. Aparccia a Revisto apos 4 anos de interrupção. “Assunto constante das nossas conversações, irmanados no mesmo querer e sentir, escrevia Flávio Maroja, jamais perdemos a esperança de que um dia ôsse real e precioso do- cumento da nossa existência viesse dizer que não fôra vão x- eslõrço empregado peles que zclnm a vida dc nosso grê- mio enfrentando os óbices com resignação sem mnrmurar' c sem invcctivar autoridade". A 8 de maio de 1932, na sessão magna do Instituto em homenagem ia memória do interventor Antenor Na- varro, tragicamente morto num desastre de avião. discursou de improviso Flávio Maroja exaltar-ido a personalidade do grande revolucionário de 30, digno continuador da olira ad- ministrativa de João Pessoa, “homem simples, sem bnsóiia, sem ênfase, tal como nos aparecia antes dc sua investidura nas altas funções em que a morte o viera colher de modo tão brutal' . Teria sido o seu canto de cisne no luis-titulo? Parece. Realmente d ' Veiga Junior em discurso proferido a 25 de lsvereiru de 19oC, por m_ da hoizicnagrrzr sin Í titulo à memória do seu Presidente de Honra, receniemeirlo -236-- à “E falecido, que íôra n sessão de 1B dc junho de 1933 g úmma que éle presidira, _m_ Aqui começa a via-crucis de Flávio Marojn, para cuja grandeza humana faltava ainda a consagração do martírio_ _ _ Cegara em 1937, após unir¡ operação dc catarata, O seu temperamento nervoso, a sua vibratibilidade emocional provocaram aquele fatal derrame do humor vitreo, não per- mitindo que a intervenção cirúrgica se eoroasse com o dese- jado efeito. Foi uma catástrofe. Íegara como Afonso Domingues, o arquiteto constru- tor do mosteiro da Batalha, Cegara como Monte Alverne. o grande pregador dos áureos tempos do Império. Cegara corno Camilo Castelo Branco, o gênio literário que traçou as páginas imortais do “Amor de Perdição". Mai-aja, porém, não sofrera o desprestigio em conse- qiiência da cegueira. Nem chorava as posições dc relêvo de que a cegueira o arrancara. Nem dêle, por causa da cegueira, se afsstaram os ami- gos, como nquêles ¡mpávidos marotos do célebre soneto de Camilo. Fõra a própria cegueira, solidão do corpo e do espirito. que o subtrair: : ao convívio dos amigos do Instituto, dos ami- gos da Sociedade de Medicina, dos amigos da Santa Casa de Misericórdia, dos amigos enfileirados nas estantes de sua biblioteca, os livros que lia para solidificar a cultura, para atualizar-se . Esta cruz, cujo pêso a familia procurava carinhosamen- tc suavisar, levou êle ate' o dia 15 de fevereiro de 1940. quando acabou de morrer. . . ~o~ Mas de qualquer mudo, velho Maroja, aqui estamos 116a os teus amigos do Instituto Histórico e Geográfico Po- iaiboiro, os teus amigos da Sociedade de Medicina_ O: tcus amigos da Santa Casa de Biiscr-. cordia. Aqui está a Pa- raiba, que tanto adnraste, no que tem ela de mais seleto em uírctlles sócio-culturais para dizer-tc: irão prrdcste o stmcnsle a lua semente cm tm tempo velho Nlaroja, terra estéril. E nós do Instituto Histórico e Geográfico Para' _íuramos velho lVlaroja diante da tua cfigi , que em ¡Iossas s* ' . cri o instituto. _m_

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