Cultura erudita e cultura de massas

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A apresentação procura contextualizar historicamente o surgimento da cultura de massas, estabelecendo algumas de suas características principais.

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Cultura erudita e cultura de massas

  1. 1. Jornada de Letras da Uniban 24 e 25 de setembro de 2007
  2. 2. O Popular, O Erudito, O Massificado
  3. 3. Balizas Conceituais Tradicionais • Cultura Erudita – Elite intelectual como árbitro supremo dos valores culturais e artísticos • De massa – Imposta de cima / padronização / mercado • Popular – Folk, homem rústico, tradições em desagregação consequente aos processos de industrialização, urbanização e “americanização”
  4. 4. Escola de Frankfurt Conceito de Indústria Cultural – Núcleo: padronização – Periferia: pseudoindividualização
  5. 5. Cultura Erudita (Arte) Cultura de Massa (Cultura Popular) Masculinidade Produção Trabalho Intelecto Atividade Letrada Feminilidade Consumo Ócio Emoção Passividade Iletrada
  6. 6. Destituição da aura pela reprodutibilidade através da impressão serigráfica Andy Warhol, Mona Lisa, Trinta são melhores que uma Benjamin Reprodutibilidade técnica muda as condições de recepção da obra: amplia a esfera de participação
  7. 7. Gramsci: hegemonia: Primeiro liderar para depois exercer o poder. Liderança leva ao consentimento e à subordinação ao discurso do grupo dominante.
  8. 8. Estruturalismo e 24 Horas • Esquema invariável: – X confere uma missão para Jack Bauer; – O vilão é sempre ambíguo, e muitas vezes não é quem o espectador imagina; – Jack começa a desvendar a trama; – Figuras de traidores começam a aparecer, assim como de mulheres em perigo, geralmente ligadas à Jack; – Jack tortura e é torturado; – Jack sempre perde a mulher e termina solitário, em nome de seus princípios;
  9. 9. • Outros elementos estruturais: relações entre os personagens, ideologias, relações entre tipos distintos de valores – cobiça e ideais, amor e morte, risco e planejamento, perversão e inocência, lealdade e deslealdade – Vitória do risco e da decisão individual sobre o planejamento e a hierarquia da cadeia de comando. – Invenções acessórias capturam os observadores mais sofisticados. Repetição do esquema habitual: preguiça imaginativa: narrativa do já conhecido: prazer em seguir as variações mínimas pela qual o vencedor cumpre o seu objetivo (Eco). 24 horas não segue totalmente o esquema de um jogo previamente determinado: a sequência dos episódios não se encontra estabelecida a priori, e o destino e caracterização de muitos personagens e situações são elaborados no decorrer da história, tendo como parâmetro a reação do público – circunstância de recepção da mensagem. – 24 horas tenta dissolver oposições binárias. Será que consegue? Por exemplo, quando apresenta um presidente dos EUA agindo contra os interesses do próprio país. Entra em ação a Razão Cínica: em nome de um princípio, violo esse mesmo princípio. É possível fazer uma leitura do tipo “pânico moral para estabelecer lei e ordem”... Mas, de onde vêm essa lei e essa ordem, quem é representado por tais instâncias? O seriado, assim, seria eficaz no sentido de representar a imaterialidade e a dispersão do poder, nesse mundo líquido em que não faz mais sentido falar em identidade nacional? No elenco: pessoas com posições políticas diferentes. – Massa e elite / primitivismo elementar e sofisticação cultural
  10. 10. Comunicação de Massa Sociedade subordinada aos meios de comunicação de massa Signos da cultura popular e as imagens dos meios de comunicação de massa estão assumindo a função de definir o senso de realidade Peter Sellers em cena de Muito além do jardim.
  11. 11. Mundo Moderno Mundo Globalizado Ordem vertical Orientação paterna Verdade Da impotência à potência Diálogo Raciocinar (raisonner) Estático Hierarquia e grupos Treinamento e especialização Avaliação Adversidade Razão asséptica Futuro:projeção do presente Ordem horizontal Cálculo coletivo Certeza pessoal Da impotência ao impossível Monólogos articulados Ressonar (résonner) Interativo Radicais diferenças Pluralização de experiências Responsabilização Oportunidade Razão sensível Futuro:invenção do presente
  12. 12. Cultura: categoria central Durante um longo período descrevemos e analisamos a realidade social em termor políticos: a desordem e a ordem, a paz e a guerra, o poder e o Estado, o rei e a nação, a República, o povo e a revolução. Em seguida a revolução industrial e o capitalismo libertaram-se do poder político e apareceram como a ‘base’ da organização social. Substituímos então o paradigma político por um paradigma econômico e social: classes sociais e riqueza, burguesia e proletariado, sindicatos e greves, estratificação e mobilidade social, desigualdades e redistribuição passaram a ser nossas categorias mais comuns de análise. Hoje, dois séculos após o triunfo da economia sobre a política, estas categorias ‘sociais’ tornaram-se confusas e deixam na sombra uma grande parte de nossa experiência vivida. Precisamos, portanto, de um novo paradigma, pois não podemos voltar ao paradigma político, sobretudo porque os problemas culturais adquiriram tal importância que o pensamento social deve organizar-se ao redor deles. Alain Touraine, Um novo paradigma para compreender o mundo de hoje, p. 9.
  13. 13. Diversidade Cultural: Dimensões
  14. 14. Diversidade e identidade • Indústria cultural, produção local, língua portuguesa, línguas indígenas, referências simbólicas • Cultura associada com desenvolvimento, junto com educação-segurança-saúde • Grande vocação do Brasil (Brant, De Masi) • Preservar o “afastamento diferencial”, e não a peculiaridade (Hermano Viana) • Brasil país do futuro (que nunca chega ou que nunca chegará?)
  15. 15. Futuro • • • “o mundo será constituído cada vez mais por projeções midiáticas e por imagens da cultura popular – televisões, dvds, videogames, computadores, iPods, iPhone, anúncios publicitários, podcast, shopping center... Novas profissões: marketing, design, arquitetura, jornalismo e televisão, assim como aquelas associadas ao aumento do crédito do consumidor, e também, magistério, pesquisa e assim por diante – associadas à definição e à venda de noções de realização e crescimento psicológico e pessoal. (Strinati, p. 229). Cada vez menos serão os “padrões de consumo” que irão definir o que será produzido, mas sim uma antecipação do futuro. Daí, hoje, escritores de ficção científica serem contratados como consultores de altos executivos (ex: Vernor Vinge; Bruce Sterling, autor de Tomorrow Now, comentado no artigo “A inteligência das espécies”, publicado no Caderno de Cultura do Estado de São Paulo do dia 23 de setembro de 2007)
  16. 16. Quebra das identidades • Cultura popular e meios de comunicação de massa como pontos de referência para a construção das identidades coletiva e pessoal
  17. 17. Cultura popular hoje Indústria do patrimônio histórico / turismo da memória • Cultura popular Vs Folclore – Compra de reminiscências e emoções que evoquem o passado: valor emotivo-mnêmico ligado aos sentimentos nostálgicos – Passado comercial, não socialmente instruidor nem estruturante – Reabilitação de coordenadas da tradição (políticas públicas), de exigências étnico-religiosas que se apóiam em patrimônios simbólicos de longuíssima duração e de origem diversa (Lipovetsky, Tempos Hipermodernos, p. 97)
  18. 18. Diretrizes para pesquisar • O comportamento do público • O papel do poder na constituição dos contratos entre textos e público. Meios de comunicação só são capazes de exercer poder sobre o público na medida em que haja um “contrato” entre os textos e o público • Estudar os modos de interação dos produtores – seus propósitos, estruturas institucionais, restrições externas, relações com criadores, escritores, artistas, etc

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